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«Encaro a política como um grande desafio», disse-nos a vereadora Sandra Fortuna, recentemente escolhida pelos seus pares para integrar o Conselho de Administração da empresa municipal Sabugal+. Eleita para a Câmara Municipal nas listas do Partido Socialista, Sandra Fortuna, natural do Casteleiro, que com 29 anos é a mais jovem dos vereadores que compõem o actual executivo, sente que as mulheres dão outro ar à política.

– Foi nomeada vogal do Conselho de Administração da Empresa Sabugal+, que será presidido pelo próprio presidente da Câmara Municipal, António Robalo. Como é que se chegou a essa solução, depois de tão longa indefinição quanto ao futuro da empresa?
– De facto, a situação arrastava-se desde há algum tempo mas há decisões que, antes de serem tomadas, devem ser muito bem ponderadas para não se cair em erros graves. Assim, na última reunião e depois de longa e saudável discussão, o executivo aprovou por unanimidade a proposta apresentada pelo presidente da Câmara para a constituição do Conselho de Administração, que será presidido por ele mesmo, sendo eu e a técnica da Câmara Teresa Marques os vogais.
– O que representa para si este novo desafio?
– É um enorme e aliciante desafio. A Sabugal+ pode vir a fazer um trabalho decisivo para o concelho, na medida em que a sua actividade abrange áreas de grande relevância, designadamente a cultura, o desporto e o turismo. São áreas transversais que devem ser encaradas como ferramentas fundamentais na construção de um Concelho que se diferencie pela riqueza da sua cultura, do seu património e nobreza das suas gentes. Há muito trabalho que se pode e deve fazer neste âmbito. Igualmente ao nível das parcerias que se podem estabelecer com outras entidades, para que todos se possam envolver no futuro do concelho. Não posso deixar de esclarecer que os objectivos e a actividade da empresa municipal é decidida pelo executivo da Câmara, a quem cabe igualmente decidir sobre as suas competências.
– Então está a querer dizer que a Sabugal+ deveria ter mais competências?
Considero que a Sabugal+ poderá ter uma influência maior em muitos sectores da estrutura organizacional do Município.
– Como se vai processar a gestão da Sabugal+? Vai ocupar as funções de vogal a tempo inteiro?
– A ideia é gerir a empresa com respeito pelos seus Estatutos, que estipulam a realização de uma reunião mensal, podendo porém o Conselho de Administração reunir extraordinariamente sempre que se justificar. Tenho a certeza que a empresa tem nos seus quadros técnicos competentes que serão uma mais-valia preciosa no funcionamento, no desenvolvimento e na concretização dos objectivos, como referi anteriormente, estipulados pelo executivo da Câmara.
– Considera que esta foi uma solução de recurso, face à impossibilidade de se chegar a um acordo para a nomeação de um técnico experiente para dirigir a empresa?
– Não foi uma solução de recurso. Foi uma solução política e consensual face à composição do actual executivo municipal.
– Considera então que Norberto Manso não merecia ser reconduzido, tal como propunha o presidente da Câmara?
– A questão não se pode colocar dessa forma. O Dr. Norberto Manso era um homem de confiança do anterior executivo e por isso foi nomeado no cargo de presidente da Sabugal+. Era, portanto, um cargo político de nomeação. Como é evidente, o Dr. Norberto não é o homem de confiança da maioria do actual executivo. Importa, no entanto, referir mais uma vez, que o Conselho de Administração cumpre as orientações da Câmara Municipal.
– Está a querer dizer que foi apenas a confiança política que relevou?
– Isso mesmo. Norberto Manso tinha a confiança política do anterior executivo, onde um partido era maioritário e dava as orientações. Actualmente há uma nova realidade, resultante das últimas eleições, e a solução encontrada reflecte a vontade política do executivo que está em funções.
– O Presidente António Robalo acabou por perder politicamente…
– É meu entendimento que ninguém ganhou ou perdeu. A democracia funcionou e formou-se a equipa que o executivo considerou ideal para administrar a empresa. Discutiu-se calma e serenamente e foi encontrada uma solução a contento de todos, realidade que se traduziu na aprovação da proposta por unanimidade.
– Houve momentos de grande tensão nalgumas reuniões em que o assunto foi discutido?
– Julgo que transpareceu para a opinião pública uma ideia errada sobre a forma como as reuniões aconteceram. Posso assegurar que as reuniões até agora realizadas ocorreram com serenidade e com um grande sentido de responsabilidade por parte de todos os intervenientes. Houve um ou outro momento de debate mais vivo, mas sem exaltações e sempre com o máximo respeito de uns pelos outros. A prova disso é que quase tudo o que foi analisado foi aprovado por unanimidade ou, nalguns casos, com a abstenção da oposição. No que se refere aos vereadores do Partido Socialista, sabemos que estamos no executivo como oposição, para que fomos mandatados pelo voto popular, mas fazemo-lo construtivamente e sempre a pensar no futuro do concelho.
– Consigo o PS voltou a ter uma vereadora na Câmara, depois do mandato que entre 2001 e 2005 desempenhou a malograda Lucinda Pires, também do Casteleiro. A Sandra Fortuna sente-se uma seguidora do trabalho político que a professora Lucinda fez no concelho?
– Sinto um enorme orgulho no trabalho da Lucinda Pires no concelho e sobretudo no Casteleiro. Para mim ela será sempre recordada como uma grande figura do concelho do Sabugal. Não sinto que esteja a seguir o seu percurso, porque eu quero seguir o meu próprio caminho. Mas ela é para mim uma referência e lembro-me muitas vezes do percurso que ela teve como presidente de Junta de Freguesia, vereadora, professora e dirigente associativa. O Casteleiro orgulha-se muito dela. Note que a Lucinda foi a única figura da freguesia a quem foi feita uma homenagem pública com a colocação de um busto no largo principal. Ela contribuiu decisivamente para o desenvolvimento da terra que a viu nascer. Nunca a esqueceremos!
– O Capeia Arraiana entrevistou recentemente Delfina Leal, vice-presidente da Câmara, e o José Carlos Lages, que fez a entrevista, disse no final que a política no Sabugal está diferente. Concorda que a presença feminina na vereação da Câmara deu um ar mais cuidado e simpático ao executivo?
– No que me diz respeito, considero que se não me achasse capaz de contribuir para uma melhoria do trabalho do executivo não teria ocupado o lugar de vereadora. Tenho-me empenhado nas funções que agora exerço e o meu desejo é fazer sempre mais e melhor, mas tentando também fazer diferente. As mulheres dão de facto outro ar à política.
– Mas concorda que a maior parte das mulheres estão na política devido à Lei da Paridade, mantendo-se a política como uma actividade dominada pelos homens?
– Efectivamente, os políticos são na sua maioria homens, mas o número de mulheres tem vindo a aumentar sendo esta uma tendência que acredito se virá a acentuar no futuro. Há de facto um percurso a fazer para que as mulheres participem mais activamente na actividade política. As mulheres têm muitas responsabilidades no seu dia a dia, mas articulando todas as tarefas, conseguimos obter um óptimo desempenho. É uma verdade que nada se consegue sem esforço, mas encaro a política como um grande desafio. Estou na política porque gosto e porque considero que posso ser útil nestas funções e por consequência no desenvolvimento do Concelho do Sabugal.
– Sente-se respeitada no seio de um executivo camarário, ainda assim dominado pelos homens?
– Absolutamente. Do pouco tempo que tenho como vereadora posso dizer que o respeito é imenso. Não recordo qualquer situação de desconsideração. Não existe qualquer tipo de desigualdade entre as propostas e os pontos de vista apresentados pelas mulheres ou pelos homens do executivo.
– Os três vereadores eleitos pelo Partido Socialista actuam de forma concertada, como um todo, ou cada um age por si assumindo a sua própria responsabilidade?
– Temos na Câmara pessoas de muito valor, e não falo por mim. O António Dionísio e o Luís Sanches estão ali para trabalhar em favor do Sabugal. Analisam a fundo todos os assuntos e discutem-nos seriamente. O Toni, embora nunca antes tivesse sido vereador, tem uma grande experiência, e é um homem muito coerente e muito rigoroso. Conversamos muitas vezes para acertarmos posições e tentamos agir concertadamente, sempre com uma certeza e um objectivo comum: que é possível construir um Sabugal com futuro!
– A oposição não tem, portanto, sido uma força de bloqueio nas decisões do executivo?
– De maneira nenhuma. Os vereadores eleitos do PS têm demonstrado uma grande responsabilidade, tanto nas votações efectuadas como na apresentação de propostas para a resolução dos assuntos discutidos nas reuniões. Temos a noção clara de que o mais importante é a construção de um concelho melhor para viver e trabalhar. No entanto, compete ao Sr Presidente da Câmara e aos seus colaboradores directos apresentarem os projectos, cabendo-lhe igualmente a responsabilidade se os resultados obtidos não forem os mais positivos.
plb

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Os elementos da Junta de Freguesia de Foios, concelho do Sabugal, pediram ao Senhor Pároco da localidade que informasse na Missa Dominical que, durante uma semana, aceitavam dinheiro para as vítimas do Haiti. O resultado foi consubstanciado numa modesta, mas seguramente muito preciosa, ajuda para aquele povo que vive momentos de infelicidade.

José Manuel Campos - Nascente do CôaNo peditório realizado na Igreja foram recolhidos 355 euros e, durante a semana, as pessoas entregaram à Natividade Esteves, à professora Natália e aos elementos da Junta de Freguesia mais 248 euros, o que perfaz um total de 603 euros.
Os elementos da Junta de Freguesia agradecem a colaboração do Senhor Padre Paulo, das pessoas que fizeram o peditório e, sobretudo, às muitas pessoas que se dignaram contribuir.
Segunda-feira, dia 1 de Fevereiro, o Presidente da Junta de Freguesia vai à agência da Caixa Geral de Depósitos do Sabugal, fazer o depósito na conta correspondente. Pedirá uma declaração para comprovar que tudo foi feito legal e seriamente.
Esta pequena quantia é mais uma gota de água, mas são muitas pequenas gotas que, na verdade, formam os lagos, rios e oceanos.
Deus queira que nunca nós precisemos deste tipo de auxílio.
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos

(Presidente da Junta de Freguesia dos Foios)

jmncampos@gmail.com

Continuando por terras da Beira Baixa, em Belmonte e Vila de Rei temos vários empreendimentos habitacionais em espaço rural…

José Morgado Carvalho - «Terras entre Côa e Raia»Pousada de Belmonte – A pousada tem origem na recuperação das ruínas do antigo Convento de Nossa Senhora da Esperança, construído sobre uma ermida fundada no século XIII.
Ao entrar neste lugar vai sentir-se recuar no tempo. O espaço preserva o espólio histórico do mosteiro, classificado em 1986 como imóvel de interesse público. O resultado entre a preservação do passado e a ampliação e adaptação ao presente, resulta num conjunto harmonioso perfeitamente integrado na paisagem.
O bar situa-se na antiga sacristia e a sala de convívio no lugar da antiga capela do convento.
Mas não se pense que por ser um antigo mosteiro franciscano que o lugar é dotado à pobreza, pelo contrário. Aqui encontrar-se-á aconchegantes salas e salões repletos de pormenores de bom gosto com mobiliário antigo, esculturas de artistas locais e confortáveis poltronas de veludo. Os espaços são rasgados por amplas janelas com vista sobre a Cova da Beira e Serra da Estrela.
Os quartos construídos de raiz num acrescento do convento, não têm número e são identificados por nomes de frades e cada qual tem um nome e uma divertida pintura à entrada. São amplos, diferenciados na decoração e com varandas privadas com vistas fantásticas para a serra. A suite principal é um duplex que mais parece uma casa de campo. No piso de baixo tem uma sala privada e no superior o quarto.
O restaurante gourmet integrado na Pousada de Belmonte está aberto ao público em geral. A sala tem um espírito rústico com parede de pedra, lareira e tecto de madeira e as mesas têm um ar sofisticado, onde servem o famoso vinho Kosher, um néctar que respeita todos os requisitos da religião judaica e que é produzido na região.
Continuando por terras da Beira Baixa, em Vila de Rei temos ainda os seguintes empreendimentos habitacionais em espaço rural:
Casa do Capitão-Mor – Embora fique em pleno centro de Vila de Rei, não tendo portanto, características arquitectónicas fora do comum, ainda que construído no século XVII numa localização excepcional tem o seu interior muito interessante, com soalhos e tectos de madeira, grandes pés-direitos, portas interiores com bandeira, enfim, aquilo a que num certo imaginário se associa a uma casa de província com tudo o que isto significa em termos de conforto e ambiente familiar.
O edifício quase ocupa um quarteirão, pelo que o seu miolo tem o seu quê de labiríntico e é preciso descer e subir escadas, atravessar sucessivas salas e longos corredores. Nas traseiras tem um vasto pátio interior com sombra, trepadeiras e bancos de jardim.
Possui cinco quartos com casa de banho e uma suite.
Casa dos Azulejos – Situada também em pleno centro histórico de Vila de Rei, este edifício do século XIX ostenta azulejos da época e varandas em ferro forjado. No interior encontramos uma riquíssima colecção dos mais variados objectos de decoração, quase todos eles do fim do século XIX. Também o mobiliário, todo ele desta época leva-nos a uma agradável viagem no tempo.
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado

morgadio46@gmail.com

«Lisboa, 18-10-1992. João XV, rei da Ibéria, acompanhado pelo primeiro-ministro Felipe Gonzalez, recebeu esta tarde Jacques Delors, presidente da Comissão Europeia, e os ministros dos Negócios Estrangeiros da CE. Amanhã, o monarca deslocar-se-á a Madrid, para aí inaugurar a Grande Exposição comemorativa do V Centenário do nascimento do príncipe Duarte, o primeiro rei da Ibéria unificada.»

