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Manuel Leal Freire - Capeia Arraiana«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual aos domingos vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Este Município raiano, um dos maiores do País em termos de extensão territorial, tem 40 freguesias, algumas delas com anexas, sendo no total exactamente 100 (cem) o número das localidades do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta bismulense dedica um soneto a mais uma anexa da freguesia da Bendada: Trigais. No próximo domingo será editado o poema referente a outra freguesia do concelho: a Bismula.

TRIGAIS

Nas terras onde reina o rei centeio
O nome soará a falso toque
Esvaia-se, porém, todo o receio
No caso não há laivo de remoque

No tempo das carrejas, toque toque
As juntas sem repouso de permeio
Das searas às eiras em reboque
É palmo a palmo um caminho cheio

Um chão humoso em terras de fartura
Ali traçou o céu iluminura
Em plena Cova da Beira nos umbrais

O burgo é pequeno, mas que importa
Jamais alguém bateu em vão á porta
Sem que se abrisse a porta nos Trigais

«Poetando», Manuel Leal Freire

Manuel Leal Freire - Capeia Arraiana«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual aos domingos vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Este Município raiano, um dos maiores do País em termos de extensão territorial, tem 40 freguesias, algumas delas com anexas, sendo no total exactamente 100 (cem) o número das localidades do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta bismulense dedica um soneto a mais uma anexa da freguesia da Bendada: Rebelhos. No próximo domingo será editado o poema referente à aldeias anexas desta freguesia que ainda falta: Trigais.

REBELHOS

Prefixo que reforça é sempre um re
Nenhum terá impacto que o vença
A condição imposta pelo se
E quando bem cumprida recompensa

Assim determinante como um de
O termo nos explica sem detença
Rebelhos e rebelde quando e se
O povo com razões se não convença

No mais sempre fiel aos seus desígnios
Os itens de seus votos consigne-os
Que são do povo os mais fiéis espelhos

Não quebram no trabalho e na amizade
O dito igual na praça e à puridade
Jamais traíu a gente de Rebelhos

«Poetando», Manuel Leal Freire

Martim Codax foi um poeta das Rias Bajas de Vigo que também o poderia ter sido dos picos de Xalma.

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaEscreveu Hugo Rocha, que foi no Porto ilustre crítico literário e não menos ilustrado membro da Academia Galega, que não se concebe facilmente nos dias de hoje o que teria sido um poeta do século XIII, como Martin Codax e os seus pares.
Pelo menos, não se concebe facilmente o que tenha sido um poeta votado a cantar e declamar urbi et orbe a sua poesia.
É certo que,muito antes dos trovadores, dos jograis, dos segreis da Idade Média, a Grécia da Idade Antiga teve os rapsodos que foram os divulgadores da poesia do seu tempo, os cantores e declamadores de então.
Mais perto de nós, os celtas tiveram os bardos e as valemachias gaulesas eram canções de amor levadas pelos bardos de terra em terra, como o haviam de fazer depois os jograis e menestreis da Idade Média.
A fantasia lírica dos escaldos fez das sagas escandinavas os cantos mais típicos do Norte. A Islândia do passado conheceu as edas. A poesia escandinava e inseparável das tradições runicas. As lendas caledónias poetizadas por Ossian tiveram os seus divulgadores populares.
Falar dos nibelungos, dos poemas do Rei Artur e da Távola Redonda é falar dos famosos minessingueres germânicos. O canto épico de Rolando, os poemas cíclicos de Carlos Magno, o romanceiro de Cid Campeador eram poesia declamada, cantada e estruturalmente acompanhada a música instrumental.
Sabe-se o que todos eles declamaram mas desconhece-se-lhes o canto.
Os registos musicais são muito mais difíceis de fixar, além de os acordes sofrerem o influxo transformador do meio – até do geográfico.
Efectivamente, dizem os entendidos, as czardas russas repercutem tanto as grandes estepes como o tango argentino se filia na sintonia do pampas.
Como entre nós, o cante alentejano se modela nos barros de Beja, o fandango estremenho nas pradarias do Tejo e Sado, o vira minhoto nas colinas ondeantes das arribas de Viana…
Não sabemos que toadas terá cantado Martim Codax.
Conhecemos-lhe já perfeitamente o trovar, a sua fusão idiossincrática com o mar de Vigo, as cantigas de amar e amigo:
Ondas do mar de Vigo
Si vistes meu amigo
E, ay Deus, se verra cedo

Ondas do mar levado
Se vistes meu amado
E, ay Deus,se verra cedo

Se vistes meu amigo
O por que eu suspiro
E, ay Deus, se verra cedo

Se vistes meu amado
Por que hei gran coidado
E, ay Deus, se verra cedo

Ay ondas que eu vin veere
Se me saberedes dicer
Por que tarda meu amigo
Sen min

Ay ondas que eu vin mirar
Se me saberedes contar
Por que tarda meu amigo
Sen min

Se tivesse vivido no Ribacoa, Martin Codax teria igualmente cantado o amor em cantigas de amigo.
Só que o estro sopraria da serra, que não do mar.
Mas a língua seria a mesma – um romanço com muito de charro.
«O concelho», história e etnografia das terras sabugalenses, por Manuel Leal Freire

Manuel Leal Freire - Capeia Arraiana«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual aos domingos vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Este Município raiano, um dos maiores do País em termos de extensão territorial, tem 40 freguesias, algumas delas com anexas, sendo no total exactamente 100 (cem) o número das localidades do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta bismulense dedica um soneto a mais uma anexa da freguesia da Bendada: Quinta do Ribeiro. Nos próximos domingos serão editados os poemas referentes às restantes duas aldeias anexas desta freguesia: Rebelhos e Trigais.

QUINTA DO RIBEIRO

Ribeira era a margem não o curso
Da água sussurrando desde a fonte
A abrir por entre fragas o percurso
Traçado pela linha do horizonte

Ribeiro sempre foi, haja quem conte
Com mais ciência ou menos recurso
O veio de água que, descendo o monte
Venceu os irmãos em leal concurso

Sem ambições jamais será um rio
Mas cumpre o seu dever com todo o brio
Mesmo em Outubro de ano sequeiro

Que melhor trova ou sonorosa loa
Do que esta que por aqui se entoa
Não há Quinta igual á do Ribeiro

«Poetando», Manuel Leal Freire

Manuel Leal Freire - Capeia Arraiana«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual aos domingos vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Este Município raiano, um dos maiores do País em termos de extensão territorial, tem 40 freguesias, algumas delas com anexas, sendo no total exactamente 100 (cem) o número das localidades do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta bismulense dedica um soneto a mais uma anexa da freguesia da Bendada: Quinta da Ribeira. Nos próximos domingos serão editados os poemas referentes às restantes três aldeias anexas desta freguesia: Quinta do Ribeiro, Rebelhos e Trigais.

QUINTA DA RIBEIRA

O mundo correm trovas cuja fama
Nos vem já não de anos mas milénios
Bem dormirá quem acha boa a cama
Quem tem sopros de fúria, enfim refrene-os

Há outros com doçuras de auriflama
Suaves como vinhos de Silénios
Bonança que em bonanças se recama
Desejos que não são alucigéneos

Viver á beira de água é um regalo
Quem se atreverá a denegá-lo
Não sei se haverá quem o não queira

Eleitos, pois, de Deus decerto são
Os que fora de um munto em confusão
Em paz vivem na Quinta da Ribeira

«Poetando», Manuel Leal Freire

Teresa Duarte Reis - O Cheiro das Palavras - Capeia ArraianaDesde jovem aprendi a ver a Guarda e a admirá-la como uma cidade histórica, onde aquele D. Sancho do Foral, com ar de quem domina o espaço, a meus olhos enchia a Praça. Os arcos ao fundo, onde as lojas quase se escondiam do frio e acoitavam qualquer «estrangeiro» que ali passasse sem abrigo, faziam-me sentir acolhida como se a sua proteção me trouxesse conforto. Por tudo isto, eu estremecia sempre que me abeirava daquela Praça Imponente.

Sé da Guarda - Neve

Depois, através da sua história, percebi como muitas verdades se podiam confirmar, pelo que ainda hoje, ir à Guarda é um passeio que me agrada, quase direi, me enche a alma. O clima é frio mas as pessoas são quentes e acolhedoras.
Homenageio o seu castelo que ficou para final entre os castelos de fronteira, não por descuido, mas por querer fechar com algum esmero «La Ruta de los Castilhos», do lado de cá, pois irei ponderar a hipótese de fazer uma busca aos castelos dos nossos vizinhos.

GUARDA

Ó Guarda se foste castro
De nome
Lancia opidana
Dos Visigodos eras
Warda
Teu castelo fiel guarda
Pela coragem que de ti emana.

Castelo em alvenaria de granito
Estilos românico e gótico são teus
Torre de Menagem no alto da colina
Torre Velha, isolada combina
Como se todas olhassem os céus.

