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Em homenagem ao escritor sabugalense Manuel António Pina, falecido esta sexta-feira, 19 de Outubro, transcrevemos, com a devida vénia, um excerto da entrevista que em 2009 Pedro Dias de Almeida, editor de cultura da revista Visão fez ao escritor sabugalense, dias antes do mesmo se deslocar ao Sabugal, onde foi homenageado pela Junta de Freguesia, descerrando uma placa na casa onde nasceu. A entrevista seria depois publicada na revista cultural Praça Velha, editada pela Câmara Municipal da Guarda.

«- Há vários temas recorrentes no teu discurso poético. Um deles é a infância. E, às vezes, associada à infância aquela ideia do regresso…
– A casa. É engraçado, e agora vou lá ao Sabugal, à primeira casa de todas…
E perguntava-te se quando falas nisso há uma casa concreta na tua cabeça, uma casa a que sempre voltas…
– Lá do Sabugal pediram-me um verso para pôr lá na placa, na casa. Encontrei vários versos que falam nisso mas nenhum que servisse para pôr lá, eram todos muito grandes. Em alternativa propus-me ler alguns poemas que falam da casa, do regresso a casa. Mas… Não há nenhuma casa concreta, de facto. A casa é a origem, é a morte. Tenho um livrinho pequenino que se chama Um Sítio Onde Pousar a Cabeça, e a casa é também isso, o sítio onde pousar a cabeça. Isso em termos mais gerais. Agora, em termos mais particulares: eu tive uma vida… saí de lá do Sabugal, descobriram agora, com seis anos… eu não me lembro. O meu pai tinha uma profissão – era chefe de finanças, que acumulava com juíz das execuções fiscais – que estava abrangida pela lei do sexanato, só podia estar seis anos em cada terra. A ideia era mesmo não deixar criar raízes, amigos, influências, essas coisas. Como na altura não havia escolas e liceus em todo o lado, o meu pai começava a pensar mudar logo ao fim de três ou quatro anos para sítios onde houvesse ensino para mim e para o meu irmão… No sítio onde gostou mais de estar, que foi na Sertã, a situação arrastou-se, arrastou-se, e ao fim de seis anos foi mandado para os Açores, para Santa Cruz da Graciosa, mas como eu sofria dos pulmões conseguiu mudar… Para mim, tudo isto teve uma consequência: era uma situação quase de Sísifo, estava sempre a fazer amigos e a desfazê-los, e a fazê-los de novo com a consciência que eram para ser desfeitos, a estabelecer relações sabendo que iam acabar ao fim de três ou quatro anos. Os amigos mais antigos que eu tenho são aqui do Porto, de quando cheguei, aos 17 anos. E aqui, como havia vários bairros fiscais, o meu pai ia mudando de bairro.
Mas quando falas de casa nos teus poemas da infância, nunca é essa casa do Sabugal? Não tens nenhuma recordação dela?
– Tenho… Mas agora confundo porque já lá voltei uma vez. A senhora que comprou a casa dos meus pais convidou-me uma vez a entrar. Tinha umas memórias assim muito obscuras. Ainda tenho uma espécie de melancolia por andar sempre assim a mudar de casa… Mas tenho memórias, claro. Lembro-me de alguns nomes de miúdos, mas não tenho amigos da escola primária. Fiz a primeira classe em Castelo Branco, a 2ª, 3ª e 4ª na Sertã, o 1 º ano de Liceu em Cernache do Bom Jardim, depois Santarém, o 3º outra vez em Cernache, o 4º em Oliveira do Bairro, o 5º e 6º em Aveiro, e o 7º é que já fiz aqui no Porto. Eu detesto viajar. Uma vez estava em Bordéus, fizeram-me uma entrevista e a jornalista disse-me “se calhar não gosta de viajar por ter andado tanto de terra em terra”, e eu tomei consciência disso, que se calhar é verdade… O melhor das viagens, para mim, é o regresso. Quando chego ao Porto, quando sei que atravessei a fronteira… Digo num poema meu: “O ideal é não nos afastarmos da casa mais do que nos permite metade das nossas forças”, que é para regressarmos. E falo também de “ver sempre ao longe a cor do nosso telhado”. O meu percurso biográfico sublinhou essa melancolia em relação às origens, à casa… Esta homenagem no Sabugal até me permite o reencontro com uma casa concreta, com raízes concretas… Na verdade, nunca tive raízes em parte nenhuma.
Mas nasceste ali, naquela casa.
– Nasci ali, sim, naquela casa. E a minha memória mais antiga que tenho é do Sabugal. Tenho duas memórias muito antigas. Uma é muito vaga… Estas memórias não sabemos se fomos nós que as construímos, ou… Como aquela frase do William James: “A memória é uma narrativa que nós vamos construir com aquilo que desejamos e com aquilo que tememos”…
E tu escreveste: “Por onde vens passado, pelo vivido ou pelo sonhado?”…
– Pois é. Anda tudo muito misturado. Não sei se foi a minha mãe que me contou… Como diz também o William James, nós não nos lembramos do passado, lembramo-nos da última vez que nos lembrámos. E quem se lembra de um conto, aumenta um ponto, ou diminui um ponto. Vamos construindo sempre uma narrativa… Mas esta eu sei que me lembro mesmo. A memória mais antiga que eu tenho é numa fonte de mergulho, eu devia ter uns três ou quatro anos – e ainda lá está essa fonte, eu já contei isto à senhora que está agora lá na casa, a Natália Bispo. Para mim essa fonte era muito grande, mas agora já verifiquei que é pequenina. Numa fonte de mergunho a água não corre, as pessoas apanhavam a água mergulhando um balde. Nesta minha memória estou com um chapéu de palha e há um miúdo qualquer que pega no meu chapéu de palha, atira-o à água, e vai-se embora. E eu não fui apanhar o chapéu, por orgulho, porque achava que era uma injustiça, ele é que devia ir… Ele não foi, e eu também não fui. Cheguei a casa sem o chapéu de palha e, deve ter sido muito traumatizante para ainda me lembrar, cheio de medo de ser castigado… E estava lá a minha mãe, com a melhor amiga dela, a Ti Céu. Lembro-me da minha