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«A caneta é a língua da Alma»; Cervantes, in «D. Quixote».

A Bismula, com muitos séculos de existência, teve e tem pessoas que, em diversas circunstâncias de trabalho e nas mais diversificadas profissões, a prestigiaram. Todos os Bismulenses devem sentir orgulho, embora muitas vezes aqueles que têm o poder político, esqueçam os homens da cultura. Há no campo das letras, da literatura que valorizaram e deram a conhecer ao país e ao mundo, o nome da nossa Freguesia – a Bismula. Estou a fazer referência aos nossos escritores.
Na linha da frente, com diversas obras publicadas, além de imensa colaboração na imprensa escrita e falada, está o Dr. Manuel Leal Freire. A sua imensa obra literária estende-se à prosa, à poesia, que vai perpetuar a voz do nosso povo nas diversas actividades, nos usos e costumes, nas vivências históricas, etnográficas e sociais. Há o saudoso Padre Francisco dos Santos Vaz, o Padre Manuel Leal Fernandes, Ezequiel Alves Fernandes, Professor Couceiro e outros. Porém, quem a coloca também no mapa da literatura portuguesa e a nível internacional é o jornalista e escritor Manuel da Silva Ramos, oriundo da Covilhã, com o livro «TRÊS VIDAS AO ESPELHO», romance alegre e reconfortante, que se traduz num elogio ao contrabandista da zona da raia e revela-nos de uma forma detalhada da vida de uma aldeia – A BISMULA –, perdida entre pedras e solidão, cujos habitantes se dedicam à agricultura, à pastorícia e … ao contrabando, como é descrito na contra-capa.
Esta obra, em que colaborei em diversos itinerários, no referente á primeira parte, teve a sua primeira apresentação na Papelaria Barata, na Av. de Roma em Lisboa, a segunda no Auditório Municipal do Museu do Sabugal, e ainda esteve em perspectiva ser lançado numa grande tenda em Vilar Formoso, junto à fronteira, ideia que se abandonou por questões de logística. A terceira apresentação foi realizada na Covilhã. Estive em todas as apresentações, a convite do escritor, e em todas foram muito participativas. É na apresentação desta última, que senti muito orgulho ter nascido na Bismula. Não é todos os dias que se ouve o mestre dos mestres, do pensamento, da filosofia, da literatura portuguesa – José Eduardo Lourenço –, como orador da noite e comentarista.
José Eduardo Lourenço, fez uma profunda resenha do Livro «TRÊS VIDAS AO ESPELHO», e a rever-se em muitas páginas do mesmo. Ele que nasceu numa aldeia igual a tantas outras da zona fronteiriça – S. Pedro de Rio Seco – junto a Vilar Formoso, sentiu e viveu a dureza de vida daquelas gentes. Aquele ensaísta abre o livro e lê: «dormi em choças de pastores que partilharam comigo pão duro, chouriço picante, queijo de cabra e vinho tépido, aquecido nas brasas do lume ao ar livre, a vida é um poço de sofrimento». Noutra passagem Eduardo Lourenço, continua: «ficava horas nos cômoros ou por baixo das videiras, sentado nos muros de pedra que dividiam as pequenas propriedades sonhava com a França. Na Bismula não havia futuro. De Aldeia de Ribeira até ao Carril, continuava o mesmo mar desolado de pedras, silvas, giestas, azinheiras, paisagem agreste que reforça no coração a ideia de que caiu há milhares de anos nestes sítios mortos um raio infinito de pobreza».
Na diversificada assistência, muitas das pessoas com raízes nestes descritos cenários, ao ouvir estas mensagens, acompanhou-nos uma lágrima de saudade, acompanhada de sofrimento, de dor, mas também de raiva. A ESPERANÇA é a última palavra a morrer na vida do HOMEM.
A obra literária «TRÊS VIDAS AO ESPELHO» é o melhor romance, dos muitos que Manuel da Silva Ramos escreveu.
Com este texto quero homenagear Eduardo Lourenço, nosso vizinho, conterrâneo, que acaba de lhe ser atribuído o Prémio Fernando Pessoa. Ele que embora no estrangeiro teve sempre os olhares em Portugal, que soube sempre dar conselhos oportunos e sábios aos Portugueses. Eduardo Lourenço é uma referência nacional.
António Alves FernandesAldeia de Joanes

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Mestre na arte de versejar, senhor de virtualidades técnicas notáveis, Manuel Leal Freire é um dos maiores poetas da nossa terra.