A chamada Torre dos Ferreiros,
Apresenta planta quadrangular
E mostra quadros da paixão
Que quer queiramos quer não
Serve para a muralha recordar.

A Porta da Covilhã e a dos Curros
Provam seu longo existir
Pois entre elas a Rua Direita
Mostra-se caminhando perfeita
Para a todo o burgo servir.

No século XIII, Sancho I
Egitânia para aqui transferiu
Como diocese a vila revigorou
Em 1199 foral te doou
Foi isto que a pesquisa descobriu.

Iniciou vigoroso teu castelo
Que dominou a vila e a paisagem
O distinto e altivo torreão
Que de há tempos já cumpria missão
E Afonso II te fez torre de Menagem.

D. Dinis, Fernando e João
Retocam-te e te fortalecem
Torre Ferreiros, Covilhã também
Porta da Erva, como à época convém
De que muitos traços qu’ainda prevalecem.

No séc. XIV muitas portas existiam
Mas em XIX, as muralhas são benefícios
Alguns troços de muralhas demolidas
As suas pedras dali subtraídas
Para a construção de edifícios.

Em 10 Foste Monumento Nacional
Mas a demolição continuou
Em 40 houve restaurações
Até 21 mais remodelações
Pelo que a Torre dos Ferreiros vingou.

Mais lembro que na vila da Guarda
O Tratado de Alcanizes foi planeado
Em século XIII, seus finais
E apesar de aqui deixar pouco mais
Deixo seu castelo homenageado.

E nessa homenagem deixo também o meu abraço às suas gentes.

«O Cheiro das Palavras», poesia de Teresa Duarte Reis
netitas19@gmail.com

Manuel Leal Freire - Capeia Arraiana«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual aos domingos vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Este Município raiano, um dos maiores do País em termos de extensão territorial, tem 40 freguesias, algumas delas com anexas, sendo no total exactamente 100 (cem) o número das localidades do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta bismulense dedica um soneto a uma anexa da freguesia da Bendada: Quinta do Monteiro. Nos próximos domingos serão editados os poemas referentes às demais quatro anexas desta freguesia: Quinta da Ribeira, Quinta do Ribeiro, Rebelhos e Trigais.

QUINTA DO MONTEIRO

Monteiro é nome de altas honrarias
Assim o rezam velhos cronicões
Cantando fragorosas montarias
Romances velhos, trovas de truões

Com tanta fama só as romarias
Vivência funda a fé das multidões
Além o corpo mostra bizarrias
Aqui a alma pias intenções

Conforme se ilustra ou não a crónica
Pois cada um lhe apõe a sua tónica
História e lenda, fluído verdadeiro

Quem vem certificar-nos a verdade
Registo batismal e identidade
Da razão deste nome de Monteiro

«Poetando», Manuel Leal Freire

Manuel Leal Freire - Capeia Arraiana«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual aos domingos vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Este Município raiano, um dos maiores do País em termos de extensão territorial, tem 40 freguesias, algumas delas com anexas, sendo no total exactamente 100 (cem) o número das localidades do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta bismulense dedica um soneto à freguesia sulista do concelho: a Bendada. Nos próximos domingos serão editados os poemas relativos às cinco anexas da freguesia: Quinta do Monteiro, Quinta da Ribeira, Quinta do Ribeiro, Rebelhos e Trigais.

BENDADA

O nome com sonâncias de benesse
Reflete desde logo pia obra
Aquele que bem dá certo merece
Ainda que só dê o que lhe sobra

Os donativos valem como prece
Ou mais até quando a fé redobra
Ou quem dando oferta o que carece
Os ceitis da viúva Deus desdobra

Registos são prenúncios de um futuro
Premarca o nascimento o nascituro
Traçando o roteiro que lhe agrada

A pia batismal aqui no caso
Marcou um horizonte sem ocaso
Lançando suas bençãos á Bendada

«Poetando», Manuel Leal Freire

Manuel Leal Freire - Capeia Arraiana«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual a cada domingo vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Este Município raiano, um dos maiores do País em termos de extensão territorial, tem 40 freguesias, algumas delas com anexas, sendo no total exactamente 100 (cem) o número das localidades do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta bismulense dedica um soneto a Covadas, lugar anexo à freguesia do Baraçal. No próximo domingo será editado o poema relativo a outra freguesia: Bendada.

COVADAS

O côvado foi vara de medir
Tal como o era o braço da braçada
São usos que se não devem impedir
Que o corpo nunca dá a taxa errada

É certo que a estatura variada
Pode em certos casos desmedir
A régua sabiamente mensurada
Os exageros há-de comedir

Qual seja deste nome a vera origem
É coisa que se perde na caligem
De lendas entre si desencontradas

Ou vara de medir ou cova funda
Incertas a primeira e a segunda
Que certo só o nome de Covadas

«Poetando», Manuel Leal Freire

Faleceu na tarde desta sexta-feira, 19 de Outubro, no Hospital de Santo António, no Porto, onde estava internado desde o início do Verão, o escritor e jornalista sabugalense Manuel António Pina.

MANUEL ANTÓNIO PINA era jornalista, cronista, escritor, poeta, dramaturgo, actividades em que se notabilizou.
Nasceu no Sabugal em 18 de Novembro de 1943 e viveu a infância numa constante mudança de lugar, passando nomeadamente pela Sertã e Oliveira do Bairro, para depois se fixar no Porto. O pai era chefe de Finanças, cargo que acumulava com o de juiz das execuções fiscais, pelo que não podia estar mais do que certo tempo em cada terra, por imposição legal. Recordará sempre esse tempo da infância e adolescência como a época em que fazia amigos num lugar, que depois perdia para refazer novas amizades noutro local distante.
Após os estudos secundários, concluídos no Porto, licenciou-se em Direito, na Universidade de Coimbra, onde para além de estudar trabalhava para garantir a independência financeira. Embora cursasse Direito gostava mais e frequentar as aulas de Literatura, sobretudo as dos mestres Paulo Quintela e Vítor Aguiar Silva. Mesmo assim, seguiu Direito e, concluído o curso, foi advogado durante algum tempo, porém já escrevia no Jornal de Notícias desde 1971 e o apelo da escrita foi sempre mais forte.
No jornalismo notabilizou-se pela crónica, que, para ele é uma espécie de meio caminho entre o jornalismo e a literatura. No Jornal de Notícia, ao qual se manteve sempre ligado, ocupou o cargo de editor cultural, mantendo uma permanente ligação aos aspectos literários. Nas horas vagas poetava e escrevia contos infanto-juvenil, fazendo um percurso de escritor, onde sobretudo se notabilizaria, recebendo o reconhecimento do seu mérito com a atribuição de inúmeros galardões, entre os quais o Prémio Camões no ano 2011.
A sua poesia, algo hermética, foi sempre marcada por uma espécie de nostalgia, traduzida num sucessivo jogo de memórias entre a infância (parte dela passada no Sabugal) e o quotidiano. Os poemas de Pina são igualmente marcados pela inquietação e a melancolia, tocando por vezes no paradoxo. Nada do que escrevia ou pensava era definitivo, quando lhe perguntaram (JL, 31/10/2001) se fazia alterações aos seus poemas antigos quando os reeditava, respondeu que não, porque de certa forma um texto antigo, escrito por ele e editado, já não lhe pertencia: «quando leio textos que escrevi há algum tempo, tenho a sensação que não foram escritos por mim. E, de facto, foram escritos por outra pessoa, por aquele que eu era.» Esta mutação do ser que somos com o evoluir do tempo é explicada de forma comparativa: «A Ilíada é um dos meus livros de referência. Li-a pela primeira vez quando era jovem e a que leio hoje não é a mesma que li, nessa altura. Porque eu próprio já sou diferente. Os cabalistas dizem que há tantas bíblias quantos leitores da Bíblia. Eu acho que há mais, tantas quantas as leituras.»
Como escritor, foi autor de vários títulos de poesia, novelas, textos dramáticos e ensaios, entre os quais: em poesia – Nenhum Sítio, O Caminho de Casa, Um Sítio Onde pousar a Cabeça, Algo Parecido Com Isto da Mesma Substância; Farewell Happy Fields, Cuidados Intensivos, Nenhuma Palavra e Nenhuma Lembrança; em novela – O Escuro; em texto dramático – História com Reis, Rainhas, Bobos, Bombeiros e Galinhas, A Guerra do Tabuleiro de Xadrez; no ensaio – Anikki – Bóbó; na crónica – O Anacronista; e, finalmente, na literatura infantil – O País das Pessoas de Pernas para o Ar, Gigões e Amantes, O Têpluquê, O Pássaro da Cabeça, Os Dois Ladrões, Os Piratas, O Inventão, O Tesouro, O Meu Rio é de Ouro, Uma Viagem Fantástica, Morket, O Livro de Desmatemática, A Noite.
Embora afastado da sua terra natal desde menino, Manuel António Pina afirmava com orgulho ser sabugalense. Em 4 de Abril de 2009 a Junta de Freguesia do Sabugal homenageou-o colocando na casa onde nasceu uma placa com a seguinte epígrafe: «Nesta casa nasceu o escritor e jornalista Manuel António Pina»
Em 2010 a Câmara Municipal da Guarda, criou, em homenagem a Manuel António Pina, um prémio literário com o seu nome, que distinguirá anualmente, e de forma alternada, obras de poesia e de literatura. Ainda em homenagem ao escritor sabugalense realiza-se na Guarda um ciclo cultural repleto de actividades.
Em 10 de Novembro de 2011, no ano em que foi galardoado com o Prémio Camões, o escritor foi por sua vez homenageado pela Câmara Municipal do Sabugal, que lhe atribuiu a medalha de mérito cultural do Município.
Manuel António Pina foi eleito pelo blogue Capeia Arraiana a «Personalidade do Ano 2011».

