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A demora na recuperação do edifício do antigo colégio de Aldeia da Ponte foi a maior preocupação manifestada pelo presidente da Junta de Freguesia da localidade, no decurso da visita que o executivo autárquico do Sabugal efectuou à aldeia por ocasião da reunião de câmara do passado dia 22 de Dezembro.

Colégio de Aldeia da PonteO autarca de Aldeia da Ponte colocou a recuperação do imóvel que albergou o velho colégio dos seguidores de Bento Menin, como a sua grande preocupação, tendo em conta o interesse histórico e patrimonial do edifício. A associação local, que detém a sua propriedade, não tem capacidade financeira para executar as obras urgentes que evitem a continuação da degradação do imóvel e a sua derrocada, pelo que pediu à Câmara uma ajuda nesse sentido, pelo menos na colocação de um telhado novo.
O presidente do município, António Robalo, concordou com a importância da recuperação do edifício, e da obrigação da câmara e da junta de freguesia no apoio a essa obra, sendo porém importante que se procurassem encontrar investidores privados, tentando vender a sua atractividade e rentabilizando o espaço.
A reunião do executivo do dia 22 de Dezembro levou os vereadores da Câmara Municipal do Sabugal a Aldeia da Ponte durante a tarde, onde se procuraram inteirar dos problemas daquela freguesia.
Para além da preocupação com a recuperação do edifício do colégio o presidente da junta informou os vereadores de outros problemas muito prementes para a freguesia, a começar pela necessidade de colocar uma vedação junto à Praça de Touros para demarcar e isolar o caminho dos bois nos encerros, diminuindo o perigo para a população, bem como o arranjo do piso que se mantém em terra batida.
Outras peocupações manifestadas pelo autarca tiveram que ver com a necessiadde do arranjo do espaço envolvente à ponte romana, a recuperações dos fontanários da freguesia que se encontram degradados, a colocação de números de polícia e placas toponímicas nas ruas da aldeia, a conclusão de alguns arruamentos, o arranjo da ligação para a Rebolosa e dos caminhos agrícolas da Matrena e do Talefe, e ainda o saneamento do bairro de Santa Bárbara. Outra procupação do autarca é a conclusão da variante de Aldeia da Ponte, onde falta alguma sinalização, a iluminação da estrada e da rotunda, a colocação de grades na ponte, bem como o pagamento das indemnizações aos proprietários de alguns terrenos, cujos valores diminutos não justificam a realização de escrituras.
plb

– Considerações finais – Quando iniciei os escritos sobre o Colégio tive como primeira intenção, recordar alguns passos da sua história, ainda que superficial, como referi na altura.

