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A reforma administrativa do território poderá conduzir a uma substancial perda de freguesias nos distritos da Guarda e de Castelo Branco por força das agregações propostas pela Unidade Técnica para a Reorganização Administrativa do Território (UTRAT). Apenas Manteigas mantém intacta a sua estrutura administrativa do território.

Penamacor pode perder três freguesias
A proposta formulada pela UTRAT aponta para agregações de freguesias no concelho de Penamacor, passando o mesmo para nove freguesias, menos três do que as que possui actualmente.
Pedrogão de São Pedro junta-se à Bemposta, passando a formar uma única freguesia.
A outra união prevista é a que reúne as freguesias de Aldeia do Bispo, Águas e Aldeia de João Pires, que passam a ser uma só.
A proposta mexe na única freguesias com menos de 150 habitantes, a Bemposta, que a UTRAT agrega a outra freguesia. Mas a proposta vai mais longe e, cumprindo os critérios legalmente definidos, aponta-se para a redução de três freguesias.
A Assembleia Municipal de Penamacor pronunciou-se contra a reorganização administrativa do território do concelho, não propondo a agregação de qualquer freguesia.

Manteigas não vai perder freguesias
O concelho mais pequeno do distrito da Guarda, mantém as quatro freguesias que o compõem, ainda que duas delas se situem na própria malha urbana da sede do Município.
Nenhuma das freguesias do concelho de Manteigas tem menos de 150 habitantes, além de que a lei da reorganização administrativa não obriga à redução de freguesias em municípios que têm quatro ou menos freguesias.
Face a estes factos a UTRAT entendeu não promover qualquer agregação, tanto mais que o próprio Município não expressou essa vontade.
A Assembleia Municipal de Manteigas pronunciou-se através da aprovação de uma moção em que lamentou a lei de reforma administrativa pelo facto da mesma não promover a transferência de freguesias entre municípios.
Assim sendo, em Manteigas vão manter-se inalteradas as freguesias de Santa Maria, São Pedro, Sameiro e Vale da Amoreira.

Almeida pode perder 13 freguesias
A proposta formulada pela UTRAT aponta para agregações de freguesias no concelho de Almeida que implicarão que passe a ter apenas 16 freguesias, menos 13 do que as que possui actualmente.
Azinhal junta-se a Peva e a Valverde.
Junça e Naves passam a formar uma só freguesia.
Leomil, Mido, Senouras e Aldeia Nova também se agregam numa só.
Castelo Mendo, Ade, Monte Perobolso e Mesquitela serão igualmente agregadas.
Amoreira, Parada e Cabreira é outra das agregações em Almeida.
Miuzela e Porto de Ovelha também passam a uma só freguesia.
Malpartida e Vale de Coelha também se unem.
A proposta da UTRAT mexe em todas as 16 freguesias do concelho de Almeida com menos de 150 habitantes, provocando uma redução de 13 freguesias, número muito maior do que aquele que a lei obrigaria, pois aplicando os critérios legais este município apenas teria de perder, no máximo, sete freguesias.
Porém o facto de a mesma lei impor que em nenhum município poderão restar freguesias com menos de 150 habitantes determinou a proposta que a UTRAD aponte para um maior número de agregações.

Concelho da Guarda pode perder 12 freguesias
A proposta formulada pela UTRAT vai de encontro ao parecer emitido pela Assembleia Municipal da Guarda, o que implicará que o concelho passe a ter apenas 43 freguesias, menos 12 do que as que possui actualmente.
As três freguesias localizadas no perímetro urbano da cidade da Guarda (Sé, São Vicente e São Miguel) ficam a constituir uma só freguesia.
Adão e Carvalhal Meão também se unem.
Gonçalo e Seixo Amarelo seguem o mesmo caminho.
São Miguel do Jarmelo e Ribeira dos Carinhos passam a uma só freguesia.
São Pedro do Jarmelo e Gagos irmanam-se igualmente.
Avelãs de Ambom e Rocamondo também ficarão agregadas.
Corujeira e Trinta passam a uma só freguesia.
Misarela, Pero Soares e Vila Soeiro também se juntam.
Pousade e Albardo reúnem o seu território.
Rochoso e Monte Margarido agregam-se também.
O caso da Guarda é um dos poucos na região em que a proposta da UTRAD vai inteiramente de encontro à pronúncia que a Assembleia Municipal fizera acerca do processo.

Belmonte pode perder uma freguesia
O concelho de Belmonte perde uma só freguesia, de acordo com a proposta formulada pela UTRAT, o que fará com que o concelho passe a ter quatro freguesias.
A própria cabeça do Município junta-se ao Colmeal da Torre, passando a formar uma só freguesia, o que melhora a dimensão demográfica de Belmonte enquanto sede.
As freguesias de Maçainhas, Inguias e Caria permanecem inalteradas.
A Assembleia Municipal de Belmonte não se pronunciou, limitando-se a fazer chegar à Assembleia da Republica as posições tomadas pelo Município e pelas assembleias de freguesia, que se mostraram contrárias a qualquer redução do número de freguesias no concelho.
plb

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Corre um tempo quente que queima o mês de Outubro enquanto este avança e se esgota num Outono com temperaturas de Verão.

Fernando Capelo - «Terras do Jarmelo»Assim, como assim, a vida não pára e colaborar no Capeia Arraiana é, para mim, um enormíssimo prazer. Evidentemente, tal colaboração inscreve-se-me numa obrigação quinzenal que carece de assunto e, se assim é, a observação poderá ajudar!
Olho, então… e olhando, vejo curtas planícies, a que o povo chama baixas. Mas, para além disso, vejo a diversidade dos montes e dou com a Serra, a tal Serra que toca as estrelas. Reparar nela é como olhar para mim próprio, assim a minha existência coincide com a sua presença.
E, claro, há outros montes para além da Estrela. Há o «Crucho» como é, popularmente, conhecido o cume do Monte do Jarmelo. Ele distancia-se um pouco da Serra mas é omnipresente numa paisagem que tenho a felicidade de observar diariamente.
Esbranquiça-se, então, o «Crucho», na distância e envolve-o um nevoeiro pouco denso lembrando fumo branco. No cimo exibe, furando os Céus, um enorme marco geodésico, alto, de mais de sete metros.
Permita-me o estimado leitor que eu compare este marco a um enorme dedo levantado, um dedo maior, um dedo de honra, sempre presente na distância…
«O Crucho» parece desabrir num quase protesto. Parece sublinhar a pretensão de sustentar e até de reavivar novos argumentos. Este enorme dedo que, na realidade, é estático parece ser intensamente manuseado e parece não permitir que a história do Monte seja mindinha.
E se é verdade que apenas um dedo não faz a mão o dedo maior quer, aqui, substituí-la em acenos, num importante chamamento de atenção.
Por estranho que pareça este modo representativo, este dedo, pode dizer que, embora, indo-se os anéis, podem ficar os dedos para novas angariações.
Baila, assim, no meu pensamento a convicção de que, para além das específicas funções que, primordialmente, atribuíram ao marco ele persistirá num chamamento aflito, desmesurado, gritando nas alturas.
Este marco grita de pé entre as ruínas tentando evidenciar vestígios que parecem escapar à mão da história. Ora, se essa mão, por aqui, deixou perder os anéis, acreditem, ainda mantém os dedos.
«Terras do Jarmelo», crónica de Fernando Capelo

Havia ribeiras, sim, como a Pêga ou as Cabras mas, qualquer delas, não poderia ser comparada ao Côa que era um rio grande, arraiano e, todo inteirinho, português.