mãe me ralhar e me dizer para ir lá buscar o chapéu, e eu dizer ‘não vou, não vou, não vou’, e a minha Ti Céu (que não era mesmo minha tia) é que acabou por ir lá buscar o chapéu. E deu-mo, molhado e tudo. Estava cheio de medo, mas não fui castigado. E tenho uma memória mais antiga, de que julgo que me lembro vagamente: estou sentado numa daquelas cadeiras altas, preso, porque era uma daquelas cadeiras para dar comida às crianças, e a casa está a arder. Isso aconteceu de facto. Tenho uma memória disso, foi aflitivo, pelos vistos. Não me lembro da casa a arder, na minha memória é fumo. E eu, ou esse de quem eu me lembro, está muito aflito, porque está amarrado, não consegue sair da cadeira… A minha mãe estava a dar-me de comer e, ao mesmo tempo estava a aquecer água num daqueles fogareiros a petróleo para dar banho ao meu irmão, 15 meses mais novo do que eu. O meu irmão começou a tentar dar à bomba do tal fogareiro e a água a ferver caiu para cima dele. Ele gritou e a minha mãe foi a correr para a cozinha, pensou que ele ia ficar cego. Pegou nele e desceu as escadas a correr, não sei para onde, para o hospital, para um médico qualquer… O fogareiro caiu e incendiou a casa, a cozinha começou a arder. Estes pormenores contou-me a minha mãe, depois. Eu estava lá sozinho, preso, e foi uma vizinha que viu a minha mãe a sair aos gritos de casa, e viu depois o fumo, que foi lá buscar-me. Só me lembro da parte do fumo e de ficar sozinho e cheio de medo, com a minha mãe a sair de casa aos gritos… As memórias que tenho dessa casa são essas. Depois tenho umas memórias obscuras de escadas, talvez por isso é que falo tanto de escadas, de corredores…
Um portão velho…
– O portão velho de que falo mistura-se com outras casas, com a de Oliveira do Bairro, provavelmente… Havia o tal portão em ruínas, nas traseiras, por onde eu saía para ir apanhar o comboio para Aveiro, tinha uma ameixieira, e o tal portão velho de madeira… Mas misturam-se umas casas com as outras, a verdade é essa.
O teu lugar da infância são lugares, vários lugares, não o associas ao Sabugal…
– São lugares, sim. Essa coisa do regresso a casa é tão importante para mim, que um dos meus pesadelos infantis era eu ir para a escola – nessa casa da Sertã, em que eu tinha que atravessar a rua para ir para a escola – e a certa altura começava a passar um comboio na rua que não me deixava voltar para casa… Esse comboio era um comboio eterno, sempre a passar, a passar, a passar; eu estava do lado de cá e havia esse comboio entre mim e a casa… Por isto tudo é que a casa aparece muito nos meus poemas. Casa. Mãe. Muito associada à infância, sim…
Também falaste logo de morte, há pouco, a propósito da casa…
– Tem que ver, tem que ver… A morte também é uma mãe, é maternal, é um sossego. Sai-se do ventre da mãe e entra-se no ventre da terra, não é? Tem essa coisa de acolhimento, de serenidade, de tranquilidade. De regresso. É uma coisa engraçada: desde miúdo sempre tive uma noção circular de tudo. Concebia o mundo sempre numa estrutura circular. Havia uma frase engraçada que a minha mãe me dizia, e sei onde foi, foi em Castelo Branco, tinha eu 6 ou 7 anos, ou menos… Lembro-me de querer ir para a rua e a minha mãe não me deixar… [Pausa] Acho que eles estão enganados, eu devo ter saído do Sabugal com 4 anos, não foi com 6, porque ainda não dizia ‘érre’ dizia ‘éle’… Vivíamos nessa altura na casa do Bairro do Cansado e antes tinhamos vivido no bairro do quartel. Os meus pais viviam com bastantes dificuldades económicas, até arrendavam quartos, na primeira casa esteve lá um sargento, do quartel em frente. Tenho duas memórias dessa casa, também… E acho que é a primeira vez que estou a contar isso a alguém, normalmente ocorrem-me quando estou sozinho. Uma: um dia o sargento trouxe-me um pássaro que ele achou; eu andava excitadíssimo com o pássaro mas ele fugiu, deixei fugir o pássaro e fiz uma gritaria, queria o pássaro… Ali fiquei à janela com uma grande raiva ao pássaro por me ter abandonado. E lembro-me da frase do sargento: ‘Não te preocupes, logo te trago outro’ e de eu responder ‘não quero outro, quero aquele! Vamos lá buscá-lo de avião!’. Queria ir apanhá-lo de avião… Essa é uma. A outra memória tem a ver com a tal noção circular do universo. Lembro-me de a minha mãe não me deixar ir para a rua, para a ‘lua’, como eu dizia, e de eu dizer assim: “Ai, não deixas? Vais ver que quando tu fores filha e eu for mãe, também não te vou deixar!” A vida circular, lá está. Afinal ainda tenho outra memória, traumatizante… Os meus pais viviam com muitas dificuldades económicas, num andar, e um dia fui a casa da vizinha de cima e vi uma nota de 20 escudos, que em 1947 ou 1948 era muito dinheiro, em cima da mesinha de cabeceira. E roubei-os. Nunca falei disto, também…
Então é uma grande confissão, agora…
– Não faz mal, já prescreveu… [risos]. Roubei-os para os dar aos meus pais, porque estava sempre a vê-los a discutirem por causa das despesas, porque não havia dinheiro… Aquilo afligia-me muito. Peguei nos 20 escudos e levei-os à minha mãe. Ela perguntou-me onde é que eu os tinha arranjado, e eu lá acabei por contar… E ela então obrigou-me a ir pôr o dinheiro outra vez lá em cima. Eu, claro, não queria ir, com medo de ser apanhado, encontrar a vizinha. Castigaram-me, e eu já estava a chorar desesperado, quando a minha mãe me disse “vai lá descansado que eu tenho a certeza que ela não está, nunca saberá”. Lá fui pôr o dinheiro no sítio onde estava e voltei para casa a correr. Soube depois que ela disse à vizinha para sair dali, para se esconder, para ir lá eu e aprender a lição. São estas as minhas primeiras memórias. As coisas mais traumatizantes que tive…
(…)»