Esteves Carreirinha - Ecos da AldeiaÀ medida que fui avançando, também fiquei impressionado, ao recordar algumas das suas peripécias, passadas há muitos anos, muitas outras mais haverá, ainda com grande interesse, mas ficando com uma sensação de algum vazio, ao contemplar o Colégio, de cada vez que nos deslocamos a Aldeia da Ponte.
Para além de todos os factos relatados, é com alguma pena, que verificamos o estado da Igreja, sendo um sentimento partilhado por muitos conterrâneos, que veriam com bons olhos a sua recuperação, cuja degradação poderá vir a constituir um perigo para as casas vizinhas, em caso de uma derrocada, que não se deseja, para bem do património do Colégio e da nossa Aldeia.
Os monumentos, como todas as construções não são eternas, como é fácil perceber, precisam de manutenções ou reparações, que se impõem, devido ao desgaste, ao longo dos tempos. Se, se deixarem degradar e não se acudirem, um dia, poderão desabar. Está neste caso o telhado da Igreja, que ameaça vir abaixo. Quando isso acontecer, vamos contemplar, da nova estrada, uma imagem nada consentânea com a beleza da nossa Aldeia, tornando-a menos atractiva com esta vista menos boa.
Nada nos move contra ninguém, nem podia ser de outro modo, a não ser deixar aqui o meu contributo, ainda que modesto, para um melhor conhecimento da história antiga e alguma mais recente do Colégio, no sentido de apelar a um esforço, dando visibilidade a este assunto, no sentido de se encontrar uma solução, que honre todas as partes envolvidas.
Antigo Colégio de Aldeia da PonteO único interesse, como o de muitos outros, é meramente, chamar a atenção para a realidade do Colégio, sem subterfúgios de ordem nenhuma, tentando que estes escritos sirvam para sensibilizar as famílias que detêm a Igreja, caso tenham oportunidade de os ler, esperando algum eventual acolhimento ou abertura, que estará sempre dependente dos proprietários, como é bom de ver. Estes são a parte mais importante, pois são os detentores do espaço.
Em 2002, com a construção dos Balneários no Vale, existindo aqui um amplo espaço, onde muitas realizações festivas e convívios se efectuam ao longo de todo o ano, talvez se tenham arrefecido os anseios da recuperação da Igreja do Colégio, a manter-se os factores anteriormente descritos, entre os quais, o preço solicitado, considerado demasiado alto, pela Junta de Freguesia.
Aldeia da Ponte já demonstrou, por todas as obras novas e outras recuperações efectuadas, que é bem capaz de levar a bom porto, mais uma recuperação, que face à sua grandiosidade, poderá exigir um esforço hercúleo, nada que não se possa resolver ou amedronte a nossa Aldeia, caso se proporcione a oportunidade, haja alguma boa vontade e permissão de quem de direito.
Depois de várias dissertações sobre o Colégio, aqui expostas, damos por findo, por agora, esta viagem em torno de um emblemático monumento de Aldeia da Ponte e do Concelho de Sabugal, que mexeu um pouco com toda a nossa região, já lá vão mais de cem anos.
As gerações futuras, dificilmente entenderão, como não houve capacidade para se encontrar uma solução para o Colégio, ao longo do século passado, podendo acontecer uma catástrofe, mais ano menos ano, com uma eventual derrocada, fazendo desaparecer uma parte importante da história da nossa Aldeia.
«Ecos da Aldeia», opinião de Esteves Carreirinha

estevescarreirinha@gmail.com

Aqui há uns anos atrás, Aldeia da Ponte não tinha um espaço, digno deste nome, para a realização de algumas actividades, sejam culturais, festivas ou outras, de modo a poder corresponder aos anseios de toda uma população, sendo que a criação de um grande salão amplo, permitiria uma resposta condigna ao desenvolvimento de todos estes eventos.

Esteves Carreirinha - Ecos da AldeiaDevido à existência da Igreja do Colégio, ainda que privada, por força da arrematação, seria, porventura, este o sitio ideal para a concretização deste anseio da população, alicerçado na sua grandiosidade, aproveitando-se, ao mesmo tempo, para revitalizar este templo, que foi querido, há muitos anos, para a nossa Aldeia.
Em tempos, relativamente recentes, foram feitas algumas abordagens, no sentido apenas da recuperação da Igreja do Colégio, pela anterior Junta de Freguesia.
Segundo consta, a Igreja do Colégio é pertença de três famílias, tendo duas destas, manifestado a intenção de doar a sua parte à Junta de Freguesia. Com a restante família, ainda não houve oportunidade de se chegar a um acordo, apesar de alguns contactos, bem como de um grupo de pessoas da nossa Aldeia, que manteve uma reunião com um dos representantes da família, propondo este, no ano de 2000, a venda dos bens do Colégio, onde se inclui a casa, bem como a sua parte na Igreja, por um valor de 125.000 euros, o equivalente a 25.000 contos na moeda antiga, considerando a Junta de Freguesia, este valor incomportável para as suas possibilidades.
Segundo informações recolhidas, de referir ainda, que dos cinco membros da família, apenas um deles, terá já manifestado a sua vontade, em doar a sua parte na Igreja à Junta de Freguesia, tal como as duas famílias, acima mencionadas.
Colégio de Aldeia da PonteO ideal seria conseguir-se um acordo semelhante com os restantes quatro membros desta família, apelando à sua boa vontade, no sentido de se poder recuperar e preservar este monumento histórico da Igreja do Colégio, que aos antigos, encheu de orgulho, há mais de um século, muito contribuindo para isso também, todo o povo, com a ajuda e entusiasmo, despendidos na sua construção, naquela época, conforme referimos num escrito anterior.
Seria um gesto nobre e gratificante, que honraria, seguramente, os detentores da Igreja e os nossos antepassados, orgulhosos da grandiosa obra, permitindo a recuperação deste belo e altivo monumento, contribuindo para o enriquecimento da historia de Aldeia da Ponte.
Para a Junta de Freguesia, seja ela qual for, face às suas parcas receitas, será uma dificuldade acrescida, conseguir o financiamento para a compra, restando ainda toda a recuperação, que atingirá, por certo, valores bem altos e difíceis, face à sua capacidade financeira, a qual só será possível, mediante uma candidatura a fundos oficiais, através da Câmara Municipal, ou outros Organismos, que à partida, poderá não se afigurar fácil, de todo.
De salientar, que desde a sua arrematação por particulares em 1922, foram as casas do Colégio habitadas por várias famílias, que para o efeito, as foram adquirindo, mantendo-se hoje, em estado de ser habitadas, depois de alguns melhoramentos efectuados pelas mesmas, com a excepção da casa acima referida, que a família detentora propôs vender, mantendo-se há largos anos desabitada.
«Ecos da Aldeia», opinião de Esteves Carreirinha

