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Se há coisa que está nos «genes» do português, que nenhum ultimato, ocupação, PEC, acordo ou pacto, impostos pelo Exterior, lhe tiram, é o seu eterno espírito de humor, que mesmo em situações de crises profundas, deriva, quando muito em humor negro.

Manuel Pinho

José Morgado Carvalho - «Terras entre Côa e Raia»Desde o «bardamerda» com que o Almirante Sem Medo brindou o cerco à Assembleia da Republica no Verão Quente de 1975, que pessoas com altas funções utilizam o vernáculo, à falta de argumentos mais nobres.
Os exemplos são muitos e os jornalistas não se coíbem de os publicitar e florear desde o feliz desaparecimento do «lápis azul».
A propósito deste ultimo incidente, relembram-se os seguintes mimos:
«– Olhe (Jerónimo de Sousa) vá à merda! Idiota! Mandrião! Vá trabalhar, que é aquilo que nunca fez na vida!» (Francisco de Sousa Tavares, no Parlamento em 1980).
«Sendo pai de um só rebento/ lógica é a conclusão/ de que o viril instrumento/ só usou parca ração-uma vez. E se a função faz o órgão/ consumada essa excepção/ ficou capado o morgado» (Natália Correia, ao deputado João Morgado do CDS em Abril de 1982).
«Mas julgo que nesse domínio, não fiz mais que cumprir o Regimento, cujo artigo 69… curioso número! (…) Com toda a franqueza, não sei do que é que se estão a rir, não sei se é preciso, mandar evacuar o hemiciclo.» (Mota Amaral em Julho de 2002).
«V.ª Ex.ª é uma pessoa honesta e vai esclarecer já a insinuação ou V.ª Ex.ª não passa de um vulgar canalha.» (Jaime Gama para Guilherme Silva, no parlamento).
«Manso é a tua tia, pá» (José Sócrates para Francisco Louça, em debate parlamentar).
«Esses espíritos que se auto-masturbam (referindo-se à oposição). Há aqui uns bastardos da comunicação social do continente e chamo-lhe bastardos, para não lhes chamar filhos da puta. Estou-me a cagar para Lisboa; quero que a AR se foda; defeca baba e ranho (referindo-se Miguel de Sousa Tavares); ou bebeu ou está a ficar senil.» (referindo-se a Almeida Santos). (tiradas do Presidente Regional da Madeira).
Como se vê, esta linguagem, que Sócrates chama de brejeirices, expressões pouco felizes, no dizer de Passos Coelho e Excessos quando se anda acelerado, mais não é que exibição do calão português, usado correntemente, pela actual corrente dos nossos políticos. Tal como fez o ex-ministro da Economia, Manuel Pinho, com os cornos…
Neste ultimo episódio de Eduardo Catroga em que «o desvio do debate político-económico, para o âmbito púbico-capilar» é patente, está-se a desvalorizar a força do dito que ao longo da História Antiga e Moderna, tem dado provas de grande força, mudando-lhe às vezes o seu rumo, como foi o caso de Cleópatra.
Razões têm os antigos ao dizerem que «pode mais um pentelho de gaja, que uma junta de bois».
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado

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Iniciei a colaboração semanal com o Capeia Arraiana, com a rubrica em título em 15 de Dezembro de 2008, perfazendo até agora 58 crónicas, a grande maioria, escolhendo temas que de uma maneira ou de outra, estavam relacionados com as gentes e as terras do Riba-Côa.

José Morgado Carvalho - «Terras entre Côa e Raia»O que começou por ser, um passatempo domingueiro, acabou por ser uma obrigação semanal.
A evolução positiva, em quantidade e qualidade dos seus colaboradores, que entretanto se disponibilizaram a engrossar as hostes, com uma variedade de assuntos de interesse para o concelho do Sabugal, muitos deles passíveis de debates acesos e mesmo polémicos, principalmente, os que abordavam e abordam temas estruturantes, politica regional, administração local, desenvolvimento regional, desertificação e abandono crónico do Interior pelos poderes centrais, fez deste Blogue um grande meio de comunicação, que já não me dispenso de ler.
É com imenso prazer e interesse, que diariamente, tomo conhecimento das crónicas de: Pinharanda Gomes, Adérito Tavares, Jorge Martins, António Cabanas, António Emídio, Ramiro de Matos, Joaquim Ricardo, José Manuel Campos, José Manuel Monteiro, João Valente, Romeu Bispo, Esteves Carreirinha, Vera Villa Nova e tantos outros, que esporadicamente também contribuem.
Face a esta pleade de cronistas, que por falta de tempo, nem sempre os leio todos com cuidado e muito menos tempo para fazer comentários oportunamente, tomo a liberdade de fazer um interregno, passando a ler e a comentar o que os outros escrevem, com mais propriedade, sobre as nossas raízes.
Termino, agradecendo aos Administradores / Moderadores do Capeia Arraiana, que sempre permitiram os meus escritos e colocaram as minhas crónicas sem qualquer omissão ou reparo.
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado

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Finalizo esta rubrica com as casas rurais da zona da Serra da Estrela. Este conjunto é aconselhado a quem pretenda instalar-se à entrada ou em pleno Parque Natural da Serra da Estrela, sendo natural que, no Inverno, algumas fiquem rodeadas de neve, nomeadamente as do Sabugueiro e de Alvoco da Serra.

José Morgado Carvalho - «Terras entre Côa e Raia»CASA DA CAPELA – Antigo solar fidalgo, situado em Rio Torto (Gouveia). Datado dos finais do Século XVIII. Dispõe de um apartamento, na casa principal, lugar de antigo silo. Um anexo alberga, dois apartamentos, equipados, com sala comum, lareira e uma cozinha e um terraço com excelente panorama sobre a região.Extriormente tem um jardim, com ciprestes, loureiros e nogueiras.
CASA DA PONTE – Outrora era uma fabrica de lanifícios, situada num socalco, bordejada por ribeira, óptimo local para pescar a boa truta da região onde um formoso açude servindo de piscina natural, para os mais afoitos. A casa dispõe de um apartamento no piso inferior com dois quartos que se abrem para o frondoso jardim. Fica situada em Alvoco da Serra (Seia).
CASA DA RIBEIRA – Também situada em Alvoco da Serra, dispõe de seis quartos, com excelente vista para a serra, com salas de estar, cozinha sala de jogos.
CASA DE SÃO ROQUE – Situada no meio da vila de Manteigas, é uma casa envelhecida, com atmosfera ancestral, propicia á nostalgia. Os quartos são pequenos e com mobiliário antigo.
CASA DO CRUZEIRO – Em plena aldeia do Sabugueiro, no alto da serra um conjunto de três casas que funcionam como apartamentos para oito pessoas. A mesma organização, possui além destas três casas licenciadas, 27 casas como turismo de aldeia. Bem recuperadas é modesto o seu interior. No Inverno, quando o tempo e estradas o permitem, organizam-se matanças de porco. Alugam-se bicicletas, esquis, cavalos, canoas e caiaques no rio Alva.

Além destas casas tipicamente rurais, existem, solares, quintas, e propriedades, em parte aproveitadas também como espaço para turismo rural, em várias localidades espalhadas pela Serra da Estrela, nomeadamente: Casa Grande (Paços da Serra, Gouveia); Casa da Queijeira (Torrozelo, Seia); Casa das Tílias (São Romão, Seia), Casas do Toural (Gouveia); Quinta das Adegas (Nabainhos, Melo Gouveia), Solar das Oliveiras (Girabolhos, Vila Nova de Tázem).
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado

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Ainda por terras da Beira Baixa, no Fundão e Covilhã não podemos esquecer o aproveitamento de duas Quintas e de um Solar, para turismo rural…

José Morgado Carvalho - «Terras entre Côa e Raia»QUINTA DO OURIÇO – Em Castelo Novo (Fundão) que é uma das dez localidades beirãs, abrangidas pelo Programa das Aldeias Históricas. A construção impressiona pela unidade arquitectónica do conjunto e pela manutenção de um ambiente rural que se julgava há muito extinto.
A Casa da Quinta do Ouriço data do Século XVII destacando-se, no seu exterior, a fachada da capela onde ainda se vêem um sino e o brasão da família Correia de Sampaio.
É rodeada por um espaço bem cuidado, com um campo de ténis com vista para a aldeia e o vale e uma piscina construída junto das antigas dependências agrícolas, agora adaptadas ao lazer. Completam o quadro um jardim com camélias centenárias, tendo à vista trecho da ribeira que atravessa o subsolo da quinta. Apresenta duas suites, cinco quartos e varias salas com tectos de masseira.
CASA DOS MAIAS – Solar barroco do século XVIII, dotado de capela e jardim, encontra-se situado na praça principal da cidade do Fundão. Como os antigos solares têm a forma de um L, conservando o pátio de entrada onde estacionavam as carruagens de onde sai imponente escadaria para o primeiro piso. O salão nobre é um verdadeiro retorno ao passado, com uma conversadeira de três lugares, um canapé império, várias mobílias do século XIX em pau-santo, fotos e óleos de antepassados.
A casa tem cinco quartos com espelhos rotativos e aliam o bom gosto e vários estilos. Tem ainda uma ampla sala de jantar, um jardim de Inverno com vistas para o jardim exterior, uma enorme sala para pequenos-almoços na antiga cozinha com uma chaminé de fumeiro e uma colecção de utensílios antigos.
QUINTA DO SANGRINHAL – Está situada em plena Cova da Beira a dois quilómetros do centro da Covilhã, em Boidobra. Era uma casa agrícola que apoiava a quinta. Trata-se de uma típica casa beirã de paredes de granito, a única coisa que ficou de pé na fase de reabilitação. Está decorada no estilo rústico com mobílias antigas. Na quinta, de catorze hectares, além de actividades agrícolas funciona um canil de cães da raça Serra da Estrela.

Na crónica anterior sobre as casas de habitação rural da Beira Interior Norte, referiram-se somente as existentes no concelho do Sabugal. Nesta zona e nos concelhos da Guarda, Celorico da Beira, Figueira de Castelo Rodrigo, Almeida e Meda, existem também as seguintes casas de habitação rural:
QUINTA DA PONTE – Fica situada entre Celorico da Beira e a Guarda. É num cenário bucólico entre rochedos da serra e onde corre o rio Mondego, que foi construída a Quinta da Ponte. Durante 50 anos a casa foi submetida a várias obras entre as quais a mais importante foi a construção de uma capela em 1725 de frontaria neoclássica e consagrada a Nossa Senhora da Vitória. A quinta resultou de um projecto de restauro do solar do século XVII e do reaproveitamento dos jardins e espaços verdes para a construção de um conjunto de apartamentos T1, quartos, salas e tenda para acontecimentos sociais. Possui ainda piscina, campo de ténis e um picadeiro a 4 km.
QUINTA DO PINHEIRO – Situada em Cavadouce (Guarda) localizada no vale do Mondego, a quinta do Pinheiro assume-se como produtora de queijo da Serra da Estrela, recorrendo aos métodos tradicionais característicos da região. Quinta do século XVI, terá sido o seu primeiro proprietário o cronista-mor do reino, no tempo do Rei D.Manuel I. De linha arquitectónica senhorial todos os edifícios foram recuperados segundo a traça original sendo o granito uma presença relevante. Os três quartos de que dispõe ficam situados no edifício da quinta mas em zona independente da casa principal, sendo amplos e de decoração rústica agradável. A sala comum, espaçosa e acolhedora dá para o pátio interior, como é característico das casas beirãs convidando a um tempo repousante. Existe também um amplo salão de jogos e uma piscina bem enquadrada no jardim.
QUINTA DE SÃO JOSÉ – Situada em Aldeia Viçosa (Guarda) é uma casa agrícola na posse da mesma família há várias gerações e inserida no meio de genuína actividade agrícola. Oferece a serventia de um apartamento com decoração rústica e sóbria, que em tudo diz estarmos em verdadeira casa rural, não faltando a lareira com ancestral fumeiro.
Na falta de piscina, o tanque de rega confere a autenticidade final e se tiver licença de pesca, poderá pescar trutas no rio Mondego que confina com a quinta.
CASA DE SÃO PEDRO DE LINHARES – Situada no centro da aldeia histórica do mesmo nome Linhares da Beira, o seu acesso faz-se através de um pátio tipicamente beirão de casa de aldeia sala está situada no piso térreo e o quarto desafogado, no primeiro andar. Em Linhares pode-se assistir a provas de parapente, cujos praticantes iniciam os seus voos nas arribas rochosas sobranceiras à aldeia.
CASA DO BRIGADEIRO – Solar agrícola, situado na Lageosa do Mondego, deve o seu nome a um antigo proprietário, militar de carreira e cuja patente apadrinhou a casa. Construída por um avô do militar e proprietário de uma roça em São Tomé, esta casa chega aos nossos dias com visíveis ligações aquela ilha. Os hóspedes poderão desfrutar de frondoso jardim com uma centenária magnólia de resto classificada como de interesse público.
CASA DOS OSÓRIOS – Situada em Celorico da Beira, é uma construção solarenga com acesso por elegante balcão, com escadaria de granito, rematado com pináculos e ostentando na frontaria, uma bonita pedra de armas.
A sua construção data de fins do Século XVIII, tendo sofrido transformações no Século XIX. Para a prática de turismo rural dispõe no edifício principal de quatro quartos duplos, com casa de banho privativa e em construção anexa mais dois apartamentos.
Possui confortáveis salas de convívio, biblioteca, sala de snooker, sala de musica, de campo de ténis e bar.
SOLAR DE LONGROIVA – Situado no centro da aldeia que lhe dá o nome do concelho de Meda, esta construção solarenga, dispõe de quatro quartos que facultam uma óptima vista sobre as serranias envolventes..
CASA DO BALDO – O antigo proprietário João Baldo, deu nome a esta casa e os actuais proprietários procederam à sua reconstrução.
Hoje encontramos uma casa que exteriormente se enquadra perfeitamente na histórica aldeia de Castelo Rodrigo, sendo que o seu interior nos oferece uma casa moderna. Do alto das muralhas da cidadela medieval, o visitante tem soberbo panorama sobre as Terras de Riba-Côa.
CASA DO PÁTIO DA FIGUEIRA – No interior da praça-forte de Almeida, vamos encontrar uma casa especialmente concebida para quem por aqui quer ficar.
Duas salas grandes e bem decoradas no rés-do-chão, dão para um pátio donde se vê a piscina e está plantada a figueira que dá nome à casa. Nos andares cimeiros, encontram-se os quartos, numerados, segundo datas importantes do historial da vila (1296, 1385, 1762 e 1810).
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado

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Continuando por terras da Beira Baixa, em Belmonte e Vila de Rei temos vários empreendimentos habitacionais em espaço rural…

José Morgado Carvalho - «Terras entre Côa e Raia»Pousada de Belmonte – A pousada tem origem na recuperação das ruínas do antigo Convento de Nossa Senhora da Esperança, construído sobre uma ermida fundada no século XIII.
Ao entrar neste lugar vai sentir-se recuar no tempo. O espaço preserva o espólio histórico do mosteiro, classificado em 1986 como imóvel de interesse público. O resultado entre a preservação do passado e a ampliação e adaptação ao presente, resulta num conjunto harmonioso perfeitamente integrado na paisagem.
O bar situa-se na antiga sacristia e a sala de convívio no lugar da antiga capela do convento.
Mas não se pense que por ser um antigo mosteiro franciscano que o lugar é dotado à pobreza, pelo contrário. Aqui encontrar-se-á aconchegantes salas e salões repletos de pormenores de bom gosto com mobiliário antigo, esculturas de artistas locais e confortáveis poltronas de veludo. Os espaços são rasgados por amplas janelas com vista sobre a Cova da Beira e Serra da Estrela.
Os quartos construídos de raiz num acrescento do convento, não têm número e são identificados por nomes de frades e cada qual tem um nome e uma divertida pintura à entrada. São amplos, diferenciados na decoração e com varandas privadas com vistas fantásticas para a serra. A suite principal é um duplex que mais parece uma casa de campo. No piso de baixo tem uma sala privada e no superior o quarto.
O restaurante gourmet integrado na Pousada de Belmonte está aberto ao público em geral. A sala tem um espírito rústico com parede de pedra, lareira e tecto de madeira e as mesas têm um ar sofisticado, onde servem o famoso vinho Kosher, um néctar que respeita todos os requisitos da religião judaica e que é produzido na região.
Continuando por terras da Beira Baixa, em Vila de Rei temos ainda os seguintes empreendimentos habitacionais em espaço rural:
Casa do Capitão-Mor – Embora fique em pleno centro de Vila de Rei, não tendo portanto, características arquitectónicas fora do comum, ainda que construído no século XVII numa localização excepcional tem o seu interior muito interessante, com soalhos e tectos de madeira, grandes pés-direitos, portas interiores com bandeira, enfim, aquilo a que num certo imaginário se associa a uma casa de província com tudo o que isto significa em termos de conforto e ambiente familiar.
O edifício quase ocupa um quarteirão, pelo que o seu miolo tem o seu quê de labiríntico e é preciso descer e subir escadas, atravessar sucessivas salas e longos corredores. Nas traseiras tem um vasto pátio interior com sombra, trepadeiras e bancos de jardim.
Possui cinco quartos com casa de banho e uma suite.
Casa dos Azulejos – Situada também em pleno centro histórico de Vila de Rei, este edifício do século XIX ostenta azulejos da época e varandas em ferro forjado. No interior encontramos uma riquíssima colecção dos mais variados objectos de decoração, quase todos eles do fim do século XIX. Também o mobiliário, todo ele desta época leva-nos a uma agradável viagem no tempo.
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado

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Registo com satisfação a representação da Câmara Municipal do Sabugal na BTL/2010. Relativamente ao turismo em espaço rural, a aderência à iniciativa da ADES, que congregou á sua volta as casas rurais do: Campanário, Lagariça, Calçada, Torga, Cerca, Villa, Pateo, Lapa do Viriato e Vilar Mayor, todas elas referenciadas nas minhas últimas crónicas, é de louvar e continuar.

José Morgado Carvalho - «Terras entre Côa e Raia»Além das casas rurais do vasto concelho do Sabugal, nos concelhos vizinhos da Beira Baixa, são de salientar as seguintes:
Passado de Pedra – No centro da vila de Caria (Belmonte) foi restaurada uma casa de campo, adaptada a hotel rural, em que combinaram materiais modernos com certos aspectos históricos. Apresenta um pequeno número de quartos duplos e um apartamento isolado, tendo cada unidade, casa de banho privativa e acolhedor mobiliário individual.
Das partes de utilização comum possui um Bar, jornais diários, terraço, baby-sitting, loja de recordações, Fax/Fotocopiadora, Multibanco e Internet gratuita.
Albergue do Bonjardim – Está situado em plena mancha florestal em Nesperal, perto da Sertã. È uma casa rural do século XVIII, inserida numa propriedade de 12 hectares (metade pinhal). È propriedade de um casal de agricultores holandeses, que há anos trocou o seu país por este recanto. O edifício principal tem dois amplos quartos e na antiga habitação dos caseiros mais dois aportamentos de dois quartos cada e uma sala comum com varanda, com vista sobre a propriedade.Dispõe de uma piscina coberta, sauna e banho turco.No lugar das antigas arrecadações foi instalada uma loja de recordações.
Casa da Figueira Grande – Está situada em plena Cova da Beira, a 7Kms da Covilhã, perto da capela de Nossa Senhora do Carmo. Faz parte de uma quinta adquirida em 1935, para exploração de pomares e vinha.Durante a 2ª Guerra Mundial, também se aproveitaram os filões de volfrâmio que se escondiam na terra para fazer algumas pequenas fortunas. A quinta foi abandonada e dividida pelos herdeiros, contendo agora árvores de fruto. O restauro da casa tentou preservar o piso térreo, tendo o primeiro piso sido construído de novo. O primeiro que era armazém de produtos e alfaias agrícolas, conservou as paredes de granito, onde se fez uma grande sala de refeições, uma sala de estar e uma sala de leitura. Nas traseiras fica um espaço ajardinado e relvado, campo de ténis, piscina e picadeiro.
Casa do Barreiro – Foi erguida sobre as ruínas de uma antiga casa de lavoura, inserida numa quinta de Alpedrinha. È uma casa solarenga com telhado ornado por três mansardas, apresentando janelas de guilhotina, com frontões em cantaria e no andar inferior as janelas têm rótulas, para proteger do calor estival. O interior é acolhedor com uma decoração dominada por mobiliário antigo e de estilo. Dispõe de cinco quartos.Para alem do pitoresco e dos motivos de interesse da própria Alpedrinha, a região envolvente oferece bons motivos de passeio.
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado

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Continuando a divulgar as ofertas turísticas em habitação rural do concelho do Sabugal, começo por agradecer o comentário de Maria de Lurdes Matos, por referir a existência de mais duas casas de turismo em espaço rural, de sua propriedade, em Sortelha, a saber…

José Morgado Carvalho - «Terras entre Côa e Raia»Casa da Lagariça – Construção do Século XVIII situada na Calçada de Santo Antão, com este nome por ter existido no seu interior, uma lagariça (depósito em pedra, para esmagar e fermentar as uvas). Dispõe de 3 quartos, 2 de casal e um duplo, sala com sofá-cama, lareira, cozinha equipada e duas casas de banho, tendo capacidade portanto para oito pessoas.
Casa da Calçada – Reconstruída e adaptada de um antigo palheiro, dispõe de 2 quartos de casal, 1 casa de banho, 1 sala de estar, lareira e cozinha equipada.
Lapa do Viriato – Finalmente, em Sortelha, há ainda esta pequena casa recuperada para o turismo rural, com utilização de materiais locais, mas com modernos equipamentos, para lhe dar maior conforto. Compõe-se de 1 quarto/sala, lareira e casa de banho.
Quinta do Alexandre – É uma casa de campo inserida, numa área de 16 hectares à saída do Sabugal (cerca de três quilómetros) Possui vários quartos de casal, 4 casa de banho, aquecimento central, salão com 70 metros quadrados, com lareira, sala de jantar, cozinha equipada com salamandra, 1 forno a lenha, solário, parque infantil e terraço com vistas para a cidade do Sabugal.
Casa do Manego – Situada em Quadrazais, a moradia, foi recuperada para turismo rural, mantendo as características tradicionais, respeitando o traçado antigo. Compõe-se de uma sala/cozinha, toda equipada e com lareira, duas suites, quarto de casal e quarto duplo, duas casas de banho de utilização geral e três casas de banho privativas.
Casa Torga – Situada em Aldeia Velha, eram três pequenas moradias tradicionais que foram adaptadas a turismo rural, respeitando ao máximo o traçado antigo. Compõem-se no rés-do-chão de duas divisões independentes, uma suite, com casa de banho privativa, sala de estar com sofá-cama e noutra divisão, possui um quarto de casal com casa de banho privativa. No 1.º piso tem uma sala de estar e três quartos, um de casal e dois duplos, todos com casa de banho privativa.
Casa do Tear – Situada na Arrifana do Côa, a casa foi recuperada para turismo rural e corresponde ao restauro de tês pequenas moradias tradicionais. No rés-do-chão possui tês quartos de casal, um deles com casa de banho privativa e os outros com casa de banho geral.
Casa do Alto do Forte – Situada na vila do Soito, é uma casa tradicional, com mais de um século,cuja recuperação para turismo rural, respeitou o espaço onde se insere, zona nobre do Forte do Soito e interiormente com todos os ingredientes que fazem parte do conforto contemporâneo. Com capacidade instalada para quatro pessoas (T2 com 150 metros quadrados), o rés-do-chão tem uma sala, cozinha e casa de banho, pequena biblioteca, mini-bar, lareira e aquecimento central. No 1.º andar tem dois quartos de casal e casa de banho privativas. Constou-me que o seu actual proprietário a pôs à venda, desconhecendo se está ou não desactivada.

BTL 2010 – Feira Internacional de Turismo – Decorre de 13 a 17 do corrente mês de Janeiro a Feira Internacional de Turismo (BTL 2010), para os profissionais de 13 a 15 inclusive e para o público no dia 16 das 10 às 23 horas e no dia 17 das 10 às 20 horas. Tive conhecimento que, desta vez, o Sabugal, estará bem representado, pela sua Câmara, ADES, «Sabugal+» e empresários que a eles se associam.
Lanço daqui um repto, para que estas casas rurais, por muitos desconhecidas, que dentro das suas possibilidades se associem também à iniciativa da Câmara.
«Vale sempre a pena, quando a alma não é pequena. Força até Almeida», desculpem até à BTL em Lisboa.
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado

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Dou início nesta crónica ao tema Turismo de Habitação Rural na Beira Interior começando pelas ofertas no concelho do Sabugal.

