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Quando, aos emissores da Rádio Renascença, soava a «Grândola Vila Morena» na voz de Zeca Afonso, a revolução estava em marcha.

Era a madrugada de 25 de Abril de 1974 e punha fim a um longo período de ditadura (48 anos). Restaurava-se o princípio da democracia, libertava-se a liberdade e soltava-se ao vento de Abril a esperança pintada de cravos vermelhos. Estes, que dariam nome à revolução, representavam o fim da opressão política, social e económica. O fim de uma guerra teimosa e a possibilidade de estancar a hemorragia da emigração. O fim do isolamento do povo que deu «novos mundos ao mundo» e devolvia a dignidade de pessoas e cidadãos a um povo humilhado e vergado ao medo.
Aquela madrugada devolvia a honra a uma nação e, com ela, o ocupar o seu lugar entre as outras nações, sem se envergonhar. Aquela madrugada trazia à rua as vozes durante tanto tempo caladas que, agora, ocupavam cada cidade, vila e aldeia. O povo estava na rua, desta vez sem medo e convicto que o futuro lhe pertencia. E o grito libertado, solto, ecoava por todos os recantos da nação e por todas as nações.
Aquela madrugada prometia o raiar de um dia novo.
Mas, importa perguntar hoje, 38 anos depois, onde está essa madrugada? Onde está o povo que gritava na rua a sua esperança e que, com cravos vermelhos, pintava o futuro? Onde estão os cidadãos e as pessoas e a sua dignidade? Onde está a honra da nação?
Vividos estes anos de democracia, os princípios que a norteiam e sustentam, têm vindo a ser colocados de parte e esquecidos por todos. Alterámos o paradigma de comunidade e sociedade para um que, somente nos deixa ver o nosso umbigo. Esquecemos a fraternidade e a solidariedade que nos torna pessoas e pessoas que vivem umas com as outras. Tornámo-nos egoístas. Mandámos para as calendas a cidadania, exigimos direitos e ignoramos os deveres. Substituímos a ética pelo «chicoespertismo». A política pela aldrabice e o servir pelo servirmo-nos. Deixámos que a democracia se tornasse num negócio, onde a justiça, a saúde, a educação, a segurança… se compra e se vende.
Os tempos que correm trazem dificuldades. Colocam-nos perante novos desafios e exigências. E colocam-nos novas expectativas. De certa forma colocam-nos, de novo, nessa madrugada. Só resta saber se seremos capazes de a transformar em manhã.
De certa forma, falta cumprir Abril.
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

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Mais do que nunca devemos acreditar e lutar pelos ideais de Abril e pelos direitos dos trabalhadores!

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»A 25 de Abril de 1974 um conjunto de militares soube ler a vontade de um povo que queria viver melhor!
O conceito de democracia talvez não fosse aquele que largas camadas da população portuguesa considerariam como o objetivo a atingir.
Mas as condições de vida miseráveis para que o regime antidemocrático nos conduzira:
Um País, com uma larga percentagem de portugueses sem água, sem eletricidade, sem comunicações, vivendo em casas sem qualidade, sem acesso à saúde e à educação;
Um País em guerra sem razão, exterminando e estropiando largos milhares de jovens;
Um País sem direito de decidir o destino de Portugal;
Um País (ao contrário do que alguns dizem) falido e mal visto em todo o Mundo,
Um País assim tinha de mudar!
E se o 25 de Abril foi o dia da libertação e da esperança, os anos que se seguiram até hoje mostraram que o caminho era e é difícil.
Muito caminho foi feito, muito há ainda para fazer.
E num momento como este em que uns «garotos armados em espertos» nos querem fazer crer que temos de abdicar de quase tudo o que alcançámos nestes 37 anos, mais urgente é percebermos que temos de reagir!
Temos de reagir porque os direitos que conquistámos, a melhoria da qualidade de vida que alcançámos não são anéis que possamos perder.
São os dedos das nossas mãos, são o pão da nossa boca, são o futuro que queremos deixar aos nossos filhos!

