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Não irei fazer grandes comentários sobre a Festa da Europa, que decorreu nos dias 28, 29, 30 e 31 de Julho, no Sabugal.

(Clique nas imagens para ampliar.)

João Aristides DuarteRefiro, apenas, que me pareceu interessante que para além dos espectáculos musicais, realizados à noite, tenha havido animação de rua com insufláveis, carrinhos e touro mecânico, o que faz com que mais gente participe na Festa. Também me pareceu interessante a Exposição sobre os trajes da Europa e do Mundo, patente junto ao Palácio da Justiça, para além da participação, já habitual, dos artesãos do concelho.
Enfim, este ano havia mais gente, o tempo ajudou e penso que tudo correu bem.
Em termos de espectáculos também foi muito bom…
Os Diabo na Cruz deram um bom espectáculo, os Quadrilha dera o melhor espectáculo que já tive oportunidade de presenciar (e já os vi ao vivo algumas 10 vezes). Os Anaquim foram fantásticos e A Caruma superou as minhas expectativas. Só é pena que haja gente que abandone o recinto, mal comecem os espectáculos, apenas por não conhecerem… Se fosse o Tony ficavam até ao fim… Mas aquela mania de as pessoas não se quererem aproximar do palco é que nunca mais tem fim… Devo dizer que eu estive, todas as noites, na primeira linha, bem junto ao palco.
Transcrevo aqui um comentário retirado do facebook, com o qual estou de acordo, de um fã de A Caruma que fez uma viagem de uma hora e meia para vir ver a banda ao Sabugal:
«Muito bom concerto no Sabugal. Pena que o público tenha desistido ainda o concerto não ia a meio, o que para mim indica uma falta de gosto pela qualidade musical e uma falta de respeito pelos artistas em palco. Mas pronto, bom concerto na mesma, valeu a pena a viagem de 1h30m que fiz para vos ir ver e ouvir os vossos grandes temas. – Tiago Leal»
«Música, Músicas…», crónica de João Aristides Duarte

(Deputado da Assembleia Municipal do Sabugal)
akapunkrural@gmail.com

Embora esta crónica não esteja relacionada, directamente, com o concelho de Sabugal, não poderia deixar de a transmitir aos leitores do blog, uma vez que se trata de um facto verdadeiramente digno de nota.

Brigada Vítor Jara

João Aristides DuarteTrata-se de um concerto da Brigada Victor Jara, a que assisti, na Festa do Avante. Estávamos a 9 de Setembro de 1983.
Lá fui eu, o meu irmão e o Mestre Fernando Fernandes (aquele que produz obras de arte em ferro) à Festa do Avante. Na época a festa tinha lugar no Alto da Ajuda, em Lisboa.
Começámos por ver/ouvir a Judy Collins, os checos Olympik e, num palco pequenino, uns holandeses a tocarem e cantarem a «Grândola». Depois ainda vimos os «Cossacos de Kuban», um grupo da URSS que cantou o «Vira», em português.
Vimos a Brigada Victor Jara num palco pequeno e, mais tarde fomos para um dos palcos grandes, que ficava de costas para a Torre de Belém.
Nesse palco começaram por actuar os Roquivários («Cristina, não vais levar a mal, mas beleza é fundamental») e, talvez por erro da organização, seguiu-se a Brigada Victor Jara.
Não digo nada… Aquele público era constituído quase exclusivamente por alucinados… Tudo malta nova, só freaks, punks e assim … Muitos, muitos, uma multidão enorme… Tudo sentado… O local onde o público presenciava os concertos era tipo anfiteatro. Encontrei lá um rapaz que andou a estudar comigo no Sabugal, de Vale da Senhora da Póvoa (Penamacor), todo alucinado, também. Lembro-me de um outro com um capacete branco da Polícia Militar e muitos outros assim com esse estilo. Tudo a queimar muitos fumos, um ambiente altamente explosivo. Antes, ainda passámos perto dos bastidores e o Mestre Fernando conhecia o baterista da Go Graal Blues Band que era o Márito de Vale de Espinho e tinha tocado, antes, nos Spartak’s, o mais famoso conjunto dos anos 70, da Guarda. O Márito convidou o Mestre Fernando e quem o acompanhava a aparecer nos bastidores, onde havia comida à disposição.
Acabámos por não aparecer nos bastidores.
A seguir aos Roquivários a organização resolveu meter a Brigada Victor Jara, no palco. Aquele público queria era Rock. Estava tudo, mesmo, à espera da Go Graal Blues Band, com o Paulo Gonzo a cantar.
Começaram a atirar pedras à Brigada e, passadas duas músicas, a banda pára. Um dos músicos da Brigada Victor Jara vai ao microfone, manda umas bocas («a Festa do Avante não se faz com pedrinhas, isto dá muito trabalho») e a maioria do público continuava na mesma: ruidoso e a não ligar à música da Brigada Victor Jara.
Até que aparece alguém da organização no palco, que vai ao microfone e anuncia «Ou páram de ter esse comportamento, ou cancelamos o concerto da Go Graal Blues Band!!» A coisa lá acalmou e a Brigada conseguiu terminar o concerto. O concerto da Go Graal foi mesmo a loucura. O público presente estava nas suas «sete quintas». Mas, não há dúvida, que colocar a Brigada ali foi mesmo um erro de «casting».
Bastante exótico…
«Música, Músicas…», crónica de João Aristides Duarte

(Deputado da Assembleia Municipal do Sabugal)
akapunkrural@gmail.com

A foto que acompanha esta crónica refere-se à banda OS MINISTROS, que foi criada no Soito, após o «boom» do Rock português iniciado com o álbum «Ar de Rock» de Rui Veloso.

Os Ministros

João Aristides DuarteUm festival com o nome «Só Rock» teve lugar em Coimbra, organizado pela Rádio Comercial e pela empresa de som Furacão, com o apoio da Câmara Municipal da Lusa Atenas, teve lugar no ano de 1981, com a participação das mais variadas bandas, oriundas de todo o país.
OS MINISTROS formaram-se no Soito, de propósito para concorrer a esse Festival. Foram uma das primeiras bandas a inscreverem-se no Festival, que foi ganho pela banda Alarme, da Nazaré. Participaram no Festival nomes como Manifesto, Opinião Pública, Xutos & Pontapés, Brigada do Reumático, etc., etc.
OS MINISTROS não chegaram a participar no Festival, embora tenham surgido em várias publicações ligadas à música, como o saudoso semanário «Se7e», onde foram referidos como um dos grupos com o nome mais original.
Na foto podemos ver Fernando Monteiro, no baixo, Luís Duarte, na guitarra e Fernando Freire, na bateria. Nenhum destes elementos sabia, sequer, tocar. Mas que interessava, se se tratava de uma banda punk?
A banda sofreu alterações na sua formação e Fernando Pereira entrou como guitarrista, tendo Luís Duarte passado a ocupar-se das funções de vocalista principal.
A banda ensaiava no local onde hoje é a sede da Associação Cultural e Desportiva do Soito.
Do seu reportório faziam parte temas como «Música», «Rei da Noite», «Vamos Todos», «Madrugada» e outros, que chegaram a ser ensaiados durante algum tempo.
À última da hora, a banda decidiu não se apresentar no Festival, uma vez que não se considerava com capacidade para enfrentar o público, já que, em termos musicais, pouco evolui (ou seja, se se exceptuar Fernando Pereira, nenhum dos outros elementos conseguiu aprender a tocar em condições).
Sei, também, que eram colocados grandes cartazes, na Praça da República, em Coimbra, onde eram referidos os nomes das bandas participantes no Festival e originários do concelho (a estudar em Coimbra) ficaram bastante desiludidos quando viram nesses cartazes «Os Ministros (Sabugal)» e a banda não compareceu.
Perdeu-se alguma coisa, em termos de música portuguesa? Julgo que não… Foi, apenas um projecto que ficou pelo caminho, o qual, aliás, não teria futuro nenhum.
«Música, Músicas…», crónica de João Aristides Duarte

(Deputado da Assembleia Municipal do Sabugal)
akapunkrural@gmail.com

Um dos concertos mais polémicos de todos os tempos, no concelho do Sabugal, teve lugar no dia 22 de Junho de 1990, no Castelo do Sabugal. Efectivamente, foi nesse local que se realizaram as Festas de S. João de 1990.

Carlos do Carmo

João Aristides Duarte - «Música, Músicas...»Carlos do Carmo é um nome incontornável do Fado e da canção ligeira (chamemos-lhe assim) de Portugal. Cantou em locais tão míticos como o Olympia, de Paris, as Óperas de Frankfurt e Wiesbaden, o Canecão, do Rio de Janeiro e noutras salas de espectáculos em Sampetersburgo, Helsínquia, Copenhaga, etc., etc.
Em Portugal conseguiu quase encher o Pavilhão Atlântico no seu concerto de tributo a Frank Sinatra, o que pode ser considerado um feito. Actualmente o seu último CD (em dueto com Bernardo Sassetti) encontra-se em 18.º lugar no Top de vendas e é já Disco de Ouro.
Apesar das credenciais, que têm origem nos anos 60, do século XX, Carlos do Carmo não teve qualquer problema em actuar no palco do Sabugal, instalado no Castelo, numa organização da Comissão de Festas desse ano. Referiu, mesmo, durante o espectáculo do Sabugal que, para ele, era a mesma coisa cantar no Olympia, em Frankfurt ou no Sabugal.
Segundo informações que, posteriormente, recolhi, a equipa de Carlos do Carmo jantou no restaurante das Festas, tendo declinado o convite para se dirigir a um restaurante da (então) vila.
Lembro-me bem de ter ido assistir a esse concerto e de, quando o espectáculo estava prestes a iniciar-se, enquanto os guitarristas afinavam os instrumentos; uma parte do público começar logo a assobiar.
No fim do primeiro número, Carlos do Carmo referiu que era com grande honra que estava no Sabugal, onde nunca tinha actuado e fez um grande elogio à Comissão de Festas, extensivo a todas as outras do país, sem as quais não seria possível aos artistas portugueses sobreviver.
Acompanhado pelo trio habitual, de que se destacava José Maria Nóbrega que o acompanha quase desde o início da sua carreira, Carlos do Carmo cantou alguns dos fados mais conhecidos do seu reportório, como «Por Morrer uma Andorinha», «Canoas do Tejo», «Bairro Alto» e «O Homem das Castanhas», entre outros.
O seu concerto baseou-se mais, no entanto, em canções do álbum que tinha editado havia pouco tempo e que se intitulava «Mais do que Amor é Amar», com temas como «À Memória de Anarda», «Ao Gosto Popular» ou «Elegia do Amor». Também cantou «Pedra Filosofal», de Manuel Freire /António Gedeão e «Traz Outro Amigo Também» de José Afonso.
Pelo facto de se tratar de um espectáculo de Fado, onde o silêncio deve ter lugar, Carlos do Carmo teve uma atitude pedagógica dizendo aos presentes para não fazerem barulho, o que foi muito mal interpretado por uma parte do público, que não compreendeu o alcance das palavras do fadista, quando este referiu que «infelizmente a cultura que chega é a da televisão». O certo é que com estas suas palavras o público fez silêncio e o espectáculo continuou, sem sobressaltos. Já tinha acontecido o mesmo no Festival de Vilar de Mouros, em 1982, onde o fadista actuou perante uma plateia de jovens muito mais interessados em Rock e Carlos do Carmo conseguiu, aqui também, dar a volta à situação.
Ainda hoje há pessoas no Sabugal que se consideram ofendidas pelas palavras de Carlos do Carmo, baseadas afinal num mal-entendido, daí dizer-se que o concerto foi polémico.
«Música, Músicas…», opinião de João Aristides Duarte

(Deputado da Assembleia Municipal do Sabugal)
akapunkrural@gmail.com

Nunca estudei economia. Eu sou de Letras ou Humanidades. Tive, isso sim, uma cadeira de Introdução à Política, no 2.º Ano do Curso Complementar dos Liceus, antigo 7.º Ano Liceal. Nada percebo, portanto, de economia ou finanças, nem de mercados. Não estou a brincar.

João Aristídes Duarte - «Música, Músicas...»A primeira vez que ouvi falar de «mercado» ou «economia de mercado» foi há 21 anos, aquando da queda do Muro de Berlim e Mário Soares não falava noutra coisa, senão no «mercado». Até essa altura toda a gente conhecia isso pelo nome de capitalismo. Quem diria que o «mercado» seria capaz disto que faz hoje? Quem diria, há 21 anos, que os ordenados dos funcionários públicos (por enquanto só desses, que os patrões do privado já andam a ver se conseguem fazer o mesmo, com o pretexto da crise) seriam não só congelados, como lhes retirariam uma parte? Não acredito que alguém pensasse que poderia suceder uma coisa dessas.
Por isso pergunto a algum leitor desta crónica do blogue «Capeia Arraiana» se me pode elucidar sobre o significado das notícias que circulam, a toda a hora, pelas rádios, televisões e jornais.
São estas as perguntas a que gostaria que alguém respondesse (mas não em «economês», se possível em linguagem corrente):
O que uma agência de «rating»? Já existem há muitos anos? Reconheço a minha ignorância, mas nunca tinha ouvido falar nisso, até ao ano passado.
O que é a dívida pública? E a dívida soberana? Quem compra a dívida? Novamente reconheço a minha ignorância, como leigo que sou na matéria, mas nunca tinha ouvido falar disso (sobretudo da «soberana») até este ano.
O que são «activos tóxicos»? Porque é que a Irlanda era apontada há dois ou três anos como o melhor modelo para Portugal e hoje é um «caso perdido»?
Porque é que não se podem criticar ou dizer mal dos mercados? Eles vingam-se?
Porque é que há um ano o PS e o PSD eram tão diferentes na campanha eleitoral, com diferenças abismais, com políticas distintas e alternativas e hoje são os próprios governantes do PS a pedir uma coligação com o PSD? Não me digam que era só por causa da «velha» (como lhe chamavam os do PS). Agora, só porque o chefe do PSD é novo (ou jovem), já podem estar coligados? E o Soares que não podia nem ver o Cavaco (a quem chamava o «gajo» – quem se lembra?) faz tudo o que pode para que o mesmo Cavaco seja reeleito Presidente da República. Bem, nada admira vindo de Soares. Basta ler o livro «Dicionário Político de Mário Soares» de Pedro Ramos de Almeida, para se perceber que o que ele diz não se escreve. Só a título de exemplo uma tirada de Mário Soares, inserido nesse precioso livro: «Em Democracia quem mente ao povo é réu de alta traição.»
A gente ouve falar todos os dias e a toda a hora nestas coisas, e nunca vi, li ou ouvi ninguém a fazer estas simples perguntas. Ou os portugueses (a maioria) estão formados em economia e finanças ou já nada percebo do país em que vivo.
Basta que algum comentador vá à televisão dizer que é preciso mais sacrifícios, que estes ainda não chegam, para as sondagens do dia seguinte indicarem que os portugueses concordam com as medidas de austeridade. Já agora, só mais uma pergunta muito indiscreta: Quanto ganham os comentadores económicos, que dizem o mesmo em todas as televisões (não há um único que não diga o mesmo – onde está o pluralismo?), ou seja que é preciso muita (e cada vez mais) austeridade? Para quem trabalham esses comentadores de economia? Isso eles nunca referem. Referem, isso sim, que quem trabalha tem que «apertar o cinto» para que a economia e as finanças sejam saudáveis. Daqui a pouco só já lhes falta dizerem que se a escravatura voltasse é que era bom, porque, nesse caso, já a economia e finanças estariam muito bem.
O que mais admiro nos portugueses é esta capacidade de nada questionarem, se saberem tudo, de não terem humildade de fazer perguntas. Toda a gente fala na dívida soberana, no «rating», nos mercados, quando me parece (ou eu não conheço o país onde vivo) que o que eles querem mesmo é que a conversa mude para a «bola», que nisso já todos podem dar o seu «bitaite».
«Política, Políticas…», crónica de João Aristides Duarte

(Membro da Assembleia Municipal do Sabugal)
akapunkrural@gmail.com

A canção apresentada nesta crónica não é tradicional do Soito, mas é uma canção que era, tradicionalmente, cantada no Soito. Ainda hoje, embora raramente, se canta.