Fernando Capelo - «Terras do Jarmelo»O Douro e o Tejo eram grandes, sim senhor, mas nasciam em Espanha. O Côa era grande, também, mas nascia em Portugal. Vinha dos lados do Sabugal. Contornava, a uma distância razoável, o Jarmelo e seguia por bandas de Espanha, sempre ao longo da fronteira sem nunca se internacionalizar. Propunha-se engordar o Douro, claro, como se aprendia na escola primária, na cantilena dos rios e afluentes. Mas, Côa e Douro, apenas se abraçariam numa raia mais a norte, nas proximidades de Vila Nova de Foz Côa.
Assumidamente fronteiriço o Côa esgueirava-se, escorregadio, qual cobra gigante e prateada, raia adentro, sinalizando a proximidade da fronteira sem se inibir de interferir nas vidas arraianas!
O Côa não era, portanto, um rio qualquer. Investia-se de missões específicas. Era tido e achado em muitos actos contrabandísticos e empenhava-se regulando-os. Por vezes ajudava os guardas. Outras vezes facilitava contrabandistas.
Nesses tempos, idos, há mais de três décadas, contrabandeava-se de tudo. As raias (portuguesa e espanhola) praticavam um comércio clandestino amalgamado e abrangente que incluía de um pouco de tudo: pão, galhetas, café, cacau, chocolates, carnes, azeites, óleos, alpergatas, botas, panos, enxadas, tabacos e muito, muito mais. De forma legal quase só os rios cruzavam a fronteira!
Aprendi o Côa, em meados dos anos sessenta, mesmo antes de o cantarolar na escola primária. Naquela altura os rios decoravam-se a cantar. Mas, para mim, o Côa nunca foi um rio de cantigas. Sempre foi real, extremamente real. Conheci-o, cruzei-o e molhei-me nele milhentas vezes.
O São Roque, sítio carismático da margem esquerda, associava-se ao rio. Foi e é local de feiras, festas e romarias. Foi praia, palco de brincadeiras, lugar de merendas e convívios. Há lá capela e ponte a ligar as arribas.
Na minha adolescência, por estas bandas, as águas do rio eram completamente isentas de poluições. Sobretudo no Verão, quando paradas e observadas de perto, lembravam espelhos enormes reflectindo não só a frescura do arvoredo marginal mas também as agruras dos montes medianamente afastados.
A minha relação com o rio é da minha idade e, entre nós, coexiste uma empatia crescente que se renovou em cada reencontro. Sobram-me, agora, retratos antigos que me reavivam imagens e recordações.
De quando em vez, faço questão de me pôr a sós com o Côa. Procuro-o como quem procura um velho amigo. Falo-lhe, conto-lhe, pergunto-lhe e escuto-o. Cheiro-lhe os ares, as águas e as margens. Lanço-lhe olhares profundos tentando decifrar-lhe segredos. Às vezes olho-o suavemente deixando que os meus olhos o percorram e se percam pelos sítios mais recônditos. Olhares profundos e olhares suaves acabam por se reencontrar sobre as águas, entre as margens. E, sempre, sempre após momentos da mais perfeita sintonia ambos (eu e o rio) concluímos que a raia só pode ser como é porque é assim o rio Côa.
«Terras do Jarmelo», crónica de Fernando Capelo

À chegada, Junho costuma fazer-se acompanhar dos primeiros calores estivais. Não tem sido tanto assim este ano ainda que o sol principie a fazer-se de ouro. É, também, por esta época que o céu inventa a cor azul celeste.

Fernando Capelo - «Terras do Jarmelo»O chão ainda não perdeu o verde, ou melhor, o verde/amarelo porque subsistem vestígios dourados (das maias) provenientes dos mais recônditos sítios. Os inícios das manhãs ainda recendem a Primavera.
Os tons quentes e secos do Verão só surgirão lá para Julho e, isto, se S. Pedro fizer questão de manter a tradição.
Ora, em princípios de Junho, falar do Jarmelo é falar da Feira Concurso do gado. Em todos os começos deste mês (este ano no passado domingo, dia doze) o Monte e a Base abandonam quietudes anuais e agitam-se, animam-se, vestem-se de festa e festejam. Sim, pode, por aqui, falar-se de calma, mas não agora. O Monte só é (demasiadamente) sereno todo o resto do ano.
Não se trata, portanto, de uma qualquer, Feira não senhor. Trata-se de uma Feira Concurso com tudo o que caracteriza uma e outra coisa. Há compras e há vendas, claro. Mas há prémios e premiados também. E tem havido, mais recentemente, uma nova forma de animação. A garraiada que, obviamente, foi importada da raia, vem aqui incentivar coragens e inflamar corações.
O gado bovino detém, claramente, a preponderância do concurso embora este seja também extensivo ao gado caprino e ovino.
A Feira transformou-se, ultimamente, numa ocasião de luta. Com o Concurso o Jarmelo torna-se mais visível. Talvez por isso se aproveite reivindicação. Tem vindo a ser solicitado, aos poderes instituídos, que preservem as raças jarmelistas. Trata-se, é evidente, de uma boa luta, de uma luta por causa justa.
É bom que se saiba que há produtores jarmelistas que, em nenhum dia do ano, esquecem esta Feira, este Concurso. Simplesmente cuidam e criam os seus animais no intuito primeiro de aqui vir expô-los, aqui vir sujeitá-los a avaliações. Claro que a certificação da raça seria, para eles, um óptimo prémio. Entretanto vão-se candidatando a outros que vão ganhando e guardando com orgulho pouco disfarçado. Há quem possua, perfiladas em casa, autenticas colecções de taças.
Mas, tudo isto pode, ainda, ser visto como um tributo, um reconhecimento da vaca jarmelista que durante séculos ofereceu à região a qualidade do seu leite, do seu queijo, da sua carne e também do seu trabalho.
As vacas jarmelistas foram, ao longo dos tempos, o principal meio de sustento destas gentes.
Só por isso já merecem parabéns todos aqueles que se têm empenhado promovendo, divulgando e lutando pela sua preservação. Que a sorte os ajude é o mínimo que lhes poderemos desejar.
«Terras do Jarmelo», crónica de Fernando Capelo

A vaca jarmelista foi, mais uma vez, a rainha na 28.ª Feira do Jarmelo. Reportagem da jornalista Sara Castro com imagens de Miguel Almeida da Redacção da LocalVisãoTv (Guarda).

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jcl

O Monte de Santa Bárbara eleva-se ligeiramente a sul do Monte do Jarmelo, plenamente integrado na zona jarmelista. Ambos nascem da mesma base: O do Jarmelo mais alto, o de Santa Bárbara, mais baixo e mais a norte. Ambos se observam mútua e irmãmente.

