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Soube da ausência (não da morte porque os poetas não morrem) de Manuel António Pina, na tarde de dezanove de Outubro. Foi um dia de Outono triste e cinzento. O céu chorava pequenas lágrimas de chuva nos breves instantes em que o dia se abraçava à noite.

Fernando Capelo - «Terras do Jarmelo»Fiquei incrédulo com a notícia perante a ameaça de uma ausência que me fez fixar a imagem do poeta antes de buscar, no meu íntimo, o esforço suficiente para me convencer. Levantei, depois, o olhar ao céu, um céu frio e angustiado retalhado de nuvens de algodão sujo que, com a chegada da noite, se fazia mais escuro. Dir-se-ia que o luto se queria impor embrulhado na cor da noite. Vi, então, uma imensidão de sombras. Juraria que muitas delas eram sombras de livros que se espalhavam dispersos, desordenados entre as nuvens, como se tivessem caído de uma gigantesca estante. A poesia andava à solta no céu cinzento e o poeta teria partido em busca dela.
Não sei da razão pela qual preferi afastar-me desse momento para só agora tecer este comentário.
Não tive a sorte de conhecer pessoalmente Manuel António Pina embora a sua condição de sabugalense e de beirão/raiano provoque em mim sentimentos amalgamados e misticismos que se situam algures, lá entre o orgulho e o regozijo.
Leio e releio, com a frequência possível, Manuel António Pina. Li-o algumas vezes sofregamente. E sei, sim, que foi dramaturgo, cronista, jornalista e muito mais mas permitam-me que, para mim, ele seja sobretudo poeta, um poeta que desenhou casas com poesia e que me explicou que um livro nos fala com a nossa voz.
Nunca privei com ele, portanto, mas parece-me, neste momento em que escrevo, que o conheci muito bem. Sinto-me como se tivesse por ele (e tenho) uma imensa amizade.
Claro que não sei nem nunca soube explicar a amizade. Não a explico mas entendo-a e sei, absolutamente, o que ela é e quando existe.
O que seria do nosso mundo, tão adensado de estorvos, se não existisse a amizade e se o coração pudesse ser, tão só, um logro? O que seria de nós se a beleza pudesse ser, apenas, ilusão? Ora, a poesia de Manuel António Pina era, é e será eternamente bela. Eis, portanto, a razão pela qual o poeta não morreu nem morrerá. Apenas se ausentou.
Poderemos sempre sentir nos dedos o prazer de tatear as páginas dos seus livros. Poderemos sempre consultá-los antes e quando pretendermos interpretar mistérios. A sua poesia continuará a iluminar as nossas vidas. As suas palavras serão sempre armas com as quais lutaremos contra os escuros das nossas existências e serão, também, a promessa de um final valido nos nossos percursos.
Após a sua ausência, ainda que a noite caia, ainda que o escuro nos envolva e mesmo que o desânimo nos aflore significativamente a poesia de António Pina sempre nos alentará porque ela é e será inseparável das nossas vidas.
Escureceu, então, nesse final de tarde chorosa e outonal mas, apesar de indesejável, a notícia não foi definitiva. Nunca diremos adeus a Manuel António Pina. Será sempre um até à próxima leitura.
«Terras do Jarmelo», crónica de Fernando Capelo

O livro «Como se desenha uma casa», de Manuel António Pina, venceu a oitava edição do prémio de poesia Teixeira de Pascoaes.

O prémio literário foi criado pela Câmara Municipal de Amarante e a sua atribuição ao último livro de Manuel António Pina resultou de uma escolha entre 166 livros apresentados a concurso, de 159 autores.
A entrega do prémio, a título póstumo, está marcada para 15 de Dezembro, no auditório da Biblioteca Municipal Albano Sardoeira, em Amarante.
Manuel António Pina, poeta, escritor, jornalista, Prémio Camões em 2011, natural do Sabugal, faleceu no Porto a 19 de Outubro deste ano, com 68 anos.
O prémio Teixeira de Pascoaes, de periodicidade bienal, foi instituído em 1997, aquando da passagem dos 120 anos do nascimento do poeta de Amarante.
plb

A Direcção e o Conselho de Administração da Sociedade Portuguesa da Autores (SPA) decidiram atribuir, a título póstumo, a Medalha de Honra da cooperativa ao poeta, jornalista, cronista e dramaturgo sabugalense Manuel António Pina, recentemente falecido.

Manuel António Pina era beneficiário da SPA desde 1978 e seu cooperador desde 1985. Na nota inserta no seu sítio da Internet, a SPA destacou a importância da obra literária multidisciplinar e de invulgar qualidade do escritor e jornalista.
Manuel António Pina faleceu no dia 19 de Outubro, no Hospital de Santo António, no Porto, a um escasso mês de completar 69 anos, vitimado por um cancro.
O Prémio Camões, atribuído no ano passado, foi o maior galardão que o autor sabugalense recebeu, mas as manifestações e os prémios de reconhecimento sucederam-se a um título vertiginoso, dando mérito à sua obra literária.
Na sequência da sua morte o Presidente da República, Cavaco Silva, lamentou a perda de um autor que «ficará para sempre na memória dos leitores como um dos grandes poetas da sua geração».
plb

A Câmara do Sabugal vai requalificar a Praça da República, arrancando os cotos das árvores que cortou em redor do chafariz, plantando de seguida, ao que parece, uns medronheiros.

João Valente - Arroz com Todos - Capeia ArraianaAssim como assim, a República já anda de «penas para o ar»…
O crime de cortar as árvores, já não pode a Câmara repará-lo. Como dizia o Manuel António Pina, no prefácio de um livro sobre o mundo das árvores, elas «são seres silenciosos que, a nosso lado, partilha quotidianamente a mesma única vida, a sua e a nossa vida. Mas damos por elas, as árvores, tão comum e familiar é a sua antiquíssima presença perto de nós, e tão anónima. A maior parte das vezes pouco mais somos capazes de dizer do que “árvores”, porque também as nossas palavras se foram, pouco a pouco, tornando silenciosas. E, no entanto, cada árvore, como cada um de nós, é um ser absoluto e irrepetível, idêntico e apenas mutuamente a si mesmo, uma vida única com uma história única, um passado para sempre atado, de forma única, ao nosso próprio passado».
Mas pode muito bem, se quiser emendar a mão, minimizando o estrago, da forma como passo a explicar:
Manuel António Pina teve uma ligação afectiva com aquele largo, aquelas árvores e aquele chafariz que se situa bem defronte da casa onde nasceu, como podem testemunhar algumas pessoas que com ele privaram na intimidade e ouviram histórias das suas brincadeiras naquele largo.
Numa recente entrevista o Manuel A. Pina manifestou a sua gratidão por ter sido lembrado e agraciado pela câmara da sua terra natal, terra essa a quem o ligava um profundo afecto, testemunhado nessa mesma entrevista.
Na TSF, por ocasião da morte do poeta, Francisco José Viegas, Secretário de Estado da Cultura e amigo do poeta, que sabia da paixão daquele por gatos e árvores, sugeriu que em nome do poeta maior, que desapareceu, devia ser plantada uma árvore.
A árvore que mais associada está ao poeta, por estar no seu quintal, é a macieira, conforme refere o poeta num poema do seu livro «Como se desenha uma casa»:
Anoiteceu, apagamos a luz e, depois,
como uma foto que se guarda na carteira,
iluminam-se no quintal as flores da macieira
e, no papel de parede, agitam-se as recordações.

Porque não dá a câmara ao Largo o nome do poeta e planta em redor da fonte umas macieiras?
É coisa simples de fazer, homenageava-se um homem bom e excelente poeta da terra, e ouro sobre azul, apagava-se a burrice feita!

«Arroz com Todos», opinião de João Valente
joaovalenteadvogado@gmail.com

Em homenagem ao escritor sabugalense Manuel António Pina, falecido esta sexta-feira, 19 de Outubro, transcrevemos, com a devida vénia, um excerto da entrevista que em 2009 Pedro Dias de Almeida, editor de cultura da revista Visão fez ao escritor sabugalense, dias antes do mesmo se deslocar ao Sabugal, onde foi homenageado pela Junta de Freguesia, descerrando uma placa na casa onde nasceu. A entrevista seria depois publicada na revista cultural Praça Velha, editada pela Câmara Municipal da Guarda.

