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A Câmara Municipal do Sabugal apresentou para discussão na Assembleia Municipal o Orçamento para o ano de 2010 e as Grandes Opções do Plano (GOP) para 2010/2013.

José Manuel Monteiro - «Largo de Alcanizes»Este documento pelo seu conteúdo e por aquilo que ele significa é dos documentos mais importantes, não me referindo ao Plano Director Municipal como é óbvio, que a Assembleia Municipal analisa durante o mandato autárquico. A sua importância advém de ele conter, ou dever conter, a estratégia e o modelo de desenvolvimento que se pretende implementar para o concelho nos próximos 4 anos.
Na apresentação do documento é referido que as Grandes Opções do Plano seguem as orientações do Plano de Desenvolvimento Económico e Social do Concelho do Sabugal, aprovado em 2001. Seria interessante desenvolver e apontar quais as orientações e como é que elas se concretizam no período 2010/2013. Não o é feito pelo que, a leitura dos números deste documento são o indicador dessa estratégia e do respectivo plano de acção para a concretizar.
Analisemos então alguns dos números e o seu significado.
O Orçamento para o ano 2010 tem um valor aproximado aos 30 milhões de euros, cerca de 2,4 milhões de euros superior ao Orçamento aprovado para o ano 2009. Em período de crise e recessão económica um orçamento superior ao anterior parece não ser natural. Contudo, porque o objectivo não é fazer uma análise técnica ao documento, aceitemos como válidos os valores apresentados, até porque cerca de 13,6 milhões de euros são receitas extraordinárias provenientes de Fundos Comunitários (9,2 milhões de euros) de candidaturas apresentadas e ainda não aprovadas, as mais significativas do ponto de vista financeiro, e empréstimo bancário (4,4 milhões de euros). Exista capacidade de concretização.
É importante recordar que, em 2008, a taxa de execução do orçamento ficou-se pelos 61,2% na parte da receita e de 56,4% a despesa, sendo que a despesa de capital onde são classificados entre outros os investimentos se situou em 37,9%. A taxa de execução do Plano Plurianual de Investimentos ficou em 31,9%.
Deixemos o passado e projectemos o futuro. Dos 30 milhões de euros previstos o município afecta:
– 20,5 Milhões de euros às GOP;
– 4,2 Milhões de euros a pagamento de pessoal;
– 5,3 Milhões a outras despesas.
Parece-me um documento equilibrado do ponto de vista da afectação dos recursos financeiros disponíveis.
Vejamos contudo as prioridades definidas nas GOP e a sua distribuição pelas 3 áreas com mais meios financeiros afectos:
1 – Desenvolvimento económico e abastecimento público – 6,5 milhões de euros;
2 – Comunicações e transportes – 6,5 milhões de euros;
3 – Educação – 1,9 milhões de euros.
Continuo a pensar que em termos de modelo de desenvolvimento nada tenho a acrescentar e o subscrevo. Desenvolvimento económico, nele incluindo o turismo, mobilidade e acessibilidades e educação, são efectivamente três áreas prioritárias. Mas, vejamos que acções se propõe o município concretizar:
Dos 6,5 milhões de euros destinados ao desenvolvimento económico cerca de 3,9 milhões de euros são para as «Termas do Cró», onde já foram gastos cerca de 1,1 milhões de euros num valor global de 5 milhões de euros. Nesta área são depois afectos 510 mil euros para aquisição de terrenos, 760 mil euros para subsídio à exploração da Empresa Municipal «Sabugal+», 541 mil euros para abastecimento de Água, 153 mil euros para o Pólo Empresarial do Souto e 137 mil euros para a Localização de Empresas no Alto do Espinhal.
Sendo assim, e relativamente às Termas do Cró pergunto:
– Existe um estudo de viabilidade económico-financeiro? Tendo apresentado uma candidatura ao QREN esse estudo deve ter acompanhado a candidatura. Que resultados apresenta?
– Que modelo de Gestão está o município pensar utilizar na exploração da Termas do Cró? Exploração directa? Concessão a privado? Constituição de uma empresa municipal? Empresa mista de capitais municipais e privados?
Afectar cerca de 5 milhões de euros a um projecto, por demais importante que ele seja, sem ter em consideração a sua viabilidade e a sua forma de exploração, parece-me uma aventura para não dizer irresponsabilidade de quem gere dinheiros públicos. Aqui surge a minha primeira divergência com este documento, que neste concreto dá sequência a decisões anteriores.
E a aquisição de terrenos destinam-se a quê? Nada também é dito relativamente a eles.
Na área das Comunicações e Transportes os 6,5 milhões de euros são destinados essencialmente a:
– Via estruturante da Raia – 1,8 milhões de euros, para um projecto no valor de 2,5 milhões de euros;
– Variante ao Souto – 2,3 milhões de euros para um projecto no valor de 2,4 milhões de euros;
– EN 233 – Alto de Pousafoles – 300 mil euros para um projecto no valor de 4,8 milhões de euros;
– Ligação Sabugal-A23 – 515 mil euros para um projecto de 1,7 milhões de euros.
Temos aqui cerca de 5 milhões de euros só para 2010 em projectos que no total rondam os 11,4 milhões de euros.
Pergunto: São estas as vias prioritárias ao concelho de Sabugal?
Partindo do principio de concordamos com essas prioridades pergunto se não está o Município a apropriar-se das competências de outras entidades. A salvaguarda dos interesses do concelho, passa igualmente por uma afectação correcta dos meios financeiros disponíveis, mesmo com financiamentos externos há sempre uma comparticipação municipal ao desenvolvimento destes projectos.
Defender os interesses do concelho passa também pela capacidade de diálogo e de reivindicação junto de outros poderes, nomeadamente do poder central.
A ligação do Sabugal à A23, pendo eu define o paradigma do que tem sido a gestão do município. Escolha errada das prioridades e incapacidade negocial.
Esta foi uma primeira abordagem ao documento. Em futuras crónicas continuarei a analisar tanto o Orçamento como as Grandes Opções do Plano, nomeadamente as propostas para anos futuros.
«Largo de Alcanizes», opinião de José Manuel Monteiro

jose.m.monteiro@netcabo.pt

O quarto livro do sociólogo António Cabanas «A Comenda da Meimoa da Ordem de Avis» foi apresentado no Museu da Meimoa no passado dia 26 de Dezembro. António Cabanas concluiu a investigação iniciada por Mário Bento que faria agora 100 anos se fosse vivo. O autor destaca no trabalho que efectuou as referências à Meimoa num documento muito antigo «datado de meados de 1200 com uma escrita belíssima em latim».

GALERIA DE IMAGENS – 26-12-2009
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Fotos com Direitos Reservados – Clique nas imagens para ampliar

O «Jarmelista» Agostinho da Silva esteve à conversa com a jornalista Sara Castro em São Pedro do Jarmelo junto ao monumento a Inês de Castro. Imperdível.

Local Visão Tv - Guarda
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O Capeia Arraiana aproveita para desejar a toda a equipa da Guarda da LocalVisãoTv um 2010 cheio de sucessos televisivos. E para o Agostinho um abraço arraiano e muitas conquistas pela causa jarmelista na próxima década.
jcl

João ValenteDesde vez dedico um poema ao meu amigo António Robalo…

Quando regressei,
Vi que o amigo
Tentou ligar-me algumas vezes
No dia da Consoada,
E não pude atender
Por esquecimento do telemóvel
Em casa.

Mas você sabe amigo António,
Que ainda que hoje me encontre ausente
O tenho sempre presente
No meu pensamento.

Suponho que aí na terra
Tudo esteja na mesma
Desde que parti.

O Interior continua no seu abandono
De séculos,
Como terra erma
E de fronteira,
Coisa que não se muda
Em dois tempos.

É levantar os braços
E lutar contra esta sorte maldita,
Que enquanto houver gente,
Não havemos de fraquejar.

Por mais que se troquem
As cadeiras do poder
Em Lisboa,
Continua este mau agoiro.

A justiça, amigo António,
Já morreu para a nossa gente
Mas nós continuamos à espera
Que venha um governo
Para mudar tudo isto.

Como dizia um poeta galego:
Os préstamos nos atrexan
y-as contribuciós nos baldan,
y-os consumos nos escaldan
y-as rentas nos expelexan.
Pásanse unhos y-outros días
un bon goberno esperando…..
¡Tamén están agardando
os xudíos ò Mesías!

Arrancam-nos a nós a pele,
E dão a outros a sardinha!
Sempre foi assim, amigo António,
Não tenhamos ilusões…
Uns nascem para trabalhar,
E andar sobre a terra
Para que outros comam bem.

Como dizia Santo Agostinho:
Homines,
sicut pisces, invicem se devorantes

«Os homens,
tal como os peixes,
se comem uns aos outros.»

E nós, amigo António,
Vejo eu, desde que nasci,
Que somos desse peixe miúdo…
E que nos comem todos.
Nada podemos fazer
Senão calar
Protestamos? Queixamo-nos?
A Quem?
E Quem se importa?
Palavras leva-as e trá-las o vento…
É coisa que a vida me ensinou.

Como o poeta galego me despeço,
– desculpe o meu péssimo humor;
Hoje já levei duas marradas
À falsa fé-:
Mais pacencia e baraxar;
qu’ o traballo nos axude….
Y-hastra qu’ o tempo se mude,
si se quixere mudar

Abraço Arraiano
E até um dia destes!
«Arroz com Todos», opinião de João Valente

joaovalenteadvogado@gmail.com

O ano de 2009 – que agora termina – foi vivido intensamente no concelho do Sabugal… durante dez meses, ou seja, até Outubro, até ao mês das eleições autárquicas. Depois foi tempo de «arrumar a casa» e consolidar as posições conquistadas. Em semana do tradicional balanço anual escolhemos como «Personalidade do Ano» – «engenheiro António Robalo» – pela conquista da cadeira de Presidente da Câmara Municipal do Sabugal e como «Acontecimento do Ano» – «Sabugal em Cinzas» – os incêndios que devastaram o território sabugalense entre 30 de Agosto e 2 de Setembro de 2009.

