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Manuel Leal Freire - Capeia Arraiana«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual a cada domingo vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Este Município raiano, um dos maiores do País em termos de extensão territorial, tem 40 freguesias, algumas delas com anexas, sendo no total exactamente 100 (cem) o número das localidades do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta bismulense dedica um soneto a Alfaiates e ao seu herói histórico, o antigo governador da praça forte: Brás Garcia de Mascarenhas. No próximo domingo será editado o poema relativo a outra freguesia: Badamalos

ALFAIATES

Não é composta lenda mas história
A que da praça forte aqui ressuma
Quem ouvir uma gesta rememore-a
A fama varre ao longe toda a bruma

A Pátria Portuguesa merencória
Sofria as desgraças uma a uma
Esparsos os resquícios de glória
Armadas em destroços e verruma

A raça por indómita ressurge
Que haja chefe novo é o que urge
As ameaças vêm das Espanhas

Dos cumes dos Hermínios o reforço
Trará o chefe, capitão de esforço
O nome Brás Garcia de Mascarenhas

«Poetando», Manuel Leal Freire

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Para além do encerro, toiro da prova, passeio dos rapazes, pedido da praça, lide com o forcão e o desencerro final, a tradicional Capeia Arraiana conta também com os momentos em que o toiro corre pela arena improvisada ao sabor dos desafios que a rapaziada lhe faz livremente.

Após o manejo do forcão, logo que o mesmo é encostado às «calampeiras», os jovens saltam para a arena e correm a fazer tangentes sucessivas ao toiro bravo, abordando-o por todos os lados, por vezes de forma estonteante, fazendo com que o animal rodopie na tentativa de atingir algum dos vultos que o «atentam». Doutras vezes o toiro corre para alcançar o atrevido que lhe passou de raspão e ainda se atreveu a dar-lhe uma palmada de incitamento.
Mas ele há momentos mágicos, de verdadeiro malabarismo, nomeadamente quando os rapazes mais intrépidos e de melhor preparação física correm para o toiro, que para eles investe decidido, e, no momento da reunião, formam um salto por cima do dorso do animal, caindo ilesos e em perfeito equilíbrio. Em recompensa, os corajosos ouvem longos clamores de admiração seguidos de infindáveis aplausos.
Alguns desses moços arrojados passam sobre o animal sem lhe tocarem, outros assentam-lhe um pé em cima, num acto de desafio e de dominação, outros, cuja sorte ou destreza não os acompanham, desequilibram-se e caem desamparados na arena, originando o desassossego geral perante uma eventual colhida.
Temos na memória o feito memorável de um jovem japonês que, já lá vão 15 anos, entrou na praça do Campo Pequeno, em Lisboa, quando ali acontecia a capeia anual da Casa do Concelho do Sabugal. Da bancada, onde esteve uns instantes, desceu à trincheira e dali entrou na arena, quando os cortadores arraianos se divertiam e davam espectáculo fazendo tangentes velozes ao animal. O jovem japonês, magro e alto, olhou para o toiro e quando este investiu para ele o jovem arrancou também em direcção ao animal, sob o olhar incrédulo das pessoas. Formou um salto e colocou o pé sobre o dorso do toiro, caindo em equilíbrio do outro lado. O público gostou e ovacionou o jovem estrangeiro, que possivelmente nunca pusera até então um pé numa praça de toiros.
Na raia os «malabaristas», chamamos-lhe assim sem qualquer sentido pejorativo, multiplicam-se pelas terras e dão espectáculo nas capeias.
O festival Ó Forcão Rapazes, que este ano se realizou no Soito, no dia 18 de Agosto, foi exemplo disso.
Os manos Batista, de Alfaiates aproveitaram um toiro feroz, que investia com valentia, para lhe saltarem por riba. Um deles, o Frank, formou mesmo um salto mortal perfeito, para gáudio do público que o compensou com um longo e caloroso aplauso.
O Pedro Fonseca (conhecido por Balhé) do Soito, que também é mestre nos saltos, teve este ano o trabalho dificultado por ter cabido à sua terra um toiro pouco dado a investir, que se colava às tábuas, mas mesmo assim, na única oportunidade que se afigurou, o jovem não hesitou e satisfez um público já sedento de observar e ovacionar o seu herói.
Que o espírito, a vontade e a intrepidez dos «malabaristas» não esmoreça, para que as capeias possam continuar a contar com o seu contributo para a valorização do espectáculo.
plb

Os bravos e encorpados toiros da ganadaria José Manuel Duarte proporcionaram excelentes lides no festival Ó Forcão Rapazes, que se realizou no Soito, no dia 18 de Agosto.

Perante uma praça municipal completamente lotada, em que os bilhetes se esgotaram e muitos não puderam entrar, teve lugar uma expressiva demonstração da maior e mais viva tradição do concelho do Sabugal, a Capeia Arraiana, que se realizou dentro do espírito de amizade e alegria que caracterizam a festa dos rapazes que pegam ao forcão.
Os toiros estiveram à altura das exigências do festival. Todos investiram bem ao forcão proporcionando óptimas lides às diferentes equipas.
Depois do desfile das nove equipas representativas de outras tantas aldeias raianas onde a tradição taurina não despega, iniciou-se o espectáculo, sob a orientação do experiente Esteves Carreirinha, o orador de serviço.

A primeira equipa a pisar a arena foi a dos Fóios, equipando com camisola azul. Os perto de trinta jovens que pegaram ao forcão enfrentaram um toiro preto forte e pujante, talvez o melhor de toda a tarde, que investiu vigorosa e continuadamente. O aparelho, seguro firmemente e dirigido com mestria pelo rabeador, rodopiou ao sabor das investidas do animal. Por mais de uma vez se pensou que o toiro iria contornar o forcão, mas os pegadores foram velozes e exímios no seu trabalho de plena sincronia, evitando o pior. Foi uma óptima lide, e certamente uma das melhores da tarde, o que fez com que o Festival abrisse com chave de ouro.

Seguiu-se a lide da equipa de Aldeia do Bispo, que equipou de azul claro. Os rapazes enfrentaram um toiro castanho muito forte que saiu fulgurante do curro, embatendo com violência na galha. O forcão aguentou firme e volteou ao sabor da investida. Porém o animal não marrava com a insistência do primeiro, afastando-se por vezes, sendo necessário incitá-lo para novos acometimentos. Ainda assim proporcionou uma boa lide, devido ao trabalho notável dos rapazes que pegaram ao forcão com valentia conseguindo tirar partido de um toiro que tinha que ser chamado para investir com alma.

O terceiro toiro da tarde coube a Alfaiates, cujos pegadores, ostentando a cor laranja nas camisolas, aguentaram um primeiro embate fortíssimo, a que se seguiram outros de igual vigor. Os rapazes mostraram-se sempre atentos e trabalharam em perfeita sincronia. De tanto embater e rodopiar o touro cansou-se e ficou menos insistente. Depois da lide os moços agarraram o animal, feito apenas igualado pela rapaziada de Aldeia da Ponte. O tempo concedido à equipa foi bem aproveitado, nomeadamente por dois jovens, os irmãos Batista, que cometeram a proeza de saltar sobre o dorso do animal, nomeadamente o Frank que deu um moral, o que causou espanto entre os espectadores e valeu um longo e merecido aplauso.

A turma de Aldeia Velha, vestindo de verde, enfrentou um dos melhores toiros da tarde, um animal castanho muito forte, que teve uma entrada fulgurosa, atacando a galha esquerda do forcão com muita violência, fazendo estalar o madeirame. À descomunal força do toiro contrapôs-se o empenho total da equipa, que segurou firme o aparelho e volteou ao sabor das endiabradas investidas. Com o correr do tempo e face ao cansaço o toiro bateu mais a compasso, ainda que sempre com força, obrigado os pegadores a um empenho permanente. A lide de Aldeia Velha esteve entre as melhores da tarde, o que lhe valeu sucessivos aplausos do público que enchia as bancadas da praça.

Os rapazes dos Forcalhos equiparam com camisolas castanho-avermelhadas (bordô) e enfrentaram com o forcão um toiro preto que bateu bem inicialmente, mas que depois passou a hesitar. Numa das investidas na galha o toiro correu com vigor tentando contornar o aparelho, o que gerou um clamor nas bancadas, num momento em que se anteviu o pior. Porém o intrépido rabeador acelerou o movimento circular do forcão e evitou que o animal o contornasse. No final, face às sucessivas hesitações do toiro, valeu o incitamento dos rapazes para que continuasse as fortes investidas no aparelho.

O Soito, que equipou de cinza, lidou um toiro castanho bastante alto, mas algo menos encorpado que os demais. Saiu no curro e investiu forte à galha esquerda, da qual demorou a despegar, proporcionando um bom momento de faena. Depois continuou a investir numa e outra galha, sendo contudo mais frouxo no encontro com o aparelho. A equipa da casa não beneficiou porém da bravura indómita do toiro que outras equipas tiveram em sorte, mas conseguiu ainda assim uma óptima lide. Encostado o forcão, os cortadores do Soito depararam-se com o toiro colado às tábuas, sendo de difícil chamamento para o meio da praça, o que desagradou à malta que gosta de «atentar» o animal.

A Lageosa equipou de azul escuro e lidou um toiro também negro que, tal como os restantes, bateu bem à investida inicial, quando saiu do curro. Marrou na galha direita, fazendo com que os pegadores rodopiassem rapidamente, o que fez levantar uma expressiva nuvem de poeira. Passado esse primeiro momento da lide, foi necessário incitar o animal para que voltasse a investir, conseguindo-se ainda assim bons momentos, em que os capeadores mostraram a mestria com que pegam ao forcão. O pó que se levantava da arena levou a que os Bombeiros do Soito regassem o solo, o que foi imprescindível para a continuação do Festival.

O Ozendo, que vestiu de vermelho, enfrentou um toiro preto, que quando entrou na praça deu um enorme trabalho à equipa, valeu-lhe permaneceu unida, bem agarrada ao aparelho, movendo-se em plena sincronia ao sabor das tremendas investidas do animal. O toiro meteu por mais de uma vez a cabeça por baixo do forcão tentando levantá-lo, valendo para o evitar a intrepidez e a boa atenção dos homens das galhas. Com o andar da lide o animal foi manifestando desinteresse pelo forcão, porém bateu sempre forte e com alma, partindo até uma galha numa das investidas. A equipa do Ozendo proporcionou uma das grandes lides da tarde.

Coube a Aldeia da Ponte fechar o Festival. Os rapazes, com camisola verde alface, lidaram um toiro preto, que marrou violentamente no forcão, fazendo estalar as galhas, o que chegou a criar um sussurro nos espectadores. Contudo a bravura do toiro não assustou os corajosos pegadores, que se mantiveram firmes e ágeis no lidar do forcão. Com o evoluir da faena o animal desinteressou-se pelo forcão, sendo necessário estimulá-lo para novas investidas. Aldeia da Ponte tem bons cortadores, que na fase que se segue à lide com o forcão geram um bom espectáculo, quase sempre coroado com a pega do animal, porém desta feita o toiro colou-se demasiadamente às tábuas, o que dificultou o trabalho dos aldeiapontenses, que no entanto honraram os seus créditos consumando a pega.

Foi uma tarde de excelente promoção da capeia arraiana, que mais uma vez se revelou enquanto manifestação popular emocionante e viva, com condições para se continuar a afirmar com um dos grandes potenciais de promoção do concelho do Sabugal.
plb

Os encerros e as capeias arraianas na Raia sabugalense têm um novo protagonista. Chama-se José Manuel Monteiro Duarte mas todos o conhecem por «Fininho». O ganadero tem apresentado nos dois últimos anos excelentes curros com destaque para a recente Capeia de Aldeia do Bispo onde houve um reconhecimento unânime da qualidade dos toiros em praça. «No dia em que acabarem os encerros e as capeias a Raia perde a sua identidade», diz-nos quem sabe do que fala numa conversa descontraída onde confessou que agora o grande objectivo é fazer uma corrida no Campo Pequeno, em Lisboa.