«- Há vários temas recorrentes no teu discurso poético. Um deles é a infância. E, às vezes, associada à infância aquela ideia do regresso…
– A casa. É engraçado, e agora vou lá ao Sabugal, à primeira casa de todas…
E perguntava-te se quando falas nisso há uma casa concreta na tua cabeça, uma casa a que sempre voltas…
– Lá do Sabugal pediram-me um verso para pôr lá na placa, na casa. Encontrei vários versos que falam nisso mas nenhum que servisse para pôr lá, eram todos muito grandes. Em alternativa propus-me ler alguns poemas que falam da casa, do regresso a casa. Mas… Não há nenhuma casa concreta, de facto. A casa é a origem, é a morte. Tenho um livrinho pequenino que se chama Um Sítio Onde Pousar a Cabeça, e a casa é também isso, o sítio onde pousar a cabeça. Isso em termos mais gerais. Agora, em termos mais particulares: eu tive uma vida… saí de lá do Sabugal, descobriram agora, com seis anos… eu não me lembro. O meu pai tinha uma profissão – era chefe de finanças, que acumulava com juíz das execuções fiscais – que estava abrangida pela lei do sexanato, só podia estar seis anos em cada terra. A ideia era mesmo não deixar criar raízes, amigos, influências, essas coisas. Como na altura não havia escolas e liceus em todo o lado, o meu pai começava a pensar mudar logo ao fim de três ou quatro anos para sítios onde houvesse ensino para mim e para o meu irmão… No sítio onde gostou mais de estar, que foi na Sertã, a situação arrastou-se, arrastou-se, e ao fim de seis anos foi mandado para os Açores, para Santa Cruz da Graciosa, mas como eu sofria dos pulmões conseguiu mudar… Para mim, tudo isto teve uma consequência: era uma situação quase de Sísifo, estava sempre a fazer amigos e a desfazê-los, e a fazê-los de novo com a consciência que eram para ser desfeitos, a estabelecer relações sabendo que iam acabar ao fim de três ou quatro anos. Os amigos mais antigos que eu tenho são aqui do Porto, de quando cheguei, aos 17 anos. E aqui, como havia vários bairros fiscais, o meu pai ia mudando de bairro.
Mas quando falas de casa nos teus poemas da infância, nunca é essa casa do Sabugal? Não tens nenhuma recordação dela?
– Tenho… Mas agora confundo porque já lá voltei uma vez. A senhora que comprou a casa dos meus pais convidou-me uma vez a entrar. Tinha umas memórias assim muito obscuras. Ainda tenho uma espécie de melancolia por andar sempre assim a mudar de casa… Mas tenho memórias, claro. Lembro-me de alguns nomes de miúdos, mas não tenho amigos da escola primária. Fiz a primeira classe em Castelo Branco, a 2ª, 3ª e 4ª na Sertã, o 1 º ano de Liceu em Cernache do Bom Jardim, depois Santarém, o 3º outra vez em Cernache, o 4º em Oliveira do Bairro, o 5º e 6º em Aveiro, e o 7º é que já fiz aqui no Porto. Eu detesto viajar. Uma vez estava em Bordéus, fizeram-me uma entrevista e a jornalista disse-me “se calhar não gosta de viajar por ter andado tanto de terra em terra”, e eu tomei consciência disso, que se calhar é verdade… O melhor das viagens, para mim, é o regresso. Quando chego ao Porto, quando sei que atravessei a fronteira… Digo num poema meu: “O ideal é não nos afastarmos da casa mais do que nos permite metade das nossas forças”, que é para regressarmos. E falo também de “ver sempre ao longe a cor do nosso telhado”. O meu percurso biográfico sublinhou essa melancolia em relação às origens, à casa… Esta homenagem no Sabugal até me permite o reencontro com uma casa concreta, com raízes concretas… Na verdade, nunca tive raízes em parte nenhuma.
Mas nasceste ali, naquela casa.
– Nasci ali, sim, naquela casa. E a minha memória mais antiga que tenho é do Sabugal. Tenho duas memórias muito antigas. Uma é muito vaga… Estas memórias não sabemos se fomos nós que as construímos, ou… Como aquela frase do William James: “A memória é uma narrativa que nós vamos construir com aquilo que desejamos e com aquilo que tememos”…
E tu escreveste: “Por onde vens passado, pelo vivido ou pelo sonhado?”…
– Pois é. Anda tudo muito misturado. Não sei se foi a minha mãe que me contou… Como diz também o William James, nós não nos lembramos do passado, lembramo-nos da última vez que nos lembrámos. E quem se lembra de um conto, aumenta um ponto, ou diminui um ponto. Vamos construindo sempre uma narrativa… Mas esta eu sei que me lembro mesmo. A memória mais antiga que eu tenho é numa fonte de mergulho, eu devia ter uns três ou quatro anos – e ainda lá está essa fonte, eu já contei isto à senhora que está agora lá na casa, a Natália Bispo. Para mim essa fonte era muito grande, mas agora já verifiquei que é pequenina. Numa fonte de mergunho a água não corre, as pessoas apanhavam a água mergulhando um balde. Nesta minha memória estou com um chapéu de palha e há um miúdo qualquer que pega no meu chapéu de palha, atira-o à água, e vai-se embora. E eu não fui apanhar o chapéu, por orgulho, porque achava que era uma injustiça, ele é que devia ir… Ele não foi, e eu também não fui. Cheguei a casa sem o chapéu de palha e, deve ter sido muito traumatizante para ainda me lembrar, cheio de medo de ser castigado… E estava lá a minha mãe, com a melhor amiga dela, a Ti Céu. Lembro-me da minha mãe me ralhar e me dizer para ir lá buscar o chapéu, e eu dizer ‘não vou, não vou, não vou’, e a minha Ti Céu (que não era mesmo minha tia) é que acabou por ir lá buscar o chapéu. E deu-mo, molhado e tudo. Estava cheio de medo, mas não fui castigado. E tenho uma memória mais antiga, de que julgo que me lembro vagamente: estou sentado numa daquelas cadeiras altas, preso, porque era uma daquelas cadeiras para dar comida às crianças, e a casa está a arder. Isso aconteceu de facto. Tenho uma memória disso, foi aflitivo, pelos vistos. Não me lembro da casa a arder, na minha memória é fumo. E eu, ou esse de quem eu me lembro, está muito aflito, porque está amarrado, não consegue sair da cadeira… A minha mãe estava a dar-me de comer e, ao mesmo tempo estava a aquecer água num daqueles fogareiros a petróleo para dar banho ao meu irmão, 15 meses mais novo do que eu. O meu irmão começou a tentar dar à bomba do tal fogareiro e a água a ferver caiu para cima dele. Ele gritou e a minha mãe foi a correr para a cozinha, pensou que ele ia ficar cego. Pegou nele e desceu as escadas a correr, não sei para onde, para o hospital, para um médico qualquer… O fogareiro caiu e incendiou a casa, a cozinha começou a arder. Estes pormenores contou-me a minha mãe, depois. Eu estava lá sozinho, preso, e foi uma vizinha que viu a minha mãe a sair aos gritos de casa, e viu depois o fumo, que foi lá buscar-me. Só me lembro da parte do fumo e de ficar sozinho e cheio de medo, com a minha mãe a sair de casa aos gritos… As memórias que tenho dessa casa são essas. Depois tenho umas memórias obscuras de escadas, talvez por isso é que falo tanto de escadas, de corredores…
Um portão velho…
– O portão velho de que falo mistura-se com outras casas, com a de Oliveira do Bairro, provavelmente… Havia o tal portão em ruínas, nas traseiras, por onde eu saía para ir apanhar o comboio para Aveiro, tinha uma ameixieira, e o tal portão velho de madeira… Mas misturam-se umas casas com as outras, a verdade é essa.
O teu lugar da infância são lugares, vários lugares, não o associas ao Sabugal…
– São lugares, sim. Essa coisa do regresso a casa é tão importante para mim, que um dos meus pesadelos infantis era eu ir para a escola – nessa casa da Sertã, em que eu tinha que atravessar a rua para ir para a escola – e a certa altura começava a passar um comboio na rua que não me deixava voltar para casa… Esse comboio era um comboio eterno, sempre a passar, a passar, a passar; eu estava do lado de cá e havia esse comboio entre mim e a casa… Por isto tudo é que a casa aparece muito nos meus poemas. Casa. Mãe. Muito associada à infância, sim…
Também falaste logo de morte, há pouco, a propósito da casa…
– Tem que ver, tem que ver… A morte também é uma mãe, é maternal, é um sossego. Sai-se do ventre da mãe e entra-se no ventre da terra, não é? Tem essa coisa de acolhimento, de serenidade, de tranquilidade. De regresso. É uma coisa engraçada: desde miúdo sempre tive uma noção circular de tudo. Concebia o mundo sempre numa estrutura circular. Havia uma frase engraçada que a minha mãe me dizia, e sei onde foi, foi em Castelo Branco, tinha eu 6 ou 7 anos, ou menos… Lembro-me de querer ir para a rua e a minha mãe não me deixar… [Pausa] Acho que eles estão enganados, eu devo ter saído do Sabugal com 4 anos, não foi com 6, porque ainda não dizia ‘érre’ dizia ‘éle’… Vivíamos nessa altura na casa do Bairro do Cansado e antes tinhamos vivido no bairro do quartel. Os meus pais viviam com bastantes dificuldades económicas, até arrendavam quartos, na primeira casa esteve lá um sargento, do quartel em frente. Tenho duas memórias dessa casa, também… E acho que é a primeira vez que estou a contar isso a alguém, normalmente ocorrem-me quando estou sozinho. Uma: um dia o sargento trouxe-me um pássaro que ele achou; eu andava excitadíssimo com o pássaro mas ele fugiu, deixei fugir o pássaro e fiz uma gritaria, queria o pássaro… Ali fiquei à janela com uma grande raiva ao pássaro por me ter abandonado. E lembro-me da frase do sargento: ‘Não te preocupes, logo te trago outro’ e de eu responder ‘não quero outro, quero aquele! Vamos lá buscá-lo de avião!’. Queria ir apanhá-lo de avião… Essa é uma. A outra memória tem a ver com a tal noção circular do universo. Lembro-me de a minha mãe não me deixar ir para a rua, para a ‘lua’, como eu dizia, e de eu dizer assim: “Ai, não deixas? Vais ver que quando tu fores filha e eu for mãe, também não te vou deixar!” A vida circular, lá está. Afinal ainda tenho outra memória, traumatizante… Os meus pais viviam com muitas dificuldades económicas, num andar, e um dia fui a casa da vizinha de cima e vi uma nota de 20 escudos, que em 1947 ou 1948 era muito dinheiro, em cima da mesinha de cabeceira. E roubei-os. Nunca falei disto, também…
Então é uma grande confissão, agora…
– Não faz mal, já prescreveu… [risos]. Roubei-os para os dar aos meus pais, porque estava sempre a vê-los a discutirem por causa das despesas, porque não havia dinheiro… Aquilo afligia-me muito. Peguei nos 20 escudos e levei-os à minha mãe. Ela perguntou-me onde é que eu os tinha arranjado, e eu lá acabei por contar… E ela então obrigou-me a ir pôr o dinheiro outra vez lá em cima. Eu, claro, não queria ir, com medo de ser apanhado, encontrar a vizinha. Castigaram-me, e eu já estava a chorar desesperado, quando a minha mãe me disse “vai lá descansado que eu tenho a certeza que ela não está, nunca saberá”. Lá fui pôr o dinheiro no sítio onde estava e voltei para casa a correr. Soube depois que ela disse à vizinha para sair dali, para se esconder, para ir lá eu e aprender a lição. São estas as minhas primeiras memórias. As coisas mais traumatizantes que tive…
(…)»

A Câmara Municipal da Guarda aprovou na reunião desta segunda-feira, dia 22 de Outubro, um voto de pesar pela morte do escritor sabugalense Manuel António Pina.
O texto aprovado considera o poeta «um dos nomes maiores da Poesia e da Cultura em Portugal» e «grande intérprete da realidade social e interventor crítico e lúcido».
«Manuel António Pina deixou-nos uma obra vasta, que se reveste de sensibilidade, emoção e ironia. Enquanto pessoa e enquanto beirão, mereceu-nos a maior admiração e deixa-nos um sentimento de perda e de enorme saudade», lê-se ainda na deliberação aprovada pela Câmara.
A Guarda homenageara Manuel António Pina no final de 2009, através de um ciclo de iniciativas a que deu o nome do escritor. ainda em sua homenagem criou, nesse ano de 2009, um prémio literário, que todos os anos galardoa um trabalho de poesia e de prosa, alternadamente.

plb

Recebemos do nosso colaborador José Carlos Mendes esta pequena nota com o título em epígrafe, colhida de um jornal de hoje, em homenagem a Manuel António Pina no dia do funeral deste ilustre sabugalense. Publicamo-la, associando-nos à saudade de um homem bom e amigo da cultura.

Para lá de D. Januário Torgal, que presidiu às cerimónias desta manhã (domingo), estiveram na igreja de Nossa Senhora da Boavista, no Porto, e no funeral «várias gerações de jornalistas, a maior parte deles do Jornal de Notícias (a “casa” jornalística de Pina), políticos, como Miguel Cadilhe (PSD), Braga da Cruz e Manuel Pizarro (PS) e Honório Novo (PCP), e personalidades da vida pública portuguesa marcaram presença no funeral».
A nota é do ‘Público’ e a foto também / Luísa Ferreira.
Ou seja: o nosso conterrâneo, afinal, juntou na despedida mais apoios do que o Governo.
José Carlos Mendes

Faleceu na tarde desta sexta-feira, 19 de Outubro, no Hospital de Santo António, no Porto, onde estava internado desde o início do Verão, o escritor e jornalista sabugalense Manuel António Pina.

