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Hoje, 11 de Novembro, evoca-se S. Martinho, dia em que a tradição manda comer castanhas e provar o vinho novo e a jeropiga.

Nas nossas terras sabugalenses, um pouco à semelhança de todo o País, o dia de S. Martinho, obriga à realização de convívios entre amigos, onde o vinho, a jeropiga e as castanhas fazem parte das ementas, proporcionando bons momentos de lazer e de convivência social.
Os nossos adágios populares referem-se abundantemente a este dia maravilhoso do nosso calendário. Liga-se o nome do santo não apenas à amizade e ao convívio, mas também à gastronomia e à vida agrícola. Vejamos esses rifões, alguns com curiosas cambiantes:
– Dia de S. Martinho, lume, castanhas e vinho.
– Dia de S. Martinho, vai à adega e prova o vinho.
– No S. Martinho, mata o porquinho, abre o pipinho e põe-te a mal com o teu vizinho.
– Pelo S. Martinho, mata o teu porco e prova o teu vinho.
– Pelo S. Martinho, fura o teu pipinho.
– Pelo S. Martinho, prova o teu vinho e mata o porquinho.
– Pelo S. Martinho, semeia fava e linho.
– Queres pasmar teu vizinho? Lavra e esterca no S. Martinho.
– Se o Inverno não erra o caminho, tê-lo-eis pelo S. Martinho.

Na liturgia, o dia de S. Martinho celebra a data em que este santo, falecido em Candes, foi a enterrar em Tours, França, no ano de 397.
S. Martinho é o primeiro dos santos não mártires, o primeiro confessor, que subiu aos altares.
Antigamente era o santo mais popular de França. O seu túmulo, que está dentro de uma basílica, era o maior centro de peregrinação de toda a Europa Ocidental. A sua generosidade e a fama de milagreiro fizeram deste santo uma figura extremamente popular.
É santo patrono dos alfaiates, dos cavaleiros, dos pedintes, dos restauradores, hotéis, e pensões, dos produtores de vinho, dos alcoólicos, dos soldados… e também de muitos animais, como cavalos e gansos.
Em Portugal o dia de S. Martinho é invocado nas cerimónias religiosas exaltando o seu espírito de solidariedade. Lembra-se sobretudo o episódio em que partilhou a sua capa com um pobre que encontrou num caminho.
plb

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A celebração dos primeiros dois dias de Novembro (dia 1 – Dia de Todos Os Santos; dia 2 – Dia de Recordação de Todos os Fiéis Defuntos) teve origem no Mosteiro dos Beneditinos de Cluny em França. Das duas datas importantes, a primeira não mais acontecerá, pois o feriado religioso foi retirado e as pessoas já não terão pelo menos um dia disponível para recordar os seus mortos mais queridos. Muito se deve às más e incríveis negociações da Igreja com o Estado Português.

É importante que nestas datas façamos uma reflexão da Fé que vivemos, e acreditemos numa vida nova e imortal. Na primeira, festejamos todos aqueles e aquelas que a misericórdia de Deus admitiu na sua presença, na entrada do Seu Reino. Na segunda, é o tempo da oração, da reflexão dos Fiéis Defuntos, por todos aqueles que partem com a necessidade de algumas purificações além-túmulo.
Há dias um amigo, em conversa sobre estes temas da Fé, perguntava-me se na sociedade em que vivemos ainda há santos e onde estão. Respondi-lhe de imediato que sim e muitos. Porém, quis explicar-lhe, na minha opinião, quem são os santos. Se nos deslocarmos a uma qualquer Igreja, lá encontraremos muitos, muitas vezes desconhecendo a sua vida e obra. Todos os anos levo as crianças da Catequese de Aldeia de Joanes à Igreja Matriz, para lhes proporcionar uma lição de história sobre esse monumento de interesse municipal e verifico que a maioria não sabe nem conhece as imagens dos santos, que ali estão para todos venerarmos.
Numa das aulas de Catequese, há uma lição muito interessante, sob o título «Sede Santos». Ali está a resposta muito concreta e simples: um santo é todo aquele que detesta o mal e se apega ao bem; aquele que se mostra firme nas dificuldades com muita alegria e esperança; aquele que cultiva o fervor sem perder a humildade; aquele que procura viver em paz com todos, ajudando os mais necessitados.
Estas minhas respostas, que foram ouvidas com muita atenção pelo meu interlocutor, convenceram-no, apresentando-lhe de seguida inúmeros nomes de santos, que através dos tempos subiram aos altares.
Também lhe acrescentei que o Concílio Vaticano II afirma que a santidade consiste na plena e perfeita identificação com Jesus Cristo. Todos os cristãos são chamados a ser santos, é um chamamento que abrange todos sem exceção. Há imensos caminhos, imensas maneiras, cada um com o seu modo de vida, na vida de todos os dias, na família, no trabalho, nos tempos livres, em todas as atividades.
Volto à pergunta: ainda há santos hoje? Recordo novamente as crianças da Catequese. A maioria responde-me que os seus avós são uns santos. Ajudam-nas, dão-lhe bons conselhos, amparam-nas contra o mal, ensinam-lhe os caminhos do bem com o seu exemplo, rezam com elas, ensinam-lhes os valores da vida, enfim são os seus companheiros dia-a-dia. E também muitos pais responsáveis fazem o mesmo.
E os jovens que se dedicam voluntariamente em muitas ações de solidariedade social e de prática da caridade. E aqueles e aquelas que partem com destino a terras de missão, trabalhando no progresso social, cultural e religioso e dão a vida por essas causas. E aqueles visitadores de hospitais, que limpam as lágrimas de doentes que já não têm força nas suas mãos, transmitindo-lhes palavras de fé e esperança. E os homens e mulheres que fazem pontes de amizade e união e são semeadores da paz e da concórdia. E caro amigo leitor, podia apontar muitos mais trabalhadores que nos dias de hoje sobem as escadas da santidade. E não são necessariamente católicos. Aqui tens os santos dos nossos dias. Andam junto de nós, vivem perto de nós. Estão aí. Estão ao teu lado.
O Evangelista S. Lucas, diz-nos que «hão-de vir do Oriente, do Ocidente, do Norte e do Sul, sentar-se-ão à mesa do Reino».
António Alves Fernandes – Aldeia de Joanes
António Alves Fernandes – Aldeia de Joanes

Após quase 14 anos como pároco nas paróquias da Póvoa de Santo Adrião e do Olival Basto, no concelho de Odivelas, o padre Carlos Fernandes foi nomeado responsável por três paróquias na diocese de Braga.

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O padre Carlos Manso Fernandes nasceu a 28 de Novembro de 1961 em Aldeia do Bispo, concelho do Sabugal. Frequentou a escola primária local até à quarta classe e ingressou, depois, no Seminário Monfortino, em Fátima. A sua formação religiosa continuou em Bari, no sul da Itália, e em Roma onde estudou filosofia e teologia. Foi ordenado diácono a 22 de Fevereiro de 1986 e ordenado sacerdote da Congregação Monfortina em 26 de Março de 1988 tendo sido colocado em Castro Verde. Em Dezembro de 1998 foi nomeado pároco da Póvoa de Santo Adrião e do Olival Basto. No início de 2001 assumiu a capelania do Hospital Amadora-Sintra onde se manteve até ao passado mês de Setembro.
Após quase 14 anos de serviço na Póvoa de Santo Adrião e no Olival Basto foi nomeado e tomou posse a 30 de Setembro passado como pároco de três paróquias da diocese de Braga: Junqueira, Touguinhó e Parada.
A festa de despedida que incluiu uma missa solene e uma cerimónia no centro paroquial contou com centenas de paroquianos (e alguns familiares) que encheram a igreja e o espaço comunitário da Póvoa. Após a entrega de lembranças dos paroquianos, dos presidentes das juntas de freguesia da Póvoa de Santo Adrião e do Olival Basto foi projectada uma sequência de imagens que recordaram a passagem do Padre Carlos pelas duas paróquias. E tudo terminou com o visionamento da reportagem da LocalVisãoTv da Guarda do concurso Ó Forcão Rapazes 2012 que teve lugar na Praça do Soito. Na sala muitos foram os que nos pediam para explicar o que se estava a passar no ecrã enquanto conheciam, pela primeira, vez, uma das «paixões» do Padre Carlos. Mas a Raia vai continuar presente na Póvoa. O sacerdote de Aldeia do Bispo com quem convivemos durante estes anos vai ser substituído pelo Padre Vieira de Aldeia Velha.

Ao Padre Carlos com quem o Capeia Arraiana já publicou uma entrevista (Aqui) desejamos todas as felicidades nas suas novas responsabilidades em terras minhotas.
jcl

A Freineda, freguesia raiana do concelho de Almeida, recebeu no domingo, dia 16 de Setembro, um vistoso e colorido festival de pára-quedismo, ao qual assistiu um mar de gente. Tratou-se de uma iniciativa diferente que conferiu uma nova dinâmica à tradicional e muito apreciada festa de Santa Eufémia.

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plb

A Freineda, e toda a Raia, vão assistir pela primeira vez a um festival de pára-quedismo. Este domingo, dia 16 de Setembro, a Comissão de Festas de Santa Eufêmia 2012 da Freineda vai proporcionar momentos inéditos nos ares raianos. O avião vai estar estacionado no aérodromo da Dragoa, na Ruvina, concelho do Sabugal, e levantará voo para levar os pára-quedistas em duas vagas de manhã e duas da parte da tarde: os saltos sobre o Largo de Santa Eufêmea, na Freineda, com seis «páras» de cada vez estão marcados para as 11:00 e para as 11:45 e para as 16:00 e 16:45 horas.

Santa Eufêmea - Pára-quedismo - Freineda - Almeida

jcl

«AS TERRAS SÃO TODAS IGUAIS. AS GENTES É QUE SÃO DIFERENTES!» Esta abertura vem a propósito da minha ida ao encerro da Freineda, na passada sexta-feira, dia 8, do corrente mês de Setembro.

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José Manuel Campos - Presidente Junta Freguesia Fóios - Capeia ArraianaQuando pela zona da Raia só já vive de saudade em relação às festas do mês de Agosto, com particular destaque para os encerros e capeias, eis que é anunciado um encerro que deixa deslumbrados todos quantos se dignam ir até à Freineda, essa simpática localidade, também raiana, mas já do concelho de Almeida.
Fui lá, pela primeira vez, no passado ano – 2011 – e já fiz promessa de ir todos os anos.
Na passada sexta feira fui com o meu amigo Chico Lei, num carro de dois lugares, mas logo atrás de nós seguia o jipe do Lei Chão com mais quatro ou cinco fojeiros. Alguns iam pela primeira vez mas já com algumas boas referências.
Quando chegámos ao local do Taco, também conhecido pelo «Mata Bicho», fomos cumprimentados por alguns amigos que por lá temos e logo nos puseram completamente à vontade. «O que está aqui é para todos!» E o que lá havia. Quantidade e qualidade tanto de comida como de bebida.
«Ó pessoal, toca a aproximar. Isto é para todos. Então já provaram a sangria? E o branquinho? Mas o tinto também não é mau.»
Nas mesas abundava o presunto e o chouriço, entre outras especialidades, mas o leitão acabou por ser rei.
Entretanto iam chegando muitos cavaleiros, carrinhas, tractores e motas que, após uma passagem pelo local do Taco, davam uma arrancada até ao sítio onde se encontravam os toiros prontos para as mais diversas faenas do encerro.
A febre, tanto dos humanos, especialmente dos cavaleiros, como dos bichos era, de tal ordem, que arrancaram todos numa barafunda e correria louca a ponto de me fazerem lembrar as guerras nos desertos de alguns países e que a televisão, infelizmente, nos vai mostrando.
Como o terreno é muito plano também dá para tractores, motas, jipes e carrinhas, correrem na perseguição dos bichos.
Os participantes, numa gritaria infernal, faziam-se ouvir dizendo: «O amarelo já fugiu, os cabrestos também já andam longe mas já lá vêm outra vez. Toca gente a subir para os respectivos veículos para se aproximarem o mais possível dos animais.»
Por fim lá os aproximaram do caminho e em marcha lenta fizeram dois ou três quilómetros até que acabaram por chegar próximo do povoado onde entraram já em grande correria, como é habitual, tendo acabado por entrar na praça com sucesso.
Confesso que gostei de tudo mas, de sobre maneira, da simpatia dos freinedenses que não deixam os créditos por mãos alheias.
Um especial carinho e agradecimento para o amigo Tó Reis, Gonçalves, Mário Rocha e Zé Manel-prof. (entre muitos outros) que fazem questão de servir bem todas as pessoas a ponto de as fazerem sentir igual ou melhor que na sua própria terra.
Um grande Bem-Haja e viva a Freineda por ser um exemplo!
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos

(Presidente da Junta de Freguesia de Foios)
jmncampos@gmail.com

No último fim-de-semana de Agosto chegou a notícia do falecimento do Bispo Emérito de Angra do Heroísmo – Açores.

Nasceu há noventa e dois anos em Alcains – Castelo Branco. Frequentou os Seminários do Gavião, Alcains e Olivais. Em 1943 foi ordenado Padre em Portalegre e fez um percurso em diversas paróquias; foi professor no Seminário do Gavião, em alguns colégios e no ex-Liceu de Nuno Álvares em Castelo Branco. Foi um grande dinamizador da Ação Católica.
Em 1974 foi nomeado Bispo de Angra, onde se mantém até 1996. Tem na sua Diocese dois atos que os açorianos não esquecem: foi o grande impulsionador do Culto do Senhor Santo Cristo dos Milagres e colaborou intensamente no processo de reconstrução das Ilhas Terceira, Graciosa e S. Jorge, depois de o sismo que as abalou em Janeiro de 1980.
Feita esta apresentação biográfica, vou à gaveta dos apontamentos, e lá encontro resquícios de um longo encontro com D. Aurélio Escudeiro em Castelo Branco. A edilidade albicastrense quis prestar homenagem a todos os sacerdotes do seu concelho. Pelas funções dirigentes que desempenhei e pelas ações cívicas que efetivei na Cidade de Amato Lusitano, fui convidado para essa Cerimónia de reconhecimento público a todos os agentes pastorais, na pessoa dos Párocos.
A seguir a um ato religioso fomos almoçar num restaurante local. Na mesa para onde fui encaminhado incluía-se D. Aurélio Granada Escudeiro, atualmente a residir em Alcains. Na troca de cumprimentos informo-o que trabalho em Castelo Branco e que casei em Aldeia de Joanes – Fundão.
Esta Freguesia era-lhe muito familiar e dizia-lhe algo. Numa longa conversa adiantou-me que o pai – João Lourenço Escudeiro – desempenhou durante muitos anos a tarefa de Feitor na Casa do Outeiro. Trabalho de muita responsabilidade. Por ele passava toda a estrutura rural, a funcionar ainda em moldes feudais, dado tratar-se de gente de sangue azul. Nas suas funções contavam-se: recrutamento de pessoal agrícola, pagamento dos seus soldos, distribuição de tarefas, o uso da disciplina e da justiça.
Também a sua mãe – Maria Belarmina Pinheiro – teve um papel importante naquela casa, colaborando com o marido.
D. Aurélio teve um irmão – Padre José – que desenvolveu um trabalho pastoral muito importante em prol das comunidades de emigrantes, principalmente na Alemanha. Da sua família, duas irmãs também se destacaram. Uma delas, de nome Evangelina, é Professora-Regente em Aldeia de Joanes, ensinando alunos até à terceira classe. A Escola funcionava numa das salas da casa do Joaquim de Almeida, que chegou a ter uma Taberna. A sua especialidade era vender a carne das rezes, que vendia diariamente e fazia os enchidos muito gostosos. Alguns chegaram à mesa do Papa João Paulo II, em Roma, através do Embaixador de Portugal que tinha raízes no Fundão.
Esta professora-regente casou com Joaquim Francisco Xavier, natural de Aldeia de Joanes, que abraçou a carreira militar na antiga Polícia de Viação e Trânsito, mudando a residência para Coimbra.
Com os pais cristãos praticantes, D. Aurélio deslocava-se à histórica Igreja Matriz de Aldeia de Joanes, a fim de assistir aos mais diversos cultos, tendo bem viva na sua memória a riqueza dos diversos altares e os cânticos religiosos entoados pelo povo.
Também me falou da festa do Espírito Santo, na Casa do Outeiro, sempre que a família Trigueiros assim entendia, chamando as gentes de Aldeia de Joanes para a prepararem. Esta realizava-se no recinto da Quinta. Aqui falou-me com muita vivacidade, lembrando-se das festividades nos Açores.
Recorda-se de ali receber as Boas Festas, o Compasso, a visita do Pároco de Aldeia de Joanes, anunciando Jesus Cristo Ressuscitado.
Com tantas ligações a Aldeia de Joanes, informei-o que hoje já não conhece estas paragens, onde os seus pais estiveram durante mais de uma década. Nos últimos anos Aldeia de Joanes tem bairros novos, uma fábrica de confeções, oficinas. Há um misto do rural com o urbano. É um dormitório do Fundão e está a crescer em termos demográficos e urbanísticos.
Assim convidei-o para uma romagem de saudade a estas terras que o acolheram na sua juventude, das quais tem boas recordações, oferecendo-lhe total disponibilidade para o transportar de Alcains a Aldeia de Joanes e vice-versa. Aderiu à ideia, dando-me todos os contatos para se concretizar este objetivo.
Apesar de diversos telefonemas, não se realizou a vinda, umas vezes porque já tinha compromissos e outras porque a débil saúde não lhe permitia viagens nem estadias alongadas.
Descanse em Paz a sua Alma…
António Alves Fernandes – Aldeia de Joanes

Lembrei-me de escrever sobre uma figura muito popular das nossas comunidades cristãs e paroquiais. Todos os que frequentamos a Igreja, conhecemos bem a missão e os serviços prestados por estes homens e mulheres. Nós também já partilhámos essas actividades em muitas cerimónias religiosas ajudando o titular do cargo.

