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A Guarda está a comemorar o 810º Aniversário da atribuição do foral à cidade por D. Sancho I, com a realização de diversas iniciativas oficiais, nomeadamente de âmbito cultural e desportivo.
O dia da cidade é 27 de Novembro, data em que se realiza uma sessão solene comemorativa do aniversário da outorga do foral. A sessão será na Sala da Assembleia Municipal e nela acontecerá a entrega do Prémio Eduardo Lourenço 2009.
Nesse mesmo dia haverá ainda um torneio de basquetebol e um sarau musical denominado «Mestres de Capela da Sé da Guarda», que se realizará no Grande Auditório do Teatro Municipal da Guarda (TMG).
As iniciativas que constam no programa comemorativo iniciaram-se já no dia 21, sábado, com a realização e um torneio de futebol infantil. No dia 24 ocorreu a inauguração da exposição: «Uma Biblioteca é uma casa onde cabe toda a gente», e procedeu-se à presentação do nº.26 da revista cultural «Praça Velha».
O encerramento das comemorações acontecerá no dia 28, sábado, com a realização do Festival de Música Coral da Guarda, que acontecerá no Grande Auditório do TMG.
As comemorações do aniversário da cidade são uma boa ocasião para ir à Guarda assistir a algumas das actividades culturais e desportivas previstas no programa evocativo organizado pela Câmara Municipal.
plb
Uma dezena de presidentes de Câmara Municipal eleitos pelo PSD, dentre os quais os de Trancoso e Figueira de Castelo Rodrigo, decidiram no último sábado colocar à subscrição dos militantes um documento que solicita à direcção do partido um debate, em Congresso, antes da escolha do futuro líder.
Além dos presidentes de Trancoso e Figueira de Castelo Rodrigo, também participaram na reunião os de Cantanhede, Covilhã, Arganil, Pedrógão Grande, Penalva do Castelo, Mafra, Cascais e Portalegre. Os autarcas reivindicam à direcção do partido uma discussão da qual saia uma «redefinição da estratégia do PSD para o futuro», a qual deverá ocorrer antes da escolha do futuro líder.
«Há necessidade de uma discussão e o lugar próprio é em congresso nacional», uma discussão da qual saia uma «redefinição da estratégia do PSD para o futuro», declarou à agência Lusa João Moura, presidente da Câmara de Cantanhede e anfitrião da reunião.
Segundo o autarca, o documento agora aprovado em Cantanhede será enviado a todos os presidentes de Câmara e serão convidados os militantes do partido a subscrevê-lo.
«O PSD é um partido do poder local. É importante agitar o partido», observou João Moura, frisando que os autarcas tem uma percepção especial da realidade, em virtude de diariamente estarem em contacto com as populações.
No entanto, a legitimidade de dizer «que queremos discutir o partido», assumida pelos presidentes de Câmara Municipal, também poderia ter sido assumida por outros sectores da sociedade que militam no PSD, explicou.
No documento, os dez presidentes de Câmara afirmam que Portugal, encontra-se numa encruzilhada da sua vida colectiva, marcada por uma profunda crise económica, social e política, situação que «não é explicável, apenas, pela crise internacional».
plb
As divergências entre os eleitos que compõem o executivo podem tornar-se mais evidentes na altura da discussão e votação do orçamento da Câmara Municipal do Sabugal para o ano 2010. O documento está em fase de elaboração e não transparecem sinais de negociação com vista a garantir a sua aprovação.
Para que a Câmara Municipal tenha um orçamento que enquadre a sua actividade em 2010 é necessário que o seu projecto seja aprovado pelo Executivo e depois receba o aval da Assembleia Municipal.
Sucede que a relação de forças resultante das últimas eleições colocou o PSD, partido do presidente eleito, em minoria nos dois órgãos, o que obriga a uma capacidade negocial constante para obter a aprovação das medidas essenciais para a boa gestão da autarquia. O orçamento de 2010 será o maior desafio à habilidade negocial do presidente, que até agora tem somado revezes sucessivos no Executivo, onde não conseguiu o apoio da oposição para a resolução de alguns problemas mais prementes.
Tendo o PSD três vereadores, o PS outros tantos e o MPT um eleito, o orçamento apenas poderá ser aprovado se pelo menos um dos vereadores da oposição se abstiver na votação, dado o voto de qualidade do presidente. Ora isso pressupõe uma cuidada negociação, porque a oposição tem tido uma posição de grande exigência nas reuniões, mostrando não estar disposta a transigir.
O presidente, António Robalo, viu gorada a sua intenção de colocar mais dois vereadores a tempo inteiro, sendo essa proposta negada pelos vereadores do PS e do MPT. Igualmente não conseguiu garantir a continuidade de Norberto Manso na presidência da empresa municipal. O executivo recusou ainda delegar no presidente muitas das competências por si pretendidas. O mesmo se passou em relação às reuniões, que o presidente queria quinzenais mas que o Executivo manteve semanais.
Insatisfeito com a postura da oposição, António Robalo reagiu logo no final da primeira reunião, ditando para a acta uma declaração onde mostrava a sua insatisfação pelas limitações a que estava a ser sujeito. «Não entendo atitudes que considero acima de tudo de falta de espírito democrático e de falta de consideração por quem ganhou eleições e como tal deveria ter as condições mínimas de governabilidade, que desta forma não terei», declarou o presidente. Visivelmente desagradado, deixou mesmo um alerta: «estamos aqui de passagem e tudo o que não fizermos ou fizermos mal, só faz com que se agravem cada vez mais os problemas do nosso Concelho».
António Dionísio deu a resposta na reunião seguinte, recorrendo igualmente a uma declaração para a acta onde justificou as posições do PS no Executivo, baseadas no rigor que era necessário manter na gestão da Câmara para não se onerar excessivamente o Município. «O Senhor Presidente sabe com certeza que quando foi eleito, foi-o no restrito cumprimento da lei, isto é, sabendo previamente que a lei lhe permite ter um vereador a tempo inteiro e que a possível nomeação de outros cabe ao Executivo Camarário que com bom senso deve analisar e decidir», disse o vereador socialista para justificar o voto contra o alargamento do número de vereadores em permanência. E concluiu: «Não é por culpa da oposição que o Partido Socialista efectua que o concelho do Sabugal deixa de progredir rumo a um futuro melhor, assim o Senhor Presidente e a sua equipa saibam apresentar a este executivo as ideias e os projectos para atingir esse fim, que é afinal o que todos desejamos».
Também o vereador do MPT, Joaquim Ricardo, na mesma reunião de dia 13 de Novembro, se manifestou insatisfeito com a ausência de propostas aceitáveis, nomeadamente ao nível da nomeação de um novo conselho de administração para a empresa municipal, facto que o levou a exigir ao presidente a formulação urgente de uma nova proposta para ser votada.
A vida da autarquia não parece fácil, mas o maior desafio será o orçamento de 2010, documento que a breve trecho terá de ser apresentado ao colectivo de vereadores.
plb
O Comando Territorial da Guarda comemora no próximo a 2 de Dezembro, o dia da Unidade com uma cerimónia militar, a realizar, pelas a meio da manhã no quartel daquela força de segurança.
A cerimónia será presidida pelo comandante operacional da GNR, Tenente-General Meireles de Carvalho. Nela se incluirá uma demonstração do conhecido Carrossel Moto da Guarda Nacional Republicana.