Manuel Leal Freire

João Valente - Arroz com Todos - Capeia Arraiana5. Da Natureza à Alma
«O povo Inglês é um povo mudo; podem praticar grandes façanhas, mas não de escrevê-las», disse Carlyle, dos ingleses.
E acrescentava, com vaidade, no seu poema épico, que os feitos dos ingless está descrito na superfície da terra.
Contrapunha, humilde, Unamuno, que mais modestamente, e mais silencioso ainda, o povo Basco escreveu na superfície da terra e nos caminhos do mar seu poema; um poema de trabalho paciente, na América latina, mais que em qualquer outra. Mas durante séculos viveu no silêncio histórico, nas profundidades da vida, falando a sua língua milenária; viveu nas suas montanhas de carvalhos, faias, olmos, freixos e nogueiras, matizadas de ervas, bouças e prados, ouvindo chamar o oceano que contra elas rompe, e vendo sorrir o sol atrás da chuva suave e lenta, entre castelos de nuvens.
E concluía: «As montanhas verdes e o encrespado Cantábrico são o que nos fez.»
De facto, como tão bem observou Unamuno, é a Natureza e o meio que fazem os povos.
O homem encontra-se determinado pela natureza, a qual engloba tanto o seu próprio corpo, como o mundo exterior. E justamente a efectividade do próprio corpo, os poderosos impulsos animais que o governam, a fome, o impulso sexual, a velhice, a morte, determinam o seu sentimento vital e sua relação com o meio.
Esta constituição vital, que Platão já descrevia na vida presenteira dos terratenentes e sua doutrina hedonista, combatida por Heráclito, encontra expressão na filosofia epicurista, que S. Paulo desdenhou, está presente numa grande parte de literatura de todos os povos, e ressuou nas canções provençais, na poesia cortesã alemã, na epopeia francesa e alemã de Tristão, nas éclogas e pastorais do nosso Bernardim, depara-se-nos igualmente, na filosofia do século XVIII.
Nesta concepção do mundo, a vontade subordina-se à vida impulsiva que rege o corpo e às suas relações com o mundo externo: o pensar e a actividade finalista por ele dirigida encontram-se aqui ao serviço desta animalidade, reduzem-se a proporcionar-lhe satisfação.
Quando tal constituição vital se transforma em filosofia, surge o naturalismo, que, de forma uniforme, desde Demócrito, Protágoras, Epicuro e Lucrécio, a Hobbes, afirma ser o processo da natureza a única e integral realidade; fora dela, nada havendo; a vida espiritual distingue-se da natureza física só formalmente como consciência, de acordo com as propriedades nesta contidas, e a determinidade conteudalmente vazia da consciência brota da realidade física, segundo a causalidade natural.
As experiências do impulso vital, independentemente das construções filosóficas, ebabulações poéticas, levavaram sempre, e isso é que nos interessa, ao mesmo: ao sossego de ânimo, à paz de espírito, que surge em quem acolhe em si a conexão permanente e duradoira do universo.
No poema de Leal Freire, encontramos também a expressão desta constituição anímica. Ele vive em si a força libertadora da grande mundividência cósmica, astronómica e geográfica, que a paisagem particular e a Terra de Riba-Côa criaram.
O universo geográfico, as suas leis gerais, o nascimento de um sistema cósmico próprio, a história da Terra que sustenta animais e homens, por último, produz um homem particular, emergente de um universo cósmico:

«vem á ceia as courelas(10)/ cada uma traz seus mimos/ dá o quintal bagatelas
a veiga fartos arrimos// Das bouças vêm canhotos(11)/ Que um bento calor evolam
E até os manigotos/ Mandam cheiros que consolam// Vinhedos, chões e vergéis(12)/ Primasias se disputam/ Nem as rochas são revéis/ Em dura freima labutam.// As do monte mandam coelhos(13)/ As da ribeira bordalos/ Pirilampos são espelhos/ A cegarrega é dos ralos.»

E o homem que resulta, em Leal Freire, desta cosmogonia é piedoso; um bom pai, há semelhança de Lucrécio, que dizia «ser piedoso quem com ânimo sereno contempla o universo»:

«O lavrador, que é bom pai,/ A ver se a ceia é pra todos/ Não manda, que ele proprio vai.»

Um homem livre que, superando o fundamento mecaniscista do naturalismo, reconhece, como o ideal natrualista de Fuerbach, Deus, na imortalidade e na ordem invisível das coisas:

«Na mesa, que é um altarzinho(9)/ Que branca toalha cobre/
[…]
As Almas Santas dos Céus(14)/ Também descem para a mesa/ A noite, negra de breu,/ Resplandesce com a reza.»

Uma natureza provida de alma, impregnada da interioridade, que nela interpolaram a religião e a poesia.
Uma natureza que covida a uma atitude contemplativa, intuitiva, estética ou artística, quando o sujeito repousa, por assim dizer, nela do trabalho do conhecimento científico-natural e da acção que decorre no contexto das nossas necessidades, dos fins assim originados e da sua realização exterior.
Nesta atitude contemplativa alarga-se o seu sentimento vital, em que se experimentam pessoalmente a riqueza da vida, o valor e a felicidade da existência, numa espécie de simpatía universal.
Graças a tal estado anímico que a realidade suscita, voltamos nela a encontrá-los. E na medida em que alargamos o nosso próprio sentimento vital à simpatía com o todo cósmico e experimentamos este parentesco com todos os fenómenos do real, intensifica-se a alegria da vida e cresce a consciência da própria força vital, tal é a complexão anímica em que o indivíduo se sente um só com o nexo divino das coisas e aparentado assim a todos os outros membros deste vínculo.
Ninguém expressou com maior beleza do que Goethe esta constituição anímica:
Celebra a ventura de «sentir e saborear» a natureza». «Não só permites a fria visita de surpresa, mas deixas-me perscrutar o seu seio profundo, como no peito de um amigo». «Fazes passar diante de mim a série do vivente e ensinas-me a conhecer os meus irmãos no silencioso bosque, no ar e na água».
Esta constituição anímica encontra a resolução de todas as dissonâncias da vida numa harmonia universal de todas as coisas, que tão bem, como Goethe, soube resumir Leal Freire:

«A prece que ceia encerra/Manda pra longe a cizânia/A paz reina sobre a Terra.»