Ganaderos José Manuel Duarte «Fininho» e Joaquina - Sabugal

José Manuel Monteiro Duarte, o «Fininho» como é conhecido na Raia sabugalense, nasceu há 41 anos na freguesia de Famalicão da Serra, concelho da Guarda.
«Comecei sozinho em 1994», lembra o ganadero no início da nossa conversa no Café do César, na Ruvina, onde chegou à hora marcada acompanhado da mulher Joaquina. A entrevista esteve inicialmente marcada para a quinta onde tem os toiros mas um calendário muito preenchido no mês de Agosto deixou essa visita para futura oportunidade. O terreno com muitos carvalhos vai desde o caminho agrícola da descida da Laje da Guarda até ao rio Côa contornando o cabeço da Senhora das Preces, local de romaria dos ruvinenses.
Voltando às memórias dos primeiros tempos diz-nos que aprendeu muito com o ganadero Manuel Rui, para quem trabalhou e a quem namorou uma filha. «Era o maior das touradas», diz com admiração.
– Qual foi a primeira capeia que realizou na Raia sabugalense?
– A primeira corrida, uma garraiada, com toiros meus teve lugar a 10 de Junho de 1994 numa praça desmontável em Famalicão da Serra. Fui comprar os animais ao Ribatejo e no primeiro ano e meio fiz 19 corridas. A minha primeira corrida na Raia foi em Aldeia do Bispo na tradição capeia do Carnaval. Nesse tempo ainda tinha os toiros a pastar em Famalicão mas tomei a melhor decisão da minha vida. Optei por vir sozinho para a terra dos toiros. Aqui é que é o Mundo das touradas e dos cavalos. Nesse tempo, no tempo do Emiliano e do Paco, os encerros tinham muito peso. Curiosamente, de há dez anos para cá, voltaram a ter muita participação e fui obrigado a comprar cabrestos. Os encerros trazem muita gente. No dia em que acabarem os encerros e as capeias a Raia perde a sua identidade.
– Considera-se um ganadero?
– Em vinte anos já realizei mais de 400 corridas em concelhos como o Sabugal, Guarda, Almeida, Bragança, Águeda, Aveira, Penamacor ou Castelo Branco. Fiz um enorme investimento nestes dois últimos anos para mudar a forma de trabalhar melhorando os pastos, a alimentação e o transporte dos toiros separados em gaiolas. Considero que tenho todas as condições para ser reconhecido como ganadero e tenho ganas de triunfar. Além disso faltava-me um braço direito que encontrei na minha mulher Joaquina com a qual faço uma equipa. Foi como encontrar uma agulha no palheiro. A Joaquim passou de guardadora de ovelhas para tratadora de toiros. Foi uma mudança radical mas que está a valer a pena. Tem evoluído muito rapidamente e de forma surpreendente na maneira de ver e perceber o que é bom para o forcão. Já vai a pé fechar os toiros e as vacas de quatro e cinco anos.
– Como aconteceu aquela colhida no encerro de Nave de Haver?
– Já apanhei cornadas valentes há cerca de 15 anos com um toiro em pontas. Já este ano, em Nave de Haver, levei umas cambalhotas valentes no encerro a cavalo. Acontece. Normalmente ando no meio dos toiros sem problemas. Eles têm muita sensibilidade e percebem se estamos com medo ou não mas temos de mostrar que quem manda somos nós. São animais que aprendem depressa e que sabem quem os traba bem. Há momentos em que me deito na majedouro onde comem mas também já tive de subir a correr para os carvalhos mais perto.
– Como se escolhe um toiro para o forcão?
– Para bater bem ao forcão o toiro tem de ser macio e meigo. Os que levei à Capeia de Aldeia do Bispo, na semana passada, eram todos perfeitos. Tenho as corridas separadas em cada parque porque não convém juntar animais de ganaderias diferentes. Cada toiro faz uma corrida ao forcão e depois vai para o matadouro. Prefiro o gado português e já estou a trabalhar com várias ganaderias para preparar as corridas do próximo ano. Para criação própria tenho vacas de ventre a parir desde há cerca de três anos.
– Há cuidados especiais para preparar uma corrida como o Festival «Ó Forcão Rapazes»?
– Foi a Joaquina que escolheu a ganaderia Ortigão Costa mas tivemos em conta o orçamento. Os nove toiros (mais um sobrero de reserva) para o Festival «Ó Forcão Rapazes» têm apresentação, idade, peso, terapio e qualidade para não falharem. A «Ortigão Costa» é uma ganaderia de muita tradição que manda toiros para o Campo Pequeno, para Espanha e para França. A responsabilidade e o número de corridas e encerros obrigou-me a aumentar a equipa com alguns amigos que me acompanham. No entanto ainda não dá para viver exclusivamente das corridas. Os alimentos estão muito caros e, por isso, fora da época alta trato dos animais e dedico-me à venda de lenha.
– A temporada de 2012 está a correr de feição…
– Está a correr muito bem. Um passo importante que dei para chegar aqui foi um encerro nos Fóios há três anos em que me deram muito valor porque já há mais de 40 anos que não encerravam o gado todo. Esta temporada destaco os encerros e capeias de Aldeia do Bispo, Rebolosa, Fóios e, claro, o Festival da praça do Soito. Outros momentos importantes foram o encerro de Nave de Haver e a corrida em Vale da Mula que está a ganhar muito peso na região. Em Vila Boa animaram-se e voltaram a fazer uma corrida após mais de 20 anos muito por culpa dos meus amigos Manuel António, do filho e do Manuel «Forneiro» que também me andam a ajudar. (Enquanto conversávamos ficou apalavrada com o mordomo Carlos Pina Solito a garraiada da Bismula para o dia 22 de Agosto).
A Joaquina foi uma espectadora atenta de toda a conversa e apenas interveio para destacar as qualidades do nosso entrevistado. «O Zé Manel nasceu para ser ganadero. Está-lhe no sangue. Às vezes para embolar um toiro senta-se em cima dele com um àvontade como se estivesse a lidar com gado manso.»
A terminar o «Fininho» confessou um desejo: «Agora tenho como grande objectivo fazer uma Capeia Arraiana na Catedral em Lisboa.»

Contactos: Telemóvel: 963 912 967. Facebook: Ganaderia José Manuel Duarte Fininho.

Os toiros do Festival Ó Forcão Rapazes podem ser vistos Aqui.

Camião do Ganadero José Manuel Duarte Fininho - Sabugal

O José Manuel Duarte surpreende por manter uma expressão quase inalterável ao longo da conversa. Transmite convicção, gosta de pormenorizar os factos e percebe-se que tem as ideias arrumadas.
jcl

A sétima etapa da 74ª edição da Volta a Portugal em Bicicleta, que se realiza a 23 de Agosto, terá a meta no Sabugal, cidade onde os ciclistas passarão por duas vezes antes de aí terminarem a etapa.

Mais de 100 quilómetros da etapa, num total de 185, serão percorridos no concelho do Sabugal, numa autêntica «volta ao concelho».
Os ciclistas sairão de Gouveia onde e seguirão para a Guarda, tomando depois a estrada nacional 16 até ao Alto do Leomil, onde tomarão a estrada para o Sabugal. Entrarão no concelho do Sabugal pela Cerdeira, passando depois no Peroficós, Rapoula do Côa e Quintas de São Bartolomeu. Passam pelo Sabugal sem parar, seguindo para Santo Estêvão, Terreiro das Bruxas e Casteleiro. Dali seguirão para a aldeia histórica de Sortelha, de onde prosseguirão para a Urgueira e Aldeia de Santo António, para depois passarem pelo Sabugal pela segunda vez, de onde rumarão a Rendo, Vila Boa, Nave, Alfaiates, Soito, Quadrazais, Colónia, chegando depois ao Sabugal pela terceira e derradeira vez, onde cortarão a meta.
Nesta sétima etapa os ciclistas contarão com maiores dificuldades na escalada à cidade da Guarda. Depois o pelotão terá pela frente um percurso embelezado pelas ricas paisagens do planalto raiano e pela passagem na aldeia histórica de Sortelha, em cuja subida os ciclistas, vindos do vale da Quarta-Feira, sentirão também algumas dificuldades.
O Sabugal que, que no ano passado foi local de partida da Volta, recebe este ano, pela primeira vez, um final de etapa.
A edição deste ano da Volta começa em Castelo Branco e termina em Lisboa, sendo no total 11 dias de prova (em Agosto) e 10 etapas (1.606,8 km):
Dia 15: Prólogo (CRI), Castelo Branco – Castelo Branco, 2 km.
Dia 16: 1.ª etapa, Termas de Monfortinho – Oliveira do Hospital, 200,8 km.
Dia 17: 2.ª etapa, Oliveira do Bairro – Trofa, 190,7 km.
Dia 18: 3.ª etapa, Vila Nova de Cerveira – Fafe, 176,1 km.
Dia 19: 4.ª etapa, Viana do Castelo – Mondim de Basto (Senhora da Graça), 151,9 km.
Dia 20: 5.ª etapa, Armamar – Oliveira de Azeméis, 176,9 km.
Dia 21: 6.ª etapa, Aveiro – Viseu, 186,1 km.
Dia 22: Descanso.
Dia 23: 7.ª etapa Gouveia – Sabugal, 185,3 km
Dia 24: 8.ª etapa, Guarda – Alto da Torre, 154,9 km.
Dia 25: 9.ª etapa (CRI), Pedrógão – Leiria, 32,6 km.
Dia 26: 10.ª etapa, Sintra – Lisboa, 149,5 km.

A prova contará com mais de uma centena de ciclistas de 16 equipas de vários países: Andalucia-Coldeportes (Colômbia), Andalucia (Espanha), Caja Rural (Espanha), Saur-Sojasun (Espanha), Unitedhealthcare (EUA). Carmim-Prio (Portugal), Efapel-Glassdrive (Portugal), LA-Antarte (Portugal), Onda (Portugal), Funvic-Pindamonhangaba (Brasil), Orbea Continental (Espanha), Burgos BH.Castilla y Leon (Espanha), Itera-Katusha (Rússia), Lokosphinx (Rússia), Team Bonitas (África do Sul), MTN Qhubeka (África do Sul).
plb

O mês de Agosto carrega sempre o secreto apelo do regresso às origens para os que estão longe. No concelho do Sabugal faz povoar as aldeias, abrir as persianas, lotar os bancos das igrejas e encher os lugares públicos com um estranho mas familiar linguajar mesclado aqui e ali de expressões e palavras de origem francesa. Mas, para muitos dos sabugalenses é o tempo da mãe de todas as touradas – a capeia arraiana – espectáculo único que andou escondido esotericamente nas praças das nossas aldeias e que, agora, de há uns anos para cá parece ter perdido a vergonha e tudo faz para se dar a conhecer ao mundo. A tradição manda que as touradas com forcão, precedidas de encerro, se iniciem na Lageosa no dia 6 de Agosto e terminem em Aldeia Velha no dia 25. E que se oiça bem alto o grito: «Agarráááio»

DIA FREGUESIA EVENTO
3 e 4 Soito Garraiadas/Largadas
6 Lageosa da Raia Encerro e Capeia Arraiana
6 Ruivós Garraiada Nocturna com forcão
7 Soito Encerro e Capeia Arraiana
8 Rebolosa Encerro e Capeia Arraiana
10 Soito Tourada à portuguesa nocturna
12 Aldeia da Ponte Tourada à portuguesa
13 Aldeia do Bispo Encerro e Capeia Arraiana
13 Seixo do Côa Garraiada
14 Nave Capeia Arraiana
15 Aldeia da Ponte Encerro e Capeia Arraiana
15 Ozendo Encerro e Capeia Arraiana
16 Vale de Espinho Garraiada
16 Vale das Éguas Garraiada nocturna com forcão
17 Alfaiates Encerro e Capeia Arraiana
17 Fóios Capeia Arraiana Nocturna
18 Soito Festival «Ó Forcão Rapazes»
20 Forcalhos Encerro e Capeia Arraiana
21 Fóios Encerro e Capeia Arraiana
25 Aldeia Velha Encerro e Capeia Arraiana
Fonte: Rota das Capeias da Câmara Municipal do Sabugal

«A Capeia Arraiana não é uma tauromaquia qualquer. Como uma espécie de religião em que se acredita, não basta assistir, é preciso participar, ir ao encerro, comer a bucha, beber uns goles da borratcha e voltar com os touros, subir para as calampeiras, ser mordomo, ser crítico tauromáquico, discutir a qualidade dos bitchos da lide ou, simplesmente, ser fotógrafo da corrida que não deixa ninguém indiferente, corre na massa do sangue, provoca um nervoso miudinho, levanta os pêlos do peito, atarracha a garganta e perturba o sono. É um desassossego colectivo que comove.» António Cabanas in «Forcão – Capeia Arraiana».
jcl

A Organização que recentemente trouxe os Agentes de Viagens ao Concelho do sabugal vai realizar mais uma iniciativa em favor da divulgação das nossas terras, apostando desta feita num «tour turístico» que mostrará aos interessados as nossas potencialidades.