Para a comemoração da efeméride estão previstas outras actividades de carácter militar, religioso e cultural que o Comando da Guarda preparou. Num comunicado assinado pelo comandante da Unidade, o Coronel José Manuel Monteiro Antunes, afirma-se que se pretende uma cerimónia simples mas, como é tradição e apanágio da Guarda Nacional Republicana, eivada do maior brilhantismo e dignidade.
Com a recente reestruturação da Guarda Nacional Republicana, materializada pela Lei Orgânica nº63/07, de 06NOV, a então Subunidade «Grupo Territorial da Guarda» deu lugar, em Janeiro do corrente ano, ao «Comando Territorial Guarda», com responsabilidades acrescidas decorrentes, quer da extinção do Comando Regional (Brigada n.º 5 em Coimbra), quer da integração das valências trânsito e intervenção, ascendendo, por conseguinte, ao escalão Unidade Territorial, orgulhosa sucedânea das suas antecessoras, desde a precursora 4ª Companhia de Infantaria, primeira força da GNR a marcar presença na cidade da Guarda, na honrosa data de 02 de Dezembro de 1914.
Programa comemorativo:
09H00 – Missa de Acção de Graças na Sé Catedral da Guarda.
10H00 – Recepção das Entidades no CMD da Unidade, para Cerimónia Militar.
10H30 – Inicio da Cerimónia Militar.
11H30 – Exibição do Carrossel Motorizado da GNR
13H00 – Almoço de confraternização no CMD da Unidade.
plb
A nomeação do novo Conselho de Administração da Empresa Municipal Sabugal+, está a dividir o executivo camarário sabugalense, que na primeira reunião rejeitou a proposta do presidente de continuidade de Norberto Manso como presidente da empresa.
A oposição, composta pelos vereadores do PS e do MPT, juntou-se e votou contra a proposta do presidente António Robalo, que pretendia dar continuidade à gestão de Norberto Manso. Quatro votos contra três foi o resultado da votação, que na altura agastou o presidente que viu cair por terra a sua intenção de dar continuidade ao trabalho que vinha sendo feito na empresa. Para além da recondução do presidente, António Robalo pretendia também que o Conselho de Administração da empresa incluísse como vogais dois vereadores sem remuneração.
Na reunião do dia 13 de Novembro Joaquim Ricardo, vereador eleito pelo MPT, face à ausência do assunto da ordem de trabalhos, defendeu a nomeação urgente de uma nova administração para a empresa. E deixou claro o que pretende: «Um gestor cujo perfil deverá ser o de um profissional que aceite o desafio de fazer ali uma ambiciosa gestão por objectivos, apostando na qualidade dos serviços prestados e na divulgação das actividades desenvolvidos de modo a aumentar o número de visitantes e utilizadores dos equipamentos a seu cargo.»
Ideia similar foi defendida pelo vereador António Dionísio, do PS, que quer ver eleito para breve um novo presidente para a empresa, em substituição do actual: «Sou de opinião que os lugares de confiança politica devem ser mudados quando mudam as pessoas que os nomeiam, até porque a mudança traz competência e desenvolvimento, sempre no sentido de atingir os objectivos que a Câmara lhe impõe.»
Na última reunião, realizada a 20 de Novembro, António Robalo, pediu ao executivo «carta branca» para escolher a administração da empresa, porém a oposição voltou a juntar os votos, rejeitando a proposta do presidente da câmara e exigindo que o mesmo traga à mesa nomes para ali serem votados.
Parece pois certo que o futuro da empresa não passará por Norberto Manso, que porém se manterá em funções de gestão até que o executivo aprove uma nova administração, uma vez o mandato dos titulares do Conselho de Administração coincide com o dos titulares dos órgãos autárquicos.
A Sabugal+ tem por principal objecto a administração das estruturas culturais, sociais, patrimoniais, desportivas, recreativas, turísticas e ambientais que pertençam ao município, tendo-lhe sido ainda afectada a gestão do processo de construção e futuro funcionamento das Termas do Cró e do Parque de Campismo Municipal.
plb
O presidente da Câmara Municipal do Sabugal constituiu o seu gabinete pessoal, nomeando seu adjunto o vereador Ernesto Cunha e chefe do gabinete Vítor Proença, que já exercera essas mesmas funções com o presidente Manuel Rito.
António Robalo pretendeu que Ernesto Cunha exercesse funções como vereador a tempo inteiro, situação que de resto manteve nos últimos anos. Porém, face à recusa do executivo em aceitar alargar o número de vereadores em permanência, o presidente procedeu à nomeação do vereador das Lameiras para o cargo de adjunto.
Os únicos eleitos a exercerem funções a tempo inteiro na câmara são o presidente, António Robalo, e a vice-presidente, Delfina Leal. Os outros elementos do executivo reúnem apenas semanalmente na reunião ordinária que acontece à sexta-feira.
O executivo foi informado da composição do gabinete de apoio pessoal do presidente, e levantaram-se dúvidas quanto à legalidade da nomeação de um vereador para adjunto do presidente integrando o seu gabinete. Capeia Arraiana apurou porém que o presidente terá pedido um parecer à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC), segundo o qual não existe impedimento legal. O impedimento apenas existiria se Ernesto Cunha exercesse funções de vereador em permanência, o que não é o caso.
Vítor Proença, que embora candidato nas listas do PSD, não foi eleito vereador, vê também garantida a sua continuidade de funções na Câmara, voltando a integrar o gabinete da presidência ao manter-se como chefe de gabinete do presidente.
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A editora Bizâncio acaba de lançar o livro «Lince-Ibérico», o qual aborda diferentes aspectos da biologia do felino mais ameaçado do mundo, ilustrados por fotos de animais em habitat natural onde a sua existência se encontra ameaçada.
A publicação é o resultado de uma colaboração do jornalista Paulo Caetano, autor dos textos, e do biólogo Joaquim Pedro Ferreira, responsável pelas fotos, enriquecida também por ilustrações de Jorge Mateus.
Numa altura em que o projecto nacional de reprodução do lince-ibérico dá um passo decisivo com o acolhimento de linces para o repovoamento do seu habitat tradicional em Portugal, chega aos escaparates um livro-álbum muito elucidativo.
Trata-se de uma publicação que apresenta o felino mais ameaçado do mundo nos vários aspectos da sua biologia, que vão desde os hábitos alimentares à reprodução, sempre ilustradas com fotos do esquivo carnívoro obtidas em meio natural em momentos nunca capturados da sua vida quotidiana.
Continuam a chegar linces ao centro nacional de reprodução, situado em Silves, no Algarve, num processo que deverá estar concluído até ao final deste mês, altura em que o centro de reprodução português deverá acolher os 16 animais previstos.
plb
A Balada da Neve é o poema mais conhecido de Augusto Gil, escritor guardense cuja obra se inspira na cidade mais alta e na gente que a habita. Embora nascido (em 1870) no Porto, foi para a Guarda ainda petiz e ali cresceu e se fixou, mau grado alguns períodos de afastamento, nomeadamente em Coimbra enquanto estudante universitário e depois em Lisboa onde ocupou cargos na Administração Pública.