6. Alma enérgica e sensível
Conclui Leal Freire o seu poema com aquela magnífica saudação, que resume todo o carácter da minha raça:

«Dia um da criação (16)/A quantos na tasca estão.»

Uma saudação, curta em palavras, rude, como o que vem da força expontânea da natureza envolvente.
Não é por acaso, que o nosso folguêdo mais apreciado seja a capeia; um passatempo, em que se adestram colectivamente as forças dos homens, em confronto com a força bruta de um boi.
Um divertimento rude, para um carácter simples.
Como dizia Unamuno, a respeito povo Basco, a inteligência da minha raça também é activa, prática, enérgica. Sobreviver numa terra inóspita, de fronteira, exige mais um estética de acção, que de contemplação.
«E para quê poetas em tempos de penúria?», preguntava na 248 elegía, Pão e Vinho, o poeta alemão Hölderlin.
Por isso, em séculos, não produziu nenhum poeta, nenhum filósofo, nenhum santo; mas venceu muitos exércitos invasores, munido apenas de chuços e foices.
Não que o meu povo não seja capaz de pensar, sentir.
A aridez dos cabeços, a dureza da rocha granítica, o contínuo rebentar dos bracejos entre os barrocos, a florição das giestas em Maio, o verdejar dos prados, a sombra fresca dos freixos, o murmúrio dos ribeiros a galgar as fragas, a courela, os quintais, os chãos, os vergéis com os seus mimos, um lenhador carregando ao anoitecer o seu feixe de lenha, o carro de bois carregado balançando-se nos sulcos do caminho, a geada branca sobre o campo, tudo isto se apinha, se agrupa e vibra através da nossa existência diária.
Esta fica tão perto do passo no caminho do poeta e do filósofo que se recreia, como do pastôr, que pela orvalhada sai com o seu rebanho.
Um carvalho no caminho, um freixo num lameiro, induzem todos à lembrança dos primeiros jogos e e das primeiras escolhas da infância. Quando às vezes caía as golpes do machado uma árvore no meio de um bosque, o pai de família procurava na floresta, a madeira seleccionada para as tábuas do soalho, para a cumeeira da casa, o jugo das vacas, a rabiça do arado; o homem mais experiente escolhia a galha mais afeiçoada para o forcão, os moços colhem o madeiro do Natal.
A rudez, o perfume da madeira do carvalho, do castanheiro e do freixo, falam sempre da lentidão e da constância com que uma árvore cresce, floresce e frotifica, abrindo a sua copa ao céu, enquanto a sua raíz mergulha na terra sustentadora.
O caminho do campo recolhe tudo o que tem substância em seu redor, o enigma do perene e do grande, do céu e da terra, penetrando o homem e convidando-o a uma longa e serena reflexão sobre a criação.
Mas esse caminho do campo, como diz Heidegger, «fala sómente enquanto haja homens que, nascidos no seu âmbito, possam ouvi-lo.»
Enquanto o ritmo da vida, o trabalho, as pausas do trabalho, se façam ainda ao ritmo do relógio da torre e dos sinos, que, ainda segundo Heidegger, «sustentam a sua própria relação com o tempo e a temporalidade».
Enquanto «Derem os sinos trindades/ Por sobre as casas da aldeia/ Toques de suavidades/ Que prenunciem a ceia», nas palavras de Leal Freire.
Pena é que só agora, quando o sino das trindades já não marca o tempo dos trabalhos do campo, o meu povo tenha aprendido a falar num idioma de cultura, que revela ao mundo o seu ethos de um profundo sentido do transendente, um saber amável, uma serenidade espiritual, generosidade e fraternidade universais, sob uma aparente rusticidade.
Um ethos de boi valente a investir no forcão, dócil a puxar o arado; generoso sempre, ao pico do garrochão ou da aguilhada. Um povo ao mesmo tempo nervo e sentimento.
Leal Freire, Manuel Pina, Pinharanda Gomes, Eduardo Lourenço, interpretes deste ethos, são poetas e pensadores, que ainda ouvem o caminho do campo, numa Riba-Côa onde rareiam cada vez mais os homens que, nascidos no seu âmbito, ainda conseguem ouvi-lo.
A saudação do final do poema, é o murmúrio que Leal Freire escutou, do vento acariciando as copas dos carvalhos, dos castanheiros e freixos, por esses caminhos de Riba-Côa:

«Dia um da criação, para todos os que na tasca estão!»

