Aquela que é, seguramente, a obra mais célebre de William Shakespeare, «Romeu e Julieta», estará em cena na caixa de palco do Grande Auditório do Teatro Municipal da Guarda (TMG) na próxima sexta-feira, dia 1 de Junho, às 21h30, na versão sempre original e electrizante da Companhia João Garcia Miguel.

Romeu e Julieta são duas vítimas, quase inexplicáveis de um grande amor. Para eles tudo se conjugou em contrariedade, como se não existisse lugar para o seu amor no mundo em que viviam. É uma estranha metáfora, esta, de não existir lugar para o amor no mundo, e de todas as forças se conjugarem para de forma consciente e, também inconsciente, para a sua limitação. Romeu e Julieta tiveram uma noite de amor tão extraordinária que lhes custou a vida.
«Fazer um Romeu e Julieta, no actual momento, foi um erro infantil, com o qual nos deliciámos e sofremos, uma vez mais. Fazer teatro nos dias que correm é um erro que atenta contra a vida daqueles que o fazem. Aliás, os fazedores de teatro são Romeus e Julietas, tal é a paixão que os move e os riscos que correm. Contudo o mundo precisa mais do que nunca de gente apaixonada por aquilo que faz, de pessoas apaixonadas pela vida e por aquilo que trazem diariamente ao mundo. É de um grande conjunto de desordens, de pequenas desordens criativas, espalhadas por todos os lados da vida, espalhados em todos os momentos do dia, que precisamos mais do que nunca; que outra coisa se pode esperar daqueles que se dedicam a criar e a recriar o mundo senão: erros infantis?», escreve a propósito desta versão de Shakespeare João Garcia Miguel, o encenador e director da companhia.
A peça, classificada para maiores de 12 anos, conta com a interpretação de David Pereira Bastos e Sara Ribeiro; a música e vídeo são de Rui Gato; os figurinos são de Steve Denton e o desenho de luz é de Luis Bombico.

Exposição de Mário Cesariny
No sábado, dia 2 de Junho, o TMG inaugura, pelas 18 horas, na Galeria de Arte, a exposição «Visto a esta luz», do artista plástico português Mário Cesariny, por muitos considerado o expoente máximo do surrealismo na pintura em Portugal. Esta exposição ficará patente até 29 de Julho e é apresentada no âmbito de uma parceria com a Fundação Cupertino de Miranda. A fundação assumiu nos últimos anos de vida do artista plástico uma relação de grande proximidade e amizade. Nesta exposição procura dar-se uma visão global da sua obra no contexto da Colecção da Fundação Cupertino de Miranda. A exposição é comissariada por António Gonçalves.
Mário Cesariny nasceu e viveu em Lisboa (1923- 2006). Estudou na Escola de Artes Decorativas António Arroio. Estudou também música com Lopes Graça. Posteriormente frequentou o primeiro ano do curso de Arquitectura da ESBAL. Participou nos encontros do «Café Herminius» e aderiu ao Neo-realismo, do qual se vem a desligar em 1946. No ano de 1947 conhece André Breton e é nesse mesmo ano que participa na fundação do «Grupo Surrealista de Lisboa», do qual se afasta em 1948, vindo a formar um novo grupo «Os Surrealistas». Com este participa na Primeira Exposição dos Surrealistas.
«Ao longo da exposição encontram-se alguns dos seus objectos que adquirem uma particularidade e mesmo uma aura que os retira do sentido do objecto escultórico e do ready-made. Apresentam-se antes com encontros de sentidos muito apurados, enquanto relações poéticas. Resultam de uma abordagem de vivência com o quotidiano e salientam-se pela sua simplicidade. É uma prática constante a dos objectos que vão sendo encontrados, e que Mário Cesariny vai revelando, quer pela articulação que estabelece entre eles, quer pela importância que lhes dá no seu dia-a-dia, quando os remete para o seu espaço particular, em específico o seu quarto e ali os vai mistificando e desmitificando, como se lhes fosse encontrando uma consideração, uma poética», escreve António Gonçalves a propósito desta exposição.
A exposição pode ser visitada de terça à sexta das 16h às 19h e das 21h00 às 23h, aos sábados das 15h às 19h e das 21h00 às 23h e aos domingos das 15h às 19h. A entrada é livre.
plb (com TMG)

Esta história deve estar muito fantasiada. Mas tem piada. É uma daquelas «boutades» da «fidalguia» rural da nossa zona, os grandes lavradores de cada terra: eles tinham dinheiro e exibiam-no. Eram os únicos que o tinham. E então esta de ter um carro americano devia dar um «sainete», que fax’ avor… se é que me entendem.

José Carlos MendesEste foi o primeiro carro da terra. Penso que era um Ford, pelo que me lembro de ouvir falar dele. Era por volta de 1930. Julgo ter sempre ouvido dizer que era um Ford 1928. Mas não foi este o primeiro carro que houve na Freguesia. Não. Em 1905, o Morgado de Santo Amaro comprou um dos primeiros carros de Portugal e sem dúvida o primeiro da nossa região. Foi titular da primeira carta de condução do País, datada desse ano (1905). Foi obra…
Mas voltemos ao Ford 1928.
Era de um dos lavradores mais abastados da terra: o sr. António Mendes. Se era de facto um Ford, era parecido com o da foto, a que retirei a matrícula.

A viagem era uma aventura
O sr. António Mendes comprou então o carro. Um carrão. Um luxo.
O pior eram as mãos do dono.
Parece que fazia tudo menos «conduzir». Andava no carro. Ia aos zigue-zagues pelos caminhos e estradas. Aliás, imagino, as saídas da garagem deviam ser muito poucas, porque a qualidade dos arruamentos era de certeza péssima.
Em todo o caso, contava-se à noite ao serão que um dia lá pegou no carro e… «ala que se faz tarde»: rumo à Guarda. Mas com umas peripécias que a todos encantava ouvir.
Era o caso de acentuar bem a inépcia do senhor ao volante.
Contava-se que a cada curva, lá parava e mandava o criado ver se lá vinha alguém.
Notem: isto era nos anos 30. Não havia carros por aqui, a não ser os carros de bois (melhor: de vacas – era assim que se dizia, é assim que se diz agora, mas já não há carros de vacas no Casteleiro há muito tempo…). Portanto, se viesse algum carro seria de vacas. Reparem na auto-confiança do homem: era preciso que o empregado («criado»: era o termo) fosse à frente e parasse o «trânsito»!
A viagem era uma grande e demorada aventura: os 30 km que seriam do Casteleiro à Guarda eram uma tortura para os dois viajantes.
A cena repetia-se pelas estradas adiante: nas curvas, o lavrador parava o carro para o criado sair e ir à curva assomar-se para diante a ver se não vinha de lá ninguém: nem pessoas nem carroças, nem algum carro que por ali eventualmente já circulasse. Afastado o perigo («Fujam, fujam, que vem aí o carro do sr. António Mendes») ou não o havendo, o criado, então, fazia sinais largos, gritava e «mandava» seguir o patrão…

Coitado do polícia
Assim, naquele dia, manhã cedo, lá foram andando para a Guarda: Casteleiro, Santo Amaro, Enguias, Carvalhal, Belmonte, cruzamento do Ginjal, Gonçalo, e por aí adiante, depois serra acima, serra abaixo, subida para a Guarda…
Entrada na cidade da Guarda. Estamos nos anos 30. O trânsito de automóveis era pouco, seguramente. Mas havia trânsito, ainda que também de carroças e tal. A prova disso é que havia dois ou três polícias sinaleiros em cruzamentos com maior afluência de tráfego.
Um desses locais, frente à Igreja da Misericórdia da Guarda, era exactamente aquele em que se deu o incidente. O. Porque terá sido uma situação muito, mas muito falada. É que o senhor António Mendes, homem rico e bem relacionado, não era propriamente um anónimo… e aconteceu um «qui pro quo» que podia ter sido grave. Foi apenas divertido e alvo de anedota. Mas podia ter sido mortal.
Muito simples de entender.
O sinaleiro lá estava na sua função. Manda parar este. Manda avançar aquele. Manda parar todos para passarem os peões… O normal para um sinaleiro.
Só que quando mandou parar o Senhor António Mendes, o homem atrapalhou-se, não consegue parar o carro, desata a esbracejar para o polícia, grita para o criado que mande sair o sinaleiro.
O sinaleiro esbracejava para o mandar parar. O carro não pára. Avança para o estrado do polícia. Leva o polícia no «capot», vai direito à muralha em frente, o polícia dá aos braços a segurar-se com dificuldade.
Valeu que a velocidade era pouca, felizmente, e tudo acabou em bem: não houve feridos.
Mas houve troca de piropos.
Diz o polícia, a arrumar-se e a limpar-se:
- Que diabo é isto? O senhor não me viu?
Resposta pronta e tranquila do sr. António Mendes (que bem sabia que a ele nada podia acontecer naquele tempo):
- Eu vi, que diabo. E o senhor não me viu a mim? Por mais que o avisasse o senhor não me saía da frente, o que é que quer?

Resolvida a questão, cada qual lá terá ido à sua vida e o incidente não teve qualquer consequência, como sempre, quando se tratava de grandes lavradores…
«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Soito iniciou em 16 de Setembro de 2011 a ampliação das instalações do quartel. O projecto é um grande salto na melhoria das condições da corporação e uma das maiores iniciativas da actual Direcção presidida por Maria Benedita Rito Dias.

(clique nas imagens para ampliar.)

A estrutura metálica de suporte está montada, mostrando uma visão geral e panorâmica da grande obra que vai engrandecer esta Associação.

Quem pretender ajudar os bombeiros pode transferir o seu donativo para:
NIB: 003507020001137293062
ou, se for no estrangeiro, através do:
IBAN: PT50003507020001137293062, código CGDIPTPL.
A Direção e os Bombeiros Voluntários do Soito agradecem.
jcl

Manuel Leal Freire - Capeia Arraiana«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual a cada domingo vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Este Município raiano, um dos maiores do País em termos de extensão territorial, tem 40 freguesias, algumas delas com anexas, sendo no total exactamente 100 (cem) o número das localidades do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta bismulense dedica um soneto a Águas Belas, freguesia da margem esquerda do rio Côa. Nos próximos domingos serão editados os poemas relativos às aldeias anexas de Águas Belas: Vale Mourisco, Espinhal e Quinta do Clérigo.

ÁGUAS BELAS

A ciência popular, por milenária
Atestam-na os selos dos espertos
Mas sendo em sua essência una e vária
Tem cânones dia a dia descobertos

Por isso, em aforismos sempre certos
Se encerra uma verdade e a contrária
São ditos por outros ditos recobertos
Mas sempre a experiência a emissária

Em azulejo aposto numa fonte
Alguém mandou gravar para que conste
E sirva de recado pra donzelas

Quando se busque água ou mulher
Só se for pura e boa é que se quer
Que assim é que são as águas belas

«Poetando», homenagem às terras sabugalenses de Manuel Leal Freire

Um contínuo processo de normalização vem destruindo as características do falar que efectivamente existiu neste recanto português que é Riba Côa. Fruto desse processo a pronúncia estabilizou ao redor da palavra correctamente escrita e na sua exacta expressão oral. A fala rude e imprópria foi ganhando regras e adquirindo a devida sonoridade.

Vêm de longe as influências que contribuíram para essa padronização do falar, mas ter-se-á acentuado com a expansão do sistema de ensino e a instalação de escolas na generalidade das povoações e também com a saída dos jovens para o cumprimento do serviço militar obrigatório. Na escola aprendia-se a ler e a escrever o português perfeito, seguindo à risca os manuais, e isso reflectia-se na fala, que passava a ser mais cuidada. Na vida militar os jovens beirões eram ridicularizados pela pronúncia e pelo léxico que utilizavam e, no seu regresso aos campos, vinham a falar diferente e a censurar aos familiares e amigos o que a eles igualmente fora censurado. De entre os outros factores da nivelação linguística conta-se a sucessiva instalação de postos da Guarda Fiscal nas povoações da primeira linha de fronteira. Das guarnições faziam parte militares que não eram originários da zona e os muitos militares raianos que integravam essa força tinham de submeter-se a um curso na incorporação, e podiam permanecer largos anos em terras longínquas até conseguir colocação no rincão natal. Também os párocos na Igreja, e fora dela, desempenhavam esse papel nivelador da língua. Ainda que geralmente oriundos de aldeias próximas às que pastoreavam, os eclesiásticos eram sujeitos a longa e cuidada formação nos seminários, sendo privilegiados conhecedores da língua portuguesa, cujas formas de rigor passavam a transmitir.
Mas a grande mudança deu-se mais modernamente, sobretudo pela penetração nas aldeias de poderosos meios de comunicação, como os jornais, a rádio e, sobretudo, a televisão. A população foi ficando conhecedora de que havia formas mais finas de falar, tomando consciência que a sua expressão era uma maneira algo rude de comunicar. Além do mais, houve a vaga de movimentos migratórios para o Litoral e para fora do País, com um regresso continuado à aldeia no tempo de férias, sendo o emigrante portador de novos conhecimentos, de outra forma de falar. Mais uma vez o íncola que ficara agarrado ao seu terrunho, era ridicularizado: que continuava labrego, um autêntico troglodita, usando expressões ásperas e rudimentares pouco condizentes com o «português de lei».
Depressa se acentuaram as diferenças nas falas, principalmente entre os velhos e os mais novos que haviam saído a correr mundo, ou que frequentavam a escola, ou que vinham do seminário. Começou a usar-se a designação de fala charra, achavascada, achambuada, chamorra ou à pastora, para as formas de expressão mais antigas, querendo esses mesmos termos dizer «falar mal». Já o «falar bem», dentro da norma, ou a isso aproximado, era designado por falar grave ou falar à política, o que não era acessível a todos.
Podemos considerar que o processo de normalização linguística a que ficou sujeito o povo de Riba Côa e do geral das regiões de Portugal (o fenómeno aconteceu um pouco por todo o lado e num tempo aproximado), levou ao triunfo da língua portuguesa, aproximando-se todo o país às suas regras convencionais, perdendo-se porém a riqueza da suas particularidades regionais e locais. A tendência para a uniformidade fonética ocorreu em relativamente poucos anos, num processo que podemos considerar acelerado, ao qual ninguém ficou indiferente. As pronúncias muito acentuadas e muitas das antigas designações locais foram sufocadas pelas formas escorreitas da língua oficial que o mestre-escola passou a ensinar aos meninos das aldeias. Podemos até afirmar que a normalização linguística se ficou primeiramente pela aproximação fonética, naquilo que verdadeiramente foi possível nivelar, no restante, ou seja, na morfologia e na sintaxe as evoluções foram menos visíveis, mantendo-se uma forma de falar, onde se destacou um léxico rico em expressões locais que não tinham uso divulgado noutras zonas do país.
Mas a aldeia deixou de ser estar fechada sobre si mesma, com o adro como centro do mundo, e abriu-se a um vasto cosmos que progressivamente a invadiu, fazendo-a aperceber-se da sua pequenez.
A uniformização passou com o tempo a ter consequências a todos os níveis, perdendo-se mesmo parte da variedade lexical. Digamos que restou, contudo, uma boa parte do vocabulário e uma que outra expressão fonética mais arcaica, de forte incidência local, às vezes agarrada apenas a habitantes mais antigos.
Paulo Leitão Batista, «O falar de Riba Côa»