Fernando Capelo - «Terras do Jarmelo»Em tempos idos, por imperativos de defesa, ambos foram povoados. Na base estendem-se-lhe planuras pouco longas, é verdade, mas densamente ponteadas por pequenas povoações, dispersas, que, receberam, há muito, os habitantes das alturas. Presentemente, estas aldeias vêm-se, elas próprias, cada vez mais desertificadas. No sopé do Monte de Santa Bárbara situam-se, equidistantes do cimo, quatro pequenas localidades: Cheiras, Abadia, Trocheiros e Miragaia. Pínzio, sede da freguesia, afasta-se um pouco, a leste.
A capelinha de Santa Bárbara encima o Monte do mesmo nome e, ali, subsiste desde os primórdios da nacionalidade. É herdeira de um antigo castro lusitano que, em tempos imemoriais, defendeu monte e falda.
O pequeno templo tem constituído e constitui epicentro de devoções e romarias tendo sofrido várias alterações ao longo dos tempos. Aclarado de branco, lá no alto, detém forte carisma religioso influenciador das terras circunvizinhas.
Os cursos de água só na base se atrevem. A leste desliza, estreita e limosa, a Ribeira das Cheiras, cuja nascente se situa a escassas centenas de metros. É uma pequena Ribeira que, a pouco mais de três quilómetros, se abraça à Ribeira das Cabras. A poente a Ribeira da Pêga, mais pedregosa e corpulenta, corre uma dezena de quilómetros antes de contornar Pinhel, sede do concelho. Pouco depois da cidade, também a Pêga, já adulta, encontra a Ribeira das Cabras prosseguindo, ambas numa só, a caminho do Douro.
São terras antigas, estas. Antigas e históricas. Mas, tais características de pouco lhes têm valido, na prática. São parcas em recursos e, por vias disso, têm deixado fugir a maioria dos seus filhos. Cada vez mais vivem tempos de solidão. Esperam, hoje, que volte quem partiu e que se junte aos que ficaram. O mínimo que se pode desejar é que todos consigam ocasos de vidas felizes. Aliás, não apenas os residentes como também os que, ora, regressam marcarão a longevidade destes sítios que resistirão habitados, convenço-me, enquanto uns e outros subsistirem. Depois, Deus dirá…
Foi por aqui, mais concretamente nas Cheiras, que vim ao mundo. Por aqui, criei raízes de infância que nunca quebraram, antes endureceram com a idade. Pisei vezes sem conta este chão. Os meus pés de criança, receberam dele uma marca inevitável e impossível de apagar. Estes montes, estas aflorações graníticas, este permanente contraste entre terras altas e curtas terras chãs, moldaram-me a alma e a personalidade. Eis a razão porque, para onde parto, levo comigo estas terras e, lá, onde eu chegar sempre farei questão de as contar.
«Terras do Jarmelo», crónica de Fernando Capelo

No domingo, dia 6 de Junho, o Jarmelo voltou a ser palco de mais uma edição da sua Feira, que mais uma vez procurou promover o mundo rural de toda a região beirã. Integrado na 27.ª edição da Feira do Jarmelo decorreu, em paralelo, o 2.º Concurso Nacional Bovino da Raça Jarmelista. Reportagem da jornalista Sara Castro e imagem de Miguel Almeida da LocalVisãoTv (Guarda).

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No domingo, dia 6 de Junho, o Jarmelo voltará a ser palco de mais uma edição da sua Feira, que mais uma vez procurará promover o mundo rural de toda aquela região. Também integrado na 27.ª edição da Feira do Jarmelo, irá decorrer este ano, o 2.º Concurso Nacional Bovino da Raça Jarmelista.

27.ª Feira do Jarmelo - Guarda

No dia 1 de Junho passaram 500 anos sobre a atribuição de Foral à Vila do Jarmelo, em Santarém, por D. Manuel I, com o objectivo de ser assinalada esta importante data para o Jarmelo, o Museu da Guarda e a Associação Cultural e Desportiva do Jarmelo promovem, em conjunto, a edição fac-similada do «Foral Manuelino de Jarmelo», documento integrante do importante legado do Museu da Guarda.
O livro editado apresenta textos da Prof.ª Dr.ª Maria Helena da Cruz Coelho, catedrática em História Medieval da Universidade de Coimbra, e da Prof.ª Dr.ª Maria do Rosário Barbosa Morujão, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, ambas do Instituto de Paleografia e Diplomática.
Estamos assim perante uma edição de elevada qualidade, que se propõe que venha a ser um importante testemunho da grande importância histórica da Vila do Jarmelo.
A apresentação pública da edição fac-similada teve lugar no dia 3 de Junho, às 15.00 horas, no auditório da sede da Freguesia do Jarmelo – São Pedro.
Dando cumprimento às Acções do Plano Integrado de Animação Local, e procurando promover o encontro, diálogo e aproximação entre os sectores de actividade, com o intuito de desenvolver o território, bem como o intercâmbio de saberes e complementaridade entre as competências, a Câmara Municipal da Guarda, as duas Freguesias do Jarmelo (São Miguel e São Pedro), a Associação Cultural e Desportiva do Jarmelo, a Acriguarda – Associação de Criadores de Ruminantes da Guarda e a Pró-Raia – Associação de Desenvolvimento Integrado da Raia Centro – Norte, abraçaram novamente este ano e em conjunto, a organização da «Mostra das Actividades Económicas – Concurso Pecuário do Jarmelo / 27.ª Feira do Jarmelo», prevista no PACA – Plano de Aquisição de Competências e Animação, Medida 3.5 do PRODER – Sub Programa 3.
No dia 6 de Junho, o Jarmelo voltará a ser palco de mais uma edição da sua Feira, que mais uma vez procurará promover o mundo rural de toda aquela região. Também integrado na 27.ª edição da Feira do Jarmelo, irá decorrer este ano, o 2.º Concurso Nacional Bovino da Raça Jarmelista.
O programa será idêntico ao dos anos anteriores, procurando-se promover as tradições do mundo rural, as suas actividades económicas, o conhecimento científico, a cultura e a animação local. Pela manhã (8.00 horas) será feita a recepção dos animais a concurso. Um pouco mais tarde será aberta a mostra de artesanato da região. Durante a manhã, proceder-se-á à classificação dos animais apresentados a concurso. Pelas 11.30 horas, terá lugar, no auditório da sede da Junta de Freguesia do Jarmelo (São Pedro) um colóquio subordinado ao tema «O Mundo Rural, suporte da vida e reserva ambiental insubstituível», contando com a presença do Professor António Queirós da Liga do Amigos de Conímbriga.
Ainda antes da hora de almoço será feita a entrega de prémios aos criadores dos animais a concurso. Este ano todos os prémios das várias categorias a concurso serão, mais uma vez, oferecidos pela Câmara Municipal da Guarda. Finalizada a entrega dos prémios, será realizada uma «Degustação de Vitela Jarmelista», dando assim a conhecer a todos os presentes o produto genuíno que é a carne da vitela Jarmelista.
Para animar o recinto da Feira actuarão «As Papalvas» do Grupo de Teatro Aquilo. Na parte da tarde, vindos da aldeia dos Trinta, actuará o grupo de cavaquinhos «Selectos em Dó Menor». Para terminar terá lugar a já tradicional Garraiada onde todos os presentes poderão participar.
Durante todo o dia, estarão ainda disponíveis os mais diversos entretenimentos para todas as idades, desde os já populares insufláveis, à parede de escalada, passando pelo slide, face painting, etc…
A Casa Museu estará aberta todo o dia, o que possibilitará aos seus visitantes, um melhor conhecimento do património e das tradições de toda a região do Jarmelo.
Mais uma vez a organização espera a presença de muito e diferenciado público, que ano após anos é convidado a visitar o mítico lugar do Jarmelo, proporcionando àquele outeiro cheio de Lendas e Histórias por descobrir, uma nova vida.
São assim todos convidados a visitar o Jarmelo para passarem momentos diferentes em pleno ambiente rural.
jcl (com Associação Cultural e Desportiva do Jarmelo)

(Este texto poderia ser escrito por Medina Carreira – todos liam, mas depois ninguém levava a sério – acrescentando no entanto umas quantas baboseiras típicas de quem nunca fez nada, mas numa manjedoura farta, se acha no direito de emitir opinião.)