Música Natal

João Aristídes Duarte - «Música, Músicas...»Trata-se de uma canção tradicional de Natal, cuja origem é a Beira Baixa.
Esta canção era cantada na noite da Consoada, no Soito, sobretudo junto à Fogueira do Galo, ou nas ruas da freguesia.
Há uma bonita versão desta canção no CD dos Navegante, intitulado «Cantigas Tradicionais Portuguesas de Natal e Janeiras», editado em 2009. Há várias variações da letra desta canção, em variadas regiões do país. Esta é uma das canções tradicionais que se espalhou pelo país, através das migrações das populações rurais, que procuravam o seu ganha-pão, longe as suas terras de origem (era este o caso dos «ratinhos», «gaibéus», «caramelos», etc.).
A letra que se cantava no Soito é a seguinte:

Alegrem-se os Céus e a Terra
Cantemos com alegria
Já nasceu o Deus Menino
Filho da Virgem Maria

Ó meu Menino Jesus
Ó meu Menino tão belo
Logo foste a nascer
Na noite do caramelo

Do varão nasceu a vara
Da vara nasceu a flor
Da flor nasceu Maria
De Maria o Redentor

Nota: O triste episódio protagonizado pela PT que se «safou» do pagamento de 260 milhões de euros em impostos, através da distribuição de dividendos, mostra, mais uma vez, que o poder político anda de joelhos perante o poder económico. O Governo avisou a Caixa Geral de Depósitos (um dos accionistas da PT) para votar contra a distribuição dos dividendos, mas fê-lo um dia depois de os accionistas já o terem decidido. Para isto não se pode voltar atrás, são compromissos, alegam. «Palavra de Rei não volta atrás» parece ser o lema nestas coisas. Já para assumir os compromissos que assinou com os Sindicatos de Professores, relativos à realização de um Concurso de colocação de docentes, no próximo ano, não há disponibilidade. Neste caso rasgam-se os compromissos assumidos, porque há crise… Estamos entregues à bicharada. De qualquer maneira, nada espero de diferente daqueles que se preparam para assumir o poder, proximamente, nomeadamente do PSD, de Passos Coelho. È tudo farinha do mesmo saco…
«Música, Músicas…», crónica de João Aristides Duarte

(Membro da Assembleia Municipal do Sabugal)
akapunkrural@gmail.com

A canção que hoje apresento intitula-se «Ó Virgem da Granja» e trata-se de um espécime que se poderá considerar dentro do estilo de canção religiosa. Há muitas canções religiosas em Portugal que se referem a alguma divindade.

Terreiro das Bruxas

João Aristídes Duarte - «Música, Músicas...»Esta canção, com uma bonita melodia, em jeito de balada, refere-se à Senhora da Granja (ou Senhora dos Prazeres) que se celebra no Soito, na Pascoela. A sua letra inclui muitas expressões típicas das pessoas do Soito, tais como «avoar» ou «buer».
A capela da Senhora dos Prazeres (sobre a qual se conta uma lenda centrada no tempo das Invasões Francesas) encontra-se no local conhecido por Granja, por isso a festa é identificada por esse nome.

Ó Virgem da Granja
Que estás no altinho
A guardar as cabrinhas
Ao Ti Luís Meirinho

Ó Virgem da Granja
Cortai-me um dedinho
Eu quero casar
C’o Vosso Menino

Ó Virgem da Granja
Soltai a pombinha
Deixai-a “buer”
Na Vossa fontinha

Deixai-a «buer»
Deixai-a «avoar»
O Vosso Menino a irá buscar

Ó Virgem da Granja
Desacertai o vento
Que vos entrem rosas
Pela porta «adentro»

As rosas que vos entram
São Ave-Marias
Que V’o l’as mandaram
As Vossas amigas

Ainda sobre música tradicional portuguesa, devo referir que há um disco de um grupo do Porto, formado em 1978, que se intitula «Terreiro das Bruxas» (ver imagem), editado em 1990.
Esse grupo chama-se «Vai de Roda» e foi o vencedor do Prémio José Afonso em 1996, com o disco «Pelas Ondas». Este último disco inclui, curiosamente, um tema intitulado «Senhora da Granja», um tradicional da Beira Baixa, que nada tem a ver com o do Soito.
O título do disco «Terreiro das Bruxas», que não sei se terá tido origem na localidade do mesmo nome do concelho de Sabugal, não deixa, no entanto, de ter um certo significado para nós, habitantes do concelho de Sabugal.

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Nota
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Quero lamentar profundamente o que (não) aconteceu na Assembleia Municipal Extraordinária marcada para o dia 29 de Outubro. Parece-me que não é com estes boicotes que se reconciliam os eleitos com os eleitores.
O que eu ainda não consegui compreender foi como é que os eleitos pelo PSD não compareceram à Assembleia onde se iria discutir uma proposta da própria Câmara Municipal (o Plano de Desenvolvimento Económico e Social do Concelho de Sabugal). Para mais quando na carta anexa à Convocatória da Assembleia se referia que o senhor Presidente da Câmara mostrou interesse em que esse Documento fosse discutido pelos seus membros.
Não foi, também, uma falta de respeito para com o senhor Presidente da Câmara o facto de terem boicotado a sessão?
Como POLÍTICO que sou (e faço gala de o ser) estive presente (bem como o João Manata, ambos eleitos pela CDU) na Assembleia, como era meu dever, após ter sido convocado para a mesma. E escusam de vir os comentadores fazer demagogia com os gastos que a mesma provocava ao erário público.
«Música, Músicas…», crónica de João Aristides Duarte

(Membro da Assembleia Municipal do Sabugal)
akapunkrural@gmail.com

A cantiga que hoje apresento tem uma bonita melodia. É uma canção de amor, em estilo de balada, mas com alguns laivos de «canção de roda» no refrão (constituído pelas duas últimas quadras).

Salgueiro

João Aristídes Duarte - «Música, Músicas...»A quadra inicial repete-se, quando termina o refrão. O refrão repete-se outra vez.
O bucolismo é tema recorrente na música de tradição oral, em Portugal, até porque a grande maioria das cantigas são recolhidas em meio rural
Por isso não é de estranhar a referência ao salgueirinho junto da água, bem como os peixinhos, uma imagem bucólica bastante comum nestas paisagens beirãs. Lembremo-nos dos lameiros e do corte e apanha do feno, uma das tarefas mais importantes da vida nas aldeias, há umas décadas atrás. Tudo era feito por grupos de homens e mulheres, que aproveitavam para cantar em grupo.

Salgueirinho ao pé d’água
Faz sombra aos peixinhos
Quem namora às escondidas
Leva abraços e beijinhos

Amar não é crime
Não é crime, não
Quem deixa o amor
Não tem coração

Amor dá-me um beijo
Dá-me a tua mão
Se tu não ma deres
Morro de paixão.

«Música, Músicas…», crónica de João Aristides Duarte
(Membro da Assembleia Municipal do Sabugal)
akapunkrural@gmail.com

A cantiga que apresento hoje é uma cantiga que as pessoas do Soito, sobretudo rapazes e raparigas, cantavam na Praça e noutros largos da aldeia. Tal como existem muitas por esse país fora, esta é uma «Cantiga de Roda». Era cantada por grupos de 15 a 20 pares, que realizavam, com ela, uma dança.

João Aristídes Duarte - «Música, Músicas...»No Soito esta maneira de dançar era conhecida como «andar à conde», ou seja a «fazer a conde», que significa fazer uma dança de roda.
Como se pode verificar a letra está, hoje, desactualizada, porque, entretanto o Soito ganhou o estatuto de vila. Tal não significa que, desde que o Soito é vila os progressos tenham sido muitos, aliás eu penso exactamente o contrário. Escrevi isso logo quando tal subida de estatuto aconteceu (por exemplo no jornal «Terras da Beira»).
Hoje fala-se em diminuir o número de freguesias no concelho de Lisboa e, também, no resto do país e até juntar concelhos para diminuir despesas (não sei bem quem quer comprar uma guerra, mas isto está na ordem do dia e é melhor que se preparem no concelho do Sabugal) e na época em que o Soito foi elevado a vila só se falava em elevar o estatuto das vilas e aldeias. Faz-me lembrar aquilo que se passou no tempo da Monarquia em que os títulos de nobreza eram tantos que até apareceu uma anedota que dizia «Foge cão que te fazem barão! Para onde se me fazem visconde?»
BonecosLembremo-nos que só no distrito da Guarda (e em pouco tempo) elevaram a Mêda, Sabugal e Trancoso a cidades e Cedovim, Freixo de Numão, Almendra, Santa Marinha e Marialva (para além do Soito) a vilas. Será curioso analisar o que se dizia nessa época dos «fundos» que não tardariam a chegar, dos novos serviços públicos que proporcionaria esse novo estatuto e do grande desenvolvimento que viria aí («Terras da Beira», 20 de Maio de 1999, e on-line Aqui.
A letra está desactualizada, também, porque houve um efectivo e muito acentuado crescimento da freguesia, sobretudo desde o final da década de 1960. Hoje o Santo António já não está à saída.
A cantiga intitula-se «Adeus ó Lugar do Soito» e tem esta letra:

Adeus ó lugar do Soito
Ao longe parece vila
Tem uma igreja no meio
Santo António à saída

Bate certo, certo
Agora é que eu vou ao meio
É um regalo na vida
Ir com o amor ao passeio

Ir com o amor ao passeio
Ir com ele passear
Alegrem-se ó meus senhores
Que a roda vai animar.

«Música, Músicas…», crónica de João Aristides Duarte
(Membro da Assembleia Municipal do Sabugal)
akapunkrural@gmail.com

A cantiga que hoje apresento é uma cantiga religiosa ou cantiga da Quaresma, integrada no ciclo Pascal. Há muitas em Portugal com esse nome, todas referentes ao Ciclo Pascal. O seu título é «Alvíssaras».

João Aristídes Duarte - «Música, Músicas...»As «Alvíssaras» eram dirigidas a alguma divindade (no Soito, talvez a Nossa Senhora dos Prazeres – não foi possível apurar).
Na região da Beira Baixa também acontecia assim, uma vez que há relatos de que era costume, em tempos mais antigos, em Aldeia de Santa Margarida (Idanha-a-Nova) ou Juncal do Campo (concelho de Castelo Branco) que na madrugada de Sábado de Aleluia se fossem dar as alvíssaras (Boas-Festas) à Senhora da Granja e à Senhora das Dores e, claro, ao vigário da freguesia.
Mais uma vez se torna claro que a música tradicional do Soito (e do concelho) tem muitas semelhanças com as músicas da Beira Baixa.
Hoje, no Soito, já não se pratica o passeio de várias pessoas pelas ruas da freguesia, acompanhadas pelo pároco, aqui conhecido como «Tirar o Folar» e noutras regiões do país conhecido como «Compasso». Eu ainda me lembro dessa cerimónia, realizada na segunda-feira a seguir à Páscoa, em que o passeio era acompanhado pelo sacristão que tocava uma campainha e em que o pároco ia a todas as casas da freguesia dar as Boas-Festas. Já durante a época da Quaresma ainda me lembro de ver o sacristão a tocar umas «matráculas» (que eram constituídas por uma tábua com ferros, que era manipulada de modo a produzir barulho), já que os sinos não podiam tocar.
Eis a letra das «Alvíssaras» do Soito:

Dai-me alvíssaras, Senhora
Deitai-mas no meu chapéu
O Vosso amado filho
Já subiu da Terra ao Céu

Dai-me alvíssaras, Senhora
Num raminho de «sarpão»
O Vosso amado filho
Já desceu do Céu ao chão

Dai-me alvíssaras, Senhora
Dai-mas, se m’as quereis dar
O Vosso amado filho
Já tornou a ressuscitar

Dai-me alvíssaras, Senhora
Deitai-mas no meu «mandil»
O Vosso amado filho
Já tornou a ressurgir.