Para todos os que ainda consigam ouvir os sinos das trindades e o vento, da terra dos nossos pais!
«Arroz com Todos», opinião de João Valente

joaovalenteadvogado@gmail.com

A Paulus Editora assinalou o 44.º Dia das Comunicações Sociais com o anúncio do lançamento da obra «Magistério da Igreja e Meios de Comunicação Social» da autoria do Padre jornalista Francisco Pereira Barbeira.

Francisco BarbeiraNesta obra, o autor Francisco Pereira Barbeira, Chefe de Redacção do jornal «A Guarda», «desenvolvendo o tema sobre os Meios de Comunicação Social, enriquece-nos como pessoas e em Igreja. Pegando no ensinamento do Concílio Vaticano II e dos Papas João XXIII, Paulo VI e particularmente de João Paulo II, mostra-nos como o magistério da Igreja, nesta temática, se tornou um “grande púlpito” ao serviço da pessoa humana e da sua dignidade, da família e da educação e da formação das consciências para evitar a “parcialidade e a manipulação”», pode ler-se no prefácio do padre Dr. António Luciano Santos Costa.
A obra está dividida em duas partes distintas. Na primeira, o autor faz uma análise da relação entre o magistério da Igreja e a comunicação social desde o Vaticano II até os nossos dias. Após a análise de diversos documentos, aponta desafios para uma missão através destes meios.
Na segunda parte da obra são apresentadas todas as mensagens para o Dia Mundial das Comunicações Sociais desde Paulo VI a Bento XVI.
A primeira mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais data de 1967 e foi escrita pelo Papa Paulo VI.
Daí para cá são já 44 as mensagens que, Paulo VI, João Paulo II e, mais recentemente, Bento XVI, escreveram sobre as mais variadas formas de como as comunicações sociais podem e devem ser usadas ao serviço da palavra de Deus.
Este ano a mensagem de Bento XVI intitula-se «O sacerdote e a pastoral no mundo digital: os novos media ao serviço da Palavra» e também pode ser lida nesta obra que a «Paulus» agora apresenta.
A obra «Magistério da Igreja e Meios de Comunicação Social» será lançada no mercado no início de Junho.

Francisco Pereira Barbeira é natural do Marmeleiro, concelho da Guarda.
Fez os estudos de humanidades e Teologia nos seminários diocesanos da Guarda, tendo sido ordenado sacerdote em 1994, na Sé da Guarda.
Obteve o master em Comunicación Cristiana, da Faculdade de Ciências da Informação, na Universidade Pontifícia de Salamanca, em 2001, e a licenciatura em Teologia, em 2006, pelo Instituto Superior de Teologia das Beiras e Douro – Universidade Católica Portuguesa.
É correspondente fotográfico da Agência Lusa, na Guarda e director do Secretariado Diocesano dos Meios de Comunicação Social.
Actualmente é pároco de Famalicão da Serra, Fernão Joanes e Vale de Estrela.
A apresentação pública do livro «Magistério da Igreja e Meios de Comunicação Social» vai ter lugar no dia 7 de Junho, às 18.30 horas, na Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço, na Guarda. A cerimónia será presidida por D. Manuel Felício, Bispo da Guarda e a apresentação será feita pelo Padre Dr. António Luciano Santos Costa.

O Capeia Arraiana associa-se com satisfação ao lançamento da obra e dá os parabéns ao jornalista Francisco Barbeira.
jcl

Em Portugal, o dia da «raça» era a 10 de Junho, dia de Camões, enquanto em Espanha era a 12 de Outubro, dia em que Colombo descobriu a América. Isto resume a diferença de identidade entre os dois países. Têm histórias paralelas (reconquista e descobrimentos), mas nunca concordantes. Como escreveu Eugénio Pontes «Portugal e Espanha são noções paralelas e as paralelas só se encontram no infinito».

