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O solipsismo (do latim solus + ipse , só mesmo) é o conceito filosófico com que se designa toda a doutrina segundo a qual é impossível ir mais além da própria consciência, no que resulta a impossibilidade de conhecer algo mais do que o próprio “eu”, considerando-se a única realidade evidente e absoluta. Tornou-se famosa com René Descartes (filósofo francês, 1596-1650). Pode caricaturar-se como se se vivesse numa caixa fechada, e tudo isso fosse a realidade.

Esta doutrina assaltou-me o pensamento ouvindo o Primeiro-Ministro na Madeira, onde foi depois de uma negociata às escuras entre o governo central e o governo regional, com mais um cheque aquele para este, com a certeza de que deve ser para pagar mais uma megalómana iluminação de Natal e o fogo de artifício na passagem de ano. Mas ouvindo-o, colocando aquele ar de que, é ele e o seu governo a salvação da pátria, pensei que todas aquelas convicções deveriam caber unicamente na tal caixa fechada. A crença, porque só pode ser crença, num orçamento que todos consideram irrealista e, portanto, no cumprimento das metas aí estipuladas, cai por terra quando olhamos para o orçamento de 2012, quando se prepara mais um orçamento rectificativo. E este é já o segundo ou terceiro este ano! Haverá confiança para que o do próximo ano não se passe o mesmo? O mesmo solipsismo transbordou na entrevista que o primeiro-Ministro concedeu a uma televisão privada. Dessa entrevista não saiu nada que possa dar um mínimo de esperança aos portugueses. O Primeiro-Ministro falou de uma realidade que só existe na sua caixa. Para o país real (como se gosta de chamar ao país das pessoas cá no burgo) não houve uma palavra que apontasse um abjectivo. Não contrariou a observação do entrevistador quando o confrontou com o facto de que o país vai chegar ao fim do memorando mais fortes mas mais pobres, não respondendo à questão essencial, que sociedade seremos no final do cumprimento do memorando. Limitou-se a um discurso redondo e vazio. Confirmando que todos os sacrifícios que nos estão a ser pedidos, servem para podermos ir aos mercados mais cedo, mas não apontando um único benefício do uso do dinheiro que tem cortado aos trabalhadores. Confessando que todas a previsões do governo têm falhado, desculpando-se com o simplismo de que eram previsões. Pois… Definitivamente, o governo vive em solipsismo. Acredita que a sua receita está certa, quando os números mostram que errou em toda a linha, e para o demonstrar, insiste na receita. “Chegaremos lá vivos. Mas será muito difícil!”, foi com estas palavras de esperança que o Primeiro-Ministro terminou a entrevista. Que consolo!! Mas aqui o governo deve ser entendido não como um todo, mas parte. Pois o partido mais pequeno da coligação demonstrou claramente que está incomodado, disse-o e protestou. Resultado: foi ignorado. Provando-se que o CDS, nesta coligação, vale nada. Se não é, parece que está ali para usufruir do poder pelo poder, permitindo ao seu líder, pavonear-se pelo mundo fora e, a mais uns quantos, manter-se nos corredores do poder. Porque governar, influenciar a governação, decidir, zero. A aprovação deste orçamento provou-o.
Este orçamento é assassino. Contudo o governo espera que a realidade se adeque às suas teorias e receitas. Considerando estas a realidade. É solipsismo.

P.S. O governo decretou tolerância de ponto nos dias 24 e 31 de Dezembro (quanto a mim bem). Para quem acabou com os feriados históricos e religiosos (também eles históricos), acusando os portugueses de trabalharem pouco e de Portugal ter demasiados feriados vem, agora, procurar parecer benevolente e simpático. Precisamente agora, quando nos brinda com um orçamento que nos levará à miséria. É um presente de desconfiar.
P.S. Alguém explica ao senhor Primeiro-Ministro que o ensino é obrigatório e gratuito, preto no branco na Constituição, até ao 12º ano, portanto não pode ser pago!

«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

O Orçamento aí está. Indisfarçavelmente, um orçamento, a que todos apontam defeitos, ausências e a sua não exequibilidade, por um lado (todos os lados), por outro, um governo que teima no que sim, que é exequível, porque sim.

Seria normal, se não fosse, a aparente, paternidade desconhecida. Aqui, caro leitor, escolha o pai que quiser. Pois, pelos vistos, surgiram e surgem vários pais para este orçamento. Contudo, ele aí está. Com uma única conclusão, o aumento brutal de impostos, cortes na acção social e no esvaziamento do estado pelo país fora. Portanto, o empobrecimento da população anunciada por lei. Eis o plano do governo! Nenhum estímulo para a economia, nenhum plano para a sociedade, nenhuma ideia para o país. Não ouço o primeiro-ministro anunciar nenhum programa que nos diga que sociedade seremos e num prazo credível. Um orçamento vazio e que nos esvazia. Um orçamento que só cria desilusão não pode ser um bom orçamento.
Nestes dias, veio o sr. Presidente da República, num daqueles discursos em que nos pretende fazer crer que se encontra na contemplação do Olimpo, anunciar que “é preciso ultrapassar o estigma que afastou Portugal do mar, agricultura e a indústria”. Mas não foi este senhor, então primeiro-ministro, que decretou a morte da frota pesqueira, o abandono da agricultura e da produção industrial, a troco de uns milhões da então comunidade europeia? Deveria anunciar, primeiro, um mea culpa público e, sim, depois alertar que devemos, sim senhor, apostar no mar, na produção agrícola e industrial. Mas sem assumir responsabilidades, todos estes anúncios soam de forma farisaica.
O mesmo som é-nos trazido da Europa. Não do continente, mas dessa europa que se diz união, mas que se tem revelado tudo menos tal. A prova-lo, aí está a discussão para o orçamento europeu. É um regabofe de opiniões, de palpites e de defesa do quinhão de cada um. A palavra solidariedade foi varrida da sala. Sala de onde ressalta à vista a insignificância da comissão europeia e onde a vontade dos mais fortes dita lei. Precisamente o que a tal união queria evitar. E desta forma, manda a Alemanha, mesmo que depois de, no último século, ter sido resgatada várias vezes. Baia união!
Entretanto, Portugal, viu sair do país cerca cem mil portugueses. E vem-me à memória aquela canção dos anos 60/70, «ei-los que partem novos e velhos…». A diferença, é que naquele tempo ia-se a salto, agora, vai-se assaltado. Dir-se-á que a História se repete, mas aqui, são os homens que a fazem repetir. E, sendo assim, então os homens não aprendem.
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

A recente e fugaz visita da sra. Merkl a Portugal, revestiu-se de um aparato policial e militar terceiro mundista. Foi um espectáculo nunca visto pela capital cá do burgo. Com medo de quê? De que ela visse o povo que protestava nas ruas? Pela miséria já não escondida nem calada das portuguesas e dos portugueses?

Sinceramente, não compreendi tanta medida de segurança, quando se apregoa que somos um povo sereno, de brandos costumes. Mas o facto, é que a senhora esteve por cá. Esteve com o Primeiro-Ministro e com o Presidente da República. Ao primeiro, veio dar umas palmadinhas nas costas, como bom menino que é, num apoio a uma política que nos levará andar com as calças na mão. Num rumo sem esperança. Num programa em que ninguém acredita. Se a ideia era a de reforçar a legitimidade das políticas do governo, a verdade é que é um flop. Ninguém acredita na senhora. A sua visita ficou logo esvaziada na entrevista que deu à RTP. Deixou aí claro que, politicamente, nada viria alterar ou propor. Dizer que o governo está a cumprir com o memorando, não precisava de cá vir, nós sabemo-lo. Até está a cumprir mais do que o memorando! Portanto, a sua visita foi a de, ao estilo imperial, vir visitar um protectorado, mostrar quem manda. Foi visível o estilo submissivo do primeiro-ministro, quer na pose, quer no discurso. E para a submissão não ser monocolor, a tradução do alemão para português era feita em… brasileiro!!! Bom, a senhora veio cá almoçar um bom cabrito e trouxe com ela uma série de empresários. Estes vieram cheirar, como abutres, as empresas que se podem “comer” facilmente. Não sou contra investimento estrangeiro, obviamente, mas esta visita parece isso exactamente. Este encontro poderia perfeitamente acontecer sob o patrocínio da Associação luso-alemã ou da embaixada da Alemanha. Mas não. Ela acontece com a visita da chefe. Chefe deles (alemães) e dos nossos (portugueses). Portanto, qual a importância desta visita? Empresarialmente, apoio à formação profissional, deve ser para formar os emigrantes para lá, politicamente, zero. Esta visita serviu para confirmar que a Europa, nada tem de novo para responder aos desafios que se lhe deparam. As medidas que teimosamente tem aplicado não têm dado resultado e, todavia, insiste-se nelas. Não sei se por fé ou por não querer assumir o erro, o falhanço, das políticas seguidas. O facto é que a Europa se encontra à beira da cisão. E muito por culpa dos ditames desta senhora.
Ao governo, se não quer continuar, que se renda. Mas que o faça com dignidade. Mas que não ande por aí submisso. Porque, para isso, tire a bandeirinha da lapela, não a envergonhe.

P.S.1 Lamentáveis as afirmações do primeiro-ministro, felicitando os que foram trabalhar em dia de greve geral. Pode pensar dessa forma, ser contra o direito á greve, mas ela é constitucional e o senhor governa segundo essa constituição. O mesmo do senhor Presidente da República, vir dizer que «hoje até estive a trabalhar» (recebeu o presidente da Colômbia), afirmando, com ar enfadado, que a greve era um direito constitucional. Que chatice! Não é?

P.S.2 Está por cá a troika e encontrou-se com os partidos. Desconcertante, os comentários no final. Para a esquerda, a troika nada muda, para a direita, a troika mostrou muita abertura para mudar algumas coisas. Afinal, como é que ficamos? Ou a troika diz uma coisa a uns e outra a outros, ou alguém mente!
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

Tem continuado esta semana a saga da «refundação» do estado, com argumento do governo e tendo como protagonistas Passos Coelho e António José Seguro.

Esta história da refundação do estado, desculpem, refundação do estado não, só refundação das funções do estado, surge num tempo e num contexto improváveis. Surge, apresentado pelo Primeiro-Ministro, numas jornadas parlamentares da sua maioria, dois dias antes da apresentação do Orçamento do Estado. Não foi explicado nenhum pormenor desse peregrino plano de refundação nem aí, aos seus correligionários, nem ao país. E, o convite público ao PS, soou a convite envenenado. A forma como este governo tem apresentado as suas ideias tem sido de uma forma tão desastrada, que chego acreditar que há ali uma barreira entre o que pensam e o que se transmite. Era bem melhor estarem a pagar a um profissional de comunicação do que ao tal conselheiro para as privatizações… O facto é que, todas as medidas que o governo toma e vem publicamente apresentar, assemelham-se a um elefante numa loja de porcelanas. Se a ideia era um debate ou, como gostam de lhe chamar cá no burgo, um pacto de regime, faria sentido propô-lo á Assembleia da República. Dessa forma, traria para a opinião pública, um debate que tem que ser público. E aqui, seria interessante debater qual o verdadeiro mandato de que um governo é empossado. Reparem (e serve somente como exemplo), o governo nunca é apresentado antes, ele não sai dos deputados que são eleitos e, quando se tornam governos, nunca implementam o programa com que se apresentaram a eleições. E, contudo, falam em nome do povo, da vontade do povo e da sua legitimidade para tomarem decisões mesmo contra aquilo que apregoavam e com o qual foram eleitos. Legitimidade? Qual? E dada por quem? Neste aspecto, a lei do poder autárquico é mais verdadeira. E no entanto é nesta que querem mexer! Porque será?
A refundação de que tem falado este governo mais não é do que o fim do estado. Não falta muito. Vão fechando asa escolas e os centros de saúde. Fecham os correios. Fecham os tribunais. O estado está cada vez menos presente. Deixando as populações ao abandono. E, contudo, ainda nos pedem mais impostos! Para quê? Para Quem? Se já não existe estado na maior parte do território nacional?
E tudo isto surge num tempo de penúria e no momento da apresentação do orçamento. O que pretendia o governo? Se não introduziu o item no orçamento é porque não pode, se o compromisso é com a troika, então deveria ter avisado o país antes. Se… o facto é que este governo é habitual comprometer-se e, depois, é que vem com o discurso lamechas de que tem que ser, é necessário e tal coisa e tal. Quando se lhe pergunta porquê, então, depois de muitas voltas, lá confessa que se comprometeu. O mal, é que não se compromete com os portugueses. E era com estes que deveria estar comprometido.
Ora, faz bem o PS em não alinhar com o governo nessa da refundação, não porque se sinta melindrado com as formalidades, mas, essencialmente, porque seria uma brecha na matriz do partido socialista e um retrocesso civilizacional. Lembro-me de uma frase de um filme, “ a civilização está em ruina, logo agora quando mais precisávamos dela”.
É preciso cortar despesas no despesismo do estado? Inevitavelmente. Mas por que, sempre que se fala em cortar despesas, elas são sempre na saúde, na educação e na acção social? Não há outras áreas em que esses cortes podem ser feitos? Claro que há! Mas aí estão metidos os interesses corporativistas, dos amigos e dos financiadores de campanhas…
Passaremos as próximas semanas acompanhar esta novela da refundação, cujo objecto são quatro mil milhões de euros. Agora, e para já, com mais um laivo da teimosia do Primeiro-Ministro, após a nega do Seguro.
Entretanto, vejam bem, num momento em que nos são apresentadas diariamente restrições, austeridade, pobreza, despedimentos, dificuldades de toda a ordem, emigração… o sr. Silva (Presidente da República), depois de estar calado desde a borrada do 5 de Outubro e de ter “falado” via facebooK, apareceu para comentar a austeridade na inauguração de um hotel de luxo! Ficava-lhe bem um certo pudor. Poderia mandar o ministro da economia, outra pessoa, mas ele deveria comedir-se, porque o luxo destoa com austeridade e com a miséria que grassa pela sociedade portuguesa. E que disse ele? Disse que não se deixava pressionar acerca do Orçamento de Estado! E precisa sr. Presidente?

P.S. Saúdo a reeleição do Presidente Barac Obama. É uma excelente notícia para o mundo.
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

Decorreram no passado fim-de-semana, no Sabugal, as jornadas subordinadas ao tema «Pensar a touromaquia em Portugal – diversidade, valorização, sinergias». O programa era vasto e o tema motivador, multiplicando o interesse. Interesse este, que não ficou defraudado com intervenções inteligentes e, permitam-me, aficionadas.

Logicamente que a questão central se centrava na capeia arraiana, mesmo que tal não fosse propriamente a génese das jornadas. Contudo (e era inevitável), o interesse estava naquela que é a maior manifestação cultural do concelho do Sabugal. E sendo assim, o primeiro apontamento que registo é o facto das autodenominadas onze freguesias onde se realizam capeias arraianas, não terem estado presentes praticamente nenhum Presidente de Junta de Freguesia (creio que estiveram dois!). E aqui, perdoem-me a franqueza, mostra como tratamos aquilo que é nosso. Sabiam que a capeia arraiana é património cultural imaterial nacional? E que é o primeiro e único registo deste tipo? Como podem estar preparados para rentabilizar, dinamizar, preservar e desenvolver esta tradição e este fenómeno? Não podem. E não podem porque não sabem e nem se preocupam em saber. Perderam uma excelente oportunidade de se informarem, de tirar dúvidas e de exporem preocupações. Lamento. Também um apontamento para a ausência de gente e de aficionados. A sala apresentou-se demasiado vazia. E podemos tirar algumas conclusões; ou desinteresse, ou deficiente publicitação ou data da realização inadequada (uma sexta-feira é sempre complicado). Todas elas podem estar certas. Mas confesso, desejo que não seja o desinteresse o que tenha motivado tamanha ausência de gente.
As intervenções foram, todas elas, de grande qualidade. Desde as intervenções mais técnicas às mais substantivas historicamente. Intervenções empenhadas e que foram muito além do discurso racional. Demonstrando, também ali, que a relação com o touro é, essencialmente, paixão. E é a paixão pela capeia arraiana que me leva a outro apontamento, o pouco tempo que houve para o debate. Sei que o programa era apertado, vasto, o que não dava muita margem de manobra. Mas… faltou um diálogo mais profundo sobre a capeia. Pois era esse o principal objectivo das pessoas que ali foram. O que me leva, também, á espectativa da realização de mais eventos sobre o tema e deste calibre.
Só uma curiosidade, de todos os concelhos que estiveram representados e com manifestações taurinas, todas elas têm eventos na própria sede de concelho, menos o Sabugal. Mera curiosidade…
Não deixo de manifestar as minhas felicitações para a e pela realização destas jornadas.
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

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O título desta crónica foi pedido emprestado ao professor Adriano Moreira que, na segunda-feira, proferiu uma lição de filosofia política, aquando da realização de um congresso sobre economia organizado pela Antena 1.