Move-nos o amor à terra que nos viu nascer, às pessoas que aqui vivem e que fazem tudo para que este rincão do território português não morra e ultrapasse, pouco a pouco mas decididamente, a Crise que tanto nos preocupa. Pela nossa parte tudo faremos para que isto não aconteça.
Peço a todos os meus amigo e amigas que nos ajudem a divulgar e promover, dentro e fora de portas, todas as potencialidades do Turismo do Concelho do Sabugal. Agradecemos aos media a ajuda que nos têm prestado na divulgação dos nossos eventos.
O Concelho do Sabugal é um ilustre desconhecido no panorama nacional. Temos encontrado, e não são poucas, pessoas de diversos quadrantes que não sabem aonde fica nem conhecem o nosso Concelho. É triste mas é real. Uma região que tem para oferecer alguns dos melhores pratos gastronómicos de Portugal não se pode dar ao luxo de continuar a ser um ilustre desconhecido da maioria dos portugueses. Temos de ter orgulho do que sabemos fazer, do que somos capazes de fazer, do papel que desempenhámos ao longo da História, e, sobretudo, do que somos.
Convém não esquecer! Um concelho que tem uma Gastronomia como a nossa; um único Castelo de Cinco Quinas de que há memória; uma Aldeia Histórica como a de Sortelha uma ponte como a de Sequeiros; um monte como o Cabeço de S. Cornélio e o Cabeço das Fráguas; a Rota do Contrabando que nos liga à vizinha Espanha; um rio com a história do Rio Côa; serras como a das Mesas e a de Malcata; já para não falar dos inúmeros vestígios criptojudaicos um pouco por todo o lado não se pode dar ao luxo de continuar a ser um Ilustre Desconhecido. E que dizer da qualidade das carnes e enchidos da Beira?!

PROGRAMA
Sexta-feira, 13 de Julho

22.30h – Recepção de boas vindas aos visitantes na Casa do Castelo.
23.00h – Chegada ao RaiHotel.

Sábado, 14 de Julho
9.30h – Partida para o Centro Histórico do Sabugal [visita guiada ao Solar dos Britos, Museu, e Judiaria]
12.30h – Almoço buffet no Restaurante O Lei
15.00h – Partida para à Aldeia Histórica de Sortelha [visita guiada e apresentação de uma peça de teatro].
18.00h – Partida para uma Visita Guiada à Quinta dos Termos com prova de vinhos e degustação de enchidos, presuntos e queijo da região).
21.00h – Regresso ao RaiHotel

Domingo, 15 de Julho
10.00h – Partida para a Nascente do Côa, visita às Ruinas Lusitanas do Sabugal Velho. Visita a Alfaiates [ida ao Santuário de Sacaparte, ao Castelo e à Igreja da Misericórdia (aqui se realizou o casamento da Infanta D. Maria, filha de D. Afonso IV de Portugal, com Afonso XI de Castela).
13.00h – Almoço no Restaurante/Viveiro Trutalcôa.
14. 00h – Tarde desportiva/recreativa. Visita guiada ao Viveiro das Trutas.(os participantes poderão, se assim o entenderem, desfrutarem das óptimas condições que este lugar oferece, entre elas, dedicar-se à pesca da truta na charca do viveiro.
16.30h – Partida para o Sabugal.

Nota:
Os interessados poderão inscrever-se pelos telefones: 969272706 / 919176246 ou para o email: betcentral@hotmail.com.
Informamos que quem vier de Lisboa tem autocarros da transportadora Viúva Monteiro da Gare do Oriente ao Sabugal. Horário: Todas as Sextas-Feiras às 18 horas e chegada ao Sabugal às 22 horas. Aos Domingos tem do Sabugal as 18 horas com chegada a Lisboa às 22 horas.

Alberto Luís (Pela Organização)

O concelho do Sabugal é geograficamente trimorfe, economicamente biforme e historicamente policéfalo.

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaA policefalia resulta do facto de o nosso concelho, na sua actual definição territorial, abranger freguesias que até às ultimas reformas de JOSÉ DA SILVA PASSOS, pertenceram umas aos extintos municípios de SORTELHA, TOURO — a vila do Touro —ALFAIATES e VILAR MAIOR, todas as que já lhe pertenciam, e, ainda, uma, a de CERDEIRA DO COA, do desaparecido termo de CASTELO MENDO.
Como se sabe, com a irrupção do liberalismo e queda do ANTIGO REGIME, MOUSINHO DA SILVEIRA deu início a uma série de reformas marcadamente iconoclastas, porque todas elas tendentes a destruir o passado, cortando com a tradição.
Os seus principais executores receberam ápodos que a História registou e, de algum modo, sintetiza a obra de extinção por eles promovida.
V. g.
JOAQUIM ANTONIO DE AGUIAR — O MATA FRADES
Responsável pelo confisco dos bens da Igreja Católica, o encerramento dos conventos, a expulsão dos religiosos.
BENTO PEREIRA DO CARMO — O RASGA BANDEIRAS
Que decretou o fim das corporações de artes e ofícios, também conhecidas por grémios ou bandeiras e das Santas Casas da Misericórdia, nacionalizando a de Lisboa, que nunca mais recuperou o estatuto de associação de fiéis católicos, transformando-se em ludolândia ou seja em instituto nacional de jogos.
E, para o caso de que agora tratamos, o DEGOLA CONCELHOS que extinguiu cerca de oitocentos concelhos.
Só no distrito da Guarda, acabou com oitenta e seis, reduzindo a catorze os cem preexistentes.
Frise-se que o nome PASSOS JOSÉ serviu para o caracterizar relativamente a seu irmão — PASSOS MANUEL, que teve uma muito meritória acção nos domínios da escolaridade.
De resto, também a reforma administrativa personificada em Passos José foi muito positiva, adequando o número de concelhos a uma nova realidade baseada em vários pressupostos, designadamente na substituição dos caminhos de ferradura pelas novas vias, com o encurtamento dos tempos de viagem.
Já se anuncivam as vias férreas.
E o caminho beirão de São Tiago só não foi aproveitado como novo itinerário por o PADRE PAULO, grande terratenente em Aldeia da Ponte, temer cortes nos seus agros e perversões nos paroquianos.

Um território trimorfe
Consabidamente, é o concelho do Sabugal de grande extensão territorial.
Não tanto, é certo, como o de Odemira, que dizem ser o maior da Península, ou sequer o de Idanha-a-Nova, nossa vizinha porque apenas separadas por terras de Penamacor.
Mais pequenos do que estes dois, é, no entanto superior em área a noventa e oito por cento dos outros municípios.
Além disso, tem a particularidade de abranger três zonas fortemente diferenciadas — uma de montanha, outra de planalto e a terceira com características de cova.
A primeira encosta-se a Espanha e ocupa os contrafortes portugueses das regiões salamantinas de Francia e Gata, do lado de cá chamados genericamente Serra de Malcata, embora com subdenominações interessantes, v g das Mesas, baseado no encontro de quatro bispos — da Guarda, de Pinhel, de Coria e de Cidade Rodrigo — todos lado a lado, mas cada um num banco de pedra incrustado na sua área de jurisdição.
A zona de planalto abrange a parte restante dos antigos concelhos de cima Coa que o do Sabugal presentemente integra.
A zona de cova tem por epicentro o Casteleiro e assume as características que os geógrafos costumam congregar no conceito de TERRA QUENTE DO NORTE.
Até por oposição á anterior tipicamente TERRA FRIA DO NORDESTE.
Quem se achar interessado em aprofundar esta genérica conceptualização, pode fazê-lo através de três autores sabugalenses — todos eles, no entanto, da zona serrana:
o geógrafo CARLOS MARQUES, de Vale de Espinho.
O romancista NUNO DE MONTEMOR, nascido em Quadrasais.
O poliígrafo PINHARANDA GOMES, também quadrasenho.
Este nome ressuma a COA, de CUDA.
E as relações com a montanha, para nós sacralizada vieram para o Cancioneiro.
O lugar de Quadrasais
Ao fundo da terra fica

Ler «Maria Mim», ou até «Crime de um Homem Bom», do segundo, «O Motim do Aguilhão no Sabugal» ou «Práticas de Etnografia», do terceiro, e, sobretudo, «A Bacia Hidrográfica do Coa», do primeiro, para além de um enorme prazer espiritual, ganhará excelências de conhecimento.

Economicamente marcado pelas assimetrias morfológicas nuns casos, noutros pelas influências espanholas, biforme no mínimo, poliforme em boa parte.
Como economia de subsisteêcia, baseada numa quase sempre deficiente exploração agro-pecuária, se terá de classificar a que secularmente se viveu no concelho.
Dos cereais panificáveis só o centeio, semeado por todas as freguesias, em regime de folhas, é que se produzia de modo a cobrir as necessidades locais.
O trigo, afora os barros do Soito, resumia-se a pequenas belgas, que apenas davam para uma pastelaria, singelamente pobre.
A cevada, a aveia, o milho, cultivavam-se sobretudo como forraginosas, poucas dando grão.
Não se usava pão de milho.
O grosso mal chegava para as sementeiras, revertendo o sobrante para as papas, gordas ou doces,consoante a maré.
E o miúdo, por aqui chamado painço, ia para o bico dos pintainhos, amorosamente chocados e desemburrado
A grande cultura era a da batata que cobria todo o agros que dispusesse de alguma àgua para rega e até o sequeiro cuja humidade desse algumas garantias.
Entremeando, espetavam-se feijões que generosamente — muito mais que o cem por um dos evangelhos — pagavam o desvelo.
E nos tornadoiros, cresciam alfaces e beterrabas porqueiras ou agigantavam-se abóboras.
Mas eram as batatas e feijões que asseguram a entrada no orçamento familiar de alguma moeda corrente.
O regadio, para além de cobrir as necessidades de hortícolas, contribuía para o passadio dos gados com carradas de nabos e muitos feixes de ferrã.
O mato, para além de prover o forno e o lar, contribuía pelas ramadas verdes para alimentação de cabras e ovelhas e pela folhagem seca — caruma e ramalhos — para camas e esterqueiras, no que também ajudavam muito os giestais.
Os proprietários de mais geiras podiam ainda extrair mais proventos pela venda de madeira — freixo, carvalho e pinho, sendo de acrescentar que o último, pela sangria de resinagem alguma coisa rendia e mais renderia, se não fora a cupidez das empresas e a manigãncia dos operadores locais.
Algumas manchas florestais da azinheira, por aqui chamada carrasco, permitiam, quando de maior extensão, o porco de montado.
Aliás, mesmo isolada, apanhava-se-lhe a lande bolota ou boletra, dizíamos, para a engorda, no que competia com o roble, segundo o Cancioneiro, árvore de excelência.
Pois,
Não há pau como carvalho
Que dá num ano quatro frutas
Dá a bogalha, o bogalho
Bolotas e maças-cucas

Mas isto, observam os de idade e saber, são tretas, que árvore a sério é o castanheiro.
Para além dos muitos contos de reis vindos para o concelho pela castanha vendida para fora, foi ela que evitou a fome e varreu a tuberculose.
Crua, cozida, em caldo.
Transformada em pão…
E também contribuía para a lírica, até mordaz:

Menina, já que as castanhas
Lhe são tão apreciadas
Por artes ou artimanhas
Vou-lhe dar duas piladas

E se achar poucas as duas
Eu juro por minha fé
Dar-lhe não apenas duas
Mas três, quatro ou mais até…

«O concelho», história e etnografia das terras sabugalenses, por Manuel Leal Freire

:: ::
Inicia-se hoje a edição de mais uma coluna assinada pelo escritor raiano Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, designada «O concelho», na qual abordará temas históricos e etnográficos do concelho do Sabugal. Esta rubrica terá edição quinzenal, alternando com a crónica «Terras do Jarmelo» de Fernando Capelo.
Com esta nova crónica, Manuel Leal Freire passa a assinar quatro colunas no «blogue de todos os sabugalenses», a saber: «Poetando» (ao domingo), «O concelho» (à quarta-feira), «Caso da Semana» (à quinta-feira) e «Politique d’Abord – Reflexões de um politólogo (ao sábado).

plb e jcl

A Câmara Municipal aprovou o plano anual de mercados e feiras a decorrer no concelho do Sabugal durante o presente ano de 2012. Muitas terras de pequena dimensão, em termos de moradores permanentes, conseguem manter o seu mercado mensal e a sua feira de ano, demonstrando por essa via a sua vitalidade.