E se a comemoração do 25 de Abril nos deve motivar a lutar pelos nossos direitos, o 1º de maio, dia do trabalhador, deve ser igualmente o momento de todos os que vivem do seu trabalho perceberem que está hoje em causa quase tudo o que motivou as suas lutas de antes e depois de abril.
Com falácias e com mentiras, estes «garotos» querem fazer passar a ideia de que tudo o que de mal está em Portugal se deve aos trabalhadores!
A história ensina que nunca os trabalhadores alcançaram alguma coisa por vontade própria dos patrões ou dos governos.
A resposta tem de ser dada por vós, nos vossos locais de trabalho, nas vossas organizações sindicais, na rua, se necessário for.

PS: Entre o 25 de Abril e o 1 de maio realizam-se no Concelho do Sabugal dois eventos profundamente democráticos, para os quais incentivo todos a participar.
No dia 27 de abril mais uma Sessão da Assembleia Municipal, órgão democrático por excelência, só possível porque o 25 de Abril permitiu criar um verdadeiro Poder Local.
No dia 28 de abril a Assembleia Geral da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Sabugal, onde todos os sócios deveriam estar, num momento particularmente grave para a vida dos Bombeiros Voluntários que poderá mesmo fazer perigar a continuidade do serviço público prestado, especialmente no que diz respeito ao transporte de doentes.

«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

A Câmara Municipal de Gaia presidida por Luís Filipe Menezes, condecorou no passado sábado, dia 14 de Abril, várias personalidades nacionais, entre elas o escritor e jornalista sabugalense Manuel António Pina.

Manuel António Pina - Luis Filipe Menezes - Vila Nova Gaia

O presidente do Município, Luís Filipe Menezes, antecipou a comemoração do 38.º aniversário do 25 de Abril, condecorando, como vem sendo hábito, várias personalidades e instituições com a medalha honorífica do concelho.
O vencedor do Prémio Camões 2011, Manuel António Pina, e o historiador Hélder Pacheco foram dois dos homenageados, a par do governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, e do presidente do conselho de administração da EDP, António Mexia, entre outros. Também foram homenageadas instituições como a empresa Barbosa e Almeida e a Rádio Renascença A título póstumo, foram ainda distinguidos a resistente antifascista Beatriz Cal Brandão, a defensora dos direitos das mulheres Teresa Rosmaninho e também Henrique Castro.
A mediatização do evento teve porém a ver com as palavras que Carlos Costa, governador do Banco de Portugal, proferiu na ocasião, em nome das personalidades agraciadas na homenagem. Defendeu que «a grande oportunidade de afirmação do Norte é agora, mas não pela via do combate político administrativo e sim pela da afirmação empresarial e económica». O governador questionou ainda: «Onde estão as condições em termos de cultura empresarial? Onde é que há maior tecido de PME? É aqui. Onde é que há a maior distância em relação à administração central e como tal a maior independência? É aqui.» E concluiu: «Por isso, eu espero que o Norte dê um grande contributo para cumprir Abril.»
plb

Um sabugalense balançou-se na iniciativa cívica de realizar no dia 25 de Abril, nas ruas do Sabugal, uma marcha em defesa da democracia e da dignidade, seguida de um debate de ideias acerca do momento político que o país atravessa.