A Câmara Municipal da Guarda aprovou na reunião desta segunda-feira, dia 22 de Outubro, um voto de pesar pela morte do escritor sabugalense Manuel António Pina.
O texto aprovado considera o poeta «um dos nomes maiores da Poesia e da Cultura em Portugal» e «grande intérprete da realidade social e interventor crítico e lúcido».
«Manuel António Pina deixou-nos uma obra vasta, que se reveste de sensibilidade, emoção e ironia. Enquanto pessoa e enquanto beirão, mereceu-nos a maior admiração e deixa-nos um sentimento de perda e de enorme saudade», lê-se ainda na deliberação aprovada pela Câmara.
A Guarda homenageara Manuel António Pina no final de 2009, através de um ciclo de iniciativas a que deu o nome do escritor. ainda em sua homenagem criou, nesse ano de 2009, um prémio literário, que todos os anos galardoa um trabalho de poesia e de prosa, alternadamente.

plb

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O Capeia Arraiana elegeu António José Santinho Pacheco para «Personalidade do Ano 2010». O actual Governador Civil do distrito da Guarda – o território do Côa, da Estrela e do Douro – soube da escolha durante a grande entrevista que nos concedeu na semana que antecedeu o Natal e sucede a António Robalo, eleito no ano passado. «Não tenho tempo para as redes sociais na Internet porque privilegio o contacto pessoal», disse-nos confirmando o que já todos pensam da sua personalidade. Pró-activo, irreverente, dinâmico e opinativo nunca recusa um convite mesmo que isso o faça marcar presença em dois ou três concelhos no mesmo dia, em qualquer dos sete dias da semana. Santinho Pacheco entendeu reescrever a partir da cidade mais alta a definição de Governador Civil nos «books» governamentais.

