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Cada época histórica produz e propaga um determinado sistema de valores. A que presentemente atravessamos institucionalizou a destruição da moral e da ética, da verdade, da amizade e da solidariedade.

António EmidioSubstituiu esses valores por outros falsos que elevou à categoria de absolutos, eleitos pela ideologia do cálculo e do lucro.
Penso às vezes, e tenho a certeza, que sou um anacronismo no actual momento histórico, um inadaptado, talvez seja a palavra mais certa. Por isso sou um exagerado, às vezes, quando ataco este sistema político/económico que nos rege. Mas ao olhar à minha volta, noto que peco por o não atacar mais contundentemente.
Vou deixar-lhe aqui querido leitor(a), um pequeno grande exemplo da institucionalização da mesquinhez.
Numa reunião a que assisti, e que versou sobre a avaliação e desempenho na Função Pública, foi dito pelo orador, e está em Decreto, que a atitude pessoal do funcionário não conta na altura de ser avaliado, o que conta somente são os resultados. No dicionário de português, atitude significa MODO DE PROCEDER. Daí se conclui que não interessa como se conseguiram os resultados, o que interessa é que tenham aparecido. Isto é um convite à luta de todos contra todos, ao egoísmo, ao individualismo levado ao extremo, à falta de solidariedade, à má educação, à indelicadeza, e à falta de consideração pelos colegas.
Os homens e mulheres, os verdadeiros ideólogos do sistema, que fazem estas leis, são aqueles burocratas imbuídos de falso liberalismo e de uma aversão à Democracia, que principescamente pagos, enxameiam ministérios e secretarias de estado
De uma incompetência inaudita, e incapazes de solucionar os problemas que nos afligem. Antes pelo contrário! Cada vez nos arranjam mais situações desesperadas, a que actualmente vivemos é uma bancarrota social, que está a preceder a económica, esta última não tardará muito.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

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Hoje vou entrar, sem pedir licença, pelos «sabores literários» do Paulo Leitão. Há um livro de Eça de Queiroz, publicado em 1874, que se manteve actual até finais dos anos sessenta, nesse Portugal rural. O Crime do Padre Amaro, assim é o título.

António EmidioVamos enquadrar a época histórica de 1874 até 1970. Nesse espaço de tempo, 96 anos, talvez com o parêntesis da 1ª República, ou talvez não, o vasto Mundo Rural Português, atrasado e pobre, com uma percentagem impressionante de analfabetismo, foi uma presa extremamente fácil da igreja católica, presa da sua influência.
O Estado Novo acentuou ainda mais essa influência. Salazar, o fundador do Estado Novo, começa a sua vida de estudante no seminário de Viseu. Foi depois, já homem, um dos fundadores do Centro Católico Português. Um agente especial de Pio XI, o padre peruano de nacionalidade americana, Mateo Crawley Boeevey, convence Salazar a entrar na política de então, e a tomar as rédeas do poder. Já no Governo, Salazar baseia as suas doutrinas políticas e sociais nas encíclicas Rerum Novarum e Quadragesimo Anno de Pio XI. A igreja católica foi um esteio seguro da ordem e da estabilidade do Estado Novo, foi a maior aliada de Salazar durante o seu longo «reinado». Não é de estranhar portanto, quando eu digo que em 1970, com matizes próprias da época, a igreja tinha um comportamento idêntico ao de 1874.
Vamos agora às iguarias: o livro está recheado delas, mas eu vou referir somente as do jantar que o abade da Cortegaça deu em sua casa ao padre Amaro, ao cónego Dias, ao padre Natário, ao padre Brito, e ao «mariquinhas» Libaninho. Quem serviu à mesa foi a Gertrudes, criada do abade.
Começa o jantar com um suculento caldo de galinha, seguido de uma cabidela de caça, especialidade do anfitrião, segue-se um capão recheado que até à mão foi comido. Tudo regado com um bom vinho da Bairrada. Sobre a mesa estavam espalhadas malgas de apetitosas azeitonas.
As variadas e doces sobremesas foram acompanhadas com um Porto 1815.
«Um pobre viera então à porta rosnar lamentosamente padre nossos, a Gertrudes meteu-lhe no alforge metade de uma broa.»
O aparecimento do pobre levou a conversa para a pobreza que grassava nas Freguesias em redor. Dizia o abade da Cortegaça:
«…há pobreza deveras. Por aqui há famílias, homem, mulher e cinco filhos, que dormem no chão como porcos e não comem senão ervas.
– Então que diabo querias tu que comessem? – exclamou o cónego Dias, lambendo os dedos depois de ter esburgado a asa do capão – querias que comessem peru? Cada um como que é.»
Demorou o jantar três horas. Quando se levantaram para ir tomar café à sombra de uma parreira, todos cambaleavam ligeiramente.
Se por acaso ainda não leu o livro querido leitor(a), leia-o, porque vale a pena. Não pelas iguarias, mas pelo comportamento moral da maior parte dos representantes da igreja católica.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

Procurava no meio da anarquia dos meus livros, jornais e revistas, algo que me interessava, não encontrei, mas veio-me algo ter ás mãos: tenho na minha frente um artigo que o doutor Mário Soares escreveu em 2008 para um jornal.

António Emidio«Os actuais políticos europeus, com algumas excepções, parece que ainda não compreenderam que na Europa também são precisas rupturas radicais, em consonância com as aspirações sociais e ambientais dos eleitores europeus e as Grandes Causas que hoje preocupam os jovens e os adultos, mulheres e homens. Quarenta anos depois do Maio de 68, está na hora de os jovens europeus voltarem a lutar por um mundo mais justo, solidário e melhor».
Avisadas palavras, doutor Mário Soares, vamos então pedir aos jovens portugueses, aos adultos, ás mulheres e aos homens que comecem a lutar, na rua, contra aqueles que os lançam no desemprego, no trabalho precário e no desespero. Sabe quem são esses que assim procedem? Os que presentemente nos governam, os do seu partido, aqueles cuja política governativa provoca efeitos socialmente desastrosos, aqueles que traíram e traem diariamente os ideais socialistas, aqueles que o senhor tanto apoia. O Partido Socialista foi a alma ideológica que serviu para os mais fracos, os mais humildes e os mais pobres da sociedade portuguesa, pós Abril de 1974, se lançarem num combate político que os levou à sua emancipação. Era um partido de trabalhadores, e agora o que é? Um partido de burgueses urbanos que o que sabem fazer, e os únicos ideais que têm é ler o Expresso e dizer mal do PSD.
Este tipo de «socialistas» já não luta pela erradicação da pobreza, pela justiça social e pelo pleno emprego, tornou-se indiferente à crueldade social de uma União Europeia neoliberal, que suprimiu postos de trabalho, cortou nos salários e pensões de quem trabalhou e trabalha, tudo para encher os mercados financeiros que já nadam em dinheiro. Obedecem cegamente a Bruxelas e ao Banco Central Europeu. E quem serve a dois senhores, algum tem de trair, e o mais fácil de trair é o povo…
Sabe porque é que não há revoltas? Porque vivemos no mito de um «governo socialista», um partido e um governo de «esquerda», assim as lutas sociais não fazem sentido. Tornou-se o Partido Socialista, um partido de contenção das lutas de quem trabalha, por isso, o grande poder económico tanto se serve dele para os seus fins, este é o pior conservadorismo, não permite que nada mude.
Que mais dizer doutor Mário Soares, que o Povo Português não saiba? Talvez não saiba que os partidos socialistas a nível europeu, e não só, se passaram com armas e bagagens para o campo dos seus antigos inimigos de classe. Essa traição deixou indefesos milhões de jovens, mulheres e homens que trabalham e que procuram emprego.
O doutor Mário Soares poderá dizer que as sociedades modernas, as sociedades da alta tecnologia, não podem ser governadas como as antigas. As sociedades modernas são de agora, as antigas de antigamente, mas a justiça é de sempre.
A história ainda não chegou ao fim doutor Mário Soares, há muita luta a travar.
Este post saiu-me assim. Podia ter sido pior! Fiz auto-censura, censurei catorze linhas…
Antes de terminar quero fazer justiça aqueles homens e mulheres do Partido Socialista que se mantêm íntegros nos seus ideais do Socialismo em Liberdade.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

Não sei se o leitor(a) já se apercebeu que de tantos em tantos anos começa a ouvir que a Segurança Social vai entrar em ruptura. Eu já ouço isto desde os finais dos anos setenta.

António EmidioHá uma explicação, a Segurança Social movimenta milhões de euros pertencentes ao Estado, é um dos sistemas públicos que movimenta mais dinheiro, logicamente é motivo de cobiça por parte de bancos e seguradoras. Dizem então que a única solução para se evitar o «colapso» é privatizar a Segurança Social. Só assim será possível, no futuro, haver pensões e reformas para todos.
Quem aconselha isto é uma série de gestores privados, gestores de bancos e seguradoras, mas que ao mesmo tempo trabalham como assessores de primeiros-ministros. Ainda segundo eles, o sistema privado ofereceria melhor rentabilidade do dinheiro dos contribuintes, que seria sem dúvida alguma jogado na Bolsa.
Continuam os gestores privados: deve entrar-se na capitalização individual (Segurança Social Privada), gradualmente, e reduzindo as pensões ao mínimo, baseando-se no salário médio da vida laboral do pensionista. Feitas as contas, significaria uma redução de 30% nas pensões actuais, eles próprios o reconhecem, mas dizem que os benefícios que actualmente usufruem os pensionistas e reformados são extremamente generosos.
Aconselham também aumentar a idade de reforma entre os 67 e 70 anos, devido ao aumento da esperança de vida e, por conseguinte, ao aumento de anciãos que irão sobrecarregar a Segurança Social. E o aumento da esperança de vida é igual para todos? Será que um homem que toda a vida trabalhou, por exemplo na construção civil, terá a mesma esperança de vida de outro que trabalhou numa cátedra de uma universidade? Querido leitor(a), não há nada mais desigual do que o tratamento igual entre desiguais.
Os mentores destas propostas, os tais gestores e assessores, enviaram o seu relatório sobre a Segurança Social a países europeus aconselhando-os à privatização desta, mas tome atenção a esta passagem:
«As decisões aqui propostas poderiam solicitar-se trasladando a responsabilidade pela sua entrada em funcionamento, à União Europeia – e muito especialmente à Comissão Europeia – as quais seriam possíveis pelo DEFICIT DEMOCRÀTICO existente na União Europeia. Não se prestariam contas à cidadania, e tais decisões poderiam ser tomadas contra os desejos dos votantes hoje existentes, mas a favor dos interesses dos que todavia ainda não nasceram.»
Banqueiros e grandes accionistas preocupados com os que ainda irão nascer, isto comove…
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

Um dos péssimos atributos que nos trouxe este sistema, foi o individualismo levado ao extremo. Visto como uma auto-realização do indivíduo, esse individualismo está a destruir a família.

António EmidioOs seres humanos comportam-se na maior parte das vezes influenciados pelos valores que predominam à sua volta. Se por acaso predominam o irracionalismo, a desumanidade, o niilismo, e o egoísmo, isso também se reflecte na família e na sua decomposição cada vez mais rápida. A família é um reflexo da sociedade.
O individualismo esquece o relacionamento com o outro, e este comportamento causa tanto dano ao próprio, como à sua família. Também as relações sociais presentemente, que não passam de uma luta de todos contra todos, estão reflectidas na família, quantos lares haverá em que o homem e a mulher entram numa concorrência desenfreada para ver qual deles tem mais influência social? Há muito disto.
As mulheres ainda se vão dedicando mais à família, mas os seus empregos, as horas infinitas de trabalho e o stress, obrigam a que tenham cada vez menos filhos. A independência económica da mulher em relação ao homem, também joga contra a sua função de mãe e esposa. Claro! Não podemos esquecer que a independência económica da mulher, é a maior conquista dela até ao presente. Não há bela sem senão.
Presentemente o desemprego é uma das causas da não formação de família por parte dos jovens, e a destruição de outras.
O presidente da Junta da nossa cidade, estipulou dar duzentos euros aos casais por cada filho que tenham, é uma medida para aumentar a natalidade. Mas é um erro pensar-se que o problema da natalidade tem a ver com dinheiro. Não é um problema de números senhor Presidente, se olharmos para a história da Europa, veremos que o baby boom do pós Segunda Guerra Mundial se ficou a dever a vários factores, entre eles: o emprego seguro, a economia posta ao serviço dos cidadãos, paz, segurança e ENCORAJAMENTO ESTATAL (ordenados decentes, segurança social justa, e criação de emprego pelo próprio Estado).
Presentemente, o sistema político/económico tem única e simplesmente por meta o lucro das empresas. Se a única meta é o lucro, origina a perca de valores e destruição da dignidade do homem. A família é a principal vitima disto tudo.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

Não me vou referir a obras feitas ou por fazer, aliás não é essa a minha vocação, vou escrever no feminino, vou dizer que as mãos dessas mulheres que têm cargos políticos no Concelho do Sabugal, e também a sua inteligência, demonstram que não é só no trabalho e nas lides domésticas, que são eficazes e produtivas.
(Por hoje ser o Dia Internacional da Mulher pedi para anteciparem a publicação do minha colaboração semanal, que normalmente é editada à terça-feira).

