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Chegou às salas de cinema nacionais a quarta longa-metragem do realizador sabugalense Joaquim Sapinho intitulada «Deste Lado da Ressurreição». O filme teve a sua estreia mundial na selecção oficial do Festival de Cinema de Toronto no Canadá na secção Visions dedicada aos filmes que em cada ano contribuíram para a expansão das possibilidades poéticas do cinema.

Rafael (Pedro Sousa, campeão júnior de surf do Guincho) é um jovem surfista perdido no mundo, desenquadrado de tudo e de todos. Com uma grande violência interior, que se reflecte no seu corpo e na maneira como surfa, busca um sentido para a sua vida. E será ali, entre a praia do Guincho, o Convento dos Capuchos e a serra de Sintra, que vai finalmente encontrar o seu lugar…
«Deste Lado da Ressurreição» é a quarta longa-metragem de Joaquim Sapinho, depois de «Corte de Cabelo» (1995), «A Mulher Polícia» (2003) e «Diários da Bósnia» (2005). A película teve a sua estreia mundial na selecção oficial do Festival de Cinema de Toronto no Canadá, na secção Visions, dedicada aos filmes que, nesse ano, contribuíram para a expansão das possibilidades poéticas do cinema.
O filme foi escolhido como um dos dez melhores do ano na revista nova-iorquina «Film Comment» e teve antestreia nos EUA nas mais prestigiadas cinematecas do país: a Harvard Film Archive (Cinemateca da Universidade de Harvard) e Anthology.
Realizador: Joaquim Sapinho.
Argumento: Joaquim Sapinho, Mónica Santana Baptista.
Intérpretes: Pedro Sousa, Joana Barata, Pedro Carmo, Sofia Grillo, João Cardoso, Guilherme Garcia, Luís Castro.

Página oficial. Aqui.
jcl (com Rosa Filmes)

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O filme português «Linhas de Wellington», realizado pela chilena Valeria Sarmiento, é a sugestão cinéfila do Teatro Municipal da Guarda TMG para a próxima terça-feira, dia 30 de Outubro. O filme passa às 21h30 no Pequeno Auditório.

Trata-se de uma reconstituição do ambiente histórico das invasões francesas protagonizada por John Malkovich, IsabelleHuppert, Nuno Lopes e Soraia Chaves. Parte das filmagens desta longa metragem decorreram no distrito da Guarda, mais precisamente em Folgosinho.
Sobre a história, tudo começa em 27 de Setembro de 1810, quando as tropas francesas comandadas pelo marechal Massena, são derrotadas na Serra do Buçaco pelo exército anglo-português do general Wellington. Apesar da vitória, portugueses e ingleses retiram-se a marchas forçadas diante do inimigo, numericamente superior, com o objectivo de o atrair a Torres Vedras, onde Wellington fez construir linhas fortificadas dificilmente transponíveis. Simultaneamente, o comando anglo-português organiza a evacuação de todo o território compreendido entre o campo de batalha e as linhas de Torres Vedras, numa gigantesca operação de terra queimada, que tolhe aos franceses toda a possibilidade de aprovisionamento local. É este o pano de fundo das aventuras de uma plêiade de personagens de todas as condições sociais – soldados e civis; homens, mulheres e crianças; jovens e velhos – arrancados à rotina quotidiana pela guerra e lançados por montes e vales, entre povoações em ruína, florestas calcinadas, culturas devastadas.

Estreia da trilogia de curtas musicadas
A 3 de Novembro, o TMG apresenta em estreia absoluta «Cine-concerto 2 [trilogia de curtas-metragens com música ao vivo]». Três filmes vão ser musicados ao vivo, no Pequeno Auditório, às 21h30: «A Propósito de Nice», de Jean Vigo será musicado por Miguel Cordeiro; «The Blacksmith» de Buster Keaton terá a paisagem sonora de César Prata e «Überfall» de Ernö Metzner será musicado por Luís Rolo. Os três são músicos da Guarda.
Sobre as curtas e os músicos, «A Propósito de Nice» é considerada pelos cinéfilos como uma espécie de «sinfonia de uma cidade», a curta constituiu um marco na história do documentário e catapultou o seu realizador, Jean Vigo para o panteão dos grandes cineastas da primeira metade do século XX. Miguel Cordeiro, é o músico que vai dar som a esta curta. Estudou piano e Jazz no Taller de Música de Barcelona e na escola do Hot Club Portugal. Concluiu em 2011 o mestrado de «composição para cinema e audiovisuais».Actualmente dedica-se à composição de música para imagem.
Já «The Blacksmith» é curta-metragem de excelência artística de Buster Keaton, «o cómico que nunca ri», num exemplo de extraordinária capacidade humorística sem recurso a uma única palavra. Esta curta vai ser musicada por César Prata, o músico dos sete instrumentos e mentor de vários projectos musicais como Chuchurumel, Assobio ou as Canções do Ceguinho. O músico já compôs também para teatro e cinema.
E a finalizar a noite, «Überfall», considerada uma das grandes obras vanguardistas do cinema mudo alemão; um filme de grande poder visual e que será musicado ao vivo por Luís Rolo, músico dado a sonoridades electrónicas que já integrou projectos como Dual Tone (com António Louro), um projecto que misturava a electrónica com o hip-hop.

Noiserv em concerto
Na quarta, dia 31 de Outubro, o projecto Noiserv, de David Santos, volta ao TMG, desta vez ao Pequeno Auditório. O concerto está marcado para as 21h30.
Noiserv tem vindo a afirmar-se como um dos mais criativos e estimulantes, de entre os surgidos em Portugal na última década. O seu percurso tem sido marcado pela criação de peças musicais de um minimalismo capaz de atingir cada individuo na sua intimidade, relembrando-lhe vivências, momentos e memórias intrincadas entre a realidade e o sonho, e por concertos de elevadíssima intensidade, nos quais o público é suspenso a partir de uma teia sonora, criada por um vasto leque de instrumentos inusuais.
Criado em meados de 2005, Noiserv ganhou forma quando David Santos decide gravar algumas ideias numa demo, meses mais tarde esses 3 temas são editados on line, na netlabel Merzbau. Já em 2008 Noiserv edita o seu primeiro longa-duração, “One Hundred Miles from Thoughtlessness”, disco incrivelmente bem recebido pelo público, pela imprensa e crítica, e que actualmente esgotou a sua terceira edição.
Logo a seguir ao concerto de Noiserv o TMG promove no CC uma Noite Mexicana inspirada no Dia de Los Muertos.

Dia de los Muertos [Noite mexicana]
A tradicional festa mexicana dedicada aos defuntos, o «Dia de Los Muertos» serve de pretexto para uma Noite Mexicana no Café Concerto (CC), na próxima quarta-feira, dia 31 de Outubro, logo a seguir ao concerto de Noiserv no Pequeno Auditório do Teatro Municipal da Guarda.
O TMG vai exibir no CC várias curtas-metragens de animação inspiradas no Dia de Los Muertos:
«Viva Calaca 1» de Ritxi Ostáriz, «The Skeleton Dance» de Ub Iwerks, «Hasta los Huesos» de René Castillo, «Viva Calaca 2» de Ritxi Ostáriz e «Skeleton Frolic» de Ub Iwerks. Pela noite dentro haverá preços especiais para as bebidas mexicanas: Mescal, Tequila, Margarita e Cerveja Corona, sempre ao som de música Mexicana. Serão ainda sorteados pelo público presente três vouchers; cada um deles dará acesso a três espectáculos do TMG, a saber: o teatro “Édipo” pela Companhia do Chapitô, o espectáculo transdisciplinar «Pi_add(a)forte» e o concerto da jovem fadista Cuca Roseta.
Tudo boas razões para sair de casa e aproveitar a véspera de feriado no Teatro Municipal da Guarda!

A Música de «Abztraqt Sir Q» no CC
No próximo dia 2 de Novembro (sexta), a Quarta Parede – Associação de Artes Performativas da Covilhã e o TMG apresentam no Café Concerto o espectáculo de música «Abztraqt Sir Q».
«Abztraqt Sir Q» são um grupo de músicos cujos destinos se cruzaram no Extremo Oriente. Auto intitulam-se: «Andy Newman, o baterista pedante. Egon Crippa, o baixista esquivo. Dichma Rahma, a vocalista inconstante. Peter Shuy, o guitarrista neurótico». Fechados no seu próprio mundo, o Xing Palace Place e o seu magnífico jardim, desconstroem canções e deixam-se embalar pela cacofonia. Inventam-se dialectos, reinventa-se a ortografia, subverte-se a fonética, recusam-se as convenções. Não procuram o óbvio mas acabam por encontrá-lo.
O concerto está marcado para as 22h00 e tem entrada livre.
plb (com TMG)

No dia 9 de Junho (sábado), o Teatro Municipal da Guarda (TMG) apresenta no âmbito da iniciativa Famílias ao Teatro o espectáculo «Farfalle» (borboleta), pelo Teatro de Piazza o D’Occasione (Itália).

O espectáculo é uma extensão do FITEI (Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica) e é apresentado em duas sessões: 16h00 e 21h30. Teatro e multimédia para toda a família.
Tudo é contado com música e imagens por dois bailarinos. A cenografia é formada por um tapete branco com duas asas. As imagens são projectadas em diferentes planos: o plano horizontal do tapete e o vertical das duas asas oblíquas. Alguns objectos estilizados decoram o cenário. O público é convidado a participar, a entrar dentro do cenário, a movimentar-se entre as imagens que reagem aos seus gestos, aos seus movimentos. As imagens envolvem-no.
Com «Farfalle», a TPO continua a experiência sobre as potencialidades expressivas relacionadas com a utilização de novas linguagens digitais (computação gráfica/tecnologias interactivas) associadas à dança, à música e ao movimento.
«Farfalle» tem a direcção de Francesco Gandi e Davide Venturini e a interpretação de Anna Balducci e Erika Faccini.
Esta actividade é apresentada no âmbito da Rede 5 Sentidos.

Canções de protesto dos novos tempos
Pedro Esteves Trio é a proposta musical do TMG para a noite do próximo dia 8 de Junho no Café Concerto. O músico Pedro Esteves vem apresentar o disco de estreia «Mais um dia», acompanhado por Filipe Raposo nos teclados e por António Quintino no contrabaixo. Uma fusão de baladas com canções de protesto dos novos tempos. Um espectáculo com boa música e cheio de bom humor e ironia.
A propósito do seu primeiro trabalho, o Jornal de Letras escreveu sobre Pedro Esteves: «Ele tem a timidez de Chico Buarque, a delicadeza de Fausto, o gosto pelos arranjos de José Mário Branco, o prazer da escrita de Sérgio Godinho (…) “Mais um dia” é um hino à arte de fazer canções, como sempre, como dantes».
O espectáculo está marcado para as 22h00 e a entrada é livre.

Cinema no Pequeno Auditório
A 13 de Junho (quarta-feira), o Cineclube da Guarda apresenta, com o apoio do TMG, o filme «O tio Boonme que se lembra das suas vidas anteriores», de Apichatpong Weerasethakul. A sessão está marcada para as 21h30 no pequeno auditório.
Na história, tio Boonme resolve passar os seus últimos dias de vida no campo, rodeado das pessoas que ama. Esta é a quinta longa-metragem do tailandês Apichatpong Weerasethakul, o filme complementa o projecto Primitiv, ligado à ideia de extinção e da recordação de vidas passadas.
Filme vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes 2010.