Ainda sobre a música tradicional apraz-me referir que o cantor Roberto Leal editou já dois discos (em 2007 e 2009) de títulos «Canto da Terra» e «Raiç» (a palavra mirandesa para raiz). Estes discos nada têm a ver com o Roberto Leal (que nasceu em Vale da Porca, concelho de Macedo de Cavaleiros) mais conhecido. São trabalhos, verdadeiramente, representativos da melhor música tradicional portuguesa. Nestes trabalhos Roberto Leal contou com a participação de músicos da Brigada Victor Jara, Galandum Galundaina, Quadrilha e Tocá Rufar e canta em mirandês.
AlvíssarasRoberto Leal que regressou às suas raízes transmontanas, das quais se havia afastado, recorda que nestes trabalhos estão «memórias que foram guardadas pela vida fora, dos tempos em que pensava que falava uma língua rude». Mais curiosa ainda, da parte do cantor, a referência a que «ainda em adolescente, e sem o compreender, fui alvo de chacota por causa da minha pronúncia quando dizia txabe em vez de chave, e achava, como muitos transmontanos de então, que trocar o V pelo B era ignorância».
Confesso que nunca fui grande fã de Roberto Leal, enquanto cantor de música ligeira, mas estes seus dois trabalhos e o facto de referir aquilo que escrevi lá atrás levaram a que passasse a admirá-lo. Temos a obrigação de, pelo menos em escritos, preservar aquilo que nos foi legado pelos nossos avós e é isso que eu tento fazer com estas crónicas sobre música tradicional do Soito.
«Música, Músicas…», crónica de João Aristides Duarte

(Membro da Assembleia Municipal do Sabugal)
akapunkrural@gmail.com

Continuando a divulgação de música de tradição oral que recolhi, no Soito, apresento nesta crónica uma canção religiosa intitulada «Santo Antão da Murganheira».

João Aristídes Duarte - «Música, Músicas...»Sabe-se que a música de tradição oral, em Portugal, apresenta-se divida em vários subgéneros de que fazem parte, entre outras as canções de trabalho, as canções religiosas e as cantigas para dançar.
A informante desta, bem como de todas as canções referidas nesta série de crónicas, foi a minha tia Luísa Dias Aristides (na foto), hoje com 98 anos.
Esta canção é uma típica canção de romaria, que terá tido origem na disputa entre as aldeias do Soito e Vila Boa a propósito de qual delas seria a soberania da capela de Santo Antão, que existe no lugar da Murganheira, perto do Soito e de Vila Boa.
Durante anos a população do Soito venerava a imagem de Santo Antão, como se fosse do Soito, embora pertencesse (como ainda hoje) à freguesia de Vila Boa.
Parece-me que esta cantiga apresenta semelhanças com as cantigas de romaria da Beira-Baixa, sendo mais um exemplo da proximidade geográfica poder ter influenciado o surgimento de várias cantigas, tal como referido pelo etnomusicólogo José Alberto Sardinha.
As pessoas do Soito iam em romaria, com carros de vacas enfeitados, até à ermida do Santo Antão, tal como refere a letra da cantiga. A imagem de Santo Antão tem um porquinho ao fundo dos pés, facto que é, também, referido na canção.
A letra da cantiga é a seguinte:

Mais acima, mais abaixo
Tem uma bela junqueira
E à porta da capela
Tem uma bela «moreira»

(refrão)
Já é nosso! Já é nosso!
O Santo Antão
Da Murganheira

Viva o Santo Antão
Que é rei dos «labradores»
Levam carros e carretas
Enfeitadinhos de flores

(refrão)
Já é nosso! Já é nosso!
O Santo Antão
Da Murganheira

Ó Divino Santo Antão
Que andais aqui fazendo
Ando a ver do porquinho
Que me fugiu para o Ozendo

(refrão)
Já é nosso! Já é nosso!
O Santo Antão
Da Murganheira

Devo dizer que qualquer uma das cantigas recolhidas no Soito poderiam, facilmente, fazer parte do reportório de um desses grandes grupos de recriação da música tradicional portuguesa, como a Brigada Victor Jara ou a Ronda dos Quatro Caminhos.
Tia LuísaComo esta região do concelho de Sabugal não foi muito visitada por etnomusicólogos é, pois, natural, que as cantigas daqui não sejam muito conhecidas. Não tendo sido objecto de estudo por etnomusicólogos, é natural que não tenham divulgação.
No concelho de Sabugal tenho conhecimento que uma cantiga da apanha da azeitona de Quadrazais intitulada «Azeitona Cordovili» foi recolhida por José I. Franco, em 1940 nessa localidade e está no livro «Cancioneiro Popular Português» de Michel Giacometti.
Também José Alberto Sardinha recolheu duas cantigas, no final da década de 1990, na Bendada.
Em termos de temas da tradição oral do concelho de Sabugal que foram objecto de recriação, para além da «Canção das Maias» (de Alfaiates) recriada pelos Chuchurumel e mencionado na crónica anterior; conheço também a recriação de «Entrudo» (de Aldeia do Bispo) recriada pelos Assobio, no seu CD de 2009.
«Música, Músicas…», crónica de João Aristides Duarte

(Deputado da Assembleia Municipal do Sabugal)
akapunkrural@gmail.com

Vou escrever uma série de crónicas sobre a música tradicional do Soito, de que tenho conhecimento.

Michel Giacometti

João Aristídes Duarte - «Música, Músicas...»Não sou etnomusicólogo, como o grande Michel Giacometti (na foto), Margot Dias, Rodney Gallup ou Salwa El-Shawan Castelo-Branco (curiosamente todos estrangeiros, mas que realizaram um trabalho imenso em Portugal, que deveria estar-lhe eternamente grato).
Os conhecimentos que eu tenho sobre esta temática devem-se à audição atenta de centenas de discos de recolhas e recriação da música de tradição oral, bem como à leitura de variadas obras de Giacometti, Fernando Lopes-Graça e outros.
As recolhas que efectuei, há uns anos, e que tenho em suporte digital foram-me referidas por alguns e algumas informantes, das quais um ainda é viva, com a provecta idade de 98 anos. Trata-se da minha tia Luísa Dias Aristides, actualmente no Lar da 3.ª Idade, no Soito.
José Alberto Sardinha, outro dos grandes nomes da etnomusicologia portuguesa, refere que «tanto na Cova da Beira, como por toda a campina de Idanha, desde o Sabugal às margens do Tejo, é o adufe o principal e, sem dúvida, o mais arcaico instrumento». Este estudioso não deixa, no entanto, de referir que a música tradicional não tem certidão de nascimento e que as músicas das várias regiões podem interpenetrar-se, contribuindo para isso, nomeadamente, a proximidade geográfica ou as migrações.
Mas até pode ser que não seja só por isso, já que há grandes semelhanças entre o «Grito de Ah Ghi Ghi» que se usava no Soito há 50 ou mais anos e o «Grito de Escatilhar» recolhido por Michel Giacometti, no Minho.
Nas recolhas que efectuei, notei semelhanças entre algumas das músicas do Soito e as músicas mais conhecidas da Beira-Baixa. Até poderei estar enganado, mas foi o que me pareceu, sobretudo no tema mais conhecido do Soito que é a «Canção do Maio».
Talvez incluída nas Festas da Primavera ou das Maias, que celebravam o retorno do Sol fecundante, esta cantiga era cantada no início de Maio por grupos de rapazes e raparigas, acompanhados por adufe ou pandeireta.
Era por estes dias que os padrinhos do Soito ofereciam aos seus afilhados o «Bolo do Maio», que é uma tradição (em parte ainda viva), que só conheço nesta freguesia. O «Bolo do Maio» é um «santoro» que, nas restantes localidades do concelho, se costuma oferecer na época dos Santos.
A letra da «Canção do Maio» é a seguinte:

O Maio é muito longo
Minha mãe tem pouca massa
Lá o iremos passando
Com azedas e labaças

Ò Maio, Ó Maio
Ó Maio d’além
Quando vem o Maio
Ceifa-se a farrem

Já lá vem o cuco
Já lá vem o cuco
E vem d’acavalo (bis)
Traz ciguenas d´oiro
Que vem do marcado

Tenho uma pitinha branca
Que me põe no campanário
Hei-de deitá-la de meias
Com a Senhora do Rosário

Ó almo de S. Modeste
Que fizeste à tua flor
Que te vejo de sem ela
Como eu de sem amor

Maiai, cachopas maiai
Arrastai as vossas saias
Sabe Deus quem chegará
A outro dia de Maias

O grupo Chuchurumel, de César Prata, no CD «Posta-Restante», de 2006, apresenta um tema recolhido em Alfaiates, com o título «Canção das Maias» que contém estes versos:

Este Maio é muito grande
Minha mãe tem poucas massas
Mas lá iremos passando
Com azedas e rabaças

O resto da letra da «Canção das Maias», de Alfaiates não tem semelhanças nenhumas com a «Canção do Maio», do Soito, sendo que a música é, também, totalmente diferente com alguma proximidade à música do Norte de África, pelo menos na versão de Chuchurumel.

P.S. (salvo seja): Grande concerto da Banda da Força Aérea Portuguesa, no sábado, nos Fóios, cada vez menos o «calcanhar do mundo». Como musicómano que sou, não poderia faltar.
«Música, Músicas…», crónica de João Aristides Duarte

(Deputado da Assembleia Municipal do Sabugal)
akapunkrural@gmail.com

Seis anos depois, Aldeia Velha voltou a receber de braços abertos os UHF. Efectivamente, os UHF já tinham actuado no mesmo local no dia 23 de Agosto de 2004. Se o concerto de 2004 foi bom, o de 2010 (realizado no passado dia 21 de Agosto) foi fantástico.

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João Aristides Duarte - «Música, Músicas...»Muito público jovem esteve presente, mas também bastantes pessoas de outras faixas etárias, para quem os UHF são ainda uma referência que permanece desde a sua adolescência.
Totalmente recuperado, após o seu internamento hospitalar em finais de Julho (que levou ao cancelamento do concerto de Peniche), o líder dos UHF, António Manuel Ribeiro, provou (mais uma vez) em Aldeia Velha, porque é um dos mais carismáticos músicos do Rock português.
A banda continua com a formação habitual, que já tem mais de 10 anos: António Côrte-Real (guitarras), Ivan Cristiano (bateria), Fernando Rodrigues (baixo e teclas); António Manuel Ribeiro (guitarras e vozes). Para além destes músicos participou no concerto, como convidado, Nuno Oliveira (teclas, baixo e cavaquinho).
O concerto iniciou-se com «Quando (Dentro de Ti)» e prosseguiu com um tema do novo álbum (que sairá em finais de Setembro e se intitulará «Porquê?»).
O concerto prosseguiu com temas como «Matas-me Com o Teu Olhar», «Sarajevo», «Modelo Fotográfico» ou «Foge Comigo Maria».
O público, que enchia completamente o recinto, não arredava pé e cantava, constantemente, os refrães dos temas emblemáticos dos UHF.
No tema «Canção de Roubar o Amor», Nuno Oliveira tocou cavaquinho, numa feliz mistura entre o Rock e a música popular portuguesa.
O concerto teve o seu clímax no tema «Esta Dança Não Me Interessa», quando António Manuel Ribeiro, na parte final, solicitou ao público que batesse palmas ao ritmo da canção, enquanto ia declamando um poema, ao mesmo tempo que referia estar muito feliz por regressar a Aldeia Velha, elogiando os presentes e transformando a noite de 21 de Agosto numa imensa comunhão entre a audiência e a banda.
O tema «O Vento Mudou», uma versão da canção que ganhou o Festival RTP da Canção, nos anos 60, foi dedicado ao autor desta crónica por António Manuel Ribeiro, seu amigo pessoal.
O concerto chegou ao fim com «Menino (Canção da Beira-Baixa)», mas o público pediu mais. A banda voltou ao palco para cantar a versão acústica de «Matas-me Com o Teu Olhar», com o público em coro a entoar o refrão, após o que se retirou.
A pedido do público a banda regressaria, ainda, para mais dois temas emblemáticos: «Cavalos de Corrida» (António Manuel Ribeiro referiu que estava há 32 anos ligado à corrente e tinha começado por ser, ele próprio, um cavalo de corrida) e, na apoteose final, com o público presente no recinto a dançar ao som de «Menina Estás à Janela».
Resumindo: um concerto memorável.
António Manuel Ribeiro confidenciou ao autor desta crónica que o novo álbum dos UHF se incluirá naquilo a que se poderá chamar «Rock de Intervenção», com palavras duras e de protesto contra um certo apodrecimento da situação vivida em Portugal.
«Música, Músicas…», crónica de João Aristides Duarte

(Membro da Assembleia Municipal do Sabugal)
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Sábado à noite, dia 3 de Julho, na Festa do Cavalo e do Toiro, no Soito, houve um espectáculo com a Fanfarra Kaustica.

Fanfarra Kaustica - Soito - Sabugal

João Aristídes Duarte - «Memória, Memórias...»Banda constituída por 11 elementos, a Fanfarra Kaustica, de Águeda, foi uma das coisas melhores, musicalmente falando, a que tive oportunidade de assistir, nos últimos tempos.
Dentro do estilo das fanfarras da Europa de Leste (como a famosa Fanfare Ciocarlia, da Roménia), a Kaustica compreende saxofones, trompetes, tubas, trombones, pratos, caixa e bombo. Todos os músicos são acima da média.
Os arranjos são espectaculares. Vê-se que há ali muito tempo de ensaios.
Para além de alguns temas conhecidos, como «Sodade», tornada famosa na voz de Cesária Évora, o reportório da Fanfarra Kaustica inclui temas originais.
O seu estilo de apresentação com óculos escuros, gravatas amarelas e fato preto, completado com um chapéu, também preto; é uma das características marcantes da banda, que tanto pode actuar em palco, como fazer animação de rua. No caso do espectáculo no Soito, actuou na rua.
Pode-se falar, sem qualquer dúvida de um estilo musical muito animado, que poderá designar-se como «Punk Filarmónico».
Esta foi uma grande aposta para a animação da Festa do Cavalo e do Toiro. Só é pena que já tenha actuado muito tarde, quando o público já não era muito. Mas ficaram aqueles que realmente gostam de música e não arredaram pé.
«Música, Músicas…», opinião de João Aristides Duarte

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Bem me apetecia escrever sobre a hipocrisia de alguns políticos sobretudo os PECadores do Bloquinho Central dos interesses.

(Clique na imagem para ampliar.)