MANUEL ANTÓNIO PINA era jornalista, cronista, escritor, poeta, dramaturgo, actividades em que se notabilizou.
Nasceu no Sabugal em 18 de Novembro de 1943 e viveu a infância numa constante mudança de lugar, passando nomeadamente pela Sertã e Oliveira do Bairro, para depois se fixar no Porto. O pai era chefe de Finanças, cargo que acumulava com o de juiz das execuções fiscais, pelo que não podia estar mais do que certo tempo em cada terra, por imposição legal. Recordará sempre esse tempo da infância e adolescência como a época em que fazia amigos num lugar, que depois perdia para refazer novas amizades noutro local distante.
Após os estudos secundários, concluídos no Porto, licenciou-se em Direito, na Universidade de Coimbra, onde para além de estudar trabalhava para garantir a independência financeira. Embora cursasse Direito gostava mais e frequentar as aulas de Literatura, sobretudo as dos mestres Paulo Quintela e Vítor Aguiar Silva. Mesmo assim, seguiu Direito e, concluído o curso, foi advogado durante algum tempo, porém já escrevia no Jornal de Notícias desde 1971 e o apelo da escrita foi sempre mais forte.
No jornalismo notabilizou-se pela crónica, que, para ele é uma espécie de meio caminho entre o jornalismo e a literatura. No Jornal de Notícia, ao qual se manteve sempre ligado, ocupou o cargo de editor cultural, mantendo uma permanente ligação aos aspectos literários. Nas horas vagas poetava e escrevia contos infanto-juvenil, fazendo um percurso de escritor, onde sobretudo se notabilizaria, recebendo o reconhecimento do seu mérito com a atribuição de inúmeros galardões, entre os quais o Prémio Camões no ano 2011.
A sua poesia, algo hermética, foi sempre marcada por uma espécie de nostalgia, traduzida num sucessivo jogo de memórias entre a infância (parte dela passada no Sabugal) e o quotidiano. Os poemas de Pina são igualmente marcados pela inquietação e a melancolia, tocando por vezes no paradoxo. Nada do que escrevia ou pensava era definitivo, quando lhe perguntaram (JL, 31/10/2001) se fazia alterações aos seus poemas antigos quando os reeditava, respondeu que não, porque de certa forma um texto antigo, escrito por ele e editado, já não lhe pertencia: «quando leio textos que escrevi há algum tempo, tenho a sensação que não foram escritos por mim. E, de facto, foram escritos por outra pessoa, por aquele que eu era.» Esta mutação do ser que somos com o evoluir do tempo é explicada de forma comparativa: «A Ilíada é um dos meus livros de referência. Li-a pela primeira vez quando era jovem e a que leio hoje não é a mesma que li, nessa altura. Porque eu próprio já sou diferente. Os cabalistas dizem que há tantas bíblias quantos leitores da Bíblia. Eu acho que há mais, tantas quantas as leituras.»
Como escritor, foi autor de vários títulos de poesia, novelas, textos dramáticos e ensaios, entre os quais: em poesia – Nenhum Sítio, O Caminho de Casa, Um Sítio Onde pousar a Cabeça, Algo Parecido Com Isto da Mesma Substância; Farewell Happy Fields, Cuidados Intensivos, Nenhuma Palavra e Nenhuma Lembrança; em novela – O Escuro; em texto dramático – História com Reis, Rainhas, Bobos, Bombeiros e Galinhas, A Guerra do Tabuleiro de Xadrez; no ensaio – Anikki – Bóbó; na crónica – O Anacronista; e, finalmente, na literatura infantil – O País das Pessoas de Pernas para o Ar, Gigões e Amantes, O Têpluquê, O Pássaro da Cabeça, Os Dois Ladrões, Os Piratas, O Inventão, O Tesouro, O Meu Rio é de Ouro, Uma Viagem Fantástica, Morket, O Livro de Desmatemática, A Noite.
Embora afastado da sua terra natal desde menino, Manuel António Pina afirmava com orgulho ser sabugalense. Em 4 de Abril de 2009 a Junta de Freguesia do Sabugal homenageou-o colocando na casa onde nasceu uma placa com a seguinte epígrafe: «Nesta casa nasceu o escritor e jornalista Manuel António Pina»
Em 2010 a Câmara Municipal da Guarda, criou, em homenagem a Manuel António Pina, um prémio literário com o seu nome, que distinguirá anualmente, e de forma alternada, obras de poesia e de literatura. Ainda em homenagem ao escritor sabugalense realiza-se na Guarda um ciclo cultural repleto de actividades.
Em 10 de Novembro de 2011, no ano em que foi galardoado com o Prémio Camões, o escritor foi por sua vez homenageado pela Câmara Municipal do Sabugal, que lhe atribuiu a medalha de mérito cultural do Município.
Manuel António Pina foi eleito pelo blogue Capeia Arraiana a «Personalidade do Ano 2011».

Segue-se um poema de Manuel António Pina, que aborda um assunto recorrente na sua poesia – a morte:

Algumas Coisas

A morte e a vida morrem
e sob a sua eternidade fica
só a memória do esquecimento de tudo;
também o silêncio de aquele que fala se calará.

Quem fala de estas
coisas e de falar de elas
foge para o puro esquecimento
fora da cabeça e de si.

O que existe falta
sob a eternidade;
saber é esquecer, e
esta é a sabedoria e o esquecimento.

plb e jcl

Manuel António Pina, jornalista e escritor sabugalense, galardoado com o Prémio Camões, mantém-se internado no Serviço de Nefrologia do Hospital de Santo António, no Porto, onde recupera após uma cuidada intervenção cirúrgica.

O escritor está internado há várias semanas, desde que lhe foi diagnosticada uma doença muito grave, que levaria a uma melindrosa intervenção cirúrgica.
Por vontade de Manuel António Pina, a notícia da doença e do internamento hospitalar não foi divulgada, mas todos notaram a falta da crónica semanal do escritor na última página do Jornal de Notícias e noutros espaços onde amiudadamente escrevia.
As últimas notícias veiculadas pela família e amigos mais chegados são as de uma contínua recuperação.
Aqui deixamos ao prestigiado escritor sabugalense desejos de melhoras e que em breve regresse às lides literárias.
plb

Um encontro na Biblioteca Municipal e a representação de uma peça teatral, são as acções promovidas em Palmela em homenagem ao escritor sabugalense Manuel António Pina.

A Câmara Municipal de Palmela promove, no dia 19 de maio, sábado, às 19 horas, um encontro com o poeta, cronista e jornalista Manuel António Pina, na Biblioteca Municipal de Palmela.
Autor de uma vasta obra literária, que inclui muitos títulos de literatura infantil, Manuel António Pina recebeu o Prémio Camões 2011. O escritor nasceu no ano de 1943, no Sabugal, tendo-se mais tarde radicado no Porto, onde foi jornalista do Jornal de Notícias. Hoje, na situação de aposentado, mantém a colaboração com diversos órgãos de comunicação social.
É autor de vários títulos, entre os quais, Nenhum Sítio, O Caminho de Casa, Um Sítio Onde Pousar a Cabeça, Farewell Happy Fields, Cuidados Intensivos, Nenhuma Palavra e Nenhuma Lembrança, O Escuro, História com Reis, Rainhas, Bobos, Bombeiros e Galinhas, A Guerra do Tabuleiro de Xadrez, O Anacronista, O País das Pessoas de Pernas para o Ar, Gigões e Amantes, O Têpluquê, O Pássaro da Cabeça, Os Dois Ladrões, O Inventão, O Tesouro, O Meu Rio é de Ouro, Uma Viagem Fantástica, Morket ou Histórias que me Contaste Tu
Ainda em Palmela, o Teatro o Bando apresenta o espectáculo «Ainda não é o fim», com encenação de João Brites, a partir de 18 de Maio, peça criada pelo Teatro o Bando a partir do texto de Manuel António Pina. Estarão em palco Ana Lúcia Palminha, Bruno Huca, Clara Bento, Guilherme Noronha, Paula Só, Raúl Atalaia e Sara de Castro. Participa a Big Band Loureiros.
O público poderá assistir de18 a26 de Maio no Largo D´El Rei D. Afonso Henriques, no Centro Histórico de Palmela, às sextas-feiras e sábados às 21:30.
Posteriormente, o Teatro o Bando levará o espectáculo para Lisboa, mais propriamente para a Fábrica Braço de Prata, de 31 de Maio a 10 de Junho, de quinta-feira a domingo, sempre às 21h30.
plb

A Câmara Municipal de Gaia presidida por Luís Filipe Menezes, condecorou no passado sábado, dia 14 de Abril, várias personalidades nacionais, entre elas o escritor e jornalista sabugalense Manuel António Pina.

Manuel António Pina - Luis Filipe Menezes - Vila Nova Gaia

O presidente do Município, Luís Filipe Menezes, antecipou a comemoração do 38.º aniversário do 25 de Abril, condecorando, como vem sendo hábito, várias personalidades e instituições com a medalha honorífica do concelho.
O vencedor do Prémio Camões 2011, Manuel António Pina, e o historiador Hélder Pacheco foram dois dos homenageados, a par do governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, e do presidente do conselho de administração da EDP, António Mexia, entre outros. Também foram homenageadas instituições como a empresa Barbosa e Almeida e a Rádio Renascença A título póstumo, foram ainda distinguidos a resistente antifascista Beatriz Cal Brandão, a defensora dos direitos das mulheres Teresa Rosmaninho e também Henrique Castro.
A mediatização do evento teve porém a ver com as palavras que Carlos Costa, governador do Banco de Portugal, proferiu na ocasião, em nome das personalidades agraciadas na homenagem. Defendeu que «a grande oportunidade de afirmação do Norte é agora, mas não pela via do combate político administrativo e sim pela da afirmação empresarial e económica». O governador questionou ainda: «Onde estão as condições em termos de cultura empresarial? Onde é que há maior tecido de PME? É aqui. Onde é que há a maior distância em relação à administração central e como tal a maior independência? É aqui.» E concluiu: «Por isso, eu espero que o Norte dê um grande contributo para cumprir Abril.»
plb

O escritor sabugalense Manuel António Pina é o convidado da quinta edição do ciclo literário «Porto de Encontro», que se realiza no dia 31 de Março, pelas 17 horas, na Biblioteca Almeida Garrett, na cidade do Porto.

Com uma obra literária que atravessa a poesia, literatura infanto-juvenil, crónica e teatro, Manuel António Pina foi distinguido com o Prémio Camões no ano passado, o mais importante prémio literário de língua portuguesa.
Ao longo dos anos foi ainda contemplado com vários outros galardões, entre os quais os da Associação Portuguesa de Escritores, Associação Internacional de Críticos Literários ou Casa da Imprensa.
No final do ano passado, regressou à publicação de poesia após um longo hiato com a obra Como se desenha uma casa, editado pela Assírio & Alvim.
Como jornalista, o autor de O pássaro da cabeça trabalhou durante 30 anos no Jornal de Notícias, periódico em que assina diariamente a crónica Por outras palavras, seguida por milhares de leitores.
O ciclo literário regressa em Abril, com António Mega Ferreira, em data e local a anunciar brevemente.
plb (com JN)

A RTP2 transmite hoje, sábado, às 21 horas, o programa «Um sítio onde pousar a cabeça», que conta a história de vida do escritor sabugalense Manuel António Pina.

O documentário passa naturalmente pelo Sabugal, terra de nascimento do poeta, onde de resto há meses o mesmo se dirigiu com uma equipa de reportagem para a realização das filmagens.
«Um sítio onde pousar a cabeça» conta a história de Manuel António Pina, poeta, romancista, cronista e escritor de livros infantis. Trata-se de um trabalho de Alberto Serra, com a realização de Ricardo Espírito Santo e a produção da Terra Líquida. Neste documentário, Manuel António Pina é retratado na primeira pessoa, através de testemunhos de amigos, familiares e especialistas da sua obra.
Quatro realizadores, quatro personalidades, quatro diferentes documentários são apresentados pela RTP2 aos sábados, durante o mês de Fevereiro.
«Saudade Burra» de Fernando Assis Pacheco foi o primeiro dos documentários a ser transmitido, no passado sábado, 4 de Fevereiro. Uma longa metragem da autoria de Nuno Costa Santos que conta a vida de Fernando Assis Pacheco, o escritor e jornalista português que faleceu em 1995.
No dia 18 de Fevereiro é a vez de Zé da Guiné ser homenageado. «Zé da Guiné», Crónica dum africano em Lisboa retrata Zé, um jovem africano que chega a Lisboa nos anos 70 e muda o conceito das noites da cidade. Uma produção, realização e autoria de José Manuel de S. Lopes.
O último sábado fica marcado por «O meu avô Jolly», uma longa-metragem dedicada a Joly Braga Santos, o avô que Francisco Belard nunca conheceu. Uma viagem pelas encontrar imagens e memórias do Joly, para tentar chegar à sua personalidade e percurso de vida. Um documentário realizado por Pedro Caldas, pela produtora Luz e Sombra.