leitaobatista@gmail.com

No livro «A oposição em Espanha», da portuguesa Loy Rolim, pode ler-se: «Não é segredo para ninguém que na Idade Média, depois da invasão árabe as nacionalidades espanholas se formaram de maneiras diversas. No começo, a Catalunha foi uma marca franca do Império Carolíngio, – a marca era uma divisão administrativa do tempo de Carlos Magno – por essa razão, manteve laços muito estreitos com o sul de França, com a Occitânia, até à batalha de Muret, em que os franceses do norte desmantelaram a civilização albigense, na cruzada contra os cátaros. Nessa altura, a Catalunha encontrou-se separada da Occitânia e, estendeu-se pelo sul, pelas terras de Valência e pelas Ilhas Baleares. A expansão catalã nunca foi, contudo, uma expansão de caráter imperialista. Teve sempre um espírito federalista. Quando foi até Valência, por exemplo, conservou o reino de Valência com a sua autonomia. E fez o mesmo em relação à Maiorca. Mais do que imperialismo, tratava-se de uma expansão comercial e industrial. Sob este aspecto a Catalunha aparenta-se às cidades comerciais da Itália.»

Catalunha

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaNa verdade, o exemplo vale. E, como se sabe, nunca Genova ou Veneza. cidades marítimas, Florença, cidade de banqueiros, ou Milão grande empório fabril, tiveram ambições territoriais. Numa época em que pela superioridade técnico-táctica que possuiam, facilmente poderiam ter ascendido a impérios pela conquista nos Balcãs, na Asia Menor ou no Norte de África, nunca abandonararn a natureza de cidades-estado as três primeiras; e Milão, se foi cabeça de território, o facto deveu-se a imposição dos monarcas que a incorporaram e não a determninação dos milaneses.
«Barcelona», disse Victor Hurtado, membro na década de setenta do Reagrupement Democratic y Socialista da Catalunya, «contentou-se sempre em ser o motor dum aglomerado de países, ao passo que, em Castela, foi a concepção do estado militar e administrativo que prevaleceu. Isto criou evidentemente uma diferença entre as duas sociedades, diferença esta que se tornou importantíssima no século XIX, dado que Castela ainda se não tinha adaptado nessa altura à nova concepção do mundo que era o capitalismo burguês, ao passo que a Catalunha já estava muito perto dela».
Nascida, embora, de preocupaçõs militares (já atrás se assinalou a sua função de marca, conquistada e mantida por Carlos Magno, tanto para desviar das suas proprias fronteiras o perigo mouro como para incentivar as cruzadas do Ocidente), a Catalunha marcou sempre uma posição muito mais relevante no campo económico.
Valência, as Baleares. uma parte da Itália, até Portugal, têm sido beneficiados pelos seus capitães de indústria. E entre nós há numerosas empresas cujos titulares ostentam nomes autenticamente catalães. Muitas vezes tratou-se de simples operários altamente especializados que aqui deram expansão a projectos que na terra natal, já com unidades fortemente implantadas, não poderiam ter feito triunfar.
No plano militar ou das simples alianças, contrariamente, a regra tem sido o fracasso ou a inoperância.
Possivelmente, desde Roncesvales, onde segundo a lenda, Roldão, o belo e heróico sobrinho de Carlos Magno perdeu a vida por um erro de táctica: ou seja a escolha dum desfiladeiro para acantonamento e evacuaçãao de tropas.
Mas tem sido frequentemente origem de conflitos, a pontos de merecer a designação de Alsácia-Lorena da Península.
Para o êxito da nossa Restauração, em 1640 encontrava-se sublevada contra os Áustrias, dos quais mais tarde seria aliada face aos Bourbons, o que, com a vitória destes, lhe acarretaria novas restrições e maior dependência.
«Politique d’ Abbord – Reflexões de um Politólogo», opinião de Manuel Leal Freire

«Detesto o que o senhor escreve, mas daria a minha vida para que o senhor continue a escrever», Voltaire (1694-1778).

Miguel Relvas

Esta citação, a propósito da liberdade de expressão (dia comemorado recentemente), remete-nos directamente para o assunto do momento: as pressões – ou as ameaças – sobre os órgãos de comunicação social e os seus profissionais. Consta-se que, o ministro Miguel Relvas, terá ameaçado uma jornalista do jornal Público e o próprio jornal, a ela, deque exporia assuntos da vida privada e a ele, seria-lhe negada informação do governo. E logo o ministro da propaganda! O assunto é gravíssimo. Se é verdade que o ministro ameaçou a jornalista com assuntos privados, a pergunta é: como obteve ele essa informação? E por quê a reserva/medo na publicação do artigo? Pelo que consta, o assunto era sobre as secretas. O que não deixa de ser curioso… ou preocupante! Se é verdade que a ameaça ao jornal de lhe ser negada a informação que é fornecida a todos os órgãos de comunicação social, então estamos perante uma situação de privilégios. Ambos os casos atentam contra o artigo 37º da Constituição da República portuguesa. Politicamente, parece-me, que devem ser tiradas ilações. Recentemente, na Alemanha da senhora Merkel, o presidente da república, foi obrigado a demitir-se por pressões sobre um jornal. Mas cá pelo burgo, tudo vai ficar igual, como se nada se tivesse passado. A política em Portugal funciona em sistema de corporativismo, protegem-se uns aos outros. Analisem as comissões de inquérito da Assembleia da República, e vejam as conclusões, condenações e decisões que até agora têm tomado! Zero.
Por falar em zero. Esta semana, lá na longínqua Hong Kong, o vice-presidente do BCE, ex-governador do Banco de Portugal, Dr. Vitor Constâncio, fez umas afirmações ou previsões, eloquentes. Diz tal personagem que, a Grécia pode vir a sair do euro. Tal com já fizera antes, numa antevisão digna de iluminados, que a Grécia passaria por uma crise profunda. Acresce dizer que esta última afirmação é feita em plena crise grega. E que aquela só deve querer dizer que a Grécia vai sair da zona euro. É que cá, lembramo-nos muito bem do fiscal Constâncio ao BPP, BPN… e ao seu magistério de regulador.
Mas nesta semana vieram à luz dois relatórios importantes: o relatório do Conselho das Finanças Públicas e o relatório com as previsões da OCDE. O primeiro aponta para uma visão demasiado optimista nas previsões e números do governo. Constatando-se que o corte nas despesas foram feitos nos salários e nos subsídios dos funcionários públicos, na saúde e na educação. As rendas milionárias continuam. As milhares de fundações do estado ou nas que tem parcerias, mantêm-se. Um ano depois de ter anunciado que as iria rever e acabar com muitas. Está tudo igual. As mordomias, os gastos sumptuosos em pareceres e encomendas de estudos aumentaram. As empresas do estado continuam a sugar dinheiro (a começar pelos gestores, e estes são cada vez mais). Portanto, não vejo onde está a admiração de tantos perante este relatório. O facto, é que todas as previsões feitas pelo governo e pelos iluminados que o aconselham, incluindo a troika, têm saído furadas. A OCDE aponta para um aumento do desemprego para os 16%. Aponta para quase paragem da economia interna e uma lenta retoma das exportações. Também nada de novo. Não é preciso ser nobel em economia para prever esta situação. Afinal, com o aumento do desemprego e consequente perda de compra, não há consumo. Não havendo consumo, não há produção. Não havendo produção, não há emprego. Não havendo emprego, não há pagamento de impostos. Não havendo pagamento de impostos, não há receitas do estado. Não ensinaram isto ao senhor ministro Gaspar lá, os seus amigos de Chicago?! Hoje já somos o país com os impostos mais elevados na zona euro. O que fará o governo a seguir? Fecha o país? Ou manda às malvas a estupidez merkeliana e começa a governar Portugal?
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

Teresa Duarte Reis - O Cheiro das Palavras - Capeia ArraianaCastelo Bom é um daqueles marcos da história, maltratado ao longo de muitas épocas, pelas disputas de poder desde os tempos das lutas transfronteiriças que parece terem acalmado com o casamento de D. Dinis (1282) ao recebê-lo como dote. Esse rei, de espírito aberto e ideias firmes, estudioso e perspicaz vê a importância das praças de Ribacôa para a consolidação ou segurança da independência nacional e daí a necessidade de conquistar este Castelo. Logo se seguiu o Tratado de Alcanizes e Castelo Bom inicia um período de glória. Terá sido durante algum tempo um dos lugares de portagem do Reino, na região de Ribacôa. (Côa – Cuda e daí a região transcudana). O desenho de Duarte de Armas, de 1510, deixa-nos o que devemos hoje ainda lembrar.

Castelo Bom

CASTELO BOM

Ó Castelo Bom, de longe vens
Bem antes de Cristo, te ficou
“Cuda” fronteira natural que tens
Transcudana a zona se chamou
Às caminhadas romanas convéns
Que o diz quem estudou
E assim Ribacôa incluída
Civitas Augusti conhecida.

Visigóticos ali andaram
Como relatam sepulturas
Os mouros também ficaram
Com fuga cristã para as Astúrias
Em séculos abandonaram
De Ribacôa suas terras duras
Mas só em século XI então
Ó Castelo Bom, és de Leão.

Por Galiza então és povoado
Com tal Dª Urraca Senhora
E para foral te ser doado
Muito perdes ou ganhas outrora
Primeiros reis terão tentado
Por vários anos assim fora
É Afonso IX quem foral doa
Tudo se passa em terras Ribacôa.

Longa tua história e renhida
Que o rei D. Dinis vem definir
Com Alcanizes vencida
Condições do tratado reunir
Castelo Bom reconhecida
Fronteira a vencer no porvir
3 anos depois de 1293
Tiveste foral Português.

Como assim tu foste prosperando
E tuas obras continuaram
Pelo reinado de Fernando
Em Santarém te elogiaram
A crise de sucessão passando
O castelo te remodelaram
À Diocese de Lamego foste parar
Mas em ti, muito mais vai mudar.

Teu brilho aos poucos se perdeu
Ainda D. Manuel bem o tentou
Quando Foral Novo te concedeu
Importante futuro se desenhou
Mas s’a honra do povo devolveu
A Invasão Francesa o brilho te levou
Ficou então tudo destruído
Castelo Bom para sempre perdido.

Maria II em Almeida te integrou
E o teu poder se foi perdendo
Tuas pedras o povo levou
Para habitações irem mantendo
Sozinho, o povo te abandonou,
Como o historiador foi escrevendo
E para piorar teu destino
Comboio saiu do teu caminho.

Então a Freineda te juntaram
E a Vilar Formoso também
Outros desaires te molestaram
Que a qualquer castelo não convém
Tão só, isolado te deixaram
E de grande tristeza refém
D’Aldeia Histórica retirado
Mas de Beleza sempre coroado.

A minha admiração por Castelo Bom
«O Cheiro das Palavras», poesia de Teresa Duarte Reis

netitas19@gmail.com

Jesus Cristo, ao denominar-se «EU SOU O BOM PASTOR», encontrou umas das melhores definições para os seus conterrâneos, que conheciam bem os ambientes rurais e pastoris.

