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Não irei fazer grandes comentários sobre a Festa da Europa, que decorreu nos dias 28, 29, 30 e 31 de Julho, no Sabugal.

(Clique nas imagens para ampliar.)

João Aristides DuarteRefiro, apenas, que me pareceu interessante que para além dos espectáculos musicais, realizados à noite, tenha havido animação de rua com insufláveis, carrinhos e touro mecânico, o que faz com que mais gente participe na Festa. Também me pareceu interessante a Exposição sobre os trajes da Europa e do Mundo, patente junto ao Palácio da Justiça, para além da participação, já habitual, dos artesãos do concelho.
Enfim, este ano havia mais gente, o tempo ajudou e penso que tudo correu bem.
Em termos de espectáculos também foi muito bom…
Os Diabo na Cruz deram um bom espectáculo, os Quadrilha dera o melhor espectáculo que já tive oportunidade de presenciar (e já os vi ao vivo algumas 10 vezes). Os Anaquim foram fantásticos e A Caruma superou as minhas expectativas. Só é pena que haja gente que abandone o recinto, mal comecem os espectáculos, apenas por não conhecerem… Se fosse o Tony ficavam até ao fim… Mas aquela mania de as pessoas não se quererem aproximar do palco é que nunca mais tem fim… Devo dizer que eu estive, todas as noites, na primeira linha, bem junto ao palco.
Transcrevo aqui um comentário retirado do facebook, com o qual estou de acordo, de um fã de A Caruma que fez uma viagem de uma hora e meia para vir ver a banda ao Sabugal:
«Muito bom concerto no Sabugal. Pena que o público tenha desistido ainda o concerto não ia a meio, o que para mim indica uma falta de gosto pela qualidade musical e uma falta de respeito pelos artistas em palco. Mas pronto, bom concerto na mesma, valeu a pena a viagem de 1h30m que fiz para vos ir ver e ouvir os vossos grandes temas. – Tiago Leal»
«Música, Músicas…», crónica de João Aristides Duarte

(Deputado da Assembleia Municipal do Sabugal)
akapunkrural@gmail.com

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Embora esta crónica não esteja relacionada, directamente, com o concelho de Sabugal, não poderia deixar de a transmitir aos leitores do blog, uma vez que se trata de um facto verdadeiramente digno de nota.

Brigada Vítor Jara

João Aristides DuarteTrata-se de um concerto da Brigada Victor Jara, a que assisti, na Festa do Avante. Estávamos a 9 de Setembro de 1983.
Lá fui eu, o meu irmão e o Mestre Fernando Fernandes (aquele que produz obras de arte em ferro) à Festa do Avante. Na época a festa tinha lugar no Alto da Ajuda, em Lisboa.
Começámos por ver/ouvir a Judy Collins, os checos Olympik e, num palco pequenino, uns holandeses a tocarem e cantarem a «Grândola». Depois ainda vimos os «Cossacos de Kuban», um grupo da URSS que cantou o «Vira», em português.
Vimos a Brigada Victor Jara num palco pequeno e, mais tarde fomos para um dos palcos grandes, que ficava de costas para a Torre de Belém.
Nesse palco começaram por actuar os Roquivários («Cristina, não vais levar a mal, mas beleza é fundamental») e, talvez por erro da organização, seguiu-se a Brigada Victor Jara.
Não digo nada… Aquele público era constituído quase exclusivamente por alucinados… Tudo malta nova, só freaks, punks e assim … Muitos, muitos, uma multidão enorme… Tudo sentado… O local onde o público presenciava os concertos era tipo anfiteatro. Encontrei lá um rapaz que andou a estudar comigo no Sabugal, de Vale da Senhora da Póvoa (Penamacor), todo alucinado, também. Lembro-me de um outro com um capacete branco da Polícia Militar e muitos outros assim com esse estilo. Tudo a queimar muitos fumos, um ambiente altamente explosivo. Antes, ainda passámos perto dos bastidores e o Mestre Fernando conhecia o baterista da Go Graal Blues Band que era o Márito de Vale de Espinho e tinha tocado, antes, nos Spartak’s, o mais famoso conjunto dos anos 70, da Guarda. O Márito convidou o Mestre Fernando e quem o acompanhava a aparecer nos bastidores, onde havia comida à disposição.
Acabámos por não aparecer nos bastidores.
A seguir aos Roquivários a organização resolveu meter a Brigada Victor Jara, no palco. Aquele público queria era Rock. Estava tudo, mesmo, à espera da Go Graal Blues Band, com o Paulo Gonzo a cantar.
Começaram a atirar pedras à Brigada e, passadas duas músicas, a banda pára. Um dos músicos da Brigada Victor Jara vai ao microfone, manda umas bocas («a Festa do Avante não se faz com pedrinhas, isto dá muito trabalho») e a maioria do público continuava na mesma: ruidoso e a não ligar à música da Brigada Victor Jara.
Até que aparece alguém da organização no palco, que vai ao microfone e anuncia «Ou páram de ter esse comportamento, ou cancelamos o concerto da Go Graal Blues Band!!» A coisa lá acalmou e a Brigada conseguiu terminar o concerto. O concerto da Go Graal foi mesmo a loucura. O público presente estava nas suas «sete quintas». Mas, não há dúvida, que colocar a Brigada ali foi mesmo um erro de «casting».
Bastante exótico…
«Música, Músicas…», crónica de João Aristides Duarte

(Deputado da Assembleia Municipal do Sabugal)
akapunkrural@gmail.com

O colaborador do Capeia Arraiana João Aristides Duarte, natural do Soito, é o orador convidado para a Tertúlia «Rock in Portugal», promovida pelo Teatro Municipal da Guarda (TMG).

A tertúlia realiza-se amanhã, quarta-feira, dia 6 de Julho, pelas 21h30, no Café Concerto do TMG. O orador convidado, João Aristides Duarte, editou o livro «Memórias do Rock Português», o qual já conta com dois volumes editados em momentos diferentes. O livro, contendo a história da música rock em Portugal, foi editado pela primeira vez em Abril de 2006, porém em Fevereiro de 2010, foi editado e um segundo volume. O prefácio do livro é assinado por António Manuel Ribeiro, o conhecido vocalista da banda UHF. A publicação contém a biografia de um conjunto de músicos e de bandas rock, assim como entrevistas a nomes sonantes do panorama musical nacional.
João Aristides Duarte é colaborador regular do Capeia Arraiana, onde assina a rubrica «Música, Músicas», espaço dedicado à música portuguesa em que recordando a forma como algumas bandas rock se formaram e desenvolveram a sua actividade musical.
plb

A foto que acompanha esta crónica refere-se à banda OS MINISTROS, que foi criada no Soito, após o «boom» do Rock português iniciado com o álbum «Ar de Rock» de Rui Veloso.

Os Ministros

João Aristides DuarteUm festival com o nome «Só Rock» teve lugar em Coimbra, organizado pela Rádio Comercial e pela empresa de som Furacão, com o apoio da Câmara Municipal da Lusa Atenas, teve lugar no ano de 1981, com a participação das mais variadas bandas, oriundas de todo o país.
OS MINISTROS formaram-se no Soito, de propósito para concorrer a esse Festival. Foram uma das primeiras bandas a inscreverem-se no Festival, que foi ganho pela banda Alarme, da Nazaré. Participaram no Festival nomes como Manifesto, Opinião Pública, Xutos & Pontapés, Brigada do Reumático, etc., etc.
OS MINISTROS não chegaram a participar no Festival, embora tenham surgido em várias publicações ligadas à música, como o saudoso semanário «Se7e», onde foram referidos como um dos grupos com o nome mais original.
Na foto podemos ver Fernando Monteiro, no baixo, Luís Duarte, na guitarra e Fernando Freire, na bateria. Nenhum destes elementos sabia, sequer, tocar. Mas que interessava, se se tratava de uma banda punk?
A banda sofreu alterações na sua formação e Fernando Pereira entrou como guitarrista, tendo Luís Duarte passado a ocupar-se das funções de vocalista principal.
A banda ensaiava no local onde hoje é a sede da Associação Cultural e Desportiva do Soito.
Do seu reportório faziam parte temas como «Música», «Rei da Noite», «Vamos Todos», «Madrugada» e outros, que chegaram a ser ensaiados durante algum tempo.
À última da hora, a banda decidiu não se apresentar no Festival, uma vez que não se considerava com capacidade para enfrentar o público, já que, em termos musicais, pouco evolui (ou seja, se se exceptuar Fernando Pereira, nenhum dos outros elementos conseguiu aprender a tocar em condições).
Sei, também, que eram colocados grandes cartazes, na Praça da República, em Coimbra, onde eram referidos os nomes das bandas participantes no Festival e originários do concelho (a estudar em Coimbra) ficaram bastante desiludidos quando viram nesses cartazes «Os Ministros (Sabugal)» e a banda não compareceu.
Perdeu-se alguma coisa, em termos de música portuguesa? Julgo que não… Foi, apenas um projecto que ficou pelo caminho, o qual, aliás, não teria futuro nenhum.
«Música, Músicas…», crónica de João Aristides Duarte

(Deputado da Assembleia Municipal do Sabugal)
akapunkrural@gmail.com

Enquanto por cá discutimos quem ganhou o debate entre Dupont e Dupond, na noite de sexta-feira passada, ou então a televisão transmite directos sobre a chegada da equipa do Futebol Clube do Porto, após a sua vitória na Liga não sei de quê, os nosso vizinhos espanhóis estão a dar uma lição ao mundo.

João Aristides DuarteAcampados há vários dias na Puerta del Sol, em Madrid, grupos de manifestantes jovens e menos jovens estão a fazer uma Revolução. Essa revolta já alastrou a diversos países europeus e de outros continentes.
Ninguém os demove da Puerta del Sol, que se transformou na Praça Tahrir da Europa. Apesar de o Governo ter proibido essas manifestações, alegando que se estava em período de reflexão eleitoral, o certo é que os manifestantes não desmobilizam. Sabe-se que os Sindicatos da Polícia espanhóis já declararam que não vão
O que pedem os manifestantes na Puerta del Sol? Coisas tão simples como «Liberdade de Expressão», «Reforma da Lei Eleitoral» e «Nacionalização da Banca».
Em alguns dos cartazes que os manifestantes exibem pode ler-se: «Assim, não!», «Banqueiros ladrões», «Povos da Europa, Levantai-vos» ou «PP e PSOE, o mesmo capital».
Os manifestantes começaram por ser uma espécie de «Geração à Rasca» espanhola, mas a revolta depressa alastrou e comprometeu outras gerações.
Realmente é de admirar que surja na Europa um cartaz onde está escrito «Liberdade de Expressão», uma vez que essa mesma Europa se diz tão democrática. Cartazes desse teor fazem-me lembrar os que eram exibidos pelos manifestantes pró-democracia, nos idos de 1989, na RDA.
Afinal, parece que, por esta Europa tão civilizada e tão democrática, algo também está podre. É bem verdade que, quando se verificam tantas situações escandalosas, como os prémios aos gestores, as benesses aos banqueiros que arruínam a economia, as pessoas se revoltem… Os partidos do «arco da governação», em Espanha (sempre o PP ou o PSOE) acham que está tudo anestesiado com a «bola» e nunca pensaram que isto fosse mesmo a sério. Mas está a ser.
João DuarteÉ por serem sempre os mesmos a governar, em Espanha, que se pede a reforma da Lei Eleitoral, de modo a que se termine com esse bipartidarismo que só pode levar à frustração. É aquele estilo de «ora governas tu, ora governo eu», a única coisa que muda são mesmo os «boys», porque de resto é tudo igual. Em Portugal é a mesma coisa. Só não vê quem não quer. Já sobre os «banqueiros ladrões» em Portugal, nem vale a pena falar… O escândalo é tamanho que daria para uma série de Revoluções. Mas os tais “brandos costumes” são capazes de explicar alguma coisa.
No entanto, por cá, as pessoas estão mesmo anestesiadas e não se revoltam. Até tinham mais razões para o fazer, uma vez que irão sofrer com as medidas decididas pela Troika estrangeira e pela Troika portuguesa (PS/PSD/CDS). Serão os portugueses masoquistas? Ou, dito de outra maneira, quando é que os portugueses começam a ser como os espanhóis?
O título da minha crónica tem a ver com a imagem que a acompanha: realmente, eu estou completamente à vontade sobre isso. Desde a época em que pude votar, nunca, «jámé» os partidos do «arco da governação» contaram com o meu voto. E já lá vão mais de 30 anos. Uma coisa é certa: nunca tive, assim, razões para me arrepender do meu voto.
«Política, Políticas…», opinião de João Aristides Duarte

(Deputado da Assembleia Municipal do Sabugal)
akapunkrural@gmail.com

Eduardo Catroga, chefe da equipa negocial do PSD, para os PEC’s, tem protagonizado verdadeiras cenas hilariantes nos últimos tempos. Também conhecido pelo «Homem das Cartas», uma vez que já escreveu várias missivas ao Governo a pedir explicações sobre aspectos da política económica, foi identificado como «cliente do mês dos CTT», num site humorístico na Internet.

João Aristides DuarteEduardo Catroga é apontado como o futuro Ministro das Finanças de um Governo chefiado pelo PSD, mas têm sido tantos os tiros no pé que este homem tem dado, que não sei se conseguirá atingir o seu objectivo.
O PSD só se pode queixar de ter escolhido este homem como porta-voz do partido para as questões económicas, uma vez que as trapalhadas são tantas que não sei como ainda o deixam emitir opiniões.
Catroga está reformado e aufere uma pensão no valor de 9.600 euros mensais. A pensão é paga pela Caixa Geral de Aposentações, devido ao seu desempenho como professor catedrático a tempo parcial 0% (alguém explica o que isto quer dizer? Para qualquer leigo na matéria isto significa não fazer nada) e o seu trabalho no sector privado.
Segundo ele próprio explica, para simplificar, a pensão é paga pela CGA, quando esta instituição não tem obrigação de pagar pensões de quem trabalhou no sector privado.
Já foi Ministro das Finanças e estive ligado à criação das famigeradas Parcerias Público Privadas, que se iniciaram no Governo Cavaco Silva, e, agora, tanto são criticadas por parte do PSD e CDS.
Foi enquanto Ministro das Finanças que se efectivou a privatização do Banco Português do Atlântico, onde Jardim Gonçalves era Presidente. O BPA foi, depois incorporado no BCP, de que Jardim Gonçalves passou também a ser Presidente. Foi com o dinheiro do crédito do BPA que Jardim Gonçalves fundou o império BCP. Tudo bons rapazes… Muito bons rapazes…
Ultimamente, Eduardo Catroga tem produzido declarações verdadeiramente hilariantes, como aquele que se deveria passar a taxa de IVA reduzido da cerveja para a taxa normal, quando a cerveja já é taxada a essa mesma taxa normal de IVA. No mesmo dia, disse que afinal se estava a referir ao vinho («Era o vinho, meu Deus, era o vinho…»).
Voltou à carga com outra declaração em que afirmava que se devia baixar a Taxa Social Única em 4%, para, logo depois, acrescentar que, afinal a descida deveria ser de 8%.
Apesar de reputados economistas (até próximos da Troika governativa PSD/PS/CDS) referirem que a descida da Taxa Social Única não faz aumentar a competitividade das empresas, Eduardo Catroga continua a insistir na mesma tecla.
Mas a última e mais hilariante declaração de Eduardo Catroga aconteceu numa entrevista à SIC, onde referiu que o PS e PSD se entretêm a discutir «pintelhos», em vez de discutirem o que é essencial. Foi a risota geral… Em tudo o que é fórum da Internet estas declarações foram usadas até à exaustão.
Eduardo Catroga, realmente, não diz coisa com coisa. Sócrates e o PS esperam bem que o PSD não deixe cair aquele que é apresentado como o futuro Ministro das Finanças do PSD, para poderem dormir mais descansados.
Já com a escolha do cabeça de lista do PSD por Lisboa aconteceu outro tiro no pé, aqui tanto por parte do candidato (Fernando Nobre), como por parte do PSD. Assim, não fico admirado com o resultado das sondagens. Sei bem, no entanto, que tanto o PSD como o PS (e o CDS), que assinaram o memorando da Troika nada de bom irão trazer para o Povo português. Votem neles e, depois, queixem-se.
«Política, Políticas…», opinião de João Aristides Duarte

(Deputado da Assembleia Municipal do Sabugal)
akapunkrural@gmail.com

Não se tem falado noutra coisa nos últimos tempos. A Troika é motivo de assunto em todos os «mass media» e, até, nas conversas do dia-a-dia do cidadão comum. A Troika junta o FMI, o BCE e a UE no ataque aos mais elementares direitos dos portugueses. Direitos esses que tanto custaram a ser conquistados por sucessivas gerações de portugueses.