Feiras (chamadas feiras de ano), por terem data de realização todos os anos e não mensalmente, como sucede com os mercados:
Badamalos: 24 de Agosto.
Casteleiro: 10 de Fevereiro, 10 de Maio e 10 de Novembro.
Quadrazais: segundo domingo de Agosto.
Rebolosa: 25 de Novembro.
Ruivós: segundo fim-de-semana de Março.
Ruvina: segunda-feira de Pascoela.
Sabugal: 29 de Junho.
Santo Estêvão: 15 de Março e 25 de Setembro.
Soito: primeiro domingo de Agosto.
Vilar Maior: 17 de Agosto.

Mercados, de realização mensal:
Aldeia do Bispo: primeira terça-feira.
Aldeia da Ponte: primeira segunda-feira.
Alfaiates: segunda quinta-feira.
Bendada: dia 12 de cada mês e às quartas-feiras entre os dias 22 e 29.
Bismula: último dia do mês.
Casteleiro: dia 10 de cada mês.
Fóios: último sábado.
Pousafoles do Bispo: segundo domingo.
Sabugal: primeira quinta-feira e terceira terça-feira.
Santo Estêvão: última quinta-feira.
Soito: quarta terça-feira.
Vale de Espinho: segundo sábado.
Vila do Touro: terceira quinta-feira

Os mercados e as feiras são sinais de vitalidade para a sede de concelho e para as freguesias que ainda os conseguem manter. Para além disso são geralmente de grande utilidade para as pessoas, que assim têm à porta um conjunto de bens essenciais que doutra forma teriam que ir comprar longe.
plb

Ir ao mercado foi um acontecimento que me fascinou desde criança. Na minha terra natal, Bismula, concelho do Sabugal, no fim de cada mês realizava-se este evento comercial, onde o meu irmão Manuel José Fernandes vendia todos os melões do meloal, propriedade do meu pai, enquanto o meu irmão Francisco Alves Monteiro vendia pão espanhol, que era muito apreciado naquela zona arraina.

Nas aldeias vizinhas de Alfaiates, Miuzela e Vila do Touro, calcorreei caminhos com o meu progenitor José Maria Fernandes Monteiro, levando animais e produtos agrícolas para vender. Os mercados mensais eram os eventos mais importantes da transacção de mercadorias e produtos. O meu primeiro fato que levei em 1958, para a Escola Apostólica de Cristo Rei em Gouveia, dirigida por padres alemães, foi comprado no mercado de Alfaiates. Em Vila do Touro comi a melhor carne assada pelo meu conterrâneo António Joaquim Videira, que estava um pouco acanhado, mas as ordens da autoridade da freguesia, são neste caso, para se cumprirem. Na Miúzela saboreei umas belas sardinhas, acompanhadas com água, porque era-me proibido beber o vinho famoso daquela região. Era bom ir ao mercado porque sempre folgavam as nossas costas do trabalho rural, sempre se convivia, comia-se com mais gosto, compravam-se mercadorias e animais de quatro patas.
O Mercado mensal do Fundão é um acontecimento regional de grande importância comercial, social, económica, de encontros e desencontros e de convívio das gentes do concelho, extensivo aos Concelhos da Covilhã, Belmonte e Castelo Branco. Ali se cruzam muitas e diversas mercadorias, mas acima de tudo as pessoas.
Entro pelo lado nascente e olha-se para o placard da necrologia para saber se uma pessoa familiar ou amiga faleceu. Desta vez lá estava o amigo Filipe de Sousa Monteiro, mestre na arte da serralharia, na Firma Miguel Reis do Fundão e na Cerâmica de S. Pedro em Alcaria, que desceu à terra pelas 16h30 em Aldeia de Joanes.
Junta-se o amigo alentejano que há tempos não via e lá se veio lamentar de umas dores que não o largam. Seguimos para o espaço do mercado. Conta-me uma história da sua juventude, ao passarmos por uma jovem muito bonita e a beleza feminina é para ser admirada. Trabalhava na Carris e tinha uma meia casinha alugada na Mouraria. Um dia deu abrigo a uma moura, que tinha perdido o marido recluso numa Cadeia da Capital por desfalques a uma empresa de venda de automóveis. Como trabalhava por turnos autorizou-a a dormir na sua cama. Queria respeitá-la, mas um dia de muito frio a sua amiga convidou-o para entrar no vale dos lençóis. O aquecimento recíproco foi deveras proveitoso. Passados meses parecia que a relação podia dar frutos menos desejáveis e de pronto-socorro alguém interveio. Um amigo deu-lhe uma caixa de preservativos e nunca mais teve problemas, inclusive com a dona da casa que tinha o marido lá para as Minas de São Domingos no Alentejo, ficando tudo em família. Ainda hoje ouvi na comunicação social que os Portugueses dão meças ao mundo. Ainda bem!
Enquanto avançávamos e nos cruzávamos com novos e velhos, com reformados ou gente desenfiada que devia estar no seu posto de trabalho, talvez dispensada pelos seus chefes, o meu amigo alentejano conta-me outra história. Há dias entrou numa dessas Igrejas, onde um Pastor gritava que estava a chegar a hora do milagre e que todos deviam colocar a mão no local onde tinham as suas maleitas, requerendo a intervenção divina. A mulher colocou a mão no coração e ele no meio das pernas. Esta maleita chamou-lhe a atenção, porque o referido Pastor faz alguns milagres, mas não ressuscita instrumentos mortos há muitos anos.
Vamos caminhando por meio das tendas de trapos, roupas, sapatos…Algumas estão cheias de mulherio que se acotovelam para comprar roupas de uso pessoal, enquanto ali perto uns carteiristas espreitam uma distracção para dar um golpe fatal, e eu encontrei lá dois que foram clientes no Estabelecimento Prisional de Castelo Branco. De um lado grita-se «aqui é tudo barato, é quase dado, ó freguês, ó freguês, venha ver a qualidade da nossa mercadoria e veja os nossos preços, venha ver as nossas roupas para a criançada, venham, venham, não tenham vergonha de comprar barato». Vejo um vendedor de altifalante em punho como estivesse num comício político, a procurar vender pijamas e roupa interior, e graças aos apelos de compra tinha a sua banca repleta de clientes. Era um formigueiro humano. O som é importante, não é por acaso que junto às Igrejas existem campanários com sinos, para chamar os cristãos às liturgias.
Numa tenda de etnia cigana discutiam-se assuntos de religião, o jejum, a Quaresma, caso muito estranho, e fiquei a saber pela voz do dono daquela banca, que é nesta altura que os cristãos bebem água benta. Com este tempo, não benta já temos. E, a este propósito, no lado poente, encontro um ex-trabalhador do Jornal do Fundão que me diz: «estamos entregues aos Pedros. O que está lá em cima não manda chuva, está cansado de ver tanto malandro. O de baixo é pior que uma calamidade de uma austeridade e crise seca». Também me contou que há dias foi à Missa e que o senhor Prior pediu que quem quisesse ir para o Céu, colocasse a mão no ar. Todos levantaram a mão, menos um idoso. O dito Prior perguntou-lhe o motivo e ele respondeu-lhe que também queria ir, mas ainda não tinha pressa. Quando encontro um simpático e grande conversador, combino logo mais encontros. Assim trocámos os nossos endereços e deu-me o seu email: Alfredoloureiro@come.bebeoquepodeenaodeve. Achei muito interessante e com piada.
Faço a viagem de retorno e cruzo-me com o advogado caminheiro com o seu boné da Adega Cooperativa do Fundão. Desde que fizemos uma digressão a Lisboa para participar numa manifestação de vinicultores, que durante algumas horas percorremos a Baixa de Lisboa, partindo do Marquês de Pombal até ao Terreiro do Paço, com milhares de participantes, que queriam que fossem alterados os graus da taxa da alcoolemia no código da estrada. Por essa acção de luta em favor do consumo do vinho nacional, conseguiu-se subir essa taxa para 5%., ficámos amigos. Almoçamos nessa ocasião no Restaurante A Laurentina de António Pereira natural de S. Jorge da Beira, onde são só consumidos produtos agrícolas da Região do Fundão. Escolhemos uma da especialidade da casa, o bom bacalhau assado com batatas a murro, bem temperado com azeite e vinho da Cova da Beira. Também tem feijão com carne e couves à moda de S. Jorge da Beira. A sua saudação é sempre a mesma: paz e amor. Estas duas palavras encerram tudo de bom para pessoas. Num local assavam-se frangos. Seguimos em frente e passou uma viúva repleta de preto. O meu amigo recita-me: «Luto preto é vaidade / De quem se veste a rigor / O meu luto é a saudade / E a saudade não tem cor».
Os locais de venda das árvores e plantas agrícolas estão à pinha. Ainda bem, porque é necessário plantar e semear. Também no sector dos galináceos e dos ovos há clientela. Bons sinais de vida, para que estas terras não desapareçam.
No sector da venda das ferramentas anda há braços para trabalhar a terra. Tratada dá-nos tudo, é generosa.
Duas horas passeei por este mundo que é importante e dá vida ao Fundão.
António Alves Fernandes – Aldeia de Joanes

Manuel Rito Alves, ex-presidente da Câmara Municipal do Sabugal e actual deputado municipal, aceitou o convite da Associação de Freguesias da Raia Sabugalense para ser o seu delegado executivo. Transcrevemos um comunicado que nos chegou dessa Associação de Freguesias, que reúne Aldeia da Ponte, Aldeia do Bispo, Aldeia Velha, Alfaiates, Foios, Forcalhos, Malcata, Nave, Quadrazais e Vale de Espinho.

«A Direcção de AFRS (Associação de Freguesias da Raia Sabugalense) no uso das suas competências estatutárias convidou Manuel Rito Alves para seu Delegado Executivo.

Após algumas conversas sobre objectivos prioritários a prosseguir e meios mínimos necessários ao exercício do cargo alargadas aos Presidentes de todas as Freguesias envolvidas, houve acordo entre as partes.

Assim, desde o dia 1 de Fevereiro de 2012 o Sr. Manuel Rito Alves é o Delegado Executivo desta Associação, exercendo o cargo sem remuneração, com telemóvel da Associação, sendo ressarcido das despesas com deslocações e eventuais refeições e estadias que efectue no exercício do cargo, ou por causa dele, o que a Associação nesta fase de arranque muito agradece.

A Associação dispõe também, desde essa data, graças à colaboração da Sabugal+ E.M. e com o beneplácito da Câmara Municipal, de um balcão de atendimento no Centro de Negócios Transfronteiriços, no Soito, o que também agradece.»
plb

A Santa Casa da Misericórdia de Alfaiates, com a colaboração da Associação Humanitária Bombeiros Voluntários do Soito, irá por à prova os seus clientes e colaboradoras através de uma acção de formação sobre Situações de Incêndios: da prevenção à prática.

A acção formativa decorrerá no dia 12 de Outubro (quarta-feira), com uma sessão teórica para por à prova os conhecimentos das colaboradoras. No dia 15 de Outubro, durante toda a tarde, realizar-se-á uma acção prática, com simulações de pequenos incêndios e incidentes. Mais tarde, em data secreta, irá ser realizado um simulacro.
Tanto a Santa Casa da Misericórdia de Alfaiates, como os Bombeiros Voluntários do Soito, consideram estas iniciativas de elevada importância para se avaliarem questões de segurança; elucidar os participantes para situações de perigo e risco; preparar as colaboradoras e clientes para um perigo que poderá acontecer; minimizar medos e inseguranças em situações reais; e testar as capacidades de reacção dos clientes e colaboradoras.
Marina Crespo (Directora Técnica da SCM de Alfaiates)

No livro «Forcão – Capeia Arraiana» as poderosas imagens de Joaquim Tomé (Tutatux) investem ao longo das páginas nas galhas da escrita magistral de António Cabanas e vão servir para acrescentar história à História das terras de Riba-Côa. António Cabanas, natural de Meimoa, é também um homem da Malcata e da Raia e é agora, definitivamente, um verdadeiro raiano. Reportagem da jornalista Paula Pinto com imagem de Miguel Almeida da Redacção da LocalVisãoTv (Guarda).

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jcl

Em honra de Teresa Duarte Reis, colaboradora do Capeia Arraiana, poetisa que domina, «em harmónica simbiose as técnicas da versificação», recebemos, em forma de «comentário», este belo texto de Manuel Leal Freire, a que decidimos dar o devido e merecido relevo.