Histórias de Manuel António Pina
Na quarta, dia 13 de Junho, o TMG apresenta através do seu Serviço Educativo o espectáculo «Histórias que me contaste tu no país das pessoas de pernas para o ar», criadas a partir de livros escritos pelo sabugalense Manuel António Pina.
O espectáculo é apresentado em duas sessões: às 10h e às 14h30 na Sala de Ensaios e tem por destinatárias as crianças dos jardins-de-infância.
Os dois livros «Histórias que me contaste tu» e «No país das pessoas de pernas para o ar» de Manuel António Pina inspiraram as criadoras Tânia Cardoso e Joana Manaças, que fizeram este espectáculo onde uma é bailarina e a outra contadora de histórias. Os contos têm finais improváveis e o mundo às avessas domina todas as narrativas. Trata-se de uma produção do Teatro Maria Matos, apresentado no TMG através da Rede 5 Sentidos.
plb (com TMG)

O Duo Con Anima, da harpista Carmen Cardeal e do flautista Nuno Ivo Cruz, apresenta um Concerto de Páscoa no próximo dia 5 de Abril, véspera de sexta-feira santa, no Pequeno Auditório do Teatro Municipal da Guarda (TMG), às 21h30.

O Duo convida o público a partilhar um percurso por algumas das mais belas músicas para flauta e harpa, no espírito de uma meditação apropriada à data. No concerto, marcado para as 21h30, serão apresentadas obras de compositores como Bach, Fauré, Debussy, Ravel, Bizet, Wagner e Puccini, entre outros.
Carmen Cardeal colaborou com a Orquestra Gulbenkian entre 1988 e 1999, ano em que ingressou na Orquestra Sinfónica Portuguesa. A harpista apresenta-se regularmente em recitais de música de câmara com grupos de diferentes formações. Como solista executou concertos com a Orquestra Portuguesa da Juventude, Orquestra Clássica do Porto, Orquestra Sousa Carvalho, Orquestra Metropolitana de Lisboa External Link, e com a Sinfonieta de Lisboa. Actualmente é harpista solista na Orquestra Sinfónica Portuguesa.
Nuno Ivo da Cruz estudou Música no Conservatório Koninklijk, Den Haag e na Universidade Nova de Lisboa (Ciências Musicais). Integrou a Nova Filarmonia Portuguesa e a Orquestra do Porto da Régie Sinfonia. Pertence a uma família de músicos profissionais (terceira geração). É membro do Quinteto de Sopros Flamen desde 1988. É flautista solista na Orquestra Sinfónica Portuguesa.

«O Mundo é uma Ervilha», no Café Concerto
A partir da próxima terça-feira, dia 3 de Abril, o Café Concerto recebe a exposição de fotografia «O Mundo é uma Ervilha», de Catarina Tormenta. Nesta exposição, a autora reúne várias fotografias de rostos de pessoas de distintas etnias e nacionalidades que fotografou durante as suas viagens.
A exposição ficará patente até 22 de Abril, tem entrada livre e pode ser visitada no horário de funcionamento do Café Concerto.

«Fora de Jogo», no Pequeno Auditório
Na Quarta-feira, dia 4 de Abril, o Cineclube da Guarda apresenta com o apoio do Teatro Municipal da Guarda o filme «Fora de Jogo» de Jafar Panahi. A sessão de cinema decorre no Pequeno Auditório, às 21h30. No Irão há milhares de mulheres adeptas de futebol. Porém, estão proibidas de entrar em estádios. As mais ousadas disfarçam-se e tentam enganar a polícia. Última longa de Panahi, antes da proibição de filmar, inspirada num episódio com a filha do próprio realizador. O filme premiado com o Urso de Prata no Festival de Berlim de 2006.

Segunda sessão SoniCC, no Café Concerto
No Sábado, dia 7 de Abril, actuam no Café Concerto do TMG às 22h00 duas bandas seleccionadas no âmbito do SoniCC: Double Latte (Guarda) e Meow Dogs (Trancoso). Trata-se da Segunda sessão desta actividade.
Recordamos que o SoniCC é uma iniciativa do TMG que visa apoiar e revelar projectos e bandas emergentes na área da música. Trata-se de uma oportunidade de apresentar o trabalho criativo de jovens, num contexto de um equipamento de referência como é o do TMG. A iniciativa prolongar-se-á em Maio, com mais uma sessão e com a revelação de mais duas bandas.
«Double Latte» é uma banda formada por cinco jovens residentes na cidade da Guarda, em 2010. O grupo assume-se como praticante de um estilo rock alternativo, mas diz tocar «um pouco de tudo». Já actuaram em festivais, festas e bares. Dizem-se influenciados por músicos e grupos como John Mayer, Pink Floyd, Dave Matthews, Sum 41, Xutos e Pontapés, Jet, Red Hot Chili Peppers, The Strokes, Arctic Monkeys, entre outros.
Os Meow Dogs formaram-se em Setembro de 2010 em Trancoso. O grupo é composto por quatro amigos determinados em entrar no mundo da música. Tocam algumas versões e também originais. O seu sonho é «tocar nos corações das pessoas, fazê-las vibrar e bater o pé» ao ritmo da sua música. O grupo sofre influências de bandas como Artic Monkeys, The Strokes, Coldplay, Nirvana, Seasick Steve, The Doors, entre outros.
A sessão SoniCC tem entrada livre.

«Le Havre», no Pequeno Auditório
Na Quarta-feira, dia 11 de Abril, é o TMG que apresenta «Le Havre» de Aki Kaurismaki. Na história, Marcel Marx, um antigo escritor e boémio, retirou-se para um exílio voluntário em Le Havre, onde se sente mais próximo das pessoas, trabalhando como engraxador de sapatos. Mas tudo muda quando o destino coloca no seu destino um jovem refugiado africano. Com André Wilms, Kati Outinen, Jean-Pierre Darroussin. o filme passa no Pequeno Auditório às 21h30.

Dinis Machado, no Pequeno Auditório
«Dinis Machado por Dinis Machado» é o espectáculo de teatro que o TMG propõe para o dia 13 de Abril (sexta-feira) no Pequeno Auditório, às 21h30.
O actor Dinis Machado criou este espectáculo partindo da vida e obra do homónimo Dinis Machado (1939-2008) escritor e jornalista português, vulto da cultura portuguesa e autor de obras como «O que diz Molero».
«Parto para este trabalho com a obra do meu homónimo. Parto desta coincidência na procura da sua significação. Agora falecido, Dinis Machado é um símbolo inequívoco da literatura Portuguesa. Com um estilo fechado e reconhecível, um realismo delirante e inteligentemente irónico. Também a paralela elegância do policial Inglês e um ensaísmo marcadamente pessoal e subjectivo.
Por contraponto, eu sou um artista jovem, a realizar os meus primeiros trabalhos, perante a hipótese de vingar ou falhar, ficando eternamente esquecido no anal dos fenómenos de relativa visibilidade passageira. Este projecto é assim a intercepção destes dois homónimos. Uma dupla biografia: a dele – com os seus textos, o seu imaginário e a estrutura intelectual que tudo isto faz existir – e a minha – que servirá de decanter a este outro corpo desmaterializado em texto: ao lê-lo e reestruturá-lo, com aquilo que em «ler» é ler-nos a nós também. Procuro o limite da compilação dramatúrgica, para além da fidelidade ou do imediato ataque iconoclasta. Uma apropriação que procura potenciar a figura e o momento presente, o intérprete talvez. Uma reconciliação lenta com o que já foi dito, com aquilo que já vimos e que se impõe na nossa memória individual ou colectiva como uma referência. A aceitação apaziguadora de que fazemos de um discurso contínuo que remete para um início remoto situado a alguns milhares de anos de nós», explica o jovem actor a propósito deste seu trabalho, que teve o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian.
plb (com TMG)

Em Fevereiro, o Projéc~ (estrutura de produção teatral do Teatro Municipal da Guarda) e a encenadora e actriz Antónia Terrinha apresentam na caixa de palco do Pequeno Auditório o espectáculo «A dama pé de cabra». A peça ficará em cena entre 8 e 10 de Fevereiro com sessões às 21h30 e terá também apresentações para escolas nos dias 8 e 9 (às 14h30).

Trata-se de uma história do património cultural português, um dos mais maravilhosos contos da tradição oral portuguesa, aqui encenada e interpretada por Antónia Terrinha. A peça está baseada no conto homónimo escrito por Alexandre Herculano e publicado no livro «Lendas e Narrativas».
Mantendo a mesma linguagem, do texto original de Herculano, o público viaja no imaginário e língua de tempos idos, revivendo as nossas memórias colectivas enquanto povo e habitante desta Península; são as nossas mais ancestrais raízes que voltam à tona.
É uma belíssima história do nosso património cultural, onde a tradição e a lenda se misturam numa simbiose perfeita entre o onírico e o maravilhoso», refere no texto de apresentação a encenadora.
Antónia Terrinha começou o seu percurso no Teatro O Bando, tendo passado por outras companhias como A Comuna e a Cornucópia. Esteve ligada a projectos de teatro infantil, como actriz e como encenadora. Dirigiu com Cândido Ferreira a Companhia do Teatro Chaby Pinheiro da Nazaré e fundou a companhia «Teatro em Curso». Participou também em filmes para cinema e televisão. Actualmente é uma das figuras da série «Pai à força».
Esta é a 14ª produção do Projéc~ que até à data apresentou também «E outros diálogos» de João Camilo; «A Cozinha Canibal», de Roland Topor, «Na Colónia Penal», ópera de Philip Glass segundo conto de Kafka; «O Barão», de Luís de Sttau Monteiro; «Eu queria encontrar aqui ainda a terra», de António Godinho e Manuel A. Domingos; «Os Sobreviventes», de Manuel Poppe, «Querido Monstro», de Javier Tomeo, «São Francisco de Assis» e «Mundus Imaginalis num quadro de Van Gogh», de Vicente Sanches, «Simplesmente Complicado», de Thomas Bernhard, a peça radiofónica «Senhor Henri», de Gonçalo M. Tavares, «The Dumb Waiter», de Harold Pinter, «A Acácia Vermelha», de Manuel Poppe e «D’ abalada» de Jorge Palinhos.

Música no Pequeno Auditório
Os Paus são provavelmente uma das bandas portuguesas mais elogiadas pela crítica no ano que passou. O grupo actuará no Pequeno Auditório do TMG no sábado, dia 4 de Fevereiro, às 21h30. Apresentam o seu segundo disco, o primeiro de longa-duração, e definem-se como «Uma bateria siamesa, um baixo maior que a tua mãe e teclados que te fazem sentir coisas».
Depois da edição deste álbum de estreia, em Outubro de 2011, ter chegado ao 3º lugar do top de vendas, a banda foi recentemente confirmada para o Palco de Radiohead no Festival Optimus Alive.
Todos os músicos desta formação vêm de outros projectos de música moderna portuguesa de inspiração Indie como Linda Martini, Vicious Five ou If Lucy Fell.
Os Paus são Makoto Yagyu (baixo, teclados e voz), Joaquim Albergaria (meia bateria siamesa e voz), João Pereira (teclados e voz) e Hélio Morais (meia bateria siamesa e voz).

Música no Café Concerto
O Filho da Mãe a.k.a. Rui Carvalho (ex If Lucy Fell) actua na sexta-feira, dia 3 de Fevereiro, no Café Concerto do TMG.
«Conheci-o noutras aventuras sónicas com os fabulosos If Lucy Fell, já o tinha topado, mas desta vez brinda-nos com um grande disco de guitarra clássica: “Palácio” – Um disco inquietante, de uma técnica e velocidade desconcertantes, frases lindíssimas desconstruídas como luz refractária em espelhos se tratasse. Genial e original de um grande poder de abstracção e obsessão de linhas de guitarra em movimento continuo em contextos e ambientes diferentes, ouve-se a rua, as gentes que passam, ouve-se Lisboa, o mar, o silêncio e todo um imaginário que por vezes nos deixa sem fôlego!». As palavras são de Tó Trips um dos Dead Combo que considera a estreia musical de Filho da mãe «uma nova pérola da musica Portuguesa».
O concerto tem entrada livre e início marcado para as 22h00.