António Robalo - Personalidade do AnoCorrem rápidos os últimos dias de 2009 entre a azáfama familiar (e comercial) do Natal e a preparação da passagem de ano.
É tempo de os media seleccionarem os acontecimentos e personalidades nacionais e internacionais num ano que fecha a década. São escolhas importantes mas entendemos que devemos destacar o que mais se salientou no concelho do Sabugal no balanço ao ano de 2009.
Afinal o conformismo mudou. Afinal o Sabugal tem vida. Afinal o Sabugal é vivido pelos que ali trabalham e vivem todos os dias do ano – ou mesmo de segunda a sexta-feira – e pelos outros que coleccionam milhas na A23 quase todos os fins-de-semana. O ano foi pródigo em acontecimentos. Aliás o Sabugal consegue ser notícia todos os dias. E quase sempre pelas melhores razões. E ainda bem.
Ao longo dos 12 meses de 2009 muitos acontecimentos mereceram destaque como relata, e bem, o Paulo Leitão na sua análise. Mas seria incorrecto e mesmo injusto não escolher António Robalo para «Personalidade do Ano». Em entrevista à Rádio Altitude o então candidato do PSD fez questão de recordar que se candidatava na sequência do trabalho camarário desenvolvido há doze anos e durante três mandatos. Há ainda a juntar mais oito anos e dois mandatos como presidente da Junta de Freguesia da Ruvina.
António Robalo é eleito pelo Capeia Arraiana como «Personalidade do Ano» pela vitória alcançada contra dois adversários de respeito e pela capacidade que vai ter de demonstrar para governar o município sem maioria absoluta.
António Robalo é um político com uma personalidade metódica, paciente e discreta em tudo oposta ao seu antecessor e amigo que lhe deixou a enorme herança de utilizar a maior fatia do orçamento anual no pagamento de obras ou compromissos já assumidos.
Incêndios no SabugalInfelizmente pelos piores motivos o «Acontecimento do Ano» é indiscutivelmente «Sabugal em Cinzas», uma tragédia que reduziu a preto e cinzento grande parte do limite florestal e agrícola do concelho do Sabugal.
Entre os dias 30 de Agosto e 2 de Setembro um incêndio de que não há memória devorou tudo à sua passagem. A primeira avaliação (não sabemos se já há alguma definitiva) da Câmara Municipal do Sabugal aos danos registados apontou para uma área ardida superior a 10 mil hectares e prejuízos estimados entre sete a dez milhões de euros. O relatório registava danos nas freguesias da Bendada, Casteleiro, Moita, Sortelha, Santo Estêvão, Aldeia de Santo António, Águas Belas, Quintas de São Bartolomeu, Rapoula do Côa, Vila do Touro, Vale de Espinho, Quadrazais, Fóios e Soito.
«Quero que as gentes do Sabugal sintam que não estão esquecidas, que não estão abandonadas, que podem ser apoiadas, que podem olhar para o futuro, que têm que arregaçar as mangas e terão apoios para continuar aqui na sua terra», afirmou o presidente Cavaco Silva na visita-relâmpago ao Sabugal onde ouviu os relatos dos agricultores e dos criadores de gado que viram as suas explorações reduzidas a cinzas.
«Não abandonem o Sabugal. Não podem deixar o mundo rural», pediu Cavaco Silva na Aldeia Histórica de Sortelha. Mas, por vezes, a solidariedade necessita de ir um pouco além das palavras.
As análises críticas sucederam-se após os trágicos acontecimentos. A resposta tardia e desorganizada do Município, o Plano Municipal de Emergência e o Serviço Municipal de Protecção Civil com existência teórico-protocolar, a actuação dos bombeiros e a actuação da autoridade de coordenação no terreno foram temas de conversa e discussão durante semanas. Um destes dias – lá mais para Abril/Maio – seria interessante ouvir os sete vereadores do executivo camarário explicarem a uma só voz as conclusões sobre o que correu mal, o que foi, entretanto, feito para ajudar os agricultores e criadores de gado e qual o investimento na prevenção futura.

O «Prémio Capeia Arraiana 2009» vai para todos os nossos amigos que visitam e participam neste espaço de livre opinião e nos «obrigam», todos os dias, a olhar só para a frente e a ser cada vez melhores.

O «Destaque Capeia Arraiana 2009» vai para a opinião do jornalista Joaquim Vieira, provedor dos leitores do Público, que assina uma das mais brilhantes análises ao jornalismo que me foi dado ler. Merecia ser caso de estudo nos cursos de jornalismo. Pode (e deve) ser lida. Aqui.

Aproveito para desejar a todos um excelente ano de 2010.
«A Cidade e as Terras», opinião de José Carlos Lages

jcglages@gmail.com

O ano que agora finda foi fértil em acontecimentos dignos de realce no concelho do Sabugal e a que o Capeia Arraiana deu expressão. O facto de ser ano de eleições autárquicas contribuiu muito para isso, mas também se verificaram outros eventos de realce, como as caminhadas, que pegaram moda e aconteceram nas diversas terras. O Capeia Arraiana publicou mais de 1250 artigos, com notícias, entrevistas, colunas de opinião e outros artigos de interesse para o nosso concelho.

Candidatos à Câmara Municipal do SabugalEm Janeiro as eleições autárquicas já estavam lançadas com os principais candidatos à Câmara do Sabugal assumidos e a tentarem ganhar expressão perante o eleitorado. De resto 2009 foi o ano de todas as escolhas políticas, com eleições europeias em Junho, legislativas em Setembro e autárquicas em Outubro. E foi logo no início do ano que o Capeia Arraiana acolheu a primeira polémica do ano: a ausência da Câmara do Sabugal na Bolsa de Turismo de Lisboa. Joaquim Ricardo e António Dionísio assinaram artigos muito críticos dessa opção, o que gerou um vivo e interessante debate entre os leitores.
Uma inabitual vaga de frio e de neve afectou o concelho nas primeiras semanas do ano, com os termómetros a registarem temperaturas negativas em dias sucessivos.
Fevereiro foi o mês em que o Capeia Arraiana atingiu o meio milhão de visitantes e em que se realizou, no Sabugal o IV almoço da Confraria do Bucho Raiano, integrado na semana gastronómica concelhia. As comemorações carnavalescas geram controvérsia entre Aldeia do Bispo e o Sabugal devido à ocorrência dos cortejos na mesma data. Esse mês começou porém com a triste notícia da morte de José Diamantino dos Santos, provedor da Santa Casa da Misericórdia do Sabugal e fundador do Externato Secundário. O seu funeral, num dia chuvoso e frio, juntou largas centenas de pessoas, vindas dos quatro cantos do país, para lhe prestarem a última homenagem.
Em Março a notícia de uma possível capeia arraiana na ilha Terceira, nos Açores, inserida nas festas são-joaninas lançaram mais uma longa polémica, que perduraria durante semanas a fio e que motivaria inclusivamente um abaixo-assinado de gente arraiana, que parecia temer perder a sua tradição taurina.
Manuel António PinaA singela e muito digna homenagem que a Junta de Freguesia do Sabugal fez ao escritor e jornalista sabugalense Manuel António Pina, marcou o mês de Abril, e inspirou outras homenagens ao poeta que depois se sucederam. Descerrou-se uma placa na casa onde o escritor nasceu, falou-se da sua vida e obra e assistiu-se a uma representação teatral da sua autoria. A 26 de Abril o Papa Bento XVI proclamou a canonização do português São Nuno de Santa Maria que o povo conhece como Santo Condestável e o Capeia Arraiana deu a conhecer que o quadrazenho Jesué Pinharanda Gomes foi um dos quatro magníficos peritos da Comissão Histórica que investigou, estudou, decifrou e compilou as centenas de documentos que constituíram o processo.
Em Maio a entrevista do novo provedor da Santa Casa da Misericórdia do Sabugal, Romeu Bispo, afirmando que António Dionísio, candidato do PS, o ajudara a garantir que o Sabugal teria uma Unidade de Cuidados Continuados gerou nova polémica, com resposta pronta do presidente do Município, Manuel Rito, afirmando que se preferiu a «cunha partidária» em vez da via institucional. Dia 30 iniciaram-se as polémicas crónicas do saudosista sabugalense Ventura Reis, cujas criticas geradas o levariam mais tarde a desistir de escrever, remetendo-se ao silêncio.
Em Junho José Saramago recriou a rota do elefante Salomão e passou em Sortelha. Os motards fizeram o percurso «Portugal de lés-a-lés», passando por Alfaiates, cujo castelo ameaça ruína. O presidente da Junta de Freguesia da Bismula, José Vaz, afirma ter sido vítima de uma represália política por parte da Câmara e nasceu uma nova controvérsia, alimentada por artigos e comentários sucessivos.
Julho trouxe outra polémica: a ausência da Câmara da Feira Internacional de Artesanato, onde porém um peça de renda feita por uma artesã do Sabugal foi premiada. Textos de candidatos e comentários dos leitores apimentaram mais um dilema que durou largo tempo num ambiente já muito tocado pelas eleições que eram chegadas. Ainda em Julho o Capeia fez grandes entrevistas aos candidatos à Câmara Municipal.
Agosto foi, como sempre sucede, o mês das capeias arraianas, que se sucederam por toda a raia, desta vez estimuladas pela campanha política que estava ao rubro. No festival do forcão, em Aldeia da Ponte, o repórter tirou a fotografia do ano: António Morgado, ex-presidente do PSP, ao lado de António Dionísio, candidato do PS, dando sinais de um apoio que a campanha oficial confirmaria. Aqui nasceu uma nova polémica (o post com a edição da foto recebeu 53 comentários).
Os primeiros dias de Setembro são de drama, devido à grande calamidade que assolou o lado ocidental do concelho desde os últimos dias de Agosto: um incêndio devastador que arrasou floresta e pastagens, pondo em perigo muitas aldeias. Esta fatalidade abrasou a campanha politica dada a aproximação das eleições. O Presidente da República visitou de surpresa a área ardida, e a polémica ganhou novo fôlego, com criticas à actuações dos bombeiros, da Protecção Civil e do Município. Num momento de maior tensão a Câmara vê-se obrigada a suspender uma inauguração polémica quando caiu a informação de que a Comissão Nacional de Eleições proibira uma acção similar em Braga. No penúltimo fim-de-semana as principais candidaturas autárquicas fizeram as suas apresentações públicas e a partir daí a campanha autárquica ficou decididamente lançada.
Outubro foi o mês eleitoral, com António Robalo a garantir a manutenção da Câmara nas mãos do PSD, perdendo porém a maioria absoluta. Os últimos dias de campanha estiveram ao rubro, especialmente após termos informado que António Morgado mergulhara na campanha socialista. Mas Outubro foi o mês das surpresas e depois de se assistir à vitória social-democrata eis que o candidato socialista Ramiro Matos foi eleito presidente da Assembleia Municipal.
Pinto Monteiro e Adérito TavaresNovembro voltou a ser o mês do bucho e a Confraria garantiu a presença do Procurador Geral da República no almoço de Lisboa, que aconteceu no palácio da antiga Cooperativa Militar. A nova composição do Executivo Municipal, sem a habitual maioria do lado do presidente eleito criou dificuldades que pouco a pouco os membros do executivo aprenderam a ultrapassar.
Em Dezembro a expectativa de dificuldades na aprovação do orçamento camarário ficaram goradas e o mesmo passou com a abstenção da oposição, assim se garantindo a normalidade na gestão da Câmara no próximo ano. António Robalo acaba o ano a queixar-se do traçado da A23, que queria que passasse entre o Sabugal e a Guarda, posição que porém a Câmara do Sabugal nunca defendeu publicamente.
«Contraponto», opinião de Paulo Leitão Batista

