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A foto que acompanha esta crónica foi tirada em 1975. Nela se pode ver um táxi da época (alguém saberá identificar o taxista?) e a placa de entrada na (então) vila, já para cá da ponte, onde está desenhada uma foice, um martelo e a estrela de cinco pontas…

Taxi - Sabugal

João Aristides Duarte - «Memória, Memórias...»Quem seria que teria desenhado isso? Não me admirava nada se a pessoa que fez isso, nessa época, não fosse hoje uma pessoa já «bem na vida», a votar PS ou PSD…
Lembro-me bem do que aconteceu a seguir ao 25 de Abril de 1974, quando as paredes, monumentos e placas de trânsito estavam cheias de escritos. Quase tudo desapareceu com o tempo e com as lavagens que foram efectuadas. Realmente, nessa época, escreveu-se muito em monumentos, foi um erro que se cometeu, mas quando a tampa da panela rebenta, ninguém consegue prever as consequências. Foi o que aconteceu nessa época.
No Soito, passados poucos dias do 25 de Abril apareceram logo inscrições com palavras de ordem como: «Fim da Guerra Colonial», «Nem mais um soldado para as Colónias» ou «A Revolução Continua- O Povo Vencerá».
Também me lembro de na placa que indicava Vila Boa estar escrito «Vila Boa não quer camaleões». E, já em 1975, em Rendo, nas duas placas (a de entrada e a de saída) em letras garrafais «Morte ao comunismo». Apareceram, também inscrições em várias paredes com palavras de ordem como «Nem Fascismo Nem Social-Fascismo- Governo Popular» ou já perto de Abril de 1975 «O Povo Vota na Rua», para além de outras como «Abaixo os Suviéticos» (assim mesmo com um u, que tinha a ver com os SUV – Soldados Unidos Vencerão).
Claro que os maiores especialistas em pichagens e em murais (alguns até bastante interessantes) eram os militantes do MRPP (até conhecidos, por isso, por Meninos Rabinos Pintam Paredes), hoje todos (ou quase) já pessoas bem aburguesadas que, se calhar, já esqueceram os seus tempos de irreverência.
Foi, realmente, uma época única…
«Memória, Memórias…», crónica de João Aristides Duarte

(Deputado da Assembleia Municipal do Sabugal)
akapunkrural@gmail.com

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A Ribeira da Granja ou do Janadão é um dos maiores, senão o maior, curso de água que atravessa os limites do Soito.

João Aristides Duarte - «Memória, Memórias...»O local chamado Janadão, onde agora está instalado um Parque de Merendas, sempre foi um local aprazível que à sombra das frondosas árvores ribeirinhas proporcionava alegres convívios.
No Janadão havia, nos anos 30 e 40 do século XX, sete moinhos a funcionar para moer o trigo e centeio para as pessoas poderem ter farinha para fabricar o pão.
Era no Janadão que os mancebos, que tinham que ir à inspecção militar, tomavam banho no dia anterior à ida “às sortes”, já que nessa época não existiam casas de banho nas casas das pessoas.
O “tocador” da concertina, contratado pelos rapazes, ia com eles para o Janadão, nesse dia, para começar a animar a festa. Sim, porque nesta época, a ida à inspecção militar era considerada uma festa.
Também era no Janadão que os amigos conviviam. Levavam garrafões de vinho, carne, batatas e pão. Faziam uma fogueira, assavam a carne e coziam as batatas e passavam o dia, normalmente o Domingo, em alegre convívio.
A fotografia que acompanha esta crónica foi tirada no Janadão, em meados da década de 1940.
Nela se podem ver os garrafões de vinho, que ainda não eram com o vidro coberto de plástico e o caldeiro das batatas.
«Memória, Memórias…», crónica de João Aristides Duarte

(Deputado da Assembleia Municipal do Sabugal)
akapunkrural@gmail.com

Esta fotografia foi tirada pelo, já falecido, fotógrafo Viriato Louro, no dia 2 de Dezembro de 1978, no Cinema D. Dinis, no Sabugal. Viriato Louro era, digamos assim, o fotógrafo «oficial» de todos os Bailes de Finalistas que se realizavam no Sabugal ou na Guarda. Tinha estabelecimentos de fotografia na Guarda e no Sabugal (a Foto Império). Nesse dia era o Baile de Finalistas do Colégio do Sabugal e eu era finalista.

João Aristides Duarte - «Memória, Memórias...»O retratado é o meu irmão, Luís Carlos Duarte, que foi jogador do Sporting do Sabugal durante muitos anos. Posteriormente, foi treinador do Jarmelo, Desportiva do Soito e Sporting do Sabugal.
Nesse dia o meu irmão foi jogar, integrado no Sporting do Sabugal, a Pinhel, num jogo a contar para o Campeonato Distrital da 1.ª Divisão.
Os adeptos do Pinhel, porque estavam descontentes com o resultado ou com a arbitragem, queriam vingar-se nos jogadores do Sabugal.
O meu irmão foi prevenido para Pinhel. Entrou no campo do adversário vestido com um fato de treino e, como já estava preparado para ir para o Baile de Finalistas sem passar pelo Soito (onde residia), levou a roupa de «sair à noite» para Pinhel. Certo é que, no final do encontro, conseguiu sair completamente ileso do campo do Pinhel, já que ninguém o reconheceu e não foi incomodado por nenhum adepto do clube adversário.
A fotografia foi tirada logo no início do Baile de Finalistas, «abrilhantado» pelo grupo de Rock, muito famoso na época, a nível nacional, chamado Hosanna (visível no lado direito a coluna de som pintada com a letra H, de Hosanna, e ainda o projector de «slides» que provocava efeitos no palco onde actuavam).
Para além do meu irmão, reconhecem-se, do lado direito, mais dois soitenses: o Jé Leal e o Paulo Roque.
Punks - Clique na imagem para ampliarA indumentária que o Duarte usou era típica da atitude «punk» que andava muito em voga na época. Acrescente-se que essa atitude cresceu com o concerto dos Faíscas, considerada a primeira banda «punk» portuguesa, no mesmo local, em Maio de 1978 e que deu muito brado.
Como se pode ver há uma gravatinha muito fininha e pequenina, numa camisa sem colarinho. Imagem de marca dos «punks» era os óculos escuros (neste caso só com uma lente). Para rematar tudo há o chapéu de explorador africano, feito de cortiça e forrado a pano, que a minha tia Luísa lhe tinha oferecido. Tinha sido do seu marido (o ti João Loto) que esteve em Angola durante uns anos.
Há, ainda, o casaco e as calças largas, outra imagem icónica dos “punks” dos anos 70, que usavam roupa usada, comprada em lojas especializadas.
Na lapela do casaco, do lado esquerdo, há uma mancha que era de «patchouli», o perfume mais ligado à malta do Rock. Esse perfume deixava um odor intenso, mesmo só com uma gotinha. A mancha que se vê na fotografia exalava tal intensidade que, passados vários meses, ainda não tinha desaparecido do casaco o cheiro intenso a «patchouli».
Resta acrescentar que o chapéu de explorador africano fez um sucesso tal que me lembro bem de muitos dos presentes no Baile de Finalistas o quererem colocar na cabeça, de tal maneira que, quando aquilo terminou, estava todo estragado.
«Good Old Times!!!»
«Memória, Memórias…», opinião de João Aristides Duarte

(Deputado da Assembleia Municipal do Sabugal)
akapunkrural@gmail.com

A fotografia que acompanha esta crónica foi tirada em meados da década de 1970, talvez em 1975, na Fonte da Praça no Sabugal.

Chafariz da Praça -Sabugal

João Aristides Duarte - «Memória, Memórias...»Trata-se de uma fotografia do Chafariz da Praça, no Sabugal, num dia de neve, ao anoitecer.
Como se pode verificar nesta época existiam três árvores, junto ao Chafariz. Hoje só já existem duas.
As casas que se vêm na imagem, de frente, já não existem. Actualmente existe no local das casas um estabelecimento comercial que vende roupa. Durante anos foi ali o estabelecimento do sr. Albertino, que era uma espécie de papelaria, mas também vendia electrodomésticos.
As casas que se encontram no lado direito ainda existem. Encontram-se naquela rua que desce para o Largo onde se encontram, actualmente, os Correios e existiu (durante muitos anos) a Farmácia Lucinda Moreira.
O Chafariz da Praça é que está na mesma. Segundo me disseram há quem o conheça pela Fonte Redonda.
«Memória, Memórias…», opinião de João Aristides Duarte

(Deputado da Assembleia Municipal do Sabugal)
akapunkrural@gmail.com

A fotografia que acompanha esta crónica, embora não muito nítida, refere-se à primeira incorporação de bombeiros do Soito, em 1982. A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Soito foi fundada em 5 de Junho de 1981. Esta fotografia é, presumivelmente, da Primavera de 1982.