António Emídio lançou a ideia no Capeia Arraiana, num artigo da sua colaboração semanal, intitulado «Sabugalenses pela Democracia», publicado no dia 13 de Março de 2012 (que pode rever aqui).
À margem de qualquer partido ou movimento político, sem o apoio de qualquer associação ou grupo instituído, António Emídio convocou a concentração para o Largo 25 de Abril (Largo da Fonte) às 14 horas. Os que ali comparecerem, muitos ou poucos, seguirão depois em «caminhada» pelas ruas do Sabugal até ao Auditório Municipal, no Largo de São Tiago, onde se realizará um debate informal.
António Emídio, há muito que intervém publicamente, através da publicação de livros e de artigos em jornais e blogues, defendendo que a Democracia e a Liberdade estão a sucumbir face ao avanço imparável do Neoliberalismo económico, em que o poder financeiro e empresarial substitui o poder democrático. A crise que assola o país, a austeridade e as suas medidas draconianas fizeram de Portugal uma espécie de protectorado das grandes potências europeias, em especial da Alemanha, o que tem indignado o autor sabugalense.
Falámos com o nosso colaborador, um dos mais antigos e assíduos – vai já com 203 artigos semanais, publicados sucessivamente. António Emídio destaca desde logo a independência da sua iniciativa, que está livre de qualquer imposição ou sujeição a interesses: «a ideia foi minha, não há ninguém por trás desta iniciativa, nem forças políticas, sindicais ou sociais, não há sequer mais gente na organização», garantiu-nos.
Perante o pedido de esclarecimento acerca como se vai processar o debate, o activista é também explícito: «Oradores? Todos quantos quiserem, claro! Não será dentro de uma anarquia, terá que haver ordem. Muito provavelmente eu direi ao princípio alguma coisa, e a partir daí será lançada uma frase sobre Abril, começando então o debate. A frase até poderá ser esta, «a Democracia está em recessão?», ou outra qualquer, mas falando sempre em Abril e Democracia».
Receoso de más interpretações, António Emídio frisa bem o carácter da iniciativa: «está aberta a tudo e a todos – a todas as ideologias sejam elas quais sejam, aberta a todos os homens e mulheres que querem viver com dignidade num País onde a Democracia e a Constituição já foram postas entre parênteses».

Uma iniciativa original que sai da ideia de um homem que há muito defende uma intervenção cívica em defesa dos valores e das conquistas que Abril nos trouxe e que a pouco e pouco vamos perdendo.
plb

Os primeiros 14 presidentes de Câmara do distrito da Guarda (após o 25 de Abril de 1974) foram homenageados no Governo Civil por Santinho Pacheco. Reportagem da jornalista Sara Castro com imagens de Paula Pinto da Redacção da LocalVisãoTv (Guarda).

Local Visão Tv - Guarda
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jcl

Neste mês em que se celebra o 36.º Aniversário da Revolução de Abril de 1974, não poderia deixar passar em claro essa data, assinalando-a com esta crónica.