Segue-se um poema de Manuel António Pina, que aborda um assunto recorrente na sua poesia – a morte:

Algumas Coisas

A morte e a vida morrem
e sob a sua eternidade fica
só a memória do esquecimento de tudo;
também o silêncio de aquele que fala se calará.

Quem fala de estas
coisas e de falar de elas
foge para o puro esquecimento
fora da cabeça e de si.

O que existe falta
sob a eternidade;
saber é esquecer, e
esta é a sabedoria e o esquecimento.

plb e jcl

Manuel Leal Freire - Capeia Arraiana«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual a cada domingo vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Este Município raiano, um dos maiores do País em termos de extensão territorial, tem 40 freguesias, algumas delas com anexas, sendo no total exactamente 100 (cem) o número das localidades do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta bismulense dedica um soneto a Roque Amador, aldeia anexa da freguesia do Baraçal. No próximo domingo será editado o poema relativo a outra anexa da freguesia: Covadas.

ROQUE AMADOR

São Roque Amador porque era Santo
Amou tal como Deus os que mais penam
Apunha as suas mãos e por encanto
As dores do corpo e alma se serenam

Há traves mestras que jamais empenam
Ainda que esconsas em qualquer recanto
Aos ventos maus os bons os refrenam
É grande a dor, mas é maior o manto

O Santo que foi Santo Hospitalário
Aqui deixou provido relicário
De mãos que, quando apostam, saram

De Deus ungidos, eu anoto dois
O pai Cândido e o Quim Zé depois
Que, porque amadores a dor pararam

«Poetando», Manuel Leal Freire

Manuel Leal Freire - Capeia Arraiana«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual a cada domingo vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Este Município raiano, um dos maiores do País em termos de extensão territorial, tem 40 freguesias, algumas delas com anexas, sendo no total exactamente 100 (cem) o número das localidades do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta bismulense dedica um soneto à Quinta das Vinhas, aldeia anexa da freguesia do Baraçal. No próximo domingo será editado o poema relativo a outra anexa: Roque Amador.

QUINTA DAS VINHAS

Andou pelo mundo inteiro o deus do vinho
Em vestes e missão de professor
Plantando sempre a vide em chão maninho
Pois nele o seu licor será melhor

Deixando para o trigo e para o linho
Os solos de classe superior
Mostrou que até o agros montesinho
Se torna feraz, regado a suor

O ferro e o alvião, em dupla lide
Criaram o dessaibro, aonde a vide
Imponente se fez como as rainhas

Não veio Baco em vão a Portugal
Deixando da passagem um sinal
O nome que ficou – Quinta das Vinhas

«Poetando», Manuel Leal Freire

Manuel Leal Freire - Capeia Arraiana«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual a cada domingo vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Este Município raiano, um dos maiores do País em termos de extensão territorial, tem 40 freguesias, algumas delas com anexas, sendo no total exactamente 100 (cem) o número das localidades do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta bismulense dedica um soneto ao Baraçal, fregeusia da margem esquerda do Rio Côa. No próximos domingos serão editados os poemas relativo às anexas do Baraçal: Covadas, Quinta das Vinhas e Roque Amador.

BARAÇAL

O termo de per si, mostra o interesse
Que têm as riquezas naturais
Tudo o que deus nos dá certo merece
Ser visto como dádiva de pais

Um povo alçaprema-se aos demais
Quando não desdenha do que cresce
Bendito o baracejo dos canchais
E o verde que nas veigas refloresce

Mas ser do Baraçal não embaraça
Aquele que ali nasce traz a graça
De reunir os dotes que em síntese

Permitem uma vida de sucesso
Fundindo a tradição e o progresso
Baraçal e embaraço são antítese

«Poetando», Manuel Leal Freire

Manuel Leal Freire - Capeia Arraiana«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual a cada domingo vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Este Município raiano, um dos maiores do País em termos de extensão territorial, tem 40 freguesias, algumas delas com anexas, sendo no total exactamente 100 (cem) o número das localidades do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta bismulense dedica um soneto a Carvalhal do Côa, aldeia anexa de Badamalos. No próximo domingo será editado o poema relativo a outra freguesia: Baraçal.

CARVALHAL DO CÔA

Aos palmos não se medem as pessoas
Aos palmos não se medem os lugares
As Romas, os Parises, as Lisboas
Não vencem no cotejo com vilares

É outra a pureza dos seus ares
Bem mais lhanas e probas as pessoas
Vivendo juntas alegrias e pesares
Em união nas horas más e boas

Neste nosso Portugal cristão
Bem numerosos os carvalhais são
Das ilhas de Além Mar até ao Minho

Nenhum outro, porém, tem o encanto
De ser um tão poético recanto
Como este Carvalhal Carvalhalzinho

«Poetando», Manuel Leal Freire

Manuel Leal Freire - Capeia Arraiana«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual a cada domingo vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Este Município raiano, um dos maiores do País em termos de extensão territorial, tem 40 freguesias, algumas delas com anexas, sendo no total exactamente 100 (cem) o número das localidades do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta bismulense dedica um soneto a Badamalos. No spróximo domingo será editado o poema relativo à aldeia anexa de Badamalos: Carvalhal do Coa.

BADAMALOS

Vocábulo de sonoras ressonâncias
Recorda vozes de alteroso sino
No éter não se medem as dustabuas
Mas os toques do bronze volvem hino

Serenas existências de sem ânsias
A paz é por ali um dom divino
O Coa quase sente relutâncias
Em ter de ser um peregrino

Ser lago e quedar-se eternamente
Entregue às boas mãos da boa gente
Seria o regalo entre os regalos

Qualquer entenderá todo este apego
Pensando no edénico sossego
Que marca o viver em Badamalos

«Poetando», Manuel Leal Freire

Manuel Leal Freire - Capeia Arraiana«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual a cada domingo vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Este Município raiano, um dos maiores do País em termos de extensão territorial, tem 40 freguesias, algumas delas com anexas, sendo no total exactamente 100 (cem) o número das localidades do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta bismulense dedica um soneto a Alfaiates e ao seu herói histórico, o antigo governador da praça forte: Brás Garcia de Mascarenhas. No próximo domingo será editado o poema relativo a outra freguesia: Badamalos

ALFAIATES

Não é composta lenda mas história
A que da praça forte aqui ressuma
Quem ouvir uma gesta rememore-a
A fama varre ao longe toda a bruma

A Pátria Portuguesa merencória
Sofria as desgraças uma a uma
Esparsos os resquícios de glória
Armadas em destroços e verruma

A raça por indómita ressurge
Que haja chefe novo é o que urge
As ameaças vêm das Espanhas

Dos cumes dos Hermínios o reforço
Trará o chefe, capitão de esforço
O nome Brás Garcia de Mascarenhas

«Poetando», Manuel Leal Freire

Manuel Leal Freire - Capeia Arraiana«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual a cada domingo vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Este Município raiano, um dos maiores do País em termos de extensão territorial, tem 40 freguesias, algumas delas com anexas, sendo no total exactamente 100 (cem) o número das localidades do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta bismulense dedica um soneto a Aldeia Velha, freguesia da orla raiana do concelho. No próximo domingo será editado o poema relativo a outra freguesia: Alfaiates.

ALDEIA VELHA

A toponímia, madre de batismos,
Também perene fonte de mistérios
Revoca do mais fundo dos abismos
As regras que definem os critérios,

São poços de saber os aforismos
O sábio, porque sábio, prefere-os
A vetustez é fonte de lirismos
Negá-lo equivale a despautérios

O nome vale assim por nobre título
Que os povos reconhecem em capítulo
Não cabe uma avenida numa quelha

Se na vida é um posto a antiguidade
Brasão é da mais alta dignidade
Chamar-se uma aldeia Aldeia Velha…

«Poetando», Manuel Leal Freire

Manuel Leal Freire - Capeia Arraiana«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual a cada domingo vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Este Município raiano, um dos maiores do País em termos de extensão territorial, tem 40 freguesias, algumas delas com anexas, sendo no total exactamente 100 (cem) o número das localidades do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta bismulense dedica um soneto a Aldeia do Bispo, freguesia da orla raiana do concelho. No próximo domingo será editado o poema relativo a outra freguesia: Aldeia Velha.