Vou escrever umas notas sobre aqueles com quem me cruzei e a minha experiência neste serviço voluntário.
Da Bismula recordo o Manuel Cordeiro. Nós, ainda muito jovens, procurávamos ajudá-lo principalmente nas Eucaristias da semana, com horário matutino, porque os habitantes tinham de ir trabalhar para a faina dos campos agrícolas. Havia tanta competitividade, que muitas vezes os mais madrugadores se escondiam atrás do altar-mor, fazendo barulhos para afastar os mais preguiçosos. Era uma disputa muito saudável e louvável, sem censuras do Pároco. Lembro-me dos Jovens nestas andanças: Manuel Vaz, seu irmão Messias Vaz, António Alves Fernandes e seus irmãos Manuel José Fernandes e Francisco Alves Monteiro, José Lavajo Fernandes e tantos outros.
Em Setúbal, na Igreja de Santa Maria da Graça, hoje a Sé da Diocese, José Maria Fernandes Monteiro, meu saudoso Pai, durante um ano desempenha, em regime de substituição, o cargo de sacristão, que pertencia a Ernesto Santos Silva, morador na Rua da Paz, junto às muralhas medievais da cidade de Setúbal, a recuperar de uma grave doença. Regressado à sua função, José Maria Fernandes Monteiro fica com o encargo de diariamente ajudar à missa, na Igreja da Boa-Hora (Grilos), edificada em 1566, pela Ordem dos Agostinhos Descalços, onde há muitos anos está alojada a Comunidade dos Missionários Claretianos. Colocado em novo emprego, passaram os filhos a desempenhar aquela missão. Várias vezes coube-me ir desempenhar as funções amadoras de sacristão, principalmente nas férias. Era Superior da Casa, o Padre Carolino, homem bom, com um coração maior que Trás-os-Montes, província de onde era natural, que nos autorizava a colher e comer no quintal laranjas e tangerinas. Já o Padre António Monteiro de Terras de Jarmelo (Guarda), que conheci em Setúbal, era bem mais severo. Talvez fosse fruto de recalcamentos históricos pelo facto de D. Pedro, o Justiceiro, vingar a morte de Inês de Castro, arrasando aquelas povoações e arrancando o coração pelas costas a Pero Coelho de Jarmelo. Em contrapartida, este Rei atribuiu imensos privilégios aos pescadores de Setúbal…
Um dia, possuído de odores a laranja e tangerina, sou interpelado por este celebrante, que além da censura ditatorial, aplica-me o respetivo corretivo. Seguimos para o altar, ainda se celebrava a Eucaristia de costas voltadas para o povo. Ao colocar a almofada para se ajoelhar, o reverendo dá-lhe um pontapé, que parecia um golo do Eusébio, aqui na baliza de Santo Agostinho, que estava no altar muito sossegado com um livro numa das mãos. Foram os citrininos mais amargos que saboreei na cidade de Setúbal. Aqui foi muito negativa a minha experiencia de «sacristão».
Conheci em Setúbal, um sacristão, numa das maiores Paróquias Nacionais, refiro-me a S. Sebastião, um exemplo de dedicação e amor à camisola de serviço à Igreja. Refiro-me a João Maria Afonso Lopes, o «João Sacristão». Muito virado para a evangelização junto dos homens do mar, onde teve as suas origens, construiu uma Capela no Bairro do Faralhão, e durante muitos anos foi o impulsionador e organizador das Festas de Nossa Senhora do Rosário de Troia. O seu nome está perpetuado numa artéria da Cidade de Elmano Sadino, perto da Avenida do Coração de Maria, na Comunidade da Azeda de Cima.
Em Castelo Branco, um sacristão com nome militar – Fernando Sargento – era efetivamente um sargento na guarda dos tesouros da Sé Albicastrense, sempre vigilante durante décadas, falecendo quase centenário. Os Rotários de Castelo Branco prestaram-lhe uma justa homenagem pelos revelantes serviços prestados à comunidade cristã.
Em Aldeia Nova do Cabo (Fundão), durante mais de cinquenta anos, trabalhou para a Paróquia José de Oliveira, sendo substituído por João Gadanho, a quem as dificuldades visuais impediram de ainda estar a serviço.
Em Janeiro de Cima, encontrei uma persistente guardiã da igreja. Decorreu um evento cultural naquele local e a idosa responsável esteve sempre atenta na guarda de todo o património sagrado. Procurei descansá-la, dizendo-lhe que tudo iria correr bem, que os presentes eram gente séria, conhecidos da Junta de Freguesia local e da Câmara Municipal do Fundão, mas apesar de ouvir os meus conselhos, não descurou a segurança.
Termino este périplo em Aldeia de Joanes, onde uma dinastia de sacristães tem ocupado a respetiva cadeira durante muitos anos. Sebastião Nascimento Ramos e seu irmão Manuel Joaquim Ramos, em períodos alternativos, desempenharam a missão de ajudantes do senhor prior. Manuel Ramos tinha uma voz para os cânticos litúrgicos de encher a alma de quem o ouvia. Até arrepiava quando cantava estes versos:
Oh! Vós que passais
Em frente deste Sacrário.
Oh! Eles loucos não pensam
No amor do Santuário.

É ali que repousa
Naquela Hóstia de Amor e Luz
Vamos todos nesta hora
Desagravar o Bom Jesus.

Também nas festividades do Natal, Quaresma e Páscoa, entoava cânticos de grande musicalidade e fervor religioso. Nas diversas procissões era um general a comandar as tropas.
Há anos, com o seu falecimento, terminou esta Dinastia Sagrada, sucedendo-lhe Higino Serra Cruz, que desempenha um vasto trabalho de sacristão, sempre muito atento e preocupado; ainda é ministro da comunhão e elemento da Cáritas e da Equipa Litúrgica, substitui por vezes o Pároco, trata da limpeza da Igreja Matriz, arrumações e sempre que necessário põe em prática os seus vastos conhecimentos de marceneiro.
Estes homens e mulheres, no silêncio religioso das Igrejas, muitas vezes sem lhes ser reconhecida a atenção e o carinho que merecem por desempenhar tarefas fundamentais, nas atividades litúrgicas, na defesa do património dos templos, são voluntariamente os guardiões dos templos. Merecem reconhecimento e homenagem de todos.
António Alves Fernandes – Aldeia de Joanes

A Paróquia da Bismula, foi durante o século passado um grande alfobre, um viveiro de vocações sacerdotais, missionárias e religiosas. Desse grande número, o Bismulense Padre Manuel Joaquim Martins, celebra meio século da ordenação presbiteral, e que aconteceu na cidade de Trancoso, em Agosto de 1962.

O atual Pároco da Bismula, Padre Hélder Lopes, com o seu dinamismo e juventude, criou uma comissão organizadora de Ação de Graças, pelos cinquenta anos de vida sacerdotal do Padre Manuel Martins. Constituiu uma comissão muito abrangente, que é coordenada pelo Padre Hélder Lopes, como é óbvio, por José Augusto Vaz, na qualidade de Presidente da Junta de Freguesia da Bismula e Provedor da Santa Casa da Misericórdia; António Salgueira irmão e Rita Martins Pinheiro, sobrinha, em representação da família, António Alves Fernandes, em representação das Paróquias do Arciprestado do Fundão e de Emília Bordalo, em representação das Paróquias do Arciprestado de Trancoso.
Este evento realiza-se no dia 25 de Agosto, Sábado, pelas 16H00, na Igreja Paroquial da Bismula, com uma Eucaristia presidida por D. Manuel Felício, Bispo da Diocese da Guarda.
No final da Eucaristia será servido um lanche-convívio, nas instalações da Junta de Freguesia.
A presença nesta cerimónia religiosa que se pretende simples, é uma prova de amizade, de reconhecimento e agradecimento, por uma longa e profícua missão sacerdotal, que começou por coadjutor na Sé da Guarda, pelas Paróquias de Carnicães, Vilares, Freches, Vila Franca das Naves, Vale Mouro, Frechão, Feital, Garcia Joanes e Póvoa do Concelho, Tamanhos, do Arciprestado de Trancoso, das Paróquias de Aldeia de Joanes e Aldeia Nova do Cabo do concelho do Fundão, Professor de Religião e Moral no Fundão, em Trancoso e Celorico da Beira, Vila Franca das Naves; de Assistente Religioso do Agrupamento 120 dos Escuteiros do Fundão e um dos primeiros impulsionadores dos Convívios Fraternos no Fundão.
Por motivos de doença, fez um “ estágio obrigatório,” no Sanatório da Guarda, de assistente religioso junto dos seus companheiros doentes durante vinte e dois meses. Só o doente compreende melhor o outro doente, que partilham dores, tristezas, ansiedades e preocupações. Dizia-me há dias que foi o local que contribui muito para a sua realização como padre, companheiro do homem.
Procurou dentro das condições humanas que cada um de nós transporta, ser sinal de Deus no meio dos homens, ser profeta de uma Igreja que é comunidade, anunciou a Boa Nova a todos os cristãos a si confiados.
Qualquer informação e esclarecimento contate a Comissão Organizadora de Ação de Graças:
Padre Hélder Lopes – Telemóvel 966549561
José Augusto Vaz – Telemóvel 927964754
António Salgueira – Telemóvel 271607233
Rita Martins Pinheiro – Telemóvel 919233491/275772627
Emília Bordalo – Telemóvel 961868020
António Alves Fernandes – Telemóvel 962820107/275752726

Deu-se conhecimento do programa e contatos para que com toda a dignidade e fraternidade, agradecemos a Deus os cinquenta anos de sacerdócio do Padre Manuel Joaquim Martins.
António Alves Fernandes – Aldeia de Joanes

O Padre António Manuel Moiteiro Ramos, natural da freguesia de Aldeia de João Pires, no concelho de Penamacor, e actual pároco da Sé e de São Vicente, na cidade da Guarda, foi nomeado Bispo Auxiliar de Braga pelo Papa Bento XVI nomeou como bispo auxiliar da Arquidiocese de Braga o padre António Manuel Moiteiro Ramos, pároco da Sé e de São Vicente, na cidade da Guarda.

Bispo António Manuel Moiteiro Ramos - Aldeia João Pires - Penamacor - Bispo Auxiliar BragaEstá marcada para o dia 12 de Agosto, na Sé da Guarda, a ordenação Episcopal de D. António Manuel Moiteiro Ramos, com o título de Cabarsussi. Será ordenado pelo Cardeal D. José Saraiva Martins, sendo consagrantes o Bispo da Guarda, D. Manuel da Rocha Felício e o Arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga.
O Padre António Manuel Moiteiro Ramos nasceu a 17 de Maio de 1956, na freguesia de Aldeia de João Pires, concelho de Penamacor e distrito de Castelo Branco, na diocese da Guarda.
Frequentou os Seminários Diocesanos do Fundão e da Guarda, sendo ordenado sacerdote a 8 de Abril de 1982 e nomeado Vigário Paroquial das paróquias de São Vicente e de São Miguel da Guarda. Em 1987 foi nomeado pároco, como membro de uma equipa sacerdotal, das paróquias de São Miguel da Guarda, Alvendre, Avelãs de Ambom, Rocamondo e Vila Franca do Deão e, em 1996, assume o cargo de Director Espiritual do Seminário Maior da Guarda, acumulando, ao mesmo tempo, com a assistência pastoral às paróquias de João Antão, Santa Ana d’Azinha e Panoias. Em 2006, e também como membro de uma equipa sacerdotal, foi nomeado pároco da Sé e de São Vicente, na cidade da Guarda.
Para além da paroquialidade exerceu, ao longo destes 30 anos de sacerdote, outros serviços na diocese da Guarda, tais como o de Responsável pelos Departamentos de Catequese da Infância e Adolescência e do Ensino da Igreja nas Escolas e, actualmente, o de Director do Secretariado Diocesano da Educação Cristã, Coordenador da Pastoral, Assistente Diocesano das Conferências Vicentinas, Membro do Conselho Presbiteral, do Conselho Episcopal e do de Pastoral.
Em 3 de Setembro de 2005 foi nomeado Assistente Geral da Liga dos Servos de Jesus, uma Associação Pública de Fiéis, fundada, em 1924, pelo bispo auxiliar da diocese da Guarda, o Servo de Deus D. João de Oliveira Matos, tendo, no momento actual, 23 comunidades em Portugal e uma em Angola e, em 2006, Vice-Postulador do Processo de Beatificação e Canonização do Servo de Deus.
Entre 1984-1986 fez a licenciatura em Teologia, com especialidade em catequética, no Instituto Superior de Teologia San Dâmaso, em Madrid, filiado na Universidade Pontifícia de Salamanca e, nos anos 1994-1996, frequentou as aulas no Instituto Superior de Pastoral, em Madrid, concluindo o doutoramento em Teologia Pastoral, em 1997, com a tese «Os catecismos portugueses da infância e adolescência de 1953-1993». Desde 1987 foi professor de catequética no Seminário Maior da Guarda e, actualmente, é professor de teologia pastoral no Instituto Superior de Teologia Beiras e Douro, com sede em Viseu.
De entre as várias publicações do autor destacamos as que se dedicam à catequese e à formação de catequistas:
1991 – Membro da equipa que elaborou os catecismos do Programa Nacional de Catequese Jesus gosta de Mim (1º ano) e Estou com Jesus (2º ano).
1998 – Guia de leitura do Directório Geral de Catequese.
1998 – Os catecismos portugueses da infância e adolescência de 1953-1993.
2003 – A catequese na diocese da Guarda.
2006 – Procuramos o rosto de Deus e Celebramos o encontro com Cristo.
Pe. Hélder Lopes

O Senhor Bispo da Guarda, D. Manuel Felício, cumpriu a promessa de visitar a Serra das Mesas. Aconteceu ontem, dia 04 de Junho de 2012.