O documentário sobre Manuel António Pina passará obrigatoriamente pelo chafariz da Praça da República, vizinho à casa onde nasceu e onde existiam umas árvores muito antigas que há dias um pobre imbecil mandou abater – a foto que ilustra este texto mostra precisamente MAP no momento das filmagens, ao lado do chafariz e das árvores da sua infância.
plb

O escritor sabugalense Manuel António Pina, Prémio Camões em 2011, está entre os 59 escritores portugueses que subscreveram um abaixo assinado em protesto contra a projectada decisão do Governo de encerrar a Livraria Camões no Rio de Janeiro, considerando tratar-se de um acto «deplorável».

Homenagem a Manuel António Pina (Foto by Kim Tomé - www.tutatux.com)«O encerramento da Livraria Camões, no Rio de Janeiro, ao cabo de 40 anos de uma atividade que se impôs pelos critérios culturais e adequação a um contexto peculiar, constituiria um ato deplorável do decisor político», adverte o manifesto a que agência Lusa teve acesso.
Para os subscritores, cujo primeiro nome é o de Manuel Alegre, «desconsiderando uma casa cujos méritos nunca deixaram de ser reconhecidos, designadamente na relação que promove entre os países dos dois lados do Atlântico, atinge-se o valor estratégico que é a difusão da língua e cultura portuguesas, bem como as dimensões simbólicas projetadas pelo poeta celebrado no nosso Dia Nacional, que sempre encontrou no Brasil alguns dos seus estudiosos e cultores maiores».
«Portugal não deve nem pode, a nosso ver, prescindir de uma das suas armas de afirmação fundamental, a língua de Camões e quanto nela se exprime, para além de juízos conjunturais e da muito duvidosa racionalidade que os incita», sustentam os subscritores do abaixo assinado, que inclui os nomes de Maria Teresa Horta e de José Manuel Mendes, Almeida Faria, Ana Luísa Amaral, Ana Marques Gastão, António Cândido Franco, António Carlos Cortez, António José Borges, António Osório, Armando Silva Carvalho, Baptista-Bastos, Cândido de Oliveira Martins, Casimiro de Brito, Clara Rocha, Fernando J.B. Martinho, Fernando Pinto do Amaral, Francisco Duarte Mangas, Gastão Cruz, Hélder Macedo, Helena de Vasconcelos, Hélia Correia, Inês Pedrosa e Isabel Pires de Lima, Isabel Ponce de Leão, Jacinto Lucas Pires, Jaime Rocha, João Barrento, João Luís Barreto Guimarães, João de Melo, João Rui de Sousa, José Carlos Seabra Pereira, José Jorge Letria, José Manuel da Costa Esteves, Julieta Monginho, Leonor Xavier, Lídia Jorge, Manuel Gusmão, Manuela Parreira da Silva, Margarida Vale de Gato, Maria Alzira Seixo, Maria Isabel Barreno, Maria João Cantinho, Maria João Reynaud, Maria Luisa Malato, Maria Teresa Dias Furtado, Mário de Carvalho, Mário Cláudio, Miguel Real, Nuno Júdice, Patricia Reis, Pedro Tamen, Teresa Salema, Tolentino Mendonça, Urbano Tavares Rodrigues, Valter Hugo Mãe, Vanda Anastácio e Yvette Centeno.
plb (com Lusa)

A escolha da personalidade do ano 2011 foi muito fácil e evidente. A silhueta de um nome destaca-se na paisagem raiana pelo mérito e reconhecimento que recebeu durante o ano que agora termina. Estamos a falar do poeta, escritor, jornalista e cronista Manuel António Pina. Quis o destino que este ilustre português, nascido em terras raianas do Sabugal, fosse galardoado, em 2011, com o Prémio Camões, a mais importante distinção para autores de língua portuguesa. «A vida é um rio que corre para a nascente», destacou Manuel António Pina, no Sabugal, na apresentação do seu mais recente livro «Como se desenha uma casa».

Manuel António Pina - Sabugal

Os homens temem as longas viagens,
os ladrões da estrada, as hospedarias,
e temem morrer em frios leitos
e ter sepultura em terra estranha.

Por isso os seus passos os levam
de regresso a casa
às veredas da infância,
ao velho portão em ruínas; à poeira
das primeiras, das únicas lágrimas…

Manuel António Pina é a escolha (natural) do Capeia Arraiana para «Personalidade do Ano».
O jornalista, cronista, escritor e poeta nasceu a 18 de Novembro de 1943 na vila do Sabugal, terra de origem da família materna enquanto o pai é oriundo de Aldeia Viçosa, no concelho da Guarda. Por força da profissão do pai, que tinha de mudar de serviço e de localidade cada seis anos, Manuel António Pina saiu do Sabugal ainda menino, precisamente aos seis anos de idade, passando a andar de terra em terra e de escola em escola. Do Sabugal foi para Castelo Branco, depois para a Sertã, Cernache de Bonjardim, Santarém, de novo Cernache do Bonjardim, Oliveira do Bairro, Aveiro e Porto, onde acabou por se fixar aos 17 anos. Entretanto licenciou-se em Direito pela Universidade de Coimbra e dedicou-se à escrita e ao jornalismo. 
Em 1971 ingressou no Jornal de Notícias onde foi editor e chefe de redacção. Actualmente publica diariamente na última página do diário portuense uma coluna de opinião com profundo sentido crítico sobre os grandes temas da actualidade nacional e internacional.
A sua obra, traduzida em várias línguas, divide-se entre a poesia, a literatura infanto-juvenil, o teatro, a crónica e a ficção. Autor de livros para a infância e juventude e de textos poéticos com um estilo único onde «brinca» com as palavras e os conceitos num permanente trocadilho aliado ao «jogo da imaginação».
O Prémio Camões, criado em 1989 por Portugal e pelo Brasil para distinguir um escritor cuja obra tenha contribuído para a projeção e reconhecimento da língua portuguesa, foi-lhe atribuído por unanimidade do júri hoje reunido no Rio de Janeiro.
«A decisão foi consensual e unânime, numa reunião que durou menos de meia hora», diz o comunicado do júri que atribuiu a Manuel António Pina o Prémio Camões, o maior galardão literário de língua portuguesa.
«É a coisa mais inesperada que poderia esperar. Nem sabia que estava hoje a ser discutida a atribuição do prémio», disse Manuel António Pina quando tomou conhecimento da atribuição do Prémio Camões.
O presidente da República, Cavaco Silva, felicitou o escritor Manuel António Pina pela atribuição do Prémio Camões 2011, principal distinção no meio literário lusófono. «A atribuição deste Prémio é o reconhecimento da relevância nacional e internacional que a sua obra representa na literatura em língua portuguesa e é, sem dúvida, um motivo de grande orgulho para todos os que apreciam a sua escrita», refere a mensagem de Cavaco Silva, também divulgada no site da Presidência da República. O chefe de Estado sublinhou que esta distinção «honra a literatura Portuguesa».
Em entrevista ao Capeia Arraiana, em Março de 2009, confessa que «a recordação mais antiga que tenho de mim mesmo é uma criança de dois ou três anos, de chapéu de palha na cabeça, ao pé de uma fonte, acho que uma fonte de mergulho, circular, num largo talvez em frente de minha casa. Outra criança tira-me o chapéu da cabeça e atira-o à água. Eu – acho que sou eu essa criança – exijo-lhe que o vá buscar e mo devolva. O outro miúdo não o faz, e afasta-se rindo. Então, cheio de orgulho ferido, eu regresso a casa». Um pouco mais à frente acrescenta que todas as outras memórias que tem do Sabugal «são imagens confusas do passado, misturadas com sentimentos presentes de que falo em outros poemas: «Lugar» (de «O caminho de casa») «[Lugares da infância]» (de «Um sítio onde pousar a cabeça»), e ainda «O quarto cor-de-rosa» (sobre a casa onde nasci, que é hoje da mãe da Natália), «Branco», «Forma, só forma» e «Um casaquinho preto» (sobre o casaco, na verdade uma pequenina casaca de cerimónia, feita pela minha «ti Céu», que ainda tenho e que vesti aos dois ou três anos numa festa de Carnaval no Sabugal)».
«Nesta casa nasceu o escritor e jornalista Manuel António Pina» testemunha a placa colocada ao lado da porta da casa onde nasceu o ilustre sabugalense. A homenagem promovida pela Junta de Freguesia do Sabugal teve lugar no dia 4 de Abril de 2009. Os actos da homenagem a Manuel António Pina centraram-se no Auditório Municipal do Sabugal, onde teve lugar uma palestra de Arnaldo Saraiva e a peça de teatro do grupo portuense «Pé-de-Vento». O programa incluiu, ainda, o descerrar de uma placa e visita à casa onde nasceu, troca de lembranças e oferta de livros do escritor à biblioteca municipal no salão nobre da Câmara do Sabugal, e a finalizar um porto de honra com uma mesa de luxo repleta de iguarias na Casa do Castelo.
Em 2010 a Câmara Municipal da Guarda, criou, em homenagem a Manuel António Pina, um prémio literário com o seu nome, que distinguirá anualmente, e de forma alternada, obras de poesia e de literatura. Ainda em homenagem ao escritor sabugalense realiza-se na Guarda um ciclo cultural repleto de actividades.
Galardões: 1978, Prémio de Poesia da Casa da Imprensa («Aquele que quer morrer»); 1987, Prémio Gulbenkian 1986/1987 («O Inventão»); 1988, Menção do Júri do Prémio Europeu Pier Paolo Vergerio da Universidade de Pádua, Itália («O Inventão»); 1988, Prémio do Centro Português para o Teatro para a Infância e Juventude (CPTIJ) (conjunto da obra infanto-juvenil); 1993, Prémio Nacional de Crónica Press Club/ Clube de Jornalistas; 2002, Prémio da Crítica, da Secção Portuguesa da Associação Internacional de Críticos Literários («Atropelamento e fuga»); 2004, Prémio de Crónica 2004 da Casa da Imprensa (crónicas publicadas na imprensa em 2004); 2004, Prémio de Poesia Luís Miguel Nava 2003 (Os livros); 2005, Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores/CTT (Os Livros); 2011, Prémio Camões.
jcl

«Um lugar vazio à mesa», é o título da memória de Natal que o escritor sabugalense Manuel António Pina enviou à Rádio Renascença no âmbito da iniciativa «Era uma vez… no Natal», que aquela emissora de rádio tomou e em que participam outras cinco figuras conhecidas: a fadista Carminho, o poeta Tolentino Mendonça, o ex-presidente Jorge Sampaio, o treinador de futebol Fernando Santos e o padre Hermínio Rico. O texto de Manuel António Pina consta no portal da Rádio Renascença e pode ser lido ouvindo ao mesmo tempo o segundo andamento do concerto nº 2 para piano e orquestra de Brahms.