Adérito Tavares - Na Raia da MemóriaEsta é uma notícia obviamente forjada, que relata acontecimentos que não ocorreram. Mas é também uma notícia que poderia perfeitamente ser verdadeira. Com aqueles ou outros nomes, aqueles ou outros factos. Se é verdade que a história é o que foi e não o que poderia ter sido, nem por isso deixa de ser interessante fazermos história conjectural, isto é, imaginarmos o presente em função de um desvio no rumo dos acontecimentos históricos.
A nossa existência individual é o que é devido a uma ininterrupta sequência de acasos. Existimos porque as circunstâncias juntaram os nossos avós ou os nossos pais. A própria humanidade existe porque, há setenta milhões de anos atrás, houve um meteorito que colidiu com a Terra, o que provocou a extinção dos dinossauros. O Acaso desempenha frequentemente um papel decisivo no devir histórico, chame-se-lhe isso ou outra coisa qualquer. Vejamos um exemplo daquilo a que podemos chamar o papel do Acaso na História.
D. João II, rei de Portugal entre 1481 e 1495, foi um monarca enérgico, activo e empreendedor, grande impulsionador da expansão marítima e construtor do moderno Estado absoluto, considerado por muitos historiadores como um dos melhores governantes que passaram pelas cadeiras do poder no nosso País. Em 1471 casou com a sua prima direita D. Leonor, de quem teve um filho único, o príncipe D. Afonso, nascido em 1475.
Entre 1483 e 1484, D. João II reprimiu com grande violência duas conspirações em que se encontravam envolvidos alguns dos mais poderosos senhores da aristocracia portuguesa, como o duque de Bragança e o duque de Viseu e Beja (primo e cunhado do monarca). Ambos foram executados, o mesmo sucedendo a muitos outros. Segundo parece, o objectivo dos conspiradores era a deposição do rei de Portugal e a unificação com a Espanha dos Reis Católicos.
Os planos de D. João II, todavia, embora similares, divergiam quanto à liderança do processo e aos métodos. Também ele aspirava à unificação ibérica, mas sob a égide de Portugal. Deste modo, em Novembro de 1490, realiza-se o casamento do infante D. Afonso, herdeiro do trono português, com D. Isabel de Castela, filha mais velha e herdeira dos Reis Católicos. Esta união seguia, aliás, o exemplo do próprio casamento dos monarcas espanhóis. Do matrimónio de Fernando, rei de Aragão, e de Isabel, rainha de Leão e Castela, resultou a unificação da Espanha (Navarra viria a ser anexada mais tarde e o reino muçulmano de Granada, último reduto árabe da Península, foi conquistado pelos Reis Católicos em 1492).
O plano era perfeito: os dois grandes Estados ibéricos, ambos empenhados nas descobertas e conquistas além-mar, só tinham a ganhar em se unirem, face aos poderosos vizinhos do Norte, a França e a Inglaterra. O filho de Afonso e Isabel seria monarca do mais poderoso reino da Europa do século XVI, senhor de um colossal império marítimo. O plano era perfeito, de facto. Mas o Acaso não o quis.
Oito meses após o casamento, na manhã de 12 de Julho de 1491, encontrando-se a Corte em Santarém, o príncipe D. Afonso disputava alegremente com D. João de Meneses uma corrida a cavalo, à beira do Tejo. O cavalo caíu, arrastando consigo o cavaleiro. D. Afonso, então apenas com 16 anos, entrou em coma e morreu na noite seguinte.
Esfumava-se assim o grandioso projecto de D. João II. O rei de Portugal nunca se recompôs do profundo desgosto que sofreu. Pouco tempo depois, em 1495, com 40 anos de idade, morreria aquele a quem chamaram Príncipe Perfeito, um rei «de seus povos mui querido e dos grandes mui temido», no dizer de Garcia de Resende. À melancolia que o dominava (hoje chamar-lhe-íamos depressão) juntaram-se perturbações gastrintestinais, que o levariam até às Caldas de Monchique. Exalou o último suspiro em Alvor, em 25 de Outubro de 1495, no meio de uma dramática agonia. A rainha D. Leonor e seu irmão, o futuro rei D. Manuel I, não estavam ao seu lado. Apenas lhe segurava a mão trémula e febril um filho bastardo, D. Jorge, que D. João II ainda planeou fazer seu herdeiro. Ao tempo correram rumores, referidos pelos cronistas, de que o rei teria sido envenenado. Foi também essa a opinião de Oliveira Martins e Braancamp Freire, entre outros historiadores.
O projecto da unificação ibérica, no entanto, não morreu com D. João II. A política de casamentos foi retomada por D. Manuel I que, em 1497, casou com a princesa viúva de D. Afonso, D. Isabel de Castela. No ano seguinte, a jovem rainha deu à luz o futuro rei de toda a Península: D. Miguel da Paz. Mais uma vez, todavia, os Fados se opunham à unificação: a rainha morreu de parto e o pequeno D. Miguel viria também a falecer em 1500. Tragédia sobre tragédia, o Acaso construía e destruía a sua teia, como Penélope.
O novo matrimónio de D. Manuel I ainda seguiu rumo semelhante casou com uma irmã da primeira esposa, D. Maria de Castela, que seria rainha de Portugal por muitos e bons anos e que lhe daria oito filhos. Mas D. Maria era a terceira filha dos Reis Católicos. A segunda, Joana (a Louca) já não estava livre: tinha casado com Filipe o Belo, filho de Maximiliano da Áustria (seriam os pais de Carlos V de Habsburgo, rei da Espanha e da Áustria).
Carlos V, por sua vez, veio a casar com a infanta D. Isabel de Portugal, filha de D. Manuel I. Deste casamento nasceria Filipe II, este sim unificador da Península Ibérica. Todavia, em 1580, a unificação já não era desejada com a mesma intensidade. Sessenta anos depois, em 1640, cada país seguiria o seu destino.
No entanto, se o cavalo de D. Afonso não tivesse caído; ou se o príncipe tombasse nas águas tranquilas do Tejo; ou se a infanta D. Isabel de Castela não tivesse morrido de parto; ou se o principezinho D. Miguel da Paz tivesse sobrevivido, qual teria sido o percurso de Portugal e da Espanha? Seria, muito provavelmente, um percurso histórico comum  tão comum como foi o de Leão, Castela, Aragão, Navarra, Galiza, Catalunha, Granada, etc. Mau grado os nacionalismos e os anseios autonomistas.
A notícia com que começámos esta crónica (ou outra semelhante) poderia perfeitamente ser autêntica. Se, se, se…

Nota: Este artigo pretende ser uma resposta a alguns dos comentários a outro dos meus artigos anteriores: «Ventos e casamentos.»
«Na Raia da Memória», opinião de Adérito Tavares

ad.tavares@netcabo.pt

Jorge MartinsA SAGA BEIRÃ DOS HENRIQUES – Apesar da insuficiência dos dados de que dispomos neste momento percebe-se já que as famílias judaicas do concelho do Sabugal se cruzaram. Na verdade, a conhecida prática endogâmica das comunidades judaicas ajuda-nos a perceber melhor como se organizaram, movimentaram e resistiram os2 judeus às perseguições inquisitoriais. No Sabugal não terá sido diferente do resto do país.

Com efeito, as Beiras e Trás-os-Montes são autênticos laboratórios de investigação da história do criptojudaísmo. Aliás, é muito provável que as Beiras constituam a principal referência para os estudos judaicos durante o período de vigência dos tribunais do Santo Ofício (Lisboa, Coimbra, Évora), entre 1536 e 1821.
Atendendo às referidas insuficiências de dados, escolhemos as duas grandes famílias judaicas do Sabugal: os Henriques e os Rodrigues, como vimos anteriormente. Obviamente, há que ter em conta que estamos a falar apenas daqueles que caíram nas malhas da Inquisição, o que deixa de fora os que podem ter saído incólumes, ou os que tenham emigrado.
Começamos com os Henriques. Cruzando os locais de nascimento desta grande família judaica do Sabugal com os locais de residência quando foram presos, veremos melhor os seus percursos, quer por fuga à Inquisição, quer por alastramento da sua presença na região das Beiras, por razões familiares (casamentos) ou profissionais (actividades comerciais).

Quadro 1

Quadro 2

Ao observar o quadro, constatamos que podemos estabelecer dois grandes períodos para os Henriques. O primeiro, entre 1565 e 1725, em que os portadores daquele apelido nascidos no Sabugal acabaram presos pela Inquisição no próprio Sabugal (5), na Guarda (4), no Fundão (2), em Almeida (1), em Seia (1), em Santarém (1), nos Açores (1), na Galiza (1), no Brasil (1). Podemos concluir que os judeus, depois de algumas prisões de sabugalenses no próprio Sabugal, fugiram da sua terra natal para se fixarem noutros concelhos, principalmente na região das Beiras.
No período seguinte, entre 1725 e 1752, os Henriques nascidos noutros concelhos viriam a ser presos no Sabugal, naturais de Almeida (7), de Pinhel (6), de Penamacor (3), do Sabugal (2), Guarda (1), de Idanha-a-Nova (1), do Fundão (1), de Faro (1).
De facto, observa-se o percurso inverso, ou seja, um certo regresso ao Sabugal. Em todo o caso, foram menos os Henriques naturais do Sabugal a serem presos no seu próprio concelho (2) do que no período anterior (5).

CONCELHOS BEIRÕES DAS PRISÕES DOS HENRIQUES
MAPA 1 – ENTRE 1565 E 1725 MAPA 2 – ENTRE 1725 E 1752

Em suma, as deslocações dos Henriques – todos eles acusados de judaísmo – quase que se circunscreveram às Beiras ao longo de quase dois séculos de perseguições inquisitoriais (1565-1752), como se pode verificar nos mapas seguintes.
Quanto aos cruzamentos, por casamentos, dos Henriques com outras famílias judaicas, destacam-se os Rodrigues, com 13 ligações familiares, seguida dos Nunes, com 11 e de uma diversidade enorme de outras famílias, embora com diminuta representatividade, tais como: Almeida, Magalhães, Costa, Gonçalves, Mercado, Cunha, Solla. Com estas ligações, temos um alargamento da grande família judaica das Beiras em geral e do Sabugal em particular.
Para investigação futura, aqui fica uma genealogia provisória, muito incompleta certamente, de um dos ramos da família Henriques, com os anos de prisão dos réus identificados.


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«Na Rota dos Judeus do Sabugal», opinião de Jorge Martins
martinscjorge@gmail.com

Os governos portugueses dos últimos anos ganharam o tique de legislar. Para sermos justos, há que dizer que não só os governos mas também a Assembleia da República sofre desse mal. Legisla-se por tudo e por nada, e muitas vezes mal! É difícil encontrar alguma coisa, ou assunto que não seja objecto de regulamentação, de uma lei, de um decreto, de uma portaria ou de um despacho normativo. As próprias autarquias tem também os seus regulamentos, em alguns casos, são mesmo obrigadas pelo governo ou pela Assembleia a fazê-los ou actualizá-los. Já não há margem para o improviso nem para o desenrascanço tão genuinamente português: legisla-se e regulamenta-se tudo.

António Cabanas - «Terras do Lince»Claro está que, se as regras servem para controlar os excessos de iniciativa, o excesso de regras limita a própria iniciativa, limita a nossa capacidade criativa, limita a actuação das empresas e dos cidadãos em geral. Por isso a economia queixa-se da falta de flexibilidade, e do excesso de leis que tolhe o investimento.
Com o argumento da preservação do ambiente ou da defesa do consumidor, pelas mais variadas razões económicas, éticas ou sociais, a classe política dirigente está sempre pronta a exercer o poder, legislando.
É caso para se suspeitar dos propósitos de tamanha diarreia legislativa. O que estará por detrás desse compulsivo tique para regulamentar? Será apenas a aselhice de quem não sabe governar de outro modo? Quem ganhará com o tique?
Atrás da legislação vêm sempre papéis, declarações, pareceres, certificações e, naturalmente, no fim da linha, os custos da licença, da aplicação informática, da certificação, da credenciação ou da adaptação à lei. Quando digo papéis, digo formulários, com janelinhas e quadros, indicadores, rácios, dados. O não preenchimento de um quadro, impede o prosseguimento do formulário, mas não há outro remédio, há que colocar tudo como o formulário exige, porque está tudo imbricado. E pronto, ficamos cadastrados na base de dados e na mira dos cruzamentos informáticos!
Uma vez criada a lei, é preciso fazê-la cumprir. Aparentemente, o estado tornou-se eficiente, e são poucos os que conseguem fugir às suas teias, ou da fiscalização, dos inspectores e da burocracia, como acontecia outrora. Menos ainda da teia das finanças!
Que o estado legislava demais, já todos o tínhamos sentido na pele, empresas, particulares, condutores, enfim, contribuintes.
Agora que o estado viesse, pela boca de uma assessora do governo, admitir que legisla mal, ninguém estava à espera! Temos que aplaudir tanta frontalidade em assumir o erro. E que erro! 7 mil milhões de euros é quanto custam ao país as más leis. Quem o diz é a jurista de Sócrates, Susana Brito. E logo outros experts vieram dizer que o valor até estava subestimado. E logo outros acrescentaram: é o resultado de se encomendarem as leis aos gabinetes de advogados! Encontrado afinal o bode expiatório! A culpa não é dos políticos, mas sim dos advogados!
Então já não há na assembleia e na administração pública quem saiba fazer leis!? Entendem-se assim as palavras de Marinho Pinho: «As leis são boas a justiça é que não presta!» É preciso defender as leis e a classe que afinal faz as leis, preferencialmente na justiça, com bons advogados, claro! Mas a culpa não pode ser dos advogados que, naturalmente, defendem a sua classe: mesmo que se encomendem, as leis deviam ser verificadas antes de publicar.
Ainda se lembram da «Lei dos Poços», de Maio de 2007, com coimas de 25.000 euros para os particulares e 60.000 para empresas? Vá lá que vieram as eleições no exacto momento em que devia entrar em vigor a parte mais dolorosa! Ao primeiro burburinho, deu-se logo marcha-atrás, e ainda bem que houve bom senso. O problema está nos anos em que não há eleições!
«Terras do Lince», opinião de António Cabanas

kabanasa@sapo.pt

«A Toca do Lobo», de Tomaz de Figueiredo, é um livro de memórias, onde a saudade está obsessivamente presente. Fala dos fantasmas e mortos-vivos que povoam o pensamento de Diogo Coutinho, um morgado moderno e citadino, oriundo de gente nobre, que decidiu voltar à casa da família, numa quinta, sumida nos montes.

