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Um destes dias (de uma Primavera tardia que parece querer disfarça-se de Verão) fui chamado, pela festa, a Castelo Mendo e tive oportunidade de me sentar em sítio propício à observação. Surgiu-me, assim, pretexto para contar e, o que a vista me ofereceu, levou–me a começar por «era uma vez».

Castelo Mendo - Ruta de los Castillos

Fernando Capelo - «Terras do Jarmelo»Era, então, uma vez uma aldeia de pedra, muito antiga e muralhada. As ruas eram estreitas e curvosas. O chão era de granito irregular. As casas eram pequenas e sóbrias e com telhas de barro castanho/avermelhado. As portas das casas eram baixas e as janelas desenhavam pequenos quadrados enfeitados com vasos de flores. Entrava-se, na aldeia, por uma porta rasgada na muralha.
À entrada o largo com tílias grandes e sombrosas ajudava a construir um cenário que me trouxe à memória os contos de fadas e os livros de leituras infantis.
Num olhar mais largo, confirmavam-se, no horizonte, as escarpas da margem esquerdina do Rio Coa que ali se abria, abruptamente, num vale (qual clareira entre montes) às portas do concelho de Almeida. No centro do vale empolava-se uma colina, que tentava, sem conseguir, equivaler-se às alturas circundantes. A orlar o cimo da colina surgia, sobranceira, a antiquíssima Vila de Castelo Mendo, qual página histórica, escrita de lutas e defesas antigas. Há, de facto, supremacia das alturas sobre o chão do vale e a durabilidade granítica das muralhas ainda decora e preserva o ambiente medievo provando resistências de outros tempos.
Da aldeia, olhando em redor, observam-se encostas e cumes pontuados de rochas cujos intervalos se enchem de ervas, giestas, carrascos e carvalhos, estes com folhas achatadas, elevando-se a cima da restante vegetação e crescendo para além de si mesmos. Agora, em época de Primavera, as giestas baixas e coloridas pelas maias pintam os campos lembrando extensos jardins amarelos a perfumar ambientes primaveris. Havia, claro, algumas (poucas) terras cultivadas, bastante próximas do rio verde que descansa na passividade calada do vértice fundeiro do vale.
A aldeia apresenta-se, assim, ao visitante, como uma proposta agradável, impressa numa extensa página de natureza e oferecendo, primeiro, a muralha, depois as três igrejas, o pelourinho, as casas, as ruas e os pequenos largos, tudo enraizado na época medieval. A modernidade acrescentou-lhe, já, um pequeno museu de arte sacra, um café, um bar de uma associação e algumas casas de turismo rural.
Da Igreja de Santa Maria, a mais alta, em ruinas, surgem espetaculares vistas sobre o Côa e os olhares podem, então, perder-se seguindo a estreiteza e a austeridade das margens, lá por onde se distendem as águas do rio, mansas este ano, numa direta relação com a fraca intensidade das chuvas.
Castelo Mendo é uma aldeia histórica, no verdadeiro sentido da palavra, que não disfarça profundas antiguidades. É sitio onde a história lançou raízes e, agora grita memórias guardadas em cada monumento, em cada recanto ou, até, entre as sombras.
Permito-me comparar esta a outras aldeias deste interior profundo, encostadas à raia, que me fazem lembrar pérolas dispersas a exalar perfumes históricos.
O prazer que obtenho ao percorrer estas aldeias e ao perder-me de sítio em sítio como se procurasse histórias ou lendas do meu próprio imaginário é, de facto, difícil de descrever.
Durante o ano Castelo Mendo veste-se de festa várias vezes e regressa a vários passados, uns mais profundos que outros. Na festa de treze de maio vai, apenas, até meados de século passado mas, com a Feira Medieval, regressa ao século XII. Neste evento anual recriam-se culturas, usos e costumes antigos, ceias e torneios medievais e a aldeia enche-se, de personagens vestidos a preceito num imperativo retorno a toda a antiguidade da terra.
É, então, daqui, desta observação, de hoje, que me atrevo a propor uma visita a esta raia de castelos e muralhas, de cor verde/amarelada e, sempre, prenhe de história.
«Terras do Jarmelo», crónica de Fernando Capelo

Um grupo de amigos que gostam de pedalar pelos caminhos campestre e percorrer as aldeias da região, vêm realizando um passeio anual, que pelo segunda vez ligou a cidade da Guarda à vila raiana do Soito, passando pela aldeia histórica de Castelo Mendo.

O passeio aconteceu no dia 31 de Março (sábado) e o jantar do grupo foi no restaurante Zé Nabeiro, no Soito, tendo o percurso incluído outras terras do concelho do Sabugal, como Badamalos, Bismula e Nave.
Transcrevemos, com a devida vénia, do blogue «O caruncho btt», alguns excertos da «reportagem» de Carlos Gonçalves, que esteve entre os convivas que ligaram a Guarda e o Soito em bicicleta de todo o terreno, num percurso de cerca de 70 quilómetros. Um texto que é bem o sinal do espírito de amizade e de convívio que preside a estes passeios desportivos que também servem de descompressão e de retemperamento.