estevescarreirinha@gmail.com

Reportada que foi, nestes escritos, uma grande parte da vida do Colégio, com a sua actividade intensa, no final e inicio dos últimos dois séculos, apenas mais umas poucas considerações sobre a sua utilidade, depois do encerramento.

Esteves Carreirinha - Ecos da AldeiaPara quem viveu na rua do Colégio, enquanto foi totalmente habitado pelas famílias que o arremataram, ou outras posteriores, com a sua altaneira e imponente Igreja transformada em palheiro, servindo para as famílias detentoras deste espaço arrecadarem os animais, a palha ou outras alfaias agrícolas, enfim tudo o que era necessário, pois espaço era coisa que abundava numa Igreja com aquele tamanho todo.
Franqueámos, inúmeras vezes, as suas grandiosas e trabalhadas portas de madeira, na nossa juventude, pois vivemos mesmo na sua frente, pertencendo a um número de privilegiados, que mantivemos alguma facilidade na sua entrada, devido às relações de amizade, boa vizinhança e contacto diário com a família, detentora da maior parte da Igreja.
Muitos serões passámos no quentinho da Igreja, seja em amena cavaqueira típica das noites, seja no ajudar a arrumar as «fachas» de palha ou feno para os animais, bem como outras tarefas que por lá ocorriam, como a feitura de aguardente caseira na Alquitarra, durante a noite, acompanhando com alguns petiscos, que tivemos oportunidade de saborear, assados na brasa, enquanto a aguardente se ia formando.
Aquele edifício, com a sua altivez, exercia um fascínio difícil de explicar na pequenada, que por ali morava, não sendo muito perceptível para todos nós, enquanto canalha miúda, compreender como foi possível o aparecimento deste monumento, que apesar de ter sido encerrado na primeira década de 1900, registou ainda alguma utilidade e vida, depois da arrematação em hasta pública em 1922, servindo os últimos moradores com pertença da Igreja, que a foram mantendo activa para as suas necessidades, embora com uma tarefa bem diferente, para a qual foi erigida.
Colégio de Aldeia da PonteComo o telhado nunca teve uma grande reparação, apenas um ou outro retoque e, devido às infiltrações, era visível, nos dois cantos da frente, a deterioração que na década de 50 já existia na Igreja, ainda sem perigo aparente, para quem lá entrasse, pois estes dois cantos estiveram sempre protegidos, não fosse alguma telha ou madeira vir por ali abaixo, causando algum dissabor.
Antes de abordar algumas considerações sobre uma eventual recuperação, dependendo da vontade dos detentores da Igreja, num artigo próximo, uma referência para a imensa vida no grande forro do telhado, servindo de refúgio a várias aves, pois aqui tiveram protecção e sossego, principalmente as pombas, fazendo neste local um autêntico pombal com os seus ninhos, por muitos anos, complementada com o altaneiro ninho das cegonhas, chegando a existir dois.
Todas as Primaveras, as cegonhas ali arribavam para a criação, frequentando as «charcas» das redondezas, onde recolhiam os alimentos para criar os filhotes cegonhos.
Deduzidas as novas atribuições agrícolas e, à falta de melhor, o edifício da Igreja também serviu, como acabamos de referir, de poiso para muitas aves, transmitindo-lhe alguma visibilidade no regresso das cegonhas, com o matraquear característico e inconfundível dos seus longos bicos.
«Ecos da Aldeia», opinião de Esteves Carreirinha