José Morgado Carvalho - «Terras entre Côa e Raia»A Beira Interior, como já referi em crónicas anteriores, estende-se das terras do Riba-Côa (Figueira ou Almeida) até à campina de Idanha e à Zona do Pinhal que as Unidades Territoriais subdividem em Beira Interior Norte (Almeida, Celorico, Figueira, Guarda, Manteigas, Mêda, Pinhel, Sabugal e Trancoso), Serra da Estrela (Fornos, Gouveia e Seia), Cova da Beira (Belmonte, Covilhã e Fundão), Beira Interior Sul (Castelo Branco, Idanha, Penamacor e Vila Velha de Ródão) e Pinhal Interior Sul (Oleiros Mação, Proença, Sertã e Vila de Rei).
Estas divisões e subdivisões oficiais têm originado várias polémicas e muitos continuam a usar as tradicionais designações de Beira Alta, Beira Baixa e Beira
Litoral.
Como no meio é que está a virtude, abordarei o Turismo de Habitação Rural na Beira Interior, condensando estas subdivisões em Beira Interior Norte (que faz parte da Beira Alta, também designada Beira Transmontana), Serra da Estrela (parte da Beira Alta e da Baixa) e as três restantes subdivisões na Beira Baixa.
Em termos de Turismo de Habitação Rural, distinguem-se dois núcleos principais:
– Serra da Estrela.
– Beira Interior Norte.
No primeiro caso, as opções variam entre quintas marcadamente rurais e onde se pode desfrutar do ambiente serrano e alguns antigos solares nobres e em termos numéricos é a zona de mais forte implantação do dito Turismo no Espaço Rural.
No segundo caso o mais interessante, são casas situadas em aldeias históricas e típicas, como é o caso do Sabugal, Sortelha, Quadrazais, Aldeia Velha Almeida, Linhares, e outras.
Começando pelas do concelho do Sabugal, Sortelha é a povoação que há mais tempo iniciou este tipo de actividades, salientando-se as seguintes:
Casa do Campanário - SortelhaCasas do Campanário – Para lá chegar, é necessário entrar na cerca de Sortelha e subir até à porta poente. Dispõe de duas casa bastante confortáveis, dotadas de sala com chaminé, aquecimento central, apresentando cada uma das casas, uma com um quarto e a outra com dois quartos. Nas traseiras das casas, existe um bar do mesmo nome, com uma esplanada, com o melhor panorama sobre a aldeia e região circundante e um espaço para mostra e venda de artigos da região.
Casa da Cerca – A sua origem, remonta ao século XVII. Antiga casa de hóspedes, pertenceu ao fronteiro solar da Nossa Senhora da Conceição, onde existem dois símbolos permanentes: os brasões Charters de Azevedo e o de Correia da Costa. Recebeu os primeiros hóspedes modernos em 1994. O edifício está integrado, numa cerca com um hectare de jardim e terreno agrícola. Quem entrar pelo portão não pode deixar de reparar num pinheiro nórdico, rodeado por um antigo bucho bem cuidado, donde sai uma pequena latada, apoiada em colunas de granito que acaba num bonito tanque. A dois passos, um grupo de frondosas tílias esconde um conjunto de bancos de pedra. Das janelas avistam-se a quinta e a cidadela medieval de Sortelha, existindo os tradicionais bancos namoradeiros, junto ao parapeito.
No piso inferior, uma sala de estar com lareira mostra nas suas paredes quadros com os dez cantos dos Lusíadas piso superior, com vista para Sortelha, tem outra sala de estar, também com lareira, onde estão expostos quadros com os retratos do visconde e viscondessa de São Sebastião, dos navegadores portugueses e motivos náuticos.
Casa da Vila – O grande trunfo desta casa, é a sua localização no centro histórico de Sortelha toda em granito e possui nas traseiras um terraço donde se avista o interior da cidadela medieval. Não confecciona refeições, mas o vizinho Bar do Campanário, é uma alternativa.
Casa do Páteo – Pequena casa tradicional de granito. O piso inferior tem uma sala com lareira de canto, com o granito à vista e no nível superior um quarto, donde se vê Sortelha.
Casa do Quartel – Construída durante o Estado Novo para servir de quartel à Legião Portuguesa foi adaptada para turismo rural. Localizada fora das muralhas, apresenta-se no entanto com materiais tradicionais na sua construção. Dispõe de um jardim com arvores de fruto e uma criação de pavões.
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado

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O encontro dos Confrades e a Cerimónia de Entronização da Confraria do Vinho de Carcavelos teve lugar nos Paços do Concelho de Oeiras no passado dia 28 de Novembro. Integram a Cúria Báquica o presidente da Câmara Municipal de Oeiras, Isaltino Morais, como Grão-Mestre e o presidente da Câmara Municipal de Cascais, António Capucho, como Mestre Conselheiro.

José Morgado Carvalho - «Terras entre Côa e Raia»Decorreu em Oeiras no passado dia 28 de Novembro a Cerimónia de Entronização da Confraria do Vinho de Carcavelos. Na ocasião tomaram posse o Grão-Mestre Isaltino Morais e o Mestre Conselheiro António Capucho, respectivamente presidentes das Câmaras Municipais de Oeiras e de Cascais e alguns presidentes das Juntas de Freguesia dos dois concelhos.
Nos discursos o confrade António Capucho felicitou Isaltino Morais por esta iniciativa que poderá vir a ter um papel preponderante na preservação do Vinho de Carcavelos produzido nas quintas dos dois concelhos. O vinho é tratado na Estação Agronómica que prevê aumentar dentro de alguns anos a produção para atingir os 50 a 60 mil litros por ano depois de alargada a vinha para 20 hectares. O investimento está a ser feito em parceria com o Ministério da Agricultura.
Isaltino Morais justificou o empenho da Câmara na produção do vinho como preservação de um bem cultural e turístico.
A Câmara de Oeiras está a criar garrafas com o rótulo «Conde de Oeiras» que vão começar a aparecer no mercado no próximo ano.
Depois do almoço nos jardins do Palácio Marquês de Pombal foi feito o lançamento do livro «O vinho de Carcavelos – Perspectiva Histórica e a actual produção na Quinta do Marquês de Pombal em Oeiras».
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado

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A juntar aos produtos referidos na crónica anterior como o bucho, a morcela ou a chouriça temos ainda…

José Morgado Carvalho - «Terras entre Côa e Raia»FARINHEIRA e ALHEIRA – Estes enchidos são fruto de um truque dos judeus, para fingirem que faziam enchidos como os cristãos, com carne de porco que consumiam e deste modo enganarem os inquiridores que identificavam os filhos de Israel, pelos hábitos alimentares e escaparem às malhas da Inquisição. Assim substituíam a carne de porco, por uma imensa variedade de carnes que incluíam vitela, coelho, peru, pato, galinha e por vezes até perdiz, envolvidos por uma massa de pão que lhes conferia consistência, isto no caso da Alheira, porque na farinheira, em lugar do pão e como o nome indica, o elemento de ligação utilizado é a farinha. A Alheira ainda hoje é conhecida como o «chouriço judeu».
Actualmente quer a farinheira, quer a alheira, já são elaboradas com carne de porco e temperadas, consoante a região, com colorau, massa de pimentão, vinho e em certas casas, até com sumo de laranja.
As farinheiras podem ser consumidas, fritas, assadas no forno ou incluídas no cozido à portuguesa ou fazer parte principal no chamado «arroz de forno». As alheiras, normalmente são fritas, mas também podem ser estufadas, depois de envolvidas em couve lombarda.
Das alheiras a mais conhecida é a de Mirandela.
QUEIJOS – Os mais famosos confeccionados na nossa zona é o Queijo da Serra (da Estrela) e o de Castelo Branco.
O da Serra é o mais afamado no país e em todo o mundo. A sua produção com leite de ovelha, mugido principalmente entre os meses de Novembro a Março, obedece a normas rígidas e tem região demarcada. Consoante a maturação, que é no mínimo de 30 dias, pode ser amanteigado ou apresentar uma textura mais densa. O queijo é obtido pelo escoamento da coalha, após coagulação do leite de ovelha, cru, com cardo. Dele emana um aroma intenso e tem um sabor suave e acidulado.
O de Castelo Branco, é um queijo curado, obtido com leite de ovelha, embora seja impropriamente conhecido pela designação de cabreiro.Apresenta uma crosta semi-dura, de coloração amarelo-palha.
Há uma grande variedade de queijos de fabrico nacional, nomeadamente: Queijo de Nisa; de Azeitão, de Évora (queijinhos), da Ilha, de Envendos etc.
DOCES – Os nacionais mais conhecidos são: Sardinhas Doces de Trancoso, Pão Podre da Guarda, Coscoréis, Pão de Lò, Ovos-moles, Toucinho do Céu, Pastéis de Santa Clara, Pastéis de Tentúgal, Brisas do Lis, Trouxas de Ovos, Celestes, Pudim de Abade de Priscos, Queijo Dourado, Sericaia, Pastéis de Belém, Barquilhos de Laranja, Pão de Rala e doces regionais do Algarve. (doces de amêndoa, Dom Rodrigo, queijinhos, Nógado, Bolo de Mel, Morgados etc.).
Aos administradores, colaboradores e leitores do Capeia Arraiana, desejo um óptimo Natal e Boas Festas e que provem de tudo só um pouco, por dois motivos, podem fazer mal à saúde e à carteira. Como dizia o outro: «Isto é que vai uma crise!!!!»
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado

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Mau grado o impacto das multinacionais agro-alimentares, que criaram uma nova geração de consumidores, à força de bifes, bitoques, «fast-food», falsos mariscos, produtos lácteos bífidos e uma infinidade de produtos sucedâneos, inventados pela engenharia alimentar, a cozinha tradicional/regional, volta a ocupar lugar se não nas nossas mesas, pelo menos nas nossas cabeças, porque o prazer voltou à mesa, instalou-se e a vontade de boa comida reapareceu depois de anos de privação.

António Morgado CarvalhoO primeiro momento de independência do novo apreciador, foi a tentativa de regressar aos sabores da infância, feita com forte dose de paixão e um sólido sentido de memória.
A cozinha regional está na moda, intimamente ligada aos afectos e à cultura. À falta de uma cozinha tradicional, que satisfaça a procura do consumidor, convoca produtos que trazem sabores de reencontro, sendo os mais representativos os Enchidos os Queijos e os Doces.
Com estes produtos típicos de cada região, viaja a memória do que se procura: «Pastagens verdes, onde pastam ovelhas e cabras; ruídos de chocalhos; brenhas que dão cardos para coalho; caniços onde o queijo repousa; alaridos de matanças; alguidares de carnes para encher; paus na chaminé, para fumagem dos enchidos e tachos onde colheres de pau, obrigam o açúcar, as amêndoas e os ovos a uniões felizes».
Apaixonadamente agarrados a um passado, procuramos os sabores tradicionais, embora sabendo que estamos envolvidos em elaboradas mentiras, porque o sabor da memória, mesmo reencontrado, está isolado do cenário que essa mesma memória guarda. O tempo e a distância favorecem o sonho.
Sem pretensões de especialista na matéria, nesta época em que mandamos as dietas para as urtigas, enumeram-se, com explicações sintéticas, as delicias gastronómicas mais conhecidas, começando pelos Enchidos:
– BUCHO – É típico da Beira Alta. Em Trás-os-Montes dá-se-lhe o nome de Butelo. É composto por diversas carnes de porco, incluindo por vezes uma certa quantia de ossos tenros, o que confere ao bucho um sabor muito especial. Em algumas regiões pode incluir ainda arroz e pão, sendo o tempero essencial conseguido pela vinha de alhos e é utilizada a bexiga ou a tripa larga do porco, para acondicionar os componentes. Se for fumado pode ser consumido algum tempo depois da confecção.
Uma variante ao Bucho que é exclusiva da Beira-Baixa é o Maranho, em que a matéria-prima é o cabrito ou o borrego. As carnes são ligadas com arroz, juntando-se salpicão, presunto, toucinho, tudo temperado com alhos, cebola, vinho, azeite, salsa e hortelã. Como não são fumados, os maranhos devem ser consumidos, imediatamente após a confecção;
– MORCELA – A mais conhecida é a morcela da Guarda. O elemento de ligação dos pedaços de entremeada, usado neste enchido é o sangue de porco, que lhe confere a consistência e a coloração escura. O cravinho e os cominhos, fazem parte dos temperos utilizados, geralmente servida frita ou cozida ou apenas escaldada, acompanhada com grelos cozidos e outros legumes. Há também a chamada morcela de arroz. É típica da região de Leiria e que se faz na altura da matança. O sangue fresco do porco é temperado com sal e pimenta e diluído com vinagre e vinho tinto. Junta-se carne entremeada de porco, alho, cebola, salsa, cominhos e cravinho e deixa-se marinar, durante cerca de oito horas. O arroz cozido à parte e escorrido, é adicionado ao preparado. Enchem-se as tripas depois de muito bem lavadas e esfregadas com limão. Podem ser servidas após leve cozedura em água temperada com sal louro e cebola;
– CHOURIÇA – A confecção das chouriças/chouriços, tornou-se quase uma arte, sendo sem dúvida, os enchidos mais populares em todo o país, apresentando técnicas de preparação e designações bem diferentes de região para região. Os mais conhecidos são a Chouriça de Vinhais, onde se realiza anualmente uma Feira de Fumeiro muito concorrida.
Os cuidados não se prendem apenas com a escolha das carnes (lombo, lombinho, cachaço, entremeada e aparas) e com a adouba, que dura quatro dias, mas também com a alimentação dada ao porco, alimentado só com grão, beterraba e abóbora.
O chouriço ou chouriça passa a ser Linguiça no Alentejo e os produtos sofrem um longo período de maturação por não utilização de fumeiro.
– OUTROS ENCHIDOS – Além dos mencionados podem referir-se o chouriço de mel, o presunto, as alheiras, o salpicão e a cacholeira.
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado

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A Casa da Beira Alta, no Porto, homenageou ontem, 12 de Dezembro, o escritor sabugalense Manuel António Pina. Do Homenageado e da sua obra literária falou o ensaísta Arnaldo Saraiva.