Península Ibérica

João ValenteUma coisa é a cooperação transfronteiriça, outra a integração cultural, ou política, que são impossíveis, quando a própria Espanha, maugrado o poder centrípeto de Castela, não conseguiu sequer extinguir o carácter das nacionalidades Galega, Catalã e Basca. A nação Espanhola nem sequer existe!
Como dizia Mendez Pelayo, «um povo novo pode improvisar tudo, até a cultura intelectual. Um povo velho não pode renunciar à sua sem extinguir a parte mais nobre da sua vida e cair numa segunda infância muito próxima da imbecilidade senil».
Neste sentido era mais fácil a Galiza integrar-se em Portugal com o qual tem afinidades culturais, históricas e linguísticas, do que Portugal unir-se com a Espanha.
É certo que o Iberismo de que agora se fala já não é o primário da «Castela Una» de Filipe II, do Conde Duque de Olivares, ou de Franco, mas ainda é o intelectual e romântico de Gasset, Unamuno, Pascoais, Junqueiro e Oliveira Martins, que embora sendo espiritual, ainda vê Castela como referência geográfica da alma da consciência ibérica (leia-se a este propósito, Espanha Invertebrada de Ortega Y Gasset).
É certo que personalidades portuguesas como Antero de Quental, Fernando Pessoa, Ana de Castro Osório, Latino Coelho, Sampaio Bruno, Teófilo Braga, e mais recentemente Miguel Torga, Fernando Lopes-Graça, António Lobo Antunes, Eduardo Lourenço, José Saramago, manifestaram simpatia pela união ibérica. E em Espanha, o filósofo e poeta madrileno OrtegaY Gasset, o filósofo Basco Miguel de Unamuno, o poeta e filósofo catalão Joan Maragall, o lusófilo Ignasi Ribera i Rovira e Francesc Pi i Margall, presidente da Primeira República Espanhola, em 1873 defenderam a união ibérica.
Unamuno, Ribera i Rovira, Maragall e Antero viam essa união a três – Catalunha, Castela e Portugal, esquecendo o País basco e a Galiza.
Fernando Pessoa chegou a delinear uma confederação de nações ibéricas em que a Galiza embora autónoma de Castela se integraria em Portugal; Teófilo Braga planificou as bases de uma Federação Ibérica, dentro da qual a Espanha teria de aceitar ser uma República e dividir-se em estados autónomos aos quais Portugal se juntaria. Lisboa seria a capital dessa Federação Ibérica. Coisa que nem Felipe II, tendo oportunidade histórica, fez.
O sistema político geralmente aceite era o de uma Federação de estados autónomos, com centros de decisão comuns – a política externa, por exemplo.
Na década de sessenta do século passado, o escritor catalão Agustì Calvet i Pasqual, defendia que «poucas vezes a insensatez humana terá estabelecido uma divisão mais falsa» (do que a das fronteiras peninsulares) «nem a geografia, nem a etnografia nem a economia justificam esta brutal mutilação de um território único».
A língua, o saudosismo, a indolência, são características psicossomáticas próprias da alma portuguesa. Falsa seria a união; não a divisão que existe.
Mais recentemente ainda, o escritor espanhol Arturo Pérez-Reverte, defendeu a existência de uma Ibéria, um país único, porque, na sua opinião, é «um absurdo» que Portugal e Espanha vivam «tão desconhecidos um do outro», devendo a Espanha a absorver Portugal.
Em entrevista concedida ao Diário de Notícias em Julho de 2007, José Saramago defendia a união dos dois países numa Ibéria: «Não vale a pena armar-me em profeta, mas acho que acabaremos por integrar-nos.»
O Iberismo Espanhol tem a mesma força centrípeta e castradora que Castela vem exercendo desde o século XIII, absorvendo e aniquilando paulatinamente as várias nacionalidades do território Espanhol. Continua expansionista, como no século XVI e XVII e é fruto do romanismo e das tentações de grandeza de vários intelectuais, quer de um lado, quer do outro da fronteira.
Os exemplos da Galiza, da Catalunha e do País Basco são reveladores, porque ainda são nações submetidas e aculturadas, lutando pela afirmação das respectivas autonomias face à hegemonia de Castela.
Tudo aquilo que nós, os Portugueses que amam o seu país, não queremos que nos aconteça.
Este Iberismo é por isso contrário à ideia de Portugal.
Gosto de Espanha. Gosto mais ainda das espanholas; mas nunca me passaria pela cabeça ser espanhol!
Confraternizemos, sejamos bons vizinhos, cooperemos sem preconceito em tudo o que for do interesse comum; mas que cada um com a sua casa.
Arriba Espanha! Portugal sempre!
«Arroz com Todos», opinião de João Valente

joaovalenteadvogado@gmail.com

Na sequência do artigo sobre D. Filipe I, do nosso ilustre colaborador Adérito Tavares, talvez valha a pena desenvolver um pouco mais o tema das representações sociais que entre portugueses e espanhóis fazemos reciprocamente. Longe de esgotar o tema neste modesto artigo, acho interessante que o «Capeia», constituído por gente da raia, habituada ao convívio da fronteira, se expressasse sobre o olhar recíproco entre uns e outros.