A verdade, é que grassa pelo mundo uma anarquia política assente numa visão económica sem regras nem controlo. As democracias estão a ser subvertidas por princípios que a põem em causa. As nações são governadas por gente que não foi eleita, obscura e incógnita. Aliás, tenho aqui referido que, a escolha do elenco governativo, deveria ser conhecido antes das eleições e não depois. Esta subversão dos princípios democráticos tem conduzido o mundo (pelo menos o mundo ocidental) para um colapso das sociedades. Dizia o Professor, que é preciso que se imponha o poder da palavra contra a palavra do poder. Para que, desta forma, seja o povo a erguer-se para que se possa controlar esta anarquia. Os governos devem governar para as pessoas e com as pessoas. Hoje em dia as pessoas foram substituídas por números e governa-se para os agiotas.
Vamos imaginar que cada cidadão português quer ir para o governo para poder pagar a formação que o país lhe proporcionou Grande parte da população estaria no governo. Pois bem, foi este o argumento que o ministro das finanças apresentou para a sua presença no governo (não seria melhor que pegasse no dinheiro e, com juros, o entregasse ao estado?). Parece-me de uma pobreza tacanha que um governante apresente esta justificação para fazer parte de um governo. Ao mesmo tempo, percebe-se agora, o porquê do seguimento de uma política que tem levado os portugueses a um empobrecimento gradual. Este ministro está a vingar-se de o termos formado tão mal! Reparem que, ao final de um ano, toda a linha política financeira seguida tem levado a lado nenhum. Todos os sacrifícios pedidos – e para os quais a população se prestou a fazer, tomando de boa-fé os objectivos – têm saído completamente furados. Contudo, a receita não só não é posta de lado, como ainda é reforçada. Até aqui, a desculpa, era o cumprimento de um tal memorando. Agora sabemos que tal não é verdade. Pois as medidas aí previstas têm vindo a ser invertidas. O governo quis ir mais além, até aqui nada de mal viria ao mundo se, efectivamente, os resultados fossem os propostos. Mas a troika pedia que fossem dois terços de corte nas despesas e um terço na receita fiscal. O governo fez precisamente o contrário. E mesmo assim, os resultados não aparecem. E não aparecem porque a linha seguida tem levado a uma contração na receita. Aprende-se em economia e finanças que o aumento de impostos só leva a um efectivo recolher de receita até um determinado ponto. A partir daí, por mais que se aumentem os impostos, essa receita diminui. Ora, o que este governo está a fazer, é precisamente insistir numa receita que, em vez de aumentar a receita, tem levado à sua diminuição. Não havendo consumo, não havendo transações comerciais, não pode haver pagamento de impostos. Levando a um bloqueio económico e, em consequência, ao vazio de receitas, quer para o estado, quer para as empresas e para as famílias. Pois este Orçamento de Estado agora apresentado é, precisamente, o retrato do que acabo de dizer. Poderia ser somente uma opinião minha (assumidamente leigo nessa sacrossanta matéria que são as finanças), mas ela é partilhada por, praticamente, toda a gente (menos pelo ministro pardo, António Borges, que, mais uma vez, vem defender o aprendiz. Já repararam que andam os dois a elogiar-se um ao outro sistematicamente? Porque será?). Lembra-me a velha história do soldado que, marchando em sentido contrário aos demais, pensa que são os outros que estão marchar ao contrário. Este OE levará ao colapso da economia nacional, ao aumento de pobres em Portugal, ao regresso à miséria e, no final, ao fim do país. Só que, nessa altura, o senhor ministro das finanças, voltará para o seu excelente emprego em Bruxelas, e não haverá quem queira ficar com este retângulo «à beira mar plantado». É altura de lhe dizerem que têm que ser as teorias económicas adaptarem-se à realidade e não o contrário. Desta forma, lamento dizer-lhe que, a realidade é bem diferente da dos gabinetes majestosos (que nós pagamos), onde estes biltres se entretêm a jogar uma espécie de monopólio. Mas, bastaria que se percebesse, se tivéssemos políticos a sério e não uma cambada de incompetentes, que este OE está, não só arruinar o país pela via fiscal, como o está arruinar pela via política. Ele será a causa de uma crise política, a começar pela coligação governamental, vejam que há ainda pouco tempo esteva à beira da rotura por causa da TSU, como parlamentar. O PSD diz que este orçamento não é deles, o CDS diz o mesmo, ou melhor, cala-se, dizendo no Parlamento que o «orçamento é de Portugal» (João Almeida dixit), sacudindo ambos a água do capote. Afinal, de quem é este orçamento? Uma garantia, meu não é de certeza. Nem dos milhares que, consecutivamente, se têm manifestado.
Este governo não sabe para onde vai e, pelos vistos, nem sabe de onde vem. A prova é que o senhor primeiro-ministro (o tal do custe o que custar) começa sibilinamente a dizer que se quer ir embora. Há bem pouco tempo empertigava-se, recorrendo a todos os truques, para se colocar no poleiro.
Era bom que houvesse tino e vergonha. Por isso, a lição do Professor Adriano Moreira foi um raio de luz da razão, de sapiência e de bom senso. Já são poucos. No seu partido, nenhum.

P.S.1 A história da Sabugal + parece-me a história da pescada, antes de o ser já o era!

P.S.2 Ao fim da quarta revisão do mapa judicial, foi decidido que o tribunal de Almodôvar vai continuar. Primeiro era o de Mértola que ficava, depois nem um nem outro, agora o de Almodôvar. Esta é a única câmara PSD no baixo Alentejo. Coincidência? Mais, o tribunal de Mesão Frio vai fechar, contudo o ministério anda em obras de melhoria no edifício que rondam os 150 000 euros (digo rondam, porque sabemos como são as contas nestas coisas do estado). É de bradar.
É esta a seriedade do mapa judicial e desta ministra.

«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

A temática da capeia arraiana tem vindo a ser reflectida em textos belíssimos neste espaço por variadas personalidades. Desde a sua génese até aos nossos dias, temos tentado explicá-lo. Talvez seja este o erro da nossa reflexão. A capeia talvez não se explique e, tão somente, se sinta. Talvez, por isso, seja muito mais fácil entender a capeia arraiana quando se está lá. Pegando, afoliando, assistindo.

Capeia Arraiana no Soito

Não procuro, nem tão pouco esta crónica, explicar – se me permitem – cientificamente, o fenómeno da capeia arraiana. O que motiva esta escrita, para além do interesse próprio e suspeito, foram os vários textos e notícias que tenho lido nos últimos tempos. E não perco de vista essas jornadas touromáquicas que se vão realizar brevemente. Assim, parece-me perfeitamente plausível e natural que a origem da capeia esteja numa manifestação de culto religioso. O touro foi, desde sempre, um animal associado à divindade. Neste sentido (e no sentido da linguagem actual) é uma manifestação pagã. Sabemos que muitas das festas, hoje religiosas, têm na sua origem festas pagãs. A capeia arraiana não foge a esse padrão: elas acontecem associadas à festividade de um santo. Se quisermos efectuar uma analogia com o passado, elas continuam a celebrar-se como um ritual “religioso”. Sendo, ela própria, composta por vários rituais. É por isso que afirmo que a capeia arraiana só acontece quando todos os rituais que a compõem acontecem. Não posso, assim, deixar de manifestar a minha revolta quando, num jornal da raia, se apresenta uma notícia com o título de capeia arraiana em Tábua. Desculpem-me, mas é uma blasfémia. Podemos desconhecer a sua origem ou o quando, mas sabemos o espaço geográfico, o onde acontecem. Desta forma, a capeia arraiana só acontece ali. É a manifestação de um viver, de um sentir, de uma forma de estar, de um povo. A capeia entrelaça-se, como uma hera, por todos os membros da comunidade. Formando como que uma irmandade e estabelecendo uma identidade. Também, por isso, não concordo com a exibição do forcão fora da raia (à excepção da capeia do Concelho do Sabugal em Lisboa). Porque está fora do contexto. E estando fora do seu território natural, a capeia perde o sentido, diria, perde o sentir. Lá fora, vai explicar-se o quê? E como? O cenário de uma capeia arraiana não são os carros de bois, os andaimes, os “salva-vida”. Mais do que tudo isto, o cenário, são as pessoas. São o seu vestir. São o seu falar. São a sua forma de estar num dia de capeia. Sem este cenário, a capeia é fria, de certa forma, racional. Ora a capeia arraiana não é uma peça de museu, que possa andar itinerante por aí. Deve, obviamente, ser estudada, discutida, cuidada, aperfeiçoada, mas, essencialmente, deve ser vivida. E são os testemunhos de quem “lá anda” que melhor a explicam, porque são eles que a sentem. A capeia arraiana é pura emotividade. Por isso, no programa das jornadas que aí se avizinham, sinto a falta desses que “lá andam” e, no bloco dedicado especialmente à capeia arraiana, no final, não há lugar a debate, porquê?

P.S. O governo prepara o maior despedimento da história. Espero é que nesse despedimento de contratados, também estejam os assessores (que são a rodos), incluindo o ministro pardo, António Borges.

P.S. A estratégia do nosso génio iluminado das finanças resume-se ao… aumento de impostos! Afinal, porque foram buscar tal figura ao olimpo, quando, cá pelo burgo, qualquer um saberia fazer isso!
Quanto a fazer contas, talvez um estágio (ou MBA) numa mercearia de bairro ensinasse alguma coisa ao ministro e ao primeiro-ministro! Já que as contas deles saem sempre erradas! Ou será o célebre lapso?!
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

Ignorante, adjectivo, destituído de instrução, que não tem conhecimento ou prática de determinada matéria, desconhecedor. A definição da palavra dada pelo dicionário de Língua Portuguesa, ajuda-nos a perceber e a introduzir esta crónica.

O «ministro pardo» (leia-se consultor para as privatizações) deste governo terminou a semana passada com a tirada de chamar ignorantes a todos os empresários que se manifestaram contra a Taxa Social Única. Não vou entrar nas, já muitas, considerações feitas a tal afirmação. Contudo, deixo algumas interrogações: onde estão as empresas criadas e, com elas, os empregos criados por este senhor? Dizia o senhor Soares dos Santos, conhecido como o homem mais rico de Portugal, que o senhor não era um tipo qualquer. Pois não senhor Soares dos Santos! Uma pessoa qualquer não diria tal atoarda! Este senhor tem vindo a proferir afirmações que são insultuosas para a maioria da população portuguesa. Por não ser um tipo qualquer é que devia ter tento na língua e não ofender quem tenta criar riqueza. Mas entendemos porque o homem mais rico de Portugal o veio desculpar, ele é administrador não executivo do grupo de que é dono Soares dos Santos. Afirmava no final, que nenhum desses empresários faria o primeiro ano do curso de finanças onde ele é professor universitário, esqueceu-se foi de dizer, ou devemos supor que o governo são os alunos de tão douta cátedra. A verborreia que tem caracterizado este tipo que não é qualquer demonstra um ser ignoto, encaixando, ele sim, na definição do título desta crónica.
Esta semana, quando as assembleias municipais e, portanto, o país, se manifestava contra a organização administrativa do poder vulgar (vulgo extinção de freguesias), o Secretário de Estado do Poder Local, explicava para a tv que, quer queiramos quer não, vão ser extintas mil freguesias. Pronto, se tem explicado que tal processo beneficiava as populações com melhores serviços, melhores condições… mas não! Explica o fulano que tal ia beneficiar as empresas locais! Que assim, vai ser-lhes pago os créditos que se lhes deve, criando emprego! Fiquei estupefacto! É este o grande motivo pelo qual se tentava efectuar esta reforma do poder local? Tal plano tão inteligente só pode ter sido delineado a partir da tal universidade em que o outro é professor…
Por falar em professor, também esta semana, num artigo publicado no New York Times, Paul Krugman, Nobel da Economia (o tal que em Março deste ano veio cá ao burgo receber um doutoramento honoris causa, e que afirmava não saber se toda esta autoridade ia dar resultado e que os salários dos portugueses devia ser cortado em 30%), escrevia, agora, que «a austeridade foi longe demais». Apetece-me dizer-lhe que os portugueses descobriram isso há muito e não foram laureados com o prémio nobel. É que toda esta crise é fruto dessas experiências feitas em gabinetes por uns quaisquer alucinados, sem qualquer semelhança, sequer, com a realidade. O mal é que entregámos aos mesmos a sua solução! Não vai funcionar.
Também esta semana, a Secretária de Estado do Tesouro, dizia com toda a convicção que Portugal não estava a entrar numa espiral de receção. No mesmo dia, no jornal da RTP2 (ontem), um ex-ministro das finanças, Augusto Mateus, explicava que Portugal estava a entrar numa espiral de receção. É esta amplitude de opiniões que mina a credibilidade, cada vez mais, dos economistas e financeiros. Deixando no povo o pior dos estigmas, a desconfiança. Desconfiança que se estende aos políticos que exercem o poder. A conferência de imprensa do ministro das finanças foi o exemplo da desconfiança. O senhor ministro procurava anunciar as medidas adjectivando-as com termos como «enorme», tentando solidarizar-se com os contribuintes a quem anunciava mais um roubo ao fruto do seu trabalho. A hipocrisia também devia pagar imposto, não acha senhor ministro das finanças?
E para completar o ramalhete, veio esse gnomo da Comissão Europeia, que dá pelo nome de Durão Barroso, tirar o tapete ao governo (aliás, assunto em que é especialista), afirmando que este tinha apresentado as alternativas ao aumento da TSU e que já tinham sido aprovadas pela comissão. Só que os portugueses ainda as desconheciam! Com amigos destes…
O JN trazia em grandes parangonas de primeira página que, a aventura dos amigos do sr. Silva no BPN, vai tornar-se na maior desventura dos portugueses. Já custou 3,5 mil milhões de euros e, no final, vai ficar nuns incríveis 6,5 mil milhões de euros! Não era preciso cortar subsídios, salários, pagavam os submarinos (parece que assaltaram sem arrombo o carro onde estavam os contratos dos tai submarinos), etc. Todavia ninguém está preso, ninguém é acusado, nada. Esses figurões assaltaram literalmente o país e pavoneiam-se pelas praças e balcões cá do burgo, enquanto o povo verga sob a austeridade aplicada por aqueles que juravam não o fazer. O povo verga, mas não parte.
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

O anúncio solene sobre a subida da Taxa Social Única (TSU), colocando-a como a única via para a salvação do país, parece ter-se desmoronado através de uma implosão.