Agostinho da Silva - JarmeloMuito se tem dito sobre a vaca jarmelista, uns de forma mais assertiva outros de forma mais gratuita, lá se vai falando. E fazendo? O que é que realmente se faz?
Já fui considerado o «homem-vaca» ou até o pai da vaca jarmelista, mas isso não me confere nem mais nem menos direitos públicos que os demais. Conferiu-me, até por inerência de funções, a tarefa de tentar salvaguardar o que os nossos antepassados um dia para nós seleccionaram.
Nos mais de dez anos que levei nesta luta, muito cedo fiz o prognóstico deste momento que em paralelo com o momento que vivemos, nos poderá, para já levar ao chamado «calvário da vaca jarmelista».
Será que, de uma morte anunciada, poderemos ver a luz, como quem vislumbra uma espécie de ressurreição?
Fazendo um ligeiro apanhado do que foi um caminhar lado a lado, noto que no essencial, desde os finais dos anos 90 (em que me meti nisto) até agora ao final da primeira década do novo milénio, pouco ou nada se fez seriamente para evitar o desaparecimento da vaca jarmelista.
Não tivesse sido o apoio (culpa) dos Media e já tudo estava resolvido: tinha-se acabado com o maldito animal e já não se falava mais nisso! Por sorte, ou talvez não, conseguiu-se uma invulgar visibilidade, que quando transposta para a carga/capital de influência pública, torna o tema tão incómodo que os que estão fora querem entrar e os que estão dentro, não sabem como dele sair.
A questão da vaca jarmelista, só tem duas saídas, ambas de carácter político (isso sim é que me custa): deixar que o «problema» se resolva por si só, com o tempo impiedosamente a fazer estragos; ou também com o tempo, mas em «contra-relógio» (contra ciclo também) avançar de uma vez por todas para o que um dia ficou «sonhado», a implantação em «barrigas de aluguer», para se chegar ao tal efectivo próximo dos 400 animais.
Sinceramente, não vejo vontades políticas, e até das outras, para que a tal se consiga chegar. No já demasiado longínquo ano de 2003, pelo então director de serviços, Dr. Mário Costa, a Direcção Geral de Veterinária, fez-se representar, ainda hoje não tenho a certeza se oficialmente ou por simpatia, na Feira-concurso do Jarmelo. Tivemos uma longa conversa, da qual resultaram as bases do que até agora tem acontecido. Mas resultaram também muitas mais bases, que quer eu, quer o Dr. Mário Costa, achávamos fundamentais e condição sem a qual, tudo ruiria como um castelo de cartas.
O tal plano, quiçá «maquiavélico», de sustentar a existência de uma raça com nome Jarmelo associada; parecia o início de um sonho lindo, que afinal teima em se revelar pesadelo para quem nele entrar.
Com o Dr. Mário Costa, cedo concordámos (nunca nos tínhamos visto nem contactado), que a inseminação e implantação em barrigas de outras raças era a única saída possível. Ele, é um técnico superior, eu, era e sou um «estorvo» que de vacas nada sei (nem sabia), os «ilustrados» existem, andam por aí.
É inconcebível que a forma como é dado o apoio aos criadores (os tais 17, na maioria pequenos proprietários), tenha que funcionar como funciona. Aqui, terei que repor justiça na forma como a ACRIGUARDA se tem empenhado e esforçado, para manter o serviço que mantém.
E é inconcebível e incomportável, que para a Acriguarda, um dia venha a cair a «culpa» de não ter feito mais. Sem conhecer os constrangimentos, basta olhar ao mundo rural para saber que todos estão descapitalizados. Como se não bastasse a Acriguarda, com a jarmelista, tem ainda pendentes situações em tribunal.
Não duvido da imensa vontade da Acriguarda, mas já isso sim, duvido da vontade quer do Ministério da Agricultura, quer dos seus serviços desconcentrados (a última vez que afirmei isto, valeu-me 15 mil euros de apoios; espero que desta não implique algum amuo, ou similar, que resulte em cortes no que ainda não vem). Agora que já não pertenço nem á Junta nem á Feira, podem apoiar conforme é devido, pois algumas vezes fiz «pagar» o Jarmelo por pecados da vaidade pessoal (do que o Jarmelo ganhou não cabe aqui o momento).
O Ministério da Agricultura terá que de uma vez por todas tratar a «doença» com vontade de a resolver: ou assumir uma coisa (acabar com) ou outra (avançar para). Assim que se falou da possibilidade de implantação em «barrigas de aluguer», logo apareceram pessoas com vontade de colaborar e disponibilizar as suas vacas para tal.
Num processo destes, não pode haver lugar a invejas, muito menos providências cautelares; qual a moral de uma associação (pelo menos pela tomada de posição pública em programa de TV), quando a argumentação se baseia em questões económicas/subsídio de excepção? Então e todos os outros anos em que a suposta jarmelista nada recebeu? A jarmelista até ao reconhecimento oficial, recebia ZERO! E quanto recebiam as demais raças nacionais? Viram alguém reclamar apoios (solidariedade) para a jarmelista? Continuamos a olhar para a vaca como um ser que tem MAMAS!!
Num processo destes, qualquer coisa é melhor que nada, mas pode não ser o suficiente! Devem manifestar-se os criadores e eventuais parceiros a integrar, nomeadamente neste assunto das «barrigas de aluguer», e claramente compensar as eventuais perdas que venham a verificar-se face ás expectativas que se criem. Explico: não pode um produtor (num processo tão urgente como este) estar a correr «riscos» de que a sua vaca não tenha pelo menos uma cria por ano, daí que era urgente definir este género de situações par evitar (como foi o meu caso) que uma vaca em estábulo em três anos só tenha tido uma cria (não tem forçosamente que ver com as condições de acondicionamento ou manuseamento, mas em minha opinião, com a tal necessidade de munir a ACRIGUARDA (ou instituição superior) com meios financeiros e técnicos que possam suprir estas «falhas».
As vacas integradas numa vacada, manifestam o cio de forma mais visível, tendo macho serão «cobertas»; em estábulo e muitas vezes uma ou duas (acumulando no meu caso falta de saber sobre cio) dificulta muito mais. Sei que há formas de provocar o cio, sei que haverá outras maneiras de solucionar a situação… mas também sei que com esta inércia, não vamos lá
Diz-se no entanto por aí (e ninguém acredita que seja assim) que o Ministério da Agricultura (diversos serviços) além de supostamente…, também carrega de «papelada» as situações de tal forma que as pessoas comuns não podem ser «bafejadas» (termo do reino animal em época de prendas – menino Jesus, presépio).
A propósito: só no concelho de Lisboa (esse concelho extremamente rural), trabalham (ou trabalhavam até há pouco) quase 50% dos funcionários do ministério, que sendo boa parte chefias e afins, ajudarão a consumir o que em 2006 eram 260 milhões de euros do “funcionamento” do ministério. A agricultura tem que continuar a cheirar a Merda!! E não a eventuais «Channel», a agricultura deve voltar para o campo, lá para o sítio onde estão as gentes. O Portugal profundo precisa que o Portugal «ilustrado» se volte de novo para as raízes, e delas não tenha vergonha.
As raças de vacas autóctones, as 13 reconhecidas, mais as tais, eventuais, outras seis (sub-raças da mirandesa), poderão vir a ser o «furo» para um país que tem que ser aquilo que o mercado disser: pequenos nichos, com ofertas muito diversificadas, em que os gostos de cada região estejam ali ao alcance de quem os queira voltar a sentir ou provar pela primeira vez.
Sei que já se come por aí «vitela do Jarmelo» (só porque supostamente criada em pastos das terras daquele microclima, e espero que quem eventualmente «ganhe» com isso não tenha que ter engolido algum sapo – é que ás vezes há quem bata no «amoijo»/úbere em que mama). Porque não comer mesmo Vitela jarmelista, certificada?
Como também para os que me conhecem, pouco disto é novidade, a forma como me tenho expressado publicamente é realmente um tanto provocatória (palavra que na raiz pede palavra – resposta); tantas vezes lido/entendido das mais enviesadas formas, mas que pela persistência (e sempre com apoio dos MEDIA regionais e nacionais) lá se foi fazendo ouvir.
Das diversas tomadas de posição pública sobre este e outros temas, nunca foi meu objectivo prejudicar a «causa» da vaca jarmelista, mas tão só num mecanismo de visibilidade, evitar que o caso fosse esquecido, como é tão do (bom) gosto dos decisores políticos: matá-los pela exaustão – como a visibilidade pública me alimentava o EGO, fui continuando, e criei um capital de tal forma evidente, que ainda hoje, sempre que se fala do tema, as pessoas esperam que eu também fale ou apareça. Mesmo as minhas ausências, chegam a ser tão incómodas como as presenças, os meus silêncios perturbam por vezes mais que as palavras.
Tenho que reconhecer publicamente também, que «montei estratégias» com fins muito objectivos, sendo que por exemplo em relação à Feira (posso dizê-lo) era que de uma vez por todas a Câmara Municipal (a tal do interesse), agarrasse o tema com as mãos (e com as duas). Contrariamente a outras terras, o Jarmelo está escasso de gente com ânsia de protagonismo, daí que aquilo que poderia ser um lugar apetecível, é na verdade o contrário (dá trabalho, falta apoio concertado).
Para poder aguentar mais de dez anos num tema destes, tem que se ter pele de bombo, para aguentar toda a «porrada», inveja, maledicência e outros «usos». Sempre quis acreditar que este tema não seria/serviria para a luta política, mas também percebi que era mais um local para tal, há uma atracção fatal pelo abismo.
Agostinho da Silva (Jarmelo)