Nessa velha casa de campo passara os melhores tempos da sua existência, na juventude: «Ali viveu muito, muito de vida vivida, outro tanto, ou muito mais, de vida imaginada: tão violentamente imaginada que valia por ter vivido muitas vidas».
Chamavam à casa senhorial, no Alto Minho, a Toca do Lobo, por ali ter estado encovilado, no «tempo dos franceses», o seu bisavô, Rodrigo Coutinho. Feroz, o bisavô possuía dentes pontudos e descompassados e não dava tréguas ao invasor abatendo franceses à cronhada, à navalha ou, quando não, filando-os à dentada.
O tempo passou e, irremediavelmente só, Diogo sente que o seu mundo de juventude, de exímio caçador de perdizes e de grandes caminhadas pelos campos, se perdeu com o correr dos anos, nada mais lhe restando que as recordações desse mundo longínquo. O livro de Tomaz de Figueiredo, é pois uma imensa e sentida rememoração do passado, de revisitação aos locais de antigamente, às conversas com os familiares já desaparecidos e com a gente simples e heróica que ajudava nos trabalhos da quinta.
É verdadeiramente encantador saborear a escrita metódica de Tomaz de Figueiredo, com as suas frases lapidares, carregadas de expressões populares, e as descrições vivas e sentimentais. Atente-se a estas expressões colocadas na voz do povo:
Ascorda, home, que nos estão a puxar à porta.
Ai! Que me mataram!
O binho do fidalgo é marinheiro, carambas! Assobe ao capacete!
Nunca fui de botar famas a ninguém.

Mas o livro também fala dos antigos prazeres da boa mesa, como quando descreve o regresso à casa senhorial após algum tempo de ausência:
«Chegavam e dava-lhes a todos a fome: era frigir à pressa um pastelão de chouriço, esfatiar o traço de vitela assado já de véspera. Não demorava a mulher do caseiro como duas infusas de leite – de vaca e de cabra, mungidas na própria hora – ainda quente dos úberes, a espumar. Daí a nada algum filho, com uma cesta-vindima de figos bacorinhos, murchos, de lágrima em ponto de fio, e alguns depenicados dos pássaros, de té torcido, “a cair da corneira”, como o rapaz dizia. A tia Mariana desenformava uma tigela da sua marmelada, primava em a apresentar na mesa tremente como um pudim gelado, tão fina era, tão carregada no açúcar, puxado até secar…».
Este romance, o primeiro de Tomaz de Figueiredo, foi publicado em 1947 e, no ano seguinte, foi agraciado com o prémio Eça de Queirós
Merece a pena ler a obra deste escritor de truz, sobre quem o crítico literário sabugalense João Bigotte Chorão, da Academia das Ciências, nos diz ser «um escritor, um cavador de palavras, um servidor do idioma».
«Sabores Literários», crónica de Paulo Leitão Batista

leitaobatista@gmail.com

Novos programas e novos protagonistas assinalam a V Temporada da programação da Rádio Altitude, que arrancará na próxima Segunda-feira, dia 1 de Fevereiro. A estação local mais antiga de Portugal inicia assim uma nova época, um pouco mais tarde do que o habitual devido à realização, durante os meses de Setembro e Outubro, da operação informativa eleitoral.

Rádio AltitudeA definição da nova programação também procurou levar em conta muitas das sugestões deixadas por ouvintes no fórum que abrimos na página da Rádio na Internet.
Uma das apostas da nova temporada é o espaço de opinião «O Mundo Aqui», no qual intervirão D. Manuel Felício (Bispo da Guarda), Marília Raimundo (presidente da Fundação Augusto Gil), António Manuel Gomes (médico psiquiatra), Álvaro Guerreiro (advogado) e António José Dias de Almeida (professor aposentado). O programa é às Segundas-feiras às 11h00 e a participação será rotativa, tendo início no dia 1 de Fevereiro com Álvaro Guerreiro.
Na Segunda-feira, depois da edição das 18h00, prossegue o debate «Jogo na Mesa», entre adeptos do futebol nacional. Na nova temporada o painel é, de novo, renovado: Rui Baía e Armando Almeida mantêm-se à defesa, respectivamente, do Benfica e do Futebol Clube do Porto. Luís Costa entra agora em campo com as cores do Sporting.
À Terça-feira prossegue «Moeda Única», jornal temático sobre economia, semanal, a seguir à edição das 10h30. Às 11h00 mantém-se o «Fórum Altitude», com a participação aberta aos ouvintes na discussão de um tema novo em cada semana.
Quarta-feira será dia de «Centro Urbano», um espaço semanal a seguir à edição das 10h30 que retratará vivências na zona antiga da Guarda. Este programa é realizado em parceria com a Agência para a Promoção da Guarda.
À tarde, às 17h30, prossegue o «Rádio TMG» , com a agenda de espectáculos e outros eventos do Teatro Municipal da Guarda, numa produção própria daquela estrutura cultural.
À Quinta-feira há «Jornal de Desporto», sobre todas as modalidades, e «Escape Livre», o programa sobre automobilismo da rádio em Portugal, que é uma das imagens de marca da estação. E prossegue a «Revista de Imprensa», na qual uma personalidade diferente em cada semana é convidada a fazer a leitura pessoal do que se escreveu nos jornais.
Em matéria de análise política há a estreia de «Meias Palavras», com os comentadores residentes Ana Manso e Fernando Cabral, às 11h00 de Sexta-feira.
O debate «Vice-Versa» fecha a semana, à Sexta-feira, depois da edição das 10h30, com painéis alternados de participantes a partir de um grupo alargado que nesta temporada contará com Abílio Curto, Álvaro Estêvão, Carlos Gonçalves, João Amaro, João Correia, João Paulo Antunes, João Rota, Joaquim Canotilho, Joaquim Carreira, José Pires Veiga, Luís Costa, Manuel Rodrigues, Nuno Almeida, Pedro Pires, Pinto de Almeida, Ricardo Neves de Sousa, Rui Correia, Sofia Monteiro e Tânia Cameira, entre outros.
O fim-de-semana abre com o novo programa «Casa da Rádio». Será uma tertúlia, ao Sábado de manhã (a partir das 10h00), animada por toda a equipa da Rádio. Um (ou mais) elementos tratará de abrir as portas da casa a diferentes convidados, deixando que as histórias se cruzem: diálogos, impressões, controvérsias, memórias e acasos. Às 11h30 surge a nova temporada de «Gente com Valor», que procura retratar discretos protagonistas da arte e do conhecimento.
Ao Domingo a «Revista da Semana», entre as 11h00 e as 13h00, faz a síntese dos dias passados na Rádio. Mas antes, às 10h30, a estreia de César Prata num programa de autor semanal, «Ouvidos de Mercador», dedicado à divulgação de músicas do mundo.
Nos espaços de opinião, Adelaide Campos, Márcio Fonseca, Daniel Rocha, Eduardo Brito, Carlos Baía, Antonieta Garcia, Rui Ribeiro, Ana Raposo e Nuno Abreu, entre outros, vão dar consecutivamente voz ao que pensam sobre o que se passa, na «Crónica Diária, de Segunda a Sexta, às 9h15 e às 17h15. A equipa de profissionais da Rádio mantém a «Crónica Altitude», rotativa, na manhã de Sábado.
Na informação diária há blocos noticiosos próprios às 7h25, 8h25, 9h25, 10h25, 12h25 e 18h00 e cadeia com a TSF (informação nacional e internacional) às horas certas.
Rádio Plural – A Rádio Altitude mantém assim uma forte aposta na informação local e regional – e no debate, na entrevista e na opinião. E esta será mesmo a temporada com maior diversidade de abordagens, desde que teve início a actual grelha de programas, no princípio de 2006.
Isto é resultado do trabalho de uma equipa de dez profissionais (que integra seis jornalistas) e da participação de mais de quarenta colaboradores, cronistas, comentadores e autores de programas temáticos – cidadãos que integram um Projecto que se caracteriza pelo enorme pluralismo etário, social, profissional e ideológico.
Provedor do Ouvinte – Hélder Sequeira – antigo director da Rádio, com vasto trabalho publicado sobre a própria estação – continua a exercer as funções de Provedor do Ouvinte. A Rádio Altitude é o único órgão de comunicação social audiovisual privado em Portugal a dispor desta figura, tendo sido pioneiro mesmo em relação ao operador público nacional (o único que está obrigado por lei à nomeação de um provedor).
O papel do Provedor do Ouvinte é o de um interlocutor independente entre a Rádio e os públicos, recebendo ou fazendo críticas e sugestões, numa estação marcadamente informativa que, em cada semana, coloca cerca de 130 novos conteúdos próprios em antena, além de uma cuidada selecção musical.
jcl (com Rádio Altitude)

Nos últimos dias temos visto todo o tipo de notícias sobre a situação no Haiti. Reportagens de enviados especiais das televisões, das rádios e dos jornais tanto nacionais como internacionais. Reportagens sobre destruição, mortos, forma como a ajuda internacional chega, trabalho das ONG, mil e uma cerimónias e actos de solidariedade e angariação de fundos, uma panóplia de notícias e actos.

José Manuel Monteiro - «Largo de Alcanizes»Contudo, de todas elas ficou-me na memória a notícia ouvida numa destas manhãs entre o pára-arranca do trânsito a caminho do trabalho.
Ícaro encontrava-se no Canadá no momento do sismo. Em Port-au-Prince tinha ficado a mulher. Ao saber da notícia regressa ao Haiti. Nos escombros da sua casa, sente a presença da mulher. Entre sons de trombetas e flautas recorda passagens bíblicas do livro do Apocalipse…

E o primeiro anjo tocou a sua trombeta,
e houve saraiva
e fogo misturado com sangue,
e foram lançados na terra,
e foi queimada na sua terça parte;
e queimou-se a terça parte das árvores,
e toda a erva verde foi queimada.
E o segundo anjo tocou a trombeta;
e foi lançada no mar uma coisa como um grande monte ardendo em fogo,
e tornou-se em sangue a terça parte do mar,
e morreu a terça parte das criaturas que tinham vida no mar;
e perdeu-se a terça parte das naus.

E olhei,
e ouvi um anjo voar pelo meio do céu,
dizendo com grande voz:
Ai! ai! ai!
dos que habitam sobre a terra!
por causa das outras vozes das trombetas dos três anjos
que hão de ainda tocar.

Rosas BrancasÍcaro reconheceu nesses sons a palavra da mulher e sabia que ela não poderia descansar em paz, sem que dos céus a viessem buscar. Mas, para isso Ícaro tinha de oferecer à sua mulher as rosas brancas que tanto gostava. Reuniu os amigos e, vestidos de branco com rosas brancas na mão passearam nas ruas do bairro, evocando os deuses do amor, os deuses da música.
Entre tambores e cânticos pediram aos céus que a mulher que agora todos amavam deixasse os escombros da casa que foi sua e procurasse entre os anjos uma trombeta que também ela tocasse.
A mulher que amava a música voou nas asas do seu Ícaro. Voou alto rumo aos céus, e as asas, essas não derreteram, porque Ícaro amava a sua mulher, a mulher que amava a música.
Para todas as vítimas que não tiveram um Ícaro que as amava, rosas brancas.
«Largo de Alcanizes», opinião de José Manuel Monteiro

jose.m.monteiro@netcabo.pt

Reuniu no dia 27 de Janeiro a primeira Assembleia Geral da Confraria do Bucho Raiano, a qual elegeu os corpos sociais para o próximo biénio, que substituirão a Comissão Instaladora, que vem administrando a agremiação desde que a mesma foi formalmente constituída, em 6 de Maio de 2009.

Brasão da Confraria do Bucho Raiano do SabugalA Assembleia Geral, ou Capítulo, que se realizou em Lisboa, decidiu ainda mudar a sede da Confraria para o Sabugal, em local a definir, o que obrigará a uma alteração aos Estatutos, onde consta a Casa do Concelho do Sabugal em Lisboa como sede da associação.
Outro dos pontos tratados foi a apresentação de contas relativamente ao ano de 2009, que foram aprovadas pelos confrades presentes. Segundo o quadro apresentado pela Comissão Instaladora, a Confraria gastou no último ano 1.145 euros, quase na sua totalidade para pagamento dos actos notariais e demais registos ligados à constituição formal da associação.
Os corpos sociais da Confraria do Bucho Raiano do Sabugal ficaram assim constituídos:

CAPÍTULO
Grão-Mestre Capitular: Joaquim Leal (Sortelha)
Capitular-Ajudante: António Manuel Bogas (Sabugal)
Capitular-Relator: António Vinhas Ricardo (Aldeia de Santo António)

MESA DE VEDORES
Vedor: José Morgado Carvalho (Soito)
Vedor-Ajudante: Paulo Cruz (Aldeia Velha)
Vedor-Relator: António Manuel Ferreira (Sabugal)

CHANCELARIA
Chanceler: Paulo Leitão Batista (Sabugal)
Vice-Chanceler: José Carlos Lages (Ruivós)
Almoxarife: Paulo Terras Saraiva (Castanheira)
Escrivão das Leis: Horácio Pereira (Sabugal)
Fiel de Usanças: José Marques (Sabugal)
Mestre de Cerimónias: Natália Bispo (Sabugal)
Porta-Estandarte: João Valente (Vilar Maior)

Os elementos eleitos para os vários órgãos sociais tomarão posse no final do almoço anual do bucho, previsto para o Sabugal, no dia 13 de Fevereiro.
O I Capítulo de Entronização da Confraria do Bucho Raiano está marcado para o dia 17 de Abril de 2010 com a presença de representantes da Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas, das duas Confrarias Madrinhas (Confraria da Chanfana de Vila Nova de Poiares e Confraria do Queijo da Serra da Estrela) e de confrarias convidadas de todo o país. A cerimónia incluirá a entronização de Confrades de Honra e um grande almoço onde o bucho raiano será rei.
plb

Eram quase 8 horas da manhã quando os dois primeiros participantes para a 2.ª Montaria Municipal – Serra do Homem de Pedra chegaram à sede do CCRA-Centro Cultural e Recreativo de Alfaiates. Antes disso já a direcção desta associação tinha preparado o pequeno-almoço e o almoço.

   

Por volta das nove horas e depois de montarem o sistema informático procedeu-se às inscrições para o evento por parte dos técnicos florestais do Município do Sabugal, posto isto deu-se início ao «Taco» para aconchegar o estômago antes do início desta jornada.
Depois de se ter efectuado o sorteio das portas, rezou-se um Pai-nosso e deu-se inicio à Montaria. Eram então 10.30 quando os caçadores e matilheiros seguiram para o campo.
O almoço inicialmente previsto para as 14.30 horas apenas se iniciou às por volta das quatro da tarde já depois da Brigada da ASAE recolher amostras do único animal abatido durante a caçada, o autor do tiro certeiro foi o João «Saranco» do Soito. O repasto foi constituído por uma canja de cornos (que todos sem excepção repetiram mais de uma vez, parabéns ao cozinheiro Carlos Sanches), jardineira de vitela, fruta e queijo, seguido de café e digestivo.
Eram já perto das 18 horas quando o último participante se despediu de nós, agradecendo toda a hospitalidade e tratamento recebido.