ALDEIA DO BISPO

O ser reguengo episcopal impunha
Obrigações mas outorgava títulos
A fé o certifica e testemunha
São laudas nobres ditas em capítulos

Pedia a liturgia novos rótulos
O corpo dos deões é que os propunha
Queimasse-se o incenso nos turibulos
A mordomia em ápice os repunha

Vulgar na toponímia lusitana
O nome, mesmo assim, exalta e ufana
E a fé, de fervente ferve em crispo

Porém, o ser do bispo e ser da raia
Conduz a que se extreme e sobressaia
E seja ela a Aldeia do Bispo

«Poetando», Manuel Leal Freire

Manuel Leal Freire - Capeia Arraiana«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual a cada domingo vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Este Município raiano, um dos maiores do País em termos de extensão territorial, tem 40 freguesias, algumas delas com anexas, sendo no total exactamente 100 (cem) o número das localidades do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta bismulense dedica um soneto à Urgueira, aldeia anexa da freguesia de Aldeia de Santo António. No próximo domingo será editado o poema relativo a outra freguesia: Aldeia do Bispo.

URGUEIRA

Não há de entre os arbustos montesinhos
Algum que o iguale em fonte de calor
E rei tal como são reis os rosmaninhos
Quando se trata de aromas em odor

Criado ao deus-dará pelos maninhos
Não nega a ninguém o seu favor
O que só tem de seu pó dos caminhos
Incenseia na urze o criador

Nas bênçãos, trova hinário que um poeta
Tomando posição quase de asceta
Levou ás sumidades de bandeira

E como na filha é que se vê a mãe
Daqui entoaremos nós também
Glória et Laos a esta Urgueira

«Poetando», Manuel Leal Freire

Manuel Leal Freire - Capeia Arraiana«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual a cada domingo vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Este Município raiano, um dos maiores do País em termos de extensão territorial, tem 40 freguesias, algumas delas com anexas, sendo no total exactamente 100 (cem) o número das localidades do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta bismulense dedica um soneto aos Amiais, pequena aldeia anexa da freguesia de Aldeia de Santo António. No próximo domingo será editado o poema relativo a outra anexa: a Urgueira.

AMIAIS

Bifronte o amieiro em seu destino
Mil vezes entre a lama enlameado
Mas outros talhando o desatino
Ao cimo dos altares alçapremado

O férreo tamanco agrilhoado
O povo o recorda e em seu ensino
Aos Santos aparece religado
Gémeos irmãos quais o bronze e o sino

A dura pedra o escultor amolda
Do inerme bloco sai formosa Isolda
A derreter Tristão por derradeiro

Por sobre os troncos obra igual milagre
O vero artesão que se consagre
A tornar sacro o pau do amieiro

«Poetando», Manuel Leal Freire

Teresa Duarte Reis - O Cheiro das Palavras - Capeia ArraianaE ainda na minha viagem pelos castelos de Fronteira, surge-me Penamacor que não posso de modo algum esquecer. Tornada uma vila com história, Penamacor enleia-se na altivez da sua Torre de Menagem, na beleza da sua “Domus Municipalis”, nas marcas que provam como atravessou as épocas e permaneceu, apesar de muito esquecido pelos tempos. O castelo e fortaleza são ainda sinais de que o passado não pode ser totalmente apagado, uma vez que deixou registos do vigor das gentes ou dos cuidados régios.
Penamacor foi um dos mais poderosos castelos beirões e continua a ser uma porta de passagem para a Reserva Natural da Serra da Malcata que abriga um espécime enriquecedor do património da região: o lince ibérico.

PENAMACOR

Eis que vem Penamacor
De castro romanizado
Onde terá nascido Vamba
Rei godo eternizado
Eis que regressa D. Sancho
Que também te deu foral
E com D. Afonso III
Tiveste Feira anual
Vem então D. Dinis
De visões largas, como se diz.

E no livro das fortalezas
Duarte de armas escreve
Que as obras de remodelação
Torre de menagem descreve
E na guerra da Restauração
A fronteira de Penamacor
Cresceu em Conselho de Guerra
Que aumentou seu valor
Castelo Melhor e Marquês
Reforçaram muralhas que pólvora desfez.

Mais tarde as pedras usadas
Para se fazerem moradas
Mas o Domus Municipalis
Fortaleceu suas fachadas
E no final do século XX
É Monumento Nacional
Que se mantém alerta na vila
Com sua Torre principal
Para que recordemos e sempre
O seu valor monumental.

E lembro ainda a lenda
Que fez surgir o desejado
Como se Sebastião fosse
Pelo povo, ai, tão amado.
Ali foi então acolhido
Como Rei e proclamado
Porém o demo tapa e destapa
Foi descoberto e castigado
Mas Penamacor ainda vence
E a quem o visita, convence.

O meu carinho a Penamacor

«O Cheiro das Palavras», poesia de Teresa Duarte Reis
netitas19@gmail.com

Depois de sete anos como professora cooperante em São Tomé e Príncipe a jovem professora Petra decidiu regressar em definitivo a Portugal.

José Manuel Campos - Presidente Junta Freguesia Fóios - Capeia ArraianaA jovem fojeira convidou sete colegas seus, também cooperantes, para virem conhecer os Fóios e a região.
Ontem, à noite, quarta-feira, dia 1 de Agosto, promoveram um jantar convívio – ou poético – como lhe chamaram.
Este grupo de jovens professores e professoras tem muito nível e muito treino no campo das letras. Todos eles, e elas, leram poemas de encantar.
Também a nossa poetisa, Amélia Rei, brindou o grupo com a leitura de um poema, alusivo às capeias, por estarmos na altura delas.
A Ramitos, como anfitriã e mãe da Petra, provou porque é que o Eldorado é um restaurante de excelência e de referência.
Tanto o Presidente da Junta dos Fóios como o Presidente da Câmara do Sabugal entregaram algumas lembranças aos ilustres visitantes que prometeram voltar.
Obrigado, Petra, pelo excelente serão poético que nos proporcionaste.
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos

(Presidente da Junta de Freguesia de Foios)
jmncampos@gmail.com

Manuel Leal Freire - Capeia Arraiana«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual a cada domingo vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Este Município raiano, um dos maiores do País em termos de extensão territorial, tem 40 freguesias, algumas delas com anexas, sendo no total exactamente 100 (cem) o número das localidades do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta bismulense dedica um soneto à Quinta das Batoquinhas, anexa da freguesia raiana de Aldeia da Ribeira. No próximo domingo será editado o poema relativo à freguesia de Aldeia de Santo António.

QUINTA DAS BATOQUINHAS

Na minha saudade as Batoquinhas
Não são uma quinta, mas a Quinta
Memórias soberanas quais rainhas
Que o mugre temporal a ouro pinta

Espadas postas fora das bainhas
Quixotes que o Cid em mim requinta
Carrascos entoando ladainhas
A noite dos cargueiros as pressinta

Quando os verdes anos dão o mote
Qualquer um verseja sem que note
Que o estro fica aquém da ambição

Rodeira não das cinzas lume vivo
Os verdes anos no carril revivo
Qual César indo além do rubicão

«Poetando», Manuel Leal Freire

Manuel Leal Freire - Capeia Arraiana«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual a cada domingo vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Este Município raiano, um dos maiores do País em termos de extensão territorial, tem 40 freguesias, algumas delas com anexas, sendo no total exactamente 100 (cem) o número das localidades do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta bismulense dedica um soneto ao Escabralhado, anexa da freguesia raiana de Aldeia da Ribeira. No próximo domingo será editado o poema relativo à anexa Quinta das Batoquinhas, outra terra do nordeste do concelho.

ESCABRALHADO

Caber em pouco chão tanta abundância
Não é milagre ou coisa que o valha
Divina bênção, prémio é da constância
Do povo que muito reza e mais trabalha

Labor continuado mas sem ânsia
Que a pressa não ajuda, mas encalha
De passo a passo se cobre a distância
Do tempo da decrua até á malha

O cem por um promessa do Evangelho
Do Novo Testamento já no Velho
Estavam no timão e no arado

Ser dextro no domínio do timão
Na foice e na gadanha eis o brasão
Do homem que nasceu no Escabralhado

«Poetando», Manuel Leal Freire

Teresa Duarte Reis - O Cheiro das Palavras - Capeia ArraianaE venho agora com a minha homenagem ao Castelo de Penha Garcia, mais um Senhor da história e um marco dos tempos. Com a chegada de mais um Solstício de Verão lembramos o dia maior do ano. E falando aqui de Penha Garcia, recordo o bom pão e as boas gentes, sinto a calma do fim da tarde estival, o fresco das regas e o cantar das águas correndo pelas levadas. Terras verdes, puras e belas, onde o calor humano está a ficar empobrecido pela desertificação. É contra ela que temos que continuar a lutar.