Este episódio, da permanente novela de aumento de impostos, sempre para os mesmos, trouxe à luz do dia alguns acontecimentos que merecem alguma reflexão. A coligação governamental caminha coxa. E mesmo depois de uma renovação de votos de fidelidade, o que sobra são uns sorrisos amarelos para a fotografia. Numa coligação, obviamente, nem tudo pode ser igual. Não haveria coligação. Sendo partidos diferentes, obviamente, têm conceitos diferentes e noções diferentes sobre a sociedade. Mas, uma coligação, tem que ser estruturada nas semelhanças e acordar sobre as diferenças. Não é possível uma coligação com visões opostas da sociedade. Ora, nesta coligação, não se sabe quais são as diferenças e não se sabe quais são as semelhanças. Bom, soube-se agora: um não era a favor da TSU! E, se assim era, porque deixou (digo eu) ou porque não o impediu? Se, pelos vistos, este era um assunto estruturante? Mesmo com o remendo feito pelo Dr. Portas, numa tentativa de passar pela chuva sem se molhar, artimanha em que é especialista, aliás, a coligação sai desta história com uma estocada fatal. Impõe-se a pergunta, a coligação era ou é? O governo desperdiçou, nesta jogada, todo o capital de confiança que o povo português o brindou durante um ano. Todavia, o povo não contava com tanta incompetência e, esta, veio ao de cima. Tal como o azeite.
Vejamos, a retenção (que simpática palavra para roubo) dos subsídios, foi planeada (outra palavra linda para dizer não explicada) para a redução do défice. Mas tal não aconteceu, em parte, porque o governo não fez o seu trabalho. O aumento generalizado de impostos teve como consequência o empobrecer do consumidor e a não arrecadação lógica de fundos para o estado. As contas do governo saíram erradas em toda a linha. E tal aconteceu, mesmo quando toda a gente dizia que ia ser assim, porque o governo não soube prever, graduar, a austeridade. Quis ser mais trokista que a troika. Impondo, dessa forma, uma doutrina financeira cega e experimental, demonstrando a inexperiência e incompetência dos meninos que ocupam o poder. Há duas semanas a TSU era a salvação, única!, da nação. Agora, já se encontram alternativas. Podemos perguntar, por que motivo estas alternativas não foram tidas em conta há duas semanas? Mais, nesta semana, depois de um ano a estudar as fundações, o governo anuncia o fim dos apoios. O espanto, é que das milhares de fundações, o governo apresenta o fim de… 4!!! E não explica os critérios. E assim, ficamos a saber que acabam os apoios à Fundação da Casa da Música, mas mantêm-se à Fundação Social Democrata… Também, só agora, vieram os partidos da coligação, apresentar um projecto para a revisão da lei do financiamento dos partidos pelo estado. Digo só agora, porque esta era uma matéria que deveria ter sido logo abordada. Não é concebível que, quando é preciso cortar despesas, os partidos recebam milhões para andar a poluir o país em campanhas eleitorais, das quais resultam muito lixo, muito folclore, pouca informação e nenhum esclarecimento. Estas medidas vêm nesta altura e servem somente para entreter a opinião pública. Verão que esta matéria se vai prolongar no tempo.
Este governo, que se apresentou como paladino da transparência, rodeou-se de uma opacidade informativa. O primeiro-ministro citava Camões, aproveitando, mais uma vez, para anunciar ventos favoráveis. O problema é que o capitão e o piloto não sabem interpretar os ventos. E, assim, a caravela navega sem rumo.
Sem rumo segue a Europa. Não encontrando respostas para os problemas que ela própria criou. A teimosia de alguns e a cegueira de outros levará a uma convulsão social por toda a Europa. A Espanha e a Grécia são, somente, o início. Outros se lhes seguirão.

P.S. Estive em Sortelha. Deixo os meus parabéns aos organizadores. A feira medieval está a ganhar o seu espaço nos acontecimentos culturais do concelho. Somente um senão, e vale como opinião, o cartaz que anuncia a feira é pouco apelativo.
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

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No sábado, 15 de Setembro, Portugal foi varrido por um vento de indignação e que fez ecoar um grito de basta de norte a sul e de oeste a leste.

As pessoas saíram para a rua e deram corpo à maior manifestação política sem conotação política. Desta vez, não podem acusar sindicatos nem partidos. Desta vez, foram as portuguesas e os portugueses que saíram para a rua e disseram olhos nos olhos, num sábado!, que estão fartos de levar murros no estômago! Que está farto de ser espoliado. Que está farto de mentiras. Que está farto da gentalha que faz de conta que governa quando, na verdade, se governam. Ouvi na tv um alentejano dizer que estamos a ser governados por um bando (não posso precisar se foi exactamente esta a expressão) de cachorros. A comparação é perfeita! Porque vergonha não têm. Sábado foi dado o grito de basta! Seria bom que a rua – termo tão grato aos políticos cá do burgo – fosse ouvida e dela se tirassem ilações. Governar, é uma actividade exigente. Mas, ou se governa com as pessoas e para as pessoas, ou, então, não passa de uma actividade tirânica. Infelizmente, têm passado pelo governo de Portugal, uns quantos parasitas, incompetentes, mentirosos e aproveitadores. A situação financeira do estado é prova provada do que afirmo. Contudo, não partilho dessa ideia estapafúrdia de um governo de iniciativa presidencial. Não. Ainda somos um estado democrático. Este governo é apoiado por uma maioria parlamentar, resultado de eleições livres. Um novo governo só se este se demitir, só se o sr. Presidente da República dissolver a actual Assembleia da República e sempre, sempre, resultante de novas eleições. A democracia não pode, por nenhum pretexto, ser posta em causa. Porque, quando se faz um «intervalo» (uma certa dirigente chamava-lhe suspensão) na democracia, este torna-se cada vez maior. Assistimos a uma contração dos direitos, até aos mais básicos, como o direito ao salário pelo trabalho. Já imaginaram o que seria a perda do único verdadeiro poder que nos resta, o direito ao voto? Não. Não alinho nessa farsa de um governo não escolhido por voto. Aliás, sempre defendi que os partidos deveriam ser obrigados a divulgar os nomes daqueles que são candidatos a ministros. Assim, saberíamos concretamente em quem se votava. Sem surpresas. Evitar-se-ia as negociatas já com o poder garantido. E todos iam a votos. Porque, no fundo, o grito de revolta que no sábado foi dado pelo povo português foi o de exigir verdade, igualdade e equidade. Exigir solidariedade e justiça. Exigir ética na gestão da coisa comum.
Se a surdez de quem governa persistir, tenho a certeza que o grito da rua se tornará ensurdecedor.
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

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Na passada sexta-feira 7, vi um homem cabisbaixo dirigir-se para um palanque. As folhas tremiam-lhe nas mãos e, não sei se pela tv ou na realidade, quando levantou a cabeça, o rosto apresentava-se branco. O primeiro-ministro de Portugal ia falar ao país.

Todo este cenário não podia augurar nada de bom. O primeiro-ministro apresentava um rol de medidas de austeridade pura e dura. Se tal passou, quase, a ser a banalidade do discurso deste governo, quer na forma quer na essência, esta comunicação encerra alguns aspectos que convém sublinhar. A essência política, sabemo-lo, deste governo é a prática puramente académica de uma doutrina financeira ultraliberal. Acredita na auto-regulação dos mercados e numa liberalização absoluta destes. Não é uma doutrina nova. A actual crise é consequência dessa crença. Até aqui, nada de novo. Mas o discurso de Passos Coelho resume, em si, tudo isto, mas muito mais. É uma confissão, ainda que escondida, mas uma confissão. Primeiro, porque mentiu ao país antes das eleições e durante todo este ano que leva de governo. Antes, porque garantiu que não aumentava impostos. Durante todo este tempo em que, verdadeiramente, assaltou os portugueses, corrijo, assaltou os trabalhadores, não dizendo para onde foi o dinheiro que nos tirou do bolso. Poderá argumentar que não conhecia a realidade das finanças do estado. Então, é pura incompetência. Não se pode aspirar a ser primeiro-ministro sendo incompetente. Mas o facto é que, em todas as matérias, este primeiro-ministro e este governo, demonstram uma incompetência em toda a linha. Este discurso é feito minutos antes de um jogo de futebol da selecção nacional. O discurso não explica absolutamente nada quanto ao uso do sacrifício dos trabalhadores, quando nos foi dito que era para garantir o tal défice de 4,5%. Nada. Agora, de novo, um discurso em que nos anuncia mais um roubo sem explicar para quê ou qual fim. Mais, fá-lo falando do assalto aos que trabalham, calando sacrifícios para os que mais têm. O aumento da taxa para a Segurança Social (lá estou eu!), não é taxa, é um imposto puro e duro. Puro porque cobra sem a prestação de serviço (é isto uma taxa) e duro, porque cobra a todos por igual, como se o vencimento fosse igual! É a mesma coisa tirar 7% a quem ganha 10 000 mil euros ou a quem ganha 500 euros? E enquanto aumenta os trabalhadores na cobrança de impostos, alivia as empresas, cortando 5%. A razão, diz o governo, incentivo à criação de emprego. Esta é de rebolar pelo chão e rir à gargalhada! Criar emprego? Estão loucos? Como? Se quem consome os produtos fabricados nas empresas não tem dinheiro para o fazer? Não sou eu que o digo, são os empresários que o dizem à boca aberta. Depois, uma comunicação antes da avaliação da troika e três dias antes do ministro das finanças vir falar, também, ao país, para anunciar uma série de medidas intencionais para cobrar aos que mais possuem. Escrevi intencionais, porque o senhor ministro das olheiras limitou-se a anunciar intenções. A intenção de cobrar nos bens de luxo. A intenção de acabar com institutos públicos e fundações. A intenção de rever os contratos das PPP’s. A intenção… Quanto à economia, a palavra usada foi “eu creio” que irá reagir. A questão já não é científica, é do campo da metafísica, do religioso. É uma questão de fé! A desculpa até aqui era o tal memorando. Mas eis que a troika vem imediatamente descolar-se de tais medidas. Afinal, qual o programa que estamos a seguir? Quando, até aqui, todas as medidas eram escuradas pela troika e a essa âncora de memorando, descobre-se, também, mais esta mentira. Mentira que serviu durante um ano para esconder a incompetência e legitimar o roubo. Não foi feita nenhuma reforma estrutural, em nenhuma matéria se avançou com um plano exequível. O único serviço foi despedir, aumentar imposto e agonizar o estado social. Já agora, onde está o parceiro de coligação no governo? Onde anda o seu líder, que não o vejo junto à fronteira a reclamar com o preço dos combustíveis? Não o vejo pelas feiras? Não o vi ao lado primeiro-ministro? Vejam lá se saem dos gabinetes e vêm conhecer o país. Ou então, vão embora.
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

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Com a rentré política a fazer-se, essencialmente, pelas chamadas pomposamente Universidades de Verão (deve ter sido nestas universidades que se têm formado os sócrates e os relvas…), onde os líderes políticos vão babar-se com a sua «obra», verberando discursos que, na essência, nada dizem.

Um dos secretários gerais, de um dos partidos do arco do governo, afirmou que alguns (referia-se a essa eminência parda do governo – António Borges) se tivessem passado pelas fileiras partidárias, leia-se estas universidades e pelas jotas, não cometeria erros políticos! Sabemos que este secretário geral, de política, conhece o percurso das jotas e o carneirismo partidário. Este, como outros, o único percurso político é o das fileiras nas jotas. Onde se aprende a ser parasita do sistema. O governo está enxameado de meninos e meninas que a única experiência profissional e política que possuem é o colar-se a um influente dentro do partido. Nem preciso referir nomes. A começar no topo até ao chefe de gabinete e secretário, a maioria vem dessa «universidade». Não admira que estejamos a ser governados da forma que estamos. A maioria dos últimos executivos é formado por gente que não tem experiência profissional nem política. Por isso, acho um piadão a essa das universidades de Verão. É que o mérito só serve para os outros!
E falando de mérito, agora a troika está cá de novo, em todas as outras vezes que aqui esteve para verificar a execução do tal malfadado memorando, ouvimos sempre grandes elogios ao governo. Porque está a cumprir, pela determinação, pelo esforço… sei lá, sempre o elogio. De tal forma que o sr. Primeiro Ministro afirmava com orgulho que o programa da troika era o programa do PSD! Pois bem, agora que é sabido (como se alguma vez tivesse sido desconhecido) o não cumprimento do défice para este ano, o governo, aponta falhas ao programa da troika! Ah! Mas esta vem logo responder que, se ouve falhas, elas são da responsabilidade do governo! Como se eles, coitadinhos, não tivessem culpa alguma. Faz-me lembrar aquele episódio em que a mãe apanha o filhote cheio de chocolate na cara e lhe diz, foste comer o chocolate!?, e o miúdo lhe responde: eu não fui! Em que ficamos? Creio até, que toda a gente sabia que não se ia cumprir a tal meta do défice. Nem com o roubo dos subsídios! Castraram a economia nacional, carregaram os portugueses com impostos, agravaram as finanças das pessoas, como querem que haja actividade económica? E sem esta, como querem que haja pagamento de impostos? Espantam-se que há um problema para atingir tal meta do défice? Por amor de deus! Com a política do «custe o custar», conduziram o país para a asfixia económica e social. O desemprego sobe em flecha, os preços não estagnam, os salários, para quem o tem, é minúsculo. A pobreza expande-se igual que os incêndios pelo país. Contudo, não se vêem os cortes nas PPP’s, nas mordomias, nos assessores (muitos adjuntos de adjuntos…), na brutal frota de gama alta de automóveis do estado (será que essa gente não ganha o suficiente para comprar carro? Como farão os outros para ter carro?), as dezenas de fundações mantêm-se e, até, aquela que era a bandeira das reformas – a alteração da lei do poder local – já foi para as calendas gregas! Na prática, o que estes iluminados (governo e troika) souberam fazer, não foi a redução do défice através da redução da despesa do estado, foi aquilo que é mais fácil: aumentar impostos, despedir funcionários e cortar nos salários. Era preciso virem esses doutores e professores catedráticos para nos ensinarem isso? Porque o resto, meus amigos, continua tudo igual. Até ao final do ano vamos assistir a estas trocas e tricas com a troika.
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

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Desde a Constituição de 1976, que institui as regiões autónomas da Madeira e dos Açores, que o sr. Jardim ameaça coma independência da Madeira. Regra geral, a ameaça, vem quando precisa ou quer alguma coisa do governo central ou, como ele gosta de dizer, dos cubanos do continente.