António EmidioVi-as falar ao povo que as elegeu sempre numa postura de respeito e verdade, vi-as falar nas assembleias, não tendo outro objectivo senão o bem das suas Freguesias. Pessoalmente, não vejo nestas atitudes um acto de rebeldia e de emancipação em relação ao homem, vejo uma vontade e dedicação ao bem público, e também uma rejeição ao poder central, uma demonstração de vontade e de querer transformar este Concelho do interior abandonado pelos políticos de Lisboa.
E quantos sacrifícios não fazem! Com o trabalho e os problemas da governação, não descuram a educação dos seus filhos, não descuram o carinho de esposas que devem aos seus maridos, e a diário vão para o trabalho. Tudo isto com a lide da casa. É preciso muita fortaleza interior, podemos dizer que é um heroísmo silencioso que têm no interior da alma. Não são figuras decorativas, são exemplos de coragem e valor. Atrevo-me a dizer que todas elas são seguidoras desse coração nobre, que assumiu o preço que se exige viver na verdade, na moral e na ética, que foi a Lucinda do Casteleiro. Como ela, praticam o bem, que é a coisa verdadeiramente grande e excelsa.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

O juiz Goldstone, descendente de uma família judia sul-africana, juiz do Tribunal Penal Internacional das Nações Unidas, elaborou um relatório sobre o massacre cometido em Gaza pelos Israelitas. É na base desse relatório que o Tribunal Russell se reúne nos dias 1, 2 e 3 de Março, para julgar esse massacre, e também julgar a cumplicidade da União Europeia com os crimes israelitas, porque os acordos políticos, económicos e culturais são cada vez mais estreitos entre ambos.

António EmidioAs decisões do Tribunal Russell não têm valor jurídico, somente se quer chamar a atenção da comunidade internacional para aquilo que se passa na Palestina. É composto por várias individualidades, entre elas um prémio Nobel da Paz e uma ex-congressista dos Estados Unidos.
A lista das acusações também se refere à anexação ilegal de Jerusalém Este, demolição de casas palestinas e construção do muro na Cisjordânia. O Hamas também é acusado do lançamento de rockets contra território israelita. Esses rockets fazem vítimas esporadicamente, mas nada tem a ver com as matanças israelitas, principalmente a última que foi das mais violentas, em Gaza, que deixou 1.500 mortos, entre eles centenas de mulheres e crianças.
Os grandes meios de comunicação social a nível internacional, estão quase todos nas mãos de judeus, principalmente nos Estados Unidos. Qualquer notícia sobre a Palestina, é bem filtrada, e só se sabe o que os donos dessa comunicação social quiserem. Mesmo com esta censura toda, muitos europeus dizem que a influência dos judeus nos países e governos ocidentais é demasiada, e perto de 50% dizem que Israel está a levar a cabo uma guerra de extermínio contra o povo palestino. Começam também a ser do conhecimento dos cidadãos europeus e americanos as violações das resoluções do Concelho de Segurança das Nações Unidas, praticadas por Israel. Não há tempo nem espaço para me referir às 75(!?) violações, quase todas elas originando guerra e destruição.
O que acontece presentemente na Europa, não é nenhuma campanha de deslegitimação de Israel, como diz o embaixador israelita em Londres, quando se vê confrontado com manifestações anti-israelitas nas universidades onde vai fazer palestras, é uma rejeição à política de limpeza étnica em relação aos palestinos. As embaixadas israelitas na Europa têm instruções para lutar contra a deslegitimação de Israel, como eles lhe chamam, a nível político e cultural. Na América do Sul também há uma ofensiva israelita, principalmente no Brasil. Tanto na Europa como na América do Sul, há um crescimento do anti-semitismo, e um maior apoio ao islamismo.
Querido leitor(a) pode insurgir-se contra o que estou a escrever, ou não acreditar em nada, mas duas coisas são certas: A primeira é a destruição e morte de uma terra e de um Povo, uma limpeza étnica. A segunda é esta: a medida mais eficaz contra o radicalismo islâmico no Mundo, era a criação de um Estado Palestino.
Pessoalmente nada tenho contra o povo judeu, e não sendo contra a existência do Estado de Israel, sou também a favor da existência de um Estado Palestino.
Muitos cientistas, escritores, poetas, pensadores e filósofos judeus, foram e são de um humanismo penetrante, mas sejamos sinceros, a partir de 1948, fundação do Estado de Israel, os seus governantes, foram, e são de uma brutal desumanidade. E tudo isto porque Israel tem o apoio incondicional dos Estados Unidos.
E agora um aviso para quem estiver tentado a enviar este artigo a uma delegação política ou cultural israelita, escusa de o fazer, porque eles leram-no primeiro do que o Capeia Arraiana. Têm o meu computador «debaixo de olho», e tudo porque pertenci ao Movimento pro Povo Palestino e Paz no Médio Oriente.
Sou espiado por estrangeiros no meu próprio País…
Eu um dia contarei esta história aos leitores(as) deste blogue.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

Há duas coisas que eu ainda não senti na minha vida: a Felicidade e a Liberdade.

António EmidioA Felicidade, penso que só os fanáticos religiosos a conseguem, os místicos, aqueles que se dizem imbuídos de Deus. Isto reza para todos os credos.
Serão felizes os que adoram esta época histórica que atravessamos, que não conhece outros valores que não sejam o êxito, a riqueza, o poder, e a luta de todos contra todos?
Serão felizes os Párias da Terra que têm fome e sede de justiça?
Serão felizes aqueles homens e mulheres que diariamente vão para os empregos ganhar o pão de cada dia?
Serão felizes aqueles homens e mulheres cheios de uma boa ambição (nada tem a ver com o Self Made Man, à americana) que lutam para ter uma vida melhor, chegando alguns e algumas a conseguir licenciaturas, trabalhando e estudando ao mesmo tempo?
Serão felizes aqueles e aquelas que criam pequenas empresas e comércios sem destruírem o semelhante, respeitando a dignidade de todos? São uns autênticos heróis e heroínas, têm atributos como a honestidade, o espírito de sacrifício e a humildade.
Serão felizes aqueles homens e mulheres que se dedicam à nobre causa da governação, orientando-os o bem dos cidadãos, e que são de uma verdadeira ética e esmerada dedicação ao serviço público, quando olham à sua volta e vêem a leprosaria moral que os rodeia?
Serão felizes esses jovens que eu vi divertirem-se tanto no Carnaval, mas que passado este, vão encontrar-se em casa dos pais sem emprego, e se o têm, voltarão para ele com medo de o perder, porque é inseguro e mal pago?
O Mundo, querido leitor(a), é um vale de lágrimas, não acredite no que diz o sistema, esse usa a droga, o álcool, o hedonismo e o consumismo desenfreado, para poder reinar à vontade, quer fazer-nos ver que vivemos no melhor dos mundos.
A Liberdade.
A liberdade absoluta nunca existiu, nem existirá, por razões antropológicas e sociais. A ela não pertencem só direitos, pertencem deveres, e o principal é respeitar a liberdade dos outros. Aquele que se esquece deste pormenor está a atentar contra a liberdade, contra a Democracia, o civismo e a convivência entre os homens.
Sinto que a minha liberdade já não passa de algo abstracto, falo, escrevo (quando me deixam, e até me deixarem) e voto, sem dúvida, mas isso de pouco vale. Eu queria ser livre para acabar com essa gente que tem muitíssimo dinheiro e muito poder, que domina os governos nos quais eu voto, e as decisões deles sobrepõem-se aos órgãos e instituições representativas dos cidadãos. Queria acabar com essa gente que controla os nossos parcos recursos. Esses parasitas dizem que os nossos salários, e as nossas pensões de reforma levam à ruína o País.
Querido leitor(a), deixe-me pedir-lhe uma coisa: durante as campanhas eleitorais, acuse alto e em bom som, os demagogos, os cínicos, os que usam a retórica e instrumentalizam a verdade, mesmo que sejam do seu próprio partido. Ame o seu partido, mas ame mais a verdade!
Se assim não actuar, está a deitar pela janela fora, o pouco que ainda resta de Liberdade e Democracia.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

Para isso é Carnaval. Vou pôr a máscara de um pensador e político moderno, da maior parte dos que por aí andam.

António EmidioEssa grande mulher e grande estadista inglesa, Margaret Thatcher, a «Dama de Ferro», por alguma razão assim a apelidaram, disse em 1987, num discurso: «Existem três inglaterras, a da alta finança, a das classes médias, e a dos excluídos. Eu governo para as duas primeiras, e o que nada tem, nada me venha pedir, pois nada tenho para lhe dar».
Frases destas, só podem ser ditas por alguém com uma visão da governação muito acima do comum dos políticos. Os governantes actuais, para acabar com a crise económica que assola os seus países, deviam dar atenção a estas palavras. Elas dizem-nos que é preciso dar mais aos que têm muito, e depois esperar que a prosperidade destes se repercuta em todos. Não duvide leitor(a), só assim o Mundo sairá desta crise. É um novo tipo de política económica, o «Efeito Pingadeira». Em que consiste? Por palavras simples, sem lançar adjectivos de grosso calibre, digo:
Os homens que criam riqueza, os poderosos oligarcas e banqueiros, não devem pagar impostos, pela simples razão de que o dinheiro deles é que faz mover as economias. Os impostos serão pagos pelas classes baixas e médias, excluindo também a classe média alta. Esse dinheiro, dos impostos, nunca! Mas nunca! Deve ser para obrigações sociais, como a saúde, o ensino, pensões, etc., deve ser entregue nas mãos dos oligarcas e banqueiros, serve para a criação de mais grandes empresas, gerando com isso mais postos de trabalho, ou seja, mais riqueza para todos. E assim irá «pingando» para a sociedade um pouco da prosperidade deles.
O Estado tem o dever de legislar a favor desses homens, veja leitor(a) este exemplo vindo dos Estados Unidos. Em Janeiro passado, a «Corte Suprema» legislou que o governo dos USA não pode proibir que as grandes companhias (empresas e bancos) entreguem donativos económicos durante as campanhas eleitorais, ou seja, dar dinheiro, o que quiserem, ao partido e aos políticos que lhes apetecer. É lógico que depois têm o direito de exigir contrapartidas, as grandes empresas e bancos, é esse pequeno sector da população, melhor dizendo, da elite económica, que dominará a economia, a política e a Democracia do País, comprando directamente eleições. Sinceramente não vejo mal nenhum nisto! O leitor(a) vê? Qual é a nação que enriquece com pelintras, pobres, madraços, greves, e sindicatos? Sem estes homens poderosos e ricos, a humanidade ainda estaria na idade da pedra lascada.
Ao Estado também compete manter uma constante atenção à comunicação social, não permitindo que tudo seja dito e escrito, principalmente à comunicação social alternativa, como os blogues. Estes necessitam de um filtro, neles já escrevem comunistas, socialistas de esquerda, marxistas, bolchevistas, maoistas, troteskistas, estalinistas, anarquistas, sindicalistas, feministas, ecologistas, niilistas, pacifistas, chomskystas, islamistas, terroristas, chavistas, moralistas de Evo Morales, obamistas, bloquistas, e até alegristas. Porra, que súcia! Mais parece uma célula terrorista desmantelada pelos serviços secretos…Sou um acérrimo defensor da liberdade de expressão, mas não a destes, tudo tem um limite…
O que leu, querido leitor(a), foi uma sátira ao actual momento político, tanto internacional como nacional. Ridicularizei vícios e defeitos de uma ideologia política. Eu também sou ridicularizado e sofro ataques pessoais por causa da minha ideologia, e daí não vem mal ao Mundo, antes pelo contrário, até fico aliviado do hemorroidal, acreditem que é verdade.
Um bom Carnaval para todos.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

«Por maior que seja o posto que ocupemos, há que demonstrar que é maior a pessoa que o ocupa» (Baltazar Gracian).