Penha Garcia

PENHA GARCIA

És também Penha Garcia
Um castelo a recordar
Retomamos a pré-história
Com D. Sancho a te marcar
Com o D. Afonso III
Recebes Carta de Foral(1)
Andaste com a Ordem de Cristo
Mas voltaste ao poder real
D. Manuel como convém
Traz Foral Novo também.

Estás num lugar rico
De pré-história registado
A povoação do teu nome
Um castro foi no passado
Eos teus moradores pelo foral
Ficam com regalias marcadas
Tal como em Penamacor
Elas estavam registadas
Tuas gentes bem lutadoras
Das descobertas senhoras.

Depois do séc. XVII
Muitos desaires sofreste
Foste couto, foste concelho
Título que depois perdeste
Caçadores de tesouros
Te foram tratando mal
Não foste classificado
Sem teres culpa para tal
Mas a lenda traz-te magia
Com linda Branca e D. Garcia.

(1) 31 de Outubro de 1256

Também o meu carinho para Penha Garcia
«O Cheiro das Palavras», poesia de Teresa Duarte Reis

netitas19@gmail.com

Manuel Leal Freire - Capeia Arraiana«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual a cada domingo vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Este Município raiano, um dos maiores do País em termos de extensão territorial, tem 40 freguesias, algumas delas com anexas, sendo no total exactamente 100 (cem) o número das localidades do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta bismulense dedica um soneto às Batocas, anexa da freguesia raiana de Aldeia da Ribeira. No próximo domingo será editado o poema relativo à anexa Escabralhado, outra terra do nordeste do concelho.

BATOCAS

Batocas, Almedilha, passo e meio
A raia aqui é traço de união
Mil vezes eu passei-a sem receio
Falar também o charro a condição

Não há mundos além outro rincão
Em que se fale assim meio por meio
O nosso idioma e o alheio
Como eu senti na minha criação

Do lado espanhol nada difere
Que em cada duas frases que profere
O bom alamedilho uma é nossa

Assim se construiu uma irmandade
Indemne a qualquer contrariedade
Que o tempo não corrói antes engrossa

«Poetando», Manuel Leal Freire

Manuel Leal Freire - Capeia Arraiana«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual a cada domingo vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Este Município raiano, um dos maiores do País em termos de extensão territorial, tem 40 freguesias, algumas delas com anexas, sendo no total exactamente 100 (cem) o número das localidades do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta bismulense dedica um soneto à freguesia raiana de Aldeia da Ribeira, terra do nordeste do concelho, que tem três anexas. No próximo domingo será editado o poema relativo à anexa Batocas.

ALDEIA DA RIBEIRA

Aldeia da Ribeira é ridente
Presépio a orlar o Cesarão
Que meigo trava ali sua corrente
Ciciado marulho em cantochão

O burgo a ocaso e oriente
Tem ramos que lhe dão continuação
Anexa ou simples quinta é indiferente
O nome não inquina a condição

Seus filhos, no negócio e no arado
Os das Batocas, os do Escabralhado
Aos da paróquia todos pedem meça

As Batoquinhas, essas são um mito
Altar sagrado de um antigo rito
A carrasqueira, uma moura egressa

«Poetando», Manuel Leal Freire

Manuel Leal Freire - Capeia Arraiana«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual a cada domingo vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Este Município raiano, um dos maiores do País em termos de extensão territorial, tem 40 freguesias, algumas delas com anexas, sendo no total exactamente 100 (cem) o número das localidades do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta bismulense dedica um soneto à freguesia raiana de Aldeia da Ponte, terra de fortes e arreigadas tradições. No próximo domingo será editado o poema relativo à freguesia de Aldeia da Ribeira.

ALDEIA DA PONTE

Humosas veigas de humosos húmus
Silvestres prados de abundantes pastos
Carvalhos robles pródigos como numos
Canhadas donas de horizontes vastos

O vale de todo o povo traça rumos
Caminhos de Santiago nunca exaustos
O Cesarão de históricos ressumos
Das águias de Roma lembra os Faustos

Depois de César veio a Fé de Cristo
Ermidas e conventos que em registo
O burgo tornam em perfeita orada

De Santa Bárbara a Santa Catarina
A mesma fé nos guia e ilumina
Sem ela, tendo tudo, somos nada

«Poetando», Manuel Leal Freire

Os poetas, nas palavras de Erasmo, «formam uma raça independente, que constantemente se preocupa em seduzir os ouvidos dos loucos com coisas insignificantes e com fábulas ridículas. É espantoso que com tal proeza se julguem dignos da imortalidade». E continua: «esta espécie de homens, está, acima de tudo, ao serviço do Amor-Próprio e da Adulação». E dizia isto Erasmo, não por julgar a poesia um género literário menor, mas por saber que o mudo da poesia é o da adulação e da crítica elogiosa, com que de poetas medíocres, se fazem poetas da moda. (parte 4 de 4).

João Valente - Arroz com Todos - Capeia ArraianaA par do elemento natural, a «espontaneidade» constitui o segundo elemento que não caracteriza apenas a faculdade criadora mas deve estar presente em todo o processo poético e a qual jamais deve sacrificar-se às exigências estilísticas.
Por sua vez, Pascoais explica melhor a sua visão ética da poesia no Regresso ao Paraíso, obra que Leonardo Coimbra qualificou de criacionista.
Pascoais defende aqui uma realidade cuja aparência começa na matéria e se perfecciona, na dialéctica dos contrários (Matéria e Espírito, Alma e Corpo, Luz e Sombra; Queda e Redenção, Criação e Ressorção; Ciência e Poesia; Poesia e Filosofia; Deus e Satã; Jesus e Pã; Cristianismo e Paganismo; Teísmo e Ateísmo; inteligível e sensível, intuição e razão) superada pelo espírito saudoso.
Em simultâneo, a criação da obra de arte segue o mesmo processo transfigurador e idealizante, sob a acção criadora da saudade; isto é, todas as coisas e todas as obras necessitam que o tempo as converta em lembrança, para que, após serem assimilados e integrados pela alma na sua substância, possam ser por ela exprimidos em eternas formas de beleza. E é o papel inventivo da fantasia e da imaginação que tem o poder de transfigurar o existente, criar algo de novo (heurésis), sendo partir deste momento que a obra se anima de outra vida, se converte em arte verdadeira.
Por isso, a poesia, ao contrário da escultura e pintura, que tendem a ser miméticas, copiadoras do universo criado, não copia as formas, vai além do visível. Em consequência, o verdadeiro poeta é o homem que passa da Existência à Vida, da matéria ao espírito, ou seja, da realidade à verdade, processo possível só com um conhecimento do cosmos, que a intuição poética permite.
Como vimos, partindo ambos de Platão, atalhando pela via do Heglianismo ou do Kantismo, Antero e Pascoais acabaram por chegar à mesma conclusão:
A resposta ao que é poesia e um bom poema, está de facto no temperamento, carácter e personalidade do poeta, na maneira como sente o mundo, a espontaneidade e imaginação com que exprime a sua ideia do mundo.
A universalidade da obra de arte radica na verdade pessoal do poeta, no seu carácter, nesse húmus que é comum a todos os homens, do qual brota, turva a seiva da «espontaneidade»; é neste sentido que para Antero ser verdadeiro é ser natural, já que, no poema, sentimento e ideia se adequam por intermédio da palavra – da forma –, sendo nos limites deste postulado que o justo e o belo hão-de ser medidos.
Pascoaes afirma que é na «inspiração» que reside a identificação ontológica do homem com o mundo, e será a partir desta que toda a relação estética se torna possível: «a inspiração do poeta é a sua identificação com o cosmos, a exprimir-se verbalmente ou por meio da substância originária que é o verbo, o som, música divina.»
Portanto tudo se resume no verbo fiel ao pensamento e à ideia, à representação completa do sentimento, que por intervenção da imaginação (em Pascoais) ou espontaneidade (em Antero), é a linguagem do coração do poeta.
Resumindo: A poesia é a palavra que exprime fielmente um sentimento e uma ideia. A boa poesia exprime esse sentimento e ideia com espontaneidade e imaginação, as quais dependem da personalidade do poeta.
Como se vê, demos as voltas que dermos, vimos sempre dar ao mesmo.
O que nos remete para o seguinte texto de Lobo Duarte, onde se vê este essencial equilíbrio que a poesia consegue alcançar entre ética e estética, forma e ideia e sentimento, imaginação e espontaneidade, que lhe dá uma leveza extraordinária, leveza profunda, medida pela precisão e concisão de suas imagens:

A Dona Antonia escreve versos, aquilo parece a sirene dos bombeiros a correr para o fogo. Que aqueles babosos versos lhe adocem os beiços. Ela há-de dar aquelas lamechices a uma casa de caridade. São fracos versos que a consolam naquele abandono de homem e filhos. A Dona Antonia gosta de costurar, é uma artista no ponto cruz, uma devota do ponto cruz e do Dr Sousa Martins padroeiro das diarreias e das cólicas. A Dona Antonia e os seus versos amarelos como a bilis. Ela entretem os seus bichos de estimação entre eles as pombas que poisam no peitoral a mendigar umas migalhas literárias. Dona Antonia e os seus versos fofos e quentinhos que cheiram a mofo e a naftalina.