Homenagem a Manuel António Pina (Foto by Kim Tomé - www.tutatux.com)A memória de Natal que me é pedido que partilhe é, não de um, mas de 11 dolorosos natais, os de 1963 a 1974.
Em 1963, meu irmão mais novo, em desacordo com a Guerra Colonial, recusou-se a comparecer à inspecção militar e fugiu clandestinamente para França. Meus pais e eu pensámos que nunca mais o veríamos. O regime de Salazar parecia eterno e as guerras nas colónias africanas constituíam o centro, praticamente exclusivo, da política do país. Daí que a deserção (a situação de meu irmão não era rigorosamente de deserção, pois não chegara a ser incorporado mas, em termos militares, era afim) fosse o mais grave dos crimes, punível mesmo, se em teatro de operações, com a pena de morte.
Além disso, a deserção lançava uma sombra de permanente suspeita política sobre a própria família do desertor, pelo que meus pais receavam nunca vir a ser autorizados a sair de Portugal para visitar meu irmão. Eu próprio, quando, em 1972 ou 1973, depois de cumpridos quase quatro anos de serviço militar e já jornalista, fui encarregado de um trabalho de reportagem na Alemanha, encontrei dificuldades quase insuperáveis para obter passaporte, o que só acabou por ser possível após responsabilização pessoal do director do “JN”, Pacheco de Miranda, pelo meu regresso.
Esse primeiro Natal sem o meu irmão (de quem não tivemos, durante meses, notícias senão uma vez, através de um emigrante de Braga seu conhecido que, tendo vindo de férias, nos procurara para nos dizer que ele encontrara trabalho como “voyeur de nuit” e pedia que lhe enviássemos comida e algum dinheiro) foi, por isso, triste e sem palavras. Minha mãe levantava-se de vez em quando da mesa e ia chorar longamente para a cozinha; meu pai esperava um pouco e, depois, levantava-se também e ia buscá-la, regressando ambos em silêncio.
Minha mãe pôs o prato e os talheres de meu irmão e, quando trouxe o bacalhau e as batatas, serviu-lhos. Tudo aquilo se me afigurava patético e doentio, mas também eu chorava por dentro. A certa altura, como a cadeira vazia de meu irmão se encontrava um pouco afastada, minha mãe levantou-se para aproximá-la da mesa e, nesse momento, fingi que precisei de ir à casa de banho e deixei correr livremente as lágrimas.
Nos 10 anos seguintes, na nossa ceia de Natal houve sempre um prato e talheres na mesa para uma ausência presente. Até 1974.
«Um lugar vazio à Mesa», de Manuel António Pina

A Câmara Municipal de Matosinhos agraciou o escritor sabugalense Manuel António Pina com a Medalha de Mérito Dourada, por ocasião da sétima edição da Festa da Poesia, em cerimónia realizada no dia 8 de Dezembro.

Dezenas de amigos e admiradores da obra literária de Manuel António Pina marcaram presença na homenagem que a Autarquia lhe prestou.
Segundo uma nota divulgada pelo Município, o vencedor do Prémio Camões 2011, que foi aplaudido de pé, enalteceu o carinho com que foi acolhido. «É bom sermos amados», disse o escritor e jornalista.
Ao lado do presidente da Câmara, Guilherme Pinto, Manuel António Pina agradeceu a homenagem: «Todos nós gostamos de ser conhecidos, é uma forma de sermos amados. Agradeço, por isso, esta homenagem e fico particularmente feliz por ser neste local, ou seja, na Biblioteca Florbela Espanca, e nesta altura, na Festa da Poesia».
O poeta nascido no Sabugal em 1943 recordou que estamos a passar por tempos difíceis, «tempos de prosa, a pior das prosas». Por isso considerou que é um verdadeiro milagre a existência, desde há sete anos, da Festa da Poesia promovida pela Câmara Municipal de Matosinhos. «Esta sobrevivência da Festa da Poesia é algo misterioso e o facto de a Autarquia de Matosinhos não a considerar apenas “gordura” é, no mínimo, admirável», confessou. «Nesta Câmara, não se fala de poesia. Faz-se! E não dá votos, não dá lucro… Então porquê? É admirável e por isso mais me honra e mais me torna feliz este reconhecimento nesta casa», concluiu.
O presidente da Câmara agradeceu as palavras elogiosas de Manuel António Pina, mas discordou da ideia de que a poesia não dá «lucro». O autarca explicou que a Cultura é uma das estratégias mais poderosas para fomentar o desenvolvimento de Matosinhos, terra de mar, que é, cada vez mais, o porto das artes: «Este é o porto das artes, o porto onde chega quem gosta de teatro, de arte, de música, de cultura», explicou Guilherme Pinto, que seguidamente elogiou Manuel António Pina, destacando o seu olhar arguto e a sua «escrita acerada, atenta e rigorosa».
plb

A Câmara Municipal de Matosinhos vai prestar homenagem ao poeta sabugalense Manuel António Pina, por ocasião da sétima edição da Festa da Poesia, que se realiza nos dias 7 e 8 de Dezembro.

Apesar das limitações financeiras o município matosinhense programou uma iniciativa ao nível das edições anteriores, voltada para diversos públicos. A grande novidade da edição deste ano é a homenagem a um nome sonante da Literatura Portuguesa, recentemente galardoado com o Prémio Camões.
Exposições, debates, leitura de poemas, são algumas das iniciativas previstas para a realçar a obra do autor sabugalense Manuel António Pina.
Do primeiro dia da Festa da Poesia, a 7 de Dezembro, haverá a iniciativa «Nota a Nota», que se trata de uma «Oficina de música para crianças», a realizar na Sala do Conto.
No mesmo dia, à tarde, realiza-se uma oficina prática, designada «A sublimação do real a partir da poesia de Manuel António Pina», no Espaço Adulto e Ciências. Seguidamente falar-se-á de Florbela Espanca, num retrato psicológico, a traçar numa conferência proferida por Manuela Rocha dos Santos, no Fundo Local/Adultos.
Na iniciativa «Poesia Reunida», Manuel António Pina volta a estar presente, na performance musical com José Jorge Letria (voz), Laura Ferreira (voz), José Soares (guitarra) e Gustavo Roriz (contra-baixo), a realizar no Átrio.
No segundo dia, 8 de Dezembro, terá lugar, pelas 15 horas, a inauguração da exposição «Manuel António Pina – Homenagem», também no Átrio, a que se seguirá uma intervenção por parte do Presidente da Câmara Municipal de Matosinhos, que homenageará o poeta vencedor do Prémio Camões de 2011.
A Festa da Poesia continuará no auditório, com a apresentação do documentário «Um sítio onde pousar a cabeça», produzido da autoria de Alberto Serra e Ricardo Espírito Santo.
Haverá depois um debate com o autor homenageado, Manuel António Pina, e o também escritor Germano Silva.
A terminar será lançado o novo livro de Manuel António Pina, «Como se desenha uma casa», seguido de leitura de poemas do autor e uma conversa com Luís Miguel Queirós.
plb

«A vida é um rio que corre para a nascente», destaca o sabugalense Manuel António Pina, vencedor do Prémio Camões 2011, na apresentação do seu mais recente livro «Como se desenha uma casa». Reportagem e edição da jornalista Paula Pinto com imagem de José Loureiro da Redacção da LocalVisãoTv (Guarda).

Local Visão Tv - Guarda
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jcl

O escritor Manuel António Pina, vencedor do Prémio Camões 2011, disse hoje no Sabugal que sente «uma honra muito particular» por ter recebido a medalha de mérito cultural do Município da terra de onde é natural.

A distinção autárquica foi hoje entregue ao escritor e poeta, no decorrer da sessão solene comemorativa do Dia do Município, no mesmo dia em que foi anunciado o lançamento da nova obra do escritor, «Como se desenha uma casa».
Manuel António Pina, de 67 anos, poeta e autor de livros para crianças, é natural do Sabugal, onde viveu até aos seis anos. Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, foi jornalista durante muitos anos e actualmente é tradutor, professor e cronista.
Em declarações à agência Lusa, o homenageado mostrou-se honrado com a medalha e destaca-a, entre as várias distinções que já recebeu.
«Entre todas as homenagens que tenho recebido, esta toca-me muito particularmente, porque se trata de uma distinção que me foi feita pela terra onde eu nasci», disse.
O escritor lembrou que deixou o Sabugal muito cedo e, por isso, ter regressado para receber a medalha de mérito cultural municipal, constitui um momento «muito importante e muito significativo».
Manuel António Pina disse que a memória mais antiga que tem da cidade é a de uma fonte, situada em frente da casa onde nasceu, no largo da actual Câmara Municipal, que «tinha a ideia que era um lago muito grande, mas que, afinal, era pequena».
Na lembrança tem um certo dia em que «alguém atirou para lá [para a fonte]» o seu chapéu e recusou «ir buscá-lo».
Actualmente, da casa onde nasceu, continua a receber, de quando em vez, no Porto, onde reside, pão-de-ló com um «um sabor especial», confeccionado pela actual proprietária do imóvel que carinhosamente chama de «avó Lulu», contou.
Durante a sessão de entrega da medalha de mérito cultural ao vencedor do Prémio Camões 2011, o presidente da Câmara Municipal do Sabugal, António Robalo, disse que, com este gesto, realizado pela primeira vez, a autarquia pretendeu reconhecer «a importância» do escritor e da sua obra.
Reconheceu tratar-se de «um acto de justiça e de reconhecimento» em relação à vida e à obra de Manuel António Pina «que tem amor à terra que o viu nascer».
O homenageado assegurou que é «alguém que tem estado fora do Sabugal» mas «tem o Sabugal no coração».
Além de Manuel António Pina, a medalha de mérito cultural do Sabugal foi igualmente entregue à Sociedade Filarmónica Bendadense, pelos seus 141 anos de existência.
A câmara também homenageou as Associações Humanitárias dos Bombeiros Voluntários do Sabugal e do Soito com medalhas de mérito cívico e condecorou trabalhadores com 15, 25 e 35 anos de serviço.
O Dia do Município do Sabugal assinala os 715 anos da atribuição do foral pelo rei D. Dinis.
plb (com Lusa)

O Concelho do Sabugal celebra, dia 10 de Novembro de 2011, 715 Anos da atribuição do Foral de D. Dinis. Para marcar a efeméride a Câmara Municipal delineou um programa com actividades variadas.

Os oito séculos de História Autárquica serão evocados com o hastear das Bandeiras do Concelho, Nacional e União Europeia, ao som do Hino Nacional, pelas 9h00, na Praça da República. Quarenta crianças, representando cada uma das freguesias do Concelho do Sabugal, hastearão as Bandeiras das suas Freguesias.
Pelas10h00 dar-se-á início à Sessão Solene Comemorativa, no Auditório Municipal, com a condecoração dos Trabalhadores da Autarquia com 15, 25 e 35 anos de Serviço Efectivo no Município, seguida da atribuição da Medalha de Mérito Cívico às Associações Humanitárias dos Bombeiros Voluntários do Sabugal e do Soito e da Medalha de Mérito Cultural à Sociedade Filarmónica Bendadense e ao Escritor Manuel António Pina.
Ainda no decorrer do programa de festejos do Dia do Concelho, será proferida intervenção subordinada ao tema «D. Dinis e o Sabugal», pelo Prof. Doutor João Luís Inês Vaz. As actividades culturais prosseguem com o Lançamento/Apresentação do Livro de Manuel António Pina. Paralelamente decorrerá na Sala de Exposições Temporárias do Museu Municipal uma exposição evocativa dos Homenageados.
A jornada comemorativa encerra com o concerto, pela Sociedade Filarmónica Bendadense, pelas 21h30, no Auditório Municipal, com entrada gratuita.
plb (com CMS)

A Fundação Cidade de Guimarães anunciou que o escritor, galardoado com o Prémio Camões, Manuel António Pina, está entre as «personalidades da cultura» cooptadas pelo conselho geral da instituição.