Quem já visitou as Catacumbas de Roma, lá encontra um ícone do Bom Pastor. Esta imagem transfere-nos para a missão sacerdotal.
O Papa Bento XVI insiste no celibato e recusa a ordenação de mulheres. Entendo que terão de se dar passos para inverter esta situação, porque até ao Concílio de Trento os Padres eram casados. São Pedro, um dos primeiros Apóstolos e o primeiro Papa, tinha família, era casado. Um dos milagres que Jesus Cristo realizou foi a cura da sua sogra. Quanto à ordenação de mulheres, parecem verificar-se razões impeditivas teológicas, mas numa sociedade moderna, em que a mulher desempenha todas as profissões (a minha mulher foi durante muitos anos diretora de um Estabelecimento Prisional), tem que se acabar com esta discriminação. Conheço mulheres a desempenhar funções de chefia e direção muito mais competentes que muitos homens. Acredito plenamente que a MULHER ainda terá o seu lugar no presbitério da Igreja, próprio, equilibrado, sensato, persistente, com a missão do grande amor de MÃE.
A Igreja Católica Portuguesa tem três mil e trezentos padres nos diversos serviços paroquiais e outros. No ano passado morreram cento e doze padres e só foram ordenados trinta e um, portanto um quarto dos que faleceram. Um terço tem mais de setenta anos e a idade média dos padres portugueses é de sessenta anos. Um presbitério envelhecido e gasto.
O Papa manda algumas farpas dizendo que não anunciamos teorias, nem opiniões privadas, mas a Fé da Igreja da qual somos servidores. E se não chegarem ou acabarem os servidores?
Alguns bispos dão alguns recados, assim o Cardeal Patriarca afirma que há a tentação de apresentar perspectivas e visões pessoais em vez de proclamar a Fé da Igreja.
O Bispo de Braga aponta as sete maravilhas da Igreja: a fé, a pobreza, o celibato, a alegria, a oração, a obediência e a unidade. Será que é isto que vemos no nosso presbiterado?
O Bispo de Leiria e Fátima diz que o sacerdócio é um sacramento social e apela a todos os sacerdotes para abandonarem as sacristias e irem ao encontro do mundo, optando por uma Nova Evangelização, que contrarie o eclipse de Deus e que atinja a sociedade. Concordo plenamente com esta mensagem. Quem dará passos em frente?
D. Clemente, Bispo do Porto, lembra que os pobres esperam respostas da Igreja e faz duras críticas à legislação, principalmente no sector da família e da procriação. Nos últimos anos com a lei do aborto foram feitos sessenta mil em Portuga, não se sabendo dos clandestinos.
O Bispo da Guarda, apelou aos sacerdotes para ajudarem os outros a escutarem o apelo de Jesus às vocações sacerdotais, o grande sofrimento da Igreja de hoje. Pediu-lhes para serem homens de acolhimento, o rosto acolhedor de Jesus Cristo, voltado para todas as pessoas sem exceção, o nosso ministério tem de promover a proximidade. Será que todos ouviram esta mensagem?
Na Páscoa, o Domingo do Bom Pastor, Pedem-nos para rezarmos a Deus, para que esse Dia Mundial das Vocações dê à Sua Igreja muitas e santas vocações sacerdotais e religiosas. A este propósito lembrei-me de uma situação de queixumes e lamúrias da parte de voluntários e voluntárias da pastoral prisional. Num encontro em Fátima lamentavam a falta de assistentes religiosos. O responsável Padre Dâmaso Lamber inquiriu todos os presentes e ninguém mandou o seu ou os seus filhos para o Seminário… e não estavam interessados para os mandarem frequentar no futuro.
Sei que no Distrito de Castelo Branco temos um Diácono, a desempenhar e bem essas funções, no sistema prisional.
Com os Seminários vazios ou quase vazios, há que encontrar alternativas. Já Camões avisava que todo o mundo é feito de mudança e mudam-se os tempos, mudam-se as vontades.
Os Bispos reuniram-se no Concílio de Trento e entenderam que deviam ter padres mais cultos e então criaram os Seminários para a sua formação. Sei por experiência própria a ação importante que tiveram na sociedade portuguesa. E hoje? Ainda se justificam? Porque é que os leigos não desempenham tantas missões no ministério da Igreja? Não seria importante concretizarem-se esforços para dar continuidade ao Concílio Vaticano II, que este ano comemoramos o seu cinquentenário?
Este tema dava para escrever um livro. Este texto é uma simples reflexão sobre o significado de um Bom Pastor. No meu modesto entender deve ser UM COMPANHEIRO DOS HOMENS NA FÉ.
António Alves Fernandes – Aldeia de Joanes

Afonso X, o sábio deixou expresso que cada homem tem a sua medida, enquanto os filósofos assentam toda a relatividade no princípio HOMO MENSURA.

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaEstabelece-se, por esta dupla constatação a também dupla condição do homem que mede e é medido, e que passará a tripla se se considerar que o homem é também autor de medidas.
O contraditório poeta, autor das Cantigas de Santa Maria e de muitas trovas de escárnio e mal dizer deixou bem expresso que uma boa medida para a Alemanha e a Lombardia poderia ser desastrosa para a Espanha e a Hungria.
Bem poderia o régio vate acrescentar por enumeração todas as demais partes do Mundo – não mundo porque imundo – se ele, soberano das Espamhas considerasse que havia mundo para lá das fronteiras marcadas na Marca de Carlos Magno.
Todas estas considerações e lucubrações me vêm a memória face às determinações com que os galeguitos da Troika todos os dias nos traçam caminhos.
Com um metro, que é o deles – e não o nosso.
Com uma direcção e um sentido que eles, à nossa revelia, traçaram e retrassaram, ou seja marcaram e cortaram.
Ainda que o seu propósito fosse ajudar-nos e não explorar-nos, as medidas, por serem, de estrangeiros e estrangeirados, teriam inelutavelmente de falhar,
Uma boa medida para os frios escandinavos, os teutónicos alemães, os ajudendados neerlandeses ou os ponderados súbditos de Sua Magestade Britânica certamente que se revelará desadequada para o nosso temperamento de meridionais.
Ainda que a medida emanasse de entidade a actuar de boa-fé e tivesse como propósito a a nossa salvação.
E se mesmo assim enquadrada falharia, o que será se examinada à luz de financiadoras que nos cobram juros marcadamente onzenários e nos deixarão quando não haja mais nada para rapar.
«Caso da Semana», opinião de Manuel Leal Freire

Ausente por motivos profissionais, não quero deixar de dizer «presente» em mais uma quinta-feira.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Embora não pareça, as estruturas partidárias estão já ao rubro com a aproximação de mais umas eleições autárquicas, daqui a pouco mais de um ano!
E estas ainda com maior significado, pois, a limitação de mandatos sucessivos (três para os eleitos locais), vai provocar uma razia nos Presidentes de Câmara e de Junta, um pouco por todo o país.
E se no Sabugal o atual Presidente pode, se assim o entender o Partido a que pertence, e o mesmo quiser, recandidatar-se, já no que diz respeito a Presidentes de Junta de Freguesia, muitos dos atuais estarão impedidos de se recandidatar.
Por outro lado, as alterações ao Mapa Administrativo (a propósito, o que se passará com esta famigerada Lei que nunca mais vê a luz do dia?…), a que se associam as alterações já anunciadas à Lei das Autarquias, de que as mais sonantes seriam a extinção das eleições para Presidente da Câmara que passaria a ser o primeiro nome da lista mais votada para a Assembleia Municipal, bem como a não eleição de vereadores que passariam a ser escolhidos pelo Presidente da Câmara, criando executivos monopartidários ou resultantes de coligações pós-eleitorais, constituem também um novo cenário em que as forças partidárias se vão mover e fazer as suas opções.
Os que me conhecem sabem que sempre defendi que os candidatos são importantes, mas, mais importantes ainda são as propostas que trazem para o desenvolvimento do Concelho.
Dou por isso muita importância às propostas eleitorais que são apresentadas, e nesse sentido, lembrei-me de algo que escrevi para o Jornal «Cinco Quinas» em 2001, e que aqui me permito reproduzir:
(..) nem sempre damos a devida importância aos propósitos contidos nesses programas, o que leva a que a qualidade desse documento seja normalmente muito baixa, quantas vezes limitada ao enunciar de um conjunto, quanto maior melhor, de ações e projetos a realizar se forem eleitos.
A desvalorização do programa eleitoral reflete-se também no facto de mais tarde nunca se controlar o grau de execução das medidas ali constantes.
No entanto, o programa eleitoral deveria ser colocado ao mesmo nível da qualidade dos candidatos, devendo todo o cidadão eleitor assentar a escolha do seu voto em função do binómio cidadão candidato/programa eleitoral.
E se esta questão é importante no geral, ela ganha importância acrescida quando se pensa a realidade do concelho do Sabugal.
Aqui os programas eleitorais não podem medir-se ao quilómetro de estrada, ao contador de água, aos complexos desportivos a construir, às praias fluviais a criar, etc., etc.
Um programa eleitoral no nosso concelho tem de conter, obrigatoriamente, que estratégia de desenvolvimento os candidatos têm para o concelho, e que, refletindo sobre a realidade recente do Sabugal, enquadre e condicione o cenário de desenvolvimento futuro do concelho, salientando os fatores chave da sustentabilidade e competitividade, bem como as respetivas dinâmicas estruturais de desenvolvimento.

«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

Tinha acabado o ano escolar no Outeiro de São Miguel, colégio situado num ermo a poucos quilómetros da Guarda, e fui para férias do Verão para a minha aldeia, o Vale da Senhora da Póvoa. É então que o meu Avô me comunica que no próximo ano me ia matricular no Externato Secundário do Sabugal para frequentar o 4.º Ano do Liceu.

José Jorge CameiraOu por estar perto da aldeia, ou porque tinha lá amigos que lhe recomendaram esse colégio dirigido pelo Dr. Diamantino, que tinha já fama de competente, disciplinador e com um bom grupo de Professores.
De princípio o assunto não me agradou muito, porque estava perto da minha Aldeia e o meu Avô poderia controlar melhor os meus passos e o pior de tudo seria a possibilidade de ele aparecer de repente por lá. Ora eu naquela idade queria, desejava, precisava de rédea solta…
Pensando melhor depois, aceitei a ideia, porque seria uma espécie de dois em um: era uma rambóia no Sabugal e outra aos fins de semana no Vale… Mas que boa vida de aventura eu iria ter!
O Sabugal é hoje cidade, mas é povoado que ficou pertença do Reino de Portugal pelo Tratado de Alcanizes, ao tempo do Rei D. Dinis, em pleno Século XIII. Por ser perto de Espanha, teve imensas estórias de contrabando de e para Espanha: para lá ia o café, o bacalhau, tabaco das marcas Porto, Definitivos e Kentucky e de lá vinha aquele saboroso pão formato quadrilátero além de outras coisas… era o tempo que 1 Escudo valia 2,5 Pesetas.
Famosas aldeias são deste concelho – Quadrazais, Fóios (terra do meu amigalhaço Ismael Sanches Vaz), Soito (das laranjadas e das castanhas)…
O Castelo é o ex-libris –«Castelo de Cinco Quinas só há um em Portugal ; fica nas margens do Côa, na vila do Sabugal».
À volta da Vila corre preguiçoso o Rio Côa – o único Rio de Portugal que vai para Norte, desaguando no Rio Douro. Por coincidência, ou talvez não, tem muitas semelhanças com o Castelo de Beja. O de Beja tem apenas «4 quinas», mas os documentos históricos dizem que a sua primeira reconstrução conhecida foi no tempo de D. Dinis, rei este que tem muito a ver com o Sabugal.
Chegou Outubro, fui para o Sabugal. Estava a papinha feita: ficaria hospedado na casa da Dona Jesus Alexandrino, uma casarona com quintal mesmo ao lado do Externato, com cama e comida prontinha na mesa. Na casa havia mais dois colegas estudantes do mesmo colégio, o Joaquim Corte e a Leopoldina de Santo Estevâo que haveria de casar com o Manuel Félix do Vale, já falecido.
Foram feitas as apresentações no Externato, mas eis que começam cedo as «confusões» – boas, entenda-se…
No Colégio conheci vários colegas, entre outros que já esqueci o nome: Orlindo Metaio, o Zé Rente, o Ferreira, o Zé Carlos Mendes, um gajo grandalhão e já com ares de intelectual…
Raparigas, algumas ainda lembro o nome: Hortênsia Malaquias, a Milice, Alice, a Lena Ermidinha, Isaura, as duas Fernandinhas.
O Zé Rente, lidei com ele os dois anos que estive no Colégio e tive uma admiração especial por ele: teve um acidente quando era mais novo – fez uma imitação de pistola em madeira e ao experimentá-la, o fulminante atingiu um dos olhos e cegou. Mas isso nunca o impediu de ser um exímio jogador de bola. Pegava na bola numa baliza e ia fazer golo na outra, sempre com toques de bola, saltitando no sapato dele… A fintar, era arte e finura em pessoa.
Mas tivemos as nossas makas: queria ser líder, mas eu também queria!
Casou com uma colega do Externato, a Vitória Pinto de Santo Estevão.