António EmidioA maior parte dos políticos actuais, esquecem que o poder que exercem não é propriedade deles, é património de todos os cidadãos, inclusive daqueles que contra eles votaram. Têm de compreender que são simples delegados da vontade popular.
A Democracia Representativa não quer só políticos com missões retóricas e cínicas nas suas tribunas, quer gente eficaz para resolver os problemas dos cidadãos.
Democracia, significa governo do Povo, mas na actual Democracia Representativa, quem governa são os seus representantes eleitos livremente, mas assim que se instalam no Parlamento, Governo e Assembleias, esquecem quem os elegeu, e fazem o que lhes apetece. O voto LEGITIMA-OS, mas o não cumprimento das promessas que fizeram ao povo, fazendo a maior parte das vezes o contrário do que prometeram, e outras vezes tomando medidas arbitrárias, DESLEGITIMA-OS.
Pessoalmente, custa-me ver figuras públicas, com responsabilidades políticas, transformarem-se durante as campanhas eleitorais em autênticos vendedores da «banha da cobra» – charlatães e demagogos – homens que podiam apelar à razão, e não à emoção. Podiam ser sinceros, mas mentem. Tudo isso deslegitima.
Não admira a resignação dos cidadãos, o seu cepticismo, a sua indiferença e, até a sua ignorância.
Os governantes ao deslegitimarem-se, em todos os aspectos, também morais, despojam a política da sua dimensão ética e do seu sentido original, que é promover o bem comum.
Os argumentos políticos não se reduzem só ao voto cada quatro anos, nem a liberdade é aquele dos que pensam todos da mesma maneira, a liberdade é sempre a liberdade dos que pensam de uma maneira diferente.
Há um sentimento de decadência presentemente em Portugal, basta ter ouvido no dia 31 de Janeiro, na cidade do Porto, os discursos de alguns homens da política e comentadores afectos ao sistema. Há vontade e necessidade de regeneração, e se há vontade e necessidade de regeneração, é porque alguma coisa está mal, todos o sabemos, excepto aqueles que não se querem aperceber disso.
Eu, se falo e escrevo sobre este estado de coisas, e dos seus causadores, é porque sinto o que qualquer português das classes populares sente, a decadência moral, política e económica do meu País.
Sei que os cidadãos críticos aborrecem, é preferível gente enganada e submissa
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

Os colaboradores deste Blogue, Adérito Tavares e António Cabanas, lançaram-nos como que um repto: as relações entre nós portugueses e esses vizinhos tantas vezes ignorados, que são os espanhóis. Como quase todos os que escrevemos no Capeia Arraiana, somos gente da Raia, porque não aceitá-lo?

António EmidioO nosso encaixe físico, esta vizinhança, faz com que tenhamos sempre os olhos postos uns nos outros. Assim foi ao longo da história. Neste post, não irei falar sobre batalhas ganhas e batalhas perdidas, nem tão pouco em nacionalismos serôdios. Falarei nos períodos de amuos e boas relações entre os dois povos.
O Iberismo é uma tendência política, espanhola, de integrar Portugal num todo ibérico. Esse Iberismo é conseguido no reinado de Filipe II . Alguns historiadores afirmam, que até essa data, Portugal se integrava sem muitos e grandes problemas numa Espanha medieval, renascentista e barroca. Era uma «pequena Espanha», mas com o surgir de novos pensamentos e correntes políticas, como o centralismo do poder, essa situação foi radicalmente posta de parte pelos portugueses a partir de 1640.
Depois desta data, cada um seguiu caminhos separados, o que deu origem a uma secular história de antagonismos. Portugal vive então de costas voltadas para Espanha, sendo assim a melhor maneira de defender a sua independência.
Só no século XIX, Portugal e Espanha têm uma postura diferente. Surge então uma espécie de Iberismo, mas este de carácter positivo, fruto das Invasões Francesas e da Guerra Peninsular. Ambas contribuíram para uma revolução ideológica, que foi o Liberalismo. Mas depressa este Iberismo deu lugar a um novo voltar de costas, fracasso da Primeira República Espanhola e proclamação da República Portuguesa. Nessa altura, em Portugal, era considerado anti-patriotismo e traição, falar em Iberismo.
Revolução de 28 de Maio de 1926, a partir daí, com toda uma séria de peripécias entre Salazar e Franco, durante a Guerra Civil Espanhola, em que Salazar apoia Franco, porque deseja uma convergência de regimes, e abomina a República, vendo nesta, ou seja, na vitória dela, o aparecimento de um Iberismo Revolucionário que levaria à queda do seu regime, o Estado Novo. Mas não esqueçamos que franco, e a Falange, sempre mantiveram, muito secretamente, uma vontade de anexar Portugal.
Vem depois a Segunda Guerra Mundial, Franco apoia os países do Eixo, chega a encontrar-se com Hitler, deseja participar na guerra. Salazar tudo faz para o dissuadir, sabe que isso traria uma invasão do território nacional pelos exércitos de Espanha e da Alemanha. Vários condicionalismos, entre eles – Hitler não aceitar uma série de condições de Franco – fazem com que a Espanha se mantenha fora da guerra.
Seguem-se anos de silêncio e calma, não há problemas. A Espanha, pela mão de alguns tecnocratas católicos da Opus Dei, entra numa liberalização económica, a partir dos anos sessenta. Liberalização económica, não política, a ideologia (ditadura) sempre esteve nas mãos de Franco. Portugal mantém-se inalterável, tanto política como economicamente. O que faziam os povos da fronteira, o que fazíamos nós, raianos, por estes lados? Contrabando, fazer compras nas povoações espanholas de fronteira, sempre com receio às autoridades, casamentos entre espanholas e portugueses, e vice-versa, idas e vindas entre caminhos e veredas, havia portugueses que tinham pequenas terras agrícolas em Espanha. As populações davam-se bem, apesar dos nacionalismos e proteccionismos dos seus governantes.
Revolução de 25 de Abril de 1974 em Portugal, começa a evolução para a democracia em Espanha (A Transição) . Franco ainda pensa em invadir Portugal, caso o Partido Comunista Português se instale no governo. Começa uma mudança ideológica que se reflectiu em todos os sectores.
Em 1981 há uma tentativa de golpe de estado em Espanha, feito pelos militares saudosistas do Franquismo. A concretizar-se, seria mais um período de tensão entre os dois países e muitos democratas espanhóis se refugiariam em Portugal. Falei com um, que andou pela serra á procura de caminhos que o trouxessem a Portugal, não só a ele, mas a muitos outros que tinham contactado com ele. As fronteiras entre os dois países fechariam, e as perseguições políticas começariam.
Vem 1986, entrada conjunta de Portugal e Espanha na União Europeia, então CEE.
Chegou-se ao fim da história nas relações entre os dois países? Ainda não. A história caminha para diante sem deixar para atrás o passado. Vivemos presentemente num Iberismo positivo, isto não quer dizer que um dia volte um Iberismo negativo.
Num dos artigos que escrevi para este Blogue, intitulado «Que Federação Ibérica?», disse que houve, e há, autarcas do Concelho que fizeram e fazem um grande esforço no intuito de uma aproximação cultural e económica com as populações do outro lado da fronteira. A história concelhia lembrar-se-á deles com fomentadores de um Iberismo são, e talvez precursores de uma Confederação Ibérica de Nacionalidades. São símbolos de paz e progresso.
Uma pequena história para terminar:
Quando Franco entra em Madrid, e se proclama vencedor da Guerra Civil, num clube, aqui na então Vila do Sabugal, estava toda a gente com atenção ao rádio que transmitia o acontecimento. Possivelmente o Rádio Clube Português, que durante a guerra transmitia programas de apoio às tropas franquistas. Ouve-se então uma voz clamar bem alto:
– Legionários!!! Isto ouve-se em sentido!!!
Foi o comandante da Legião Portuguesa da Vila que lançou esta ordem para os legionários presentes, tal era o fervor ideológico!
Escusado será dizer que toda a gente se pôs de pé e em sentido, legionários e não legionários, estes últimos com medo, não fosse o diabo tecê-las…
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

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Num destes domingos de Janeiro, almocei no restaurante Trutalcôa, um dos muitos restaurantes do nosso Concelho. Se menciono o nome, é pela razão da envolvência que caracterizou o almoço, nada tem a ver com publicidade.

António Emídio - Passeio pelo CôaNevava intensamente, o frio era glacial, como o restaurante é panorâmico, e tem paredes em vidro, via-se a neve cair e rodopiar com a força do vento. Ainda era cedo, estavam só dois comensais, eu e a minha mulher. Pedimos um arroz de tomate, com truta frita, e um bom vinho. Estava tudo divinal.
Como é natural, conversamos enquanto decorria a refeição. Houve uma altura em que me silenciei, e pensei na experiência inesquecível que seria para muita gente, especialmente turistas, estar sentados num bom restaurante, diante de uma bela refeição, e ver cair a neve por sobre aquela bonita paisagem, já serrana, onde ao fundo se vê um grande lago, no meio de um prado verde, ladeado por esse rio maravilhoso que é o Côa.
Lembrei-me dos nossos antigos, algumas vezes se diz que eram «atrasados», mas esses estiveram muito mais próximo do que nós, da sustentabilidade ambiental, não destruíram o meio ambiente. O seu saber dizia-lhes que ocupavam uma casa comum, que era a Terra, e com ela formavam uma comunidade cujo destino dependia deles.
Temos mais bens materiais do que eles tinham, mas perdemos bens humanos, morais e espirituais que os caracterizavam. Tinham mais sentido de justiça, de igualdade, e mais sensibilidade social. Não eram individualistas, viviam em comunidade, havia amor à família e ao próximo.
Perdemos muito da herança espiritual, das nossas melhores tradições humanas e culturais. Tudo se perdeu quando entre nós se instalou uma ideologia político/económica que quer o homem vazio de espiritualidade e cultura, mas repleto de ciência e tecnologia. E não me venham com essas histórias que antigamente não havia pão, roupa e casa de banho, porque se o homem fosse um ser equilibrado, tinha pão, roupa, casas de banho, cultura, valores ciência e tecnologia.
Querido leitor(a), cozinhavam assim tão mal as mães e esposas portuguesas, para termos de importar comida de plástico americana, e outras «iguarias gastronómicas»?
Será possível que para acabar com algumas das nossas tradições gastronómicas, fosse criada uma desapiedada polícia?
Politicamente correctos, e apologetas do sistema, vou escrever uma heresia: tudo isto se deve ao termos copiado o «american way of live». E como se isto não bastasse, obedecer cegamente a Bruxelas. Tudo gente e instituições que nunca souberam o que foi a nossa cultura, os nossos valores e as nossas tradições.
Nesse Domingo, estive numa das maravilhas naturais do Concelho, e comi uma bela refeição tradicional, senti o que é a Sabugalidade.
P.S. – A Sabugalidade representa para mim, todo o Concelho do Sabugal.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

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Vou começar o artigo com um dogma: a arte de governar não está ao alcance de qualquer um. A partir desta premissa, todo aquele que exerce um cargo político e seja inapto para o exercer, só desprestigia a politica, desprestigia os bons políticos e, o pior de tudo, desprestigia a Democracia.