Bombeiros Voluntários Soito

João Aristides Duarte - «Memória, Memórias...»Os bombeiros começaram por ter ao seu serviço apenas uma ambulância, a que se seguiu um carro que servia para o transporte de pessoal e de material como pás e enxadas, para combater os incêndios florestais. Não havia, praticamente, mais nenhum equipamento que os primeiros bombeiros do Soito pudessem utilizar.
Para se organizar o corpo de bombeiros no Soito contou-se com a colaboração voluntária de instrutores que vinham da Guarda e do Sabugal, ajudar na formação.
O primeiro comandante dos Bombeiros Voluntários do Soito foi o sr. José Freire, que foi, mais tarde, Presidente da Câmara Municipal do Sabugal.
Como adjuntos do comandante encontravam-se o senhor Ireneu Coelho (que seria, mais tarde, comandante) e outro senhor que no Soito era conhecido por Quintanilha, que era empregado da Cristalina.
O fardamento dos bombeiros era constituído por fato-macaco de cor azul, no que se refere ao combate a incêndios e calças azuis e umas camisas brancas (oferecidas pelas Confecções Univest), no caso do fardamento para cerimónias (que é o que se encontra na fotografia). Nem sei bem se este fardamento era considerado oficial pelas autoridades que supervisionavam os Bombeiros, na época.
Os Bombeiros do Soito foram instalar-se no Pavilhão Gimnodesportivo, construído pelo Povo do Soito, para sede da Associação Cultural e Desportiva do Soito, fundada em 1977 e, nesta época, desactivada. A ACDS chegou a ter pergaminhos numa modalidade chamada luta greco-romana (treinada pelo Zé Freire). Alguns dos praticantes dessa modalidade, no Soito, chegaram a ser campeões distritais e bateram-se bem em torneios de nível nacional.
Na foto pode ver-se o Pavilhão Gimnodesportivo ainda com as paredes em blocos de cimento e o anexo ainda em construção.
Talvez perto de trinta rapazes formaram a primeira incorporação dos bombeiros do Soito.
Alguns já faleceram e outros foram abandonando, por diversos motivos. Hoje, restam apenas cinco ou seis que ainda continuam bombeiros no Soito, entre os quais o actual comandante, sr. Joaquim Barata.
Na foto, em primeiro plano, vê-se uma criança fardada que me parece ser Filipe Frade, que era conhecido pelo Filipe Bombeirinho e nunca chegou, efectivamente, a ser bombeiro a sério.
O autor desta crónica pertenceria ao corpo de bombeiros do Soito na segunda incorporação, em 1983, e passou ao Quadro de Honra em Dezembro de 2009.
«Memórias, Memórias…», opinião de João Aristides Duarte

(Deputado da Assembleia Municipal do Sabugal)
akapunkrural@gmail.com

Nestas imagens estão reproduzidas duas das máquinas que fazem parte do meu imaginário. Trata-se do camião Barreiros e da máquina de espalhar alcatrão, imagens de marca da Câmara do Sabugal, nos anos 60 e 70, do século XX.

(Clique nas imagens para ampliar.)

João Aristídes Duarte - «Memória, Memórias...»O camião Barreiros, marca de origem espanhola, era conduzido pelo sr. Bárrios, de Aldeia do Bispo, o pai do professor (e actual membro da Assembleia Municipal) Francisco Bárrios.
A marca Barreiros foi fundada pelo galego Eduardo Barreiros Rodriguez, nascido na província de Orense, na Galiza. Em 1962 associou-se com a empresa norte-americana Chrysler e fundou a «Barreiros Chrysler».
O camião Barreiros, propriedade da Câmara Municipal do Sabugal, terá sido comprado em meados dos anos 60 e esteve ao serviço até quase ao final dos anos 70.
Era o único camião que a Câmara Municipal possuía e que servia para transportar areia e outro material para «remendar» as estradas que havia na época.
Lembro-me bem de esse camião vir ao Soito, conduzido pelo sr. Bárrios, que se fazia acompanhar de alguns cantoneiros (entre os quais o sr. João Reduto, do Soito), transportando areia e gravilha.
A máquina de espalhar alcatrão (a Câmara tinha várias) era semelhante àquela que se encontra na imagem.
Era necessária lenha para uma caldeira que a máquina possuía, para aquecer o alcatrão e o tornar líquido. Numa época, para fazer aquecer a caldeira usavam-se, como combustível, as grades de madeira da Cristalina, que tinham pregos e, depois, apareciam muitos furos nos automóveis, porque a cinza (com os pregos) era deixada nas bermas das estradas. Com a ajuda de uma mangueira que a máquina tinha, os cantoneiros espalhavam o alcatrão nos buracos, e colocavam a areia ou gravilha, que era transportada no camião Barreiros.
Durante o fim-de-semana a máquina era deixada no Lameiro do Soito (onde hoje se encontra o jardim) e era motivo de grandes brincadeiras por parte da garotada.
Quando a primeira Câmara Municipal do Sabugal, eleita em regime democrático, em 1976, tomou posse, o camião Barreiros estava numa oficina a arranjar e não podia ser «levantado» porque a Câmara não tinha dinheiro para pagar. E já estava lá há algum tempo.
Só com a aprovação da Lei das Finanças Locais e as transferências que começaram a ser feitas para as autarquias, a Câmara começou a adquirir uma frota automóvel com algum nível.
O camião Barreiros desapareceu de circulação (não sei se alguma vez chegou a sair da tal oficina) e as máquinas de espalhar alcatrão também nunca mais foram avistadas por estas paragens.
«Memória, Memórias…», crónica de João Aristides Duarte

(Deputado da Assembleia Municipal do Sabugal)
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A propósito da crónica de José Manuel Monteiro, sobre o Tarrafal, transcrevo o teor de um ofício que tenho em meu poder, da Câmara Municipal do Sabugal para o Governador Civil do Distrito da Guarda, com data de 14 de Agosto de 1936.

João Aristídes Duarte - Memória, Memórias... - Capeia ArraianaNesta época a polícia secreta ainda se chamava PVDE (Polícia de Vigilância e Defesa do Estado), que daria mais tarde origem à PIDE.
O ofício (da Divisão Administrativa e com o n.º 4, onde estava escrito Confidencial) rezava o seguinte:

«A fim de V.ª Ex.ª tomar as providências que o caso reclama, junto envio a V.ª Ex.ª uma comunicação confidencial recebida do cabo comandante do posto da GNR do Souto.
Há muito consta que, efectivamente, existe nesta Vila, com ramificações em Souto e outras freguesias, uma associação secreta de carácter comunista, cujos componentes não tem sido possível descobrir, devido à falta de vigilância.
Encontro-me completamente só, sem um guarda de Segurança Pública, nem sequer oficial da administração para me auxiliarem na descoberta dos indivíduos que fazem parte de tal associação, sendo de toda a conveniência que V.ª Ex.ª consiga a vinda de um agente da Polícia de Vigilância e Defesa do Estado, para me auxiliar em tais investigações.
A Bem da Nação
O Administrador do Concelho»

Em seguida transcreve-se o que alguém escreveu no site «Fórum Pátria» (um site onde se faz a apologia do Antigo Regime), na Internet:

«Cada agente da PIDE/DGS, é superiormente importante, para poder ser comparado aos dejectos humanos abrileiros, criminosos, desertores, falhados, frustrados, incompetentes, parasitas, traidores e gatunos, que desde o dia 25 de Abril de 1974 desfilam pelas passadeiras do poder em Portugal.
Porque eles, os agentes da PIDE/DGS, eram a segurança, eles eram a ordem, eles eram a protecção, eles eram a estabilidade, eles eram a paz, eles eram o respeito, eles eram a integridade territorial da Nação, eles representavam o patriotismo, eles eram a coragem, eles eram a ajuda, eles eram a confiança das noites dormidas em paz e em repouso, a certeza dos dias luminosos, eles eram o futuro e a esperança.»

Termino com a mesma frase com que terminava a crónica de José Manuel Monteiro: Não apaguem a memória…
«Memória, Memórias…», crónica de João Aristides Duarte

(Deputado da Assembleia Municipal do Sabugal)
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O ano de 1979 foi proclamado, pelas Nações Unidas, o Ano Internacional da Criança. A proclamação foi oficialmente assinada no dia 1 de Janeiro de 1979, pelo secretário-geral das Nações Unidas, Kurt Waldheim. As comemorações deste Ano Internacional da Criança, no concelho do Sabugal, tiveram lugar no dia 11 de Junho, no Soito.

Ano Internacional Criança - Soito - 1979

João Aristides Duarte - «Memória, Memórias...»A organização foi da Câmara Municipal do Sabugal, presidida, à época pelo Dr. João Lopes, com a colaboração de várias pessoas do Soito.
A coordenação de todas as escolas do concelho (neste ano ainda havia tinham escola todas as freguesias e anexas do concelho) esteve a cargo do Professor Lucas que era o Delegado Escolar. Só professores eram perto de 90. Imagine-se, portanto, o número de alunos que teria o concelho do Sabugal, nesta época. Também participaram crianças e professores das escolas espanholas de Valverde del Fresno, Navasfrias e Eljas.
As comemorações decorreram nas Eiras (perto do local onde se situam, hoje, os Bombeiros), tendo as crianças desfilado, da parte da manhã, desde a Cristalina até esse local.
Na fotografia (retirada, com vénia, do arquivo on-line do sr. Carlos Alberto da Conceição) pode ver-se um aspecto desse desfile, na actual Avenida S. Cristóvão. Cada grupo de crianças de cada localidade levava um cartaz com o nome da sua terra.
Na Avenida S. Cristóvão havia, também, diversas faixas penduradas, saudando os participantes. Nas Eiras foi montado um palco, onde se realizou uma missa campal, após o que foi servido um almoço para todas as crianças e professores. O almoço foi custeado pelas empresas e comerciantes do Soito. Da parte da tarde, no palco, actuaram a Banda Filarmónica de Vale de Azares e a Banda Filarmónica da Bendada (que já tinham desfilado junto com as crianças), para além de um grupo circense para animar a criançada.
Nas instalações do actual Centro Cultural do Soito (também nas Eiras), na época conhecido como o Pavilhão Gimnodesportivo, actuou a Orquestra Ligeira da Covilhã. Nunca o Soito conheceu um tão grande ajuntamento de crianças, como nesse ano. Como o Soito ainda não possuía Bombeiros foram os «soldados da paz» do Sabugal que trouxeram uma ambulância e montaram uma tenda, para atenderem algum caso de insolação ou outro problema de saúde que pudesse surgir, já que estava muito calor.
«Memória, Memórias…», crónica de João Aristides Duarte

(Deputado da Assembleia Municipal do Sabugal)
akapunkrural@gmail.com

Finalmente uma mão amiga arranjou-me a fotografia da carroça que transportava as grades de sumos da Cristalina, na década de 1940. Foi o senhor Carlos Alberto da Conceição, conhecido pelo Ti Carlos do Soito que me cedeu a fotografia.