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaComo antigo professor da Escola do Magistério Primário de Castelo Branco – possivelmente o único superstite do tempo em que se tratava de um estabelecimento de cariz privado da propriedade e direcção do Doutor João Folgado Frade Correia, insigne pedagogo e inspirado poeta, vibro ab imo corde com os êxitos dos alunos que saídos da famosa NORMAL espalharam e continuam a espalhar claridade e iluminar cérebros por todo esse vasto mundo onde se fixaram comunidades de raiz lusíada.
E pela minha qualidade de reformador dos ensinos da DIDÁCTICA, que abrangia as LÍNGUAS e a HISTORIA, mais e mais fortemente vibro quando vejo uma professora modelada no estabelecimento dominar em harmónica simbiose as técnicas da versificação e a realidade factual, magnificamente cadinhadas por uma sensibilidade verdadeiramente estremecida. Daí a minha homenagem sentidamente vivida…e que testemunho com uma peregrinação pelos lugares sacralizados pelo quotidiano heroísmo dos vergalhudos da Raia

Cinco concelhos inteiros
Cabem no do Sabugal
Cinco castelos roqueiros
Legendas de armorial

As vilas mortas morreram
Mas os torreões resistem
Nunca os heróis se esconderam
Por onde as heras se enristem

Passado com o futuro
Assim se engavinha e enleia
O porvir será venturo
Se o vaticina uma ideia

Além dos cinco concelhos
Ia o concelho plus ultra
Aprende nos livros velhos
Quem livros velhos consulta

O limite natural
Não se queda na barreira
Dava a guarda o Carvalhal
Castelo Mendo a Cerdeira

O Trans, o Riba, o Cis-Coa
Religou-os Alcanizes
Andaram Burgos á toa
Linha em perenes deslises.

Velavam as cinco vilas
Por sobre a velha Castela
Vigias não tranquilas
Acordadas sentinelas

Vilar Maior, Alfaiates,
Sortelha, Vila do Touro
Inspiram hoje outros vates
É outro o tempo vindouro

Não são sedes de concelho
Mas conservam a glória
Que garante o Evangelho
A quem se revê na Historia

Passado rima com luz
Com o futuro se entrosa
É guia que nos conduz
É rima, mote e glosa

Manuel Leal Freire

Domingos Fernandes, na região mais conhecido por Domingos Trocas, é figura ímpar na raia sabugalense. Reside em Alfaiates de onde é natural.

José Manuel Campos - Presidente Junta Freguesia Fóios - Capeia ArraianaÉ um castiço que sabe cultivar um estilo, muito próprio, do qual tira o devido proveito.
Tem amigos às carradas porque os sabe fazer com relativa facilidade. Mas dizia-me ele ontem, na Sacaparte, que também tem alguns inimigos. Mas quem os não terá? Já que mais não seja por inveja ou dor de cotovelo. Mas como ele dizia: “os cães ladram mas a caravana passa”.
A simpática esposa – Leonilde – muito menos espalhafatosa que o marido, sabe muito bem lidar com ele, pelo que são um casal feliz.
Na típica adega do Domingos já se consumiram muitos almudes de vinho, já se se comeram muitos – jamones – e também já se cantaram muitos fados.
É, de facto, um prazer passar uma tarde ou uma noite com o Domingos Trocas. Fala pelos cotovelos sobretudo quando já lá cantam uns copitos. Mas posso afirmar que sempre o vi como uma pessoa alegre e divertida que sabe evitar os problemas. Respeita e é respeitado.
Ontem, na farra, dizia-me que começou com duas bezerras e que presentemente tem uma centena.
Confessou-me que nunca trabalhou com cheques porque isso não lhe daria qualquer prazer. Acrescentou que gosta muito de ver e apalpar as notinhas.
Diz também, com muito orgulho, que nunca teve ordenado nem emprego e que, felizmente, a vida sempre lhe sorriu.
Referiu ainda que quando tem algum dinheiro não o vai meter no banco. Prefere construir mais um barracão e meter lá mais algumas bezerras.
O Domingos é, na verdade, um bom farrista e ao pé dele não há tristezas. Sempre que privo com ele lá tem ao seu lado o avô, da esposa, que apesar dos noventa e quatro anos acompanha o neto e os amigos, em todas as patuscadas, comendo e bebendo como o primeiro.
Quando me junto com o amigo Domingos e quando o ambiente é propício, peço-lhe que conte aquela de quando foi, com um par de amigos, ver as meninas às Fuentes.
Diz o Domingos: «Como um homem não é pau lá me deixei conquistar por uma loiraça a ponto de me ter envolvido com ela. Mas para desgraça minha a loira era um travesti que apenas pretendia apanhar-me o dinheiro». Acrescenta: «O dinheiro ainda era o de menos mas a vergonha e a desilusão porque passei é que me levaram a armar o escândalo que armei. Foi de tal ordem que teve que intervir a Guardia Civil. Mas acabaram por me dar a razão.»
Quando acaba de contar a história, e com medo que não acreditemos, vira-se sempre para um ou outro amigo, que também o acompanharam nessa noite, e diz: – olhem – este também lá estava. Que diga se não é verdade. Depois acrescenta: – nunca mais fui às p…
Muito mais havia para dizer desta emblemática figura que é fixe e amigo do seu amigo.
Para ele um abraço da minha parte.
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos

(Presidente da Junta de Freguesia de Foios)
jmncampos@gmail.com

A designer de moda Isilda Pelicano, com raízes em Alfaiates, no concelho do Sabugal, foi distinguida com o Prémio IADE Carreira 2011 atribuído pelo IADE (Instituto de Artes Visuais, Design e Marketing).

Isilda Pelicano

O reconhecimento profissional de Isilda Pelicano deve-se à «excelência da sua personalidade criativa e inovadora, tendo contribuído para o avanço da área do conhecimento, do ponto de vista científico, académico e do seu impacto na sociedade portuguesa na área do Design de Moda e em áreas afins ao Design, ao Marketing, à Publicidade e à Fotografia e Cultura Visual».
O percurso profissional de Isilda Pelicano é o espelho do sucesso e da perseverança. Aos 39 anos, depois de se ter formado em Filologia Germânica, ao saber da abertura do Curso de Moda do IADE, decidiu mudar radicalmente a sua vida profissional e inscrever-se na área que a apaixonava.
No decorrer do curso, vence o concurso “Smirnoff Fashion Awards” e desde 1991 tem atelier e loja em Lisboa. Apresenta semestralmente novas colecções, estando também presente em importantes eventos profissionais da Moda nacional, tal como a «Filmoda» e o «Portugal Fashion», entre outros. Laetitia Casta foi uma das celebridades que desfilou as suas criações no «Portugal Fashion», tendo vestido uma das suas criações na edição seguinte do Festival de Cannes.
O trabalho de Isilda Pelicano é reconhecido pelo design cuidado, pelos materiais de extrema qualidade, sobretudo o seu talento para trabalhar peles, pela atenção aos detalhes e pela exploração de novas técnicas.
Também reconhecida pelo Design de Fardamentos, Isilda Pelicano tem no seu portfólio projectos de design, confecção e distribuição de fardamento para grandes organismos e empresas como a Sagres, a Loja do Cidadão, a Portugal Telecom na Expo’98, o Euro 2004 e o Euro 2008 (realizado na Áustria e Suíça).
Isilda Pelicano considera que «…o IADE representou um óptimo local de aprendizagem e sempre admirei a organização do curso, a qualidade dos professores e o excelente ambiente de formação e criatividade». Hoje congratula-se por «ter concretizado um sonho».
Este prémio foi criado pelo IADE em 2009, sendo atribuído nesse ano a Carlos Coelho, Presidente da Ivity Brand Corp, na área de marketing e, em 2010 foi galardoada Nini Andrade e Silva na área do Design de Interiores.
jcl

O PSD alcançou um resultado histórico no distrito da Guarda elegendo três dos quatro deputados e alterando o tradição equilíbrio (2 e 2) entre os PSD e o PS. O PSD venceu em todos os concelhos do distrito da Guarda tendo alcançado no concelho do Sabugal 3472 votos (48,20%) contra 2004 (27,82%) do PS.

No círculo eleitoral da Guarda o Partido Social Democrata elegeu três deputados – Manuel Meirinho, Carlos Peixoto e Ângela Guerra – e o Partido Socialista apenas um deputado – Paulo Campos – ficando de fora, como grande derrotado da noite, José Albano que se posicionava em segundo lugar. O distrito da Guarda elege quatro deputados e tradicionalmente têm sido divididos entre os sociais-democratas e os socialistas.
Manuel Meirinho em declarações à agência Lusa considerou que a candidatura do PSD alcançou «um resultado histórico». O Partido Social Democrata, liderado pelo politólogo independente, alcançou 46,32 por cento dos votos, elegendo três deputados. Já o PS conseguiu 28,31 por cento dos votos e elegeu apenas um deputado, o que já não ocorria desde 1995, altura em que os dois partidos passaram a eleger dois deputados cada.
«É um resultado histórico para o distrito, que expressa o esforço feito numa campanha de proximidade junto das pessoas, séria e serena, muito transparente e muito sóbria», afirmou à Lusa Manuel Meirinho, eleito deputado pelo distrito da Guarda, tal como Carlos Peixoto e Ângela Guerra. Segundo Manuel Meirinho, os eleitores do distrito «preferiram a seriedade a uma campanha feita de forma agressiva e com algum vazio do ponto de vista das ideias» e garantiu que o partido trabalhou para obter «uma grande vitória».
Quanto ao facto de a lista distrital ter sido liderada por um independente, disse que a «mistura» de militantes e de independentes «mostra aos eleitores que os partidos são estruturas abertas».

ELEIÇÕES LEGISLATIVAS  –  5-6-2011
DISTRITO DA GUARDA

CONCELHO DO SABUGAL  –  FREGUESIA A FREGUESIA
Águas Belas Aldeia da Ponte Aldeia da Ribeira Aldeia S.António Aldeia do Bispo
Aldeia Velha Alfaiates Badamalos Baraçal Bendada
Bismula Casteleiro Cerdeira Fóios Forcalhos
Lageosa da Raia Lomba Malcata Moita Nave
Penalobo Pousafoles Quadrazais Quintas S. B. Rapoula do Côa
Rebolosa Rendo Ruivós Ruvina Sabugal
Santo Estêvão Seixo do Côa Sortelha Soito Vale das Éguas
Vale de Espinho Valongo do Côa Vila Boa Vila do Touro Vilar Maior

(Clique nas imagens para ampliar.)

jcl

A Agro-Raia, feira da agricultura, vai ter lugar no Santuário da Sacaparte localizado entre Alfaiates e Aldeia da Ponte. Reportagem da jornalista Paula Pinto com imagens de Miguel Almeida da Redacção da LocalVisãoTv (Guarda).

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Em Alfaiates preparou-se a praça para a tradicional capeia arraiana de domingo de Páscoa. Reportagem da jornalista Andreia Marques com imagens de Miguel Almeida da Redacção da LocalVisãoTv (Guarda).

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Teresa Duarte Reis - O Cheiro das Palavras - Capeia ArraianaNa «Ruta de los Castillos» e ao encontrar-me com Alfaiates, tenho que confessar que me senti embaraçada por não conhecer suficientemente esta terra raiana. Li, reli folhetos, relatos e encontrei, como esperava, gente de coragem que luta pelos seus espaços, mantém a religiosidade e tradições, mima os seus idosos, defende as associações, investe na formação virtual e de futuro e, em contrapartida, é acarinhada pela Junta de Freguesia, pelo Presidente do Município, eng.º Robalo e pelo Governador Civil, dr. Santinho Pacheco, numa característica que lhes é tão peculiar, de amarem as gentes da terra e defenderem as riquezas raianas. Então,vamos até Alfaiates?

Castelo de Alfaiates

ALFAIATES

«Dos fracos não reza a História»
Sempre se ouviu dizer
Teu castelo por ser «pouco»
Ainda muito quer dizer.

Como castro pré-histórico
Ou como Castilho de La Luna
Pareces ganhar magia
Quando perdido entre a bruma.

Ó Castelo de Alfaiates
Embora erguido em planalto,
Deixas ver terras do Côa
Das tuas muralhas, lá do alto.

Homenageamos, de novo, D. Dinis
Estratega, homem de saber
Com o Tratado de Alcanizes
Veio fronteiras estabelecer.

E construindo ou reforçando
De Alfaiates, teu Castelo
Falar da «fermosíssima Maria»
Tornam-te ainda mais belo

Pelo estilo, D. Manuel
Marca presença, este Senhor
A linda coroa ao centro
Mostra bem o seu valor.

As cruzes da Ordem de Cristo
E as esferas armilares
São páginas vivas da história
Dessas páginas milenares.

Poeta Garcia de Mascarenhas
Teu alcaide e cavaleiro
Deixou seu nome na praça
Da Restauração o primeiro.

Com ele serviste Alfaiates
Apoiaste a Restauração
E com os outros castelos do Côa
Também defendeste a Nação.

Albergaste heróis anglo-lusos
Depois, um pouco esquecido
Mas recebeste aí teus mortos
Como um pai enternecido.