António EmidioQuerido leitor(a), os cidadãos não se afastam da politica, como nos dá a impressão, os cidadãos afastam-se da má politica, e também dos maus políticos. Esses maus políticos originam coisas como esta: há uns tempos a esta parte foi feita uma sondagem por um instituto internacional, em que foram consultadas 61.000 pessoas em 60 países. Só sete por cento acreditam que a situação mundial melhorará por obra e graça dos homens e mulheres da política. Convém realçar que a sondagem foi feita antes de rebentar esta crise económica/financeira.
A alarmante e incessante corrupção económica, praticada por uma minoria, sem dúvida alguma por maus políticos, se o não fossem não eram corruptos, faz com que os cidadãos olhem para todos de igual modo. Mas não é assim, são uma minoria, mas esses seus actos de corrupção soam por todos os órgãos de comunicação social.
Um outro factor, e bem importante, do afastamento das pessoas, foi a entrada triunfante do neoliberalismo, e da substituição do Estado Social, por um Estado autoritário cujo fim é o lucro de empresas, desligando-se por completo do factor humano, e ajudando a criar desemprego, precariedade laboral, e pobreza. Dos primeiros a franquearem a porta do neoliberalismo, foi uma esquerda incolor que resvalou para o pragmatismo mais que reaccionário, abandonando ideologia e princípios, dizendo que essas coisas pertencem ao passado.
A mudança de partido, principalmente nas eleições autárquicas, sendo casos mais próximos dos cidadãos, fazem com que estes fiquem com uma má imagem da política e dos políticos. Claro, a realidade não é monolítica, e muitas vezes discrepamos das posições do nosso partido em questões ideológicas e de princípios, mas todos nós sabemos que a esmagadora maioria das trocas partidárias, tem a ver com benesses, vinganças pessoais, e até ignorância.
O que é um bom politico? É aquele que sabe distinguir entre GOVERNAR e exercer o PODER. É o que serve o bem comum, o bem geral, e não o bem só de alguns. É aquele que tem um compromisso ideológico firme. Não se deixa levar por falsas modernidades, sabe que a justiça é de sempre, não depende de modernismos. Conheci alguns, e conheço.
Sei o chão que piso, portanto sei que a minha posição em relação à politica e aos políticos, me traz repulsa e marginalização por parte de alguns pertencentes ao nosso Concelho, e não são tão poucos como isso… Pouco me interessa, vou repetir o que já escrevi dezenas de vezes: as pessoas não são parvas, apercebem-se perfeitamente que a alguns políticos não lhes interessa o bem delas, mas sim conquistar votos para governarem, e daí tirarem belos dividendos. Felizmente também há políticos éticos, e de uma dedicação esmerada ao serviço público.
Creio na política como um serviço público, e sou contra aqueles que se servem dela em benefício próprio.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

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Falar da fome do mundo equivale a relatar a crónica negra do neoliberalismo e da sociedade de consumo.

António EmidioOs bens da Terra tornaram-se posse privada de macro-empresas, multinacionais e oligarquias. São elas a causa da existência no Mundo de 2.500 milhões de pessoas a viverem com menos de dois dólares diários, 1.300 milhões a viverem com menos de um dólar diário, 500 milhões de trabalhadores a ganharem o equivalente a menos de um dólar diário, 100 milhões de seres humanos a passarem fome, e cada dia morram 150.000 pessoas por causa da desnutrição.
Temos que juntar ainda os 120 milhões de crianças com carências alimentares graves, a maior parte dessas crianças morre, devido a essas carências. A nível social, quase metade da humanidade vive por debaixo do nível de miséria. Os 20 por cento mais ricos consomem 80 por cento da riqueza da Terra, e os 20 por cento mais pobres contentam-se com 1,5 por cento. Podemos afirmar que um em cada seis seres humanos passa fome. Também aqui, neste opulento Ocidente, o problema da fome está a aumentar, afecta presentemente 15 milhões de pessoas.
Porquê tudo isto, em pleno século XXI, quando existem conhecimentos e tecnologia capazes de minorar, e até erradicar, a fome? Não há vontade política. O poder político é uma derivação do económico, por conseguinte, não representa os interesses dos seus povos, mas sim o «big business» que procura o lucro rápido e abundante, não a justiça. É esse «big business» que estipula os preços dos produtos agrários a nível mundial.
Numa reunião da FAO – organismo das Nações Unidas para a agricultura e alimentação – numerosos oradores, representantes de vários países, afirmaram que as políticas agrícolas baseadas na liberalização descontrolada da agricultura, transformaram países em vias de desenvolvimento e exportadores de alimentos, em países importadores de alimentos.
Os enormes subsídios aos grandes agricultores e grandes empresas agrícolas , por parte dos Estados Unidos e da União Europeia, contribuíram para a ruína, pobreza e fome de milhões de pessoas, e de pequenos agricultores dos países subdesenvolvidos.
Alguns analistas avisam que estamos a entrar numa situação neofeudal. Todos os direitos, e todo o poder económico concentrado só em poucos, submetem à servidão a imensa maioria da humanidade.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

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António Guterres, socialista, humanista, e homem de fortes e profundos valores morais, Alto Comissário das Nações Unidas para os refugiados, disse no Parlamento Europeu que o século XXI, será o século dos povos em movimento.

António EmidioEste repetido movimento dos povos, é uma constante da história universal, a procura de melhores condições de vida é a razão pela qual obriga à emigração dos povos dos países ditos pobres, para os países onde abunda a riqueza. Presentemente é ao que assistimos.
Os párias da Terra fogem à miséria existente nos seus países, e tentam a todo o transe entrar neste Ocidente, ainda rico. Não podemos esquecer querido leitor(a), que a fuga dos povos da América Latina para Espanha, da África e da Ásia para Portugal e resto da Europa, é o resultado da expropriação e saque das potências colonialistas que então dominavam o Mundo, e que durante séculos subjugaram esses povos. Infelizmente continuam a subjugar e explorar, mas agora de outra maneira, com o beneplácito dos governos corruptos desses estados.
Quer aceitemos este facto, ou não, o Mundo avança para uma miscigenação global de etnias, culturas, religiões e até civilizações. Isto traz conflitos inevitáveis, entre eles a xenofobia e o racismo. Mas aos racistas e xenófobos quero dizer-lhes que a chamada superior raça branca, um dia será uma minoria no meio de tantas outras, e possivelmente no meio de alguma maioria.
Nada pode deter a marcha da história, e nenhum tratado como o de Schengen, muro, arame farpado, polícias e exércitos, impedirão de chegar ao Ocidente os párias da Terra. Em solo imperial, os imigrantes ilegais, que se presume cheguem aos quinze milhões, já se manifestam nas ruas de Washington, gritando: «We are América».
Esta velha Europa, pensa «importar» vinte e cinco milhões de párias em idade de trabalhar, para substituir a perca de população activa, perca essa, devida a questões demográficas.
Não leitor(a), o Mundo Ocidental não foi o eleito para reger os destinos da humanidade, pensou isso o cristianismo, depois a ciência e a técnica. Todos se enganaram.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

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Antes de terminar o ano, vou referir-me novamente à corrupção. Pensei escrever sobre outro tema mais propício à quadra que atravessamos, mas tenho a certeza de que o ano que aí vem não será melhor do que este que irá findar, antes pelo contrário.

António EmidioO irracionalismo e a incompetência serão nota dominante, não se vislumbram no horizonte homens de Estado, dignos desse nome, e as contradições do sistema continuarão. É neste meio que os corruptos irão singrar, e cada vez com mais impunidade, a impunidade é a mãe deles. E eles sabem disso. Como referi no título, vou falar de dois tipos de corruptos.
Ostentoso – o que mostra até à saciedade sinais exteriores de riqueza, riqueza conseguida com a corrupção. Belas mansões, belos carros, jóias, viagens, fatos de marca, frequenta somente sítios luxuosos, entre outras coisas. Gasta tudo no exibicionismo. É chantagista, mostra delicadeza e educação nas conversas que tem, também é afável. Sorri constantemente. Não se prende com rodeios, pede logo o que quer e quanto quer. Escuda-se por detrás de um pormenor que em nada abona a justiça portuguesa, sabe que até ao presente momento, nenhum caso de criminalidade económica/financeira grave, e que envolvesse gente poderosa, chegou ao fim com uma condenação.
«Pobre Diabo» – que tipo é este? Por norma não ostenta as riquezas adquiridas com os actos de corrupção. Perante a opinião pública apresenta-se como alguém pobre, até necessitado. Mostra-se de uma feroz intolerância para com a corrupção e os corruptos, quer mostrar-se integro aos olhos dos colegas e superiores hierárquicos, para melhor encobrir as sujas jogadas. Tudo o que conseguiu foi com o seu trabalho, diz ele. Aqui fica um exemplo de um «Pobre Diabo» que conseguiu chegar ao topo da corrupção.
Lê-se no Le Monde Diplomatique, edição portuguesa, de Dezembro de 2009, a seguinte transcrição de um outro jornal português, o Expresso:
«Um caso de sucesso» – «O rapaz nasceu de uma família pobre, cresceu num ambiente difícil, mas conseguiu acabar os estudos numa universidade. Tornou-se professor, e mais tarde politico numa autarquia. Aos 50 anos, reformado do ensino, mas ainda activo na política, tem casas, terrenos, carros e barcos. Olhando com mais atenção a mesma história, poderia ser um caso de polícia: o valor do património do autarca está muito acima do que seria possível adquirir com o seu vencimento mensal. A situação, que é real, foi investigada, mas o processo acabou arquivado por não ter sido provado qualquer crime por parte do político. Que está a construir uma nova casa».
Não pede directamente o que quer, lastima-se, diz-se pobre, ele sabe que o seu interlocutor compreende onde quer chegar.
Atenção! É perigoso, invejoso e vingativo, se puder destruir a vida a um colega de trabalho, não hesita. E à pessoa a quem pede, se por acaso não «compreender», faz-lhe a vida negra. Tem como lema: «Se eu não comer, comem outros.»
Querido leitor(a), desejo-lhe para o ano que vai entrar, tudo de melhor, e que nunca, mas nunca, chegue ao pé de si, gente como esta.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

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Não sei há quantos séculos a cristandade festeja o Natal, o nascimento de Cristo. O Cristo feito homem. O filho de Deus enviado à Terra.

António EmidioA ideia de liberdade nasce com o cristianismo, porque este sustenta que o homem é livre, moralmente livre para escolher o bem e o mal, e também foi o primeiro a estabelecer o princípio de igualdade universal de todos os homens aos olhos de Deus. O problema surge quando o cristianismo diz que não defende a realização da liberdade humana na Terra, mas sim no Reino do Céu. «O meu reino não é deste Mundo», terá dito Cristo quando Pilatos lhe perguntou se ele era o rei dos judeus.
Certos filósofos, não crentes, agarrando nestas palavras de Cristo, dizem que esse conceito de liberdade contido no cristianismo, liberdade humana, não na Terra, não nesta vida, acabou por reconciliar todos os pobres, os servos, os escravos, e os explorados deste Mundo, com a sua falta de liberdade. Os mesmos filósofos dizem que não foi Deus que criou o homem, mas sim o homem que criou Deus, como uma projecção da sua ideia de liberdade. E que os cristãos não têm consciência desse pormenor.
Seja como for, querido leitor(a), se fossemos discutir isto aqui no Blogue, necessitávamos de mais dois mil anos, e o José Carlos Lages e o Paulo Leitão, não estão dispostos a aturar-nos tanto tempo. O mais interessante é que não chegávamos a conclusão nenhuma. Tudo se resume à Fé.
Eu, pessoalmente, não acredito no Deus mau, severo, e vingativo que me mostraram na minha infância, castigava e condenava, em vez de libertar. Não acredito no Deus que manda massacrar povos, para os converter à sua palavra. Não acredito no Deus da Inquisição. Não acredito num Deus que condena a acumulação infinita de bens pessoais, e premeia os que o fazem, alguns até são seus eleitos. Não acredito naquele Deus que dá votos aos pequenos políticos que lhos vão pedir durante as campanhas eleitorais, diante de toda a gente, numa qualquer igreja… Não acredito no Deus que nos deu a razão crítica, e depois nos obriga a obedecer cegamente.
Creio no Deus Libertador. O Deus da Teologia da Libertação.
O que torna a pessoa mais feliz, é empenhar-se a favor da felicidade alheia, mas este empenho pode ser uma relação íntima com outro ser humano, ou num compromisso social. Os dois são válidos. Uma história escrita por Frei Betto, própria desta quadra natalícia, ilustra o que digo.
O padre João, depois da Missa do Galo, meteu um bolo e uma garrafa de vinho, na pasta onde levava os sacramentos para os doentes. Foi até uma zona de prostituição. Uma prostituta abeirou-se dele e convidou-o para o quarto. Ele foi, lá dentro, ela começou a desapertar a blusa, o padre João pediu-lhe para não fazer isso, não procurava sexo, mas sim companhia, pagaria no entanto o que tinha sido combinado. Falou à mulher da solidão dele, não tinha família, não tinha mulher, não tinha filhos, a hierarquia religiosa assim obrigava, ao celibato, ela falou-lhe da dela, da vida degradante que levava. O padre perguntou-lhe se estaria disposta a rezar com ele e a compartir do bolo e do vinho que levava. A mulher começou a chorar, um choro de alívio, gratidão e alegria. Alguém a tratava com dignidade, alguém a tratava como mulher. O padre João abriu o Evangelho de S. Lucas e leu-lhe o relato do nascimento de Cristo. Perguntou-lhe depois se queria receber a Eucaristia. A prostituta sentiu-se mal – Como? Ela, uma puta, podia receber a hóstia sem se ter confessado? O padre leu-lhe mais um texto, desta vez o de Mateus -21-28 «…as prostitutas hão-de entrar primeiro que vocês no reino de Deus». Conversaram animadamente das suas vidas até ao nascer do dia.
Querido leitor(a) é preciso fazer alarde perante a sociedade que se pratica o bem? Como o padre João, felizmente há milhares de seres humanos.
Um bom Natal espiritual para vós, queridos leitores(as). E também para vós, administradores do Capeia Arraiana.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

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Querido leitor(a), é caso para perguntar se a corrupção não é já um pilar de um sistema político-económico que produz consequências funestas na moral da sociedade, e também na cultura democrática. O desvio de fundos públicos com fins ilícitos, como o enriquecimento pessoal de políticos e empresários, torna cada vez menos credível o sistema representativo.