Na homenagem ontem realizada, o Professor Arnaldo Saraiva, natural de Casegas, Covilhã, enalteceu a obra literária de Manuel António Pina, com especial referência à obra poética.
Esta homenagem da Casa da Beira Alta ao distinto escritor beirão segue-se a uma outra realizada 4 de Abril no Sabugal, pela mão da Junta de Freguesia, onde também Arnaldo Saraiva falou na sua obra e se procedeu ao descerrar duma plana na casa onde o poeta nasceu.
Manuel António Pina nasceu no Sabugal em 1943, licenciou-se em Direito na Universidade de Coimbra. Entre 1971 e 2001 foi jornalista do Jornal de Notícias, onde exerceu os cargos de editor e chefe de redacção.
Tem uma vasta obra literária que engloba poesia, ensaio, literatura infantil, ficção e peças de teatro, tendo já sido traduzido para diversas línguas. A diversidade de géneros desenvolvidos e o seu ecletismo são a evidência do domínio de Manuel António Pina sobre a escrita. Conhecido pelo seu tom reflexivo, filosófico e irónico, é considerado uma das mais eminentes figuras da literatura portuguesa contemporânea. Recebeu vários prémios, tanto nacionais como internacionais, nomeadamente o Prémio da Crítica pela Secção Portuguesa da Associação Internacional de Críticos Literários, em 2002, atribuído à globalidade da sua obra poética.
Colaborou, e colabora, com diversos outros meios de comunicação. São actualmente muito apreciadas e abundantemente comentadas as suas crónicas no Jornal de Notícias que falam sobre assuntos de actualidade com especial incidência nas polémica políticas mais mediáticas.
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Portugal viu nascer a sua primeira linha-férrea de Lisboa ao Carregado em 28 de Outubro de 1856, ma só em 3 de Agosto de 1882 é inaugurada a linha da Beira Alta entre Figueira da Foz e Vilar Formoso. A sua abertura ajudou ao progresso de toda a região por onde passava. A Figueira da Foz passou a cidade, atraindo os beirões para as suas praias. Transportava-se sal e peixe que chegava fresco, abastecendo os pequenos comerciantes da região raiana.

José MorgadoAntes da criação da linha, o sal era transportado em carros de mulares, demorando dias a chegar e sempre em quantidade reduzida em virtude da fraca capacidade dos carros.
Vilar Formoso tornou-se a principal fronteira seca do país e porta de ligação com a Europa. O Sud-Express, comboio de luxo para a época, inaugurado em Julho de 1895 com carruagens-cama e restaurante, veio facilitar as viagens e os wagons-lits tornaram muito confortáveis as deslocações a Lisboa e a Paris.
A única estação da linha da Beira Alta no concelho do Sabugal era e é a Cerdeira e faziam-se carretos semanais com carros de bois transportando batatas e outros produtos do Soito para a Cerdeira.
Durante dezenas de anos o Sud-Express chegava de Lisboa a Vilar Formoso por volta das 20 horas, a uma velocidade média de 80 Kms/hora, puxado ainda por uma máquina a vapor. Paravam também em Vilar Formoso, o comboio-correio e o chamado ‘Trama» com paragem em todas as estações e apeadeiros. Nas estações, passou a haver telégrafo e o de Vilar Formoso, desde os finais do Século XIX a princípios do XX funcionava das 7 horas às 17 horas. Alugavam-se mantas de viagem e almofadas para a viagem ser mais confortável. Junto das estações havia diligências e trens de aluguer, puxados por cavalos, destinados a levar os passageiros às povoações vizinhas da linha.
A história de Vilar Formoso enriqueceu extraordinariamente com o caminho-de-ferro e é um desafio e uma surpresa para os historiadores.
Linha da Beira AltaRelativamente à linha da Beira Baixa, a sua inauguração dá-se em 6 de Setembro de 1891 do troço entre Abrantes e Covilhã e em 11de Maio de 1893 o troço entre a Covilhã e a Guarda, sendo o Barracão a última estação antes de chegar à Guarda, curiosamente chamada Estação do Sabugal de que dista largos quilómetros e se situa pertissimo da cidade da Guarda. Valeu e vale, de há longas décadas, o serviço rodoviário da empresa Viúva Monteiro e Irmão, Lda.
Portugal chegou a possuir uma rede ferroviária que cobria quase todo o território. Mas, na sequência do que se verificou noutros países europeus, particularmente em França, nos últimos 30 anos, tem-se assistido ao encerramento da quase totalidade das linhas de via reduzida e encerramento de apeadeiros e estações, outrora de grande movimento e substituídas por camionagem. Nem as potencialidades turísticas de muitos desses trajectos e povoações, foram aproveitadas.
Actualmente o investimento da CP, passou a centrar-se na linha Lisboa-Porto, bem servida pelo Alfa e InterCidades.
No que toca à Beira Interior o serviço InterCidades, faz ligações na Linha da Beira Baixa – Lisboa-Castelo Branco-Covilhã e na linha da Beira Alta – Lisboa-Coimbra-Guarda.
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado

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A A23, popularmente conhecida como a Auto-estrada da Beira Interior, passa pelos distritos de Santarém, Portalegre e pelas cidades da Beira Baixa, Castelo Branco, Fundão e Covilhã. Do troço de Castelo Branco à Guarda, existem treze variantes às cidades, vilas e povoações da Beira Baixa e nenhuma na Beira Alta, a não ser no seu terminus no nó com a A25, na Guarda. A bem da verdade deveria ser conhecida como a auto-estrada da Beira Interior Sul.

José MorgadoAssim, tem três variantes à cidade de Castelo Branco (Castelo Branco – Sul – Benquerenças com ligação à N3; Castelo Branco – Oeste com ligação à N233; Castelo Branco – Norte com ligação à N3) a Alcains (N352), a Lardosa (N18), a Soalheira (N18) ao Fundão (Fundão/Sul; Fundão/Norte Zona Industrial; Fund. /Sul Zona Industrial com ligação N18), à Covilhã (Covilhã/Sul; Covilhã/Norte), a Caria (com ligação à Nacional 18-3), a Belmonte (com ligação à R571), à Benespera (com ligação à N18).
A mais de dez anos após a sua construção, esta auto-estrada, permitiu elevar os índices de desenvolvimento económico das cidades que a ela têm acessos de qualidade, mas o mesmo não se passa em relação aos concelhos e povoações limítrofes onde continua a verificar-se acréscimos preocupantes de desertificação e envelhecimento da população.
Está prevista uma via «estruturante» que é fundamental para o concelho do Sabugal, que segundo os responsáveis começa dois quilómetros antes de Vale Mourisco, a partir da estrada de ligação à Guarda, passa no Alto de Penalobo, segue pela Quinta da Ribeira (Bendada), até ao limite do concelho, terminando na zona de Maçainhas (Penamacor).
Os comentários de Virgílio Janela e Jorge Clemente ao último artigo é um óptimo ponto de partida para debater o tema e espera-se que pessoas mais habilitadas e informadas do assunto, dêem o seu contributo.
Segundo as estatísticas do Eurostat do início de 2008, Portugal tinha 2613 quilómetros de auto-estrada; sexto país da EU com maior extensão; 244 metros por cada português.
Com as novas concessões se forem avante, o país vai continuar a subir nas tabelas e a assumir cada vez mais o seu gosto pelas auto-estradas, passando a ter mais de 3000 quilómetros destas vias, onde os carros podem circular até 120 Kms/hora, ficando Portugal como o segundo país com mais metros de auto-estradas por habitante e o quinto em termos de densidade geográfica. As últimas seis concessões (Douro Interior, Transmontana, Baixo Tejo, Baixo Alentejo, Litoral Oeste e Algarve Litoral, com um custo inicial de 2790 milhões de euros, sofreram uma derrapagem (na adjudicação) de 1110 milhões de euros.
O Tribunal de Contas já recusou o Visto à da Douro Interior e à Transmontana, curiosamente as que menos contribuem para a derrapagem – 120 e 177 milhões de euros – , respectivamente.
Os montantes das derrapagens davam para construir «N» variantes das auto-estradas existentes para as zonas mais interiores do país, contribuindo para o acesso e desenvolvimento, destas áreas esquecidas.
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado

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Conhecia André Jordan, indirectamente, através de relatos de um amigo próximo que com ele colaborava na ex. Planal, Quinta do Lago e Vilamoura.

José MorgadoTive a oportunidade de o conhecer pessoalmente em Janeiro do corrente ano, na cerimónia de entrega dos Prémios de Turismo de Portugal 2008, cujo júri era por ele presidido e onde constava o projecto da Casa do Castelo do Sabugal.
Ao ter conhecimento do lançamento do seu livro «Posto de Observação 2», não resisto a transcrever, algumas das suas passagens, da maneira de pensar e agir deste grande empreendedor, que era bom que se virasse para o turismo rural em Terras do Riba-Côa, como a Natália Bispo lhe sugeriu na altura.
Judeu, nascido na Polónia, fugiu aos 11 anos com os pais para os Estados Unidos e na sua longa existência, já viveu no Brasil, Argentina, Venezuela, França e Portugal (onde ainda vive). Grande parte da sua família morreu em campos de concentração nazis e só na família directa, tem hoje 11 nacionalidades diferentes.
São dele as seguintes afirmações:
«Visitei o Salazar em 1967, com a minha primeira mulher (casou quatro vezes). Foi uma sessão fascinante e eu que era uma espécie de jornalista, fiz-lhe uma espécie de entrevista; vivi como participante e como observador o 25 de Abril de Portugal; foi uma experiência esquizofrénica, porque eu era um homem de centro-esquerda, democrata; estava então a tentar fazer a Quinta do Lago, mas esta foi intervencionada e voltou tudo à estaca zero, obrigando-me a regressar ao Brasil (…)
«Emociono-me com a arte; também me emociono com música e com livros. (…) Com as mulheres, sou basicamente fiel.A fidelidade é uma característica dos que casam muitas vezes (…) Olhar para um lote de terreno é como olhar para uma mulher bonita. Sempre vem à ideia muitas coisas interessantes para fazer com ela (…)
Tenho com o dinheiro uma relação de respeito, o que não quer dizer que seja obcecado. Sempre me fascinou a mentalidade dos forretas (…) Não pretendo figurar na lista dos milionários. Um dia a Forbes, trazia a famosa lista dos homens mais ricos do mundo e achei graça porque estavam lá todas as pessoas com quem eu tinha acabado de jantar, entre elas David Rockfeller».
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado

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Durante décadas e décadas, os mapas rodoviários, quase se podiam reeditar, sem alterações, porque não havia mais vias e a degradação das existentes, não eram passíveis de referência.

José MorgadoOs Fundos Comunitários trouxeram uma profusão de novas vias como auto-estradas, itinerários principais, complementares e outras vias de acesso. Entretanto, estradas nacionais começavam gradualmente a ser abandonadas, desclassificadas ou impróprias para circulação, por falta de manutenção.
Isto fez com que trajectos considerados ideais, perdessem rapidamente o interesse.
Quando em 1988 o IP5 (Aveiro-Vilar Formoso) abriu ao tráfego, passou a ser o acesso ideal à Guarda para quem vinha do Sul. Rapidamente saturado pelo transito dos camiões TIR e sofrendo de um traçado com vícios de concepção flagrantes por falta de pontos seguros de ultrapassagem, diferenças demasiado grandes de velocidade entre ligeiros e pesados nas íngremes subidas, passou a ser preterido em favor do então incompleto IP3 (Coimbra-Penacova-Santa Comba Dão-Carregal do Sal-Mangualde) que também antes de estar concluído, já dava sinais de saturação.
A abertura do troço do IP2, entre o Gavião (Arez) e a barragem do Fratel, fez com que a ligação Lisboa-Castelo Branco, se passasse a fazer, predominantemente por Coruche e Montargil. Mas quando a ligação Entroncamento-Abrantes, melhorou, começou a opção a ser a auto-estrada até Torres Novas e daí, até ao Entroncamento.
A inauguração da A23, resolveu o problema das opções.
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado

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Se a importância e mediatismo do rio Côa, na sua foz, se deve à descoberta das gravuras rupestres, a importância da sua nascente, deve-se-à persistência e dinamismo do presidente dos Fóios, que há dezasseis anos tem lutado pela sua divulgação, preservação e melhoramento dos acessos á mesma, bem como da freguesia.

