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O Doutor Tavares de Melo – o Morgado de Santo Amaro – foi o maior de entre os proprietários do concelho do Sabugal.

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaTive o grato prazer de lidar muito de perto com aquele grande terratenente e de ser seu seu comensal ao longo dos anos por que vivi na cidade de Castelo Branco.
O Morgado tinha sempre a mesa posta para os correligionários amigos – mesa fartíssima e muito portuguesa.
E eu – com o meu particularíssimo amigo Henrique de Atahyde, quando nos apetecia lá íamos de longada até Santo Amaro usar da hospitalidade do velho fidalgo e receber uma lição de portugalidade.
Tavares de Melo ultrapassara já a casa dos noventa, mas mantinha-se aprumado, alto e direito como um ferro pedral.
E com uma enorme lucidez, apenas traída por uma arreliadora falha de memória para nomes.
Estranhamente não se recordava do nome de Salazar, então nosso todo poderoso primeiro-ministro, que assinalava como o contabilista que manda de Lisboa.
Mas discreteava sobre o Integralismo Lusitano e a Nobiliarquia Portuguesa.
O meu companheiro Henrique de Atahyde era mais monárquico que o Senhor Dom Duarte e tinha um nome ainda mais extenso do que o dos pretendentes à Coroa de Portugal. Com efeito, assinava-se ele Henrique Manuel da Senna Bello Queirós Pinto de Atahide de Serpa e Mello e não sei quantos antropónimos mais, rematando em Tavares Geraldes.
Com o nosso anfitrião usava os eónimos Tavares e Mello. MELLO sem dom, prova de grande filhamento e TAVARES devia ser TAVAREZ como aquele Tavarez Rombo armado cavaleiro com Dom Afonso Henriques em Zamora.
E não se desdenhava sequer do ónimo GIRALDES que ressumava ao Sem Pavor, redimido de quadrilheiro pela integração de Évora no património régio…
Assim, em amena e folgosa cavaqueira, se passavam as copiosas banqueteações.
Algumas vezes, ali assistimos à passagem das ovelhas que em transumância desciam das cumeadas da Estrela para as campanhas do Almurtão.
O Morgado organizava uma espécie de serões para trabalhadores em homenagem aos zagais da mesta. Até com a contratação de robertos.
E uma das cubas grandes da ampla adega levava grande míngua.
Mas o Morgado rejubilava.
E título e quinta afamavam-se. Aliás, até economicamente a opção rendia. No tríduo da festarola, os rebanhos deixavam nas veigas uma forte adubadela, que bem seria paga pelos batatais, ajudando a uma maior produção e ainda à qualidade do produto.
Batatas boas são as das três «itas» – terra granita, água granita e caganita.
A Quinta produzia milhões que não apenas milhares de arrobas. Como também se alçapremava a todas as outras em cântaros de azeite.
De resto, o nome era-me familiar desde os verdes anos pela apanha da azeitona.
Um casal meu vizinho – Joaquim Carreto e Maria Antónia Neto, morando embora a fartas léguas de Santo Amaro, porque eram parentes de um dos feitores do Morgado, na sazão aparelhavam o burro e rumavam para a apanha.
Voltavam com o animal a ajoujar sob a carga de azeite e azeitona com que os mimoseavam, retribuindo bem o trabalho.
E gababam a hospitalidade do bom fidalgo, cuja fama voava por uma outra razão.
Fora um dos primeiros portugueses a possuir automóvel. Logo na primeira década de mil e novecentos.
Ao mesmo tempo que um Bragança, irmão de Dom Carlos, o Dom António, que ficou conhecido por o Arreda – por gritar ao povo, quando passava tripulando o bólide – arreda, arreda
«O concelho», história e etnografia das terras sabugalenses, por Manuel Leal Freire

Uma coisa são as quintas que rodeiam o Casteleiro e de que hoje aqui falo e outra os lugares muito famosos de boa produção agrícola em torno da aldeia: a Ribeira da Cal, os Lagares, a Serra, as Cruzes, a Estrada – esses são bons locais de cultivo e muito famosos. Mas não eram habitados. Nas quintas, além de boa agricultura, havia e há casas com gente dentro…

Trago hoje aqui uma referência a lugarejos habitados e cultivados que faziam boa parte da riqueza agrícola da minha aldeia. Hoje ainda têm gente, mas a agricultura intensiva já foi. Estamos na era do quanto menos melhor – ou quase isso.