leitaobatista@gmail.com

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Nos Fóios vai viver-se a noite de reveillon no pavilhão local, onde será servido um suculento jantar e haverá baile pela noite dentro, assim se dando as boas vindas ao ano 2010. Outras terras do concelho têm também previstas festas de passagem de ano.

Segundo uma nota que nos foi enviada pelo presidente da Junta de Freguesia dos Fóios, José Manuel Campos, a ementa tem por aperitivos marisco e salgados e como pratos quentes haverá arroz de polvo e leitão com salada. Haverá ainda sobremesas variadas, servidas em buffet, e como bebidas estará disponível vinho (tinto e branco), água e refrigerantes. Também haverá café e digestivos. Às 2 da madrugada será servido caldo verde.
Também no Sabugal está previsto um reveillon, desta feita no Raihotel, onde se realizará um jantar da gala com música ao vivo. A ementa é composta por creme de espargos, bacalhau no forno com broa, nacos de vitela enrolados em bacon com arroz de frutos secos, crepe com gelado e frutos silvestres. Haverá também carnes frias, mariscos, queijos, fruta e um sortido de sobremesas. Aqui o caldo verde é servido à meia-noite, no preciso momento em que se comemora a entrada no ano 2010.
Rebelhos, aldeia do lado sul do concelho do Sabugal terá também a sua festa de passagem de ano, organizada pelo Grupo Desportivo e Cultural de Rebelhos.
O mesmo acontecerá em Aldeia do Bispo, terra raiana onde a Associação da Mocidade de Aldeia do Bispo prepara uma festa, a realizar no pavilhão do Lar de Santo Antão.
Também a Associação Cultural e Recreativa da Torre, aldeia da freguesia do Sabugal, terá a sua festa na sede da associação.
Outra passagem de ano prevista é na Bendada, terra sulista do concelho, que espera encher de gente a Associação dos Amigos do Progresso da Bendada na noite do dia 31 de Dezembro.
O Centro Cultural e Recreativo de Alfaiates, também meteu mãos à obra e organizou um jantar seguido de baile pela noite dentro.
A aldeia serrana de Malcata também junta o povo para o festejo, o que acontecerá na Associação Cultural e Desportiva de Malcata. A novidade é a presença de uma discoteca móvel, que animará a malta jovem pela noite dentro.
Em Ruivós a festa está prevista para o salão de festas da aldeia e a organização pertence a respectiva Junta de Freguesia.
Também no Ozendo tudo está a postos para uma festa que marque uma entrada em grande o novo ano. O convívio acontecerá na Associação Recreativa e Cultural do Ozendo.
A Rapoula do Côa realizou já o seu convívio do dia 26 de Dezembro, como um jantar de natal, organizado pela Junta de Freguesia, Associação Recreativa e Cultural e Centro de Dia. O mesmo sucedeu nos Forcalhos, onde os habitantes da aldeia reuniram para uma inédita ceia de natal no dia 18 de Dezembro.
plb

Antes de terminar o ano, vou referir-me novamente à corrupção. Pensei escrever sobre outro tema mais propício à quadra que atravessamos, mas tenho a certeza de que o ano que aí vem não será melhor do que este que irá findar, antes pelo contrário.

António EmidioO irracionalismo e a incompetência serão nota dominante, não se vislumbram no horizonte homens de Estado, dignos desse nome, e as contradições do sistema continuarão. É neste meio que os corruptos irão singrar, e cada vez com mais impunidade, a impunidade é a mãe deles. E eles sabem disso. Como referi no título, vou falar de dois tipos de corruptos.
Ostentoso – o que mostra até à saciedade sinais exteriores de riqueza, riqueza conseguida com a corrupção. Belas mansões, belos carros, jóias, viagens, fatos de marca, frequenta somente sítios luxuosos, entre outras coisas. Gasta tudo no exibicionismo. É chantagista, mostra delicadeza e educação nas conversas que tem, também é afável. Sorri constantemente. Não se prende com rodeios, pede logo o que quer e quanto quer. Escuda-se por detrás de um pormenor que em nada abona a justiça portuguesa, sabe que até ao presente momento, nenhum caso de criminalidade económica/financeira grave, e que envolvesse gente poderosa, chegou ao fim com uma condenação.
«Pobre Diabo» – que tipo é este? Por norma não ostenta as riquezas adquiridas com os actos de corrupção. Perante a opinião pública apresenta-se como alguém pobre, até necessitado. Mostra-se de uma feroz intolerância para com a corrupção e os corruptos, quer mostrar-se integro aos olhos dos colegas e superiores hierárquicos, para melhor encobrir as sujas jogadas. Tudo o que conseguiu foi com o seu trabalho, diz ele. Aqui fica um exemplo de um «Pobre Diabo» que conseguiu chegar ao topo da corrupção.
Lê-se no Le Monde Diplomatique, edição portuguesa, de Dezembro de 2009, a seguinte transcrição de um outro jornal português, o Expresso:
«Um caso de sucesso» – «O rapaz nasceu de uma família pobre, cresceu num ambiente difícil, mas conseguiu acabar os estudos numa universidade. Tornou-se professor, e mais tarde politico numa autarquia. Aos 50 anos, reformado do ensino, mas ainda activo na política, tem casas, terrenos, carros e barcos. Olhando com mais atenção a mesma história, poderia ser um caso de polícia: o valor do património do autarca está muito acima do que seria possível adquirir com o seu vencimento mensal. A situação, que é real, foi investigada, mas o processo acabou arquivado por não ter sido provado qualquer crime por parte do político. Que está a construir uma nova casa».
Não pede directamente o que quer, lastima-se, diz-se pobre, ele sabe que o seu interlocutor compreende onde quer chegar.
Atenção! É perigoso, invejoso e vingativo, se puder destruir a vida a um colega de trabalho, não hesita. E à pessoa a quem pede, se por acaso não «compreender», faz-lhe a vida negra. Tem como lema: «Se eu não comer, comem outros.»
Querido leitor(a), desejo-lhe para o ano que vai entrar, tudo de melhor, e que nunca, mas nunca, chegue ao pé de si, gente como esta.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

O recém-eleito presidente da Assembleia Municipal do Sabugal, Ramiro Matos, partiu um pé no dia 24 de Dezembro. Está hospitalizado no Hospital da Força Aérea e vai ser operado esta terça-feira de manhã falhando a primeira reunião da Assembleia Municipal.

Ramiro Matos no Hospital da Força AéreaTudo aconteceu na véspera de Natal por volta das sete e meia da tarde. Ao atravessar a Avenida das Tílias, no Sabugal, teve de acelerar o passo para evitar um automóvel que se aproximava mas ao subir o passeio colocou mal o pé e pressentiu, logo ali, que alguma coisa tinha corrido menos bem.
Foi assistido na sua residência pelo doutor Pinto que desconfiou de fractura e chamou o INEM. Transportado ao Centro de Saúde do Sabugal e posteriormente à Unidade de Saúde Local da Guarda foi confirmada a lesão tendo sido encaminhado para o Hospital da Força Aérea, no Lumiar, em Lisboa.
A operação ao pé esquerdo, a cargo do médico Henrique Jones, está marcada para esta terça-feira de manhã.
Ramiro Matos em declarações ao Capeia Arraiana mostrou-se «conformado mas desgostoso por falhar a primeira reunião da Assembleia Municipal que está agendada para a tarde do mesmo dia em que vou ser operado».
Ao nosso amigo e opinador aqui no Capeia Arraiana desejamos as melhoras e uma rápida recuperação.
jcl

A proposta de orçamento da Câmara Municipal do Sabugal para o ano de 2010 passou no Executivo com os votos favoráveis dos três eleitos pelo PSD e a abstenção dos três vereadores do PS e do vereador Joaquim Ricardo, eleito pelo MPT.