Algumas das tuas pedras
O hospital foram servir
De Interesse Público reconhecido
Não te esquecerão no porvir.

Se as tuas façanhas estão longe
O povo quere-as presentes
Pois se as pedras também falam
Não podem mentir as gentes.

O meu carinho para Alfaiates

«O Cheiro das Palavras», poesia de Teresa Duarte Reis
netitas19@gmail.com

Como a promoção da Cultura também é um dos nossos objectivos. Foi com bons olhos que vimos a possibilidade de apresentar ao Público em geral e em especial às pessoas de Alfaiates este jovem artista da nossa terra.

E foi assim que no passado Domingo dia 6 de Fevereiro pelas 16.30h o Micael se estreou a actuar no CCR de Alfaiates perante uma vasta plateia, maioritariamente constituída por pessoas da terra, mas também de outras localidades.
Com tão só 12 anos e apenas um ano de aprendizagem, o pequeno Micael mostrou-nos que de pequeno é que se «torce o pepino» e encantou todos os presentes através das melodias interpretadas, algumas da sua autoria.
A meio da actuação a Direcção do CCR entregou uma lembrança ao Artista, para que esta data fique retida na memória dos presentes e em especial do Micael.
Como estava anunciado no final a actuação houve um jantar convívio para aqueles que se inscreveram, onde a ementa foi uma Canja dos Cornos e o típico Bucho Raiano muito bem confeccionados pelo Carlos Sanches, o nosso «Mestre da Culinária».
Após o repasto a festa continuou e todos tomaram café e digestivo ao som do acordeão, mas como no dia seguinte era dia de escola, o Artista lá teve que dar por terminada a actuação. Mas deixou a promessa de voltar muito em breve.
A Direcção do CCR agradece:
– Ao Micael e à sua família a disponibilidade demonstrada para a realização desta actividade;
– Ao Restaurante Pelicano por nos ter cedido a loiça;
– Ao Videira, à Fátima, à Leonilde e à Rosa pela ajuda que deram na confecção do jantar e na limpeza;
– A todos aqueles que de perto ou de longe estiveram presentes nesta festa.
Norberto Pelicano (Presidente do CCR de Alfaiates)

Inicialmente previsto para o fim-de-semana anterior, o 2.º Torneio de Matraquilhos do CCR Alfaiates foi adiado para dia 29 de Janeiro devido ao acto eleitoral que aconteceu no dia 23.

As portas do CCR abriram-se por volta das 21.00h. Após as inscrições das equipas procedeu-se ao sorteio e como estava uma noite especialmente fria de imediato se deu inicio à competição para que as equipas não «arrefecessem» muito.
As sete equipas inscritas jogaram num sistema de campeonato a uma volta num ambiente de grande fair-play, mas com a vontade de vencer sempre presente. Tal foi o equilíbrio que no final havia 3 equipas empatadas no 3.º lugar, eram elas as duplas:
– David Bairras e Carlos «Curracho»;
– Hélder Vasco e Micael;
– Frederico e Pedro.
Esta situação levou à realização de um mini campeonato entre as três duplas em causa, do qual saiu vencedora a dupla David Bairras e Carlos «Curracho».
A classificação final do Torneio foi a seguinte:
1. Francisco «Chico Russo» e Bruno «Barroco»;
2. Henrique e Luís Miguel;
3. David Bairras e Carlos «Curracho»;
4. Hélder e Micael;
5. Frederico e Pedro;
6. Beto e Zé Roque;
7. Rosa, Rui e João;
Termino agradecendo a todos os participantes na Competição e aos que estiveram presentes ao longo da noite na nossa Associação.
Norberto Pelicano (Presidente do CCR de Alfaiates)

A Liga dos Amigos da Sacaparte, na freguesia de Alfaiates adjudicou as obras de restauro de paredes, cobertura e tectos da Capela da Sacaparte e apresentou contas da Liga e da Senhora do Carmo. Publicamos, de seguida o comunicado e os relatórios de contas.

Convento Sacaparte - Alfaiates«Alfaiates, 1 de Dezembro de 2010
A Direcção da Liga dos Amigos da Sacaparte deseja a todos um Feliz Natal e um Ano Novo cheio de Esperança.
Relativamente às obras de Restauro de paredes, cobertura e tectos da Capela da Sacaparte informamos que foram pedidos orçamentos a todos os construtores de Alfaiates. Não houve interessados, pelo que foram pedidos orçamentos a firmas de outros locais, que depois de verificados e analisados, deliberou-se adjudicar a obra à firma «Tijolo Cruzado, Lda.» que apresentou as melhores condições, estando previsto o inicio da obra para 1 de Dezembro de 2010, a executar no prazo de 120 dias.
Agradecemos a todos quantos têm dado o seu contributo para o Santuário da Sacaparte esperando mais uma vez a vossa ajuda, pois o orçamento das obras é superior à quantia existente.
Se quiser dar o seu donativo poderá faze-lo através de envio por correio ou por transferência bancária, para o NIB – 0045 4025 40165780914 13 enviando o respectivo recibo de pagamento para Liga dos Amigos da Sacaparte, Centro Cultural e Recreativo de Alfaiates, 6320-081 Alfaiates, ou pelo e-mail: lasacaparte@hotmail.com
Poderá pedir esclarecimentos através dos contactos: Adérito Alves, 917546070; Francisco António Vaz, 965130273; José Amaral, 966238876; Joaquim Vaz, 962521158; e Justina Baltazar, 966133333.
Com os melhores cumprimentos e amizade,
A Direcção

Relatórios de contas. Aqui.
jcl

O concelho do Sabugal é um território orgulhoso das suas raízes, dos seus saberes e dos seus sabores. «Novembro – Mês da Tradição e dos Sabores» é uma iniciativa descentralizada que pretende promover o que de melhor se produz no Sabugal rural.

Novembro - Mês Tradição Sabores Sabugal

«Novembro – Mês da Tradição e dos Sabores» é uma iniciativa descentralizada pelo concelho do Sabugal, organizada pela Empresa Municipal Sabugal+ em colaboração com a Câmara Municipal, que pretende promover o que de melhor se produz, nomeadamente nas freguesias de Aldeia do Bispo, Alfaiates, Bendada, Casteleiro, Cerdeira, Fóios, Malcata, Pousafoles do Bispo, Quintas de S. Bartolomeu, Rebolosa, Sabugal e Sortelha.
Esta acção enquadra o espírito, a promoção e autenticidade do mundo rural, das suas gentes, do seu património e da riqueza da cultura popular do Concelho.
A castanha, o cogumelo, o azeite, o mel e o queijo são alguns dos produtos endógenos presentes das actividades propostas, que se estendem de 30 de Outubro a 11 de Dezembro de 2010.
Paralelamente à Feira dos Produtos Locais – Tempo da Castanha – a realizar junto ao Mercado Municipal do Sabugal –, realiza-se o V Grande Prémio de Atletismo do Alto Côa (12.000 metros), com início e fim na Cidade do Sabugal.
jcl (com C.M. Sabugal)

O Centro Cultural e Recreativo de Alfaiates (CCRA) organiza no sábado, dia 30 de Outubro, o 6.º Jantar da Raia. O convívio está marcado para o Restaurante Pelicano.

Centro Cultural Recreativo Alfaiates

Norberto Pelicano

Foi num ambiente absolutamente descontraído e de muito boa fé que os membros da Associação das Freguesias da Raia Sabugalense (AFRS) se reuniram em assembleia-geral, expondo os seus pontos de vista em relação a todos os pontos da ordem de trabalhos tendo sido todos eles, aprovados por unanimidade.

José Manuel Campos - Nascente do CôaVitor Manuel Fernandes, Presidente da Assembleia da AFRS, de acordo com a Lei nº 175/99 de 21 de Setembro e em conformidade com os estatutos da mesma Associação e ainda conforme com o nº 2 do artigo 3º do Regimento da Assembleia da Associação das Freguesias da Raia Sabugalense AFRS, convocou uma reunião para ontem, dia 22 de Outubro, que teve lugar pelas 20h e 30 no espaço Multimédia – EMA – na freguesia de Alfaiates, com a seguinte ordem de trabalhos:
1- Discussão e aprovação da acta da reunião anterior onde se verificou a eleição e a tomada de posse dos corpos sociais.
2- Definição do valor da quota anual e ainda do valor referente ao ano em curso.
3- Apresentação para discussão e possível aprovação de actividades a incluir no Plano e Orçamento para o ano de 2011.
4- Discussão e aprovação da gratificação a atribuir ao Delegado Executivo.
5- Outros assuntos considerados de interesse para a Associação de Freguesias da Raia Sabugalense.
Iniciada a Assembleia, o Conselho de Administração deu conta das tarefas e contactos que já começou a desenvolver. Apresentou os seus pontos de vista relativos ao plano de actividades, para o ano de 2011, e anotou as propostas ou achegas de outros membros da Assembleia.
Em relação ao ponto 4, os elementos do Conselho de Administração deram conta dos contactos e das negociações havidas com o Dr. Victor Coelho que, também por unanimidade, foi votado para desempenhar o cargo de Delegado Executivo da AFRS.
Os trabalhos foram concluídos por volta das 23h30 e, de seguida, todos os elementos se deslocaram a um dos bares de Alfaiates onde tomaram uma bebida precedida de um brinde alusivo à AFRS.
Usando a linguagem futebolística digo que nos equipámos, entrámos em campo e agora jogar até suar as camisolas.
VIVA A RAIA.
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos

(Presidente da Junta de Freguesia de Foios)
jmncampos@gmail.com

Desde o dia 25 de Setembro que anda tudo às marteladas em Alfaiates. Não é uns aos outros, mas sim aos pregos. A ideia surgiu no dia 18 de Setembro, aquando da deslocação de alguns alfaiatenses (juntamente com pessoal de Soito e Aldeia da Ponte) a Tábua para uma demonstração da nossa tradição mais cara, o Forcão.

(Clique nas imagens para ampliar.)

Chegados a Tábua deparámo-nos com dois troncos onde estava afixado um cartaz com a seguinte inscrição «Jogo do Prego», a curiosidade levou-nos a experimentar tal jogo. Antes e depois da demonstração do Forcão foi onde nos divertimos e muito, pois o jogo exige alguma pontaria, destreza e força para pregar o prego. Com o adiantar das horas e das «minis» a pontaria ia-se perdendo e a risota ia aumentando. Pois bem, constatado o sucesso e a aceitação que o jogo teve em nós, o Centro Cultural e Recreativo de Alfaiates resolveu importar a ideia para a nossa terra, para que as tardes de domingo fossem mais divertidas. E foi logo no fim-de-semana seguinte à nossa visita a Tábua que começaram as marteladas em Alfaiates
Posso adiantar que em quatro tardes já foram pregados mais de 10 quilos de pregos. Tive também conhecimento de que em Aldeia da Ponte e Ozendo também já se joga ao prego.
Acabo com a apresentação das regras em vigor no C.C.R. de Alfaiates:
– Os jogadores não podem apontar (tocar) o prego antes da martelada;
– Cada jogador só pode dar uma martelada de cada vez;
– O penúltimo jogador a pregar o prego paga os pregos;
– O último jogador a pregar o prego paga a «rodada».

P.S. Um bem-haja ao Sr. José Lourenço Amaral, mais conhecido por Zé Moleiro por nos ter facilitado os troncos para o jogo.
Norberto Pelicano
(Presidente do Centro Cultural e Recreativo de Alfaiates)

Quem é que ainda nunca viu ou ouviu falar dos fenómenos do Entroncamento na localidade ribatejana do distrito de Santarém? Durante o anos são vários os episódios que chegam a ser notícia nos mais diversos órgãos de comunicação social nacional e estrangeira.

Girassol AlfaiatesO Entroncamento baptizado de «Terra dos Fenómenos» desde sempre nos mostrou factos fantásticos, desde ovos de galinha pesadíssimos, abóboras monumentais, batatas enormes, etc.
Desta vez um desses fenómenos apareceu em Alfaiates, mais concretamente num terreno propriedade do Sr. Domingos «Trocas»,
que se situa nas Hortas (Veiga) ao lado da ribeira e pertíssimo da E.N. 233.
O Sr. Domingos «Trocas» e familiares ficaram pasmados quando se deram conta do tamanho que um girassol atingiu em relação aos
seus «irmãos» de plantação. Como se pode ver pelas fotografias a planta atingiu cerca de 4 metros de altura.
O que o proprietário achou mais estranho foi o facto de tratar a plantação por igual e haver um girassol que se desenvolveu para
além do habitual, facto que ele nunca havia testemunhado.
Aqui fica mais um exemplo em que a natureza nos surpreende e que só a ciência poderá explicar.
Termino esta noticia agradecendo à família «Trocas» a partilha deste acontecimento, que não deixa de ser invulgar e extraordinário.
Norberto Pelicano

Sir Arthur Wellesley, mais tarde Lord Wellington, comandou as tropas aliadas durante a guerra Peninsular, tomando por base o território português. Por mais de uma vez esteve na região de Riba-Côa, estabelecendo o seu quartel-general na Freineda e chefiando as forças alglo-lusas nas batalhas do Sabugal e de Fuentes de Oñoro.