Joao Aristides DuarteEfectivamente, como denunciou Daniel Cohn-Bendit no Parlamento Europeu, a Alemanha e a França colocam a Grécia entre a espada e a parede, pedem enormes sacrifícios ao povo grego e não hesitam em vender a essa mesma Grécia, nos últimos meses, 6 fragatas, 20 ou 30 helicópteros e alguns submarinos, tudo num valor total de perto de 4 mil milhões de euros. Depois, esses países, ajudam a Grécia com juros a 5 ou 6%, quando eles obtêm empréstimos de 1, 5 a 3%. Hipócritas!!!
Já por cá a hipocrisia, também, reina: dão tolerância de ponto por causa da visita do Papa e declaram, agora, que há um problema de produtividade e é necessário mudar os feriados. Lembre-se que o PS sempre foi contra isso, mas é, agora, a favor. Hipocrisia!!
Banditismo político!!!
Mas sigamos com o concerto de Paco Bandeira, no Soito, que teve lugar na tarde de 28 de Abril de 2007, integrado na Festa do Mundo Rural, organizada pela Câmara Municipal do Sabugal.
A Festa decorreu no recinto onde está instalado o Centro de Cultura, Juventude e Lazer do Soito (conhecido por Praça de Toiros). No lado de fora, para além das diversas tasquinhas e stands com equipamentos para a agricultura, foi montado um palco.
Foi nesse palco que actuou Paco Bandeira e a sua Banda, constituída por um baixista, um guitarrista e um baterista. O guitarrista era Jorge Ganhão que eu conheço por ter editado um CD em nome próprio, de título «Cantar Alentejo» e cujo primeiro tema é «Criticar o Alentejo» (com uma letra que reza: «Criticar o Alentejo, isso a mim não me magoa, porque em todo o lado vejo, gente rude e gente boa»).
O concerto, tal como referi numa crónica anterior referente a Paco Bandeira no Sabugal, foi o mais à la carte possível. Com efeito, Paco Bandeira solicitou ao público que pedisse as canções que queria, que ele e a sua Banda as interpretariam.
Aproveitei logo para solicitar a menos conhecida «Joe da Silva», um tema sobre um emigrante nos «States», num ritmo bastante estilizado de «Jazz New Orleans», o que foi correspondido pelos músicos e cantor, embora Paco Bandeira tenha referido que não sabia se os músicos conheciam essa. Até referiu que fui logo solicitar uma das mais difíceis.
Mais membros do público solicitaram outros temas do vasto reportório do cantor de Elvas.
Pudemos assim ouvir temas como a inevitável «A Minha Cidade (Ó Elvas, Ó Elvas)», «A Minha Quinta Sinfonia», «João Saramago», «Chula da Livração», a eterna «Ternura dos Quarenta» e muitas mais que foram acompanhadas em coro pelo público presente.
Paco bandeira apresentou-se com uma boina preta na cabeça e referiu logo que estava entre amigos, tendo por isso este concerto tido um sabor especial, porque foi o menos formal possível.
No final do concerto Paco Bandeira conviveu com algum do público presente, com o presidente da Câmara, Manuel Rito, e reencontrou o seu velho amigo Toninho Oliveira, com o qual esteve longo tempo à conversa.
Um verdadeiro anti-vedeta, este Paco Bandeira que se apresentou neste concerto do Soito.
«Música, Músicas…», opinião de João Aristides Duarte

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Na abertura das tradicionais Festas de S. João, no Sabugal esteve presente a Orquestra espanhola «Primera Fila».

 

Joao Aristides DuarteOriunda da cidade de Granada, no sul do país vizinho, a Orquestra é constituída por 14 elementos em palco.
Para além de um vocalista feminino e outro masculino, a orquestra tem uma poderosa secção de sopros (com trombone de varas e trompete), para além dos tradicionais baixo, guitarra, teclas, percussão e bateria.
Muitos pasodobles, tangos e valsas fizeram a alegria dos presentes, que até ensaiaram uns passos de dança.
Seguiram-se muitas rumbas e sons caribenhos e latino-americanos.
O final ficou reservado para o pessoal mais novo, com execução de temas da banda espanhola Escape (com o tema «Legalizacion»), Queen, Europe, Joe Cocker, Creedence Clearwater Revival e outros.
Para além do aspecto meramente musical, há a destacar a forte componente cénica da Orquestra, com constantes mudanças de indumentária e um corpo de dança de se lhe tirar o chapéu.
Enfim, para a abertura das Festas a Orquestra «Primeira Fila» revelou-se uma aposta acertada.
«Música, Músicas…», opinião de João Aristides Duarte

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Aurélio Malva é professor de Economia e membro da Brigada Victor Jara, desde há muitos anos, onde é o vocalista principal e toca gaita-de-foles e guitarra acústica.

Joao Aristides DuarteAntes de ser membro da Brigada Victor Jara, Aurélio Malva foi um dos fundadores do grupo Manifesto, no final dos anos 70. No início começaram por tocar versões de grupos estrangeiros, mas evoluíram, depois, para composições originais, cantadas em português.
Este grupo, do qual faziam, ainda parte, José Tovim (o baixista da Brigada) e Parreiral (que andou com o autor desta crónica na tropa) revelou-se, já nos anos 80, como um dos grupos de Rock mais intervencionistas de Portugal.
Com efeito, Aurélio Malva seria o autor do tema «Aos Domingos Vou à Bola», um tema que atingiu algum sucesso no boom do Rock português.
Nessa época era com esta canção que se iniciavam os programas desportivos na Rádio Renascença, se a memória não me trai, apesar de ser um “hino” contra a alienação que o futebol provoca em certas pessoas.
Aurélio Malva era amigo pessoal do falecido professor Eduardo Bárrios, de Aldeia do Bispo, que contratou a Brigada Victor Jara para as Festas dessa localidade raiana, no ano de 1997, já referido em crónica anterior neste blogue e por mim considerado como um dos melhores concertos de sempre no concelho de Sabugal.
Aurélio MalvaAurélio Malva e a Brigada Victor Jara actuaram, também, em 1989, no Soito, nas Festas de S. Cristóvão, noutro bom concerto.
O concerto de Aldeia do Bispo foi no dia da Capeia Arraiana, na segunda-feira, dia 11 de Agosto.
De certeza que os membros da Brigada assistiram à Capeia e Aurélio Malva produziu estas declarações, numa entrevista que me concedeu há dois anos:
«P: Há uns anos vi a Brigada Victor Jara num concerto em Aldeia do Bispo (Sabugal), onde o público teve direito a quatro encores. De certeza que esse concerto ficou na memória dos músicos da banda. O que achou desse concerto?
R: Foi um concerto mágico! Nós, que amamos as tradições, fomos contagiados pelo ambiente da festa e da tourada com o forcão. A vibração do público faria o resto. De um modo geral, os nossos espectáculos (como os nossos discos) são sempre muito bem aceites mas, quando no final há quatro encores, isso significa que algo de muito especial aconteceu, para nós e para o público.»

Realmente, conheço alguns músicos, mas nunca vi nenhum a falar da Capeia Arraiana, como o fez Aurélio Malva.
«Música, Músicas…», opinião de João Aristides Duarte

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Os STRADIVARIUS surgiram no panorama musical sabugalense, no final dos anos 70. Antes de se chamarem STRADIVARIUS chamam-se CLAVE (havia quem pronunciasse «Claive», pensando que era um nome inglês), mas tinham outros elementos na formação.

(Clique na imagem para ampliar.)

Joao Aristides DuarteEra um grupo de baile, mas que, também, tocava algumas músicas mais «pesadas».
O grupo era formado por Totó (guitarra), Horácio (teclas), François (baixo) e Rochita (bateria).
Adquiriram os amplificadores Marshall, as válvulas, aos Spartaks, da Guarda, então em fase de mudança da sua aparelhagem.
Estes amplificadores eram (e ainda são) do melhor do mundo em termos de som. Tanto que um membro dos Mão Morta e dos Mundo Cão, chamado Vasco Vaz, cujo pai é natural do Soito, tendo visto um desses amplificadores a servir de «altifalante» do arraial, nas Festas de S. Cristóvão, do Soito, em 1995, ficou todo admirado e referiu que se o proprietário o vendesse, ele comprá-lo-ia, já que não era muito vulgar encontrar ainda amplificadores a válvulas, nessa época.
Foi, aliás, com a aparelhagem de som dos STRADIVARIUS que os Faíscas realizaram o concerto, já que apenas trouxeram as guitarras e algum (pouco) material de percussão.
Os STRADIVARIUS ensaiavam no antigo Cinema-Teatro do Sabugal. Foram inúmeras as vezes que fui ver os ensaios do grupo a esse local.
Horácio, hoje advogado, com escritório no Sabugal, e na época professor no Externato Secundário do Sabugal, tocava com um órgão Farfisa, e um amplificador da mesma marca. Ao órgão estava, também, acoplado um «Lesley».
Os STRADIVARIUS, para além das «marchas» e dos temas de baile da época (ainda não estava inventada a música Pimba, que é, hoje, norma nos grupos de baile) tocavam temas de Uriah Heep, Beatles, John Miles, etc.
As fotografias dos membros do grupo (aqui reproduzidas, numa colagem) foram tiradas no dia 27 de Maio de 1978, no Sabugal, no dia do concerto histórico dos Faíscas, quando os STRADIVARIUS estavam a tocar no palco. O fotógrafo que tirou essas fotografias foi Viriato Lopes, um dos mais famosos do distrito da Guarda, à época, e que não falhava nenhum acontecimento do género Baile de Finalistas.
Estas fotografias foram, depois, reproduzidas num cartaz onde estava escrito o nome do grupo e que servia de promoção.
O François, que tocava baixo, era o benjamim do grupo e nunca mais o vi, desde essa época. Sei que era de Quadrazais, mas perdi-lhe, completamente, o rasto.
Os restantes membros estão estabelecidos no Sabugal, em diversas actividades.
A pergunta que se impõe é: para quando uma reunião do grupo para um espectáculo, que será, certamente, histórico?
Bem se sabe que os afazeres profissionais de cada um não deixarão grande margem de manobra, mas «matar saudades» era muito bom.
«Música, Músicas…», opinião de João Aristides Duarte

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Os Despe e Siga formaram-se no início dos anos 90, do século XX. Eram uma banda que surgiu como um alter-ego dos Peste & Sida, um grupo que fez furor no final dos anos 80 e regressou há pouco tempo, após um interregno de mais de 10 anos. Os Despe e Siga tocavam versões de músicas estrangeiras, cantadas em português, enquanto os Peste & Sida só quase tocavam originais.

Joao Aristides DuarteOs Peste & Sida tocaram na Rapoula do Côa, juntamente com os Rádio Macau, num concerto que teve lugar em 1990.
Enquanto os Peste & Sida eram uma banda com um som mais duro, muito punk, os Despe e Siga tinham um som mais festivo, com muito Ska e muito apropriado para o Verão.
Em 1994 os Despe e Siga surgiram em força com um álbum homónimo, de que se destacava o tema «Festa», um original dos The Pogues, cantado em português.
Na noite de 6 de Agosto de 1995 apresentaram o seu espectáculo ao vivo, no palco das Festas de S. Cristóvão, no Soito.
À tarde, aquando da montagem do sistema de som e luzes, houve um problema com a corrente que era fraca para as necessidades da banda. Teve que se arranjar um cabo eléctrico e ligar a um poste, onde a corrente já era suficiente, para que o concerto pudesse realizar-se.
No ensaio de som tocaram o tema «Giroflé».
Os Despe e Siga, no seu concerto no Soito apresentaram uma formação composta por Luís Varatojo (guitarra e voz), João San Payo (baixo e voz), Nuno Rafael (guitarra e voz), João Cardoso (teclas) e Sérgio Nascimento (bateria). Para além destes músicos ainda fazia parte da banda Gui (sax), que tinha deixado os Xutos & Pontapés por uns tempos.
O concerto iniciou-se com «Peter Punk», um tema que era inédito, seguindo-se «Giroflé» e «Bué da Baldas».
Despe e Siga e Primos no SoitoA seguir tocaram «Odeio Salada» e o tema «Surf Em Portugal», numa versão à capella, sem instrumentos, que não as vozes dos membros do grupo.
«Adoro O Teu Body» foi o tema seguinte. «Isto Não Pode Ser», um novo inédito, seguiu-se no alinhamento.
«Hasta La Vista», também um tema que não estava no CD do grupo foi o próximo tema.
«Carraspana», um tema que fazia parte do primeiro LP dos Peste & Sida, tocado num estilo mais leve e alegre foi a continuação do espectáculo.
«Bule, Bule» seguiu-se no alinhamento.
Até aqui os Despe e Siga apresentaram-se em palco vestidos com fatos completos (embora sem gravata). A partir deste tema e após uma sessão de ginástica, acompanhada por som gravado, a banda regressou em roupa de treino branca, com calções e t-shirt.
Seguiu-se «Great Balls Of Fire», um tema cantado na língua de Shakespeare (uma excepção em todo o concerto e na carreira dos Despe e Siga).
Um «Rap», mais o tema «Rei Carlos» e, finalmente, «Festa», deram por concluído o concerto.
No encore surgiram «Estou Bem» e «Sol da Caparica».
Na imagem pode ver-se uma foto de João San Payo, no concerto do Soito, bem como a capa do álbum «Os Primos».
«Música, Músicas…», opinião de João Aristides Duarte

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Fernando Pereira, actor e imitador, iniciou a sua carreira em 1982. Conhecido pelas imitações de qualquer artista nacional ou internacional, as cordas vocais de Fernando Pereira foram examinadas por diversos cientistas de renome, num Simpósio que teve lugar na Faculdade de Medicina do Porto, no qual descobriram um instrumento deveras invulgar.