Santinho Pacheco - Governador Civil da Guarda - Capeia Arraiana

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O Governador Civil da Guarda, Santinho Pacheco, é a «Personalidade do Ano 2010» para o Capeia Arraiana.
António José Santinho Pacheco nasceu em Setembro de 1951 na Vila Franca da Serra, no concelho de Gouveia. Logo a seguir ao 25 de Abril foi eleito deputado municipal e posteriormente presidente da Assembleia Municipal. Em 1979 assumiu a presidência de Junta de Freguesia de Vila Franca da Serra e de vereador da Câmara Municipal de Gouveia após a vitória de Alípio de Melo em 1982. Entre 1985 e 2001 (durante quatro mandatos) exerceu as funções de Presidente da Câmara Municipal de Gouveia. Em 2001 perdeu para Álvaro Amaro e foi vereador até 2005. No currículo regista ainda uma breve passagem pela Assembleia da República durante a VIII Legislatura (1999-2002) como deputado do Partido Socialista pelo Círculo Eleitoral da Guarda na Assembleia da República.
No dia 19 de Novembro de 2009 Santinho Pacheco foi nomeado pelo Conselho de Ministros, por proposta do ministro da Administração Interna, Rui Pereira, para Governador Civil do distrito da Guarda sucedendo no cargo a Maria do Carmo Borges.
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– Quando assumiu o cargo de Governador Civil declarou que a sua principal preocupação seria a batalha do desemprego. Um ano depois mantém essa prioridade?
– Absolutamente. Vivemos um ano extremamente complexo. Os maiores especialistas mundiais em economia ainda não conseguem dizer se a luz que se vê no final do túnel é o fim ou um novo túnel que aí vem. Admito que o Governo se tenha enganado nas previsões até porque na política, muitas vezes, enganamo-nos mas para um homem com a craveira do prof. Cavaco Silva se ter deixado enganar pelo governo já acredito menos. Por isso considero que houve um conjunto de fenómenos novos na economia mundial que levaram a que tudo fosse imprevisível mesmo no curtíssimo prazo. Quando declarei que a batalha do desemprego era fundamental num território como o nosso de baixa densidade populacional não previa que as dificuldades fossem tão grandes. Nós tivemos – eu próprio e muitos autarcas deste distrito – na sequência do clima psicológico que se criou à volta da crise de tentar segurar as empresas que estão abertas. Somos um país muito dependente das exportações e do mercado interno. Apesar do fecho da Delphi ainda vai havendo poder de compra na Guarda mas as pessoas já pensam muito em poupar. Tivemos de lutar pela salvaguarda de postos de trabalho. Os empresários sabem que tiveram aqui uma porta aberta para os ajudar, para ir a Lisboa aos ministérios defender os postos de trabalho. O fecho da Delphi na Guarda não teve nada a ver com a produtividade dos trabalhadores. Foi uma decisão tomada a nível mundial pela administração da empresa nos Estados Unidos. Ouvi o secretário de Estado da Economia perguntar – «Mas o que é que eles querem para não sair?» – e não houve resposta a essa questão. O aumento de produção em Castelo Branco é uma situação meramente transitória. Por outro lado a multinacional Dura Automotive, que esteve para se deslocalizar da Guarda, vai ampliar as instalações da fábrica em Vila Cortez do Mondego. Mas temos de ser claros e não fazer demagogia. Nós não temos um tecido económico dinâmico. Nós não temos um mundo empresarial com vontade de arriscar. O ministro da Economia disse – e o NERGA sabe disso – «Que projectos é que têm na Guarda que nós vamos aprová-los com prioridade?» Na verdade temos algumas dificuldades porque, actualmente, tirando dois casos todas as negociações em curso são com empresários de fora. Se fizermos uma radiografia mental dos nossos concelhos e retirarmos os funcionários públicos e os que trabalham nas IPSS’s a capacidade empresarial é mínima. Assim temos que bater a outras portas e na actual conjuntura sabemos que não somos os únicos. Não podemos desistir e devemos apostar em «coisas novas».
– E que «coisas novas»?
– Dou-lhe os exemplos dos sectores agro-industrial e das carnes que estão mal explorados no nosso distrito. O matadouro da Guarda – que até interessa bastante à gente do Sabugal – está em sub-aproveitamento, com dificuldades de tesouraria. Em vez de só matar e entregar a carne desmanchada devia ser criada uma estrutura que poderia transformar, embalar e comercializar com uma marca nossa. Há produtos agrícolas que podem e devem ser industrializados e certificados criando uma mais-valia com a criação de marcas. Nós não podemos andar distraídos com um sector industrializado forte com projectos feitos não sei por quem e continuamos a ignorar aquilo que é verdadeiramente nosso. Eu não me canso de dizer que o distrito deve ter os pés bem assentes na terra mas para isso temos de convencer os autarcas e fazê-los acreditar que o mundo rural do distrito da Guarda é, sem sombra de dúvida, o nosso petróleo. É uma riqueza que deixou de ser explorada. O repovoamento, ou pelo menos, o combate à desertificação do nosso distrito passa pelo mundo rural. O turismo não pode ser a panaceia de todos os nossos males. O turismo tem de ser algo de complementar a uma boa exploração rural, à gastronomia, ao artesanato…
– A Comissão Executiva criada pelo Governo Civil já elaborou o Plano Estratégico para o Desenvolvimento Rural do distrito da Guarda?
– Por vezes falamos de iniciativas onde nos faltam o capital ou os meios necessários mas quando falamos de desenvolvimento rural temos cá tudo. Até 31 de Dezembro vamos apresentar ao Ministério da Agricultura as primeiras propostas para o uso da terra. Não podemos continuar a permitir que as terras necessárias aos projectos para o mundo rural não estejam disponíveis. A propriedade tem um valor social e não apenas um valor patrimonial para o seu proprietário. As terras de quem não pode, não quer ou nem sequer cá está devem ser disponibilizadas recebendo em troca uma contrapartida. Há valores que estão acima do individualismo. Tal como é crime queimar uma nota de banco também sabemos que a floresta é uma riqueza de todos apesar de ter um dono. No nosso distrito há uma percentagem elevadíssima de propriedades que estão ao abandono e por isso temos de dar passos em frente e rapidamente para que o uso da terra e da criação do banco de terras com arrendamento rural ou outra fórmula que inclua os municípios ou as juntas de freguesia. Quando o Estado Novo criou a Colónia Agrícola Martim-Rei teve como objectivo o repovoamento do território e a criação de riqueza. Estou convencido que há pessoas nas áreas urbanas que aceitariam o desafio de vir para estas terras apostar na agricultura. Hoje uma grande percentagem do consumo faz-se através das grandes superfícies e, por isso, devemos investir numa bolsa de produtos de excelência que possam ser transaccionados por uma central distrital com uma marca certificadora. Precisamos de vender bem! O que é daqui ainda tem qualidade! As pessoas acreditam. As morcelas da Guarda, o bucho do Sabugal, as sardinhas de Trancoso, os queijos, as castanhas, a doçaria… estamos a desperdiçar uma riqueza que era fundamental para a fixação de pessoas e para que vivam mais e melhor. E falta falar da componente ambiental. Sem ocupação do território não há forma de travar os incêndios florestais. O combate aos fogos florestais custa todos os anos uma fortuna ao país. Mas chegamos sempre ao mesmo ponto. Tem de haver vontade política e em Portugal não tem havido vontade política para combater a interioridade.
(continua.)
jcl