Carroça Cristalina - Soito

João Aristídes Duarte - «Memória, Memórias...»Como referi na minha crónica anterior, esta fotografia encontra-se num livro que foi editado em 1971, comemorativo dos 25 anos da fundação da Fábrica de Refrigerantes Cristalina.
Na minha crónica anterior referi, também, que a carroça era puxada por burros, mas tal não corresponde à realidade, já que era puxada por um macho.
A carroça fazia a distribuição no Soito e arredores, nas tabernas e nalguns (poucos) cafés que iam surgindo no concelho. As grades eram de madeira, como se pode ver na imagem. Ainda no final da década de 1970 havia grades de madeira, nas traseiras da fábrica, que foram sendo substituídas por grades de plástico. As grades de madeira, quando se deixaram de utilizar, serviam como lenha para aquecimento. Os proprietários da Cristalina davam essas grades para se livrarem delas.
Nessa época, a Fábrica funcionava no Bairro do Forte, no Soito, onde os sócios (Manuel de Oliveira e os seus filhos) produziam as «laranjadas». Para isso usavam uma máquina com um pedal que servia para colocar as «caricas» nas garrafas de vidro, compradas e zincogravadas com o nome Cristalina. Outra máquina rudimentar enchia, previamente, as garrafas de vidro, com a «laranjada». A água era transportada desde o chafariz que existia (e ainda existe) no bairro, até à «fábrica». A «fábrica» só produzia «laranjadas» e gasosas, que vieram substituir os famosos «pirolitos».
Quem imaginaria, nesses anos, que a fábrica teria a grandeza que chegou a ter, com distribuição em todo o país e, até, para mercados internacionais?
Só na década de 1950 é que a fábrica foi transferida para as instalações onde hoje está instalado o Centro de Negócios Transfronteiriço.
«Memória, Memórias…», opinião de João Aristides Duarte

(Deputado da Assembleia Municipal do Sabugal)
akapunkrural@gmail.com

A foto que apresento nesta crónica refere-se à Fábrica de Refrigerantes Cristalina, em 1971, no dia em que se festejavam os 25 anos da sua fundação. Esta fotografia foi-me cedida pelo sr. Carlos Alberto da Conceição, do Soito.

Refrigerantes Cristalina - 1971

João Aristídes Duarte - «Memória, Memórias...»A fábrica foi fundada em 1946 por Manuel de Oliveira, conhecido no Soito pelo Manuel Gaguelho. No início funcionava no Bairro do Forte. O transporte dos sumos era feito com uma carroça, puxada por burros (ando a ver se descubro essa fotografia que sei existir num livro editado na data da festa dos 25 anos, mas que nunca mais vi). Passados uns anos a fábrica foi transferida para o seu local definitivo (onde hoje é o Centro de Negócios Transfronteiriço), começando por ser um pequeno barracão onde estava escrito «Manuel de Oliveira- Soito», até se transformar na fábrica que encerrou em 1993.
Em 1971 a Cristalina organizou uma festa para a comemoração dos 25 anos da fundação.
Foram convidados alguns clientes e algumas altas individualidades da época, como o Presidente da Câmara, o Governador Civil, o Bispo da Guarda, o médico, o pároco, o professor, etc, etc.
O meu professor (o professor Abadesso, natural de Castanheira-Guarda) trabalhava no escritório da Cristalina. Era um sportinguista ferrenho e sempre ouvi dizer que o facto de as camionetas que transportavam os sumos serem verdes, tinha sido ideia dele.
Estranhamente (ou talvez não, se atendermos à época e ao regime vigente quando se realizou a festa de aniversário) houve muitas pessoas que não foram convidadas, inclusive vizinhos e amigos e até familiares. Interessava era ter o maior número possível dos tais convidados «importantes», mesmo que esses nada tivessem a ver com a Cristalina.
Lá dentro, onde foi servido um almoço, estavam as tais «altas individualidades», todas engravatadas, e houve discursos, entrega de presentes e um «corta-fita» realizado pelo Bispo da Guarda.
O Clero (alto e baixo), constituído por, pelo menos nove dos seus representantes, comeu à parte, numa sala da fábrica, não se misturando com os restantes convidados.
Na frontaria da fábrica foi colocada uma garrafa de sumos Cristalina gigante.
«Memória, Memórias…», opinião de João Aristides Duarte

(Deputado da Assembleia Municipal do Sabugal)
akapunkrural@gmail.com

A fotografia da crónica de hoje refere-se a umas mulheres de Quadrazais e foi tirada na década de 1930. Como se pode ver aparece uma das mulheres a tocar adufe, pelo que devem estar a cantar alguma canção.

Mulheres de Quadrazais tocam adufe - João Duarte
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João Aristídes Duarte - «Memória, Memórias...»Quadrazais tem alguma tradição na música tradicional/popular, como já referi numa crónica publicada neste blogue, uma vez que a canção «Azeitona Cordovili», recolhida nesta freguesia faz parte da incontornável obra «Cancioneiro Popular Português», um livro de Michel Giacometti, sendo a única do concelho do Sabugal a ser aí referida. Não tendo sido recolhida pelo próprio Michel Giacometti, este não deixou de a publicar no seu livro.
Também o músico César Prata e o seu grupo Chuchurumel gravaram uma canção de Quadrazais no disco «No Castelo de Chuchurumel», lançado em 2005. Trata-se de «Se soenes crunhe penhar», um tema que é cantado na gíria quadrazenha.
O meu pai, que viveu em Quadrazais, na década de 1930, lembra-se bem das quadrazenhas a tocar e a cantar e dos seus trajes bastante parecidos com os das mulheres minhotas, o que não era muito comum por estas terras da Beira Alta. E refere, também, que o rancho de Quadrazais (também constituído por homens) foi o único representante do nosso concelho na «Exposição do Mundo Português», realizada pelo Estado Novo, em 1940, em Lisboa.
Por isso os quadrazenhos referiam, sempre, que Salazar aplaudiu os contrabandistas. Tratava-se, é claro, do desfile dos diversos representantes do país (na época no seu todo pluricontinental) a que Salazar presidiu e no qual participou o rancho de Quadrazais. Como Salazar estava na tribuna aplaudiu as representações todas. Tendo em consideração a perseguição e repressão que o regime do Estado Novo fazia aos contrabandistas, nomeadamente aos quadrazenhos, é natural que o facto de o máximo representante desse regime aplaudir os contrabandistas de Quadrazais era motivo de grande admiração.
«Memória, Memórias…», opinião de João Aristides Duarte

(Deputado da Assembleia Municipal do Sabugal)
akapunkrural@gmail.com

A fábrica de refrigerantes Cristalina foi fundada por Manuel de Oliveira, em 1946.

Mariana dos Santos e António Paulo Fernandes
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João Aristídes Duarte - «Memória, Memórias...»A fábrica começou por ser no Forte, um bairro do Soito onde consta que esteve instalado um contingente de tropas gaulesas, aquando das Invasões Francesas. Foi, por isso, que o bairro começou a ser conhecido pelo Forte, o que se mantém até hoje.
Só mais tarde a fábrica se instalaria na actual Avenida São Cristóvão (numa zona conhecida na época por Caminho Largo).
Os filhos de Manuel de Oliveira tornaram-se, pouco tempo depois, sócios da fábrica, juntamente com o pai, pelo que se podem incluir entre os fundadores. Esses filhos eram o João dos Santos Oliveira, Domingos Fernandes de Oliveira, António Fernandes de Oliveira (Toninho Oliveira) e José Fernandes de Oliveira. Mais tarde, o Toninho Oliveira abandonou a sociedade e fundou a fábrica de confecções Ranking.
A fotografia apresentada nesta crónica é dos avós dos sócios e, portanto, sogros do sr. Manuel de Oliveira, já que a esposa deste era filha do casal representado na imagem.
O meu bisavô, Manuel José dos Santos, era filho de um senhor conhecido no Soito pelo Ti Coxo, que era natural de Alcácer do Sal e exercia a profissão de alfaiate.
Para além do meu bisavô, o Ti Coxo teve mais quatro filhos. Uma das suas filhas era a senhora que está na fotografia e se chamava Mariana dos Santos. Ela casou com um grande artista serralheiro, natural da Cerdeira do Côa que se chamava António Paulo Fernandes. Foi este serralheiro que fez os portões da igreja do Soito , que ainda hoje existem.
Este casal teve vários filhos, para além da mãe dos sócios fundadores da Cristalina, entre os quais alguns que seguiram, também, a profissão de serralheiro.
A família Fernandes (que herdou o apelido do serralheiro da Cerdeira do Côa) deixou pergaminhos na arte da serralharia. Um dos seus bisnetos é o conhecido Fernando Monteiro Fernandes, artista que trabalha com ferro forjado.
«Memória, Memórias…», opinião de João Aristides Duarte

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A foto que hoje é apresentada nesta crónica refere-se a um grupo de soldados a cumprir o serviço militar obrigatório no Instituto de Altos Estudos Militares (I. A. E. M.), em Caxias, no ano de 1948. A curiosidade desta foto é que todos os militares são originários do concelho do Sabugal, excepto o corneteiro (o do meio, na fila mais atrás).

