Damos continuidade à apresentação do léxico com as palavras e expressões populares usadas na raia ribacudana.

CASEIRÃO – indivíduo natural da Moita.
CASETA – casa tosca, com uma simples cobertura, imprópria para habitação. Assim se chamava aos postos de sentinela junto à fronteira. No caminho de Aldeia da Ponte para Albergaria de Aragan havia junto à fronteira, do lado espanhol,uma dessas construções, a que os contrabandistas chamavam precisamente «a caseta».
CASIBEQUE – casaco curto; casa pequena (Júlio António Borges).
CASINHOLO – casa pequena e pobre.
CASINHOTO – o m. q. casinholo.
CASQUETA – boina – termo da gíria de Quadrazais (Franklim Costa Braga).
CASQUEIRO – pão. Chapéu velho de uso diário (Vítor Pereira Neves).
CASTANHA PILADA – castanha seca no caniço.
CASTANHA PISADA – o m. q. castanha pilada (Clarinda Azevedo Maia).
CASTANHEIRO – caule da batateira (Malcata).
CASTANHEIRO A ABRIR – castanheiro cujos ouriços «sorriem», deixando ver as castanhas.
CASTANHEIRO A CAIR – castanheiro em que as castanhas já caem dos ouriços.
CASTÃO – ponta metálica do fuso (Clarinda Azevedo Maia – Fóios).
CASTELHANA – faúlha; fanisca (Manuel Leal Freire). Clarinda Azevedo Maia registou, nas Batocas, o masculino, castelhano, com o mesmo sentido. Também se diz chispa.
CASTELOS – parte recortada da canga, por onde passa o tamoeiro. Nas Batocas dizem castalhos (Clarinda Azevedo Maia).
CASTIÇO – forte, bem constituído.
CASTIGAR – aceitar imediatamente, no decurso de um negócio, o preço pedido pelo vendedor para se evitar que o mesmo suba. «Nem regateou, castigou-me logo pelo que lhe pedi» (Abel Saraiva).
CASTRÃO – ponta metálica do fuso, à qual se prende a ponta do fio de linho. O m. q. castão.
CASULEIRO – peça do tear, na forma de uma caixa rectangular com vários compartimentos iguais, onde se introduzem os novelos de linho.
CASULO – interior da maçaroca de milho a que estão agarrados os grãos. O m. q. canudo.
CATA – pesquisa; busca. Fui à cata dele.
CATANCHO – interjeição, que indica admiração, o m. q. arre diacho!.
CATANO – interjeição que indica admiração, espanto, contrariedade, ira. Ah catano. Também se usa catancho.
CATAR – procurar. Matar piolhos e lêndeas com as unhas.
CATARRAL – tosse muito forte; bronquite aguda com expectoração abundante.
CATARRO – barulho; conversa fiada. Tens é catarro.
CATATUM – cabeça no ar; distraído (Júlio António Borges).
CATELA – bebedeira (Júlio António Borges).
CATERVA – grande quantidade; multidão; bando. Mais a Sul (Monsanto) diz-se catrefa (Maria Leonor Buescu).
CATITA – bem arranjado; bem vestido.
CATORZADA – grande quantidade; multidão; o m. q. caterva.
CATRAÇO – grande pedaço (Júlio António Borges).
CATRAIO – garoto; rapazola.
CATRAMEÇO – fatia grossa de pão (Júlio António Borges).
CATRAMOIÇO – pessoa pesada (Júlio António Borges).
CATRAPÃO – burro tropeçudo, de mau andar.
CATRAPISCAR – piscar o olho a alguém.
CATRAPÓ – pessoa mal feita; animal velho, que já troca as patas (Júlio António Borges).
CATRAPUZ – trote de cavalo; expressão que assinala uma queda (onomatopeia).
CATRAVADA – grande quantidade; o m. q. caterva.
CATRE – cama de ferro.
CATRINO – interjeição que indica admiração, espanto, ira. Diabo. O m. q. catano ou catancho.
CATROIO – cavalo – termo da gíria de Quadrazais (Nuno de Montemor).
CATROLO – fatroco; grande naco de pão (Júlio Silva Marques).
CATRUZADA – quantidade elevada e indiscriminada (Júlio Silva Marques). O m. q. catorzada.
CATUNTO – bêbedo (Rapoula do Côa).
CATURNOS – meias de calçar os pés (Franklim Costa Braga, Clarinda Azevedo Maia).
CAVADA – sorte; porção de terra para cultivo de cereais, proveniente do arroteamento de moitas (Duardo Neves).
CAVALEIRO – pau móvel da burra de augar (termo muito usado mais a Sul, nas terras do Campo – Maria Leonor Buescu). Indivíduo natural de Vale de Espinho.
CAVALINHO DE NOSSO SENHOR – libelinha.
CAVALITAS – costas. Andar às cavalitas. Também se diz burricas. Júlio Silva Marques regista com o mesmo sentido: andar ao carrapacho (escarrapachado no pescoço). Duardo Neves regista por sua vez: andar à carantonha.
CAVALO – tronco onde se enxerta, juntando-lhe o garfo.
CAVALO DE PARADA – cavalo de cobrição (Clarinda Azevedo Maia).
CAVALO DE SETE MOEDAS – mulher espampanante, que se exibe muito (Vítor Pereira Neves).
CAVALO INTEIRO – cavalo que não está capado; de cobrição (Clarinda Azevedo Maia – Lageosa). O m. q. cavalo de parada.
CAVALO-MARINHO – chicote
CAVANIR – fugir; pôr-se ao fresco (de cavar). Júlio Silva Marques refere cabanir.
(Continua…)
Paulo Leitão Batista, «O falar de Riba Côa»

leitaobatista@gmail.com

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