As regiões autónomas foram instituídas como um processo de autorregulação em algumas matérias, tendo em conta que são arquipélagos e, portanto, longe das decisões centralizadas. A verdade que o sr. Jardim tem-se limitado a governar a seu belo prazer como se a Madeira fosse independente. Não haveria mal nenhum se tal governação fosse feita com os dinheiros que a própria Madeira gerasse. Mas não. O sr. Jardim governa com o dinheiro dos outros. Precisamente com o dinheiro dos “cubanos” do continente. A Madeira já possui imensas regras exclusivas, beneficia de excepções numa série de matérias e, no entanto, o sr. Jardim acha que não é suficiente, vindo agora, com mais uma ameaça. Agora de referendo sobre não se sabe bem ao certo e mandando os “seus” deputados prepararem uma projecto lei de revisão constitucional! O que me surpreende é o facto de, depois destes anos todos de autonomia ter enterrado a Madeira, ache este senhor que os outros lhe devem pagar as megalomanias de um homemzinho que se comporta como um cacique. A falência da Madeira é um facto. O buraco financeiro é colossal. A culpa é do sr. Jardim? Sim. Mas não só. A culpa é de todos os governos – PSD, PS, CDS – que fecharam os olhos às arrogâncias, insultos e mentiras deste senhor, permitindo que a torneira nunca se fechasse. Pagando festas e festarolas, inaugurações a la carte de obras também elas a pedido dos amigos e dos afilhados. O governo regional é composto por uma tribo. Secretários, assessores, chefes de gabinete… até ao estafeta, todos pertencem á mesma família (e não me refiro à família política). A sociedade madeirense está, praticamente, dependente do favor da família jardim. São os empregos, os jornais, os clubes, as empresas, etc, etc. a Madeira é do sr. Jardim. Por isso o referendo que propõe não passa de mais uma manobra de diversão na já longa comédia deste senhor. Deveria era ter vergonha na cara e explicar o descalabro da sua governação aos madeirenses e aos portugueses em geral. Ser responsabilizado pelo estoirar de milhões sem ter melhorado a vida dos seus concidadãos. Já imaginaram se as câmaras municipais tivessem tido acesso aos milhões como teve o sr. Jardim? E quantos jardins teríamos por aí? A Madeira é uma zona desfavorecida? E a zona do interior do país não o é? Porque não beneficiamos nós também dessa autonomia? Talvez, até, com mais argumentos do que a Madeira. Só porque esse senhor ameaça com a independência? Pois bem, proponha-se um referendo em relação à independência da Madeira… e vejamos o resultado! Se o senhor não consegue governar nem com o dinheiro dos outros, como vai governar de forma independente? Se não fosse um assunto sério, isto daria para rir como mais uma anedota do sr. Jardim. Por mim, até pagava para que a levassem.
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

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Terminaram os Jogos Olímpicos com uma medalha de prata para Portugal. Esta medalha apresenta dois factores interessantes, o primeiro, claro está, a conquista da medalha e, o segundo, o facto de ter sido numa modalidade ligada à água. Associei esta conquista aos feitos dos nossos antepassados que, numa casquinha de noz, se lançaram por esse imenso mar oceano. Este assunto fez-me recordar o quanto temos desperdiçado esse mesmo mar oceano. Primeiro, destruímos a nossa frota pesqueira a troco de quase nada. Estávamos na década de 90, era primeiro ministro o sr. Silva. O mesmo que, agora presidente da república, anda apregoando que temos que nos virar para o mar!

O balanço final da nossa participação olímpica é um fracasso. Alguns atletas vieram, ainda no aeroporto, tecer críticas e levantar alguma polémica. A reflexão e a crítica é sempre importante. Mas aqui, também deveriam ter feito auto – crítica. Para que as coisas não sejam atiradas para o ar, como se nada tivesse acontecido da parte dos atletas. Mas o que me deixou deveras perplexo foi o eterno presidente do Comité Olímpico Português(COP) Vicente Moura. Há quatro anos atrás, aquando dos jogos em Pequim, e de outro mais ou menos fracasso olímpico, disfarçado pelas medalhas de Vanessa Fernandes e Nélson Évora, veio apresentar a sua demissão. Coisa que, como se viu, era somente conversa fiada. É que o tacho é bom! Depois recandidatou-se. Agora vem, novamente com a mesma conversa para, seguramente, ficar tudo na mesma. Mas, o impressionante, é vir afirmar que precisamos de uma nova «Mocidade Portuguesa»! É de bradar. Mesmo que venha com a sibilinar escusa de que é sem conotações políticas. Mas o que era Mocidade Portuguesa? Era uma organização de carácter milicial dirigida às camadas mais jovens da população, foi criada por decreto em 1936, tendo a sua secção feminina sido criada dois anos mais tarde. Em 1939 seria alargada às colónias.
A criação e manutenção de organizações miliciais não era exclusiva do Estado Novo português; na realidade, encontram-se organizações do mesmo tipo quer na Itália de Mussolini (Balilas) quer na Alemanha hitleriana (Hitlerjugend). Tal não quer dizer que a organização criada sob a orientação de Salazar fosse uma cópia fiel daquelas, embora tivesse havido algumas relações entre a Mocidade Portuguesa e as organizações daqueles países e haja algumas semelhanças de facto. A Mocidade Portuguesa destinava-se a crianças entre os 7 e os 14 anos de idade, escolarizadas ou não, e a frequência das suas atividades tinha carácter obrigatório. Para os jovens do sexo masculino entre os 17 e os 20 anos foi ainda criada uma milícia, espécie de braço armado da organização. Estes dois ramos do setor masculino da organização, bem como a respetiva extensão nos domínios coloniais, eram inspirados por objetivos claramente definidos de adestramento pré-militar, para o que se instituíram mecanismos disciplinadores e uniformizadores diversos: a farda, a disciplina rigorosa baseada em conceitos de autoridade e hierarquia, as paradas e acampamentos, os prémios e as sanções. Basicamente, a ideia era a de «domesticar» os jovens e de os doutrinar nos ideais do regime. É isto o que o senhor presidente do COP pretende? Poderá vir dizer o que quiser, no sentido de que a sua intenção não era política, mas o que fica, é que este senhor pretende recuperar um movimento claramente político e nada democrático. Deveria assumir o fracasso da sua comissão à frente do comité olímpico português. Deveria assumir que não existe qualquer plano de acção para melhorar, preparar e incentivar os atletas portugueses, bem como, não existe um plano, uma ideia, para recrutar, descobrir, «fazer», novos atletas. O trabalho deste senhor, quase eterno no seu cargo, é o de se pavonear por aí. O resultado é o de um fracasso maior que o monte Olimpo.
Com o fim destes jogos, deveríamos estar já a preparar os do Rio2016 e os de 2020. Mas ao que vamos assistindo é a um desfiar de queixas e de lamúrios. A um ror de desculpas e ao sacudir da água do capote. É este o nosso cenário olímpico. Daqui a quatro anos estaremos na mesma. Com o senhor do COP a exigir a Legião Portuguesa e mais não sei o quê. Sem nunca se ver ao espelho.
O meu lamento.
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

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Enquanto as festas pela raia vão decorrendo ao ritmo, muito próprio, desta vida arraiana, o país vai ardendo. Pode parecer um assunto, de tanto acontecer, banal. Repetido. Este é um dos problemas: de tanto se falar, de tanto se mostrar, o assunto torna-se indiferente.

Contudo, este assunto nunca pode ser indiferente, quando milhares e milhares de hectares vão ardendo todos os anos. Deixando um traço por Portugal a negro, um rasto de desgraça e de morte. Não tenho, infelizmente, nenhuma solução mágica para pôr termo a este flagelo. As causas são sobejamente conhecidas e as consequências mais ainda. Mas penso que pode ser menorizado. Quando todos os anos se passa a mesma coisa, alguma coisa está a falhar. Ora bem, sabemos que a mata portuguesa não está cuidada no que toca à limpeza, nem pelo estado nem pelos particulares, mesmo sendo obrigatório por lei. Também sabemos que a fiscalização, a vigilância, são pouca ou nenhuma. Todos os governos, repito, todos os governos, apressam-se a prometer mais meios e melhores para o combate aos incêndios florestais. Acho bem. Mas parece-me que o erro está no princípio: os governos devem dar mais e melhores meios para a prevenção. O papel da Direcção Geral das Florestas não é realizado, não é capaz de fiscalizar, ou por falta de meios ou de vontade. A GNR faz «uma perninha» e no momento do aperto, recorremos às equipas de Sapadores Florestais. Apresentado desta forma, parece ser muita gente! O problema é de organização. Tenho afirmado várias vezes que não existe um plano de ordenamento do território. É necessário um ministério que se ocupe de, efectivamente, apresentar ao país um plano de ordenamento do território. Constrói-se onde se quer, não importa se é zona Natura 2000, se é reserva natural, zona agrícola… não importa. Então se se tem dinheiro é um regabofe!
Sem um plano, sem uma organização que faça cumprir esse plano, não importa ter mais e melhores meios para combater os incêndios, eles vão continuar acontecer. Repito, é na prevenção que se deve apostar.
E, de repente, o fogo chega às fundações. Estas apareceram como cogumelos por esse país fora. Havia uma fundação para tudo! Não vale a pena enumera-las, até porque seria uma lista vasta. É verdade que o governo tinha prometido uma auditoria às fundações, no mínimo, saber quantas são. Ou por serem muitas ou por… conveniência, demorou mais de um ano para se saber quantas são. E, no entanto, estas fundações sugavam dinheiro ao estado todos os meses, todos os anos. Nada tenho contra as fundações, mas se a maioria delas são fundações a título particular, por que motivo há-de o estado estar a financiá-las? Se o regime jurídico das fundações já lhes permite uma série de benesses, parece-me abusivo que, ainda, tenha que ser o estado a suportar a vaidade de alguns figurões cá do burgo. Que cada um suporte à sua custa a sua vaidade! Já bastam as do estado para sugar dinheiro. O que espero é que o governo saiba, agora, cortar com o que deve cortar e separar o “trigo do joio”.
Com os incêndios e as várias sanguessugas do estado, se vai deixando em cinzas a riqueza do país.
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

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Decorre o maior espectáculo desportivo do mundo em Londres – os Jogos Olímpicos – dando continuidade a uma tradição grega (mais uma) que transporta essa ideia de paz e harmonia entre as nações. Acredito na harmonia entre os atletas, não nas nações, e esta harmonia termina no momento da competição. Aquela célebre frase de que, o importante é competir e não ganhar, é daquelas que dá para rir. Os Jogos Olímpicos são, sobretudo, uma competição. E, numa competição, entra-se para ganhar. Senão, perguntem aos americanos, chineses, russos, e por aí fora…

Ora, em Portugal, continua-se à espera do milagre que alguém ganhe uma medalha ou, pelo menos, que chegue e dispute as finais. O lema das lágrimas e suor são a tradução daqueles que ganham. Ninguém ganha medalhas sem trabalho, sem sacrifício, sem dor. Para além deste factor e do factor individual de cada um (leia-se dom ou jeito), é preciso mais alguma coisa. Esta coisa são as infra-estruturas para a prática do desporto. Em Portugal esta questão é, essencialmente, estrutural. Não há um plano nacional para a prática do desporto. Vejam a importância que a disciplina de Educação Física tem no currículo escolar. O chamado desporto escolar terminou. As escolas não estão preparadas, até porque falta um plano, para proporcionar a prática de desporto. E, a maioria das vezes, quando se fala em desporto está a falar-se de futebol. E aqui entra, mais uma vez, a visão míope dos nossos governantes em relação ao país como um todo. Alguma coisa que existe… está no litoral. As câmaras municipais também não ficam bem na fotografia. A maioria não fez nem faz nada nesta área. Depois, de quatro em quatro anos, espera-se por um milagre. Sei que me vão dizer que somos só dez milhões de habitantes e, por isso, mais difícil. Eu vejo ao contrário, por sermos poucos tínhamos obrigação de proporcionar a mais gente condições e incentivos á prática desportiva. É uma questão de educação e de oferta, de incentivo.
Talvez por estes pensamentos terem passado pela cabeça do governo, nenhum deles esteve no aeroporto à espera dos nossos atletas. Talvez… Devem ter ficado envergonhados com o espectáculo que montaram para receber a selecção de futebol que tinham ganho… coisa nenhuma!
O fracasso que está a ser nossa prestação olímpica (ainda que para o chefe da missão olímpica portuguesa, ela esteja a decorrer conforme as espectativas, ele lá saberá porquê…) deveria levar a uma reflexão séria sobre o desporto e a sua prática em Portugal. Desde os governantes nacionais e locais a toda a população e não ficar numa encomenda de estudo (mais um) inútil. As verdadeiras olimpíadas portuguesas deveriam começar agora com este debate.
Num outro registo, também ele «olímpico», esta semana, numa entrevista, o sr. Deputado do PSD, Luís, filho de outro Luís, Luís Filipe Meneses (porque cá pelo burgo, a política e os tachos, passa de pai para filho, é assim uma espécie de aristocracia hereditária), dizia que, e passo a citar, «A maioria não precisa do tribunal à porta de casa». Fantástico! Onde vive o menino? Suponho que em Vila Nova de Gaia. Então desmontemos a frase: a maioria vive no litoral e nos centros urbanos, deveriam fechar esses tribunais e não os do interior, onde vive… a minoria da população! Disse outras coisas sobre o interior. Deve conhecer o interior até, bem, até ao Pinhão. E talvez só pelo rio… Porque será que esta gente gosta tanto de falar no interior quando não se está lá, não se é de lá, não se vai lá? Não poderíamos pôr o forcão a esta gente?
Outra notícia que me chamou atenção foi a de que, 250 administradores administram (passe a redundância) 4.100 empresas! Agora já percebi porque a nossa economia está no estado em que está… Todavia, deve ser recorde olímpico, não?
Dia 6, começam as olímpicas capeias arraianas. Estas sim, emborcadas do espírito olímpico!

P.S. Faleceu Eurico de Melo. Um verdadeiro social-democrata quando, no seu partido, já são tão poucos.
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

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Hoje quero que se lixem – para usar a expressão do nosso primeiro – os arrufos políticos já em veraneio. As tricas da licenciatura do manda-chuva do partido do poder. As mil e umas vindas de jogadores para clubes portugueses. Os incêndios que são sempre de suspeita de fogo posto, nunca a certeza. As promoções dos militares que, segundo eles, há já soldados a comandar soldados (rasos, entenda-se), o que só prova que os oficiais são dispensáveis. E todo o burburinho que se vai levantando com o aproximar das eleições autárquicas.

Não. Hoje quero falar da verdadeira pré época na raia. Por estes dias, decorrem as festas de Albergaria – Espanha. Para aldeias como Aldeia da Ponte era uma verdadeira peregrinação para as festa da Sant’Ana. Consta, pelo menos assim aprendi pela tradição oral, que a imagem desta santa foi levada pelos espanhóis aquando das guerras da Restauração e que, em contrapartida, os portugueses trouxeram (roubaram) a imagem de S. Sebastião. Não me perguntem da veracidade. Mas a história tem o seu sentido, já que os portugueses frequentam verdadeiramente tal festa. Porque será? Mas deixo esse trabalho para os historiadores.
Esta festa é verdadeiramente o arranque das festas. Uma espécie de pré temporada. Com os seus bailes, copas e, claro, encerro e capeia! Aqui se começa a libertar a ansiedade para abertura oficial na Lageosa da Raia. Abrindo-se, depois, um calcorrear de caminhos e tapadas nos encerros, a poeirada levantada pelo galope de cavalos e touros… e gente. O peregrinar devoto a cada capeia. Os abraços sentidos dos amigos. A explosão de toda uma região em cada investida do touro. O entardecer sereno, recortado por varas e cavaleiros, no horizonte do planalto castelhano. É esta a verdadeira época. A época, em que a identidade individual se funde numa identidade colectiva e abrangente. Não se cingindo a uma fronteira territorial.
Esta é a época em que, toda a raia se enche de gente, num cruzamento harmonioso de gerações. Proporcionando a transmissão da cultura e enraizando uma maneira de ser. Esta é a época.
Eu sei que o mundo continua a girar. Mas hoje, importa-me o girar do meu mundo.

P.S. Bom regresso a toda a diáspora!
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

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O título desta crónica não é original, bem sei, mas corresponde na perfeição para o assunto. Quando abrimos o jornal ou ouvimos as notícias, lá vem mais um anunciado fecho seja de que serviço for no interior. O elevado número de escolas fechadas, os vários serviços do estado, tribunais, centros de saúde, que vão fechar, levam a um efectivo abandono do estado e, portanto, da sua soberania, em grande parte do território.