«Pelo segundo ano consecutivo estamos a fazer Guarda – Castelo Mendo – Soito.
Se no ano passado falhei a melhor parte (o jantar\convívio no “Nabeiro”), este ano fiz o percurso completo. (…)
Este ano não foi fácil. Volta com muitos furos (alguns até repetiram a dose), avarias e quedas, ainda que sem consequências de maior.
Mas toda a gente chegou a bom porto, o que revela bem o espírito de entreajuda e de verdadeira camaradagem que estava instalado no grupo.
Já passava das 9,30 Horas quando o grupo, sob orientação do Rui Melo, saiu da Guarda (Parque Industrial) em direcção a João Bragal (de Cima e de Baixo), de onde, por trilho trialeiro, progredimos até Casas da Ribeira, Ima (este ano não fomos ver o relógio de sol) e Jarmelo, onde se verificou uma pausa. Do Jarmelo, por trilho muito técnico rumámos até aos Gagos e Castanheira, onde se verificou uma “paragem técnica”
Da Castanheira seguimos em direcção a Rabaça de onde, por trilho muito técnico, descemos à ribeira das Cabras que transpusemos pela velha ponte romana em direcção a Amoreira, alto Leomil e Castelo Mendo, onde chegámos já passava das 13,00 horas e onde efectuámos uma muuuuuuito looonnnnga pausa para “comerete” e “beberete”. (…)
Os trilhos seleccionados pelo Rui Melo estiveram pelo melhor. Muito boa a calçada (romana?) que encontramos logo a seguir a Castelo Mendo, que nos levaria até bem perto da Mesquitela. Daqui progredimos até Monteperobolso (será?) de onde descemos até ao rio Noémi, que transpusemos por um pontão, embicando na velha estação da CP. Daqui, subindo por trilho muito degradado fomos em direcção a Porto de Ovelha, onde já nos esperava o amigo “Bisnaga”. Aqui mais uma pausa para “reposição de líquidos” na sede da Associação de melhoramentos.
A progressão até Badamalos foi feita pela margem esquerda do rio Coa. (…)
De Badamalos até à Bismula mais uns quantos furos.
Na Nave mais uma “paragem técnica” no “Piu Bar”. Aqui ainda houve tempo para relaxar nuns matraquilhos! (…)
Eram quase 20 horas quando chegámos ao Soito, onde tomámos um retemperado banho quente nos balneários do campo de futebol.
Seguiu-se o jantar, em família, no “Nabeiro”.
Que belo dia de BTT (para recordar).»
Veja aqui a «reportagem» completa.
plb

O Documento Verde da Reforma da Administração Local, apresentado pelo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, estabelece critérios para a redução de juntas de freguesias que, aplicadas ao distrito da Guarda fazem com que desapareçam 212 freguesias, num total de 336. No concelho do Sabugal desaparecerão 20 freguesias.