Batalha de Aljubarrota

António Cabanas - «Terras do Lince»O que pensamos sobre os outros povos, e em concreto sobre os nossos vizinhos, são por vezes ideias preconcebidas, representações sociais estereotipadas, geralmente erróneas, que o convívio da história ajudou a construir e é de esperar que a forma como os outros nos vêm sofra de idênticos defeitos. É também natural que a opinião dos raianos seja um pouco diferente da opinião da restante população, afinal foram os raianos os que mais sofreram com a dureza das guerras e, em consequência, se viram na obrigação de esquecer ofensas passadas. De forma genérica, depois de séculos e séculos de litígios, é natural que os países vizinhos se vejam reciprocamente com alguma desconfiança. Desconfiança que o recente período de paz e de união europeia não apagou totalmente e que parece ser mais acentuada do nosso lado.
Defensor da independência nacional até ao tutano, gosto dos espanhóis (e das espanholas), da sua cultura, do seu património histórico, das suas belezas naturais, da sua moderada pontualidade e até mesmo da sua gastronomia.
Lidando há muito com projectos de cooperação transfronteiriça, surpreendeu-me há tempos um técnico da Diputación de Cáceres que, a meio de um almoço com outros cacerenhos, defendia que os seus compatriotas eram mais inteligentes que os portugueses. Ainda não tinha chegado a crise económica mundial, a Espanha vivia eufórica, na bolha de crescimento económico, enquanto em Portugal, derrapavam as contas públicas e o sentimento geral traduzia-se no famigerado discurso da tanga.
Aquilo da inteligência espanhola provocou-me azia, recordei ao meu interlocutor que o seu país vivera tempos de miséria em pleno século XX, e, pressentindo-lhe alguma ignorância já me preparava para puxar dos galões da nossa História mais antiga, onde me sentia à vontade. Dei-me então conta que teria de inverter a estratégia, e até ser magnânimo e defender o infeliz, já que os outros espanhóis presentes, caíram-lhe em cima como cães a bofe, desmontando a fanfarronice do patrício e enaltecendo Portugal como se ele fosse o melhor país do mundo. Estava resolvido o diferendo!
Isto de ter opinião sobre os outros povos nem é coisa só de vizinhos. Leia-se, a propósito o que escreveu o economista alemão Friedrich List, em 1841, sobre os povos ibéricos, por oposição aos ingleses: Enquanto os ingleses se esforçavam, durante séculos, por erguer o edifício do seu bem-estar nacional sobre bases sólidas, os espanhóis e os portugueses, através das suas descobertas, conseguiram uma sorte rápida, atingindo grande riqueza em pouco tempo. Mas era a riqueza de um esbanjador que ganhou a sorte grande. Na opinião do alemão, seríamos assim, hispanos e lusos, uma espécie de jogadores da lerpa, chapa ganha, chapa batida! Mas este discurso germânico, além do desdém que demonstra em relação aos povos ibéricos, também esconde uma certa inveja do sucesso inglês. Por contraponto, «nós» aceitamos de bom grado o que vem dos germânicos e quase sempre desconfiamos dos nossos vizinhos, sobretudo quando se trate de investimentos.
Gravado no nosso subconsciente, há ainda uma espécie de estigma dos filipes. Pela minha parte, nunca vi razão para qualquer sentimento de inferioridade a não ser no tamanho: Portugal, um ovo, França uma eira e Espanha uma joeira! Mas não nas proezas épicas e muito menos na guerra. Afinal Filipe I, de sangue lusitano, entrou em Portugal porque a nossa nobreza o aceitou sem luta – na batalha de Alcântara, as tropas de D. António eram constituídas por um punhado anárquico e desorganizado de prisioneiros! Já durante a restauração, a colossal Espanha levou tareia em toda a linha, David bateu Golias, quando se esperava que face ao tamanho, a joeira esmagasse o ovo. Poderíamos falar de outras batalhas, como Aljubarrota, ou comparar o nosso desempenho perante inimigos comuns. O saldo foi-nos francamente favorável, caso contrário, seríamos hoje espanhóis. Por isso, é no mínimo absurda a perspectiva que os militares espanhóis tem de «nós». Segundo os estudiosos dos temas militares aprende-se na historiografia militar espanhola que os portugueses são cobardes. O próprio Franco, Generalíssimo, ao ser confrontado com a possibilidade de haver, em 1975, uma guerra civil em Portugal, terá confessado, no seu leito de morte, que não acreditava nessa hipótese porque conhecia a suposta cobardia dos portugueses. Esta abordagem é restrita aos meios militares, não a comungam o resto dos espanhóis e foi sendo construída nos relatos de batalhas entre os dois povos, sempre demasiado pintados com a cor da sua bandeira nacional. Em matéria de cobardia pedimos meças, podemos contrapor a chacina dos povos ameríndios indefesos, praticada por espanhóis, com a resistência portuguesa a exércitos armados por russos e americanos, aliás, fomos mesmo mais resistente potência colonizadora europeia (para o bem e para o mal).
Há sempre alguns dos nossos que logo dizem que o Tratado de Tordesilhas deu aos espanhóis o ouro e a prata e a «nós» as mulatas e a caipirinha! Há ainda os engulhos mal resolvidos, como Olivença e as cócegas que nos causa o facto dos espanhóis não fazerem o mínimo esforço para falarem a nossa língua, enquanto «nós» nascemos a falar espanhol. Mas isso até dá jeito, pois permite, nas negociações, fazer apartes que «eles» não entendem, coisa que «eles» não podem fazer na nossa frente.
O romance «O Mar de Madrid», do açoriano João de Melo traz à liça a característica ruidosa dos espanhóis: não só falam alto como parece gostarem de se ouvir, deliciando-se com a sua própria língua. Vistos pela espanhola do romance, «nós», pelo contrário, surgimos, de olhar distante, silenciosos, quase ciciando quando conversamos. Uma espécie de acanhamento que se liberta depois de bebermos uns copos, acrescento eu!
A maioria de «nós» considera cinismo a referência que «eles» fazem aos lusos como «nuestros hermanos», que por vezes também usamos mas só na língua deles. Nossos irmãos, «nós» dizemos dos brasileiros, aplicado aos espanhóis, não nos soa bem! No entanto, creio que «eles» o fazem com sinceridade, que se acham mesmo «nuestros hermano», coisa impensável com os seus vizinhos franceses.
A pulverizada identidade espanhola, em que um indivíduo se sentirá primeiro basco ou galego e só depois espanhol, faz com que os espanhóis, que afinal são bascos, galegos ou andaluzes, nos olhem de forma diferente, como o basco olha para o galego ou o galego olha para o andaluz. Para «eles» somos portugueses, como «eles» são bascos, galegos ou andaluzes.
Pelo contrário «nós» temos uma espécie de hiper-identidade ou dupla identidade como diz o grande pensador Eduardo Lourenço, também ele de Riba Côa. Sentimos a necessidade constante de afirmar essa identidade e sobretudo perante os espanhóis, como o fez Manuela Ferreira Leite, lembrando a Sócrates que Portugal não é uma região de Espanha, não fosse ele ou Zapatero esquecerem-se. Por outro lado sentimo-nos pequenos perante a Europa e perante a Espanha (embora aqui só no tamanho), mas sentimo-nos grandes e imperialistas perante o mundo (dupla identidade).
Ainda a propósito de tamanho, não pude deixar de sorrir com a leitura de um artigo onde se garante que a Durex, empresa que comercializa preservativos, os vende em Portugal com 1 cm em média mais compridos que em Espanha o que deita por terra a elevada auto-estima do macho latino espanhol! Como o artigo foi escrito por uma portuguesa a viver em Madrid, não poderemos duvidar!
«Terras do Lince», opinião de António Cabanas