Sabugalenses no Instituto de Altos Estudos Militares - 1948
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João Aristídes Duarte - «Memória, Memórias...»Todos estes militares, oriundos do nosso concelho, foram para o Instituto de Altos Estudos Militares (IAEM) após terem concluído a recruta no Regimento de Caçadores 2, na Covilhã.
O Instituto, onde os oficiais tiravam cursos de Estado-Maior e outros cursos superiores militares, estava, nesta época, sedeado no antigo Palácio Real de Caxias.
O meu pai (Eugénio dos Santos Duarte, o terceiro a contar da direita, na segunda fila), hoje com 83 anos, era um dos militares do concelho que prestou serviço nesse Instituto. Como era carpinteiro na vida civil, foi essa actividade que exerceu na tropa, nessa unidade militar. Por isso aparece com uma garlopa e uma serra.
Um dos militares portugueses, à época com o posto de major, que frequentou cursos nesta unidade militar quando estes soldados lá estavam foi o (futuro) general Kaúlza de Arriaga. O meu pai lembra-se dele, deste tempo.
Já há muitos que lhe escapam, mas ainda conseguiu identificar as localidades de onde alguns eram naturais.
O primeiro a contar da esquerda, na primeira fila, era natural da Abitureira.
O segundo a contar da direita, na primeira fila, era o Vilas, natural de Santo Estêvão.
O primeiro a contar da direita, na segunda fila, era de Vila do Touro.
O quarto a contar da esquerda, na primeira fila, era o rancheiro, natural de Pousafoles.
O quarto a contar da esquerda, na segunda fila, era o barbeiro, natural de Penalobo.
O terceiro a contar da esquerda, na segunda fila era da Lomba.
O segundo a contar da esquerda, na primeira fila era de Aldeia da Ponte.
«Memória, Memórias…», opinião de João Aristides Duarte

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José Maria Videira nasceu na Bendada, freguesia do concelho de Sabugal, em 26 de Abril de 1896. Este foi um homem da velha tempera das gentes da Riba-Côa, daqueles de «antes quebrar que torcer». Como já há poucos, muito poucos, apesar de tudo o que se diz. Quem arriscaria, hoje, o que este verdadeiro patriota arriscou?

João Aristídes Duarte - «Memória, Memórias...»Republicano e revolucionário convicto, combateu, em França, na Guerra de 1914/1918.
Bateu-se pela liberdade e pela democracia para os portugueses e pagou bem cara essa sua luta.
Sofreu a prisão, a deportação e a tortura.
Por ser o líder da Organização Revolucionária dos Sargentos, organização considerada ilegal e subversiva pelo regime fascista de Salazar foi deportado para Santa Cruz da Graciosa (Açores). Enquanto esteve deportado nos Açores ensinou a ler e a escrever vários analfabetos ali existentes, que o homenagearam com um documento onde apuseram as suas assinaturas.
Era um homem para quem a instrução e a educação de todos os homens eram valores prioritários.
Da deportação nos Açores foi transferido para o Campo de Concentração do Tarrafal, em Cabo Verde (aquele que alguns saudosistas do anterior regime dizem nunca ter existido ou não ter passado de um campo de férias), onde esteve em companhia de muitos outros presos políticos anarco-sindicalistas, comunistas, socialistas (da velha cepa) ou outros antifascistas.
Foi elogiado por outros combatentes contra o regime ditatorial como Emídio Santana e Correia Pires (anarco-sindicalistas, o primeiro dos quais conhecido por ser um dos organizadores do célebre atentado ao ditador), Josué Martins Romão (que esteve na revolta dos marinheiros e preso com ele no Tarrafal), Raul Rego (jornalista e político) e Manuel João da Palma Carlos (advogado e seu defensor).
Como é natural tinha ficha na PIDE, com muitas anotações, como se pode ver na imagem.
Faleceu em Lisboa em 16 de Junho de 1976, já depois de ter sentido o sabor da liberdade conquistada em 25 de Abril de 1974, pela qual se bateu uma vida inteira.
O seu irmão Joaquim Videira, também nascido na Bendada, tinha a patente de tenente e esteve em Lisboa nas barricadas do 5 de Outubro de 1910.
Devido à sua actividade política como republicano e democrata foi deportado pelo regime de Salazar para Cabo Verde, S.Tomé e para Timor. Foi preso várias vezes pela PIDE. Morreu e foi sepultado em Lisboa.
Sem me querer imiscuir em assuntos internos da Bendada, julgo que seria de toda a justiça a existência de uma rua com o seu nome na freguesia que o viu nascer.
Também se deverá colocar à consideração da Comissão de Toponímia eleita pela Assembleia Municipal e constituída pelos deputados Joaquim Brázia, João Manata, José Clemente e Fátima Neves que tenham em consideração este ilustre sabugalense para o nome de uma rua na sede do concelho.
João Videira Santos, neto de José Maria Videira e primo do dono do Mini Mercado Videira, na Bendada, que descobri nas minhas andanças de melómano (já que esteve ligado ao «ié ié» português como autor de canções do grupo da década de 1960 «Os Keepers») tem um orgulho imenso no seu avô e o caso não é para menos.
Como político que sou (e faço gala de o ser) eu próprio me sinto orgulhoso por ter existido no concelho de Sabugal uma personalidade com a dimensão de José Maria Videira.
«Memória, Memórias…», opinião de João Aristides Duarte

(Deputado da Assembleia Municipal do Sabugal)
akapunkrural@gmail.com

As fotografias desta crónica referem-se a uma mulher (com certeza já falecida), de que desconheço o nome, mas habitante no Bairro do Castelo, no Sabugal.

Sabugal - 1975 Sabugal - 1975

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João Aristídes Duarte - «Memória, Memórias...»As fotografias foram tiradas junto à ponte que divide a freguesia do Sabugal da de Aldeia de Santo António.
A mulher está vestida com os trajes típicos das mulheres do povo, de cor escura e com lenço na cabeça. O avental (nalgumas freguesias chamado mandil) também fazia parte da indumentária). Este traje ainda existiu durante muitos anos. Não sei se hoje ainda haverá, nas aldeias do concelho de Sabugal, alguma mulher que use este traje.
Lá atrás, na fotografia de corpo inteiro da mulher, vê-se uma motorizada V5, um dos ícones dos anos 70 e 80 do século XX, no concelho e em todo o país.
São visíveis, no lado esquerdo da fotografia, inscrições de carácter político no muro da ponte. Afinal estávamos em 1975. O que está escrito é: «Viva a Liberdade, Vota CDS» É curioso, mas um dos mitos que foi transmitido às novas gerações sobre a época revolucionária é a de que os partidos de esquerda encheram as paredes de pinturas com inscrições de carácter político.
Afinal, a direita também o fazia.
«Memória, Memórias…», opinião de João Aristides Duarte

(Deputado da Assembleia Municipal do Sabugal)
akapunkrural@gmail.com

A imagem de hoje refere-se a uma tourada com forcão realizada no Soito, em 1974. Foi a primeira vez que se realizou no redondel construído em cimento que foi erguido no Lameiro do Soito.

Capeia Arraiana no Soito

João Aristídes Duarte - «Memória, Memórias...»Efectivamente, até esse ano as touradas com forcão, no Soito, realizaram-se em muitos locais, incluindo este no Lameiro do Soito (onde hoje se localiza o Jardim), mas sempre com o perímetro da «Praça» feito por carros de vacas.
O redondel, que esteve neste local até 2005, foi construído em 1974 e estreado em Agosto desse ano, com esta tourada. Note-se que não me lembro de, no Soito, estas touradas serem conhecidas como capeias, nesta época, mas sim como touradas. Era a época em que havia os mordomos das Festas de S. Cristóvão e os mordomos da tourada. Só alguns anos mais tarde, no Soito, os mordomos das Festas de S. Cristóvão e da tourada seriam os mesmos e organizariam as duas actividades em conjunto. Antes disso acontecer, os mordomos da tourada eram sempre rapazes solteiros, como acontecia em muitas outras terras da raia sabugalense.
Repare-se, ainda, nos carros de vacas que serviam de escapatória para os mais afoitos. Hoje são substituídos por reboques de tractores.
Outra curiosidade das touradas desta época é que os que pegavam no forcão, faziam-no apenas dos lados, não havendo ninguém no seu interior (nesta fotografia aparece, no entanto, um rapaz no meio do forcão, o que era raríssimo, neste tempos), como hoje acontece em todas as capeias.
O colorido das roupas usadas nesta época (calças amarelas ou vermelhas, quase todas à boca-de-sino, bem como camisas de cores bastante garridas eram frequentes), não pode deixar de ser salientado.
Lembro-me que, nestes anos, os touros vinham a pé, acompanhados por cavalos (não se usavam automóveis, tractores nem motos-quatro) e, junto ao local onde se realizava a tourada as ruas eram tapadas com automóveis, colocados uns a seguir aos outros. Parecia que ninguém tinha medo que o touro estragasse a pintura dos automóveis (o que nunca vi acontecer). Outros tempos…
«Memória, Memórias…», opinião de João Aristides Duarte

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A fotografia que acompanha crónica de hoje foi tirada em 1977. Nela podemos ver o famoso (na época) actor Óscar Acúrcio, que se deslocou ao Sabugal com Paco Bandeira, para participar nas comemorações do 25 de Abril, organizadas pela autarquia.