José Manuel Campos - Presidente Junta Freguesia Fóios - Capeia ArraianaO Reverendo Bispo chegou ao Centro Cívico de Foios por volta das 10,30 horas onde era aguardado por um significativo número de fojeiros e fojeiras.
Depois de ter cumprimentado todas as pessoas usou da palavra para nos dar conta da enorme satisfação de estar mais uma vez em Foios.
Por volta das 11 horas todas as pessoas acompanharam o Sr. Bispo até ao planalto do Lameirão onde foi visitado o local onde vai ser construída a capela em homenagem às muitas pessoas que muito sofreram para ganhar a vida quer no contrabando quer a pastorearem os muitos e enormes rebanhos de cabras.
O Sr. Bispo gostou e aprovou o local onde vai ser construída a capela mas aquilo que Ele mais ambicionava era, na verdade, a subida ao ponto mais alto da Serra das Mesas onde vai ser implantada a mesa dos quatro bispos.
No percurso que tivemos que fazer, cerca de um quilómetro e meio, o D. Manuel Felício, em passo bastante acelarado. colocou-se à frente do grupo tendo deixado para trás a maioria das pessoas.
Já no local da Mesa, 1.256 metros de altitude, o Sr Bispo teve oportunidade de contemplar um horizonte como certamente poucas vezes lhe havia acontecido.
Lá no alto a Guarda, mais além a Serra da Estrela e a Covilhã, lá mais longe a Marofa, depois Monsanto, Vilar Formoso, Peña de Francia etc, etc.
Valeu mesmo a pena afirmava o Reverendo Bispo.
De seguida visitou-se a casa dos contrabandistas e por fim a nascente do Côa onde o Sr. Bispo já havia estado uma vez. Mas ontem foi muito diferente visto que o campo está florido, com particular destaque para as encantadoras mais amarelas.
Ficou combinado que a inauguração da capela e da Mesa dos Quatro Bispos acontecerá no último fim de semana do próximo mês de Maio de 2013.
Prometemos tudo fazer para poder satisfazer este grande sonho.
Por volta das 13 horas o grupo estava, de novo, na praça de Foios para, de seguida, viajar até ao viveiro das trutas onde o Antoine, patrão desse extraordinário complexo, recebeu e brindou o Sr. Bispo com uma visita guiada.
Quando subimos até ao restaurante já se encontrava presente o Senhor Presidente da Câmara que nos deu também a honra da sua presença no almoço convívio visto que da parte da manhã não nos pôde acompanhar por motivos de agenda.
O Povo dos Foios agradece, mais uma vez, a honra que Sua Excelência Reverendíssima nos concedeu com a Sua presença mas agradece, sobretudo, as palavras de incentivo e de encorajamento que nos deu em relação aos trabalhos que temos pela frente. Vamos tentar corresponder. O carreto já está pensado.
OBRIGADO, SENHOR BISPO, D.MANUEL.
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos

(Presidente da Junta de Freguesia de Foios)
jmncampos@gmail.com

Jesus Cristo, ao denominar-se «EU SOU O BOM PASTOR», encontrou umas das melhores definições para os seus conterrâneos, que conheciam bem os ambientes rurais e pastoris.

Quem já visitou as Catacumbas de Roma, lá encontra um ícone do Bom Pastor. Esta imagem transfere-nos para a missão sacerdotal.
O Papa Bento XVI insiste no celibato e recusa a ordenação de mulheres. Entendo que terão de se dar passos para inverter esta situação, porque até ao Concílio de Trento os Padres eram casados. São Pedro, um dos primeiros Apóstolos e o primeiro Papa, tinha família, era casado. Um dos milagres que Jesus Cristo realizou foi a cura da sua sogra. Quanto à ordenação de mulheres, parecem verificar-se razões impeditivas teológicas, mas numa sociedade moderna, em que a mulher desempenha todas as profissões (a minha mulher foi durante muitos anos diretora de um Estabelecimento Prisional), tem que se acabar com esta discriminação. Conheço mulheres a desempenhar funções de chefia e direção muito mais competentes que muitos homens. Acredito plenamente que a MULHER ainda terá o seu lugar no presbitério da Igreja, próprio, equilibrado, sensato, persistente, com a missão do grande amor de MÃE.
A Igreja Católica Portuguesa tem três mil e trezentos padres nos diversos serviços paroquiais e outros. No ano passado morreram cento e doze padres e só foram ordenados trinta e um, portanto um quarto dos que faleceram. Um terço tem mais de setenta anos e a idade média dos padres portugueses é de sessenta anos. Um presbitério envelhecido e gasto.
O Papa manda algumas farpas dizendo que não anunciamos teorias, nem opiniões privadas, mas a Fé da Igreja da qual somos servidores. E se não chegarem ou acabarem os servidores?
Alguns bispos dão alguns recados, assim o Cardeal Patriarca afirma que há a tentação de apresentar perspectivas e visões pessoais em vez de proclamar a Fé da Igreja.
O Bispo de Braga aponta as sete maravilhas da Igreja: a fé, a pobreza, o celibato, a alegria, a oração, a obediência e a unidade. Será que é isto que vemos no nosso presbiterado?
O Bispo de Leiria e Fátima diz que o sacerdócio é um sacramento social e apela a todos os sacerdotes para abandonarem as sacristias e irem ao encontro do mundo, optando por uma Nova Evangelização, que contrarie o eclipse de Deus e que atinja a sociedade. Concordo plenamente com esta mensagem. Quem dará passos em frente?
D. Clemente, Bispo do Porto, lembra que os pobres esperam respostas da Igreja e faz duras críticas à legislação, principalmente no sector da família e da procriação. Nos últimos anos com a lei do aborto foram feitos sessenta mil em Portuga, não se sabendo dos clandestinos.
O Bispo da Guarda, apelou aos sacerdotes para ajudarem os outros a escutarem o apelo de Jesus às vocações sacerdotais, o grande sofrimento da Igreja de hoje. Pediu-lhes para serem homens de acolhimento, o rosto acolhedor de Jesus Cristo, voltado para todas as pessoas sem exceção, o nosso ministério tem de promover a proximidade. Será que todos ouviram esta mensagem?
Na Páscoa, o Domingo do Bom Pastor, Pedem-nos para rezarmos a Deus, para que esse Dia Mundial das Vocações dê à Sua Igreja muitas e santas vocações sacerdotais e religiosas. A este propósito lembrei-me de uma situação de queixumes e lamúrias da parte de voluntários e voluntárias da pastoral prisional. Num encontro em Fátima lamentavam a falta de assistentes religiosos. O responsável Padre Dâmaso Lamber inquiriu todos os presentes e ninguém mandou o seu ou os seus filhos para o Seminário… e não estavam interessados para os mandarem frequentar no futuro.
Sei que no Distrito de Castelo Branco temos um Diácono, a desempenhar e bem essas funções, no sistema prisional.
Com os Seminários vazios ou quase vazios, há que encontrar alternativas. Já Camões avisava que todo o mundo é feito de mudança e mudam-se os tempos, mudam-se as vontades.
Os Bispos reuniram-se no Concílio de Trento e entenderam que deviam ter padres mais cultos e então criaram os Seminários para a sua formação. Sei por experiência própria a ação importante que tiveram na sociedade portuguesa. E hoje? Ainda se justificam? Porque é que os leigos não desempenham tantas missões no ministério da Igreja? Não seria importante concretizarem-se esforços para dar continuidade ao Concílio Vaticano II, que este ano comemoramos o seu cinquentenário?
Este tema dava para escrever um livro. Este texto é uma simples reflexão sobre o significado de um Bom Pastor. No meu modesto entender deve ser UM COMPANHEIRO DOS HOMENS NA FÉ.
António Alves Fernandes – Aldeia de Joanes

«Um Santo é alguém que apesar dos limites e defeitos, vive plenamente a Vida de Deus»; Comissão da Causa da Canonização.

Há muito que andava com o desejo de fazer um texto sobre o Santo Padre Cruz – Padre Francisco Rodrigues da Cruz, que nasceu em 29/7/1859, na Vila de Alcochete, no Distrito de Setúbal. Esta vontade está alicerçada nas muitas conversas que os meus saudosos Pais Bismulenses – José Maria Fernandes Monteiro e Maria da Piedade Alves Lavajo – entabulavam sobre a vida deste Homem e Padre, que conheceram nas décadas de sessenta do século passado, e a quem se confessaram, tendo por ele uma devoção muito especial. A minha Mãe tinha na sua mesinha de cabeceira uma pequena imagem do Santo Padre Cruz, pedindo-lhe a sua protecção, inclusive para o seu Clube, o Clube da nossa família – O Vitória de Setúbal. Infelizmente, nem sempre o Padre Cruz ouviu as suas orações, mas a minha Mãe explicava-me que a culpa era dos jogadores, que em frente ao guarda-redes e sozinhos falhavam os golos escandalosamente. E tinha muita razão…
Fez os estudos secundários em Lisboa e o Curso de Teologia na Universidade de Coimbra. Aos vinte e três anos foi ordenado sacerdote. Torna-se director do Colégio dos Órfãos de Braga, Director Espiritual de S. Vicente de Fora e Professor de Filosofia no Seminário de Santarém, que por motivos de saúde teve de abandonar.
Em Dezembro de 1940 entrou na Companhia de Jesus e em 1942 visitou a Madeira e os Açores.
Um dia fui cortar o cabelo no Fundão, dando conhecimento ao barbeiro da minha intenção de escrever sobre o Padre Cruz. Este olhou para mim, fixou-me e disse-me: «eu ajudei muitas vezes na missa em Alpedrinha o Santo Padre Cruz, que visitava regularmente a nossa histórica Vila». Joaquim Mendes Caldeira, Barbeiro há mais de cinquenta anos, na Praça do Município do Fundão e o seu conterrâneo Doutor António Ribeiro, ex-Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Alpedrinha, foram acólitos e seus acompanhantes.
Devo a estes dois senhores as pistas que me deram para basear todo este texto, pois viveram de perto todas estas vicissitudes, o que lhes confere uma importante credibilidade. Seria bom o poder local dar maior visibilidade a estes factos, com uma maior investigação, e gravar o seu nome na toponímia de Alpedrinha, ou outro gesto que perpetue a sua memória.
O Padre Cruz tinha em Alpedrinha um grande amigo, Alexandre Inácio, notário em Benavente.
Chegava a Alpedrinha através da via ferroviária e subia a pé com o breviário, o terço, uma malinha, vestido com a sotaina e o seu chapéu, numa modéstia total.
Celebrava a Eucaristia na Igreja Matriz, no altar lateral de Nossa Senhora de Fátima, sempre com a presença da população de Alpedrinha. Muitas vezes visitava os doentes do Hospital da Misericórdia de Alpedrinha sob a orientação das Irmãs Hospitaleiras Franciscanas, hoje o Lar da Terceira Idade.
Estes dois acólitos muitas vezes o acompanharam à Estação de Caminho de Ferro de Alpedrinha. Numa das vindas, o Santo Padre Cruz demorou mais tempo que o previsto com os «seus doentes», como ele costumava dizer e o horário do comboio já lá ia. Todos estavam preocupados, mas o Padre cruz sossegou-os: «o comboio não sai da estação de Alpedrinha sem eu chegar». Conseguiu-se que o único automóvel de Alpedrinha fosse colocado à sua disposição e lá partiram. A verdade é que o comboio lá estava parado, sem se saber as razões deste facto, com grande descontentamento geral e sem explicação, e só começou a sua marcha a caminho de Lisboa, quando o Padre Cruz subiu para uma carruagem, sendo saudado por todos os passageiros que o reconheceram e admiraram a sua santidade. Todos diziam que tinha sido um milagre.
Todos nós sabemos que este sacerdote se dedicou totalmente a visitar doentes, reclusos, pessoas marginalizadas e carenciadas. Hoje fala-se muito na caridade e talvez se pratique pouco. Este simples, humilde e pobre Padre, é uma referência moral e cristã, sobretudo para todos aqueles que têm responsabilidades litúrgicas e não só… Este grande discípulo do Santo Cura de Ars, conduziu a sua missão ímpar, ultrapassando todas as fronteiras e colocando o homem no centro do mundo.
Infelizmente muitas vezes me desloco ao Cemitério de Benfica em Lisboa para me despedir de familiares e amigos. Nunca deixo de rezar junto ao seu mausoléu, onde há sempre pessoas a perpetuar a sua memória. É possível que qualquer dia o festejemos nos altares, porque a vida das pessoas já o santificou.
António Alves Fernandes – Aldeia de Joanes

A 18 de Abril celebra-se o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios sob o lema «Do património mundial ao património local, proteger e gerir a mudança». Nas iniciativas a nível nacional do IGESPAR destaque para a visita ao estaleiro e às pinturas murais de Carvalhal do Côa, na freguesia de Badamalos, concelho do Sabugal.

IGESPAR - Carvalhal do Côa - Badamalos - Sabugal

O IGESPAR-Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico, promove anualmente esta iniciativa, tendo por base a proposta do ICOMOS Internacional, apresentando em 2012 uma programação diversificada de actividades organizadas por entidades públicas e privadas.
Esta comemoração tem como objectivo sensibilizar o público para a diversidade e vulnerabilidade do património, bem como para o esforço envolvido na sua proteção e salvaguarda.
O tema escolhido para este ano – Do Património Mundial ao Património Local, proteger e gerir a mudança – assinala uma relevante efeméride, o 40º aniversário da Convenção para a Proteção do Património Mundial, Cultural e Natural da UNESCO, no quadro da qual foi estabelecida a conhecida «Lista do Património Mundial». As reflexões e discussões levadas a cabo sobre esta matéria , a nível internacional, vêm-se refletindo na evolução de conceitos e metodologias que revertem para as distintas realidades nacionais e para as práticas concretas e mais locais da conservação.
No concelho do Sabugal o Programa Atelier Samthiago organiza uma visita ao estaleiro e às pinturas murais de Carvalhal do Côa, na freguesia de Badamalos. A orientação da visita está a cargo do pároco da freguesia, Padre Hélder Lopes, e de António Oliveira, coordenador da empresa de conservação e restauro.
O programa é o seguinte:
15:00 – Recepção dos participantes e distribuição da documentação.
15:30 – Visita ao estaleiro e trabalhos de conservação e restauro da Igreja Matriz de Badamalos.
16:30 – Saída para a Capela de São Marcos do Carvalhal, para observação das pinturas murais recentemente descobertas.
17:30 – Encerramento.
A organização da visita pertence ao Atelier Samthiago® – Conservação e Restauro e à Fábrica da Igreja Paroquial da Freguesia de Badamalos
As inscrições gratuitas, obrigatórias, são limitadas e devem ser feitas para o email geral@samthiago.com ou pelo telefone 258 825 385.
O Dia Internacional dos Monumentos e Sítios foi criado a 18 de Abril de 1982 pelo ICOMOS (Conselho Internacional dos Monumentos e Sítios) e aprovado pela UNESCO.
jcl (com Atelier Samthiago e IGESPAR)

O Padre Manuel Joaquim Martins nasceu nos primórdios da Primavera de 1939, na Freguesia da Bismula. Os seus Pais viviam junto à Igreja Matriz, que mais tarde foi destruída, reconstruindo a actual, sem qualquer espólio patrimonial e religiosos da anterior, a não ser o aproveitamento das suas pedras.