Notas finais
– Um agradecimento especial ao Domingos «Trocas» pela lenha e pelo atear da fogueira que tão bem soube aos intervenientes deste evento.
– Um Obrigado ao Município do Sabugal, Dr. Morgado, Vereador Ernesto, Eng.ª Carla e Eng.º Alberto por terem confiado em nós para recebermos este acontecimento na nossa Terra.
– A todos os participantes um bem-haja e se algo não esteve tão bem, aqui ficam as nossas desculpas.
Norberto Pelicano
(Presidente da Direcção do C.C.R. de Alfaiates)

Corria a década de 1970 quando Bernardo Bertolucci foi convidado pelo Partido Comunista Italiano para fazer um filme sobre a história do país durante a primeira metade do século XX. O resultado foi um épico de mais de cinco horas com Robert De Niro e Gérard Depardieu.

Pedro Miguel Fernandes - Série B«1900» conta a história de dois amigos nascidos no mesmo dia, um pobre (Depardieu) e um rico (De Niro), com os primeiros 45 anos do século XX italianos como pano de fundo. Este é também o pretexto para o Partido Comunista Italiano mostrar a sua versão daquele período e tal é o que fica registado ao longo das mais de cinco horas do épico de propaganda de Bertolucci. Pegando na história de amizade dos dois rapazes, cada um vindo do seu mundo, vemos em «1900» o que se passou em Itália durante a primeira metade.
1900E o trabalho está bem feito, tirando os exageros que os filmes de propaganda sempre têm. Vemos a queda das aristocracias com a imagem do avô de De Niro, interpretado por Burt Lancaster, a I Guerra Mundial onde os dois jovens combatem, o período dos loucos anos 1920 e a ascensão do fascismo durante os anos 1930 até ao final da II Guerra Mundial. Além da presença destes grandes actores no elenco, a que se pode acrescentar a excelente interpretação de Donald Sutherland como reitor da fazenda liderada pela família de De Niro e membro dos camisas negras de Mussolini, numa das personagens mais sádicas que me lembro de ver, há que ter em conta a banda sonora, que esteve a cargo de Ennio Morricone.
Mas para ver uma visão alternativa da primeira metade do século XX, neste caso do ponto de vista italiano, vale bem a pena aguentar as mais de cinco horas de «1900». Quanto mais não seja em duas sessões, como estreou nas salas de cinema.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

pedrompfernandes@sapo.pt

Os chefes Michel e Olivier apresentaram cozinha «gourmet» sobre carris durante uma viagem do Alfa Pendular da CP. Cogumelos e castanhas fazem parte das refeições oferecidas no restaurante do comboio ou para levar para casa no final da viagem. Mas a próxima «temporada» vai ter no menu… trutas de Manteigas.

Espetadas de trutas - TrutalcôaO chefe Michel nunca tinha imaginado cozinhar a mais de 200 km/hora mas fê-lo esta quarta-feira a bordo de um comboio que fazia a ligação Lisboa-Porto na apresentação das novas ementas do serviço Alfa Pendular da CP.
Com uma bancada improvisada, assente sobre dois bancos da carruagem, uma placa de indução, um tacho, alguma ginástica e o apoio dos seus alunos, Michel preparou a entrada para a refeição servida a cerca de 80 convidados.
«Hoje, foi uma grande primeira vez para mim, porque cozinhei a 220 à hora. Nunca tinha feito isto. Hoje fizemo-lo com uma grande tranquilidade, com uma tecnologia muito avançada, que é a indução. O segredo está nas ervas», confessou o chefe Michel enquanto adicionava uma mão de salsa, coentros e manjericão picados ao «guisadinho de cogumelos».
Os convidados experimentaram alguns dos menus do «serviço extra» de Michel que vão acompanhar o próximo ciclo de ementas deste conceito de cozinha «gourmet em movimento», idealizado pelo seu filho, o chefe Olivier. Confeccionados no Atelier de Cozinha Michel foram servidos os cogumelos, um creme de galinha e castanhas e os pratos de peixe (lombo de bacalhau fresco com molho de manteiga e ervas aromáticas), carne (rojões de porco à portuguesa com migas de grelos e feijão frade) ou massa (farfalle com molho de camarão e fígado de pato), seguidos de sobremesa.
«Escolhemos um chefe português conhecido para dar a imagem a esta parceria da comida nos comboios. O Michel e o Olivier são uma aposta de prestígio que permite ter uma oferta de alta qualidade. É um dos serviços mais interessantes desta natureza na Europa. Eu diria que único», afirmou Cardoso dos Reis, presidente da CP em declarações à agência Lusa.
Os passageiros do Alfa Pendular passam assim a ter disponíveis, a 6,90 euros, caixas herméticas com sopa, prato principal e sobremesa para levar para o lugar ou para casa.

Curiosa é a afirmação do chefe Michel que já pensa na próxima época que arranca dentro de seis meses: «No ciclo que vem tenho trutas. Vou buscar as trutas a Manteigas. Porquê? Porque temos em Portugal as melhores trutas do Mundo». Nós por cá, como diz aquele programa da SIC, não gostamos que se saiba que também temos as melhores trutas do Universo: as do Rio Côa. Porquê? Porque (quase) nunca as promovemos. Porque não sabemos falar delas. Porque não fazemos nenhum festival da truta. São só para nós. Não queremos que mais ninguém saiba.
jcl

O conhecimento da realidade de um território é a base essencial para a definição de uma estratégia de desenvolvimento do mesmo.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»POPULAÇÃO – Inicio hoje a apresentação de alguns indicadores estatísticos, conforme constam do Anuário Estatístico da Região Centro – 2008, publicado pelo Instituto Nacional de Estatística em Janeiro de 2010.
Dada a crueza dos números não emitirei qualquer comentário, pois penso que os mesmos falam por si.
O quadro que a seguir apresento permite retirar as seguintes conclusões:

POPULAÇÃO RESIDENTE SEGUNDO OS GRANDES GRUPOS ETÁRIOS – 31/12/2008
NUT
III
MUNICÍPIO Total % 0-14 % 15~24 % 25~64 % 65-74 % >
75
%
BIN Total 109.051 100 12.793 11,73 12.144 11,14 56.359 51,68 12.688 11,63 15.067 13,82

Almeida
7.015 6,43 651 9,28 706 10,06 3.573 50,93 976 13,91 1.109 15,81

CBeira
8.572 7,86 1.032 12,04 957 11,16 4.346 50,70 941 10,98 1.296 15,12

FCRodrigo
6.542 6,00 685 10,47 720 11,01 3.204 48,98 857 13,10 1.076 16,45

Guarda
44.121 40,46 6.108 13,84 5.128 11,62 24.065 54,54 4.219 9,56 4.601 10,43

Manteigas
3.650 3,35 402 11,01 439 12,03 2.052 56,22 419 11,48 338 9,26

Mêda
5.712 5,24 582 10,19 642 11,24 2.774 48,56 742 12,99 972 17,02

Pinhel
9.840 9,02 1.028 10,45 983 9,99 4.999 50,80 1.329 13,51 1.501 15,25
SABUGAL
13.261

12,16

1.102

8,31

1.325

9,99

6.168

46,51

1.860

14,03

2.806

21,16

Trancoso
10.338 9,48 1.203 11,64 1.244 12,03 5.178 50,09 1.345 13,01 1.368 13,23

1. O concelho do Sabugal é o segundo Concelho mais populoso da Beira Interior Norte, sub-região onde o Concelho da Guarda concentra mais de 40% do total da população residente. Saliente-se, no entanto que durante o ano de 2008, o nosso Concelho perde 272 habitantes (-2%), um decréscimo duas vezes superior ao verificado no conjunto da BIN, realçando-se o facto de todos os Concelhos perderem população.
2. As crianças e jovens com menos de 25 anos, representavam 18,3% da população, contra 18,7% em 2007. Estes valores embora claramente inferiores aos verificados no conjunto da BIN (22,9% em 2007 e 23,4% em 2008), mostram, no entanto que a retração destas camadas populacionais foi inferior no Concelho. No conjunto da BIN todos os Concelhos registaram uma evolução negativa, sendo a Guarda o único Concelho em que esta variação foi inferior à do Sabugal.
3. No que diz respeito à população activa (25-64 anos), a mesma representava em 2008 46,5% do total, contra 45,8% em 2207, uma variação positiva de 0,72%, superior à média da BIN (+0,53). Melhor desempenho tiveram os Concelhos da Guarda, Manteigas, Pinhel e Trancoso.
4. A população idosa (65 anos ou mais) era em 2008 de 4.666, contra os 4809 em 2007, um decréscimo de 3%. No total, a população com 65 ou mais anos, representava em 2008 35,2%, contra os 35,5% em 2007. No entanto, o Sabugal continua a ser o Concelho em que este valor relativo é mais elevado, sendo a Guarda e Manteigas aqueles em que o peso relativo dos idosos é menor.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

O Município do Marvão apresentou recentemente a sua marca territorial apostando nos conceitos «Visitar, Viver e Empreender». A marca «Marvão» pretende estar presente na vida da região e apostar nos produtos gastronómicos e artesanais do concelho.

MarvãoO projecto de identidade e construção da marca «Marvão» aposta nos conceitos «Visitar, Viver e Empreender». São três verbos para posicionar o Marvão como um produto turístico diferenciado, um espaço singular e autêntico de excelência natural e cultural, promover o bem-estar da população, o desenvolvimento sustentado da região e atrair novos moradores, bem como apresentar o Marvão como investimento seguro para novas actividades económicas.
A marca vai ser usada para promover o reconhecimento e promoção do Parque Natural de São Mamede como uma mais-valia para o desenvolvimento socioeconómico da região. A proposta passa, também, pelo aumento da notoriedade e reconhecimento nacional e internacional dos valores patrimoniais (naturais e edificados) presentes no concelho, potenciar e captar a atenção de investidores, criando novas dinâmicas empreendedoras.
A primeira aplicação da marca «Marvão» vai acontecer com o lançamento da sub-marca «Marvão Bom Gosto em Fevereiro», que será aplicada nas «Quinzenas Gastronómicas» organizadas pela autarquia.
Para além da identidade gráfica que passa a estar presente em toda a comunicação interna e externa do município está a ser pensada a aposta numa linha de produtos com a marca «Marvão».
«Com este investimento pretende-se fomentar a dinamização das actividades económicas, turísticas e culturais existentes em Marvão, bem como potenciar a criação de novas oportunidades para toda a comunidade Marvanense e gerações futuras», explica em comunicado a autarquia.
jcl

Há uns dias, veio numa crónica do Cinco Quinas, no seguimento da primeira assembleia municipal do ano, dizer que as ideias do Senhor Presidente da Câmara «pagavam direitos de autor» e que «pareciam importadas». Este remoque inicial da crónica, apesar de «emendar a mão» mais à frente, pareceu-me um juízo de desvalor pela suposta falta de originalidade das ideias do senhor Presidente da Câmara.

João ValentePois não sei se as ideias do senhor Presidente da Câmara são importadas ou pagam direitos de autor, como dizia a referida crónica, mas se é verdade tal afirmação, só demonstra que se trata de um político sábio e prudente.
É próprio de um homem sábio aconselhar-se e ouvir os conselhos de um bom amigo: «Astutus omnia agit cum consilium» [o sábio age sempre aconselhando-se] (Provérbios, 13) et «bonis amicis consiliis, anima dulcoratur» [e nada é mais agradável ao espírito, que os conselhos de um bom amigo] (Provébios 27).
«Fili, sine consílio nihil facias, et post factum non poenitebis» [filho, nada faças sem conselho, para depois te não arrependeres] (Eclesiastes, 32).
Platão dizia que era acção divina consultar os que mais sabem. Aristóteles chamava ao conselho coisa sagrada.
Na bíblia lê-se ainda: «Ego sapientia habito in consílio» [a sabedoria está no conselho] e «que inter superbos semper jurgia sunt; qui auten agunto omnia cum consílio, regentur sapientia» [entre os soberbos sempre há discórdias, porém os que procuram conselho, só pela sabedoria se governam] (Provérbios, 8 e 13).
A diferença entre um político sábio e um ignorante é que este regula as suas acções pela sua cabeça, enquanto aquele o faz pelo parecer dos outros. A consequência é que o ignorante facilmente erra enquanto o prudente, comunicando aos outros os seus desígnios, facilmente se livra dos erros.
«O mérito especial do que comanda é a prudência» (Aristóteles, in Política).
Como dizia santo Ambrósio, também a este respeito, «advertimus igitur, quod in acquirend consiliis plurimorum adjungatur vita probitas, virtutum prororogativa, benevolentia usus, fragilitatis gratia» naquele que aconselha deve concorrer [bondade de vida, excelência de virtudes, amor experimentado e conhecimento da graça] (livro 2 cap. 12). Isto é; um político deve aconselhar-se com homens bons, virtuosos e experientes, porque é dos bons conselheiros que emana a sabedoria de um político, tal como uma boa água deflui duma limpa nascente.
Por essa razão diz Tobias (4): «consilium semper à sapinete perquire» [procura sempre o conselho dos sábios].
E a opinião dos sábios, não é necessariamente a opinião dos mais evidentes ou do vulgo: «Muitas são as vozes, umas indignas, outras nobres, que vêm ferir os ouvidos; Que não te perturbem, nem tampouco te voltes para ouvi-las» (Pitágoras nos seus versos de ouro); «Não copies as opiniões dos arrogantes, nem deixes que eles te ditem as tuas próprias, e olha as coisas à luz da verdade» (Marco Aurélio, in «Meditações», livro 4, 11).
No episódio do Canto 2 da «Iliada» de Homero, quando os chefes e a assembleia-geral de todos os guerreiros aconselham Agamenón a levantar o cerco a Tróia, regressando a Agros, é a sábia deusa Atena, pelo contrário, que o incentivava a prosseguir na conquista da cidade, sendo o conselho desta, contra o da maioria e dos chefes, que Agamenón segue.
Que não é na opinião da maioria que está a fonte do bom governo, ilustra-o esta saborosa fábula de um excelente escritor árabe, que a seguir transcrevo:

O Rei Sábio
«Havia uma vez, na cidade de Wirani, um rei que governava os seus súbitos com tanto poder como sabedoria. E o temiam pelo seu poder, e o amavam por sua sabedoria.
Havia também no coração dessa cidade um poço de água fresca e cristalina, do qual bebiam todos os habitantes; incluindo o rei e seus cortesãos, pois era o único poço da cidade.
Uma noite, quando todos estavam dormindo, uma bruxa entrou na cidade e despejou sete gotas de um misterioso líquido no poço, enquanto dizia:
– A partir de agora, quem beber desta água ficará louco.
Na manhã seguinte, todos os habitantes do reino, excepto o rei e grão-vizir, beberam do poço e enlouqueceram, tal como predissera a bruxa. E naquele dia, nas ruelas e no mercado, a gente não fazia senão cochichar:
– O rei está louco. O nosso rei e seu grão-vizir perderam a razão. Não podemos permitir que nos governe um rei louco; temos que destroná-lo.
Naquela noite, o rei ordenou que lhe enchessem uma grande taça de ouro com água do poço. E quando lha levaram, o soberano bebeu avidamente e passou a taça ao seu grão-vizir, para que também bebesse.
E houve um grande regozijo na satisfeita cidade de Wirani, porque o rei e o grão-vizir tinham recobrado a razão».
(Gibran Kalil Gibran, in «O louco», 1918).