Óscar Acúrcio no Sabugal - 1977

João Aristídes Duarte - «Memória, Memórias...»Do lado direito do actor encontra-se o Dr. João Lopes, à época o Presidente da Câmara Municipal do Sabugal. O Dr. Lopes (natural de Vale de Espinho e já falecido) foi o primeiro Presidente da Câmara eleito depois do 25 de Abril de 1974.
Do lado esquerdo do actor encontram-se o Brito, natural do concelho de Figueira de Castelo Rodrigo e, há muitos anos, radicado no Sabugal, onde é funcionário da Repartição de Finanças e o pai deste cronista (Eugénio Duarte).
Junto ao actor (do lado direito e com barba) encontra-se Mário Lucas, actualmente professor em Coimbra e que chegou a ser vereador do PS, na Câmara do Sabugal. O actor, de nome completo Óscar Acúrcio Pereira, nasceu a 7 de Agosto de 1916, em Lisboa, e faleceu a 29 de Março de 1990. Entrou em vários filmes, tais como «O Leão da Estrela», «Ala-Arriba» ou «A Maluquinha de Arroios».
Em 1984 apareceu no papel de «Graxas» na telenovela «Chuva na Areia».

Nota: Ao contrário do esperado pela agenda conservadora do Presidente da República, o Tribunal Constitucional deu luz verde aos casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Não é assunto que me interesse particularmente, mas fiquei contente por ter acontecido assim. É que, ao contrário do que escreveu outro ultra-conservador (Dr. Leal Freire) num jornal regional, nestes termos «Felizmente para o país, Cavaco tem mantido uma postura de autêntico Chefe de Estado, sendo pena que o nosso sistema constitucional lhe não outorgue mais amplos poderes. Mas no momento oportuno aparece a corrigir pelo veto as aberrações, o que, de certo, fará no que concerne aos casamentos gays», o Tribunal Constitucional não viu nada de aberrante nessa lei. Como político que sou (e faço gala de o ser) sei bem que noutras leis bem mais importantes (essas sim completamente aberrantes) e que mexem com a vida das pessoas (nomeadamente as que se prendem com a flexibilização das leis laborais ou todo o mal que o neo-liberalismo tem feito ao país), nunca vi Cavaco Silva ou os seus conservadores defensores solicitarem a inconstitucionalidade ao Tribunal.
«Memória, Memórias…», opinião de João Aristides Duarte

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A foto que ilustra a crónica de hoje refere-se à Rua dos Pontões, no Sabugal, em 1975. Essa rua tem início junto ao estabelecimento comercial (Relojoaria) do João Manata e termina na (actual) rotunda, junto à nova ponte.

Rua dos Pontões - Sabugal - 1975

João Aristídes Duarte - «Memória, Memórias...»Como se pode verificar, em 1975, essa rua não possuía casas de qualquer um dos lados (pelo menos na secção que aparece na fotografia).
Aliás, devia ser uma rua pouco movimentada, já que os passeios estão completamente cobertos de erva, o que significa que nem os peões circulavam neles.
Automóveis estacionados também não se viam nenhuns.
Hoje a rua é bem diferente. Há casas e estabelecimentos comerciais, em ambos os lados da rua. Também existe o edifício da Telecom no final da rua (já perto da rotunda). Os automóveis estacionados de ambos os lados da rua, não deixam nenhum espaço livre.
Quem diria, em 1975, que essa rua, quase sem movimento, seria como é hoje!!!
«Memória, Memórias…», opinião de João Aristides Duarte

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As fotografias apresentadas nesta crónica referem-se à participação do Soito no Cortejo que teve lugar em 1969, no Sabugal, aquando da visita à sede do concelho do Presidente do Conselho, Marcello Caetano.

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João Aristídes Duarte - «Memória, Memórias...»O Soito participou com um Rancho de raparigas que cantaram aquele que ficou conhecido como o «Hino do Soito» (música «Ay Portugal Porque Te Quiero Tanto» – também conhecida por «Estudantina Portuguesa» e letra de Judite Nunes Aristides).
Lembro-me bem desse desfile e da participação do Soito, quando eu tinha 9 anos de idade.
Efectivamente, foi uma das primeiras vezes que eu fui ao Sabugal. O meu professor queria, à viva força, que os alunos dele levassem batas brancas para receberem o senhor Presidente do Conselho. Só que nós não usávamos batas. Ainda hoje estou para saber, no entanto, como é que alguns (poucos) dos meus companheiros de escola conseguiram levar vestidas as batas brancas, com as quais nunca os tinha visto na escola.
Nesse dia havia tolerância total, decretada pelas autoridades da época, e as camionetas da Cristalina podiam transportar pessoas para o Sabugal. Foi numa dessas camionetas (que se vê na imagem) que eu fui para o Sabugal. A camioneta levava um ramo de castanheiro, ainda com ouriços, e, quando a fome apertou, as castanhas desapareceram todas.
A Cristalina participou, ainda, com outro carro alegórico, onde estava escrito «Rossio Rival do Paço, Paço Rival do Rossio, Cristalina Não Tem Rival». Julgo que isso se refere a uma rivalidade entre dois bairros, existentes em Canas de Senhorim, mas quem saberia disso, na época?
«Memória, Memórias…», opinião de João Aristides Duarte

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A fotografia da crónica de hoje refere-se a uma récita teatral realizada na (então) vila do Sabugal, por habitantes da Colónia Agrícola de Martim Rei.


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João Aristídes Duarte - «Memória, Memórias...»

Durante o regime do Estado Novo criou-se um organismo intitulado Junta de Colonização Interior que teria como função povoar os campos.
Uma das colónias agrícolas criadas por esse organismo foi a Colónia Agrícola de Martim Rei, no concelho de Sabugal, que se situa na ligação entre o Sabugal e Quadrazais. Administrativamente é parte da freguesia do Sabugal.
Não conseguia apurar o local exacto onde se realizou essa récita, mas talvez tenha sido no Cinema D. Dinis.
Esta récita realizou-se no final da década de 1950.
A Colónia Agrícola, apesar de dividida em várias quintas, por esta época, ainda tinha população jovem, como se pode verificar pela fotografia.
A Colónia Agrícola de Martim Rei também era (e é) conhecida em muitas localidades do concelho de Sabugal por «Peladas».
Não sei qual é o estatuto da Colónia Agrícola de Martim Rei, actualmente. Se alguém conseguir elucidar…
E conseguirá, alguém, identificar algum dos participantes nesta récita?
«Memória, Memórias…», opinião de João Aristides Duarte

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A fotografia da crónica de hoje refere-se aos pajens que participaram no Cortejo de Oferendas a favor do Hospital do Sabugal, realizado no ano de 1947.


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João Aristídes Duarte - «Memória, Memórias...»Estes pajens eram do Sabugal e participaram em 1947, assim vestidos, no Cortejo de Oferendas a favor da construção do Hospital do Sabugal.
Era costume nos Cortejos de Oferendas aparecerem uns pajens, que davam outro «colorido» aos desfiles.
Lanço aqui o desafio: algum visitante do Capeia Arraiana conseguirá identificar os fotografados?
«Memória, Memórias…», opinião de João Aristides Duarte

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A fotografia da crónica de hoje refere-se à construção do edifício que iria albergar a Escola Primária do Sabugal, nos anos 20, do séc. XX.