O documento, que tem por epígrafe «Uma Reforma de Gestão, uma Reforma de Território e uma Reforma Política», define uma metodologia baseada em critérios orientadores (demográficos e geográficos) que deverão presidir à nova organização autárquica.
Da aplicabilidade desses critérios orientadores elaborou-se um mapa que aponta para a agregação ou fusão de muitas freguesias, que, no caso do distrito da Guarda, se eleva a 212.
Vejamos as freguesias que vão desaparecer em cada concelho se a reforma autárquica avançar nos exactos termos em que está definida no Documento Verde.
Sabugal (desaparecem 20 freguesias, num total de 40): Águas Belas, Aldeia da Ribeira, Badamalos, Baraçal, Forcalhos, Lomba, Moita, Nave, Penalobo, Pousafoles do Bispo, Rapoula do Côa, Rendo, Ruivós, Ruvina, Seixo do Côa, Vale das Éguas, Valongo, Vila Boa, Vila do Touro. Vilar Maior.
Aguiar da Beira (sete freguesias, num total de 13): Eirado, Forninhos, Gradiz, Pinheiro, Sequeiros, Souto de Aguiar da Beira, Valverde.
Almeida (23 freguesias, num total de 29): Ade, Aldeia Nova, Azinhal, Cabreira, Castelo Bom, Castelo Mendo, Freixo, Junca, Leomil, Malpartida, Mesquitela, Mido, Monte Perobolço, Naves, Parada, Peva, Porto de Ovelha, São Pedro de Rio Seco, Senouras, Vale de Coelha, Vale da Mula, Vale Verde, Vilar Formoso.
Celorico da Beira (15 freguesias, num total de 22): Baraçal, Cadafaz, Carrapichana, Cortiçô da Serra, Lajeosa do Mondego, Linhares, Maçal do Chão, Mesquitela, Minhocal, Prados, Rapa, Salgueirais, Velosa, Vide Entre Vinhas, Vila Boa do Mondego.
Figueira de Castelo Rodrigo (12 freguesias, num total de 17): Algodres, Almofala, Cinco Vilas, Colmeal, Escarigo, Freixeda do Torrão, Penha de Águia, Quintã de Pêro Martins, Vale de Afonsinho, Vermiosa, Vilar de Amargo, Vilar Torpim.
Fornos de Algodres (11 freguesias, num total de 16): Cortiço, Fuinhas, Juncais, Maceira, Matança, Muxagata, Queiriz, Sobral Pichorro, Vila Chã, Vila Ruiva, Vila Soeiro do Chão.
Gouveia (cinco freguesias, num total de 22): Figueiró da Serra, Freixo da Serra, Mangualde da Serra, Vila Cortês da Serra, Vila Franca da Serra.
Guarda (39 freguesias, num total de 55): Adão, Albardo, Aldeia do Bispo, Aldeia Viçosa, Alvendre, Avelãs de Ambom, Avelãs da Ribeira, Benespera, Carvalhal Meão, Cavadoude, Codesseiro, Corujeira, Faia, Fernão Joanes, Gagos, Gonçalbocas, João Antão, Meios, Mizarela, Monte Margarida, Pêro Soares, Porto da Carne, Pousade, Ramela, Ribeira dos Carinhos, Rocamondo, Santana da Azinha, Jarmelo (São Miguel), Jarmelo (São Pedro), Seixo Amarelo, Sobral da Serra, Trinta, Vale de Estrela, Vela, Videmonte, Vila Cortês do Mondego, Vila Franca do Deão, Vila Garcia, Vila Soeiro.
Manteigas (uma freguesia, num total de quatro): Vale da Amoreira.
Mêda (13 freguesias, num total de 16): Aveloso, Barreira, Carvalhal, Casteição, Coriscada, Fonte Longa, Longroiva, Marialva, Pai Penela, Prova, Rabaçal, Ranhados, Vale Flor.
Pinhel (20 freguesias, num total de 27): Atalaia, Azevo, Bogalhal, Bouça Cova, Cerejo, Cidadelhe, Ervas Tenras, Ervedosa, Lamegal, Lameiras, Manigoto, Pereiro, Pomares, Póvoa D’ El-Rei, Safurdão, Santa Eufémia, Sorval, Valbom, Vale de Madeira, Vascoveiro.
Seia (10 freguesias, num total de 29): Cabeça, Carragozela, Folhadosa, Lajes, Santa Eulália, Santa Marinha, São Martinho, Sazes da Beira, Várzea de Meruge, Lapa dos Dinheiros.
Trancoso (26 freguesias, num total de 29): Aldeia Nova, Carnicães, Castanheira, Cogula, Cótimos, Feital, Fiães, Freches, Granja, Guilheiro, Moimentinha, Moreira de Rei, Palhais, Póvoa do Concelho, Reboleiro, Rio de Mel, Sebadelhe da Serra, Tamanhos, Terrenho, Torre do Terrenho, Torres, Valdujo, Vale do Seixo, Vila Franca das Naves, Vila Garcia, Vilares.
Vila Nova de Foz Côa (10 freguesias, num total de 17): Castelo Melhor, Chãs, Horta, Mós, Murça, Numão, Santa Comba, Santo Amaro, Sebadelhe, Touca.

A situação é muito diferente em Castelo Branco, onde a redução das freguesias levará apenas à agregação ou fusão de 39 em todo o distrito – as mesmas que desaparecem apenas no concelho da Guarda. Belmonte perde apenas uma freguesia – Colmeal da Torre – enquanto que Penamacor perde cinco – Águas, Aldeia de João Pires, Bemposta, Meimão e Vale da Senhora da Póvoa.
plb

Em honra de Teresa Duarte Reis, colaboradora do Capeia Arraiana, poetisa que domina, «em harmónica simbiose as técnicas da versificação», recebemos, em forma de «comentário», este belo texto de Manuel Leal Freire, a que decidimos dar o devido e merecido relevo.

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaComo antigo professor da Escola do Magistério Primário de Castelo Branco – possivelmente o único superstite do tempo em que se tratava de um estabelecimento de cariz privado da propriedade e direcção do Doutor João Folgado Frade Correia, insigne pedagogo e inspirado poeta, vibro ab imo corde com os êxitos dos alunos que saídos da famosa NORMAL espalharam e continuam a espalhar claridade e iluminar cérebros por todo esse vasto mundo onde se fixaram comunidades de raiz lusíada.
E pela minha qualidade de reformador dos ensinos da DIDÁCTICA, que abrangia as LÍNGUAS e a HISTORIA, mais e mais fortemente vibro quando vejo uma professora modelada no estabelecimento dominar em harmónica simbiose as técnicas da versificação e a realidade factual, magnificamente cadinhadas por uma sensibilidade verdadeiramente estremecida. Daí a minha homenagem sentidamente vivida…e que testemunho com uma peregrinação pelos lugares sacralizados pelo quotidiano heroísmo dos vergalhudos da Raia

Cinco concelhos inteiros
Cabem no do Sabugal
Cinco castelos roqueiros
Legendas de armorial

As vilas mortas morreram
Mas os torreões resistem
Nunca os heróis se esconderam
Por onde as heras se enristem

Passado com o futuro
Assim se engavinha e enleia
O porvir será venturo
Se o vaticina uma ideia

Além dos cinco concelhos
Ia o concelho plus ultra
Aprende nos livros velhos
Quem livros velhos consulta

O limite natural
Não se queda na barreira
Dava a guarda o Carvalhal
Castelo Mendo a Cerdeira

O Trans, o Riba, o Cis-Coa
Religou-os Alcanizes
Andaram Burgos á toa
Linha em perenes deslises.