O Senhor Presidente da Câmara aconselha-se com pessoas sábias para decidir melhor?
Revela sabedoria! E como defendia Aristóteles no seu tratado da política, o governo dos homens sábios é o governo ideal…
Mas quem mete juízo na cabeça do povo, para que perceba isto?
Ulisses, empunhando o ceptro de Agamenón, foi pelo acampamento; e quando encontrava um homem do povo que ainda pretendia levantar o cerco, dava-lhe com ele na cabeça, gritando-lhe:
«Desgraçado! Está quieto e escuta os que são mais corajosos; tu, débil e inapto que nem serves para o conselho nem para a guerra. Não é um bem a soberania de muitos. Um só seja príncipe; um só seja rei» (Homero, Ilíada, canto 2, 200).
Infelizmente, Ulisses é apenas uma figura mítica…
E não conheço quem saiba fazer de Ulisses!
«Arroz com Todos», opinião de João Valente

joaovalenteadvogado@gmail.com

No Café Concerto do Teatro Municipal da Guarda, foi apresentado no dia 22 de Janeiro – «CICATR-IZANDO» – o novo disco de Américo Rodrigues.

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Na sessão de apresentação no café-concerto do TMG do disco «Cicatr-izando» de Américo Rodrigues actuou um grupo constituído por Victor Afonso, César Prata, Eduardo Martins, Tiago Rodrigues e o próprio autor.
O disco regista o som de acções poéticas a partir de elementos da tradição oral portuguesa (romance, lengalengas, orações, adivinhas, ditos, alcunhas e vocabulário de uma gíria).
«À cata da gíria» – Viajo até uma localidade da raia onde se recorda uma gíria de contrabandistas. Durante a viagem ouvimos músicas do Mundo. Não respeito as indicações de percurso. Telefono a um filósofo e filólogo para me explicar de onde vem aquele linguajar. Regresso. (acção realizada no dia 11 de Agosto de 2009 entre a Guarda e Quadrazais).
A maior surpresa é a voz de Pinharanda Gomes que aparece nesta acção à cata da Gíria de Quadrazais.
Todos os temas tiveram por base uma intervenção concreta em cujo processo se usaram tecnologias rudimentares de gravação, comunicação e amplificação da fala e da voz. O som obtido nas acções foi depois alvo de montagem com edição de «Bosq-íman:os records».
A obra musical tem o apoio da Luzlinar, e do IELT – FCSH/ Universidade Nova de Lisboa.
O disco encontra-se à venda na Casa do Castelo na cidade do Sabugal.
Natália Bispo

A cidade da Mêda recebeu na Casa Municipal da Cultura cerca de 300 cantadores de Janeiras em representação de dez colectividades.

Cantar Janeiras - MêdaO I Encontro de Cantadores de Janeiras do concelho da Mêda decorreu durante a tarde de domingo, 24 de Janeiro, na Casa Municipal da Mêda. Participaram no encontro os grupos da Associação de Solidariedade Social, Cultural, Desportiva e Recreio de Fonte Longa, o Centro Cultural e Recreativo da Mêda, o Centro Sócio-Cultural da Coriscada, a Banda Filarmónica e o Grupo de Violas do Aveloso, bem como os grupos corais de Marialva, do Outeiro de Gatos, de São Bento da Mêda, da Prova e do Poço do Canto.
O Encontro pautou-se por um bom espírito de convívio, traduzindo-se numa grande festa e está já prometido para o próximo ano o II Encontro Concelhio de Cantadores de Janeiras.
«A Mêda encontrou-se com a tradição e foram muitos, novos e menos novos, que reviveram um passado tradicional desta terra no salão multiusos onde ancestrais cantares, transmitidos de geração em geração, acalentaram as pessoas que, num espírito de convívio mas também de interculturalidade, vivenciaram esta época onde ranchos ou grupos iam de casa em casa , quantas vezes pela noite fria, fazer os seus peditórios das Janeiras», informou o município em comunicado.
«O ladrão do pinheirinho
Onde havia de nascer
Bem à porta casa
Que nos vai dar de comer e beber»
(Cantiga de Janeiras de Longroiva) 
aps (com Meda em Movimento)

O Município de Trancoso, presidido por Júlio Sarmento, deliberou criar o órgão consultivo «Conselho Estratégico» legitimado pelo mandato autárquico que termina em 2013 e com a conclusão do Quadro de Referência Estratégica Nacional (QREN) que pode representar a derradeira oportunidade para realizar investimentos estruturantes com comparticipação comunitária.

Bandarra - Trancoso«Consideramos que a arquitectura institucional do Município de Trancoso não esgota o espaço de reflexão e debate, que se pretende alargado, mais plural e inclusivo, sem prejuízo das competências próprias dos órgãos municipais, pelo que se pretende implementar no Município um Conselho Estratégico que poderá, eventualmente, evoluir para um modelo institucional», defendia o documento de orientação estratégica apresentado pela autarquia de Trancoso à Assembleia Municipal e que «recolheu generalizado consenso».
O Município de Trancoso aposta no Conselho Estratético para ajudar a reflectir «sobre a melhor estratégia e nas decisões com acerto, sobre os investimentos prioritários, procurando maximizar os impactos, de modo a promover o desenvolvimento, a sustentabilidade das economias e preparar o futuro».
Segundo o documento aprovado «é necessário, não só, promover o debate e a reflexão sobre a estratégia concelhia, como contribuir para valorizar as opções dos investimentos, que a concretizarão».
Entre esses investimentos estruturantes que constam das Grandes Opções para o mandato destacam-se o Museu da Cidade, o Centro de Interpretação da Batalha de São Marcos ou de Trancoso (determinante em 1385 para a independência de Portugal), o Mercado Municipal, o Campo da Feira, o novo Cemitério, reabilitação da Rua da Corredoura (uma das principais do centro histórico e centro de comércio e serviços), a Recreação da Oficina de Gonçalo Enes (O Bandarra, poeta-profeta referido por Fernando Pessoa e pelo Padre António Vieira), os conteúdos museológicos e a intervenção na antiga vila medieval de Moreira de Rei onde D. Sancho II esteve antes da sua ida para o exílio em Toledo.
A criação do Conselho Estratégico tem como objectivo «alargar o espaço de reflexão e debate sobre a estratégia e os investimentos mais relevantes, numa perspectiva apartidária, constituir-se como fórum de debate local, permitir novas abordagens e o concurso de novos pontos de vista, apreciar e dar parecer sobre os projectos de investimento público, com maior dimensão e impacto na comunidade, dar parecer sobre todos os assuntos que a Câmara Municipal entenda solicitar e apresentar ao executivo novas propostas no âmbito de temáticas definidas».
Integram o recém-criado órgão consultivo Santos Costa, Conceição Alexandre Batista, César Prata, Amaral Veiga, Carlos Martins, Emília Tracana, João Batista, João Duarte Fonseca, Américo Mendes, Luísa Gil, Celina Pinto, Cristina Borges, José Domingos, Luís Pedro Cerveira, Miguel Santiago e Eduardo Pinto.
Os «consultores» são personalidades ligadas aos sectores da educação, planeamento, pensamento, jornalismo, investigação, música, etnologia e etnografia, animação sociocultural, hotelaria e turismo, IPSS, política e intervenção social.
jcl (com gabinete de Imprensa da CMT)

Num destes domingos de Janeiro, almocei no restaurante Trutalcôa, um dos muitos restaurantes do nosso Concelho. Se menciono o nome, é pela razão da envolvência que caracterizou o almoço, nada tem a ver com publicidade.

António Emídio - Passeio pelo CôaNevava intensamente, o frio era glacial, como o restaurante é panorâmico, e tem paredes em vidro, via-se a neve cair e rodopiar com a força do vento. Ainda era cedo, estavam só dois comensais, eu e a minha mulher. Pedimos um arroz de tomate, com truta frita, e um bom vinho. Estava tudo divinal.
Como é natural, conversamos enquanto decorria a refeição. Houve uma altura em que me silenciei, e pensei na experiência inesquecível que seria para muita gente, especialmente turistas, estar sentados num bom restaurante, diante de uma bela refeição, e ver cair a neve por sobre aquela bonita paisagem, já serrana, onde ao fundo se vê um grande lago, no meio de um prado verde, ladeado por esse rio maravilhoso que é o Côa.
Lembrei-me dos nossos antigos, algumas vezes se diz que eram «atrasados», mas esses estiveram muito mais próximo do que nós, da sustentabilidade ambiental, não destruíram o meio ambiente. O seu saber dizia-lhes que ocupavam uma casa comum, que era a Terra, e com ela formavam uma comunidade cujo destino dependia deles.
Temos mais bens materiais do que eles tinham, mas perdemos bens humanos, morais e espirituais que os caracterizavam. Tinham mais sentido de justiça, de igualdade, e mais sensibilidade social. Não eram individualistas, viviam em comunidade, havia amor à família e ao próximo.
Perdemos muito da herança espiritual, das nossas melhores tradições humanas e culturais. Tudo se perdeu quando entre nós se instalou uma ideologia político/económica que quer o homem vazio de espiritualidade e cultura, mas repleto de ciência e tecnologia. E não me venham com essas histórias que antigamente não havia pão, roupa e casa de banho, porque se o homem fosse um ser equilibrado, tinha pão, roupa, casas de banho, cultura, valores ciência e tecnologia.
Querido leitor(a), cozinhavam assim tão mal as mães e esposas portuguesas, para termos de importar comida de plástico americana, e outras «iguarias gastronómicas»?
Será possível que para acabar com algumas das nossas tradições gastronómicas, fosse criada uma desapiedada polícia?
Politicamente correctos, e apologetas do sistema, vou escrever uma heresia: tudo isto se deve ao termos copiado o «american way of live». E como se isto não bastasse, obedecer cegamente a Bruxelas. Tudo gente e instituições que nunca souberam o que foi a nossa cultura, os nossos valores e as nossas tradições.
Nesse Domingo, estive numa das maravilhas naturais do Concelho, e comi uma bela refeição tradicional, senti o que é a Sabugalidade.
P.S. – A Sabugalidade representa para mim, todo o Concelho do Sabugal.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

Militares do Comando Territorial da Guarda da GNR procederam à detenção de três suspeitos da autoria da tentativa de homicídio e de roubo de um comerciante da localidade de Sabugueiro, no concelho de Seia. Um dos capturados apercebeu-se, já na situação de detido que foi bafejado pela sorte, sendo premiado com cinco mil euros no sorteio do euromilhões.

Preso algemadoAs detenções efectuaram-se em 22 de Janeiro, por militares do Destacamento de Gouveia, que lançaram uma operação depois de haver conhecimento da uma tentativa de um roubo perpetrado por três indivíduos. Montou-se de imediato um dispositivo que permitiu a captura num primeiro instante de dois dos suspeitos que se deslocavam num veículo e em seguida do terceiro suspeito que, entretanto, se havia escondido num anexo de uma habitação naquela localidade.
Posteriormente, apurou-se que um dos indivíduos, munido de uma faca, havia desferido vários golpes na face, pescoço, tórax e num dos membros superiores da vítima com intuito de se apoderar de uma determinada quantia em dinheiro.
Os suspeitos, com idades compreendidas entre os 25 e 58 anos e residentes em Oliveira do Hospital e Tábua, foram entregues à Policia Judiciária da Guarda, que os apresentou no Tribunal de Seia, cujo juiz os colocou em prisão preventiva.
O curioso é que um dos criminosos, foi bafejado pela sorte do jogo Euromilhões já na situação de detido. O homem, ex-empresário queijeiro, encontrava-se sob custódia policial à hora do sorteio, tendo-se apercebido que havia ganho o quarto prémio, no valor de mais de 5 mil euros. Resta-lhe aguardar julgamento em prisão preventiva e guardar para depois o festejo pelo prémio recebido no jogo.
No decurso da semana transacta a GNR da Guarda procedeu a um total de 16 detenções em flagrante delito, pela prática de vários crimes, nomeadamente de condução sob o efeito do álcool e sem habilitação legal, assim como por furto e por caça ilegal.
Foram também elaborados 367 autos de contra-ordenação por infracções à legislação rodoviária, à legislação da natureza e ambiente e à legislação policial.
No mesmo período registaram-se 20 acidentes de viação, dos quais: nove por colisão, oito por despiste e três por atropelamento. Dos mesmos resultaram nove feridos leves.
plb

O Pólo de Desenvolvimento Turístico da Serra da Estrela agrupa cada vez um maior número de municípios, que pretendem beneficiar do turismo que a serra mais alta de Portugal proporciona. Depois e Oliveira do Hospital, Penamacor e Mangualde, surge também agora o município de Tábua a manifestar interesse em deixar o Turismo Centro de Portugal para integrar o Turismo Serra da Estrela (TSE).