O Faustino (nome fictício) era um colega vivaço, sempre bem disposto, voluntarioso, fortalhaço, sempre rindo e um ás a jogar às damas. Ninguém no Sabugal o derrotava no tabuleiro do AltoBar!
Foi neste café que aconteceu uma estória engraçada.
A rapaziada bebia cerveja Sagres, a tal que custava 7 escudos.
Um dia foi uma risada geral quando um emigrante que chegou de «vacanças» e todo vaidoso pediu uma «bièrre» e cobraram-lhe 10 escudos. É que a «bièrre» é mais cara! – disse o empregado.
O Faustino logo nos primeiros dias disse a todos da turma, perante a minha estupefacção:
- Ei, malta, temos um novo colega, o Zé Jorge, temos que celebrar a vinda dele para o Externato! Na próxima segunda-feira, todos para minha casa à noite.
A recepção à minha chegada ao Sabugal foi assim programada o que deu ensejo que nesse fim de semana eu tivesse «subtraído» dois garrafões de vinho nas barricas da minha casa no Vale da Senhora da Póvoa.
Na noite da segunda-feira lá fui eu, éramos 12 ao todo. Já os tinha visto no Externato e só isso.
Quando entrei na casa do Faustino estava uma grande lareira acesa, grandes brasas que iluminavam uma grande sala. Sobre aquele braseal, várias galinhas assavam e estavam preparadas também chouriças. Pão… e, mesmo a calhar, os meus garrafões de vinho tinto.
Foi uma noitada de comer e beber, como eu nunca tinha tido na vida. Uma farra completa!
Alguém disse para irmos dar uma volta pela vila para refrescar a cabeça do tintol, depois voltarmos para a segunda demão.
Assim foi: passear, cantar, fazer barulho, pedradas nos gatos, alguns até com ruidosos traques que provocavam grandes gargalhadas! Alguém dava um, alguém respondia com outro.
Ora fazer algazarra a essa hora e naqueles tempos, a coisa tinha que dar para o torto. Podia ser coisa subversiva ou coisa de comunistas!
De repente lá em cima na rua principal e junto à Igreja ouvimos os apitos da GNR (os policias odiados de então) e os avisos habituais da bófia:
- Parem em nome da Lei! Ou vão todos presos!!!
É o páras!! Páro, o tanas… ai, pernas para que vos quero…
Nós os 12 começámos a correr pelas ruas fugindo aos GNR’s, cada um para o seu lado, e para agravar a situação, estávamos atordoados pela pinga e de barriga cheia de petiscos.
Lembro-me que fugia deles e sentia um preguinho do salto do meu sapato esquerdo que entrava e saía dentro do meu calcanhar, mas não havia hipótese: tinha de correr e muito!
Estava eu correndo com outro e chegados aquele pequeno jardim atrás do edifício onde era na altura as Finanças, ouvimos um voz forte e autoritária:
– EI , QUEM VEM LÁ?
Por instinto, julgando ser um dos polícias, eu e o meu colega jogámo-nos por aquela ribanceira que vai dar lá muito em baixo ao Rio Côa. Caímos no meio das silvas, rebolámos, ficámos todos arranhados, rasgados…
Inabanão, ouvimos alguém rir: era o Faustino que estava escondido e ouvindo os nossos passos, gritou daquela maneira! Mesmo na altura do perigo, ele gozava com a situação…
As correrias continuaram e eram 5 da matina entrei no meu quarto na casa da Dona Jesus Alexandrino.
A coisa não terminou assim. De manhã a ramona da GNR foi prender 11 moços, debalde procuraram o décimo segundo, que era eu…
Não fui dentro porque era novo na vila, ninguém me conhecia e os 11 não piaram!!
Acreditem: pelas 11 da manhã pedalava eu na bicicleta do Joaquim Corte junto ao local onde estavam de cana os meus colegas. Passaram algumas horas no xelindró e quando saíram, começámos logo de imediato a arranjar OUTRO MOTIVO para uma festança igual. O vinho das pipas da minha casa na aldeia estava garantido!

Um mês depois da aventura em que interveio a autoridade, apareceu novo motivo para uma festança entre os que estudávamos no Sabugal: o Faustino avisou que fazia anos e que tinha de haver festa!
– E tu ó Zé Jorge, não te esqueças de trazer uns garrafões de vinho, mas roubados, assim até sabe melhor a pinga…
Assim foi. Na tal sala da casa dele comemos um belo guisado de coelho e disse que foram roubados em Vila Boa. O Faustino avisou logo que era tudo para nós comermos, ela não iria comer por estar com uma grande dor de barriga!
Era um guisado feito numa panela de ferro das antigas e o cheiro entrava pelos narizes. Apiguilhado pelo vinho do Sr Tenente (o meu Avô do Vale), então foi o máximo. Ganda comezaina, cum catano! Não meteu barulho nas ruas, senão haveria outra «séjour» detrás das grades…
Estava a panela bem raspada, até houve quem passasse pão por dentro para aproveitar o molho como gulodice, quando o Faustino pediu silêncio. Aí vem discurso, pensámos!
- Oiçam, vocês lembram-se daquela gata velha em casa da minha avó, lá no cimo das escadas, cega dum olho, deitava pus amarelado, era um nojo, a velhota pedia-me muitas vezes para a matar?
- FOI ESSA GATA QUE VOCÊS ACABARAM DE COMER!!!
E começou rindo desavergonhadamente, segurando até a barriga…
Bem. Imagine-se a malta a sair correndo para a rua e todos enfiando o dedo bem fundo na goela para vomitar! Eu também. E injuriando o gajo… que ainda se ria perdidamente!

José Jorge Cameira

«Estórias de um filho de Vale de Lobo e da Moita»
mailto:jjorgepaxjulia4@hotmail.com

Há abismos que as chuvas de abril e maio não atestaram nem o sol da Primavera consegue aclarar quomodo são cavados entre a realidade e o desejável.

Fernando Capelo - «Terras do Jarmelo»Há, de facto, abismos que se abrem entre o que se ouve, entre o que nos explicam nas televisões, rádios ou jornais e a vida que, paralelamente, vivemos.
Não há, então, um só abismo. Há vários… Há a abismal ousadia de dizer (alguns dos que, tranquilamente, dizem) que estes dias, abismais, ainda não são os piores dias.
E há, claro, um abismo profundo entre os que pensam (sem nada dizerem) e aquilo que alguns imaginam que eles podem, realmente, pensar ou dizer. Poder-se-á, para esses, imaginar maiores desgastes físicos e emocionais?
Eis, assim, um outro abismo feito de angústia e de escassez de esperança. Se eles falassem (os que nada dizem) falariam, certamente, do excesso de angústia e do défice de expectativas.
Entretanto vão-nos dizendo (alguns dos que dizem) que sim, que nos entendem e que nos escutam. Mas o que eles dizem entender não é o que lhes é pedido. O que se lhes pede, o que se lhes exige são novos dias para quem, há muito, espera um novo dia. Há, aqui, portanto, mais um abismo entre o que é pedido e o que é concedido.
Há, ainda, quem diga que não, que não nos entende, que não consegue perceber o que nos aflige, que não se pode ceder e que, muitas das queixas são fitas e, até, podem ser chantagens. Mas a maioria dos queixosos pensam como quase todos embora, sim, seja verdade que há um quase que falta ao todo e esse quase pareça concordar com quem fala de fitas ou de chantagens.
Eis, então, exposto, um outro abismo. Este, não entre mandantes e mandados, mas entre nós e nós. Entre o quase que falta ao todo e os que temem um fim indigente. Entre os aflitos e os que chamam aos aflitos fiteiros ou chantagistas. Entre os tementes e os que, prefasiando alguns dos que mandam, falam de oportunismos.
Ora, definitivamente, não. Não é o ritmo nem o tom das conversas (dos que dizem) que nos convencem, que evitam o desespero que nos desconcerta, que nos isentam do que nos deprime, que silenciam o que nos atordoa, que nos aplanam abismos.
Ainda assim, talvez quem manda deva reflectir. É que há ainda uma outra espécie de abismo. O abismo aberto entre o comportamento de quem ordena e a reacção daqueles de quem se espera que obedeçam. Quem manda nem sempre demonstra muita cultura democrática, sobretudo quando tenta calar (apesar das angustias e dos défices de expectativas) manifestações de desagrado com intimidações exageradas.
Esse é, afinal, o mais perigoso dos abismos. É o abismo fundeado na degradação da democracia. E, claro, assim sim, poder-se-á caminhar para dias ainda mais difíceis se não for aberta a possibilidade de ouvir os argumentos de quem interpela, daqueles que, no fundo, também têm o direito de dizer e, até, de anular, de aplanar abismos.
Há, pois, quem revele desprezo e insensibilidade suficientes para fazer desejar séria avaliação independentemente da ideia que se tenha do conceito de razoabilidade.
«Terras do Jarmelo», crónica de Fernando Capelo

Hoyos uma localidade espanhola, da Sierra de Gata, Estremadura espanhola, está geminada com uma outra localidade francesa que se chama Sainte Verge. É uma geminação com uma década e todos os anos se visitam, alternadamente.

José Manuel Campos - Presidente Junta Freguesia Fóios - Capeia ArraianaHá quatro anos atrás o autocarro trouxe as duas delegações até aos Foios e desde aí nunca mais nos largaram. Somos sempre convidados para ir a França, o que nunca aconteceu visto que uma semana é algo complicado. Mas quando os franceses vêm a Hoyos, que dista cerca de quarenta quilómetros de Foios, confraternizamos pelo menos um dia.
Este ano aconteceu na passada sexta feira, dia 18 de Maio, e fiz-me acompanhar pela minha esposa, o geólogo José Luís Nobre e pelo João Paulo, técnico na Câmara Municipal.
Foi uma jornada muito animada com um almoço, oferecido pelos franceses, no parque de campismo de Hoyos visto ter umas excelentes condições.
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos

(Presidente da Junta de Freguesia de Foios)
jmncampos@gmail.com

Ainda sei distinguir o trigo do joio querido leitor(a), o sectarismo político e o fanatismo não me cegam, hoje vou falar de alguns homens políticos que eu considero os coveiros do Estado social em Portugal, e os causadores de todo este drama social que padecemos.

Já não somos o povo que fomos, já não fazemos História, vemo-la fazer, e aqueles que a fazem limitam-se a ignorar-nos ou a humilhar-nos, a nossa atitude perante eles é uma atitude de subserviência, principalmente para com a Alemanha. Com esta atitude estamos também a contribuir, não para uma construção europeia, não para a formação de um conjunto de Estados solidários e respeitadores da soberania uns dos outros, contribuímos sim para uma desconstrução europeia, onde as desigualdades entre Estados se agravam cada vez mais. Porque chegámos a este ponto? Porque alguns políticos ineficazes e subjugados pelo poder económico atiraram connosco para os confins da História.
Vejamos o primeiro: JOSÉ SÓCRATES, um tipo sem sensibilidade social que se dizia socialista, aproximou-se mais da ditadura do que da Democracia, com ele aprendemos que a política do posso, quero e mando não pertence só às ditaduras e aos regimes autoritários, este homem mostrou-nos com grande evidência que também a democracia contém dentro dela um enorme potencial coercivo e impositivo. Com ele Portugal começou a regredir a nível económico, social e político. A corrupção grassou impunemente, com ele começou o desmantelamento do Estado social em Portugal. Governou para ele e para quem o manteve no poder.
PASSOS COELHO: está a seguir as pegadas de José Sócrates. A conjuntura permite-lhe ser ainda mais desapiedado social. Um germanófilo em relação à política europeia e nacional. É a quinta-essência do Neoliberalismo, um lacaio do poder económico, tanto português como estrangeiro. Não representa o Povo Português, representa os Merkados, os bancos alemães e os especuladores. Se não fosse a comunicação social controlada enganando a população portuguesa, comunicação social essa que é pertença de alguns barões do PSD e passa a vida falando de vitórias e cantando aleluias ao governo, já o tínhamos posto na rua, somos o Povo Soberano, temos esse direito. Este homem nem governa para ele nem para os que o mantêm no poder, governa para estrangeiros. Está a destruir o Estado social a um ritmo impressionante. As políticas de austeridade que ele adopta estão a levar Portugal para uma catástrofe social idêntica à da Grécia.
CAVACO SILVA: como Passos Coelho, a quinta-essência do Neoliberalismo, vê Portugal a caminhar para o abismo e nada faz para o evitar. Quando entrou para Belém, o fosso entre ricos e pobres era enorme, havia nessa altura dois milhões de pobres em Portugal, vai sair de Belém com o fosso entre ricos e pobres muito mais acentuado, e com os mesmos dois milhões, ou mais, de pobres. Uma ineficácia política absoluta. Aceita a destruição do Estado social e as medidas de austeridade draconianas de Passos Coelho.
A este trio temos que juntar mais um político, DURÃO BARROSO: um homem que ocupa o lugar que ocupa, podia fazer um pouco mais pelo seu País, mas se o lá puseram não foi para isso, foi para obedecer às potências económicas da Europa. Só fala em agressividade económica, competitividade e austeridade, ou seja, fala a linguagem do mais ortodoxo neoliberal, a linguagem de Merkel. Um destruidor do Estado social europeu. Se um dia as coisa mudarem, muda de campo e de discurso, por isso em Bruxelas lhe chamam o «Camaleão». A mais não chega o seu horizonte mental.
E nós querido leitor(a), não seremos os culpados desta gente chegar ao poder? Claro que somos! Em primeiro lugar, 90 por cento dos portugueses que lêem jornais e vêem televisão acreditam piamente no que os corifeus dessa comunicação social lhes dizem, presa fácil para qualquer demagogo. Vivemos obcecados pelo consumismo, pelo materialismo, a maior parte de nós tem passatempos frívolos, somos superficiais, custa-nos pensar… Amamos o hedonismo vulgar e o embrutecimento moral. Resumindo: ficamos satisfeitos com a nossa dose diária de sexo, álcool, droga, de futebol, de tasca, de centro comercial e de grande superfície. Somos filhos do sistema. Controlar gente assim é das coisas mais fáceis para qualquer sistema político, porquê então usar a violência quando se podem controlar cidadãos e doutriná-los através da comunicação social, do marketing e de várias formas de manipulação mental e psicológica? O sistema já conseguiu a segurança necessária para que as suas vítimas, que somos nós, não o desafiem como em outras épocas históricas. Sendo assim, vai abusando.
«A melhor fortaleza dos tiranos é a inacção dos povos»; Maquiavel.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

 

A primeira Capeia Arraiana no Campo Pequeno realizou-se em 4 de Junho de 1978, dia em que os sabugalenses acorreram a Lisboa, enchendo a catedral da tauromaquia nacional para assistirem a um espectáculo popular desconhecido no país.