João Aristides DuarteAs receitas da Troika são as habituais: mais neoliberalismo, mais cortes nas prestações sociais, aumento dos impostos ou cortes nas deduções fiscais.
Em contrapartida a Banca portuguesa vai receber 13 mil milhões de euros da comparticipação decidida pela Troika.
Eu lembro-me bem de ouvir os banqueiros, ainda há um ano, dizerem que a Banca portuguesa era muito sólida, muito mais sólida do que a Banca de qualquer um dos países da zona euro. De repente, tudo mudou e são os banqueiros que insistem para que seja concedida ajuda externa a Portugal, para serem eles os beneficiários de uma parte dessa mesma ajuda
Já nem vale a pena falar de tudo o que aconteceu há uns anos atrás, quando rebentou a «bolha» imobiliária nos Estados Unidos. Parece que toda a gente foi acometida de uma verdadeira amnésia e já ninguém se lembra. Para os que apoiam a ajuda externa, que vai contra a soberania portuguesa, nada aconteceu antes.
Foi exactamente o rebentar do escândalo da «bolha» imobiliária que fez precipitar esta crise.
Na Irlanda, por exemplo (um dos países que também teve que recorrer à ajuda externa) o Estado teve que investir milhares de milhões de euros na Banca para esta ser capitalizada. Quando essa mesma Banca estava a ter lucros fabulosos com a especulação imobiliária, não quis saber de nada. Por isso, muitos irlandeses dizem, e com razão: »Porque é que eu tenho que ajudar a Banca?»
TroikaPor cá também se passou algo de semelhante com o BPN. Foi só um pequeno desvio de cinco mil milhões de euros que teve que ser assumido pela Caixa Geral de Depósitos, o Banco do Estado. E toda a gente sai impune desse verdadeiro escândalo, como se nada se tivesse passado.
As parcerias público/privadas, um verdadeiro negócio da China que estão a arruinar o país começaram no consulado de Cavaco Silva como primeiro-ministro. Não pode, por isso, o actual Presidente da República, andar a apelar aos portugueses para que façam sacrifícios, quando parte da culpa por aquilo que aconteceu deve ser-lhe imputado.
Aliás, como é natural e toda a gente tinha obrigação de saber, quem nos tem (des)governado nos últimos 35 anos é responsável por esta crise. Isto não aconteceu, de repente, por qualquer cataclismo com origem divina. Vem de trás.
Está mais que provado que as receitas que foram aplicadas ao longo destes últimos 35 anos conduziram a este resultado. E, tome-se em atenção que já houve duas anteriores intervenções do FMI no país (em 1977 e em 1983).
O que causa mais admiração é o facto de, apesar de tudo o que se sabe, os portugueses continuarem a apostar nas mesmas políticas que nos conduziram a este estado. Basta ver as sondagens, que colocam os apoiantes da ajuda externa (melhor dizendo da ingerência estrangeira num país soberano) com valores próximos dos 80% de votantes. Será que os portugueses são masoquistas?
Nunca houve tanta informação disponível e, mesmo assim, os portugueses continuam a achar que as receitas da Troika e dos apoiantes portugueses da ingerência estrangeira são as melhores para o nosso país. Passado pouco tempo está quase tudo arrependido das suas opções de voto nas eleições.
Não será tempo de os portugueses dizerem «Basta!» a estas políticas que só nos têm conduzido ao desastre?
«Política, Políticas…», opinião de João Aristides Duarte

(Deputado da Assembleia Municipal do Sabugal)
akapunkrural@gmail.com

Anda agora muito na moda, espalhada pelos homens do «arco do poder» ou «arco da governação» a expressão de que todos somos culpados pela situação a que o país chegou. Como se sabe, nem toda a gente percebe que isto é uma daquelas frases que de tanto serem repetidas se acabam por tornar verdades indesmentíveis, mesmo que sejam as mais puras das mentiras. Como, aliás, é o caso…

João Aristides Duarte - «Memória, Memórias...»O que os do «arco da governação» não querem que se diga é que eles, e só eles, são os responsáveis pela situação criada. Desde há 35 anos que esses ocupam o Poder em Portugal. Não adianta dizer que os outros também têm culpa… Esses têm rosto e nome. São todos do PS, PSD e CDS. Os outros nada contribuíram para isso.
Ou quer dizer, então, que eu já gastei 300.000 milhões de euros com o TGV sem ainda estar construído um único metro de linha? E, esperem pela pancada, que esses nunca dão «ponto sem nó»: quando aquilo for anulado as grandes empresas de construção (os chamados consórcios) irão receber mais uma série de indemnizações milionárias que, todos nós, os culpados, iremos ter que pagar com língua de palmo.
As parcerias público/privadas saíram todas da minha cabeça. Como é que eu não tive essa ideia há mais tempo? Se a coisa dá prejuízo, o Estado paga, se a coisa dá lucro, esse lucro vai para os privados… Verdadeiro negócio da China. Só da minha cabecinha pensadora poderia ter saído esta ideia. Alguém do «arco da governação» se lembrava disto? Não, que esses só defendem o interesse nacional e são homens com grande sentido de Estado.
Fui eu e mais uns poucos que encomendámos os submarinos? Claro que fomos… Nós sabíamos bem que era isso que o Povo mais queria…
Fui eu o culpado pela nacionalização dos prejuízos do BPN, que atingem um buraco financeiro enorme? Sem dúvida que sim… A golpada do BPN teve rostos. Esses andam por aí como se nada se tivesse passado e, claro, mais uma vez, todos somos culpados. Se eu nunca tive uma conta nesse Banco, se nada ou quase nada sabia sobre esse Banco, sou culpado pela golpada. Claro, é assim… Toma lá que é democrático.
Mário Soares declarou na rádio, há dois dias (após ter feito uma série de elogios a Passos Coelho), que sim, que todos somos culpados. Bem, não se sabe se o Soares já está com o actual Presidente, que é mudo e anda a ouvir Passos. Será Alzheimer? Ou «somebody put something in the drink» do Soares? Nunca se sabe…
Agora anda por aí a troika… Mas não se espere nada de novo. «All Quiet On The Western Front» é a palavra de ordem. Para já a troika decidiu que o IVA do golfe está muito bem a 6% e o IVA do leite achocolatado fica bem a 23%. Nem uma palavra do PR, nem de nenhum dos do «arco da governação»… All Quiet. Como, aliás, todos nós os culpados, sabemos vamos passar a dizer «O golfe nosso de cada dia» ou «Isso é o meu ganha-golfe». O Povo pode lá passar sem golfe!!!
Mas, não se iludam… Ramalho Eanes já avisou… Virá aí outra «troika» a seguir às eleições. Agora já não a «troika» do FMI/BCE/UE, mas sim a «troika» do «arco da governação» constituída pelo PS/PSD/CDS. O chamado Governo de «salvação nacional». Cada vez que ouço esta expressão até me arrepio todo!!!
«Política, Políticas…», opinião de João Aristides Duarte

(Deputado da Assembleia Municipal do Sabugal)
akapunkrural@gmail.com

O Banco Central Europeu é aquela instituição do chamado «internacionalismo monetário» que empresta dinheiro aos Bancos a juros de 1%, para estes o emprestarem a Portugal a taxas de 8%. Ao contrário do que se pensa, este Banco Central Europeu pouco ou nada tem a ver com a União Europeia.

João Aristides Duarte - «Memória, Memórias...»Segundo os Estatutos do BCE este não poderá receber instruções das instituições, órgãos ou agências da União Europeia.
O BCE é detido por várias instituições financeiras, nomeadamente o Danmarks Nationalbank com 1,7216 por cento, o Deutsche Bundesbank, com 23,4040 por cento, o Bank of Greece, com 2,1614 por cento e o Banque de France, com 16,5175 por cento.
O Bank of England, de um país que não faz parte da Zona Euro, detém 15,9764 por cento do BCE.
Ficamos, então, a saber que o BCE pertence aos Bancos Centrais de vários países da União Europeia. Mas, agora, a pergunta que se impõe: a quem pertencem os Bancos Centrais dos diversos países da União Europeia?
Os Bancos Centrais dos países não gostam de divulgar os seus accionistas, mas o Banca D’Italia publicou na Internet uma lista das instituições que são detentoras do seu capital. E, assim, fica-se a saber que, entre muitas outras, são as seguintes (entre parênteses Cota de Participação/Número de votos): Intesa Sanpaolo S.p.A. 91.035/50, UniCredit S.p.A. 66.342/50, Assicurazioni Generali S.p.A. 19.000/42, Cassa di Risparmio in INPS 15.000/34, Banca Carige S.p.A. – Cassa di Risparmio di Genova e Imperia 11.869/27, Banca Nazionale del Lavoro S.p.A. 8.500/21, Banca Monte dei Paschi di Siena S.p.A. 7.500/19, Cassa di Risparmio di Lucca Pisa Livorno S.p..A. 3.668/11, etc. etc.
Total de quotas: 300.000. Total votos: 539.
Entre esta floresta de Bancos privados no capital do Banco Central italiano há, apenas duas participações do Estado Italiano correspondentes a 42 votos, menos de 10%.
E os Bancos privados pertencem a quem? Apenas um pequeno exemplo: O Banco Unicredit conta entre os próprios accionistas um banco líbio, o grupo Allianz (Alemanha), um banco inglês com um cadastro assustador (Barclays: ajuda ao governo do Zimbabwe, acusações de reciclagem de dinheiro, envolvimento no comércio de armas…), uma sociedade americana (BlackRock) com participação inglesa (Merlin Entertainments) e a Autoridade de Investimentos da Líbia.
Resumindo: o BCE é privado, mas é ele que emite as moedas e notas do Euro.
Se o BCE é independente da União Europeia e de propriedade dos bancos nacionais, que são privados, o mesmo BCE não passa dum banco privado.
Resumindo, mais uma vez, a economia da União Europeia está nas mãos dos interesses privados e não dos interesses dos Povos que os constituem.
«Política, Políticas…», opinião de João Aristides Duarte

(Deputado da Assembleia Municipal do Sabugal)
akapunkrural@gmail.com

A foto que acompanha esta crónica foi tirada em 1975. Nela se pode ver um táxi da época (alguém saberá identificar o taxista?) e a placa de entrada na (então) vila, já para cá da ponte, onde está desenhada uma foice, um martelo e a estrela de cinco pontas…

Taxi - Sabugal

João Aristides Duarte - «Memória, Memórias...»Quem seria que teria desenhado isso? Não me admirava nada se a pessoa que fez isso, nessa época, não fosse hoje uma pessoa já «bem na vida», a votar PS ou PSD…
Lembro-me bem do que aconteceu a seguir ao 25 de Abril de 1974, quando as paredes, monumentos e placas de trânsito estavam cheias de escritos. Quase tudo desapareceu com o tempo e com as lavagens que foram efectuadas. Realmente, nessa época, escreveu-se muito em monumentos, foi um erro que se cometeu, mas quando a tampa da panela rebenta, ninguém consegue prever as consequências. Foi o que aconteceu nessa época.
No Soito, passados poucos dias do 25 de Abril apareceram logo inscrições com palavras de ordem como: «Fim da Guerra Colonial», «Nem mais um soldado para as Colónias» ou «A Revolução Continua- O Povo Vencerá».
Também me lembro de na placa que indicava Vila Boa estar escrito «Vila Boa não quer camaleões». E, já em 1975, em Rendo, nas duas placas (a de entrada e a de saída) em letras garrafais «Morte ao comunismo». Apareceram, também inscrições em várias paredes com palavras de ordem como «Nem Fascismo Nem Social-Fascismo- Governo Popular» ou já perto de Abril de 1975 «O Povo Vota na Rua», para além de outras como «Abaixo os Suviéticos» (assim mesmo com um u, que tinha a ver com os SUV – Soldados Unidos Vencerão).
Claro que os maiores especialistas em pichagens e em murais (alguns até bastante interessantes) eram os militantes do MRPP (até conhecidos, por isso, por Meninos Rabinos Pintam Paredes), hoje todos (ou quase) já pessoas bem aburguesadas que, se calhar, já esqueceram os seus tempos de irreverência.
Foi, realmente, uma época única…
«Memória, Memórias…», crónica de João Aristides Duarte

(Deputado da Assembleia Municipal do Sabugal)
akapunkrural@gmail.com

Esta semana li um artigo curiosíssimo na Internet. Foi publicado no jornal «Cinco Quinas on-line» e intitula-se «Carta de Um Aldeão do Interior de Portugal». Depois de se referir à vida dura do campo, como se ainda estivéssemos nos anos 50 do século passado, o tal aldeão refere que não tem televisão a cores, só tem televisão a preto e branco, como se alguém ainda acredite nessa peta.