O «Jarmelista» Agostinho da Silva esteve à conversa com a jornalista Sara Castro em São Pedro do Jarmelo junto ao monumento a Inês de Castro. Imperdível.

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O Capeia Arraiana aproveita para desejar a toda a equipa da Guarda da LocalVisãoTv um 2010 cheio de sucessos televisivos. E para o Agostinho um abraço arraiano e muitas conquistas pela causa jarmelista na próxima década.
jcl

Durante a visita à freguesia de São Pedro do Jarmelo tivemos o privilégio de ter como guia Agostinho da Silva, ilustre autarca e defensor da raça jarmelista. A ronda terminou na terra das forjes, Donfins do Jarmelo, na oficina do último fazedor de tesouras de tosquia, Mateus Filipe Miragaia, o ferreiro que começou a aprender a arte «com 15 ou 16 anos» e nos diz que apesar de ser o último «já é tempo de apagar a forje e de me reformar».

À fala com... Mateus MiragaiaMateus Filipe Miragaia nasceu a 25 de Outubro de 1941 na terra dos ferreiros, na Donfins do Jarmelo, no seio de uma família de agricultores. Mas, por influência dos Augustos dos Monteiros, passou a mexer nas alfaias antes de elas serem «butadas a uso», ou seja, passou a produzi-las nas forjes de ferreiro.
O último artesão fazedor de tesouras de tosquia do País, recebeu-nos à entrada da sua oficina, «da sua forje», como gosta de lhe chamar. Homem de bigode farfalhudo e sorriso fácil cumprimentou-nos com um aperto de mão. De mão de ferreiro que o tempo foi queimando com a cor do ferro e das faúlhas de fuligem.
Disparou logo em direcção ao Agostinho da Silva. «Então ouvi dizer que não queres recandidatar-te à Junta de Freguesia. E que estória é essa de quereres ser presidente da Câmara da Guarda?» E o Agostinho, naquele seu jeito tranquilo, lá foi obrigado a desvendar-lhe o seu «marketing político».
«Uma senhora cá da terra, casada com um ferreiro, teve oito ou nove filhos, e um deles saiu um pouco mais escuro. A partir daí ficou aquela expressão que aos ferreiros até os filhos saem pretos», começou por nos dizer em tom de brincadeira mestre Mateus.
Noutros tempos havia bastos agricultores e faziam-se no Jarmelo enxadas e machados, em ferro e aço. Mas para fazer seis ou sete enxadas era preciso muito material e dois homens a trabalhar durante todo o dia. As tesouras, com menos investimento, eram vendidas mais caras. A feitura obedece a um segredo. «Não é bem um segredo. Tem que ser bem feita do princípio ao fim. E bem amolada. A roçadoira ou qualquer outra peça de ferramenta se não corta à primeira, corta à segunda. A tesoura se fica mal feita nunca mais corta. Tem que fazer um arco porque se estiver encostada uma contra a outra começa a mastigar a lã e já não corta. A tesoura é uma peça de arte que exige muita perfeição.» Afia as tesouras «de ouvido» pelo toque. O certificado final de qualidade é dado com um corte num pedaço de lã.
– Quanto tempo leva a fazer uma tesoura de tosquiar?
– Costumo dizer que quando vivia para trabalhar fazia uma por hora mas como agora já trabalho para viver faço umas dez por dia. Mas quase não há encomendas. Os poucos pastores que ainda por aí andam utilizam máquinas eléctricas e os tosquiadores, que também vão minguando, já poucas tesouras compram.
– E como é que sabemos se a tesoura é sua?
– Em primeiro sou o único a fazê-las no País. Mas há várias marcas. A minha marca é «Augusto Jarmelo». Não sou eu. É o senhor com quem eu comecei a trabalhar aos 15, 16 anos e depois fiquei-lhe com a oficina. Se for para a zona de Mangualde encontra tesouras destas com a marca «Verdugo». São encomendas que eu tenho e onde coloco o cunho do meu cliente. As «JAP» (José Augusto Pires) de Coimbra também são feitas por mim. No início eram três irmãos e todos cunhavam o pé de pito ou folha de oliveira. Dois dos irmãos seguiram outra vida e apenas ficou o JAP. Já faleceram todos.
À fala com... Mateus MiragaiaNoutros tempos não havia aços laminados e a tesoura era feita de pedaços de ferro e uns bocadinhos de aço, denominados calços. Um bom mestres e um aprendiz jeitoso conseguiam tirar cinco calços com o calor de uma única ida ao lume. «A tempra é o aquecimento com arrefecimento rápido. Como o aço tem muito carbono e o ferro tem pouco é possível ligá-los a quente e à martelada. As tesouras vergam mas não partem. A liga é importante porque permite aos tosquiadores afiar várias vezes as tesouras», esclarece Ti Mateus.
– Mas os ferreiros e os serralheiros trabalham com as mesmas ferramentas…
– Parece a mesma coisa mas é muito diferente. Hoje em dia qualquer pessoa é serralheiro. As máquinas são tão perfeitas que basta saber tirar medidas e cortar. Mas os ferreiros trabalham «à martelada». É preciso saber martelar. A tesoura leva muita mão-de-obra. O ano passado fiz 400 tesouras para o cabaz de Natal de uma empresa de Lisboa que faz projectos de pontes metálicas.
Mateus Miragaia reconhece que foi difícil iniciar-se na arte. A primeira peça que fez foi uma machada. A tesoura foi mais tarde. «Alguns andaram vários anos a aprender e nunca foram capazes de fazer uma tesoura que tosquiasse», lembra com rigor acrescentando que «depois de estar bem forjada e martelada a tesoura vai ao desbaste nos esmeris, ou seja, à pedra de amolar e também aí é preciso muita arte».
No pátio da sua residência, brinquedos em ferro enferrujado são testemunhas das brincadeiras dos cinco filhos e dos outros meninos da aldeia. Mateus Miragaia construiu baloiços, o cavalo mecânico e um escorrega em ferro para que todos as crianças do Jarmelo pudessem brincar depois da escola. «Eram cinco e tive de lhes inventar brincadeiras», diz-nos enquanto carrega num botão para fazer funcionar electricamente os gingarelhos.
Do outro lado da casa um terreno em terra batida enquadra duas balizas de futebol. «Fiz aqui grandes jogatanas com os filhos do Ti Mateus», recorda com prazer Agostinho da Silva.
Terminamos a visita num antigo lagar transformado em adega saboreando uma excelente geropiga. Mateus Miragaia, o último fazedor de tesouras de tosquiar de Portugal, deixa-nos uma última tesourada: «Portanto, como vê, a martelada ainda tem algum valor.»