Velavam as cinco vilas
Por sobre a velha Castela
Vigias não tranquilas
Acordadas sentinelas

Vilar Maior, Alfaiates,
Sortelha, Vila do Touro
Inspiram hoje outros vates
É outro o tempo vindouro

Não são sedes de concelho
Mas conservam a glória
Que garante o Evangelho
A quem se revê na Historia

Passado rima com luz
Com o futuro se entrosa
É guia que nos conduz
É rima, mote e glosa

Manuel Leal Freire

Teresa Duarte Reis - O Cheiro das Palavras - Capeia ArraianaCastelo Mendo é mais uma das Aldeias Históricas com que me comprometi em «La Ruta de los Castillos». Outro marco histórico, defensor da fronteira, guardião do Côa que, não tendo perdido imponência, terá sido vítima de algum abandono dos homens e das épocas. O facto não lhe retirou, no entanto, a dignidade merecida, como muralhado defensor das suas terras e das suas gentes, ideia que venho repetindo ao longo deste trabalho mas que não deixa de ser justo continuar a fazê-lo.

Castelo Mendo - Ruta de los Castillos

CASTELO MENDO

Ó Castelo Mendo sempre vigilante
Da Raia beirã, em Dinis reerguida.
Rei qu’em Alcanizes te fez doravante
Português altivo em defesa constante
Mas a tua história de longe vivida.

Cabeço granítico, ó Castelo Mendo,
Rodeando vale Côa, tu foste Fronteira
Vens do neolítico, e gótico sendo
Também castro foste, romano vivendo
Em ti se criou no reino uma feira.

Esta por D. Sancho em foral concedida
Mendo, Alcaide à época, a carta assinou
Seu nome o último ao foral deu vida
Três vezes no ano feira concedida
“Meenedus Menendi”, seu nome ficou.

Na Porta da Vila, em arco quebrado
Divinas figuras, aqueles “berrões”
«O ex-libris» da aldeia respeitado
E o poeta rei, D. Dinis lembrado
Na torre de Menagem e dois torreões.

1ª Feira Franca nos leva então
Ao século treze, quando ela criada
E para defesa desta povoação
El-rei se dedicou a uma construção
Da dita primeira cintura muralhada.

Ó Castelo Mendo, foste de coragem
De perdas sofridas, ao longo da vida
No livro das fortalezas, passa essa mensagem
De triste abandono, esmorecida tua imagem
Mas resististe a napoleónica corrida.

Teu fim de pedra, de pedras feito
Sofreste horrores em grossa medida
Monumento Nacional a que tens direito
Registado teu nome, teu caminhar perfeito
Não perdeste assim dignidade merecida.

E no teu Penedo lamúrias lançadas
Quantos ais não foram já dados aí
Fazendo as curas das tuas flores leitosas
Lembram-nos milagres como o das rosas
Fico assim feliz, por mim e por ti.

A minha homenagem a Castelo Mendo.

«O Cheiro das Palavras», poesia de Teresa Duarte Reis
netitas19@gmail.com

Os primeiros 14 presidentes de Câmara do distrito da Guarda (após o 25 de Abril de 1974) foram homenageados no Governo Civil por Santinho Pacheco. Reportagem da jornalista Sara Castro com imagens de Paula Pinto da Redacção da LocalVisãoTv (Guarda).

Local Visão Tv - Guarda
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jcl

O governador civil da Guarda, Santinho Pacheco, vai homenagear, esta quinta-feira, dia 28 de Abril, os primeiros presidentes de câmara municipal do distrito eleitos democraticamente após o 25 de Abril de 1974. A família de João A. Antunes Lopes, primeiro presidente da Câmara Municipal do Sabugal, vai receber a título póstumo a condecoração.

Santinho Pacheco - Governador Civil - GuardaNo salão nobre do Governo Civil da Guarda vai ter lugar, às 21.00 horas desta quinta-feira, a cerimónia de homenagem aos primeiros presidentes de câmara do distrito da Guarda.
A sessão solene vai contar com a presença do secretário de Estado da Administração Local, José Junqueiro, do primeiro governador civil da Guarda, Alberto Antunes (do concelho do Sabugal) e do actual, Santinho Pacheco.
Além de João A. Antunes Lopes (a título póstumo), primeiro presidente da Câmara Municipal do Sabugal, vão ser homenageados os autarcas de Aguiar da Beira, António Raimundo Cunha (a título póstumo); Almeida, António José Sousa Júnior; Celorico da Beira, Carlos A. Faria de Almeida; Figueira de Castelo Rodrigo, José Pinto Lopes (a título póstumo); Fornos de Algodres, Francisco Paulo Almeida Menano; Gouveia, Alípio Mendes de Melo; Guarda, Victor Manuel Gonçalves Cabeço/Abílio Aleixo Curto; Manteigas, Homero Lopes Ambrósio (a título póstumo); Mêda, Luís E. Figueiredo Lopes (a título póstumo); Pinhel, António Luís Santos Fonseca; Seia, Jorge A. Santos Correia; Trancoso, António Almeida (a título póstumo) e Vila Nova de Foz Côa, José Costa Ferreira (a título póstumo).
«É tempo de a nível distrital se comemorar Abril da liberdade lembrando os primeiros presidentes de câmara eleitos nos 14 concelhos do nosso distrito, exaltando assim o papel insubstituível que o poder local desempenhou na construção desta segunda República e no arranque de um período de desenvolvimento e de modernização das nossas terras, sem paralelo em toda a nossa história secular», destacou Santinho Pacheco.
A cerimónia insere-se nas comemorações distritais do 25 de Abril.
jcl (com agência Lusa)

Foi no passado fim-de-semana, solarengo como já não se via este ano que decorreu mais uma «Feira Medieval» na Aldeia Histórica de Castelo Mendo com o cunho da Câmara Municipal de Almeida e participação da Junta de Freguesia de Castelo Mendo.