Cinema no Pequeno Auditório
O Cineclube da Guarda apresenta na próxima Quinta-feira, dia 2 de Fevereiro, com o apoio do TMG, o filme «Histórias de Shangai – Quem me dera saber».
Trata-se de um documentário do realizador chinês Jia Zhang-ke, o mesmo que realizou «Plataforma», «O Mundo», «Still Life – Natureza Morta« e «24 City«. Com este filme, Jia Zhang-ke volta a debruçar-se sobre o passado recente do seu país e na influência do comunismo nos dias de hoje.
A sessão está marcada para as 21h30.
plb (com TMG)

No dia 21 de Janeiro (sábado) Sérgio Godinho vai apresentar no Teatro Municipal da Guarda (TMG) «Mútuo Consentimento» o novo álbum de originais com 11 temas, cujo espectáculo está marcado para as 21h30 no Grande Auditório.

Numa altura em que decorrem 40 anos da edição de «Os Sobreviventes», o primeiro disco de longa duração de Sérgio Godinho, o escritor de canções apresenta um novo trabalho musical.
Sérgio Godinho é um dos mais conceituados e acarinhados músicos nacionais. Os admiradores da sua música atravessam várias gerações de diferentes vivências e aspirações.
O músico conta com mais de 20 discos gravados, entre os quais se destacam, para além de «Os Sobreviventes» (1972), «De pequenino se torce o destino» (1976), «Canto da boca» (1981), «Os amigos de Gaspar» (1988), «Domingo no Mundo» (1997), «Afinidades» (2001), «Irmão do meio» (2003) ou «Ligação Directa» (2006).
Para este concerto, para além de temas de «Mútuo Consentimento» como «O Acesso Bloqueado», «Bomba-Relógio», «Eu Vou a Jogo» ou em «Em Dias Consecutivos», Sérgio Godinho promete também as canções que já se incluem nos clássicos portugueses incontornáveis como «O primeiro dia», «Com um brilhozinho nos olhos», «Liberdade» ou «É terça-feira».
Em palco, Sérgio Godinho será acompanhado pela sua banda «Os Assessores», cúmplices na arte de inquietar o público. «Os Assessores» são: Nuno Rafael nas guitarras, eléctrica e acústica, cavaquinho; Miguel Fevereiro nas guitarras, eléctrica e acústica; João Cardoso no teclado; Nuno Espírito Santo no baixo; Sérgio Nascimento na bateria e percussão; Sara Côrte-Real nos coros e glockenspiel e João Cabrita nos saxofones alto e barítono e teclado. A direcção musical é de Nuno Rafael.

«Sangue do meu sangue» de João Canijo
Na próxima quinta-feira, dia 19 de Janeiro, o TMG apresenta no Pequeno Auditório, às 21h30, um dos mais premiados filmes portugueses de 2011: «Sangue do meu sangue», de João Canijo.
O filme recebeu, entre muitos outros, o prémio da crítica internacional no Festival de San Sebastian.
Trata-se de um filme sobre o amor incondicional, o amor de uma mãe pela sua filha, o amor de uma tia pelo seu sobrinho. E de como elas estão dispostas a sacrificar tudo para os salvar. «Márcia é mãe solteira de dois filhos, trabalha como cozinheira e partilha a sua casa num bairro municipal com a irmã, Ivete, cabeleireira de centro comercial. Um dia, Cláudia, a filha, que estuda enfermagem e trabalha como caixa num supermercado, conta à mãe que se apaixonou por um homem mais velho e casado. Quando Márcia o conhece, percebe que uma ameaça gravíssima pesa sobre a sua família. Joca, o filho, é um pequeno traficante no bairro até que decide dar um golpe ao seu dealer, mas é apanhado e a sua tia Ivete terá que se sacrificar por ele para o salvar».

Tertúlia/debate no Café Concerto
O TMG e a Rádio Altitude prosseguem em 2012 com o «Ciclo Rádio Café», uma iniciativa que convida os guardenses a falar sobre a sua cidade, a partilhar as suas histórias e a revelar ideias. O próximo debate está marcado para Terça-feira, dia 24 de Janeiro, no Café Concerto às 21h30.
Uma vez mais, o ponto de partida para a conversa será a pergunta «Que cidade queremos?». A organização entende que a Guarda só se renderá perante a interioridade, a incerteza e a melancolia se os seus cidadãos desistirem de intervir em defesa de causas colectivas. A Rádio e o Teatro associam-se naquilo que já é habitual fazerem: pensar a Guarda, promover a Guarda. O objectivo é organizar conversas informais mas empenhadas, à vista de todos e a contar com todos.
A entrada é livre, e a participação no debate também.

Ângelo de Sousa: Ainda as esculturas
Inaugurada hoje, 14 de Janeiro, está patente na Galeria de Arte do TMG a exposição «Ângelo de Sousa [1938 – 2011]: ainda as esculturas».
Ângelo de Sousa nasceu em 1938 em Moçambique e faleceu no Porto, a 29 de Março de 2011, onde viveu e trabalhou desde 1955. Em 1963 terminou o curso de Pintura na Escola Superior de Belas Artes do Porto, onde exerceu funções de docente entre 1963 e 2000. Em 1995 tornou-se o primeiro Professor Catedrático de Pintura na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto.
As suas experiências escultóricas datam dos anos 50, mas é em 1966, primeiro com as folhas de acrílico e finalmente com as chapas de aço, que as esculturas tomam as formas que hoje prontamente identificamos com o seu nome. Em 1967 Ângelo de Sousa foi bolseiro do British Council na St. Martin’s School of Fine Art. Durante a sua estadia em Londres, matura o seu interesse pela escultura e começa a trabalhar com fotografia e filme. Forma o grupo Os Quatro Vintes, em 1968, com Armando Alves, Jorge Pinheiro e José Rodrigues, desfeito em 1972, altura em que lhe é atribuído o prémio Soquil. Desde essa altura, Ângelo de Sousa afirma-se como um dos artistas mais inovadores na cena nacional, expondo desenhos, esculturas, pintura, fotografia e filme. Em 1993, a sua obra foi objecto de uma exposição antológica na Fundação de Serralves onde, em 2001, expôs os seus trabalhos de fotografia e filme. Em 2000 foi-lhe atribuído o prémio EDP. A Fundação Gulbenkian e a Cordoaria Nacional acolheram uma grande mostra da sua escultura em 2006. Estas últimas exposições representaram uma oportunidade para o autor rever as esculturas que vinha a projectar desde os anos 60.
A exposição ficará patente até 11 de Março e pode ser visitada de terça à sexta das 16h às 19h e das 21h00 às 23h, aos sábados das 15h às 19h e das 21h00 às 23h e aos domingos das 15h às 19h. A entrada é livre.
plb (com TMG)

«A Raia vista por…» é um projecto transfronteiriço que alia a visão de quatro realizadores, dois portugueses e dois espanhóis, sobre as histórias que compõem a ideia da «Raia» enquanto linha de fronteira que separa Portugal e Espanha, cujo filme tem lançamento marcado para a próxima Sexta-feira, dia 9 de Dezembro, às 21h30, no Pequeno Auditório do TMG, com entrada livre.

O Teatro Municipal da Guarda (TMG) e a Junta de Castilla y León desafiaram realizadores portugueses e espanhóis a filmar a Raia. O resultado pode ser visto agora em DVD com quatro curtas-metragens da autoria dos portugueses Pedro Sena Nunes e Jão Trabulo e dos espanhóis Isabel de Ocampo e a dupla Gabriel Velázquez / Chema de la Peña.
O documentário de Pedro Sena Nunes visa explorar em profundidade a história da construção de uma ponte ilegal na fronteira, que une Portugal a Espanha, assim como sucessivamente diversas histórias semi-ocultas de união e contrabando entre estes dois países. Trata-se de um documentário de sentidos – os sentidos produzidos por terras, que antes de terras são pessoas, face à proximidade humana e simultânea firme diferença cultural. Se pouco acrescenta este filme à conformação de cada uma, deixa uma fundamental nota de reflexão: que pontes construiu o tempo entre línguas, relações e comércios?
Pedro Sena Nunes foi o autor do documentário «Há Tourada na Aldeia» que retrata a capeia arraiana, tradição taurina das terras fronteiriças do concelho do Sabugal.
João Trabulo iniciou-se no cinema com o produtor Paulo Branco na Gemini (Paris) e Madragoa (Lisboa) colaborando em filmes de Manoel de Oliveira, João César Monteiro, Robert Kramer e Pedro Costa.
Isabel de Ocampo é uma cineasta de Salamanca que recentemente ganhou o prémio Goya para a melhor curta-metragem.
plb

Ao fim de dois anos de recolha de imagens e depoimentos está finalizado o documentário sobre a crise na indústria dos lanifícios na região da Serra da Estrela, chegando agora a hora de o espectador o poder visionar nos ecrãs dos festivais de cinema documental. O realizador do filme, Luís Silva, explica em entrevista todo o processo desde o inicio das filmagens e o que pretende com este documentário.

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– Está terminado o documentário sobre os lanifícios. E agora, qual vai ser o próximo passo?
– Inicialmente pensei fazer uma ante-estreia onde pudesse juntar todos os entrevistados e entidades e outras pessoas que colaboraram na realização do filme, no entanto e uma vez que só agora concluímos a pós-produção e com o mês de Agosto em que muitas pessoas se encontram de férias fica muito em cima da realização de alguns festivais onde vou inscrever o filme e daí tornar-se complicado gerir esses timings. O próximo passo é a inscrição do filme nos vários Festivais de cinema documental que existem ao nível nacional a começar pelo CineEco para o qual já foi enviada a inscrição que terminava o prazo no dia 15 de Agosto aguardando agora por Setembro que será o mês em que ficaremos a saber se o filme foi ou não seleccionado. O que posso dizer relativamente a quem queira ver o filme é que aguardem que seja seleccionado para algum destes festivais e se assim for será feita a devida comunicação com o dia e a hora onde pode ser visto. Pelo que este tema representa para as gentes e comunidades da região da Serra da Estrela, quero levar o filme o mais longe possível daí estar a ser preparada uma versão em Inglês para poder concorrer a festivais de cinema documental também a nível internacional.
lacticinios.doc– O que pretende com este trabalho?
– A indústria dos Lanifícios é de grandes tradições na nossa região, não só porque é uma região onde abunda a água daí a maior parte das fábricas terem sido construídas junto de rios e ribeiras, pois há 2 séculos atrás a força motriz das fábricas era a roda que se movia com a força da água que por sua vez fazia movimentar os engenhos que colocavam em andamento a maquinaria para a produção de tecidos, mantas, cobertores e outros, mas também porque cá existem rebanhos em grande numero dos quais através da tosquia se obtem a lã para a produção destes produtos laneiros. Apesar disso convem referir que a lã também vinha do Alentejo e há até quem diga que é uma lã melhor, contudo estes são os dois principais factores pelos quais aqui se instalaram estas fábricas. Além de querer dar a conhecer através do filme estes aspectos acima referidos, pretendo ao mesmo tempo tentar saber as razões, os motivos, que estiveram na base do declinio destas empresas que chegaram a empregar no Concelho de Manteigas, Gouveia e Seia mais de 20.000 pessoas e que hoje é um sector que não ocupa nestes 3 concelhos sequer mil pessoas. Para se ter uma ideia do que representou a força desta industria basta ver que provavelmente algumas cidades conseguiram esse titulo graças aos milhares de operários que vieram viver para estas terras, pois, caso contrário provavelmente algumas destas cidades ainda seriam vilas.
– Que orientações seguiu na escolha dos entrevistados e dos locais?
– Para obter uma diversidade de respostas decidi seguir uma linha de recolha de depoimentos que passassem por ex-operários, ex e actuais empresários deste sector, sindicalistas e políticos, pois dessa forma foi possível cruzar informações dos variados pontos de vista que permitam ao espectador no final do filme ficar com uma noção mais exacta do que aconteceu. Como se pode calcular os ex-operários têm as suas próprias justificações, os sindicatos, os políticos e os industriais também as têm, pois cada um conforme as suas responsabilidades têm justificações diferentes e algumas iguais o que se traduz numa abrangência de opiniões maior, sendo que no final sobressaem conclusões no mínimo muito interessantes.
Realizador Luís Silva– Quanto tempo demorou a fazer e quais os passos?
– Ao fim de quase dois anos de filmagens e recolha de depoimentos e testemunhos de pessoas que sempre trabalharam neste ramo na nossa região da Serra da Estrela (Manteigas, Gouveia, Seia) terminou no passado mês de Julho a edição e pós-produção do filme «Lanificios.doc». Após um trabalho inicial de investigação que passou pela leitura de livros publicados sobre esta matéria, consulta de fotografias, assim como pela consulta de jornais da época e recolha de depoimentos, passámos para o terreno onde percorremos várias localidades desde Manteigas, Gouveia, Vodra, Seia, S. Romão, Loriga, Alvoco da Serra e outras. Visitámos e recolhemos imagens também na Covilhã. Acompanhou-me nesta recolha de imagens o meu Assistente de Realização Nuno Pinheiro ao qual competiu também a recolha de fotografias.
– Quais as expectativas?
– Relativamente aos Festivais onde vou inscrever o filme espero que seja seleccionado na maior parte deles, pois é essa a intenção de um realizador quando faz um filme poder mostrá-lo ao maior número de pessoas e públicos diferentes, mas, ao mesmo tempo poder divulgar a nossa região da Serra da Estrela e as nossas gentes, pois, para se ter uma ideia a Banda Sonora do filme é toda original e foi David Fidalgo, um compositor de Paranhos da Beira (Seia) que a fez. A Realização e produção, assim como a pesquisa e a recolha de fotografias foi feita por gente da nossa região, sendo que é esta ideia que também pretendo passar. Temos gente no nosso Distrito com espírito de voluntariado mas acima de tudo com muita capacidade também ao nível da sétima arte e das novas tecnologias da informação e comunicação. As expectativas também recaem sobre a forma como os entrevistados vão fazer a sua análise á sua participação no filme no particular e no global, pois é sempre preocupação de um realizador, pelo menos é minha, que os entrevistados se sintam bem no final do filme com a sua participação mas acima de tudo com o projecto com o qual colaboraram e acreditaram.
– Próximos projectos?
– Para já quero divulgar o máximo possível este documentário pois á imagem dos meu ultimo realizado em 2009 «Os Últimos Moinhos» estes projectos têm os seus custos e quando estes são suportados por mim próprio torna-se difícil por muitas ideias que tenha de fazer mais, com mais regularidade mas concerteza irão aparecer mais.