Um bem-haja ao Agostinho da Silva pela amizade e pela disponibilidade para nos levar à descoberta das suas terras e das suas gentes.
jcl

O Largo da Igreja de Cima, a pedra de montar para o cavalo de Inês de Castro, a Fonte de Santa Maria, o Redondel, o conjunto escultório em ferro, a pedra das medidas dos feirantes, os pais de Agostinho da Silva e… aquelas de quem se fala: as vacas jarmelistas.

GALERIA DE IMAGENS
Fotos Capeia Arraiana – Clique nas imagens para ampliar

Há muito que estava prometido o encontro no Jarmelo com Agostinho da Silva. O espírito de missão que leva este homem a defender a causa da vaca jarmelista é digno de registo. Com discurso rápido e fluente o irreverente presidente da Junta de Freguesia do Jarmelo mistura a polémica sadia com algum marketing provocante. A conversa fez parar o tempo lá riba no marco geodésico onde, musicadas pelas brisas beirãs, se avistam paisagens a perder de vista desde a Guarda até Ciudad Rodrigo. «Preparo-me para ser candidato à Câmara da Guarda. Mas não vale a pena escrever isso porque quero apenas abanar um pouco o estado das coisas em relação à raça jarmelista», diz-nos com um sorriso matreiro, Agostinho da Silva enquanto nos guiava pelos terras e terreólas da sua freguesia desenhada pelos martelos dos ferreiros de outros tempos.

«Quando iam comprar as vacas, escolhiam as que dessem muito leite… paridas de pouco tempo, p’ra se ver o amoijo, se tinha bom amoijo alguma coisa havia. As vacas cá se iam seleccionando, uma vaca que desse muito leite, o proprietário depois de ver que não dava leite, engordava-a e procurava vendê-la… ia procurar outra… a este mercado aqui… ou até Pousafoles do Bispo, Vila do Touro, Alfaiates, para onde tinham ido as nossas bezerras, aquelas que mais tarde dessem bom amoijo, iam-se lá comprar, tanto assim, que uma vez veio de lá uma vaca de Pousafoles para o Ti Órfo… era uma vaca muito linda! Muito bem posta, mas não era grande; tinha o focinho amacacado assim de sapo, virado p’ra diante… mas é lindo o focinho curto.» (retirado do livro das memórias do Silva da Ima, pai do nosso entrevistado).