Joao Aristides DuarteFoi, também, um dos artistas convidados a actuar no Congresso Mundial da Voz, ao lado de nomes como José Carreras, Teresa Berganza e Ileana Cotrubas.
A primeira vez que vi Fernando Pereira ao vivo foi na Guarda, no Parque Municipal, num concerto integrado nas Festas da Cidade, em 28 de Julho de 1988.
Esse espectáculo tinha por mote «Fernando… Em Pessoa». Logo aí deu para perceber que se estava perante um entretainer de grande categoria.
Nesse mesmo ano voltei a ver Fernando Pereira num espectáculo no Monte da Caparica, onde o sucesso foi, também, evidente.
O concerto no Soito teve lugar em 7 de Agosto de 1990, integrado nas Festas de S. Cristóvão. O recinto estava completamente cheio. Foi dos concertos que reuniu mais público de todos os que tiveram lugar no Soito.
Fernando Pereira chegou, à tarde, ao Soito e, já no recinto das Festas, conviveu com populares que se encontravam ao balcão do bar, bebendo umas «minis», sem quaisquer tiques de vedetismo. Esta é, realmente, uma das suas características.
O concerto do Soito tinha por título «Com Humor e Carinho» e iniciou-se com a canção com o mesmo título, a que se seguiu o tema «Os Afilamentos das Alâmpadas», uma espécie de Blues alentejano.
Fernando Pereira, neste concerto, sempre acompanhado pela sua competente banda, fez várias imitações de artistas, com destaque para António Variações, Roberto Carlos ou uma imitação fantástica de Nelson Ned no tema «Domingo à Tarde». Nelson Ned era um homem pequenino e para a imitação ser perfeita foi colocado à frente do palco um caixote que tinha uns sapatos que se mexiam, imitando os pés de Nelson Ned. Fernando Pereira teve que cantar esta canção de joelhos, mas quem não estivesse atento não daria por nada.
Fernando PereiraPelo meio do espectáculo houve lugar para vários sketchs humorísticos como «O Monólogo do Bêbado» ou «Os Governos», em que o público ria às gargalhadas.
Mais para o final surgiram «Volare (Flamencão)», com diversos temas da música popular portuguesa cantados em ritmo de Rumba.
«We Are The World», o tema que um grupo de artistas norte-americanos gravou no projecto «USA For Africa», também fez parte do alinhamento.
Tudo terminou com «Cavacada Mix», um tema com imitações de David Bowie, Communards, Peter Gabriel, Madonna, Tina Turner, Brian Adams, Fine Young Cannibals, Yes, Dire Straits, Michael Jackson, Simple Minds e Prince. Este tema tinha um refrão que rezava «Cava, Cava, Cavacada Mix, Dá P’ra Dançar, É Uma Cena Muito Fixe, Tudo a Sacudir e Abanar o Capacete!».
Foi um dos grandes concertos que teve lugar no Soito. No ano seguinte, nas Festas de S: João, do Sabugal, Fernando Pereira deu um concerto no Castelo, que foi muito fraco comparado com o do Soito.
Fernando Pereira tem continuado a sua carreira, mesmo internacionalmente, com altos e baixos mas o seu grande sucesso aconteceu no final da década de 1980 e durante a década de 1990.
Uma curiosidade relativa a Fernando Pereira é que ele foi um dos populares que ficou ferido em 25 de Abril de 1974, quando atiradores entrincheirados na sede da DGS dispararam sobre a multidão.
«Música, Músicas…», opinião de João Aristides Duarte

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Surgidos em 1980, os Roxigénio eram do Porto. A comandá-los estava o vocalista António Garcez, que tinha estado nos «Psico» e nos «Arte & Ofício», duas das principais bandas de Rock, da década de 1970, em Portugal.

Joao Aristides DuarteOutro dos membros dos Roxigénio era o guitarrista Filipe Mendes (actualmente conhecido como Phil Mendrix), outro nome mítico do Rock português, já que pertenceu aos Chinchilas, um conjunto dos anos 60 e, depois, aos Heavy Band e Psico.
Os Roxigénio cantavam em inglês. António Garcez foi uma das figuras mais polémicas do boom do Rock português, na década de 1980, quando os Roxigénio correram Portugal a dar concertos. Embora ele e os restantes membros da banda não tivessem aparecido com o boom, até porque cantavam em inglês (contra a corrente), foi nesta época que conseguiram o seu maior destaque. Garcez chegou a ser considerado o melhor vocalista português, nesses tempos. Além disso, António Garcez produzia algumas declarações polémicas nos meios de comunicação social, como aquela em que afirmou que os Roxigénio estavam vinte anos à frente de Rui Veloso.
António Garcez vive, hoje, nos Estados Unidos. De vez em quando mantenho contacto com ele, através de correio electrónico.
Apresentaram-se ao vivo no dia 13 de Novembro de 1982, na vila do castelo de cinco quinas.
O concerto no Sabugal realizou-se num pavilhão, onde funcionava uma serralharia, à saída para Vilar Formoso, uma vez que o Cine-Teatro já não reunião as condições mínimas de segurança. Por isso, e como esse pavilhão já era fora da área urbana da então vila, quem fazia a segurança era a Guarda Republicana e não a Polícia, como acontecia nos restantes Bailes de Finalistas a que assisti, no Sabugal.
A sua formação, aquando do concerto do Sabugal, era constituída por António Garcez (voz), Filipe Mendes (guitarra), Fernando Delaere (baixo), Hipo Birdie (bateria) e Frederic (guitarra).
Os Roxigénio já tinham editado três álbuns e um single, aquando da sua presença no Sabugal.
Este foi, aliás, um dos últimos concertos da banda, antes de dar por findas as suas actividades.
Lembro-me que era uma noite muito fria e havia algum nevoeiro.
O pavilhão estava a abarrotar. O palco era bastante alto e não era muito grande. Antes do concerto com os Roxigénio actuaram os Vector, uma banda de covers, que tocava muitos temas em voga na época e não só. Lembro-me bem de tocarem alguns temas de uma das bandas minhas preferidas, que eram os Tom Robinson Band.
O concerto dos Roxigénio iniciou-se com «Stiff Nicked Obstinated», um dos maiores sucessos do grupo. Abruptamente, Garcez fez um gesto e mexeu nas cordas da guitarra de Filipe Mendes, tendo este terminado de tocar o tema. Penso, que nesta época ainda não se usavam as set lists ou alinhamentos, que hoje, os grupos colocam no palco. Era tudo mais à base do improviso.
Assim, o concerto recomeçou com outros temas , tais como «My Vocation», «Rock’N’Roll Men», «A Respectable Man», «Lili», «Dizzy Miss Susie», «I’ll Find The Way» ou «What Can I Do?», todos originais da banda, e editados nos seus discos.
Para o final foi, então, reservado o tema «Stiff Nicked Obstinated», que Filipe Mendes tinha só começado, no início do concerto. Foi um concerto bastante bom.
Nas imagens podemos ver o bilhete do concerto e uma fotografia onde estou eu, o meu irmão e outro rapaz do Soito, no concerto dos Roxigénio, no Sabugal. Dá para ver as colunas de som dos Roxigénio, lá atrás.
«Música, Músicas…», opinião de João Aristides Duarte

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Este país é de doidos… A mais recente polémica tem a ver com uma canção Xutos & Pontapés, recentemente editada. Trata-se do tema «Sem Eira Nem Beira», cuja letra se reproduz.

Joao Aristides DuarteO Zé Pedro, dos Xutos, já veio desmentir qualquer ligação entre esta canção e o Governo. Foi só uma letra um pouco ousada, diz ele, agora. Nada para chatear o Governo. Não consigo compreender isto por parte do Zé Pedro, dos Xutos. Mas li que ele foi almoçar um dia destes com o «Presidente do Conselho» (Sócrates) e isso explicará alguma coisa.
A verdade é que há muitas Câmaras do PS e o mercado musical é pequeno. E toda a gente sabe que quem se mete com o PS… leva. Se as Câmaras do PS soubessem que a canção era contra o Governo, lá perdiam os Xutos uma data de concertos.
Com certeza não foi para isto que os Xutos participaram no disco «Filhos da Madrugada», homenagem a José Afonso, que esse não vinha cá pedir «batatinhas» a ninguém.
Mas, isto está de uma tal maneira que a Exposição sobre Che Guevara, que eu fui visitar aos Foios, é apresentada como uma Exposição não Política. Só podem estar a brincar!!! Apresentar uma Exposição de Che Guevara , como não Política é o mesmo que fazer uma omoleta sem ovos. Espero bem, que a Exposição sobre Zeca Afonso, a ter lugar, brevemente, no Museu do Sabugal, não seja, também, apresentada como nada tendo a ver com Política, para não ferir certas susceptibilidades. Parece que a palavra Política é proibida em Portugal, 35 anos após o 25 de Abril. E quem tem tudo feito para isso acontecer é esta maioria absoluta do PS. Conheço os Xutos desde os primórdios.
Sempre os considerei um grupo com atitude e contestatário.
Como tenho toda a discografia deles (assim como, também, a dos UHF e «tutti quanti») comprei logo o disco, mal ele foi editado (na semana passada).
Ouvi os temas e o «Sem Eira Nem Beira» pareceu-me, claramente, ter um destinatário.
Era claríssimo, como água.
Fiquei «parvo», quando ouvi na TSF, na manhã de quarta-feira, o resumo dos jornais. À tarde comprei o «Público» e li uma reportagem sobre a polémica. Fiquei abismado. O Zé Pedro??? Mas este homem não começou com o Punk e os The Clash? Não participou no disco «Filhos da Madrugada»? Para quem conheceu o Zé Pedro, nas suas diversas facetas (não pessoalmente, no meu caso, mas em entrevistas e em cima de um palco), não pode deixar de estranhar o que está a acontecer.
Tomaram os The Clash (o grupo que era uma referência para o Zé Pedro) ter uma canção que fosse adoptada pelos ingleses como contestatária em relação ao Governo. Com certeza que a usariam, sem quaisquer problemas. E ter uma canção assim, como esta, aos 30 anos de carreira, não é para qualquer um. Lamenta-se a falta de verticalidade do Zé Pedro, que sempre apoiou o Bloco de Esquerda.
Está tudo doido, pensei. Depois fui-me apercebendo da polémica e tive conhecimento de uma entrevista do Zé Pedro onde ele defende o Governo e o Sócrates . Até foi almoçar com ele. Bem, eu nem sabia que o primeiro-ministro gostava de música…mas fiquei a saber.
Os Xutos ficaram acagaçados. O aparelho do PS é uma coisa descomunal.
Duas coisas são certas: os Xutos vão vender mais discos (neste aspecto a polémica foi boa para eles) e quer eles queiram, quer não; esta canção vai ser usada muitas vezes contra o Governo.
Agora, o que pode acontecer é que eles nem a toquem ao vivo, para evitar os «ouvidos» dos bufos.
A estreia do disco novo, ao vivo, vai ser na noite de 24 de Abril, no Seixal. Vamos ver qual vai ser a reacção do público se os Xutos cantarem a canção ou se a não cantarem.
Aqui fica a letra e cada um tire as conclusões que quiser:

Sem eira nem beira

Anda tudo do avesso
Nesta rua que atravesso
Dão milhões a quem os tem
Aos outros um passou – bem

Não consigo perceber
Quem é que nos quer tramar
Enganar
Despedir
E ainda se ficam a rir

Eu quero acreditar
Que esta merda vai mudar
E espero vir a ter
Uma vida bem melhor

Mas se eu nada fizer
Isto nunca vai mudar
Conseguir
Encontrar
Mais força para lutar…

(Refrão)
Senhor engenheiro
Dê-me um pouco de atenção
Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Não tenho eira nem beira
Mas ainda consigo ver
Quem anda na roubalheira
E quem me anda a comer

É difícil ser honesto
É difícil de engolir
Quem não tem nada vai preso
Quem tem muito fica a rir

Ainda espero ver alguém
Assumir que já andou
A roubar
A enganar
o povo que acreditou

Conseguir encontrar mais força para lutar
Mais força para lutar
Conseguir encontrar mais força para lutar
Mais força para lutar…

(Refrão)
Senhor engenheiro
Dê-me um pouco de atenção
Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Não tenho eira nem beira
Mas ainda consigo ver
Quem anda na roubalheira
E quem me anda a f…

Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Mas eu sou um homem honesto
Só errei na profissão.

Veja o vídeo dos «Xutos & Pontapés». Aqui.

«Música, Músicas…», opinião de João Aristides Duarte
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Os Marenostrum são um grupo de música portuguesa, com grandes influências tradicionais, fundado na zona de Tavira, Algarve, no ano de 1994.

Joao Aristides DuarteOutras das influências da banda são as músicas oriundas do Norte de África, Magreb ou de origem celta e hebraica.
O grupo tem como membros principais José Francisco Vieira (guitarra, bandolim, voz), João Francisco Vieira, conhecido como Janaca (bateria e percussão) e Paulo Machado (baixo).
A este núcleo juntam-se João Frade (acordeão), e Vítor Afonso (trombone).
José Francisco é um veterano nas lides musicais algarvias, uma vez que pertenceu aos Teihelce, um grupo que fez algum furor nos anos 80, do século passado, tendo chegado a actuar no célebre Rock Rendez Vous, em Lisboa.
Janaca foi baterista de uma das formações dos Entre Aspas, banda muito conhecida da década de 1990.
No dia 31 de Julho de 2002 tive ocasião de os ver ao vivo, no Sabugal, num evento integrado na Festa das Associações, que teve lugar no Largo da Fonte.
Embora praticamente desconhecidos do público, os Marenostrum já tinham editado um álbum (intitulado «Estoy Em Santa»), quando realizaram este concerto.
Concerto, que devo referir, foi um dos melhores a que tive oportunidade de assistir na minha vida.
Para além de interpretarem algum reportório próprio (temas como «Rasmatanana», cantado numa língua inventada por eles, «Estoy Em Santa», «Mar dos Ursos» ou «Traz Magia»), também interpretaram alguns temas de José Afonso e canções tradicionais portuguesas.
O que tinham os Marenostrum de diferente? O facto de usarem um trombone que dá um colorido completamente diferente à música da banda. Não há quase nenhum grupo de música tradicional portuguesa que utilize trombone na sua música.
Para além de tudo o mais, os Marenostrum são pessoas do mais simples e simpático que existe. Longe, muito longe de algumas «estrelas» formadas à pressa que não convivem com ninguém, os Marenostrum são pessoas muito «terra a terra».
MarenostrumNo ano seguinte os Marenostrum voltaram ao concelho do Sabugal, para um concerto em Malcata, no dia 9 de Agosto. Este concerto já não correu tão bem como o do Sabugal, uma vez que foi marcado por vários problemas técnicos, nomeadamente vários cortes de energia, que prejudicaram bastante a prestação da banda.
Tinha a certeza que os Marenostrum eram um grupo diferente e bom, tanto que venceram a final do VI Concurso Folk Cuarto de Los Valles na localidade de Navelgas, Astúrias, no dia 23 de Julho de 2005, no ano em que editaram um novo CD intitulado «Almadrava», ainda melhor que o anterior.
Este novo disco foi nomeado para o prestigiado Prémio José Afonso, nesse ano ganho pelos Galandum Galandaina, um grupo mirandês que actuaria no Sabugal, em 2006.
Recentemente os Marenostrum substituíram o trombonista por um saxofonista. Não os vi, com esta nova formação, mas acredito que a sua originalidade se mantenha.
«Música, Músicas…», opinião de João Aristides Duarte

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Os «Ex-Votos» formaram-se no final dos anos 80, do século XX, em Lisboa. O seu líder e mentor era Zé Leonel, um dos fundadores dos Xutos & Pontapés.