Para concretizar este documentário foram, entre outros, entrevistados Santinho Pacheco (ex-Governador Civil da Guarda), Carlos João (coordenador do Sindicato dos têxteis da Beira Alta), João Clara (proprietário da fábrica EcoLã – Manteigas), João Fernandes (ex-proprietário da Fisel, Vodratex e outras em Seia), Camello (proprietário da fábrica Camello, S. Romão), Eduardo Brito (ex-presidente do Municipio de Seia), Filipe Camelo (presidente do Município de Seia) e ex-operários da Fisel e Vodratex.

Página oficial do documentário «laticinios.doc». Aqui.


jcl (com Luís Silva)

O II Festival Internacional da Memória Sefardita, que se realiza de 18 a 21 de Setembro, vai acolher a antestreia do filme «O Cônsul de Bordéus», com a presença do realizador Francisco Manso e do protagonista Vítor Norte.

A apresentação está marcada para segunda-feira, 19 de Setembro, às 21h30, no Teatro Municipal da Guarda (TMG).
O filme «O Cônsul de Bordéus», sobre o Acto de Consciência do diplomata Aristides de Sousa Mendes, foi rodado em Viana do Castelo pelos realizadores Francisco Manso e João Correa, da produtora Take 2000.
«O Cônsul de Bordéus» é protagonizado por Vítor Norte, no papel de Aristides de Sousa Mendes, o diplomata português que, à revelia de Oliveira Salazar, atribuiu cerca de trinta mil vistos a refugiados perseguidos pelo regime nazi em 1940.
Ao tomar a decisão de seguir a sua consciência e conceder vistos a toda a gente, contrariando as ordens do governo de Salazar, o antigo cônsul de Portugal em Bordéus ajudou milhares de judeus e outros refugiados a escapar da França no momento da invasão e a encontrar refúgio em Portugal.
plb (com Turismo Serra da Estrela)

O burburinho em torno de «Super 8», o mais recente filme de J.J. Abrams, criador da série «Perdidos», é um pouco exagerado. Nem é um dos melhores filmes do ano, nem um dos piores.

Pedro Miguel Fernandes - Série B - Capeia ArraianaAs expectativas criadas em torno do filme foram tantas, que quase se pode dizer que a montanha pariu um rato. Isto não quer dizer contudo que «Super 8» não seja um bom filme quando comparado com a maioria dos blockbusters vindos dos EUA e com as estreias que já ocorreram e estão para chegar no resto do Verão.
O filme é uma homenagem a um certo tipo de cinema que se fazia nos anos 1980 (será este mais um sinal da febre que nos faz regressar aquela década?), centrado num grupo de miúdos que tem de se entreter durante as férias de Verão, até que um evento qualquer acaba por tornar umas pacatas férias em algo que lhes ficará para sempre na memória. Neste caso os miúdos de «Super 8» pertencem a um grupo de amigos que quer fazer um filme de zombies com uma câmara daquele formato. E as rodagens correm bem até que um acidente de comboio militar liberta algo que vai aterrorizar a pequena comunidade onde tudo se passa.
Super 8Claramente inspirado no cinema de Steven Spielberg do início dos anos 1980, nomeadamente «ET» e «Encontros Imediatos de Terceiro Grau», «Super 8» tem uma boa história e com um elenco, sobretudo os miúdos, que conseguiu boas interpretações. Mas se J.J. Abrams consegue manter o suspense durante boa parte do filme, e até consegue provocar bons sustos em algumas das cenas, o desenlace acaba por saber a pouco, pois não é de todo imprevisível. Apesar de uma boa caracterização da época (os pormenores da música, roupa e mesmo alguns clichés dos filmes daquela altura passados em pequenas cidadezinhas estão lá), o filme não consegue ir mais além do que isso e nota-se que podia ir bem mais longe. Até as personagens secundárias precisavam de ser um pouco mais aprofundadas.
«Super 8» entende-se como uma boa homenagem aos heróis de J.J. Abrams e é bom para ver como filme de Verão. Mas não é muito mais do que isso.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

pedrompfernandes@sapo.pt

Apesar de ter sido realizado em 1936 «Tempos Modernos», de Charles Chaplin, continua a ser tão actual como na época em que foi feito.

Charlie Chaplin

Pedro Miguel Fernandes - Série B - Capeia ArraianaNesta sátira ao industrialismo e à sociedade do consumo, ou uma história sobre a indústria, a iniciativa empresarial ou da cruzada da Humanidade à procura da felicidade, como é indicado na legenda de abertura, Charles Chaplin surge como um pobre operário fabril que acaba por enlouquecer em plena linha de montagem e consequentemente é despedido. A primeira parte do filme, nos seus variados episódios (da cena do cigarro ao genial teste da máquina que auto-alimenta os operários), mostra bem as condições inumanas das fábricas na altura.
Paralelamente à história do operário despedido, que ainda acaba na prisão por ser confundido com um líder comunista, noutra genial cena de «Tempos Modernos», o filme acompanha a história de uma rapariga que vive em condições semelhantes às do herói, interpretada por Paulette Goddard, e que acaba por se tornar a sua amada. A partir daqui, quando os dois se encontram, nasce uma bela história de amor que consegue não afastar o filme do seu objectivo final: criticar uma sociedade que desumaniza as pessoas.
Filmado numa altura em que o período mudo já tinha sido deixado para trás há muito tempo, devido às reticências de Charles Chaplin em utilizar o som nos seus filmes, «Tempos Modernos» já recorre a alguns elementos sonoros. A banda sonora, que já se encontrava presente em alguns filmes mudos, volta a ter uma presença muito forte, complementando a imagem, os sons ambiente, que ganham uma grande expressividade sobretudo nas sequências da fábrica. E também aqui se encontra uma personagem de Chaplin que fala pela primeira vez. Ou melhor, canta, numa sequência onde são ditas poucas palavras, aparentemente sem grande nexo. Estes elementos fazem com que «Tempos Modernos» seja considerado por muitos, ainda hoje, como o último filme da época do mudo.
E ao abordar temas como o desemprego e as dificuldades de uma sociedade que vive em busca de um sonho (a tal casa que o casal procura), muitas vezes fazendo coisas acima das suas capacidades, quase que podemos dizer que os «Tempos Modernos» de Chaplin são bastante parecidos com os tempos de hoje.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

pedrompfernandes@sapo.pt

Na terça-feira, dia 12 de Julho, o Teatro Municipal da Guarda (TMG) apresenta no Pequeno Auditório, às 21h30, o «Filme Socialismo» do cineasta francês Jean-Luc Godard.

«Entre os passageiros de um Cruzeiro estão um criminoso de guerra, um filósofo francês, um representante da polícia de Moscovo, uma cantora americana, um polícia francês, uma ex-funcionária da ONU, um agente aposentado e um embaixador palestino. A discussão principal é a falência das ideologias de esquerda no século XXI.». Este é o ponto de partida para «Filme Socialismo», segundo uma pequena nota divulgada pelo TMG.
Polémico, Jean-Luc Godard é um dos maiores cineastas europeus, precursor da Novelle Vague.
Em Film Socialisme (título original) Jean-Luc Godard lança o seu discurso através de vários personagens, seguindo os ditames que caracterizam a chamada Nouvelle Vague como um dos principais movimentos cinematográficos da história.
O filme, editado em 2010, tem 101 minutos, e tem no elenco actores como Catherine Tanvier, Christian Sinniger, Jen Marc Stehlé, Patti Smith, Alain Badiou.
plb

«Lixo Extraordinário» é um fantástico documentário sobre um projecto do artista plástico brasileiro Vik Muniz, que conseguiu criar obras de arte com a ajuda de catadores de lixo de uma das maiores lixeiras do Rio de Janeiro.

Pedro Miguel Fernandes - Série B - Capeia ArraianaRealizado por Lucy Walter, João Jardim e Karen Harley «Lixo Extraordinário» foi um dos nomeados ao galardão de Melhor Documentário na última edição dos Óscares e é um daqueles documentários que nos leva para dentro de uma realidade que não conhecemos. Partindo de um projecto de Vik Muniz, que pretendeu criar fotografias artísticas com lixo retirado do Jardim do Gramacho, um dos maiores aterros sanitários do mundo, situado no Rio de Janeiro, o documentário vai muito para além de mostrar a arte. Conta as histórias das pessoas que vivem literalmente no meio do lixo, ganhando entre 40 e 50 reais por dia (entre cerca de 17 e 21 euros), segundo nos conta uma das mulheres que lá trabalham, para vender material para reciclar. As imagens daquela enorme lixeira quase que nos fazem sentir o cheiro. Mas são precisamente as pessoas e a sua grande humanidade e forma de estar na vida que nos tocam mais, com as suas histórias no meio da miséria, onde foram parar por falta de alternativas. Mais do que a o trabalho de Vik Muniz, o pretexto para o filme.Lixo ExtraordinárioDepois de conhecermos alguns dos protagonistas e as suas filosofias («99 não são 100», diz um dos trabalhadores mais velhos, que acabou por ficar de fora dos retratos finais) vamos assistindo à criação dos retratos feitos por Vik Muniz. Primeiro as fotografias tiradas aos protagonistas e depois a sua reconstrução em estúdio, com o material recolhido no Jardim do Gramacho. Apesar de poder ser considerado como um filme de promoção à obra do artista plástico, o que apenas se poderá notar nas cenas em que ele regressa à casa onde viveu, também numa favela, «Lixo Extraordinário» não deixa de ser um belo filme sobre pessoas e a sobrevivência em condições muito difíceis. Não há contos de fadas no Jardim do Gramacho, mas este projecto ajudou algumas daquelas pessoas a recuperarem a sua humanidade.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

pedrompfernandes@sapo.pt

No final dos anos 1920, antes da chegada do cinema sonoro, o período mudo deixou-nos grandes obras, com cenários grandiosos, sendo um dos mais conhecidos o fabuloso «Metropolis», de Fritz Lang. Mas apesar de ser mais conhecido, este não foi caso único na altura.