A ideia de trazer a Capeia Arraiana até Lisboa foi do Francisco Engrácia, de Vila Boa, que a custo convenceu a direcção da Casa do Concelho da exequibilidade da iniciativa. Uma comissão por si coordenada pôs mãos à obra, assumindo a responsabilidade pela organização e aceitando cobrir os prejuízos, se os houvesse, e assumindo que os lucros, se surgissem, reverteriam a favor dos Bombeiros Voluntários do Sabugal, na altura a única corporação do concelho.
«Capeia Arraiana» foi a designação escolhida pelos organizadores para o espectáculo, expressamente justificado: «O nome CAPEIA que demos à tourada no Campo Pequeno resultou de assim serem chamadas as touradas características das aldeias fronteiriças do nosso concelho. O termo caracteriza uma tourada em praça improvisada. Não foi concretamente o caso, mas o facto de termos trazido o FORCÃO conjuntamente com a realização do chamado PASSEIO DOS RAPAZES foi o bastante para que o termo se afigurasse ajustado. Capeia é também em Espanha a tourada realizada nos mesmos moldes que a CAPEIA ARRAIANA.» (jornal Sabugal, nº3, Julho/Agosto de 1978).
A tourada do forcão acresceu ao convívio anual que juntava os sabugalenses residentes em Lisboa e que se vinha realizando desde 1974: «o piquenique». O convívio aconteceu nesse ano de 1978 em 3 de Junho (dia imediatamente anterior ao da Capeia), no Parque do Seminário dos Olivais. Depois do convívio, os sabugalenses dirigiram-se para a sede da Casa do Concelho, onde assistiram a uma sessão de fados que se prolongou pela noite dentro.
Na manhã seguinte, domingo, realizou-se um jogo de futebol, opondo a equipa da Casa do Sabugal à da Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro, que os raianos ganharam por um expressivo sete a zero. Seguiu-se um almoço da sede da associação, que juntou os jovens futebolistas de ambas as equipas a uma delegação dos Bombeiros do Sabugal e aos elementos da direcção da Casa, estando também presente o presidente da Câmara Municipal do Sabugal, o Dr Lopes.
Findo o almoço chegou a hora de ir para a Capeia, no Campo Pequeno, e o percurso fez-se a pé, num vistoso e muito participado cortejo, que partiu da Praça do Areeiro e seguiu pela Avenida João XXI até ao Campo Pequeno.
A tourada com forcão aconteceu sem incidentes e encantou os que encheram a praça. A alegria e o convívio foram vencedores e, no final, feitas as contas, verificou-se um saldo positivo, sendo desde logo lançada a ideia de que no ano seguinte se realizaria nova capeia.
plb

A panela de ferro é a rainha da cozinha nos anos 50. Mas há ao lado os amigos dela: o tacho, a sertã, a caldeira – tudo arrumado ao lume, pendurado nas cadeias ou colocado em cima das trempes. Eis o cenário marcante de uma casa, onde a cozinha era a zona principal.

José Carlos MendesEsta é uma crónica sobre o trabalho escravo das mulheres de então. (E de hoje, em certa medida, porque muito se mantém ainda). Trata-se de uma época de cores fortes, pelo que uso aqui a panela, o tacho e as trempes como meio de atracção de leitura: foi para o enganar a si, leitor, agarrá-lo pelo lado da curiosidade e levá-lo a ler uma coisa bem mais profunda do que umas linhas folclóricas sobre tachos e panelas…
Cabe aqui dizer que nos anos seguintes, na década de 60, chegou a emigração e com ela mais dinheiro nos bolsos de muitos. Mas se é verdade que o dinheiro aliviou um pouco a miséria, é bom que se saiba que isso não aliviou as mulheres dos seus trabalhos. Pelo contrário: muitas ficaram sozinhas com os filhos e a vida toda: os animais e os campos para tratarem…

Cozinha, panela, tacho e trempes
A cozinha e o trabalho em casa ocupam a maior parte do tempo da mulher. Imaginem o cenário. Uma cozinha aberta, paredes e equipamentos na base do escuro de origem ou do preto adquirido pela queima de tanta lenha. Por cima, o caniço (fumeiro). À frente de todos, o lume. Do centro do lume sobem as cadeias, um entrelaçado de ferro em que se penduram os caldeiros com a comida para o «vivo» (os animais). Em volta do lume, as panelas: nelas se cozem as batatas, os feijões ou o caldo de couves. Umas trempes redondas (não triangulares como as da foto, retirada da net) servem para colocar em cima os tachos ou a caldeirinha de cobre ou de zinco em que se fritam as filhós ou se faz o arroz doce em épocas de festa. Aqui e ali, a sertã (frigideira) vai também ao lume para fritar um ovo e umas batatas, ou mesmo para fazer aquele inesquecível prato das «batatas arranjadas» (o que hoje chamamos «roupa velha»: aproveitamento de restos para os cozinhar em estilo de semi-frito, com azeite e alho).
A chouriça, a bucheira, a morcela ou o farinheiro, as costeletas, a carne gorda ou entremeada – esses alimentos raros, se os havia, eram grelhados numa grelha grande.
Este é o mundo da mulher do Casteleiro nos anos 50/60 do século passado.
Panelas e tachos são instrumentos da mulher. A cozinha é o reino da mulher.
Mas também o seu local de combate, de trabalho e dedicação até mais não: acende o lume, faz a comida, põe a mesa, serve a comida, recolhe a loiça, lava a loiça, arruma tudo, limpa tudo, vai ao campo, faz o que tem a fazer, volta a casa, acende o lume, faz a comida…

«Trabalho de mulher»
Uma nota cultural final: uma ideia que vem do fundo dos tempos. A propósito de tachos, panelas e caldeirinhas: já ouviu dizer que «isso é trabalho de mulher»? Em tom de menosprezo, claro. A má formação aliada à ignorância faz estas coisas no nosso cérebro. Foram milénios culturais que é preciso domar…
O que era então esse tal desprezível «trabalho de mulher»?
Era de tudo: a comida, a horta, os animais para alimentação e venda (porcos, galinhas, coelhos), cozer o pão e preparar todo esse processo… e muito, mas muito trabalho no campo. Nos tempos livres (?) ainda havia que tratar dos gaiatos, das roupitas deles, fazer camisolas de lã e coisas do género.
E faziam tudo.
Mulheres-heroínas, é o que é.
As refeições do dia estavam por sua conta. Eram muitas, nas casas de trabalho: almoço – às seis ou sete da manhã; na época das grandes fainas, nas casas que as tinham, o c’ravelo (penso que se deve dizer caravelo) – às dez horas; jantar – ao meio-dia, mais ou menos; merenda – pelas quatro ou quatro e meia; ceia – às nove no Verão e às sete e meia ou oito no Inverno.
Isso, ocupava muitas horas. Mas havia mais trabalho em casa: limpar, varrer, roçar.
E, quantas vezes, fazer a roupa de todos? E lavar a roupa? Dias inteiros na ribeira, fizesse calor ou nevasse? E passar a ferro aquilo tudo?
Nos «intervalos», campo. Na vinda, animais de casa: porcos, coelhos, galinhas e o resto.

Se o leitor tiver interesse em saber como é que eu penso que as nossas mães ocupavam o seu tempo nos anos 50, pode abrir aqui uma crónica que escrevi há quase seis anos e que ainda hoje me impressiona.
No Casteleiro, e se calhar no resto do País, as mulheres, as nossas mães, eram verdadeiras escravas: ele era em casa a tratar da família, desde o comer à roupa e à limpeza; ele era ali junto de casa a tratar do «vivo»; ele era no campo a tratar das hortas, e a regar, e a arrancar batatas, as cebolas, as couves e a mondar aqueles terrenos todos e… e…
Mas não se pode esquecer que os homens também davam no duro por aqueles campos fora.
Eram mas é vidas do catano, pá («catano», na minha terra, não é asneira: só brejeirice da boa).
«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Soito iniciou em 16 de Setembro de 2011 a ampliação das instalações do quartel. O projecto é um grande salto na melhoria das condições da corporação e uma das maiores iniciativas da actual Direcção presidida por Maria Benedita Rito Dias.

(clique nas imagens para ampliar.)

A cobertura da parte social e administrativa está quase pronta, os pilares que suportam a cobertura das garagens já estão de pé e vai iniciar-se o reboco das paredes interiores.

Quem pretender ajudar os bombeiros pode transferir o seu donativo para:
NIB: 003507020001137293062
ou, se for no estrangeiro, através do:
IBAN: PT50003507020001137293062, código CGDIPTPL.
A Direção e os Bombeiros Voluntários do Soito agradecem.
jcl

Variados factores influenciaram os habitantes de Riba Côa no seu falar, contribuindo para a criação de uma espécie de «dialecto empobrecido», com muitas originalidades, como de resto observou e explanou a filóloga Clarinda de Azevedo Maia no seu estudo «Os Falares Fronteiriços do Concelho do Sabugal e da vizinha Região de Xalma e Alamedilla», datado de 1964.

Mas de onde provém essa forma de falar que se enraizou na raia ribacudana? Francisco Vaz (in Alfaiates na Órbita da Sacaparte, Lisboa, 1989), lança alguma luz, aventando possíveis fontes desse linguajar peculiar, sobretudo no que reporta ao léxico: «O idioma leonês que nos embalou o berço; a tradição cujas raízes não secam; vocábulos de criação original e simbólica, colhida das coisas; também a lei do menor esforço; a onomatopeia que supõe erudição».
A influência mais notada, segundo a generalidade dos estudiosos, terá sido o idioma do país vizinho, fruto dos contactos assíduos. A tudo isto não é alheio ainda o bilinguismo dos falantes, que ao conviver entre os dois lados da fronteira falam com facilidade ambas as línguas, fazendo com que, do nosso lado, expressões castelhanas integrem o falar normal e quotidiano das pessoas.
Depois, há a considerar que a linguagem do povo é, em todo o espaço e em todo o tempo, composta por um falar prático, funcional, recorrendo ao pragmatismo e à simplicidade de exposição, sem muitos rodeios e elaborações. Isso não significa ignorância, mas sim revela a forma nua e crua como pessoas que vivem na mesma comunidade, em amplos aspectos fechada ao mundo, necessitam de comunicar com absoluta compreensão. Claro que existem falares mais elaborados, quer ao nível da estrutura sintaxológica, quer ao nível lexical, mas isso reporta-se a compartimentos mais estanques do todo social, sobretudo no âmbito de grupos profissionais.
Grande importância teve também a corruptela ou simples deturpação de palavras e sons, que variam de terra para terra, sobretudo ao nível da pronúncia, cuja alteração acentuada conduzia a diferentes forma de expressão e a uma abundância de termos característicos.
Mas no que especialmente toca à fonética e à prosódia, há que atender à natural tendência para a simplificação de sons, dentro da lei do menor esforço, como é exemplo a supressão de sílabas ou o seu encurtamento. Também se trocam letras, sendo usual o câmbio do v pelo b, tão vivo em algumas terras ainda nos dias que agora correm (belho, binho). Também o ch se transforma geralmente em tch (tchouriça, tchapéu, bitcho), o que resulta da influência do falar castelhano. E, sobretudo, como elemento caracterizador, o som sibilante do s, que aparenta transformar-se em x (xou do Xabugal), o que na verdade não sucede. Aqui atendamos em o que nos deixou escrito o investigador miuzelense José Pinto Peixoto (in Miuzela – A Terra e as Gentes, Lisboa, 1996), na sua crítica à normalização da língua e ao consequente desaparecimento de ricas formas de expressão: «Havia uma diferença muito pronunciada nas sibilantes. Assim se distinguiam as sibililantes provenientes do s dobrado (ss), com tendência a pronunciar-se de forma dental, quase como se (asssim, passso, ect.) do c e s iniciais, ou do ç de origem árabe (sincelo, açafate, sete, etc.)».
Tenhamos também em conta as sábias palavras de Célio Rolinho Pires, autor de cavados estudos sobre o nosso berço raiano: «O homem do povo, a cuja cultura o homem erudito nem sempre deu a devida importância, regra geral prima pela simplicidade, pela lógica, pela racionalidade, pelo bom senso». Isto aplica-se especialmente ao modo de falar popular característico da nossa região.
Muito haveria a referir quanto à objectiva caracterização da forma de falar das gentes de Riba Côa, contudo não possuímos formação nem conhecimentos de Filologia que nos habilitem a tal. Contudo, também não é meta destes trabalhos esparsos mergulhar no estudo da parte sintáctica do falar. Deixemos tal tarefa para competentes linguistas, que nos evidenciem a disposição dos termos nas proposições e destas no discurso. O mesmo ocorre quanto à Fonética, campo imenso a desbravar em estudos mais profundos, baseados num rigoroso trabalho de campo, aprofundando a valoroso trabalho efectuado pela professora Clarinda Azevedo Maia, da Universidade de Coimbra.
Paulo Leitão Batista, «O falar de Riba Côa»

leitaobatista@gmail.com

Manuel Leal Freire - Capeia Arraiana«Poetando» é mais uma coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual a cada domingo vai publicar poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Este Município raiano, um dos maiores do País em termos de extensão territorial, tem 40 freguesias, algumas delas com anexas, sendo no total exactamente 100 (cem) o número das localidades do concelho do Sabugal, pelo que serão 101 os poemas a elaborar e a publicar pelo poeta e escritor bismulense, sendo o primeiro dedicado a todo o concelho e os seguintes evocativos a cada aldeia.

O termo do concelho reza a lei
Estende-se a quarenta freguesias
Com o favor das musas tentarei
Cantá-las alinhando sincresias

Não sendo numerosa a nossa grei
Os censos desfazendo sinesias
Somando-lhes as anexas serão cem
Os temas para estas poesias

Das ninfas do Alto Coa e mesíos cumes
Dos tótemes da Raia sacros numes
Favores eu invoco e seja desta

Mas grado a pobreza do meu estro
Que saiam estes povos do sequestro
E se esparza urbe et orbe a sua gesta
_________

E para o que uma ordem certa dita
O alfabeto me dará sinal
Entrando a seu tempo na compita
O mais pequeno burgo e o Sabugal

Do a até ao z, tudo se cita
Seguindo, pois, a ordem natural
É regra que as dissensões evita
Tornando a cada um o cujo qual

Mas porque a mátria foi o campanário
Conspecto a servir de lampadário
Alçapremado assim a sumo guia

Pequena ou maior qualquer anexa
Achar-se-á porque lhe é conexa
No rol da sua própria freguesia

«Poetando», Manuel Leal Freire

Abordamos neste artigo, e noutros que se seguirão, o linguajar tradicional do povo raiano das zonas do Sabugal e de Riba Côa, procurando caracterizar formas de expressão que o tempo está a fazer desaparecer, face ao continuado processo de normalização linguística. Depois de uma superficial caracterização desse «falazar» típico, seguir-se-á a publicação de um léxico enumerando alguns dos termos populares e os seus significados.