Começou por ser uma feira anual de fumeiro e enchidos só no exterior da aldeia.
A partir de 2006 passou a denominar-se de Feira Medieval e a ocupar o interior e exterior trazendo animação de rua e espectáculos de encenação medieval.
Este ano foi um sucesso a afluência de pessoas foi elevadíssima. Segundo os populares todos os anos a vinda de público aumenta.
No percurso das barracas dos tendeiros espalhados pelas ruas encontrava-se uma de venda de enchido que tinha expostos inúmeros artigos onde se destacava o Bucho Raiano. O que prova que o bucho já no tempo de dom João I era uma iguaria, digo eu. Após conversa com Paulo Manso do Cabo, o proprietário desta tenda, este informou-me que fez uma pequena fábrica de raiz para a produção de enchidos e salsicharia em Pínzio, no concelho de Pinhel, de nome «A Lareirinha».
O Bucho Raiano está vivo e bem vivo.
Terras Saraiva

«Imagem da Semana» do Capeia Arraiana. Envie-nos a sua escolha para a caixa de correio electrónico: capeiaarraiana@gmail.com


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Data: 11 de Abril de 2010.

Local: Aldeia Histórica de Castelo Mendo no concelho de Almeida.

Protagonista: Paulo Manso, produtor de buchos de Pínzio, concelho de Pinhel.

Autoria: Paulo Saraiva.

Legenda: Janelas históricas de oportunidades em Almeida. O Bucho (feito «a duas mãos… cheias de sangue» como dizia a minha avó) em destaque na Feira Medieval de Castelo Mendo. Há produtores e… produtores! E nos concelhos de Almeida, Pinhel e Guarda parece que tem havido um grande investimento na produção e… PROMOÇÃO do bucho. Viva o Bucho!
jcl

Sortelha, no concelho do Sabugal, foi a segunda Aldeia Histórica mais visitada durante o ano de 2009. O número de turistas nas 12 aldeias históricas de Portugal aumentou durante o ano de 2009, registando cerca de 376 mil visitantes, revelou esta segunda-feira a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro.

Segundo os dados fornecidos pelas autarquias dos concelhos onde se localizam as aldeias históricas, e tratados pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, o total de visitantes no ano de 2009 foi de 376 mil visitantes, superior em cerca de seis por cento face ao ano anterior.
A subida percentual deveu-se apenas ao aumento de visitantes nacionais, que em 2009 foram perto de 300 mil, cerca de 79 por cento do total.
Já quanto aos turistas estrangeiros, que em 2009 foram cerca de 80 mil, verificou-se uma quebra de 7,7 por cento face a 2008, com menos 6500 visitantes.
A Aldeia Histórica de Almeida continua a ser a mais visitada, com um total de cerca de 70 mil turistas, seguida das aldeias de Sortelha, Castelo Rodrigo, Trancoso e Belmonte.
Das cinco aldeias mais visitadas, apenas Almeida registou um decréscimo no número de turistas, embora continue a caber-lhe a maior fatia de visitantes espanhóis, que representam mais de metade do total de visitantes estrangeiros.
De acordo com os dados disponíveis no portal das aldeias históricas os turistas espanhóis aparecem em primeiro lugar com 44 mil visitantes registados em 2009 seguidos dos franceses (13 mil) e ingleses (8 mil visitantes).
O Programa de Aldeias Históricas de Portugal surgiu integrado no II Quadro Comunitário de Apoio (1994-1999) e reclassificado no quadro seguinte (2000-2006), tendo sido restauradas as 12 aldeias na Beira Interior.
Integram o programa Sortelha, Almeida, Belmonte, Castelo Novo, Castelo Mendo, Castelo Rodrigo, Idanha-a-Velha, Linhares da Beira, Marialva, Monsanto, Sortelha e Trancoso.

Portal das Aldeias Históricas. Aqui.
jcl (com agência Lusa)

E.F.VPTLC.MV é o nome de código do «exercício militar» que vai levar até terras raianas de Penamacor, Sabugal e Almeida altas patentes da Força Aérea. O encontro de convívio entre ex-directores do Centro de Treino e Sobrevivência, instrutores dos cursos de Fuga e Evasão e familiares está marcado para este sábado, 12 de Setembro. A Ordem de Operações está a cargo do sargento-chefe José Reis, natural da Freineda mas «com muitos amigos no concelho do Sabugal» como fez questão de nos dizer durante uma cordial conversa na Base Aérea do Montijo.