Poderia, assim de repente, parecer uma boa notícia, mas ela encerra uma realidade amarga, traduzida numa palavra: abandono. Costuma-se dizer que, mais vale que me odeiem do que me ser indiferente! É verdade, mais vale que nos odeiem, mas que não nos vejam com indiferença. Com o abandono por parte do estado, do interior, perde a sua proximidade com os cidadãos, perde a confiança e, mais tarde, perde a identidade nacional, porque perde a sua coesão e, claro, a sensação de abandono terá sempre um preço caro. Hoje, o interior, perde de uma forma constante recursos humanos, diria, os seus melhores recursos humanos. Os jovens abandonam porque foram abandonados. O empreendorismo, tão badalado, só é possível com gente, Onde é que ela está? Somos um país assimétrico, quer materialmente, quer humanamente. Os recursos são, invariavelmente, concentrados no litoral, esquecendo todo o resto do território e as sua gentes. Já aqui expliquei nestas páginas que, para além das razões históricas, este fenómeno é, também, culpa de uma visão míope dos nossos governantes. Nunca pensaram o país como um todo. Para eles o país é somente uma franja do território. Os serviços do estado têm que estar presentes em todo o território nacional. Sei que custa muito aos senhores doutores médicos vir para a província (como eles dizem), mas num país tão pequeno em extensão, não nos podemos dar ao luxo de Coimbra, por exemplo, ter mais médicos por metro quadrado em toda a Europa, e ter cerca de oitenta por cento do território com falta de médicos. Ter os senhores juízes a não quererem vir para o interior, porquê? Se não forem juízes no sistema do estado vão sê-lo onde? Ainda por cima lhes pagam renda de casa, quando em muitos locais o estado está a pagar casa para os senhores! Se querem (e alguns só podem) trabalhar para o estado, este, é todo o território. Mas não, o corporativismo ainda é quem mexe os cordelinhos nesta sociedade…
A morte do interior do país é agonizante. Podem vir os peritos anunciar sugestões de fechos e mais fechos, que a única conclusão válida que sempre conseguem é um resultado em números, nunca em pessoas, e que vão sempre de encontro ao encomendador da perícia. E isto vem em resposta ao estudo encomendado pelo Ministério da Saúde aos peritos sobre as urgências. E, claro, lá vem que é preciso fechar umas quantas! E dizem que ninguém fica a mais de uma hora de uma urgência! Talvez. No mapa é possível… Mas lembraram-se de que, nós, chegamos à Guarda e… depois temos que ir para Coimbra! Efectivamente, estamos a menos de uma hora da urgência… E este estudo seve, apenas, como exemplo. Porque no resto é a mesma coisa: tribunais, serviços de correios, educação, finanças, segurança social, etc. É comércio; não atinge tal número? Fecha. As pessoas não importam. O paradigma que vivemos esqueceu todo o sentido humanista e converteu-se ao economicista. Parece não se ter aprendido nada com a história. E esta, acreditem, far-nos-á ver o quanto andamos e estamos enganados. Os sinais estão a começar a ficar visíveis. As pessoas, sim as pessoas, erguer-se-ão em protesto e na exigência do respeito pela sua dignidade: a de ser pessoas e cidadãos.
Até lá, o anúncio da morte do interior, já era anunciada. Diria, pela elite deste burgo, desejada. Sai mais barato.
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

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INCONSTITUCIONAL OU NÃO, EIS A QUESTÃO? E O VAZIO DA NAÇÃO – O Tribunal Constitucional veio dizer que, os cortes nos subsídios de Natal e férias aos funcionários públicos e pensionistas, são inconstitucionais. A bomba rebentava publicamente num fim de tarde de quinta-feira do mês de Julho!

Poderia parecer uma mera deliberação do tribunal sobre a verificação de inconstitucionalidade de uma lei ou norma qualquer. Todavia, esta deliberação trazia uma fundamentação que me parece deveras curiosa! Vejamos, não sendo jurista, a argumentação produzida pelo tribunal apresentava poucos termos e justificações jurídicas mas, essencialmente, políticas. Era como se desse uma orientação política. Apontando para a inconstitucionalidade o facto de não ter havido equidade, ou seja, não deviam ter sido tirados os subsídios só aos funcionários públicos mas a todos os trabalhadores. Fiquei sem saber se os cortes são ou não inconstitucionais. Mais a mais, logo a seguir dizia que este ano ficava assim, mas para o ano não podia ser. E aqui fiquei perplexo! É uma espécie de faz de conta! Este ano não conta, para o ano já conta! Mas quando ouvi o sr. Primeiro Ministro, fiquei com a pulga atrás da orelha. Batia tudo certo. Primeiro, afirma que no próximo Orçamento de Estado, irá substituir esse corte por outro. Se era assim, porque sacou os subsídios? Depois, por trás de um sorriso amarelo foi apontando para o corte a todos os trabalhadores. Finalmente fazia-se luz! É que esta deliberação vem no momento oportuno. Sabe-se que as contas e previsões do governo estão a sair furadas e que, para cumprir o défice, falta um par de milhões. Numa altura em que o governo não sabe onde ir buscar dinheiro, nada melhor que o próprio Tribunal Constitucional o «obrigue» a ir ao bolso de todos os trabalhadores. Reparem, o tribunal demorou seis meses Para analisar uma alínea! Portanto, não há nada que saber, para o ano os subsídios são sacados a todos! Se não for assim, diz o sr. Primeiro Ministro, questionando a oposição, terá que se ir cortar à educação e à saúde. De bradar! Então só existem esses sectores para cortar? E as PPP’s, não se corta? E nas ajudas de custo milionárias, mordomias, fundações, assessorias, etc, etc, não se pode cortar? Demonstrava aqui, quão pobre é este governo que, para além das directrizes da troika, não existe uma única ideia para o país. Neste imbróglio, falta meter o sr. Presidente da República que, de vaia em vaia, lá foi dizendo com aquele ar sobranceiro que ele tinha dito que era inconstitucional. Sim, é verdade que o disse. E o que fez? Nada. Aprovou a lei do orçamento sem a mandar para o Tribunal Constitucional. É mais um a fazer de conta!
Tudo isto parece um puzzle bem montado. Uma conspiração bem urdida e típica da política cá do burgo, em que a elite política se comporta como senhores feudais. Quem assistiu ao debate da nação esta semana não deixou de perceber que do lado governo existe uma mão vazia e do lado da oposição uma mão cheia de nada. E o povo está na rua, porque será?

P.S. O professor que atribuiu mais de 90% do curso ao ministro Miguel Relvas, acaba de se demitir da reitoria da Universidade Lusófona do Porto. Agora vêm dizer que é coincidência!
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

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Quando a fraude socrática, sobre a sua licenciatura em engenharia, tendia a dissipar-se, eis que nova nuvem recai sobre um governante. Através de uma engenharia bem urdida, licencia-se num ano. Nem Bolonha quer ir tão longe!

Acresce que esta licenciatura é assente na legalidade, o Conselho Científico da universidade (privada) reconheceu equivalência às disciplinas apresentadas pelo requerente. A minha pergunta é, mas quais disciplinas? Se o requerente só andou um ano numa universidade? Ah! E o currículo profissional? Pois, deputado e ocupou uma secretaria ou subsecretaria de estado ligada ao poder local. Brilhante. E neste imbróglio, mais uma vez, está metido o ministro Miguel Relvas. Afirma, agora, que foi «um lapso». E vem esta gente pregar e apregoar o mérito, a excelência, o trabalho!
E tudo isto amplamente divulgado, provado e, contudo, o sr. Ministro não se demite e continua a pavonear-se por aí, imaculado. Haja vergonha! Era importante que houvesse da parte dos políticos princípios éticos e de conduta. Porque senão, não terão autoridade moral para se dirigirem ao povo, que tanto gostam dizer que representam. E vem-me à memória uma frase que diz, «antigamente os cartazes nas ruas, com rostos de criminosos, ofereciam recompensas, hoje, pedem votos». O povo está farto de tretas!
E, por falar em tretas, não posso deixar de olhar para o Bloco de Esquerda e Os Verdes, como uma grande treta. Estes partidos levaram esta semana à Assembleia da República uma proposta de lei que, lá no fundo, procura proibir as corridas de toiros. Argumentando que, pretende-se que a televisão transmita as touradas fora de horas, porque é um espectáculo com violência. E então os filmes? E as telenovelas? E o telejornal? E as sessões da Assembleia da República? Os argumentos são tão simplistas e fracos que, se não fosse um assunto sério, dava para rir. Esta gente não sabe que as corridas de toiros são parte integrante da cultura portuguesa? Que é património? Que faz parte da identidade de uma grande mancha do território e da população portuguesa? Porque sabemos que os mesmos são extremistas defensores da cultura dos toiros quando se candidatam e fazem campanha nos concelhos em que esta tradição existe, mas são contra, quando entram na Assembleia da República. Vá lá entender-se esta gente! E nem vale a pena explicar os aspectos técnicos e estéticos, mas vale a pena reflectir que, para além desses aspectos, existe toda uma actividade económica a ela associada. E que mais não fosse, o seu fim, significava o colapso de toda uma indústria, com os custos que daí adviriam.
Mas não vejo estes movimentos excitarem-se contra a construção desenfreada em zonas verdes e protegidas. Contra a destruição de património natural. Não os vejo apresentar leis que protejam e rentabilizem os recursos naturais de Portugal. Só os vejo, sempre, em grande algazarra contra as corridas de toiros. Lamento que estes movimentos apresentem leis com essências fascizantes, em vez de apelarem à pluralidade cultural e ao respeito da liberdade do outro. Acreditemos que seja por ignorância. Ou talvez um lapso?!

P.S. Foi descoberta (ou acredita-se) uma nova partícula que pode ser o bosão de Higgs, também conhecida por «partícula de deus». É uma descoberta fenomenal! A explicação de como se formou o universo fica mais perto.
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

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A semana, avisavam os meteorologistas, iria começar quente. Desta forma, pensei, a semana política, iria adequar-se ao tempo. Quarta-feira com o debate quinzenal com o primeiro-ministro, e em vésperas de um Conselho Europeu, e pelo meio uma Moção de Censura ao governo, apresentada pelo PCP. Semana, ainda temperada com essa meia-final do campeonato europeu de futebol, entre Portugal e Espanha.

Desta última prefiro não falar, pois ainda estou a digerir aqueles postes… Mas quanto à política, alguns apontamentos. Uma moção de censura serve para, obviamente, censurar. Isto é, perscrutar, analisar, verificar, criticar. Serve, na política, para obrigar um governo a explicar a sua governação, as suas atitudes e intenções. Sendo um direito que assiste aos partidos, o PCP, achou por bem ser esta a altura para fazer uso desse direito. Até aqui nada e anormal. Contudo, na actual conjuntura política, ela seria inconsequente. A assembleia possui uma maioria que lhe permite gerir estas pequenas contrariedades. Mas torna-se interessante analisar, como mero exercício, esta opção política agora. Poderia entender-se que faria sentido, visto que o governo faz um ano de poder, mas, na segunda-feira foi visível que, mesmo que ela fizesse sentido na crítica apontada ao governo, não teria qualquer hipótese de ser aprovada. E assim, um instrumento que serve como ultimato, acabou por ser banalizado, sem qualquer repercussão política para o PCP e sem qualquer mossa para o governo. A moção, parecia, resumir-se a uma só questão: vai haver mais austeridade? O que me parece muito pouco para chegar mão de tal arma. A resposta do governo assentou, mais uma vez, no programa do tal memorando. Todavia, houve, da parte do governo, respostas que nos deviam preocupar. O sr primeiro-ministro disse, nas tais respostas sobre a austeridade, «se for necessário haverá uma nova sobretaxa aos subsídios de Natal». O que me leva a concluir que, para além do que impõe a troika, o único plano do governo para governar é sacar subsídios e aplicar impostos! Mas não ouvi o sr primeiro-ministro dizer que iria cortar nas rendas às empresas dos amigalhaços, às mordomias dos membros do governo e afins, acabar com os tachos que andam espalhados pelos ministérios e secretarias de estado e direcções regionais, acabar com as encomendas de estudos aos escritórios de advogados amigos e empresas de primos e afilhados. Não o ouvi dizer que o estado ia deixar de ser padrinho! A única coisa que ouvi foi mais um ataque que se anuncia aos bolsos dos que menos podem. E, contudo, espantam-se com o aumento do desemprego, com a falta de consumo e consequente menos arrecadar de impostos. Mas em que Portugal vive este governo? No do litoral ou no do interior, onde, decididamente, já não existe estado? Diz o governo que quer menos estado, então o interior é o modelo prático deste governo.
E enquanto o governo despachava a moção do PCP, via-se um PS calado, acobardado, lançando ataques ao… PCP! Sim, podem estar ressabiados pelo que se passou há um ano, mas, caramba, são o maior partido da oposição, esperava-se mais politicamente do que um ataque ao PCP, como meninos a quem lhes tiraram a bola na rua e não os deixam jogar! Sim, nós sabemos que têm o rabo entalado pelo tal memorando. Mas, ou admitem estarem presos a ele ou não estão e ponto! Ou vai passar os quatro anos da legislatura a abster-se?
Depois veio o tal debate quinzenal. O sr primeiro-ministro passou o tempo a queixar-se que o que estava agendado era a Europa e que os partidos da oposição só falavam de politica interna. Alguém se esqueceu de avisar o chefe de que estava na agenda a questão interna. E, já agora, a Europa não é uma questão interna? E é cada vez mais! Só não sei se pelas melhores razões. Foi um debate fraco, teimosamente vazio. Onde tudo era previsível.
A semana apresentava-se quente, mas não passou de politicamente quase morno. E fria. Com aqueles postes! A moção do PCP foi ao poste. As respostas do governo foram à trave e o debate foi, também, ao poste.
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

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O sr. Presidente da República acaba de aprovar o novo código do trabalho, ou melhor, o novo código do desemprego. O presidente diz que não encontrou razões claras de inconstitucionalidade e que não houve, da parte dos deputados, grande oposição.