João Aristídes Duarte - «Política, Políticas...»Por mais que tentem branquear o passado, ele existiu.
Existiu a PIDE, por mais que queiram fazer dela uma organização quase caritativa ou de um simples serviço de informações. Óscar Cardoso, por exemplo, um dos mais conhecidos agentes da PIDE afirma numa entrevista publicada em vários sites nacionalistas e que fazem a apologia do salazarismo o seguinte: «Eu servi na GNR e na PIDE. Onde eu vi grandes sovas foi na GNR. A PIDE era uma polícia semelhante à de muitos outros países democráticos.»
Quando questionado sobre a perseguição aos emigrantes clandestinos (de que o concelho de Sabugal é um bom exemplo) refere: «(A PIDE) perseguiu apenas os chamados engajadores, indivíduos sem escrúpulos que exploravam os que pretendiam emigrar e os sujeitavam a condições desumanas. Em relação aos emigrantes, nunca tomámos qualquer medida persecutória. Foram à nossa sede várias mulheres e mães de emigrantes pedir ajuda para visitar os seus maridos e filhos no estrangeiro. Recorriam a nós porque sabiam que, para além de assegurarmos o serviço de fronteiras, tínhamos competência para emitir passaportes.» Como se pode verificar a acção caritativa da PIDE era extremosa.
Mas não só a PIDE que nos «protegia» dos «malfeitores». Refiro também uma circular da Câmara Municipal do Sabugal para a Junta de Freguesia do Soito datada de 4 de Janeiro de 1960 (em pleno consulado de Salazar), para provar o que era esse regime que alguns apelidam, agora, de autoritário e de não ditatorial, muito menos de fascista ou sequer de fascizante:
«Aos Senhores regedores e Presidentes das JUNTAS
Por ordem superior determino o seguinte:
QUALQUER INDIVÍDUO que apareça nessa freguesia e seja desconhecido deve ser preso imediatamente e conservado sob prisão até à sua completa identificação. Desde que seja preso alguém deve comunicar imediatamente a ésta (Sic) Câmara, por telefone. O assunto é de muita importancia (Sic). Repete-se: Os senhores regedores PRENDEM qualquer individuo (Sic) que seja desconhecido na freguesia e que não se identifique. A ordem refere-se em especial a nacionais que não sejam do concelho e estranhos. O Presidente da Câmara.»
Ou, ainda, um ofício da Subdelegação da Guarda da Junta Nacional dos Produtos Pecuários para o Presidente da Junta de Freguesia do Soito, com data de 24 de Junho de 1955:
«Cumprindo a este organismo dar parecer sobre a abertura de 2 talhos solicitados por José Gomes Freire de Carvalho e José Martins e porque os talhos já existentes só poderão suportar, quando muito, mais um concorrente, solicito a V.Ex.ª se digne informar esta Delegação qual dos dois pretendentes oferece melhores condições para garantir o abastecimento de carnes dessa localidade. A Bem da Nação P’lo Delegado”.
PIDE - Rua António Maria CardosoQuando dizem que no tempo de Salazar é que era bom, que o Estado não se metia na vida das pessoas, que tudo era livre, basta ver estes dois singelos exemplos do que eram esses tempos para se ter uma (pequeníssima) ideia.
Com o 25 de Abril tudo isso (e muito mais) mudou. Hoje, tudo pode ser considerado sem importância, para os mais jovens. Uma das primeiras reivindicações, a seguir ao 25 de Abril, lembro-me bem (apesar de só ter 14 anos) era a «semana-inglesa». Se perguntarmos a um jovem o que é a «semana-inglesa», ele não deve fazer a mínima ideia disso.
O que se seguiu a essa madrugada de Abril foi um tempo em que tudo era novo. Todos os dias apareciam novidades. Era muito difícil, até, acompanhar essas novidades.
O Povo ganhou não só a liberdade, mas, também, a dignidade. Isso foi difícil de suportar para alguns, habituados que estavam a que a «ralé» (como lhe chamavam) nunca conseguisse «sair da cepa torta».
A «panela de pressão» popular rebentou, a seguir ao 25 de Abril. Cometeram-se erros, viveram-se situações complicadas, mas conseguiu-se muito, sobretudo (e esta é a grande questão) para os mais desfavorecidos.
Era o tempo em que os ardinas vendiam os jornais com o pregão «Lisboa, Capital, República, Popular», em que o Povo saía à rua, quase diariamente, para expressar o que lhe ia na alma. Foi uma Revolução que teve uma banda-sonora bem específica, desde as canções do Zeca Afonso e outros seus «companheiros de aventura», até ao tema de Ermelinda Duarte «Somos Livres» (conhecido pela «Gaivota, Voava, Voava»). Verdadeira explosão de uma alegria colectiva que nunca mais voltou a existir em Portugal.
O 25 de Abril de 1974 e período subsequente continua, portanto, na minha maneira de pensar, a ser o acontecimento mais importante de todo o século XX português.
Como político que sou (e faço gala de o ser) quero, aqui, expressar os meus agradecimentos a todos os que contribuíram para essa data libertadora, lutando, antes e depois de Abril, para que esse dia surgisse. Um agradecimento especial aos capitães de Abril que arriscaram a vida prejudicaram as carreiras para que, hoje, se possa viver em liberdade nesta terra.
«Política, Políticas…», opinião de João Aristides Duarte

(Deputado da Assembleia Municipal do Sabugal)
akapunkrural@gmail.com

A Junta de Freguesia do Sabugal há semelhança dos anos anteriores, vai continuar a celebrar o 25 de Abril com um programa virado para a participação de todos os sabugalenses, iniciando-se às nove e meia da manhã com uma caminhada peddy paper, seguida de um almoço convívio, às 13.00 horas. O período das 15.00 às 19.00 horas, será preenchido com jogos tradicionais e para finalizar com uma sardinhada comunitária, no Largo do Rio Côa.