Brasão do Concelho do SabugalAs propostas de Grandes Opções do Plano (GOP) e do Orçamento camarário para o ano 2010, que quase atinge os 30 milhões de euros, vão ser hoje, dia 29 de Dezembro, apreciadas e votadas pela Assembleia Municipal, que reúne no Sabugal a partir das 15 horas.
Capeia Arraiana recebeu uma nota de imprensa assinada pelos vereadores eleitos pelo Partido Socialista, justificando a sua opção pela abstenção e consequente viabilização das GOP e do Orçamento apresentados pelo presidente António Robalo.
António Dionísio, Luís Sanches e Sandra Fortuna tecem considerações críticas às opções que os documentos encerram.
Em relação ao Orçamento referem que o mesmo «não reúne as condições para ser o motor do desenvolvimento do Concelho do Sabugal», razão pela qual não o podem aprovar. Contudo, avisam que não pensam «obrigar quem mais votos teve, a governar segundo o Programa de quem não ganhou» e, assim sendo, e «pese embora o nosso pensamento profundamente negativo sobre o mesmo, vamos abster-nos na votação, dando deste modo oportunidade ao Executivo Municipal de governar e demonstrar que estamos errados».
Os vereadores da oposição socialista avisam ainda na sua declaração que não pretendem «passar um cheque em branco», porque «a seu tempo apresentaremos as nossas propostas, traduzindo as ideias que temos para o futuro do nosso Concelho e demonstrando que, com o mesmo nível de receita e de despesa, é possível concretizar propostas que contribuam decisivamente para a construção de um Concelho do Sabugal com futuro».

Veja o documento na integra. Aqui.
plb

A foto de hoje, do Cortejo de Oferendas a favor do Hospital do Sabugal, apresenta um grupo de homens, rapazes e raparigas, para além de crianças. Na fotografia não é visível a identificação de nenhuma localidade do nosso concelho.

Cortejo de Oferendas - 1947 - Sabugal

Joao Aristides DuarteO carro alegórico, lá atrás, tem escrito «Comércio», pelo que tudo leva a crer que seja o representante dos comerciantes do concelho de Sabugal ou só da vila do Sabugal.
À frente vai uma senhora com um vestido comprido, que transporta um cesto com flores, na mão esquerda.
Atrás dela seguem as crianças, com uns cajados e um barrete na cabeça, como o que usam os campinos, no Ribatejo. Essas crianças estão com gravata.
Os homens levam cajados e usam chapéu de feltro, para além de se apresentarem, também, com gravata. Os cajados levam umas fitas na parte cimeira.
Já as mulheres levam um cesto com flores na mão e usam blusa branca e vestido de cor escura, por cima.
O público, como sempre, está atento ao desenrolar da acção.
«Memória, Memórias…», opinião de João Aristides Duarte

akapunkrural@gmail.com

O encontro dos Confrades e a Cerimónia de Entronização da Confraria do Vinho de Carcavelos teve lugar nos Paços do Concelho de Oeiras no passado dia 28 de Novembro. Integram a Cúria Báquica o presidente da Câmara Municipal de Oeiras, Isaltino Morais, como Grão-Mestre e o presidente da Câmara Municipal de Cascais, António Capucho, como Mestre Conselheiro.

José Morgado Carvalho - «Terras entre Côa e Raia»Decorreu em Oeiras no passado dia 28 de Novembro a Cerimónia de Entronização da Confraria do Vinho de Carcavelos. Na ocasião tomaram posse o Grão-Mestre Isaltino Morais e o Mestre Conselheiro António Capucho, respectivamente presidentes das Câmaras Municipais de Oeiras e de Cascais e alguns presidentes das Juntas de Freguesia dos dois concelhos.
Nos discursos o confrade António Capucho felicitou Isaltino Morais por esta iniciativa que poderá vir a ter um papel preponderante na preservação do Vinho de Carcavelos produzido nas quintas dos dois concelhos. O vinho é tratado na Estação Agronómica que prevê aumentar dentro de alguns anos a produção para atingir os 50 a 60 mil litros por ano depois de alargada a vinha para 20 hectares. O investimento está a ser feito em parceria com o Ministério da Agricultura.
Isaltino Morais justificou o empenho da Câmara na produção do vinho como preservação de um bem cultural e turístico.
A Câmara de Oeiras está a criar garrafas com o rótulo «Conde de Oeiras» que vão começar a aparecer no mercado no próximo ano.
Depois do almoço nos jardins do Palácio Marquês de Pombal foi feito o lançamento do livro «O vinho de Carcavelos – Perspectiva Histórica e a actual produção na Quinta do Marquês de Pombal em Oeiras».
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado

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A Câmara Municipal de Penamacor, em parceria com a Escola Superior Agrária (ESA) de Castelo Branco está a tentar salvar da extinção a ovelha «Churra do Campo» que noutro tempo deu nome à região mas que foi progressivamente substituída por raças mais produtivas.

Actualmente estão cadastradas 203 ovelhas Churras do Campo, 35 das quais propriedade da ESA de Castelo Branco. A escola agrária está agora empenhada em garantir a reprodução dos animais, ao mesmo tempo que estuda as características da carne e do leite no sentido de potenciar o seu uso em produtos comerciáveis.
O projecto de recuperação e preservação da ovelha Churra do Campo faz parte do programa Rotas da Transumância e garantiu o apoio financeiro do fundo comunitário INTERREG. Para além da ESA o projecto inclui os municípios onde a Churra do Campo tinha implantação: Penamacor, Idanha-a-Nova e Fundão.
Entre os municípios Penamacor assume a parte de leão do projecto, tendo conseguido a recuperação de alguns animais dispersos, rigorosamente seleccionados pelos investigadores da ESA para se garantir a preservação da raça genuína. Para além das ovelhas existentes da ESA as demais ovelhas recuperadas estão por conta da Câmara Municipal de Penamacor, que conta também com a colaboração da Cooperativa Agrícola da Meimoa (Meimoacoop).
A ovelha Churra do Campo, com cujo leite se produziam os famosos queijos da Beira Baixa, caracteriza-se por ter uma estatura pequena. De cor branca, a lã só não cobre parte da cabeça e a extremidade livre dos membros, quase chegando ao solo na época da tosquia. É ainda uma sua característica a cabeça pequena, deslanada, mas com lã na fronte e ganachas, cornos raros nas fêmeas e frequentes nos machos, olhos grandes e orelhas curtas e horizontais.
A ovelha do «Campo» (era assim que o povo designa as terras da raia da Beira Baixa) foi sendo substituída por outras raças mais produtivas, o que a fez dispersar e desaparecer das explorações agrícolas da região. Porém, foi com a ovelha churra que se tornou famosa a carne de borrego e os queijos da Beira Baixa. Daí a importância da recuperação desta espécie ovina, pois assim poderá voltar a garantir-se a genuinidade de alguns produtos regionais.
plb

O Turismo de Portugal vai financiar a construção de três novos hotéis na região da Serra da Estrela, com o fim de dar suporte ao turismo. O investimento nos novos hotéis beirões ronda os 20 milhões de euros.

Penamacor, Fornos de Algodres e Gouveia serão as localidades que recebem as novas unidades hoteleiras. Em Penamacor vai construir-se o hotel de três estrelas Quinta do Cafalado, que orça em 6,3 milhões de euros. Trata-se do primeiro hotel deste concelho raiano da Beira Interior, e terá 52 quartos. A sua construção resulta de um consórcio entre a Câmara de Penamacor e a empresa de gestão de complexos urbanísticos Martep, de Pombal. Esta nova unidade hoteleira poderá complementar o serviço já prestado pelas unidades hoteleiras de Belmonte e Sabugal, apoiando o turismo na região raiana.
Também Fornos de Algodres terá um hotel pela primeira vez na sua história. Terá quatro estrelas e chamar-se-á Hotel Terras Serranas, tendo 108 quartos e correspondendo a um investimento privado de 8,5 milhões de euros.
Em Gouveia será construído o Hotel Lótus, sendo das três novas unidades hoteleiras a que fica mais próxima da Serra da Estrela. Para este investimento ainda falta assinar o respectivo contrato de construção, cujo texto está em fase de conclusão. Será um hotel de charme, de quatro estrelas, a ele correspondendo um investimento de 4,3 milhões de euros.
plb

A «Apologia de Sócrates», escrita por Platão, com tradução, prefácio e notas de Pinharanda Gomes, vai da sua sétima edição, acontecida em 2009, o que comprova o valor deste escrito fundamental para o estudo da filosofia clássica.