Para além da poesia, Augusto Gil também se aventurou pela narrativa, de onde se destaca o livro «Gente de Palmo e Meio» que é, afinal, uma colectânea de contos de grande profundeza humana. São trechos da vida de crianças, umas pobres outras ricas, ainda algumas remediadas, que evidenciam a enorme sensibilidade do autor para os dramas que o rodeiam. As histórias centram-se em Lisboa, e relatam curiosas peripécias de petizes, que comovem o leitor.
Alguns dos contos referem o sofrimento das crianças que vivem em extrema carência, ajudadas por uns e enxotadas por outros. Também retratam miúdos corajosos que, sozinhos, desafiam o mundo, num sinal da maturidade que a vida difícil lhes proporcionou. Ainda há outros onde impera a ironia ou o fino humor. O contos «O Pobrezinho Honrado» retrata a vida madrasta de um menino de Manteigas que desceu a Lisboa com o pai para o ajudar na profissão:
«- Donde és tu menino?
- Ê cá sou de Manteigas…
- Sim? E tens pai?
Dilatou-se-lhe a boca num sorriso claro que acendeu um brilho maior na chama dos seus olhos límpidos.
- Antão não havêra de ter pai!…
- E que vida é a dele?
- Vende fazenda coma mim…»
Augusto Gil relata em traços fortes esta gente pequena, que comia sopa desenxabida ou pequenos nacos de pão migado no leite, quando não apenas uma peça de fruta. São relatos de comida pobre, num mundo desventurado.
Mas, no que toca a comeres, ninguém fica indiferente ao conto «A Santinha», que expõe a bondade de uma menina, «linda como o luar, de boca fresca e rubra que nem uma cereja mordida». Filha de gente abastada, vivia numa grande quinta, brincando só, à sombra de um cedro gigante:
«A criada desceu com o lanche numa salva, poisou-lha no banco de sobro, ao pé do cedro e, furtando-lhe um beijo, foi-se.
Os dois filhos do feitor, nem que lhes tivesse dado o faro da pitança, surgiram do lado oposto e quedaram-se numa atracção muda, a dois passos da bandeja…
A Lili ergueu o guardanapo, a ver: e seis olhos caíram ao mesmo tempo sobre um pastel de folhado, uma fatia barrada de manteiga e um cacho d’uvas moscatéis.
Pegou no cacho e ofereceu-o ao mais velho.
Tirou o pastel e deu-o ao mais novo.
Por fim, erguendo o que restava – era a fatia – levou-a à boca…
Mas um cachorrito ladino, vindo d’algures, a dar à cauda, acercou-se do grupo, de focinho no ar e pupila reluzente, com os latidos e migalhices que estavam mesmo a dizer:
- E eu?!…
A Lili sorriu; e depois de reflectir por uns instantes, privou do pão a sua boca e chegou-o à boca do cãozito, num doce gesto, resignado e vagaroso…»
«Sabores Literários», crónica de Paulo Leitão Batista
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O Conselho de Ministros, por proposta do ministro da Administração Interna, Rui Pereira, aprovou esta quinta-feira, 19 de Novembro, a nomeação de António Santinho Pacheco para Governador Civil da Guarda.
O ex-presidente da Câmara Municipal de Gouveia, substituiu Maria do Carmo Borges, que manifestara vontade de sair do cargo. O nome de Santinho Pacheco era falado nos bastidores como possível novo Governador Civil, o que hoje se confirmou.
Santinho Pacheco é membro do Secretariado da Federação Distrital da Guarda do Partido Socialista e da Comissão Nacional do partido. O novo governador civil tem 58 anos e para além de presidente da Câmara de Gouveia foi deputado à Assembleia da República pelo Partido Socialista. Foi ele que, enquanto deputado, propôs a integração da freguesia de Vale da Amoreira no concelho de Manteigas. Também enquanto deputado integrou as comissões parlamentares de Administração e Ordenamento do Território e de Saúde e Toxicodependência
O Conselho de Ministros nomeou hoje todos os novos governadores civis dos 18 distritos do Continente.
Além de Santinho Pacheco, foram também nomeados pelo Governo José Barbosa Mota (em Aveiro), Manuel Monge (em Beja), Fernando Moniz (Braga), Jorge Gomes (Bragança), Maria Alzira Serrasqueiro (Castelo Branco), Henrique Fernandes (Coimbra), Fernanda Ramos (Évora), Isilda Gomes (Faro), José Carvalho (Leiria), António Galamba (Lisboa), Jaime Estorninho (Portalegre), Maria Isabel Santos (Porto), Sónia Mendes (Santarém), Manuel Malheiros (Setúbal), José Joaquim Guerreiro (Viana do Castelo), Alexandre Chaves (Vila Real) e Miguel Albuquerque (Viseu).
plb
Ana Manso e Álvaro Amaro vão disputar as eleições para a nova direcção da Distrital do PSD da Guarda, marcadas para o dia 5 de Dezembro.

A luta política será protagonizada pelo actual e pela anterior presidente, Álvaro Amaro e Ana Manso, respectivamente, facto que dá particular interesse a estas eleições para a distrital do PSD.
A ex-presidente e ex-deputada responsabiliza Álvaro Amaro pelos maus resultados do PSD nas últimas eleições autárquicas. Para Ana Manso, o partido perdeu terreno para o PS. Os social-democratas perderam dois concelhos (Manteigas e Mêda), embora tivessem recuperado Vila Nova de Foz Côa. Embora o PSD continue a deter a maioria das Câmara Municipais, o PS reforçou a sua posição no distrito.
Álvaro Amaro, considera por sua vez que houve falta de empenho de alguns militantes do partido durante a campanha eleitoral para as autárquicas, o que é lido como uma alusão a Ana Manso.
A disputa política entre os dois principais protagonistas do partido no distrito nos últimos anos, irá prosseguir nos próximos dias.
plb
Um grupo de clientes do Banco Português de Negócios (BPN), de Seia, Guarda e Sabugal, entrou hoje de manhã na dependência bancária em Seia, para reclamar os depósitos feitos naquele balcão.
No total, encontram-se no interior do Banco, desde manhã, cerca de 30 clientes, cujo valor de investimentos feitos junto do BPN de Seia ascende a vários milhões de euros.
Os clientes de Seia, a que se juntaram outros vindos da Guarda e do Sabugal, permaneceram no interior da agência bancária, assim manifestando o seu descontentamento, pelo facto de terem sido lesados, sem que o banco lhes aponte soluções satisfatórias para reaverem o seu dinheiro.
Os manifestantes reivindicaram a devolução dos depósitos a prazo, cujo resgate estava previsto para Agosto, e que alegam terem sido transformados, sem a sua autorização, em papel comercial da Sociedade Lusa de Negócios.
Um outro grupo de clientes, que se diz enganado pelo BPN, foi recebido no Ministério das Finanças, onde apresentaram as suas queixas. Este grupo que representa cerca de 1700 pessoas que se dizem lesadas em mais de 200 milhões de euros.
Os clientes lesados dizem possuir um dossier com mais de 40 páginas onde está explicita a forma como foi vendido o papel comercial sem consentimento dos clientes. As queixas já foram transmitidas ao Banco de Portugal e à Comissão de Mercado de Valores Mobiliários, esperando agora os lesados ser recebidos em breve pelo Provedor de Justiça e pelos principais partidos políticos.