Em reunião de 28 de Setembro o conselho geral da Fundação, presidido pelo ex-presidente da república Jorge Sampaio, aprovou a entrada de nomes prestigiados da cultura portuguesa, como Miguel von Hafe Pérez, diretor do Centro Galego de Arte Contemporânea de Santiago de Compostela, Manuel António Pina, escritor e jornalista, Francisco Seixas da Costa, embaixador em Paris, e António Mega Ferreira, escritor e presidente do conselho de administração do Centro Cultural de Belém.
A Fundação Cidade de Guimarães e a entidade responsável pela programação cultural da Capital Europeia da Cultura Guimarães 2012.
No ano 2012 a cidade de Guimarães acolhe um grande encontro de criadores e criações, como música, cinema, fotografia, artes plásticas, arquitectura, literatura, pensamento, teatro, dança, artes de rua. A iniciativa proporciona o cruzamento de produtos artísticos imaginados e gerados pelos seus residentes com os que de toda a Europa afluirão à cidade. Ao longo de todo o ano, a cidade será promotora da diversidade cultural que caracteriza a Europa, dando a conhecer as suas manifestações culturais e acolhendo as de outros países.
Trata-se de um projecto catalisador do desenvolvimento da cidade e da região envolvente, que visa aumentar a qualidade de vida, contribuindo para a regeneração urbana, social e económica, promovendo transversalmente o acesso à cultura e valorizando o território e o património colectivo.
A presença do escritor sabugalense Manuel António Pina no conselho geral da Fundação, advém do prestígio que esta presença pode proporcionar a uma iniciativa que se concretiza num vasto e ambicioso programa cultural.
plb

A Câmara Municipal da Guarda lançou a segunda edição do Prémio Literário Manuel António Pina, para o qual se encontram abertas as candidaturas, até ao dia 30 de Setembro de 2011.

Instituído pelo Município guardense com o objectivo de homenagear o escritor e poeta natural do Sabugal, o Prémio Literário é atribuído anualmente. Seguindo a alternância do género literário, esta edição de 2011 distinguirá obras de poesia.
O Prémio terá o valor pecuniário de 2.500 euros, montante que paga aos direitos de autor respeitantes à edição da obra premiada, que será garantida pela Câmara Municipal da Guarda, em parceria com a editora Assírio & Alvim.
Podem concorrer ao Prémio Literário Manuel António Pina autores portugueses com trabalhos inéditos de poesia, que cumpram os procedimentos previstos no respectivo Regulamento, que pode ser consultado aqui.
Nos termos do Regulamento, o júri será constituído pelo vereador do Pelouro da Cultura da Câmara Municipal da Guarda, pelo próprio escritor Manuel António Pina, por um representante da editora Assírio & Alvim e um outro da Associação Portuguesa de Escritores, podendo ainda ser chamada ao júri uma personalidade de reconhecido mérito.
A atribuição do Prémio Literário acontecerá em sessão solene, na cidade da Guarda, no dia 21 de Março de 2012, que corresponde ao Dia Mundial da Poesia.
plb

Esta sexta-feira, 1 de Julho, a Casa de Serralves vai receber a conferência «Portugal com Norte», na qual diversas personalidades do norte do país, dentre as quais o escritor Manuel António Pina, debatem ideias nas áreas da Política, Desporto, Cultura e Economia.

Na conferência, organizada pela estação de rádio TSF, o Jornal de Notícias e a Fundação Serralves, o escritor natural do Sabugal Manuel António Pina debate com o músico Pedro Abrunhosa, pelas 15h15, o tema «O Norte e a Cultura», com a moderação da jornalista Elisabete Caramelo.
A sessão de abertura da conferência está marcada para as 9h30, com as intervenções de Paulo Baldaia, director da TSF, Manuel Tavares, director do Jornal de Notícias e João Fernandes, director do Museu de Serralves.
Às 9h45, são debatidos «O Norte e a Economia», com Alberto Castro, professor da Faculdade de Economia e Gestão da Universidade Católica Portuguesa, e José António Barros, presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP). A moderação estará a cargo de João Paulo Meneses, jornalista da TSF.
O debate sobre o tema «O Norte e a Política» está marcado para as 11h15 e conta com Rui Moreira, presidente da Associação Comercial do Porto (ACP), e o bispo do Porto, D. Manuel Clemente. A moderação é de Jorge Fiel, subdirector do JN.
À tarde, pelas 14h00, «As Marcas do Norte» vão ser faladas por Fernando Guedes, presidente da Sogrape, e Alexandre Alves Costa, arquitecto, com a moderação de João Paulo Meneses.
Pelas 16h30 será a vez de «O Norte e o Desporto», com Jorge Nuno Pinto da Costa, presidente do Futebol Clube do Porto (FCP), e António Salvador, presidente do Sporting Clube de Braga. Manuel Tavares modera este debate.
plb

A Assembleia Municipal do Sabugal decidiu por unanimidade atribuir ao escritor sabugalense Manuel António Pina a medalha de mérito cultural do Município.

A proposta foi apresentada pela Câmara Municipal à Assembleia que se realizou do dia 24 de Junho, na passada sexta-feira, nos termos do regulamento das distinções honoríficas recentemente publicado.
Nos termos do regulamento, a Medalha de Mérito Cultural é atribuída a pessoas singulares ou colectivas, nacionais ou estrangeiras, que se tenham destacado em qualquer forma de expressão cultural, designadamente na literatura, nas artes plásticas, no teatro, na música, no cinema, na investigação histórica, na divulgação e preservação do nosso património, na valorização das gentes do Município, ou que, de qualquer forma, tenham promovido a cultura.
Foi precisamente o que sucedeu com o sabugalense Manuel António Pina, que se destacou no âmbito da escrita, enquanto escritor e jornalista, cuja obra literária o levou de resto a ser recentemente agraciado com a maior distinção da literatura de língua portuguesa: o Prémio Camões.
Nascido no Sabugal em 1943, Manuel António Pina, foi, ainda criança, levado para outras terras, vindo mais tarde a fixar-se no Porto. Foi jornalista durante várias décadas e estreou-se na poesia em 1974 com o livro «Ainda Não É o Fim nem o Princípio do Mundo Calma É Apenas Um Pouco Tarde». No ano anterior publicara o seu primeiro livro para crianças, «O País das Pessoas de Pernas para o Ar». Consensualmente reconhecido como um dos melhores cronistas de língua portuguesa, publicou dezenas de livros de poesia e de literatura para crianças, mas só em 2003 se aventurou na ficção «para adultos», com «Os Papéis de K.».
Os seus livros de poesia estão traduzidos em várias línguas, incluindo «Os Livros», publicação que venceu os prémios de poesia da Associação Portuguesa de Escritores e a da Fundação Luís Miguel Nava.
Em Abril de 2009, numa iniciativa da Junta de Freguesia do Sabugal, realizou-se um acto de homenagem a Manuel António Pina, que passou pelo descerrar de uma placa na casa onde o escritor e jornalista nasceu há 67 anos e onde viveu parte da infância. Realizou-se também uma palestra sobre a vida e a obra do homenageado e foi exibida uma peça teatral da autoria do escritor.
Nos termos regulamentares a medalha de mérito cultural será entregue a Manuel António Pina em cerimónia pública e solene, que provavelmente acontecerá em 10 de Novembro, Dia do Concelho do Sabugal.
plb

A Câmara Municipal do Porto aprovou esta terça-feira, dia 24 de Maio, dois votos de congratulação ao escritor Manuel António Pina, há muito radicado na cidade, por ter sido galardoado com Prémio Camões 2011.

As propostas de congratulação para com o escritor sabugalense foram apresentadas pelo vereador da CDU, Rui Sá, e pela vereadora do Conhecimento e Coesão Social, Guilhermina Rego, do CDS.
Apesar de terem sido votadas em separado, ambas as propostas foram aprovadas por unanimidade na reunião da Câmara Municipal.
Recorde-se que, no passado dia 12 de Maio, Manuel António Pina ganhou o Prémio Camões, o maior prémio de literatura em língua portuguesa.
Entretanto Manuel António Pina é um dos nomes em destaque na Feira do Livro do Porto, que a Avenida dos Aliados acolhe até ao dia 12 de Junho.
Durante o evento está prevista a realização de quinze debates com escritores e outras personalidades da cultura. Manuel António Pina, vai participar em 4 de Junho, com José Tolentino Mendonça, no debate «A volúvel matéria das palavras», que incluirá a leitura de poemas por Alberto Serra.
plb

Interrompo hoje os textos que vinha escrevendo sobre os grandes desafios que se colocam ao nosso Concelho para dar conta de algumas boas notícias que directamente dizem respeito ao Sabugal.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»1. Manuel António Pina
Embora o próprio escritor diga «Nasci no Sabugal, mas costumo dizer que me nasci a mim mesmo no Porto», é com grande satisfação que vejo um natural do Sabugal (nasceu e viveu os primeiros anos da sua vida na casa onde depois abriu o Café do sr. Abílio), ganhar um prémio com o prestígio do Prémio Camões.
Filho de funcionário público, o seu nascimento no Concelho prende-se com o facto do seu pai aqui ter vivido alguns anos. No entanto, Manuel António Pina não esconde nem menoriza esta sua ligação ao Sabugal, de que é prova a sua participação activa sempre que lhe pedem ou agendam eventos que tenham a ver com a sua pessoa e a sua obra.

2. A Sacaparte e as Águas Radium
Uma larga reportagem do Jornal Diário de Notícias publicada entre os dias 13 e 15 de Maio identificava como monumentos mais importantes a preservar no Distrito da Guarda a Sacaparte, o Castelo de Alfaiates e o hotel conhecido por Águas Radium.
A primeira vez que fui à Sacaparte era garoto e, vejam bem, fui à «boda» do casamento do Alcino «Palhinhas»!
Confesso que fiquei, desde esse dia, um apaixonado por aquele espaço, na altura, por certo, mais preservado que hoje.
Mais tarde, a consulta dos «Inquéritos Paroquiais» do século XVIII, permitiu-me uma primeira notícia sobre a «procissão dos nus» ali bem descrita pelo pároco de Alfaiates.
A Sacaparte era uma das grandes romarias das Beiras, rivalizando com a da Nossa Senhora da Ajuda na Malhada Sorda.
Pela mão do Xico Tó sou hoje sócio da Liga dos Amigos da Sacaparte e disposto a tudo fazer para que aquele espaço mágico e de grande história recupere o papel que já desempenhou em séculos passados.
Quanto às Águas Radium, lembro-me de brincarmos com o meu avô, porque, contava ele, que enquanto GNR tinha sido ali colocado uma noite para guardar o recheio do hotel já abandonado e tinham os dois guardas fugido de noite porque «aquilo estava assombrado e ouviram as almas penadas…»
Mas é um belo edifício que está colocado num lugar excepcional – junto a Sortelha e perto da estrada que liga à A23 e próximo da Serra da Estrela.
Que um jornal como o DN seleccione estes dois espaços como de importância maior no Distrito da Guarda, eis uma boa notícia, que nos obriga a todos a aproveitar…

3. João Matos
Por vezes esqueço-me de falar dos meus…
O João é meu filho e tem já um percurso assinalável enquanto produtor cinematográfico, na sua produtora «Terra Treme».
Falo dele agora, porque na edição deste ano do festival de Cinema Indie Lisboa, conquistou, enquanto produtor, o prémio da melhor longa-metragem portuguesa com o filme «Linha Vermelha» do realizador José Filipe Costa.
O João, embora nascido em Lisboa, orgulha-se da sua ligação ao Sabugal, aqui vindo sempre que pode e mantendo, em casa da avó, o seu espaço.
E por isso, sendo uma boa notícia para mim, penso que este prémio é também uma boa notícia para o Sabugal.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

(Presidente da Assembleia Municipal do Sabugal)
rmlmatos@gmail.com

A Junta de Freguesia e a Câmara Municipal do Sabugal endereçaram ao poeta e escritor Manuel António Pina, natural desta cidade, mensagens manifestando regozijo pela atribuição do maior galardão literário da língua portuguesa.