Jorge Patrão, líder do Pólo de Desenvolvimento Turístico da Serra da Estrela, sucedâneo da anterior Região de Turismo, tem razões para sorrir. O TSE é uma marca em expansão, atraindo cada vez mais visitantes e fazendo também crescer o interesse dos autarcas da região em integrarem esta estrutura recentemente formada.
O presidente da Câmara Municipal de Tábua, Engenheiro Ivo Portela, manifestou agora interesse em fazer com que o seu município saia do Turismo Centro de Portugal e passe a integrar o Turismo Serra da Estrela. O autarca considera que Tábua tem grandes ligações à Serra da Estrela, razão principal para a pretendida mudança. Ainda que por ora tal não passe de uma intenção, o certo é que Ivo Portela, que tem uma forte ligação afectiva ao concelho do Sabugal, disse gostar de estar onde possa tirar mais contrapartidas para o seu concelho, dando claramente a entender que a Serrada Estrela poderá ser a breve trecho a solução para tábua em termos de aposta turística.
Originalmente o Pólo de Desenvolvimento do Turismo Serra da Estrela, criado com a mudança na organização da regiões de turismo, surgida em 2008, era integrado pelos municípios de Fornos de Algodres, Gouveia e Seia (Serra da Estrela), Almeida, Celorico da Beira, Figueira de Castelo Rodrigo, Guarda, Manteigas, Mêda, Pinhel, Sabugal e Trancoso (Beira Interior Norte) e Belmonte, Covilhã e Fundão (Cova da Beira).
O Sabugal, que durante anos esteve afastado da Região de Turismo da Serra da Estrela, optou por integrar a nova estrutura de apoio ao turismo, logo que a reforma de 2008 foi aprovada.
plb

A fotografia que é, hoje, objecto de crónica refere-se ao pontão que existia no Rio Côa, no local onde se localiza, agora, a ponte nova que liga o Sabugal à estrada da Guarda, portanto do lado direito da ponte antiga.

Pontão do Sabugal

Joao Aristides DuarteA fotografia foi tirada em 1975, entre a Primavera e o Verão. A vegetação não deixa margens para dúvidas e pode ver-se que o Rio Côa está com pouco caudal.
Este pontão não era largo, embora seja natural que muitas pessoas o tenham atravessado para se deslocarem do Sabugal para as hortas existentes em redor.
Não tenho a certeza, mas existindo, no Sabugal, uma Rua dos Pontões, era mais que certo que a ligação entre as margens do Côa fosse feita em mais do que um pontão. Alguém me poderá ajudar? Quem sabe quais eram os pontões que ligavam as margens do Sabugal e onde se localizavam?
«Memória, Memórias…», opinião de João Aristides Duarte

akapunkrural@gmail.com

Registo com satisfação a representação da Câmara Municipal do Sabugal na BTL/2010. Relativamente ao turismo em espaço rural, a aderência à iniciativa da ADES, que congregou á sua volta as casas rurais do: Campanário, Lagariça, Calçada, Torga, Cerca, Villa, Pateo, Lapa do Viriato e Vilar Mayor, todas elas referenciadas nas minhas últimas crónicas, é de louvar e continuar.

José Morgado Carvalho - «Terras entre Côa e Raia»Além das casas rurais do vasto concelho do Sabugal, nos concelhos vizinhos da Beira Baixa, são de salientar as seguintes:
Passado de Pedra – No centro da vila de Caria (Belmonte) foi restaurada uma casa de campo, adaptada a hotel rural, em que combinaram materiais modernos com certos aspectos históricos. Apresenta um pequeno número de quartos duplos e um apartamento isolado, tendo cada unidade, casa de banho privativa e acolhedor mobiliário individual.
Das partes de utilização comum possui um Bar, jornais diários, terraço, baby-sitting, loja de recordações, Fax/Fotocopiadora, Multibanco e Internet gratuita.
Albergue do Bonjardim – Está situado em plena mancha florestal em Nesperal, perto da Sertã. È uma casa rural do século XVIII, inserida numa propriedade de 12 hectares (metade pinhal). È propriedade de um casal de agricultores holandeses, que há anos trocou o seu país por este recanto. O edifício principal tem dois amplos quartos e na antiga habitação dos caseiros mais dois aportamentos de dois quartos cada e uma sala comum com varanda, com vista sobre a propriedade.Dispõe de uma piscina coberta, sauna e banho turco.No lugar das antigas arrecadações foi instalada uma loja de recordações.
Casa da Figueira Grande – Está situada em plena Cova da Beira, a 7Kms da Covilhã, perto da capela de Nossa Senhora do Carmo. Faz parte de uma quinta adquirida em 1935, para exploração de pomares e vinha.Durante a 2ª Guerra Mundial, também se aproveitaram os filões de volfrâmio que se escondiam na terra para fazer algumas pequenas fortunas. A quinta foi abandonada e dividida pelos herdeiros, contendo agora árvores de fruto. O restauro da casa tentou preservar o piso térreo, tendo o primeiro piso sido construído de novo. O primeiro que era armazém de produtos e alfaias agrícolas, conservou as paredes de granito, onde se fez uma grande sala de refeições, uma sala de estar e uma sala de leitura. Nas traseiras fica um espaço ajardinado e relvado, campo de ténis, piscina e picadeiro.
Casa do Barreiro – Foi erguida sobre as ruínas de uma antiga casa de lavoura, inserida numa quinta de Alpedrinha. È uma casa solarenga com telhado ornado por três mansardas, apresentando janelas de guilhotina, com frontões em cantaria e no andar inferior as janelas têm rótulas, para proteger do calor estival. O interior é acolhedor com uma decoração dominada por mobiliário antigo e de estilo. Dispõe de cinco quartos.Para alem do pitoresco e dos motivos de interesse da própria Alpedrinha, a região envolvente oferece bons motivos de passeio.
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado

morgadio46@gmail.com

Quando entrei pela primeira vez na Faculdade de Letras de Lisboa, nos anos 60, ia acompanhado de um amigo que frequentava Direito, ali mesmo em frente. Ao ver tantas raparigas, exclamou: «Estou no meu ambiente! Vou mudar de curso.»

Adérito Tavares - Na Raia da MemóriaClaro que estava a brincar. Até porque não era preciso mudar de curso para ter acesso ao bar da Faculdade de Letras, sempre cheio da «malta» de Direito. Eles «refugiavam-se» ali porque a sua Faculdade era «um deserto»: só rapazes! Nessa altura, em Portugal, ainda se contavam quase pelos dedos as raparigas que frequentavam Direito, ou Medicina, ou Engenharia. Havia cursos que a sociedade «achava» mais «apropriados» às meninas: Letras, Enfermagem, Magistério Primário, e poucos mais. Em quarenta anos, quantas coisas mudaram: hoje, na Faculdade de Direito de Lisboa, o meu amigo sentir-se-ia como peixe na água: é que a situação inverteu-se e agora são muito mais as raparigas que os rapazes.
Vem isto a propósito de uma mulher de excepção, uma das primeiras a frequentar a Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa e a licenciar-se em Medicina: Carolina Beatriz Ângelo, que foi casada com o dr. Januário Barreto, casapiano ilustre, médico-cirurgião e desportista.
E vem também a propósito do início da construção, em Loures, do Hospital Carolina Beatriz Ângelo. A atribuição do nome desta pioneira da luta pelos direitos cívicos e políticos da mulher a uma unidade hospitalar constitui um acto de «justiça histórica».
Carolina Beatriz Ângelo nasceu em 1877, na cidade da Guarda. Frequentou o Liceu desta cidade, onde se revelou uma aluna brilhante. Matriculou-se depois na Escola Politécnica de Lisboa, de onde transitou para a Escola Médico-Cirúrgica. Aí viria a conhecer Januário Barreto, com o qual se casou no próprio ano da formatura, em 1902.
A Escola Médica de Lisboa foi a antecessora da Faculdade de Medicina, que apenas surgiria com a criação da Universidade, pela República. Na transição do século, era uma instituição prestigiada e dinâmica, onde leccionavam ou tinham leccionado grandes homens de ciência, como Sousa Martins, Câmara Pestana, Miguel Bombarda e Ricardo Jorge. Carolina Beatriz Ângelo e Januário Barreto tiveram ali como professores, entre outros, Ricardo Jorge, Alfredo da Costa, Miguel Bombarda e Curry Cabral. Num tempo ainda tão conservador em termos socioprofissionais, a jovem Carolina era, como se disse, uma das raras alunas de Medicina. Viria a ser, aliás, a primeira a especializar-se em cirurgia, em Portugal.
Carolina Beatriz ÂngeloJanuário Gonçalves Barreto Duarte, com quem Carolina Beatriz Ângelo casou, era também originário das terras difíceis e pedregosas da Beira: nasceu na Aldeia do Souto (Covilhã), precisamente no mesmo ano da futura mulher, 1877. Tendo ficado órfão com apenas 9 anos, foi acolhido na Real Casa Pia de Lisboa em 30 de Junho de 1886. Aqui se tornaria um aluno excepcional, na dupla vertente escolar e desportiva. Pioneiro do futebol na Casa Pia (e o mesmo é dizer no País), enquanto prosseguia os estudos na Escola Médica, como bolseiro, Januário Barreto funda e anima um Grupo Escolar de Futebol, de que fazem parte, entre outros, os artistas casapianos António do Couto, Pedro Guedes e Francisco dos Santos. Encontraremos também Januário Barreto como fundador e dinamizador do Sport Lisboa, agremiação desportiva que constitui uma das raízes do actual Sport Lisboa e Benfica. O seu perfil de médico-desportista, revela-nos um homem consciente de que a saúde se garante através do exercício físico e da prática do desporto. Aliás, Januário Barreto interpretava e praticava aquilo que aprendera na Casa Pia, cuja tradição no domínio desportivo ganhara raízes desde muito cedo. Já no final do sua curta mas prolífera vida, o dr. Januário Barreto seria um dos fundadores da primeira Liga Portuguesa de Futebol, da qual foi presidente. Morreu em 1910, com apenas 33 anos de idade.
O casamento de Januário Barreto e Carolina Beatriz Ângelo durou uns escassos 8 anos. Carolina, aliás, pouco tempo sobreviveu ao marido: viria a morrer um ano depois, em 1911, com 34 anos. Mas, como disse Leonardo da Vinci, «uma vida bem preenchida torna-se longa». E a vida de uma mulher progressista e inconformista como Carolina Beatriz Ângelo não se esgotou na família e na profissão: desde os tempos de estudante que militava activamente no movimento feminista e sufragista, defendendo com persistência e lucidez os direitos cívicos e políticos da mulher portuguesa. Com Ana de Castro Osório e outras sufragistas funda a Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, da qual seria vice-presidente. Foi também activista e presidente da Associação Feminista Portuguesa. A uma e outra destas associações cívicas defensoras da emancipação da mulher dedicou muito do seu tempo e do seu trabalho.
Carolina Beatriz Ângelo ficou na história dos movimentos cívicos portugueses como a primeira mulher a exercer o direito de voto, em Portugal. Na verdade, quando se realizaram as eleições para a Assembleia Constituinte Republicana, em Maio de 1911, a ilustre e dinâmica médica feminista requereu a um tribunal o direito de votar. Existindo na altura um certo vazio legal, devido à mudança de regime e ao clima revolucionário, o juiz João Baptista de Castro, pai de Ana de Castro Osório, despachou favoravelmente o recurso e Carolina votou. Infelizmente, a nova Constituição não consagraria esse acto pioneiro e o voto da dr.ª Carolina Beatriz Ângelo seria ainda, por muito tempo, uma excepção. Apenas em 1931 viria a ser concedido o direito de voto a algumas mulheres portuguesas, aquelas que possuíssem cursos superiores ou secundários. E, como sabemos, durante os 43 anos de ditadura que se seguiram, de pouco lhes serviu esse direito.
A coragem, a inteligência e o espírito cívico da médica-cirurgiã Carolina Beatriz Ângelo justificam plenamente a homenagem que agora se lhe presta. Há homens e mulheres que têm muito mais de Quixotes que de Sanchos. Homens e mulheres que sonham acordados e vêem um mundo transformado pelo seu esforço individual, pelo seu sacrifício, pela sua luta incansável e persistente, face aos acomodados e aos indiferentes. Sonham acordados um mundo novo, saído do seu combate contra os moínhos de vento da desigualdade e da injustiça. Carolina Beatriz Ângelo foi um desses seres humanos. Generosa e altruista, bem poderia ter dito, como disse mais tarde Martin Luther King: «I have a dream…». O sonho de Carolina era o de uma sociedade sem discriminação, em que as pessoas se distinguissem pela nobreza de espírito, pelo saber e pelo trabalho, e não pelo berço, pelo sexo, ou pela cor da pele. O sonho de Carolina é hoje (quase!) a nossa realidade. Quase!
«Na Raia da Memória», opinião de Adérito Tavares

ad.tavares@netcabo.pt

Jorge MartinsAS SENTENÇAS INQUISITORIAIS – A apreciação das sentenças proferidas pelos tribunais da Inquisição pode ajudar-nos a traçar o panorama da acção do Santo Ofício no concelho do Sabugal.

Recordem-se, no entanto, duas contingências com que confrontavam os réus nesta matéria:
1) o advogado de defesa era escolhido pela própria Inquisição e, em consequência, era mais um denunciante dos indefesos réus;
2) o confisco dos bens dos réus era uma fonte de rendimento fundamental para aquele tribunal, pelo que importaria menos que as penas aplicadas fossem muito violentas, do que a apropriação de bens.