Uma nota prévia para referir que, não me opondo à natureza prática do Acordo Ortográfico tendo em vista harmonizar a Língua Portuguesa escrita e falada por diversos povos no mundo, considero que a raiz e a matriz de uma língua está no povo que por ela se expressa. Por isso cito e concito Aquilino Ribeiro, o escritor português que melhor defendeu o regionalismo tradicional português: «Persisto em crer que pouco pode a disciplina léxica e literária contra o uso inveterado e a acção do inconsciente mas irrefragável formador da língua que é o povo» (in Aldeia – Terra, Gente e Bichos). E é precisamente na riqueza lexical da língua portuguesa falada pelo povo de Riba Côa que me irei centrar, formulando uma recolha de palavras e de expressões linguísticas que o tempo já quase derriscou.
As gentes de Riba Côa, herdaram um «falar português» algo diferente daquele que é praticado noutras partes do país. Há de facto peculiaridades de expressão, que caracterizam a fala do povo desta faixa de terra que vai de Quadrazais a Barca d’Alva, com influências visíveis em ambas as margens do rio Côa, à roda do qual os povos se estabeleceram e comunicaram entre si.
Sendo a fala o meio mais poderoso na comunicação entre as pessoas que vivem numa mesma comunidade, ou em comunidades vizinhas, estes povos construíram um modo de expressão linguística próprio, com características claras ao nível da morfologia, da sintaxe e do léxico.
Não se trata porém de um dialecto, muito longe estamos disso, porque aí teríamos uma variante da língua portuguesa, da qual diferiria por características fonéticas, fonológicas e particularidades lexicais muito vincadas – em Portugal só o Mirandês é considerado um dialecto, pois diferencia-se em determinadas situações do português padrão, ainda que lhe seja muito próximo. No que toca a Riba Côa, estamos perante um falar, que incorpora alguns desvios em relação ao português normal, com particularidades fonéticas e lexicais, e apenas com forma na oralidade. Porém, mesmo em termos de falar, estamos perante um conceito limitado, porque só com alguma vontade se pode hoje considerar que ele existe, pois não é notada complexidade nem coerência que permita concluir tratar-se de uma variante linguística, ainda que ténue.
Os artigos seguintes abordarão a origem do linguajar característico desta região e o desenvolvimento da sua fonética, morfologia e sintaxe. Abordar-se-á ainda o processo de normalização linguística (que destrói a riqueza lexical), e apresentar-se-á um léxico que foi fruto de uma aturada recolha no terreno e nas obras escritas de muitos autores, sobretudo dos nossos maiores monografistas.
Para justificação deste modesto intento, cito o prestigiado filólogo Manuel Paiva Boléo: «Todo o homem que não explorou cuidadosamente os falares regionais do seu país, não conhece da sua língua senão metade».
Paulo Leitão Batista, «O falar de Riba Côa»

leitaobatista@gmail.com

As tubas da fama, mais enganadoras ainda do que sonorosas, apresentam a nossa actual geração de jovens como a mais preparada de sempre.

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaPor certo que a afirmação se funda no número, nunca antes atingido, sequer aproximativamente, de licenciados.
Ignora-se, porém, que os diplomas universitários obtidos titulam, na maioria dos casos, habilitação para profissões não existentes em nenhum país, ou que – mesmo existindo – nunca absorverão mais do que uma pequena percentagem das fornadas anualmente saídas das escolas superiores.
E faz-se, por igual, tábua rasa, da fraca qualidade, dir-se-á mesmo da indigência, em matérias de literacia e de cultura geral, das habilitações recebidas em muitos cursos.
Quem exerceu o magistério antes e depois da reforma VEIGA SIMÃO e do rebaixamento trazido por algumas instituições, que se dizem de grau superior, não pode deixar de se sentir indignado perante a rebaixa.
Depois esquece-se a falta dos cursos profissionais ministrados nas antigas escolas técnicas, essas sim preparando para a vida e para profissões necessárias, porque úteis.
Blasonar sobre uma geração, que se diz superiormente apetrechada porque andou, em estabelecimentos ditos universitários a discutir o sexo dos anjos é desconhecer a realidade e reduzir o prático ao nível do utópico.
A geração que agora se apresenta para começar a vida activa não foi preparada para o nosso mundo.
E ter uma licenciatura de muitas que há para aí não abona – nem sequer culturalmente – os seus titulares.
O facilitismo que se quis opor ao tradicional estilo orbiliano e a proliferação de escolas apenas interessadas em vender diplomas não elevaram, antes rebaixaram ao nível do abandalhamento o estatuto cultural das novas gerações.
Que, em nome duma tenebrosa equiparação para a pobreza generalizada se viram privadas do acesso à vida activa…

Trincheiras para garantir privilégios
Repetidamente vimos afirmando não ter nada a opor às parcerias público-privadas que, bem negociadas, podem ter a vantagem de antecipar benefícios que os poderes públicos, actuando sozinhos, não poderiam de imediato propiciar às populações, por carência de meios financeiros e – ou – técnicos.
O que é necessário é que os negociadores públicos, ao contratá-las, se não deixem, por incúria, simpatia ou,o que é pior, corrupção, arrastar para concessões lesivas do interesse geral.
A abertura de concursos que permitam uma ampla rede de escolhas e um caderno de encargos que deixe, a quem decide, poucas ou nenhumas possibilidades de paternalismo ou paraninfado revelam-se as mais seguras medidas de que não haverá favores.
Depois, deve desconfiar-se das blindagens com que os privados se procuram acautelar.
Todos nós estamos fartos de ouvir a fazedores de opinião, pagos pela privada, da impossibilade de atacar as rendas. Felizmente que os contratos, por leoninos, apresentam brechas aquileias, de resto, sempre seria fácil atacar alguns seguindo os fumos de corrupção que sobre eles impendem
Corajosamente, a direcção do AUTOMÓVEL CLUBE DE PORTUGAL está a atacar um dos mais ruinosos.

Cá se fazem, cá se pagam
Eu não sei se o ex-presidente do FMI é tão ávido de sexo como o garoto que tem tripudiado sobre a Europa, acolitando a ex-polícia MERCLE, o quis pintar. Mas o que sei é que com o dinheiro corrente – e quase em proporções diluvianas – de que ele dispunha e dispõe, se podia e pode fazer acompanhar de uma multidão de concubinas à sua escolha, desde donzelas dispostas a vender a virgindade até a prostitutas em idade de reforma com carúnculas mirtiformes na matriz, mas dominadoras de todas as técnicas de lascívia que da mãe Eva a Lady não sei quê, se tem ensaiado.
De modo a não ter de recorrer aos serviços da empregada de quarto, cujo aspecto secaria o ímpeto sexual até de imundo carregador de imunda carvoaria.
Depois a insidiosa trama posta a correr tem falhas que a tornam incrível.
Logo porque, a prática de sexo oral não pode ser imposta sem a colaboração de terceiros e porque a vítima não desdentada tem sempre forma de se libertar do ataque.
De modo que não restam dúvidas de que tudo foi uma tramóia do tenebroso Sarkosy, que de nada lhe serviu. O Hollande não lhe deu margem para acusações do tipo.

Um terrível precedente e um monstruoso atentado
De entre os repetidamente nefastos decretos que transformaram em catástrofe o consulado do senhor TEIXERA DOS SANTOS, o mais repugnante – e que mais pesadamente se vai fazer sentir sobre todos nós – foi o da nacionalizaçao do BPN, que não era banco, nem português e que só foi negocio – e da China – para uma aliás pequeníssima clique.
Quando uma instituição bancária vira DONA BRANCA, valorizando as acções segundo a influência política dos respetivos portadores e pagando juros acima de toda a concorrência, perdeu a dignidade inerente à respectiva condição…
E usar o nome de português foi uma torpe usurpação, por atentar contra a nossa dignidade, alicerçada em seriedade – desde EGAS MONIZ.
Por isso, o BPN nunca foi banco mas uma CAVERNA DE CACO, onde uns tantos privilegiados tripudiavam. Tê-lo deixado cair, teria sido, pois, um acto de higiene.
A boa banca, usando a parafrase do PRESIDENTE CAVACO, afastaria assim a má banca.
Estranhamente, ou não, dada a tenebrosa teia de ligações, o MINISTRO DAS FINANÇAS optou por salvar a má moeda, neste caso a pérfida banca, e incrustá-la na Caixa Geral de Depósitos, inventando um buraco onde cabem o da MADEIRA, o das EMPRESAS PÚBLICAS, o das AUTARQUIAS.
E que por décadas ficará a sorver o melhor das receitas públicas.
E não se salvou por aquela via NADA, a não ser os interesses duma claque.
O senhor MINISTRO DAS FINANÇAS sabia-o.
Os restantes membros do GOVERNO tinham obrigação de sabê-lo.
O sistema bancário deve, certamente ser preservado.
O sistema que não os seus membros infecciosos, INFECTADOS e INFECTANTES.
«Caso da Semana», opinião de Manuel Leal Freire

Este oportuno artigo de opinião marca o início de uma nova rública no Capeia Arraiana assinada por Manuel Leal Freire, designada «Caso da Semana», na qual o ilustre escritor raiano falará de assuntos que a oportunidade e a actualidade ditarão. O «Politique D’Abord – Reflexões de um Politólogo» vai mmanter-se, voltando já na semana que vem a ocupar o espaço de sábado. O «Caso da Semana» passará a ser editado num dia certo a definir.
plb e jcl

Para não passar para esta crónica todos os significados que o dicionário nos diz, direi, de forma simples que, o referendo é uma consulta popular. O substantivo deriva do latim, «referendu», e significa «o que deve ser confirmado». A importância de atendermos ao significado das palavras facilita a compreensão dos conceitos. Para esta crónica é essencial.

Desde sempre, que os políticos e a política, se manifestam em nome do povo. O sentido da democracia assenta no princípio de eleições, por voto livre e secreto. E sempre que se elege alguém, efectivamente, passa a representar-nos. Todavia, o pressuposto, reside na confiança no eleito que assenta num programa, num projecto, numa ideia. Portanto, o eleito tem por obrigação, por em prática o seu programa para que, assim, se torne fiel depositário do voto do cidadão.
Infelizmente, não é a nada disto que assistimos. Os partidos, e os seus dirigentes, apresentam programas eleitorais ao eleitorado (a maior parte deles completamente inócuos, ideologicamente vazios, elaborados numa linguagem entendível a poucos) que, depois, não vão cumprir. Arranjando desculpas e artimanhas para tal. Passando a executar um programa oculto (muitas vezes obscuro) que, também, regra geral, vai contra o sentido do voto daqueles que neles votaram e que o fazem, ironicamente, em nome desses mesmos que votaram.
Ora, não é este o sentido nem a função político e, muito menos, da política. É ultrajante ouvir os políticos falar em nome do povo, quando nada das suas decisões foram propostas ao povo. Alguém consultou o povo para a adesão à União Europeia? Alguém consultou o povo para a inclusão na moeda única? Alguém consultou o povo para a ratificação dos vários tratados europeus? Alguém consultou o povo para o «convite» à troica? Alguém consultou o povo para a nacionalização do BPN? Alguém consultou o povo sobre o fim dos feriados? Alguém consultou o povo sobre o acordo ortográfico? Alguém consultou o povo para o fim dos serviços essenciais do estado (educação, saúde, justiça…) no interior do país? Alguém consultou o povo para o fim das linhas-férreas, a construção de barragens (destruindo património natural e cultural)? Alguém… Não. Ninguém consultou o povo. E, no entanto, todas estas acções são tomadas em nome do povo.
Obviamente, que não defendo uma governação assente exclusivamente no referendo. Mas defendo que o referendo deve ser um instrumento essencial para a governação, como forma de decisão em variadas matérias, e, essencialmente, como confirmação de decisões.
O caminho por onde estamos a levar a democracia está a levar a um virar de costas do povo à participação nos actos eleitorais, ao desinteresse pela política e na participação na vida pública. Desta forma, empobrecemos a democracia e construiremos uma sociedade politicamente medíocre, formada por cidadãos desinteressados e inertes e abriremos as portas aos regimes totalitários, aniquilando as liberdades que nos tornam cidadãos plenos.
Estou convencido de que, com o recurso à consulta popular com mais frequência, não só envolveria muito mais os cidadãos na política, com também, sustentaria muitas das decisões, agora tomadas à revelia. Não esquecendo, que obrigaria os políticos a uma maior transparência (para não dizer verdade), à tomada de consciência de que não são donos do voto e de que, verdadeiramente, o poder pertence ao povo.
Afinal, porquê tanto medo de consultar o povo?
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

Vivi e trabalhei mais de um quarto de século na harmoniosa, acolhedora e plana cidade fundada pelos Templários. Assim, criaram-se e cimentaram-se amizades, por cada esquina ou rua encontram-se amigos e conhecidos.