Sabugal - Construção da Escola Primária - Anos 20

João Aristídes Duarte - «Memória, Memórias...»A Escola Primária do Sabugal iniciou o seu funcionamento em 1926.
A sua construção decorreu durante a vigência do Regime da I República.
Pode ver-se a torre pentagonal do castelo do Sabugal, a sobressair por cima do edifício já construído, do lado esquerdo da fotografia.
Do lado direito é visível a torre da igreja do Sabugal, ainda hoje existente.
Nesta época não havia as tecnologias que se utilizam, hoje em dia, nas construções de edifícios. A grua era constituída por dois paus e uma roldana. Todo o edifício foi construído em pedra que foi retirada de duas igrejas: a igreja de Nossa Senhora do Castelo (que se encontrava junto ao castelo) e a igreja de S. Sebastião. Ambas foram demolidas para se arranjarem pedras para a construção da Escola Primária.
Como se sabe era um ponto de honra para a I República que as pessoas tivessem direito a uma boa instrução.
Vendo bem o edifício da Escola Primária do Sabugal, ainda hoje existente (e onde eu fiz o exame da 4.ª Classe, em 1970) é um edifício bastante imponente. Trata-se da maior Escola Primária do concelho. Apenas as escolas de Vale de Espinho e do Soito se aproximam, em grandeza, à Escola Primária do Sabugal.
Na última janela (em baixo) do lado esquerdo é visível o fontanário que se encontra no Largo da Fonte, no Sabugal.
As galinhas, em primeiro plano, passeavam nas ruas do Sabugal e de qualquer aldeia do concelho, com a maior das descontracções, buscando alimentos. Não se perdiam…

Nota: na minha crónica anterior referi que o pontão existia no Sabugal, o que não corresponde à verdade. Realmente, alertado por um comentário do sr. Carlos, fui verificar “in loco” e o pontão ainda lá está, do lado direito da nova ponte. É, até bastante largo. As minhas desculpas pelo erro.
«Memória, Memórias…», opinião de João Aristides Duarte

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A fotografia que é, hoje, objecto de crónica refere-se ao pontão que existia no Rio Côa, no local onde se localiza, agora, a ponte nova que liga o Sabugal à estrada da Guarda, portanto do lado direito da ponte antiga.

Pontão do Sabugal

Joao Aristides DuarteA fotografia foi tirada em 1975, entre a Primavera e o Verão. A vegetação não deixa margens para dúvidas e pode ver-se que o Rio Côa está com pouco caudal.
Este pontão não era largo, embora seja natural que muitas pessoas o tenham atravessado para se deslocarem do Sabugal para as hortas existentes em redor.
Não tenho a certeza, mas existindo, no Sabugal, uma Rua dos Pontões, era mais que certo que a ligação entre as margens do Côa fosse feita em mais do que um pontão. Alguém me poderá ajudar? Quem sabe quais eram os pontões que ligavam as margens do Sabugal e onde se localizavam?
«Memória, Memórias…», opinião de João Aristides Duarte

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A imagem hoje apresentada não é do Cortejo de Oferendas, embora seja do mesmo ano (1947). Pelo que se pode verificar, trata-se de um desfile organizado pelo regime do Estado Novo, na actual (não sei se em 1947 teria este nome) Rua Cinco de Outubro, no Sabugal.

Desfile no Sabugal - 1947

Joao Aristides DuarteÀ frente do desfile vão aqueles que, com toda a certeza, devem ser os membros da elite sabugal, chamemos-lhe as «altas individualidades».
Também se vêem algumas crianças e pessoas do «povo» (basta reparar no traje dos dois homens do lado direito).
O desfile está a entrar no Largo, e do lado esquerdo (onde agora está instalado um Banco) pode ver-se a tasca dos Campainhas (que existiu até ao início da década de 1980).
Mais atrás, do lado esquerdo, onde existe hoje a Ourivesaria Margato, vê-se um anúncio onde está escrito «Viúva Monteiro & Irmão- Despacho Central», com dois desenhos (um dos quais é uma camioneta de carreira).
Atrás, já na Rua Cinco de Outubro, vê-se aquilo que parece ser um conjunto de soldados com armas, a desfilar. Pelo menos vislumbram-se as baionetas.
Há, também, bandeiras e pendões penduradas nas janelas de algumas casas, ao longo da rua.
«Memória, Memórias…», opinião de João Aristides Duarte

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O Capeia Arraiana lançou-me o desafio e aqui está a minha perspectiva sobre o tema do presente e futuro do concelho de Sabugal.

Joao Aristides DuarteDevo referir desde já que não tenho nenhuma varinha de condão capaz de fazer parar a desertificação do concelho. Se a tivesse não estaria, com toda a certeza, a exercer a minha profissão de professor em Aguiar da Beira. Andaria por aí a proferir palestras por todo o país e, quiçá, no estrangeiro, sobre como estancar a hemorragia humana no Interior.
Concordo, por isso, com o Presidente da Câmara do Sabugal, quando na Assembleia Municipal, realizada em 29 de Dezembro de 2009, e em resposta a um longo «libelo» acusatório sobre as GOP’s e o Orçamento lido por dois deputados municipais eleitos pelo PS, referiu que não havia nenhuma varinha de condão que pusesse fim à desertificação. Refira-se a propósito que, apesar de o PS ter feito os maiores reparos ao Orçamento e às GOP’s acabou por se abster na votação sobre esses documentos, na Assembleia Municipal. Não deixaram, no entanto, estes deputados, de referir a crónica desertificação do concelho, mas não se lhes ouviu uma única ideia para a contrariar.
A desertificação do concelho (tema que é já recorrente em campanhas eleitorais há muito tempo, talvez desde o final dos anos 80, do século XX) não se combate na minha opinião, com a promoção da Capeia Arraiana a Património Imaterial da Humanidade. Posso ser bastante politicamente incorrecto, mas acho que as Capeias Arraianas são um divertimento com tradição, sem dúvida (com todas as virtudes que os divertimentos têm), mas não travam nenhuma desertificação do concelho do Sabugal. Aliás, acho até que esse divertimento já se está a descaracterizar com a presença das «moto-quatro», tractores e tudo o mais, nos encerros. Já li apelos de verdadeiros aficionados para que parem com esse «espectáculo» (dentro do próprio espectáculo) que são as «moto-quatro» a acelerar nos encerros. Não fui eu que escrevi isso. Considero, também, e poderei voltar a ser politicamente incorrecto que nas Capeias Arraianas não vejo turistas. Apesar de ver milhares e milhares de pessoas nos encerros e nas Capeias apercebo-me que são quase só pessoas da região. Como o concelho fica com o triplo da população no mês de Agosto é natural que se vejam muitas pessoas. Mas, se exceptuarmos alguns espanhóis das localidades fronteiriças (que vão logo embora, mal termina a tourada), não se vislumbram pessoas que venham de longe ver esta tradição. Talvez uma ou outra pessoa, mas sem qualquer significado.
A criação de infra-estruturas não é, por si só, sinónima de fim da desertificação humana no concelho de Sabugal. Mas quando se pergunta ao povo se quer ou não essas infra-estruturas, o mais certo é que diga que sim. Pode ser que algumas dessas infra-estruturas não tenham utilização, mas o povo quer que elas existam. Como explicar este fenómeno? Não sei explicar. Se alguém souber, que explique. Podia aqui dar um exemplo (um pouca a talhe de foice, embora não relacionado com o Sabugal): para que servem os submarinos comprados pelo Ministro da Defesa Paulo Portas, se ainda esta semana foi noticiado que os vendedores não estão a cumprir as contrapartidas acordadas? Quanto a mim, não servem para nada, mas o povo não pensa isso, tanto que, nas últimas eleições legislativas, premiou o partido de Paulo Portas em vez de o castigar. No entanto a recuperação das Termas do Cró, o empreendimento Ofélia Club, em Malcata, o Parque de Campismo ou o CNT (antiga Cristalina) no Soito, ao criarem postos de trabalho (como se espera) são infra-estruturas que merecem o meu apoio.
Varinha de CondãoOutra questão é de arranjar algo que nos identifique como povo e partir daí para a promoção do concelho, atraindo um número crescente de turistas que nos visitem, cá durmam e se alimentem. Isto é outro assunto. Estará aqui a descoberta da «pólvora». Resta saber o que se pode «vender» (detesto esta palavra, neste contexto, mas à falta de melhor…) aos turistas. Óbidos tem a Festa do Chocolate, Mora tem o Fluviário e o Entroncamento tem o Museu Ferroviário. Resta dizer que todas estas localidades estão perto de Lisboa, portanto a conversa é outra. Podem ir 200.000 pessoas à Feira do chocolate a Óbidos e voltar no mesmo dia para Lisboa. O Sabugal, tão longe de Lisboa, não tem esse privilégio. Podem dizer, também: e Seia, não tem o Museu do Pão, com milhares de visitantes? Tem, mas Seia fica pertinho da Serra da Estrela que os turistas sempre aproveitam para visitar, também.
Na minha perspectiva o único turismo de que o Sabugal poderá beneficiar será o turismo cultural. Foi isso mesmo que a CDU (que elegeu dois deputados municipais, o João Manata e eu próprio, na qualidade de independente) apresentou ao eleitorado, nas últimas autárquicas, no concelho de Sabugal, através do seu manifesto eleitoral onde se escreveu o seguinte:
«Fazer do Sabugal um pólo de atracção turístico, através da valorização do património natural e edificado, destacando-se: Implementação de uma Rota dos Castelos; Reabilitação dos núcleos históricos do Sabugal e principais aldeias do concelho; Fomento do turismo rural e turismo de lazer e saúde e Reabilitação dos moinhos existentes.
Valorizar e difundir a cultura e a gastronomia local, através de: Apoio às associações e agentes culturais; Recuperação, em colaboração com as escolas, da Gíria Quadrazenha; Constituição um pólo museológico do contrabando e da emigração, Valorização da gastronomia local em particular os enchidos, truta e cabrito e associá-la à Rota dos Castelos.»
Julgo que neste conjunto de propostas estará um bom ponto de partida para um Sabugal com (algum) futuro a nível turístico. No Verão até se poderá (aí sim) acrescentar a este conjunto de propostas uma passagem dos turistas pelas Capeias Arraianas, integrando-os nas Rotas anteriormente apresentadas. Nem todos gostarão, mas haverá sempre alguns que gostem. Penso, também, que a divulgação do concelho através dos grandes meios de comunicação social, poderá trazer alguma mais-valia ao concelho. Mas não tanta como se pode imaginar.
No entanto, termino como comecei, sem qualquer varinha de condão.
«Memória, Memórias…», opinião de João Aristides Duarte

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A fotografia desta crónica refere-se à participação da localidade de Espinhal, uma anexa de Águas Belas.