Seu Pai, Manuel Martins Salgueira, participou no Contingente Militar Português na I Grande Guerra de 1914 em Flandres – França. Ali sofreu as agruras de uma guerra injusta e desumana, regressando são e salvo à sua Bismula, onde casa com Rita Martins. Desta união conjugal nascem duas raparigas e cinco rapazes. O trabalho agrícola era árduo, sem horários, sem férias, sem subsídios, e assim sobreviviam, como a maioria dos habitantes bismulenses.
O seu filho Manuel Joaquim Martins, feito o exame da 4ª Classe no Sabugal, como ordenavam as normas escolares, vai trabalhar nas fainas agrícolas. Os Pais por motivos económicos não o deixaram ir para o Seminário. Porém, com o apoio dos seus conterrâneos, Padre Carlos Leal Moita, do Padre José Eduardo Videira e da sua Tia Célia Martins, Religiosa das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus, os Pais autorizam-no a ir fazer as provas de admissão ao Seminário do Fundão, onde está seis anos. Ingressa de seguida no Seminário Maior da Guarda, onde durante quatro anos frequenta o Curso de Filosofia e Teologia chegando ao Presbitério.
A Ordenação Sacerdotal decorre no dia 19 de Agosto de 1962, na Histórica Vila de Trancoso. Segue-se a celebração da Missa Nova, em 26 daquele mês, na sua Terra Natal – a Bismula, que contou com a anuência e adesão de todo o povo bismulense. Foi seu padrinho o bismulense, Dr. Manuel Leal Freire e Esposa.
Inicia a sua caminhada de Pároco, como Coadjutor da Sé da Guarda, auxiliando o Padre Isidro. Seguem-se as Paróquias de Vilares e Carnicães do Arciprestado de Trancoso. Tive a oportunidade de num Verão o visitar e conviver, acompanhando-o numa velha mota, que passava por caminhos quase intransponíveis, em missão apostólica. Era um padre simples, humilde, muito próximo do povo, preocupado e atento às pessoas e dinâmico com a juventude. Tinha tido um grande mestre, o Padre Ezequiel Augusto Marcos, Pároco na Bismula, que lhe legou importantes ensinamentos e os colocou ao serviço do seu trabalho sacerdotal.
Uma terrível doença atirou-o para o Sanatório Sousa Martins na Cidade da Guarda, Unidade Hospitalar inaugurada com pompa e circunstância pelo Rei D. Carlos I e a Rainha D. Amélia, onde permaneceu vinte meses. Apesar de doente, aproveitou este facto para fazer apostolado junto dos outros doentes. Só um doente sabe e compreende melhor a dor e o sofrimento do seu próximo. Assim, junto dos seus companheiros doentes presta-lhes assistência espiritual e humana, ajuda-os a ter esperança, estimula-os, anima-os, mentaliza-os para terem fé, a acreditar na Primavera da Vida, em dias de sol e de felicidade. Todos o escutam, todos verificam que é um Padre com uma mensagem evangélica. A receptividade a estas verdades ajudam aqueles doentes a vencer obstáculos, os malefícios físicos, psíquicos e outros de uma malvada doença: a tuberculose.
Recuperado totalmente, são-lhe atribuídas as Paróquias de Aldeia de Joanes e Aldeia Nova do Cabo, do Arciprestado do Fundão. Não dispõe de Casa Paroquial, mas graças ao seu dinamismo e com o apoio dos seus paroquianos é-lhe construída uma habitação com toda a dignidade, junto à Igreja Matriz de Aldeia de Joanes. Também é da sua iniciativa, com o apoio da Paróquia de Aldeia de Joanes, que numa Missa Campal e Primeira Comunhão de Crianças, naquela Zona Rural, preparadas pela Catequista Maria Manuela Marques Bernardo, se decidiu fazer-se ali uma Capela. João Franco Diamantino e Teresa Brito Nogueira ofertaram o terreno e uma Comissão começou a recolher donativos para a construção nas Quintas de S. José, da actual Capela com o mesmo nome, onde celebrava a Eucaristia e se ensinava a Catequese. Fez obras de restauro na Igreja Matriz de Aldeia de Joanes, sem ajudas oficiais.
Converso com muitas pessoas que eram jovens, quando o Padre Manuel Joaquim Martins foi Pároco nestas Paróquias, durante dezasseis anos. Falo com muitas pessoas que com ele trabalharam durante os dez anos de Assistente do Agrupamento 120 do Corpo Nacional de Escuteiros do Fundão. Tenho trocado impressões com ex-colegas professores e ex-alunos e alunas da Escola Secundária do Fundão. Dizem-me que estava sempre próximo de todos, a sua casa sempre aberta para receber, para dar conselhos, dar uma palavra amiga, resolver os problemas das Paróquias, e não esquecia os jovens paroquianos em serviço militar, com quem trocava correspondência, e, chegados do Ultramar, visitava-os e contava com eles na sua missão evangélica.
No acompanhamento com os jovens apontava-lhes os valores do Evangelho, e, com eles celebrava todos os Sábados, na Igreja Matriz do Fundão, uma Eucaristia muito participativa com centenas de rapazes e raparigas. Em Aldeia Nova do Cabo celebrou uma Eucaristia com instrumentos musicais com os jovens que foi pioneira na Diocese da Guarda.
Do Fundão parte para a Zona Pastoral de Trancoso e um novo desafio lhe é colocado com a atribuição de outras Paróquias tendo Freches no centro da sua actividade Prebisteral. Dá aulas em Trancoso, Celorico da Beira e em Vila Franca das Naves. Actualmente é Pároco de Vila Franca das Naves, Póvoa do Concelho, V. Mouro e Feital.
O Padre Manuel Joaquim Martins foi um agente cultural, social e religioso, porque teve responsabilidades públicas e esteve sempre mais interessado, em alguma coisa, do que em ele próprio.
Com quarenta e nove anos de serviços às comunidades cristãs, este Bismulense, tem honrado a sua Terra Natal – a Bismula – e a Igreja de que é um simples servidor. Trabalhou sempre nos projectos que Jesus Cristo indicou nos seus Evangelhos.
António Alves Fernandes – Aldeia de Joanes

Os habitantes de Ruivós recriaram a Paixão e Morte de Jesus, na Sexta-feira Santa, pelas ruas da paróquia. Às nove e meia da noite reuniram-se, junto ao Cemitério de Ruivós, largas dezenas de pessoas para assistir à recriação do momento mais significativo da fé dos cristãos.

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O cenário era verdadeiramente bucólico. A noite tornou-se amena, deixando brilhar a lua cheia. Nas ruas havia apenas luz de candeias, tochas e fogueiras. Os personagens estavam vestidos a rigor, com roupas da época. Dos 5 aos 80 anos, todos os actores deram um fulgor especial à vivência das últimas horas da vida terrena de Jesus.
No papel de Jesus Cristo esteve João Reis, do Grupo de Teatro «Guardiões da Lua», que arrancou os mais sinceros elogios por parte dos espectadores. Os restantes 81 personagens eram maioritariamente habitantes de Ruivós, contando-se também alguns paroquianos de Ruvina, Vale das Éguas e Badamalos.
O texto da peça de teatro, com 5 actos e 10 cenas, foi uma adaptação da paixão de São João, com algumas aportações de outros evangelistas.
O primeiro acto começou no Largo do Cemitério, com Jesus a enviar dois dos seus discípulos a preparar a Ceia Pascal. Já dentro da Capela de São Paulo, os presentes assistiram a duas ceias pascais: a primeira de uma família moderna, a segunda a evocar a última Ceia de Jesus.
No segundo acto, no Horto das Oliveiras, assistiu-se à oração de Jesus e à sua prisão, levada a cabo pelos príncipes dos Sacerdotes, pelos anciãos do Templo e pelos soldados judaicos e romanos.
O terceiro acto teve lugar no Largo da Fonte, junto das casas de Anás e Caifás, onde Pedro negou conhecer o seu mestre.
Já no Largo da Igreja estava instalado o Sinédrio e a Casa de Pilatos. O quarto acto foi muito participativo, tendo a multidão acusado veementemente Jesus e pedido a Pilatos a sua morte.
A caminho do Calvário, apareceu Verónica, Simão de Cirene, Maria de Nazaré e as mulheres de Jerusalém.
No quinto acto atingiu-se o clímax da peça. Jesus foi despido das suas vestes e cruxificado. Já na cruz, ouviram-se as célebres últimas “sete palavras” de Jesus antes de morrer. No momento em que Jesus morreu brilhou no céu um relâmpago e ouviu-se um forte trovão.
Todo o percurso foi feito em silêncio religioso. No final o sentimento comum era de emoção e preenchimento espiritual.
O pároco, responsável pela encenação, fez um agradecimento a todos os que colaboraram e contribuíram para que esta actividade fosse possível, agradeceu a presença de tão numerosa assembleia e desejou a todos uma boa Páscoa.
Organizaram esta peça de teatro a paróquia e a junta de freguesia de Ruivós. Apoiaram esta actividade as «Confecções Torre», a Câmara Municipal do Sabugal, a Sabugal+ E.M. e a paróquia de Aldeia da Ponte. Colaboraram na organização uma dezena de costureiras e mais de uma dezena de pessoas na montagem e apoio técnico.
Padre Hélder Lopes

Excelente iniciativa e excelente direcção de «actores». Os nossos parabéns ao Padre Hélder pelo dinamismo que tem colocado na sua pastoral.
jcl

O dia de Páscoa foi um autêntico dia de festa em Foios, concelho do Sabugal. Tal como em todas as outras localidades a época da Páscoa é tempo de verdadeira alegria.

A Primavera brindou-nos com alguns dias bonitos como foi o caso do dia de Páscoa.
Mas, nesse dia, em Foios, o sol brilhou ainda mais porque recebemos a visita do Reverendíssimo Bispo da Guarda, D. Manuel Felício.
Tal como estava previsto o Sr. Bispo chegou ao adro da igreja de Foios às 10 horas e quarenta e cinco minutos.
Ao sair da viatura, que ele próprio conduzia, foi recebido e cumprimentado pelo Sr. Padre Carlos Martins e pelos membros da Junta de Freguesia. Deram-se alguns passos em frente até chegar ao adro da Igreja onde um grande número de pessoas aguardava o Sr. Bispo que receberam com uma enorme salva de palmas.
O Presidente da Junta deu as boas vindas e agradeceu à população por ter comparecido em grande número. Por sua vez Sua Reverência, D. Manuel Felício, agradeceu a todos os presentes e entrou, de imediato, na Igreja para dar início às cerimónias religiosas que começaram com a procissão pelas ruas da localidade. De seguida celebrou-se a Missa que se tornou mais bonita com o coro dos Foios no qual se destacam o organista, Moisés Martins e o tenor Ismael Pacheco Henriques.
Estas cerimónias terminaram por volta das 12.15 horas tendo o Sr. Bispo partido, de imediato, para Vale de Espinho onde também procedeu a idênticas cerimónias.
Resta-nos agradecer a Sua Ex.ª Reverendíssima o facto de nos ter dado a honra da Sua presença.
M. N.

«Testemunhar a alegria e a esperança do Ressuscitado», é a epígrafe da mensagem de Páscoa de D. Manuel Felício, bispo da Guarda, que vai estar nos Fóios, concelho do Sabugal, no domingo de Páscoa, dia 8 de Abril. Transcrevemos, na íntegra, a mensagem que o prelado entretanto divulgou através da agência Ecclesia.

«Vamos viver a Páscoa, neste Tríduo Pascal, deixando-nos preencher pela novidade de Cristo, que aceitou passar pelo sofrimento e pela morte para ressuscitar e ser fonte de alegria e de esperança para o mundo inteiro.
Principalmente na Noite Pascal, testemunhamos a renovação que em nós opera o próprio Cristo, de modo particular quando formos chamados a renovar as promessas do nosso Batismo.
No Domingo de Páscoa e em toda a Oitava Pascal queremos deixar que a alegria do Ressuscitado seja intensamente vivida em nós e nas nossas comunidades, com as expressões habituais e, se possível, reforçadas pela especial atenção ao mundo que nos rodeia.
Os mesmos sentimentos desejamos manter em toda a Cinquentena Pascal, até ao Pentecostes, tempo que Deus nos dá para vivermos a alegria de Cristo Ressuscitado e aprofundarmos a renovação das nossas comunidades, sempre na fidelidade aos Evangelho interpretado pela voz autorizada da Igreja e também às novas exigências do mundo em que vivemos.
Estamos a preparar a celebração de um Ano da Fé convocado pelo Papa Bento XVI e também a celebração de um Sínodo sobre a Nova Evangelização para a transmissão da Fé. Que esta Páscoa e o Tempo Pascal nos ajudem a progredir na nossa renovação e das nossas comunidades para sabermos encontrar os melhores meios de transmitir a Fé às novas gerações e a anunciar, em linguagem renovada, ao mundo moderno.
D. Manuel R. Felício, bispo da Guarda»

Vivemos o Tempo Quaresmal. O espaço de preparação para a Grande, a Maior Festa da Igreja – A Ressurreição de Jesus Cristo. S. Paulo, numa das suas Cartas, avisa-nos que «se Cristo não ressuscitou é vã a nossa pregação e vã a nossa fé…».

Regresso às minhas memórias e recordo as manifestações e vivências desses Tempos Quaresmais e Pascais. Viviam-se, com total participação, as Procissões dos Passos, os Jejuns e Abstinências, as Músicas e os Cânticos Quaresmais. Havia também um respeito pelo silêncio, retirando-se o barulho aos sinos e saíam para a rua as matracas. Sentia-se e respirava-se a religiosidade.
Com a dinâmica, liderança, força, fé e sentido de missão do Pároco da minha aldeia (Bismula), o Padre Ezequiel Augusto Marcos, nunca mais esqueci a Via Crucis, onde toda a comunidade bismulense participou. Foi a melhor lição de Catequese que vivi. A Via Sacra era uma oração diária durante a Quaresma, com a participação ativa do pároco, dos movimentos da catequese, da ação católica, da irmandade e outros.
Hoje, na maioria das Paróquias, esta oração é uma efeméride longínqua e quase desconhecida, embora em todas as nossas igrejas estejam bem expressas as imagens ou retratos do Caminho do Calvário de Jesus Cristo. Sei que o analfabetismo religioso é grande e muitos não sabem o que representam aqueles quadros. Neste deserto de indiferença, salvaguardo o Agrupamento 1335, do CNE, de Aldeia de Joanes, que por iniciativa própria, vai organizar uma oração de Via Sacra, nesta comunidade paroquial, um ato e exceção única, que será na noite de 4 de Abril.
Neste Caminho do Gólgota, muitos fogem ou se escondem, mas também muitos ficam e o seguem, com olhos de fé na construção dos projetos de Deus, no projeto da sua salvação.
Com estes últimos, vou caminhar e partilhar a Via Sacra, parando e refletindo em cada uma das catorze estações.
Na primeira estação – Jesus é condenado à Morte – seria importante que cada um de nós O visse e corrigisse a injustiça do seu Julgamento. Muitos cristãos, ainda hoje, pela sua fé, são condenados à morte.
Na segunda estação – Jesus toma a Cruz aos Ombros – vejo a vida de muitos cristãos, que suportam a cruz do desemprego, da exclusão social, das incompreensões, das perseguições, dos ultrajes, e outras tropelias.
Na terceira estação – Jesus cai pela Primeira Vez – sinto as quedas que todos nós damos e assim verificamos as nossas fragilidades humanas. Quem cai é alguém que desfalece, não deve ficar sozinho.
Na quarta estação – Jesus encontra sua Mãe – lembrei-me da minha lição de Domingo, na Catequese, «Ele é o Senhor da Vida», e da oração de S. Maximiliano Kolbe: «Mãe Santíssima, por vosso amor, eu me ofereço neste duro cárcere de Auschwitz, mesmo que aos outros seja concedido voltarem para casa. Permanecerei esquecido e desposado a sofrer por Vós. Ofereço-me a Vós, Maria, para que encontre a morte neste campo de concentração no meio de homens hostis e indiferentes.»
Na quinta estação – Jesus é ajudado por Simão de Cirene – apercebi-me que é difícil partilhar, dar e disponibilizar as nossas vidas ao serviço dos outros, dos que precisam. Lembro muitos que praticam o voluntariado nos hospitais, nas cadeias ou nos lares, vejo Simões de Cirene, anónimos em muitas instituições, na sociedade.
Na sexta estação – Verónica enxuga o Rosto de Jesus – lembrei-me daqueles que limpam as lágrimas dos doentes de oncologia em estado terminal, que já não dispõem de forças para as limpar… São Rostos de Cristos Vivos.
Na sétima estação – Jesus cai pela segunda vez – muitos ficam indiferentes perante a segunda queda do seu próximo, é sempre um problema dos outros, não lhes diz respeito, alguns ainda se riem…
Na oitava estação – Jesus encontra as Mulheres de Jerusalém – recordei o sonho de Martin Luther King: «Sonho que um dia os homens se vão levantar e compreender que foram feitos para viverem como irmãos. Sonho que a justiça correrá como a água. Os homens irão transformar as espadas em arados e as lanças em foices. As estrelas da manhã cantarão em maravilhosos coros, e os filhos de Deus, gritarão de alegria.»
Na nona estação – Jesus cai pela terceira vez – urge olhar para a fraqueza humana.
Na décima estação – Jesus é despojado das suas Vestes – vemos como O Senhor sofreu todos estes vexames por amor, por nosso amor, para nos fazer santos, para nos redimir.
Na décima primeira estação – Jesus é pregado na Cruz – aprendemos a não alimentar o ódio no nosso coração contra aqueles que nos ofendem, porque todos nós temos defeitos. Aprendamos a força do perdão, que apregoamos e rezamos na oração do Pai Nosso.
Na décima segunda estação – Jesus Morre na Cruz – rasgam-se os véus de uma vida inútil, sem sentido, sem partilha, sem comunhão.
Na décima terceira estação – Jesus é descido da Cruz – pedi as palavras de S. João «se um grão de trigo caído na terra, não morrer, fica sozinho. Mas, se morrer, dá muito fruto.»
Na décima quarta estação – Jesus é colocada no sepulcro – recordei também o Evangelista S. João, quando Jesus diz: «EU SOU A RESSURREIÇÃO E A VIDA; QUEM ACREDITA EM MIM, AINDA QUE VENHA A MORRER, VIVERÁ.»