Joao Aristides DuarteQuando os Xutos deram o seu primeiro concerto, nos Alunos de Apolo, em 1979, Zé Leonel era o vocalista da banda. Esteve nos Xutos quase dois anos.
Zé Leonel esteve ligado aos Faíscas, uma mítica banda Punk portuguesa, onde fazia o papel de «agitador de massas» de modo a criar conflitos para que o público se envolvesse em desacatos, necessários para a sua promoção. Curiosamente, aquando do concerto dos Faíscas, no Sabugal, em Maio de 1978, Zé Leonel não veio.
Os «Ex-Votos» nunca tiveram grande popularidade, mas eram conhecidos por um público específico, ligado ao Rock mais alternativo. Mesmo assim, ainda tiveram um ou outro tema bastante conhecido do público, sobretudo «Subtilezas Porno-Populares», um tema que ficou conhecido como «Pimba!», tal como era referido num autocolante que acompanhava o CD. Zé Leonel até se chateou todo quando Emanuel lançou a moda do «Pimba» e a canção com o mesmo nome. Os «Ex-Votos» já tinham lançado o «Pimba!» um ano ou dois antes, embora o estilo musical nada tivesse em comum.
Todos os membros que passaram pelos Xutos & Pontapés já tocaram no concelho de Sabugal. Francis foi o guitarrista no concerto dos Xutos, no Soito, em 1981. Gui tocou com os Xutos na Rapoula do Côa e tocou com os Despe & Siga num concerto, no Soito, em 1995.
Zé Leonel e os Ex-Votos apresentaram-se ao vivo, no Sabugal, no dia 3 de Agosto de 2003, evento integrado na Festa das Associações, que teve lugar no Largo da Fonte.
Este foi um dia de imenso calor. O céu estava completamente negro, tal o número de incêndios que rodeavam o concelho.
Ex-Votos no SabugalOs membros dos «Ex-Votos» tiveram que fazer um desvio, já que não puderam seguir viagem por Caria. Depois, já perto de Santa Ana de Azinha havia outro incêndio. Com cuidado lá conseguiram chegar ao Sabugal, para fazerem o ensaio de som.
Devido à pouco cuidadosa divulgação (em nenhum local se encontrava um cartaz que indicasse que os Ex-Votos eram liderados por um membro fundador dos Xutos & Pontapés), este concerto correu muito mal.
O público presente era tão pouco que nem deu para os músicos aquecerem. No entanto, eles tocaram como se o estivessem a fazer para uma verdadeira multidão. É assim que mandam as regras do profissionalismo.
Os «Ex-Votos» apresentaram-se no Sabugal com uma formação que incluía saxofonista, acordeonista, baterista, baixista, vocalista feminina e vocalista masculino (Zé Leonel).
Tocaram vários temas, tais como «Isso é Bom», «Benditos Sejam», «Saloia», «Alice», «Cantiga da Vida», etc.
O concerto terminou, como não podia deixar de ser com «Subtilezas Porno-Populares» (ou «Pimba!»).
Numa entrevista que o Zé Leonel me concedeu no ano passado e foi publicada no jornal «Nova Guarda», referiu que, após o concerto do Sabugal, a banda cumpriu os concertos agendados e terminou logo de seguida. Zé Leonel também disse que este tinha sido um dos piores concertos da sua vida, não só pelo concerto em si, mas pelos atalhos que tiveram que percorrer devido aos incêndios.
Este foi um concerto mítico apenas pela presença de um nome, também ele, mítico do Rock português no palco instalado no Largo da Fonte.
Na imagem pode ver-se uma fotografia deste concerto, da minha autoria.
«Música, Músicas…», opinião de João Aristides Duarte

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Os Adiafa são um grupo que pretende a divulgação do «cante» do Baixo Alentejo e do instrumento que lhe está associado – a viola campaniça.

Joao Aristides DuarteFormaram-se em 1998, por iniciativa de José Emídio e Paulo Colaço.
«Explodiram» em 2002 com a edição do disco «Adiafa» que continha o grande sucesso «As Meninas da Ribeira do Sado».
São oriundos da Vidigueira.
O grupo já teve diversas formações, tendo dele feito parte músicos como Paulo Colaço, José Emídio, António «Tói Marreco» Santos, Emídio Zarcos (já falecido), Manuel Bexiga, Luís Espinho, João Paulo Sousa, Joaquim Simões, António Caturra e João Cataluna.
Em 14 de Agosto de 2006 actuaram na Sacaparte, nas Festas de Alfaiates.
Por indicação da Comissão de Festas, o concerto com os Adiafa foi agendado para as 22 horas, o que se revelou um erro.
No entanto, para mim, até foi bom, uma vez que tive oportunidade, de logo a seguir, ir para Rendo ver os Quadrilha ao vivo. Ou seja, nesse dia vi dois concertos de música popular/ tradicional portuguesa, na mesma noite.
Normalmente, costuma acontecer um baile com um conjunto antes da actuação do artista ou grupo conhecido a nível nacional.
Neste caso, tal não aconteceu.
Como sei bem que a maioria das pessoas não costumam ler os cartazes das Festas, já esperava que pouca gente comparecesse ao concerto. E não me enganei.
AdiafaA maioria das pessoas estava à espera do início do baile, quando os Adiafa começaram o seu concerto. Por vezes, quem organiza não sabe bem o que está a fazer. Neste caso, se calhar, tentaram agendar para mais cedo para que as pessoas não se queixassem que os espectáculos se iniciam muito tarde. Mas não resultou.
Actuaram com o sistema de som e luzes do grupo de baile contratado para essa noite (Grupo FH 5, de Tomar).
Com tão pouca gente presente no concerto, era natural que não corresse muito bem, mas o que não seria de esperar era que uma mulher tivesse interrompido o concerto, dirigindo-se em termos agressivos ao grupo, pedindo-lhe para tocarem música de baile, pensando que se tratava do conjunto que animaria as pessoas para dançar.
Em termos musicais o concerto foi bastante bom, tendo os Adiafa interpretado os temas que os tornaram famosos em todo os país, tais como «Não Quero Que Vás À Monda», «Altinho», «A Velha Com Qu’êi Casi», «Meus Senhores», «Pêra Madura» e a inevitável «As Meninas da Ribeira do Sado».
O grupo interpretou os temas todos ao vivo, usando violas campaniças e instrumentos populares de percussão. As vozes estavam muito afinadas, como é timbre dos cantores alentejanos.
Todas as letras dos Adiafa, bem como as suas intervenções em palco, entre os temas têm uma grande dose de humor. Por vezes bastante subtil, o humor dos Adiafa não foi, no entanto, compreendido pela maioria do público presente nas Festas de Alfaiates, o que foi pena.
«Música, Músicas…», opinião de João Aristides Duarte

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Os algarvios «Íris» deram um concerto no dia 3 de Agosto de 2002, no Soito, integrado nas Festas de São Cristóvão.

Joao Aristides DuarteFormados em 1994, os Íris tiveram grande sucesso com o seu Rock estilo FM, principalmente com os temas «Oh, Mãe» (versão de «The House Of The Rising Sun», popularizados pelos Animals, nos anos 60) ou «Atira-tó Mar» (outra versão, desta vez de Bob Dylan, do tema «Knocking On Heaven’s Door»). O seu líder era (e é) Domingos Caetano, vocalista e guitarrista.
Em 20 de Junho de 2008 vi os «Íris» ao vivo, nas Festas de São João, no Sabugal.
Passados dois anos efectuaram um concerto no Casteleiro. O concerto do Soito era, portanto, o terceiro que realizavam no concelho de Sabugal.
A formação que tocou no Soito era constituída por David Fernandes nas teclas, Cláudio Martins, na viola acústica e no acordeão, Chico Cardoso na bateria, Cláudio Barras no baixo e Virgílio Silva na guitarra eléctrica, para além de Domingos Caetano.
Chico Cardoso, que tocou com uma bateria dupla (muito em voga nos anos 70, mas que é pouco utilizada nos tempos actuais) entrava todos os dias pelas casas dentro, já que era o baterista da banda do programa «Praça da Alegria», na RTP.
O concerto iniciou-se com o tema «Coro da Primavera», um original de José Afonso, de 1971, tema do qual os «Xutos & Pontapés» já tinham feito uma versão para o álbum «Filhos da Madrugada Cantam José Afonso».
Íris no SoitoCaetano aproveitou este tema para explicar que os «Xutos & Pontapés» eram a banda pela qual os «Íris» tinham mais respeito, em Portugal.
O concerto continuou com temas originais da banda, como «Isolados do Mundo» e «Até Ser Dia».
Pelo meio ainda tocaram «Estou Além» (versão do tema de António Variações), para além de «Por Ti Já Não Sei» e «Vão Dar Banhó Cão».
Os temas tradicionais (como «Maria Faia» ou a versão da canção alentejana «Passarinho») também fizeram parte do alinhamento.
Como os Íris são algarvios não podia faltar um corridinho. Foi isso que aconteceu com o «Corridinho Cansado», um original de Domingos Caetano, tocado pelo acordeão de Cláudio Martins.
Para o final do concerto ficaram guardados os temas mais emblemáticos do grupo: «Atira-tó Mar» e «Oh, Mãe».
O concerto terminou com um efeito pirotécnico na bateria, que parecia ter-se incendiado.
O público ia correspondendo à prestação dos «Íris», embora não fosse em grande número, mas estava animado.
A partir desse ano os «Íris» entraram num período de relativo apagamento e pouco se tem ouvido falar neles. Mas continuam em actividade.
«Música, Músicas…», opinião de João Aristides Duarte

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Os Navegante são um grupo que se dedica à recriação de temas da música tradicional portuguesa, na mesma onda da Ronda dos Quatro Caminhos, embora com mais temas da autoria de membros do grupo, do que é habitual.

Joao Aristides DuarteFundados por José Barros, um músico e cantor que pertenceu aos Romanças, um importantíssimo grupo de música tradicional, os Navegante são oriundos de Sintra.
José Barros pertenceu, na década de 1980 à Ronda dos Quatro Caminhos.
No dia 4 de Agosto de 2002, os Navegante deram um concerto no Soito, integrado nas Festas de São Cristóvão.
Este foi o ano em que as Festas de São Cristóvão se realizaram porque um grupo de quintos (todos nascidos em 1961) se disponibilizaram para serem mordomos das Festas, já que os nomeados no ano anterior não quiseram assumir essa responsabilidade.
Foi o último ano que as Festas de São Cristóvão decorreram no figurino habitual, tendo estado suspensas depois desse ano, só regressando (já com novo figurino) passados três anos. Talvez por esse facto nesse ano havia pouca gente nas Festas.
Mesmo assim, os Navegante proporcionaram, na minha opinião, um grande concerto.
Se há coisa que me admira nesta região, onde parece haver tantas pessoas a querer preservar tradições, é que há muita gente que não dá valor a nada do que é tradicional (refiro-me à música) e preferem produtos completamente adulterados e kitsch que nada têm a ver connosco. Mas enfim…
Os Navegante apresentaram-se no Soito com uma formação que incluía José Barros (voz, braguesa, cavaquinho, guitarras, bandolim), Carlos Passos (violino e, à época, presidente do Sindicato dos Músicos Portugueses), Vasco Sousa (baixo), João Luís Lobo (bateria, percussões) e Hugo Tapadas (acordeão). Como convidado participou no espectáculo um jovem músico que tocava rabeca, um instrumento parecido com um violino, mas com um som diferente.
No seu reportório incluíram temas como «Baile da Povoação» (tradicional dos Açores), «alsa Verde» (um tema de José Barros, que já vem do tempo dos Romanças), «Maria Faia» (o conhecido tema da Beira-Baixa, com uma prestação fantástica de Carlos passos, no violino) ou «Não há Heróis» (mais um tema da autoria de José Barros). Tocaram ainda o conhecido tema «Chapéu Preto».
Navegante no SoitoOs músicos comeram no restaurante das Festas e mostraram-se entusiasmados com as «tertúlias dos quintos», que decorriam por todo o recinto das Festas.
O engenheiro de som deste concerto, que fazia parte da comitiva dos Navegante, foi João Magalhães, mais um nome mítico da música portuguesa, uma vez que foi técnico de bandas como os Jáfumega ou Go Graal Blues Band, nos anos 80.
Já tinha estado no Soito, em 1989, aquando do concerto da Brigada Victor Jara, uma vez que foi ele o técnico encarregado do som nesse espectáculo.
Os Navegante voltariam ao concelho de Sabugal em 2004 para um concerto em Aldeia do Bispo que teve que ser anulado devido ao mau tempo. Apenas deu para realizar uma parte do ensaio de som, com todos os músicos presentes.
No ano seguinte, no entanto, os Navegante tocaram, finalmente, em Aldeia do Bispo, noutro concerto de que, também, gostei muito e teve lugar na noite de 15 de Agosto.
Nas fotografias podem ver-se imagens da actuação dos Navegante, no Soito.
«Música, Músicas…», opinião de João Aristides Duarte

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Sexta-feira, 20 de Junho de 2003 foi o dia em que os «La Frontera», uma banda espanhola, com grande sucesso em Portugal, se apresentaram ao vivo no Sabugal. Este concerto esteve inserido no programa das Festas de São João e teve lugar, como é habitual, no Largo da Fonte.