Cortejo de Oferendas - 1947 - Sabugal

Joao Aristides DuarteO Espinhal apresentou-se com um carro de vacas onde se encontra o cartaz com a indicação da localidade.
No carro das vacas vão várias pessoas a executarem ao vivo trabalhos artesanais.
Embora esta fotografia não esteja muito nítida, parece-me que é o ciclo do linho que as pessoas estão a representar.
Do lado esquerdo do carro vão cinco pessoas (quatro adultos e uma criança).
Sei que o Espinhal apresentou, neste Cortejo, uma canção que ficou na memória de muita gente, tanto que nos anos 70, do século XX, ainda me lembro de pessoas que, embora não sendo do Espinhal, a recordavam. O seu refrão rezava assim:

Nós somos do Espinhal
Freguesia de Águas Belas
Trazemos ao Hospital
As ofertas mais singelas

Viva o Hospital (…)

«Memória, Memórias…», opinião de João Aristides Duarte
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A foto de hoje, do Cortejo de Oferendas a favor do Hospital do Sabugal, apresenta um grupo de homens, rapazes e raparigas, para além de crianças. Na fotografia não é visível a identificação de nenhuma localidade do nosso concelho.

Cortejo de Oferendas - 1947 - Sabugal

Joao Aristides DuarteO carro alegórico, lá atrás, tem escrito «Comércio», pelo que tudo leva a crer que seja o representante dos comerciantes do concelho de Sabugal ou só da vila do Sabugal.
À frente vai uma senhora com um vestido comprido, que transporta um cesto com flores, na mão esquerda.
Atrás dela seguem as crianças, com uns cajados e um barrete na cabeça, como o que usam os campinos, no Ribatejo. Essas crianças estão com gravata.
Os homens levam cajados e usam chapéu de feltro, para além de se apresentarem, também, com gravata. Os cajados levam umas fitas na parte cimeira.
Já as mulheres levam um cesto com flores na mão e usam blusa branca e vestido de cor escura, por cima.
O público, como sempre, está atento ao desenrolar da acção.
«Memória, Memórias…», opinião de João Aristides Duarte

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Não consegui identificar os participantes que são apresentados, na fotografia desta crónica.

Cortejo de Oferendas - 1947 - Sabugal

Joao Aristides DuarteA foto foi tirada junto à tribuna, como a maioria das fotografias já colocadas nestas crónicas.
No início vêem-se umas crianças (todas rapazes) com umas armas a fingir que são soldados. Por acaso têm a arma do lado esquerdo, o que não é muito normal em situações de desfiles militares (o mais natural era que a arma estivesse do lado direito).
Não se consegue perceber se a farda que eles estão a usar é a da Mocidade Portuguesa.
Do lado direito destes «soldadinhos» consegue descortinar-se, perto do público, um homem a tocar viola.
Um pouco atrás podem ver-se umas crianças do sexo feminino, que transportam cestos com flores e, logo a seguir, um Rancho de rapazes e raparigas (na casa dos 18/ 20 anos), que parecem estar a dançar. Todos transportam na mão um ramo de flores, que, nesse momento; estão a fazer passar por cima das suas cabeças. Ao lado do Rancho observam-se quatro ou cinco mulheres (viúvas?) com o típico traje de lenço negro na cabeça e xaile preto a cobrir todo o corpo.
Alguém consegue identificar a localidade a que pertence esta fotografia?
Como estamos em época festiva, aproveito para desejar a todos os visitantes deste blogue um Feliz Natal e um Bom Ano Novo.
«Memória, Memórias…», opinião de João Aristides Duarte

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A fotografia que hoje se anexa à crónica sobre o Cortejo de Oferendas a favor do Hospital do Sabugal, realizado em 1947, é referente ao público junto à Casa dos Britos.

Cortejo de Oferendas - 1947 - Fotografia tirada da tribuna aos espectadores da Casa dos Britos

Joao Aristides DuarteA fotografia foi tirada da tribuna, onde estava o júri que iria classificar as várias freguesias e anexas participantes.
Podem ver-se, em primeiro plano, as cadeiras, onde esse júri se sentava.
De certeza que esta fotografia foi tirada antes do início do Cortejo.
Podem ver-se dois soldados da GNR com a sua arma (uma Mauser?) a tiracolo, controlando a verdadeira multidão que se concentrava na escadaria da Casa dos Britos e, mesmo, no seu telheiro. Também em ambos os passeios da rua se encontra bastante público.
Do lado direito pode ver-se a igreja do Sabugal, também ela com muita gente junto à sua entrada, para assistir ao Cortejo.
Os Cortejos de Oferendas a favor do Hospital não aconteceram só no Sabugal.
Ainda esta semana, ao ler uma monografia do concelho de Aguiar da Beira (onde estou a trabalhar como professor), pude aperceber-me que também nesse concelho se realizaram Cortejos de Oferendas a favor do Hospital concelhio.
Realmente, era uma época em que se não se realizassem estes Cortejos de Oferendas, a população não tinha direito a cuidados de saúde. E mesmo assim…
Não posso deixar vir ao de cima a minha costela de político que sou (e de que faço gala) e referir que, ainda, recentemente, alguém mais velho do que eu colocou um comentário neste blogue referindo que antigamente (no tempo do Estado Novo) havia assistência para todos. Realmente, essa pessoa e eu devemos ter vivido em países diferentes, já que tendo eu nascido em 1960 (portanto já depois da pessoa que escreveu esse comentário) nunca dei conta que houvesse essa assistência para todos, a não ser aquando da implementação do Serviço Nacional de Saúde, já depois do 25 de Abril de 1974.
«Memória, Memórias…», opinião de João Aristides Duarte

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Continuando a analisar as fotografias do Cortejo de Oferendas, realizado no Sabugal, em 1947, a favor do Hospital do Sabugal, eis hoje a representação da Torre.

Cortejo de Oferendas -  1947 - Torre

Joao Aristides DuarteA Torre é, hoje, uma localidade anexa do Sabugal, tal como era em 1947.
A representação da Torre está a desfilar junto à tribuna, onde se encontravam as altas individualidades da época.
Antes da Torre, termina o seu desfile o Soito (com a Banda Filarmónica a fingir, já motivo de crónica anterior).
A Torre apresenta um Rancho de raparigas, algumas ainda bastante jovens, que vão vestidas com saias à moda antiga e levam (algumas) um lenço ao pescoço.
A multidão que rodeia as participantes da Torre é imensa. Quase não há espaço para poderem executar a sua dança de roda.
Algumas das raparigas da Torre estão a tocar adufe e outras usam um chapéu de palha de aba larga, na cabeça.
Atrás (já depois do cartaz onde está escrito o nome da localidade) surgem umas mulheres com mais idade e vestidas com xaile preto.
«Memória, Memórias…», opinião de João Aristides Duarte

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De regresso ao Cortejo de Oferendas de 1947, a favor do Hospital do Sabugal, temos hoje a representação da freguesia de Rendo.

Cortejo de Oferendas

Joao Aristides DuarteA freguesia apresenta um Rancho de rapazes e raparigas, que estão a dançar. Ao centro encontram-se um acordeonista, um tocador de ferrinhos e um tocador de pandeireta. Há, também, um senhor que transporta a placa com o nome da freguesia.
Todos os rapazes de Rendo se apresentam com um lenço ao pescoço, de várias tonalidades. Também usam, todos eles, uma boina tipo basco.
Já as raparigas se apresentam vestidas (parece-me) à moda da época e não com as roupas tradicionais nos Ranchos Folclóricos portugueses, que, normalmente, são de épocas mais antigas.
Todos os elementos do Rancho dançam à volta dos «tocadores».
A «molhe» humana, neste local do Cortejo de oferendas é imensa. Há pouco espaço livre para os participantes de Rendo poderem executar as suas danças. Pela fotografia apercebe-se que a multidão estava atentíssima à participação de Rendo, neste Cortejo de Oferendas.
«Memória, Memórias…», opinião de João Aristides Duarte

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Natural de Aldeia do Bispo (Penamacor), de seu nome António Afonso Ramos, o Tonho era uma das figuras mais típicas que apareceram no concelho do Sabugal, nas décadas de 40 e 50, do século XX.