Agostinho da Silva no JarmeloAgostinho da Silva nasceu a 15 de Dezembro de 1965 na Ima do Jarmelo. Depois da Escola primária entrou para a ordem religiosa missionária Verbo Divino, no Tortosendo. Frequentou a Escola António Arroio, em Lisboa, entrou na Belas Artes do Porto, onde fez o curso de Design de Comunicação. É, actualmente, presidente da Junta de Freguesia do Jarmelo (um conjunto de várias povoações), vive em Porto da Carne (e em breve na Guarda) e vai sempre que pode à aldeia que o viu nascer – Ima do Jarmelo –, uma terra onde ainda resistem cerca de 20 pessoas. Fotógrafo, designer e professor de Artes Visuais é um dos maiores activistas da campanha contra a extinção da raça jarmelista. Foi, com muito orgulho, que nos mostrou a vaca e a bezerra, dois exemplares lindíssimos, que mantém na «loja» de seus pais na Ima do Jarmelo.
Iniciámos a nossa visita guiada pelo Largo da Igreja de Cima onde se percebe na muralha a intervenção sofrida por um portal alargado. Agostinho da Silva recorda a memória dos mais antigos sobre o que aconteceu…
– As procissões antigamente saiam da igreja de cima passavam na vila e entravam na igreja de baixo e no ano seguinte era ao contrário – ainda hoje as pessoas vão à missa ao domingo, alternadamente, a São Pedro e São Miguel – e como passavam por aqui e a portaleira era um pouco estreita havia sempre uma picardias entre quem levava o andor e… empurra para lá, encontrão para cá riscando as madeiras… e o padre para acabar com isso mandou deitar abaixo um dos lados da portada.
A cada passada é possível chutar pequenos calhaus negros duros e pesados. Deixamos a explicação para o nosso anfitrião. «Isto é escória de ferro. Na reconquista de Portugal aos mouros um grande núcleo de ferreiros veio implantar-se no Jarmelo. No início do século XX tinhamos 120 forjas de ferreiro na região do Jarmelo. A vaca jarmelista é bastante parecida com a asturiana de Los Valles. E a minha teoria está associada a isto. Quando vieram os carregos com os bens dos ferreiros asturianos eles também trouxeram os carros e as vacas. Eram comunidades fechadas auto-suficientes que associadas ao microclima que aqui existe apuraram uma raça diferente de todas as outras.»
Continuámos até um espaço no interior das muralhas, nas ruínas da antiga Vila do Jarmelo. «Aqui actuou o Chuchurumel, no Dia do Património.» – E o que é o Chuchurumel? – «É um grupo constituído por César Prata e a Julieta Silva cantam cantigas populares, tradicionais. Fizeram um levantamento, sistematizaram as recolhas e concretizaram, aqui, uma apresentação com 15 temas.»
Mais à frente percebem-se as marcas do que sobra das paredes em pedra de uma casa. «Aqui viviam os pais de Pero Coelho, um dos assassinos de Inês de Castro. Quando D. Pedro subiu ao trono mandou arrasar a vila do Jarmelo que o povo vai lembrando com a lenda – não ficou pedra sobre pedra e que salgou as terras para que elas nunca mais produzissem – mas a verdade é que as terras são pobres. Perto da ribeira faz-se algum cultivo mas afastando-nos 50 metros é só centeio e mato.»
A intervenção que houve no Castro foi coordenada pela Câmara da Guarda, com um arqueólogo e com uma equipa de quatro pessoas que estiveram aqui a trabalhar cerca de um ano. «Notamos é a falta de datação de objectos. Chegámos a pensar num campo de férias com características especiais, por exemplo, vocacionado para a história mas ainda nada se concretizou», esclarece Agostinho da Silva.
O carreiro bem trilhado levou-nos a um dos sítios mais emblemáticos das terras do Jarmelo. A pedra de montar. Mais uma vez deixamos a explicação para o nosso guia. «Esta é a famosa pedra de montar mas parece que não estava aqui. Foi aqui colocada há cerca de 60 ou 70 anos. Tem talhada uma ferradura e uma poça para colocar a ração e está associada à lenda de que Inês de Castro montava neste pedra para o cavalo.»
A visita ao Jarmelo tem um ponto de passagem obrigatório. O marco geodésico. Substituiu uma antiga torre de menagem e permite desfrutar de uma paisagem a perder de vista desde a Guarda até às planícies espanholas de Ciudad Rodrigo.
«Todas as aldeias do Jarmelo tinham o chamado caminho da missa – por momentos era carreiro, outras era caminho, outras era atalho – e a cerca de 100 metros da igreja estava uma lasca, uma pedra espalmada, onde as mulheres metiam por baixo as alpargatas espanholas (com sola de borracha e pano preto) e calçavam os sapatos. No regresso voltavam a calçar as alpargatas. Naquele tempo havia uns sapatos para ir para à missa e uns sapatos para o trabalho do campo. Eu que não sou assim tão velho tive as primeiras sapatilhas aos 10 anos quando fui para o Seminário para o primeiro ano do ciclo. Mas não fomos tão massacrados nem traumatizados como são os miúdos de hoje em dia», recorda o autarca do Jarmelo.
A paragem seguinte foi na Fonte de Santa Maria, onde apesar de Setembro já ter terminado, ainda pingava. A guardá-la, um imponente castanheiro com mais de cinco séculos, olha-nos com desinteresse. Junto ao largo da feira um curioso redondel talhado na encosta…
– Há uns anos largos – nos tempos em que havia dinheiro para apoiar a feira por parte do Ministério da Agricultura – e sendo secretário de Estado, o doutor Álvaro Amaro e sendo presidente da Câmara da Guarda, o senhor Abílio Curto, concederam-nos um fundo para a construção do redondel. Ainda está inacabada mas tem imenso potencial. Eu e o arquitecto Isidro, que está com a dinâmica cultural da Associação Cultural e Desportiva do Jarmelo, organizámos aqui uma iniciativa com piada. Esticámos uma tela e projectámos uns vídeos para a população.
– Este conjunto em ferro que nos liga à morte de Inês de Castro está com um aspecto muito interessante…
– O conjunto escultórico surgiu um pouco em tom de contra-corrente como muitas das coisas que costumamos fazer. Foi uma iniciativa do arquitecto Isidro e o autor foi o filho do ferreiro das tesouras de tosquia. A partir da imagem de Bordalo Pinheiro fez-se esta encenação à escala um e meio que representa o assassinato de Inês de Castro. Lançamos esta iniciativa nos 651 anos da sua morte. Como o Jarmelo não contou para as verbas as comemorações oficiais nós, em tom de pirraça, resolvemos comemorar no ano seguinte.
As aldeias de Ulgueiar e de Donfins do Jarmelo – onde vive o Ti Mateus Miragaia (o último ferreiro fazedor de tesouras de tosquia do país e com quem iremos publicar muito em breve um «à fala com…») – conservam ainda a traça bastante próxima do que eram as casas de outro tempo. O chafariz tem duas bicas. – «Quando andávamos na escola costumavam dizer que uma era para as pessoas e a outra para os animais e os ciganos. Coisas de miúdos.» – A Ulgueira tem muitos vestígios judaicos e uma característica muito especial. É a aldeia das meninas. Aquelas que não se casavam, e foram muitas, ficavam menina Zézinha, menina Aninhas ou menina Mariazinha para a toda a vida.
– «A escola era aqui na Urgueira para os das terras de Donfins, Ima, Devesa e Alto de Valdeiras e da Ulgueira. A caminho da escola tínhamos o jogo das nascentes onde os mais velhos ganhavam sempre. Escolhíamos uma nascente no caminho e todos os dias tentávamos afundá-la para que não deixasse de deitar água.»
Ainda houve tempo ao final da tarde para conhecer Joaquim Monteiro da Silva e mulher, pais de Agostinho que, curvados ao peso da idade, andavam a tratar dos campos de milho e com quem, depois de saber que eramos do Sabugal, recordou com emoção as suas viagens até aos mercados das vacas em terras raianas.
E, claro, tudo terminou com uma visita aos dois exemplares jarmelistas (uma vaca e uma bezerra) que Agostinho da Silva, orgulhosamente guarda na «loja» de seus pais na Ima do Jarmelo.
Provocador lançou a última aguilhada: «Vou concorrer a presidente da Câmara Municipal da Guarda. Mas não vale a pena escrever isso. Não tenciono ir até ao fim. É só para ter tempo de antena para a vaca Jarmelista.»
Mas… lá acabou por concordar com a divulgação da novidade.
jcl

Contrariamente ao que se possa pensar, quase todas as intervenções que aqui tenho tido, poderiam ser interpretadas como apoio ao executivo e não o contrário. Vejamos que faço aqui apelo ao equilíbrio que deve haver pelo menos na mesma unidade geográfica/administrativa.