João Aristides Duarte - «Memória, Memórias...»Depois vem, claro, o famoso e sempre habitual discurso sobre os ordenados dos políticos, os tais que falam na televisão a preto e branco, numa linguagem que o aldeão não entende.
Refere que os políticos só dizem mentiras e estão sempre a dizer que só falam verdades.
Segundo o articulista, nas aldeias as pessoas são logo temperadas na forja do ferreiro, com a têmpera certa. Com isso, continua o articulista, a força dos aldeãos vem de dentro e são tão verdadeiros quanto a existência do aço.
Mas este senhor quer enganar quem? Não se sabe que os tais políticos são de todo o lado, seja de aldeias ou cidades? Não é verdade que o Sócrates não é nada da Covilhã, mas sim de uma aldeia de Trás-os-Montes, chamada Vilar de Maçada?
Depois da lengalenga do costume sobre o facto de os tais políticos só virem pedir votos e dizerem que resolvem todos os problemas, o articulista chega à conclusão que é tempo de dizer basta.
Na parte final do artigo, o seu autor ameaça os «políticos» escrevendo que se voltarem a pedir votos na aldeia, a gente logo lhe canta.
E passa, depois, às exigências que são, grosso-modo, as habituais nos tais críticos dos «políticos»: que os deputados sejam naturais do distrito, que haja só 100 deputados, que os ordenados dos «políticos» baixem, pelo menos 50%, e mais uma série de coisas do mesmo género. Realmente, o deputado Francisco Assis não é natural do distrito da Guarda, mas alguém quer saber disso? Quando as pessoas votam, não estão sempre a dizer que votam no Sócrates ou no Passos Coelho? Então, para quê essa preocupação com os deputados terem de ser do distrito?
E, se nada disto acontecer, escusam de aparecer outra vez pela aldeia, já que chegou a altura de dizer basta, conclui o articulista.
Ora, é tempo de dizer basta mas é a esta conversa destes políticos de café (que estão sempre a dizer que não são políticos, mas muito gostam de falar de política) ou de escrita, uma vez que toda a gente sabe que é mais que certo que nas próximas eleições votem nos mesmos, ou seja naqueles que os têm enganado desde há mais de 30 anos. Salvadores da Pátria não existem, nem nunca existiram. Vai uma apostinha que votam nos mesmos?
PS, PSD e, algumas vezes CDS. É isto que o aldeão do interior de Portugal conhece. Tudo o que passe daí já é muita areia para a sua camioneta.
Se num ano foram enganados pelo PSD que prometeu mundos e fundos, nas eleições seguintes já se sabe que o voto só pode ser ou no PSD ou, quando muito, no PS. Para além disso não dá. O boletim de voto tem lá mais de dez espaços para colocar as cruzinhas, mas o que querem, o aldeão só consegue ver três!!!! E não adianta explicar. Ele lá sabe porquê…
Depois vêm com esta teoria de que é preciso mudar? Vão mas é pentear macacos!!!! Há mais de 30 anos que Portugal é governado pelos mesmos: ora do PS, ora do PSD, com ou sem o CDS, mas não adianta…
E, se fossem só os aldeãos a fazer isto… o pior é que os citadinos, apesar de saberem de tudo (ou terem obrigação de saber) continuam na mesma. Depois, ainda se queixam? Afinal, têm ou não o que merecem?
Quero dizer que eu, também sou um aldeão (nascido aldeão, que, entretanto alteraram-me o estatuto para “vilão”), do interior de Portugal, devo ter sido temperado noutro aço no ferreiro, mas não caio na esparrela, há mais de 30 anos, de votar nesses que fecham centros de saúde, correios e escolas e só não fecham, definitivamente, o interior porque não têm coragem. Esses não podem, nunca, contar com o meu voto. Sejam de cá da aldeia, ou sejam da cidade. Nunca, jamais, em tempo algum… E mai nada!!!
«Política, Políticas…», opinião de João Aristides Duarte

(Deputado da Assembleia Municipal do Sabugal)
akapunkrural@gmail.com

Vinte e um. É este o número mágico, inventado num qualquer gabinete, como se se tratasse da descoberta da pólvora. Será o número do «Joker» do Totoloto? Será o número da terminação da Lotaria? Será o número que corresponde à maioridade, como antigamente?

João Aristides Duarte - «Memória, Memórias...»Qual quê? Este é o número mínimo de alunos que as escolas do 1.º Ciclo podem ter para terem sucesso, segundo decidiram essas «cabeças pensantes» do Ministério da Educação, no ano passado.
Tudo o que for abaixo desse número só significa insucesso educativo e, portanto, encerramento compulsivo das escolas.
Toda a gente pergunta… Porquê 21 e não 18, 19, ou outro número qualquer? As «cabeças pensantes» que decidiram isso lá saberão porquê, mas não explicam nada.
Decidiram, está decidido e ai de quem se atreva a contestar esse número mágico que é logo colocado na galeria das velharias e considerado um «atrasadinho». A malta do PS (também se pergunta como é que gente tão socialista desistiu de fazer o socialismo!!!), completamente cega, sectária e seguidista em relação a este número, não tem qualquer argumento para esgrimir em sua defesa. Mas, defendem o número mágico com unhas e dentes…
Descobriram que, ao contrário do que qualquer pessoa de bom senso sabe, nas escolas onde há mais de 21 alunos se aprende mais, se trabalha melhor e as medidas relacionadas com o encerramento das escolas visam melhorar as condições que favoreçam a promoção do sucesso escolar e o combate ao abandono. O combate ao abandono, perguntarão? Sim, que os do PS não brincam em serviço e sabem bem (só eles) que nas escolas do 1.º Ciclo há abandono escolar. Usam estes argumentos para esconder o único argumento possível de utilizarem, que seria o de se tratar, unicamente, de mais uma das tais «medidas» economicistas. Mas Cavaco Silva também nunca se pronunciou contra o encerramento das escolas, o que leva a crer que ele concorda com essa “medida”.
Numa carta aberta que escrevi, no jornal «Nova Guarda», em Junho passado; ao Dr. Fernando Cabral, ex-deputado pelo círculo eleitoral da Guarda, até referi que o Prof. Carlos Ceia, docente na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, diz textualmente, num artigo do jornal «Público»: «Qualquer professor de qualquer país do mundo sabe que com um grupo de trabalho pequeno as hipóteses de sucesso são muito superiores e só quem está muito, muito distante da realidade da escola pode, com honestidade intelectual, defender o contrário.» Mesmo assim, não há quem tire o número mágico da cabeça do pessoal do PS. O tal ex-deputado teve o descaramento de, no número seguinte do «Nova Guarda» escrever que há que respeitar as opiniões diferentes, não contestando um único dos meus argumentos, nem sequer as palavras do Prof. Ceia. Como político mainstream que é até se deu ao luxo de me tratar por Dr. João Aristides Duarte, quando eu detesto esses títulos académicos.
Com estas políticas o Interior está condenado, mas os fanáticos do PS não se importam. É preciso é não contrariar o número mágico. E depois da descoberta de que com a implementação dessa «medida» também mágica que é a distribuição de frutas nas escolas, o sucesso educativo está aí, em grande, os fanáticos do PS ficaram ainda mais felizes. O que eles não sabem é que não é preciso mais «medidas» nenhumas porque 100% de sucesso (ou quase) anda aí a pairar em todo o lado (quem é professor sabe bem do que falo).
Que interessa que a Câmara do Sabugal gaste quase um milhão de euros em transportes escolares, por ano, e passe a gastar mais se mais escolas encerrarem? O que interessa é que as escolas tenham o tal número mágico de alunos.
Lembro aqui que, em Junho do ano passado, foram aprovadas duas moções na Assembleia Municipal, contra o encerramento das escolas. Uma foi aprovada por unanimidade (e resultou da junção de uma proposta da Câmara Municipal com uma proposta do PS) e a outra, da autoria dos membros eleitos pela CDU, continha esta passagem : «A Assembleia Municipal do Sabugal repudia, veementemente, tal pretensão inscrita na Resolução do Conselho de Ministros n.º 44/2010, de 1 de Junho, por ser altamente lesiva dos interesses dos munícipes do concelho e solicita ao executivo camarário que não dê o seu aval ao encerramento de escolas do 1.º Ciclo do concelho de Sabugal, com menos de 21 alunos, pelo menos até estarem garantidas as condições ideais, nomeadamente a inauguração dos Centros Educativos e o seu completo apetrechamento, em recursos humanos e materiais.» Foi aprovada com algumas abstenções de membros do PS e, até, votos contra, de membros da mesma bancada.
Ora, que eu saiba, ainda não estão construídos os Centros Educativos, logo, em consciência, não poderá o Executivo Camarário dar o seu aval às pretensões (e pressões) do Ministério da Educação para encerrar escolas do 1.º Ciclo no concelho do Sabugal.
De qualquer maneira eu não espero nada de melhor dos lados do futuro Governo PSD/FMI. Tudo sempre para pior, parece ser o lema actual…

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Post-scriptum (para não escrever PS): Como político que sou (e faço gala de o ser) gostei de ver a manifestação da Geração à Rasca (eu também estou à rasca, com instabilidade profissional, a trabalhar com 50 anos, a 120 km de casa). Para os mais velhos foi como que um regresso ao 25 de Abril e para os mais novos uma nova maneira de encarar o mundo. Gostei, também, de ver a festa e os Homens da Luta, Vitorino, Rui Veloso, Fernando Tordo e Blasted Mechanism a cantar numa carrinha, como não se via desde o PREC. Mas transcrevo aqui um poema de Ruben Maria Moreira Brandão que encontrei no livro «25 Anos de Abril», de 1999:

Uma revolta na rua
Não muda país nenhum
Se ela não continua
Por dentro de cada um

«Política, Políticas…», opinião de João Aristides Duarte
(Deputado da Assembleia Municipal do Sabugal)
akapunkrural@gmail.com

Cavaco Silva, o Presidente da República que no mandato anterior nunca se podia pronunciar sobre quase nada, resolveu, agora, na tomada de posse para o seu novo mandato de cinco anos, pronunciar-se sobre uma série de coisas. Isto é, o Presidente República pintou a manta…

João Aristides Duarte - «Memória, Memórias...»Só que Cavaco Silva não existe só agora. Foi primeiro-ministro durante dez anos e Presidente da República durante o mandato do Governo de Sócrates (com o qual, aliás, concordou em tudo o que era fundamental e levou à actual situação). Não basta lançar umas frases-feitas do género «A pessoa humana tem de estar no centro da acção política. Os portugueses não são uma estatística abstracta. Numa República social e inclusiva, há que dar voz aos que não têm voz». Porque aqueles que têm memória lembram-se bem do que foi a governação de Cavaco Silva, enquanto primeiro-ministro e a nula preocupação com a pessoa humana que, então, evidenciava. Interessava era a economia.
Quem tem memória lembra-se bem de que nas eleições para a Assembleia da República, após o fim da era Cavaco primeiro-ministro, a campanha eleitoral foi baseada exactamente nisso. Afastar de vez o estilo tecnocrático de Cavaco e seus apaniguados e dar um andamento mais humanista à governação. Foi isso que o PS fez, com Guterres, nos cartazes onde estava escrito (e eu lembro-me bem) «as pessoas não são números». Cavaco Silva também vem, agora, apregoar que «o exercício de funções públicas deve ser prestigiado pelos melhores, o que exige que as nomeações para os cargos dirigentes da Administração sejam pautadas exclusivamente por critérios de mérito e não pela filiação partidária dos nomeados ou pelas suas simpatias políticas.» Ó Diabo!!! Esta é que não!! Então eu não me lembro que, quando Cavaco foi primeiro-ministro nomeou Zita Seabra para coordenar o Secretariado Nacional para o Audiovisual e assumir a presidência do Instituto Português de Cinema. Zita foi, mais tarde, ainda durante a vigência do Governo Cavaco, presidente do Instituto Português da Arte Cinematográfica e do Audiovisual. E alguém conhecia a Zita Seabra algum mérito nessas artes cinematográficas? Claro que não… foi nomeada, apenas, porque vinda do PCP, era necessário exibi-la com um troféu do PSD, a que, entretanto, aderira. Bem prega Frei Tomás!!!
Já sobre os jovens Cavaco Silva disse no seu discurso de tomada de posse que é tempo de eles fazerem ouvir a sua voz e que mostrem às outras gerações que não se acomodam, nem se resignam. Mas, alguém, alguma vez os proibiu de fazerem ouvir a sua voz? Porque será que eles têm andado caladinhos e só, agora, despertaram? Não será, também culpa de quem lhes prometeu «mundos e fundos» com os dinheiros comunitários, deixou criar mil e uma universidades privadas, com mil e um cursos (alguns dos quais não serviam para nada)? Quem se lembra sabe bem que tudo começou quando Cavaco Silva era primeiro-ministro. Também referiu que os sacrifícios que estão a ser pedidos aos portugueses têm que ter um limite. Está já aí o PEC IV da iniciativa do Governo, com mais “medidas” das tais. Veremos o que fará Cavaco Silva. Se apoia as “medidas” ou se não as apoia por achar que é tempo de um novo ciclo político, agora com o PSD ao comando. Mas dessas bandas também não se espera nada de muito diferente, senão vejamos:
– Tornar despedimentos ainda mais fáceis e baratos.
– Celebrar “contratos” orais.
– Reforçar o negócio privado com a saúde.
– Privatizar a RTP1, concessionar a RTP2 e acabar com a RTPN.
– Cortar deputados, freguesias e câmaras municipais.
– Pagar ordenados aos juízes… «à peça».
– Reduzir, ou mesmo acabar com o IRC para as empresas.
– Nomear embaixadores com perfil de gestão.
– Criar cheque-ensino e mais escolas privadas, como «opção».
– Aumento dos ordenados dos políticos, para serem os melhores a ocupar os cargos.
Ou seja, mais do mesmo, ou ainda pior. E Cavaco Silva vai deixar que os sacrifícios não tenham limites?
«Política, Políticas…», opinião de João Aristides Duarte

(Deputado da Assembleia Municipal do Sabugal)
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A Ribeira da Granja ou do Janadão é um dos maiores, senão o maior, curso de água que atravessa os limites do Soito.

João Aristides Duarte - «Memória, Memórias...»O local chamado Janadão, onde agora está instalado um Parque de Merendas, sempre foi um local aprazível que à sombra das frondosas árvores ribeirinhas proporcionava alegres convívios.
No Janadão havia, nos anos 30 e 40 do século XX, sete moinhos a funcionar para moer o trigo e centeio para as pessoas poderem ter farinha para fabricar o pão.
Era no Janadão que os mancebos, que tinham que ir à inspecção militar, tomavam banho no dia anterior à ida “às sortes”, já que nessa época não existiam casas de banho nas casas das pessoas.
O “tocador” da concertina, contratado pelos rapazes, ia com eles para o Janadão, nesse dia, para começar a animar a festa. Sim, porque nesta época, a ida à inspecção militar era considerada uma festa.
Também era no Janadão que os amigos conviviam. Levavam garrafões de vinho, carne, batatas e pão. Faziam uma fogueira, assavam a carne e coziam as batatas e passavam o dia, normalmente o Domingo, em alegre convívio.
A fotografia que acompanha esta crónica foi tirada no Janadão, em meados da década de 1940.
Nela se podem ver os garrafões de vinho, que ainda não eram com o vidro coberto de plástico e o caldeiro das batatas.
«Memória, Memórias…», crónica de João Aristides Duarte

(Deputado da Assembleia Municipal do Sabugal)
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Continua a luta dos anti-políticos. Agora circula pela Internet um e-mail convocando as pessoas para uma manifestação que querem que reúna um milhão de pessoas em Lisboa, pela demissão da classe política portuguesa.