O candidato do PSD à Câmara Municipal do Sabugal, António Robalo, foi o convidado este sábado do programa «Hora informativa» da Rádio Caria da responsabilidade do jornalista Sérgio Paulo Gomes.

António Robalo em entrevista à Rádio CariaO actual vereador da Educação e Cultura da Câmara Municipal do Sabugal, António Robalo, começou por recordar os três mandatos como presidente da Junta de Freguesia da Ruvina iniciados em 1985 e o convite que recebeu em 1997 de António Morgado para o acompanhar na candidatura à autarquia sabugalense. Foi vereador nos dois mandatos de António Morgado e no actual executivo de Manuel Rito num total de 12 anos na vereação do Município.
«Ao longo destes 12 anos muito se fez pela educação no concelho do Sabugal. Desde 1998 que estão implementado o prolongamento de horários, refeitórios escolares a funcionar para o pré-escolar, transportes escolares gratuitos. A escola não é, actualmente, uma escola fechada mas sim uma escola educadora e um observatório de desigualdades sociais» esclareceu o engenheiro electrotécnico e actual director do Externato do Soito, António Robalo.
«Ainda estamos à espera, passados mais de 30 anos, de um Governo que coloque o rectângulo equilibrado implemente políticas de dinamização do Interior. Estou nesta candidatura porque acredito que o concelho do Sabugal tem potencialidades e um futuro risonho e feliz para quem cá vive ou nos procura. Temos que criar bases para fixar pessoas», afirmou António Robalo.
A conversa decorreu num tom moderado tendo aproveitado o candidato à autarquia sabugalense para falar dos grandes projectos lançados, concluídos ou em fase de conclusão ao longo dos oito anos do presidente António Morgado e dos quatro de Manuel Rito.
«O Sabugal está mais perto do turismo espanhol…» lança Sérgio Paulo Gomes em jeito de desafio. António Robalo não fugiu à questão e lembrou que «o Sabugal não está isolado mas queremos ser uma porta da Europa potenciando o que temos vendendo-o no mercado espanhol mas esse trabalho deve ser feito com todos os parceiros» recapitulando os três projectos do Provere (Aldeias Históricas, Água e Termalismo e Áreas Protegidas) onde o município do Sabugal está envolvido.
À questão «mas nas terras do lince falta o lince?» o actual vereador sabugalense aproveitou para dizer que esteve presente na apresentação e assinatura do protocolo de cedência de 20 linces ibéricos onde ficou bem patente a cooperação transfronteiriça e ibérica.
«Quem me conhece sabe que aquilo que melhor sei fazer é ouvir. As pessoas conhecem-me assim. Sou ponderado e nunca tomei decisões de ânimo leve. Ao longo destes 12 anos só não falou comigo quem não quis. O Sabugal é um território muito complexo. Conheço muito bem as 40 freguesias, tenho os problemas de cada uma identificados e soluções para todos eles», disse em tom de apresentação pessoal António Robalo.
Na área da cultura ficou a promessa de candidato de que iria apoiar a construção da Casa da Música da Banda da Bendada. Para as associações do concelho ficou o desejo de apoiar ideias com produtos turísticos, como caminhadas ou descidas do rio Côa, mais do que produzir eventos pontuais e isolados.
A concluir o candidato António Robalo considerou que tem «uma grande almofada de trabalho ao longo dos últimos 12 anos» e apresenta agora «um projecto sólido». «Os sabugalenses devem confiar em mim para presidente da Câmara», foi a mensagem final.

(1) Som da entrevista de António Robalo à Rádio Caria.

(2) Som da entrevista de António Robalo à Rádio Caria.

(3) Som da entrevista de António Robalo à Rádio Caria.

jcl

O Museu do Oriente comemorou este sábado, 9 de Maio, o primeiro aniversário. O Capeia Arraiana esteve à fala com a sua directora, Natália Correia Guedes, doutorada em Museologia e com fortes ligações ao concelho do Sabugal onde passa com a família «os tempos livres possíveis» na sua quinta recuperada, junto ao rio Côa, em Vale das Éguas.