Com o cordão umbilical ligado a esses factos e às ex-actividades profissionais, que foram também de missão, quase todas as semanas me desloco de Aldeia de Joanes (Fundão) até Castelo Branco. É uma visita de efemérides, de recordações, uma romagem de saudade.
Não é possível esquecer a cidade onde nascem os nossos filhos e crescem com todas as valências sociais, religiosas, culturais, educativas e de tempos livres, num crescimento total.
Na última semana de Março, num dia de calor fora do normal para a época, com a pluviosidade ausente há muitos meses, e com preces para que chegue mais depressa à nossa moribunda agricultura, desloco-me à capital do distrito.
Logo que chego vou à Padaria para os lados dos Três Globos, que fabrica um pão de água gostoso e guloso e muita doçaria.
No caminho para o Oculista, a fim de resolver um aperto dos óculos, vejo em várias montras do comércio local um logotipo interessante, comemorativo do centésimo aniversário da Associação Industrial e Comercial de Castelo Branco, e concordo plenamente com o letreiro: «se não quer que o seu dinheiro vá para o Estrangeiro, faça as compras no comércio de proximidade».
Encontro no seu posto de trabalho uma Mulher, amiga, esposa e mãe. Está bonita! Com o pensamento nestes tempos quaresmais fez a sua Via Dolorosa. Há tempos, de um dia para o outro, foi-lhe diagnosticado um cancro. Começou a sua Via Cruxis. Diz-me: «naquele momento, estremeci, fiquei baralhada, revoltada. Passei por todos os tratamentos, foram meses infindáveis de sofrimento, de dor a vários níveis. Posso dizer que tive duas vidas: uma antes do cancro e outra depois. Agora abro a janela a cada manhã, com um profundo sentimento de gratidão, por mais um dia! Regressei definitivamente ao meu trabalho, rejuvenesci, cresceu-me o cabelo, estou elegante». E continua com as suas palavras de fé e esperança: «parece um absurdo, mas hoje posso dizer que o cancro fez com que a minha vida ganhasse um sentido completamente novo. Aprendi a dar mais sentido à vida e principalmente a Deus». Abençoada conversa com esta mulher, que ultrapassou as fronteiras do sofrimento, da dor, do desespero e da revolta. Hoje é uma MULHER NOVA, numa Páscoa que liturgicamente está a chegar.
Propus-lhe que falasse com uma familiar, também a sofrer destes problemas, para lhe transmitir palavras de esperança e de futuro, mas não estava do outro lado da linha telefónica.
Cruzo-me com um dos mais engenhosos serralheiros mecânicos do mundo, que a descolonização «exemplar», eu direi vergonhosa, forçou a sair de Angola e a regressar às suas origens – Castelo Branco. Está revoltado por tudo o que se passa na área política e sente-se injustiçado por todos os motivos. Recordei-lhe a arte de tocar harmónio com o nariz, esclarecendo-me que foi vocalista com a irmã Laurinda Silva e com Marco Teixeira na Orquestra Típica Albicastrense, fundada em 1957 pela Acordeonista Eugénia Lima em colaboração com um grupo de Albicastrenses.
Dirijo-me à Moderna Biblioteca, sita no antigo Quartel de Cavalaria, onde o meu conterrâneo Padre Carlos Moita Leal foi Capelão Militar. Antes piso as lajes graníticas gastas na porta de armas. Ali, bem preservada, lá se encontra uma colecção valiosa de painéis da azulejaria portuguesa, que aconselho uma visita, com temática militar: a marcha de guerra, o volteiro, posto à cossaca, teoria, limpeza dos solípedes, juramento de bandeira e licenciamento.
Na Biblioteca Municipal encontro os leitores assíduos. É o lugar por excelência onde todos tomamos conhecimento das últimas notícias e colocamos a leitura em dia.
Regresso ao Fundão com saudades de voltar sempre à Cidade dos Monges ou Guerreiros Templários, que nas ameias do Castelo andavam vestidos de branco.
António Alves FernandesAldeia de Joanes

A Praça de Touros do Campo Pequeno recebe no dia 2 de Junho a 34ª Capeia Arraiana organizada pela Casa do Concelho de Sabugal em Lisboa.

A novidade da Capeia deste ano de 2012 é a aposta da organização na apresentação de touros «puros» (que ainda não foram toureados) para serem lidados ao forcão. Os cinco touros virão da ganadaria de José Dias, de Santo Estêvão de Benavente, e o expressivo cartaz desta edição mostra as fotos dos animais evidenciando a sua beleza e imponência.
A animação estará cargo da Sociedade Filarmónica da Bendada e de um grupo de Sevilhanas, que actuarão ao intervalo. Os bombeiros do Sabugal e do Soito associar-se-ão à festa, assim como diversas Juntas de Freguesia do concelho, que optaram por organizar excursões a Lisboa.
As capeias arraianas realizam-se anualmente no Campo Pequeno, em Lisboa, desde 1978, sendo porém a deste ano a primeira que se segue à declaração deste genuíno espectáculo popular como Património Cultural Imaterial.
No dia 2 de Junho TODOS AO CAMPO PEQUENO!
plb

Um fim de semana de recordações boas…

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Realiza-se este fim de semana o encontro dos antigos alunos do Colégio do Sabugal.
Motivos profissionais e, também pessoais, impedem-me de estar presente, pedindo desde já desculpa pelo facto.
Fui aluno do Colégio entre 1963 e 1969, um período sempre importante na vida de uma criança que se transforma em adolescente.
O Colégio teve uma importância decisiva na vida do Concelho do Sabugal e, estou certo, muitos dos que, como eu, estudaram para além da 4ª Classe, só o fizeram porque existia aquele estabelecimento de ensino.
Muitos sabem que a partir de uma determinada data eu e o proprietário/diretor cortámos as nossas relações pessoais, mas também sabem que sempre considerei o Colégio como algo de muito importante.
E, também por isso, é sempre com alegria e emoção que nos reencontramos periodicamente.
Acredito que este encontro vai ser novamente um êxito e aos organizadores, na pessoa da muito minha amiga de infância e de hoje, Rosa, um abraço sentido a todos os presentes.

È também esta a altura da Sra. da Póvoa, em Vale de Lobo (não sei que raio deu às pessoas para lhe mudarem o nome…), grande romaria da Beira Baixa, que se realiza segunda-feira.
O meu avô todos os anos ali prometia ir… na companhia do neto. Abalávamos na carreira de Belmonte, merenda às costas e lá íamos participar na festa à Sra. da Póvoa.
Mas se esta é uma festa importante, não posso deixar de, mais uma ez, ressaltar que também o Concelho do Sabugal tem a sua Sra. da Póvoa na Sacaparte em Alfaiates, onde também na segunda há festa.
Recordo a primeira vez que ali fui, curiosamente ao casamento do grande amigo Alcino «Palhinhas», aproveitando para publicamente lhe expressar a minha solidariedade neste momento menos bom porque está a passar a sua esposa.
A Sacaparte, já o disse, é um espaço maravilhoso e uma joia por lapidar.
Conheço poucos sítios tão lindos e com tantas possibilidades de aproveitamento para, por exemplo, um festival de verão.
Um abraço aos meus consócios da Liga dos Amigos da Sacaparte, acompanhado de um pedido de desculpa por não estar presente.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

Um encontro na Biblioteca Municipal e a representação de uma peça teatral, são as acções promovidas em Palmela em homenagem ao escritor sabugalense Manuel António Pina.

A Câmara Municipal de Palmela promove, no dia 19 de maio, sábado, às 19 horas, um encontro com o poeta, cronista e jornalista Manuel António Pina, na Biblioteca Municipal de Palmela.
Autor de uma vasta obra literária, que inclui muitos títulos de literatura infantil, Manuel António Pina recebeu o Prémio Camões 2011. O escritor nasceu no ano de 1943, no Sabugal, tendo-se mais tarde radicado no Porto, onde foi jornalista do Jornal de Notícias. Hoje, na situação de aposentado, mantém a colaboração com diversos órgãos de comunicação social.
É autor de vários títulos, entre os quais, Nenhum Sítio, O Caminho de Casa, Um Sítio Onde Pousar a Cabeça, Farewell Happy Fields, Cuidados Intensivos, Nenhuma Palavra e Nenhuma Lembrança, O Escuro, História com Reis, Rainhas, Bobos, Bombeiros e Galinhas, A Guerra do Tabuleiro de Xadrez, O Anacronista, O País das Pessoas de Pernas para o Ar, Gigões e Amantes, O Têpluquê, O Pássaro da Cabeça, Os Dois Ladrões, O Inventão, O Tesouro, O Meu Rio é de Ouro, Uma Viagem Fantástica, Morket ou Histórias que me Contaste Tu
Ainda em Palmela, o Teatro o Bando apresenta o espectáculo «Ainda não é o fim», com encenação de João Brites, a partir de 18 de Maio, peça criada pelo Teatro o Bando a partir do texto de Manuel António Pina. Estarão em palco Ana Lúcia Palminha, Bruno Huca, Clara Bento, Guilherme Noronha, Paula Só, Raúl Atalaia e Sara de Castro. Participa a Big Band Loureiros.
O público poderá assistir de18 a26 de Maio no Largo D´El Rei D. Afonso Henriques, no Centro Histórico de Palmela, às sextas-feiras e sábados às 21:30.
Posteriormente, o Teatro o Bando levará o espectáculo para Lisboa, mais propriamente para a Fábrica Braço de Prata, de 31 de Maio a 10 de Junho, de quinta-feira a domingo, sempre às 21h30.
plb

Conto agora a verdadeira estória do comboio comprado por alguém de Vale de Lobo, o Vale da Senhora da Póvoa de hoje, no tempo da exploração do Volfrâmio.

José Jorge CameiraO Ti Valdemar tinha um problema com os estamportes, quando tencionava sair do Vale de Lobo para ir à cidade comprar qualquer coisa….
Ouviu falar que ali para os lados da Fatela, havia uma Estação de Caminho de Ferro que servia Penamacor e o concelho e na qual havia comboios e concerteza que haveria de haver um à venda. Com um cambóio, as suas viagens estariam facilitadas, era pouco digno para ele viajar sentado na albarda do burro!
Lá foi até à tal Estação, não sem antes atafulhar os bolsos com notas de Mil Escudos, aquilo era pesado, ouvira dizer, portanto devia ser caro…
Na Fatela estava um varredor, pacientemente limpando os trilhos paralelos de ferro com uma vassoura de estevas. O Ti Valdemar chega-se à fala com ele e podemos imaginar o diálogo, porque o que sucedeu… aconteceu mesmo!
- Ó Ti Homem, ouvi dizer que há aqui um cambóio para vender…
- Vem mesmo na hora certa, está aqui este, é de mercadorias, já não serve e vendem.
- Faça um preço justo que eu compro.
O homem vendo que estava ali um lorpa e paspalho, alambazou-se logo para cima:
- Vendo-lho por cem mil réis e olhe que está muito barato.
- Pegue lá já o dinheiro e quando é que posso vir buscá-lo?
- Quando vossemecê quizer…
O Ti Valdemar pensou numa maneira de levar o comboio para a terra:
-Trago um carro de bois, 2 ou 3 calabres (cordas) dos mais fortes e reboco o meu cambóio…
Um vizinho, o Ti Tó Nabais tinha o «Borisca» e a «Cereja», uma parelha valente de bois que bem picados puxariam facilmente aquela bisarma andante.
Passados 15 dias o Ti Valdemar voltou à Estação para levar o «seu» cambóio, mas na verdade já não estava lá, tinha seguido o caminho para que fora feito: levar e trazer mercadorias…
O varredor por certo mudou-se para uma vida mais confortável, porque com CEM MIL RÉIS poderia viver sem fazer nada durante alguns anos…
O Ti Valdemar Carolo quando morreu, estava desdentado – com o fim da guerra e a derrota dos maus, acabou-se a procura de volfrâmio.
Para comer e beber foi arrancando e vendendo os dentes um a um, por fim o cravelhame fora-se todo….

José Jorge Cameira

«Estórias de um filho de Vale de Lobo e da Moita»
mailto:jjorgepaxjulia4@hotmail.com

O significado do dedo polegar, com o resto da mão meio-fechada, é do conhecimento universal, principalmente dos automobilistas.