Pedro Miguel Fernandes - Série B - Capeia ArraianaUm outro filme que se pode encaixar no mesmo estilo é «O Dinheiro», de Marcel L’Herbier. Apesar de não ser um filme de ficção científica, como o anterior, é um filme gigante (3 horas e 20 minutos, demasiado para um filme mudo) e utiliza muito bem os cenários e as centenas de figurantes. No caso dos cenários, o grande destaque são as cenas filmadas in loco na Bolsa de Paris, que dão uma sensação de confusão que são estes sítios.
«O Dinheiro», filme baseado numa obra de Emile Zola, é uma crítica ao capitalismo. E quão actual continua a ser nos dias que correm. No centro do argumento está o banqueiro Nicolas Saccard, dono do Banco Universal e um especulador nato, que só vive para fazer dinheiro, sem olhar a meios para atingir os seus fins. No início do filme vemos os seus planos cair por terra, quando um accionista maioritário vota contra um aumento de capital no banco. Mais tarde sabemos que este accionista anónimo era um testa de ferro para um rival de Saccard, Alphonse Gundermann, dono de uma petrolífera que pretende desmascarar Saccard.Dinheiro - ArgentO banqueiro resolve então voltar à carga e decide apoiar um projecto de Jacques Hamelin, para valorizar as acções do Banco Universal. Mas o plano de Saccard quer ir mais longe, pois outro dos objectivos é conquistar a esposa do piloto, Line Hamelin. Esta mais tarde apercebe-se do esquema do banqueiro e acaba por levá-lo a tribunal, acusando-o de fraude.
A história de «O Dinheiro» é um excelente conto moral sobre o poder e a influência do dinheiro. Mas vai muito para além de uma simples história. O filme de Marcel L’Herbier, um dos mais caros da altura, tem excelentes cenas e está muito bem filmado. Para a história ficam as sequências filmadas na própria Bolsa de Paris, como referido atrás. Uma das mais espantosas consiste numa montagem em paralelo onde a partida de Jacques Hamelin acontece ao mesmo tempo em que decorre uma sessão na Bolsa e à medida que o avião levanta voo, também a câmara faz a mesma trajectória, atravessando a sala da mesma forma, dando um efeito fantástico. Uma grande lição de cinema, até para muitos dos cineastas actuais.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

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O piloto português Tiago Monteiro foi o escolhido para dar voz à personagem Lewis Hamilton na dobragem do filme Cars 2 que estreia em Portugal a 7 de Julho.

Tiago Monteiro - Diana Pereira

A experiência na dobragem do filme Cars 2 foi também partilhada com a mulher, Diana Pereira (com raízes na freguesia de Aldeia Velha, no concelho do Sabugal) que deu voz a um computador: «Foi uma experiência muito divertida sobretudo porque todos lá em casa gostam bastante do Cars. Estou com uma enorme expectativa para ver a reacção dos nossos filhos, sobrinhos e primos mais novos quando virem o filme», disse Tiago Monteiro.
Num período entre duas corridas, Tiago Monteiro participou na dobragem do filme Cars 2 e esteve em França com a família a convite da Disney Portugal para a apresentação dos novos temas da Euro Disney para este ano e num grande evento da Monroe, assim como em alguns eventos promocionais da SEAT, marca com que disputa o Campeonato do Mundo de Carros de Turismo.
Tiago e Diana participaram ainda no programa da RTP, «Quem Tramou Peter Pan» apresentado por Catarina Furtado e que vai para o ar no próximo dia 30 de Abril: «Foi muito engraçado responder às perguntas feitas pelas crianças mas sobretudo ouvir a opinião deles a nosso respeito. São sempre muito genuínas e sinceras. Gostámos bastante», considerou o piloto.
Tiago Monteiro centra agora atenções na próxima corrida do WTCC que tem lugar no próximo fim-de-semana em Zolder na Bélgica.
jcl (com Gabinete de Comunicação e Imagem)

Morreu esta semana Sidney Lumet, realizador norte-americano, autor de filmes como «Doze Homens em Fúria», «Serpico» ou «Um Dia de Cão». Os dois últimos foram papéis memoráveis de Al Pacino.

Pedro Miguel Fernandes - Série B - Capeia ArraianaConhecido como um dos grandes realizadores de um cinema chamado liberal, que tem como principais características uma raiz realista e política, a sua estreia no cinema, depois de uma passagem pela realização de séries de televisão, dá-se em 1957, com o filme de tribunal «Doze Homens em Fúria». Esta primeira longa-metragem rende-lhe a primeira de quatro nomeações para Óscar de Melhor Realizador. As restantes três foram para «Um Dia de Cão» (1975), «Escândalo na TV» (1976) e «O Veredicto» (1982), tendo recebido uma outra nomeação para Melhor Argumento Adaptado por «O Príncipe da Cidade» (1981), escrito a meias com Jay Presson Allen.
Sydney LumetCom cerca de 40 filmes realizados, filmados ao longo de uma carreira de meio século (o último filme de Lumet, «Antes que o Diabo Saiba que Morreste», é de 2007), conseguiu dirigir grandes lendas do cinema, como o já referido Al Pacino, Henry Fonda, Paul Newman, Marlon Brando, Katharine Hepburn, Faye Dunaway, Robert Duvall ou River Phoenix. Dentro deste grupo de actores de luxo, aos quais se podiam juntar muitos outros, 17 conseguiram ganhar ou pelo menos chegar aos nomeados para os Óscares. Em 2005, dois anos antes da última longa-metragem que nos deixou, recebeu o Óscar honorário da Academia.
Sidney Lumet faleceu em Nova Iorque aos 86 anos, vítima de linfoma.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

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«Fantasia Lusitana» é um excelente retrato de Portugal. E vê-lo nesta altura, em que somos iludidos por todos, sejam os governantes ou os mercados (sejam eles quem forem), foi o mais indicado.

Pedro Miguel Fernandes - Série B - Capeia ArraianaO documentário é de 2010, mas tive oportunidade de o ver este fim-de-semana no âmbito do Festival Panorama, dedicado ao cinema documental feito em Portugal, onde o destaque foi dado a um punhado de filmes realizados no pós-25 de Abril. Pegando sempre em imagens de arquivo, o realizador João Canijo conseguiu em «Fantasia Lusitana» mostrar dois países diferentes: um visto pelos olhos da propaganda da ditadura liderada por Salazar e outro visto pelo olhar de três estrangeiros que passaram por Lisboa durante a época retratada no filme.
O período em causa é o da II Guerra Mundial, conflito em que Portugal se manteve ‘neutro’. Esta neutralidade foi aproveitada até ao expoente máximo pelo regime para mostrar o papel que Salazar teve para nos deixar fora do conflito que estava a destruir a Europa. Quase como o actual primeiro-ministro tentou fazer para nos afastar do FMI, ou da ajuda externa, como gostam de lhe chamar.
Fantasia Lusitana - João CanijoSem narração actual, ou seja, Canijo aproveitou apenas o som dos filmes de época recolhidos, este é quase um país das maravilhas, onde as contas públicas estão em ordem, e que mesmo em tempos difíceis é capaz de organizar uma Exposição do Mundo Português que demonstra que Portugal está acima de qualquer guerra. Mas a cena do lançamento da nau Portugal, que afunda assim que é lançada às águas, já é um prenúncio que nem tudo estava bem.
O outro país é narrado por três refugiados que passaram por cá durante a II Guerra Mundial, quando Lisboa servia de plataforma de entrada e saída para melhores destinos. E a imagem que estes três estrangeiros – Antoine de Saint-Exupéry, o escritor de «O Principezinho», Alfred Döblin, o autor de «Berlin Alexanderplatz», e Erika Mann, filha de Thomas Mann, – aproxima-se mais da dura realidade. Um país pobre, com uma população pouco escolarizada e onde os refugiados se vêem presos e têm de enfrentar duras condições.
Numa altura em que voltamos a sofrer na pele uma crise bastante complicada, «Fantasia Lusitana» quase que pode ser visto como um grito de alerta para o que se está a passar, quando muitos nos tentam convencer que as coisas não estão tão difíceis como parecem e nos iludem com falsas mensagens de que tudo está bem. E poucas vezes um filme centrado num passado mais ou menos longínquo conseguiu ser tão actual.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

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Há cineastas que conseguem criar universos facilmente reconhecíveis. Seja porque têm características que nos permitem topar à légua o que lá vem, seja pelo recurso aos mesmos actores ou até à forma como filmam um determinado género cinematográfico.

Pedro Miguel Fernandes - Série B - Capeia ArraianaJean-Pierre Jeunet é um desses realizadores e isso está bem patente no seu mais recente filme – «Micmacs – Uma Brilhante Confusão» – que chegou às nossas salas com dois anos de atraso. Tirando talvez a sua aventura norte-americana, quando filmou um dos episódios da série «Alien», todos os seus filmes nos remetem para um mundo entre o real e o imaginário.
Em «Micmacs – Uma Brilhante Confusão» o protagonista é Bazil (Dany Boon, um bom actor cómico francês, que nos deu um ar de sua graça em «Bem – Vindo ao Norte», filme que ele próprio realizou e estreou por cá há um par de anos), o funcionário de um clube de vídeo, cujo pai morreu vítima de uma mina quando era criança, que leva um tiro na cabeça e fica com a bala presa no cérebro. Depois de uma operação em tons surrealistas, em que o cirurgião decide se lhe tira a bala ou não atirando uma moeda ao ar, Bazil fica desempregado e sem abrigo e resolve vingar-se dos fabricantes da bala e da mina que destruíram a sua vida.
MicmacsPara tal conta com a ajuda de um conjunto de sem abrigos, cada um com as suas características peculiares, que o acolhem no seu seio e se comprometem a continuar a dar-lhe guarida apenas se ele aceitar a ajuda deles para defrontar os seus inimigos, dois fabricantes de armas rivais.
A história consegue bastante original e o mesmo se pode dizer do ambiente e personagens criadas por Jean-Pierre Jeunet, mas acaba por ser demasiado confuso com demasiadas trocas e baldrocas que não conseguem dar o ritmo desejado ao evoluir do argumento. Mesmo como panfleto anti-guerra, que é no fundo o principal objectivo do filme, não cola, pois as caricaturas dos dois magnatas rivais estão demasiado exageradas. Infelizmente perdeu-se uma boa história, que mesmo assim é capaz de agradar aos fãs do realizador de «Delicatessen».
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

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Morreu Elizabeth Taylor, uma das maiores divas de Hollywood, conhecida tanto pelo seu talento e beleza como pela polémica vida que levou ao longo de 79 anos.

Pedro Miguel Fernandes - Série B - Capeia ArraianaNascida a 27 de Fevereiro de 1932 no Reino Unido, apesar de ser filha de pais americanos, Elizabeth Taylor estreou-se no cinema aos 10 no filme «There’s One Born Every Minute», de Harold Young. Posteriormente começou a participar em séries para um público juvenil, nomeadamente a célebre «Lassie». Na década de 1950 começa a ter alguns papéis em filmes de relevo, como «Ivanhoe», de Richard Thorpe, «Quo Vadis», de Mervyn LeRoy, «O Gigante», de George Stevens, ou «Gata em Telhado de Zinco Quente», de Richard Brooks. Nessa mesma década consegue as primeiras três de cinco nomeações para os Óscares.
Na década seguinte tem mais algumas das suas interpretações memoráveis, nomeadamente «BUtterfield 8», de Daniel Mann, «Cleopatra», de Joseph L. Mankiewicz, ou «Quem Tem Medo de Virginia Woolf?», de Mike Nichols.
Elisabeth TaylorO primeiro e o último papel deram-lhe os seus dois únicos Óscares da carreira. A partir dos anos 1970 a sua presença no grande ecrã começa a diminuir e a sua última aparição dá-se em 2001, quando entra na série de TV «God, the Devil and Bob» e no telefilme «These Old Broads».
Apesar da sua beleza e talento, a vida fora das luzes da ribalta sempre foi polémica, em grande parte devido aos seus inúmeros casamentos e divórcios. Nos últimos anos tinha dado a cara em campanhas a favor da luta contra a Sida, tendo mesmo sido uma das primeiras celebridades a defender esta causa. As causas da morte de Elizabeth Taylor, que sofria de problemas cardíacos há alguns anos, ainda não foram desvendadas. Ficará para sempre na memória de muitos cinéfilos.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

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Uma bela surpresa «As Múmias do Faraó: As Aventuras de Adèle Blanc-Sec», o primeiro de uma trilogia baseada numa heroína de BD.