João Aristides Duarte - «Memória, Memórias...»Já recebi várias vezes e não passei nem passarei a nenhum dos meus contactos. Tenho a certeza que quem anda a enviar estes e-mails são aqueles que se sentem arrependidos pelo seu voto nas eleições. Não é o meu caso. Nunca me arrependi de nenhuma das escolhas que fiz em eleições, logo não tenho que querer a demissão da classe política. Se essa classe política é incompetente será por culpa dos que votaram neles e não por culpa minha.
Sei, também, que estes hipotéticos protestos têm bastante eco junto dos nostálgicos do antigo regime, que gostam muito destas coisas. Ao dizer-se mal da classe política (como eles lhe chamam) está, indirectamente, a dizer-se bem do regime salazarista onde ninguém era político (segundo eles dizem). Mas aqui é bom que se diga aos nostálgicos que Salazar foi eleito deputado, no tempo da I República, pelo círculo eleitoral de Guimarães, integrado numa lista de católicos, quando ele era natural de Santa Comba Dão e estudou em Coimbra, nada tendo a ver com a cidade-berço. Disto, no entanto, eles não falam.
Aliás, eu próprio me considero um político (e faço gala de o ser), pelo que não seria lógico eu contribuir para esse «peditório». Bem sei que os que enviam estes e-mails são aqueles que se dizem não políticos e andam nos cafés a discutir a «bola». Não é, também, o meu caso. Discussões de «bola» passam-me ao lado.
Claro que aparecem logo, também, aqueles que acham que não se sentem representados pelo deputado x ou y e queriam ser eles a escolher o deputado. Não me interessa isso, interessam-me as políticas que os deputados defendem. Para mim escolher entre o deputado x ou y do PSD ou o deputado x ou y do PS era igual ao litro. Ainda esta semana os deputados do PS e os do PSD dançaram o tango na Assembleia da República, votando contra um projecto-lei do CDS sobre os vencimentos dos gestores públicos visando limitar as suas remunerações, ou seja obrigando-os a, também eles, pagarem a crise. Ou só os outros é que têm que pagar a crise? A favor só votaram o BE e o PCP, por entre acusações do «Bloco Central» de demagogia e populismo (claro!!!).
Frank Zappa, um músico norte-americano de Pop/Rock, falecido em 1993, que chegou a ter intenções de se candidatar a Presidente dos Estados Unidos, nunca negou que era um político. Chegou a incentivar os seus fãs a registarem-se para votar e, inclusivamente, colocou cabines para registo de eleitor nos seus concertos.
Não deixa de ser irónico ler o que dizia ele em 1973: «É urgente usufruir o máximo desta sociedade, baseada num governo democrático, interessado, realmente, na vontade popular. Na minha opinião, falar-se, hoje em dia, em democracia é arriscar uma resposta irónica. Porque as pessoas que afirmam governar democraticamente perderam todo o sentido com o Povo que representam. Por outro lado, aparecem várias pessoas que não compõem o Governo, que apostam na defesa de determinadas coisas vistas sob um prisma pessoal e que significam proveito próprio. Esses intrusos deviam ser afastados da [órbita] do Governo, já que o que elas pretendem nada significa para o Povo. Porém a influência dessas pessoas é notória e pesam muito nas decisões governamentais. É uma situação lamentável.»
Estas afirmações proferidas em 1973 descrevem, quanto a mim, a situação vivida em Portugal, actualmente. O que, realmente, está a mais são as pessoas que andam na órbita dos Governos, que não foram eleitas nem mandatadas por ninguém (como muito bem escreve nas suas crónicas o António Emídio) e que conseguem influenciar, sempre, em proveito próprio, as decisões governamentais.
Note-se, também, que estas afirmações de Frank Zappa foram produzidas antes da Revolução do 25 de Abril de 1974, quando o Povo português teve hipóteses de fazer História. Foi, aliás, a única vez que teve essa hipótese no século XX. Não aproveitou a oportunidade porque a primeira coisa que fez foi escolher o regime político que, agora, temos, onde os tais da órbita do Governo (digamos o poder económico) influenciam para que as políticas sejam a seu favor. Do que se queixam, afinal, esses portugueses? Não têm o que queriam?
«Política, Políticas…», opinião de João Aristides Duarte

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Confesso que não compreendo o frenesim que vai por aí por causa da canção «Parva que sou», dos Deolinda. Deve estar a ficar «bota-de-elástico», mas não penso que essa canção seja assim tão interessante ou, como o cronista sr. Ramiro Matos lhe chamou aqui no blogue, uma das grandes canções deste século que irá «mexer» com muita gente.

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João Aristides Duarte - «Memória, Memórias...»Acho os Deolinda um fenómeno de moda, que até poderá durar muitos anos, mas não terá, nunca o impacto de um José Afonso na sua importância, tanto musical como poética (analisando-o, apenas, no seu prisma de cantor de intervenção).
Embora seja do século passado, muitas das canções (de intervenção) do Zeca Afonso mantêm-se actuais e são, constantemente, recriadas por músicos das novas gerações.
Não estou a ver o José Afonso a escrever uma letra com os versos «Sou da geração sem remuneração e não me incomoda esta situação, porque isto está mal e vai continuar» ou «Sou da geração ‘vou-me queixar para quê’?», como está em «Parva que sou», uma vez que ele dizia, sempre, que as pessoas deviam lutar e «criar desassossego» e não resignarem-se, como me parece ser a interpretação da letra da canção dos Deolinda (mesmo que seja de uma forma irónica). Pessoalmente gostava mais de um grupo que a Ana Bacalhau (vocalista dos Deolinda) tinha antes, chamado Lupanar, que trazia propostas bastante mais inovadoras e criativas.
Descendo mais à terra, e sendo ainda mais «bota-de-elástico», anda por aí um tema de Paco Bandeira (com vídeo no youtube), que parece que nunca passa nas rádios, num estilo musical a imitar a chula, que também é de intervenção, e, quanto a mim retrata bem melhor a realidade portuguesa, destes tempos.
A sua letra reza o seguinte:
Viva Portugal do «deixa andar»
Viva o futebol cada vez mais
Viva a Liberdade, viva a impunidade
Dos aldrabões quejandos e que tais
Viva o Tribunal, viva o juiz
E paga o justo pelo pecador
Viva a incompetência, viva a arrogância
Viva Portugal no seu melhor
Viva a notícia, da chafurda social
De que o Povo tanto gosta
Espectáculo da devassa Refrão
Viva o delator sem fuça
É a morte do artista
Viva a «petineira» do «show-off»
Dos apresentadores de televisão
Viva a voz do tacho
De quem vem de baixo, do chefe do ministro ou do patrão
E viva a vilanagem financeira
E a licenciatura virtual
Viva a corretagem, viva a roubalheira
Viva a edição do «Tal & Qual»
E viva a inveja nacional
Viva o fausto, viva a exibição
Da dívida calada, que hoje não se paga
Mas amanhã os outros pagarão
Viva a moda, viva o Carnaval
Como uma ilusão, larilolé
Viva a tatuagem, brinco à «bebunagem»
Que vai na Internet e na TV
Calem-se o Cravinho e o bastonário
O Medina, o Neto e sempre o Zé
Viva o foguetório, conto do vigário
Que dá p’ra Aeroporto e TGV
Viva o mundo da publicidade
O «share» ou não «share» eis a questão
O esperto da sondagem, o assessor de imagem
Viva o fazedor de opinião.

«Política, Políticas…», opinião de João Aristides Duarte
(Deputado da Assembleia Municipal do Sabugal)
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Jorge Lacão, um homem que quase toda a vida foi político (deputado na Assembleia da República, desde 1983, Secretário de Estado no primeiro Governo de Sócrates e actualmente Ministro dos Assuntos Parlamentares) foi eleito como um herói dos anti-políticos portugueses, pelo menos a julgar pelos comentários que os mesmos fazem à sua proposta de redução do número de deputados nas edições on-line dos jornais. E, então, é lê-los aos tais anti-políticos (que estão, sem o saberem, a discutir política) a elevar Lacão aos píncaros.

Assembleia da República

João Aristides Duarte - «Memória, Memórias...»Esses anti-políticos já tinham votado num político, pensando que estavam a votar num anti-político, aquando das eleições presidenciais que deram 4,5 por cento a José Manuel Coelho, outro dos heróis dos dias de hoje. É ou não verdade que José Coelho é, também, um político, uma vez que é deputado na Assembleia Legislativa da Madeira?
Essa proposta de redução do número de deputados é a mais populista de todas e cai sempre bem na opinião pública.
Segundo estudos que já foram realizados a simples diminuição de 10 deputados criaria uma verdadeira razia na proporcionalidade e representatividade das forças políticas mais pequenas (BE, PCP e CDS) que ficariam reduzidas a 1 ou 2 deputados cada uma, apesar de estarem próximas dos 10 por cento dos votos a nível nacional. E, depois, ficaríamos com o Parlamento ideal para alguns: só PS e PSD. «ora agora governas tu, ora agora governo eu», sem hipóteses de alternativa (não considero que estes dois partidos sejam alternativa um ao outro). Onde ficará o pluralismo que foi bandeira do PS durante tantos anos no pós- 25 de Abril?
Embora eu saiba que o PS já disse que o assunto estava encerrado não se pode confiar muito, porque a tentativa de lançar barro à parede a ver se pega, pode bem ter hipóteses de ser bem sucedida.
Sabe-se que há políticos corruptos, disso não tenho dúvidas. Mas, se calhar, os deputados até são dos menos corruptos de todos. Eu estou à vontade para escrever isto porque nunca nenhum deputado foi eleito com o meu voto, apesar de eu ter sempre votado e nunca ter votado em branco ou nulo.
Por vezes não compreendo os portugueses: acham estranho que os deputados se digladiem no Parlamento (quando isso é a essência da Democracia) e, depois, admiram-se todos se os vêem juntos. É isso a Democracia. Não há volta a dar. Ou temos Democracia ou outra coisa qualquer que não é a Democracia.
Em Portugal também não funciona a cláusula/barreira dos 5 por cento, que existe em muitos países (e que não permite o acesso de formações políticas nos parlamentos se não atingirem 5 por cento da votação), uma vez que todos os pequenos partidos ultrapassam essa barreira. Essa barreira foi instituída em vários países para impedir que partidos a que chamam extremistas possam ter representação parlamentar.
Um dos argumentos dos defensores da redução é, também, o da aproximação dos eleitos aos eleitores, num país onde a maioria dos votantes nas Legislativas vota apenas no líder partidário, sem sequer saber em quem está a votar. Quem nunca ouviu dizer, no concelho de Sabugal, «Eu voto no Sócrates» ou «Eu voto no Louçã», quando se sabe que Sócrates só é eleito pelos votantes de Castelo Branco e Louça o é apenas pelos votantes de Lisboa?
Sabe-se bem (ou tem-se obrigação de saber) que as eleições são para deputados e não para primeiro-ministro.
Manuela Ferreira Leite já veio referir que essa proposta de Lacão é demagógica e visa desviar as atenções para outras coisas bem mais importantes. E tem razão. Só que Ferreira Leite é «velha» (como lhe chamaram os do PS durante a última campanha para as Legislativas) e logo a direcção do «jovem» (Passos Coelho) pegou na declaração de Lacão e toca de cavalgar a onda, que isso sempre dará mais uns votos.
Fala-se muito das despesas com os deputados, mas há outras despesas bem maiores de que ninguém fala. Porque os deputados estão mais à mão. E têm levado muita pancada. Só em pareceres gasta o Governo verdadeiras fortunas todos os anos, já não falando nas indemnizações que estão nos contratos celebrados com os directores dos Institutos Públicos que custariam uma verdadeira fortuna se esses fossem despedidos (eles nunca dão ponto sem nó). Por isso ninguém os despede, mesmo que estejam a fazer um mau trabalho.
Entretanto PS e PSD vão cozinhando, enquanto entretêm as pessoas com a redução do número de deputados, a nova divisão administrativa, que implica a redução do número de freguesias e concelhos. Quero ver como isso vai parar, quando chegar a hora da verdade. Quem quer deixar de pertencer a um concelho, para pertencer a outro?
Como político que sou (e faço gala de o ser) não gostaria de ver a Assembleia da República reduzida a deputados do PS e PSD. Daí o título da minha crónica. Se isso acontecer considero isso como uma machadada no pluralismo democrático.
«Política, Políticas…», opinião de João Aristides Duarte

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A Comissão de Inquérito da Crise Financeira (organismo criado pelo Governo dos Estados Unidos da América) divulgou um relatório, segundo uma notícia do jornal «Público», onde se refere que a crise que assolou os EUA e outros países, em 2008, era evitável. Segundo esse relatório os reguladores e a alta finança de Wall Street não fizeram o que deveriam ter feito.

João Aristides Duarte - «Memória, Memórias...»Pois é… bem me parecia que não podia ter sido eu, e muitos outros como eu, a termos a culpa por aquilo que aconteceu. O que é certo é que uma série de comentadores encartados falaram (e continuam a falar) nas televisões tornando a culpa da tal «crise» a outros que não aos verdadeiros responsáveis. E, então, entram naquela conversa de que as pessoas que pediram empréstimos aos bancos é que tiveram a culpa da crise, que todos somos culpados, etc., etc.
Ainda segundo esse relatório uma das principais causadoras da crise foi a decisão do Governo norte-americano, liderado por Bush, ao tentar salvar o Banco Bear Stearns e deixar cair o Lehman Bank, o que precipitou toda a crise. E continua referindo que os grandes bancos agiram sem prudência, assumindo demasiado risco, com muito pouco capital. Claro, que esses nunca dão ponto sem nó e toca a assumir pouco capital.
Os reguladores deixaram fazer tudo na fé de que os mercados se auto-regulavam e resolveriam os problemas por si próprios. Já o Banco Goldman Sachs forneceu milhares de milhões de dólares a outros que concediam empréstimos imobiliários de alto risco e vendeu-os a investidores (será melhor dizer especuladores!!) de todo o mundo contando (e esta é a melhor) com o apoio de agências de «rating» que davam elevadas notas positivas aos produtos vendidos pelo Banco. Será possível que, a partir, deste relatório, mais alguém confie nessas tais agências de «rating». Querem melhor definição para capitalismo selvagem?
De qualquer maneira, nós os portugueses, estamos «safos» desse capitalismo selvagem e dessas especulações dos bancos, porque não houve segunda volta nas Presidenciais, como disse um dos candidatos (que até foi o vencedor). Como político que sou (e faço gala de o ser) cá ficarei à espera de ver se as agências de «rating» continuam ou não a mandar em Portugal. O resto deixo para os economistas neoliberais (e Portugal está cheio deles) que muito sabem, mas nada resolveram ou resolvem, preferido deixar os «mercados» actuarem, de mãos livres. E foi o que se viu e se vê…Claro que nessa notícia do jornal «Público», na sua página on-line, provocou alguns comentários, entre os quais me apraz destacar um de um «anónimo» (só podia ser anónimo) que referiu que esse relatório foi feito por comunistas/socialistas e que os bancos não tiveram culpa nenhuma do que se passou. Para este «anónimo» a culpa foi dos comunistas/socialistas e da sua mania de quererem controlar tudo, criando os reguladores, que nada regularam. Para este «anónimo» a culpa foi do Blair e do Clinton (a quem chama os socialistas da 5.ª via) que quiseram que os pobres tivessem direito a ter tudo, e com isso deram cabo da economia toda. Segundo ele os pobres têm direito a ter tudo, mas têm que ganhar esse direito. Ora toma que é democrático!!! Assim mesmo é que é, digo eu. Mais uma vez os menos privilegiados (digamos as classes média e média-baixa) é que tiveram a culpa de tudo. E viva o velho!!!
«Política, Políticas…», opinião de João Aristides Duarte

(Deputado da Assembleia Municipal do Sabugal)
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Esta fotografia foi tirada pelo, já falecido, fotógrafo Viriato Louro, no dia 2 de Dezembro de 1978, no Cinema D. Dinis, no Sabugal. Viriato Louro era, digamos assim, o fotógrafo «oficial» de todos os Bailes de Finalistas que se realizavam no Sabugal ou na Guarda. Tinha estabelecimentos de fotografia na Guarda e no Sabugal (a Foto Império). Nesse dia era o Baile de Finalistas do Colégio do Sabugal e eu era finalista.