José Morgado Carvalho - «Terras entre Côa e Raia»Já é por mim recorrente, referir anualmente neste Blogue as iniciativas desta Junta de Freguesia neste dia (vide crónica de 25 de Abril de 2009).
O registo, deste acontecimento memorável, não deve ser esquecido, porque à Revolução dos Militares de Abril aderiu de imediato todo um Povo e permitiu a formação de partidos políticos e saída da clandestinidade do PCP.
Passados 36 anos, chega-se à triste conclusão de que a realização dos sonhos de Abril estão cada vez mais distantes.
Face à realidade actual, são os próprios Presidentes da Republica, pós-25 de Abril, que são unânimes em considerar que temos uma democracia portuguesa, sem qualidade e que o maior responsável tem sido o comportamento dos partidos políticos, que nasceram á sombra da Revolução e é também a convicção de muitos portugueses, crescendo cada vez mais associações cívicas apartidárias e independentes.
Só que são uma gota no Oceano, pois a partidocracia vigente, continua a ter os fiéis seguidores, infra-estruturas, máquinas partidárias e gordos financiamentos.
Como diz o poeta «o sonho comanda a vida e sempre que um homem sonha o mundo pula e avança», só que no estado em que se encontra o mundo e em especial Portugal cada vez temos menos sonhadores
Que a recordação de Abril, não deixe que se apague em nós a esperança.
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado

morgadio46@gmail.com

Era Abril. Na madrugada de uma noite vozes da resistência soaram na rádio. Grândola Vila Morena era a última senha para que o Movimento das Forças Armadas (MFA) avançasse para a conquista da liberdade. Liberdade, Igualdade, Fraternidade, da Revolução Francesa transformam-se em «Democratizar, Descolonizar, Desenvolver».

José Manuel Monteiro - «Largo de Alcanizes»«O Povo está com o MFA» – O movimento transforma-se em revolução. Nas praças o povo grita, chora e canta. Conquista o espaço, cheira os cravos vermelhos que do cano da espingarda e na mão de uma criança faz a «Poesia Descer à Rua».
Quem trabalha exige direitos.
«A Terra a quem a Trabalha» grita-se nas terras de Catarina Eufémia.
Nas fábricas nasce «o controlo operário».
Nas escolas ensina-se o impossível e vivem-se os restos do Maio de 68 – «Proibido proibir», «Imaginação ao poder», «A novidade é revolucionária, a verdade, também».
«Só a verdade é revolucionária».
Nos bairros nascem as comissões de moradores.
As Comissões Administrativas tomam conta das Câmaras Municipais.

Descoloniza-se, democratiza-se, começa o desenvolvimento.

Nas vilas e aldeias do Portugal mais profundo, muitos deixam a velha candeia a petróleo e passam a ter energia eléctrica. O cântaro para ir á fonte, dá lugar ao simples gesto de abrir a torneira em casa. Abrem-se ruas para colocar esgotos. Faz-se teatro e declama-se poesia. Nos bancos das escolas, sentam-se pessoas que enquanto crianças nunca o foram. Aprendem a aprender. Todos, mas todos mesmo, participam na vida que sentem também ser sua. O sonho já não é oprimido e até escolher quem governa passou a ser realidade.
Maio junta-se a Abril, e multidões nas ruas cantam em uníssono «O Povo é quem mais ordena».

Passaram 36 anos daquele dia 25 de Abril de 1974.

Comemorar Abril é continuar a sonhar. Comemorar Abril é manter vivo os seus valores, é lutar pelo desenvolvimento da nossa Terra. Comemorar Abril é exigir mais justiça na distribuição da riqueza e igualdade de direitos e oportunidades para todos os cidadãos.
Continuar Abril é acreditar que o futuro se constrói com a participação de todos, em todos os domínios do nosso quotidiano. Com trabalho e luta, mas também com alegria e confiança na construção de uma sociedade mais justa, fraterna e solidária.
Abril exige comemorações. Mas, Abril exige movimento, rupturas, utopias, exige de todos nós, homens e mulheres de todas as gerações, que digamos:

«Chega. Não matem a Esperança de um Mundo Novo.»