Pedro Miguel Fernandes - Série B - Capeia ArraianaRealizado por Luc Besson o filme baseia-se numa banda desenhada franco-belga protagonizada por Adèle Blanc-Sec, uma jornalista do princípio do século XX que bem podia passar por uma Indiana Jones de saias. Nesta aventura a heroína tenta salvar a irmã, que sofreu um insólito acidente durante uma partida de ténis, recorrendo aos poderes de um cientista que consegue ressuscitar os mortos.
E esta missão leva-a ao Antigo Egipto onde vai buscar uma múmia que a poderá ajudar a salvar a irmã. O problema é que enquanto Adèle se ausentou o cientista Marie-Joseph Esperandieu treinou os seus poderes com um pterodáctilo, que por sua vez começou a semear o terror pelas ruas de Paris.
Múmias do FaraóNão sendo um daqueles filmes extraordinários, «As Múmias do Faraó: As Aventuras de Adèle Blanc-Sec» é um filme de aventuras bem simpático, que se vê de uma assentada e sem nos deixar desiludidos. Os efeitos especiais estão muito bons, pois foram utilizados meios digitais e na animação do pterodáctilo parece que foi utilizado mesmo um boneco, o que nos faz lembrar certas técnicas utilizadas nos anos 1980.
«As Múmias do Faraó: As Aventuras de Adèle Blanc-Sec» acaba por ser puro entretenimento, tal como os filmes de Indiana Jones o eram quando recuperaram os filmes de aventuras mais clássicos. E os pontos de contacto entre Adèle e o personagem criado por George Lucas e Steven Spielberg são vários. Desde a procura por relíquias antigas, neste caso a múmia, às bocas que a heroína vai mandando ao longo do filme, passando pelo vilão Dieuleveut, protagonizado por um irreconhecível Mathieu Amalric. Depois desta aventura, resta esperar pela continuação.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

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A Escola Superior de Educação, Comunicação e Desporto do Instituto Politéctico da Guarda (ESECD/IPG) realiza, nos dias 15 e 16 de Março, um Workshop em «Vídeo Documentário», que será orientado por Jorge Pelicano.

Esta iniciativa integra-se no curso de Comunicação Multimédia e tem por objectivo desenvolver a formação integral dos estudantes e facilitar a inserção na vida activa, complementando a aprendizagem curricular na área do vídeo.
No primeiro dia, pelas 21h30, terá lugar no Café Concerto do Teatro Municipal da Guarda (TMG) a projecção do documentário «Pare, Escute e Olhe», de Jorge Pelicano (ex-aluno da ESECD/IPG), a que se seguirá uma tertúlia, aberta a todos os interessados.
Jorge Pelicano é um jornalista e repórter de imagem, de 33 anos, nascido na Figueira da Foz e licenciado em Comunicação e Relações Públicas pelo Instituto Politécnico da Guarda.
Depois de se consagrar com o documentário «Já não há pastores», dedicado aos pastores que restam na Serra da Estrela, Jorge Pelicano produziu o trabalho «Páre, Escute, Olhe», tem como objectivo colocar o tema do fim anunciado da linha do ua na ordem do dia.
A ligação ferroviária entre Bragança e Mirandela foi desactivada em Dezembro de 1991, e o realizador quis mostrar como «essa sentença acentuou as assimetrias entre o litoral e o interior de Portugal». O documentário aborda as sucessivas promessas políticas para o apoio ao desenvolvimento da região, o mau estado da linha ferroviária, os acidentes, e a vida das populações locais servidas pelo centenário caminho-de-ferro.
plb

«Blue Valentine» é a segunda longa-metragem de Derek Cianfrance, que apesar de se ter estreado na cadeira de realizador em 1998, esteve até ao ano passado ligado a curtas e documentários.

Pedro Miguel Fernandes - Série B - Capeia ArraianaEsta é a história de um casal na casa dos 30 anos à beira da ruptura, com uma filha pequena para criar. Protagonizado por Ryan Gosling e Michelle Williams, ambos estão muito bem e não se percebe como é que apenas ela foi nomeada aos Óscares, o filme retrata o fim da relação e, recorrendo a flashbacks, a forma como o casal se conheceu e como nasceu o amor entre os dois.
O filme é uma bela história de amor com duas personagens bastante fortes, cada uma com as suas características bastante vincadas, que chegaram a um ponto das suas vidas em que não sabem como ultrapassar as dificuldades de uma relação.
Blue ValentineEle ainda tenta salvar o casamento, mas ela parece não estar para aí virada. Como referi atrás a interpretação dos dois está muito boa, pois parece que conseguiram transmitir uma boa química para o ecrã, como se aquilo que vemos fosse mesmo um casal a sério.
Mas «Blue Valentine» acaba por não conseguir descolar de um filme banal, sobretudo na maioria das cenas do passado, tirando uma ou outra cena. E é precisamente aqui que está uma das falhas do filme. Apesar de Ryan Gosling estar bem caracterizado quando representa a personagem mais nova, Michelle Williams continua praticamente igual, independentemente de ser nova ou mais velha. Parece que só se lembraram de rejuvenescer o actor. Ponto positivo para a banda sonora, assinada pela banda norte-americana Grizzly Bear.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

pedrompfernandes@sapo.pt

Para comemorar o lançamento de uma caixa de DVD dedicada à obra de Koji Wakamatsu, um veterano realizador japonês inédito comercialmente em Portugal, a distribuidora Medeia estreou em sala os seus dois últimos filmes.

Pedro Miguel Fernandes - Série B - Capeia Arraiana«Exército Vermelho Unido», a par de «O Bom Soldado», foi um desses filmes. Os dois são filmes históricos, mas passados em períodos distintos. Neste caso «Exército Vermelho Unido decorre no final da década de 1960 e início da década seguinte. O filme relata um episódio pouco conhecido, penso eu, mas com alguns pontos de contacto com episódios semelhantes ocorridos na mesma altura noutras áreas do globo.
«Exército Vermelho Unido» começa por ser um documentário sobre as manifestações estudantis contra o aumento das propinas e os acordos entre o Governo do Japão e os EUA, que permitiam ao exército norte-americano utilizar bases em território nipónico. Estas, por sua vez, eram utilizadas para apoiar as tropas no Vietname. É neste barril de pólvora que começam a emergir facções mais radicais que defendem a violência e a revolução armada para levar ao comunismo.
Exército Vermelho UnidoKoji Wakamatsu faz um excelente retrato deste período atribulado da história do Japão recorrendo na primeira parte a imagens de arquivo, onde um narrador vai explicando o que se passou nas manifestações e apresenta as figuras chave do movimento. Numa segunda parte, já depois das manifestações, o realizador passa a ficcionar o que se passou quando estes jovens, na sua maioria com idades na casa dos 20 anos, partem para as montanhas. Nesta altura já as várias facções se tinham reunido numa só e estão nas montanhas para preparar a guerra generalizada. Só que como todas as utopias, as coisas acabam por não correr muito bem. E quando os líderes da revolução vêem que as suas ‘tropas’ não estão à altura começam a incentivá-las torturando os mais fracos. O episódio terminou na morte de alguns deles e num cerco feito pelas autoridades aos últimos quatro resistentes do grupo.
Apesar dos elementos mais documentais, este é um filme que pode bem ser visto como complemento de «O Complexo Baader Meinhof», do alemão Uli Edel, que estreou em 2008 (o filme de Koji Wakamatsu é de 2007) , pois retrata o mesmo período e os mesmos problemas, mas numa região diferente. E para quem não conhecia, não deixa de ser uma boa oportunidade para aprofundar um tema que marcou o século passado. O filme só peca por ser demasiado longo: mais de três horas. Mas compensa para quem gosta de um bom filme e de História.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

pedrompfernandes@sapo.pt

Se há desporto que está bem representado no cinema norte-americano é o boxe. São inúmeros os filmes que abordam o boxe e o que se passa em torno dos ringues.

Pedro Miguel Fernandes - Série B - Capeia ArraianaVolta e meia lá surge mais um e desta vez o culpado foi David O. Russell, que realizou «O Último Round», a história verídica de Micky Ward (Mark Wahlberg), um boxer proveniente da cidade operária de Lowell que tenta uma segunda oportunidade quando já ultrapassou os 30 anos. Mas se o filme se centra na história de Micky, é no que está a sua volta que se passa o melhor de «O Último Round», tal como acontece em muitos filmes de boxe.
A começar pela história do seu irmão Dicky Ecklund (Christian Bale), que tinha sido uma promessa do desporto e cujo ponto alto foi uma vitória contra a lenda Sugar Ray Leonard. Só que depois acabou por se tornar viciado em crack e é neste estado que o encontramos, com a HBO a fazer um documentário sobre os efeitos daquela droga. Ao mesmo tempo, e apesar deste estado pouco recomendável, Dicky é o treinador do irmão até que acaba por ser preso. Christian Bale tem aqui uma excelente interpretação, vindo provar que é um dos melhores actores da actualidade, que tanto consegue desempenhar um super-herói (Batman) como um criminoso viciado em crack, completamente lunático. Já para não falar de outros papéis de relevo que tem vindo a protagonizar.
O Último RoundÉ sobretudo no campo da interpretação e nos dilemas de Micky, que a certa altura tem de escolher entre a família, que sempre o ajudou, e um novo manager e um novo treinador, que «O Último Round» marca pontos. Aliás, as cenas de luta até nem são muitas quando comparadas com outros filmes do género. E talvez só o último combate do filme seja o que tem mais destaque. Mas se Christian Bale está muito bem, o mesmo não se pode dizer de Mark Wahlberg, que por vezes parece não estar à vontade no papel. Já nos secundários, quem está muito bem é Melissa Leo, que interpreta a mãe e gestora da carreira dos dois irmãos. Também neste caso pareceu-me que Amy Adams, que faz de namorada de Micky está um pouco deslocada. Por isso é de estranhar a sua nomeação aos Óscares.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

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O mundo do ballet nunca foi tão perturbador como no mais recente filme de Darren Aronofsky.

Pedro Miguel Fernandes - Série B - Capeia ArraianaProtagonizado por Natalie Portman, «Cisne Negro» é a história de uma bailarina que conquista o papel principal no célebre «Lago dos Cisnes»: a Rainha dos Cisnes. O filme começa praticamente quando Nina é escolhida para o papel e vai até à sublime actuação final.
Pelo meio vamos acompanhando a jovem bailarina, que vai sucumbindo aos poucos à pressão. A pressão da mãe controladora, do encenador que recorre ao imaginário sexual para a ajudar a libertar-se, da antiga bailarina estrela da companhia (uma Winona Ryder como há muito não se via) que se vê ultrapassada pela idade e de uma estranha colega que chega de fora para se tornar a grande rival de Nina.
Cisne NegroÉ sobretudo a relação entre as duas colegas que torna «Cisne Negro» tão perturbador, pois nunca chegamos a perceber se tudo o que se vai passando está mesmo a acontecer ou é fruto da imaginação de Nina.
Darren Aronofsky consegue filmar muito bem as cenas dos bailados e a diferença entre as duas protagonistas: uma sempre de branco (a angélica Nina) e outra sempre vestida de negro (a diabólica Lily). Mas o filme é todo de Natalie Portman, que consegue uma das suas interpretações mais assombrosas de sempre. A personagem de Nina, com as suas alucinações e as pressões de tudo o que a rodeia, vê-se à prova por diversas vezes o que acaba naquele final, muito semelhante ao que o realizador nos tem habituado.
Não há heróis nos filmes de Aronofski e Natalie Portman é bem capaz de estar a caminho de vencer a sua primeira estatueta dourada, apesar da concorrência de peso.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

pedrompfernandes@sapo.pt

Já me tinham alertado para a dureza deste filme, mas quem tem visto alguns filmes do cinema russo recente não ficará surpreendido. A verdade é que algumas obras desta cinematografia são duras de engolir.