kabanasa@sapo.pt

«Imagem da Semana» do Capeia Arraiana. Envie-nos a sua escolha para a caixa de correio electrónico: capeiaarraiana@gmail.com


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Data: 21 de Janeiro de 2010.

Local: Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço (Guarda).

Autoria: Lucília Monteiro (JL/Visão).

Legenda: Ciclo Manuel António Pina na Guarda.
jcl

Ángel Campos Pámpano, poeta e tradutor espanho, é o vencedor da quarta edição do Prémio Eduardo Lourenço, no valor de 10 mil euros, atribuído pelo Centro de Estudos Ibéricos (CEI), sedeado na Guarda.

Ángel Campos PámpanoA decisão foi ontem anunciada por José Ramon Alonso, reitor da Universidade de Salamanca, no final de uma reunião do júri realizada nas instalações do CEI.
O prémio, que tem o nome do presidente honorário do CEI, «destina-se a distinguir personalidades ou instituições, de língua portuguesa ou espanhola que tenham sido protagonistas de uma intervenção relevante e inovadora no âmbito da cooperação e no domínio das identidades, das culturas e das comunidades ibéricas».
Na justificação da escolha de Ángel Campos Pámpano diz-se que o júri «reconheceu os seus méritos como escritor, como tradutor, como crítico e estudiosos das obras de autores portugueses».
Na escolha também pesou o facto de ser editor da revista de literatura «Espacio/Espaço», escrita em português e espanhol «que ajudou a conhecer as fronteiras dentro do critério do iberismo».
O espanhol foi escolhido de um total de seis candidatos (quatro espanhóis e dois portugueses).
O júri desta edição foi constituído por José Ramón Alonso (reitor da Universidade de Salamanca), Fernando Seabra Santos (reitor da Universidade de Coimbra) e Joaquim Valente (presidente da Câmara da Guarda), em representação da direcção do CEI. Fernando Catroga e Fernando Rodríguez de la Flor foram os dois representantes da Comissão Científica do CEI, enquanto que Valentín Cabero Diéguez e Jaime Couto Ferreira representaram a Comissão Executiva.
A sessão solene de entrega do prémio terá lugar a 27 de Novembro, na Guarda, no dia do Feriado Municipal da cidade.
plb

Miguel Real, pensador e escritor de evidente versatilidade, surpreende-nos, de uma só vez, com três novos livros: «O último minuto na vida de S.», um episódio romanceado da vida de Snu Abecassis; um ensaio sobre «Agostinho da Silva e a cultura portuguesa»; e, por fim, um outro ensaio, intitulado «A Morte de Portugal» (Campo das Letras, 2007).