Os protestos dos clientes do BPN poderão dispersar-se por diversas agências do banco. Depois de Viseu, os protestos foram até Seia e poderão seguir-se outras acções de contestação.
plb
Depois da reunião da Assembleia Geral da Associação Social, Cultural e Desportiva de Rebolosa, onde se debateu e aprovou o Plano de Acção e Orçamento para 2010, a Associação e a Junta de Freguesia organizaram o Magusto para toda a população.
Diz-se que São Martinho foi, durante toda a Idade Média e até uma época recente, o santo mais popular de França. Também em Portugal se comemora por todo o lado, sendo lembrado mais esse aspecto popular do que propriamente o religioso.
No dia 15 de Novembro, pelas 16 horas, nas lajes, onde há anos, no início das colheitas, se malhava o centeio e onde com muito cansaço, mas com muita alegria, o povo da Rebolosa se juntava para se entreajudar, realizou-se o Magusto. Foi neste espaço emblemático, que a população da Rebolosa também com a união e camaradagem que a tem caracterizado ao longo dos tempos, se juntou e divertiu.
E como manda a tradição, foi na caruma apanhada pelo nosso conterrâneo João António Frango, antes que a chuva dos últimos dias a molhasse, que se colocaram algumas dezenas de quilos de castanhas. De seguida, cada um saboreou este fruto acompanhado por uma boa jeropiga. A castanha que hoje é considerada quase como uma «guloseima» de época, outrora foi o substituto do pão. Desde a pré-história que, cozidas, assadas ou transformadas em farinha, as castanhas sempre foram um alimento muito popular. E a título de curiosidade, dizem-nos algumas fontes que as castanhas têm mesmo cerca do dobro da percentagem de amido das batatas. São também ricas em vitaminas C e B6 e uma boa fonte de potássio.
A tarde estava fria, bem propícia para a realização deste evento. Depois do Verão de São Martinho, que também se sentiu há alguns dias atrás, regressou o Inverno, cumprindo-se o provérbio se o Inverno não erra o caminho, tê-lo-ei pelo São Martinho. Depois de nos divertirmos, estando alguns quase irreconhecíveis, porque bastante enfarruscados, caiu a noite e com ela a chuva e o frio.
Manuel Rei Barros
Numa espécie de convite a saborear a tradição, a Câmara Municipal da Mêda aposta na divulgação de uma ementa tradicional, cuja patente tem já registada: os «grelos à pobre».
A gastronomia tradicional pode considerar-se como um exemplo real da cultura de um povo e das características de uma região, na medida em que é depositaria de sabores únicos e seculares, herdados e transmitidos por gerações que com seu saber e alguma imaginação, aproveitaram e transformam os produtos da terra em verdadeiras iguarias.
Nesta época do ano o concelho da Mêda cobre-se do verde dos nabais, onde mãos experientes colhem os grelos de nabo, que servem de base a um prato tradicional daquelas terras beiroas.
Em terras da Mêda os «grelos à pobre» constituem, como nome indica, um prato simples, mas que na verdade é muito rico em sabor.
A Câmara Municipal da Mêda, querendo dar expressão a esta iguaria gastronómica, divulgou a sua receita.
Usam-se como ingredientes dois molhos de grelos, meio quilo de batata, uma farinheira e carne de porco previamente cozida, a que se juntam uma mancheia de sal e um gorcho de azeite.
Lavam-se os grelos e partem-se aos bocados. Põem-se a cozer numa panela de ferro. À parte, noutra panela, cozem-se as batatas com um pouco de sal.
Escorrem-se os grelos quando estiverem cozidos. Depois de estarem também cozidas as batatas, esmagam-se e misturam-se com os grelos.
Junta-se azeite estrugido, quando baste, e chega-se de novo a panela ao lume.
Vai-se mexendo até ficar bem misturado.
Servem-se com farinheira e carne de porco cozida.
Eis aqui um prato simples mas identificativo de uma terra marcadamente agrícola que envereda decididamente pelos caminhos do desenvolvimento e progresso no aproveitamento dos seus recursos naturais e sobretudo nas capacidades das suas gentes.
plb
O professor de 32 anos, que foi despedido da EB1+ Jardim de Infância Santa Maria, em Lagos, no Algarve, por ter abusado sexualmente de cinco alunas na sala de aula leccionou Educação Visual e Tecnológica no Sabugal no ano lectivo 2007/08.
O docente acabou despedido com justa causa, em resultado do processo disciplinar que lhe foi instaurado após a mãe de uma sua aluna ter visto sangue nas cuecas da filha, resolvendo queixar-se do professor. A queixa remonta ao passado dia 16 de Abril. A menina confessou que era alvo de sevícias sexuais por parte do professor e apontou mais quatro vítimas, todas elas suas colegas com nove e dez anos, da mesma turma do 4º ano. O professor costumava sentá-las no seu colo e acariciá-las em todo o corpo, incluindo a zona genital. Duas das meninas tinham mesmo vestígios de toque interno na vagina.
O suspeito foi suspenso no dia 20 de Abril e os factos foram comunicados ao Ministério Público, ao mesmo tempo que se iniciou o processo disciplinar que agora teve o seu termo. O despedimento com justa causa é de resto a penalização máxima prevista em sede de processo disciplinar e a decisão emanou directamente do gabinete da ministra da Educação. A penalização final foi comunicada há poucos dias ao docente.
Atendendo a que os factos constituem crime, em paralelo prossegue um inquérito judicial, a cargo do Departamento de Investigação Criminal da Polícia Judiciária em Portimão, cujo estado se desconhece.
O despedimento fica inscrito na ficha escolar do professor que, na prática, termina aqui a carreira de docente.
O professor pedófilo é natural da zona de Lisboa e leccionou Educação Visual e Tecnológica no Carregado (2006/07) e no Sabugal (2007/08).
plb
António Ruas, presidente da Câmara Municipal de Pinhel, substituiu José Manuel Biscaia na presidência da Associação de Municípios da Cova da Beira (AMCB), na sequência da Assembleia Electiva realizada no dia 12 de Novembro.
António Robalo, presidente da Câmara do Sabugal, também integra o conselho directivo da AMCB, enquanto vogal. Para a presidência da Assembleia ficou eleito Domingos Torrão, presidente da Câmara Municipal de Penamacor.
Os 16 autarcas presentes, em representação dos Municípios que constituem a AMCB, escolheram unanimemente a única lista candidata. Curiosamente, o concelho directivo integra apenas uma câmara pertencente ao distrito de Castelo Branco e representativa da Cova da Beira propriamente dita, a do Fundão, representada pelo seu presidente, Manuel Frexes. Os restantes eleitos para a direcção são todos do distrito da Guarda (Pinhel, Guarda e Sabugal). Já na Assembleia, predominam os Municípios do distrito de Castelo Branco (Penamacor, e Belmonte), em detrimento do da Guarda que tem apenas um representante (Celorico da Beira).
A AMCB foi fundada em 1981, por decisão dos Municípios de Belmonte, Covilhã, Fundão e Penamacor, com o objectivo de resolver o problema dos resíduos sólidos urbanos produzidos nos quatro concelhos. Posteriormente, aderiram à Associação os Municípios de Manteigas e Sabugal e oito municípios do distrito da Guarda: Almeida, Celorico da Beira, Figueira de Castelo Rodrigo, Fornos de Algodres, Guarda, Meda, Pinhel e Trancoso.