António EmidioA corrupção não é um fenómeno exclusivo de um só Estado, na Europa, de Portugal à Roménia, ela campeia a seu belo prazer. Também não é um fenómeno actual, mas presentemente atinge níveis alarmantes. A razão? Muitos observadores do actual sistema político-económico são unânimes em afirmar que a autonomização do poder económico, e a subordinação a este, do poder político, acarreta todas estas ilegalidades e corrupção. O sistema democrático está a tornar-se impotente para controlar esta situação.
Esta nova corrupção, não é uma corrupção tipo «clássico», como sempre a conhecemos, tem uma «ideologia», é o pensamento e a acção dos grandes grupos económicos e monopolistas, que procuram os seus interesses, actuando da seguinte maneira: colonizam as instituições públicas até as apodrecerem por completo. Assim, o Estado não pode actuar quando pretender regular económica e politicamente a acção desses grandes agentes económicos. O Estado torna-se então refém do poder económico descontrolado e desregulado. A maioria dos governantes desta Europa, e também Estados Unidos, são simples títeres que servem unicamente para legitimar o que o poder económico pretender.
A Democracia está a desaparecer, para dar lugar a uma outra «elitista», formada por políticos e grandes empresários, que são os que mais proveito tiram desta corrente de pensamento partidária da máxima liberdade de mercado, e onde os cidadãos são relegados para segundo plano e perfeitamente manipuláveis.
Legislação para acabar com esta corrupção e ilegalidades? No actual momento histórico, é como tentar secar um rio com uma esfregona. E quanto maior for a selva legislativa, maior será a corrupção, porque dará inocência jurídica aos corruptos, mas logicamente não lhe pode dar a inocência moral.
No título do artigo, falo em Berlusconi, falo porque este, presentemente, é o paradigma da corrupção institucionalizada. É político, empresário e patrão da grande comunicação social de massas, italiana. Os três poderes, que juntos corrompem e destroem a Democracia. Tentou uma lei em Itália, que lhe daria impunidade judicial, ou seja, podia corromper e ser corrompido, sem que daí lhe viesse qualquer sanção. Encobria assim, subornos, fraudes, lavagem de dinheiro, vinculo com a delinquência organizada e até homicídio. Tentou corromper e controlar o poder judicial. O que não é caso único na Europa, alguns Berlusconinhos já o conseguiram.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

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O leitor(a) já reparou na quantidade de organismos internacionais que existem? Qual deles toma as decisões mais importantes? Será que cada um tem o seu âmbito de actuação? Sinceramente não sei. Estou como muita gente: confuso no que concerne à articulação do poder a nível internacional.

António EmidioUma coisa é fácil de ver: tudo é regido pelos interesses das nações mais ricas e poderosas, não pelas necessidades dos países mais pobres e indefesos.
Presentemente, a Globalização, não é mais nem menos do que a tentativa de ocidentalizar todos os povos do Mundo, isto é, obrigar todos os povos, etnias, culturas, religiões, e até civilizações, a regerem-se pelos valores ocidentais, e principalmente pela economia de mercado. Mas como essa Globalização está baseada na concorrência, em vez de aproximar as nações, afasta-as cada vez mais.
Wall Street, Pentágono, ONU, Fundo Monetário Internacional, Organização Mundial do Comércio, Banco Mundial, Banco Central Europeu e NATO, são a oligarquia financeira e o poder militar que dominam o Mundo, valorizam ao máximo o conceito de economia de mercado, e desvalorizam o conceito de sociedade.
Estes organismos internacionais pouco ou nada têm servido para construir um Mundo mais justo, solidário e humano, antes pelo contrário, cada vez há mais fome, mais desordem, e mais guerras. Não é de admirar a fuga dos párias dos seus países pobres do Sul, para as nações mais ricas do Norte. Fogem à fome, à miséria e à guerra.
Quem manda? Organizações internacionais que coordenam o domínio dos Estados Unidos e dos seus aliados, sobre o resto da humanidade.
Um novo modelo de colonialismo.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

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Há uma desilusão generalizada que percorre Portugal de lés a lés. Tudo o que é sistema de valores, ideais e programas políticos, são incapazes de dar resposta a problemas cada vez mais dramáticos que enfrentamos. Resulta daí esta desmoralização, falta de fé, falta de entusiasmo e deterioro das relações sociais e humanas.

António EmidioMuitos homens, e mulheres válidos, já se recolhem na sua vida privada, e não estão dispostos a assumir um compromisso público. Cada vez é maior a desconfiança que nos despertam os políticos e outros administradores do poder, como deputados e juízes.
O medo apoderou-se da maior parte dos portugueses, é o principal protagonista desta época actual. Medo ao desemprego, medo à delinquência comum, medo aos tribunais, medo à corrupção, medo às ilegalidades das grandes companhias e bancos, que só servem para nos explorar, medo aos imigrantes, medo à destruição do meio ambiente, medo à concorrência, medo às leis absurdas de um cada vez mais pequeno e ditatorial Estado, ás suas prescrições, ás suas imposições, ao seu controlo, ás suas multas, à sua burocracia, e a toda uma série de ameaças com as quais somos confrontados diariamente.
E a corrupção? Foi elevada a lobby, está a minar os alicerces do Estado e a desacreditar a Democracia.
Portugal está a passar por um dos momentos mais baixos, moralmente, da sua história moderna. Os detentores do poder assumem um relativismo ético e moral, e obrigam os cidadãos a uma luta constante de todos contra todos.
Atrevo-me a dizer que tudo isto é causa de uma doutrina burguesa/oligárquica, que impõe os seus interesses, e os seus valores.
Os grandes ideias do Povo Português já perderam o seu sentido? Não temos outra alternativa senão escolher falsos valores, e falsos ídolos fabricados pela doutrina dominante, para nos estupidificar e narcotizar cada vez mais, mantendo assim a sua hegemonia sobre nós? Não! Mil vezes não! Há muita gente que neste País ainda se mantém fiel aos valores verdadeiros como a verdade e a justiça, que são valores universais e intemporais, não dependem de modernismos. Acredito que um deles seja você querido leitor(a).
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

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Em finais dos anos sessenta do século passado, os jovens da então Vila, hoje cidade, do Sabugal, nas longas e quentes tardes de Verão, iam até ao velho Estádio do Ribeirinho, o «campo da bola», como lhe chamávamos, depois de largarem os seus trabalhos, para jogar uma partida de futebol.

António EmidioComo é natural, não chegavam todos ao mesmo tempo, se chegassem quatro, dois de cada lado, começavam aos «toques», e conforme iam chegando, entravam para um dos lados, até completarem os vinte e dois jogadores regulamentares. Escusado será dizer que qualquer um servia. Ainda me lembro de um, que ao lançar a bola da linha lateral, depois de ela ter saído fora, não levantava os braços por cima da cabeça, como é das leis do futebol, lançava-a como quem lança uma bola de bowling, (também só o fez uma vez), não sabia mais…
Ao lembrar-me deste episódio, comparo-o com o que acontece presentemente a nível político.
Leitor(a), antes de entrar no artigo propriamente dito, quero salientar que o que escrevo não se aplica a ninguém em particular, mas a todos os que o são em geral. Às vezes deturpam o sentido das minhas palavras. E isso faz-se àquele que se quer abater. Se uso o exemplo do futebol no Sabugal, em tempos idos, é porque o vejo mais conforme com aquilo que quero exprimir.
A abertura da política a um qualquer cidadão, ou cidadã, não é negativo, significa democratização da sociedade. O problema surge, e é inquietante, quando os níveis, humano, ético e cultural são baixos. É uma democratização contra a própria Democracia. Podemos considerar isto uma das causas da política estar despojada da sua dimensão ética, da sua missão e sentido originais. Ela é, nos tempos actuais, negócio, prebendas, privilégios e proveito material.
Não me canso de repetir, que há políticos, tanto homens como mulheres, com uma dedicação esmerada ao serviço público. Lutam por valores como a liberdade e a justiça social, não servem a quem lhes der mais.
Os maus políticos, só conseguem caminhar por entre a divisão e o abandono dos bons.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

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Num dos dias finais de do mês de Outubro sentei-me, como de costume, à sombra de um pequeno castanheiro que tenho no quintal de minha casa, e li umas páginas de um livro. A meio da leitura, parei para dar descanso aos meus olhos, já bastante cansados. A temperatura rondava os 25 graus, o Sol escaldava, isto com o Outono já avançado.

António EmidioEra impensável uma coisa destas há meia dúzia de anos atrás. Em finais de Outubro já a lareira estava acesa. Mesmo assim, ainda há gente que por ignorância e má fé diz que essa coisa do aquecimento global é conversa de ecologistas.
Nesses momentos em que pensava no aquecimento global, olhei para longe, fiquei triste, vi o calvário dos nossos campos, vi-os crucificados, cheios de sede e abandonados pelo homem, esse homem que só consegue sobreviver com o alimento que eles lhe fornecerem. Então porque os trata assim? Porque os senhores do dinheiro, a nível global, que controlam o Mundo e as sociedades, com a tecnologia ao seu dispor, obrigaram o homem a produzir para o mercado, e não para a vida? O que conseguiram com isso?
Segundo a ONU, quase metade da população do Mundo vive num estado de pobreza e é impotente para satisfazer as suas necessidades básicas de alimentação. Mil milhões passam fome, a cifra mais alta da história!
Numa altura em que o Mundo está tão desenvolvido e com tanta tecnologia ao seu dispor. Esses homens criaram um modelo de produção agrícola a que chamaram agro-industria, na prática significa ter a riqueza agrícola a nível mundial em meia dúzia de mãos. Os pequenos agricultores tiveram que abandonar os campos porque foram incapazes de competir com eles, e em muitos países, como em Portugal, receberam ordens para deixarem de cultivar.
O modelo da agro-industria é mecanizado e usa químicos. A utilização de grandes máquinas para lavrarem as terras, e para outros usos, contribui para a libertação de CO2 (dióxido de carbono). Os adubos químicos que se utilizam, emitem para a atmosfera gases com efeito de estufa. Segundo um estudo feito por especialistas, mais de 50 por cento das emissões de gases de efeito de estufa, são provocadas por este modelo de produção agrícola. A tudo isto temos que juntar o embalar dos alimentos, o transporte e a refrigeração. Ligadas à agricultura, também causadoras da mudança climática, estão a macropecuária, e a desflorestação.
E a minha utopia? Qual é? Ver os campos do nosso Concelho com a missão para que foram destinados, mas tudo baseado numa agricultura ecológica. Tinha dois fins: alimentar-nos sãmente e contribuir para a despoluição da Terra.
Leitor(a), os carrascos do pensamento sempre tentaram desonrar a palavra utopia, até usam termos como demagogia e loucura para a classificarem. Mas eles não sabem que o ser humano nunca conseguirá superar os limites da natureza. E nem sonham que os campos que agora estão abandonados, não o estarão ad aeternum.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

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«Nada há mais poderoso na sociedade que uma ideia à qual chegou o seu tempo», Victor Hugo.