Desta forma, o sr. Presidente da República, ao afirmar que não encontra indícios claros de inconstitucionalidade, deixa-nos perceber que podem existir indícios, digamos, escuros ou obscuros de inconstitucionalidade. Para quem jurou cumprir e fazer cumprir a constituição portuguesa, o presidente, leva muitos anos a esquecer-se da sua obrigação. Tem aprovado leis atrás de leis com as quais não concorda, mas que não as envia para o Tribunal Constitucional. Porquê? Obviamente porque concorda com essa legislação, não se inibindo de fazer discursos hipócritas. Escondendo-se numa falsa imparcialidade. O Tribunal Constitucional existe precisamente para verificar, analisar e apontar os aspectos legislativos que ferem a constituição. E usar este tribunal é uma das obrigações do presidente, o seu poder real é o de vetar e o de mandar para o tribunal as leis que lhe são remetidas pela Assembleia da República. Na minha opinião, deveria mandar todas as leis. Desta forma não levantaria nenhuma dúvida aos cidadãos sobre a constitucionalidade das leis. Mas aqui, entra a politiquice… vejam como é formado o Tribunal Constitucional? Os juízes não são escolhidos pela sua competência, mas por nomeação política! Será por isso que, todas as leis (seja qual for o governo) estão sempre dentro da constitucionalidade? E claro, a morosidade. Especialidade da nossa democracia. À medida dos poderosos.
Este novo “código do desemprego”, aprovado pelo sr. Proença da UGT, vem, definitivamente, empurrar as leis do trabalho para o facilitismo de despedir a torto a e a direito, com a desculpa de que assim se cria emprego. Mais, agilizou-se o despedimento, mas não se agilizou a resolução dos casos nos tribunais do trabalho, onde estão parados mais de um milhão e meio de processos. Significa que, se um trabalhador recorrer para o tribunal acerca do seu despedimento, pode estar meia dúzia de anos ou mais à espera de uma decisão judicial. Entretanto, fica sem emprego, com este novo código, com menos dinheiro de subsídio de desemprego e menos tempo e, quando sair a decisão judicial, pode provavelmente já nem existir o posto de trabalho. Pode, pois, vir o sr. Proença dizer que se não fosse ele ainda seria pior, que ninguém acredita. Deixou de representar os trabalhadores e colou-se a um governo, cujo objectivo é acabar com o trabalho digno e colocar os portugueses numa escravidão legal. Em menos de um ano, só como exemplo, há 7940 casais em que os dois estão desempregados. É um aumento de 81%! Imaginem daqui a um ano com este novo código!.. O 18-J (18 de Janeiro) será a marca do descalabro do trabalho em Portugal. Em breve, regressaremos aos tempos da ditadura, em que a pobreza e a miséria era a marca de ser português. O que recebeu em troca? O fim de mais meia hora de trabalho diário. Ridículo, não acham?
Diz o Sr. Presidente, que não houve grande oposição a este novo código da parte dos deputados. Esta é de bradar! Ninguém diz ao presidente que existe na Assembleia da República uma maioria!? Ou estará a olhar para a bancada do PS que, cobardemente, se absteve na votação? E se não viu oposição na Assembleia, não viu as portuguesas e os portuguese na rua clamando por justiça social, por equidade nos sacrifícios, por dignidade no trabalho? Não. Não viu nem ouviu. Obcecado que estava com a sua conta bancária e preocupado com os seus amigos que saquearam Portugal com a sua benevolência ou uma inauguraçãozita que permita justificar a sua existência.
Este governo, esta maioria, este presidente, serão recordados como os coveiros da legislação laboral em Portugal. Serão recordados como os responsáveis pelo empobrecimento massivo da população portuguesa, pela precaridade do emprego, pelo fecho alucinante de empresas e pelo fim de feriados marcantes da história do país. Traduz-se no aumento de desempregados para os 16%. A falência das famílias aumenta de forma alucinante. A economia encolhe…
A protecção do emprego? Interessante, é que os patrões, que esfregaram as mãos de contentes por este novo código, argumentando que assim se protegia o emprego, estão a fechar as empresas! Num país onde não há trabalho, o importante é acabar com feriados e retirar três dias de férias, para quê? Se não há trabalho? Para estarem a olhar para o patrão? Portanto, o novo código agora aprovado, será a matriz do regresso das relações laborais ao séc. XIX. Não se admirem se as convulsões e as revoluções sociais saírem para a rua e se tornem no quotidiano português. Aproprio-me do dizer popular, “um dia a casa a casa vai abaixo”, acreditem.

P.S.1 Saiu a conclusão da ERC sobre o caso das pressões do ministro Miguel Relvas sobre o jornal Público e, claro, não se provou nada. Admirado? Não. Afirma, a sua conclusão, que não encontrou “pressões ilícitas”. Esta entidade é composta por dois elementos do PS, dois do PSD e o seu presidente, Carlos Magno, foi escolhido pessoalmente pelo sr. Primeiro-Ministro. 3-2 para Miguel Relvas.
Palavras para quê?! Admiro-me, como é que não condenaram a jornalista e o jornal por quererem informar!
È o resultado, mais uma vez, das comissões e entidades de fiscalização e averiguação cá do burgo.
P.S.2 Parabéns à selecção portuguesa. Viva Portugal!

«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

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Os resultados, agora conhecidos, das provas de aferição do 4º ano (antiga 4ª classe) a Matemática e Língua Portuguesa, causaram algum espanto para uns, o confirmar de uma maleita, para outros.

Ao longo destes anos de democracia, não houve um pacto de regime (como gostam de lhe chamar cá pelo burgo) sobre a educação. Esta foi encarada como um laboratório onde se têm vindo a fazer experiências atrás de experiências, das quais nunca se sabe os resultados. Porque cada governo, e não digo partido, chega e inventa mais uma experiência. O resultado é uma amálgama de directrizes, muitas que se contradizem, diplomas, decretos-leis e circulares, que encheram as escolas com burocracias (eu diria «burrocracias») que têm levado a lado nenhum. Não existe um plano para a educação. O resultado destas politiquices tem levado a educação em Portugal para uma farsa educacional. O facto, é que os estudantes em Portugal sabem pouco. Estudam pouco. E estão convencidos (e com razão) de que no final passa toda a gente. A exigência vem decaindo ano após ano. O 1º Ciclo (antiga escola primária) é leccionado por uma franja de docentes que não fizeram formação específica nessa área. E é precisamente nessa área que, a exigência se deve centrar no essencial: aprender a ler, a escrever, a contar e a fazer contas. São estas as ferramentas essenciais para o futuro. E é aqui que mais se manifesta a ausência dessa aprendizagem. A principal licenciatura, deveria ser a de formar professores especificamente para essa secção da aprendizagem. Em Portugal, nasceram universidades e politécnicos como cogumelos e, com elas, apareceram cursos superiores às dezenas. Entrava-se para a universidade com nota negativa, porque o que interessava era ter alunos. Porque cada aluno significava mais dinheiro. E o ensino tornou-se num negócio. Formaram-se milhares de jovens, com licenciaturas que não servem para nada. Depois, passou a olhar-se para a educação como uma área de somenos importância. Não foi encarada como um investimento mas tida como um gasto. Então, nada melhor que direcionar a educação para o sucesso. E foi. Um sucesso que assenta na ignorância, no facilitismo, no «laissez faire, laissez passe». Afinal, a retenção de um aluno, era caro. Dessa forma, criou-se um processo complexo que, quase impede, a retenção dos alunos. Virão os psicopedagogos (a quem chamo pseudo-pedagogos, muitos nunca deram uma única aula numa escola, aliás, tal como a maioria dos ministros da educação) afirmar que a retenção de um aluno pode ser traumatizante. Como? Quando um aluno nada faz, não estuda, não realiza as tarefas que lhe são propostas, fica traumatizado por ficar retido? Pergunto eu, como ficarão os outros, que trabalharam e se esforçaram? Senão, onde entra o tão badalado mérito?
Se não se encarar a educação como o elemento estruturante de uma nação, então estamos a diluir o passado, a comprometer o presente e a perder o futuro.
Muitas vezes pergunto-me, se tudo isto é inabilidade política ou um plano bem engendrado? Afinal é mais fácil de governar um povo ignorante!

P.S. Tem-se dito e redito, quase à exaustão, que esta geração, a maioria no desemprego, é a mais qualificada. Hoje, vou ser politicamente incorrecto, não acredito nesta treta. Esta não é a geração mais qualificada. Talvez seja a que mais diplomas tenha mas, certamente, a que está pior preparada para o futuro. Falta-lhe formação (saber).
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

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Substantivo masculino de origem grega, «abismo» significa, entre outras coisas, precipício, barranco. Pode significar profundeza, insondável, distância enorme.

Ora, durante um jantar promovido pela Câmara de Comércio e Indústria Luso-Alemã, o sr. Primeiro ministro afirmou que «Os portugueses já não estão perante o abismo com que nos defrontámos há praticamente um ano atrás». Assim, de forma perentória. Foi quando reparei que os portugueses olhavam para cima. Sim, já não estamos perante o abismo. Estamos no fundo do abismo. Os portugueses estão mais pobres. O desemprego aumentou assustadoramente. A falência das empresas conta-se por números com quatro dígitos diariamente. A economia está parada. A saúde e a justiça estão cada vez mais longe dos portugueses e mais perto dos ricos e poderosos. A educação é uma farsa. O estado abdica da soberania de grande parte do seu território, abandonando-o. Fechando todo e qualquer serviço estatal que prestava à população. Sim, existe um abismo. Um abismo entre o governo e os portugueses.
Pode-se argumentar que as medidas são as constantes no memorando assinado com a troika. Não me parece que seja tanto assim. Muitas das decisões são políticas e não impostas pela troika. É a linha política defendida por este governo e pelos partidos que o formam. A troika não conhece Portugal, dirão. Então, era importante que o governo fosse, no mínimo, um bom relações públicas. Mas comporta-se como mero estafeta, menino de fretes e de recados. Enquanto os portugueses se afundam no abismo, este governo incha-se de vaidade por três tretas de elogios. Escrevi-o e reafirmo-o, no final espero que ainda haja Portugal… Ou somente o abismo?
Esta semana o ministro da Educação e Ciência fez publicar um decreto com a organização do próximo ano lectivo. Sem consultar ninguém. E, mais uma vez, confirma-se que a educação é um mero tubo de ensaio. Atente-se ao Estatuto do Aluno: agravam-se as «penas», castigam-se os pais com coimas, mas… onde se insere a responsabilização, o dever, do aluno enquanto estudante? Nada. Insiste-se na teimosia que, o reforço da autoridade do professor, está no estatuto do aluno. E o estatuto do professor? A responsabilidade dos pais deve centrar-se na educação, e isto implica a transmissão de valores, princípios, regras. Que importa cobrar coimas se, pagando, tudo fica na mesma? Muitas vezes, os alunos têm um comportamento, digamos, desleixado, precisamente por ausência desses valores e princípios. A reprovação por desleixo do aluno, quer no comprimento de regras quer na obrigação, e sublinho obrigação, porque estudar não é só um direito é, também, um dever, se estiver abrangido por escalão, deveria ser privado no ano seguinte. Infelizmente, muitos alunos só vão à escola, não para assistir às aulas, mas para comer de borla!
Os mega-agrupamentos, tão badalados pelo bloco central, não passam de decisões economicistas. De pedagógico não têm nada. Ainda por cima, feitos a régua e esquadro, ignorando a geografia, a diversidade e identidade cultural, a vontade dos cidadãos (já que neste burgo estes, os cidadãos, não contam para nada, a não ser em vésperas de eleições)… Tal como a reforma das freguesias!
No fundo, o senhor professor Crato, andou durante anos a criticar os seus (suas) antecessores, com um discurso contra o facilitismo, tem-se pautado por medidas facilitistas. Estruturalmente mal fundamentadas e pessimamente argumentadas. Agora são, como medida de autonomia, a possibilidade de as escolas com melhores resultados poderem contratar mais professores! Como? Então, não deviam ser as escolas que apresentam piores resultados a poderem contratar mais professores? E lá voltamos a ignorar o país e as suas assimetrias sociais, económicas e geográficas. Dir-me-ão que tem que ser, porque não há dinheiro. Há. Mas não é para investir no presente e no futuro dos portugueses. Há. Mas é para os abutres que rodeiam a mesa do orçamento do estado. É o abismo.
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

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«Detesto o que o senhor escreve, mas daria a minha vida para que o senhor continue a escrever», Voltaire (1694-1778).

Miguel Relvas

Esta citação, a propósito da liberdade de expressão (dia comemorado recentemente), remete-nos directamente para o assunto do momento: as pressões – ou as ameaças – sobre os órgãos de comunicação social e os seus profissionais. Consta-se que, o ministro Miguel Relvas, terá ameaçado uma jornalista do jornal Público e o próprio jornal, a ela, deque exporia assuntos da vida privada e a ele, seria-lhe negada informação do governo. E logo o ministro da propaganda! O assunto é gravíssimo. Se é verdade que o ministro ameaçou a jornalista com assuntos privados, a pergunta é: como obteve ele essa informação? E por quê a reserva/medo na publicação do artigo? Pelo que consta, o assunto era sobre as secretas. O que não deixa de ser curioso… ou preocupante! Se é verdade que a ameaça ao jornal de lhe ser negada a informação que é fornecida a todos os órgãos de comunicação social, então estamos perante uma situação de privilégios. Ambos os casos atentam contra o artigo 37º da Constituição da República portuguesa. Politicamente, parece-me, que devem ser tiradas ilações. Recentemente, na Alemanha da senhora Merkel, o presidente da república, foi obrigado a demitir-se por pressões sobre um jornal. Mas cá pelo burgo, tudo vai ficar igual, como se nada se tivesse passado. A política em Portugal funciona em sistema de corporativismo, protegem-se uns aos outros. Analisem as comissões de inquérito da Assembleia da República, e vejam as conclusões, condenações e decisões que até agora têm tomado! Zero.
Por falar em zero. Esta semana, lá na longínqua Hong Kong, o vice-presidente do BCE, ex-governador do Banco de Portugal, Dr. Vitor Constâncio, fez umas afirmações ou previsões, eloquentes. Diz tal personagem que, a Grécia pode vir a sair do euro. Tal com já fizera antes, numa antevisão digna de iluminados, que a Grécia passaria por uma crise profunda. Acresce dizer que esta última afirmação é feita em plena crise grega. E que aquela só deve querer dizer que a Grécia vai sair da zona euro. É que cá, lembramo-nos muito bem do fiscal Constâncio ao BPP, BPN… e ao seu magistério de regulador.
Mas nesta semana vieram à luz dois relatórios importantes: o relatório do Conselho das Finanças Públicas e o relatório com as previsões da OCDE. O primeiro aponta para uma visão demasiado optimista nas previsões e números do governo. Constatando-se que o corte nas despesas foram feitos nos salários e nos subsídios dos funcionários públicos, na saúde e na educação. As rendas milionárias continuam. As milhares de fundações do estado ou nas que tem parcerias, mantêm-se. Um ano depois de ter anunciado que as iria rever e acabar com muitas. Está tudo igual. As mordomias, os gastos sumptuosos em pareceres e encomendas de estudos aumentaram. As empresas do estado continuam a sugar dinheiro (a começar pelos gestores, e estes são cada vez mais). Portanto, não vejo onde está a admiração de tantos perante este relatório. O facto, é que todas as previsões feitas pelo governo e pelos iluminados que o aconselham, incluindo a troika, têm saído furadas. A OCDE aponta para um aumento do desemprego para os 16%. Aponta para quase paragem da economia interna e uma lenta retoma das exportações. Também nada de novo. Não é preciso ser nobel em economia para prever esta situação. Afinal, com o aumento do desemprego e consequente perda de compra, não há consumo. Não havendo consumo, não há produção. Não havendo produção, não há emprego. Não havendo emprego, não há pagamento de impostos. Não havendo pagamento de impostos, não há receitas do estado. Não ensinaram isto ao senhor ministro Gaspar lá, os seus amigos de Chicago?! Hoje já somos o país com os impostos mais elevados na zona euro. O que fará o governo a seguir? Fecha o país? Ou manda às malvas a estupidez merkeliana e começa a governar Portugal?
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

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Para não passar para esta crónica todos os significados que o dicionário nos diz, direi, de forma simples que, o referendo é uma consulta popular. O substantivo deriva do latim, «referendu», e significa «o que deve ser confirmado». A importância de atendermos ao significado das palavras facilita a compreensão dos conceitos. Para esta crónica é essencial.