Curiosamente a Covilhã, que fora um dos Municípios fundadores, abandonou posteriormente a AMCB por divergências insanáveis, protagonizadas pelo autarca Carlos Pinto.
José Manuel Biscaia, o presidente cessante, deixou a presidência após nove anos, depois de ter perdido a disputa eleitoral no seu concelho, Manteigas, em favor de Esmeraldo Carvalhinho. O ex-presidente da Câmara de Manteigas tinha sucedido a António Dias Rocha (presidente da Câmara de Belmonte). O primeiro líder da AMCB foi Jorge Pombo, enquanto presidente da Câmara da Covilhã.
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Aquilino Ribeiro é porventura o mais notável dos romancistas portugueses no que se refere à escrita regional. Homem da província, profundo conhecedor do saber popular, mas também intelectual das urbes, onde acabou por assentar arraiais, escreveu mais de cinquenta romances e novelas evocando o povo português.
«- Que há de almoçar? – perguntámos à mulher da taberna, uma digna e bochechuda matrona aprumada por detrás do balcão, ao lado dos copos espetados num escorredor de dentes, boca para baixo, enquanto Ralph consertava a correia no meio de grande ajuntamento de olharapos. Não havia nada; minto, havia uns bolos muito ressecos, e azeitonas. “E ali que tem?” – tornei a perguntar à vendeira, apontando uma terrina desasada. “Peixes cá do corgo, mas nem lhos ofereço que são amanhados à nossa moda e as senhoras não gostam”. “Deixe ver…” Provámos; era uma deliciosa calda de escabeche, gorda e profunda como cheia do Nilo, que afogava uma boa dúzia de trutas, esses extraordinários salmonídeos que pediram a casaca aos marqueses de Luís XIV, para serem os janotas da água doce, e o sabor ao manjar dos deuses para não ir nada igual à mesa de gulosos. E, veja, com broa de centeio, negra e crivada de olhos pequeninos, como se tivesse levado tiros de escumilha, um vinhinho, oh, mon cher, um palhete dos sítios que passava tilitando nas goelas e sabia a amoras e framboesas, almoçamos com mais regalo que os heróis de Homero quando abancavam à sua tão decantada barriga de porco, que um deles assava nas brasas com duas pedras de sal. À despedida a taberneira, enternecida com as honras que lhe prestou o nosso paladar, agarrou-se a nós em choro desfeito como se as trutas que tínhamos comido fossem pedaços da sua alma.»
Passámos um trecho do livro «O Homem que Matou o Diabo», de Mestre Aquilino, no qual retrata uma viagem de janotas às Beiras. Carregados de fome, aportaram na Venda da tia Maria Gaga, na Ponte do Abade, lugar da freguesia e concelho de Sernancelhe. Também aqui os fidalgos citadinos, que cruzavam as estradas de macadame montados em vistoso automóvel, se atormentavam com a pobreza da terras beiroas, sentindo-se despojados dos luxos em que era costume viverem.
Uma maçada essa viagem pelo Portugal rural, do qual se queriam ver afastados depressa. Mas, mais uma vez, quando a fome aperta, a gente de requinte, como era aqui o caso, lança-se ao que há ao dispor por mais inverosímil que isso lhes pareça.
A medo provaram o petisco, pensando em apenas matar a fome, que de outro modo não tocariam em comida assim disposta. Só que quando o pitéu lhes roçou as papilas gustativas, deixaram-se de seus brios e emborcaram sofregamente o que havia, como se acabassem de descobrir a melhor maravilha do mundo.
Pobre e abandonado, entregue apenas a si mesmo, o aldeão sabia viver, conquistando o seu prestígio, fruto de uma vivência regrada, baseada nas orientações do saber empírico, tirado da vida. Afinal o interior beirão não era assim tão irremediavelmente atrasado. Ali estavam as trutas de escabeche da taberna da Maria Gaga, confeccionadas à moda popular, para demonstrar como o saber antigo consegue melhor delícia que os pratos de preceito servidos nos restaurantes e hotéis das cidades.
«Sabores Literários», crónica de Paulo Leitão Batista
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Os 300 trabalhadores da fábrica Delphi da Guarda que vão ser dispensados até ao final do ano já receberam as cartas de despedimento, segundo informação prestada pelo Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Metalúrgicas e Metalomecânicas (STIMM).
Segundo nota da Agência Lusa, o processo de envio das cartas registadas para os operários iniciou-se na semana passada, o que foi confirmado por José Ambrósio, do STIMM. O dirigente sindical garantiu em declarações à Lusa que a Delphi cumpriu as condições acordadas. A empresa de cablagens para a indústria automóvel tem um total de 950 trabalhadores, e prevê a continuação dos despedimentos no decurso do próximo ano, podendo ser dispensado mais de 200 operários no primeiro semestre de 2010.
Ainda segundo José Ambrósio, entre os operários notificados da decisão de despedimento verifica-se um misto de sentimentos: «Houve pessoas que ficaram contentes, porque eram voluntárias» e outras que «ficaram tristes».
O dirigente sindical disse ter conhecimento de muitas situações de trabalhadores que não esperavam o despedimento, sendo que, nestes casos, o recebimento da notificação foi para eles muito «complicado». Garantiu ainda que a empresa cumpriu as condições que constavam de um protocolo celebrado no ano passado, que prevê que os trabalhadores despedidos recebam dois meses de salários por cada ano de trabalho e que só seria dispensado um elemento do casal, nas situações em que ambos trabalhassem na empresa.
A Delphi dispensou maioritariamente mulheres, cujas idades rondam os 40 anos. Só «numa família foram despedidas três irmãs», revelou o sindicalista. Acrescentou que «’a maioria dos trabalhadores dispensados, cerca de 80%, reside na cidade da Guarda».
A multinacional justifica os despedimentos com a crise que atingiu o sector automóvel, e a consequente quebra nas encomendas.
A par dos sindicatos, também o bispo da Guarda, D. Manuel Felício, tem revelado uma forte preocupação com a situação, em especial com as implicações sociais decorrentes dos despedimentos.
plb
Júlio Sarmento, Presidente da Câmara Municipal de Trancoso, reeleito nas últimas autárquicas para o sétimo e último mandato consecutivo, disse que será proximamente eleito o Provedor do Munícipe.
A função do Provedor do Munícipe será «receber e tratar as preocupações, sugestões ou críticas dos trancosenses relativamente ao funcionamento do Município», disse o autarca aquando da sua tomada de posse. Trata-se de uma aposta na cidadania e na ética, que o presidente eleito pelo PSD quer ver garantidas neste seu último mandato à frente dos destinos de Trancoso.
A figura do provedor de munícipe, tem sido advogada e adoptada em várias autarquias do País, sendo entendido como um sinal de reforço da democracia participativa e da salvaguarda dos interesses das populações.
Os provedores têm tido um papel relevante em situações relacionadas com a defesa do ambiente, o acesso aos responsáveis pela gestão autárquica, a ineficiência dos serviços públicos sedeados no concelho, a defesa das pessoas com deficiência, das famílias carenciadas e dos idosos. A acção dos provedores decorre do recebimento de queixas dos munícipes relativas à generalidade dos serviços sedeados no município. Compete-lhes apreciar as questões e encaminhá-las ao Executivo Camarário, à Assembleia Municipal, bem como a outros serviços públicos.