SENTENÇAS
SENTENÇAS H M AJ OA TOTAIS
Absolvição 1 1 1
Admoestação 1 1 1 1 2
Cárcere e Hábito 14 26 40 40
Degredo 9 3 6 9
Falecimentos no cárcere 6 6

6
Falecimentos no hospital 1 1 1
Penitências espirituais 4 3 7 7
Perdão Geral 1 1 1
Proibição de Ordens 1 1 1
Reconciliados 1 1 1
Relaxados 1 1 2 2
Residência Fixa 1 1 1
Segredo 2 1 1 2
Soltura 17 15 25 7 32
Sentença Desconhecida 19 19 29 9 38

No actual estado de investigação não estamos em condições de analisar as sentenças de cerca de um quarto dos processos (38). Para os restantes três quartos de processos, sabemos que há um elevado número (40) de condenações ao cárcere e hábito, as mais das vezes perpétuo, seguido de perto pela sentença de soltura (32). Libertar muitos réus sem condenação a uma pena grave, que poderia ser a de simbólicas penitências espirituais, não se configura muito relevante, porque, entretanto, os seus bens haviam sido confiscados no momento da prisão e, por norma, já não seriam devolvidos, independentemente da sentença proferida.
Mesmo assim, ainda se verifica um número significativo de degredados, as mais das vezes para as inóspitas condições das colónias. Também se registaram 7 falecimentos (6 no cárcere e 1 no hospital) no decorrer dos processos. Isto deve-se, seguramente, às violentíssimas torturas de a que os presos eram sujeitos. Sabe-se que, durante a tortura, havia um médico a observar os réus, não para os proteger da violência e os tratar, mas para que não morressem em plena tortura, mas para que pudessem continuar a ser torturados.
A sentença mais grave era a de relaxados, que condenava os réus a morrer nas fogueiras, ateadas em locais públicos ventosos, atados a um poste alto, para que fossem lentamente consumidos pelas chamas. Geralmente, era perguntado aos condenados à fogueira, já atados ao poste, se preferiam morrer na fé judaica (ou outra não cristã) ou se convertiam, à hora da morte, ao cristianismo. Os que escolhiam a conversão eram garrotados (enforcados) primeiro e queimados depois. Os que não conseguiam abandonar o judaísmo, mesmo nesse terrível momento em que sabiam que iam morrer, eram queimados vivos, sofrendo durante horas, pois os órgãos vitais não eram logo atingidos, perante a população ululante.
Se agruparmos as sentenças em três níveis de dureza, verificamos as penas mais duras são em menor quantidade (18) e as mais leves em maior quantidade (48), ficando as restantes num nível intermédio (40). Para o nível mais duro, juntámos o degredo, o falecimento no hospital ou no cárcere e a sentença de relaxado. Para o nível intermédio, considerámos apenas o cárcere e hábito, que era muito usual nas sentenças, sendo muitas vezes considerado perpétuo e noutras reduzidas a um pequeno período. As restantes sentenças foram consideradas penas leves.
«Na Rota dos Judeus do Sabugal», opinião de Jorge Martins

martinscjorge@gmail.com

Terminou ontem o Ciclo Manuel António Pina, promovido pelo Município da Guarda em homenagem a um dos maiores poetas portugueses da actualidade. Associando-nos à consagração do escritor publicamos dois pequenos textos autobiográficos de Manuel António Pina, onde fala no Sabugal, sua terra de nascimento.

«Uma vida de aventuras
O meu nome é Manuel António Pina. Nasci numa terra com um grande castelo, nas margens de um rio onde, no Verão, passeávamos de barco e nadávamos nus. Chama-se Sabugal e fica na Beira Alta, perto da fronteira com Espanha. Quando era pequeno, olhava para o mapa e pensava que, por um centímetro, tinha nascido em Espanha.
Mais tarde descobri que as fronteiras são linhas inventadas que só existem nos mapas. E que o Mundo é só um e não tem linhas a separar uns países dos outros a não ser dentro da cabeça das pessoas.
A verdade é que, por causa da profissão de meu pai, vivi (depois de ter nascido, antes não me lembro…) em muitas diferentes terras e, por isso, não tenho só uma terra, tenho muitas. Uma delas é o Porto, onde vivi mais tempo do que em qualquer outra, onde nasceram as minhas filhas e onde provavelmente morrerei um dia.
Como fui durante muitos anos jornalista, mais de trinta, viajei um pouco por todo o Mundo, da América ao Japão, da China ao Brasil, da África ao Alaska. E como sou escritor tenho viajado também por dentro de mim mesmo. E por dentro das palavras. Assim, apesar de ter nascido numa terra com um grande castelo, nas margens de um pequeno rio, não pertenço a lugar nenhum, ou pertenço a muitos lugares ao mesmo tempo. Alguns desses lugares só existem na minha imaginação. Porque a imaginação, descobri-o também, é o modo mais fantástico que há de viajar.»

«Nove livros mais um
Em casa de meus pais não havia livros. Ou melhor, havia apenas um ou outro (dois, acho eu) de literatura cor-de-rosa, ou lá que cor é, de Delly, uma Vida sexual de Egas Moniz, um estudo, julgo que (mas não tenho a certeza) também de Egas Moniz sobre Júlio Dinis, uma monografia do Sabugal e mais um ou outro de que já não me lembro, além da Estilística da Língua Portuguesa , de Rodrigues Lapa, que era conhecido de meu pai e lha dedicara e oferecera. Uns mais tarde outros mais cedo, li-os todos, claro, e com particular emoção a Vida Sexual e a Estilística , que ainda devo ter algures por aí, juntamente com a monografia do Sabugal»
plb

Na sequência do artigo sobre D. Filipe I, do nosso ilustre colaborador Adérito Tavares, talvez valha a pena desenvolver um pouco mais o tema das representações sociais que entre portugueses e espanhóis fazemos reciprocamente. Longe de esgotar o tema neste modesto artigo, acho interessante que o «Capeia», constituído por gente da raia, habituada ao convívio da fronteira, se expressasse sobre o olhar recíproco entre uns e outros.

Batalha de Aljubarrota

António Cabanas - «Terras do Lince»O que pensamos sobre os outros povos, e em concreto sobre os nossos vizinhos, são por vezes ideias preconcebidas, representações sociais estereotipadas, geralmente erróneas, que o convívio da história ajudou a construir e é de esperar que a forma como os outros nos vêm sofra de idênticos defeitos. É também natural que a opinião dos raianos seja um pouco diferente da opinião da restante população, afinal foram os raianos os que mais sofreram com a dureza das guerras e, em consequência, se viram na obrigação de esquecer ofensas passadas. De forma genérica, depois de séculos e séculos de litígios, é natural que os países vizinhos se vejam reciprocamente com alguma desconfiança. Desconfiança que o recente período de paz e de união europeia não apagou totalmente e que parece ser mais acentuada do nosso lado.
Defensor da independência nacional até ao tutano, gosto dos espanhóis (e das espanholas), da sua cultura, do seu património histórico, das suas belezas naturais, da sua moderada pontualidade e até mesmo da sua gastronomia.
Lidando há muito com projectos de cooperação transfronteiriça, surpreendeu-me há tempos um técnico da Diputación de Cáceres que, a meio de um almoço com outros cacerenhos, defendia que os seus compatriotas eram mais inteligentes que os portugueses. Ainda não tinha chegado a crise económica mundial, a Espanha vivia eufórica, na bolha de crescimento económico, enquanto em Portugal, derrapavam as contas públicas e o sentimento geral traduzia-se no famigerado discurso da tanga.
Aquilo da inteligência espanhola provocou-me azia, recordei ao meu interlocutor que o seu país vivera tempos de miséria em pleno século XX, e, pressentindo-lhe alguma ignorância já me preparava para puxar dos galões da nossa História mais antiga, onde me sentia à vontade. Dei-me então conta que teria de inverter a estratégia, e até ser magnânimo e defender o infeliz, já que os outros espanhóis presentes, caíram-lhe em cima como cães a bofe, desmontando a fanfarronice do patrício e enaltecendo Portugal como se ele fosse o melhor país do mundo. Estava resolvido o diferendo!
Isto de ter opinião sobre os outros povos nem é coisa só de vizinhos. Leia-se, a propósito o que escreveu o economista alemão Friedrich List, em 1841, sobre os povos ibéricos, por oposição aos ingleses: Enquanto os ingleses se esforçavam, durante séculos, por erguer o edifício do seu bem-estar nacional sobre bases sólidas, os espanhóis e os portugueses, através das suas descobertas, conseguiram uma sorte rápida, atingindo grande riqueza em pouco tempo. Mas era a riqueza de um esbanjador que ganhou a sorte grande. Na opinião do alemão, seríamos assim, hispanos e lusos, uma espécie de jogadores da lerpa, chapa ganha, chapa batida! Mas este discurso germânico, além do desdém que demonstra em relação aos povos ibéricos, também esconde uma certa inveja do sucesso inglês. Por contraponto, «nós» aceitamos de bom grado o que vem dos germânicos e quase sempre desconfiamos dos nossos vizinhos, sobretudo quando se trate de investimentos.
Gravado no nosso subconsciente, há ainda uma espécie de estigma dos filipes. Pela minha parte, nunca vi razão para qualquer sentimento de inferioridade a não ser no tamanho: Portugal, um ovo, França uma eira e Espanha uma joeira! Mas não nas proezas épicas e muito menos na guerra. Afinal Filipe I, de sangue lusitano, entrou em Portugal porque a nossa nobreza o aceitou sem luta – na batalha de Alcântara, as tropas de D. António eram constituídas por um punhado anárquico e desorganizado de prisioneiros! Já durante a restauração, a colossal Espanha levou tareia em toda a linha, David bateu Golias, quando se esperava que face ao tamanho, a joeira esmagasse o ovo. Poderíamos falar de outras batalhas, como Aljubarrota, ou comparar o nosso desempenho perante inimigos comuns. O saldo foi-nos francamente favorável, caso contrário, seríamos hoje espanhóis. Por isso, é no mínimo absurda a perspectiva que os militares espanhóis tem de «nós». Segundo os estudiosos dos temas militares aprende-se na historiografia militar espanhola que os portugueses são cobardes. O próprio Franco, Generalíssimo, ao ser confrontado com a possibilidade de haver, em 1975, uma guerra civil em Portugal, terá confessado, no seu leito de morte, que não acreditava nessa hipótese porque conhecia a suposta cobardia dos portugueses. Esta abordagem é restrita aos meios militares, não a comungam o resto dos espanhóis e foi sendo construída nos relatos de batalhas entre os dois povos, sempre demasiado pintados com a cor da sua bandeira nacional. Em matéria de cobardia pedimos meças, podemos contrapor a chacina dos povos ameríndios indefesos, praticada por espanhóis, com a resistência portuguesa a exércitos armados por russos e americanos, aliás, fomos mesmo mais resistente potência colonizadora europeia (para o bem e para o mal).
Há sempre alguns dos nossos que logo dizem que o Tratado de Tordesilhas deu aos espanhóis o ouro e a prata e a «nós» as mulatas e a caipirinha! Há ainda os engulhos mal resolvidos, como Olivença e as cócegas que nos causa o facto dos espanhóis não fazerem o mínimo esforço para falarem a nossa língua, enquanto «nós» nascemos a falar espanhol. Mas isso até dá jeito, pois permite, nas negociações, fazer apartes que «eles» não entendem, coisa que «eles» não podem fazer na nossa frente.
O romance «O Mar de Madrid», do açoriano João de Melo traz à liça a característica ruidosa dos espanhóis: não só falam alto como parece gostarem de se ouvir, deliciando-se com a sua própria língua. Vistos pela espanhola do romance, «nós», pelo contrário, surgimos, de olhar distante, silenciosos, quase ciciando quando conversamos. Uma espécie de acanhamento que se liberta depois de bebermos uns copos, acrescento eu!
A maioria de «nós» considera cinismo a referência que «eles» fazem aos lusos como «nuestros hermanos», que por vezes também usamos mas só na língua deles. Nossos irmãos, «nós» dizemos dos brasileiros, aplicado aos espanhóis, não nos soa bem! No entanto, creio que «eles» o fazem com sinceridade, que se acham mesmo «nuestros hermano», coisa impensável com os seus vizinhos franceses.
A pulverizada identidade espanhola, em que um indivíduo se sentirá primeiro basco ou galego e só depois espanhol, faz com que os espanhóis, que afinal são bascos, galegos ou andaluzes, nos olhem de forma diferente, como o basco olha para o galego ou o galego olha para o andaluz. Para «eles» somos portugueses, como «eles» são bascos, galegos ou andaluzes.
Pelo contrário «nós» temos uma espécie de hiper-identidade ou dupla identidade como diz o grande pensador Eduardo Lourenço, também ele de Riba Côa. Sentimos a necessidade constante de afirmar essa identidade e sobretudo perante os espanhóis, como o fez Manuela Ferreira Leite, lembrando a Sócrates que Portugal não é uma região de Espanha, não fosse ele ou Zapatero esquecerem-se. Por outro lado sentimo-nos pequenos perante a Europa e perante a Espanha (embora aqui só no tamanho), mas sentimo-nos grandes e imperialistas perante o mundo (dupla identidade).
Ainda a propósito de tamanho, não pude deixar de sorrir com a leitura de um artigo onde se garante que a Durex, empresa que comercializa preservativos, os vende em Portugal com 1 cm em média mais compridos que em Espanha o que deita por terra a elevada auto-estima do macho latino espanhol! Como o artigo foi escrito por uma portuguesa a viver em Madrid, não poderemos duvidar!
«Terras do Lince», opinião de António Cabanas

kabanasa@sapo.pt

Republicano de primeira água e dirigente partidário empenhado nas lutas políticas do seu tempo, Manuel Brito Camacho chegaria, com a implantação da República, a ministro do fomento e alto-comissário em Moçambique. Também se notabilizou como tribuno, sendo considerado um dos mais exímios oradores da Câmara dos Deputados.

Mas este médico e militar de profissão ficaria sobretudo conhecido como jornalista, publicista e escritor. Algumas das suas obras literárias tiveram assinalável êxito, onde se destacam as narrativas e as reflexões políticas. Brito Camacho é porém hoje um escritor esquecido, impiedosamente cilindrado pelo tempo, sendo importante redescobrir a sua notável obra.
O seu livro «Gente Rústica» reúne um conjunto de memórias e de contos, cujo epicentro é o Alentejo, sua amada província de nascimento. O enquadramento é a planura pejada de searas e de sobreiros, onde se dá conta das formas de vida de antigamente, do tempo da infância e juventude do autor. É uma eloquente sucessão de textos que narram a vida do campo, falando nos defeitos e virtudes das pessoas que ali enfrentavam as rudezas de uma existência difícil. A cada página surge a descrição dos variados trabalhos campestres, as formas de divertimento do povo, as tradições, as festas e as romarias.
O livro é também autobiográfico, dando testemunho das experiências de vida do autor, que recorda com enlevo pessoas, imagens e acontecimentos que marcaram a sua juventude. No capítulo com a epígrafe «O Romana», aborda a vida de um criado do seu pai, que adorava andar no trato dos animais, desprezando tudo o mais que lhe surgisse pela frente. Descreve também a festa de S. Romão, em Rio de Moinhos, terra natal do autor, realizada anualmente no campo. Para além do serviço religioso, a romaria incluía arraial, feira de estalo, merenda e uma noite passada ao relento.
Assim descreve Brito Camacho o bródio campestre que a festa proporcionava:
«Estendem-se as toalhas no chão, muito brancas, e cada qual serve-se como pode, um garfo para três e um copo para todos. Na improvisada mesa dos lavradores há geralmente borrego, galinha ou peru e a todos se oferece de comer, umas vezes por mera delicadeza – é servido? –, outras vezes com a insistência de quem deseja que o oferecimento seja aceite.
– Chegue-se para cá, senhor Fulano, e coma alguma coisa. O que há está à vista. É pouco mas é oferecido de boa vontade. Isto em festas…
Poucos comem, mas quase todos bebem, e é de rigor a saúde:
– Pois lá vai pela saúde do sr. Fulano e da mais família.
Melancias vermelhas destacam-se nas toalhas brancas partidas com mestria, por forma que o coração, formando castelo, se ergue no meio das talhadas como uma fortaleza de ameias.
À melancia é que ninguém resiste.
– Isto não enche a barriga. Olhe que é muito boa. Derrete-se na boca como um torrão de açúcar.»
Brito Camacho, escritor hoje arredado dos escaparates e esquecido na história literária, bem merece ser revisitado. Homem de escrita simples e escorreita, pouco afeito a estilos elaborados, descreve genuinamente a vida antiga, reflecte sobre as tradições populares, põe a nu os encantos das paisagens campestres e opina abertamente sobre questões de política e religião.
«Sabores Literários», crónica de Paulo Leitão Batista

leitaobatista@gmail.com

«Imagem da Semana» do Capeia Arraiana. Envie-nos a sua escolha para a caixa de correio electrónico: capeiaarraiana@gmail.com


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Data: 21 de Janeiro de 2010.