Natália Correia Guedes - Museu do OrienteA conversa com Natália Correia Guedes deu pano para mangas, ou para sermos mais rigorosos, para várias exposições. Ouvir falar de cultura a quem sabe e depois escolher o mais importante para escrever faz-nos perceber as dificuldades dos comissários das exposições quando seleccionam obras de arte. Abrindo uma excepção vamos dividir em duas partes a entrevista à directora do Museu do Oriente.
– No dia 9 de Março o Museu do Oriente festeja o seu primeiro aniversário…
– Até agora já visitaram o Museu cerca de 130 mil pessoas. A exposição inaugural «Máscaras da Ásia» foi prolongada em virtude do sucesso estando agora a ser desmontada. Durante este primeiro ano decorreram oficinas, workshops, conferências, cursos… espectáculos e concertos que esgotaram os 360 lugares do auditório, enfim, uma grande actividade paralela e onde se incluem as exposições, permanentes e temporárias, de gravura e fotografia.
– Há uma grande aposta nas escolas e nas crianças…
– Exactamente. É uma aposta prioritária. Há agendamento para visitas de escolas praticamente todos os dias. Os monitores fazem visitas guiadas sobre temáticas como, por exemplo, a presença portuguesa na Ásia ou marfins indo-portugueses. As escolas e os professores podem pedir visitas de estudo sobre temas que estejam a desenvolver nas aulas. Em tempos de contenção ter guias especializados em cada uma das matérias poderia obrigar a custos elevadíssimos mas o Museu do Oriente implementou um esquema inovador, pioneiro, que não implica a permanência do monitor. Há que conciliar os pedidos com a chamada do monitor e ele vem quando é necessário e consoante as disponibilidades sendo a despesa coberta com a receita. Os visitantes sabem que vão ter à sua espera um especialista e não um generalista. Imaginemos que as crianças querem um teatro. O monitor é igualmente actor e pode fazer um pequeno teatro relacionado com sombras chinesas, com marionetas ou teatro tailandês.
– Há muitos especialistas em Portugal sobre a cultura chinesa?
– Alguns. Começa a haver e a maior parte são antigos bolseiros da Fundação Oriente que estiveram em Macau, Timor ou Índia a fazer investigação nas áreas da História ou da Arte. Ou fotógrafos de renome. A próxima exposição temporária «Portulíndia» é uma exposição de fotografia comparativa entre Portugal e a Índia de um antigo bolseiro da Fundação.
– É um retorno do investimento da Fundação Oriente nos seus bolseiros…
– Exactamente. Até agora todas as exposições são da autoria de antigos bolseiros. A exposição «A obra de Edgar Martins» estava no Museu do Oriente quando o autor foi o vencedor do Prémio BES. Foi o máximo. Quando ganhou o prémio tinha aqui a exposição. A próxima exposição, do pintor Fausto Sampaio, vai ser inaugurada no primeiro aniversário. O artista andou pelas antigas colónias do Oriente, Índia, Timor e Macau.
– Ao fim do primeiro ano o Museu já está a seu gosto?
– Um Museu é uma obra em permanente evolução, em permanente actualização. Em matéria temática ainda faltam muitas iniciativas mas o que pretendemos é interessar é a comunidade. O nosso objectivo é interessar os portugueses e os estrangeiros com colecções afins para nos virem visitar e conhecer. Pretendemos promover o Museu nas zonas do Interior. Ainda há muito português que não consegue vir a Lisboa com facilidade.
– Há excursões para visitar o Museu do Oriente?
– Sim. De todo o País. A semana passada, por exemplo, tivemos um autocarro de Castelo Branco.
– E do Sabugal?
– Do Sabugal nunca aconteceu.
– A estratégia e a programação incluem levar as exposições do Museu do Oriente a locais que reúnam condições de preservação e segurança…
– A vereadora da cultura da Câmara de Leiria veio visitar o Museu e mostrou interesse em receber exposições nossas. Eles têm umas excelentes instalações num edifício que foi do Banco de Portugal e que vai receber a nossa exposição das máscaras em Agosto o período alto do turismo na região. Temos exposições programadas para Loures e para a Malaposta em Odivelas uma exposição de pintura muito interessante de Xavier Trindade. O espólio foi oferecido à Fundação pelos descendentes para ficar em Goa mas como a colecção estava nos Estados Unidos, houve um acordo que durante a viagem pudesse ser apresentada no Porto, em Leiria e Lisboa. O espaço físico do Museu começa a ser curto. Uma das exposições semi-permanentes intitulada «Deuses da Ásia» é constituída por exemplares que fazem parte de um espólio enorme, a colecção Kwok On (apelido de um coleccionador chinês) que durante uma vida juntou arte efémera oriental relacionada com o teatro e a vida quotidiana tendo organizado um pequeno museu em Paris. A determinada altura propôs à Câmara de Paris que recebesse a colecção mas esta não aceitou. Através de um amigo, que é professor na Universidade da Sorbonne, ofereceu a colecção ao doutor Monjardino e assim a Fundação recebeu, de uma só vez, 13 mil objectos. Neste momento temos expostos cerca de mil objectos ou que significa que durante 13 anos temos matéria para o piso 2 das exposições semi-permanentes. São objectos muito sensíveis e é necessário haver uma certa rotatividade. A actual exposição vai ser desmontada e vai ficar no seu lugar a colecção Ram Navami, um grande acontecimento festivo hindu e apresentada ao público como colecção Kwok On.
– Isso implica um tratamento muito grande de inventário?
– Temos uma senhora francesa Sylvie Gonfond, funcionária da Fundação, que orienta todos os inventários e que é comissária das exposições. O armazém no piso 3 está completamente ocupado de objectos com reserva que podem ser analisados, por exemplo, por investigadores respeitando determinadas condições pelo Museu.
(Continua.)