António EmidioE chegou o momento do neoliberalismo, o momento do controlo do poder económico sobre todos os outros aspectos da vida humana. Vou transcrever umas linhas retiradas de uma revista de política e cultura, enfeudada ao sistema imperante: «…uma política da consciência, depois da era ideológica. A política das pessoas e para as pessoas…», ou seja, o desaparecimento da ideologia, o ressurgimento do Laissez Faire.
Creio firmemente que esta maneira de pensar e agir, do poder económico, vai originar um retrocesso social, político e cultural. Isso é notório na actual crise, não só económica, mas também de valores. As próprias campanhas eleitorais só apelam à emoção dos cidadãos, e não à razão. Os políticos são feitos pela comunicação social e pelo Marketing, são lançados para o mercado como qualquer produto de limpeza.
Leia, querido leitor(a) esta pequena noticia de um jornal, durante a campanha eleitoral de Rodrigues Zapatero – primeiro ministro espanhol do PSOE – «É uma estratégia cem por cento publicitária. Vamos vender Zapatero como uma Coca-Cola ou um modelo Dulce & Gabbana». Assim falou um senhor chamado Juan Luís Bastos, responsável da campanha eleitoral.
As ideologias são sistemas de ideias e conceitos onde os partidos políticos, e até as forças sociais dão expressão à sua concepção do Mundo. Ter ideologia é ter princípios e orientar-se por eles, uma pessoa com ideologia significa que para ele, não vale tudo, e nem tudo é permitido.
Surgiu uma força vencedora como no princípio referi, o neoliberalismo, que cada vez se afasta mais da dimensão politica, social e moral da economia, baseia-se única e simplesmente numa coisa assaz baixa e desprezível: o Espírito do Lucro. Não no lucro, esse sempre existiu e existe. O leitor(a) se tiver um negócio só pode viver mediante o lucro normal que daí conseguir, o lucro é honesto quando não prejudica ninguém. O que já não acontece com os bancos, multinacionais e macro empresas. O lucro destes é proporcional à miséria, à pobreza, à fome, ao desemprego, à guerra, e à destruição do meio ambiente. Esmagam tudo o que se oponha ao seu livre desenvolvimento, e não se coíbem de dizer que o que é bom para eles, é bom para a humanidade.
Sabe leitor(a) quem é que presentemente representa os interesses globais do neoliberalismo? É a pseudo esquerda liberal, cuja cabeça bem visível foi Tony Blair, e agora continua com, Sócrates e Zapatero, entre outros.
Os governos ditos socialistas já abandonaram a ideologia socialista há muito tempo, agora a grande luta deles é suplantarem a direita na maneira de gerir o capitalismo. São uma bênção para os poderosos oligarcas na hora de desactivar os protestos e conseguir paz social nos momentos de crise.
Está aqui a resposta à pergunta que tanto português fez depois das últimas eleições legislativas. Porque é que o Partido Socialista de José Sócrates voltou a ganhar, se ele foi, e é tão contestado? Porque está aliado aos grandes oligarcas (principalmente os que controlam a comunicação social), e neste momento de crise consegue desactivar protestos e fomentar a paz social, controlando as bases, sendo ele o partido socialista mais à direita e conservador (neoliberal) da Europa. Destruiu as conquistas sociais obtidas a partir de 1974, e é um fiel Atlantista, seguidor do capitalismo dos Estados Unidos. Atrevo-me até a dizer: um bom discípulo de Ronald Reagan, o Guru do neoliberalismo e da destruição do Estado Social.
Enfim, uma aberração ideológica.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

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Ninguém conspira se nada ambicionar. E a mim, querido leitor(a), está farto de ler as minhas conspirações nos meus artigos de opinião, logicamente também ambiciono. Qual é a minha ambição? Uma Democracia que nada tenha a ver com esta Globalização neoliberal.

António EmidioUma Democracia onde não caibam fortunas pessoais e volumes de negócios particulares de mil milhões de euros, e mais. Esses negócios, muitos deles, são de privatizações de serviços públicos que até funcionavam bem e, serviam o público em geral, agora servem esses grandes capitalistas e os grandes accionistas. O resto é de droga, corrupção e armas. Claro! Não aceito a massificação soviética, o monopólio estatal e a burocracia estalinista, esse pecado original da esquerda, não me afasta de uma esquerda socialista humana e livre.
O leitor(a) conhece o que foi o escândalo da inquisição, ela não fez com que os cristãos abandonassem o que Cristo propôs nos seus evangelhos. Por o socialismo soviético, e da Europa de Leste falharem, isso não significa que não possamos ver o socialismo no horizonte da história.
Ambiciono uma sociedade em que o homem não tenha que ir a reboque dos interesses, manobras e especulações do grande capital financeiro, industrial e comercial que a única meta que perseguem são as mais valias, nunca o bem estar de quem trabalha, e a criação de postos de trabalho.
Ambiciono o aparecimento de políticos e economistas cuja capacidade consista em criar postos de trabalho, e não destruí-los.
Ambiciono que os cidadãos recuperem a sua consciência critica, que tanto serviu há umas décadas atrás na transformação das sociedades, mas agora está perdida por completo nesta sociedade de consumo e do crédito bancário.
Ambiciono que a democracia dita representativa, onde as grandes decisões são tomadas por uma pequena elite económica e política, tudo muito reservadamente, seja substituída por uma Democracia participativa e verdadeiramente transparente.
Ambiciono que haja respeito pela natureza e pelo meio ambiente.
Ambiciono que os meios de comunicação social venham um dia a ser independentes e livres, e que deixem de estar nas mãos de grandes oligarcas como Carlos Slim, Murdoch, Berlusconi e Pinto Balsemão, entre outros.
Ambiciono que a televisão um dia deixe de ser um meio de controlo cultural, político e ideológico. Que não fabrique mais políticos e depois os ponha a governar, deixe isso para os cidadãos que votam…
Ambiciono assistir um dia no meu País, a campanhas eleitorais em que os políticos apelem à razão, e não à emoção dos eleitores.
Toda esta selvajaria capitalista origina um embrutecimento moral, por isso, tanta droga, tantos crimes de toda a ordem, tanta corrupção, tanta fraude fiscal, tanta desigualdade económica, tanto desemprego, tanta insegurança cidadã, tanto suicídio, tanta violência escolar, tanta desordem, tanta incompetência, tanta pobreza e tanta fome. A ambição costuma-se dizer que é o último refúgio do fracasso. Esta minha ambição não é a ambição de um fracassado, porque nunca fracassei, é a ambição de um derrotado, porque nunca ganharei. Era mais fácil lutar por um diminuto cargo político, ou por um negócio privado, tinha lugar numa comunicação social qualquer, e a diário se fosse preciso, com um pouco de hipocrisia tudo me bajulava, mas a minha luta é a tentativa de preservar o pouco que ainda resta da democracia, e aperfeiçoá-la.
Tenho a noção que as palavras que atentam contra o sistema leva-as o vento. Estas que acabou de ler, querido leitor(a), já voaram.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

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Sempre gostei do Outono, mas agora mais – entrei também no Outono da vida. São bonitas as folhas das árvores com aquele colorido próprio da estação outonal. Ao caírem, alcatifam os caminhos de cor e beleza.

António EmidioDá a sensação do fim, e é, mas na Primavera tudo volta a florir. O «eterno regresso do mesmo», como disse Nietzshe, ou a morte e depois a ressurreição, o voltar a viver, conforme o pensamento dos cristãos.
Seja como for, o Outono é bonito, e eu nessa altura sinto-me nostálgico. Lembro-me quando criança ver passar junto de minha casa o Ti Orlindo «Mono» e o Ti «Merendas» com as suas espingardas a caminho da caça. Ao regressarem, traziam os cinturões cheios de coelhos, perdizes, e lebres. Lembro-me das vindimas, daqueles carros de vacas com as rodas a chiar e fazendo aquele ruído próprio ao passarem sobre as pedras da calçada, com uma dorna em cima, e a caminho do lagar ou da vinha. Lembro-me de tanta gente andar às castanhas. Lembro-me de sujar as mãos a descascar tenras nozes, e de as picar todas, colhendo amoras. Lembro-me da minha falta de jeito para encontrar «tartulhos» e míscaros – ainda agora me vejo e desejo para os encontrar. Tudo isto nos trazia o Outono, agora, são simples recordações, já vejo folhas caídas e ouriços de castanhas em montras chiques de centros comerciais…
Deixe que lhe peça uma coisa querido leitor(a) da diáspora concelhia: quando puder, fuja ao ruído das grandes cidades, ao caos do tráfico, ao stress, à desumanização da convivência, a essa falta de paz, sossego e repouso interior. Fuja de tudo isso e venha passar uns dias à sua terra, creia-me que aqui encontra a paz de que necessita.
Passeie pelos campos, entre em contacto com a natureza, verá que a vida assenta no ar limpo que respira, na água, nos solos, nas árvores, nos bosques, e também nos animais que vir, Sim, nos animais, estes, e a vida vegetal são imprescindíveis para que exista a vida humana, são diferentes de nós em algumas coisas, mas tão parecidos noutras, são os nossos companheiros de viagem nesta passagem pela terra.
E à noite ao serão, sentado(a) à lareira onde ardam uns bons troncos de carvalho, leia um livro de um escritor do Concelho.
Ao deitar, talvez a sentir a chuva fustigar os vidros da janela, reflicta sobre o nascimento, a vida e a morte.
Não, não é ser sonhador nem antiquado, o aperfeiçoamento humano é de sempre.
Não considero progresso, o homem ser invadido por toda a espécie de produtos de consumo supérfluos, no intuito de alguém ganhar bom dinheiro, a isso, à destruição ambiental e à guerra, é que infelizmente chamam progresso e modernidade.
Leitor(a), a debilidade do homem não lhe permite construir paraísos terrenais, mas permite-lhe viver saudável e com dignidade, basta querer.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

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Muito se tem falado ultimamente no mau, ou péssimo, funcionamento da justiça em Portugal, e o descrédito dela em relação a 80 por cento da população portuguesa. Não vou falar das razões da justiça estar da maneira que está, em primeiro lugar porque ignoro por completo os códigos e as leis, tento reger-me por valores, e em segundo lugar porque sou apologista da máxima latina que diz o seguinte: a palavra antes de ir à língua, deve ir sete vezes à lima. Então o que vou fazer? Comparações.

António EmidioO leitor(a) já alguma vez pensou no seguinte: porque é que um preso de delito comum, por mais hediondo que tenha sido o seu crime, é tratado com toda a dignidade que merece um ser humano, e um preso político, por mais ínfimo que tenha sido o seu crime, é tratado como o mais vil dos criminosos, sem um mínimo respeito pela sua dignidade? Sabe a razão? Nenhum sistema político gosta de ser criticado, e que atentem contra ele. O criminoso de delito comum não atenta contra nada, atenta simplesmente contra a sua vítima, assim, não põe em causa a ordem social, política e económica estabelecidas. As próprias ditaduras usam muitas vezes os criminosos de delito comum como carcereiros de homens e mulheres presos por delitos políticos.
Como se portam as democracias capitalistas/neoliberais com os criminosos de delito comum? Como o leitor(a) sabe. E com os presos políticos? Há presos políticos nas democracias ocidentais? Há, chamam-se terroristas. Olhe Guantánamo! Essa prisão está cheia de pobres pastores de cabras, taxistas, desempregados, cozinheiros, etc. são presos políticos sem um mínimo de garantias jurídicas, são torturados com novos e refinados métodos. Não passaram por tribunais nem foram julgados.
Outro exemplo? Militantes do grupo Baader – Meinhof, grupo anti-capitalista alemão, foram encontrados mortos numa prisão de alta segurança, na qual cumpriam pena, com tiros de pistola na cabeça. Toda a gente sabia, e sabe, que era impossível ali entrar qualquer arma. Um deles, o único sobrevivente teve sorte, deu quatro punhaladas a ele próprio!!! Mas não chegou a morrer. Ainda há bem pouco tempo, foram condenados a três anos de cadeia, também na Alemanha, jovens manifestantes que lançaram objectos contra as forças de segurança e quebraram mobiliário urbano.
Quando o leitor(a) vir nos jornais e televisões grandes parangonas com crimes e criminosos, não ligue, tudo isso é mise en scéne por parte da comunicação social, e defesa dos direitos do homem por parte do Estado.
Por aqui me fico. Ainda levei umas palavras à lima, mas eram tão fortes que a lima não as conseguiu limar…
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

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O pior deste sistema reinante, é que retirou ao homem a vontade de lutar por um Mundo melhor. Por isso, ele é extremamente ambicioso no plano material, e contenta-se com qualquer coisa no plano espiritual.