Desde sempre, que os políticos e a política, se manifestam em nome do povo. O sentido da democracia assenta no princípio de eleições, por voto livre e secreto. E sempre que se elege alguém, efectivamente, passa a representar-nos. Todavia, o pressuposto, reside na confiança no eleito que assenta num programa, num projecto, numa ideia. Portanto, o eleito tem por obrigação, por em prática o seu programa para que, assim, se torne fiel depositário do voto do cidadão.
Infelizmente, não é a nada disto que assistimos. Os partidos, e os seus dirigentes, apresentam programas eleitorais ao eleitorado (a maior parte deles completamente inócuos, ideologicamente vazios, elaborados numa linguagem entendível a poucos) que, depois, não vão cumprir. Arranjando desculpas e artimanhas para tal. Passando a executar um programa oculto (muitas vezes obscuro) que, também, regra geral, vai contra o sentido do voto daqueles que neles votaram e que o fazem, ironicamente, em nome desses mesmos que votaram.
Ora, não é este o sentido nem a função político e, muito menos, da política. É ultrajante ouvir os políticos falar em nome do povo, quando nada das suas decisões foram propostas ao povo. Alguém consultou o povo para a adesão à União Europeia? Alguém consultou o povo para a inclusão na moeda única? Alguém consultou o povo para a ratificação dos vários tratados europeus? Alguém consultou o povo para o «convite» à troica? Alguém consultou o povo para a nacionalização do BPN? Alguém consultou o povo sobre o fim dos feriados? Alguém consultou o povo sobre o acordo ortográfico? Alguém consultou o povo para o fim dos serviços essenciais do estado (educação, saúde, justiça…) no interior do país? Alguém consultou o povo para o fim das linhas-férreas, a construção de barragens (destruindo património natural e cultural)? Alguém… Não. Ninguém consultou o povo. E, no entanto, todas estas acções são tomadas em nome do povo.
Obviamente, que não defendo uma governação assente exclusivamente no referendo. Mas defendo que o referendo deve ser um instrumento essencial para a governação, como forma de decisão em variadas matérias, e, essencialmente, como confirmação de decisões.
O caminho por onde estamos a levar a democracia está a levar a um virar de costas do povo à participação nos actos eleitorais, ao desinteresse pela política e na participação na vida pública. Desta forma, empobrecemos a democracia e construiremos uma sociedade politicamente medíocre, formada por cidadãos desinteressados e inertes e abriremos as portas aos regimes totalitários, aniquilando as liberdades que nos tornam cidadãos plenos.
Estou convencido de que, com o recurso à consulta popular com mais frequência, não só envolveria muito mais os cidadãos na política, com também, sustentaria muitas das decisões, agora tomadas à revelia. Não esquecendo, que obrigaria os políticos a uma maior transparência (para não dizer verdade), à tomada de consciência de que não são donos do voto e de que, verdadeiramente, o poder pertence ao povo.
Afinal, porquê tanto medo de consultar o povo?
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

Os tempos que vivemos mudam rapidamente, e tão rapidamente, que se torna difícil registar as mudanças que vão surgindo pelo mundo. Mas antes das mudanças, algumas referências que me parecem importantes. O mês de Maio comemora datas importantes e que merecem ser referenciadas.

O 1º de Maio, dia do trabalhador. A comemoração deste dia é uma conquista alcançada pelos trabalhadores e pelos sindicatos. Representa, precisamente, a conquista de direitos e garantias no trabalho. Li, por essa altura, aqui no blogue, um comentário a um artigo, em que falava no fim do 1º de Maio, pois já não há trabalhadores. A ideia faz sentido. O governo devia acabar com o feriado do 1º de Maio. Razões? Ao ritmo a que o governo empobrece o país e o número galopante de desempregados, rapidamente não haverá trabalhadores. Portanto, faz sentido acabar com o 1º de Maio como feriado. Resposta do primeiro-ministro: habituem-se!
A três de Maio, comemora-se o dia da Liberdade de Expressão. Quase nem nos damos conta da importância do uso e do usufruto desta liberdade. Habituámo-nos a dizer, a expressar livremente o pensamento e nem pensamos que esta é uma das mais significativas conquistas de Abril. Pilar de uma sociedade autónoma e livre.
8 de Maio, dia da Vitória. Comemora-se a vitória dos Aliados sobre a Alemanha Nazi.
9 de Maio, dia da Europa. È urgente pensar ou repensar a Europa. Pois ela afasta-se cada vez mais dos cidadãos e, dessa forma, afasta-se de si mesma. Os princípios e os objectivos que levaram à sua criação estão a ser ignorados. E o colapso do projecto europeu é um fracasso civilizacional. E contra a corrente, proponho que este dia seja feriado em todos os países da União Europeia! E esta semana lá veio o senhor ministro da economia com aquele ar de quem saiu da tasca lembrar que existem estudos quanto ao benefício de acabar com os feriados. Estamos safos! Com o fim dos feriados, Portugal sai da crise num instante, se acabarmos com mais dois feriados ficamos, quase de certeza, com super havit! Mas eu também posso dizer que existem estudos que apontam para um benefício da economia com a existência de feriados. É que, quanto a estudos, volto a repetir, nunca se sabe quem os fez, quem os encomendou e onde estão.
Todavia, o que foi verdadeiramente importante esta semana, foi um estudo/relatório internacional sobre o nível da «cunha», colocando Portugal como o país onde a «cunha» é mais usada. Só que o estudo não incide sobre a sociedade em geral, mas sobre os políticos e os governantes! E estes são considerados os mais corruptos. Assim de clarinho. E quando ouço estas notícias, lá me vem à memória, o caso Face oculta, Freeport’s, Portucale’s, a licenciatura do outro, BPN’s, … só para citar alguns.
Na segunda-feira, dia 7, a TVI (passe a publicidade), mostrou uma interessante reportagem sobre a electricidade/energia. As barragens e as eólicas. Parece que foi de propósito. Pois a reportagem mostra como o estado fez, faz, negócios excelentes para as empresas e ruinosos para os contribuintes e para o país! Provou-se que não era necessário construir mais barragens. Pois as barragens existentes já estão aplicar o sistema de bombagem de água. Ou seja, a mesma água vai passar pelas turbinas as vezes que a barragem quiser. E este plano, de apetrechar as barragens com este sistema, já estava a ser implementado, quando o anterior governo anunciou com pompa o fim da foz do rio Tua e da sua linha férrea e o fim do único rio selvagem em toda a Europa, o rio Sabor. E para quê? Para encher os bolsos a uns quantos amigos. É o contribuinte e cliente da EDP que paga a electricidade produzida pelas eólicas a um preço exorbitante. E o negócio foi tão bem feito que, às eólicas, está garantido o dinheiro mesmo sem electricidade. Não há absolutamente nenhum risco. Uma maravilha!
Sobre estes roubos, literalmente, não ouvimos uma única palavra do senhor primeiro-ministro, nem do todo poderoso e soturno ministro das finanças. Nada. No entanto sabemos bem em quem batem… são uns valentões!
Agora, par o fim, quero falar-vos das mudanças. Elas começam mais lá atrás no tempo. Começam com a primeira volta das eleições presidenciais francesas e com a vitória do sr. Hollande, socialista e que, na campanha eleitoral, endureceu o discurso contra uma Europa míope quanto às pessoas e obcecada com a austeridade quanto à economia. Bastou esta pequena vitória para colocar todos os líderes europeus a dizer que sim senhor, é preciso outra atitude e outras políticas. Até a senhora Merkel mudou o discurso e até já admite, vejam, admite repensar o plano para Europa. Pois bem, o sr. Hollande ganhou as eleições presidenciais em França. Pela primeira vez na história da república francesa um presidente não foi reeleito. Creio que está tudo dito. A próxima, acreditem, é a senhora Merkel, na Alemanha, a ser corrida. É esta a grande virtude da democracia, ninguém é dono do voto do cidadão. O facto é que o discurso europeu mudou. E irá mudar muito mais. Pois a Europa está a ser conduzida por gente medíocre e para um beco sem saída.
Por cá, realizou-se esse encontro luso-espanhol. Dos discursos inócuos e repetitivos, sobra-me uma imagem: um está roto e o outro está nu.
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

Hoje, somente uns versos.


Para quê
um dia absurdo
quando o teu tempo
é toda a eternidade?
Para quê as flores
Se são as tuas mãos
o mais vibrante jardim!
É no teu regaço
que sossego
o desassossego do mundo
No teu olhar
que me enlaço
no teu abraço
o amor profundo
Para quê
qualquer prenda tonta,
se não consigo ver
no teu sorriso
a vida,
a palavra
que me faz ser
Se não entender
nas tuas lágrimas vertidas
nessas, que vertes às escondidas,
o maior sentido
de existir!?
E serei indigno
se não te disser
que a minha alma tem
o teu nome gravado,
mãe!
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

Quando, aos emissores da Rádio Renascença, soava a «Grândola Vila Morena» na voz de Zeca Afonso, a revolução estava em marcha.

Era a madrugada de 25 de Abril de 1974 e punha fim a um longo período de ditadura (48 anos). Restaurava-se o princípio da democracia, libertava-se a liberdade e soltava-se ao vento de Abril a esperança pintada de cravos vermelhos. Estes, que dariam nome à revolução, representavam o fim da opressão política, social e económica. O fim de uma guerra teimosa e a possibilidade de estancar a hemorragia da emigração. O fim do isolamento do povo que deu «novos mundos ao mundo» e devolvia a dignidade de pessoas e cidadãos a um povo humilhado e vergado ao medo.
Aquela madrugada devolvia a honra a uma nação e, com ela, o ocupar o seu lugar entre as outras nações, sem se envergonhar. Aquela madrugada trazia à rua as vozes durante tanto tempo caladas que, agora, ocupavam cada cidade, vila e aldeia. O povo estava na rua, desta vez sem medo e convicto que o futuro lhe pertencia. E o grito libertado, solto, ecoava por todos os recantos da nação e por todas as nações.
Aquela madrugada prometia o raiar de um dia novo.
Mas, importa perguntar hoje, 38 anos depois, onde está essa madrugada? Onde está o povo que gritava na rua a sua esperança e que, com cravos vermelhos, pintava o futuro? Onde estão os cidadãos e as pessoas e a sua dignidade? Onde está a honra da nação?
Vividos estes anos de democracia, os princípios que a norteiam e sustentam, têm vindo a ser colocados de parte e esquecidos por todos. Alterámos o paradigma de comunidade e sociedade para um que, somente nos deixa ver o nosso umbigo. Esquecemos a fraternidade e a solidariedade que nos torna pessoas e pessoas que vivem umas com as outras. Tornámo-nos egoístas. Mandámos para as calendas a cidadania, exigimos direitos e ignoramos os deveres. Substituímos a ética pelo «chicoespertismo». A política pela aldrabice e o servir pelo servirmo-nos. Deixámos que a democracia se tornasse num negócio, onde a justiça, a saúde, a educação, a segurança… se compra e se vende.
Os tempos que correm trazem dificuldades. Colocam-nos perante novos desafios e exigências. E colocam-nos novas expectativas. De certa forma colocam-nos, de novo, nessa madrugada. Só resta saber se seremos capazes de a transformar em manhã.
De certa forma, falta cumprir Abril.
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

Por estes dias, em que a chuva resolveu aparecer, dando a esta primavera uma tonalidade mais cinzenta e cumprindo o ditado de que, «Abril águas mil», tenho pensado, em como em Portugal, ninguém estabelece um plano de acção. Ninguém planifica. Ninguém estabelece objectivos e caminhos para lá chegar. Os partidos, arrastam uma indefinição ideológica e, mesmo com programas políticos (ou pseudopolíticos), estes são feitos em função das circunstâncias. Carecem de uma matriz identitária e de identidade.

Esta ideia vem a propósito das jornadas parlamentares do PS, que decorreram em Bragança, primeiro e, depois, a prática governativa deste governo do PSD.
António José Seguro, líder do PS, discursava e apregoava para os seus deputados de que este governo estava a ignorar o interior. Fiquei pasmado! Então não foi o PS que foi fechando escolas, centros de saúde, estações dos correios? Ah! Mas antes estavam no governo. Agora, como já não estão, volta o discurso do interior. Serve como exemplo de um discurso feito em função das circunstâncias.
Depois, comparem o discurso do primeiro-ministro agora e do candidato a primeiro-ministro antes. Palavras como «não aumentamos impostos», «não serão pedidos mais sacrifícios aos que menos têm», são palavras que depressa o vento levou. O que prova que os programas e os discursos são vazios. As ideias inexistentes.
Esta semana trouxe ao de cima a verdade crua e nua do acordo de concertação social. É mau e, como tal, provocou alterações na lei laboral más. E mesmo assim, o governo não o está a cumprir. Guardei a cara de espantado do secretário-geral da UGT… O ministro da economia apresentou esta semana a nova proposta do governo para o valor da indeminização aos trabalhadores por despedimento, 7 a 13 dias por cada ano de trabalho. Argumentos: para ficarmos enquadrados com a média da União Europeia. Exactamente como os alemães, já que ganhamos exactamente o mesmo! Brilhante este ministro. Outro argumento, que existe um estudo que aponta nesse sentido. Claro que faltava cá o estudo! Há sempre um estudo! Mas nunca se sabe quem o fez, onde está, quem o encomendou. Tal e qual como os estudos do Sr. George, director eterno geral da saúde, contra o tabaco. E, por fim, o argumento da troika. Sempre a troika, como costas grandes para impor restrições aos mais fracos. A mesma troika exige o corte nas rendas das PPP’s, mas aqui só se ouvem palavras vãs. Esta prática de governar, negando tudo o que se disse, prejudica a democracia porque, essencialmente, afasta as pessoas da política e, principalmente, dos partidos. E os portugueses têm-no mostrado em cada acto eleitoral.
O primeiro pacto ou acordo que os políticos e os partidos têm que fazer com o eleitorado é o da confiança. É esta confiança o suporte da prática política e do funcionamento da democracia e das suas instituições. Mas para isso, como disse, é necessário a existência de uma matriz ideológica que seja identitária e, por isso, identifique.
O panorama nacional mostra, e demonstra, um arco político ideologicamente errante, politicamente vazio e eticamente duvidoso.
Podemos dizer, diz-me se estás no poder ou na oposição e eu direi quem és.

P.S. Esta semana o FMI emitiu um relatório, onde aponta que Portugal, depois da intervenção da troika, terá muitas dificuldades em relançar a economia. Nada de novo, basta seguir o rumo das políticas seguidas pelo governo. Mas o que admira é que, a base de muitas das políticas, são do próprio FMI! Mais, o FMI faz parte da troika! Esta troika não está cá, supostamente, para nos salvar? Este relatório é o reconhecimento próprio fracasso.
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

Sempre considerei que a capeia era a actividade que envolvia toda a comunidade, directa ou indirectamente. A capeia arraiana tem sido contada, estudada, fotografada, filmada, noticiada… mas penso que sempre faltou um estudo centrado numa perspectiva mais sociológica e até antropológica. Obviamente, que não pretende esta crónica sê-lo! Mas, aproveito este início de época das capeias, agora que a capeia é património nacional cultural imaterial, para analisar o anúncio que a inventaria.

O documento apresenta as razões que levaram a comissão a considerar a capeia património. E neles, estão alguns aspectos que sustentam a minha ideia. A primeira é que ela é «identitária e de ancoragem territorial». Identitária porque identifica, não só os que são das aldeias onde se realizam mas, também, os de todo o concelho. Territorial porque, sendo de uma parte, ela é regional, enquanto concelho. É esta identidade e identificação com a capeia que, praticamente, nos torna gente com uma matriz social e cultural única. Mas importa verificar que, o anuncio, aponta dois pontos que me parecem os mais relevantes, «a produção e reprodução efectivas que caracterizam esta manifestação do património cultural na actualidade, devendo ser salientado o papel de mobilização social e de reforço identitário que esta prática cultural desempenha no interior da respectiva comunidade» e «a efectiva transmissão intergeracional desta manifestação». Relevantes, porque a capeia é um fenómeno aglutinador e dinamizador. A realização da capeia é um trabalho que envolve toda a comunidade. É verdade que são responsáveis os mordomos (e não serão estes mordomos os herdeiros daqueles, que as cartas de foral autorizavam os «vizinhos» (habitantes) dos concelhos a escolher como recolectores de impostos(?!), mas no momento em que são nomeados, toda a comunidade o é. È preciso escolher os touros, fechar a praça, tapar os caminhos do encerro, andar com o rol, cortar e fazer o forcão… todo este trabalho é feito pela comunidade, por todos. E reparem que, mesmo o esperar o touro e afoliá-lo é uma actividade que envolve todos. A capeia é, efectivamente, um polo de mobilização social. Junta todos e, aqui, não só os da comunidade que a organiza, mas toda um região.
O outro ponto que me parece relevante, é o facto de a capeia ainda ser um fenómeno de transmissão intergeracional. Numa altura em que, por motivos que aqui agora não importa desenvolver, os saberes, os sabores e, portanto, muitas tradições se perdem porque não têm um veículo de transmissão às gerações seguintes, a capeia, ainda, repito, ainda, é uma tradição que se vai transmitindo às gerações futuras. E aqui, reforço, porque ela é uma tradição identitária e que não pertence a nenhuma elite, a nenhum grupo, mas porque é de todos.
Ora, o facto de a capeia ter sido considerada património cultural imaterial nacional, não representa um prémio, no sentido de nos terem dado um rebuçado, mas representa um acrescentar de responsabilidade. Já não é só nossa, partilhamo-la com todo o país. Contudo, é a nós, arraianos dessas aldeias, e sabugalenses, que compete a tarefa de a preservar, manter, divulgar e, essencialmente, transmiti-la às gerações futuras. È esta a principal tarefa e ninguém se pode excluir, porque seria negar a sua própria identidade.
Oxalá saibamos ser dignos da consideração com que nos distinguem a herança que recebemos.
Ó forcão rapazes!