Isto é que é poesia! A boa poesia…

«Arroz com Todos», opinião de João Valente
joaovalenteadvogado@gmail.com

Manuel Leal Freire - Capeia Arraiana«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual a cada domingo vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Este Município raiano, um dos maiores do País em termos de extensão territorial, tem 40 freguesias, algumas delas com anexas, sendo no total exactamente 100 (cem) o número das localidades do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta bismulense dedica um soneto à Quinta do Clérigo, anexa de Águas Belas, freguesia da margem esquerda do rio Côa. No próximo domingo será editado o poema relativo à freguesia de Aldeia da Ponte.

QUINTA DO CLÉRIGO

O ter um nome assim pomposo implica
Que a Quinta às demais se sobreleve
É quinta, não quintã, não por ser rica
Mas para que em virtude a palma leve

O bispo da Idanha foi bem breve
Em breve que as coisas simplifica
Impondo pé de altar que sobreleve
O que nas capelanias se pratica

Assim se erigiu em tempos evos
Reinavam os Alanos e os Suevos
No trono se sentavam os reis Érigos

Um burgo de perene nome e fama
Que de nascença antiga se reclama
De nome que ressoa – Quinta dos Clérigos

«Poetando», Manuel Leal Freire

Os poetas, nas palavras de Erasmo, «formam uma raça independente, que constantemente se preocupa em seduzir os ouvidos dos loucos com coisas insignificantes e com fábulas ridículas. É espantoso que com tal proeza se julguem dignos da imortalidade». E continua: «esta espécie de homens, está, acima de tudo, ao serviço do Amor-Próprio e da Adulação». E dizia isto Erasmo, não por julgar a poesia um género literário menor, mas por saber que o mudo da poesia é o da adulação e da crítica elogiosa, com que de poetas medíocres, se fazem poetas da moda. (parte 3 de 4).

João Valente - Arroz com Todos - Capeia ArraianaAs imagens da imaginação dão-nos «mais que pensar que o próprio pensamento», as imagens para os conceitos indeterminados são mais ricas do que a explicação dos conceitos. Mas é exactamente na explicação da imagem que o entendimento tenta demonstrar porque é que o Pavão de Juno é uma ilustração da beleza. Podemos responder que é por o Pavão ter todas aquelas cores, que para aqueles que o admiram as suas cores não têm nenhuma utilidade, etc. Ou seja, a imaginação é um campo muito fértil que deixa muita coisa em aberto para que o entendimento se aplique na imagem, numa troca de informação, num diálogo entre a imaginação e o entendimento, a que Kant chama «jogo livre das faculdades». Livre porque a imaginação e o entendimento funcionam de certa forma a sós, sem nenhuma determinação objectiva. Não há nenhum dado empírico que ajude o entendimento a estabilizar a informação que retira da imagem proposta pela imaginação. Se fosse possível determinar algo objectivo para estas imagens o jogo livre das faculdades cessaria. É precisamente o carácter inesgotável deste jogo, de troca de informações entre o entendimento e a imaginação, que explica a sensação de prazer cognitivo tida perante o belo.
Ao longo desta relação entre a imaginação, o entendimento e a imaginação vão-se conhecendo um ao outro e perceber como concordam entre si de forma a aquele tentar explicar este, e não a esgotando volta a tentar explicá-la, ao longo de uma troca cognitiva inesgotável entre ambos.
Este jogo livre das faculdades é tão importante para nós, «a sensação de prazer» que daí decorre é tão intensa, que nós queremos que os outros sintam a mesma coisa. Quando digo este poema é belo, não espero que o outro concorde comigo mas quero que o faça, é isto que ele deve fazer, embora não haja nenhum motivo para acreditar que ele o faça porque não há nada de objectivo em nenhuma forma que permita resolver as questões de gosto, mas se todos chegarmos a um acordo aceitando que estamos diante de uma determinada forma sentimos o jogo livre das faculdades, uma determinada imagem, todos concordarão com a beleza do poema. Vemos a forma e depois podemos virar-lhe costas porque a imagem estética do poema vai permanecer.
Percebe-se agora melhor, além da preferência de Hegel pelo belo artístico, formal, o que o separa de Kant:
Para Hegel, o Espírito, o Absoluto incarnam-se nas próprias coisas. Não há nada na realidade, que não seja, em graus diversos, a manifestação do Espírito absoluto, e nada, por consequência, que o espírito humano, ao menos em teoria, não possa conhecer: tudo o que é real é racional, e acessível à razão. A recíproca também é verdadeira: tudo o que é racional é suscetível de se concretizar na realidade. O belo encontra-se na forma, na estética, do conteúdo para a forma.
Kant, ao contrário, apesar de falar de ideias estéticas, limita o poder da Razão ao conhecimento dos fenómenos. A Razão, o espírito humano não têm acesso às coisas em si, ao Absoluto. O belo está apenas na imagem que o jogo dialético entre o entendimento e a imaginação extrai da forma, na ética, da forma para o conteúdo.
A consequência, é que para Hegel, o único belo que o interessa é o belo artístico, o das produções humanas, excluindo-se o belo natural, porque aquele, sendo produção do espírito e comunicando a sua superioridade aos seus produtos e à arte, é superior a este.
Uma das consequências dessa superioridade incontestável do espírito é que a arte não deve imitar a natureza, ao contrário do que defendia Aristóteles, mas expressar o belo, porque o seu objetivo não é de satisfazer a lembrança, mas a alma, o espírito.
E por isso é que para Hegel, a ideia do belo é a própria realidade concreta que toma a forma sensível do belo artístico, um pensamento que não é atividade passiva, recolhimento ou distanciamento, mas na faculdade activa responsável pelo domínio da criatividade, da capacidade de criar formas e instaurar significados, contrário a Kant, que à semelhança de Platão, para quem a ideia do Belo, como a do Verdadeiro e do Bem, é abstrata, a-temporal, a-histórica.
Percebe-se claramente, de novo, quanto a Ideia hegeliana do belo difere da Ideia kantiana:
Em Hegel, o belo é a própria realidade concreta apreendida no seu desdobramento histórico. Quando esta realidade toma a forma sensível do belo artístico, determina o Ideal do belo artístico. E este Ideal do belo aparece na história de várias formas fundamentais (arte simbólica, clássica e romântica), que traduzem o modo como a imaginação tenta escapar da natureza, dar forma a um conteúdo.
Para kant, o belo existe enquanto fim em si mesmo: agrada pela forma, mas não depende da atração sensível nem do conceito de utilidade ou de perfeição. A ideia do Belo, como a do Verdadeiro e do Bem, é abstrata, a-temporal, a-histórica, dá conteúdo à forma, vai além da forma.
Entre nós, foi Antero com a sua visão Hegliana, e Pascoais, com a sua visão Kantiana, que mais profundamente pensaram a arte poética.
Em Antero, apesar de atraído pelo positivismo de Proudhon e Michelet, foi a filosofia de Hegel, com a sua manifestação do ideal em arte, que mais influenciou a sua evolução intelectual, onde o lugar concedido à criação artística, enquanto manifestação do espírito humano, configura um pensamento estético singular, de cariz metafísico, no qual o belo surge como um absoluto.
No que diz respeito à sua concepção estética, Antero evolui em três estádios; no primeiro, onde se manifesta a herança estética do ideal Platónico, o sentimento e a verdade constituem o fundamento da arte e da poesia. Num segundo momento, e já profundamente imbuído da concepção hegeliana e algo positivista da arte, reconhece que a razão substituíra o sentimento, e se convertera na fonte do novo modelo naturalista da arte.
Nesta fase, Antero admite a morte da arte. À semelhança de Hegel, entende que o século XIX, como século científico e positivo, viria a prescindir da arte, por esta já não corresponder à necessidade de uma consciência que se supera, ou seja, por já não corresponder a um ideal que existe por si mesmo, e que não carece de formas sensíveis para subsistir, mesmo as «mais esplêndidas».
Numa terceira e última fase Antero defende, numa síntese entre o espírito e a natureza, entre o Sentimento e a Verdade, um estado superior da consciência que possa conciliar ciência e arte, poesia e filosofia, confirmando o Homem com o único e o último fim da arte, que é a Estética da Natureza.
O sentimento; à semelhança da intuição poética em Pascoais, seria a fonte da criação artística, em particular da poesia, e da gnoseologia a partir da noção de verdade intimamente relacionada com a espontaneidade sentimental do eu, à semelhança da imaginação em Pascoais.
A poesia, segundo Antero, a grande a verdadeira poesia, a que se escreve com uma mão sobre o coração, sem querer outros modelos além da natureza, outras leis mais que as da razão, essa vive e chega longe nos séculos.
(Continua)
«Arroz com Todos», opinião de João Valente

joaovalenteadvogado@gmail.com

O mês de Junho é por excelência o mês do mais insigne e genial vate português, Camões e dos três mais populares santos, St.º António, S. João e S. Pedro, assim: 10 de Junho (Camões); 13 de Junho (St.º António); 24 de Junho (S. João); 29 de Junho (S. Pedro).