Júlio Sarmento, para além do anúncio da intenção de criar a figura do provedor, assumiu como áreas de actuação prioritárias o comércio, os serviços e o turismo. Disse estar sobretudo preocupado com o emprego dos mais jovens e anunciou a disponibilização de apoios para as situações sociais mais prementes. Deixou também uma mensagem para a oposição, desafiando os vereadores eleitos pelo PS a encontrar com a maioria social-democrata pontos de convergência para que o concelho ganhe uma maior dinâmica.
plb
Hoje, 11 de Novembro, é o dia de São Martinho. Há um conhecido rifão popular que diz: no dia de São Martinho vai à adega e prova o vinho. Associou-se também este dia aos magustos, por ser tempo de apanhar as castanhas.
São Martinho foi bispo da cidade de Tours, em França e foi um importante evangelizador do seu tempo. Nasceu em Sabária da Panónia, na Hungria, no ano de 315. Com apenas 12 anos foi alistado pelo pai no exército romano. Enquanto jovem oficial teve uma atitude que o deixou conhecido: deu metade da sua capa a um pedinte que encontrou na borda da estrada, assim o abrigando do frio.
Abandonou o exército romano, baptizou-se e viveu como eremita numa ilha ao largo da costa de França, aí fundando um mosteiro para uma comunidade religiosa que vivia em isolamento. Ordenado padre, foi depois nomeado bispo de Tours. Dedicou-se à evangelização, percorrendo a pé e a cavalo toda a sua diocese.
Na memória popular ficou conhecido o adágio: «No dia de São Martinho, vai à adega e prova o vinho». Também é conhecido o provérbio «no dia de São Martinho prova o teu pipinho», que afinal é uma simples variante do primeiro. A sua ligação ao vinho decorre apenas da altura do ano em que o famoso bispo morreu, na data que ficou consagrada em sua memória. Depois da vindima, feita em Setembro ou no início de Outubro, o vinho ferve no lagar e depois nos pipos e nas cubas, sendo assim o dia de São Martinho, o apropriado para se fazerem as primeiras provas. Ao vinho novo juntam-se as castanhas assadas e assim se celebram os magustos, reunindo familiares e amigos. Este é portanto um tempo de convívio e de amizade.
Hoje já poucos particulares têm lagares para a produção própria de vinho. Vão também rareando as adegas para aí se abrirem os espiches e se provar o vinho que ainda fermenta nos pipos. Os tempos são outros, mas o espírito e a tradição mantêm-se, realizando-se magustos e outros encontros de convívio e a jeropiga, são as bebidas eleitas.
plb
Na Beira Interior, a campanha deste ano da azeitona promete ser das melhores dos últimos anos, facto que deixa satisfeitos os poucos produtores que ainda resta na região.
Segundo notícia veiculada pela Agência Lusa, a produção sobe em todo o país, à excepção de Trás-os-Montes onde se verificará uma ligeira queda, que porém é compensada por uma melhoria na qualidade.
A Lusa ouviu João Pereira, presidente da Associação de Produtores de Azeite da Beira Interior (APABI), que disse que a produção média de azeite na região oscila entre as quatro a cinco mil toneladas por ano, «mas desta vez pode chegar às seis mil». Garantiu ainda que os preços ao produtor se mantêm entre «os 35 a 45 cêntimos por quilo de azeitona».
No Alentejo, a região que mais azeite produz, estima-se um aumento de produção de 20 por cento na campanha deste ano. O crescimento no Alentejo deve-se, segundo Henrique Herculano, do Centro de Estudos e Promoção do Azeite do Alentejo, à «gradual entrada em produção dos novos olivais». As previsões para cerca de 165 mil hectares de olival apontam para «80 a 100 milhões de quilos» de azeitona e «entre 12 a 15 milhões de quilos de azeite», cuja qualidade «será boa porque o ano não foi problemático».
Manuel Fialho, gerente da Cooperativa Agrícola de Moura e Barrancos, com 1200 olivicultores, prevê receber mais cinco milhões de quilos de azeitona, para atingir os 30 milhões de quilos, correspondentes a perto de seis milhões de quilos de azeite. «No ano passado estávamos no limite da nossa capacidade e, apesar da crise, fomos obrigados a investir para a duplicar», afirma.
Em Trás-os-Montes, os olivicultores prevêem uma diminuição da produção na ordem dos 30 por cento. «Foi um ano muito atípico, muito seco e se há zonas onde se consegue garantir alguma manutenção dos anos anteriores, em outras a seca provocou grandes reduções», diz o presidente da Associação de Olivicultores de Trás-os-Montes e Alto Douro, António Branco. A produção estimada é de apenas 80 a 90 milhões de quilos de azeitona. Em contrapartida, tudo aponta para um ano «excepcional em termos de qualidade».
No concelho do Sabugal as freguesias mais a Sul, como Bendada, Sortelha, Moita, Casteleiro e Santo Estêvão, são produtoras de azeite. Porém os olivais vão sendo progressivamente abandonados por falta de mão-de-obra e em consequência dos incêndios que tem devastado o território.
Portugal, embora sendo um importante produtor e exportador de azeite, compra a Espanha quase metade do azeite que consome. Esta situação pode porém ser ultrapassada devido ao crescente aumento da capacidade de produção nacional. De facto há, sobretudo no sul do país muitos olivais recentemente plantados que dentro de alguns anos estarão em plena produção.
plb
Militares da GNR do Posto Territorial de Pinhel detiveram ontem, 9 de Novembro, quatro homens quando tentavam praticar o furto nas instalações da Junta de Freguesia de Pinhel.
A acção desenrolou-se pelas 3 horas da madrugada, após conhecimento que quatro indivíduos com comportamentos suspeitos rondavam as instalações da Junta de Freguesia.
No momento da abordagem os suspeitos tinham na sua posse vários objectos utilizados na prática de crimes, como pé-de-cabra, ventosa e diamante de corte. Os suspeitos, com idades compreendidas entre 20 e 30 anos, sendo dois deles de nacionalidade espanhola, possuem antecedentes criminais pela prática de roubos, furtos, tráfico de estupefacientes e armas. Após detidos foram presentes ao Tribunal Judicial da Comarca de Pinhel.
O Comando Territorial da Guarda da GNR informa ainda no seu comunicado semanal que entre 2 e 8 de Novembro foram registadas 53 ocorrências de natureza criminal. Dentre os crimes destacam-se 11 furtos, seis situações de condução sem habilitação Legal, quatro de fogo posto. Quatro de violência doméstica, dois de condução sob efeito do álcool, um de desobediência.
Na mesma semana foram detidos 16 Indivíduos pelos seguintes motivos: seis por crime de condução de veículo sem habilitação legal, dois por crime de condução sob o efeito do álcool (TAS entre 1,67 e 2,65 g/l), dois por crime de furto em veículo, um por crime de desobediência (condução de veículo apreendido), um por crime de posse ilegal de arma de fogo, um por permanência ilegal em território nacional,e três por mandado judicial.
Foram ainda elaborados 255 autos de contra-ordenação pelas seguintes infracções: 244 à legislação rodoviária, oito à legislação da natureza e ambiente, três à legislação policial.