«Largo de Alcanizes», opinião de José Manuel Monteiro
jose.m.monteiro@netcabo.pt

35 anos depois, ainda é 25 de Abril…

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Madrugada ainda, sou acordado pelos meus colegas da Residência Universitária onde vivia, dando-me a notícia que havia um golpe de estado… Não vale a pena hoje falar do que foi esse dia, pois muito do que sonhara, ali estava concretizado e, sabia, nada seria como dantes.
Hoje interessa sobretudo perceber se valeu a pena, não tendo dúvidas que, da minha parte, a resposta é sim, sem hesitação.
E só quem não viveu os tempos da «outra senhora», ou quem tem memória fraca, pode ter outra resposta.
E isso é ainda mais claro no nosso Concelho.
Ou já esquecemos que em pouco mais de dez anos (década de sessenta do século passado), o Concelho perdeu perto de 60% da sua população que emigrou para França e Alemanha sobretudo?
Ou já esquecemos as nossas aldeias sem luz, sem água e sem esgotos?
Ou já esquecemos que os nossos idosos não tinham reforma, nem assistência médica, nem quaisquer descontos nos medicamentos?
Ou já esquecemos que não havia instituições de apoio à 3.ª Idade?
Ou já esquecemos o número reduzido de jovens que iam estudar e se ficavam, quando ficavam, pela 4.ª Classe?
Ou já esquecemos os tempos em que nas nossas casas (e falo por mim, que até era um privilegiado…), não havia frigorífico, não havia televisão, não havia máquinas de lavar roupa ou louça, não havia microondas, não havia…?
Ou já esquecemos que as famílias não tinham um carro, quanto mais dois ou três?
Ou esquecemos os jovens que voltaram mortos ou feridos ou marcados por uma guerra?
Tanta coisa que mudou…
E hoje podemos ter uma visão crítica do que se passa, porque, felizmente, conquistámos muito…
Continua a haver desigualdades? Sim, continua.
Continua a haver ricos e pobres? Sim, continua.
A sociedade actual é a ideal? Não.
O Portugal de 2009 é o Portugal com que muitos sonharam em 1974? Não.
Mas quanto caminho andado…
E se hoje continuamos a lutar por uma sociedade melhor isso o devemos à geração de 74 e à sua capacidade de revolta e de luta.
Se alguma coisa devemos às mulheres e aos homens de 74 é esta insatisfação, mas é também esta democracia e esta liberdade que nos permitem lutar por um mundo melhor.
Negar isto, é negar o 25 de Abril.
Afirmar que Portugal hoje está pior que em 1974 é negar o 25 de Abril.
Mas é igualmente negar o 25 de Abril, não acreditar nas instituições democráticas resultantes desse dia.
Mas é igualmente negar o 25 de Abril não participar nas decisões colectivas, seja através dos actos eleitorais, elegendo e sendo eleito, seja pela participação cívica em formas de democracia participativa.
E porque acredito que construir Portugal é um dever e um direito de todos, termino como terminava o Programa do MFA: «0 Movimento das Forças Armadas, convicto de que os princípios e os objectivos aqui proclamados traduzem um compromisso assumido perante o País e são imperativos para servir os superiores interesses da Nação, dirige a todos os Portugueses um veemente apelo à participação sincera, esclarecida e decidida na vida pública nacional e exorta-os a garantirem, pelo seu trabalho e convivência pacifica, qualquer que seja a posição social que ocupem, as condições necessárias à definição, em curto prazo, de uma política que conduza à solução dos graves problemas nacionais e à harmonia, progresso e justiça social indispensáveis ao saneamento da nossa vida pública e à obtenção do lugar a que Portugal tem direito entre as Nações.»
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

Os que viveram na juventude ou na velhice, no Estado Novo e tiveram a dita de participar, colaborar de alguma forma ou simplesmente assistir à Revolução dos Cravos, nunca mais esquecerão a euforia das primeiras horas e dias de todo um povo que «saiu à rua». Era a morte do Estado Novo e o nascimento do Estado Democrático.