À fala com... José Reis - Clique na imagem para ampliar À fala com... José Reis - Clique na imagem para ampliar À fala com... José Reis - Clique na imagem para ampliar

«Tenho 48 anos feitos no dia 27 de Agosto. Sou natural da terra do melhor vinho do Mundo: Fernão Pó. O meu pai era funcionário da CP e eu nasci lá como que por acaso mas fui registado e baptizado na freguesia da Freineda, concelho de Almeida, terra de onde são naturais os meus pais», começou por nos dizer em jeito de apresentação o Sargento-Chefe da Força Aérea, José Reis.
E lançando uma pequena provocação para a conversa acrescentou: «Comecei a trabalhar aos cinco anos!» Apercebendo-se da nossa expressão de surpresa lançou-se nas explicações desvendando que «os pais tinham um pequeno comércio na Freineda» e como era pequeno «colocava uma grade de bebidas por detrás do balcão para servir os meio-quartilhos aos clientes». «Cheguei a ser castigado pelo professor porque pensava que eu estava a brincar em vez de ir à escola mas, de facto, estava na tasca do senhor Januário que era o meu pai», recordou entre sorrisos.
Depois da primária ingressou no Colégio São José, conhecido pelo Rocha, na Guarda onde foi considerado um dos melhores alunos até ao 9.º ano. Os fins-de-semana eram passados na Freineda. «Quando os outros estavam em festa eu estava a trabalhar a ajudar os meus pais», acrescenta com a boa disposição que parece acompanhá-lo sempre.
Passou para o Liceu da Guarda, durante três anos, onde fez parte da Associação de Estudantes e da Comissão de Finalistas.
Aos 19 anos («por sorte» como faz questão de frisar) foi chamado para o serviço obrigatório na Força Aérea. «Na antiga BA3, Tancos, fiz a recruta e fui para a Ota onde me graduaram como cabo da Polícia Aérea. Pouco tempo depois surgiu a possibilidade de integrar um exercício de fuga e evasão em Penamacor mas não cheguei a ir», recapitula José Reis.
No final do serviço militar obrigatório frequentou o curso de sargentos que terminou em 1986. Já como furriel foi convidado para a equipa de instrutores dos cursos de fuga e evasão que eram feitos na zona de Penamacor, Sabugal e Almeida e em especial a zona da Malcata. «Na altura era solteiro e como natural da região agradava-me a ideia de ser instrutor do pessoal tripulante. Embora os cursos tivessem a duração de 12 a 14 dias chegávamos a estar 28 dias destacados na zona».
Mas as surpresas com as recordações de José Reis não param. «Tive o privilégio de ter visto linces na Reserva da Malcata em 1987. Nessa altura havia linces na Malcata. Eu vi. Eu e vários camaradas desse curso.»
– Como eram as relações com as populações?
– As relações sempre foram as melhores. A Força Aérea deve está grata às populações de Penamacor, Sabugal e Almeida porque os nossos militares sentem-se como em casa. Os instruendos tinham como missão não ser vistos por ninguém mas, por vezes, surgiam «ajudas» dos residentes na zona porque achavam que os militares andavam com fome. Mas não diziam nada aos nossos agentes infiltrados. Só no exercício seguinte é que nos contavam os pormenores para que os alunos não fossem prejudicados.
– Os exercícios decorriam em «território amigo» do instrutor Reis?
– Os exercícios começavam em Setembro, por causa da Academia, e depois iam de Outubro até Março para ter a dificuldade acrescida do frio. Fiz e mantenho muitas amizades com pessoal da raia, nomeadamente, o senhor Manuel Zé, do Soito, que nos recebe sempre de forma extraordinária na sua quinta. Mas tenho mais amigos que gostava de destacar: o presidente da Junta de Freguesia dos Fóios, professor José Manuel Campos, o presidente da Junta de Freguesia do Soito, José Mendes Matias, o presidente da Câmara de Penamacor, Domingos Torrão, e o presidente da Junta de Penamacor, o senhor Orlando, e o senhor Américo, entre outros.
– E na Freineda?
– Nos tempos da taberna do senhor Januário a Freineda era uma aldeia com muita vida. Tinha uma fábrica de moagem, uma estação de comboios, uma estação de Correios, tinha tudo o que era necessário para o desenvolvimento de um aldeia. Depois começou a emigração e… acabou o contrabando. E a Freineda apesar de não ter perdido a hospitalidade perdeu vitalidade.
– Bem perto a aldeia de São Sebastião é já considerada modelo…
– Sim. A aldeia de São Sebastião, com cerca de 70 habitantes, é uma anexa de Castelo Bom mas é de invejar o dinamismo da associação local e do seu presidente Joaquim Fernandes a quem aproveito para agradecer e dar o meu apoio pelo seu dinamismo e pela sua capacidade de lutar pela aldeia com alma e coração. No Lar, recentemente inaugurado, que mais parece um hotel os utentes têm todas as condições com muita qualidade de vida. Já este ano fizemos aqui na Base do Montijo um baptismo de voo para cerca de 90 crianças carenciadas organizado pela associação com o apoio do senhor general COFA.
– Actualmente é um dos responsável pela messe da Base do Montijo?
– Depois de ter passado 20 anos como instrutor do treino de evasão e sobrevivência tive um problema físico durante uma demonstração de helicóptero e foi convidado pelo comando a fazer parte da gerência da messe. A unidade tem mais de 800 militares e servimos, diariamente, cerca de 700 refeições.
– A gastronomia raiana é apreciada?
– Faço questão de divulgar a gastronomia raiana. Sempre que tenho um presente para oferecer trago um frasquinho de mel produzida pelo Amílcar Morgado da Freineda. É um dos mais conceituados produtores apícolas nacionais e faço questão de divulgar o seu «Mel da Freineda». Além disso sou um amante do bucho raiano. Há uma casa em Nave de Haver que faz uns buchos espectaculares e aproveito para os trazer para confeccionar almoços para grupos especiais. Na Freineda temos bons pratos como, por exemplo, o borrego. Agora inventaram mais um – o toston – um leitãozinho frito com alho.
– Como surge este «exercício» de antigos operacionais do Curso de Fuga e Evasão?
– Eu fiz parte do pessoal instrutor do curso de evasão e este ano por iniciativa do director do curso foi decidido juntar os antigos directores, subdirectores, agentes e neste momento estou com 72 inscrições. Não é um almoço. É um exercício especial que vai decorrer pela região raiana. A concentração está marcada para as 10 horas da manhã de sábado, dia 12 de Setembro, na Câmara Municipal de Penamacor de onde seguimos para as instalações da carreira de tiro da Meimoa. No castelo do Sabugal vamos aproveitar para tirar uma fotografia de grupo e vamos ser recebidos por representantes do Município e, de seguida, na «Casa do Castelo» e no CyberCafé «O Bardo» para um «exercício de Porto de Honra». Vamos passar pela vila do Soito, do amigo Matias, para uma prova com um aperitivo e a prova de sobrevivência está marcada para o TrutalCôa com truta frita e enchidos regionais. Cumprindo militarmente o roteiro vamos visitar o Centro Cívico dos Fóios para mais um «exercício» que servirá para dar início à «evasão» até Aldeia de São Sebastião. Para as 17:30 horas está marcada uma foto de grupo no monumento ao general Wellinton na Freineda.
– Este «exercício» demonstra que o José Reis sente a Raia?
– Sou um raiano convicto e tudo faço para divulgar a nossa região. Ainda não nos preocupam muito os problemas das cidades e por isso continuamos a ter muita qualidade de vida. Como costuma dizer o nosso conterrâneo professor Fernando Carvalho Rodrigues, pai do primeiro satélite português, «nós somos de uma zona que quando se bate à porta primeiro mandam-nos entrar e depois perguntam-nos quem somos». Este «exercício» serve para divulgar a Força Aérea que tenho muito gosto em servir e para que as populações falem bem dos militares e os militares falem bem da nossa região.
A terminar aqui deixamos mais um curioso episódio da vida deste militar raiano. «Por alturas do São Martinho o José Mendes Matias, presidente da Junta de Freguesia do Soito, fez-me chegar uma encomenda com castanhas. Aproveitei para as enviar para os militares portugueses que estão no Afeganistão com um galhardete da Junta. Os elementos do contingente devolveram-no assinado por todos. Agora guardo-o, com muito orgulho, no meu gabinete.»