A primeira edição aconteceu em 1988 e, a partir daí, não mais pararam as reedições deste precioso escrito por parte da Guimarães Editores, inserida na prestigiada colecção Filosofia & Ensaios.
O filósofo ateniense Sócrates, que durante longos anos ensinara nos lugares públicos de Atenas, rompendo com as concepções dominantes, foi levado, aos 71 anos de idade, perante os 501 juízes do Tribunal dos Heliastas. O velho sábio de pé descalço, filósofo do passeio público, dos mercados e das tabernas, era acusado de negar os deuses da cidade e de introduzir novas divindades, para além de corromper a juventude.
A acusação era da autoria de três cidadãos atenienses: Meleto, poeta e porta-voz do triunvirato; Anito, general que lutara pela democracia contra a tirania; e Lícon, orador de ascendência estrangeira. Propuseram à Assembleia o castigo extremo, em razão da gravidade da acusação: a pena de morte.
O texto de Platão, que Pinharanda Gomes traduziu e anotou, reproduz a defesa oral de Sócrates, que abdicou dos préstimos de Lísias, orador de nomeada, que se ofereceu para refutar as acusações de que o velho filósofo era alvo. Pinharanda, no prefácio, explica as razões de Sócrates para essa objecção: «Era possível que Lísias, treinado nas lides forenses, conhecedor das psicologias heliásticas, mais ajustado aos modos de reagir de tais assembleias, detivesse o segredo – não necessariamente a arte de demonstrar a verdade, – do ínfimo pormenor persuasivo, pelo qual fosse possível mover a comiseração dos Quinhentos e Um. No entanto, se Sócrates fosse beneficiado, o benefício iria a crédito, não da sua palavra, não da sua arte, não do seu pensamento, mas da palavra, da arte e do pensamento de um Sofista.»
Sócrates recusou a defesa do experimentado Lísias e defendeu-se a si mesmo. O jovem Platão, que assistiu ao julgamento «e ainda esboçou o início de uma intervenção, sendo interrompido pelos juízes, que o mandaram regressar ao lugar», reduziu a escrito, de memória, o maravilhoso discurso do Mestre perante a Assembleia que o ouviu atenta, mas que no final foi implacável, condenando-o à morte sem apelo. Ainda que tenha persuadido uma boa parte dos 501 juízes, 280 votaram a morte.
Defende-se pois Sócrates, num longo e vivo discurso, das graves acusações que lhe eram dirigidas. O texto é considerado um clássico da arte persuasiva, se bem que o velho pensador de Atenas falasse antes da arte de ser verdadeiro, contrapondo entre o justo e o injusto para assim revelar a real natureza do homem.
Parecendo convencido que os juízes o condenariam, «os parágrafos finais da apologia são um exercício sobre a morte», diz-nos Pinharanda Gomes no prefácio da obra.
Sócrates lança a dúvida sobre se a morte pode ser um castigo e diz mesmo aos juízes de viva voz: «vejo que o melhor para mim é morrer agora, libertando-me de todos os cuidados». Afinal qual é o sentido da vida? Sócrates termina a sua longa defesa deixando a dúvida: «Chegado é o tempo de partirmos. Eu para a morte, vós para a vida. Qual dos destinos é o melhor, a não ser o deus, ninguém o sabe.»
Pinharanda Gomes traduziu o texto de Platão seguindo o texto estabelecido por Harold North Fower para a edição da Loeb Classical Library, mas procurando equivalência com a edição de Henri Estienne (Paris, 1578). Também confrontou a sua tradução com a de anteriores traduções portuguesas, como as de Ângelo Ribeiro, Sant’Anna Dionísio e Manuel Oliveira Pulquério. E aqui se explica, a nosso ver, o sucesso desta edição da Guimarães Editores, da autoria de Pinharanda Gomes, cujo labor confere ao texto o rigor necessário para ser lido e sinalizado pelos estudiosos.
Para além da Apologia de Sócrates Pinharanda Gomes traduziu também outros livros clássicos da Filosofia, sempre para a Guimarães Editores, de onde se destacam: Discurso do Método, de Descartes; Fedro, de Platão; Isagoge, de Porfírio; Carta sobre o Humanismo, de M. Heidegger; Organon, de Aristóteles
plb

A sabedoria política dos Romanos é que inventou a fórmula: para manter o povo calmo, amorfo, narcotizado, bastava dar-lhe diariamente panem et circenses (pão e circo).

Adérito Tavares - Na Raia da MemóriaNuma megalópole como a Roma antiga, com mais de um milhão de habitantes no século II, existia o número assustador de 200 mil plebeus desempregados, prontos para serem manipulados e empurrados para qualquer movimento social de consequências imprevisíveis. Bastava que qualquer agitador, dotado de uma oratória fácil e inflamada, os atraísse a uma causa, justa ou demagógica, para que a cidade e a própria pax romana tremessem. Portanto, todos os dias o Estado fazia distribuições gratuitas de trigo e, no Coliseu, matavam e morriam dezenas de gladiadores. No Circo Máximo (com capacidade para 250 000 espectadores, o quádruplo do Estádio da Luz), efectuavam-se corridas de cavalos durante todo o dia, em todos os dias do ano!
E assim, cantando e rindo, levados, levados sim, os Romanos deixavam que os cérebros iluminados dos imperadores, dos senadores, dos cônsules, dos pretores, dos questores, dos edis e tutti quanti decidissem e governassem em paz, sempre em nome do SPQR (do Senado e do Povo Romano).
Verdadeiramente, de então para cá, neste domínio, os políticos pouco inovaram. Mais circo menos circo, mais futebol menos futebol, mais novela menos novela, resume-se tudo ao panem et circenses. Alguns limitaram-se a acrescentar à fórmula um pouco de maquiavelismo e de demagogia qb. Depois, foi só agitar, embrulhar em papel dourado e servir frio. Resultou melhor que a religião tradicional, a que Marx chamava «ópio do povo». Melhor (pior?) que isso, só se se juntassem os dois processos no mesmo saco, como fizeram os inflamados e predestinados líderes das novíssimas seitas tele-religiosas, florescentes nos Estados Unidos e no Brasil.
Nas novelas brasileiras, para além do mais, existe ainda outro factor de amortecimento, num país onde os desníveis sociais são muito acentuados. Os guiões obedecem habitualmente ao mesmo esquema: encontramos sempre o mundo dos ricos e o mundo dos pobres. E o único processo de mobilidade social, isto é, a única forma de ascensão, é o casamento. E tudo se resume, basicamente, a isso. A rapariguinha suburbana aguarda que o seu príncipe, cavalgando um Porsche Carrera, a desperte com um arrebatado beijo com sabor a malte. Em contrapartida, a menina-bem, vivendo em esplendorosas mansões com piscina, voando para a casa de praia em jactinhos privativos, sempre rodeada de amigos desocupados e servida por criados e motoristas geralmente negros ou mulatos, aguarda entediada que lhe apareça um jovem quadro bem-parecido, originário das «classes baixas» mas inteligente, honesto e trabalhador.
E casam sempre de fraque e vestido de noiva, na Igreja de Nossa Senhora Aparecida, com meninas loiras segurando as alianças e tenores cantando a Ave Maria de Bach-Gounod. E convidam sempre para o casamento todas as personagens da novela. E são sempre muito felizes, na companhia da Gata Borralheira, da Bela Adormecida, do Polegarzinho e de todos os seus irmãos.
E, enquanto brindam com champanhe Dom Perignon colheita de 1967, ao mesmo tempo que aparece no ecrã a palavra «FIM», meio milhão de cariocas gritam na rua, a plenos pulmões, «Não à violência! Não à corrupção!»
Moral da história (ou da História?) – as novelas, isto é, o pão e circo, não foram suficientes.
«Na Raia da Memória», opinião de Adérito Tavares

ad.tavares@netcabo.pt

O Presidente da Câmara Municipal do Sabugal, António Robalo, endereçou através do portal da autarquia a sua primeira mensagem de Natal e Ano Novo a todos os sabugalenses.

António Robalo - Presidente Câmara Municipal SabugalA primeira mensagem de Natal e Ano Novo do recém-eleito Presidente da Câmara Municipal do Sabugal, António dos Santos Robalo, começa por referir que a época natalícia é o momento propício para uma reflexão pessoal sobre a vida de cada um e sua relação de ajuda a quem mais precisa. O autarca aproveita para alertar para a necessidade de, em 2010, «rejuvenescer e acreditar que é possível ser melhor e fazer mais pela nossa Terra!»
O espírito da época festiva «da família e da solidariedade entre todos os Homens» deve ser, também aproveitada «para uma reflexão individual e colectiva sobre um conjunto de valores» dos sabugalenses «como agentes da promoção e valorização da nossas terras, do nosso concelho».
O discurso destaca, também, os valores do amor, da fraternidade e da solidariedade na união e na ajuda aos mais desprotegidos, às crianças, aos idosos, aos deficientes, às famílias sem habitação condigna e à necessidade de os jovens se prepararem para o futuro.
Ao jeito de desafio a reflexão de Natal e Ano Novo de António Robalo é dirigida a… «todos os cidadãos que respiram este concelho e a todos aqueles, que mesmo não vivendo diariamente o concelho, o sentem na ausência e no imaginário».
A mensagem termina com uma promessa: «Da minha parte e de todos os funcionários e colaboradores da Autarquia, acreditem que tudo vamos fazer para que em 2010 o nosso concelho seja mais solidário, mais empreendedor, mais atractivo, mais acolhedor.»

Mensagem, na íntegra, do Presidente da Câmara Municipal do Sabugal. Aqui.
jcl

«Comenda da Meimoa da Ordem de Avis» é o mais recente livro do escritor penamacorense António Cabanas. Depois de «Carregos – Contrabando na Raia Central» (2006), «Meimoa de Ontem e de Hoje» (2007) e «Eh! Madeiro!» (2008), e outras participações em colectâneas o escritor prossegue nas suas investigações para, desta vez, para apresentar um estudo sobre a Comenda da Meimoa da Ordem de Avis.

Comenda da Meimoa da Ordem de AvisDo que poderia não passar de uma mera transcrição de um tombo de comenda, António Cabanas constroi uma extraordinária base documental relacionada, que constitui um autêntico facho de luz sobre a história da Meimoa, contribuindo também para compreender melhor a relação das ordens religiosas com as suas comendas.
Em declarações ao Capeia Arraiana o escritor António Cabanas começou por recordar que «apesar de há um ano ter prometido que em 2009 descansaria um pouco, não resisti ao desafio que me lançou a família do falecido Dr. Mário Bento que, aliás, tinha iniciado o estudo da Comenda».
O documento – histórico e religioso – é o resultado de uma investigação longa e criteriosa. «O estudo abrange a análise de documentos desde o século XIII até à extinção das Ordens religiosas e implicou uma série de visitas à Torre do Tombo. Cerca de um ano de investigação, na busca de alvarás de nomeação de comendador, cartas de apresentação de priores, cartas de hábito e de quitação, que permitiu estabelecer listas, ainda que incompletas de párocos e de comendadores da Meimoa desde finais de quatrocentos até ao século XIX», esclareceu António Cabanas.
A finalizar o autor considerou que «Comenda da Meimoa da Ordem de Aviz» é um livro que «vem enriquecer a história local e regional e pode contribuir também para melhor conhecimento da problemática das ordens religiosas. Chega numa altura em que Mário Bento, caso ainda fosse vivo, faria 100 anos de nascimento e num ano em que Penamacor comemora os seus 800 anos de forais».
O mais recente livro do escritor penamacorense foi apresentado este sábado, 26 de Dezembro, no Museu Dr. Mário Bento na Meimoa.