Pedro Miguel Fernandes - Série B - Capeia ArraianaE «A Minha Alegria», apesar do título, não é excepção. Algo que é expresso logo a abrir, numa sequência aparentemente sem ligação ao resto do filme, em que alguém é enterrado em cimento.
A estreia na ficção de Sergei Loznitsa, realizador com obra feita na área do documentário, mostra o percurso de Georgy, um camionista que transporta uma mercadoria e por um acaso do destino (fica preso numa enorme fila de trânsito e lembra-se de dar boleia a uma prostituta menor) acaba por tomar um atalho por uma estrada secundária. Mal sabia que iria para uma viagem sem retorno.
A Minha AlegriaSe a princípio parece que estamos numa viagem apenas estranha, com tons surreais como a cena da bomba de gasolina em que respondem ao camionista por cartazes, quando Georgy chega à vila onde vive a rapariga as coisas mudam. A jovem não aceita a ajuda e o camionista começa a ser olhado de lado. Depois de abandonar esta localidade, Georgy acaba por se perder e um novo encontro, desta vez com um bando de ladrões, acaba por ser determinante para o resto do filme. O mal que é feito à personagem, que às tantas é aconselhada a não interferir (conselho que vem tarde, pois nessa altura já nada podia fazer), leva-a a um final brutalíssimo que nos deixa sem pinga de sangue.
Apesar de ser um filme de ficção, nota-se que Sergei Loznitsa levou alguma da sua experiência de documentarista para «A Minha Alegria». Nota-se muito na tal cena da vila, na forma como são filmados os figurantes e nota-se na forma como são contados alguns dos episódios secundários, sobretudo o primeiro, que se dá quando um estranho homem aparece no camião de Georgy. Mesmo assim não deixa de ser para já um dos melhores filmes estreados este ano.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

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Tod Browning sempre teve um certo gosto pelo bizarro e um dos seus filmes mais conhecidos é sem dúvida «Freaks», obra que relata a vingança de um grupo de criaturas de circo contra um casal de colegas perfeitos.

Pedro Miguel Fernandes - Série B - Capeia ArraianaRealizado em 1936, «A Boneca do Diabo» foi o penúltimo filme de Browning. Tal como muitos dos seus filmes anteriores remete para o mundo do fantástico e do horror. E uma vez mais para a vingança. No centro de «A Boneca do Diabo» está a história de um banqueiro inocente, condenado por fraude, numa burla engendrada pelos seus três antigos sócios. Vários anos depois de passar na prisão Paul Lavond (Lionel Barrymore) consegue escapar com a ajuda de um companheiro de cela, o cientista, de certa forma louco, Marcel (Henry B. Walthall). O destino da fuga é precisamente a casa deste cientista e aí Lavond trava conhecimento com umas experiências que a esposa de Marcel tinha continuado a fazer a mando do marido: uma fórmula para reduzir o tamanho dos seres vivos para um sexto do seu tamanho original. O propósito de Marcel era bom, reduzir o tamanho das pessoas iria reduzir as necessidades de cada um, e por isso não haveria o problema da falta de recursos.
A Boneca do DiaboMas esta técnica tinha um senão. Também o cérebro dos visados era reduzido, logo a pessoa ou animal que era reduzida não tinha autonomia. Esta autonomia só regressava através de ondas cerebrais de outra pessoa, que podia assim controlar os actos de quem era reduzido. Entretanto Marcel acaba por morrer e Lavond engendra um plano para utilizar as pequenas criaturas para avançar com a sua vingança. Ao mesmo tempo, e já na cidade, opta por se disfarçar de idosa para tentar reconquistar a sua filha, que pensava que o pai era um grande canalha.
«A Boneca do Diabo» é um clássico de terror dos anos 1930. Lionel Barrymore tem uma grande interpretação neste duplo papel, bastante convincente quando se transforma em Madame Mandelip, e os feitos especiais, mesmo que hoje em dia estejam completamente desactualizados, estão muito bem feitos. A forma como Browning conseguiu colocar os actores em miniatura nos cenários da gente grande produz o efeito desejado, com as proporções bem feitas. Uma prova de que o cinema quando é bem feito consegue sempre ser mágico. O filme só peca pela parte final, já depois de consumada a vingança, quando se torna um bocado lamechas. Parece mesmo que o final foi apressado. Mas isso não deixa de tirar o mérito à obra do realizador de «Freaks».
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

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O ano cinematográfico de 2011 começou mal. Duas mortes marcam os primeiros dias do ano: o actor Pete Postlethwaite e o realizador Peter Yates, ambos nascidos no Reino Unido.

Pedro Miguel Fernandes - Série B - Capeia ArraianaO primeiro a partir foi Pete Postlethwaite, actor nomeado para o Óscar de Melhor Actor Secundário em 1993 pelo seu papel no filme «Em Nome do Pai», de Jim Sheridan, logo na primeira semana de 2011. Tal como grande parte dos actores britânicos, Pete Postlethwaite veio do Teatro, onde chegou a fazer parte da Royal Shakespeare Company durante os anos 1980. A sua estreia na Sétima Arte dá-se em 1977 no filme «O Duelo», de Riddley Scott, mas apenas 11 anos mais tarde, em 1988 que vê reconhecido o seu talento, ao participar em «Vozes Distantes, Vidas Suspensas», de Terence Davies.
Foi nesse ano que deu o salto para Hollywood e começa a acumular papéis em filmes de realizadores bastante diversos, como «Hamlet», de Franco Zeffirelli, «Alien 3», de David Fincher, «O Último dos Moicanos», de Michael Mann, «Os Suspeitos do Costume», de Bryan Singer, «Romeu + Julieta», de Baz Luhrmann, ou «O Mundo Perdido: Jurassic Park» e «Amistad», de Steven Spielberg.
Pete PostlethwaiteAs suas últimas aparições de relevo foram ainda em 2010 nos filmes «A Cidade», de Ben Affleck, e «A Origem», de Christopher Nolan. Para 2011 está prevista a estreia de «Killing Bono», uma comédia de Nick Hamm que será a sua interpretação. Faleceu aos 64 anos, vítima de cancro.
Já esta semana partiu Peter Yates. Vítima de doença prolongada o cineasta morreu em Londres aos 81 anos deixando como legado pelo menos um grande filme que fica na memória dos cinéfilos: «Bullitt», o policial protagonizado por Steve McQueen que tem uma das melhores cenas, se não mesmo a melhor, de perseguição automóvel da História do Cinema. Além de «Bullitt», realizado em 1968 e que foi apenas a sua quarta obra, recebeu quatro nomeações para os Óscares, ambas para Melhor Filme e Melhor Realizador: em 1980 com «Os Quatro da Vida Airada» e em 1984 com «O Companheiro».
Peter YatesA carreira de Peter Yates começou no final dos anos 1950, princípio dos anos 1960, quando foi realizador assistente em vários filmes, entre os quais «Os Canhões de Navarone», de J. Lee Thompson. A sua estreia na realização dá-se em 1963 com «Mocidade em Férias», musical interpretado por Cliff Richard. Até se tornar realizador de cinema a tempo inteiro, em 1967, Peter Yates realiza ainda episódios das séries de televisão «Danger Man» e «O Santo».
Em 1968 dá o segue para os EUA para filmar o já referido «Bullitt». A partir daí dirige nomes como Mia Farrow e Dustin Hoffman, Peter O’Toole, Robert Mitchum, Raquel Welch e Jacqueline Bisset, entre outros. Teve uma carreira de 28 títulos nas várias décadas, até 1999 quando filma «Curtain Call». Na primeira década deste século realiza apenas dois telefilmes: «Don Quixote» e «A Separate Peace».
Duas mortes que deixam o cinema mais pobre.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

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Pedro Miguel Fernandes - Série B - Capeia ArraianaNo final do ano é tempo de fazer um balanço dos últimos meses. Estes foram, para mim, os 20 melhores filmes estreados em sala durante 2010. A única excepção é «Um Profeta», filme que estreou no último dia de 2009.

1 – Líbano, de Samuel Maoz
2 – Cópia Certificada, de Abbas Kiarostami
3 – O Escritor Fantasma, de Roman Polanski
4 – Um Lugar Para Viver, de Sam Mendes
5 – Mistérios de Lisboa, de Raúl Ruiz
6 – Tudo Pode Dar Certo, de Woody Allen
7 – Parnassus – O Homem Que Queria Enganar o Diabo, de Terry Gilliam
8 – O Laço Branco, de Michael Haneke
9 – Lola, de Brillante Mendoza
10 – Um Profeta, de Jacques Audiard
11 – Louise-Michel, de Gustave de Kervern e Benoît Delépine
12 – Nas Nuvens, de Jason Reitman
13 – A Rede Social, de David Fincher
14 – Inside Job – A Verdade da Crise, de Charles Ferguson
15 – Scott Pilgrim Contra o Mundo, de Edgar Wright
16 – O Mágico, de Sylvain Chomet
17 – Mother – Uma Força Única, de Joon-ho Bong
18 – Tony Manero, de Pablo Larraín
19 – Wendy & Lucy, de Kelly Reichardt
20 – O Segredo dos Seus Olhos, de Juan José Campanella

Aproveito também para desejar a todos os leitores do Capeia Arraiana um Feliz Ano Novo.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

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«West Side Story» é ainda hoje um dos musicais com mais Óscares no currículo. Nada mais, nada menos do que 10.

Pedro Miguel Fernandes - Série B - Capeia ArraianaAdaptado pela dupla Robert Wise e Jerome Robbins a partir de um musical homónimo da Broadway, esta é a história de amor entre dois jovens pertencentes a meios diferentes, neste caso ligados a dois gangues rivais de Nova Iorque. De um lado temos os Sharks, oriundos da comunidade porto-riquenha, do outro os Jets, filhos dos imigrantes europeus que vêem os EUA como o seu território.
É no meio deste barril de pólvora que nasce o amor entre Tony (Richard Beymer) e Maria (Natalie Wood). O primeiro é o melhor amigo de Riff (Russ Tamblyn), o líder dos Jets, e a segunda a irmã de Bernardo, o líder dos Sharks (George Chakiris). Mas West Side Story vai muito para além de uma simples história de amor, tão ao gosto dos amantes de um bom romance. Mostra-nos também, através dos dois grupos rivais, a história dos conflitos que sempre fizeram parte de Nova Iorque. Mais tarde Martin Scorcese filmou esta realidade, mas num período histórico muito anterior, em «Gangues de Nova Iorque». Não é à toa que num dos conflitos entre os dois grupos, Bernardo chama nativos aos Jets, expressão que define um dos grupos no filme de Scorcese citado.
West Side StoryAs sequências musicais são bastante boas, muitas ainda hoje são conhecidas e fazem parte de qualquer boa antologia do género, e algumas conseguem mesmo aprofundar os temas que à partida dificilmente pensaríamos encontrar num musical, género conotado com o amor e romance. A tal rivalidade é apenas uma delas. Mas por exemplo numa das cenas mais famosas, com a música «America», encontramos um excelente retrato do sonho americano visto pelos olhos de quem o procura: as mulheres vêem os EUA como a terra das oportunidades, enquanto que os homens a vêem como uma terra de oportunidades. Mas no fundo ninguém quer deixar o país.
Apesar de ter já quase 50 anos, «West Side Story» é um filme que nos apresenta uma Nova Iorque que ainda permanece no ideal de quem sonha com a cidade que nunca dorme. É um bocado datado, é certo, mas aquela a Manhattan onde decorre a acção ainda hoje é possível encontrar em muitos filmes passados em Nova Iorque. E curiosamente, apesar do sucesso que teve na altura da estreia, é um filme que tem um final triste (ou menos feliz), o que acaba por ser de certa forma surpreendente se pensarmos que muitos realizadores são obrigados a filmar um final feliz para agradar às plateias.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

pedrompfernandes@sapo.pt

Vindo de Espanha, «Cela 211» é um filme sobre prisões que aborda muito mais do que a simples vida atrás das grades.