estevescarreirinha@gmail.com

Com a fundação do Colégio e a passagem de todos os Frades por Aldeia da Ponte e por toda esta vasta região, ficaram lançadas as sementes, redundando em algum aproveitamento para as Ordens Religiosas, pois daqui nasceram muitas vocações para a missionação e a religião, iniciando-se com o envio de cerca de 12 pessoas, no ano de 1900, para Segóvia, um dos centros da Ordem dos Claretianos, em Espanha.

Esteves Carreirinha - Ecos da AldeiaDerivado às acções e ensinamentos dos Frades, durante os anos seguintes ao encerramento do Colégio, as vocações religiosas multiplicaram-se, levando inúmeras pessoas a frequentar as diversas casas das Ordens, dedicando muita da sua vida ao serviço pastoral e bem-estar dos outros, formando-se inúmeros Padres, Irmãos e Freiras, de que Aldeia da Ponte é exemplo, demandando por esse país fora, sempre que solicitados, não só para a evangelização, como para socorrer os necessitados, onde quer que fosse preciso.
Abundam por demais os exemplos, que se podem apontar, pelas aldeias arraianas, em que nas últimas cinco ou seis décadas era usual, os jovens seguirem a sua vida escolar no seminário, à procura da vocação, fruto também da falta de recursos. As nossas terras não eram ricas por aí além, sempre foi muito difícil para os nossos antepassados, criando famílias numerosas, mesmo assim, concluindo, alguns deles, a ordenação sacerdotal, enquanto muitos outros saíram beneficiados pelos estudos, preparando-os e ajudando-os a enfrentar melhor o futuro.
Colégio de Aldeia da PonteQuem viveu na longínqua época do Colégio de Aldeia da Ponte beneficiou, seguramente, de uma aprendizagem, inacessível a tantos outros, pois estabelecimentos de ensino não existiam muitos nesta região, sendo a sua criação uma tarefa complicada, bem como a disponibilidade financeira das famílias para dar formação aos filhos, como constatámos ao longo destes escritos.
Contando com uma história rica e bem mais vasta, sucintamente, fica retratado, ainda que um pouco superficialmente, o encerramento prematuro do Colégio, bem como a passagem dos Frades por Aldeia da Ponte, penalizando toda uma imensa região das Beiras, com o final destas acções e os seus ensinamentos, cujos prejuízos nunca poderão ser avaliados nem quantificados.
Apesar das muitas vicissitudes e outras tantas histórias reportadas aos Frades e ao Colégio, algo de extraordinário, emotivo e benéfico, aconteceu na nossa terra, naquela época, que deve ser relevado e recordado como merece.
«Ecos da Aldeia», opinião de Esteves Carreirinha

estevescarreirinha@gmail.com

O ensino escolar, nesta nova fase, funcionou desde 1901 até ao ano lectivo de 1906/07, quando foram extintos o ensino oficial e o Seminário no Colégio.