João Aristides Duarte - «Memória, Memórias...»O retratado é o meu irmão, Luís Carlos Duarte, que foi jogador do Sporting do Sabugal durante muitos anos. Posteriormente, foi treinador do Jarmelo, Desportiva do Soito e Sporting do Sabugal.
Nesse dia o meu irmão foi jogar, integrado no Sporting do Sabugal, a Pinhel, num jogo a contar para o Campeonato Distrital da 1.ª Divisão.
Os adeptos do Pinhel, porque estavam descontentes com o resultado ou com a arbitragem, queriam vingar-se nos jogadores do Sabugal.
O meu irmão foi prevenido para Pinhel. Entrou no campo do adversário vestido com um fato de treino e, como já estava preparado para ir para o Baile de Finalistas sem passar pelo Soito (onde residia), levou a roupa de «sair à noite» para Pinhel. Certo é que, no final do encontro, conseguiu sair completamente ileso do campo do Pinhel, já que ninguém o reconheceu e não foi incomodado por nenhum adepto do clube adversário.
A fotografia foi tirada logo no início do Baile de Finalistas, «abrilhantado» pelo grupo de Rock, muito famoso na época, a nível nacional, chamado Hosanna (visível no lado direito a coluna de som pintada com a letra H, de Hosanna, e ainda o projector de «slides» que provocava efeitos no palco onde actuavam).
Para além do meu irmão, reconhecem-se, do lado direito, mais dois soitenses: o Jé Leal e o Paulo Roque.
Punks - Clique na imagem para ampliarA indumentária que o Duarte usou era típica da atitude «punk» que andava muito em voga na época. Acrescente-se que essa atitude cresceu com o concerto dos Faíscas, considerada a primeira banda «punk» portuguesa, no mesmo local, em Maio de 1978 e que deu muito brado.
Como se pode ver há uma gravatinha muito fininha e pequenina, numa camisa sem colarinho. Imagem de marca dos «punks» era os óculos escuros (neste caso só com uma lente). Para rematar tudo há o chapéu de explorador africano, feito de cortiça e forrado a pano, que a minha tia Luísa lhe tinha oferecido. Tinha sido do seu marido (o ti João Loto) que esteve em Angola durante uns anos.
Há, ainda, o casaco e as calças largas, outra imagem icónica dos “punks” dos anos 70, que usavam roupa usada, comprada em lojas especializadas.
Na lapela do casaco, do lado esquerdo, há uma mancha que era de «patchouli», o perfume mais ligado à malta do Rock. Esse perfume deixava um odor intenso, mesmo só com uma gotinha. A mancha que se vê na fotografia exalava tal intensidade que, passados vários meses, ainda não tinha desaparecido do casaco o cheiro intenso a «patchouli».
Resta acrescentar que o chapéu de explorador africano fez um sucesso tal que me lembro bem de muitos dos presentes no Baile de Finalistas o quererem colocar na cabeça, de tal maneira que, quando aquilo terminou, estava todo estragado.
«Good Old Times!!!»
«Memória, Memórias…», opinião de João Aristides Duarte

(Deputado da Assembleia Municipal do Sabugal)
akapunkrural@gmail.com

Não era para escrever uma única linha sobre a (morna) campanha eleitoral para a Presidência da República, mas perante uma «gaffe» (chamemos-lhe assim) do candidato Cavaco Silva não posso deixar de vir à liça.

Cavaco Silva

João Aristides Duarte - «Memória, Memórias...»Na sexta-feira, num jantar-comício em Arcos de Valdevez, Cavaco Silva considerou que os funcionários públicos foram «duramente atingidos nesta crise, talvez, nalguns casos, com alguma injustiça, porque outros, com muitos maiores rendimentos, não foram chamados a dar o seu contributo. Não foram pedidos sacrifícios a outras pessoas com rendimentos muito maiores… as reduções de rendimentos só foram aplicadas a funcionários públicos», explicou o candidato perante a insistência dos jornalistas. Acabou por dizer que se referia aos empregados do sector privado que auferiam rendimentos acima da média.
Por outro lado sabe-se bem que os poderosos, nomeadamente os dirigentes dos grupos financeiros privados, não foram, nem serão afectados. Basta ver a venda de automóveis de luxo que não pára de aumentar. Serão funcionários públicos os que os compram?
Espantoso!!! Eu já nada percebo. Então não disseram sempre, os neoliberais, que os ordenados do sector privado não eram a causa de qualquer problema de contas públicas? Que se podia ganhar muito dinheiro no sector privado e que ninguém tinha nada com isso? Ou será que a ideia dos neoliberais é baixar, também, os ordenados dos trabalhadores (a quem chamam colaboradores- colaboradores uma ova!!!) do sector privado, aproveitando a boleia de terem tido um corte no sector público?
Cavaco Silva foi quem promulgou a Lei do Orçamento de Estado para 2011, sem ter mostrado quaisquer sinais de não concordar com ela, pelo contrário, referiu várias vezes que o melhor para Portugal era ter este Orçamento.
Toda a gente ouviu os diversos comentadores (quase todos apoiantes da sua candidatura, excepto os que apoiam o Governo) dizer que o grande problema de Portugal tem a ver com os funcionários públicos, que (afinal) são os únicos que irão ter cortes no seu vencimento.
Porque é que o Presidente da República não mostrou desagrado com o Orçamento, quando o promulgou? Esta é uma pergunta que ficará sem resposta porque o candidato Cavaco Silva esquiva-se, sempre, a responder às questões incómodas.
A não ser que o que Cavaco Silva disse não passe de uma tentativa de conquistar o voto dos funcionários públicos descontentes com os cortes salariais. Como se sabe que a memória é curta, nada como lançar estas palavras para ver se os votos caem direitinhas na sua candidatura. E, com toda a certeza, muitos lá irão cair, porque memória, mesmo de coisas passadas há menos de dois ou três meses é coisa que os portugueses (sejam funcionários públicos ou sejam do sector privado) não têm.
«Política, Políticas…», opinião de João Aristides Duarte

(Deputado da Assembleia Municipal do Sabugal)
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Estamos na Europa civilizada, Vilar Formoso é logo ali [e] o país vai de carrinho. Camões e Eça vendem-se enlatados, lavados com «champon». Das eleições acabadas, do resultado previsto saiu o que temos visto, [mas] toca de papelada no vaivém dos ministérios, [que] lambuzam de saliva os maiorais.

José Afonso

João Aristides Duarte - «Memória, Memórias...»[O Governo] faz da bolsa do Povo cofre-forte do bancário [e] despreza a ralé inteira como qualquer plutocrata. Morde pela calada, anda aí à solta, não o deixes bulir. Dá-lhe na corneta até se cansar, mofina de mim, bem o vejo trepar. Ninguém o chora agora.
Alguma gente enganaste, nunca te vimos tão longe daquilo que tens pregado. Estás sempre em traje de gala, a brincar aos Carnavais. Será o Christian Dior a mandar no país?
A palavra socialismo como está hoje mudada, dinheiro seja louvado, a mim quem me vence é o patrão. E o banqueiro? A Ferrugem? Mete-os na forma. Queima-os na fornalha.
A Banca é boa para falir. Chupam-te até ao tutano, levam-te o couro cabeludo. E não se esgota o sangue da manada. Mandadores de alta finança fazem tudo andar p’ra trás. Anda ver o Deus banqueiro, que engana à hora e rouba ao mês.
Às aranhas anda o pobre sem saber quem o maltrata. Onde não há pão não há sossego. O que faz falta é dar poder à malta [e construir uma] cidade sem muros nem ameias, capital da alegria.
Ainda bem que é para breve o Festival e o Campeonato do Mundo no primeiro canal, ainda bem que apostei no Totobola.
Gastão era um parapeito de Papas e Cardeais, não fora Gastão dos fracos e já seria ministro. Acima da pobre gente subiu quem tem bons padrinhos, todos lhe apertam a mão, é homem de sociedade. Vejam bem daquele homem a fraca figura.

O texto acima é uma colagem de versos de diversas canções de José Afonso, de diferentes épocas, algumas de antes do 25 de Abril de 1974 e outras já de uma época pós- Abril. Considero José Afonso a maior referência de toda a música portuguesa do século XX. Independentemente da sua importância musical, que é fundamental no desbravar de novos caminhos para a música popular portuguesa, não se pode esquecer a intervenção cívica de José Afonso e tudo o que isso representou e continua a representar. O seu inconformismo continua com uma actualidade total. Não será por acaso que José Afonso continua a ser cantado por representantes da nova geração de músicos portugueses. Para cima de duzentas versões de canções de José Afonso conheço eu, muitas das quais em linguagens como o Rock, a Pop, o Fado ou mesmo o Jazz. O verdadeiro cantor popular que continuará a perdurar por muitos e muitos anos, por mais modas que apareçam e desapareçam.
Apesar de José Afonso ter falecido há perto de 24 anos, não há qualquer dúvida que a sua mensagem se mantém o mais actual possível. Basta ler os versos acima reproduzidos para se perceber isso mesmo. Independentemente dos Governos que têm passado por este país (da responsabilidade do PS, PSD e CDS), nestes últimos 34 anos, a mensagem de José Afonso mantém actualidade. Basta lê-la.
Ainda recentemente estive a ver um vídeo onde José Afonso refere, sem qualquer paternalismo (que eu sei que ele detestava) à situação dos jovens nos anos 80 do século passado e a sua mensagem não podia ser mais actual.
«Política, Políticas…», opinião de João Aristides Duarte

(Deputado da Assembleia Municipal do Sabugal)
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A fotografia que acompanha esta crónica foi tirada em meados da década de 1970, talvez em 1975, na Fonte da Praça no Sabugal.

Chafariz da Praça -Sabugal

João Aristides Duarte - «Memória, Memórias...»Trata-se de uma fotografia do Chafariz da Praça, no Sabugal, num dia de neve, ao anoitecer.
Como se pode verificar nesta época existiam três árvores, junto ao Chafariz. Hoje só já existem duas.
As casas que se vêm na imagem, de frente, já não existem. Actualmente existe no local das casas um estabelecimento comercial que vende roupa. Durante anos foi ali o estabelecimento do sr. Albertino, que era uma espécie de papelaria, mas também vendia electrodomésticos.
As casas que se encontram no lado direito ainda existem. Encontram-se naquela rua que desce para o Largo onde se encontram, actualmente, os Correios e existiu (durante muitos anos) a Farmácia Lucinda Moreira.
O Chafariz da Praça é que está na mesma. Segundo me disseram há quem o conheça pela Fonte Redonda.
«Memória, Memórias…», opinião de João Aristides Duarte

(Deputado da Assembleia Municipal do Sabugal)
akapunkrural@gmail.com

Crise, crise, crise!!! Não se fala noutra coisa, apesar de se saber bem quem foram os responsáveis por ela. No entanto querem fazer-nos crer que todos somos responsáveis por aquilo que aconteceu. Todos, todos, mesmo aqueles (que são a larguíssima e esmagadora maioria) nada, mas mesmo nada tiveram que ver com negócios em Bolsa, com especulação financeira ou com verdadeiros abutres que não olham a meios para atingirem os seus fins.

Mapa Concelho Sabugal

João Aristides Duarte - «Política, Políticas...»A propósito da tão propalada crise (mas já ninguém se lembra quando Durão Barroso há sete ou oito anos dizia que Portugal estava de «tanga»? – Como estará, então, agora? Só com uma parra ou nem isso?) tudo aparece.
Recentemente, começaram alguns opinion-makers a difundir a ideia que a divisão administrativa de Portugal está ultrapassada e que é tempo de mudar. Segundo eles, em tempo de «crise» (sempre o velho e estafado argumento) não se justifica a existência de tantos concelhos e freguesias em Portugal.
Normalmente esses tais «fazedores de opinião» vivem em Lisboa onde não se nota tanto o sentimento de pertença a um município ou freguesia. Para esses cosmopolitas que, na maior parte dos casos continuam a dizer que «Portugal é Lisboa e o resto é paisagem» (e, em parte, até têm razão – só que eles usam isso depreciativamente em relação a todos os que não vivem em Lisboa), nada seria melhor do que poupar uns «cobres» com a diminuição de concelhos e freguesia, já que para eles será «igual ao litro».
Até dou de barato que nos grandes municípios, como Lisboa, Porto, Sintra, Amadora, etc., não haverá grandes problemas em elaborar um novo mapa de concelhos e freguesias, mas até aí não tenho a certeza.
No resto do país e, sobretudo no Interior, esse sentimento de pertença a um município ou freguesia está bem enraizado e, penso que quem se meter por esses «atalhos» (mudar o mapa dos concelhos e freguesias) mete-se em grandes «trabalhos». Bem se pode dizer que quem se meter por aí irá comprar uma guerra.
O concelho do Sabugal tem 40 freguesias. Se, por hipótese, se mudasse o mapa das freguesias para ficar só com 25 freguesias, quais seriam as freguesias que estavam dispostas a ser incorporadas noutras? E, em relação aos concelhos: se o concelho de Almeida fosse integrado no concelho de Sabugal (mera hipótese académica) o que diriam e fariam os de Almeida a propósito dessa «anexação»? E se o concelho do Sabugal fosse «anexado» pelo concelho da Guarda, o que aconteceria?
Claro que quem diz isso está a contar com o estafado argumento de sermos um país de «brandos costumes» e toda a gente se resignaria àquilo que os «bem-pensantes» ditassem.
Acredito que os portugueses suportam grandes injustiças, sem se revoltarem, achando que nada poderão fazer, mas essa de quererem mudar o mapa administrativo de Portugal, só porque algum iluminado se lembrou que se pouparia dinheiro, não vejo que tenha grande futuro.
Convém, no entanto, estar preparado para continuarmos a ouvir isso, e ainda mais acutilantemente, quando a «crise» se tornar mais perceptível.
Aproveito para desejar BOAS FESTAS a todos os leitores do Blogue Capeia Arraiana.
«Política, Políticas…», opinião de João Aristides Duarte

(Deputado da Assembleia Municipal do Sabugal)
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Torcicolo é uma ave da família dos pica-paus que tem a capacidade de conseguir virar o pescoço 180 graus.