Manuel Rasteiro, presidente da Junta de Freguesia da cidade raiana, disse que «a atribuição de tão elevado prémio a um sabugalense deixou toda a comunidade orgulhosa. A imensidão e o alto valor da obra literária de Manuel António Pina, fazem-no merecer inteiramente a distinção, o que para nós é também um motivo de grande orgulho, por se tratar de um homem que nasceu no Sabugal e que nunca esqueceu esta terra, ainda que a tenha abandonado aos seis anos de idade por motivos profissionais dos seus pais.»
O autarca recorda ainda, numa nota enviada à Lusa, a que o Capeia Arraiana teve acesso, que a Junta de Freguesia organizou em Abril de 2009, no Sabugal, um acto de homenagem a Manuel António Pina, que passou pelo descerrar de uma placa na casa onde o escritor e jornalista nasceu há 67 anos e onde viveu na infância. Realizou-se também uma palestra sobre a vida e a obra do homenageado e foi exibida uma peça teatral da autoria do escritor.
O presidente da Câmara Municipal do Sabugal, António Robalo, considerou por sua vez que o Prémio Camões 2011 atribuído a Manuel António Pina representa «um enorme orgulho» para o concelho. «O facto de um natural do concelho ter sido distinguido com o maior galardão da literatura em língua portuguesa representa um enorme orgulho para todos os habitantes», afirmou o autarca à Lusa.
plb

O escritor Manuel António Pina é o vencedor do Prémio Camões 2011 o mais importante galardão de língua portuguesa. Manuel António Pina nasceu na vila do Sabugal no dia 18 de novembro de 1943 e sucede, entre outros, a Miguel Torga, Vergílio Ferreira, Jorge Amado, José Saramago, Eduardo Lourenço, Pepetela, Sophia de Mello Breyner, Agustina Bessa-Luís e António Lobo Antunes.

Jornalista, escritor e tradutor, Manuel António Pina nasceu no Sabugal, a 18 de novembro de 1943. A sua obra, traduzida em várias línguas, divide-se entre a poesia, a literatura infanto-juvenil, o teatro, a crónica e a ficção.O Prémio Camões, criado em 1989 por Portugal e pelo Brasil para distinguir um escritor cuja obra tenha contribuído para a projeção e reconhecimento da língua portuguesa, foi-lhe atribuído por unanimidade do júri hoje reunido no Rio de Janeiro.
«A decisão foi consensual e unânime, numa reunião que durou menos de meia hora», diz o comunicado do júri que atribuiu a Manuel António Pina o Prémio Camões, o maior galardão literário de língua portuguesa.
Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, integrou de 1971 a 2011 a redação do «Jornal de Notícias», desempenhando funções de editor e chefe de redação. Foi também professor da Escola de Jornalismo do Porto, cidade onde reside.
A Câmara Municipal da Guarda criou, em 2010, em homenagem a Manuel António Pina, um prémio literário anual com o seu nome.
«Nesta casa nasceu o escritor e jornalista Manuel António Pina» testemunha a placa colocada ao lado da porta da casa onde nasceu o ilustre sabugalense. A homenagem promovida pela Junta de Freguesia do Sabugal teve lugar no dia 4 de Abril de 2009. Os actos da homenagem a Manuel António Pina centraram-se no Auditório Municipal do Sabugal, onde teve lugar uma palestra de Arnaldo Saraiva e a peça de teatro do grupo portuense «Pé-de-Vento». O programa incluiu, ainda, o descerrar de uma placa e visita à casa onde nasceu, troca de lembranças e oferta de livros do escritor à biblioteca municipal no salão nobre da Câmara do Sabugal, e a finalizar um porto de honra com uma mesa de luxo repleta de iguarias na Casa do Castelo.
O presidente da República, Cavaco Silva, felicitou esta quinta-feira o escritor Manuel António Pina por ter recebido o Prémio Camões 2011, principal distinção no meio literário lusófono. «A atribuição deste Prémio é o reconhecimento da relevância nacional e internacional que a sua obra representa na literatura em língua portuguesa e é, sem dúvida, um motivo de grande orgulho para todos os que apreciam a sua escrita», refere a mensagem de Cavaco Silva, também divulgada no site da Presidência da República. O chefe de Estado sublinhou que esta distinção «honra a literatura Portuguesa».

Vencedores do Prémio Camões
O Prémio Camões, no valor de 100 mil euros, instituído pelos governos de Portugal e do Brasil em 1988, é atribuído aos autores que tenham contribuído para o enriquecimento do património literário e cultural da língua portuguesa.
Manuel António Pina recebeu o Prémio Camões 2011 e sucede a Miguel Torga (1989), João Cabral de Melo Neto (1990), José Craveirinha (1991), Vergílio Ferreira (1992), Rachel de Queiroz (1993), Jorge Amado (1994), José Saramago (1995), Eduardo Lourenço (1996), Pepetela (1997), António Cândido de Mello e Sousa (1998), Sophia de Mello Breyner (1999), Autran Dourado (2000), Eugénio de Andrade (2001), Maria Velho da Costa (2002), Rubem Fonseca (2003), Agustina Bessa-Luís (2004), Lygia Fagundes Telles (2005), José Luandino Vieira (2006), António Lobo Antunes (2007), João Ubaldo Ribeiro (2008), Arménio Vieira (2009) e Ferreira Gullar (2010).

A atribuição do Prémio Camões a Manuel António Pina veio confirmar (aos mais distraídos) que foi justíssima e visionária a homenagem que foi feita a 4 de Abril de 2009 no Sabugal. Depois disso veio o Prémio Manuel António Pina atribuído pela Câmara Municipal da Guarda, o Festival Internacional de Teatro da Câmara Municipal de Famalicão dedicado a Manuel António Pina, a homenagem na Casa da Beira Alta no Porto, a homenagem da 80.ª Feira do Livro do Porto (2010) que o elegeu como escritor em destaque, a distinção com o Prémio Literário da Fundação Bissaya Barreto e muitos outras merecidas homenagens.
O Capeia Arraiana aproveita para saudar e congratular-se com a atribuição do Prémio Camões 2011 a tão ilustre sabugalense.

jcl (com agência Lusa)

O Prémio Camões 2011 foi atribuído ao escritor Manuel António Pina. Reportagem da jornalista Andreia Marques com imagens de Miguel Almeida da Redacção da LocalVisãoTv (Guarda).

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jcl

A obra «A Divina Pestilência» do escritor João Rasteiro venceu o Prémio Manuel António Pina. Reportagem da jornalista Andreia Marques com imagens de Miguel Almeida da Redacção da LocalVisãoTv (Guarda).

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jcl

Mestre na arte de versejar, senhor de virtualidades técnicas notáveis, Manuel Leal Freire é um dos maiores poetas da nossa terra.

Manuel Leal Freire

João Valente - Arroz com Todos - Capeia Arraiana5. Da Natureza à Alma
«O povo Inglês é um povo mudo; podem praticar grandes façanhas, mas não de escrevê-las», disse Carlyle, dos ingleses.
E acrescentava, com vaidade, no seu poema épico, que os feitos dos ingless está descrito na superfície da terra.
Contrapunha, humilde, Unamuno, que mais modestamente, e mais silencioso ainda, o povo Basco escreveu na superfície da terra e nos caminhos do mar seu poema; um poema de trabalho paciente, na América latina, mais que em qualquer outra. Mas durante séculos viveu no silêncio histórico, nas profundidades da vida, falando a sua língua milenária; viveu nas suas montanhas de carvalhos, faias, olmos, freixos e nogueiras, matizadas de ervas, bouças e prados, ouvindo chamar o oceano que contra elas rompe, e vendo sorrir o sol atrás da chuva suave e lenta, entre castelos de nuvens.
E concluía: «As montanhas verdes e o encrespado Cantábrico são o que nos fez.»
De facto, como tão bem observou Unamuno, é a Natureza e o meio que fazem os povos.
O homem encontra-se determinado pela natureza, a qual engloba tanto o seu próprio corpo, como o mundo exterior. E justamente a efectividade do próprio corpo, os poderosos impulsos animais que o governam, a fome, o impulso sexual, a velhice, a morte, determinam o seu sentimento vital e sua relação com o meio.
Esta constituição vital, que Platão já descrevia na vida presenteira dos terratenentes e sua doutrina hedonista, combatida por Heráclito, encontra expressão na filosofia epicurista, que S. Paulo desdenhou, está presente numa grande parte de literatura de todos os povos, e ressuou nas canções provençais, na poesia cortesã alemã, na epopeia francesa e alemã de Tristão, nas éclogas e pastorais do nosso Bernardim, depara-se-nos igualmente, na filosofia do século XVIII.
Nesta concepção do mundo, a vontade subordina-se à vida impulsiva que rege o corpo e às suas relações com o mundo externo: o pensar e a actividade finalista por ele dirigida encontram-se aqui ao serviço desta animalidade, reduzem-se a proporcionar-lhe satisfação.
Quando tal constituição vital se transforma em filosofia, surge o naturalismo, que, de forma uniforme, desde Demócrito, Protágoras, Epicuro e Lucrécio, a Hobbes, afirma ser o processo da natureza a única e integral realidade; fora dela, nada havendo; a vida espiritual distingue-se da natureza física só formalmente como consciência, de acordo com as propriedades nesta contidas, e a determinidade conteudalmente vazia da consciência brota da realidade física, segundo a causalidade natural.
As experiências do impulso vital, independentemente das construções filosóficas, ebabulações poéticas, levavaram sempre, e isso é que nos interessa, ao mesmo: ao sossego de ânimo, à paz de espírito, que surge em quem acolhe em si a conexão permanente e duradoira do universo.
No poema de Leal Freire, encontramos também a expressão desta constituição anímica. Ele vive em si a força libertadora da grande mundividência cósmica, astronómica e geográfica, que a paisagem particular e a Terra de Riba-Côa criaram.
O universo geográfico, as suas leis gerais, o nascimento de um sistema cósmico próprio, a história da Terra que sustenta animais e homens, por último, produz um homem particular, emergente de um universo cósmico:

«vem á ceia as courelas(10)/ cada uma traz seus mimos/ dá o quintal bagatelas
a veiga fartos arrimos// Das bouças vêm canhotos(11)/ Que um bento calor evolam
E até os manigotos/ Mandam cheiros que consolam// Vinhedos, chões e vergéis(12)/ Primasias se disputam/ Nem as rochas são revéis/ Em dura freima labutam.// As do monte mandam coelhos(13)/ As da ribeira bordalos/ Pirilampos são espelhos/ A cegarrega é dos ralos.»

E o homem que resulta, em Leal Freire, desta cosmogonia é piedoso; um bom pai, há semelhança de Lucrécio, que dizia «ser piedoso quem com ânimo sereno contempla o universo»:

«O lavrador, que é bom pai,/ A ver se a ceia é pra todos/ Não manda, que ele proprio vai.»