Wellesley nasceu em Dublin, em 30 de Abril de 1764, no seio de uma família nobre. Ficou órfão de pai ainda criança e foi com a mãe para França, onde frequentou a Academia de Equitação de Angers, preparando-se para o serviço militar.
Em 1787 foi nomeado alferes de infantaria na Escócia. Em 1789 era tenente de um regimento de dragões e, no ano seguinte, subiu ao posto de capitão.
Em Abril de 1793 foi promovido a major e, sete meses depois, a tenente-coronel.
Em 1797, já coronel, foi enviado para a Índia, onde foi designado governador. Foi na Índia que atingiu o posto de major-general e se afirmou enquanto estratega nas campanhas militares.
De volta à Europa, participou, em Abril de 1808, no cerco e bombardeamento de Copenhaga, onde se destacou em combate, sendo por isso promovido a tenente-general.
Nomeado comandante de uma força expedicionária, desembarcou em Portugal e venceu o exército de Junot na Roliça e no Vimeiro, impondo a assinatura da Convenção de Sintra, pela qual os franceses embarcaram para França em navios ingleses.
Após um curto período em Inglaterra, voltou a Lisboa em Abril de 1809, para ajudar a expulsar Soult, que entrara pelo norte. Foi então nomeado marechal-general do Exército Português.
Marchou para o Porto e forçou Soult a abandonar Portugal, pondo termo à segunda invasão. Instalou-se depois no Alentejo e avançou por Espanha, travando a batalha de Talavera de la Reyna. Ao cabo de dois dias de carnificina os franceses abandonaram o campo e Wellesley, sem provisões, recuou para Badajoz.
A 26 de Agosto de 1809 é designado Visconde de Wellington, em reconhecimento dos seus feitos militares (seria depois, sucessivamente, conde, duque e marquês), passando a ser designado por Lord Wellington.
Entretanto Napoleão concentrou em Espanha uma poderosa força militar, cujo comando entregou a Massena. Wellington, antevendo a invasão, foi até à fronteira, instalando-se em Celorico da Beira e enviando parte das suas tropas para lá da linha do Côa, onde ficaram em observação. Face ao avanço dos franceses o exército aliado recuou, sendo Wellington muito criticado por portugueses e espanhóis por nada ter feito para auxiliar as praças de Ciudad Rodrigo e de Almeida.
Mas Wellington tinha um plano guardado em segredo, que nem os seus mais próximos conheciam: oficiais engenheiros haviam fortificado a cadeia de montanhas que rodeia Lisboa na margem direita do Tejo, desde a foz do Lisandro até Alhandra, para onde tencionava recuar para aí defender a Capital.
Ao mesmo tempo que recuava, o comandante inglês aconselhava os portugueses a destruírem tudo o que pudesse servir ao invasor. Esta política de «terra queimada» desesperou os franceses que dificilmente encontravam abastecimentos.
Wellington esperou Massena na montanha do Buçaco, com as suas tropas bem posicionadas, travando um combate onde os aliados obtiveram uma importante vitória. Continuou porém a recuar, deixando os franceses perplexos. Mas tudo perceberam quando verificaram que o exército anglo-luso se fortificara ao redor de Lisboa, em local inexpugnável.
Na retirada francesa, Wellington deu perseguição a Massena, tendo disputado combates em Pombal, Redinha, Condeixa, Casal Novo, assim como no Sabugal.
Comandou em pessoa a batalha do Sabugal, em que atacou o corpo de Reynier, que se posicionara no lugar do Gravato. Wellington acabaria por afirmar que este foi «um dos mais gloriosos combates das tropas britânicas». De facto a sua divisão ligeira, comandada por Erskine, cobriu-se de glória ao dar luta renhida, que chegou a ser de corpo a corpo, no meio de um denso nevoeiro.
À batalha do Sabugal seguiu-se a de Fuentes de Oñoro, pela qual evitou que Massena reentrasse em Portugal para reabastecer Almeida.
Passou o Inverno de 1811-1812 na Freineda, no actual concelho de Almeida, onde instalou o seu quartel-general e planeou novas manobras. Em Janeiro de 1812 tomou Ciudad Rodrigo, que guarneceu, e dirigiu-se para sul, indo envolver-se no cerco a Badajoz, e na sanguinária batalha de Albuera, em que houve pesadíssimas baixas de ambos os lados.
Em Abril, face ao avanço de Marmont, que entrou em Portugal e avançou até Castelo Branco, Wellington subiu de novo para norte, e perseguiu esse exército invasor. No rasto de Marmont, passou pelo Sabugal e instalou-se em Alfaiates, onde pernoitou e emanou a ordem de continuação das manobras em Espanha.
A 13 de Junho atravessou o Águeda e, dias depois, travou a famosa batalha de Salamanca, que venceu e lhe abriu as portas de Madrid. Tomada a capital de Espanha, o exército de Wellington, composto por muitos batalhões portugueses, avançou para Burgos, retrocedendo depois para Salamanca.
A fim de dar descanso às suas tropas, Wellington voltou a instalar-se em Riba-Côa, na Freineda, onde durante meses preparou a campanha que expulsaria os franceses da península.
Em Abril de 1813 recomeçou a guerra, dirigindo-se para o Douro, onde destroçou o exército francês, que se colocaria em retirada. Já em Vitoria travou batalha com o marechal Jourdain, que venceu em toda a linha, desorganizando os exércitos franceses.
Em 1814 a paz foi estabelecida, e Wellington, que tinha sido um dos heróis da campanha, partiu para Paris na qualidade de embaixador. A 10 de Junho voltou ao seu quartel-general, em Bordéus, para se despedir do exército peninsular.
O seu maior feito militar, porém, consistiu na vitória sobre os franceses em Waterloo, em 1815, onde pôs termo ao breve regresso de Napoleão Bonaparte.
Wellington ficou conhecido pela visão estratégica e a forma como colocava as suas hostes perante o inimigo. Evitava sempre correr riscos desnecessários, esperando os momentos e as posições oportunas para entrar em combate. Em Portugal, em reconhecimento do seu valor, foram-lhe atribuídos os títulos de conde de Vimeiro, marquês de Torres Vedras e duque da Vitória.
Na Inglaterra, Wellington foi aclamado herói nacional, gozando de um prestígio sem precedentes. Em 1827 foi nomeado comandante-chefe do exército britânico e tornou-se figura preponderante da política londrina, ocupando o cargo de primeiro-ministro de 1828 a 1830.
Morreu em Walmer Castle, a 14 de Setembro de 1852, sendo sepultado, com grande pompa, na Catedral de S. Paulo, em Londres.
Paulo Leitão Batista

Massena comandou a terceira invasão de Portugal em 1810, à frente de um exército que se propunha enviar os ingleses para o mar e tomar conta de um território e de um povo que se mostrava indomável. Porém, tal como as anteriores, esta invasão fracassou e com ela esmoreceu a chama do ilustre Marechal de França.

André Massena nasceu numa aldeia dos Alpes a 6 de Maio de 1758, no seio de uma família humilde, em que o pai era curtidor e fabricante de sabão. Foi o terceiro de cinco irmãos e teve uma infância dura. Aos 14 anos embarcou num navio mercante como grumete e aos 16 ingressou no exército francês. Passados dois anos era sargento, patente de que nunca passaria, dadas as suas origens humildes, não fosse a revolução de 1789, que o catapultou para o topo da hierarquia militar. Os seus elevados méritos no campo de batalha levaram-no a Marechal de França, e a acumular os títulos de Duque de Rivoli e Príncipe de Essling.
Cobriu-se de glória nas campanhas da Áustria e de Itália, o que lhe valeu ser chamado por Napoleão Bonaparte de «filho querido da vitória», e tido como o melhor estratega francês, cuja fama apenas era suplantada pela do próprio imperador.
Em 1810, após o fracasso da segunda invasão de Portugal, comandada por Soult, Napoleão decidiu acabar de vez com a resistência deste rincão ocidental da Europa, onde os ingleses se haviam instalado, ajudando a que se mantivesse como o único país do continente que não estava submetido à vontade dos franceses. Em 17 de Abril, ordenou a formação do Exército de Portugal que ele próprio comandaria. Porém os afazeres da politica prenderam-no em Paris, e nomeou comandante-em-chefe do novo exército o Marechal Massena, tido como o seu melhor e mais prestigiado lugar-tenente.
Massena tudo fez para evitar a nomeação. Não via com bons olhos que o exército fosse formado por corpos comandados por oficiais generais que estavam há muito na Península. Desconfiava especialmente de Ney e de Junot. O primeiro porque era também Marechal e era demasiado orgulhoso e irascível, e o segundo porque havia comandado a primeira invasão e não apreciaria reentrar em Portugal numa posição secundária. Napoleão recebeu porém Massena em audiência e convenceu-o a aceitar a missão.
Escolheu os oficiais do seu estado-maior e os comandantes de engenharia e artilharia e, em 29 de Abril, partiu de Paris, chegando a Valladolid a 10 de Maio, onde se correspondeu com os chefes dos três corpos que formavam o Exército de Portugal: o marechal Ney e os generais Junot e Reynier. Passou depois a Salamanca, onde organizou o seu exército e ordenou a tomada de Ciudad Rodrigo, que capitulou a 9 de Julho, criando-se assim as condições para que cumprisse com segurança a missão de submeter Portugal.
A tropa lançou-se sobre Almeida, cuja praça foi tomada após a infeliz explosão do paiol, e dali seguiu pela estrada da Beira, travando um primeiro combate no Buçaco, em 27 de Setembro, onde as forças anglo-lusas levaram a melhor sobre um exército francês que caiu no erro de tentar forçar linhas bem posicionadas. Massena perdeu ali um pouco do seu brio, mas prosseguiu com a invasão levando os ingleses e os portugueses da sua frente. Só as célebres Linhas de Torres Vedras, autêntica barreira defensiva inexpugnável, fez parar o movimento de Massena, que se quedou à espera de reforços para forçar a tomada de Lisboa.
Até Março de 1811, o exército francês subsistiu como pôde, com as tropas depauperadas e desmotivadas. Sem meios para atacar Lisboa, desiludido e desconfiado dos seus lugar-tenentes, Massena decidiu retirar. Planeou cada movimento com o maior rigor, conseguindo evitar grandes perdas, mau grado a perseguição tenaz que o exército ango-luso lhe deu. Sem força para avançar, soube controlar a retirada, demonstrando neste particular os seus dotes de estratega. Mesmo assim, quis evitar abandonar Portugal, planeando deixar os feridos e o material pesado em Almeida e avançando sobre o Sabugal e Penamacor, tomando o caminho do Sul, onde se reuniria ao Marechal Soult, que operava no sul de Espanha, para relançar a invasão pelo Alentejo. Contudo a insubordinação de Ney não lhe deixou margem para executar esse projecto, tanto mais que Wellington o interceptou no Sabugal, onde lhe deu combate, obrigando-o a recuar para Espanha.
Massena perdeu na batalha do Sabugal um obus, não se cansando de dizer que essa foi a única peça de artilharia que lhe foi retirada pelo inimigo em Portugal, assim provando que retirara sempre em boa ordem, nunca se considerando literalmente derrotado.
Já em Salamanca decide voltar a Portugal para abastecer a praça de Almeida, e trava com grande vigor a batalha de Fuentes de Oñoro, onde não conseguiu romper as linhas aliadas, assim se gorando a derradeira tentativa de reentrar em Portugal. Face ao fracasso, Massena caiu no desfavor de Napoleão, que lhe retirou o comando do Exército de Portugal, substituindo-o por Marmont. Para o humilhar o major general do exército francês envia-lhe de Paris uma missiva com as ordens expressas do imperador: «É desejo de Sua Majestade que se apresente em Paris imediatamente. O Imperador ordena expressamente que só traga consigo o seu filho e outro dos seus ajudantes-de-campo.»
Muitos franceses consideram Massena como o responsável pelo fracasso da invasão, fosse por ausência de uma estratégia ousada, por não ter conseguido submeter os seus comandantes de corpo ou por não ter dado combate vigoroso aos ingleses entrincheirados nas Linhas de Torres.
Mas são também muitos os militares franceses do seu tempo e os historiadores que vêm em defesa de Massena. Houve desde logo o mérito de lord Wellington que ao retirar para se fortificar junto a Lisboa, lhe deixou um território deserto e sem recursos, onde não pôde subsistir. Depois há a questão da dimensão do exército que Napoleão lhe entregou, porque ao invés dos 70 mil homens prometidos, Massena nunca teve mais de 45 mil. Fulcral foi também a constante insubordinação do Marechal Ney, que comandava o 6º corpo, que se recusou por diversas vezes a cumprir as ordens literais de Massena, colocando em causa as manobras do exército invasor.
André Massena, que morreria tuberculoso em 4 de Abril de 1817, esteve nas nossas terras raianas no momento em que preparava a execução da invasão e também aquando da retirada. No movimento retrógrado instalou o quartel-general em Alfaiates, de onde intentou a manobra de evolução para o sul. Porém o avanço dos aliados para o Sabugal, pela margem esquerda do Côa, gorou-lhe esses planos. No dia da Batalha do Sabugal, a 3 de Abril de 1811, foi de Alfaiates que enviou a ordem de retirada a Reynier, que comandava o corpo que foi atacado pelo exército anglo-luso. Foi ainda em Alfaiates que concentrou os seus corpos de exército e fez de seguida a manobra de recuo para Espanha.
Paulo Leitão Batista

Uma selecção de bravos sabugalenses levou a capeia arraiana ao concelho de Tábua no distrito de Coimbra. No sábado à noite, 18 de Setembro, mais de 2500 pessoas assistiram embasbacadas no campo de futebol às investidas de dois toiros no forcão e ao jogo de pernas e de bem rabejar da malta de Alfaiates, Aldeia da Ponte e Soito.