O Capeia Arraiana destaca – com satisfação – o lançamento de mais um livro de António Cabanas que assina neste espaço a coluna de opinião «Terras do Lince».
jcl

Jorge MartinsOS APELIDOS DOS RÉUS SABUGALENSES – Há um mito muito divulgado acerca dos nomes de origem judaica, que consiste em considerar os apelidos com nomes de árvores como prova da ascendência judaica.

Na verdade, a generalidade dos estudos e dos estudiosos da questão têm concluído que isso não corresponde aos casos conhecidos. Os apelidos dos réus do Sabugal (naturais ou/e residentes) vêm confirmar esta desmistificação.

Quadro 1

O estudo dos apelidos dos processos inquisitoriais dos réus naturais ou residentes no concelho do Sabugal desmistificam cabalmente esta ideia generalizada entre nós.
Os nomes de plantas ou árvores dos réus sabugalenses com processo aberto são apenas oito no conjunto dos 143: Carvalho: 2, Pereira: 2, Sabugueiro: 1, Silva: 2, Silveira: 1.
Coisa pouca, se compararmos com os apelidos com mais referências que encontrámos nos processos em análise.

Quadro 2

A situação ficará melhor esclarecida se nos concentrarmos nos doze apelidos predominantes, com destaque para os 4 primeiros, que, em conjunto, representam 65 réus acusados de judaísmo: Rodrigues (24), Henriques (21), Mendes (10) e Nunes (10).
Se observarmos a situação social desses réus, dos 26 Rodrigues, 20 são homens e 6 são mulheres, dos quais 23 são cristãos-novos e 3 são de estatuto social desconhecido; dos 21 Henriques, 6 são homens e 15 são mulheres, dos quais 16 são cristãos-novos, 1 cristão-velho e 4 desconhecidos; dos 10 Mendes, 3 são homens e 7 são mulheres, todos cristãos-novos; e dos 11 Nunes, 7 são homens e 4 são mulheres, sendo 9 cristãos-novos e 2 de estatuto social desconhecido.
Finalmente, dos 68 processos referentes aos réus com esses quatro apelidos, 85% eram cristãos-novos e 96% estavam acusados de judaísmo. Não há dúvidas, portanto, quanto à ascendência judaica destas famílias sabugalenses.

Quadro 3

Os apelidos constituem mais um contributo para a construção do perfil do judeu sabugalense, a juntar aos anteriores, a saber: homem ou mulher com uma média de 37 anos de idade, com o estatuto social de cristão-novo, o estatuto profissional de mercador ou similar e o apelido de Rodrigues para os homens e de Henriques para as mulheres.
Contudo, é preciso ter em conta que nos estamos a referir apenas aos apelidos dos réus e não aos dos seus pais e até dos avós. Através dos processos inquisitoriais que estamos a analisar, conhecemos a quase totalidade dos pais dos réus e apenas alguns avós, mas será o suficiente para estabelecermos as redes familiares dos cristãos-novos sabugalenses e poder, em consequência, conhecer melhor a genealogia do judaísmo sabugalense ao longo de mais de dois séculos de persistência criptojudaica, quer dizer, do judaísmo praticado no segredo das famílias perseguidas pelos tribunais das Inquisições de Lisboa, Coimbra e Évora.
«Na Rota dos Judeus do Sabugal», opinião de Jorge Martins

martinscjorge@gmail.com

Manuel Morgado nasceu em 1979, em França, mas as suas raízes são do Sabugal de onde os seus pais são naturais. Estudou design de comunicação na ARCA em Coimbra e é autor do livro em banda desenhada «Sabugal – Peripécias históricas da gente do Alto Côa» editado pela Câmara Municipal do Sabugal.

Manuel MorgadoNa sua biografia o sabugalense Manuel Morgado assume-se «inspirado por diferentes tipos de arte, como quadrinhos, filmes, música ou pintura, principalmente em estilo renascentista barroco, como Caravagio, Rubens, Vermeer, entre outros, e ilustração de artistas contemporâneos, tais como Luis Royo, Jude Palencar John, Matt Stawicki, Tood Lockwood e Norman Rockwell» onde procura a «inspiração para o seu trabalho».
Manuel Morgado tem assinado, desde 1998, como designer de comunicação e ilustrador excelentes trabalhos gráficos em publicidade e em órgãos de comunicação como o Expresso, a Visão ou o Jornal de Noticias.
O seu mais recente trabalho – criado nos «Estúdios Manuel Morgado» em Vila do Conde – foi apresentado no Centro Colombo no dia 20 de Dezembro. É, nem mais nem menos, do que a ilustração de capa e base para a identidade do novo álbum dos D’ZRT.
Hoje destacamos e colocamos nas «Escolhas Capeia Arraiana» o indiscutível mérito e «jeito» do ilustrador sabugalense Manuel Morgado.

Página na Internet de Manuel Morgado. Aqui.
jcl

«A Noite Mágica» (texto extraído do livro «Eh! Madeiro!» de António Cabanas).

Missa do Galo - Beijar o Menino - Natal

António Cabanas - «Terras do Lince»Para os mais pequenos, Natal era, e ainda é, uma palavra mágica. Reportando-me ao meu tempo de criança, a quadra era vivida com um misto de sentimento afectivo, expectativa e alguma ansiedade; mas foram noites de consoada as que mais ficaram na memória. Havia mais gente em casa – avós, primos, tios, pessoas de quem gostava muito –, o colo e as cavalitas dos manos, saborosos repastos e sobretudo muitas guloseimas caseiras: filhoses, fatias douradas, arroz doce, farófias, tudo impregnado do aroma inebriante da canela. As habituais conversas sobre o trabalho do campo eram substituídas por anedotas e histórias de final feliz, contadas à lareira. Na rua soava o andar apressado dos vizinhos, também eles entusiasmados com a noite mágica do Natal. Ouviam-se bonitos cânticos, acompanhados de guitarra e concertina; mas mais bonitos ainda eram os que a mãe cantava enquanto fritava as filhoses.
Os sinos da igreja toavam mais fortes e alegres, chamando os fiéis. «Ande o frio onde andar, no Natal há-de chegar», dizia o provérbio, o que justificava os cuidados com o agasalho na ida para a missa da noite. Enroupados e capuzes na cabeça, lá íamos em grupo, pelas ruas escuras da aldeia, ansiosos por vermos a grande fogueira que ardia no adro. Pela minha parte, tinha ainda outra curiosidade: o presépio, com todas aquelas figuras de brincar, as serras de musgo, os carros de bois feitos em cortiça, o estábulo com as respectivas personagens e animais. Ali, dentro do estábulo, as imagens eram mais perfeitas, Nossa Senhora e São José com os seus mantos coloridos, debruados a ouro, para o Menino nem há palavras, tão perfeitinho e despido, de olhos vivos, cabelos dourados, que até apetecia pegar ao colo!
Nessa noite a igreja estava habitualmente cheia, era até difícil encontrar lugar, mas para nós, as crianças da catequese, havia sempre lugar junto ao altar-mor, as mulheres lá se acomodariam nas bancadas e os homens iam para o coreto superior. O coro, acompanhado de órgão, ensaiava os últimos cânticos no meio do rumor abafado da assistência que, aos poucos, preenchia todos os interstícios e as coxias laterais.
À medida que a missa ia decorrendo, o sono ia-se apoderando da pequenada, sobretudo à hora do comovente sermão do Padre Fatela. Mas chegada a hora de beijar o Menino, logo se voltava a agitar a assembleia. Já despertos, perfilávamo-nos então em frente ao presépio, de moedinha na mão para o encontro com o Menino Jesus.
Era um momento emocionante, só superado pelo recolher das prendas no sapatinho! Enquanto esperávamos ordeiramente na fila, não despregávamos os olhos daquela paisagem verde, de montes cheios de neve de algodão, com São José e a Virgem olhando para a manjedoura vazia, por certo confiados nas mãos experientes do Padre Fatela.
A saída fazia-se pela porta da capela-mor directamente para adro. De imediato se sentia uma estranha sensação de frio entremeado de ondas de calor provenientes do madeiro. Ali permanecíamos algum tempo encostados às paredes aquecidas das casas, ouvindo os cânticos e os estouros das “bombas de brasa” e batendo com paus nos troncos para os ver jorrar milhares de centelhas em direcção ao céu.
Era com alguma tristeza que regressávamos a casa deixando para trás o afago da fogueira que continuaria a arder lentamente até ao dia seguinte. Já em casa, não resistíamos a dar uma espreitadela aos sapatos colocados no parapeito da chaminé, como sempre, os pais tinham razão: o Menino Jesus só viria quando já todos estivessem dormindo. Nunca entendi porque razão não gostava de ser visto mas não seria por minha causa que não haveria prendas: mesmo acordado mantinha os olhos fechados!
De manhã, lá estavam no sapatinho!
«Terras do Lince», opinião de António Cabanas

kabanasa@sapo.pt

Não há páginas literárias de realismo cru como as que deixou António dos Santos Vicente no livro «Vida e Tradições nas Aldeias Serranas da Beira». Nelas deixou memória expressiva e sentida das agruras que noutro tempo vivia o povo que habitava na serra do Açor e nas suas faldas.