Natália Correia Guedes, neta do escritor sabugalense Joaquim Manuel Correia (natural da Ruvina), já desempenhou vários cargos públicos, designadamente subscretária de Estado da Cultura (1990 e 91), catedrática da Universidade Católica, fundadora e directora do Museu Nacional do Traje (1975 a 79), directora-geral do Património Cultural, presidente do Instituto Português do Património Cultural (1980 a 84), directora do Museu Nacional dos Coches (1985 a 90), coordenadora do projecto «Inventário do Património Cultural (1997 a 2000), autora de diversos catálogos de exposições e monografias e comissária de exposições de arte em Portugal e no estrangeiro e mais recentemente comissária geral das Comemorações do V Centenário do Nascimento de S. Franciso Xavier.
jcl

O Capeia Arraiana esteve à fala com o Procurador-Geral da República, Fernando Pinto Monteiro, uma das importantes personalidades do Estado português. A conversa decorreu na Casa do Concelho do Sabugal, em Lisboa, durante um jantar de homenagem dos seus antigos alunos da UAL. A sua afirmação «Ainda hoje me lembro dos ninhos de pássaros nas árvores da escola do Sabugal» é inolvidável e merece o nosso destaque.

À fala com… Fernando Pinto MonteiroFernando Pinto Monteiro, é natural da freguesia de Porto de Ovelha, no concelho de Almeida. Dividiu a sua infância e juventude entre a terra natal e o Sabugal onde os pais se instalaram quanto tinha quatro anos de idade. Recuperou e mantém a casa que os tios lhe deixaram na aldeia de Badamalos e onde vai sempre que pode para tratar do jardim.
Acedeu a ter connosco uma conversa descontraída numa noite de sábado na Casa do Concelho do Sabugal onde foi o convidado de honra no jantar dos finalistas do curso de Direito da Universidade Autónoma de Lisboa (UAL) a quem deu aulas até aceitar o convite para Procurador.
«O bucho é uma especialidade da Beira que eu muito aprecio. Não há enchidos como os do Sabugal ou, então, é o gosto da infância. Traz-me recordações da adolescência quando, com os meus irmãos, comíamos bucho em casa dos avós de Porto de Ovelha. São sabores únicos. É um petisco que já não saboreava há muito tempo», começou por nos dizer a propósito de ter sido surpreendido com um aperitivo de bucho arraiano no início do jantar.
– Já conhecia a Casa do Concelho do Sabugal?
– Convidaram-me por diversas ocasiões mas foi hoje a primeira vez que visitei a Casa. Vou levar comigo a inscrição de sócio que José Lucas, meu amigo de há muitos anos, me entregou. Se a vou preencher? É com muito gosto que serei sócio da Casa do Concelho do Sabugal.
Para Pinto Monteiro a noite foi de recordações, de relembrar amigos e conhecidos do Sabugal. «Tive a alegria de encontrar amigos da adolescência e de rever os meus alunos da UAL. É um conjunto de sensações que se completam. É raríssimo aceitar convites. Entro na Procuradoria às nove e meia da manhã e nunca saio antes das nove, nove e meia da noite de segunda a sábado. É uma função muito absorvente.»
– O cargo é muito diferente daquilo que imaginava?
– O Presidente Jorge Sampaio disse-me que sabia que o cargo era muito difícil e exigente. Estamos a atravessar uma fase atribulada porque a aplicação da legislação no nosso País sofreu grandes alterações e há muitas leis novas ou que foram revistas. O Procurador tem que se pronunciar com decisões correctas.
– Que recordações tem do Sabugal?
– A infância e a adolescência andam sempre comigo. Ainda hoje me lembro dos ninhos de pássaros que havia nas árvores na escola do Sabugal. O professor Cavaleiro era um homem extraordinário. Tinha uma alegria de vida contagiante. Adorava a vida. E a propósito de professores vou contar-lhe um episódio curioso. Estava na Procuradoria e a minha assistente veio dizer-me – «Está a falar na rádio a sua professora do Sabugal» – Mas eu nunca tive uma professora! Percebi que alguém resolveu passar-se por minha professora.
O seu pensamento continua a recordar a sua juventude à beira do rio Côa e do castelo das cinco quinas.
– Somos quatro irmãos, mas só o mais novo nasceu no Sabugal. O António (Pinto Monteiro) é professor catedrático em Coimbra. É solicitado para dar muitos pareceres. Deve estar a chegar da China. O ano passado esteve em quatro continentes. Ainda hoje mantenho contacto com os meus amigos desse tempo. Fui, também, muito amigo do Fitz Quintela, irmão da pintora Helena Liz. Andámos no Liceu da Guarda e formou-se comigo em Lisboa.
[O jovem jurista do Sabugal, Fitz Quintela, foi o pai dos estatutos da Casa do Concelho do Sabugal em 1974 e faleceu tragicamente meses após a assinatura da escritura, baleado por um agente policial por alegadamente não ter parado numa operação de stop. n.d.r.].
No final do jantar enquanto discursava, o presidente da Casa, José Lucas, cometeu uma inconfidência que fez rir Pinto Monteiro: «Conheço o senhor Procurador desde a juventude, passámos férias juntos em Aldeia do Bispo e agarrámos os dois ao forcão, não porque fossemos muito corajosos, mas para agradar às chicas espanholas.»
Aproveitámos para lhe perguntar se ainda recordava esse feito. «É verdade. Agarrei ao forcão em Aldeia do Bispo quando tinha 15 ou 16 anos. Costumava passar oito dias em casa da família Mansos e, claro, acompanhava com os da minha idade. Já depois de formado, devia ter 22 ou 23 anos, passei férias em casa dos pais do Lucas e lembro-me que nesse ano fomos para as touradas de Fuenteguinaldo.»
– Na entrevista ao «Expresso» disse que não usava o cartão de crédito da Procuradoria e tentaram investigar a sua vida…
– Nunca me habituei a ser rico nem a ser pobre. Não tenho hábitos de rico. Gosto de pagar em dinheiro. Não uso cartões. O da Procuradoria está lá fechado num cofre. Dei aulas sem receber um tostão. Podem investigar-me à vontade. Ofereceram dinheiro a uma jornalista para tentar descobrir algum ilícito na minha vida. Se está a contar com esse dinheiro para comer vai morrer à fome.
A agradável conversa teve de terminar. O professor Pinto Monteiro começou a ser solicitado pelos seus alunos para dedicar e assinar as fitas de finalistas do curso de Direito da UAL.
O nosso agradecimento pela disponibilidade e simpatia do Procurador-Geral da República, Fernando Pinto Monteiro para com o Capeia Arraiana. Um beirão genuíno e um sabugalense que nos enche de orgulho.
jcl