Um homem livre que, superando o fundamento mecaniscista do naturalismo, reconhece, como o ideal natrualista de Fuerbach, Deus, na imortalidade e na ordem invisível das coisas:

«Na mesa, que é um altarzinho(9)/ Que branca toalha cobre/
[…]
As Almas Santas dos Céus(14)/ Também descem para a mesa/ A noite, negra de breu,/ Resplandesce com a reza.»

Uma natureza provida de alma, impregnada da interioridade, que nela interpolaram a religião e a poesia.
Uma natureza que covida a uma atitude contemplativa, intuitiva, estética ou artística, quando o sujeito repousa, por assim dizer, nela do trabalho do conhecimento científico-natural e da acção que decorre no contexto das nossas necessidades, dos fins assim originados e da sua realização exterior.
Nesta atitude contemplativa alarga-se o seu sentimento vital, em que se experimentam pessoalmente a riqueza da vida, o valor e a felicidade da existência, numa espécie de simpatía universal.
Graças a tal estado anímico que a realidade suscita, voltamos nela a encontrá-los. E na medida em que alargamos o nosso próprio sentimento vital à simpatía com o todo cósmico e experimentamos este parentesco com todos os fenómenos do real, intensifica-se a alegria da vida e cresce a consciência da própria força vital, tal é a complexão anímica em que o indivíduo se sente um só com o nexo divino das coisas e aparentado assim a todos os outros membros deste vínculo.
Ninguém expressou com maior beleza do que Goethe esta constituição anímica:
Celebra a ventura de «sentir e saborear» a natureza». «Não só permites a fria visita de surpresa, mas deixas-me perscrutar o seu seio profundo, como no peito de um amigo». «Fazes passar diante de mim a série do vivente e ensinas-me a conhecer os meus irmãos no silencioso bosque, no ar e na água».
Esta constituição anímica encontra a resolução de todas as dissonâncias da vida numa harmonia universal de todas as coisas, que tão bem, como Goethe, soube resumir Leal Freire:

«A prece que ceia encerra/Manda pra longe a cizânia/A paz reina sobre a Terra.»

6. Alma enérgica e sensível
Conclui Leal Freire o seu poema com aquela magnífica saudação, que resume todo o carácter da minha raça:

«Dia um da criação (16)/A quantos na tasca estão.»

Uma saudação, curta em palavras, rude, como o que vem da força expontânea da natureza envolvente.
Não é por acaso, que o nosso folguêdo mais apreciado seja a capeia; um passatempo, em que se adestram colectivamente as forças dos homens, em confronto com a força bruta de um boi.
Um divertimento rude, para um carácter simples.
Como dizia Unamuno, a respeito povo Basco, a inteligência da minha raça também é activa, prática, enérgica. Sobreviver numa terra inóspita, de fronteira, exige mais um estética de acção, que de contemplação.
«E para quê poetas em tempos de penúria?», preguntava na 248 elegía, Pão e Vinho, o poeta alemão Hölderlin.
Por isso, em séculos, não produziu nenhum poeta, nenhum filósofo, nenhum santo; mas venceu muitos exércitos invasores, munido apenas de chuços e foices.
Não que o meu povo não seja capaz de pensar, sentir.
A aridez dos cabeços, a dureza da rocha granítica, o contínuo rebentar dos bracejos entre os barrocos, a florição das giestas em Maio, o verdejar dos prados, a sombra fresca dos freixos, o murmúrio dos ribeiros a galgar as fragas, a courela, os quintais, os chãos, os vergéis com os seus mimos, um lenhador carregando ao anoitecer o seu feixe de lenha, o carro de bois carregado balançando-se nos sulcos do caminho, a geada branca sobre o campo, tudo isto se apinha, se agrupa e vibra através da nossa existência diária.
Esta fica tão perto do passo no caminho do poeta e do filósofo que se recreia, como do pastôr, que pela orvalhada sai com o seu rebanho.
Um carvalho no caminho, um freixo num lameiro, induzem todos à lembrança dos primeiros jogos e e das primeiras escolhas da infância. Quando às vezes caía as golpes do machado uma árvore no meio de um bosque, o pai de família procurava na floresta, a madeira seleccionada para as tábuas do soalho, para a cumeeira da casa, o jugo das vacas, a rabiça do arado; o homem mais experiente escolhia a galha mais afeiçoada para o forcão, os moços colhem o madeiro do Natal.
A rudez, o perfume da madeira do carvalho, do castanheiro e do freixo, falam sempre da lentidão e da constância com que uma árvore cresce, floresce e frotifica, abrindo a sua copa ao céu, enquanto a sua raíz mergulha na terra sustentadora.
O caminho do campo recolhe tudo o que tem substância em seu redor, o enigma do perene e do grande, do céu e da terra, penetrando o homem e convidando-o a uma longa e serena reflexão sobre a criação.
Mas esse caminho do campo, como diz Heidegger, «fala sómente enquanto haja homens que, nascidos no seu âmbito, possam ouvi-lo.»
Enquanto o ritmo da vida, o trabalho, as pausas do trabalho, se façam ainda ao ritmo do relógio da torre e dos sinos, que, ainda segundo Heidegger, «sustentam a sua própria relação com o tempo e a temporalidade».
Enquanto «Derem os sinos trindades/ Por sobre as casas da aldeia/ Toques de suavidades/ Que prenunciem a ceia», nas palavras de Leal Freire.
Pena é que só agora, quando o sino das trindades já não marca o tempo dos trabalhos do campo, o meu povo tenha aprendido a falar num idioma de cultura, que revela ao mundo o seu ethos de um profundo sentido do transendente, um saber amável, uma serenidade espiritual, generosidade e fraternidade universais, sob uma aparente rusticidade.
Um ethos de boi valente a investir no forcão, dócil a puxar o arado; generoso sempre, ao pico do garrochão ou da aguilhada. Um povo ao mesmo tempo nervo e sentimento.
Leal Freire, Manuel Pina, Pinharanda Gomes, Eduardo Lourenço, interpretes deste ethos, são poetas e pensadores, que ainda ouvem o caminho do campo, numa Riba-Côa onde rareiam cada vez mais os homens que, nascidos no seu âmbito, ainda conseguem ouvi-lo.
A saudação do final do poema, é o murmúrio que Leal Freire escutou, do vento acariciando as copas dos carvalhos, dos castanheiros e freixos, por esses caminhos de Riba-Côa:

«Dia um da criação, para todos os que na tasca estão!»

Para todos os que ainda consigam ouvir os sinos das trindades e o vento, da terra dos nossos pais!
«Arroz com Todos», opinião de João Valente

joaovalenteadvogado@gmail.com

A investigadora Sara Raquel Reis da Silva, da Universidade do Minho, elaborou uma tese de doutoramento acerca da obra literária do escritor sabugalense Manuel António Pina.

A tese é intitulada «presença e significado de Manuel António Pina na literatura para a infância e a juventude». O objecto central do estudo foi analisar o papel na literatura infanto-juvenil portuguesa da obra que Manuel António Pina tem vindo a publicar nesse domínio nas últimas três décadas.
A investigadora foi primeiramente ao encontro da problematização dos conceitos-base que compõem o enquadramento do seu trabalho académico, analisando questões como a intertextualidade, o humor, a competência literária e a sua conformação perante o contacto precoce e continuado com textos literários.
Depois o estudo apresenta os traços dos aspectos ideotemáticos e dos recursos técnico-expressivos que singularizam a produção literária de Manuel António Pina, em particular nos seus textos dirigidos aos mais jovens.
A investigadora teve como orientadores da tese os professores Fernando José Fraga de Azevedo e Blanca-Ana Roig Rechou.
plb

A obra «A Divina Pestilência», de João Rasteiro, venceu a primeira edição do Prémio Literário Manuel António Pina, instituído pela Câmara Municipal da Guarda.

O Júri, presidido por Virgílio Bento, vereador da Câmara Municipal da Guarda, reuniu no dia 29 de Outubro e deliberou, por unanimidade, atribuir o Prémio à obra assinada por João Cenáculo, pseudónimo com que concorreu João Manuel Vilela Rasteiro.
O vencedor é poeta e ensaísta, licenciado em Estudos Portugueses pela Universidade de Coimbra, tendo traduzido para a língua portuguesa poemas de vários escritores estrangeiros, como Harold Alvarado Tenório e Miro Villar.
Concorreram a esta primeira edição do Prémio instituído pela Câmara Municipal da Guarda, 222 trabalhos inéditos de poesia.
O júri foi constituído por Manuel António Pina, Manuel Rosa (representante da «Assírio e Alvim»), José Manuel Vasconcelos (Representante da Associação Portuguesa de Escritores), Américo Rodrigues (director do Teatro Municipal da Guarda) e Virgílio Bento (vice-presidente da Câmara Municipal da Guarda).
O Prémio, no valor 2.500 euros, será entregue em sessão solene, a realizar na Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço, na Guarda, em 18 de Novembro, dia do aniversário de Manuel António Pina.
plb

O escritor sabugalense Manuel António Pina foi distinguido com o prémio literário da Fundação Bissaya Barreto de literatura para a infância.

Homenagem a Manuel António Pina (Foto by Kim Tomé - www.tutatux.com)A distinção foi para o livro «O cavalinho de pau do Menino Jesus e outros Contos de Natal», da autoria de Manuel António Pina, com ilustrações de Inês do Carmo e edição da Porto Editora.
O júri classificou de «notável» a obra premiada, com «qualidade estética capaz de despertar o imaginário da criança, a originalidade da leitura e o humor inteligente». O júri desta segunda edição do prémio literário da Fundação Bissaya Barreto, foi presidido por Lúcia Santos, chefe da Divisão de Infância da fundação, fazendo ainda parte Rui Veloso, professor especializado em literatura para a infância da Escola Superior de Educação de Coimbra e António Modesto, ilustrador e professor de Ilustração na Escola de Tecnologias Artísticas de Coimbra.
Os cinco mil euros que constituem o prémio serão divididos, em parte iguais, pelo autor do livro e pela ilustradora, em cerimónia pública que acontecerá na Casa Museu Bissaya Barreto, em Coimbra, cuja data será anunciada pela Fundação.
Concorreram ao prémio 205 obras literárias de 30 editoras, publicadas em Portugal entre 1 de Janeiro de 2008 e 31 de Dezembro de 2009.
plb

Foram mais de duas centenas as candidaturas que deram entrada na Câmara Municipal da Guarda, correndo à primeira edição do Prémio Manuel António Pina, pelo qual a autarquia pretende homenagear o jornalista e poeta natural do Sabugal.

O prazo para apresentação de trabalhos inéditos em poesia terminou a 30 de Julho, cabendo agora ao júri analisar os textos dos candidatos e anunciar o vencedor. A atribuição do Prémio acorrerá em sessão solene, na cidade da Guarda, a 18 de Novembro de 2010, dia do aniversário do escritor. O júri é constituído pelo próprio escritor Manuel António Pina, por um representante da Editora «Assírio & Alvim», um representante da Associação Portuguesa de Escritores e pelo vereador do Pelouro da Cultura da Câmara da Guarda, Virgílio Bento.
Ao Prémio Literário Manuel António Pina, com periodicidade anual, concorreram autores de todo o país. O facto de ter atingido um elevado número de concorrentes, mais de 200, deixou a câmara satisfeita e ciente de que o prémio literário contribuirá para a divulgação de obras de poesia escritas por autores portugueses. O trabalho vencedor será de resto publicado pela editora Assírio e Alvim, com a qual a edilidade celebrou um protocolo nesse sentido.
O Prémio tem o valor pecuniário de 2.500 euros, correspondendo este montante aos direitos de autor respeitantes à edição da obra premiada.
plb

JOAQUIM SAPINHO

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