Local: Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço (Guarda).

Autoria: Lucília Monteiro (JL/Visão).

Legenda: Ciclo Manuel António Pina na Guarda.
jcl

O bom político tem interesse em que a sua mensagem chegue ao maior número possível de cidadãos. O mau político não está interessado na mensagem, apenas pretende impor a sua vontade, tentando esmagar a vontade dos cidadãos. Assim temos os bons políticos e os maus políticos e o amor e o ódio pelos media.

Kim Tomé (Tutatux)O bom político governa em prol dos cidadãos, protegendo e valorizando o património cultural do seu povo.
O bom político convencido de que as soluções que pretende implementar, são as mais válidas tenta comunicá-las usando para isso todos os meios ao seu alcance, buscando obter apoios e colocando a debate a solução que apresenta. Assim, pode auscultar as opiniões que a sua abertura ao diálogo promove. Resulta daí que o Bom político encontra soluções de consenso que serão mais justas e adequadas.
O bom político colabora com os meios de comunicação pois sabe que estes são seus parceiros privilegiados para informar, ele sabe que ao informar os média das soluções que pretende implementar estes farão chegar a sua mensagem ao destino, contribuindo assim para convencer os cidadãos das suas melhores ideias.
O mau político governa em prol de si próprio e dos seus compinchas, pouco lhe interessando o património cultural do seu povo.
O mau político sabe que as medidas que pretende implementar são contra os interesses dos cidadãos, por isso tenta esconde-las ou adulterar a verdade usando para isso todos os meios ao seu alcance, tentando calar as vozes dissonantes. Resulta daí que o Mau político aplica soluções inadequadas e provocadoras de discórdia e injustiças que apenas são caladas muitas vezes à custa de perseguições e intimidações.
O mau politico boicota os meios de comunicação independentes e utiliza os meios de comunicação por si controlados para ocultar a verdade aos cidadãos, divulgando noticias que tem em vista enganar os cidadãos ocultando a verdade, promovendo e protegendo os seus lacaios mesmo que não haja mérito pois são eles que lhes dão suporte.
Partindo deste raciocínio, será que pelo modo como um político se relaciona com os média, podemos perceber quais são os bons e os maus políticos?
«O Bardo», opinião de Kim Tomé

kimtome@gmail.com

Quando a 12 de Janeiro se soube da notícia do sismo e da tragédia que assolou o Haiti ondas de solidariedade varreram o mundo. Do Haiti e da sua história sei muito pouco, por isso procurei saber um pouco mais desse país e partilhar com os leitores.

José Manuel Monteiro - «Largo de Alcanizes»Sabia que divide com a República Dominicana uma das ilhas das Caraíbas. Que após a abolição da escravatura e seu primeiro governador-geral foi um ex-escravo, descobri agora que se chamava Toussaint Louverture.
Fiquei a saber porque a língua oficial da República Dominicana é o espanhol e no Haiti o francês – Foi cedida pela Espanha à França em 1697. Descobri que o Haiti só vem a declarar a independência em 1804 e que fica sujeito a um bloqueio comercial durante 60 anos, imposto pelos estados europeus esclavagistas, para desincentivar a revolta de outros escravos na região. Simon Bolivar em 1815 refugia-se no Haiti, após uma revolta fracassada contra os espanhóis. Depois já na segunda metade do século XX associa-se o Haiti ao carnificina François Duvalier (Papa Doc) e ao seu filho Jean-Claude Duvalier.
Já no inicio dos anos 90 lembro-me das eleições serem ganhas por um padre de esquerda Jean-Bertrand Aristide, deposto pouco tempo depois por um golpe de Estado.
HaitiLembro as tentativas dos Estados Unidos da América e das forças das Nações Unidas para repor o presidente Aristide e do seu regresso ao poder, das eleições posteriores e da sua fuga para a África do Sul. Descobri que desde a sua independência tem sido um constante por e depor de Presidentes. Sei que actualmente uma força das Nações Unidas está no território a assegurar a paz e a ordem a uma população estimada de 8,1 milhões de habitantes (só soube a população na procura que fiz).
Procurei alguns indicadores de natureza social que possam caracterizar o país e comparei-os com Cuba (país vizinho) e Portugal, como país em que os números nos trazem associados uma realidade por nós conhecida.
O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), como indicador comparativo entre os vários países que mede o bem-estar da população englobando três dimensões – Educação, riqueza e esperança média de vida. Este é um indicador utilizado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Para além do IDH, a taxa de mortalidade infantil, a taxa de analfabetismo, a esperança de vida e o rendimento por habitante. Os dados são estes:

  HAITI CUBA PORTUGAL
Taxa de Analfabetismo 45,2% 0,2% 5,1%
Esperança de Vida (anos) 60,9 78,3 78,1
Índice Desenvolvimento Humano (IDH) 0,532 0,863 0,909
Taxa de Mortalidade Infantil
(mil por nascimento)
48,8 5,1 5
PIB per capita $ USA 1291 4500 23073

Estes números retratam a situação do Haiti antes do sismo deste mês. Diga-se que é uma realidade muito pouco animadora. Quase metade da população é analfabeta, a esperança de vida é baixa e a taxa de mortalidade infantil bastante elevada. O índice de desigualdade social é igualmente bastante elevado. E estes indicadores apresentam estes valores porque a riqueza esta mal dividida, o acesso à saúde é muito limitado e a existência de infra-estruturas. De acordo com os repórteres a falta de água e electricidade era já uma constante da vida da grande maioria dos habitantes do Haiti. Os números, estes e outros são justificativos para se afirmar ser o Haiti o país mais pobre da América.
Agora, que factores naturais provocaram a tragédia e voltaram a chamar as atenções para o Haiti, importa que a comunidade internacional una esforços para que, para além da reconstrução dos edifícios destruídos sejam criadas condições de alteração dos indicadores referidos. E que os donativos de toda a comunidade internacional permitam:
Educação para todos, acesso aos cuidados de saúde universal, emprego digno para homens e mulheres, distribuição equitativa da riqueza, acesso e valorização da cultura local.
No fundo que sejam criados os alicerces de uma sociedade democrática e desenvolvida: democracia política, democracia económica e democracia social.
«Largo de Alcanizes», opinião de José Manuel Monteiro

jose.m.monteiro@netcabo.pt

Depois de vencer o Globo de Ouro para Melhor Filme Estrangeiro, «O Laço Branco» de Michael Haneke prepara-se para ser um dos candidatos a Óscar da mesma categoria. O realizador austríaco assina mais um filme que nos deixa desconfortável.

Pedro Miguel Fernandes - Série BVencedor da Palma de Ouro na última edição do Festival de Cannes, «O Laço Branco» é uma história onde o medo, a moral e a inocência andam lado a lado. A acção tem lugar numa aldeia no norte da Alemanha no período anterior à I Guerra Mundial, um conflito que marcou bastante a História da Europa e segundo vários historiadores o início do século XX, quando misteriosos acontecimentos começam a ocorrer.
É neste clima de pré-conflito que Michael Haneke conta a história de «O Laço Branco» através de um narrador que esteve presente mas não era originário da aldeia. É o Professor (todas as personagens adultas de «O Laço Branco» são designadas pela sua profissão: o professor, o doutor, a parteira, etc.) que relata os misteriosos acontecimentos que começam quando o Doutor tem um acidente.
Das Weisse BandEste caso é o ponto de partida para uma série de ocorrências que permanecem inexplicáveis, pois nem o narrador consegue descobrir para contar, nem os restantes personagens querem admitir o que se passa.
E as suspeitas caem em todos: tanto as crianças com os seus comportamentos inocentes como os adultos com pecados escondidos. E a juntar a isto surge a moral imposta pelos adultos, muitas vezes sem razão. Um dos exemplos é o laço branco do título, que é colocado na roupa de duas das crianças, para que eles se lembrem da inocência.
E é assim que Michael Haneke realiza um grande filme, com uma bela fotografia a preto e branco e sem banda sonora. O próprio realizador já admitiu numa entrevista recente que optou por não utilizar banda sonora para tornar o filme mais próximo da realidade e passou na prova.
No fundo o austríaco conseguiu fazer um filme que nos deixa desconfortáveis e com muito que pensar, não só no que diz respeito ao comportamento das personagens, mas também quanto ao próprio contexto histórico da acção. Esta é precisamente uma das mais valias de «O Laço Branco».
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

pedrompfernandes@sapo.pt

A localização do Concelho do Sabugal deve ser entendida não como factor negativo, mas como um dos pilares de uma estratégia de desenvolvimento sustentada.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Numa recente visita aos Fóios a convite do José Manuel, seu Presidente de Junta, permitiram-me tomar contacto com um gigantesco mapa que se destaca na parede da recepção do Centro Cívico.
O mapa que reproduzo em anexo é em si mesmo de tal modo elucidativo que quase dispensava quaisquer comentários. No entanto não quero deixar passar esta oportunidade para, mais uma vez repetir aquilo que venho defendendo há muito tempo.

Em crónica escrita há perto de um ano, dizia então, e cito:
«(…) um modelo de regionalização que sirva os interesses do Concelho do Sabugal, não pode deixar de comportar os seguintes aspectos essenciais:
1 – Integração nas estratégias de desenvolvimento do Eixo Urbano Guarda-Castelo Branco;
2 – Aprofundamento das relações com os Concelhos de Belmonte e de Penamacor;
3 – Aprofundamento da relação com os Municípios da raia espanhola;
4 – Aposta decisiva na construção de um modelo de desenvolvimento regional que englobe os eixos urbanos Guarda-Castelo Branco e Salamanca-Plasência-Cáceres.»

E o mapa a que me refiro, permite ter um olhar diferente para o posicionamento do nosso Concelho, já não enquanto um território isolado e em situação desfavorável face às dinâmicas regionais da Guarda, Covilhã, Fundão e Castelo Branco, mas enquanto parte integrante de uma realidade transfronteiriça que, em torno do complexo montanhoso Malcata/Gata, agrega quatro Unidades Territoriais – Sabugal e Penamacor em Portugal e Alto Águeda e Sierra de Gata em Espanha.
Percebe-se pela leitura deste Mapa, como podem ser estreitas as relações inter-fronteiriças: Batocas – La Almedilla; Aldeia da Ponte – La Albergueria de Argañan; Lajeosa – Navas Frias – Casillas de Flores; Aldeia do Bispo – Navas Frias;e Fóios – Navas Frias.
Mas percebe-se também como seria importante aprofundar as ligações das freguesias de Santo Estêvão, Casteleiro e Moita com o Meimão, o Vale da Senhora da Póvoa e a Meimoa, no Concelho de Penamacor, quer pela gestão comum da Reserva Natural da Serra da Malcata, quer do sistema de aproveitamento hídrico das águas do Côa.
Todos sabem que não sou dos que pensam que o desenvolvimento vai vir de Lisboa como os bebés vinham de Paris numa cegonha…
As realidades socioeconómicas deste conjunto de municípios são muito semelhantes e os problemas e desafios com que se defrontam muito idênticos.
Isolados pouco poderemos fazer. Em conjunto, estabelecendo estratégias de afirmação regional comuns, somos mais fortes.
A riqueza natural das Serras da Malcata e da Gata; o património histórico edificado; o património cultural; a gastronomia e o artesanato; os usos e costumes; a centralização relativa face aos principais núcleos urbanos da Região – Castelo Branco – Fundão – Covilhã – Guarda e Salamanca – Ciudad Rodrigo- Cáceres, eis outras tantas oportunidades de desenvolvimento.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

O concelho da Mêda mostrou-se este ano, perla primeira vez na Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL) que decorreu de 13 a 17 de Janeiro, na Feira Internacional de Lisboa (FIL), numa iniciativa promovida pela Câmara Municipal, inserida no espaço dedicado ao Pólo Turismo Serra da Estrela, a que pertence.

Jorge Patrão e Armando CarneiroO presidente do Município, Armando Carneiro, que desde o inicio do certame acompanhou a iniciativa, considerou que «este foi um local que permitiu ao concelho da Mêda mostrar-se aos portugueses e estrangeiros, aos empresários e operadores turísticos, as potencialidades económicas, patrimoniais e turísticas de um concelho que, sendo do interior, tem vontade de afirmar-se e desenvolver-se».
O espaço dedicado ao concelho da Mêda foi visitado por elevado número de visitantes da BTL que tiveram ocasião de degustar alguns produtos desta terra, onde os vinhos, sobretudo, foram atractivo e referência.
O presidente da Câmara Municipal, Armando Carneiro, foi o anfitrião desta iniciativa a que se associaram produtores-engarrafadores da Mêda, José Rocha (vinho «Aravos») e José Cardoso (vinho «Quinta dos Romanos»). É de assinalar que o «vinho generoso ou fino» da Mêda foi um dos produtos que acolheu os visitantes neste espaço partilhado com as autarquias da Guarda, Seia e Trancoso.
«Foi em ambiente de festa que os presidentes de Juntas de Freguesia, vereadores e outras entidades do concelho de Mêda visitaram o stand numa iniciativa patrocinada pelo Município que conferiu uma vontade de querer e afirma a Mêda e seu concelho como referência quer no pólo de Turismo Serra da Estrela quer no contexto do turismo nacional e internacional», referiu ainda o presidente Armando Carneiro.
aps (com «Mêda em Movimento»)

JOAQUIM SAPINHO

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