Em 5 de Novembro, realizou-se uma operação direccionada para a fiscalização de trânsito, com incidência na condução sem habilitação legal e sob o efeito do álcool, bem como intercepção/abordagem de suspeitos da prática de crimes. Na operação foram elaborados quatro Autos de Contra-Ordenação.
Nos dias 2, 3, 4 e 5 de Novembro, realizaram-se operações, em diversos concelhos do distrito, para fiscalização aos resíduos, construção e demolição de estruturas, tendo sido fiscalizados 24 veículos, cinco obras e dois produtores. Foram elaborados seis Autos por contra-ordenação.
Na zona de fronteira com Espanha, foram realizadas seis operações no âmbito da fitossanidade florestal, direccionadas para a fiscalização do nemátodo do pinheiro, tendo sido fiscalizados 189 veículos.
O comunicado diz ainda que se registaram 33 acidentes de viação, sendo 18 por colisão, sete por despiste e oito por atropelamento. Dos sinistros resultaram dois feridos graves e seis feridos leves.
No período em apreço, o Núcleo de Programas Especiais do Destacamento Territorial de Pinhel realizou três acções de sensibilização em escolas dos concelhos de Trancoso e Meda, subordinadas aos temas «Prevenção Rodoviária e Cuidados a ter no Caminho de e para a Escola». Estiveram presentes 20 alunos e três professores.
Numa outra vertente, os Núcleos de Programas Especiais dos Destacamentos Territoriais da Guarda, Pinhel, Gouveia e Vilar Formoso, levaram a efeito várias acções de sensibilização, em localidades e Lares de Terceira Idade, dos concelhos da Guarda, Meda, Seia e Figueira de Castelo Rodrigo, inseridas no programa «Apoio 65 –Idosos em Segurança». Estiveram presentes 103 idosos.
plb
Cerca de 70 confrades reuniram ontem, 7 de Novembro, em Lisboa, por ocasião do V Almoço da Confraria do Bucho Raiano, tendo como convidado de honra o Procurador-Geral da República, Juiz Conselheiro Fernando Pinto Monteiro.
As opiniões foram unânimes quanto ao serviço proporcionado pelo Instituto de Acção Social das Forças Armadas (IASFA), que recebeu a Confraria e serviu condignamente o bucho vindo da Rebolosa. No final também houve castanhas assadas, enviadas dos Fóios, por especial deferência do professor José Manuel Campos, presidente da Junta de Freguesia.
Foram cerca de 70 os confrades que aderiram a este almoço de divulgação do bucho e demais enchidos da raia sabugalense, que teve por «mordomo» o confrade Morgado de Carvalho. Para além do excelente almoço, o encontro foi também um alegre momento de convívio e uma oportunidade para o reencontro entre os sabugalenses e amigos das nossas terras.
Fernando Pinto Monteiro aceitou o convite da confraria e esteve presente, apreciando um sabor característico da sua infância e juventude, quando viveu no Sabugal com os pais e irmãos. Aliás o encontro com alguns velhos amigos serviu sobretudo para avivar memórias e contar velhas históricas de amizade e de aventuras. Recordou o tempo da escola tendo como pedagogo o professor Cavaleiro: «um dos meus heróis», disse com um sorriso aberto. Falou ainda nas noites a jogar poker no café do Senhor Abílio e nos dias de verão passados na casa do amigo Canaveira Manso, em Aldeia do Bispo, ocasião em que também se agarrava ao forcão nas capeias arraianas.
Também marcou presença o presidente da Assembleia Municipal do Sabugal, o confrade Ramiro Matos, de resto uma presença habitual nestes almoços. Vinda do Sabugal, a Dr Delfina Leal, vice-presidente da Câmara, representou o executivo municipal, sendo portadora de uma mensagem de amizade e de consideração para com a Confraria do Bucho, atendendo ao papel que tem desempenhado na defesa da gastronomia tradicional.
Foi uma tarde bem passada, no belíssimo palacete que alberga a antiga Cooperativa Militar (agora IASFA), na Rua de S. José. Um espaço com excelentes condições de recepção e de prestação do serviço, a que não foi alheio o empenho do Senhor Chagas, responsável da messe, que dirigiu pessoalmente os trabalhos, garantindo um serviço de excelência, que foi do agrado geral.
O próximo almoço da Confraria será no Sabugal, por ocasião do Entrudo, época do ano em que, tradicionalmente, as famílias se reuniam à volta da mesa para degustar o bucho.
Discurso de Delfina Leal, vice-presidente da Câmara Municipal do Sabugal. Aqui.
plb
Há já alguns anos que a nossa jovem amiga fojeira Petra Fernandes se encontra em S. Tomé e Príncipe como professora cooperante. O seu entusiasmo por aquelas terras e aquelas gentes era bem visível nas conversas que teve comigo quando vinha passar as férias a Portugal. Contagiou-me e resolvi fazer-lhe uma visita. Fui acompanhada da mãe da Petra (como seria de esperar) e da professora Natália.
E lá fomos nós à descoberta de um país que, segundo os que o tinham visitado, era um paraíso.
Aterrámos em S. Tomé numa manhã chuvosa de calor asfixiante. E foi na barafunda de um aeroporto, de aspecto escalavrado e apinhado de vendedores ambulantes, que ouvi o seu nome: Prôfêssora Petra!
Lá estava ela no meio de uns jovens que vendiam ou tentavam vender colares aos turistas
- Vejam lá se não tentam enganar as pessoas.
- Não, Prôfêssora, à sua mãe e às suas amigas não enganamos.
Um respeito e um carinho espantoso por aquela mulher de aspecto frágil, quase de menina, que me comoveu. Esse respeito e carinho constatámo-lo por diversas vezes, tanto por parte dos colegas como dos nativos. Mãe di Petra, mãe di Petra, abençoada sejas! Não levi Petra di nós, ela é nossa, gritavam as vendedeiras do mercado quando passávamos. É que o empenho desta nossa conterrânea em S. Tomé vai muito mais além do que a simples docência para que foi contratada. A acção social desenvolvida pela Petra é bem visível a quem vai lá e causa-nos um profundo orgulho. Conhece os nativos, ajuda-os no que pode, organiza eventos, visita os idosos, vai às roças e teve aulas de Forro, o dialecto dominante, para melhor comunicar com eles.
Obrigada, Petra. Algumas centenas como tu fariam a diferença naquele país.