Pedro Miguel Fernandes - Série B - Capeia ArraianaNa sua quarta longa-metragem como realizador Daniel Monzón leva-nos a uma prisão onde está prestes a iniciar um motim liderado por Malamadre, um grande vilão, que ficará como um dos grandes personagens do ano, interpretado por Luis Tosar. Ao mesmo tempo a narrativa apanha pelo meio Juan Oliver (o estreante Alberto Ammann), um novo guarda prisional que resolve visitar o seu posto de trabalho na véspera de entrar ao serviço e acaba por ficar do lado errado da prisão.
O que vamos assistindo é a infiltração de Juan Oliver no meio dos presos, onde se faz passar por um deles para não sofrer as consequências de ser uma presa fácil, e a sua evolução que resulta do desespero das notícias que lhe vão chegando do lado de fora. E o que inicialmente parecia ser um jovem tímido ansioso por conhecer os cantos à casa começa a tornar-se outra pessoa, mais vingativa, fruto do meio onde está inserido que o leva a praticar acções necessárias para a sua sobrevivência.
Cela 211Mas além desta evolução, «Cela 211» foca também muitas questões relacionadas com a vida nas prisões e os problemas neste tipo de sítios, que são apontados na lista de pedidos dos amotinados. O filme aborda ainda a forma como os prisioneiros bascos são vistos no meio prisional espanhol: tanto os presos como as autoridades os desprezam, devido às suas ligações ao terrorismo da ETA, (o sentimento é igual na outra parte) mas os três bascos acabam por ser fundamentais para as negociações em curso.
«Cela 211» é um filme forte (a cena inicial de um prisioneiro a cortar os pulsos diz-nos logo ao que vamos) que apesar de ser passado numa prisão acaba por não cair nos clichés do género. A prisão onde decorre maior parte da acção não é um espaço claustrofóbico, pelo menos isso não se sente, e Daniel Monzón conseguiu filmar bem a história, mesmo nas cenas mais movimentadas, onde tudo parece estar no sítio certo.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

pedrompfernandes@sapo.pt

Errol Flynn tornou-se popular a protagonizar heróis em filmes de aventuras. Robin Hood é apenas um dos exemplos. Não é isso que acontece em «Sangue e Prata» um western de Raoul Walsh.

Pedro Miguel Fernandes - Série B - Capeia ArraianaRealizado em 1948 Errol Flynn interpreta Mike McComb, um capitão do exército federal que é afastado da carreira militar depois de optar por queimar um milhão de dólares que iriam parar às mãos do inimigo sulista. Este episódio leva-o a procurar outras paragens, já com uma personalidade mais obscura, e é em Silver City que resolve assentar arraiais com o objectivo de criar um casino.
Mas antes de chegar à pequena localidade, que depende fortemente das minas de prata, cruza-se com Georgia Moore (Ann Sheridan) a mulher do dono de uma das minas por quem acaba por se apaixonar. Esta paixão e as suas jogadas para conquistar tudo e todos (não só Georgia, mas também os terrenos que lhe darão cada vez mais dinheiro) acabam por nos mostrar uma personagem sem escrúpulos, a completa antítese do Errol Flynn mais popular. Foi por isso que o filme acabou por não ter grandes resultados na bilheteira, pois o público não estava habituado e não queria ver Flynn a fazer de vilão.
Além de ser um filme sobre a ambição e a busca de poder e com um vincado sentido político, «Sangue e Prata» remete também para uma história bíblica. O caso entre McComb e Georgia é uma variante da história do Rei David, que envia um general para a frente de batalha para ficar com a sua mulher. Esta é explicada por uma personagem secundária bastante importante para a história, o advogado John Plato Beck (uma excelente interpretação de Thomas Mitchell), que não deixa de atirá-la à cara de McComb sempre que pode.
Errol FlynnMcComb acaba por se redimir no final do filme quando lidera a multidão de mineiros que vai expulsar os assassinos de John Plato Beck, que entretanto se tinha candidatado a senador. Esta é uma das cenas mais bem conseguidas do filme, com a enorme turba a entrar em Silver City por todos os lados, não deixando nenhuma abertura. Uma vez mais Raoul Walsh mostra aqui como consegue filmar de forma magistral multidões.
A banda sonora de Max Steiner também está muito boa, tanto nesta cena final referida anteriormente, como nas primeiras cenas do filme, quando são retratadas algumas batalhas da Guerra Civil americana ou mesmo na perseguição inicial que dá origem ao tal episódio da expulsão de McComb do exército.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

pedrompfernandes@sapo.pt

«Lobos» é o nome do filme cuja estreia em televisão aconteceu na passada sexta-feira, 26 de Novembro, na RTP-1.

Rádio CariaO filme foi produzido na sua maioria, na nossa região, com filmagens que tiveram lugar em Caria, Belmonte e Guarda. Contou com a participação de várias entidades e personalidades do concelho de Belmonte e a Rádio Caria foi convidada a participar numa das cenas deste filme, com uma noticia de última hora que interrompia a emissão para dar a informação de que se encontrava no terreno uma acção policial de busca do furagido, de nome Joaquim, num papel representado pelo actor Nuno Melo. Em plena viagem, os actores principais, que na altura ouviam a rádio do concelho de Belmonte, ficavam a saber desta operação policial.
Este o momento em que a Rádio Caria participa no filme «Lobos», dando a notícia da fuga de um casal, tio e sobrinha menor, que viriam a ter um caso e todo o filme que se desenrola em torno desta fuga, depois da morte acidental do casal na localidade de Ansiães da Serra. No papel principal, Nuno Melo, figura conhecida das telenovelas e cinema nacional, passou cerca de uma semana em filmagens na nossa região.
Fernando Centeio, o produtor do filme na altura das gravações entrevistado pela Rádio Caria, dava conta de alguns pormenores do filme, que inicialmente teria o nome de «A Monte», «uma vez que o casal se encontrava a monte pela região, pedindo ajuda para que pudesse atravessar a fronteira», sublinhou.
A estreia do filme «Lobos» aconteceu na passada sexta-feira, 26 de Novembro, na RTP-1. Foi filmado quase na sua totalidade na nossa região, contou com a participação de gente conhecida do concelho de Belmonte e numa das cenas principais contou com uma das vozes da informação da Rádio Caria.
Sérgio Paulo Gomes

Se «Inside Job», ao analisar um tema como a crise financeira que vivemos, é um filme bastante actual, «A Rede Social» também o é. Não necessariamente por focar um tema específico mas um fenómeno dos dias de hoje que literalmente liga toda a gente: o Facebook.

Pedro Miguel Fernandes - Série B - Capeia ArraianaMas além de ser um filme sobre a rede social onde toda a gente está, contada através dos dois processos que foram impostos a Mark Zuckerberg, o criador do site, pelo seu ex-melhor amigo e por três colegas de universidade que alegam que o site foi ideia deles, esta é também a história do seu criador.
Sem recorrer a actores conhecidos, o nome mais sonante no elenco talvez seja o cantor Justin Timberlake, «A Rede Social» é um filme que se vê bem, mas deixará os adeptos de David Fincher algo desiludidos. Não há nenhuma interpretação que marque, nem mesmo a de Jesse Eisenberg como Mark Zuckerberg. E este papel tinha tudo para ser bom, pois a personagem até é complexa. Não se trata de alguém normal que cria um site assim do dia para o outro. A personagem de Mark Zuckerberg (nunca saberemos se é como o filme o retrata, pois este é baseado numa biografia não autorizada do criador do Facebook) vista por David Fincher e Aaron Sorkin, o argumentista, é um génio bastante fechado, com problemas em relacionar-se com os outros que o levam a fazer as coisas à sua maneira e sem se preocupar com o que acontece à sua volta.
Rede SocialO excelente final, que acaba um pouco como tudo começou, é disso exemplo. Mesmo depois de ter feito o que fez à ex-namorada logo no início do filme, e que no fundo foi a génese do Facebook, uma espécie de vingança contra as raparigas que não lhe ligavam nenhuma e contra os grupos de Harvard que não lhe abriam as portas, Mark Zuckerberg acaba por enviar-lhe um pedido de amizade. No fundo Mark só queria estar no centro das atenções. E consegue-o, pelas melhores ou pelas piores razões. A música «Baby You’re a Rich Man», dos Beatles, é a cereja no topo do bolo no final de «A Rede Social».
E já que falamos em música, não posso deixar de referir a excelente banda sonora do filme, que esteve a cargo de Trent Reznor e Atticus Ross que se adequa perfeitamente ao ritmo e à montagem do filme, sem qualquer falha. Nota-se a presença do homem forte dos Nine Inch Nails a criar um ambiente que assenta como uma luva ao que se vai passando.

«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes
pedrompfernandes@sapo.pt

Se não soubesse que estava a ver um documentário quando entrei na sessão de «Inside Job – A Verdade da Crise», durante o visionamento comecei a pensar se não seria antes um filme de terror ou algo mais surrealista.

Pedro Miguel Fernandes - Série B - Capeia ArraianaDepois de se estrear com um documentário sobre a guerra no Iraque no segundo documentário o realizador norte-americano Charles Ferguson volta a abordar uma questão dos tempos actuais: a crise dos mercados que rebentou em 2008 e que ainda hoje não se sabe bem qual a sua dimensão ou o que pode ainda acontecer. Basta pensarmos no que se está a passar todos os dias com Portugal e outros países europeus que os mercados apelidam, curiosamente, de PIGS (Portugal, Itália, Grécia e Espanha).
Sem recorrer à ironia guerrilheira de Michael Moore, que também assinou no ano passado uma história de amor ao capitalismo onde foca este tema, Charles Ferguson consegue explicar como é que os mercados chegaram ao ponto em que chegaram, devido à falta de regulamentação, que permitiu criar formas de as instituições financeiras lucrarem com produtos que sabiam que iam prejudicar as pessoas que lhes confiavam as suas poupanças. E o mais chocante é que a maioria dos envolvidos saiu impune e conseguiu ganhar milhões com os esquemas. Os exemplos são muitos e para piorar alguns continuam a ocupar cargos de responsabilidade em áreas que não deveriam.
Inside JobUm dos grandes trunfos deste «Inside Job – A Verdade da Crise» é que conseguiu entrevistar alguns dos envolvidos e pessoas que apresentaram sinais a quem de direito para o que aí vinha, mas ao que tudo indica ninguém tinha interesse em ouvi-los. Mas compreende-se porque foram poucos os responsáveis que aceitaram falar, pois os que aparecem por vezes não sabiam o que responder ou afastavam-se da questão. Houve até um que às tantas diz ao realizador que o seu tempo está a terminar.
«Inside Job – A Verdade da Crise» foi feito como um alerta para explicar como é que tudo isto aconteceu e é um bom filme para que as pessoas conheçam melhor uma questão tão complexa. Nota-se uma certa tendência do realizador para apontar o dedo aos ‘maus’, se assim se pode dizer, mas Charles Ferguson não deixa de referir que pouco mudou com a chegada de Obama à Casa Branca, pois na sua equipa económica continuam pessoas que estiveram ligadas a instituições envolvidas nos problemas. Nem os republicanos nem os democratas escapam.
Mesmo quem não percebe muito de mercados financeiros, como é o meu caso, consegue ficar com uma pequena ideia sobre o que se passou. Ficam várias questões no ar, sobretudo como é que todos os envolvidos escaparam impunes e praticamente voltaram ao ponto de partida. Se calhar quando surgir a próxima crise vamos estar aqui a analisar um outro documentário.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

pedrompfernandes@sapo.pt

JOAQUIM SAPINHO

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