Desejo a todos os meus leitores uma Páscoa de fé na ressurreição de Jesus Cristo.
António Alves Fernandes – Aldeia de Joanes

D. Manuel Felício, Bispo da Guarda, vai celebrar a missa de domingo de Páscoa nos Fóios, freguesia raiana do concelho do Sabugal.

«Foi com enorme surpresa a rejúbilo que hoje recebi, do Senhor Padre Carlos Martins, a notícia de que Sua Ex.ª Reverendíssima D. Manuel Felício, Bispo da Guarda, virá a Foios celebrar a Missa do próximo domingo, dia de Páscoa», disse José Manuel Campos, o presidente da Junta de Freguesia da aldeia sabugalense, numa nota divulgada nas redes sociais da Internet, dando conta do facto.
O prelado esteve de visita pastoral aos Fóios no ano de 2008, numa jornada em que foi muito bem recebido pela população. Para além dos afazeres religiosos que o levaram à aldeia, D. Manuel Felício teve ocasião para visitar o lar da terceira idade, o Centro Cívico Nascente do Côa e outros equipamentos sociais de que a freguesia dispõe.
A visita agora programada tem um significado especial para aquela paróquia, na medida em que ocorrerá no domingo de Páscoa, sendo vista como um sinal de apoio à população da aldeia raiana, a que não é alheio o esforço continuado do autarca da freguesia no sentido de dar expressão e visibilidade a uma terra que tem mostrado dinamismo e capacidade de afirmação.
plb

Na noite de Sexta-feira Santa, pelas 21h30, mais de 70 personagens bíblicas vão dar corpo à narração da Paixão do Senhor ao vivo, pelas ruas da povoação de Ruivós, no concelho do Sabugal.

Haverá discípulos, soldados romanos, sumo-sacerdotes, chefes judaicos, escribas, doutores da lei, governadores, criminosos, agricultores, criadas, jovens, adultos e idosos. Haverá Cenáculo, oliveiras, fogueiras, galo, Pretório e Calvário. Haverá amor e traição, testemunho e abandono, acusação e negação, insultos e lágrimas, injúrias e ajudas, morte e perdão.
Será, certamente, uma forma diferente de viver a Paixão de Jesus.
O trabalho foi cuidadosamente elaborado. Uma dezena de costureiras fabricou roupas à época, os textos foram decorados e ensaiados, os espaços preparados, para que os espectadores possam recuar 2000 anos, e viver os momentos mais importantes da paixão de Jesus.
Esta actividade religiosa, que é mais que uma simples peça de teatro, conta com a participação especial de João Reis, actor e encenador do grupo de teatro da Quarta-feira – «Guardiões da Lua» – que encarnará a pele de Jesus.
O primeiro acto da paixão começará no largo junto do cemitério de Ruivós. Passará pelas principais ruas e praças da aldeia, terminando no Lagedo – Gólgota – lugar da crucifixão e morte de Jesus.
A entrada é livre.
Pe Hélder Lopes

As pessoas da Rapoula, na sua maioria trajando roupa preta e munidas de candeias de azeite, assistiram na noite de sábado, dia 24 de Março, a um encontro de oito grupos de cantores oriundos de sete paróquias confiadas ao Padre Hélder Lopes.

A iniciativa, inédita no concelho do Sabugal, foi precisamente organizada pelo pároco da Unidade Pastoral do Planalto do Côa, possibilitando assim aos paroquianos a recuperação dos cânticos populares quaresmais.
Os cânticos mais conhecidos são o dos Martírios e o da Encomendação das Almas, os quais fizeram parte do «reportório» dos cantadores, que também interpretaram o canto das estações da Via-Sacra e a ladainha de Nossa Senhora.
Segundo nos informou o padre Hélder, a proposta foi feita aos paroquianos no primeiro domingo da Quaresma. «Desde aí, foram muitas as pessoas, sobretudo mulheres idosas, que colaboraram na recordação das letras antigas e respectivas melodias musicais, e conseguiu-se reunir um acervo literário/musical que será publicado numa brochura com 40 páginas».
O pároco tem dado grande importância a este reviver das tradições populares antigas no que reporta à vida religiosa. Segundo o mesmo esta iniciativa de reviver os cânticos na Rapoula do Côa «motivou muitos paroquianos que desde há várias semanas se têm reunido nestas noites gélidas para cantar estes cânticos tradicionais pelas ruas das diferentes paróquias».
plb

Todos os anos, no primeiro fim-de-semana de Outubro vou em excursão, com as gentes de Aldeia de Joanes a Fátima, inserido na Grande Peregrinação Franciscana, que se realiza a nível nacional. É interessante que a veneração a S. Francisco de Assis, tem alguma implementação na zona circundante do Fundão. Imagens, capelas e conventos são sinais dessa presença. Na viagem e na Cova da Iria, cruzamo-nos e encontramos oriundos de Aldeia Nova do Cabo, de Alpedrinha, de Castelo Novo e do Fundão.

É interessante ir em comunidade, compartilhar e partilhar os nossos farnéis, estarmos numa proximidade de uns com os outros.
Dormimos, descansamos na Casa de Nossa Senhora de Fátima, das Servas de Jesus, da Diocese da Guarda. Ali temos a simpatia e simplicidade das Irmãs e todas as condições para partilharmos as nossas refeições.
Chegados no Sábado, deslocámo-nos para a Igreja da Santíssima Trindade, onde em conjunto com milhares de «Irmãos Franciscanos», da Família Franciscana, assistimos à Eucaristia, presidida por um Bispo de Moçambique, em que não faltou a pregação inflamada, interessante, oportuna, mas curta do Padre Vítor Melícias, exaltando a mensagem fraterna de Francisco de Assis e da Obra Franciscana em Portugal e no Mundo.
O Grupo Coral das Irmãs Franciscanas com a sua música litúrgica e vozes apuradas, convidam-nos para um ambiente de espiritualidade e de fraternidade.
Á noite, com tempo de verão, milhares de pessoas incorporam-se na Procissão das Velas, com um caudal comovente de luz e de fé.
No Domingo de manhã, percorri as proximidades da Igreja da Santíssima Trindade. Fico sempre encantado com a sua beleza e grandiosidade. Paro junto das diversas portas imponentes e trabalhadas com inscrições evangélicas de salvação. No seu interior, admiro e medito no painel em tons dourados, suavíssimo atrás do altar, obra com simbologia bíblica. Olho para a figura simples, forte, escura e poderosa na sua agonia de um Cristo Crucificado. Junto ao altar a imagem branca de Nossa Senhora, com muita espiritualidade e leveza, fazendo-me lembrar uma jovem camponesa trajada à moda das pastorinhas. No centro do altar, um relicário com um pedacinho de uma pedra do túmulo de S. Pedro de Roma a dar-nos a imagem da universalidade da mensagem de Fátima.
Cá fora, olho para aquela altíssima e estilizada cruz e mais à frente a Estátua de João Paulo II. Aqui fico em silêncio alguns minutos. Não posso ir a Fátima sem fazer uma visita obrigatória a este saudoso Papa. Desta vez toquei-lhe acentuadamente no seu manto pontifício, como que o agarrei e pedi-lhe muito baixinho uma graça muito especial, que só ele ouvisse, porque há sempre muita gente junto dele. Foi-me concedida, bem-haja, João Paulo II.
Ali está, numa escultura notável, repleta de piedade e comovente autenticidade, concebida por um seu conterrâneo, com a anotação das viagens ao Santuário de Fátima.
Terminadas as Cerimónias Dominicais, com o inesquecível adeus à Virgem, regressamos a Aldeia de Joanes, num são e agradável convívio, numa jornada franciscana muito feliz e de espiritualidade.
Regressámos às nossas normalidades da vida, com cadências, ritmos, com altos e baixos, pressas e paragens e esperanças. São estes momentos de espiritualidade que nos devem fazer mais fortes e seguros para resistir às inúmeras dificuldades e austeridades. Porém, devemos estar sempre vigilantes e activos.
Uma palavra de simpatia e agradecimento, para o Senhor Higino Serra Cruz que todos os anos organiza esta Peregrinação da Família Franciscana, e desta vez, me proporcionou escrever estes «OLHARES DE FÁTIMA» e a todos os acompanhantes de Aldeia de Joanes.
António Alves Fernandes – Aldeia de Joanes

Nasce na Primavera de 1923, em Terras Beirãs, na Freguesia de Vila Cova à Coelheira, num ambiente rural, de uma família de agricultores, a dois passos da sede do Concelho – Seia – já com indústrias ligadas à manufactura dos tecidos, da lã, do queijo e do turismo da Serra da Estrela.

Feito o exame da 4ª Classe ingressa no Seminário do Fundão no ano de 1936. Em Agosto de 1946, um ano depois do fim da II Grande Guerra é ordenado sacerdote, vivendo o País uma grave crise económica, como a de hoje, talvez com diferenças, havia a cultura dos valores, da palavra, da ética, da honra e da dignidade.
Inicia a sua missão sacerdotal nas Minas da Panasqueira, em S. Jorge da Beira, onde vive e convive com a problemática social e humana das gentes mineiras, dos seus dramas, das mulheres viúvas, dos filhos órfãos, da exploração desenfreada e da maldita doença da silicose.
Regressa ao Fundão, sendo Pároco nas Donas, onde baptizou um menino, que mais tarde foi Primeiro-Ministro de Portugal, em Valverde, apoia o Seminário Menor do Fundão e os rapazes do Abrigo de S. José.
Em 1959 é convidado para ir trabalhar com os Jovens do Patriarcado de Lisboa, saindo da Diocese da Guarda, como aconteceu a muitos outros dinâmicos sacerdotes.
Em 1968 é nomeado Pároco em Venda do Pinheiro onde tem o seu nome inscrito na toponímia e em Torres Vedras. Sei, conheço uns medíocres e míopes que não vêem com bons olhos estas distinções, mas deve fazer-se justiça a quem a merece, fruto de trabalho, de missão evangelizadora, não se acomodam.
Em 1973 é professor no Montijo, e nomeado Assistente Regional do CNE de Setúbal, conforme ordem de serviço da Junta Central nº323 de Abril, desse ano, mantendo-se até 1994, isto é durante vinte e cinco anos, digo bem, vinte e cinco anos ao serviço dos jovens escuteiros
Durante este percurso e nos anos de 1975 a 1980 é Director do Externato Diocesano Manuel de Mello, no Barreiro, nos anos de 1980 – 1993 Director do Colégio Frei Luís de Sousa de Almada e Director Espiritual do Seminário Diocesano de Setúbal.
Em 1993 é nomeado por essa figura impar do episcopado português – D. Manuel Martins, Vigário Geral da Diocese de Setúbal.
Conheci o Padre Alfredo Brito nos anos oitenta em diversas actividades escutistas da Região de Setúbal, e nos convívios que mantinha com os meus familiares. Marcou-me muito pela proximidade que mantinha com o movimento escutista, não faltando às reuniões e eventos que exigiam a sua presença. Também vi sempre neste sacerdote uma grande liderança e de diálogo construtivo, não se perdendo com banalidades, futilidades, enfrentado com rigor, disciplina, autoridade e aprumo os problemas e tomada de decisões.
Não há jovem escuteiro da Região de Setúbal que não conheça a acção, a missão deste Assistente Regional, do Padre Alfredo Brito.
Em 1986 pelos importantes serviços prestados ao Escutismo, é o primeiro elemento deste movimento da Região de Setúbal, a receber a máxima condecoração daquela instituição, O Colar Nuno Álvares.
Ao Centro de Educação e Ambiente da Arrábida, propriedade da Junta Regional de Setúbal é-lhe atribuído o nome de Padre Alfredo Brito.
O Livro «A História do Escutismo em Setúbal e na Região», de Francisco Alves Monteiro, um escuteiro que fez caminhada com o Padre Alfredo Brito ilustra muito bem através de fotografias e de textos a obra impar, deixada por aquele inesquecível Assistente Regional.
Há oito anos o Divino Chefe chamou-o para o eterno acampamento e regressou á terra que o viu nascer, às suas origens graníticas e serranas. Bem-haja Padre Brito pelo que fez na formação da Juventude. Este texto é para MEMÓRIA FUTURA!
António Alves Fernandes – Aldeia de Joanes

O bispo da diocese da Guarda, D. Manuel Felício, anunciou que os donativos recolhidos durante a Quaresma servirão para a implementação de um fundo diocesano de solidariedade que corresponda aos apelos dos mais desfavorecidos.

Em mensagem pastoral enviada à Agência Ecclesia, D. Manuel Felício avisa que «já há falta de meios para atender às necessidades» e que «a evolução dos acontecimentos faz prever que as dificuldades vão aumentar».
O prelado recorda que uma das «urgências» que a Quaresma apresenta a todos os cristãos «é a de dar a devida atenção» ao próximo, «criando condições para que cada um possa realizar as suas capacidades, no processo de construção da sociedade em que todos têm o direito e o dever de participar».
Um objectivo que, segundo o bispo egitaniense, pode ser concretizado de diversas «formas», como a resposta generosa «ao apelo da renúncia quaresmal», que será destinado à «constituição e fortalecimento» de uma valência económica que é cada vez mais necessária, na região.
«São muitos os casos de pessoas que nos estão a bater à porta, pedindo ajuda material, porque lhes faltam os meios elementares de subsistência», realça D. Manuel Felício, desafiando os cristãos a um contributo material mas também «moral e espiritual».
«Estimular as pessoas a fazerem o bem é cumprir um imperativo evangélico, mas também assumir com determinação uma responsabilidade social», aponta.
Para aquele responsável, a sociedade precisa de pessoas que tenham «a coragem de recusar mentalidades e comportamentos, que, reduzindo a vida humana à sua dimensão material, aceitam qualquer opção moral em nome da liberdade individual».
«A autêntica vida comunitária é feita por pessoas que se estimam mutuamente, mas também se ajudam e cooperam entre si», sustenta.
plb (com Ecclesia)

Aleluia! Aleluia! A nossa Selecção Nacional dos Padres de Futsal é Campeã Europeia. Trouxe para Portugal a Taça dos Campeões Europeus.