Capeia Arraiana - Tábua

O campo de futebol do Tabuense transformou-se para receber a Capeia Arraiana. No centro do terreno, no enfiamento da linha divisória do meio-campo foi montado um redondel com grades onde encostaram alguns reboques de tractor e um camião com semi-trailer para a assistência. No entanto a maioria dos mais de 2500 espectadores «guardaram» lugar na bancada lateral (que acompanha toda a lateral do campo) desde a abertura da portas cerca das 19.30 horas até que, pelas nove e meia da noite, o locutor de serviço anunciou aos presentes que ia ter início um espectáculo inédito em Tábua: a Capeia Arraiana.
E o mote estava dado para que os cerca de 30 bravos raianos equipados com uma t-shirt branca do Tabuense saltassem a vedação do redondel e retirassem do centro da arena o forcão que tinha sido o centro das atenções das bancadas. Como aperitivo para os dois grandes momentos da noite saiu do interior do camião uma bezerra que permitiu algumas brincadeiras aos tabuenses mais afoitos.
E pelas 22 horas fez-se história em Tábua e escreveram-se mais umas linhas na história das capeias e do Sabugal. O «triângulo de madeira» voltou ao centro da arena e o grupo de pegadores de forcão do concelho do Sabugal esperou o toiro – virgem nestas andanças – que se mostrou bravíssimo e duro provocando algumas mazelas nos rapazes e muitos danos nas galhas. Momentos mágicos que calaram as bancadas, surpreendidas pelo invulgar espectáculo nunca visto em terras de Tábua. No final da actuação enquanto o forcão recolhia para ser encostado às grades do redondel a assistência explodiu numa enorme salva de palmas. À nossa volta as conversas surpreendiam-nos. «Viste como eles mexiam as pernas», «eu não tinha coragem para estar assim à frente do boi», «nunca tinha visto nada igual», «agora já percebo para que servem aqueles paus todos» ou «aquilo é um jogo de equipa» foram alguns dos comentários escutados numa assistência rendida à bravura dos «irredutíveis raianos pegadores de forcão».
Após a garraiada com mais uma bezerra e o arranjo do forcão muito danificado pelo primeiro toiro foi tempo de lidar o «segundo» da noite. Mais certinho a bater no forcão permitiu uma exibição com maior brilho à selecção raiana que incluia rapazes de Alfaiates, Aldeia da Ponte e Soito.
A terminar e numa altura em que se pretendia puxar o toiro com uma corda para dentro do camião um jovem tabuense mais atrevido (e menos previdente) foi colhido e teve que ser transportado ao hospital.
A iniciativa teve como base a recolha de fundos e um gesto de solidariedade para com o presidente do clube tabuense, Carlos Ferreira, que continua hospitalizado após um grave acidente de viação na África do Sul por alturas do Mundial de futebol.
A organização – a cargo do Grupo Desportivo Tabuense – agradeceu à Câmara Municipal e Junta de Freguesia de Tábua e à Câmara Municipal do Sabugal e Juntas de Freguesia de Alfaiates, Aldeia da Ponte e Soito pela disponibilidade e apoio na concretização do espectáculo taurino.
Os poderosos toiros (e os bezerros) pertenciam à Ganadaria Santos Silva de Isidro Ricardo de Montemor-o-Velho.
O Capeia Arraiana aproveitou estes momentos inéditos para trocar algumas palavras com Francisco Ivo Portela, presidente da Câmara Municipal de Tábua, com fortes ligações a Aldeia do Bispo, terra de onde a esposa é natural, e que se mostrou agradado pela presença raiana no seu município. «Estou muito satisfeito por termos assistido a uma capeia arraiana aqui em Tábua. Mas gostaria de destacar que a ideia é de António Vaz, director do departamento administrativo e financeiro da Câmara de Tábua, também natural do concelho do Sabugal. Depois, foi só contar com a pronta disponibilidade do presidente Robalo e a generosidade das gentes raianas e dos presidentes das juntas aqui presentes», esclareceu o presidente Portela que, visivelmente satisfeito, ainda nos deixou uma novidade: «Estou muito contente. Ofereceram-me este forcão. Vou guardá-lo e… no próximo ano… talvez seja novamente necessário.»
A Câmara Municipal do Sabugal esteve representada pela vice-presidente Delfina Leal e pelo chefe de gabinete do presidente, Vítor Proença, que teve uma tarde muito ocupada na preparação do forcão. Marcaram ainda presença os presidentes da Juntas de Freguesia de Alfaiates, Aldeia da Ponte e Soito.

Jornada memorável de divulgação do Sabugal e da tradição «Capeia Arraiana». Esta iniciativa prova que é tempo de pensar em constituir uma associação de pegadores de forcão do concelho do Sabugal que permita formar um plantel de 50 ou mais nomes disponíveis para pegar ao forcão sempre que solicitados. Mais coisa menos coisa poderá ter as características de um grupo de forcados amadores que possa actuar em todas as praças do país e estrangeiro cobrando o respectivo cachet. Com as dificuldades que estão a ser levantadas por alguns fundamentalistas aos espectáculos taurinos é tempo de sugerir aos organizadores das tradicionais touradas que incluam um toiro para forcão nos espectáculos. Assumo e defendo que a capeia arraiana pode e deve ir a todos os lugares do planeta desde que o forcão leve inscrita a palavra «Sabugal» e a equipa de pegadores seja maioritariamente constituída por naturais ou descendentes sabugalenses.
jcl

Uma selecção de bravos sabugalenses levou a capeia arraiana ao concelho de Tábua no distrito de Coimbra. No sábado à noite, 18 de Setembro, mais de 2500 pessoas assistiram embasbacadas no campo de futebol às investidas de dois toiros no forcão e ao jogo de pernas e de bem rabejar da malta de Alfaiates, Aldeia da Ponte e Soito.

GALERIA DE IMAGENS   –   TÁBUA  –   CAPEIA ARRAIANA
Fotos Capeia Arraiana – Clique nas imagens para ampliar

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Uma selecção de bravos sabugalenses levou a capeia arraiana ao concelho de Tábua no distrito de Coimbra. No sábado à noite, 18 de Setembro, mais de 2500 pessoas assistiram embasbacadas no campo de futebol às investidas de dois toiros no forcão e ao jogo de pernas e de bem rabejar da malta de Alfaiates, Aldeia da Ponte e Soito.

GALERIA DE IMAGENS   –   TÁBUA  –   CAPEIA ARRAIANA
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A 27 de Agosto de 1810, há precisamente 200 anos, as tropas do 2.º corpo do exército francês, comandadas pelo general Reynier, vindas do sul para se juntarem ao grande exército de Massena, ocuparam em força as terras dos concelhos do Sabugal, Alfaiates e Vilar Maior, provocando a fuga desesperada das populações.

Enquanto o 6.º corpo, de Ney, manobrava em redor de Almeida, estabelecendo o cerco à fortaleza, e o 8.º corpo, de Junot, estava ainda em Espanha nas margens do rio Águeda, o 2.º corpo, de Reynier, operava em Cória e Placencia, na linha do Tejo. Massena montara o seu quartel-general no forte de La Conception, frente a Vale da Mula, de onde emanava as ordens do dia.
O marechal ainda não decidira como invadir Portugal e estava inclinado a fazê-lo em duas frentes, partindo uma coluna de Almeida, pela estrada da Beira, e penetrando a outra pelo vale do Tejo, em direcção a Abrantes. Porém acabaria por preferir juntar os três corpos e avançar em força por Celorico e Viseu, pois a postura de Wellington, que deixara cair Ciudad Rodrigo e não auxiliava Almeida, indiciava que podia dar-lhe perseguição e enfrentá-lo em qualquer posição.
Foi assim que na manhã do dia 25 de Agosto enviou ordens a Reynier para se deslocar para norte e tomar posição na margem direita do Côa, à esquerda do corpo do marechal Ney. Em cumprimento dessas instruções, o 2.º corpo avançou em marchas rápidas e no dia 27 ocupou em força os concelhos do Sabugal, Alfaiates e Vilar Maior, cujas aldeias ao redor foram também tomadas pelos destacamentos, tendo os soldados ocupado as casas abandonadas pelos habitantes receosos. Tal como o comandante em chefe lhe prescrevera, Reynier estabeleceu o seu quartel-general em Alfaiates e guarneceu fortemente a ponte do Sabugal, tendo em vista dissuadir qualquer tentativa do exército anglo-português de atravessar a linha do Côa.
Os concelhos raianos onde até então tinham forrageado os destacamentos do 6.º Corpo, ficavam agora literalmente ocupados pelas tropas do 2º corpo, as mesmas que com o marechal Soult haviam protagonizado a segunda invasão de Portugal. Estes soldados experientes e com amargas recordações dos portugueses teriam que ali subsistir até que fosse dada a ordem de avançar em direcção a Lisboa. Os povos das terras em redor sofreram então como nunca os excessos da soldadesca que, querendo alimentar-se e aprovisionar-se de viveres, lançavam mão a tudo o que servisse de alimento para os homens e para os animais do exército.
Esta forte e dura ocupação militar das nossas terras manter-se-ia até ao dia 11 de Setembro, data em que Massena transmitiu aos seus lugares tenentes as instruções para a execução dos movimentos preparatórios para o avanço da invasão. Nesse mesmo dia o 2.º corpo deixou as suas posições na margem direita do Côa e marchou para a Guarda, de onde depois prosseguiu num movimento combinado com os restantes corpos do exército.
Já em finais de Março de 1811, malograda a terceira invasão e em plena retirada, as tropas do 2.º corpo voltariam a ocupar as terras do Sabugal, com a ideia de aí conterem o avanço dos anglo-lusos, que lhes davam perseguição. As populações voltaram então a sofrer com as atrocidades dos soldados franceses que vinham ainda mais famintos e coléricos do que quando dali haviam estado há sete meses.
No dia 3 de Abril de 1811, teve lugar a batalha do Sabugal, onde os homens de Reynier foram batidos pelos portugueses e ingleses comandados por Wellington, livrando-se assim os sabugalenses das pilhagens e dos excessos da tropa francesa.
Paulo Leitão Batista

SABUGAL – CAPITAL MUNDIAL DO FORCÃO E DA CAPEIA ARRAIANA – O XXV Festival «Ó Forcão Rapazes», edição 2010, decorreu na Praça Municipal no Soito. As bancadas repletas de aficionados deram brilho às actuações das nove aldeias participantes. A organização do festival pertenceu às Juntas de Freguesia de Aldeia da Ponte e de Alfaiates. Os poderosos toiros tinham o ferro da Ganadaria Zé Nói. Viva o Forcão! Viva a Capeia Arraiana! Viva a Raia! Viva o Concelho do Sabugal! Reportagem da jornalista Andreia Marques com imagem de Sérgio Caetano da redacção da LocalVisãoTv (Guarda).

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