João Aristides Duarte - «Memória, Memórias...»Os alemães de Leste começaram a usar esta palavra (em alemão Wendehal) para definirem os políticos que conseguiram mudar para a direita do espectro político, após a queda do Muro de Berlim, apesar de estarem colocados em altos postos de responsabilidade no regime, conseguindo com isso serem perdoados e passarem a gozar de reputação de grandes democratas. O caso mais flagrante é o de Günter Schabowski, o homem que era o porta-voz do regime no próprio dia da abertura das portas do muro. Ele enganou-se numa conferência de imprensa transmitida pela televisão, no dia 9 de Novembro de 1989, anunciando a abertura das portas imediatamente, quando estava acertado que seria no dia seguinte. Só por isso ficou na história.
Mas por cá, por este cantinho à beira-mar plantado, também há muitos, muitos «torcicolos».
Os mais famosos são, com certeza, os do PS, que já viraram tantas vezes o pescoço 180 graus (e sempre para a direita), que não devem ter já para onde o virar.
João DuarteChamem-me «radical» ou o que quiserem, mas não posso deixar de referir-me a uma canção de um disco editado pelo PS, em 1974 (capa na imagem), com música de Arlindo de Carvalho (o autor do famoso «Chapéu Preto», que ao contrário do que se pensa não é uma canção tradicional). A letra é de João Dias e o disco, de vinil (sim, eu ainda tenho gira-discos para ouvir destas preciosidades) foi editado oficialmente pelo PS. Comprei-o num site de leilões da Internet e custou-me 10 euros (um disco destes em 1974 custaria 30 escudos). Não são os autores da música e da letra que estão em causa, mas sim o próprio PS.
A letra da canção (intitulada «Camponês, a terra é tua») reza o seguinte:
Camponês, a terra é tua, não a queiras ver roubada
O teu corpo foi charrua
Por teu sangue foi regada
Nossa terra, nosso amor, generosa mãe imensa
Se lhes dás sangue e suor é justo que lhe pertença
A terra, a terra, é de quem a trabalha
É o pão, irmão, na mão de quem o ganha
Abaixo, abaixo, morgados e senhores
A terra, a terra para os agricultores/
É teu o campo lavrado, por direito de razão
O teu braço foi arado, acabou-se a servidão (…)

Se alguém ouvir esta canção ou ler a letra, sem saber que se trata de uma canção oficial do PS, pensará que se trata de alguma canção feita por pró-albaneses, seguidores de Enver Hoxha (do PCP (m-l), da FEC (m-l), da UDP ou do MRPP). No entanto foi o PS que tudo fez para que a tal terra que estava inculta assim continuasse, logo em 1976. Mandou toda a letra da canção às urtigas.
Pois é, caro leitor, o PS não tem qualquer problema em dizer uma coisa para logo a seguir dizer, exactamente, o seu contrário. Contrariamente ao que disse António José Seguro há uma semana, o PS há muito que deixou de ter qualquer matriz (ideológica ou de qualquer outra natureza). É um partido completamente gémeo do PSD. O programa de TV «Contra-Informação» (que está prestes a terminar) não encontrou melhor boneco para Passos Coelho (que já não dava tempo para construir) do que o próprio boneco do Sócrates. Bastou colocar uma cabeleira nova e o Sócrates passou a ser o Passos Coelho.
Recentemente Edmundo Pedro (um histórico do PS e ex-tarrafalista) referiu numa entrevista que Sócrates poderia bem ser do PSD, até porque foi nesse partido que se iniciou. E alguém tem alguma dúvida?
Há bem pouco tempo o PS defendia com «unhas e dentes» o Código do Trabalho em vigor (aliás já objecto de revisão pelo Governo PS em 2009), referindo que não se devia mexer nele. Hoje, seguindo as directivas dos (seus) patrões de Bruxelas quer mudar o Código do Trabalho. Se isto não é ser «torcicolo», é ser o quê?
Bem se sabe que, quando o PS disser que isto ou aquilo não é para mudar quer dizer (para bom entendedor) que estará eminente a sua mudança.
Cavaco Silva que, agora se pronuncia sobre quase tudo (quando há pouco tempo «não se podia pronunciar») disse sobre a revisão do Código do Trabalho, pretendida pelo Governo que «não se pode pronunciar». Claro que não pode, se todos os que defendem a revisão, tal como os presidentes das confederações patronais; são apoiantes da sua candidatura! No entanto, quando o caso toca aos Açores já se pode pronunciar sobre tudo e mais alguma coisa (lembro-me bem de quando Cavaco fez parar o país por causa de uma comunicação sobre o Estatuto dos Açores, que ninguém percebeu).
Apesar de tudo, com Cavaco já se sabe com o que se conta, com o PS de Sócrates é que convém estar sempre de pé atrás. Pedir votos para fazer uma política de Esquerda (mesmo que “moderna”) e essa política ser igual à da «velha» Direita é que só mesmo os sectários do PS conseguem entender. E ainda por cima têm o descaramento de falar em «voto útil». Útil para quem?
E se falo em sectários é para comparar com aqueles que têm a fama de o ser. Helena Neves, numa entrevista à revista «Visão», em Junho deste ano, refere que quando saiu do PCP leu uma carta no Comité Central e abandonou o partido. Álvaro Cunhal foi a uma consulta de oftalmologia e Helena Neves também estava lá. Ela pensou que Cunhal nunca mais lhe falaria. Pois não só lhe falou como a abraçou e beijou a ela e à sua filha. Mais tarde, telefonou a Helena Neves a dar-lhe os parabéns quando esta terminou o mestrado. E enviou-lhe, até, um telegrama.
Já Mário Soares tem dito, embora subrepticiamente, «cobras e lagartos» de Manuel Alegre que nem sequer saiu do PS. E tudo faz para que Cavaco ganhe as eleições presidenciais, só para não ser Alegre a ter essa vitória. Assim se vê a grandeza de certos homens, tidos como exemplo de grandes democratas, mas que não passam de uns pobres «torcicolos».
Nota: Já agora (e puxando um pouco a brasa à minha sardinha) fica como nota antológica a réplica de Sócrates à deputada Heloísa Apolónia, a propósito dos professores: «É uma competição um bocadinho ridícula as bancadas entreterem-se a ver quem é que elogia mais os professores.»
Pergunto eu: Quem é que Sócrates elogia? Os «mercados»? Ou as agências de «rating»?
«Política, Políticas…», opinião de João Aristides Duarte

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A fotografia que acompanha esta crónica, embora não muito nítida, refere-se à primeira incorporação de bombeiros do Soito, em 1982. A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Soito foi fundada em 5 de Junho de 1981. Esta fotografia é, presumivelmente, da Primavera de 1982.

Bombeiros Voluntários Soito

João Aristides Duarte - «Memória, Memórias...»Os bombeiros começaram por ter ao seu serviço apenas uma ambulância, a que se seguiu um carro que servia para o transporte de pessoal e de material como pás e enxadas, para combater os incêndios florestais. Não havia, praticamente, mais nenhum equipamento que os primeiros bombeiros do Soito pudessem utilizar.
Para se organizar o corpo de bombeiros no Soito contou-se com a colaboração voluntária de instrutores que vinham da Guarda e do Sabugal, ajudar na formação.
O primeiro comandante dos Bombeiros Voluntários do Soito foi o sr. José Freire, que foi, mais tarde, Presidente da Câmara Municipal do Sabugal.
Como adjuntos do comandante encontravam-se o senhor Ireneu Coelho (que seria, mais tarde, comandante) e outro senhor que no Soito era conhecido por Quintanilha, que era empregado da Cristalina.
O fardamento dos bombeiros era constituído por fato-macaco de cor azul, no que se refere ao combate a incêndios e calças azuis e umas camisas brancas (oferecidas pelas Confecções Univest), no caso do fardamento para cerimónias (que é o que se encontra na fotografia). Nem sei bem se este fardamento era considerado oficial pelas autoridades que supervisionavam os Bombeiros, na época.
Os Bombeiros do Soito foram instalar-se no Pavilhão Gimnodesportivo, construído pelo Povo do Soito, para sede da Associação Cultural e Desportiva do Soito, fundada em 1977 e, nesta época, desactivada. A ACDS chegou a ter pergaminhos numa modalidade chamada luta greco-romana (treinada pelo Zé Freire). Alguns dos praticantes dessa modalidade, no Soito, chegaram a ser campeões distritais e bateram-se bem em torneios de nível nacional.
Na foto pode ver-se o Pavilhão Gimnodesportivo ainda com as paredes em blocos de cimento e o anexo ainda em construção.
Talvez perto de trinta rapazes formaram a primeira incorporação dos bombeiros do Soito.
Alguns já faleceram e outros foram abandonando, por diversos motivos. Hoje, restam apenas cinco ou seis que ainda continuam bombeiros no Soito, entre os quais o actual comandante, sr. Joaquim Barata.
Na foto, em primeiro plano, vê-se uma criança fardada que me parece ser Filipe Frade, que era conhecido pelo Filipe Bombeirinho e nunca chegou, efectivamente, a ser bombeiro a sério.
O autor desta crónica pertenceria ao corpo de bombeiros do Soito na segunda incorporação, em 1983, e passou ao Quadro de Honra em Dezembro de 2009.
«Memórias, Memórias…», opinião de João Aristides Duarte

(Deputado da Assembleia Municipal do Sabugal)
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Não ficava de consciência tranquila e seria incoerente se não tivesse aderido à Greve Geral que decorreu, no nosso país, em 24 de Novembro. Efectivamente, sendo eu um crítico, desde o início, do Governo de José Sócrates, não poderia deixar de continuar a pensar da mesma maneira.

Greve Geral Portugal

João Aristídes Duarte - «Política, Políticas...»Bem sei que, agora, já há muitos críticos do Governo, mas também sei o que eu tive que enfrentar quando o Governo estava «em estado de graça», sobretudo aquando do seu vergonhoso ataque à classe docente.
Independente da «guerra dos números» sobre a Greve Geral, o que é certo é que a mesma foi uma manifestação de grande descontentamento contra as injustiças, os cortes salariais e o aumento de impostos que agravarão a vida de muitos e muitos portugueses.
Para aqueles que afirmam que a Greve Geral só se sentiu na Função Pública, segue uma lista (não exaustiva) de várias empresas privadas onde a Greve Geral teve uma adesão significativa: Autoeuropa, Setenave, Lisnave, Valor Ambiente, Gráfica Sacavenense, Rodoviária Alentejo, Cimianto, St. Gobain, Electrofer, Atlantic Ferries, Ferfor, Construções Vilaça & Pereira, Confetil (têxtil), Bestoff, CelCat, Metal Sines, AP (química), Danone, Safires Services (limpeza), Vista Alegre, Recipneus, Soflusa, Rodoviária de Lisboa, Brisa, Sapa Portugal, EDP, Inapal, Metal, Christhian Dietz, Eurest e Climex.
A imagem que acompanha esta crónica é, também, um desafio aos que alegam que os aderentes à Greve Geral são funcionários públicos, somente. A fotografia foi tirada na entrada do «Call Center» da PT, no Areeiro, em Lisboa.
O descontentamento dos portugueses devia fazer pensar o Governo, não sei se o fará, mas, logo no dia a seguir à Greve Geral saiu uma sondagem que coloca o PSD à beira da maioria absoluta e o PS a subir um pouco. Não estranho esta reacção dos portugueses que, há pouco mais de um ano nem podiam ver a «velha» (como lhe chamavam os do PS) e, agora, acham que tudo mudou no PSD e Passos Coelho, que é «novo» já salvará Portugal. Bem se sabe, e só quem anda distraído não o saberá, que Passos Coelho é muito mais a favor de um modelo neo-liberal (e, portanto, mais propício a agravar a situação dos menos favorecidos) do que a «velha» (como lhe chamavam os do PS).
Os portugueses são assim mesmo: aquele que era o pior há um ano é elevado à categoria de «Salvador da Pátria» passados uns tempos.
Claro que os tais que ainda há menos de um ano estavam com Sócrates, agora são os primeiros a «abandonar o navio». Eu lembro-me bem (porque tenho memória, que parece faltar a muitos) que os banqueiros, os chefes do patronato e outros consideravam Sócrates o melhor. Hoje, um tal Ferraz da Costa, de um auto-denominado “Fórum Para a Competitividade” defende uma revisão da lei da greve, para que não se possam fazer estes protestos, quando há “crise”. Esse Ferraz é o mesmo que era presidente da CIP (o patrão dos patrões) que defendia o Governo de Sócrates há pouco tempo. Como já viram que Sócrates tem os dias contados, toca a apoiar os novos “senhores”.
Já Mário Soares, o tal que dizia aos jornais, em 30 de Março de 1985, que «dentro de cinco anos, Portugal será um país completamente diferente e melhor para todos (…) tudo o que é obsoleto na nossa indústria e agricultura terá de desaparecer, para dar lugar ao que é novo e dinâmico», veio criticar quem participou na Greve Geral perguntando se a mesma era para «animar a malta». Realmente, se pensarmos o que é, hoje, a agricultura portuguesa, Mário Soares enganou-se redondamente. Portugal importa mais de 70% das suas necessidades alimentares.
No Orçamento para 2011 foi rejeitada, com os votos contra do PS, PSD e CDS, uma proposta do PCP para que as mais-valias bolsistas fossem taxadas em 21,5% de IRS, a exemplo do que acontece com uma poupança de um reformado que tenha uma conta bancária. Ou seja, os jogadores na Bolsa continuam a pagar 20% de IRS, em 2011, sobre as mais-valias e os reformados (sempre na boca do Portas, do Coelho ou de Sócrates) pagam 21, 5% de IRS. Quem é amigo dos especuladores, quem é?
Só isto (fora tudo o resto) me levaria a participar na Greve Geral, porque acho uma tremenda injustiça.
Apetece-me terminar esta crónica com o que diziam, num programa da RTP, nos anos 80, os Agostinhos (da saudosa Ivone Silva e de Camilo de Oliveira): «Este país é um colosso, está tudo grosso, está tudo grosso!!»
«Política, Políticas…», opinião de João Aristides Duarte

(Deputado da Assembleia Municipal do Sabugal)
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Tem sido recorrente, nos últimos tempos, o envio de e-mails e a proliferação de artigos de opinião onde se defende que o regime político em que vivemos chegou o chegará ao fim, após 37 anos, a completar em Abril do próximo ano. A culpa é, claro, dos partidos políticos, que são «todos iguais».