Pedro Santana Lopes recusou na noite de quarta-feira, 26 de Setembro, continuar a entrevista com a jornalista da SIC-Notícias Ana Lourenço depois de ter sido interrompido por um directo que acompanhou no aeroporto de Lisboa o regresso a Portugal de José Mourinho e família.

Pedro Santana Lopes na SIC-Not�ciasO deputado Pedro Santana Lopes, ex-líder do Partido Social Democrata e ex-primeiro-ministro de Portugal não gostou de ser interrompido ontem, 26 de Setembro, no Jornal da Noite da SIC-Notícias e abandonou o estúdio a meio da entrevista.
O facto tem contornos inéditos na comunicação social em Portugal e a partir de agora atrevemo-nos a dizer que Santana Lopes já pode ser considerado o «special one» dos directos televisivos.
Tudo aconteceu quando a meio da entrevista a jornalista Ana Lourenço recebeu ordens da régie para passar a emissão para o aeroporto de Lisboa onde acabava de chegar José Mourinho acompanhado da família. O ex-treinador do Chelsea não prestou declarações à comunicação social e o directo limitou-se à imagem de Mourinho a entrar no automóvel e a seguir viagem.
Em declarações à Agência Lusa, Santana Lopes considerou-se desrespeitado pelo canal televisivo porque «a mim não me interrompem com a chegada de um treinador de futebol. Acho que há regras, a SIC tem regras diferentes das minhas. Tenho que ser respeitado», referindo ainda que apesar de se sentir cansado, aceitara o convite da SIC-Notícias para uma entrevista sobre o «estado das coisas» nas Directas do PSD, marcadas para sexta-feira.
A campanha dos candidatos social-democratas baixou de nível durante esta semana com Marques Mendes e Filipe Meneses a protagonizarem episódios lamentáveis de acusações mútuas.
Por um lado o Conselho de Jurisdição do partido está a ser acusado de parcialidade e tendenciosas decisões beneficiando a candidatura do actual líder. Por outro está por explicar a facilidade com que uma só pessoa pode pagar quotas «por atacado» para aumentar o número de militantes com direito a voto parecendo ser acto «normal» e de sempre.
Os critérios editoriais valem o que valem e podem sempre ser justificados como Ricardo Costa fez questão de dizer. Para o responsável editorial da SIC-Notícias «um canal com 24 horas de informação pode e deve fazer este tipo de interrupções sempre que se justificar».
O que fica por explicar é se o entrevistado fosse Pinto Balsemão, Mário Soares, Jorge Sampaio, António Guterres, Durão Barroso ou mesmo o actual presidente da Câmara de Lisboa, António Costa (irmão de Ricardo Costa) o critério editorial também justificaria a interrupção da entrevista. Gostemos ou não, o deputado Pedro Santana Lopes, também já ocupou lugares de relevo na vida política portuguesa e possivelmente «o País deve estar mesmo doido».
jcl

JOAQUIM SAPINHO

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