Jesué Pinharanda – Carta Dominical(Continuação do domingo anterior).
Em vista dos precedentes, Portugal tem conseguido superar todos os riscos, uma vez que, bem vistos os tempos e os modos, raramente nos foi dado descanso, sobre nós se abatendo a cobiça de estranhos, desde os árabes aos castelhanos, aos franceses, aos ingleses, e, por fim, na partilha do corpo da Pátria, americanos e soviéticos. Hoje podem ser os europeus, que nós também somos, embora arriscando a perda da portugalidade, caso não saibamos velar, vigiar e esclarecer o que valemos no contexto europeu. Aliás, Europa é, hoje em dia, um tratado de união e, como todos os tratados, não contém a potência de perpetuidade. É um fenómeno de conjuntura que pode terminar se, e quando, as maiores potências da «balança europeia» se confrontarem por causas de interesses específicos.
O conhecimento dos mitos, e também dos acontecimentos mitificados, constitui uma útil ajuda ao esclarecimento da nossa história, e da filosofia da História de Portugal.
No processionário da morte, Miguel Real abre com o que designa por «princípio do fim», a segunda morte de D. Sebastião, a perda da autonomia política, e o surgimento de uma independência mítica.
Miguel RealPelo caminho propõe-nos três luminares, ou entidades também elas de algum modo mitificadas: Viriato, como o nome das nossas origens; António Vieira como apologeta e profeta de Portugal como «nação superior»; e o Marquês de Pombal como o capataz de um «povo inferior».
Atravessamos agora o fim do princípio que nos aparece como uma fase experimental, cifrada em multiplicidade de abordagens e de tentativas de achamento da nossa alma, abordagens essas como exercícios isentos, como que descalços, atravessando as abrasivas areias do deserto, na esperança do oásis.
Miguel Real identifica, quanto aos pensadores pátrios contemporâneos, os espiritualistas, os providencialistas, os racionalistas e os modernistas. Em todas orientações identificamos o comum português ou o modo de olhar a Pátria, continuando divididos entre os optimistas e os pessimistas. Por vezes, confundimos Nação com Estado, quando, na verdade, a Nação pode não se esgotar no Estado e, com efeito, a Pátria, paradigma da Nação, é ente superior, que o Estado não esgota, mesmo quando nesse esgotamento aposte. Como agora!
Eis, pois, um ensaio que, entre pessimismo e optimismo, procura o senso do realismo com ideal. De resto, num estilo muito guloso, diremos até bem típico e, em muitas páginas, irónico e pitoresco, quanto aos modos de dizer. Talvez que a Raia nos separe, afinal de contas, da capital.
«Carta Dominical», opinião de Pinharanda Gomes

pinharandagomes@gmail.com

Miguel Real, pensador e escritor de evidente versatilidade, surpreende-nos, de uma só vez, com três novos livros: «O último minuto na vida de S.», um episódio romanceado da vida de Snu Abecassis; um ensaio sobre «Agostinho da Silva e a cultura portuguesa»; e, por fim, um outro ensaio, intitulado «A Morte de Portugal» (Campo das Letras, 2007).

Jesué Pinharanda – Carta DominicalSem que haja desconsideração na escolha, mas não nos sendo possível comentar os três, escolhemos, por seu nacional interesse, o ensaio «A Morte de Portugal».
Na essência, trata-se de um diagnóstico da Nação Portuguesa, elaborado como que em diálogo com um conjunto de textos doutrinais correlativos ou equipolentes, em que Miguel Real escolheu como primeiro termo a «Arte de Ser Português» (1915) de Teixeira de Pascoaes e, como termo final, o «Portugal, Identidade e Diferença» (2007) de Guilherme d’Oliveira Martins, entre esses termos fixando teses de Agostinho da Silva, Eduardo Lourenço, Manuel Antunes, e outros, em cujos escritos revelaram as formas e os modos pelos quais entenderam Portugal como problema de antropologia cultural e política, no que Portugal tem de próprio, e que, por ser próprio, constitui a diferença em relação a outros fenómenos afins da civilização universal.
A meditação acerca de Portugal como ente distinto tem ocorrido sobretudo em épocas de crise de identidade e de temores de dissolução.
«A Morte de Portugal» de Miguel RealAinda que muitos antes tenham sido publicados muitos escritos acerca da alma portuguesa, muitas vezes em mera posição pangérica, é bem verdade que a «Arte de Ser Português», de Pascoaes, surge em plena crise da Guerra Mundial, com todas as ameaças que Portugal enfrentou, tanto na Europa como no Ultramar. Seria muito interessante que alguém, com tempo e paciência, procedesse ao inventário dos títulos relativos aos destinos da Pátria Portuguesa, pelo menos desde o ciclo das guerras no Ultramar até ao fim do Estado Novo. Contudo, o elenco prossegue, desde logo na glosa amplificante de António Quadros em «A Arte de Continuar Portugal» (1978), de carácter messiânico-profético, de sensível veio optimista e, em contraste, o ensaio (ou lamento) de Amorim de Carvalho, em «O Fim Histórico de Portugal» (1977) em que, face à dissolução do Império, como que preconiza já não haver lugar na história da civilização para uma comunidade cujo escopo principal fora, sem dúvida, a criação de civilizações.
Miguel Real medita, também ele, na perspectiva da perda da soberania, e, portanto, numa transfiguração (dissolutória) da nossa identidade num contexto superestrutural, em que se perderá o carisma de Nação e se garantirá o carisma de uma simples região ocupada, em que a liberdade da diferença será sacrificada à unanimidade aleatória.
(continua no próximo domingo).
«Carta Dominical», opinião de Pinharanda Gomes

pinharandagomes@gmail.com

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