Aproveitámos para convidar José Reis a estar presente no dia 7 de Novembro, no próximo almoço em Lisboa da Confraria do Bucho Raiano e a inscrever-se como confrade. O convite foi aceite.
jcl

É por uma estrada sinuosa, por entre montes e vales, que se chega às portas da aldeia-fortaleza medieval de nome Castelo Mendo. Estamos no distrito da Guarda e mais concretamente, no concelho de Almeida.

José MorgadoCASTELO MENDO – Chegando ao portal da muralha, somos recebidos por dois berrões que ladeiam a entrada, figuras monolíticas originárias da cultura celta. E há séculos que ali repousam, testemunhando o lento passo do tempo, numa terra, hoje, quase abandonada. Realmente, pouco mais de uma centena de pessoas ainda vive em Castelo de Mendo. Por triste que isso pareça, talvez o seu isolamento e desertificação tenham mantido este lugar igual a si próprio. Uma jóia perdida na montanha. As ruas desertas e as casas abandonadas dão-nos uma estranha sensação de intemporalidade.
A freguesia de Castelo de Mendo situa-se na margem esquerda do rio Côa, a cerca de 20 quilómetros da sede do concelho e é constituída pelas povoações de Castelo de Mendo e Paraizal, onde existe um velho e antigo relógio de sol.
A sua história é riquíssima, tendo sido cabeça de um concelho de grande importância, que dominava uma vasta área. O poder de outrora é ainda visível na actual povoação. É hoje uma fortaleza-museu. Vestígios de antigas estradas, cerâmicas e moedas provam a antiga importância da região, mesmo antes da chegada dos romanos, que encontraram aqui um antigo castro bem fortificado.
Castelo MendoNa Reconquista Cristã, Castelo de Mendo foi de crucial importância para a defesa das terras da margem esquerda do Côa. Daí à reconstrução do castelo foi um pequeno passo. D. Sancho II daria carta de foral a Castelo de Mendo em 15 de Março de 1229. Na mesma altura é criada uma feira franca, a realizar três vezes por ano. Foi a primeira feira medieval documentada do país.
Ponto de interesse nesta visita cultural é, o pelourinho manuelino de gaiola e colunelos e a mutilada Igreja Matriz.
A descrição feita por José Saramago em «Viagem a Portugal» não poderia ser mais fiel: «A primeira paragem do dia é em Castelo Mendo. Vista de lado é uma fortaleza, vila toda rodeada de muralhas, com dois torreões na entrada principal. Vista de perto é tudo isto ainda, mais um grande abandono, uma melancolia de cidade morta.
Vila, cidade, aldeia. Não se sabe bem como classificar uma povoação que tudo isto tem e conserva.
O viajante deu uma rápida volta, foi ao antigo tribunal, que na altura estava em restauro e só para mostrar as barrigudas colunas do alpendre, entrou na igreja e saiu, viu o alto pelourinho, e desta vez não foi capaz de dirigir palavra a alguém. Havia velhas sentadas às portas, mas em tão grande tristeza que o viajante deu em sentir embaraços de consciência. Retirou-se, olhou os arruinados berrões que guardam a entrada grande da muralha, e seguiu caminho.»
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado

morgadio46@gmail.com

Estamos em Junho e o Verão que se aproxima, transporta com ele aqueles emigrantes que não esquecem as raízes e dão, por uns meses, vida às povoações que já a não têm.

José MorgadoA eles se juntam outros migrantes internos que residem e fazem vida, principalmente nas zonas metropolitanas de Lisboa e Porto, na mira de lá gozar férias e «carregar baterias», num mar de gente conhecida cheia de afectividades e lembranças, tão diferente do buliço das grandes cidades, onde ninguém se conhece verdadeiramente.
A última crónica de Romeu Bispo, actual provedor da Santa Casa da Misericórdia do Sabugal cujo titulo sugestivo é «Vistas Largas», leva-me a fazer as seguintes considerações:
1) Em sentido lato, poderemos dizer que o convívio com outros países e culturas, deu aos nossos emigrantes uma visão mais abrangente que àqueles que nunca da terra saíram, mas que mesmo estes sofreram uma forte influência dos mesmos;
2) Já, outros, em termos políticos o seguidismo e fanatismo por ideologias retrógradas, levam-nos a «vistas curtas» ou direccionadas ou, como diz o Kim Tomé, usam palas ou cassetes, nos olhos ou ouvidos, voluntariamente.
3) Em sentido restrito, na minha opinião, tem vistas largas, quem, em termos regionais, não olha só para o seu umbigo, bairro, freguesia ou mesmo concelho;
4) A verdadeira globalização deve começar com parcerias com os nossos vizinhos, criar sinergias e agregar o que nos une e não procurar divisionismos sem sentido.

«Quem visita o vizinho também me pode visitar a mim»
Com o slogan de que «Quem visita o vizinho também me pode visitar a mim», vou iniciar neste espaço um conjunto de informações que julgo úteis para quem quiser espraiar a vista para além da nossa Aldeia Histórica de Sortelha, nomeadamente: Almeida, Castelo Mendo, Castelo Rodrigo, Idanha-a-Velha, Linhares da Beira, Marialva, Monsanto e Trancoso.
Almeida – Considerada Vila Monumental Nacional, foi conquistada por D. Sancho I, que ampliou as suas muralhas. Alvo de constantes ataques por parte dos muçulmanos, voltou a ser destruída, até que em 1190 D. Paio Guterres a tomou definitivamente. Corria o ano de 1926, quando D. Dinis deu a carta de foral aos habitantes e reconstruiu o castelo. No entanto, só um ano mais tarde, com a assinatura do Tratado de Alçañizes entre Portugal e Castela é reconhecida como terra portuguesa. O seu nome vem do árabe e várias teorias tentam explicá-lo. A mais provável é mesmo a tradução de almeida, que significa «mesa» por a povoação se encontrar num planalto. Já segundo a lenda local, o seu nome nasce no facto de na antiga povoação existir uma extraordinária mesa ornamentada com pedras preciosas.
Vila fronteiriça, Almeida é um dos raros exemplares de arquitectura abaluartada do nosso país. Fortificada em forma de estrela de 12 pontas, com muralhas em cantaria, revelins (os baluartes que permitiam a observação do território circundante) portas e casamatas que percorrem os seus 2.500m de perímetro, esta praça-forte foi edificada nos séculos XVII e XVIII, em redor de um castelo medieval – situado num planalto entre o rio Côa e a ribeira dos Tourões –, depois dos espanhóis terem destruído as defesas que protegiam a vila. Palco de várias lutas ao longo dos séculos, Almeida desempenhou um papel relevante na Guerra dos Sete Anos e na 3.ª Invasão Francesa, em 1810, período em que esteve cercada pelas tropas napoleónicas.
No interior da fortificação, vale a pena visitar o conjunto harmonioso do casario e os diversos edifícios religiosos espalhados pelas ruas estreitas. A comunhão da arquitectura militar envolvente com a simplicidade do modo de vida rural é algo que nos seduz. E o seu passado guerreiro é ainda manifesto, não só na fortificação, mas em numerosos edifícios com uma arquitectura simples e robusta.
No interior da fortaleza, é possível pernoitar numa das Pousadas de Portugal – que se encontra num dos extremos da vila, junto à Praça Alta.
Aproveite também a estadia para provar os pratos típicos da região, dos quais se destacam o bacalhau e o cabrito.
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado

morgadio46@gmail.com

JOAQUIM SAPINHO

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