Esteves Carreirinha - Ecos da AldeiaA partir daqui começaram os problemas no Colégio, derivado à situação politica instável, agravando-se mais tarde, com o assassinato do Rei D. Carlos em 1 de Fevereiro de 1908, tornando-se difícil às Ordens religiosas exercerem a sua actividade, sendo inspeccionadas, várias vezes, pelos serviços do Reino, no sentido de verificar os seus registos e respectivos livros de contas.
Pairou por muitos anos a informação, que o Colégio teria cessado a actividade com a implantação da República, mas o que é um facto, é que foi encerrado, definitivamente, em 12 de Setembro de 1910, por ordem do Governo do Reino, um mês antes da proclamação da República em 5 de Outubro de 1910 e depois da realização de dois inquéritos. O primeiro no ano de 1908, acrescido de um outro, já próximo do encerramento, chegando os inquiridores à conclusão, que se desviou dos objectivos e dos fins legais para que tinha sido criado, deixando de cumprir as suas obrigações, consignadas nos Estatutos, ficando reduzido a uma casa de missionários espanhóis da Companhia de Jesus, não tendo existência legal no País.
Colégio de Aldeia da PonteA má vontade contra o Colégio e os Frades já se pressentia no ar por demais, nesta altura de grande instabilidade, anterior à Republica, sofrendo uma campanha terrível na imprensa, apelidada até de miserável, levando ao resultado que se conhece, o fecho das suas portas.
Para esta situação extrema de conflito, envolvendo o Colégio, contribuíram alguns jornais nacionais, destacando-se neste papel, o antigo jornal «O Século», publicando vários artigos ofensivos, alguns na primeira página, reportando toda a actividade dos Frades espanhóis em Aldeia da Ponte, acusando-os de vários ilícitos, entre os quais, o contrabando, a caça de missas, bem como negociatas duvidosas e os diversos peditórios por tudo e por nada, abusando da boa vontade do povo, sobrecarregando-o com estas praticas.
Colégio de Aldeia da PonteConsumada a expulsão dos Frades espanhóis do Colégio, foi este confiscado e selado pelas autoridades, tendo o novo poder delegado ao Governo Civil, o arrolamento geral de todos os bens, até que se decidisse o seu destino futuro, procedendo-se a uma arrematação em hasta pública, anos mais tarde, por altura do ano de 1922, durando até aos nossos dias, com vários proprietários, como é sabido.
A despedida dos Frades de Aldeia da Ponte causou desconforto e lágrimas, misturadas com alguma mágoa e dor em todo o povo, pois por todos eram benquistos, apesar de tudo o que se publicava nos jornais da época, sendo preciso forças de segurança reforçadas, para levarem a efeito esta medida, verificando-se uma resistência assinalável, com algumas prisões, como consequência deste destemido acto, dos habitantes da nossa terra.
Perdeu Aldeia da Ponte e toda a comunidade das Beiras, depois do abastado trabalho dos seus mentores e de toda a ajuda do povo na construção deste monumento, que foi fundamental e útil a muitos antepassados, durante quase duas dezenas de anos, de 1892 até 1910, contribuindo para uma melhor formação, que sem a existência do Colégio, não seria possível, como se pode facilmente depreender.
«Ecos da Aldeia», opinião de Esteves Carreirinha

estevescarreirinha@gmail.com

A actividade da Ordem dos Frades Claretianos centralizava-se, fundamentalmente, na evangelização e no ensino, considerado muito importante, conseguindo-se assim angariar vocações para a Ordem, ao contrário da anterior Ordem Hospitaleira de S. João de Deus.