É sobre o 10 de Junho e Camões que iremos tecer algumas considerações, lembrando que até ao dia 24 de Abril de 1974, o 10 de Junho era «Dia de Camões, de Portugal e da Raça», passando depois a ser considerado o «Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas» espalhadas por todo o mundo.
De Camões, pena é que grande parte da sua biografia ande envolta em sombras e cuja verdade histórica esteja longe de se conhecer em definitivo. E se algo de muito e bom chegou até nós, inverosímil, porém, é que a sua data de nascimento, de naturalidade e de outros acontecimentos não sejam ao certo conhecidos, já que o imortal épico português tal não merecia. Assim, diz-se que, numa breve biografia que até nós chegou, “Camões, de nome Luís Vaz de Camões, filho de Simão Vaz de Camões e de Ana de Sá e Macedo, terá nascido em 1524 ou 1525 e Lisboa e Coimbra disputam entre si o berço do seu nascimento.
De 1531 a 1541 terá ido a estudar Humanidades para Coimbra, cuja licenciatura não concluiu por se ter envolvido em vários desacatos, o que provocou a sua ida para Lisboa. Em Lisboa, trocando os estudos pelo ambiente da Corte de D. João III, foi afastado da Corte, onde permaneceu de 1542 a 1545 e desterrado para o Ribatejo, por, diz-se, morrer de amores pela formosa Dona Catarina de Ataíde, a quem ele imortalizou sob o anagrama de Natércia. Continuando com uma vida leviana e os planos amorosos terem ido por água abaixo, ao ver-se desiludido com tudo isto, solicita ao Rei para ir para a guerra no Norte de África. Aceite o pedido, em 1547 vai para o Norte de África, onde na batalha não morre, mas tem a infelicidade de ficar sem o olho direito.
Finda a missão em África, três anos mais tarde, regressa a Lisboa, onde não tarda em voltar à vida de boémio e envolvendo-se novamente em desacatos, em 16 de Junho de 1552 fere, numa rixa, Gonçalo Borges, funcionário da Corte, o que lhe valeu um ano de prisão, onde diz-se ter composto o primeiro Canto de «Os Lusíadas».
Libertado, em 7 de Março de 1553, por carta régia de perdão, assinada por D. João III, no mesmo ano é enviado para a India com o resto da Armada. No caminho marítimo para a India conhece diversas civilizações e culturas, adquirindo assim muita experiência para escrever os poemas.
Em Goa participa em várias expedições, continua a escrever Os Lusíadas e parte depois para Macau, onde numa gruta, vivendo em condições horríveis, escreveu a maior parte de Os Lusíadas.
Em Macau ainda, foi Provedor dos Defuntos e Ausentes. Acusado de irregularidades, prenderam-no e sob prisão volta para Goa. Nesta viagem teve um trágico naufrágio de que saiu são e salvo, bem como Os Lusíadas.
Chegado a Goa, posto em liberdade, graças à influência do Conde de Redondo, teve logo de sair e voltar para Portugal, mas como não havia barcos para Portugal, parte de Goa para Moçambique, para depois seguir para Lisboa.
Em Moçambique, continuando a viver na miséria, encontrou lá um velho amigo de nome Diogo do Couto que o traz de volta a Lisboa (1569).
Já em Lisboa goza os seus últimos anos de vida com dificuldade e, já doente e a viver de esmolas, em 1572 consegue publicar Os Lusíadas, graças á influência de vários amigos, junto do rei D. Sebastião.
Como recompensa régia é-lhe concedida uma tença anual de 15.000 réis, uma mísera esmola que não o impediu de viver na miséria durante os restantes anos de vida e, na miséria, viria a morrer de doença cardíaca, no dia 10 de Junho de 1580, em Lisboa, cujo enterro foi pago por uma Instituição de Caridade, a Companhia dos Cortesãos.
Com Os Lusíadas publicados, personificando primorosamente a Raça Lusa e tão magistralmente neles narrados e cantados os grandes e heroicos feitos dos Portugueses, Camões, ilustre vate português, após privações e conturbada vida, incompreensivelmente, não tendo sido lembrado em vida, na morte, só em 10 de Junho de 1933 se comemorou pela primeira vez, a nível nacional, o 10 de Junho, como «Dia de camões», para depois passar a ser «Dia de Camões, de Portugal e da Raça».
E como, em todos os anos, esta celebração vem sendo habitual, Lisboa, designada pelo Sr. Presidente da República, foi a sede das comemorações do dia 10 de Junho de 2012, o então «Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas», ano em que decorridos são 432 anos sobre a sua morte, Camões, militar valoroso, poeta insigne, bem mereceu tão honrosa distinção, pecando por tardia, porque foi e é, sem dúvida, o Príncipe dos poetas, jamais igualado e frustradamente imitado, a não ser nos transes da ventura, como atesta a poesia dum outro grande poeta que foi Bocage, abaixo transcrita:

A Camões
Camões, grande Camões, quão semelhante
Acho teu fado igual ao meu, quando os cotejo!
Igual causa nos fez, perdendo o Tejo
Arrostar c’o sacrílego gigante;

Como tu, junto ao Ganges sussurrante,
Da penúria cruel no horror me vejo;
Como tu, gostos vãos, que em vão desejo,
Também carpindo estou, saudoso amante.

Ludíbrio, como tu, da sorte dura,
Meu fim demando o Céu, pela certeza
De que só terei paz na sepultura.

Modelo meu tu és… mas – oh, tristeza!…
Se te imito nos transes de ventura,
Não te imito nos dons da natureza!
Se bem que este soneto traduz a claro o valor e enaltecimento do autor de Os Lusíadas – Epopeia Nacional – que, numa antevisão maravilhosa, cantou e esculpiu com letras de ouro toda a glória da «Ocidental Praia Lusitana», não nos poderemos furtar a dizer que, se Os Lusíadas, com a tessitura do condigno poema épico que é, o imortalizaram e o tornaram sobejamente bem conhecido em todo o mundo, não é menos digno de imortalidade como lírico. Nesta qualidade foi também exímio no emprego da métrica tradicional de redondilha e aperfeiçoou genialmente as suas formas que Sá de Miranda importara.
Para corroborar esta nossa afirmação, eis, ao acaso, um dos muitos sonetos que nos legou:

Alma Minha…
Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida descontente,
Repousa lá no Céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste!

Se lá no assento etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente,
Que já nos olhos meus tão puro viste.

E, se vires que pode merecer-te
Algũa cousa a dor que me ficou
Da mágoa sem remédio de perder-te,

Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te
Quão cedo de meus olhos te levou!

Daniel Machado

Manuel Leal Freire - Capeia Arraiana«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual a cada domingo vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Este Município raiano, um dos maiores do País em termos de extensão territorial, tem 40 freguesias, algumas delas com anexas, sendo no total exactamente 100 (cem) o número das localidades do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta bismulense dedica um soneto ao Espinhal, aldeia anexa de Águas Belas, freguesia da margem esquerda do rio Côa. No próximo domingo será editado o poema relativo à aldeia anexa de Águas Belas: Quinta do Clérigo.

ESPINHAL

Nem sempre o nome é vero retrato
Valendo muito mais como antonímia
Não é incivilizado todo o mato
Á culpa batismal a fé redime-a

A rubicunda rosa de alto trato
Rainha dos jardins por sinonímia
Jamais perdeu o trono pelo impacto
Da coroa que lhe apõe a metonímia

Do dito e não dito eu presumo
Que pode extrair-se como sumo
De espinhos ufanar-se o roseiral

São mesclas com que a vida se compensa
E o povo relembrando esta sentença
Vaidoso se reclama de Espinhal

«Poetando», Manuel Leal Freire

Os poetas, nas palavras de Erasmo, «formam uma raça independente, que constantemente se preocupa em seduzir os ouvidos dos loucos com coisas insignificantes e com fábulas ridículas. É espantoso que com tal proeza se julguem dignos da imortalidade». E continua: «esta espécie de homens, está, acima de tudo, ao serviço do Amor-Próprio e da Adulação». E dizia isto Erasmo, não por julgar a poesia um género literário menor, mas por saber que o mudo da poesia é o da adulação e da crítica elogiosa, com que de poetas medíocres, se fazem poetas da moda. (parte 2 de 4).