A Prova Desportiva realizou-se na Hungria. Participaram doze países europeus. Os finalistas foram Portugal e a Croácia, que vencemos por 5-4, tendo recorrido à marcação de grandes penalidades, visto que o jogo terminou empatado. Consta que não baptizaram os árbitros com aqueles nomes que nós chamamos às vezes (eu em particular), principalmente quando a nossa equipa está a perder.
Os senhores abades portugueses tiveram a ajuda dos deuses, porque foram bafejados por uma pontinha de sorte, mas a sorte protege os audazes. São recebidos em ambiente de apoteose no Aeroporto Sá Carneiro, no Porto. Esta foi a grande notícia que me chegou num jornal diário, em letra minúscula e lá para o seu meio. Na outra comunicação social não vi uma imagem ou alguma notícia escrita.
É interessante saber que estes jovens sacerdotes não têm qualquer apoio. Sem patrocínios, apenas podem contar com a ajuda de Deus e do seu esforço físico e técnico, pois jogam por prazer. Pagam as deslocações do seu bolso, que rondam os quinhentos euros. Têm a oferta dos equipamentos e a cedência gratuita dos pavilhões onde treinam aos domingos de tarde e pouco ou nada mais. Dão um bom exemplo a muitos grupos desportivos, clubes e associações que andam sempre na pedincha de apoios do erário público.
Esta Selecção Nacional dos Clérigos é formada por jogadores do Norte de Portugal. Pertencem às Dioceses do Porto, Viana do Castelo, Braga, Vila Real e Lamego. O representante da Diocese de Lamego deve ter-se treinado antes da posse do actual titular. Pelo que ouvi e li, a oratória daquele Prelado, é pior que os discursos do defunto Almirante Américo Tomás, pior que as intervenções televisivas do Jorge Jesus (embora com resultados práticos) ou do Esteves, que desmoralizariam qualquer cristão, quanto mais um futebolista padre.
Verificámos que os representantes da nossa Selecção são todos do Norte do País. Seria bom espalhar a prole por todo o território nacional cristão, passando pelos Açores e Madeira.
Na Diocese da Guarda temos um Bispo que é um bom atleta, já fez mais do que uma vez a Caminhada a Santiago de Compostela na Galiza. Se mandasse na Federação Portuguesa de Atletismo, já lhe teria atribuído uma medalha, porque a merece inteiramente. Não sei, no entanto se há garra para os futebóis. Quanto à Diocese de Lisboa, deveria sair mais uma norma antitabagismo: vi pessoas tão cansadas, que já não têm forças para saudar um qualquer samaritano que por aquelas bandas apareça, caído na Feira da Ladra.
Quanto à Diocese de Setúbal, saiu de lá o melhor treinador que já conheci, homem corajoso, dinâmico, de vivências sociais e desportivas, capaz de levar muitas equipas a ganhar muitos campeonatos.
Quanto às outras não conheço, tive um breve contacto com o Bispo de Aveiro, de estatura meã, mas com genica para recrutar um ou outro elemento, porque os homens não se medem aos palmos.
É bonito, patriótico e religioso saber que elementos responsáveis na Igreja são Campeões da Europa. Deram uma pedrada no charco da crise e da austeridade e logo com cinco golos marcados nas balizas adversárias.
Despir as batinas, vestir uns calções e calçar umas chuteiras também é evangelizar. Nesta missão e acção, conheci o Padre Ezequiel Augusto Marcos – Vilar Formoso, Padre Manuel Joaquim Martins – Aldeia de Joanes, o saudoso Padre Francisco dos Santos Vaz – Bismula, Padre António Cecílio – Manteigas, Padre João de Deus – Vila Nova de Tazém, e Padre Carlos Manuel Jacob Foitinho – Missionário de S. João Baptista – Gouveia.
Não sei se Sua Santidade, o Papa Bento XVI, lhes irá atribuir uma medalha da Santa Sé ou equacionar a canonização futura da equipa. O saudoso João Paulo II, Papa que amava e praticava o desporto, lembrar-se-ia destes bravos padres portugueses, que ganharam a Taça dos Campeões Europeus em Futsal, ainda por cima em país do Leste Europeu. Não tenho dúvidas.
Para estes senhores priores que, além da sua missão nas comunidades cristãs, ainda têm tempo para o Desporto, DEO GRATIAS, continuação de mais êxitos desportivos, e um TE DEUM de acção de graças.
António Alves Fernandes – Aldeia de Joanes

A festa de São Paulo decorreu em Ruivós entre os dias 24 e 28 de Janeiro. Foram cinco dias de intenso programa festivo entre terça-feira e sábado em pleno mês de Janeiro. Nas contas dos festejos que já foram entregues pelos mordomos Paulo Rebelo (Ruivós), Paulo Lages (Lisboa) e Filipe Esteves (França) e apresentadas ao povo durante a missa de domingo destaque para o resultado positivo de cerca de 2400 euros após o pagamento de todos os encargos. Na lista das despesas destaque para a entrega de 150 euros para o Salão de Festas e de 100 euros para a Associação dos Amigos de Ruivós. Falta apenas dizer que foi batido um novo record de consumo de cerveja Sagres. Nada mais nada menos do que 164 grades de minis em pleno Inverno. É obra! A fotoreportagem é da autoria de Marlene Leitão.

GALERIA DE IMAGENS – FESTA SÃO PAULO – RUIVÓS – 25-1-2012
Fotos Marlene Leitão – Clique nas imagens para ampliar

jcl

A festa de São Paulo comemora-se, todos os anos, no dia 25 de Janeiro. A freguesia de Ruivós teima em manter a tradição da sua veneração em data certa no gelado e frio mês de Janeiro. Chegados de Lisboa, de França ou da Suíça todos se juntam para contar os minutos efémeros da alvorada que repete todos os anos os foguetes de estoiro, resposta ou repetição e tenta manter o ribombar de outros tempos. Mas… até as canas deram lugar a finas ripas de madeira.

Cartaz Festa São Paulo - Ruivós - Sabugal
(clique nas imagem para ampliar)

José Carlos LagesDizem os nossos pais que os antigos já tentaram mudar a data da festa de São Paulo e que nesse ano os marranos da aldeia foram todos vítimas de misteriosa peste que a todos «vindimou». É uma lenda e vale o que vale. Mas por isso, ou também por isso, todos os anos os mordomos recomendam aos que vêm a seguir que melhor seria mudar a data para o Verão, ou pelo menos, para o fim-de-semana a seguir ao dia 25 de Janeiro. E todos dizem que sim, todos dizem «que seria muito melhor». E a proposta vai passando religiosamente de ano para ano. Sem efeitos práticos já se percebeu. Até porque enquanto houver ruivosenses residentes ou na migração deverá haver festividade da conversão de Saulo na Estrada de Damasco. Assim seja!
A festa de São Paulo tem sempre três mordomos. Os deste ano (2012) são o Paulo Rebelo (por Ruivós), o Paulo Lages (por Lisboa) e o Filipe Esteves (pela França e Suíça). A sua função é organizar e contratar a banda, os foguetes, os artistas, etc. e pedir a esmola aos ruivosenses do seu «círculo eleitoral». O mordomo francês «dá a volta» pelos seus conterrâneos no princípio de Novembro e o de Lisboa nos feriados de Dezembro enquanto o de Ruivós é quando lhe der mais jeito. Resta dizer que é com muita satisfação que são recebidos em todas as casas onde levam uma lembrança e aproveitam para fazer o convite para que todos estejam presentes nos dias da festa. Em troca receberem a «esmola» que todos dão com devoção para ajudar à festa. «É pouco mas é de boa vontade», dizem uns. «Que São Paulo vos receba esta esmola com as suas bençãos», respondem os mordomos para ouvirem de seguida «e que São Paulo vos ajude nos vossos passos». Não é um ritual de uma sociedade secreta (como está agora na moda) mas simboliza o orgulho de um povo que está na emigração mas que tudo faz para não esquecer as suas origens. Assim mereçam os que ficaram na aldeia este orgulho e esta contribuição descomprometida dos que, por vezes, nem à festa podem ir.
Nos meus tempos de meninice a emoção fazia com que «saltássemos» da cama antes das oito horas da manhã. Isto dito assim não tem nada de especial. Mas se acrescentarmos que os aquecimentos e os recuperadores são relativamente recentes e que estamos no dia 25 de Janeiro numa terra que, no Inverno, acorda quase todos os dias em tons de «branco geada» esta emoção de «saltar da cama muito cedo» passa a ter mais valor. – E porquê antes das oito horas da manhã? – Porque era por volta dessa hora que chegava a carreira com a banda da música e começava a alvorada. O fazer subir e estoirar foguetes é (era) um dos maiores orgulhos da festa de São Paulo em Ruivós. Era reconhecidamente uma das festas do concelho do Sabugal onde a alvorada durava mais tempo e transformou-se numa das imagens de marca de Ruivós. Chegou a prolongar-se por mais de uma hora sem interrupção.
A inconsciência da juventude leváva-nos a percorrer as tapadas em redor à procura das «bombas» que não tinham rebentado para as recolher e guardar num local secreto. Nas férias grandes do Verão quando íamos guardar as vacas ou as cabras levávamos nos bolsos as pequenas bombas com pólvora para despejar aos poucos numa pedra lisa. O pó cinzento era depois coberto com um pequeno seixo de forma a que nos permitisse fazê-lo rebentar com uma pedra maior arremessada do cimo da parede por um de nós. Brincadeiras muito perigosas de crianças inocentes. Mas vamos voltar ao presente…
Um dos momentos maiores da festa está programado para a noite de 24 de Janeiro com uma procissão de velas que percorre o caminho até à capela do cemitério que dista cerca de um quilómetro da aldeia para «ir buscar a imagem do santo para a igreja matriz».
No dia 25 a festa mete música (de banda) e claro a procissão que leva de volta à sua capela a imagem de São Paulo. Antes é fundamental recuperar forças num prolongado almoço onde as famílias convivem e recordam os presentes e os ausentes. Uma curiosa particularidade da festa de Ruivós consiste em dividir os músicos da banda pelas casas com chaminé fumegante, ou seja, os homens esperam no final da missa e levam com eles um, dois ou mais músicos para partilharem o almoço festivo.
O programa da festa de São Paulo em Ruivós é o seguinte:
Dia 24: 19:00, procissão das velas; 20:00, fogo de Artifício.
25 de Janeiro: 8:00, chegada da Banda Filarmónica de Silvares e Alvorada; 11:30, missa em Honra de São Paulo na Igreja Matriz seguida da procissão; 17:00, ressalva, despedida dos mordomos velhos e recepção dos novos; 21:30, baile no salão de festas abrilhantado pelo tocador Rui Alves.
Dia 26: 12:00, missa do Emigrante na capela de São Paulo; 14:00, volta das Adegas e degustação do Borrego; 21:30, baile no salão de festas abrilhantado pelo tocador Filipe Nunes.
Dia 27: 11:00, actuação dos «Bombos de Badamalos»; 16:00, convívio (Jogos); 21:30, baile no salão de festas abrilhantado pelo tocador Miguel Agostinho.
Dia 28 (sábado): 10:00, animação de Rua com a «Xaranga da Rebolosa»; 12:00, convívio com porco no espeto; 15:00, actuação do acordeonista Micael; 16:00, actuação do Rancho Folclórico da Enxabarda; e continuação do convívio com o acompanhamento do tocador Filipe Nunes; 21:30, baile no salão de festas abrilhantado pelo tocador Filipe Nunes.
É obra! Cinco dias de festa em Janeiro! Vivam os Mordomos! Viva Ruivós! Viva São Paulo!

As insígnias, os andores dos santos e do Senhor dos Passos e os guiões da procissão são os mesmos da nossa juventude. Os rostos são todos familiares. Mas, como sempre, dou comigo a desenhar as imagens daqueles que já partiram. Um beijo Pai.
«A Cidade e as Terras», opinião de José Carlos Lages

jcglages@gmail.com

A situação de crise económica e social que atravessamos é sublinhada na mensagem natalícia do bispo da Guarda, D. Manuel Felício, intitulada «Natal – nasceu Jesus e renasce a esperança», que transcrevemos na íntegra.

«Voltamos a viver o Natal em situação de crise, portanto com sofrimento acrescido para muitas pessoas e famílias. Diminuem os ordenados, cresce o número dos que perdem emprego, aumentam os impostos e taxas para níveis muito desconfortáveis, pondo em causa a próprio sustentabilidade económica da sociedade; o poder de compra desce todos os dias, ainda que, em geral, de forma silenciosa. As pessoas sofrem e aumentam os casos de pobreza, sendo, com frequência pobreza envergonhada.
Por outro lado, sabemos que, apesar de a população mundial ter ultrapassado, há poucas semanas, o limite dos 7 mil milhões, há recursos materiais suficientes para todos. Não chegam é para manter hábitos de consumo material desajustados à realidade quer das necessidades verdadeiras das pessoas quer da disponibilidade dos bens criados. Por isso são já muitos os profetas da atualidade que pedem uma mudança de paradigma nos hábitos e nas práticas das pessoas e da sociedade. São poucos, porém, os que arriscam definir os caminhos desse novo paradigma.
Do Presépio de Belém vêm-no indicações para definirmos bem o modelo de vida em sociedade que as novas circunstâncias exigem. Assim, o Menino de Belém, sendo Senhor do mundo, contentou-se com as palhinhas de uma manjedoira e a companhia de alguns animais para berço do Seu nascimento, sob o olhar atento do Pai e da Mãe. Recomenda-nos sobriedade.
Também, desejando prestar um serviço ao mundo e a cada pessoa em concreto, sendo Deus e Senhor, assumiu a condição humana até às últimas consequências, sem qualquer reserva. Aceitou passar pelo sofrimento e pela rejeição social, desde o primeiro momento da sua entrada na história, porque não houve para ele lugar nas casas nem nas hospedarias, partilhando, assim, a sorte dos excluídos.
Recomenda-nos a solidariedade.
Nasceu no seio de uma família, onde reinava o amor incondicional e sem reservas entre marido e esposa; o amor total para aquele Filho; a procura de soluções e partilha de sofrimento nas horas difíceis – não foi fácil aceitar que o nascimento fosse numa gruta de animais, como não foi fácil a fuga para o Egito ou a perda do Menino em Jerusalém nos tempos da sua adolescência.
Esta é uma lição de família.
Hoje continuamos a precisar de famílias assim, assentes no amor e na fidelidade sem condições entre os esposos; famílias onde os filhos se sentem sempre bem acolhidos, amados e valorizados; famílias onde os idosos se sentem em casa e nunca abandonados; famílias que sejam verdadeiramente escolas de valores humanos e cristãos essenciais para a cidadania.
O Natal, festa comemorativa do Nascimento de Jesus, é também festa da Família. Por isso pede novas atitudes da sociedade e das leis que a regulam para com a instituição familiar. De facto, assistimos a hábitos instalados de desprezo pela realidade da família, que só podem gerar sofrimento das pessoas e cada vez mais exclusão social.

Que este Natal seja, de verdade, nascimento de Jesus no coração e na vida das pessoas e instituições, incluindo a organização social que temos, para que a valorização das famílias, a sobriedade no consumo, a solidariedade dirigida à situação de cada um, na proximidade e atenção diárias sejam parte essencial da mudança de paradigma da nossa vida em sociedade tão apregoada nos atuais tempos de crise.
D. Manuel R. Felício, bispo da Guarda»

A Assembleia Geral da Rede de Judiarias de Portugal aprovou, por unanimidade, no dia 14 de Dezembro, em Trancoso, a adesão dos Municípios de Sabugal e Alenquer.

