João ValenteDesde vez dedico um poema ao meu amigo António Robalo…

Quando regressei,
Vi que o amigo
Tentou ligar-me algumas vezes
No dia da Consoada,
E não pude atender
Por esquecimento do telemóvel
Em casa.

Mas você sabe amigo António,
Que ainda que hoje me encontre ausente
O tenho sempre presente
No meu pensamento.

Suponho que aí na terra
Tudo esteja na mesma
Desde que parti.

O Interior continua no seu abandono
De séculos,
Como terra erma
E de fronteira,
Coisa que não se muda
Em dois tempos.

É levantar os braços
E lutar contra esta sorte maldita,
Que enquanto houver gente,
Não havemos de fraquejar.

Por mais que se troquem
As cadeiras do poder
Em Lisboa,
Continua este mau agoiro.

A justiça, amigo António,
Já morreu para a nossa gente
Mas nós continuamos à espera
Que venha um governo
Para mudar tudo isto.

Como dizia um poeta galego:
Os préstamos nos atrexan
y-as contribuciós nos baldan,
y-os consumos nos escaldan
y-as rentas nos expelexan.
Pásanse unhos y-outros días
un bon goberno esperando…..
¡Tamén están agardando
os xudíos ò Mesías!

Arrancam-nos a nós a pele,
E dão a outros a sardinha!
Sempre foi assim, amigo António,
Não tenhamos ilusões…
Uns nascem para trabalhar,
E andar sobre a terra
Para que outros comam bem.

Como dizia Santo Agostinho:
Homines,
sicut pisces, invicem se devorantes

«Os homens,
tal como os peixes,
se comem uns aos outros.»

E nós, amigo António,
Vejo eu, desde que nasci,
Que somos desse peixe miúdo…
E que nos comem todos.
Nada podemos fazer
Senão calar
Protestamos? Queixamo-nos?
A Quem?
E Quem se importa?
Palavras leva-as e trá-las o vento…
É coisa que a vida me ensinou.

Como o poeta galego me despeço,
– desculpe o meu péssimo humor;
Hoje já levei duas marradas
À falsa fé-:
Mais pacencia e baraxar;
qu’ o traballo nos axude….
Y-hastra qu’ o tempo se mude,
si se quixere mudar

Abraço Arraiano
E até um dia destes!
«Arroz com Todos», opinião de João Valente

joaovalenteadvogado@gmail.com

Anúncios