O epicentro está na terra natal do autor, a aldeia de Fajão, concelho da Pampilhosa da Serra, pejada de gente pobre, que se fazia remediada para enfrentar as dificuldades. Tudo é confrangedor nas descrições rigorosas da vida de antanho. A carência de alimento tinha as pessoas à beira da fome, a ausência de médicos atirava cedo os doentes para a cova, a falta de assistência na velhice fazia com que os idosos trabalhassem até à hora da morte. A fuga para terras distantes, em aventurosa procura de emprego estável, era a solução para os jovens desesperados, assim se despovoando as aldeias da serra.
Depois, o livro embrenha-nos nas tradições que existiam, e que na sua maior parte já só constam nesse registo escrito. No meio das agruras o povo tentava ser feliz, procurando viver os prazeres da vida. Mas o realismo de António dos Santos Vicente, não deixa lugar a muitas conjecturas acerca de uma vida que afinal não era feliz. O povo vivia na miséria, na maior das rudezas, envolvido por grande amargura. O que havia de alegria era apenas um compasso na continuidade das privações e da austeridade.
E o que o povo comia? Apenas aquilo que a terra dava, que outros mimos não chegavam. E raro se alimentava com as melhores dádivas que a lavoura lhe ofertava, porque essas eram guardadas para venda, para angariar algum pecúlio. As pessoas comiam mal e muitas vezes nem sabiam, dentro da ingenuidade, o que era apropriado a uma alimentação equilibrada. Vejamos uma passagem elucidativa:
«Depois de o barbeiro ter analisado que o seu estado tinha piorado, perguntou à esposa qual tinha sido a comida que o seu marido tinha comido, e logo esta disse: um caldo de castanhas!… Caldo de castanhas?… Isso é um veneno – disse o barbeiro… nem todas as pessoas com saúde podem comer esse alimento, por ser muito forte e pesado, e você vai dar castanhas a um doente neste estado? O barbeiro furioso com a senhora só acalmou quando a mulher lhe disse: Senhor António, eu não tinha mais nada que lhe dar!
Compre-lhe uma galinha e vá-lhe dando uns caldinhos e vamos tratando dele da melhor maneira, este é o meu conselho – disse o barbeiro. A mulher aceitou o conselho dado, e como tinha uns magros centavos, foi comprar o melhor que pôde para dar ao marido, como também uma galinha que a tia Maria do Fundo lhe vendeu, por esta apanhar o vício de comer todos os ovos que punha.
E como não havia memória de matarem uma galinha a um doente e este comê-la toda antes de morrer, este belo senhor não fugiu à regra, três dias depois morria também.»
O livro de António dos Santos Vicente comove pela crueza com que relata a vida aldaneja de outras épocas. Uma boa e comovente leitura para quem pretende conhecer, sem evasivas, a rudeza das terras serranas e do povo simples que as habitavam. A pobreza desmedida e angustiante impera a cada linha e causa evidente comoção.
«Sabores Literários», crónica de Paulo Leitão Batista

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Estreou finalmente «Avatar», o mais recente filme de James Cameron, mais de uma década depois de «Titanic». O recurso às novas tecnologias, nomeadamente o 3D, faz deste um dos grandes filmes do ano.

Pedro Miguel Fernandes - Série B«Avatar» era um dos filmes mais aguardados do ano e para os amantes do cinema espectáculo este é sem sombra de dúvida um dos melhores filmes do ano. E de facto o filme é muito bom do ponto de vista técnico e dos efeitos especiais. James Cameron conseguiu levar o espectador ao planeta Pandora, que está no centro da acção, tal como há uns anos Peter Jackson nos levou à Terra Média de Tolkien. Só por esta razão já vale a pena ver o filme.
Mas o grande problema em «Avatar» é que os efeitos especiais têm uma grande força e James Cameron acabou por falhar no essencial: a história. E «Avatar» peca por não ser tão forte no argumento como é na vertente técnica. É pena, porque o regresso de James Cameron merecia melhor. Talvez o facto de não ter optado por uma grande figura no papel principal (Sam Worthington) não ajude muito. Mas mesmo os secundários de luxo, como Sigourney Weaver, Giovanni Ribisi ou Michelle Rodriguez, para focar os mais conhecidos, não estão ao seu melhor nível. Mas gostei da presença de Sigourney Weaver.
AvatarEm «Avatar» James Cameron conta-nos a história de Jake Sully, um marine paraplégico que decide participar numa missão anteriormente desempenhada pelo seu irmão, um cientista que morreu no planeta Pandora. É em Pandora que se desenrola a acção do filme, durante a missão de Jake Sully (Sam Worthington) no programa Avatar, que permite aos humanos serem uma criatura com genes humanos e da tribo Navi, corpo esse que foi criado para poderem respirar o ar do planeta.
Paralelamente a esta missão de descoberta da vida de Pandora e dos Navi, uma grande empresa está no planeta com o objectivo de explorar um minério bastante valioso no planeta Terra. O problema acontece quando descobrem que uma grande fonte desse minério está debaixo de uma aldeia dos Navi e decidem encontrá-la a todo o custo, recorrendo a força militar. Pelo meio Jake é aliciado, na sua condição de Avatar, a tornar-se amigo dos indígenas para um outro fim que não a simples investigação dos seus hábitos: afastar a população Navi em troca de umas pernas novas.
Algumas pessoas que também já viram o filme e com quem já falei dizem-me que de facto o importante de «Avatar» são os efeitos especiais. Eu neste aspecto ainda sou tradicionalista, gosto de uma verdadeira história. E a nível de efeitos podemos comparar este filme à trilogia do «Senhor dos Anéis», que considero estar bem mais conseguida precisamente por ter uma grande história por detrás.

Aproveito este post para desejar Feliz Natal e um Próspero Ano Novo a todos os leitores do Capeia Arraiana.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

pedrompfernandes@sapo.pt

Decorreu em Copenhaga entre 7 e 18 de Dezembro a conferência promovida pelas Nações Unidas, sobre alterações climáticas. As expectativas eram bastante elevadas para esta conferência. E, eram bastante elevadas porque se acreditava na possibilidade de um acordo vinculativo para reduzir 2ºC a temperatura no planeta, feita através da redução da emissão de CO2 em 50% nos países desenvolvidos até ao ano 2050 comparativamente a 1990 e de 30% até 2020, limitar o aumento das emissões nos países em desenvolvimento e por ultimo financiar acções destinadas a mitigar os efeitos das alterações climáticas e os esforços de adaptação efectuados pelos países pobres.

José Manuel Monteiro - «Largo de Alcanizes»Sendo os Estados Unidos da América, conjuntamente com a Rússia e a China um dos principais emissores de gases com efeito de estufa o facto do Presidente Barack Obama se mostrar empenhado em contribuir para o sucesso da conferência e pessoalmente estar presente no final dos trabalhos elevava só por si essas expectativas. Não podemos esquecer que a Administração Bush, nunca ratificou o Protocolo de Quioto por o considerar contrário aos interesses da economia Americana e não acreditar que aquecimento global do planeta seja provocado pela emissão de gases com efeito de estufa.
Mas, se as expectativas eram grandes hoje quase todos consideram que muito pouco resultou desses trabalhos. Fracasso e decepção são palavras pronunciadas e ditas por muitos dos que acreditavam, que em tempos de desenvolvimento sustentável, um dos seus pilares, o desenvolvimento ecológico e ambiental, tenha sido preterido aos interesses económicos dos principais líderes mundiais.
Desta conferência saiu um acordo, não vinculativo proposto por 28 países, que afirmam a necessidade e a vontade de reduzir a emissão de poluentes. Para além deste acordo de vontades foi aprovado o envelope financeiro de ajuda aos países pobre, 21 mil milhões de euros nos próximos 3 anos e cerca de 70 mil milhões de euros anuais a partir de 2020. Simples e não incomodativo. Os países desenvolvidos e industrializados encontraram as formas de retorno das ajudas aprovadas.
Aquecimento do planeta TerraPara uma politica de redução dos gases poluentes, será necessário, entre outras medidas:
– Diminuir a dependência face aos combustíveis fósseis (que satisfazem actualmente 85% das necessidades energéticas a nível mundial), nomeadamente através do aumento da eficiência energética e do desenvolvimento e aplicação de alternativas energéticas de domínio público;
– A defesa da produção local e a redução da amplitude dos ciclos de produção e consumo;
– A travagem da liberalização do comércio mundial, factor de incentivo ao aumento do consumo energético;
– Uma política de preservação de recursos naturais que assente na interacção entre as populações autóctones e o meio em que se inserem, sem lugar à sua gradual apropriação por parte de grandes grupos económicos.
Medidas que vão contra os interesses dos modelos de desenvolvimento económico vigentes. Por isso pergunto:
Alguém acredita que seja possível fazer em Junho em Berlim o que não foi feito em Copenhaga?
«Largo de Alcanizes», opinião de José Manuel Monteiro

jose.m.monteiro@netcabo.pt

«A tradição natalícia está, como nenhuma outra, profundamente enraizada na matriz cultural do cristianismo e tem cada vez maior influência em povos de outras origens religiosas. Ela exprime uma multiplicidade de valores sociais e humanos como os da solidariedade, da família, da felicidade e da paz.» in «Eh! Madeiro! Símbolos e tradições de Natal» de António Cabanas.

Em tempo de Natal o Capeia Arraiana aconselha vivamente a leitura do livro «Eh! Madeiro! Símbolos e tradições de Natal» de António Cabanas onde estão publicadas as fotos que reproduzimos nesta galeria de imagens.