Os municípios do Sabugal e de Alenquer são os mais recentes membros da Rede de Judiarias de Portugal. A adesão dos dois novos membros foi aprovada na Assembleia Geral que decorreu na quarta-feira, 14 de Dezembro, em Trancoso.
A Rede de Judiarias de Portugal é constituída pelos municípios de Trancoso, Belmonte, Castelo de Vide, Freixo de Espada à Cinta, Guarda, Lamego, Penamacor, Tomar e Torres Vedras e a Entidades Regionais de Turismo do Alentejo, do Algarve, do Douro, de Lisboa e Vale do Tejo, da Região Oeste, da Serra da Estrela, pela Comunidade Judaica de Belmonte e agora também pelos municípios do Sabugal e Alenquer.
Na reunião magna foi presidida por Luís Garcia, presidente da Entidade Regional de Turismo do Oeste, a reunião tomou conhecimento dos elementos propostos por Jorge Patrão, secretário-geral desta associação e presidente da Entidade Regional de Turismo Serra da Estrela para a constituição do Conselho Consultivo.
Integram o órgão consultivo Yehud Gol (enquanto cidadão mas também Embaixador de Israel em Portugal), Isaac e Miriam Assor (presidentes das Comunidades Judaicas de Lisboa e Porto, o rabino Elisha Salas, os investigadores Jorge Martins, Carla Santos e Antonieta Garcia, o escritor Richard Zimler, o arquitecto António Saraiva (Associação para a Promoção da Guarda), Roberto Bachmann (presidente do Centro de Estudos Judaicos), o director-geral da Brussells Airlines, a directora do Museu Virtual de Aristides Sousa Mendes (Cônsul de Bordéus), Mónique Benveniste (presidente da Comissão Executiva da Cátedra de Estudos Sefarditas, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa), António Fidalgo (Universidade da Beira Interior), Filomena Barata (Universidade de Évora) e Marina Pignateli (Universidade Técnica de Lisboa).
Jorge Patrão aproveitou para dar conta da intenção e interesse já manifestados para aderirem à Rede de Judiarias de Portugal por parte das Câmaras Municipais de Vila Nova de Paiva, Santarém, Torre de Moncorvo, Leiria, Évora, Óbidos e Castelo Branco.
O dirigente revelou ainda que foram já identificadas mais de cinco centenas de inscrições cruciformes atribuídas aos cristãos-novos na região da Serra da Estrela das quais mais de 180 na Judiaria de Trancoso.
Foi salientada por Jorge Patrão a preocupação de alguns dos Municípios que pretendem aderir ou que integram já a Rede de Judiarias de Portugal na reconstrução e reabilitação de áreas onde viveram os Judeus, citando o caso de Vila Nova de Paiva cujo Município e autarquia local pretende reabilitar o edifício da antiga Sinagoga e zona envolvente, o mesmo acontecendo em Malhada Sorda (Almeida) onde existe um edifício conhecido por «Esgoga» que seria «Esnoga» nome pelo qual era conhecida na Idade Media a Sinagoga.
A finalizar deu a conhecer a pretensão de ser apresentada uma pré-candidatura às Redes Culturais Europeias – Projecto Multiregiões na sequência da reunião com a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional CCDR-Centro.
jcl (com Gab. Com. Imagem da C.M. Trancoso)

Como todo o objecto ritual, a pia baptismal encerra um simolismo geral, concretizado e completado pelo sentido particular atribuído à sua forma.

Pia Baptismal de Vilar Maior - Sabugal

João Valente - Arroz com Todos - Capeia ArraianaA teologia da salvação insere-se pois num simbolismo que recorda a regeneração periódica do tempo e do mundo pela repetição dos arquétipos: «Cada novo ano retoma o tempo no seu início, repete a cosmogonia.» (M. Elíade) assim como o baptismo repete o baptismo de Cristo no Jordão e o ensinamento do primeiro capítulo do Génese de que Spiritus dei ferebetur super aquas.
Como as águas têm o poder de regenerar a vida porque nelas se banhou o deus solar, também as águas do baptismo têm o poder de regenerar os homens, porque foram tornadas fecundas pela união misteriosa entre Cristo e a sua Igreja, aquele como esposo, esta como noiva: «Hoje a Igreja uniu-se ao seu Esposo celeste, porque no Jordão, Cristo a purificou das suas faltas.» (antifona de Benedictus).
O elemento aquático está ligado ao feminino, tal como vimos, o solar ao masculino. A água é a Mãe-Terra geradora (mulher divina) ou a Serpente das águas.
A relação que se estabelece entre estes dois elementos – Masculino/Sol e Mãe/Água –, de fundo cosmológico, tem correspondência nos símbolos, onde vamos buscar os princípios necessários para os compreender, porque fazem parte do pathos, que o cristianismo recolheu da herança tradicional e do judaísmo primitivo.
Primeiro, porque o cristianismo não é o judaísmo tradicional, mas sim o profetismo e correntes semelhantes, em que predominam noções de pecado e de expiação, que se exprime na espiritualidade saturada de pathos, em que o Deus Senhor dos exércitos do judaísmo, se transforma no Messias do cristianismo como filho do homem que vai servir de vítima expiatória, persseguido, esperança e salvação dos pecadores. Foi esta concepção de Cristo como rompendo com a lei e ortodoxia judaica, que levou o cristianismo a retomar no estado puro muitos dos temas típicos da alma semita, que depois com o paulismo forma universalizados, independentemente das suas origens.
Porque o cristianismo primitivo era puramente espiritual e místico, não possuía simbolos cosmológicos. Na sua expansão encontrou as tradições das religiões antigas que utilizavam essa linguagem cósmica e, em grande parte, solar, e aceitou-as de forma a mais facilmente se universalizar.
Assim, doutrinalmente o cristianismo apresentou-se como uma forma de Dionismo, porque se formou essencialmente com vista a adaptar-se a um tipo humano de alma agitada, dilacerado, cedentrado na parte irracional do ser, pondo o ênfase na fé da salvação, retomando o tema plásgico-dionisiano dos deuses sacrificados que morrem e renascem à sombra das Grandes Mães.
Não é por acaso que a salvação no cristianismo se inicia por meio de uma mulher anunciada desde as origens e natural seja que o simbolo que a própria Igreja adoptou, fosse o da Mãe (Madre Igreja).
O orfismo favoreceu também a a aceitação do cristianismo no mundo antigo, como profanação da doutrina iniciática dos Mistérios e de outros cultos da decadência mediterrânica, em que existiam mitos de «salvação».
E destes mistérios, espécie de revelação primitiva, de simbolismo tradicional, o princípio sobrenatural foi concebido como «macho» e «fêmea», natureza e devir. No helenismo é masculino o «um» , o «que é em si mesmo», completo e suficiente; é feminina a díada, princípio diferente, o «outro» e portanto o desejo de movimento. No Induísmo, é masculino o espírito impassível – purusha- e feminina a prakti, matriz activa de toda a forma condicionada. Na tradição extremo-oriental este dualismo exprime-se por conceitos equivalentes, em que Yang – o princípio masculino – se encontra associado á virtude do céu e o Yin, princípio feminino, à terra.
É possível a partir daqui estabelecer, por analogia, uma relação inesgotável de oposições: Sol / Dia / Luz / Céu / Fecundação / Engendrar / Masculino / Imóvel / Espírito. Àgua / Noite / Trevas / Terra / Gestação / Conceber / Feminino / Móvel / Matéria.
Estes princípios, sendo opostos, superam-se, quando o princípio feminino, cuja natureza consiste em estar em relação com o outro, se orienta para a firmeza masculina. Esta sintese atinge-se quando o elemento feminino se «converte» ao masculino, que o leva a existir para o princípio oposto. Então, em termos metafísicos, a mulher torna-se «esposa», potência «geradora», que recebe do macho imóvel o primeiro princípio do movimento e forma, conforme também se encontra, de certa forma, no aristotelismo e no neoplatonismo.
E como o cristianismo teve, em particular, de assumir desde inicio a herança das confrarias artesanais, sobertudo dos contrutores, que utilizavam também nos seus trabalhos um simbolismo cosmológico, ligado às antigas religiões, não surpreende encontrarmos temas desse simbolismo também misturados na arte sagrada.
É por isso que esta simbologia ficou gravada também nos restantes simbolos da pia baptismal de Vilar Maior. O elemento Solar já o expliquei em anterior post, nos círculos concêntricos da base. O elemento Feminino e a água nas figuras femininas estilizadas junto ao rebordo, e na corda /serpente que divide dos círculos.
Estes elementos femininos representam a Mãe Virginal de todas as coisas que carrega o ceptro da fecundidade universal e relaciona-se à Vénus–Urânica e à Ishtar babilónica, considerada como a geradora das formas ideais ou os arquétipos a partir dos quais tudo se cria. O seu domínio é o oceano luminoso no qual se reflece o pensamento do criador, cujas ondas correspondem às Àguas do Génese, separadas pelo firmamento das àguas inferiores.
A própria cruz que também se encontra na pia baptismal é um simbolo desta união geradora. O traço horizontal – (sinal de subtração aritemética) é passivo, como a mulher que dorme e descansa no solo, o sentido da amplitude da extensão do mistério ao nível do nosso mundo. O traço vertical I é activo, como o homem de pé, desperto, consciente, o sentido da exaltação, da ascenção aos estadios superiores do Ser, ao céu. A actividade que atravessa a passividade, sugere uma ideia de fecundação, e filosoficamente a cruz diz respeito à união sexual de Deus unindo-se à natureza para engendrar o que é.
Como disse Monsenhor Landriot: «O simbolismo é uma ciência admirável que lança uma luz maravilhosa sobre os conhecimentos de Deus e do mundo criado, sobre as relações do criador com a sua obra, … a chave da alta teologia, da mística, da filosofia, da poesia e da estética e ciência das harmonias entre as diferentes partes do universo e que constituem um todo maravilhoso de que cada fragmento pressupõe o outro e reciprocamente, um centro de claridade, um foco de doutrina luminosa.»
De facto, os simbolos teológicos, apenas são compreensíveis, na maioria dos casos em referência a símbolos cosmológicos que lhes estão subjacentes e servem de suporte. E a arte, pela figuração, como a da pia baptismal de Vilar Maior, ajuda a explicar estes simbolos cosmológicos.
«Arroz com Todos», opinião de João Valente

joaovalenteadvogado@gmail.com

Foram descobertas no Carvalhal, freguesia de Badamalos, no concelho do Sabugal, duas pinturas murais a fresco do século XV, no decorrer de obras de conservação e restauro da capela de S. Marcos.

Segundo a agência Ecclesia, o pároco local, padre Helder Lopes, revelou que «os frescos encontrados são um elemento muito interessante, que vem valorizar o património histórico desta pequena capela e desta comunidade quase desconhecida».
«São, no entanto, também uma responsabilidade pastoral, porque é necessário preservar pinturas tão antigas e valiosas e ao mesmo tempo ensinar aos povos a sua importância», alertou ainda o pároco.
As duas pinturas, que representam a «Santíssima Trindade» e o «padroeiro da capela», o evangelista S. Marcos, foram encontradas durante uma acção de tratamento e conservação da talha da capela.
Para o responsável pelas obras, Carlos Costa, «as pinturas encontram-se em bom estado de conservação», apesar de estarem «há largos séculos escondidas debaixo das estruturas retabulares».
Numa região «onde escasseiam vestígios» da técnica de pintura a fresco, importa agora definir a forma como se pretende conjugar a preservação das descobertas com a recuperação dos retábulos.
«Recuperar e manter à vista é sempre problemático», admitiu Carlos Costa, já que isso implicaria uma alteração da estrutura actual da capela.
A pequena comunidade local – cerca de 18 pessoas, na sua maioria idosos – acolheu o achado «com alegria», reconhecendo tratar-se de «uma mais-valia para o lugar e para o concelho».
O Gabinete de Arte Sacra da diocese da Guarda, em parceria com a empresa de conservação e restauro, está agora a fazer um primeiro levantamento do estado dos murais, que poderá contar com a colaboração de «historiadores e pessoas entendidas no assunto».
plb (com Ecclesia)

O objectivo deste texto é lembrar às gerações bismulenses mais novas que tiveram e têm pessoas da sua terra, que em missões humanitárias, sem recompensas monetárias, prestaram serviços importantes, numa entrega total a Deus e aos homens.