Joao Aristides DuarteOs «La Frontera» eram (e são) um grupo que pratica um estilo de música muito baseado em Rockabilly e Country & Western.
O cantor dos «La Frontera» (Javier Andreu) tornou-se muito conhecido em Portugal por ter participado num dueto com Rui Reininho no tema «Sangue Oculto», dos GNR.
Esse tema é cantado em português por Rui Reininho e em castelhano por Andreu.
A formação dos «La Frontera» no concerto do Sabugal era constituída por seis músicos: para além de Javier Andreu (voz e harmónica), também eram membros da banda dois guitarristas (Óscar Rama e Nico Alvarez), um baixista (Tony Marmota), um baterista (Daniel Parra) e um violinista (Suso Moreno).
A prestação dos La Frontera iniciou-se com o tema «Mi Destino», a que se seguiram muitos outros, que fazem sempre parte do alinhamento dos concertos da banda.
Os La Frontera tocaram, neste concerto, estes temas: «Siete Calaveras», «La Frontera», «El Limite», «Juan António Cortés», «Pobre Tahur», «Judas El Miserable», «Mi Dulce Tentacion» e «Cielo Del Sur», para além de outros, durante 90 minutos.
O sistema de som era português, de marca «Furacão» e os «La Frontera» gostaram de ser servidos pela empresa portuguesa.
Chegaram numa carrinha, vindos de Madrid, à tarde, por volta das 18 horas, e passaram para o palco para fazer o ensaio de som.
A frente do palco estava completamente preenchida com monitores de som da marca «Furacão», com que os músicos ouviam que tocavam e o que os seus companheiros, também emitiam.
La Frontera no SabugalO jogo de luzes, com muitos efeitos de laser, também estava bastante bom.
O violinista, o membro mais recente dos «La Frontera», dava outro sabor às músicas da banda, tornando-as mais aproximadas da estética Country.
Javier Andreu apresentou, um a um, os membros da banda e o concerto terminou com uma versão de «Viva Las Vegas» (cantado em castelhano), um tema tornado conhecido, mundialmente, na voz de Elvis Presley.
Antes de iniciar este último tema, Javier aproveitou para fazer uma crítica à guerra no Iraque, iniciada em Março desse ano. Como se sabe José Maria Aznar, o primeiro-ministro espanhol, juntamente com Bush, Tony Blair e Durão Barroso foram os participantes na Cimeira das Lajes, que deu origem à decisão de atacar o Iraque.
Foi essa decisão que Javier Andreu criticou no palco do Sabugal, referindo que o mundo seria muito melhor se uns poucos não se reunissem para decidir fazer guerras.
Nas fotografias podem ver-se o ensaio de som dos «La Frontera», realizado à tardinha, e um pormenor da actuação dos «La Frontera», no Sabugal, com o guitarrista e o violinista em acção, bem como o fantástico jogo de luzes.
«Música, Músicas…», opinião de João Aristides Duarte

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Na noite de sábado, dia 24 de Junho de 2006, teve lugar o concerto dos GNR, no Sabugal.

Joao Aristides DuarteOs GNR formaram-se nos finais de 1979,no Porto, mas tiveram a sua estreia discográfica com o single «Portugal na CEE», já depois do boom do Rock português, em 1981.
Foram uma das bandas sobreviventes a esse boom, juntamente com os UHF.
Quando o concerto do Sabugal teve lugar só já era membro da formação inicial Tóli César Machado.
Rui Reininho, o carismático vocalista dos GNR, só entrou para os GNR em 1982.
Nesse ano a Comissão de Festas do S. João apostou num programa forte: GNR e Da Weasel, para além de uma orquestra espanhola e uma «revista à portuguesa» com Luís Aleluia.
O palco principal foi mudado da sua localização habitual, tendo sido virado para o bar, o que se mostrou uma decisão acertadíssima, uma vez que o som estava impecável.
O recinto estava repleto. Quem viu o recinto, de cima do palco, como eu vi, pôde ter uma ideia de como estava a abarrotar.
Os GNR, desde o final dos anos 80, mantém um trio fixo (Reininho, o baixista Jorge Romão e Tóli) e os restantes músicos são convidados, não fazendo parte integrante da banda.
Tóli foi baterista dos GNR durante muitos anos, até que passou para a guitarra.
No concerto do Sabugal, os GNR fizeram acompanhar-se por baterista, guitarrista e teclista convidados, que se juntaram ao trio.
O concerto iniciou-se com o tema «Popless», um tema calmo, do álbum do mesmo nome.
No segundo tema da noite regressaram ao início da banda, com «Espelho Meu», tema que era o lado B de «Portugal na CEE». Neste tema, lá pelo meio, houve lugar para devaneios sambistas, com o teclado, pelo que Rui Reininho aproveitou para dançar um bocadinho.
GNR no SabugalLogo a seguir «atacaram» com «Sexta-Feira (Um Seu Criado)», um tema mais Rock.
Seguiram-se «Ana Lee» e «Efectivamente», um dos temas mais conhecidos da fase mais criativa da banda do Porto.
Veio, depois «+ Vale Nunca», seguido por «Bem-vindo ao Passado», outro tema mais relaxante. Foi aqui que Rui Reininho aproveitou para dizer: «É com prazer que estamos no Sabugal, mas é a primeira vez que estamos aqui. O que andaram a fazer estes anos todos, que nunca se lembraram de nós?»
«Sangue Oculto», o tema que Rui Reininho cantou em dueto com Javier Andreu (dos La Frontera) no LP «Rock In Rio Douro» foi o tema seguinte.
Tóli abandonou a guitarra e passou à concertina no tema seguinte, o muito aplaudido «Dunas», um dos emblemas dos GNR.
Para surpresa de muita gente seguiu-se o tema «Inferno», um original de Roberto Carlos de que os GNR fizeram uma versão, que se tornaria um relativo sucesso. O disco onde este tema foi incluído seria lançado na semana a seguir ao concerto, mas Rui Reininho nem referiu esse facto (pelo menos poderia aproveitar para fazer alguma publicidade!).
Quase no final do concerto houve ainda tempo para «Asas (Eléctricas)» e, no fim, novo regresso ao melhor dos anos 80 com «Piloto Automático». Jorge Romão, que se mostrou um elemento sempre activo em palco, subindo para os estrados da bateria e para os monitores, agarrou, então, num instrumento de percussão curioso e dirigiu-se à multidão, pedido a sua participação no acompanhamento da canção, ao mesmo tempo que referia que o recinto estava repleto.
Os GNR saíram para os bastidores e regressariam para um encore, a pedido do público.
Muito bom este concerto dos GNR, no Sabugal.
«Música, Músicas…», opinião de João Aristides Duarte

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A aposta no concerto dos UHF, em Aldeia Velha, mostrou-se a mais acertada. Ainda hoje, os membros da Comissão de Festas referem esse facto.

Joao Aristides DuarteEfectivamente, para além do facto de ter sido um concerto memorável, a todos os títulos, foi o dia em que mais malta nova esteve presente no recinto das Festas de São João Baptista, nessa localidade. Basta referenciar que, no próprio recinto do concerto (dentro do local onde se realiza a capeia) foi colocado um bar, só por duas horas, que vendeu para cima de 2 barris de cerveja, para além dos restantes bares estarem, literalmente, a abarrotar…
O concerto teve lugar na noite do dia 23 de Agosto de 2004.
Na primeira parte actoou o grupo de baile Osíris.
O material de som dos UHF era de origem portuguesa, da marca Furacão. Na época, a empresa Furacão, de Coimbra, era propriedade de uma pessoa com ligações ao concelho de Sabugal. Na realidade, Cláudio Pires, tem raízes em Vale de Espinho.
Logo no ensaio de som, realizado à tarde, deu para ter uma ideia de que o som estava muito bom. Afinal, não é necessário material de marcas estrangeiras para se ter um bom equipamento sonoro.
À noite a comitiva dos UHF rumou ao restaurante Xalmas, em Aldeia do Bispo, para o necessário jantar. O recinto estava repleto, sobretudo de pessoas mais jovens. É natural que pessoas de uma certa idade, até pelo início tardio do concerto (para além da meia-noite) não tenham aguentado muito tempo.
Mas, apesar de essas pessoas mais velhas terem ido embora, o recinto continuou cheio.
Os UHF eram constituídos por António Manuel Ribeiro (voz e guitarras), António Corte Real (guitarras – filho de Ribeiro), Ivan Cristiano (bateria) e Fernando Rodrigues (baixo). Uma formação sólida, já com muitos anos de estrada e das mais estáveis da banda.
António Manuel Ribeiro apresentou-se com camisa branca e gravata.
O concerto teve início com «Quando (Dentro de Ti)», a que se seguiu um desfilar dos grandes êxitos da banda de Almada, tais como «Rua do Carmo», «Nove Anos», «Sarajevo» e «Menina Estás à Janela».
Pelo meio ainda foi interpretado o tema «Sou Benfica», com António Manuel Ribeiro a referir que esse tema não era contra ninguém, uma vez que há fanáticos da bola capazes de tudo. Eu que nem ligo «bóia» à bola, lembro-me de ter comprado o CD que contém esse tema e o vendedor me ter perguntado se eu era desse clube, ao que eu respondi que eu era, sim, dos UHF.
UHF em Aldeia VelhaJá perto do final, os UHF interpretaram o tema «Matas-me Com o Teu Olhar», um tema inédito que, surgiria passado algum tempo no álbum «Há Rock No Cais» e se tornaria um grande sucesso.
«Na Tua Cama», «Modelo Fotográfico» e «Rapaz Caleidoscópio» foram outros temas interpretados pelos UHF, sempre muito aplaudidos pelo público.
Com mais de uma hora e meia de concerto, os UHF saíram do palco, regressando para um encore, onde não faltou «Cavalos de Corrida», como é mais que evidente.
O público não puxou mais pela banda e esta não regressou ao palco para um segundo encore. Os UHF chegam a realizar concertos com a duração de duas horas e meia, em noites em que público continua a pedir mais música. Quem quis continuar teve direito a ouvir os Osíris tocar música Rock até às 5 da manhã. Noite memorável…
Este foi um dos melhores concertos dos UHF a que assisti, e já lá vão perto de uma dezena. Nas fotos podem ver-se um momento do concerto dos UHF e o autor desta crónica com três membros da banda, no restaurante Xalmas, em Aldeia do Bispo.
«Música, Músicas…», opinião de João Aristides Duarte

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Bem sei que o concerto mais mítico na Rapoula do Côa foi o dos Xutos&Pontapés, em 1988. Por qualquer motivo que me escapa, não estive presente nesse concerto.

Joao Aristides DuarteO concerto de José Cid foi no dia 13 de Agosto de 2006. José Cid é um «dinossauro» das cantigas.
Quando este concerto teve lugar contava já 64 anos. Iniciou-se nos anos 50 no conjunto os Babies, em Coimbra, e passou pelo famoso Quarteto 1111, uma referência incontornável de toda a música portuguesa do século XX.
Foi um dos primeiros portugueses a cantar música Rock (na época conhecida como «yé yé»).
Ao contrário do que é, geralmente, dito não se pode atribuir a Rui Veloso a paternidade do Rock português. Se alguém é merecedor do título de «pai» do Rock português, só pode ser José Cid.
Foram inúmeras as suas participações em Festivais da Canção, com canções que toda a gente conhece.
Um álbum seu, intitulado «10.000 Anos Depois Entre Vénus e Marte», é considerado, mesmo a nível mundial, como um dos melhores de sempre do Rock sinfónico. Não consigo explicar porquê, mas José Cid sempre foi um cantor com quem me identifiquei. Conheço e sou capaz de cantarolar as letras de José Cid. Nunca consegui decorar a letra de «Jardins Proibidos», por exemplo que, quase toda a gente aponta como o paradigma de uma letra romântica, mas as letras de José Cid conseguem ficar-me na memória, bem como as melodias, bem simples, mas eficazes. José Cid é conhecido por declarações polémicas como estas: «Gostava que não reparassem só no mau (…). De qualquer forma, o meu pior é muito melhor do que o melhor do Tony Carreira.», em entrevista ao jornal Metro, 2006 ou «Não me mandem cuecas para o palco, eu não sou o Tony Carreira» – na Semana Académica da Universidade do Algarve, 07/05/2007. Após uma fase de um relativo apagamento, José Cid regressou em força, exactamente no ano em que aconteceu este concerto.
José Cid na Rapoula da CôaA banda que acompanhou José Cid neste concerto (com José Gonçalo, nas tecas e Mike Sergeant , na guitarra) não era a big band que actuou no espectáculo do artista, o ano passado, por ocasião da Festa da Europa, no Sabugal. Mas era quase a mesma.
O reportório que José Cid interpretou na Rapoula do Côa foi o habitual: «O Dia Em Que o Rei Fez Anos», «A Anita Não é Bonita», «Na Cabana Junto à Praia», «Ontem, Hoje e Amanhã», «Nasci P’ra Música», «A Rosa Que Te Dei», «Vinte Anos», etc, etc.
Para além destes temas mais conhecidos foram, ainda, interpretados «Rock Rural» (um tema de 1975), «A Lenda D’El Rei D. Sebastião» (do Quarteto 1111) e o tema «Mellotron, O Planeta Fantástico» (do tal disco «10.000 Anos Depois…»).
José Cid apresentou-se em boa forma física, com um lenço palestiniano ao pescoço e com uma voz que deixa muitos famosos a léguas.
Também interpretou um tema com reminiscências a flamenco, tendo usado o banco onde se sentou a tocar o piano para lhe bater com as mãos, utilizando-o como instrumento de percussão. No tema final, José Cid apelou à paz entre os homens, tendo referido que há muita gente que só quer vender armas e fazer a guerra.
O público presente gostou muito do espectáculo. Um dos melhores que alguma vez se realizou na Rapoula do Côa.
Nas imagens, um momento do concerto e o autor desta crónica com José Cid, nos bastidores, no final do concerto.
«Música, Músicas…», opinião de João Aristides Duarte

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Francisco Veredas Bandeiras nasceu em 2 de Maio de 1945, na cidade de Elvas. Iniciou-se nas lides canoras nos anos 60, do século XX. O seu maior sucesso, nessa década, foi a canção «A Minha Cidade», mais conhecida pelo refrão «Ó Elvas, Ó Elvas». Em 1972 concorre ao Festival RTP da Canção, com o tema «Vamos Cantar de Pé», classificando-se em segundo lugar. Em 23 de Junho de 1997 esteve presente num concerto de encerramento das Festas de São João, no Sabugal.