José MorgadoTive a oportunidade no dia 22 do mês passado, de me deslocar, com mais dois familiares, do Sabugal aos Fóios, sempre acompanhado pelo «cicerone» Zé Manuel Campos, habituado a estas «andanças» que faz com prazer e paixão.
Valeu a pena percorrer o trajecto que separa o município desta freguesia cada vez menos longínqua, graças aos recentes acessos. Situada entre elevados montes o seu maior interesse turístico é a nascente do Côa, a 1200 metros de altitude, na Serra das Mesas.
A estrada já alcatroada, financiada pelo Programa «Aldeias do Côa» possibilita um óptimo acesso á nascente do Côa.
De lá, pudemos apreciar uma extensa e grandiosa vista panorâmica inter fronteira. No chamado Lameirão, estão em construção parques de merendas e percursos pedestres.
De volta à aldeia, que vista lá de cima parece um «alguidar», nas palavras do Zé Manuel, visitámos a Igreja Matriz, vimos o chafariz, o cruzeiro e o Lar de São Pedro, a praia fluvial, o restaurante «El Dorado» e finalmente o Centro Cívico, recentemente inaugurado. Situa-se no maior Largo da aldeia, perfeitamente enquadrado no património edificado à sua volta. Compõe-se de dois andares, albergando no rés-do-chão, um belíssimo auditório em que o azul predomina, com capacidade de cerca de100 pessoas, com um pequeno posto de turismo, um bar, uma pequena biblioteca, com livros, em parte oferecidos pelo fogeiro Prof. José Corceiro Mendes e um espaço muito funcional de acesso gratuito à Internet.
No primeiro andar, encontra-se em formação um museu, com 80 m2 de área, onde já se encontram peças e utensílios muito antigos, usados pelas populações nas actividades agrícolas e outras.
A tarde terminou num café tipicamente espanhol implantado em território português mais precisamente nesta espantosa aldeia, onde ainda há ou melhor dito está a crescer população activa e jovem, contrariando a malfadada «desertificação» que grasa em todo o concelho.
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado

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O rio Côa é a espinha dorsal da Beira Interior Norte Raiana, constituindo uma das áreas de maior valor natural do país, cujo vale é um corredor ecológico unindo os maciços montanhosos do sistema central, a serra das Mesas e Malcata, com o coração da bacia hidrográfica do Douro. Neste percurso atravessa os extensos planaltos de granito da Beira, formando vales «encaixados» no troço médio.

José MorgadoAs condições climáticas e orográficas que caracteriza o seu percurso, entre montanhas, planaltos e vales criam uma elevada riqueza paisagística e biodiversidade especialmente ao nível da fauna.
Podem classificar-se três situações, ecologicamente distintas que reflectem a posição do Rio Côa na sua bacia e a sua ligação à história recente do Côa, a zona de cabeceira, a montante, o troço médio e o percurso terminal, a jusante na sua foz.
Há vinte anos, quando a EDP, decidiu fazer uma Barragem no Côa, logo nesse ano de 1989 o então estudante de Arqueologia, Francisco Sande Lemos, identificou as primeiras gravuras rupestres e delas avisou o IPPAR e a EDP.
Só em 1993, a EDP contrata o arqueólogo Nelson Rebanda, curiosamente do IPPAR, quando já estavam a decorrer as obras.
O património mundial enriqueceu-se em 1994, com o achado mais complexo de arte rupestre do paleolítico, ao ar livre, tendo como contra partida negativa, em termos financeiros, o abandono do projecto da Barragem do Rio Côa.
José Penedos, actual presidente da REN, pertenceu ao núcleo duro de Guterres e este homem da Energia, em nome da cultura, ajudou a travar a construção da barragem de Foz Côa e autor da celebre tirada «as gravuras não sabem nadar».
(continua.)
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado

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O rio Côa nasce na Serra das Mesas, no limite dos Fóios (Sabugal-Guarda), percorre 130 quilómetros até desaguar, na margem esquerda do rio Douro em Vila Nova de Foz Côa (Guarda), correndo de Sul para Norte. Não confundir o seu nome com outro rio português, o Alcôa, que nasce em Chiqueda (Alcobaça), e a sete quilómetros em Alcobaça, junta-se ao rio Baça, desaguando no mar, perto da Nazaré.

José MorgadoMas ao longo dos tempos, nem sempre o seu nome e localização exacta da sua nascente eram correctamente referidos, havendo várias versões.
Quando D. Dinis, confirmou o Foral do Sabugal, como consequência do Tratado de Alcanizes, esse actos registrais, não se tornaram de um momento para o outro do domínio público, pois o povo nas suas igrejas matrizes continuavam a ouvir párocos que dependiam do bispo de Ciudad Rodrigo a cuja jurisdição continuavam a pertencer, até aos princípios do Século XV.
As populações locais por onde o Côa passa só sabiam que a «rebera», como era conhecido o Côa, vem dali e corre para acolá e não um curso de água com principio, meio e fim. «Reberas», muitas, cada aldeia tinha a sua.Só os letrados, eventualmente, conheciam o percurso na generalidade. Para a cultura popular era a «rebera» de Vale de Espinho, «rebera» de Quadrazais, a «rebera» do Sabugal e por aí em diante até á foz, conhecendo assim só fragmentos do rio que correspondiam ao leito do rio, que passava no seu limite.
Os nomes relativos aos cursos de água eram do género feminino e ainda hoje na língua francesa esse arcaísmo persiste, pois o rio Sena, para eles ainda é a Sena.
Por outro lado, dizer «rio Côa ou ribeira Côa» é uma redundância, porque é o mesmo que dizer «ribeira-ribeira», pois «coda» ou Côa, já significa ribeira, caudal e os romanos chamavam-lhe «cuda».
Actualmente é inquestionável dizer rio Côa, mas é repetitivo, pois Côa continua a significar ribeira ou caudal.
O rio Côa, no decurso dos tempos, serviu de «fosso» entre ribacudanos (os da margem direita) e os transcudanos (os da margem esquerda), nos períodos tribais e através da Reconquista, serviu de Raia, entre o Reino Leonês e o Reino de Portugal e finalmente de «fosso» também ao Castelo de Sabugal.
Relativamente á nascente do Côa, alguns geógrafos civis e militares, como Duarte Nunes de Leão e Bernardo de Brito, colocam a sua nascente, junto de Alfaiates e António Brandão e outros eruditos, ao definirem o território de Riba-Cõa, escrevem: «Uma língua de terra de quinze léguas de comprido e de largo quatro, aonde tem mais largura.Está lançada de norte a sul, e cingida da parte de Portugal com o rio Côa, que tendo um nascimento na serra da Xalma, que é uma parte da serra da Gata, faz uma entrada em Portugal, pelos lugares de Fologozinho (erro:quereria dizer, talvez Fojinho), Vale de Espinho e Quadrazais, donde se avizinha de Sabugal, primeira vila acastelada desta comarca».
Num manuscrito de Brás Garcia de Mascarenhas, ilustre escritor e militar: «O Côa desce pelos lugares de Foginho, Vale de Espinho, Quadrazais e Sabugal, que lhe fica a leste» No Século XVII, Fóios era vulgarmente conhecido por Fojinhos e situa-se com rigor a nascente do Côa na Nave Molhada (no Lameiro dos Lourenços ou Curral das Moreiras) e na sua vertente portuguesa. (Continua.)
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado

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Já muito se escreveu neste blogue, sobre a candidatura da arte de lidar o touro, característica única das terras arraianas do Riba-Côa a património Imaterial.

José MorgadoSegundo Luís Marques, director regional de Cultura de Lisboa, deveria ser criado para o Património Imaterial, um Instituto como existe para o património construído.
Há por todo o País uma série de manifestações e práticas culturais que vão de canções de trabalho, a procissões, de fórmulas mágicas a cantos de desafio e outras manifestações culturais, que merecem ser inventariadas e registadas, como a gíria quadrazenha e a Capeia Arraiana.
Para Manuel Maria Carrilho, embaixador de Portugal na Unesco, deve-se garantir a protecção de práticas que estejam ameaçadas de desaparecimento.
Desde Agosto de 2008 que em Portugal, existe um regime jurídico, para a protecção deste tipo de património, conforme Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial.
Assim, qualquer grupo, associação, município ou outra entidade pode candidatar uma «prática, representação, expressão, conhecimento e aptidão, tais como os instrumentos, objectos, artefactos e espaços culturais que lhes estão associados».
Para tal é preciso haver registos e documentação e uma aposta politica clara dos intervenientes.
Deixo aqui este pequeno apontamento, para relembrar, aos que tiveram a ideia, que a não a devem deixar morrer à nascença.
Pior que perder ou não conseguir é não tentar.
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado

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Na parte mais alta do Sabugal, num planalto da Serra da Malcata, está edificado um castelo imponente e de rara beleza, provavelmente construído nos séculos XII-XIII, sob o domínio leonês e formado por um enorme perímetro muralhado. Remodelado e ampliado por D. Dinis, devendo-se a este monarca a edificação em 1297 da torre de menagem, de 30 metros de altura, recebendo depois obras de beneficiação no reinado de D. Manuel e ainda na época das Guerras da Restauração, por volta de 1640.

José MorgadoFoi moradia real e terá sido aqui que se realizaram as bodas de casamento da Infanta Dona Maria, filha de D. Afonso IV.
Um dos episódios mais relevantes da vida do castelo, deu-se em 1811, quando os guerreiros lusos combateram e derrotaram o Exército francês.
Para além da sua função militar, o Castelo do Sabugal também passou parte da sua existência como prisão. Aqui esteve encarcerado o poeta e cavaleiro Brás Garcia de Mascarenhas.
Por volta do ano de 1846 o seu interior foi transformado em cemitério, demolindo-se as construções ali existentes.
Foi a Direcção-Geral de Edifícios e Monumentos Nacionais que, a partir da década de 1940 que salvou o castelo da deterioração total.
A sua beleza deve-se, não só á sua arquitectura, mas também á sua localização, isolado num planalto, sobranceiro ao Rio Côa e fronteiro ao terreiro, onde anteriormente se encontrava a Igreja de Nossa Senhora do Castelo.
Castelo de Cinco Quinas - SabugalAs muralhas graníticas interiores têm um longo adarve acessível por quatro escadas e três torres de ângulo, de planta quadrada. A Sudeste, situa-se a torre de menagem, de planta pentagonal, reforçada por mata-cães e com três pisos, num dos quais está o escudo com as cinco quinas. De grandes dimensões, domina toda a fortaleza.
Podem ver-se ainda a Porta da antiga vila e Torre do Relógio, anexa e um troço de muralha a Oeste, adossado à cidadela, integrande barbacã de traçado rectangular irregular, unida ás torres da cintura exterior e apresentando nos ângulos dois cubelos cilíndricos. A cintura muralhada exterior é em traçado pentagonal irregular, possuindo um pequeno troço desmoronado a Norte. Tem duas portas a Este e a Sul em arco pleno no interior, cobertas com abóbada de berço.
A cintura muralhada interior tem traça pentagonal irregular, integrando cinco torres de planta quadrada adossadas pelo exterior. No interior do recinto, subsistem estruturas de compartimentos.
O interior tem uma fabulosa cobertura em abóbada de cruzaria de ogivas, polinervada.
Com típica arquitectura militar, é uma edificação de estilo gótico, que apresenta afinidades com outros castelos portugueses tais como os de Beja, Estremoz e Montalegre.Contudo é o único castelo de cinco quinas em Portugal.
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado

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Em dia de eleições legislativas aqui deixamos algumas noções rápidas sobre política (…) do bloguista Alex que se transcrevem com a devida vénia.

José Morgado«Militante = aquele que milita ou luta (por uma causa, ideal ou partido), devendo implicar uma conduta activa… geralmente integrado numa organização (legal ou não, religiosa, militar, civil política,…)
Aderente = aquele que adere, associado com direitos e deveres, que se junta a um grupo ou partido, movimento, ideal ou causa, podendo esta ligação ser mais passiva do que activa…
Inscrito (membro formal) = aquele que se inscreve, tem o seu nome no registo de membros de… (um partido, associação,…), geralmente comprometendo-se a cumprir determinadas estatutos (objectivos, regras, direitos e obrigações…) e a pagar uma ‘quota’, para ser considerado membro de pleno direito.
Simpatizante = aquele que partilha alguma simpatia ou proximidade ideológica, ética, estética ou prática com determinado grupo, embora não faça parte formal dele … não beneficiando de regalias e não estando sujeito aos direitos e deveres de uma organização…
Independente = aquele que não depende de … (outrem ou de uma organização, porque tem recursos próprios,…), pelo que, teoricamente, tem total liberdade (apenas limitada pela sua ética e consciência…) para escolher, votar, decidir, fazer … Sem estar vinculado aos direitos e deveres de uma organização, chefia, obediência partidária, ideais, princípios ou regras de outros…
‘Aparelhista’ (partidário) = aquele que faz parte do aparelho, é uma peça para este funcionar,… funcionário = aquele que tem uma função dentro de uma organização, faz parte desta e é pago para a executar,…
Dirigente = aquele que dirige, podendo ser um chefe de facto ou de categoria/ título, … Obtido por conquista própria, atribuído pelos seus pares ou por dirigentes maiores,…
Pares = iguais em direitos e deveres (pessoas, membros,…)
Partido Político = associação ou organização social que tem por principal objecto a conquista e manutenção do poder político, do exercício de governação de um estado ou autarquia,… Tendo princípios, programas e práticas mais ou menos progressistas ou conservadoras,…
Esquerda = partidos cujos eleitos se sentam no sector da esquerda da bancada da Assembleia da República (geralmente assumidos como socialistas, comunistas e seus coligados)
Direita = partidos cujos eleitos se sentam no sector da direita da AR (geralmente assumidos como social-democratas, democratas-cristãos, liberais e populares)…
‘Centrão’ = os partidos no centro do ‘arco parlamentar’ (bancadas em semicírculo na Assembleia da República), que no caso português, actual, correspondem ao PS (‘centro-esquerda’) e ao PSD (‘centro-direita’).
‘Arco do poder = os partidos que nos últimos tempos (desta 3ª república) têm estado no governo,… Cujos membros são nomeados para vários cargos de poder público (de órgãos de soberania, de administração pública directa, indirecta e tutelada»
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado

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Os Independentes, supostamente apartidários, têm sido para mim um tema recorrente, nesta rubrica, desde a primeira crónica em 14 de Dezembro de 2008. Como este Blogue me dá completa liberdade, lá vai…

José MorgadoManuel Alegre defende Listas de Independentes, porque há quem não tenha em quem votar e isso é um falhanço dos partidos.
Jorge Sampaio em «O Meu Livro de Política» da Texto Editora, (que aconselho a quem deseja abraçar esta profissão ou Job, desde muito cedo) fala da política aos jovens e faz um diagnóstico pouco abonatório da relação «cidadãos-politica.»Diz que os políticos estão desvalorizados e que as eleições são cada vez mais ignoradas.
Pina Prata é considerado uma ameaça para Carlos Encarnação (PSD/CDS/PPM), porque a sua candidatura Independente à Câmara, pode baralhar, pela primeira vez, as contas de alternância (PSD/PS).
Nos Açores, nas ilhas de S. Miguel, Terceira e Pico, há sete Listas de Independentes, às freguesias, porque se querem demarcar dos partidos políticos, devido à desilusão, descontentamento e cansaço dos políticos de carreira.
Em Faro e Vila do Bispo, apresentam-se pela primeira vez Listas de Cidadãos Independentes.
São mais de 50, as listas para as Câmaras, apresentadas por Movimentos de Cidadãos.
No Concelho do Sabugal, começaram a aparecer listas de independentes a nível de Juntas de Freguesia, já nas eleições autárquicas de 2005. Assim:
– No Soito, concorreram «Os Amigos do Soito», com 12 candidatos e tendo como opositores listas do PS e do PSD;
– Nos Fóios, concorreram com a designação «Fóios no Caminho Certo», com 12 candidatos e sem oposição;
– Na Lageosa, concorreram «Os Amigos da Lageosa», com 15 candidatos e sem oposição;
– Em Aldeia Velha, concorreram «Os Amigos de Aldeia Velha» com 13 candidatos e sem oposição;
– Em Rendo, concorreram «Os Amigos de Rendo», com14 candidatos e tendo como opositores o CDS.
Para as eleições de 11 de Outubro de 2009, o Soito deixou de contar com os «Amigos do Soito» e três dos elementos, candidatam-se nas listas do PS, MPT e CDU e Rendo também, encontrando-se dois dos seus membros nas listas do PS e PSD.
«Fóios no Caminho Certo» e «Os Amigos da Lageosa» continuam sem oposição e «Os Amigos de Aldeia Velha, com opositor o MPT.
No entanto a Nave, Santo Estevão, Aldeia da Ponte e Alfaiates, concorrem este ano com os seguintes Movimentos de Independentes:
– Na Nave, concorrem os «Amigos da Nave», com 14 candidatos, tendo como oposição o PS;
– Em Santo Estevão, concorrem os «Unidos Por Santo Estevão», com 16 candidatos, tendo por opositor o MPT;
– Em Aldeia da Ponte, concorrem os «Juntos Por Aldeia da Ponte», com15 candidatos, sem opositores;
– Em Alfaiates, concorrem os «Amigos de Alfaiates», com15 candidatos, tendo como opositor a CDU.
Considerando ainda que surgiu inicialmente uma candidatura independente a todos os órgãos autárquicos e que mais tarde, por falta de meios logísticos, arranjou uma «barriga de aluguer» mas que só inclui independentes, ao contrário dos independentes que foram convidados ou foram aceites por formações partidárias, a elas ficando ligadas em pé de igualdade com os seus filiados, excepto no pagamento de quotas, embora às vezes se tornem em autênticos «cavalos de Tróia» poderemos concluir que nas 33 freguesias que vão a votos, estão contidas 21 listas de independentes.
Para o politólogo Carlos Jalali, existem dois tipos de movimentos independentes, a sufrágio:
– Os verdadeiros independentes, composto por um conjunto de pessoas «sem filiação partidária no passado»;
– Aqueles, «encabeçados por figuras, mais ou menos mediáticas, outrora ligados a aparelhos políticos».
Desta vez, no Sabugal há para todos os gostos.
Escolham um bom prato, se possível regional e cuidado com as indigestões!
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado

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«Uma empresa nacional concebeu um sofisticado sistema de detecção de incêndios que permite poupar largos milhões de euros. Apesar de inovador os espanhóis foram pioneiros na aquisição dos aparelhos.»

José MorgadoÉ simples, é eficaz e pode poupar milhões.Chama-se Forest Fire Finder (FFF), é um avançado sistema tecnológico que permite detectar incêndios em menos de cinco minutos e foi concebido pela NGNS- Ingenious Solutions, uma empresa portuguesa que tenta há três anos demonstrar a validade do seu projecto na prevenção de fogos.
Apesar do interesse demonstrado por entidades de todo o país, apenas o Governo Civil de Santarém apostou, até agora, no FFF, tendo instalado o sistema em dois locais estratégicos no concelho de Ourém.
O tão propalado choque tecnológico, uma das bandeiras do Governo de Sócrates, acabaria por se revelar uma miragem para os dois sócios da NGNS, Pedro Vieira e José Matos, ambos com formação na área da física tecnológica. Apesar da indiferença nacional, o projecto nascido na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Nova tem atraído as atenções em diversos países como Espanha (com sistemas instalados na Andaluzia e Galiza), Irão, China, Malásia ou Uruguai.
O Forest Fire Finder acabaria por tomar forma. Através de sensores atmosféricos é possível detectar nuvens de fumo orgânico (aquele que resulta da queima das árvores) num raio de 15 quilómetros. Além dos sensores, o aparelho é munido de câmaras que patrulham 24 horas por dia o terreno, fazendo “varrimentos” de 360 graus. Em Ourém, um dos sistemas esta colocado no castelo e outro na torre da igreja na localidade do Casal dos Bernardos.
Uma vez detectado o fogo, num período que não excede, por regra os cinco minutos, são enviados alertas via SMS, com respectiva imagem da coluna de fumo e localização do incêndio, para as autoridades responsáveis como os bombeiros, a GNR ou a Protecção Civil.
“A taxa de sucesso dos alertas do FFF é superior aos 90%, enquanto que a do sistema tradicional de vigilância ronda os 3%. Não achamos que se deve dispensar os vigilantes florestais mas essas pessoas seriam provavelmente mais úteis na limpeza das matas do que numa torre de vigilância, oito horas por dia, onde as temperaturas atingem os 40 graus”, realça o administrador da NGNS.
Forest Fire FinderSegundo as estimativas feitas pela empresa, “bastariam cerca de 300 aparelhos para cobrir as áreas florestais do país, um custo de 30 milhões de euros, um valor bem mais baixo que os 100 milhões gastos por ano com incêndios em Portugal”, lembra João Matos, que confessa a sua frustração quando assiste pela televisão às cenas, infelizmente, habituais, de incêndios de norte a sul do país. “Sinto que poderíamos estar a ajudar a prevenir a dimensão dos incêndios, pois quanto mais depressa for dado o alerta, mais depressa os bombeiros chegam ao local. Sem custos elevados de utilização de helicópteros, sem perdas de vidas e de habitações”, remata ainda o responsável da NGNS.»
A quando da visita recente do Sr. Presidente da República às zonas ardidas, alguém neste Blogue comentou que «depois de casa roubada, trancas à porta».
Ainda é cedo e não vi ninguém a por «trancas», mas «vale mais tarde do que nunca» e esta autentica tragédia, que se abateu sobre o Sabugal, sirva para, mais que não seja, acordar, quem de direito, para medidas de prevenção, atempadas, começando a actuar, na prática, sobre os factores próximos e remotos que contribuíram e continuam a contribuir, para estas desgraças, factores que já foram elencados e muito bem, neste blogue.
Mas, como agora é um período de promessas vãs e não de «mãos à obra», façamos votos que «a história não se repita»
Deixemos passar estes períodos eleitorais, com a certeza porém que se continuarmos a agir, como até agora, mais ano menos ano voltamos ao mesmo.
Os subsídios são bem vindos, como medidas curativas, que são e justas indemnizações, mas é fundamental investir nas medidas preventivas, que saíam «fora do papel».
Já muitos povos e povoados, se ergueram, com mais vigor, após terra queimada, fruto de guerras, catástrofes naturais ou provocadas.
Sigamos esses exemplos que a história nos dá.
(Artigo com extractos da crónica da jornalista Marisa Antunes.)
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado

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Vou continuar, neste período eleitoral, a preencher o espaço que me é destinado nestes domingos, a divulgar os meus comentários e de outros mais abalizados do que eu, como é o caso de politólogos e jornalistas desportivos, desculpem, jornalistas políticos, que bem os há, pois a deontologia profissional, nesta época, não é seguida à letra.

José MorgadoHoje, baseado em artigos publicados recentemente no semanário «Expresso», transcrevo algumas opiniões.
Estão a por em causa as democracias, tal como as conhecemos, pois os cidadãos, deixaram de confiar nos políticos e a geração que está a crescer com a Internet, vai ter dificuldades em permitir que outros tomem decisões por eles.
Em Portugal, autarcas eleitos em listas de independentes, não escondem as vantagens de não ter de responder às estruturas partidárias desgastadas.
As sondagens mostram que os cidadãos, cada vez acreditam menos nos políticos que os representam, começando a proliferar experiências de formas de democracia participativa.
Os eleitores vão querer ser ouvidos e participar de forma efectiva e directa nas decisões colectivas. Os analistas, em Portugal, acreditam que as pessoas, não estão cansadas da política, apenas já não toleram os partidos, que «estão estratificados, não se respira no seu anterior e é muito difícil, fazer vida dentro deles» (Costa Andrade, constitucionalista).
Segundo Villaverde Cabral a única coisa boa desta crise dos partidos, é a forte mobilização que vemos na sociedade que é um sinal de que as pessoas não desistiram da política, mas apenas dos partidos e a emergência de Movimentos Cívicos ou de candidaturas independentes, parece ser uma tendência inevitável, porque o grande problema da democracia portuguesa, actualmente, é a desvinculação da população aos partidos.
Para Costa Andrade o défice de confiança no sistema político e nos seus agentes, tem causas múltiplas: deficiente sentido de responsabilidades dos políticos; ausência de responsabilidade politica; ausência de responsabilidade criminal e clara debilidade de compromissos das promessas.
Como já foi dito, uma das respostas a esta crise dos partidos é a criação espontânea de Movimentos Cívicos e candidaturas independentes, embora só ainda possível para os Órgãos Autárquicos e só desde 2001.
Este modelo, infelizmente também tem servido para outros fins menos transparentes como o caso de políticos afastados dos partidos, envolvidos em processos judiciais como o de Fátima Felgueiras, Isaltino Morais ou Valentim Loureiro É preciso separar o trigo do joio.
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado

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Segundo Morgenthau «o realismo político baseia-se numa concepção pluralista da natureza humana». O Homem é um ente complexo, porque é simultaneamente «homem económico, politico, moral, religioso».

José MorgadoAlguém que fosse somente político, seria na verdade um mero animal, pois estaria completamente desprovido de freios. Se se limitasse a ser homem moral, não passaria de tolo, por privado de prudência. Um homem puramente religioso, seria um santo.
Em sentido abrangente todo o Homem é político, por ser gregário e se organizar e viver em comunidades.
Nunca tanto como até agora o cidadão comum participa, critica ou tenta alterar as boas ou más politicas de quem o governa. Não há cidadãos «apolíticos». O cidadão-consumidor, pode não rever-se nas formações politicas existentes em determinado momento, mesmo quando para tal contribuiu com o seu voto e sentir-se enganado e por isso mesmo reivindicar os seus direitos.
O povo português, até culpa os políticos por tudo o que de prejudicial lhe acontece, diariamente, como:
– O custo de vida;
– Os preços exorbitantes dos produtos alimentares;
– Os baixos salários;
– A subida de impostos, etc.
São genuínos protestos às políticos de certos políticos «vigaristas, pilantras, corruptos e lacaios».
Nos últimos anos foram várias as batalhas conquistadas pela sociedade civil, como o fim das penalizações por amortizações ou transferência de créditos e planos de poupança-reforma; arredondamentos abusivos e elevadas comissões por renegociar prazos no crédito.
O cidadão eleitor é cada vez mais dono do seu estatuto e a classe política tem de perceber esta realidade e chamar para a agenda eleitoral, problemas que deveriam ser o centro das atenções.
A intervenção politica não se faz só através da filiação em partidos políticos. Muitos «apartidários» têm mais militância politica que alguns que se arvoram de políticos dos quadros ou profissionais.
Afinal o que é um politico em sentido restrito do termo? Não sei.
Para terminar deixo aqui algumas definições quase humorísticas, pois como diziam do Gil Vicente «Rindo, castigava os costumes».
«Todos os políticos, são populistas, se forem inteligentes.» (Dorminsky, semanário «Sol»).
«Num meio onde se generalizou a convicção de que o bom político, é aquele que mostra mais combatividade, a vozearia, quase sempre na ausência de qualquer conteúdo visível, é permanente.» (Leonel Moura, «Jornal de Negócios»).
«Os políticos falam verdade e mentira indiferentemente. Realizam o prometido ou não, sem qualquer dúvida ou remorço (…) Acusam os adversários, ora no poder, ora na oposição, de tudo quanto fazem eles próprios (…)» (António Barreto, jornal «Público»).
«Político é um tipo que faz trinta por uma linha, para alcançar um lugar de poder e depois, faz trinta por uma linha, para o conservar.» (Fernando Marques, «Jornal de Notícias»).
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado

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Afastando a ideia de que eu não sou um opinion maker, mas um simples cidadão, que se interroga sobre as questões que neste período fértil das eleições em que todo o mundo tem brilhantes ideias e projectos para o futuro dos municípios, vou enumerar uma série de dúvidas que me assaltam e para as quais não tenho resposta.