Esteves Carreirinha - Ecos da AldeiaComo referimos no escrito anterior, a actividade dos Frades Claretianos, também conhecidos por Marianos, iniciou-se no princípio do ano de 1898, devido à intermediação de Bento Menni contactando os Irmãos desta Ordem que já exerciam a sua actividade nesta zona espanhola, bem próximo da fronteira.
Iniciadas as negociações para a passagem do Colégio para esta Ordem, chegou-se a um entendimento em relação aos bens móveis e ao edifício, comprometendo-se a nova Ordem, a ficar com as dívidas já existentes, formalizando-se a escritura no início de Janeiro deste ano, embora a sua chegada a Aldeia da Ponte para tomar conta do Colégio tenha sido em Maio.
Depois de cumpridas todas as formalidades, os novos Frades, todos espanhóis, foram recebidos de braços abertos e em clima de festa pelo povo, ao som da Banda de Música de Aldeia da Ponte, composta por cerca de vinte e dois elementos, que ao tempo já existia, conforme abordei num escrito recente.
Devido à situação politica actual e, como a vida não era nada fácil para as Ordens Religiosas em Portugal, foram aconselhados a serem moderados e a usarem os mesmos hábitos dos demais religiosos. A entrada dos novos Frades contou também com o apoio do Sr. Bispo da Guarda, D. Tomás de Almeida, que já autorizara a ida dos Irmãos de S. João de Deus para o Colégio.
Em 1901, as Congregações Religiosas que se dedicavam ao ensino, beneficência ou outras, foram obrigadas a legalizar-se, constituindo estatutos apropriados, sendo encerradas as que não obedecessem ao decreto-lei, que assim o determinava.
Os Frades espanhóis assim o fizeram, apresentando em Abril, uns primeiros estatutos improvisados, tentando convencer as autoridades, respondendo estas, com uma reacção demasiado enérgica, que poderia ter sido fatal para a Ordem, sendo todos expulsos para Espanha.
Antigo Colégio de Aldeia da PontePassado pouco tempo, surgiram mudanças no Concelho de Sabugal e, contando com o apoio do Governador Civil da Guarda, nesta situação mais favorável, foram apresentados novos Estatutos da Associação do Colégio, contendo 18 artigos, que viriam a ser aprovados meses mais tarde, em Outubro desse ano. O Colégio conseguiu, com este passo, ficar assim dentro da lei, continuando a sua missão em Aldeia da Ponte, com novos Frades espanhóis, condição imposta pelo Governo Civil, não permitindo o regresso dos anteriores, sendo todos substituídos, prosseguindo e alargando a sua acção por toda esta região.
Com a morte de D. Tomás de Almeida em 1903, sucede-lhe como novo Bispo da Guarda, D. Manuel Vieira de Matos, que igualmente, lhe concede a sua protecção e apoio, ao mesmo tempo que estabelece ali uma extensão do Seminário da Guarda.
Conforme determinavam os estatutos, o Colégio passa a funcionar como estabelecimento escolar, contemplando o ensino oficial, primário e secundário, aproveitando os Frades para ministrar também o apostolado, chegando a ser frequentada por cerca de 200 alunos, onde se estudavam as diferentes disciplinas, como o Latim, Português, Francês, Literatura, Filosofia, Matemática e Ciências Naturais, recorrendo-se também a aulas nocturnas. Mediante o ensino destas disciplinas e com bons professores, alguns até da nossa região, o Colégio foi determinante para o grau de conhecimentos adquiridos, contribuindo para a elevação do nível cultural de quem teve a oportunidade de passar por Aldeia da Ponte, naquela época longínqua.
«Ecos da Aldeia», opinião de Esteves Carreirinha

estevescarreirinha@gmail.com

Colégio, foi assim que sempre foi conhecido, embora haja quem o tenha chamado mosteiro, convento, asilo ou hospital infantil de Aldeia da Ponte, devido à sua génese, ao ser criado para o acolhimento de crianças abandonadas, órfãos e aleijados pobres, funcionando, inicialmente, sob a orientação dos Irmãos enviados por Bento Menni de Lisboa.