António EmidioOuvi, o que já previa que se dissesse em relação ao conteúdo dos meus artigos: «Mas interessa a alguém o que esse gajo pensa? Se falasse do Concelho e desse soluções para os problemas que o afligem!». Eu sei que os meus artigos são actos vandálicos literários, para os bem pensantes e politicamente correctos. A estes quero dizer o seguinte: houve um poeta francês que disse, que tanto valor tem a mão que maneja a caneta, como a que maneja o arado, quando se quer que uma sociedade evolua.
Já o disse um dia, e volto a repeti-lo, considero o «Capeia Arraiana» uma tribuna socrática, onde cada um expõe os seus pontos de vista, e nela sempre dei conta que se pratica o pluralismo de opiniões. É um meio de comunicação alternativo, por isso um espaço de liberdade, liberdade que falta na maior parte das publicações que nós lemos, e que só falam em termos comerciais, sensacionalistas, e de cara à galeria.
Voltando ao conteúdo dos meus artigos, não sou mercenário da imprensa, nem prostituta literária, nada ganho, nada ganharei, com o que escrevo, escrevo com a alma.
E quem disse que temos de escrever e pensar como mandam os politicamente correctos? Os Sacrossantos doutores da Lei, que este sistema engendrou, e que não é por acaso que são os que mais ganham monetariamente, e não só, nesta ordem reinante?
Que mal fará a esse gente, que dano lhes causará, falar dos valores humanos, morais, culturais e espirituais? Será por ser eu a falar? Será que sou uma crosta de pecado, sem um mínimo de autoridade moral para falar de valores? Será que sou um ente diabólico? Atirai-me a primeira pedra se fordes capaz disso…
Para terminar, que dizer-vos que conservo os meus ideais da juventude, principalmente os que nos trouxe Abril, embora já matizados pela idade, e pelos desenganos que sofre aquele que pensa que pode mudar o Mundo.
E vós, porta vozes do sistema, que não fazeis outra coisa se não cantar hinos ao progresso, digo-vos que se alguma coisa avança, é a corrupção, as irregularidades de toda a espécie e feitio, cinismo e a mentira dos que nos governam.
Este é o verdadeiro Mundo em que vivemos.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

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Esse supremo bem que é a verdade, cada vez se encontra mais só, mais abandonada, como se fosse um vírus maléfico. No tempo presente, o homem procura-a, mas onde? No êxito, no poder, no dinheiro, na fama, aí é que ela não pode estar, nesses sítios predomina a mentira a hipocrisia e o cinismo.

António EmidioSe a verdade está ausente, quem veio ocupar o lugar que lhe pertence? Os espertos, os politicamente correctos, o poder político, o poder económico e o poder mediático, que fazem passar por verdade total e absoluta, os seus próprios interesses. Quem não sabe o que é a publicidade? Quem nunca assistiu a uma campanha eleitoral? O que nos mentem! Fazendo passar todas as mentiras por verdades supremas, e o mais interessante é que a maioria das pessoas acredita.
Mas se alguém se atrever a dizer ao poder económico, mediático e político, que a verdade é um valor universal, e não propriedade particular de ninguém, sujeita-se a ser ridicularizado pelos que identificam o seu poder com a verdade.
Liberdade? Na constituição e nos Decretos, quanta quisermos, mas só para aqueles que não ponham em causa a legitimidade do sistema, porque os que põem em causa essa tal legitimidade, espera-os o desterro interior, e essa lei do silêncio que é a censura. Esta nova censura, não tem nada a ver com a das ditaduras, é muito mais eficaz, e feita com uma subtileza fantástica: negar a palavra sem a proibir.
Fixemo-nos neste nosso rectângulo que é Portugal: os que nós elegemos, os que nos governam, fazem-no a favor do bem comum, da justiça social, da concórdia, da amizade, da confiança no futuro, da paz e da felicidade da maioria? A verdade é inseparável destes valores, por isso ela está ausente, e sem ela, há medo e ausência de felicidade.
Para finalizar o artigo, querido leito(a), quero dizer-lhe o seguinte: afrontar o sistema estabelecido leva mais tarde ou mais cedo ao desterro interior, que não é mais nem menos do que uma solidão, é das coisas que mais dói.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

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Recomeçaram as aulas, já se vêem os jovens a passear pela cidade em grupos, irem até aos cafés, fazerem algumas compras nos comércios, enfim, há um pouco mais de movimento. Mas também se vêem mais coisas que não deviam ver-se, e isto agrava-se de ano para ano.

António EmidioKant dizia que o Homem só chega a ser Homem através da educação. Hoje, infelizmente, estamos muito longe desse pensamento. A sociedade permissiva, a nossa em que vivemos, não permite um mínimo de disciplina na educação, essa disciplina é necessária para a formação de qualquer pessoa. Se não houver esse mínimo estamos a criar meninos e meninas mimados, que fazem o que querem e que no futuro estão dominados pelos seus instintos mais primitivos.
Os jovens não aceitam muito esta sociedade, mas em vez de lutarem por uma melhor, como o fizeram muitos, ao longo da história, autênticos rebeldes que chegaram a dar a vida pela justiça, pela paz e pela liberdade, viram-se para o consumismo, para o hedonismo, e para toda uma série de vícios que o sistema lhes incute. São o aliado número um da ordem vigente, mas esta trata-os bem mal, condena-os ao desemprego, ao trabalho precário, a horários de trabalho infindáveis, e a salários de miséria. Nunca ninguém os viu dirigir as suas frustrações contra empresários e políticos. Viram-se contra os professores, os pais, os seus companheiros, e as pessoas mais velhas. Enquanto não mudarmos tudo, desde o sistema económico até à educação, esta sociedade não pode ter bom fim.
Os «politicamente correctos» ao lerem isto, dirão que eu sou um amante da moral repressiva e de um autoritarismo à Estado Novo. A esses queria perguntar o seguinte: como reagiriam se fossem professores ou contínuos, e se um aluno ou pai de aluno, numa atitude incivilizada, própria de pessoas sem escrúpulos morais vos insultasse ou agredisse? Com magnanimidade e tolerância? Duvido…
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

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Levou-me a escrever este artigo, uma crónica que aqui li no «Capeia Arraiana» da semana passada, que se intitulava – Hoje destacamos…Jornal de negócios – e que falava num pequeno parágrafo, de Portugal e o que as suas elites políticas fizeram ao interior. Também me motivou a escrever sobre este assunto, uns momentos que passei aqui no cemitério da cidade junto ao túmulo de um homem que pertenceu à velha aristocracia deste Concelho, e que foi um Democrata e Humanista.

António EmidioAo chamar aristocracia a uma classe social que no arco temporal que vai desde a implantação da República até Abril de 1974, fez história na cultura, na política e na sociedade do Concelho do Sabugal, tem um significado, talento e distinção. Eram ricos, tinham poder, zelavam pelos seus interesses. O povo respeitava-os, e respeitava-os não só pelo poder que tinham, mas ao possuírem uma série de valores que irradiavam para a sociedade, levavam esta a imitá-los. Entendiam por progresso, não só a parte material, mas também o aperfeiçoamento humano, moral e intelectual.
E agora? O que é a nova elite? Salvo excepções, que felizmente existem, é um reflexo desta medíocre época histórica que vivemos. Individualismo exacerbado e hedonismo parolo, adora conquistar troféus, sejam eles de que índole sejam, para depois os mostrar nesta feira de vaidades que é a sociedade actual. Poder, dinheiro, êxito, fama, caem no ridículo e na imoralidade para conseguirem estes pseudo valores. Elevaram o seu insignificante Ego à categoria do Absoluto. Perigosos (as)! A sua maior aspiração é que as pessoas um dia se prostrem perante eles (as) para os poderem humilhar.
A Democracia, em vez de lhes incutir tolerância, respeito e solidariedade para com o seu semelhante, incutiu-lhes ambição de poder, por isso, muitos se dedicaram, e dedicam à política. Esta, transformou-se num trampolim para o que a maior parte persegue, repito! Há excepções felizmente, e que já mencionei, poder, dinheiro, êxito e fama. A dança da mudança de partido cada quatro anos é um exemplo flagrante. Nem se apercebem dos danos que causam à Democracia… O que é que o povo fica a pensar da Democracia e dos políticos, ao vê-los hoje defender o partido A contra o partido B, e daqui a quatro anos defender o partido B contra o partido A? Uma das razões do desinteresse pela política, e a diminuição da percentagem de pessoas que vai às urnas, radica neste facto, também.
Pode assim funcionar um País? Um Concelho? Muito dificilmente.
Leitor (a), o avanço de uma sociedade não significa só o avanço material, este não pode ser gerador de bem-estar, e de justiça para todos, quando os valores das elites políticas forem baixos.
As grandes mudanças históricas foram sempre de ordem espiritual, saíram da alma do homem. Vamos todos, «os de baixo», lutar para uma mudança radical, uma ruptura com o sistema. Não podemos lutar isoladamente, o que luta isoladamente é facilmente marginalizado e silenciado. Só a união faz a força.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

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Todos nós sabemos que o Concelho do Sabugal esteve assolado por incêndios florestais nos últimos dias do mês de Agosto e o primeiro dia de Setembro. Digo todos, porque a comunicação social a nível nacional, cobriu todos os acontecimentos inerentes a esses incêndios.

António EmidioComo começaram? Simples capricho da natureza? Não creio. Acredito que foi mão criminosa.
No dia 31 de Agosto pelas 16 horas, havia vários focos de incêndio à volta da cidade. Dizia uma habitante já idosa: «são as muchanas que andam no ar que deitam os fogos.» Pura inocência… O que pretendiam, a mão, ou as mãos criminosas, que os atearam? Arranjar pastos para animais? Madeira? Lucro que o fogo lhes viesse garantir por uma qualquer razão? Aterrorizar populações indefesas, criando insegurança e depois revolta?
Seja o que seja, praticaram-se actos de terrorismo, não só contra as pessoas, mas também contra a natureza e o meio ambiente. O fogo não perdoou, o verão tem sido severo com temperaturas altíssimas, e cada vez vai ser mais, tudo devido à mudança climática. Mãos criminosas e temperaturas elevadas são caldo de cultivo para incêndios florestais. Perdeu-se muito da nossa diversidade natural, perdeu a já pobre economia do Concelho, perdeu-se ainda mais o futuro, e serviu para aumentar a desertificação. Terrorismo não é só atentar contra um sistema político-económico. Terrorismo, e puro, foi o que sucedeu no nosso Concelho. Não se atentou contra pessoas inocentes e humildes? Não se aterrorizaram populações? Não lhes queimaram os haveres? E muitos!
Se isto não é terrorismo, o que é terrorismo? É só pegar em armas contra tiranos?
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

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«Um conflito armado entre nações horroriza-nos. Mas a guerra económica não é melhor que um conflito armado (…). Uma guerra económica é uma tortura prolongada. E os seus estragos não são menos terríveis que aqueles descritos na literatura da guerra propriamente dita». M.K. Gandhi.