José MorgadoAssim:
1 – Que se passa com o poder autárquico, cuja imagem pública se degradou ao longo destas três décadas?
2 – Isto acontece só em Portugal?
3 – Os problemas são estruturais ou conjunturais?
4 – Por que é que a Comunicação Social é cada vez mais redundante?
5 – As políticas municipais estão esgotadas?
6 – A lógica dos poderes autárquicos, está confinada á permanente reivindicação de mais dinheiro e mais competências?
7 – A melhor decisão é sempre e unicamente a possível ou mais fácil no momento?
8 – Por que é que os discursos políticos extremam as diferenças, quando na prática são iguais?
9 – Por que é que se popularizou tão rapidamente a ideia de que eles (os partidos) são todos iguais?
10 – A abertura á constituição de listas de cidadãos independentes, está a alterar essa opinião?
11 – Estamos a caminhar para uma espécie de centro politico incaracterístico, dos autarcas ou candidatos á função, provenham eles da base partidária estabelecida ou acoplando pseudo-independentes?
12 – E na hora das escolhas, o que é que pesa mais:
– A dimensão politica?
– A opção tipo fervor clubístico?
– A empatia com os candidatos?
(continua.)
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado

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Depois de um conjunto de crónicas sobre as aldeias históricas da Beira Interior Norte/Sul, tema que pelos vistos, não teve grande receptividade por parte dos visitantes do Blogue, só com um ou outro comentário, comentários que, na minha opinião são o melhor indicador para medir o interesse dos assuntos versados neste óptimo meio de comunicação entre «transcudanos».

José MorgadoCASA DO CASTELO – O tema desta crónica, tem a ver com a dita, bem ou mal designada «Festa da Europa».
O vídeo publicitado neste Blogue, cuja reportagem é da responsabilidade da «Local Visão» peca por ter uma visão parcial, não apresentando todos os Stands presentes no evento, nomeadamente o stand da Casa do Castelo.
O castelo de Cinco Quinas, que só há um em Portugal, é felizmente conhecido graças á quadra popular: Castelo de Cinco Quinas /Só há um em Portugal/ Fica á beira do Côa/Na vila do Sabugal.
A Casa do Castelo no Sabugal é recente e menos conhecida e é fruto de um projecto privado, mas na sua génese está vocacionada para a divulgação da história do castelo, do Sabugal seus usos e costumes. Preenche uma brecha na divulgação do concelho.
Não se compreende como até esta altura, não exista um protocolo ou parceria com a Empresa Municipal Sabugal Mais.
Pior ainda é constatar-se que esta empresa considera o seu contributo como «concorrência desleal».
Nas anteriores autárquicas, a promotora deste projecto, era cabeça de lista pelo PSD, á junta de Freguesia do Sabugal e fez tremer o «jurácico» Rasteiro, que eu pessoalmente admiro, pelo que tem feito pela freguesia.
Afinal os maiores adversários da Casa do Castelo são internos.
Felizmente a Casa do Castelo, já ultrapassou os limites do concelho e uma das provas é o Post recentemente publicado no Blogue de referência «Café Mondego» que consta nos Links do «Capeia Arraiana».

Veja o post de Américo Rodrigues no «Café Mondego». Aqui.
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado

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Sortelha é uma das aldeias medievais mais antigas de Portugal, que chegou a ficar despovoada durante as lutas da Reconquista Cristã. Hoje, é um destino turístico de eleição para quem procura as mais belas e históricas aldeias do País.

José MorgadoSORTELHA – Como cartão de visita, podemos observar as muralhas da aldeia. Mandadas edificar por D. Sancho I, em 1187, erguem-se com enormes penedos dispostos em forma circular, ganhando a forma de um anel. Disposição que em muito contribuiu para o seu nome. «Sortija», «Sortilia» ou «Sortela» são alguns nomes castelhanos que designam um jogo antigo de cavaleiros, que consistia em enfiar a ponta de uma lança num anel de pedrarias.
Mas a história de Sortelha remete-nos igualmente para a história do seu castelo, erguido numa escarpa vertical, a 760 m de altitude. Terá sido D. Sancho II a mandar fazer a reedificação do castelo, bem como a conceder o foral mais antigo a Sortelha em 1228. No entanto, foi apenas no reinado de D. Dinis que a defesa final da linha das fronteiras ficou definida nesta região de Portugal, com a assinatura, em 1297, do Tratado de Alcañizes. Não obstante as obras de restauro de que foi alvo, o castelo de Sortelha perdeu naturalmente a sua importância militar. No reinado de D. Manuel I, em 1510, nova carta de foro foi concedida à aldeia.
Nesta aldeia da Beira Alta, a pedra granítica é nota dominante. Apenas os verdes do vale lhe conferem cor. A entrada em Sortelha faz-se através de uma porta gótica do século XIV, sobre a qual se vê a «Varanda de Pilatos», balcão do reinado de D. Dinis, com mata-cães por onde, do alto, se atacava os agressores. Na ombreira de uma outra porta da muralha, situada no lado Oeste, duas ranhuras de pedra, representam duas medidas da época – a “«ara» e o «Côvado».
SortelhaChegando ao pelourinho, reparamos no sino que se ergue sobre o beirado do solar dos viscondes de São Sebastião. A visitar é também a Igreja Matriz, templo do século XIV, onde se destaca a talha dourada do altar-mor e o tecto mudéjar.
Numa aldeia de encantos mil, cuja arte do paleolítico lhe valeu a classificação de Património da Humanidade pela UNESCO, as casas de granito fundem-se com o pavimento tosco e encantam os curiosos turistas que deambulam pelas suas ruas. As gentes da terra vivem do turismo, por isso, apostam no artesanato, especialmente no trabalho de tapeçaria, bordados e elaboração de cestos.
José Saramago em «Viagem a Portugal», ao visitar Sortelha, ficou com a seguinte impressão: Entrar em Sortelha, é entrar na Idade Média (…). O que dá o carácter medieval a este aglomerado é a enormidade das muralhas que o rodeiam, a espessura delas e também a dureza da calçada, as ruas íngremes e empoleirada sobre pedras gigantescas, última cidadela, ultimo de sitiados, derradeira e talvez inútil esperança.
Se alguém venceu as ciclópicas muralhas, de fora, não há-de ter sido rendido por este castelinho de brincar.
Com esta última resenha histórica da nossa jóia, termino aquilo a que me propus em Junho, divulgar as aldeias consideradas históricas, vizinhas de Sortelha
Além destas nove, não referi, Castelo Novo (Fundão) Belmonte e Piódão (Arganil).
Outras povoações deveriam também fazer parte das Aldeias históricas e dos seus programas de recuperação e valorização, nomeadamente a aldeia de Algodres, Avô (Oliveira do Hospital), Cidadelhe (Pinhel) e Vilar Maior e Alfaiates (Sabugal) que se não são consideradas históricas, têm, contudo, muita história por contar.
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado

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Visitando esta aldeia da Beira Baixa não se consegue adivinhar a sua importância e riqueza de outrora. Foi fundada no século I a.C., sendo então capital da circunscrição administrativa romana Cívicas Igaeditanorum.

José MorgadoIDANHA-A-VELHA – Embora não se saiba muito sobre a vida em Idanha-a-Velha nesta época, os historiadores pensam que tenha tido uma fase de grande enriquecimento, até porque era um ponto de paragem na grande estrada peninsular que ligava Emérita Augusta (Mérida) a Braccara Augusta (Braga). A povoação estendia-se da entrada norte até às margens do rio Ponsul, que delimita a sudoeste e oeste. No centro situava-se o fórum, um espaço rectangular contornado por um muro, que tinha na cabeceira Oeste um templo dedicado a Vénus. A Sul, deveriam ficar as termas. Nos séculos III e IV d.C., foi construída uma muralha que apenas protegia parte da povoação, a qual não foi suficiente para evitar que Idanha-a-Velha, tenha passado para as mãos dos Suevos no século V. Aliás, todos os indícios apontam para que a muralha tenha sido reconstruída por diversos conquistadores ao longo do tempo.
Do período de domínio dos Suevos destaca-se a criação da diocese da Egitânia, por decisão do rei Teodomiro no ano de 569, dirigida a partir de Idanha-a-Velha. Em 585 passa a integrar o reino visigótico e a cunhar a sua própria moeda em ouro.
Idanha-a-VelhaA actual Sé Catedral deverá ser uma evolução de uma primitiva edificação visigótica e o baptistério junto à porta Sul da Sé, uma herança da primeira basílica paleocristã da antiga vila. Deverá ter sido um templo suevo transformando em catedral pelos bispos visigodos que, depois, foi sofrendo várias obras até se chegar à construção que hoje pode ser visitado.
Em 713, Idanha-a-Velha conhece novos ocupantes. Desta vez, os muçulmanos. A prosperidade aumenta e Idanha-a-Velha cresce atingindo a dimensão de centros urbanos como Silves, Beja e Lisboa, bastantes relevantes na época. A Sé Catedral visigótica terá sido transformada em Mesquita, na qual se realizaram obras de reestruturação e acréscimos. A porta norte foi construída nesta altura.
A reconquista cristã foi complicada. D. Afonso Henriques entregou-a à Ordem do Templários. Contudo, viria a ser reconquistada pelos mouros, sendo libertada por D. Sancho I que a doa novamente aos Templários. No entanto, os muçulmanos voltariam a ocupá-la. Assim, não é de estranhar que Idanha-a-Velha esteja já numa fase de decadência quando D. Sancho II a entrega mais uma vez à Ordem dos Templários, em 1244. Da época do governo dos Templários destaca-se a torre que foi construída sobre o podium do fórum.
O empobrecimento de Idanha-a-Velha agravou-se com a deslocação das fronteiras mais para Sul e Leste, alterando com isso os eixos estratégicos e militares. Além disso, é um local com pouca aptidão defensiva. Em 1 de Junho de 1510, D. Manuel I concede-lhe um foral novo. Esta feita tentativa para restituir à cidade a importância de outrora.
Situada a 15 km de Idanha-a-Nova, sede de concelho, e a 31 km das Termas de Monfortinho – que faz fronteira com Espanha – , Idanha-a-Velha é conhecida pela sua beleza natural e pelas suas características de um museu aberto, ideal para quem gosta de turismo cultural e de embeber-se das paisagens que emolduram a história.
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado

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Situada na face Noroeste da Serra da Estrela, Linhares da Beira foi colonizada pelos romanos que aqui deixaram alguns vestígios, sendo exemplo disso a estrada romana – ainda visível na calçada – que ligava Emerita Augusta (actual Mérida, Espanha) a Braccara Augusta (Braga), assim como os marcos milionários existentes na margem direita do rio Mondego.

José MorgadoLINHARES DA BEIRA – Não existem registos históricos que indiquem quando e quem fundou esta vila, cujo nome primitivo terá sido Lenio ou Leniobriga. Invadida por visigodos e muçulmanos, Linhares passou a ser definitivamente portuguesa com a conquista de D. Afonso Henriques. O primeiro rei de Portugal concedeu-lhe foral em 1169, o qual foi renovado por D. Manuel em 1510.
No entanto, a paz não durou muito tempo e o período de instabilidade prosseguiu no reinado de D. Sancho II. As tropas de Leão e Castela cercaram a região para se apoderarem do Castelo de Celourico da Beira. Linhares «correu» em auxílio de Celourico e, juntas, derrubaram o inimigo. Conta a tradição que este combate terá sido travado ainda de noite e ter-se-á comportado a lua como o mais poderoso aliado dos defensores da praça. Por esta razão, a bandeira de Linhares exibe uma crescente e cinco estrelas.
Linhares da BeiraAo vaguear pela povoação, irá deparar-se com uma aldeia em que impera uma nobreza de raro encanto. As habitações possuem características que rapidamente nos chamam a atenção: fachadas de granito, lápides com as datas referentes à sua construção, brasões e janelas do século XVI em estilo manuelino. O conjunto da aldeia é «coroado» pelo castelo, que se situa a 800m de altitude, reconstruído no século XIII por D. Dinis. Baluarte de defesa na época da reconquista e das guerras com Castela, o castelo ostenta uma forte torre de menagem com balcões abertos no último piso. Da torre partem duas muralhas formando um rectângulo, onde se supõe ter funcionado a primeira povoação.
A Igreja Matriz, reconstruída no século XVII, guarda no seu interior três valiosas tábuas atribuídas ao mestre Grão Vasco. Numa praça de Linhares ergue-se outra preciosidade histórica, falamos de um rústica tribuna – ruína de um fórum medieval – elevada sobre um banco em redor de uma mesa, onde eram tomadas decisões comunitárias e se realizavam os julgamentos.
No séculos XVIII e XIX, o aparecimento de diversos solares atesta a prosperidade económica que nesta época desenvolveu Linhares da Beira, referência para a casa Corte Real e a casa dos Pinas.
Por fim, para rechear de sabor a sua visita, nada como deixar-se levar pelas especialidades gastronómicas da região. Aqui, o destaque vai para a sopa de grão, o cabrito assado, bucho recheado, enchidos, arroz doce com queijo de ovelha e cavacas.
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado

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Trancoso é um dos sete concelhos do distrito da Guarda que se incluem na denominada sub-região da Raia, fronteiriça com Espanha. A Norte da capital do distrito, as terras de Trancoso estendem-se por uma paisagem planáltica de granito, cortada pelo rio Távora, conhecida por Riba-Côa ou Terra Fria Beirã.