P.S. Desejo a todos uma santa e óptima Páscoa.
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

Numa semana em que se discute na Assembleia da República as alterações ao código do trabalho, proposto pelo Governo, a pergunta que me ocorre é… e se não houvesse trabalhadores?

O que teria sido, ou que seria, a Humanidade hoje, se não existissem trabalhadores? Provavelmente, não sairíamos do estado de recolectores.
Sempre que se fala em relações laborais existe uma espécie de preconceito em relação a uma das partes da relação laboral. Os trabalhadores são sempre vistos como uma espécie perigosa, arruaceira e, ironia, como não querendo trabalhar. Pode ser que esta imagem tenha surgido, e ainda perdure, na segunda metade do séc. XIX, quando os movimentos de trabalhadores, mais tarde sindicatos, começaram a reivindicar alguns direitos. É verdade. Houve lutas, e lutas na verdadeira acepção da palavra. As greves e manifestações desse tempo foram verdadeiros campos de batalha entre os trabalhadores e a polícia, enviada pelos governos, muitas vezes a pedido dos patrões. É por isso que, ainda persiste essa palavra de ordem de «a luta…». Se é esta a imagem que ainda perdura, volvidos cerca de século e meio depois, significa que a sociedade avançou muito pouco.
A relação laboral não é, e nunca pode ser, uma relação a um. São precisos dois. O patrão (ou empregador) e o trabalhador. É no equilíbrio da balança dos interesses de ambos, que pode haver harmonia na relação laboral.
Ora, assistimos, com esta proposta, a uma alteração intencional desta relação quando, se reporta mais poder para um dos lados. Sendo este um problema, não consigo entender o argumento de que, este agilizar de despedir, se transforme na mais valia de criar emprego! Preferia que, sem andar com palavras sonantes, falácias, rodriguinhos eviras, dissessem claramente que esta alteração ao código do trabalho, facilita o despedimento e, mais uma vez, vai aumentar o número dos desempregados. Ou alguém acredita que se vai despedir para se contratar?!
Os trabalhadores vão ficar mais fragilizados. Encaminhando-se a sociedade para um beco sem saída. O trabalho não pode ser encarado somente como lei, antes como um direito, como dizia Victor Hugo. Nós estamos a transformá-lo num favor. Numa caridade. É este o paradigma traçamos. Uma sociedade onde as pessoas serão um número e, submissas, pelo favor do seu trabalho, lhe darão o pão.
Dir-me-ão, o título da crónica também pode ser posto ao contrário, e se não houvesse patrões? Sem dúvida que sim. Respondo, pegando precisamente no conceito de relação. Continuo acreditar que não são os salários o óbice da nossa economia. Muitas vezes é a mediocridade dos nossos empresários que obstam a um maior progresso na nossa economia. A maioria dos nossos empresários, não se vêm como tal, mas sim como patrões e donos das empresas. Alinhando no quero posso e mando e, em que tudo o que entra é para o seu bolso.
É preciso alterar o paradigma, percebendo o ponto de partida (mesmo agora, nesta crise, seria uma boa oportunidade) para se saber onde se quer chegar. O que temo, é que esta alteração, seja o princípio de um recuo civilizacional.

P.S.1 Já repararam nos vários ataques a José Sócrates, agora que deixou de estar no poder? Não parece estranho que, só agora, venham todos estes ataques? Demonstra o quanto quem está lá em cima tem poder e em como todos os que gravitam à volta dele, depressa esquecem.
P.S.2 Uma palavra, para referir aqui, o meu lamento pela morte de António Tabuchi. Uma perda enorme para a literatura, em particular, e para a cultura portuguesa, em geral.

«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

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«Quem não tem vergonha não tem consciência»; Thomas Fuller.

Hoje, trago a esta página, três ou quatro assuntos, que me parecem relevantes para o título desta crónica. Quando se aponta o dedo aos outros de falta de seriedade e honestidade, esquecemos que outros três dedos, da mesma mão, apontam para nós.
Esta semana ouvimos o todo poderoso chairman Catroga dizer, engasgadamente, que o valor que o estado paga às empresas energéticas, não era assim tanto, que era preciso fazer as contas… Uma explicação que nada explicava e que deixava claro a mentira e, acima de tudo, a falta de vergonha. Este foi o senhor que aconselhou, representou e assinou o memorando da troika pelo PSD. Sabia obviamente, o que lá estava estipulado quanto às rendas que o estado paga às empresas energéticas e que, com a sua assinatura, concordava serem exageradas e que, portanto, deveriam ser reduzidas. Pois bem, este senhor é agora chairman de uma dessas empresas e que, agora, considera errado o que há uns meses considerava certo e correcto! Este assunto fez cair um secretário de estado. E este senhor, não? Não. Porque este senhor não tem vergonha. Nem ele nem quem o lá colocou e se mantém calado.
Depois não estranhem os adjectivos com que os políticos são brindados.
Outro assunto é o dos estaleiros navais de Viana do Castelo. Numa altura em que tanto se fala do mar e das suas potencialidades, da aposta que deve (ou deveria) ser feita nessa matéria, encontramo-nos perante uma estranha situação com estes estaleiros. O governo PS passeou-se por ali com aquele amigo do ex-primeiro ministro Sócrates, Hugo Chavez, anunciando a salvação dos estaleiros. Esse amigo encomendou uns navios no valor de cento e tal milhões de euros, contudo, os navios ainda não começaram a ser construídos porque… os estaleiros não têm dinheiro para comprar o aço e o ferro! Parece que precisavam de três milhões de euros para tal. Este governo, quando tomou posse prometeu resolver o problema, tido como prioritário. Já lá vão oito meses e parece, parece, que encontraram a solução: privatizar. O que não consigo entender é que se existem milhões para o BPN, para o BIC, «subsídios» chorudos para as empresas energéticas e para as PPP’s, não existem três milhões para os estaleiros de Viana?! Três!?
Agora avança a privatização, o que vai implicar que o estado enterre mais uns milhões (muitos) para a capitalizar e a poder vender. O mais certo é ser ao desbarato, como o BPN. Uma vergonha.
Falando PPP’s (Parcerias Público Privadas). Sabem que as primeiras PPP’s foram feitas, registadas, sem haver legislação que as regulasse? Que só onze anos depois essa legislação foi criada? Por aqui se vê a trafulhice com que foram criadas. O estado estabelece um acordo em que uma empresa faz uma obra e o estado proporciona-lhes a sua exploração e ainda lhes paga uma renda durante trinta ou quarenta anos! São negócios ruinosos para o estado, melhor, para os cidadãos e contribuintes. Pois são estes que pagam. E, contudo, ninguém é responsabilizado. Aliás, são os ministros que, depois de o serem, vão para administradores dessas empresas. Está bom de ver porquê! Uma vergonha.
Por fim, este espantar pela confirmação da derrapagem na execução orçamental. Vindo a explicar tal fracasso com o falhanço dos pressupostos (arrecadação de impostos, aumentos das prestações sociais…). Eu fico espantado com estes argumentos! Então não estava mais que visto que tal vinha acontecer? Não percebo é como o governo, com tantos especialistas e um infindável rol de comissões e equipas de trabalho, não viu que tal era inevitável com o rumo e as políticas que está a seguir. O seu espanto e a sua ignorância são uma vergonha.
Infelizmente, assistimos a um desfiar, diariamente, de gente sem vergonha. Pois, como diz o provérbio, «donde a vergonha sai, nunca mais lá entra».
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

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Um prefácio é um resumo do conteúdo de um livro. Uma introdução. Um prefácio eventualmente contém algumas impressões de terceiros sobre a obra. Estas definições servem para contextualizarmos a crónica.

O livro «Roteiro VI», ou melhor, o seu prefácio, tornou-se esta semana na obra mais citada cá pelo burgo. Não porque seja uma marca literária ou um ensaio científico mas, porque expressa a visão da história do Sr. Presidente da República. Dito desta forma nada haveria de novo. Só que este texto, vem falar de lealdade ou de falta dela. Este texto, vem falar das relações institucionais entre o Presidente da República Cavaco silva e o Primeiro – Ministro José Sócrates. Este texto, expressa uma vingança.
Cavaco Silva acusa José Sócrates de não lhe ter contado a verdade sobre a situação do país. Violando, desta forma, a Constituição, concretamente o artigo 201. Pois bem, Cavaco Silva, Presidente da República, tem como obrigação e dever (foi isso que jurou quando tomou posse) de cumprir e fazer cumprir a constituição. Se nada fez, quem está a faltar ao compromisso? E, então, o homem que fez toda uma campanha eleitoral assente no facto de ser economista e, portanto, conhecedor desses meandros, não sabia, não se apercebia, do que se estava a passar, quando o cidadão, dito comum, sabia?!
Quanto à lealdade, Cavaco Silva não tem autoridade moral para esgrimir tal conceito. Recordo telegraficamente alguns episódios: aquando da sua passagem pelo governo como ministro das finanças e a sua chegada à presidência do PSD (aliás, até com o nome do partido, mudou-lhe o nome) e a conspiração contra o Bloco Central e a “lealdade” para com o Dr. Mário Soares e o Dr. Hernani Lopes aquando da assinatura da adesão à então CEE. Outros exemplos haveria desse tempo. Mas, voltando a estes tempos, vejamos a lealdade de Cavaco Silva, as célebres escutas em Belém, acusando o governo de o estarem a espiar. Vindo-se a saber que tinha sido uma orquestração da própria presidência. Depois, aquele discurso na tomada de posse do último governo de Sócrates. Foi um discurso de uma lealdade impressionante!
Cavaco Silva passou o primeiro mandato calado. Começou o segundo a falar de mais, agora, brinda-nos com uma vingança sobre Sócrates oito meses depois. E faz isto, sacudindo a água do capote, como se o estado em que o país está não tivesse nada a ver com ele. É caso para dizer que a «vingança se serve fria»! Tudo isto mostra um homem mesquinho, medíocre e ressabiado. O que lamento, é que é isto que temos como presidente da República.
Esta semana ficámos, também, a saber que, o programa da troika, tem servido, somente, para que este governo aplique as medidas de austeridade aos mais pobres e aos fracos. Com a demissão do Secretário de Estado das energias, ficámos a saber que, é uma imposição da troika, reduzir às empresas energéticas o «subsídio» que o estado lhes paga. Mas esta medida troikiana ainda não foi aplicada (fala-se em quatro mil milhões…). Contudo, o corte nos salários, na saúde, na educação e por aí fora, foram imediatos. E os subsídios nem sequer eram imposição da trioka! Por aqui se vê as mentiras que se vão dizendo e contando, recorrendo ao famigerado memorando para justificar uma acção política que levará infalivelmente à miséria a maior parte da população portuguesa.
O que me deixa perplexo, é o facto de todas estas medidas apontarem para um mesmo resultado – a falência das pessoas, das empresas e dos países. E desconfio que não passamos de cobaias em experiências de soturnos iluminados das economias que, em gabinetes fechados e desconhecendo a realidade, vão experimentando as suas teorias.

P.S. Afinal, o célebre acordo de concertação social, que tanto regozijo deu ao governo e patrões e enfeitiçou a UGT e outros sindicalistas, acaba de ser mandado às malvas pelo governo no que concerne aos trabalhadores de recibo verde. Quanto querem apostar, em como outras se lhes seguem?
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

A polémica desta semana anda à volta de qual o ministro que gere os fundos comunitários. Sendo um assunto sério, não deixa de ser um episódio que demonstra em como a nossa política vive de mediocridades e de irrelevâncias.

Importante, porque deve ser claro quem é o responsável pela movimentação desses dinheiros, quem coordena os projectos e os financiamentos. Mais a mais, num país em que os dinheiros comunitários têm sido canalizados, na sua maioria, para contas (leia-se bolsos) de uns quantos… A prova é visível. A indústria praticamente não existe, a pesca foi dizimada, a agricultura não produz e, no entanto, foram gastos em subsídios rios de euros! É, portanto, essencial, que os fundos comunitários comecem a ser investidos de forma séria e estruturalmente. De forma a que, eles contribuam efectivamente para o desenvolvimento da área em que são investidos mas, também, para o desenvolvimento do país. Mas este episódio deve ser visto pelo lado em que não se vê. O lado obscuro. Aí, nas sombras dos corredores do poder, onde se movimento aqueles que, politicamente, se chamam de lobistas. Este episódio mostra os interesses dos que queriam um ministro a mandar e os que queriam outro.
Todavia, este assunto, demostra o quão é pobre o nosso debate político. Este é um assunto que não pode levar oito meses a ser decidido por um governo. Ainda por cima, numa altura em que o país vive uma crise profunda. Em que o financiamento das empresas e dos empresários é extremamente difícil, o governo prefere entreter-se em escolher o galo para o poleiro! Entretanto, o desemprego ganha proporções muito preocupantes, principalmente nos jovens. As empresas fecham. Outras deslocam-se para países em que os impostos são baixos ou nulos e a mão de obra está pouco mais que acima de escrava. O interior do país vive isolado e abandonado. O custo de vida agrava-se diariamente e as políticas, desprovidas de humanismo e consciência social, vão arrastando o país para uma miséria que já nem disfarçada é.
Pois bem, enquanto o Sr. Primeiro se mantiver obcecado com o “custe o que custar”, que importa que os hospitais não tenham compressas nem medicamentos, a polícia não tenha carros patrulha nem tinteiros para as impressoras, a justiça ande a ritmo de caracol (principalmente se os arguidos ou suspeitos sejam figurões cá da praça) e seja somente aplicada aos fracos, a educação seja um conjunto de escolas (mega – agrupamentos) com a função de armazéns onde se guardam as crianças, a saúde seja tendencialmente só para ricos, que os bombeiros não tenham dinheiro para abastecer os carros… que importa?! No final o governo terá umas palmadinhas nas costas dos alemães e dos agiotas, mas não terá um país.
Afinal, como previa, os cortes e as restrições não são para todos. O regime de excepções começou e a «procissão só ainda vai no adro»! É a TAP, o Banco de Portugal, a CGD… enfim! E a maior excepção é o estado e as centenas ou milhares que orbitam à volta do orçamento do estado, cuja única função justificável é serem possuidores de um cartão partidário ou o sobrenome de um dos chefes.
Os cortes necessários deveriam ter começado por cima. Por quem ganha muito, em relação à maioria dos portugueses, e que fazem tão pouco. Para que, efectivamente, se cortasse nas despesas do estado e houvesse, dessa forma, autoridade moral para o aplicar ao povo. Assim, o que fizeram, foi anunciar de peito firme o corte nos salários, nos subsídios e em mais não sei quantas coisas mas que, depois, foram os que menos ganham quem levou com os cortes.
É pena. Pois quem se apresentava como paladino de transparência, de uma nova forma de estar na política, revela-se tão obscuro como os demais.
A política deixou de ser um serviço ou uma causa pública. Transformou-se numa pocilga.
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

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