João Aristídes Duarte - «Política, Políticas...»A alternativa que nos propõem só poderá ser um regime do tipo daquele que terminou em 25 de Abril de 1974, ou seja o tal em que não havia partidos políticos, ou melhor havia só um, a União Nacional. Alguns até o escrevem descaradamente, e nem me refiro ao Dr. Leal Freire e às suas crónicas com títulos como «A Lição de Salazar». Embora não concorde, nem um bocadinho, com o que escreve o Dr. Leal Freire, em defesa da ditadura salazarista, até compreendo que o escreva. O pior é quando esses artigos de opinião são escritos por pessoas mais jovens que têm um conceito completamente distorcido do que foi o regime salazarista.
É evidente que quem escreve esses artigos ou o faz de má-fé (em muitos casos) ou o faz sem conhecimento daquilo que escreve.
Há, no entanto, duas coisas a que os tais cronistas nunca se referem: a PIDE, porque sabem bem quanto foi odiada e ninguém tinha mais paciência para não poder ir ao café criticar os “políticos” e o tipo de escola que existia no tempo da Ditadura. Neste último caso, em que não existia indisciplina (devo, no entanto, referir que como professor e porque nunca me comportei mal enquanto estudante, não consigo, por mais que tente, compreender como há tanta indisciplina e o Governo nada faz para a combater), os cronistas não querem o regresso dessa escola. Como a poderiam querer se não havia Associações de Pais e o professor era respeitado? Isso não, que está fora de moda…
Critica-se o regime, que saiu da Revolução de 25 de Abril de 1974, afirmando que só favorece os políticos, quando o que se passa é que esse regime já nada tem a ver com o saído da Revolução. Ou não tivesse havido um 25 de Novembro que colocou o país na via da «normalização».
Com certeza que, de 25 de Abril de 1974 até 25 de Novembro de 1975 não foi para favorecer os políticos ou andar de cócoras perante o poder económico que a Revolução existiu.
É isto que a maior parte dos cronistas esquece.
Efectivamente, o regime que estamos a viver não é, verdadeiramente, fruto do 25 de Abril, mas sim do 25 de Novembro.
As sucessivas revisões constitucionais retiraram quase tudo o que havia de benéfico para o Povo na Constituição da República (já pouco resta). E, em contrapartida, colocaram ao serviço de uma certa classe política, uma série de benesses que não estavam na Constituição original. Tudo, sempre, com o beneplácito do PS e PSD (e nalguns casos do CDS) e com o sistema neo-liberal a tudo comandar, incluindo esses mesmos políticos que são uns meros serventuários do verdadeiro poder, que é o económico/financeiro.
Nas eleições para a Constituinte, realizadas em 1975, nenhum membro das mesas de voto era remunerado pela sua função. Este sistema ainda continuou em vigor durante alguns anos, mas depressa foi abandonado. Hoje, e desde há uns anos a esta parte, os membros das mesas de voto recebem uma remuneração pela sua actividade. Tudo, portanto, «normalizado».
Os membros das Juntas de Freguesia, durante anos e já em Democracia, não usufruíam de qualquer remuneração e hoje retira-se uma parte do orçamento dessas mesmas freguesias para remunerar os seus membros. Tudo, mais uma vez, «normalizado» (ou como alguém diria «pelos padrões europeus»). Queixam-se, depois, esses cronistas que a classe política leva uma parte do orçamento em mordomias. Mas não tornam a culpa aos verdadeiros responsáveis pelas sucessivas revisões constitucionais que adulteraram, por completo, o espírito original da Revolução.
Não foram os partidos que estão fora daquilo a que se costuma chamar o «arco do poder» que votaram a favor dessas mordomias aos políticos. No entanto, o eleitorado não tem qualquer pejo em andar a criticar essas benesses e voltar a cair no mesmo. Se o PS está nas horas da amargura (e parece que está, porque grandes «opinion-makers» já começaram a criticá-lo, quando o adulavam, o que é sintoma de que se preparam para as novas benesses do novo poder político, que esses nunca dão «ponto sem nó») toca a escolher o PSD que nos vai salvar. Depois arrependem-se (mais uma vez) e lá vem o PS (outra vez) salvar isto. Esses dois partidos são os chamados «Salvadores da Pátria».
Estou à vontade para o escrever porque sempre votei (nunca me abstive), nunca votei branco ou nulo e nunca nenhum deputado (que são tão criticados) foi eleito com o meu voto. Ah! e nunca me arrependi do meu sentido de voto.
«Política, Políticas…», opinião de João Aristides Duarte

(Deputado da Assembleia Municipal do Sabugal)
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Nunca estudei economia. Eu sou de Letras ou Humanidades. Tive, isso sim, uma cadeira de Introdução à Política, no 2.º Ano do Curso Complementar dos Liceus, antigo 7.º Ano Liceal. Nada percebo, portanto, de economia ou finanças, nem de mercados. Não estou a brincar.

João Aristídes Duarte - «Música, Músicas...»A primeira vez que ouvi falar de «mercado» ou «economia de mercado» foi há 21 anos, aquando da queda do Muro de Berlim e Mário Soares não falava noutra coisa, senão no «mercado». Até essa altura toda a gente conhecia isso pelo nome de capitalismo. Quem diria que o «mercado» seria capaz disto que faz hoje? Quem diria, há 21 anos, que os ordenados dos funcionários públicos (por enquanto só desses, que os patrões do privado já andam a ver se conseguem fazer o mesmo, com o pretexto da crise) seriam não só congelados, como lhes retirariam uma parte? Não acredito que alguém pensasse que poderia suceder uma coisa dessas.
Por isso pergunto a algum leitor desta crónica do blogue «Capeia Arraiana» se me pode elucidar sobre o significado das notícias que circulam, a toda a hora, pelas rádios, televisões e jornais.
São estas as perguntas a que gostaria que alguém respondesse (mas não em «economês», se possível em linguagem corrente):
O que uma agência de «rating»? Já existem há muitos anos? Reconheço a minha ignorância, mas nunca tinha ouvido falar nisso, até ao ano passado.
O que é a dívida pública? E a dívida soberana? Quem compra a dívida? Novamente reconheço a minha ignorância, como leigo que sou na matéria, mas nunca tinha ouvido falar disso (sobretudo da «soberana») até este ano.
O que são «activos tóxicos»? Porque é que a Irlanda era apontada há dois ou três anos como o melhor modelo para Portugal e hoje é um «caso perdido»?
Porque é que não se podem criticar ou dizer mal dos mercados? Eles vingam-se?
Porque é que há um ano o PS e o PSD eram tão diferentes na campanha eleitoral, com diferenças abismais, com políticas distintas e alternativas e hoje são os próprios governantes do PS a pedir uma coligação com o PSD? Não me digam que era só por causa da «velha» (como lhe chamavam os do PS). Agora, só porque o chefe do PSD é novo (ou jovem), já podem estar coligados? E o Soares que não podia nem ver o Cavaco (a quem chamava o «gajo» – quem se lembra?) faz tudo o que pode para que o mesmo Cavaco seja reeleito Presidente da República. Bem, nada admira vindo de Soares. Basta ler o livro «Dicionário Político de Mário Soares» de Pedro Ramos de Almeida, para se perceber que o que ele diz não se escreve. Só a título de exemplo uma tirada de Mário Soares, inserido nesse precioso livro: «Em Democracia quem mente ao povo é réu de alta traição.»
A gente ouve falar todos os dias e a toda a hora nestas coisas, e nunca vi, li ou ouvi ninguém a fazer estas simples perguntas. Ou os portugueses (a maioria) estão formados em economia e finanças ou já nada percebo do país em que vivo.
Basta que algum comentador vá à televisão dizer que é preciso mais sacrifícios, que estes ainda não chegam, para as sondagens do dia seguinte indicarem que os portugueses concordam com as medidas de austeridade. Já agora, só mais uma pergunta muito indiscreta: Quanto ganham os comentadores económicos, que dizem o mesmo em todas as televisões (não há um único que não diga o mesmo – onde está o pluralismo?), ou seja que é preciso muita (e cada vez mais) austeridade? Para quem trabalham esses comentadores de economia? Isso eles nunca referem. Referem, isso sim, que quem trabalha tem que «apertar o cinto» para que a economia e as finanças sejam saudáveis. Daqui a pouco só já lhes falta dizerem que se a escravatura voltasse é que era bom, porque, nesse caso, já a economia e finanças estariam muito bem.
O que mais admiro nos portugueses é esta capacidade de nada questionarem, se saberem tudo, de não terem humildade de fazer perguntas. Toda a gente fala na dívida soberana, no «rating», nos mercados, quando me parece (ou eu não conheço o país onde vivo) que o que eles querem mesmo é que a conversa mude para a «bola», que nisso já todos podem dar o seu «bitaite».
«Política, Políticas…», crónica de João Aristides Duarte

(Membro da Assembleia Municipal do Sabugal)
akapunkrural@gmail.com

A canção apresentada nesta crónica não é tradicional do Soito, mas é uma canção que era, tradicionalmente, cantada no Soito. Ainda hoje, embora raramente, se canta.

Música Natal

João Aristídes Duarte - «Música, Músicas...»Trata-se de uma canção tradicional de Natal, cuja origem é a Beira Baixa.
Esta canção era cantada na noite da Consoada, no Soito, sobretudo junto à Fogueira do Galo, ou nas ruas da freguesia.
Há uma bonita versão desta canção no CD dos Navegante, intitulado «Cantigas Tradicionais Portuguesas de Natal e Janeiras», editado em 2009. Há várias variações da letra desta canção, em variadas regiões do país. Esta é uma das canções tradicionais que se espalhou pelo país, através das migrações das populações rurais, que procuravam o seu ganha-pão, longe as suas terras de origem (era este o caso dos «ratinhos», «gaibéus», «caramelos», etc.).
A letra que se cantava no Soito é a seguinte:

Alegrem-se os Céus e a Terra
Cantemos com alegria
Já nasceu o Deus Menino
Filho da Virgem Maria

Ó meu Menino Jesus
Ó meu Menino tão belo
Logo foste a nascer
Na noite do caramelo

Do varão nasceu a vara
Da vara nasceu a flor
Da flor nasceu Maria
De Maria o Redentor

Nota: O triste episódio protagonizado pela PT que se «safou» do pagamento de 260 milhões de euros em impostos, através da distribuição de dividendos, mostra, mais uma vez, que o poder político anda de joelhos perante o poder económico. O Governo avisou a Caixa Geral de Depósitos (um dos accionistas da PT) para votar contra a distribuição dos dividendos, mas fê-lo um dia depois de os accionistas já o terem decidido. Para isto não se pode voltar atrás, são compromissos, alegam. «Palavra de Rei não volta atrás» parece ser o lema nestas coisas. Já para assumir os compromissos que assinou com os Sindicatos de Professores, relativos à realização de um Concurso de colocação de docentes, no próximo ano, não há disponibilidade. Neste caso rasgam-se os compromissos assumidos, porque há crise… Estamos entregues à bicharada. De qualquer maneira, nada espero de diferente daqueles que se preparam para assumir o poder, proximamente, nomeadamente do PSD, de Passos Coelho. È tudo farinha do mesmo saco…
«Música, Músicas…», crónica de João Aristides Duarte

(Membro da Assembleia Municipal do Sabugal)
akapunkrural@gmail.com

A canção que hoje apresento intitula-se «Ó Virgem da Granja» e trata-se de um espécime que se poderá considerar dentro do estilo de canção religiosa. Há muitas canções religiosas em Portugal que se referem a alguma divindade.

Terreiro das Bruxas

João Aristídes Duarte - «Música, Músicas...»Esta canção, com uma bonita melodia, em jeito de balada, refere-se à Senhora da Granja (ou Senhora dos Prazeres) que se celebra no Soito, na Pascoela. A sua letra inclui muitas expressões típicas das pessoas do Soito, tais como «avoar» ou «buer».
A capela da Senhora dos Prazeres (sobre a qual se conta uma lenda centrada no tempo das Invasões Francesas) encontra-se no local conhecido por Granja, por isso a festa é identificada por esse nome.

Ó Virgem da Granja
Que estás no altinho
A guardar as cabrinhas
Ao Ti Luís Meirinho

Ó Virgem da Granja
Cortai-me um dedinho
Eu quero casar
C’o Vosso Menino

Ó Virgem da Granja
Soltai a pombinha
Deixai-a “buer”
Na Vossa fontinha

Deixai-a «buer»
Deixai-a «avoar»
O Vosso Menino a irá buscar

Ó Virgem da Granja
Desacertai o vento
Que vos entrem rosas
Pela porta «adentro»

As rosas que vos entram
São Ave-Marias
Que V’o l’as mandaram
As Vossas amigas

Ainda sobre música tradicional portuguesa, devo referir que há um disco de um grupo do Porto, formado em 1978, que se intitula «Terreiro das Bruxas» (ver imagem), editado em 1990.
Esse grupo chama-se «Vai de Roda» e foi o vencedor do Prémio José Afonso em 1996, com o disco «Pelas Ondas». Este último disco inclui, curiosamente, um tema intitulado «Senhora da Granja», um tradicional da Beira Baixa, que nada tem a ver com o do Soito.
O título do disco «Terreiro das Bruxas», que não sei se terá tido origem na localidade do mesmo nome do concelho de Sabugal, não deixa, no entanto, de ter um certo significado para nós, habitantes do concelho de Sabugal.

:: ::
Nota
:: ::
Quero lamentar profundamente o que (não) aconteceu na Assembleia Municipal Extraordinária marcada para o dia 29 de Outubro. Parece-me que não é com estes boicotes que se reconciliam os eleitos com os eleitores.
O que eu ainda não consegui compreender foi como é que os eleitos pelo PSD não compareceram à Assembleia onde se iria discutir uma proposta da própria Câmara Municipal (o Plano de Desenvolvimento Económico e Social do Concelho de Sabugal). Para mais quando na carta anexa à Convocatória da Assembleia se referia que o senhor Presidente da Câmara mostrou interesse em que esse Documento fosse discutido pelos seus membros.
Não foi, também, uma falta de respeito para com o senhor Presidente da Câmara o facto de terem boicotado a sessão?
Como POLÍTICO que sou (e faço gala de o ser) estive presente (bem como o João Manata, ambos eleitos pela CDU) na Assembleia, como era meu dever, após ter sido convocado para a mesma. E escusam de vir os comentadores fazer demagogia com os gastos que a mesma provocava ao erário público.
«Música, Músicas…», crónica de João Aristides Duarte

(Membro da Assembleia Municipal do Sabugal)
akapunkrural@gmail.com

A cantiga que hoje apresento tem uma bonita melodia. É uma canção de amor, em estilo de balada, mas com alguns laivos de «canção de roda» no refrão (constituído pelas duas últimas quadras).

Salgueiro

João Aristídes Duarte - «Música, Músicas...»A quadra inicial repete-se, quando termina o refrão. O refrão repete-se outra vez.
O bucolismo é tema recorrente na música de tradição oral, em Portugal, até porque a grande maioria das cantigas são recolhidas em meio rural
Por isso não é de estranhar a referência ao salgueirinho junto da água, bem como os peixinhos, uma imagem bucólica bastante comum nestas paisagens beirãs. Lembremo-nos dos lameiros e do corte e apanha do feno, uma das tarefas mais importantes da vida nas aldeias, há umas décadas atrás. Tudo era feito por grupos de homens e mulheres, que aproveitavam para cantar em grupo.