Joao Aristides DuarteSegundo me disse o João Manata, cuja mãe era natural de Aldeia do Bispo (Penamacor), o Tonho era aí conhecido pelo Tonho Tonho.
No concelho do Sabugal era conhecido pelo Tonho D’Aldeia.
Corria as terras do concelho, sobretudo as que ficavam no caminho de Penamacor para a zona raiana do concelho do Sabugal.
Também era certo e sabido que essa figura típica não falhava uma romaria da Senhora da Póvoa e outras romarias nos concelhos de Sabugal e Penamacor.
Quem acompanhava o Tonho era o seu pai, o seu tio e, por vezes a sua mãe e a sua irmã. Traziam um burro, com uns alforges, que esperavam levar cheio, no regresso à sua terra-natal.
No Soito ficavam instalados na casa da sra. Maria José Martins.
O Tonho dava voltas ao Soito, com o seu pai, cego de nascença e que tocava guitarra feita de folha-de-flandres e o seu tio, que cantava com voz muito esganiçada. As cantigas que eles tocavam e cantavam eram referentes a desgraças que se tinham passado em várias das localidades por onde tinham passado, nomeadamente mortes por enforcamento e outros acontecimentos semelhantes, um reportório que já vinha desde tempos medievais, quando era através das «cantigas do ceguinho» que muitos acontecimentos passavam de boca em boca.
Na época das malhas, ao Tonho e à família davam grãos de trigo e centeio que eles colocavam no alforge, para depois ser vendido e com isso arranjarem algum sustento.
Certa vez o Tonho, no Soito, perdeu o chapéu e, então, passou a pedir um chapéu a toda a gente, até que arranjou muitos. Quando questionado, porque continuava a pedir, respondeu: «Se não pedir é que não me dão…»
Quando o pai e a mãe do Tonho faleceram, o Tonho continuou a vir ao Soito, mesmo depois da morte da sr.ª Maria José Martins. Nessa altura ficava instalado na casa do sr. Alfredo Manso, o futuro sacristão do Soito.
Há uns 15 anos vi o Tonho em Malcata, na Festa de Agosto, no Largo do Rossio. A minha mãe, que o conhecia do Soito, foi-lhe falar. Nessa altura ele disse que só já queria «ferrinhos», isto é dinheiro, já não estando interessado em produtos para a alimentação.
Há três anos, em Monsanto, onde se vendem azulejos e outras recordações do Tonho, e onde aparece sempre escrito «Figura Típica», a senhora da loja comercial referiu, no entanto, que as pessoas do concelho de Penamacor já não lhe davam «ferrinhos», porque constava que alguns familiares lhe ficavam com eles. Quem sabia disso continuava a dar-lhe comida e não «ferrinhos».
Uma das suas características era a de pregar sustos às raparigas. Ainda hoje há quem se lembre (por comentários inseridos em blogues) dos sustos que apanhou, quando era jovem, pelo Tonho D’Aldeia.
A morte do Tonho, que aconteceu no dia 15 de Agosto de 1997, nas Aranhas (Penamacor) foi notícia no «Jornal do Fundão» e noutros jornais regionais da Beira Baixa.
«Memória, Memórias…», opinião de João Aristides Duarte

akapunkrural@gmail.com

A fotografia que, hoje, apresento refere-se à participação de Alfaiates no Cortejo de Oferendas, a favor do Hospital do Sabugal, realizado no ano de 1947.

Cortejo de Oferendas - Alfaiates

Joao Aristides DuarteAlfaiates apresentou um carro no qual vão algumas raparigas a trabalhar o linho.
Pode observar-se o espadelar do linho, num grande tronco de madeira, bem como o dobar do linho na dobadoira. Também se consegue ver uma rapariga a usar a estopa para «assedar» o linho.
Só não se vê alguém a fiar o linho, numa roca, outra das fases importantes do «ciclo do linho».
Em baixo, junto ao carro alegórico, vêem-se crianças que deviam andar na escola primária, pela sua tenra idade.
Há, também, três homens em cima do carro. Dois deles transportam a faixa com o nome Alfaiates e um outro (que usa chapéu) não se consegue perceber o que estará a fazer.
Atrás desses homens, e em cima do carro, vê-se uma réplica do pelourinho de Alfaiates, que se encontra na praça principal da localidade.

:: — ::
PS 1: Num comentário sobre a minha crónica, aqui publicada em 19 de Outubro p.p., o sr. Fernando Latote, dos Forcalhos, refere que deverão ter existido dois Cortejos de Oferendas, uma vez que o primeiro aconteceu num dia de forte nevão e algumas localidades (incluindo os Forcalhos) não puderam participar. Não consegui confirmar essa informação, mas é bem possível que tenha sido essa a realidade. Se alguém tiver dados mais consistentes sobre isso, agradecia que colocasse um comentário.

PS 2 : Do sr. Luís Pina (da Rebolosa) recebi um e-mail com o seguinte conteúdo, a propósito da minha crónica sobre a participação da Rebolosa no Cortejo de Oferendas: «Fui procurar informação relativa ao dia em que a população da Rebolosa, foi ao Sabugal participar no Cortejo de Oferendas a favor do Hospital. Segue a informação que consegui: O carro de vacas utilizado no cortejo era do sr. Francisco Peres «Arrifano». A menina que estava em cima do carro, era a Isabel Barros, já falecida, esta menina tinha mais 7 irmãos, entre eles o sr. Manuel Barros, o sr. Ernesto Barros e a sra. Maria dos Anjos «Ti Marquitas». Também consegui a letra da música, cantada pelos representantes rebolosenses nas ruas de Sabugal, durante o cortejo.

Nós somos da Rebolosa,
Viemos ao Sabugal.
Ver esta terra formosa,
Ver este lindo hospital.

Viva Salazar, merece louvores,
Viva o hospital e seus protectores.
Viva o hospital, casa dos doentes,
Viva o hospital e seus dirigentes.

É uma consolação,
Para os doentes pobrezinhos.
Que quando para lá vão,
Têm quem lhes dê carinhos.

Viva a Rebolosa, terra encantadora,
Ó terra mimosa, terra sedutora.
Viva a mocidade, dança de contente,
Viva a Rebolosa, viva toda a gente.

Têm quem lhes dê carinhos,
Tudo que necessitam.
Remédios e tratamentos,
Muitas mortes evitam.

Viva a Rebolosa, terra encantadora,
Ó terra mimosa, terra sedutora.
Viva a Rebolosa, merece louvores,
Viva o Hospital e seus protectores.

Quero agradecer ao Sr. Manuel António Frango, toda a amabilidade e disponibilidade em fornecer toda esta informação sobre um dia que ficou na história e para a história do Concelho de Sabugal.»
«Memória, Memórias…», opinião de João Aristides Duarte

akapunkrural@gmail.com

A fotografia que apresento nesta crónica é a da tribuna, local por onde passaram todas as freguesias e anexas que participaram no Cortejo de Oferendas a favor do Hospital do Sabugal.

Cortejo de Oferendas - Tribuna

Joao Aristides DuarteA tribuna estava instalada de frente para a Casa dos Britos.
Altas entidades, civis e militares, da época encontravam-se na tribuna.
Podem ver-se elementos da Guarda Nacional Republicana e, talvez, da Polícia de Segurança Pública, para além, com toda a certeza, do Presidente da Câmara Municipal do Sabugal e outras entidades civis concelhias.
A tribuna era ladeada por umas colunas enfeitadas com pano. Não se consegue ver se o tecto da tribuna era coberto.
Embora na fotografia todos os membros que se encontram na tribuna apareçam de pé, sei que havia umas cadeiras para eles se sentarem, talvez enquanto esperavam a chegada de outra representação alegórica.
Não tenho a certeza, mas penso que a bandeira que se vê ao centro da tribuna contenha o emblema da Santa Casa da Misericórdia do Sabugal, a proprietária do Hospital, que tinha sido inaugurado em 1930.
Aparece, também uma criança, na tribuna, que deverá ser familiar de algum dos membros presentes.
Julgo que seriam os membros presentes na tribuna que classificariam as várias representações alegóricas, que deram a vitória à Bendada, com o «carro-cisne».
Em baixo, do lado direito, com a mão no colete pode ver-se o Dr. Adalberto Pereira, à época médico conceituado na vila do Sabugal. Junto à Escola C+S do Sabugal, numa transversal, existe, desde há uns anos, uma rua com o nome desse médico.
«Memória, Memórias…», opinião de João Aristides Duarte

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A «equipa» de Quadrazais, participante no Cortejo de Oferendas, no Sabugal, em 1947, é aquela que hoje é apresentada nesta crónica.

Cortejo de Oferendas - Quadrazais

Joao Aristides DuarteNa fotografia pode ver-se a frente da representação de Quadrazais, terra de grandes tradições.
Montado num cavalo, junto com uma quadrazenha, vestida com o traje típico da época, vai o Presidente da Junta de Freguesia, sr. Simão Salada. Este transporta numa das mãos o brasão da freguesia. O meu pai, que viveu na infância em Quadrazais, ainda hoje conta que as mulheres quadrazenhas usavam um traje muito semelhante às mulheres minhotas, inclusivamente com algum ouro que faziam questão de ostentar ao pescoço. Até nas danças eram parecidas com as mulheres do Minho. O seu traje era muito garrido, com cores berrantes (normalmente vermelho), tal como é uso e costume nas terras mais a norte de Portugal. Embora pareça estranho, por Quadrazais pertencer à Beira Alta, esta era a realidade.
Para evitar que o cavalo do Presidente da Junta de Freguesia se espante com a multidão presente, é puxado pela rédea por um habitante de Quadrazais.
Atrás do Presidente da Junta de Freguesia segue o desfile das moças de Quadrazais, com cestos à cabeça, certamente seguros por alguma sogra ou «molide».
Entre elas podem distinguir-se alguns homens de Quadrazais, vestidos com a moda da época (onde o chapéu era um adereço indispensável).
Entre o público presente (a foto foi tirada junto à tribuna) podem ver-se alguns agentes da autoridade e até um homem, à direita, com capacete (será um bombeiro?).
«Memória, Memórias…», opinião de João Aristides Duarte

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