Falando agora das impressões da nossa viagem, S. Tomé é, de facto, um paraíso quanto às belezas naturais. Tivemos oportunidade de percorrer a ilha de norte a sul, de leste a oeste, no jeep que a Petra pôs à nossa disposição com o nosso motorista, o Leopoldo (ou o Poldo como é conhecido). Um encanto e uma simpatia aquele rapaz tão educado e tão fiel…O Ilhéu das Rolas, as praias, a cascata de S. Nicolau, o Cão Grande e o Cão Pequeno, dois penedos de forma cónica a elevarem-se no céu, a grandiosidade da floresta que nos faz sentir tão pequeninos, os verdes, tantas tonalidades de verde, as roças, principalmente a de Agostinho Neto com o seu grandioso hospital, carris do caminho de ferro e largas avenidas, agora abandonadas pelos antigos senhores, em estado de decadência de fazer dó e onde moram os nativos. Doci, doci, gritavam os miúdos à nossa passagem. E era vê-los a surgir do nada, às dezenas, para receberem um rebuçado ou uma caneta (enquanto duraram…)
Os dias foram aproveitados ao máximo e as noites também. Das diversas actividades desenvolvidas destacamos a festa dos Foios no dia da chegada, um sarau de dança nativa e uma sessão de poesia em que estiveram presentes dois grandes vultos das letras daquele país, Alda do Espírito Santo e Conceição Lima, além de inúmeros convidados. Foi um espectáculo magnífico que me encheu a alma de magia e o coração de contentamento e orgulho, creio que justificado pois coube-me a responsabilidade e o privilégio de ser a principal interveniente na sessão subordinada ao título «À Conversa Com…». E os alunos da Petra sabiam mesmo conversar sobre poesia…
Foram, portanto, sete dias de cansaço e de enriquecimento.
Mas há tanto a fazer para o desenvolvimento de S. Tomé! Faltam estradas, habitações condignas, água potável, saneamento básico, electricidade e…tantas outras coisas.
Para o ano eu volto. Se Deus quiser.
Amélia Rei
Daqui enviamos uma saudação especial à Petra, essa corajosa e empenhada raiana que, longe de casa e do aconchego familiar, ajuda o povo santomense a enveredar pelas vias do desenvolvimento. Uma missão que deixa de resto muito orgulhosos os seus pais, o Quim e a Ramitos, que sempre que vou aos Fóios, ao Eldorado, me falam comovidos na filha ausente.
plb
Manuel Leal Freire é o melhor conhecedor das histórias de sabor raiano. Conhece as tradições, aprecia os gostos gastronómicos e preza a virtude pelo trabalho que caracteriza o povo da raia sabugalense.
Ele mesmo homem do povo, adora movimentar-se no ambiente aldeão, onde encontra o campo predilecto para as suas investidas literárias. Conhecido advogado e escritor, nascido na Bismula, concelho do Sabugal, é um dos grandes mestres do saber popular. Seja na narrativa ou na poesia, há na sua escrita um intenso sabor rural, vindo do âmago da vida do povo, que canta com funda dedicação.
Enquanto jovem examinou as tradições de antanho, conviveu com o povo simples, conheceu as agruras da sua vida, participou em festas e arraias, acompanhou as romarias e embrenhou-se nas fartas pândegas, onde se convivia e comia à tripa forra. Sabe como ninguém o que era a animação dos convivas que se juntavam à roda de um petisco e duma pipa de vinho. Da sua narrativa, de estilo solto, navegando sempre nas vagas da ironia e no humor, saíram inúmeras descrições de patuscadas populares, onde a alegria e a emoção se tornam rainhas.
A prosa de Leal Freire tem o condão de cativar o leitor, nutrindo nele simpatia pelas personagens que descreve e as acções em que estão envolvidas. Cada quadro etnográfico tem os seus paladares, numa sistemática exaltação à gastronomia popular.
Vejamos um exemplo retirado do seu livro «Ribacôa em Contra Luz», que é uma colecção de memórias dos tempos de antigamente, quando o contrabando e a lavoura eram as formas de viver do povo da raia.
A dado ponto descreve uma pândega em Poço Velho, aldeia da primeira linha de fronteira, em tempos idos apetrechada por duas guarnições da Guarda Fiscal, pois era ali forte o apelo ao contrabando. Um jovem pastor entra na taberna, onde se encontra o amo a beberricar numa roda de amigos. «Patrão, sem querer parti a pata do carneiro grande», declarou em voz alta. As palavras do zagal encolerizaram o dono do gado, que irrompeu numa onda de impropérios. Porém a clientela, incluídos os guardas-fiscais que ali tomavam um trago, conseguem conduzir a situação para o melhor campo, contando inclusive com o apoio da tasqueira: o pastor que fosse ao bardo, acabasse com o carneiro e o trouxesse para ali, onde depressa se amanharia para uma boa patuscada.
«E logo ali se combina almoço, jantar e ceia, que, se o carneiro não chegar, há um oferece o queijo, outro uma chouriça (ou um cambulhão delas), outro um naco de lombo, outro dois coelhos bravos ou até dois galos (porque, constava-se, vem aí a morrinha, e vale mais comê-los sãos)…
O entusiasmo substitui a ira e o temor. Pândega graúda requer a presença dos amigos todos. Vai estafeta ao posto de lá prezar a guarnição e levar um toca dentes ao plantão que, coitado, porque de sentinela, não pode largar o posto. Depois, para guardas e famílias, para alguns amos do negócio e consortes, vai ser uma jornada de arrebenta estômagos e fígados.
Deixá-lo, comer e beber até rebentar; depois, jejuar.»
«Sabores Literários», crónica de Paulo Leitão Batista
leitaobatista@gmail.com
Os efeitos da operação «Face Oculta», lançada esta semana pela Polícia Judiciária, levaram a comunicação social a falar dos negócios que o empresário Manuel Godinho, preso preventivamente, fez com várias entidades, dentre as quais a Câmara Municipal do Sabugal, que lhe comprou o imóvel da antiga fábrica da Cristalina no Soito.
Das diversas referências ao negócio de Godinho com a Câmara do Sabugal, transcrevemos ao artigo hoje publicado no Jornal de Notícias, intitulado: «Câmara de Sabugal compra projecto sem concurso».
«A Câmara do Sabugal foi uma das que fez negócios com o principal arguido do processo “Face Oculta”. Manuel Godinho vendeu-lhe a antiga fábrica de refrigerantes Cristalina, com projecto de arquitectura para um centro de negócios. O investimento, de dois milhões de euros, foi aprovado, em 2003, sem concurso público.
A investigação “Face Oculta” terá na mira uma dezena de câmaras, mas foi impossível confirmar se a do Sabugal é uma delas. Fonte local disse que foi no início desta década que Godinho comprou a fábrica à Caixa Geral de Depósitos (era credora da falida Cristalina). Em 2003, o município comprou-lhe o imóvel, sob proposta do vereador do PSD, Manuel Rito, eleito presidente em 2005.
A Câmara propunha-se reabilitar o edifício fabril e incentivar o investimento na vila do Souto, mas teve oposição do então vereador do PS, José Bragança. Este considerava o negócio despropositado, alegando que a autarquia era dona de imóveis degradados, que não recuperava por falta de liquidez.
Sobre o negócio do edifício da Cristalina, que ficara hipotecado pela CGD, devido a empréstimos de Godinho, o Tribunal de Contas só questionou a forma de pagamento: 723 mil euros até a obra ficar pronta; o resto ao longo de dez anos, em dez prestações (fixas) anuais 124 mil euros, sem indexação a qualquer taxa de juro ou inflação.
A venda foi feita pela Manuel J. Godinho – Administrações Prediais. Uma sociedade anónima por onde várias empresas de Godinho faziam passar capitais, antes da sua transferência para uma “offshore”. O esquema, segundo a PJ, servia para ocultar o património de Godinho. Mas, em 2008, Godinho cedeu os seus créditos do negócio do Sabugal à imobiliária Sonabe – detida por primos do autarca Manuel Rito -, que instruiu a Câmara para passar a creditar as prestações no BCP».
plb

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