Esteves Carreirinha - Ecos da AldeiaDepois da anuência do Sr. Bispo da Guarda, a Ordem deu início à sua actividade com a construção de um pavilhão, que iria servir de apoio e onde se chegaram a albergar cerca de 50 meninos, iniciando-se a acção piedosa que fazia jus às suas atribuições, para a qual tinha sido criada na nossa Aldeia, retomando, ao mesmo tempo, as obras de acabamento da Igreja, onde o povo teve um papel primordial, conforme referimos no último escrito.
Ao instalar-se em Aldeia da Ponte, também foi intenção do Padre Menni e do Reverendo Dr. Fancisco Grainha a criação de um noviciado, afim de atrair jovens portugueses para a Ordem, mas esta ideia não se concretizou.
Com o decorrer dos anos, as dificuldades financeiras foram-se agravando, obrigando a Ordem a contrair algumas dividas, verificando-se, ao mesmo tempo, a diminuição das esmolas, acrescido da falta do pagamento prometido pelo Dr. Francisco Grainha, as 40 libras anuais, levando a uma situação insustentável, pois começaram a escassear os recursos para o sustento do Colégio, vendo-se os Frades na iminência de ter que mandar embora as crianças, o que viria, de facto, a acontecer mais tarde, com o conhecimento de Bento Menni.
Antigo Colégio de Aldeia da PonteCom a morte do Reverendo Francisco Grainha em 1896, Bento Menni fez, ainda, uma última tentativa junto do sobrinho, Dr. Francisco Sales Borges, no sentido de o sensibilizar, para o problema do Colégio, recordando-lhe que o seu tio tinha prometido, em vida, uma comparticipação monetária, mas sem resultados aparentes, tornando infrutífero o esforço de Bento Menni, no sentido de continuar com o Colégio em funcionamento, pois a sua vontade era prosseguir a actividade nesta região.
Perante esta situação inultrapassável, nada mais houve a fazer, levando a que Ordem cessasse a sua actividade em A. Ponte, prosseguindo-a no Telhal, nos arredores de Lisboa, onde em 1893 tinha comprado uma quinta, com o apoio do Arcebispado de Lisboa, alargando a capacidade da Ordem, na recolha dos necessitados.
A Ordem Hospitaleira S. João de Deus permaneceu na nossa Aldeia, entre meados de 1892 até final de 1897, sendo o Colégio entregue, no início de 1898, à Ordem do Imaculado Coração de Maria, fundada pelo Padre António Maria Claret, com as diligências directas a serem efectuadas por Bento Menni, entre Outubro e Dezembro de 1897.
Este passo tornou-se um marco histórico para o Colégio, uma vez que foi em Aldeia da Ponte, que teve início a actividade destes Frades, denominados Claretianos, em homenagem ao seu fundador, sendo também conhecidos por Frades Marianos, constituindo aqui a sua Casa-Mãe em Portugal, neste ano de 1898.
«Ecos da Aldeia», opinião de Esteves Carreirinha

estevescarreirinha@gmail.com

O Colégio foi mandado construir pelo Dr. Francisco Grainha, da Covilhã, antes de 1891, com a ajuda de um benemérito de Castelo Branco, o Sr. Pedro Pina, que lhe disponibilizou cerca de 80 contos de reis, com a grande ajuda e colaboração do povo de Aldeia da Ponte despendendo muito trabalho, doando materiais, como madeira, carretos de pedra, essenciais para a sua construção, acrescido de tudo o que o Colégio necessitou, nada foi regateado pela população, que se prestou com o que pode, para a construção do magnífico edifício.

Esteves Carreirinha - Ecos da AldeiaA Ordem Hospitaleira de S. João de Deus iniciou a sua actividade em Granada, Espanha, em 1538, tendo origem na acção e exemplo de vida do seu fundador, implementando uma nova maneira de tratar e acolher os pobres, os doentes e os necessitados. Em Portugal, tem início pelo ano de 1606, em Montemor-o-Novo, precisamente a terra natal do seu fundador, tendo comemorado em 2006, os seus 400 anos de presença no nosso país. Devido a questões políticas, com algumas perseguições pelo meio, fez com que a Ordem fosse obrigada a algumas interrupções, tanto em Espanha como em Portugal.
O Papa Pio IX pediu então ao Padre Bento Menni para restabelecer a Ordem Hospitaleira de S. João de Deus na Península Ibérica, iniciando estas funções em Espanha, por altura de 1867, vindo mais tarde para o nosso país, em 1890, começando por tomar conta do Hospício de Santa Marta, em Lisboa.
Passado algum tempo e, devido à boa aceitação que a Ordem Hospitaleira estava a ter em Lisboa, Bento Menni pensou em criar novas fundações, mas os recursos eram diminutos, acrescido do facto de ainda ter poucos Irmãos portugueses.
Numa passagem pela Covilhã, o Reverendo Dr. Francisco Grainha desta localidade, propôs a Bento Menni para se encarregar de uma casa de beneficência, que pretendia criar em Aldeia da Ponte, comprometendo-se, ainda, a entregar-lhe uma importância, em dinheiro, no valor de 40 libras anuais, para as despesas desta casa, que seria doada à Ordem Hospitaleira, para recolher e cuidar de meninos desamparados, órfãos e aleijados pobres.
Colégio de Aldeia da PonteEm função desta generosa oferta, Bento Menni escreve uma carta ao Sr. Bispo da Guarda, D. Tomás Gomes de Almeida, em Janeiro de 1892, solicitando a sua autorização para instalar uma comunidade desta Ordem Hospitaleira em Aldeia da Ponte.
D. Tomás de Almeida respondeu que apoiava a iniciativa e concedia a sua autorização com muito gosto e de viva voz, não a dando por escrito, atendendo às circunstâncias dos tempos actuais. Alguma contestação já existia, à época, contra as Ordens religiosas e a situação do Reino não era propicia a grandes comprometimentos.
Segue-se um período de troca de correspondência entre Bento Menni e o Dr. Francisco Grainha, cedendo este, a quinta de Aldeia da Ponte à Ordem, pronta a funcionar, faltando apenas a conclusão da Igreja, que já existia, ainda em construção, com o fim exclusivo de ser destinada a obra de benemerência.
Em meados desse mesmo ano de 1892 teve início a actividade dos irmãos de S. João de Deus em Aldeia da Ponte, mas passado pouco tempo, o Colégio sofreu um revés, que foi uma multa de 1 conto de reis aplicada devido ao sub-avaliamento do edifício do Colégio, multa essa que viria a ser perdoada, pagando-se apenas os 10% desse valor, como determinava a lei, a pedido do padre Bento Menni, que para isso se deslocou a Lisboa, apelando aos bons serviços da Rainha D. Amélia, que confiava e reconhecia as boas causas da Ordem de S. João de Deus, no apoio aos pobres e desamparados.
«Ecos da Aldeia», opinião de Esteves Carreirinha