Gralhais
As quintas de Gralhais distam do Casteleiro uns 10 km, se não me engano. Hoje vai-se de carro. Mas de há 10 anos para trás, nem pensar. Ia-se a pé, levavam-se os burros e os carros de vacas e nada mais. No Casteleiro nunca houve muitas carroças. Duas ou três. E não tenho a ideia de que alguém com carroça fosse até Gralhais. Esta quinta fica no extremo da nossa freguesia em direcção aos e confina com a Benquerença e os Três Povos.
Era uma área de terrenos cultiváveis e muito produtivos. Tenho a ideia de que desde o centeio ao milho, das melancias ao tomate ali havia de tudo em grandes quantidades. Ah, e o vinho e o azeite: muito e bom. E água sempre abundante para regar tudo.

Vila Mimosa
A quinta a que sempre se chamou Vila Mimosa fica mesmo à saída do Casteleiro, na direcção de Caria, um pouco desviada da estrada nacional (500 metros). O Dr. Joaquim Guerra e a Dona Maria do Céu foram a geração de que me lembro e que deram vida a esta unidade agro-industrial (tinham lavoura farta, lagares de azeite e lagares de vinho de grande nomeada).

Quintas do Anascer
Esta anexa sempre foi muito marginal e se calhar marginalizada. Algumas famílias ali fazem (faziam) a sua vida agrícola. Do Casteleiro também alguns proprietários se deslocavam para o Anascer duas a três vezes por semana para cultivarem os seus longínquos terrenos, mas bastante férteis.

Valverdinho
É a quinta mais afastada em direcção a Caria. Tínhamos muito pouco contacto com Valverdinho. O que mais se sabia era que meia dúzia de pessoas ali davam o seu contributo para que os terrenos e os gados vingassem.

Carrola
Não será bem uma quinta, acho eu. É mais uma espécie de pequenino agregado, com meia dúzia de casas habitadas e com terrenos bem férteis e muito bem tratados. Ainda hoje perduram essas casas habitadas – o que dá a ideia da força daquelas famílias. Tenho ali bons amigos de toda a vida que devo elogiar.

Santo Amaro
Deixo para o fim uns apontamentos sobre a Quinta e o Morgado de Santo Amaro, cujo brasão se publica. Cresci convencido de que o Dr. Eduardo Tavares de Melo da Costa Lobo era descendente do Marquês de Pombal (Sebastião José de Carvalho e Melo). Hoje, não consigo afirmá-lo. Por várias vezes tentei confirmar ou infirmar essa convicção. Sem sucesso. Fica o registo.
Sobre o Morgado, há que dizer pelo menos que na sua Quinta muita gente do Casteleiro trabalhou, sempre com ordenados baixinhos, como era norma nessa época. Mas dava trabalho. Na rega, nas ceifas, na azeitona, nas sementeiras, no cultivo, em geral. Cereais e milho «eram mato» por aquelas bandas. Uma zona de muita, muita água. Havia sempre uma dezena de trabalhadores do Casteleiro na Quinta de Santo Amaro. Que nesse tempo era enorme. Hoje, reduzida a um terço, ainda é muito grande: vai da Ribeira da Cal até à Catraia.
A pessoa do Morgado era, segundo dizem, divertida. Imagino que fosse um grande «bon vivant». E eventualmente, aquilo que nos anos 70 chamaríamos um «play boy».
Em 1905 compra um carro que era muito moderno para a altura. E meteu-se na máquina, viajou por essa Europa fora. Tinha a carta nº 1 do Automóvel Clube de Portugal (as cartas nesse tempo eram reconhecidas pelo ACP).
Depois de quase 2 000 km, chega à Bélgica e… passa para a Flandres. Na outra parte da Bélgica, como se falava e fala francês, ele ainda se desenrascava. Mas depois, quando chegou à região onde lhe falavam flamengo… veio-se embora. Mais tarde, a contar por que é que se veio embora, sai-se com esta para um amigo:
– Vim-me embora porque pensei cá para mim: «Aqui me ladram, além me mordem».
Assim era a personalidade de Tavares de Melo, o Morgado de Santo Amaro.
«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

JOAQUIM SAPINHO

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