António EmidioPerguntaram-me, porque dizem que dei a entender no meu artigo, «Portugal e Espanha – fragmentos do passado», que não estamos livres de uma ditadura idêntica à de Salazar/Caetano, como é possível?
Leitor(a), Salazar, Caetano, O Estado Novo, o Império Colonial, Deus, Pátria, Autoridade, já não voltam mais, pertencem ao cemitério da história.
Esta sociedade, a liberal, ou modernamente neoliberal, foi no princípio uma sociedade baseada na liberdade e contra o absolutismo, no respeito e na dignidade humana. Presentemente, não só em Portugal, mas na esmagadora maioria dos países do Mundo, é o regime político-económico imperante, tornou-se sinónimo de corrupção, guerra, exploração do homem pelo homem, destruição do meio ambiente, luta de todos contra todos, medo e aniquilamento de valores que toda a vida o homem conheceu e respeitou. A actual fase histórica que nos está a tocar viver, caracteriza-se pela preponderância da economia sobre qualquer outro valor inerente à condição humana. A única meta deste sistema é o lucro das empresas. O homem passou a ser uma peça de uma engrenagem económica.
O progresso, a modernidade, a tecnologia, a ciência, têm por um lado a capacidade de nos libertar, mas têm por outro o perigo da opressão, do autoritarismo e da ditadura. O momento em que o homem atingiu historicamente o seu máximo de tecnologia e ciência, antes dos dias de hoje, claro, foi durante a Segunda Guerra Mundial, o que aconteceu? Campos de extermínio como Auschwitz e os gulags russos, crimes monstruosos como Hirochima e Nagasaki.
A presente democracia, é uma democracia formal, eu pessoalmente sinto que a minha liberdade é uma coisa abstracta. É-me dada a liberdade de escolha cada quatro anos, mas o pensamento e a acção governativa dos escolhidos, difere na forma, não no conteúdo. Temos alternância, mas não temos alternativa. É o que se chama o pensamento único. O caminho mais directo para o autoritarismo e a ditadura.
Os governos (Estados) são cada vez mais autoritários, nós portugueses temos, infelizmente, um exemplo flagrante, no actual governo dito socialista de José Sócrates. Vamos avivar a memória de alguns leitores(as):
23 de Novembro de 2006, passeio de descontentamento de militares no Rossio, foram identificados dezenas deles, 12 levaram processos disciplinares, e um cumpriu uma pena na íntegra.
2 de Março de 2007, soldados da Guarda Nacional Republicana entraram nas instalações da Câmara de Avis, para identificar e listar o número dos funcionários dessa Câmara que iriam participar na Acção Nacional, convocada pela CGTP, com o lema «Juntos por uma mudança de políticas».
8 de Outubro de 2007, dois agentes da polícia entraram na sede do Sindicato dos Professores da Região Centro na Covilhã, como não havia qualquer dirigente, porque estavam em actividade, levaram com eles dois documentos de informação.
Ficamos por aqui em matéria policial, há um pormenor que as pessoas conhecem, mas ao mesmo tempo desconhecem o seu objectivo. A arrogância. A arrogância é um instrumento mediante o qual se molda o povo ao governo (Estado), é um instrumento de submissão e obediência, é a condição sócio-psicológica do totalitarismo, é o poder na sua forma mais crua.
Repito, os governos e os estados estão cada vez mais autoritários, cada vez nos vigiam mais com Câmaras de vídeo, escutas telefónicas e interferências nos e-mails. O mesmo acontece com os nossos dados pessoais, conhecem as nossas contas bancárias, as dividas ou não, ao fisco (do cidadão comum), a nossa ideologia, a nossa religião, e até a tendência sexual.
Já não há presos políticos, os que denunciam tudo isto, e se revoltam, silenciam-nos, retiram-nos das tribunas públicas e dos meios de comunicação ao serviço do sistema.
Autoritarismo ou Democracia? Tudo depende de nós. Se não nos mobilizarmos, a ditadura da economia vai tornar-se uma realidade bem brutal. O grande capital, reprime quando se vê ameaçado, e utiliza a violência para se defender.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

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O acesso a água potável é um direito humano fundamental, não um negócio.

António EmidioVou começar este artigo com umas palavras de Miguel d`Escoto Brockman, Presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas: «… A água é um bem natural, comum, essencial e insubstituível, todos têm direito ao seu acesso independentemente dos custos com a sua captação, reserva, purificação e distribuição, que serão assumidos pelo poder público e pela sociedade. Por isso, preocupa-nos enormemente o afã de privatizá-la e transformá-la em mercadoria, com a qual, sem dúvida, se pode ganhar muito dinheiro. A água é vida, e a vida é sagrada, não é objecto de lucro. Esta Assembleia quer apoiar os esforços para chegar a um Pacto Internacional da Água, com uma gestão colectiva para garantir a todos, este bem tão vital…».
Também a assessora do Presidente da Câmara de Paris, a senhora Anne Le Strat, remunicipalizou a gestão da água nessa cidade. Disse, que enquanto o sistema foi misto, os consumidores tinham subidas na tarifa da água, à volta de 2,5% anualmente, no ano em que não se renovou o contrato com as empresas privadas, Paris poupou 30 milhões de euros.
O neliberalismo imperante vê a água como um recurso exclusivamente económico, por isso, os governos neoliberais, entre eles o português do dito socialista José Sócrates, permitem, através de leis, que a água seja objecto de lucro para capitalistas e grandes accionistas, que a vão gerindo através de empresas privadas. Estes, a primeira coisa que fazem é aumentar o preço das tarifas e afastar os cidadãos de qualquer decisão. Resulta também daqui um desvirtuamento da Democracia, a quem me vou queixar se um dia tiver um problema? À empresa? Ao director da empresa? Ao accionista? Onde estão? Quem são? Nem eu, nem nenhum cidadão votámos neles! Até podem dizer que não nos devem satisfações!
Levou-me a escrever este artigo, uma discussão a que assisti entre dois munícipes, devido a problemas de abastecimento de água. Como é natural, surgiu o nome da empresa que gere a água do Concelho do Sabugal, Águas do Zêzere e Côa. Vim posteriormente a saber que esta empresa recebe atempadamente da Câmara Municipal do Sabugal, o dobro do dinheiro que os munícipes pagam da factura da água, e ainda muito mais, retribuindo com um serviço de pouca qualidade, na questão da manutenção, e no fornecimento de água em quantidade para algumas aldeias, não tendo em conta o aumento da população durante este mês de Agosto. A prioridade desta empresa é o lucro, como tal, acredito que não tenha um quadro suficiente de trabalhadores para responder à acção que dela se exige.
Deixava um pedido ao executivo que sair das próximas eleições autárquicas, rompam com os dogmas do neoliberalismo e remunicipalizem a água.
A prioridade de um organismo público é servir os utentes e não os directores, presidentes e accionistas, como o fazem as empresas privadas.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

Quando eu era um adolescente, ouvia muito esta frase: «Portugal não está preparado para a Democracia». Escusado será dizer que isto não passava de propaganda do Estado Novo, para se perpetuar no poder. A própria Europa falava da «Tradição Ibérica», desse destino, dessa fatalidade que oprimia os povos ibéricos: Autoritarismo, Catolicismo e Semi Feudalismo.

António EmidioLibertámo-nos, portugueses e espanhóis, dessa «Tradição». Mas como todas as tradições, esta também deixou as suas marcas nas sociedades portuguesa e espanhola.
Em Espanha, a crer na comunicação social, ainda há casos de tortura exercida sobre activistas e separatistas bascos. Nas últimas eleições ao Parlamento Europeu, houve uma tentativa por parte do governo de ilegalizar um partido político. O Rei, que é o Chefe de Estado, foi nomeado para o cargo pelo ditado Francisco Franco, nem o povo espanhol, nem organismo democrático nenhum, teve qualquer intervenção nessa nomeação. A igreja católica, luta desesperadamente para não perder os seus privilégios e influências que ainda vêm do tempo da ditadura. O Partido Popular está cheio de falangistas, de pessoas com o pensamento da Falange (partido único do regime franquista), Manuel Fraga Iribarne é um exemplo. Teve quase tanta influência na Democracia, como teve enquanto foi ministro de Franco. O 23 de Fevereiro de 1981 – 23 F – uma tentativa de derrube da Democracia espanhola perpetrada por militares e guardas civis. A «Tradição» está bem viva em Espanha.
E em Portugal? Não se faz notar com tanta intensidade. Não temos problemas de separatismo, não tivemos uma sangrenta guerra civil, e isso é o suficiente para que não haja uma radicalização política. Também todos os nossos órgãos governativos foram eleitos democraticamente. Onde se faz sentir essa «Tradição»? Na elite tradicional que controla o poder. Essa elite vem do Estado Novo, mas teve influência no seu derrube, não na Revolução, que não queria, preferia uma evolução. Lutou dentro dele para uma transformação política, económica, e social. Se o fez, foi porque os seus interesses estavam ameaçados pela estagnação política e económica. Sabia, que só a entrada num regime liberal, e posterior industrialização e modernização do País lhe trariam riqueza, e também liberdade para intervenção política. Tem o poder económico, e dos media, com esses dois poderes controla o poder político.
Não é por acaso, nem é de estranhar, que o vencedor do concurso, «o português mais ilustre» (penso que se chamava assim) tenha sido Salazar, falou a «Tradição».
O leitor(a) já alguma vez pensou no seguinte? Em 1913 e 1914, por exemplo, Portugal vivia em Democracia, havia liberdade e partidos políticos. Em 1973, passados 60 anos, em Portugal não havia Democracia, nem liberdade, nem partidos políticos, o que significa que a história não é linear, é feita de avanços e retrocessos. Começa a ouvir-se o seguinte: «Para um país progredir economicamente não necessita de Democracia», dando-se o exemplo da China.
Não me farto de repetir que não chegámos ao fim da história, e o seu companheiro de sempre, o passado, pode um dia fazer a sua aparição…
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

Há quem pense numa união política dos dois países ibéricos, Portugal e Espanha. Não faz grande sentido, segundo a minha opinião.

António EmidioAinda há duas ou três semanas a ETA – grupo separatista basco – matou dois guardas-civis. Esta é uma das razões pelas quais eu digo que não faz sentido uma Federação Ibérica.
Quando alguns, e não tão poucos como nos quer fazer crer a comunicação social espanhola, pensam e tentam separar de Espanha o País Basco, a Catalunha, a Galiza, e possivelmente mais províncias, outros preparam-se para converter Portugal e Espanha num único Estado! Sim, eu sei, que Espanha é um grande sócio comercial de Portugal, há muitas empresas espanholas em Portugal, há empresas portuguesas em Espanha, e agora com o mercado único e livre comércio europeus, muitos portugueses vêem nisso o factor decisivo para o desenvolvimento económico de Portugal. Sem dúvida que tem de ser incrementado um maior grau de colaboração económica, mas isso não significa um só Estado.
O dinheiro não é tudo, digo eu, também não sou um rançoso nacionalista, por isso digo o seguinte: uma Confederação Ibérica, não de Estados, mas de nacionalidades, como a Galega, a Portuguesa, a Catalã, a Basca etc. Republicanas! Era aceitável, mas os dois países fundirem-se num só Estado, já não é de aceitar, pelo menos para mim. Passávamos a ser monárquicos ou republicanos? Que língua falaríamos? Em Espanha a língua oficial é o Castelhano, será que depois toda a Península falaria Português?… Qual seria a bandeira símbolo, a portuguesa ou a espanhola? Enfim, toda uma série de grandes pormenores que não cabem aqui.
É verdade, que se dermos uma vista de olhos à história, ela mostra-nos que o que sempre separou Portugal e a Espanha, não foram questões culturais, mas sim questões políticas, também nos mostra a idêntica experiência da Reconquista, dos Descobrimentos, e a célebre «Tradição Ibérica»: autoritarismo, catolicismo e semi-feudalismo. Ambos nos libertámos desta «Tradição» ao mesmo tempo, nós portugueses com a nossa Revolução, e os espanhóis com a sua Transição.
Como atrás referi, tem de haver um maior grau de colaboração económica e cultural. Este incremento cultural e económico está também a ser feito no nosso Concelho. O Concelho do Sabugal não é uma ilha, como alguns pensam, pertence ao Mundo à Europa, e geograficamente está situado na Península Ibérica. Felizmente que houve, e há autarcas que fizeram e fazem um grandes esforço no intuito de uma aproximação cultural e económica, com as populações do outro lado da fronteira. São os precursores de uma Confederação Ibérica de Nacionalidades. São traços de União entre povos, são símbolos de paz e de progresso.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

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