GALERIA DE IMAGENS – 24-12-2009
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Fotos António Cabanas (Direitos Reservados) – Clique nas imagens para ampliar

O livro «Eh! Madeiro! Símbolos e Tradições de Natal» de António Cabanas pode ser adquirido na Casa do Castelo no Sabugal.
jcl

Mais um bom exemplo que nos chega do Concelho da Sertã, um dos primeiros Municípios a elaborar um Relatório de Sustentabilidade Municipal.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»O Relatório de Sustentabilidade da Câmara Municipal da Sertã, datado de Maio de 2009, constitui a avaliação do seu desempenho, resultante de uma Auditoria externa, salientando aspectos que se apresentem deficientes, para que possam ser corrigidos e melhorados.
A sua elaboração voluntária decorre essencialmente da consciencialização da importância dos princípios de equilíbrio financeiro, de responsabilidade social e de qualidade ambiental, bem como da importância de transmitir de uma forma transparente, simples e apelativa, os resultados atingidos.
Documento de grande importância, o mesmo procede a uma avaliação aprofundada de toda a actividade municipal, com especial incidência nos desempenhos económico, ambiental e social.
Dada a dimensão do Relatório, ressalto apenas os seguintes aspectos principais:
1. O Município possui uma estratégia para o desenvolvimento do Concelho, centrada em torno de dois clusters regionais interrelacionados, floresta e micro e pequenas empresas de base tecnológica;
2. O Município assume publicamente um conjunto de compromissos, agrupados segundo pilares de sustentabilidade:
– Governação – Incentivar o diálogo entre as partes interessadas e continuar a política de transparência no processo de decisão; Continuar a melhoria dos padrões de qualidade do serviço prestado; Realizar os projectos estruturantes de desenvolvimento do Município, nomeadamente os ligados à floresta e às microempresas tecnológicas; Elaborar anualmente o Relatório de Sustentabilidade;
– Económico-financeiro – Dinamizar os esforços de facilitação e desenvolvimento da economia local, nomeadamente no que respeita às acções dirigidas às empresas; Diminuir o prazo médio de pagamentos aos fornecedores; Publicitar o esforço a desenvolver pela Autarquia para inverter o actual panorama do seu relatório de contas, de modo a atingir o equilíbrio financeiro;
– Ambiental – Realizar acções de sensibilização ambiental no âmbito da reciclagem, consumo de água e consumo de energia junto dos colaboradores; Identificar, contabilizar e controlar as fontes de emissões de Gases de Efeito de Estufa; Aprofundar a relação com a «MÉDIO TEJO 21», nomeadamente no desenvolvimento de soluções alternativas através do uso de energias alternativas: Abordar o tema «Eficiência Energética» bem como o uso das energias renováveis como uma mais-valia económica;
– Social – Manter o diálogo com todos os colaboradores da Câmara Municipal para melhorar continuamente o serviço prestado; Prosseguir os planos de formação para todos os colaboradores; Continuar o empenho nas questões relacionadas com o apoio social à população carenciada; Melhorar as condições de diversidade e igualdade de oportunidades.
Como venho dizendo, a dimensão destas crónicas não permite apresentar com maior detalhe todo o conteúdo deste Relatório, o qual poderá ser consultado na Internet na página oficial da Câmara Municipal da Sertã.
Saliento ainda que, pelo menos, mais dois Municípios elaboraram o seu Relatório de Sustentabilidade – Proença-a-Nova em 2008 e Marinha Grande em Setembro de 2009.

Página na Internet da Câmara Municipal da Sertão. Aqui.

p.s. Sai esta crónica no dia 24 de Abril, dia de Consoada. Aos sabugalenses espalhados pelos quatro cantos do mundo e às suas famílias desejo um Natal e um Ano Novo felizes.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

Esta quarta-feira, 23 de Dezembro, foi finalmente anunciado pelo Governo o e-SIGIC um grande passo na gestão das longas listas de espera para as mais diversas cirurgias.

e-sigicA partir de agora é possível conhecer na Internet a posição em que se encontra cada utente através do Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia (e-SIGIC) e até programar a vida para não ser apanhado de surpresa. Para consultar o e-SIGIC, é preciso registar-se no Portal da Saúde com o número de utente, que dá direito a uma palavra-passe que permite consultar o processo.
Um comunicado do Gabinete do Secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Manuel Pizarro, informa esta quarta-feira, 23 de Dezembro, que os portugueses inscritos para cirurgia podem, pela primeira vez, aceder à sua situação na lista.
Na nota governativa pode ler-se que através do Programa e-SIGIC (Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia), será possível, pela Internet, conhecer a posição que ocupa na lista, bem como o tempo dentro do qual será realizada a intervenção cirúrgica.
Para isso, qualquer inscrito em cirurgia nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde necessita apenas de se registar no Portal da Saúde, utilizando o número de utente. Ao fazê-lo, ser-lhe-á atribuída uma palavra-chave para que possa consultar o seu processo.
O e-SIGIC vem ao encontro das grandes prioridades do Ministério da saúde: garantir a transparência e o rigor, melhorar o acesso e centrar o sistema no cidadão, atribuindo-lhe um papel mais activo. Além disso, a sua entrada em funcionamento corresponde ao cumprimento de mais uma das medidas previstas no Programa Simplex 2009.

Endereço electrónico do e-SIGIC. Aqui.
aps

GALERIA DE IMAGENS – 20-12-2009
Clique nas imagens para ampliar

João ValenteEm tempo de Natal publicamos um poema alusivo a esta quadra festiva.

Natal! Noite de Natal!…
Noite sagrada!…
Festa das filhoses,
Dos sonhos,
Das fatias douradas!…

O Toco levantado no meio da praça…
Frio de rachar…
Os pingos congelados
Nos beirais
E a gente arrepiada
Só de ir à rua.

A missa do galo à noite…
A Igreja, Abarrotada de gente,
Cheirando a flores, a velas
No presépio, a Gruta, a Estrela,
O Menino, a Mãe, S. José,
O burro, a vaquinha, os magos
E o Padre Chico na sua casula branca a cantar:
«Glória no Céu, paz na terra,
Para a gente de boa vontade..
»

À saída
A gente vinha a cantar,
A rir… abraçando-se,
Ateava-se o toco…
Labaredas incendiando os muros…
Gritos,
Bombas de foguetes,
Confusão,
Faúlhas a subirem no ar,
O garrafão do Zé Santo
De mão em mão,
A concertina do Zé Laranja a tocar
E todos em roda a cantar:
«Entrai pastores entrai, por esses portais adentro…
Vinde adorar o menino, que está em palhas deitado…
»

Depois,
Cada um tomava o caminho de casa,
Espevitávamos a lareira,
Grandes troncos ardendo,
O fumeiro, por cima, a secar,
As meias das crianças penduradas na chaminé,
A família sentada, em redor da mesa,
Naquela moleza de barriga farta,
O bacalhau, as couves, as batatas, regados com o fio de azeite
O vinho novo da pipa, os doces da avó… Aletria! Arroz doce!
E lá fora grupos de rapazes, a cantarem ao desafio:
«Natal Natal… Natal Natal…
Filhós com vinho não fazem mal!…
»

A cantiga afastando-se:
O vento a trazendo, O vento a levando…
Sumindo-se com a noite…
De ali a nada… O Carlos grande e o Carlos pequeno
Rabugentos! Cabeceando de sono!
A Fátima com a sua boneca de trapo!
A irem para a cama levados ao colo…
O Avô João sentado na cadeira de palha, ao lume,
Eu nos joelhos dele a ouvir-lhe as histórias
E a avó Maria da Luz limpando os olhos com a ponta do avental
A sacudir aquela aguadilha que teimava em aparecer-lhe…
De tanta felicidade.

O lume morria…
A torcida da candeia esmorecia…
O avô tirava do bolso uma goluseima, levantava-se:
«Em Nome do Pai, do Filho, do Espírito Santo, Ámen…»

E ia-mo-nos deitar…

«Arroz com Todos», opinião de João Valente
joaovalenteadvogado@gmail.com

Na passada sexta feira, dia 18, do corrente mês de Dezembro, as equipas de sapadores florestais promoveram um almoço convívio na sede da Associação de Caça dos Fóios.

Sapadores BombeirosNa área geográfica dos Fóios, mais concretamente na zona do baldio andam, cinco equipas de sapadores, a desbastar área de pinhal, no âmbito do tempo que cada equipa terá que prestar como serviço público.
Sob a orientação dos técnicos da Guarda, funcionários da Autoridade Florestal Nacional, as equipas de sapadores têm procurado desenvolver um trabalho sério e responsável.
Os elementos do Conselho Directivo do Baldio dos Fóios, tendo plena consciência, desta realidade quiseram reconhecer e, ao mesmo tempo, agradecer o trabalho realizado, pelo que realizaram um convívio que juntou os elementos das várias equipas.
Os elementos da equipa de sapadores dos Fóios confeccionaram três lebres com feijão e repolho que deliciaram todos os participantes.
Também, em jeito de reconhecimento, pelo trabalho desenvolvido pelas equipas de sapadores esteve presente o Sr. Presidente da Câmara, António Robalo, bem como a Sr.ª Vice-Presidente, Delfina Leal, e seus mais directos colaboradores. Não se esqueceram do champanhe e do bolo-rei visto que estamos em véspera do Natal. Fez-se um brinde à amizade e desejaram-se Boas Festas a todos os presentes e respectivos familiares.
O Sr. Eng.º Paulo Albino, coordenador distrital das equipas de sapadores, esteve também presente tendo igualmente desejado um Feliz Natal a todos.
José Abílio

O Comandante Territorial da Guarda Nacional republicana (GNR), coronel José Monteiro Antunes, anunciou que aquela força de segurança «efectua uma operação de intensificação de regulação e fiscalização rodoviária, durante a época festiva do Natal, dando prioridade a uma actuação preventiva e de apoio, combatendo desta forma a sinistralidade rodoviária».

A operação «Natal / Ano Novo 2009/2010» da GNR terá início, numa primeira fase, às zero horas do dia 23 de Dezembro e final às 24 horas do dia 27 e, numa segunda fase, das zero horas do dia 30 e final às 24 horas do dia 3 de Janeiro de 2010.
O esforço incidirá nas principais vias do distrito (Auto-Estradas A-25 e A-23 e Estradas Nacionais números 16, 17, 8, 102, 221, 233) e, particularmente, nos acessos à fronteira de Vilar Formoso e no Maciço Central da Serra da Estrela.
Ainda segundo o comandante, que assinou um comunicado enviado à imprensa, «nesta operação, os efectivos do Comando Territorial da Guarda estarão particularmente atentos à condução agressiva dos condutores que coloquem em causa a sua segurança e a de terceiros, ao uso de cintos de segurança e/ou sistemas de retenção nos bancos dianteiros e traseiros, à utilização indevida de auscultadores sonoros e aparelhos radiotelefónicos, para além do controlo da velocidade e da alcoolemia».
Toda a informação relativa à circulação rodoviária e evolução da sinistralidade a nível nacional será disponibilizada, 24 horas por dia, através do oficial do Centro de Comando e Controlo Operacional (CCCO/GNR), pelo número 213 217 000. Estarão, também, disponíveis informações e conselhos úteis relacionados com itinerários no site da GNR.
plb

JOAQUIM SAPINHO

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