Kit do JarmeloAlguém aqui é contrário à igualdade de oportunidade ou condições de vida entre as gentes do mesmo concelho?
Volto aqui a reafirmar que aquilo de que nos queixamos em relação ao Litoral (Lisboa) é à mesma escala (ou até maior o abismo) verdade em relação ao próprio concelho.
Como não temos escola primária, não podemos lançar o Magalhães… também não temos mar… nem sequer água para todos.
O lançamento (apresentação pública) que hoje aqui fazemos é um Kit. Um kit para visitantes a terras do Jarmelo pois os que lá moram… amanham-se de outras formas, talvez herdadas desde antes da nacionalidade.
Trata-se de um kit de necessidades básicas, como disse, mais dirigido aos que visitam ou se pretendam instalar nas terras do Jarmelo.
Este kit é composto pelas analogias que seguem:
– Garrafa de água, que analgésicamente substitui a própria torneira ou contador.
– Papel higiénico, que analgésicamente substitui o saneamento
– O paralelipípedo granítico, que por analogia substitui o piso das ruas e acessos.
Embora se diga tratar-se de um analgésico (pelo menos é o que diz a embalagem) e como não sei o que significa… aviso que nenhum dos componentes, deve ser entendido como supositório.
O uso deste kit, é da exclusiva responsabilidade dos utentes.
A obtenção deste kit, não isenta a cobrança pela C. M. Guarda da taxa (ao que parece de 200€) referente à fossa, que se cobra a quem quiser fazer uma habitação nessa aldeias que não têm saneamento.
Será que esta taxa deve ter como objectivo diminuir a percentagem de habitações sem saneamento? Pelo raciocínio lógico quem não tem casa, também não tem falta de saneamento nem de água ou piso.
Quanto à validade deste kit; este género de produtos, expira a cada 4 anos que passam.
O Jarmelo, desde o tempo de D. Afonso IV (pai de D. Pedro) deixou de ter influência… Basta recordar que um dos conselheiros reais da altura (equiparado hoje a amigo pessoal de Primeiro Ministro) de nome Pêro Coelho, era do Jarmelo… daí para cá… D. Pedro mandou destruir a vila do Jarmelo e salgar como castigo, as suas terras; dizem por lá as pessoas que desde então, pouco ou nada tem acontecido de relevante.
Guarda, 30 de Setembro de 2008.
Agostinho da Silva
Presidente da Junta da freguesia de S. Pedro do Jarmelo

As Jornadas Europeias do Património celebrar-se-ão em Portugal, nos dias 26, 27 e 28 de Setembro. O Jarmelo, de Agostinho da Silva, está na rota das actividades.

Jornadas do Património no JarmeloO património vai estar em destaque no distrito da Guarda e, em especial, no Jarmelo do activista (e defensor) da vaca jarmelista Agostinho da Silva.
Com o tema proposto «no Património… acontece» pretende-se propiciar novas oportunidades de reencontro das pessoas e das comunidades com o mundo do património e dos monumentos, reforçando essa ligação através de acções que promovam a sua reapropriação com um carácter efémero.
Propõe-se, por isso, que seja feito um especial investimento na implementação de actividades que estimulem a aproximação e o envolvimento da população com o património, com o objectivo a dar a conhecer as potencialidades, de incentivar o acesso à oferta cultural e o usufruto dos espaços patrimoniais.
Com este objectivo, a Associação Cultural e Desportiva do Jarmelo irá promover no dia 28 de Setembro, no Jarmelo, um conjunto de actividades no sentido da divulgação e promoção do Castro do Jarmelo.
15.00 horas – Palestra «Património Cultural, uma riqueza ainda incompreendida», proferida pela arqueóloga Clara Portas.
17.00 – Inauguração oficial da página da Associação Cultural e Desportiva do Jarmelo («jarmelo.net») da autoria de curiosos e amigos jarmelistas voluntários que assim pretendem divulgar o Jarmelo.
18.00 – Actuação nas ruínas da antiga vila do Jarmelo do grupo «Chuchurumel», que editou, em 2007, um dos melhores discos de música portuguesa.

O Capeia Arraiana aproveita para endereçar os parabéns ao Agostinho da Silva por mais esta iniciativa em defesa da «marca Jarmelo».
jcl

Vamos ter no lugar do Jarmelo no próximo dia 1 de Junho a XXV Feira Concurso do Jarmelo. Modernamente o Jarmelo propriamente dito, já não existe. Apenas sob o ponto de vista administrativo se compõe de pequenos povoados agrupados em duas freguesias nominativas – S. Pedro e S. Miguel – nenhuma delas sendo sede própria.

Vaca JarmelistaSem pretender descrever o que é a Feira Concurso do Jarmelo, apenas nos cabe relembrar que se trata de um acontecimento que remonta ao século XIX. Basta lembrar documentos da época para isto poder ser afirmado sem exagero. Trata-se de um evento com 25 edições pós-25 de Abril e, por curiosidade, tantas como a afamada e apoiada OVIBEJA. Estamos, portanto, perante um acontecimento de raízes e tradições e enraizado face ao futuro.
Nas últimas edições já se notou o esforço de se realizar algo mais do que um concurso, mas dada a escassez de verbas ainda não se concretizou. A junta de freguesia de São Pedro todos os anos tem despesas consideráveis com a Feira, face ao parco orçamento global. Entendemos portanto que esta pode ser mais uma hipótese de não deixar que as oportunidades passem ao lado do Jarmelo e toda a sua região.
É nossa intenção, faz anos, aproveitar um dado importante para qualquer evento: o Público fiel desta feira que está por tradição assegurado. Este dado importante, faz com que não seja necessário um esforço suplementar para atraír público. Se temos povo, temos que lhes oferecer mais… desse mais, pensamos, e queremos, que uma animação de cariz popular seja uma realidade.
Da animação para este evento, sabemos que poderia passar por restaurar eventualmente ambientes de outras feiras e de outros tempos… com a presença de grupos musicais de cariz popular que podessem fazer reviver a estas gentes o tempo que o tempo marcou.
Ainda em paralelo com a feira já é comum, haver exposição de potencialidades da região do Jarmelo, queremos com isto dizer, que o artesanato estará presente, tentando com isso ajudar a promover situações tão peculiares como esta: o Jarmelo tem neste momento o único produtor de tesouras de tosquia do país, temos ainda uns ferreiros que produzem miniaturas de utensílios agrícolas de forma completamente artesanal, ainda as mantas de farrapos.
O programa base deste evento, passa pela recepção dos animais pela manhã, seguida da sua exposição ao público e entrega dos prémios ao fim da manhã; segue-se um almoço com criadores e convidados em que geralmente também participam as entidades oficiais que apoiam a feira; durante a tarde segue-se uma garraiada aberta gratuitamnete ao público.
Para a edição deste ano, gostaríamos que as entidades desconcentradas do estado (DRAPC–Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Centro e DGV–Direcção-Geral de Veterinária), formassem connosco voz no sentido de realmente se salvaguardar o legado histórico da carga genética das raças jarmelistas – vacas, cabras e ovelhas.
Querendo incentivar e reforçar fortemente a vaca jarmelista, urge que medidas de excepção sejam verdadeiramente colocadas em campo, de forma a que não sejam os anos a passar irremediavelmente para o abismo (num animal em vias e de extinção, qualquer dia pode ser o último…).
Urge, entre as medidas de excepção, que sejam atribuídas cotas aos animais que vão nascendo, provenientes do projecto global. Urge que se parta a todo o vapor para a inseminação «in vitro» e posterior implantação em «barrigas de aluguer», para que em 2013 (fim da «mama» comunitária) estejamos com um número de efectivos suficientes que a raça possa ser rentável em termos de mercado da carne, abastecendo um mercado de consumo da carne jarmelista, que terá que se criar.
Um abraço daqui destas terras do Jarmelo.
Agostinho Silva

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