Sabemos por experiência própria como alguns responsáveis por instituições públicas e políticas são alérgicas, insensíveis e deixam cair no esquecimento os seus filhos e até afirmam que já ninguém os conhece na sua terra natal. No entanto, muitos tiveram participação social activa no seu meio e estenderam-no pelo mundo em trabalho notável e valioso. Nesta linha está alguém que gastou uma longa vida a curar e a suavizar as dores físicas e psicológicas de muitos doentes.
Há muito que era minha intenção escrever sobre a minha conterrânea, a Irmã Religiosa Célia, com quem falei uma ou duas vezes, nas suas raras visitas à Bismula. Avivei a memória e com alguns apontamentos recolhidos vou debruçar-me um pouco com a sua história.
Nasceu a 4 de Agosto de 1907 na Bismula, nos finais da Monarquia agonizante. Eram seus Pais Luísa Martins e Joaquim Valente. Pertencia à geração do meu Pai – José Maria Fernandes, que me falava muitas vezes desses tempos. Foi registada civilmente com o nome de Maria Rosa Martins. Tinha duas irmãs, Francisca Martins, casada com o meu tio António Fernandes, cedo faleceu de parto, deixando quatros filhos menores órfãos. O recém-nascido Francisco ficou aos cuidados da sua irmã Rita Martins, mas passados alguns meses também morreu. Esta irmã teve uma numerosa família, nove filhos e foi a mãe do Padre Manuel Joaquim Martins.
Aqui tenho de citar Mário Tiago Bernardo Fernandes, no preâmbulo do Livro Pater Famílias de Ezequiel Alves Fernandes, «era o tempo em que as crianças ficavam às escuras na Bismula, olhando as luzes das cidades que emergiam no horizonte, catapultando sonhos impossíveis, o tempo das rixas nas tabernas; as crianças mortas embrulhadas num lençol; o tempo dos gritos da injustiça das mães que viam partir os seus rebentos por falta de assistência médica.» E as mães também partiam… Partiam todos sem cuidados médicos, porque não existiam.
A Maria Rosa Martins frequentou a Escola Primária da Bismula. Nas horas vagas apascenta um pequeno rebanho com a ajuda da sua amiga Leonilde Polónia, no sítio dos Arroios.
Naqueles tempos havia na Bismula alguns casais onde se praticava a violência doméstica, maridos que maltratavam as suas esposas e filhos. A Maria Rosa apesar de adolescente já tinha uma certa consciência destas agressões familiares, assim como a sua companheira. Decidem nunca casar para não passar por aqueles vexames, que passavam as mulheres da sua terra, e decidiram um dia abraçar a vida religiosa. Estava muito viva e presente nas gentes bismulenses a mensagem deixada pelos responsáveis da Congregação das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus, com sede em Idanha – Belas – Lisboa, a primeira Casa Religiosa fundada em Portugal em 1894.
A Congregação é fundada por S. Bento Menni em Maio de 1881, em Ciempozuelos nos arredores de Madrid, com o objectivo da criação de asilos, hospitais gerais e hospitais psiquiátricos, na promoção, tratamento e reabilitação das pessoas, no âmbito da saúde mental, orientada em critérios da centralidade da pessoa doente, na continuidade apostólica dos Irmãos de S. João de Deus, agora com uma componente feminina.
Aos treze anos aquela menina já sabia quais os caminhos a percorrer. Já tinha mentalidade adulta e decide voluntariamente ingressar naquela Congregação desloca-se com os seus Pais, à Freguesia da Parada, do Concelho de Almeida, onde uma Irmã Religiosa a recebe, e seguem para Lisboa, via-férrea, tomando o comboio na Cerdeira do Côa. Mais tarde a sua amiga Leonilde Polónia vai juntar-se a ela.
Ali faz votos de apostolando e é lhe atribuído o nome de Célia. Parte para Espanha e faz o noviciado na Casa Mãe em Ciempozuelos, junto de Madrid. Aí vive intensamente a Guerra Civil Espanhola e por milagre não é fuzilada, como aconteceu a tantos outros religiosos e religiosas. A grande dedicação e serviço aos pobres, mendigos e doentes, são a senha para serem poupadas ao martírio. Segue para Paris e aí desenvolve imenso trabalho hospitalar. Com a ocupação nazi da cidade surge-lhe mais uma tormenta. Diversas vezes têm as instalações ameaçadas por armas pesadas dos nazis, apontadas para disparar. São forçadas a dar assistência médica e alimentação às forças invasoras. É de tal forma o stress que algumas Religiosas pagaram com a morte estas afrontas militares dos nazis. A Irmã Célia com estas vivências de guerra, num território ocupado pelas forças nazis, ficou de tal forma afectada na sua saúde, uma espécie de virose traumática, que nunca conseguiu debelar.
Regressa a Portugal e em trabalho de missão e de angariação de fundos, faz diversos peditórios pelo Concelho do Sabugal, recebendo fundamentalmente produtos agrícolas que o seu cunhado Manuel Salgueira, conduz para a estação de caminho de ferro da Cerdeira do Côa, a fim de seguirem para Idanha.
Através daquela sua acção, jovens bismulenses e de muitas Freguesias do Concelho do Sabugal, como por exemplo da Nave, Ozendo, Vale de Espinho, Aldeia da Dona, Pousafoles do Bispo, Aldeia da Ponte, entraram naquela Congregação. Estão neste número Maria da Piedade Alves Lavajo, Irmã Hortense, Maria da Nazaré, Irmã América, Maria de Jesus Martinho, Isabel Dias, Adelaide Serrote e tantas outras.
A Irmã Célia faleceu no dia 23/2/2006, em Idanha – Belas, e ali está sepultada, onde tinha entrada em 1920. Trabalhou em Portugal, Espanha e França na área da saúde mental, durante oitenta e seis anos, repito oitenta e seis anos. Os números aqui falam melhor que as palavras.
Ontem como hoje os caminhos vocacionais e do testemunho da Fé tem de ser percorridos, com os métodos que os tempos modernos exigem.
Vem aí uma semana dos Seminários, cujo tema é «FORMAR PASTORES CONSAGRADOS TOTALMENTE A DEUS» e a Igreja vai proclamar um ano consagrado ao estudo e aprofundamento da Fé com inicio a 11 de Outubro de 2012 e o encerramento a 24 de Novembro de 2013, na solenidade da Festa de Cristo Rei.
Na questão vocacional hoje levantam-se muitas questões, que não vou abordar. Sabemos e dizem-nos que a Igreja e o mundo precisa de vocações sacerdotais, seduzidos pelo de Jesus Cristo. Para as despertar precisam-se de famílias e comunidades que sejam campo fértil onde possam germinar. Apela-se aos catequistas e educadores para que se empenhem nas vocações sacerdotais, mas sabemos que em algumas paróquias os seus responsáveis esquecem e ignoram os jovens.
Nesta Nova Evangelização à semelhança desta Irmã Religiosa, devemos concretizar as palavras de Jesus Cristo: «Vós sois o sal da terra, vós sois a luz do mundo. Brilhem as vossas obras diante dos homens para que eles vendo-as glorifiquem o Pai que está nos Céus.»
Bem-haja Irmã Célia – Maria Célia Martins, minha conterrânea, Religiosa das humanidades, que deu testemunho de Jesus Cristo na sua simplicidade, no seu silêncio, na sua longa missão.
Deus já a recompensou, porque cumpriu a Parábola do Samaritano e as Bem-aventuranças.
São estes membros da Igreja Viva que tem de ser nossas referências cristãs.
António Alves FernandesAldeia de Joanes

Proponho hoje e nos próximos domingos aos leitores do «Capeia Arraiana» uma sequência de crónicas sobre viagens com História.

Basílica de São Pedro, Vaticano
Tecto da Capela Sistina, Vaticano «Juízo Final», Capela Sistina, Vaticano Vista interior da cúpula da Basílica de São Pedro, Vaticano
(Passe o cursor nas imagens para ver a legenda e clique para ampliar.)

Adérito Tavares - Na Raia da MemóriaEm finais de Agosto passei alguns dias em Roma, essa fascinante e mágica cidade, uma das «mães» espirituais da cultura ocidental (a outra é, obviamente, Atenas). Roma é uma daquelas metrópoles que tanto se ama como se detesta, com a sua cor ocre, as suas ruínas omnipresentes, as suas 900 igrejas, as suas praças e pracetas com cafés centenários, as suas fontes barrocas e os seus bairros populares. Existe a Roma das ruas elegantes, como a Via Veneto ou a Via dei Condotti, que resplandecem com Valentino, Versace, Prada, Gucci, Armani e «tutti quanti». E a Roma boémia, da Piazza Navona, das escadarias da Piazza di Spagna e dos pequenos restaurantes e botequins de Trastevere. Ou ainda a Roma milionária das luxuriantes mansões da Villa Borghese.
Roma é uma cidade onde vamos e regressamos como se fosse a primeira vez. E depois, há o Vaticano, S. Pedro, a Capela Sistina… A basílica impressiona pela sua grandeza, o seu esplendor e, sobretudo, devido ao peso quase mítico do seu significado na cultura cristã. A visão que se tem a partir da nave central, com o enorme baldaquino de Bernini em frente e, por cima, a imponente cúpula de Miguel Ângelo, é esmagadora e sublime. Trata-se de uma obra tão magnífica e grandiosa que nem nos lembramos de perguntar se teria sido levantada para glorificação de Deus ou para satisfação da vaidade humana. Mas a verdade é que o corrupio de turistas e a vendilhagem que lhe anda associada privam o crente do silêncio e do recolhimento necessários aos locais de fé.
Outro lugar de magia e encanto é o Museu do Vaticano. Percorrem-se salas, galerias e jardins com a avidez e o espanto de quem descobre continuamente, numa sequência alucinante, obras míticas, que conhecemos perfeitamente dos livros mas que quase não imaginávamos reais: o Apolo de Belvedere, o Laocoonte, o Perseu; as Stanze de Rafael e tantas, tantas outras obras deslumbrantes, que nos deixam quase sem respiração.
Mas é quando entramos na Capela Sistina que ficamos em êxtase. Diz-se que Miguel Ângelo, quando viu pela primeira vez as famosas portas do Baptistério de Florença, da autoria de Lorenzo Ghiberti, teria exclamado: «Mereciam ser as Portas do Paraíso!». E ainda hoje são assim chamadas. Pois bem: a Capela Sistina parece o próprio Paraíso. Agora que os frescos do tecto e da parede frontal foram restaurados, a Capela, finalmente livre de andaimes e de restrições, devidamente climatizada, provoca em nós uma sensação de indescritível deslumbramento. Fica-se por longos minutos de olhos pregados no tecto e a boca aberta de espanto! O restauro devolveu à pintura de Miguel Ângelo as suas cores originais, limpando-a da sujidade acumulada ao longo de séculos. Há quem diga que preferia os frescos anteriores ao restauro, cobertos pela patine do tempo. Na verdade, «o tempo, esse grande escultor», como dizia Marguerite Yourcenar, moldou a Capela Sistina e nós habituámo-nos aos seus tons suaves e às suas fendas. Mas não era essa a obra de Miguel Ângelo. Pessoalmente, o restauro não me chocou. As cores são belíssimas, o efeito arquitectónico é impressionante e o conjunto ganhou um brilho novo. E, principalmente, a deterioração dos frescos foi travada. Michelangelo Buonarroti aprovaria o restauro. Ele, que tanto sofreu para pintar aqueles tectos, deitado de costas nos andaimes, com as tintas a pingar-lhe na cara e a afectar-lhe definitivamente a visão, ele que sofreu «a agonia e o êxtase» entre as quatro paredes desta Capela, certamente ficou satisfeito por lhe salvarem uma das suas obras-primas.
Miguel Ângelo nasceu em 1475, tendo feito a aprendizagem das artes em Florença, com o pintor Ghirlandaio. Apenas com 15 anos, começou a frequentar os jardins dos Médicis, onde Lourenço o Magnífico tinha reunido numerosas estátuas gregas e romanas. Aos 25 esculpiu uma das suas peças mais famosas, a «Pietá». Pouco depois, com 26, realizou o «David», uma estátua monumental de quase 4,5 m de altura. Por sua vez, o «Moisés», esculpido para o monumento funerário do papa Júlio II, na sua poderosa musculatura e no seu aspecto de ira contida, reflecte bem a própria personalidade de Miguel Ângelo, dado ao pessimismo e de trato difícil. Em 1508, quando o grande escultor tinha 33 anos, o papa Júlio II pediu-lhe que pintasse a abóbada da capela construída no Vaticano por Sisto IV – a Capela Sistina. O artista recusou o encargo, dizendo que não era pintor, era escultor. A personalidade igualmente forte e autoritária de Júlio II acabaria por se impor a Miguel Ângelo que, pressionado insistentemente, cedeu.
A obra a que Miguel Ângelo meteu ombros era algo de grandioso. Simulou uma estrutura arquitectónica, dividindo o tecto em espaços rectangulares, nos quais pintou cenas bíblicas – Criação do Sol e da Lua, Criação de Adão e de Eva, Expulsão do Paraíso, Dilúvio, etc. A mais conhecida destas cenas é a da Criação do Homem, com o dedo de Deus transmitindo o «sopro vital» a Adão. Lateralmente, entre os arcos fingidos, Miguel Ângelo dispôs profetas e sibilas. Esta obra ocupou o pintor-escultor durante 5 anos, deitado em andaimes situados a 25 metros de altura.
Por sua vez, o «Juízo Final», que se encontra na parede frontal da Capela, apenas seria pintado por Miguel Ângelo muitos anos mais tarde, entre 1535 e 1541. Trata-se de uma enorme composição unitária, com cerca de 400 personagens. Ao centro, um Cristo triunfante, robusto como um atleta, perdoa com a mão esquerda, num gesto suavíssimo, ao mesmo tempo que, num gesto terrível, castiga com a mão direita. Os justos são içados ao Céu, enquanto os pecadores são precipitados nos eternos sofrimentos do Inferno. O Juízo Final situa-se já numa fase de transição maneirista, no conjunto da obra de Miguel Ângelo. Ao contrário de outros artistas, Miguel Ângelo, que viveu uma longa e fecunda vida de quase 90 anos, evoluiu continuamente. Iniciando a sua carreira artística no quattrocento florentino, foi ainda um dos precursores do barroco italiano.
Na Capela Sistina, Miguel Ângelo pintou dezenas de nus, sem complexos nem preconceitos puritanos. O corpo humano, tal como sucedia na Antiguidade, era visto no Renascimento como um objecto de beleza: como um cavalo, uma ave, ou uma flor. No entanto, o conservadorismo moralista não via com bons olhos que, num local sagrado, santos e santas, justos e pecadores, estivessem gloriosamente nus. Em 1563, o Concílio de Trento proibiu os nus nos locais do culto. A morte (em 1564) poupou a Miguel Ângelo uma grande humilhação: em 1565, o «pintor» Daniele da Volterra, por decisão papal, tapou pudicamente as zonas corporais mais sensíveis, colocando uma espécie de «fraldas» aos santos e santas.
O restauro levantou um problema: deixar ficar as «fraldas» ou retirá-las? Os responsáveis decidiram retirar a maior parte e deixar ficar algumas, como testemunho do moralismo contra-reformista.
O restauro da abóbada decorreu entre 1980 e 1994. O do Juízo Final, iniciado em 1990, ficou concluído apenas nos meados de 1994. Agora, o leitor, se puder, vá a Roma. Aproveite o Outono, em que não há muita gente e Roma está ainda mais bela, e deslumbre-se naquela que é uma das grandes maravilhas da arte de todos os tempos: a Capela Sistina. E sinta, se puder, o êxtase de quem observa com sensibilidade, deixando-se emocionar por uma das sensações mais elevadas do espírito humano: o sentimento estético.
«Na Raia da Memória», opinião de Adérito Tavares

ad.tavares@netcabo.pt

«A Igreja parece estar cheia de medos e desorientação frente ao Mundo contemporâneo – precisamente por isso – procura quase com desespero que nada mude e – obviamente – reforça as alianças mais conservadoras procurando por todos os meios possíveis evitar toda a mudança que assusta»; Padre Eduardo De la Serna (argentino).

António EmidioA Igreja actual ao reforçar as alianças mais conservadoras contribui inexoravelmente para a perca cada vez mais acentuada de praticantes, não de crentes, embora a fé destes se tenha transformado numa coisa abstracta, longe do que pregam os evangelhos. Impera o que o sistema transmite, o egoísmo e a tendência de se deixarem deslumbrar por sub-valores que nada têm de cristãos, como o lucro, a ambição de poder, o individualismo, o consumo exacerbado e a idolatria pela técnica. Por mais paradoxal que pareça, são os próprios crentes a ter consciência do que está a acontecer, existem tendências dentro da Igreja para uma mudança deste status quo. Procura-se uma visão mais cristã da sociedade, adaptada às necessidades do homem actual, mas ao mesmo tempo a alta hierarquia da Igreja permanece numa atitude retrógrada e num tradicionalismo serôdio, vive numa obsessão de condenar o aborto, com isso dá a impressão que se preocupa mais com os que ainda não nasceram do que com os habitantes da Terra, esquecendo também que nenhuma religião nem nenhuma ideologia são donas do corpo da mulher. Preocupação com a eutanásia, com o preservativo, com o divórcio, com a homossexualidade e, muito sub-repticiamente tenta submeter o Estado Democrático à sua hierarquia, com isto quer combater o laicismo e recusa libertar-se do poder temporal que não lhe pertence.
A palavra que mais vezes aparece nos Evangelhos é a palavra POBRE, porque será então que a alta hierarquia da Igreja Católica rejeita a Teologia da Libertação, que é uma teologia com uma opção permanente para com os pobres, embora tenha nascido na América Latina, está actual em qualquer parte do Mundo. Esta teologia não considera os pobres como um simples objecto de ajuda, compaixão e caridade, considera-os capazes de se libertarem lutando contra os seus opressores. A Igreja oficial aceita todo um sistema em que a dádiva e a mendicidade – de várias formas e maneiras – representam a bondade, mas tudo administrado por ela. Ou seja, a caridade e a esmola. Só durante o reinado de João Paulo II foram silenciados 140 teólogos, a esmagadora maioria empenhava-se em ajudar os mais necessitados, os párias da Terra.
Dizia Vítor Hugo: «faz-se caridade quando não podemos impor a justiça». Os pobres, os marginalizados, não necessitam de caridade, querem justiça! A justiça vai às causas, a caridade aos efeitos.
Ainda tenho presente na memória aquela imagem que vi na televisão, em que João Paulo II, enfurecido, criticava o sacerdote e ministro Sandinista, Ernesto Cardenal, cuja culpa era ter lutado contra a miséria e a injustiça. Com estas atitudes, não é de admirar que sejam surjam criticas como esta de do filósofo Max Horkheime: «Quem lê o Evangelho e não vê que Jesus morreu porque tinha uma doutrina diferente dos seus actuais representantes, esse não sabe ler, é o sarcasmo mais incrível que jamais aconteceu a um pensamento». Agora com palavras minha direi que «actuais representantes» considero o Papa e a sua Cúria.
Termino dizendo que um dos pontos principais do cristianismo é Cristo feito homem, ou seja, Deus feito homem. Sendo assim, o que se deve pedir aos cristãos e, até exigir-lhes, é que imitem Cristo, lutem contra os poderosos pela libertação dos mais pobres.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

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