José MorgadoFelizmente, passados 35 anos, o ritual da sua celebração ainda não desapareceu, nem acabará enquanto existirem milhões de portugueses que viveram tão intensamente essa «ruptura histórica» e se soubermos transmitir às gerações seguintes, natas e nascituras, porque razão nasceram num país livre.
No entanto, o Estado Novo desmoronou-se depressa, mas ainda não se dissolveu completamente, após o período revolucionário.
Com humildade os capitães de Abril cederam de bandeja aos políticos o poder absoluto então conquistado permitindo a formação de partidos políticos e eleições livres.
Foi caso único, na história dos golpes militares.
Muitos pensaram que não actuaram por iniciativa própria e que por detrás deles, outras forças jogavam na sombra, nomeadamente PCP que se infiltrara na Academia Militar. Penso que tudo não passa de suposições.
A imprensa internacional, militares e intelectuais de todo o mundo, deslocaram-se a Portugal para tentar perceber o que se estava a passar.
As afirmações de Vasco Lourenço são elucidativas: «Era cómico convencê-los de que só queríamos criar condições democráticas. Tivemos uma influência muito forte no mundo da época, chegamos a ser uma espécie de coqueluche da Europa. Mostramos que as Forças Armadas podiam estar a favor da liberdade. Os militares peruanos derrubaram a ditadura mas não entregaram o Poder aos civis, nós entregámos. Em Espanha, por exemplo, a transição para a democracia não se teria dado de maneira pacífica se não tivesse havido o exemplo português.»
Segundo Otelo Saraiva de Carvalho, toda a América Latina sofreu a sua influência. Nos países do Leste talvez não tivesse havido perestroika sem o 25 de Abril.
Parece é que em Portugal, a médio/longo prazo ficou tudo na mesma.
O escritor José Saramago, Prémio Nobel da Literatura disse nos finais dos anos 90: «Se não tivesse havido o 25 de Abril em 1974, hoje estaríamos exactamente como estamos. A questão a saber, é se nos mereceremos ter vivido aquela data. Tal como os que deflagraram o Maio de 1968, em Paris, merecerão, sendo o que são actualmente, tê-lo vivido?»
Acrescento eu, outra, a esta interrogação e que é uma frase batida: «Terão sido pérolas a porcos?»
Que a tradição do Sabugal em comemorar anualmente, com dignidade, o 25 de Abril, continue sempre, para que não se perca a memória.
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado

morgadio46@gmail.com

A Câmara Municipal da Mêda assinala no sábado o 35.º Aniversário do 25 de Abril, dia da Liberdade, com um programa de cariz popular onde pretende o envolvimento da população da cidade e concelho.

Longroiva, MêdaO programa da Câmara Municipal da Mêda para as comemorações do 25 de Abril tem início com a alvorada e o lançamento de 35 morteiros alusivos aos 35 anos do «Movimento dos Capitães». Às 15 horas de sábado será inaugurada uma exposição sobre a freguesia de Longroiva sob o tema «Terra dos Templários & Termalismo», no posto de turismo da Mêda e sessão solene comemorativa nos paços do concelho. Às 21 horas actua o Grupo de Canto e Dança de Oeiras (Casa Municipal de Cultura).
O Presidente da Câmara Municipal, João Mourato, afirma a propósito destas celebrações que «é preciso cada vez mais relembrar o Movimento dos Capitães, o significado que tem para os portugueses que com ele viram restituídas as Liberdades Fundamentais dos cidadãos».
Desse modo, faz todo o sentido, num acto de grande dignidade, o Município de Mêda ter atribuído o topónimo “25 de Abril” a uma nova avenida da nova cidade de Mêda e que está interligada com modernidade do sistema urbano e de acessibilidades da Mêda e seu concelho
A inauguração neste dia da Exposição sobre a Freguesia de Longroiva representa também, para o Presidente da Câmara Municipal, «a força do Poder Local que no pós-25 de Abril se preocupou com o bem-estar, criação de riqueza da freguesia e concelho, ao encetar a construção e conclusão do novo Pólo Termal de Longroiva».
Entretanto foi empossada pelo Presidente da Assembleia-Geral, João Mourato, a nova Direcção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Mêda presidida por Paulo Amaral. Luís Gamboa para a presidência do Conselho Fiscal.
João Mourato, que desempenha também funções de Presidente do Município de Mêda, relembrou na tomada de posse, que «ser bombeiro, para além do acto voluntário, é também um acto solidário o que acarreta enormes responsabilidades para todos, tendo em conta que a comunidade espera sempre o apoio desta instituição nas horas de infortúnio, quer seja em casos de incêndios, doença ou sinistro/acidente».
aps

JOAQUIM SAPINHO

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