estevescarreirinha@gmail.com

Ao abordar este tema do Colégio, não é minha intenção criar problemas ou situações do género, antes facultar alguma informação, ainda que superficial do Colégio, reforçando o conhecimento de uma instituição que foi merecedora de algum crédito, presumindo que não tenha sido muito fácil a sua criação, com estatutos próprios e aprovados em 1901, com a designação de Estatutos do Colégio de Aldeia da Ponte.

Esteves Carreirinha - Ecos da AldeiaO Colégio de Aldeia da Ponte desenvolveu um meritório trabalho, especialmente na recolha de crianças órfãs e desamparadas, bem como na educação e saber da nossa região, proporcionada pelos frades portugueses e espanhóis.
Nasci e cresci mesmo em frente ao Colégio antigo de Aldeia da Ponte, hoje com algumas casas em ruínas, outras recuperadas e habitadas, bem como a sua bela e altiva Igreja, transformada em palheiro depois do encerramento, na rua com o mesmo nome.
Toda a minha meninice e juventude foi passada paredes-meias com o Colégio, ainda era totalmente habitado por várias famílias.
Em Aldeia da Ponte há alguns especialistas na pesquisa de todo o historial desta instituição, construída há dois séculos atrás, servindo também como um centro escolar, onde os Frades espanhóis ministravam um ensino de qualidade.
Colégio de Aldeia da PonteSegundo relatos de quem conheceu a realidade do Colégio, começou por ser uma casa de acolhimento de meninos abandonados, necessitados e pobres, sendo transformado também em estabelecimento escolar, onde muitos adquiriram conhecimentos que lhes foram úteis e favoráveis para a vida.
Tal como acima referi, não serei a pessoa mais habilitada a escrever sobre a história do Colégio, que é muito rica, apenas referirei alguns aspectos gerais, que poderão conter algumas imprecisões, de que me penitencio.
A estrutura do Colégio englobava todo o casario em torno da Igreja, bem como as terras situadas atrás, passando do alto da Santa Bárbara, denominada a Costa, onde os Frades cuidavam das suas culturas, entre as quais um afamado vinho, em que a Costa ou Encosta era, e ainda se mantém, como um dos melhores locais para a cultura da vinha e muitas outras, na nossa Aldeia, que os Frades cultivavam para consumo de todos os seus utentes.
Hoje em dia, a Costa está a ficar apinhada de casas, expandindo-se a povoação para este local, com muitas casas de emigrantes, que apenas visitam a Aldeia por altura das férias.
«Ecos da Aldeia», opinião de Esteves Carreirinha

estevescarreirinha@gmail.com

JOAQUIM SAPINHO

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