Joao Aristides DuartePoucos anos depois do 25 de Abril de 1974, devido à amizade que o ligava ao Toninho Oliveira, do Soito, empresário do ramo das confecções, actuou nas Festas de São Cristóvão, sem cachet.
Participou em diversos convívios com pessoas do Sabugal, nomeadamente com o falecido Presidente da Câmara, Dr. Lopes, facto reproduzido numa das fotografias desta crónica.
Também esteve no Soito, aquando da famosa visita de Mário Soares, em 1977.
Já no final dos anos 80 deu um concerto em Aldeia do Bispo, durante as Festas de Agosto da freguesia raiana.
Paco Bandeira considera-se em casa, quando visita o nosso concelho.
Em 23 de Junho de 1997 esteve presente num concerto de encerramento das Festas de São João, no Sabugal.
Lembro-me de ter ido assistir a esse concerto. Ainda era o tempo em que os mordomos colocavam uma divisória, com pinheiros, para se poder pagar para o baile. O último dia das Festas era (e ainda é, julgo eu) de entrada livre.
A banda que acompanhou Paco Bandeira, nesse concerto era composta pelo já falecido maestro José Marinho (teclados), Marino Freitas (baixo) e Sertório Calado (bateria).
Paco Bandeira tem fama de ter um feitio um pouco difícil com os músicos, embora não seja por nada de grave e, por isso, os músicos estão sempre a mudar. Tanto não é por nada de grave que, músicos que saíram, voltaram a entrar na banda passado algum tempo.
Paco BandeiraPara além destes músicos, participou, como convidado, Samuel, na guitarra e vozes.
Samuel era um conhecido autor e intérprete de cantigas, que esteve ligado ao movimento onde pontificaram nomes como José Afonso, Adriano Correia de Oliveira e outros.
O concerto lá se iniciou, não com muito público presente. A grande maioria do público não era constituída por teenagers. Era mais pessoal com uma certa idade (digamos que de meia-idade para cima).
Mas, como eu gosto de ver tocar músicos ao vivo e não de apreciar as vestimentas ou a beleza de certos cantores de charme, não faltei.
Os grandes êxitos de Paco Bandeira não faltaram: «Ternura dos Quarenta», «Chula da Livração» (com o refrão «Vem Ver de Novo…») «Minha Quinta Sinfonia», «A Minha Cidade», «Gipsy Kings», etc., etc.
Uma situação inesperada aconteceu quando alguém pediu para cantarem o tema «Pedra Filosofal», cujo autor da música é Manuel Freire e não Paco Bandeira.
Mesmo assim, Paco não se fez rogado e interpretou a canção, com a ajuda de Samuel, situação que deverá ter sido única na sua carreira.
Paco BandeiraNo final do concerto foi queimado o «Carvalho de São João», o que deixou os músicos bastante intrigados, segundo Samuel me contou. Com efeito, nas minhas consultas em livros sobre tradições populares, a única região do país onde isso existe é no concelho de Sabugal. Agora, que tanto se fala em turismo, era altura de colocar essa tradição em relevo, pelo menos nos folhetos informativos editados pelas entidades ligadas ao sector.
Em Abril de 2007 Paco Bandeira deu um concerto no Soito, integrado na Festa do Mundo Rural, que poderá ser motivo de outra crónica. Este concerto do Soito foi mais «familiar» e muito «à la carte».
«Música, Músicas…», opinião de João Aristides Duarte

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O concerto dos «Sitiados», no Sabugal, teve lugar no dia 25 de Junho de 1994, integrado nas tradicionais Festas de São João.

Joao Aristides DuarteOs Sitiados tornaram-se conhecidos em 1992, quando editaram o seu álbum homónimo que incluía o grande sucesso «Vida de Marinheiro».
No entanto a sua origem remonta a 1987. Em 1988 é editada numa compilação do Rock Rendez Vous a canção «A Noite», dos Sitiados. Este tema é mais conhecido pelo seu refrão «Aqui ao luar, ao pé de ti…» e a versão mais conhecida é a dos Resistência, pelo que, nem sequer é identificado como sendo dos Sitiados.
O concerto teve lugar no dia a seguir ao bloqueio da Ponte 25 de Abril.
Estava eu a dar aulas no concelho de Vila Nova de Foz Côa, quando vim passar o fim-de-semana a casa. Na rádio ia ouvindo as notícias sobre o que se passava na travessia do Tejo. Já tinha visto o cartaz das Festas e não poderia perder o concerto dos Sitiados.
O concerto foi brutal, como agora se costuma dizer.
A formação que tocou no Sabugal era constituído por João Aguardela (voz e guitarra), Ani Fonseca (guitarra e coros), Sandra Baptista (acordeão), Jorge Buço (guitarra e bandolim), Jorge Quadros (bateria) e João Marques (baixo).
Jorge Quadros voltaria a tocar nas Festas de S. João, no Sabugal, uma vez que seria o baterista dos Delfins, aquando do concerto da banda de «Soltem os Prisioneiros».
SitiadosOs Sitiados eram um dos maiores fenómenos da música portuguesa e já tinham editado o seu segundo álbum «E Agora?», com o grande sucesso «O Circo».
O recinto estava repleto.
Após a actuação do grupo de baile Talismãs, sobe ao palco Laura Diogo, manager dos Sitiados e antiga integrante das Doce, para apresentar os Sitiados ao público.
O grupo entrou com todo o speed e atacou logo com alguns dos seus temas mais emblemáticos, como «O Bicho», «Cabana do Pai Tomás», «Pérola Negra» ou «E Ela Cega». O som estava muito bom.
No palco foi montada uma rampa por onde Sandra Baptista estava sempre a subir e descer, tocando o seu acordeão.
Sandra Baptista, com um acordeão de teclas, não parava quieta um segundo, mostrando ser uma verdadeira performer.
O concerto foi sempre a subir, até que perto do final João Aguardela resolveu perguntar aos presentes se sabiam «qual era a maior banda de Portugal». Ouviram-se vozes referindo o nome dos Xutos, mas João Aguardela fez questão de afirmar que esse estatuto pertencia ao Conjunto António Mafra (uma das maiores influências do Sitiados, que aliavam a Pop e o Rock à música tradicional portuguesa). E os Sitiados tocaram, a seguir, o tema «Menina Yé Yé», um dos sucessos do Conjunto António Mafra.
SitiadosE, perto do final, tocaram; como não podia deixar de ser «O Circo» e «O Baile», para regressarem ao palco (no encore) e interpretarem o tema mais esperado que era «Vida de Marinheiro».
O concerto terminou. Os Talismãs regressaram ao palco para continuar a sua actuação. Curiosamente, os Sitiados estiveram programados para um concerto nas Festas de S. Cristóvão, no Soito, em Agosto do mesmo ano, mas o mesmo foi desmarcado. Teria sido bom se se pudessem confrontar os dois concertos.
Este foi um dos concertos melhores a que assisti nos anos 90 do século XX.
Este artigo é dedicado à memória de João Aguardela, o vocalista dos Sitiados, falecido no passado dia 19 de Janeiro (nos últimos tempos membro de A Naifa), vítima de cancro, aos 39 anos.
Obrigado, por todos os bons momentos, como este do Sabugal, João…
«Música, Músicas…», opinião de João Aristides Duarte

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Desconheço quem organizou o concerto dos «Táxi», no Sabugal. Lembro-me de ter visto um cartaz em algum local e lá fui eu.

Joao Aristides DuarteO concerto teve lugar no dia 7 de Agosto de 1982, no castelo do Sabugal, onde foi montado um palco, no local onde, agora, se encontra o anfiteatro.
O público não era muito, o que entra em contradição com o verdadeiro sucesso que os «Táxi» tinham em todo o País.
Os «Táxi» eram um dos grupos mais famosos da época. Tinham já lançado os seus dois primeiros álbuns, «Táxi» e «Cairo». Este último é uma edição, hoje, de colecção, uma vez que é um LP de vinil dentro de uma caixa de lata.
Os «Táxi» eram do Porto. Antes de se chamarem «Táxi» usaram o nome «Pesquisa» e chegaram a gravar um single sob esse nome.
Em 1981, após o boom do Rock português (que teve início em 1980, com Rui Veloso) mudaram de nome para «Táxi» e editaram o seu primeiro álbum, que continha temas como «Chiclete», «Vida de Cão», «Lei da Selva», «Rosete» ou «TV WC», num estilo que misturava o Ska com a New Wave.
A formação da banda era a seguinte: João Grande (voz), Henrique Oliveira (guitarra), Rodrigo Freitas (bateria) e Rui Taborda (baixo).
O primeiro LP teve produção de António Pinho e Aníbal Miranda.
Aníbal Miranda tornou-se empresário da banda, ao mesmo tempo que desenvolvia uma carreira musical, a solo.
Foi Aníbal Miranda que fez a primeira parte dos «Táxi», no Sabugal.
Anibal MirandaQuando Aníbal Miranda iniciou o concerto disse as palavras «Alto castelão!» referindo-se à imponência do castelo de cinco quinas.
Miranda não era muito conhecido e, ainda por cima, cantava em inglês, numa época em que quase toda a gente o fazia em português, pelo que a sua prestação passou um pouco despercebida. No entanto, não deixou de interpretar «Don’t Shoot», o seu maior sucesso.
A seguir à actuação de Aníbal Miranda, surgiram em palco os «Táxi».
João Grande, o vocalista bem tentava animar as hostes, mas não eram grandes as manifestações de entusiasmo. Lembro-me que alguém comentou a meu lado que o baixista Rui Taborda (um homem bastante alto) era um pouco desprovido de beleza.
O baixista movimentava-se muito em palco, andando, constantemente, de um lado para o outro.
Os «Táxi» interpretaram, claro, os seus grandes sucessos e outros, como «Páginas Amarelas», «Cairo», «Hipertensão» ou «1, 2, Esquerdo – Direito».
Julgo que não houve encore.
Realmente este concerto deixou bastante a desejar. Não só pela pouca afluência de público, mas também porque os «Táxi» se limitaram a tocar os temas como estavam nos discos, sem improvisos ou rasgos de imaginação.
Este concerto só é mítico pelo facto de a banda em causa ser, ela própria, mítica. Musicalmente não teve muito interesse. Aliás, deu para perceber que os «Táxi» não teriam muito futuro, se continuassem no mesmo estilo de música, o que viria a suceder passados cinco anos (e após um interregno de dois anos); quando lançaram um disco cantado em inglês que não obteve qualquer feedback e levou à extinção da banda.
Bilhete para o concertoNo entanto, a nostalgia está aí e os «Táxi» têm agendado o lançamento de um novo álbum para este ano, após terem tocado no Festival de Vilar de Mouros, em 2006.
Aníbal Miranda regressou ao Sabugal, em Abril de 2005 para assistir ao lançamento do meu livro «Memórias do Rock Português», onde contou aos presentes algumas das suas aventuras por terras raianas.
Nas imagens podem ver-se o bilhete do concerto e uma foto de Aníbal Miranda, na época.
«Música, Músicas…», opinião de João Aristides Duarte

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De seu verdadeiro nome João Ramos Jorge, Rão Kyao é um dos melhores músicos portugueses.

Joao Aristides DuarteIniciou-se no Jazz, onde foi um excelente saxofonista, tendo conhecido o êxito em 1983, quando editou o LP «Fado Bailado», onde interpretou com o saxofone vários e conhecidos temas de fado.
Em 1984 abandonou o saxofone e dedicou-se, por inteiro, a tocar flautas de bambu, técnica que aprendeu na Índia, e que já tinha experimentado no LP «Bambu», de 1977.
Em 31 de Maio de 1985 vi um concerto de Rão Kyao (então no seu apogeu), no velhinho Cine-Teatro da Guarda. Foi um magnífico concerto, quase todo baseado no LP «Estrada da Luz» (editado em 1984 e que continha o grande sucesso «Canção da Manhã»), totalmente interpretado em flautas de bambu.
O concerto do Sabugal aconteceu na noite do dia 22 de Junho de 2000, integrado nas Festas de S. João, que decorreram, como habitualmente, no Largo da Fonte.
Rão Kyao no SabugalDesde «Estrada da Luz» até ao concerto do Sabugal, Rão Kyao editou mais de uma dezena de álbuns, portanto tinha um reportório impressionante para apresentar.
O material de som e luzes montado no palco, alugado a Luís Albuquerque, de Celorico da Beira; era de fabrico nacional, da marca Furacão.
O lote de músicos que acompanharam Rão, nesta sua incursão em terras sabugalenses era de primeira água: o baterista Alexandre Frazão, um brasileiro há muitos anos residente em Portugal, que pertenceu aos Resistência, o teclista Renato Júnior (embora com o mesmo nome, nada tem a ver com o dos UHF) e um baixista de que não retive o nome, mas que era um grande instrumentista.
Rão Kyao interpretou no seu concerto temas como «Dança de Rua», «Tróia», «Bombaião» ou «Rusga (Desgarrada)». Infelizmente «Canção da Manhã» não foi tocada.
Um dos temas que tocou foi «Toada Beirã» e como estava em terras da Beira Alta, não deixou de se referir a esse facto.
Embora a maioria do público estivesse longe do palco, principalmente na zona do bar, alguns mais próximos não regatearam apoio ao músico.
Rão Kyao no SabugalRão Kyao faz-se, sempre, acompanhar dum saco, que coloca a tiracolo, onde guarda as suas flautas de bambu (e são várias). Assim aconteceu no Sabugal, onde nunca largou o saco, enquanto esteve nos bastidores do concerto.
Rão Kyao e a sua comitiva só jantaram no final do espectáculo, depois da uma hora da manhã. Tinha sido, previamente, combinado assim, uma vez que o músico nunca come antes do início do seu espectáculo. Sei que apreciou o vinho que acompanhava a refeição e era da Adega Cooperativa de Pinhel.
No final do jantar, Rão Kyao dirigiu-se para o bar, onde permaneceu em alegre convívio com os membros da Comissão de Festas e outros noctívagos.
Ele só bebia vinho e só queria mesmo o de Pinhel. Esteve bastante tempo no bar, convivendo, sem quaisquer tiques de vedetismo.
É essa imagem que eu guardo de Rão Kyao: um grande músico, dos melhores que o País possui e que nem sequer autorizava que lhe chamassem senhor.
Enquanto o seu road manager, muito mais novo que ele, foi para a cama, Rão Kyao permaneceu até perto das 3 da manhã, no recinto das Festas de S. João.
«Música, Músicas…», opinião de João Aristides Duarte

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