Salgueirinho ao pé d’água
Faz sombra aos peixinhos
Quem namora às escondidas
Leva abraços e beijinhos

Amar não é crime
Não é crime, não
Quem deixa o amor
Não tem coração

Amor dá-me um beijo
Dá-me a tua mão
Se tu não ma deres
Morro de paixão.

«Música, Músicas…», crónica de João Aristides Duarte
(Membro da Assembleia Municipal do Sabugal)
akapunkrural@gmail.com

A cantiga que apresento hoje é uma cantiga que as pessoas do Soito, sobretudo rapazes e raparigas, cantavam na Praça e noutros largos da aldeia. Tal como existem muitas por esse país fora, esta é uma «Cantiga de Roda». Era cantada por grupos de 15 a 20 pares, que realizavam, com ela, uma dança.

João Aristídes Duarte - «Música, Músicas...»No Soito esta maneira de dançar era conhecida como «andar à conde», ou seja a «fazer a conde», que significa fazer uma dança de roda.
Como se pode verificar a letra está, hoje, desactualizada, porque, entretanto o Soito ganhou o estatuto de vila. Tal não significa que, desde que o Soito é vila os progressos tenham sido muitos, aliás eu penso exactamente o contrário. Escrevi isso logo quando tal subida de estatuto aconteceu (por exemplo no jornal «Terras da Beira»).
Hoje fala-se em diminuir o número de freguesias no concelho de Lisboa e, também, no resto do país e até juntar concelhos para diminuir despesas (não sei bem quem quer comprar uma guerra, mas isto está na ordem do dia e é melhor que se preparem no concelho do Sabugal) e na época em que o Soito foi elevado a vila só se falava em elevar o estatuto das vilas e aldeias. Faz-me lembrar aquilo que se passou no tempo da Monarquia em que os títulos de nobreza eram tantos que até apareceu uma anedota que dizia «Foge cão que te fazem barão! Para onde se me fazem visconde?»
BonecosLembremo-nos que só no distrito da Guarda (e em pouco tempo) elevaram a Mêda, Sabugal e Trancoso a cidades e Cedovim, Freixo de Numão, Almendra, Santa Marinha e Marialva (para além do Soito) a vilas. Será curioso analisar o que se dizia nessa época dos «fundos» que não tardariam a chegar, dos novos serviços públicos que proporcionaria esse novo estatuto e do grande desenvolvimento que viria aí («Terras da Beira», 20 de Maio de 1999, e on-line Aqui.
A letra está desactualizada, também, porque houve um efectivo e muito acentuado crescimento da freguesia, sobretudo desde o final da década de 1960. Hoje o Santo António já não está à saída.
A cantiga intitula-se «Adeus ó Lugar do Soito» e tem esta letra:

Adeus ó lugar do Soito
Ao longe parece vila
Tem uma igreja no meio
Santo António à saída

Bate certo, certo
Agora é que eu vou ao meio
É um regalo na vida
Ir com o amor ao passeio

Ir com o amor ao passeio
Ir com ele passear
Alegrem-se ó meus senhores
Que a roda vai animar.

«Música, Músicas…», crónica de João Aristides Duarte
(Membro da Assembleia Municipal do Sabugal)
akapunkrural@gmail.com

A cantiga que hoje apresento é uma cantiga religiosa ou cantiga da Quaresma, integrada no ciclo Pascal. Há muitas em Portugal com esse nome, todas referentes ao Ciclo Pascal. O seu título é «Alvíssaras».

João Aristídes Duarte - «Música, Músicas...»As «Alvíssaras» eram dirigidas a alguma divindade (no Soito, talvez a Nossa Senhora dos Prazeres – não foi possível apurar).
Na região da Beira Baixa também acontecia assim, uma vez que há relatos de que era costume, em tempos mais antigos, em Aldeia de Santa Margarida (Idanha-a-Nova) ou Juncal do Campo (concelho de Castelo Branco) que na madrugada de Sábado de Aleluia se fossem dar as alvíssaras (Boas-Festas) à Senhora da Granja e à Senhora das Dores e, claro, ao vigário da freguesia.
Mais uma vez se torna claro que a música tradicional do Soito (e do concelho) tem muitas semelhanças com as músicas da Beira Baixa.
Hoje, no Soito, já não se pratica o passeio de várias pessoas pelas ruas da freguesia, acompanhadas pelo pároco, aqui conhecido como «Tirar o Folar» e noutras regiões do país conhecido como «Compasso». Eu ainda me lembro dessa cerimónia, realizada na segunda-feira a seguir à Páscoa, em que o passeio era acompanhado pelo sacristão que tocava uma campainha e em que o pároco ia a todas as casas da freguesia dar as Boas-Festas. Já durante a época da Quaresma ainda me lembro de ver o sacristão a tocar umas «matráculas» (que eram constituídas por uma tábua com ferros, que era manipulada de modo a produzir barulho), já que os sinos não podiam tocar.
Eis a letra das «Alvíssaras» do Soito:

Dai-me alvíssaras, Senhora
Deitai-mas no meu chapéu
O Vosso amado filho
Já subiu da Terra ao Céu

Dai-me alvíssaras, Senhora
Num raminho de «sarpão»
O Vosso amado filho
Já desceu do Céu ao chão

Dai-me alvíssaras, Senhora
Dai-mas, se m’as quereis dar
O Vosso amado filho
Já tornou a ressuscitar

Dai-me alvíssaras, Senhora
Deitai-mas no meu «mandil»
O Vosso amado filho
Já tornou a ressurgir.

Ainda sobre a música tradicional apraz-me referir que o cantor Roberto Leal editou já dois discos (em 2007 e 2009) de títulos «Canto da Terra» e «Raiç» (a palavra mirandesa para raiz). Estes discos nada têm a ver com o Roberto Leal (que nasceu em Vale da Porca, concelho de Macedo de Cavaleiros) mais conhecido. São trabalhos, verdadeiramente, representativos da melhor música tradicional portuguesa. Nestes trabalhos Roberto Leal contou com a participação de músicos da Brigada Victor Jara, Galandum Galundaina, Quadrilha e Tocá Rufar e canta em mirandês.
AlvíssarasRoberto Leal que regressou às suas raízes transmontanas, das quais se havia afastado, recorda que nestes trabalhos estão «memórias que foram guardadas pela vida fora, dos tempos em que pensava que falava uma língua rude». Mais curiosa ainda, da parte do cantor, a referência a que «ainda em adolescente, e sem o compreender, fui alvo de chacota por causa da minha pronúncia quando dizia txabe em vez de chave, e achava, como muitos transmontanos de então, que trocar o V pelo B era ignorância».
Confesso que nunca fui grande fã de Roberto Leal, enquanto cantor de música ligeira, mas estes seus dois trabalhos e o facto de referir aquilo que escrevi lá atrás levaram a que passasse a admirá-lo. Temos a obrigação de, pelo menos em escritos, preservar aquilo que nos foi legado pelos nossos avós e é isso que eu tento fazer com estas crónicas sobre música tradicional do Soito.
«Música, Músicas…», crónica de João Aristides Duarte

(Membro da Assembleia Municipal do Sabugal)
akapunkrural@gmail.com

Continuando a divulgação de música de tradição oral que recolhi, no Soito, apresento nesta crónica uma canção religiosa intitulada «Santo Antão da Murganheira».

João Aristídes Duarte - «Música, Músicas...»Sabe-se que a música de tradição oral, em Portugal, apresenta-se divida em vários subgéneros de que fazem parte, entre outras as canções de trabalho, as canções religiosas e as cantigas para dançar.
A informante desta, bem como de todas as canções referidas nesta série de crónicas, foi a minha tia Luísa Dias Aristides (na foto), hoje com 98 anos.
Esta canção é uma típica canção de romaria, que terá tido origem na disputa entre as aldeias do Soito e Vila Boa a propósito de qual delas seria a soberania da capela de Santo Antão, que existe no lugar da Murganheira, perto do Soito e de Vila Boa.
Durante anos a população do Soito venerava a imagem de Santo Antão, como se fosse do Soito, embora pertencesse (como ainda hoje) à freguesia de Vila Boa.
Parece-me que esta cantiga apresenta semelhanças com as cantigas de romaria da Beira-Baixa, sendo mais um exemplo da proximidade geográfica poder ter influenciado o surgimento de várias cantigas, tal como referido pelo etnomusicólogo José Alberto Sardinha.
As pessoas do Soito iam em romaria, com carros de vacas enfeitados, até à ermida do Santo Antão, tal como refere a letra da cantiga. A imagem de Santo Antão tem um porquinho ao fundo dos pés, facto que é, também, referido na canção.
A letra da cantiga é a seguinte:

Mais acima, mais abaixo
Tem uma bela junqueira
E à porta da capela
Tem uma bela «moreira»

(refrão)
Já é nosso! Já é nosso!
O Santo Antão
Da Murganheira

Viva o Santo Antão
Que é rei dos «labradores»
Levam carros e carretas
Enfeitadinhos de flores

(refrão)
Já é nosso! Já é nosso!
O Santo Antão
Da Murganheira

Ó Divino Santo Antão
Que andais aqui fazendo
Ando a ver do porquinho
Que me fugiu para o Ozendo

(refrão)
Já é nosso! Já é nosso!
O Santo Antão
Da Murganheira

Devo dizer que qualquer uma das cantigas recolhidas no Soito poderiam, facilmente, fazer parte do reportório de um desses grandes grupos de recriação da música tradicional portuguesa, como a Brigada Victor Jara ou a Ronda dos Quatro Caminhos.
Tia LuísaComo esta região do concelho de Sabugal não foi muito visitada por etnomusicólogos é, pois, natural, que as cantigas daqui não sejam muito conhecidas. Não tendo sido objecto de estudo por etnomusicólogos, é natural que não tenham divulgação.
No concelho de Sabugal tenho conhecimento que uma cantiga da apanha da azeitona de Quadrazais intitulada «Azeitona Cordovili» foi recolhida por José I. Franco, em 1940 nessa localidade e está no livro «Cancioneiro Popular Português» de Michel Giacometti.
Também José Alberto Sardinha recolheu duas cantigas, no final da década de 1990, na Bendada.
Em termos de temas da tradição oral do concelho de Sabugal que foram objecto de recriação, para além da «Canção das Maias» (de Alfaiates) recriada pelos Chuchurumel e mencionado na crónica anterior; conheço também a recriação de «Entrudo» (de Aldeia do Bispo) recriada pelos Assobio, no seu CD de 2009.
«Música, Músicas…», crónica de João Aristides Duarte

(Deputado da Assembleia Municipal do Sabugal)
akapunkrural@gmail.com

Vou escrever uma série de crónicas sobre a música tradicional do Soito, de que tenho conhecimento.

Michel Giacometti

João Aristídes Duarte - «Música, Músicas...»Não sou etnomusicólogo, como o grande Michel Giacometti (na foto), Margot Dias, Rodney Gallup ou Salwa El-Shawan Castelo-Branco (curiosamente todos estrangeiros, mas que realizaram um trabalho imenso em Portugal, que deveria estar-lhe eternamente grato).
Os conhecimentos que eu tenho sobre esta temática devem-se à audição atenta de centenas de discos de recolhas e recriação da música de tradição oral, bem como à leitura de variadas obras de Giacometti, Fernando Lopes-Graça e outros.
As recolhas que efectuei, há uns anos, e que tenho em suporte digital foram-me referidas por alguns e algumas informantes, das quais um ainda é viva, com a provecta idade de 98 anos. Trata-se da minha tia Luísa Dias Aristides, actualmente no Lar da 3.ª Idade, no Soito.
José Alberto Sardinha, outro dos grandes nomes da etnomusicologia portuguesa, refere que «tanto na Cova da Beira, como por toda a campina de Idanha, desde o Sabugal às margens do Tejo, é o adufe o principal e, sem dúvida, o mais arcaico instrumento». Este estudioso não deixa, no entanto, de referir que a música tradicional não tem certidão de nascimento e que as músicas das várias regiões podem interpenetrar-se, contribuindo para isso, nomeadamente, a proximidade geográfica ou as migrações.
Mas até pode ser que não seja só por isso, já que há grandes semelhanças entre o «Grito de Ah Ghi Ghi» que se usava no Soito há 50 ou mais anos e o «Grito de Escatilhar» recolhido por Michel Giacometti, no Minho.
Nas recolhas que efectuei, notei semelhanças entre algumas das músicas do Soito e as músicas mais conhecidas da Beira-Baixa. Até poderei estar enganado, mas foi o que me pareceu, sobretudo no tema mais conhecido do Soito que é a «Canção do Maio».
Talvez incluída nas Festas da Primavera ou das Maias, que celebravam o retorno do Sol fecundante, esta cantiga era cantada no início de Maio por grupos de rapazes e raparigas, acompanhados por adufe ou pandeireta.
Era por estes dias que os padrinhos do Soito ofereciam aos seus afilhados o «Bolo do Maio», que é uma tradição (em parte ainda viva), que só conheço nesta freguesia. O «Bolo do Maio» é um «santoro» que, nas restantes localidades do concelho, se costuma oferecer na época dos Santos.
A letra da «Canção do Maio» é a seguinte:

O Maio é muito longo
Minha mãe tem pouca massa
Lá o iremos passando
Com azedas e labaças

Ò Maio, Ó Maio
Ó Maio d’além
Quando vem o Maio
Ceifa-se a farrem

Já lá vem o cuco
Já lá vem o cuco
E vem d’acavalo (bis)
Traz ciguenas d´oiro
Que vem do marcado

Tenho uma pitinha branca
Que me põe no campanário
Hei-de deitá-la de meias
Com a Senhora do Rosário

Ó almo de S. Modeste
Que fizeste à tua flor
Que te vejo de sem ela
Como eu de sem amor

Maiai, cachopas maiai
Arrastai as vossas saias
Sabe Deus quem chegará
A outro dia de Maias

O grupo Chuchurumel, de César Prata, no CD «Posta-Restante», de 2006, apresenta um tema recolhido em Alfaiates, com o título «Canção das Maias» que contém estes versos:

Este Maio é muito grande
Minha mãe tem poucas massas
Mas lá iremos passando
Com azedas e rabaças

O resto da letra da «Canção das Maias», de Alfaiates não tem semelhanças nenhumas com a «Canção do Maio», do Soito, sendo que a música é, também, totalmente diferente com alguma proximidade à música do Norte de África, pelo menos na versão de Chuchurumel.

P.S. (salvo seja): Grande concerto da Banda da Força Aérea Portuguesa, no sábado, nos Fóios, cada vez menos o «calcanhar do mundo». Como musicómano que sou, não poderia faltar.
«Música, Músicas…», crónica de João Aristides Duarte

(Deputado da Assembleia Municipal do Sabugal)
akapunkrural@gmail.com

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