João Valente - Arroz com Todos - Capeia ArraianaApós a leitura de uma obra poética, analisando um estilo, um tema, uma originalidade, uma técnica, uma escola, podemos dizer que ela é talentosa, sublime, genial. Pensamos evidentemente, que o seu criador é, por isso, talentoso, sublime, genial. Mas isto são conceitos que tentam explicar mecanismos psicológicos. O que significam cada um deles? Existem de facto? Existem só em determinados indivíduos, ditos artistas, e não nos outros?
Donde, falar de homem vocacionado, talentoso, genial, é falar de conceitos que, tendo evidente utilidade instrumental, são escassos como explicação de um processo criativo.
Podemos dizer portanto que uma obra é genial, mas já dificilmente isso se pode afirmar de um artista, porque a explicação da criatividade artística é mais uma questão de psicologia; o que nos remete para a conclusão de que a compreensão da criatividade estética de um poeta deve ter em conta a compreensão da sua natureza. Isto leva-nos a Manuel Leal Freire e ao seguinte poema sobre a Capeia:

Negro
Mais negro que os fogueiros ào inferno;
Gordo,
Mais gordo que as mulheres de um rei negróide;
Bufão,
Mais bufão do que Noto, Eolo e Bóreas à compita;
Veloz,
Mais veloz que os golfinhos de Nereu –
Entrou na praça o boi galhardo.
Escarvando,
Olfacteou o argiloso chão,
Com um ar de Satã alucinado.Depois,
Erguendo a cabeça,
Achou pequenas a pequenez da praça
E a amplidão dos céus.
Depois, ainda,
Mugiu
Em ódio clamoroso e clangoroso.
Então,
A praça entrou nos delírios do pavor.
O forcão
Quedou-se desamparado
No meio do terreiro
E os capinhas galgaram em pânico
O espaço que os separava das trincheiras.
Sozinho,
No meio da praça,
O boi,
Já gigante,
Mais se agigantava.
Empoleirado num carro,
Exalçado a lenha
E enfeitado a colchas,
O tamborileiro rufava,
Querendo rebentar o velho bode.
Então os solteiros ganharam coragem
E, saltando aos magotes para a arena,
Imobilizaram o boi
Entre os aplausos dos homens
E os gritos das mulheres.

Este poema é de inegável beleza; provoca sentimento de prazer. Mas porque digo isto deste poema, e dos anteriores não?
A resposta está no temperamento, carácter diferente de quem os criou, isto é, a criatividade que está na origem dos diferentes poemas baseia-se também em personalidades diferentes. E que tipo de personalidades são esses?
Ao contrário da anterior, que é plana, a personalidade de Leal Freire é redonda, ideativa-criativa, poética, pela facilidade que tem em pôr, de forma artística, um pensamento em verso, aliando a sensibilidade estética (formal), à sensibilidade ética (criativa).
O autor dos poemas anteriores «arruma» versos; Leal Freire, personalidade artística, vive a vida como uma forma de arte, revive no dia a dia a sua fantasia, o lúdico, o sonho, que transporta para o quotidiano o seu sonho artístico, como se vê sobejamente no seu poema «Capeia».
É que a poesia é arte, e como tal, coisa do espirito que só conhecemos tendo educado um apurado sentido ético e estético. Por isso a poesia é coisa para ser tratada com a seriedade da filosofia, como faremos daqui para diante.
Quem melhor perceberam isto nos tempos modernos foram Hegel e Kant, ambos partindo de Platão no diálogo com Hippias maior, da ideia geral do belo, para elaborar uma «filosofia da arte» ou da poesia. Aquele tratando a poesia como as restantes manifestações de arte, mas a mais sublime entre elas; este referindo-se expressamente à poesia.
Para Hegel, como podemos ver na Introduction à l’Esthétique, Aubier, Paris, 1964, tradução de Mirian Magda Giannella, o belo existe aqui e em todo lugar ao redor de nós, intervindo «em todas as circunstâncias da vida» como um «génio amistoso que reencontramos em todo lugar».
E – não é para nos espantarmos – o único belo que o interessa é o belo artístico, o das produções humanas, excluindo-se o belo natural, porque aquele, sendo produção do espírito e comunicando a sua superioridade aos seus produtos e à arte, é superior a este.
Uma das consequências dessa superioridade incontestável do espírito é que a arte não deve imitar a natureza, ao contrário do que defendia Aristóteles, mas expressar o belo, porque o seu objetivo não é de satisfazer a lembrança, mas a alma, o espírito.
A prova é que a arte sempre simbolizou, representou, figurou o sentimento religioso do homem ou sua aspiração à sabedoria, sendo graças aos vestígios artísticos das civilizações e das culturas antigas, que podemos reconstituir o que foram as ideias e as crenças que animavam os homens das épocas anteriores.
E por isso é que para Hegel, a ideia do belo é a própria realidade concreta que toma a forma sensível do belo artístico, um pensamento que não é atividade passiva, recolhimento ou distanciamento, mas na faculdade activa responsável pelo domínio da criatividade, da capacidade de criar formas e instaurar significados, contrário de Platão, para quem a ideia do Belo, como a do Verdadeiro e do Bem, é abstrata, a-temporal, a-histórica.
Por sua vez, na Crítica da Faculdade do Juízo, Kant distingue entre beleza pura e livre (arte à grega) e beleza dependente (conceito): A primeira, encontra-se exclusivamente na forma, sem qualquer conceito (ex. música sem palavra e determinadas artes decorativas) que agrada pela forma pura; a segunda depende de algum conceito, o qual perturba a nossa relação com o objecto.
Quando a beleza depende dos conceitos, como a poesia, somos determinados por algo cognitivo da nossa relação com a forma que atrapalha esta nossa relação com a forma. Estes conceitos podem ser determinados, com um determinação objectiva, criados através de algo no objecto que determina esses conceitos (ex. o conceito de mesa depende daquilo que é o objecto mesa, em que para atingirmos o conceito de mesa temos de encontra um objecto externo correspondente), ou indeterminados, sem referência externa (ex. conceito de Bem-aventurança, Vida Além-túmulo, Beleza).
O nosso entendimento, o nosso sistema cognitivo, está montado expressamente para unificar os dados da experiência e para nos conduzir a conceitos objectivos claros e distintos e não encontrando este tipo de conceitos, a imaginação vai propor-lhe imagens, aquilo a que Kant chama ideias estéticas, de modo a encontrar um correspondente objectivo para estes conceitos.
A arte dedica-se precisamente a isto, à tentativa de criar imagens (ideias estéticas, segundo Kant) para conceitos indeterminados. Por exemplo, para o conceito de beleza seria representada por uma imagem da mitologia, o Pavão de Juno. Outro exemplo é a forma como Kant representa o cosmopolitismo, escolhendo um verso de Frederico II, em que este descrevia um belo pôr-do-sol e a certa altura compreendemos que ele está a falar de si próprio no fim da vida, tal como o Sol deu a volta ao mundo e compreendeu todas as coisas também o homem cosmopolita conheceu tudo, deu a volta ao mundo e pode descansar tranquilamente.
(Continua)
«Arroz com Todos», opinião de João Valente

joaovalenteadvogado@gmail.com

Manuel Leal Freire - Capeia Arraiana«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual a cada domingo vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Este Município raiano, um dos maiores do País em termos de extensão territorial, tem 40 freguesias, algumas delas com anexas, sendo no total exactamente 100 (cem) o número das localidades do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta bismulense dedica um soneto a Vale Mourisco, aldeia anexa de Águas Belas, freguesia da margem esquerda do rio Côa. Nos próximos domingos serão editados os poemas relativos às aldeias anexas de Águas Belas: Espinhal e Quinta do Clérigo.

VALE MOURISCO

O nome em duplicado leva a marca
Fundindo o infiel com o cristão
Conceito que mais une que demarca
Pois todos somos netos de Abraão.

A terra nas colheitas não é parca
Desfazendo-se em frutas e em pão
É curto o horizonte que se abarca
Mas todo com sinais de promissão

Dêem-lhe, embora, o nome de moçárabe
Mistura de cristão com sangue árabe
Assim se erigiu a lusa pátria

O nome, Vale Mourisco é um exemplo
O agros, por sagrado, vira Templo
A Terra Patrum é que gera a Mátria

«Poetando», Manuel Leal Freire

JOAQUIM SAPINHO

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