José MorgadoTRANCOSO – Espectadora excepcional de importantes passagens da história de Portugal, Trancoso mantém-se como uma fonte de dinamização na Beira Interior, uma área desde há muito em luta com a falta de recursos e a desertificação dos seus campos e aldeias.
Os primeiros vestígios humanos no concelho têm cerca de 4000 anos. Um primitivo castro pastoril deu lugar a um posto defensivo, que, com a chegada dos romanos, foi aumentado e reforçado. Já no século X, o castro tinha-se convertido em castelo e estas terras eram disputadas por mouros e cristãos. Muitas foram as arremetidas de uns e outros. Frentes às muralhas de Trancoso bateram-se homens como Almançor, Fernando Magno, Martim Moniz e D. Afonso Henriques, que resgatou Trancoso após ter sido arrasada pelos muçulmanos em 1139. Depois da batalha, D. Afonso Henriques terá tomado duas determinações: construir o convento de Tarouca e usar o título de Rei de Portugal.
O Castelo de Trancoso ficou definitivamente ligado à cristandade em 1160, pelas armas, uma vez mais, de D. Afonso Henriques. Mas as disputas com Castela continuaram, e a cercania com a fronteira (70 km até Vilar Formoso) reservaria um papel relevante aos habitantes de Trancoso nas guerras com o país vizinho. Durante resistência às tropas de Napoleão, o desafortunado general Beresford estabeleceu quartel no casario de Trancoso.
BandarraNão obstante, não só combates viu esta povoação. A vila beirã assistiu também ao casamento de D. Dinis com Isabel de Aragão, em 1282, e ao nascimento da fama de Gonçalo Annes, por alcunha o Bandarra. Sendo Trancoso terra rica em personagens lendárias, é que este sapateiro da primeira metade do século XVI, poeta e profeta, o que mais alargou através dos séculos a sua fama. Em palavras de Pessoa «(…) este cujo coração foi não português mas Portugal».
O Bandarra, assim como muitos membros da vasta e influente comunidade judia, chegou a ser julgado pela Santa Inquisição. A vila histórica de Trancoso, abraçada pelas muralhas guarda marcas da importância dos judeus na vila e do seu forte desenvolvimento comercial. As casas da velha judiaria ainda exibem as duas portas características, algumas com símbolos hebraicos sobre os marcos: a mais larga para fins comerciais e a estreita para uso doméstico.
A melhor ocasião para visitar Trancoso é em Agosto, aquando da famosa Feira de S. Bartolomeu. Os ares de Medievo que emanam das singelas ruas da vila, com o seu castelo e muralhas e o pelourinho manuelino, junto à Igreja de S. Pedro, classificados Monumento Nacional, parecem reviver quando atravessamos o arco das Portas de El-Rei e caminhamos pela rua conhecida por Corredoura, que nos leva até ao Largo Francisco Ferreira, o centro da via. Lojas e cafés acompanham os numerosos transeuntes que fazem fervilhar os velhos arruamentos. Magnifica ocasião para saborear as especialidades da gastronomia local: o cabrito assado, o bacalhau à S. Marcos, o ensopado de míscaros ou as enguias à S. Bartolomeu. Nos doces são célebres, as «sardinhas doces de Trancoso».
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado

morgadio46@gmail.com

Marialva ergue-se num monte rodeado de outeiros e penhascos, de difícil acesso, situado na margem esquerda do rio Alva. Localização essa que transformou Marialva numa importante praça militar durante a Idade Média.

José MorgadoMARIALVA – Povoação de raízes antigas, admite-se que a sua origem esteja ligada à cidade de Aravor (fundada pelos Túrdulos), sendo destruída por sucessivas invasões até ao século XI. Marialva terá sido definitivamente reconquistada por Fernando Magno, em 1063, que a baptizou de Malva, antes de ser chamada Marialva. Mas esta não é a única suposição em torno do nome. Há quem defenda que Marialva deriva do nome próprio de uma apaixonada de Afonso II – a quem, em 1217, o Rei doou a aldeia. O nome da dama era D. Maria Alva. Em 1179, D. Afonso Henriques tinha já concedido a primeira Carta de foral à vila.
Ao entrar em Marialva, irá depara-se com um cenário medieval do qual fazem parte três agrupamentos: a devesa – que se prolonga pela ribeira e planície; a vila, com características quinhentistas; e a cidadela, onde o silencio chega a ser desconcertante e apenas cortado pelo barulho das águias que batem as asas por cima dos telhados da aldeia.
Aldeia Histórica MarialvaNa rua, os edifícios resistem ao tempo com as suas paredes de pedra e portas góticas. Mais para o interior, percorrendo as calçadas medievais, será conduzido até ao largo onde se ergue o pelourinho granítico do século XV, o edifício da antiga Câmara e o Tribunal. Alguns metros à frente, encontrará a Igreja Matriz, do século XVI, detentora de um portal manuelino, a quem deram o nome de Santiago, por aqui passar a antiga rota dos peregrinos de Santiago de Compostela. Ainda hoje se celebra em Marialva, a 25 de Julho, a feira de Santiago a propósito do dia do Apóstolo.
Numa zona mais elevada da povoação, encontra-se o castelo. Edificado por D. Sancho I em 1200 e, posteriormente, ampliado por D. Dinis. O castelo foi perdendo, com o passar do tempo, grande parte das suas pedras e do seu valor; mas merece a pena subir às suas muralhas e apreciar a vista sobre a serra da Marofa. Aqui o tempo parece parar.
Nesta região do Norte de Portugal, podem-se desfrutar de alguns prazeres gastronómicos, como as papas de sarrabulho, diversas receitas elaboradas com peças de caça, as filhós, as raivas e os vinho de mesa que se produzem nesta zona fronteiriça entre o Dão e o Douro.
Nos últimos tempos, Marialva tem sido alvo de varias intervenções para a recuperação do seu património.
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado

morgadio46@gmail.com

Os vestígios arqueológicos na zona fronteiriça de Castelo Rodrigo remontam ao Paleolítico. Situada a 10 kms do rio Côa a povoação de Castelo Rodrigo alberga igualmente notáveis sinais da presença dos romanos e no domínio mouro.

José MorgadoCASTELO RODRIGO – No entanto, a importância estratégica de Castelo Rodrigo começa a ser mais significativa durante a reconquista cristã, particularmente, para os reis de Leão a quem pertencia o território. À povoação foi entregue o título de vila e elevada a concelho pela mão do monarca Afonso XI de Leão e o seu objectivo era claro: atrair pessoas para aquela zona.
Castelo Rodrigo esteve sempre presente nos contenciosos entre Portugal e Castela ao longo da história. Entretanto perdida para os muçulmanos D. Afonso Henriques reconquistou-a em 1170. Os mouros insistiram e D. Sancho I teve de a trazer novamente para o lado cristão em 1209 e nesse mesmo ano, Castelo Rodrigo recebe a sua primeira Carta de Foral. Mas foi preciso esperar quase noventa anos mais para que fosse integrada definitivamente no território nacional, o que deixou definido no Tratado de Alcanizes assinado por D. Dinis em 12 de Setembro de 1297. O Rei poeta mandou então reconstruir o castelo e povoar novamente Castelo Rodrigo.
D. Fernando viria a conceder a Carta de Feira à vila em 23 de Maio de 1373, o que significava que Castelo Rodrigo podia abrir as portas das muralhas aos comerciantes e desenvolver a sua actividade mercantil.
Figueira Castelo RodrigoCom a morte de D. Fernando, a independência nacional ficou colocada em causa. Tinha uma única filha, D. Beatriz, que era casada com D. João de Castela. Contudo, D. João, Mestre de Aviz, derrotaria os castelhanos na batalha de Aljubarrota e fora coroado rei de Portugal. Castelo Rodrigo tinha tomado partido de D. Beatriz e, como castigo, D. João I determinou que o seu brasão ficasse com o escudo das armas reais invertidas, além de passar para o domínio administrativo de Pinhel.
Com isto, a vila entrou em decadência e despovoou-se. Só em 1508 é que a vila recebeu um Foral Novo, concedido por D. Manuel, que mandou igualmente restaurar o castelo.
De seguida, veio o controlo de Portugal por parte dos Filipes de Castela. A vila passou a ser dirigida por Cristóvão de Moura, defensor da causa filipina, que ergueu um palácio residência que viria a ser queimado pela população revoltada contra o traidor, a 10 de Dezembro de 1640, logo após a restauração da independência.
Castelo Rodrigo, devido à sua posição estratégica, jogou um papel protagonista nas disputas contra Espanha. Em 1664, foi cercada pelo duque de Osuna e reza a história que 150 homens contra mais de quatro mil aguentaram a guarnição até à chegada de reforços, obrigando de seguida ao tal Duque de Osuna a fugir mascarado de frade.
Com o fim das guerras da restauração, Castelo Rodrigo começou a perder importância. Em 1836, a rainha D. Maria II passaria a sede de concelho para Figueira de Castelo Rodrigo.
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado

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É por uma estrada sinuosa, por entre montes e vales, que se chega às portas da aldeia-fortaleza medieval de nome Castelo Mendo. Estamos no distrito da Guarda e mais concretamente, no concelho de Almeida.

José MorgadoCASTELO MENDO – Chegando ao portal da muralha, somos recebidos por dois berrões que ladeiam a entrada, figuras monolíticas originárias da cultura celta. E há séculos que ali repousam, testemunhando o lento passo do tempo, numa terra, hoje, quase abandonada. Realmente, pouco mais de uma centena de pessoas ainda vive em Castelo de Mendo. Por triste que isso pareça, talvez o seu isolamento e desertificação tenham mantido este lugar igual a si próprio. Uma jóia perdida na montanha. As ruas desertas e as casas abandonadas dão-nos uma estranha sensação de intemporalidade.
A freguesia de Castelo de Mendo situa-se na margem esquerda do rio Côa, a cerca de 20 quilómetros da sede do concelho e é constituída pelas povoações de Castelo de Mendo e Paraizal, onde existe um velho e antigo relógio de sol.
A sua história é riquíssima, tendo sido cabeça de um concelho de grande importância, que dominava uma vasta área. O poder de outrora é ainda visível na actual povoação. É hoje uma fortaleza-museu. Vestígios de antigas estradas, cerâmicas e moedas provam a antiga importância da região, mesmo antes da chegada dos romanos, que encontraram aqui um antigo castro bem fortificado.
Castelo MendoNa Reconquista Cristã, Castelo de Mendo foi de crucial importância para a defesa das terras da margem esquerda do Côa. Daí à reconstrução do castelo foi um pequeno passo. D. Sancho II daria carta de foral a Castelo de Mendo em 15 de Março de 1229. Na mesma altura é criada uma feira franca, a realizar três vezes por ano. Foi a primeira feira medieval documentada do país.
Ponto de interesse nesta visita cultural é, o pelourinho manuelino de gaiola e colunelos e a mutilada Igreja Matriz.
A descrição feita por José Saramago em «Viagem a Portugal» não poderia ser mais fiel: «A primeira paragem do dia é em Castelo Mendo. Vista de lado é uma fortaleza, vila toda rodeada de muralhas, com dois torreões na entrada principal. Vista de perto é tudo isto ainda, mais um grande abandono, uma melancolia de cidade morta.
Vila, cidade, aldeia. Não se sabe bem como classificar uma povoação que tudo isto tem e conserva.
O viajante deu uma rápida volta, foi ao antigo tribunal, que na altura estava em restauro e só para mostrar as barrigudas colunas do alpendre, entrou na igreja e saiu, viu o alto pelourinho, e desta vez não foi capaz de dirigir palavra a alguém. Havia velhas sentadas às portas, mas em tão grande tristeza que o viajante deu em sentir embaraços de consciência. Retirou-se, olhou os arruinados berrões que guardam a entrada grande da muralha, e seguiu caminho.»
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado

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JOAQUIM SAPINHO

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