Nos meus tempos de estudante, dadas as inúmeras necessidades económicas, tive de me fazer à estrada e pedir boleia durante muito tempo. Era uma aventura para mim e aliviava a parca bolsa dos meus pais.
A primeira pessoa que me inspirou nestes itinerários rodoviários foi o Missionário João Czepanski, que sofreu as agruras da Segunda Guerra Mundial, Reitor da Escola Apostólica de Cristo Rei, quando em 1958, vestido de sotaina e munido de uma máquina de escrever e uma pasta preta, ia para a Estrada da Beira, que conduzia a novas oportunidades para os seus pupilos e contactos com benfeitores.
Na década de sessenta o meu pai vai para Setúbal, a quem se junta o meu irmão Manuel José Fernandes, que se encontrava em Lisboa. Numa conversa, nas férias da Páscoa, na minha aldeia natal – Bismula –, com o Francisco dos Santos Vaz, aluno no Seminário da Guarda, já com alguma experiência nas aventuras do asfalto, o repto foi lançado: nas próximas férias de Verão iríamos, de boleia, da Guarda até Setúbal, onde estaríamos uns dias com o meu pai e irmão. O meu pai desempenhava lá as funções de sacristão e sempre dávamos uma ajuda nas liturgias diárias.
Manhã cedo já estavamos estrategicamente à saída da cidade dos três efes. Os automóveis eram raros, mas os condutores eram generosos. O primeiro condutor, com um Citroen 2CV, leva-nos até perto de Celorico da Beira. Ainda apanhámos um grande susto, mas ficou no susto. Junto a nós vi uma vinha com saborosos cachos de uvas. Como era o mais novato, decidi temerário colher os frutos de Baco. De repente, senti um travar de trovoada e o Francisco Vaz a gritar para correr. Claro que lá foram as uvas… Um casal de turistas franceses estava disposto a levar-nos até Lisboa. Foi genial. A primeira paragem foi na cidade de Coimbra. Fizemos uma visita cultural com um cicerone fora do comum: o meu conterrâneo, que falava diversas línguas e com grandes conhecimentos históricos. Tínhamos conquistado a simpatia daquele casal francês. Seguiu-se Alcobaça onde almoçámos. Passámos à Nazaré, adorada por marido e esposa. Antes de chegar a Lisboa ainda passámos por Fátima. No final da viagem recebemos um dólar cada, além de termos almoçado muito bem e chegado ao nosso destino. Foi uma retribuição justíssima pelas aulas de história, geografia, arte e cultura na língua materna do casal.
Assim levei a vacina das boleias, que ainda hoje me corre no sangue, cultivando religiosamente o polegar na linha do horizonte.
A segunda viagem empreendida «a dedo» foi o trajeto invertido da primeira, ou seja, de Lisboa para a Guarda, esticando-se a estrada até Vilar Formoso, à casa paroquial desse homem e padre que nos marcou profundamente de nome Padre Ezequiel Augusto Marcos, que ainda hoje se encontra naquelas terras, onde sempre tivemos toda a sua hospitalidade e acolhimento. Nesta peregrinação calhou-nos um condutor dinamarquês, com um ódio de estimação ao Estado Novo. Várias vezes nos incitou a emigrar para o seu País, pois em Vilar Formoso não havia problemas para ultrapassar a fronteira.
Outra viagem teve saída de Setúbal e, embora muito apertados, chegámos a Santarém. Aí, vistas as dificuldades, só conseguimos entrar numa carrinha de caixa fechada, carregada com sacas de farinha. Saímos em Torres Novas mais parecidos com uns moleiros, todos cheios de farinha, pois, com a trepidação da carrinha, essa estacionava nas nossas roupas. Apesar da roupagem branca, foi o dia negro das nossas viagens. Chegámos ao anoitecer ao Gavião. Ainda não se encontrava lá o José Augusto Vaz, Irmão de Francisco Vaz e em Abrantes a minha prima freira Lurdes Alves Ramos, enfermeira na maternidade do Hospital daquela cidade. Ali chegados sem dinheiro e sem o farnel, já há muito se tinha esgotado, uma desgraça nunca vem só, dirigimo-nos ao Seminário Menor da Diocese de Portalegre. Recebe-nos um padre que não nos dá guarida, ainda insinua que podemos ser malfeitores. Lembrei-me da Parábola do Samaritano. E eis que surgiu uma Samaritana, uma mulher idosa que também tinha um filho que andava por esse país de boleia, dando-nos ceia, dormida e no dia seguinte o pequeno-almoço. Ainda há gente boa para quem a caridade não é só palavreado. Seguimos diretamente para Castelo Branco. Aí, da parte da tarde, um condutor, acompanhado pela sua filha, dá-nos boleia até à Guarda. A filha deve ter pedido para nos transportar. Era boa de sentimentos e linda como uma flor. O seu progenitor entrou em discussão connosco e estava na expetativa de nos pôr fora do automóvel. Quando passávamos por Alpedrinha, já na Serra da Gardunha, surgiu uma tremenda trovoada. Eu estava com medo que ele nos convidasse a sair para um passeio campestre na Gardunha… Já não nos chegava os trovões das suas palavras. Lá chegámos à Guarda…
Noutras férias da Páscoa saí de Gouveia com destino a Setúbal, onde tinha todos os meus familiares. Até Coimbra tudo correu bem. À saída daquela cidade, depois de longo tempo de espera, fui de carroça até Condeixa-a-Nova. Andei doze quilómetros num veículo de tração animal. Essa viagem também não correu bem e tive de apanhar o comboio nas Caldas da Rainha para Lisboa, via Oeste, onde cheguei tarde e a más horas. Sem dinheiro valeu-me a minha tia Amélia Alves Lavajo que residia na Ajuda.
Muitas dezenas de viagens se seguiram. Apontei estas que mais me marcaram. Recebi muitas boleias e ainda corro o risco de as dar, partilhando o meu automóvel para ouvir novas histórias e vidas. Gosto desta forma de contato, de falar com as pessoas, de escutar o coração humano pela longa estrada. Há dias transportei de Castelo Branco um estudante canadiano que andava a dar volta pela velha Europa, como afirmou. Dizia-me que não era crente, que não acreditava em religiões. Á despedida, no Fundão ofereceu-me uma pequenina imagem de Jesus Cristo. Fiquei sem palavras…
Hoje a oferta e a procura passa por novos métodos, por novas tecnologias, por outas vias de comunicação, pela internet, onde se «desenrascam» boleias para o fim do mundo. É uma proximidade mais cómoda, embora eu prefira o risco da boleia de estrada. Por oposição ao polegar (qual imperador romano!) que agora só assinala um «gosto» no facebook, vou recordar sempre o polegar da sobrevivência, sinal «fixe» de camaradagem entre os homens.
António Alves Fernandes – Aldeia de Joanes

Na sua missão de auxiliar as entidades associativas a desempenhar melhor a sua missão junto das comunidades, a Fundação INATEL está a lançar até 15 de Junho o Programa de Apoio à Cultura Amadora (PACA).

A iniciativa apoia a aquisição de instrumentos musicais, material de som e luz e outros equipamentos técnicos até ao valor de 2.500 euros. O Programa é destinado às associações filiadas na Fundação INATEL (CCD – Centros de Cultura e Desporto), sendo uma ótima oportunidade para reequipamento das bandas e grupos musicais não etnográficos da região centro, já que a verba destinada a este tipo de agrupamentos é este ano reservada para esta região, que inclui os distritos de Guarda, Castelo Branco, Viseu, Aveiro, Coimbra e Leiria. No resto do país, o Programa prevê que o Norte seja contemplado com verbas destinados aos grupos de folclore e que Lisboa, Sul e Ilhas recebam verbas para teatro e produção audiovisual.
plb (com Fundação INATEL)

Realiza-se no próximo dia 2 de Junho, no Seixal, o encontro de convívio das gentes de Badamalos, freguesia do concelho do Sabugal.

O encontro realiza-se pelo oitavo ano consecutivo, numa iniciativa que tem juntado inúmeros naturais, familiares e amigos de Badamalos. O local volta a ser a Quinta Vinha da Ribeira, na Baía do Seixal.
Para além dos encontros e reencontros, o dia tem um programa repleto de animação e de partilha, tendo em vista contribuir para ajudar as festas do Deus Menino e de São Bartolomeu, que se vão realizar em Badamalos nos dias 18, 19, 20 e 24 de Agosto.
A animação musical estará a carga do já costumeiro Ângelo Braz e do seu acordeão.
plb

O ser humano não passa só pela História, cria-a, sendo assim, o único que existe é a História concreta feita pelo homem. Está condenada a ser como ele, conflitos, contradições e lei do mais forte. A História também tem essa grande particularidade, segue sempre o seu caminho para diante, mas não deixa para trás o passado.

António EmidioNo final da II Guerra Mundial as democracias ocidentais, principalmente os Estados Unidos, apoiaram os regimes anticomunistas, que na prática estavam tão privados de liberdade como os regimes comunistas. Assim se salvou Salazar e o seu Estado Novo, assim empobreceu o País, em todos os aspectos. Vejamos o que os políticos americanos nos finais dos anos cinquenta, princípios de sessenta do século passado pensavam e diziam de Salazar e do Estado Novo: Eisenhower «ditaduras deste tipo são por vezes necessárias em países cujas instituições políticas não são tão avançadas como as nossas». O embaixador dos Estados Unidos em Portugal afirmava: «muitos países latinos vivem melhor sob ditaduras benignas». A isto se chama querido leitor(a) «Realpolitik», baseada no egoísmo nacional e não na igualdade de direitos e solidariedade.
Passados quase setenta anos, Portugal está a ser novamente vítima dessa velha «Realpolitik», mas desta vez é vítima da Alemanha. A Alemanha sonha com novos tempos de esplendor, com grandes voos da Águia Imperial. Revelador disto são as palavras do ministro das finanças alemão numa conferência em Berlim «depois do desastre nazi o novo poder alemão na Europa, através da União, criou a segunda oportunidade histórica da Alemanha».
O que é que a Alemanha quer de nós portugueses? Que nos mantenhamos um país devedor para com ela, para com os seus bancos, e compremos os produtos que ela exporta, quer fazer de nós uma espécie de México em relação aos Estados Unidos, não nos quer portanto muito desenvolvidos economicamente, prefere ter-nos como uma espécie de colónia ou protectorado. Mas se por acaso não conseguir efectivar esta política, vai expulsar-nos do Euro. A Alemanha quer a desaparição da Zona Euro, tal como está concebida. Ainda quando o Euro estava em estudo, por volta dos anos noventa, havia sectores de opinião dentro da Alemanha que não eram partidários de incluir os países mediterrânicos (entre eles Portugal) até que as suas economias fossem estáveis, disciplinadas e austeras. Nessa altura cedeu, mas agora é muito bem capaz de se empenhar para que os «indisciplinados» abandonem a zona Euro. Ela é assim que quer, mas as coisas estão a querer mudar… Temos o mesmo tratamento no campo económico, igual àquele que tivemos pós II Guerra Mundial no campo político, querer fazer de Portugal um País subdesenvolvido.
Não só ela, Alemanha, nos retirou a soberania, esse grande banco de investimento, um dos maiores a nível mundial, Goldman Sachs, tem em todos os governos europeus um homem da sua confiança, em Portugal é António Borges, funciona como conselheiro financeiro e é o homem das privatizações, escolhido para estes cargos pelo actual governo. Este homem foi Vice-Presidente do PSD, e também Director do Departamento Europeu do FMI. Eu, chamo a este homem o «Governador» de Portugal, ou seja, é ele que representa a «potência colonizadora» no nosso País, os mercados.
O FMI é um clube de credores, onde meia dúzia de instituições financeiras dominam a economia mundial, mas á frente destas instituições está o banco Goldman Sachs, tentam manter os países endividados para lhes irem roubando as suas riquezas através do pagamento de juros e de privatizações de empresas públicas que passam para as mãos das multinacionais que gravitam à volta do FMI, não é por acaso que António Borges é o homem das privatizações… Considero tudo isto, e todos estes homens que aceitam este estado de coisas, desde António Borges, até ao actual governo português, a versão mais ultrajante da Social-Democracia.
Talvez os governantes portugueses não saibam, mas a primeira condição para que um povo seja respeitado fora das suas fronteiras, é que os seus governantes o respeitem e sirvam. Isto é que é interesse nacional, isto é que é democracia. A nós portugueses não nos respeitam, porque os primeiros a não nos respeitarem são os nossos governantes, aqueles que nós elegemos nas urnas.

Atrás de tempo, tempo vem, as eleições em França e na Grécia já nos enviaram uma mensagem, uma mensagem de Revolução Pacifica que demonstra que a Europa não pode sobreviver só com austeridade, cortes e recortes monstruosos.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

A inauguração de uma exposição bibliográfica sobre Virgílio Afonso na Biblioteca Geral do Instituto Politécnico da Guarda (IPG) foi precedida de uma palestra do filósofo, ensaíasta e investigador quadrazenho Jesué Pinharanda Gomes.

Pinharanda Gomes

Na Biblioteca Geral do Instituto Politécnico da Guarda está patente, desde 10 de Maio e até 10 de Junho de 2012, uma exposição bibliográfica sobre Virgílio Afonso.
A inauguração desta exposição foi precedida de uma palestra, alusiva, a proferir pelo ensaísta e investigador Pinharanda Gomes.
Virgílio Afonso nasceu em Gonçalbocas, aldeia do concelho da Guarda, no dia 21 de janeiro de 1923 e faleceu nesta cidade no dia 20 de setembro de 1998.
Licenciado em História pela Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa, depois de se ter formado na Escola do Magistério Primário da Guarda, iniciou desde muito jovem a sua colaboração na imprensa regional, concretamente em jornais da cidade da Guarda.
Fez o estágio de jornalista no antigo «Novidades de Lisboa», quando ainda estudante, tendo como mestres os conhecidos jornalistas: Padre Moreira das Neves, Tomás de Gamboa e Padre Miguel de Oliveira, que constituíam o principal elenco da direção e redação daquele diário que suspendeu a publicação após a revolução de 25 de Abril de 1974.
Virgílio Afonso foi delegado da Emissora Nacional da Guarda, chefiou a redação do semanário «Correio da Beira», que por ordem do Movimento das Forças Armadas foi extinto após o «25 de Abril», e foi cronista na revista «Flama», jornais «Diário de Coimbra», «Diário da Manhã», «Acção» e «Diário do Norte», entre outros.
Finalmente radicado na cidade da Guarda, o jornalista e escritor, continuou a sua atividade na Comunicação Social, tendo colaborado no «Jornal do Fundão», «Notícias da Covilhã», «Notícias de Gouveia», «Notícias da Guarda», Rádio Altitude, RDP-Guarda e «Revista Altitude».
Em 1975 fundou e dirigiu o quinzenário «Alta Cidade», que publicou 12 números, continuando colaborador e correspondente de outros órgãos da comunicação social.
jcl (com IPG)

Militares da GNR do Núcleo de Investigação Criminal da Guarda, detiveram na tarde do dia 7 de Maio, na Quinta de Santo Amaro, freguesia do Casteleiro, um homem de 57 anos, por posse de armas ilegais.

GNR-Guarda Nacional RepublicanaA GNR recebeu uma chamada telefónica, denunciando que naquele local estava a decorrer um desentendimento entre cônjuges num quadro de violência doméstica. A situação conduziu à execução de uma busca no respectivo domicílio, ocasião em que foram encontradas e apreendidas três espingardas de calibre 12 mm, bem como 47 munições. O detido foi presente a primeiro interrogatório judicial, sendo-lhe aplicado termo de identidade e residência.
No dia 11 Maio militares do Posto Territorial da Mêda, apreenderam também duas armas (uma espingarda marca Marlin Goose de calibre desconhecido e uma Carabina da Marca Dteyter de calibre 22mm) que foram encontradas abandonadas dentro de um poço, numa propriedade agrícola.
Segundo o comunicado semanal do Comando Territorial da Guarda da GNR, no dia 12 de Maio aquele comando levou a efeito uma Operação de fiscalização de trânsito, com particular incidência na condução sobre o efeito do álcool e sem habilitação legal, bem como na abordagem de suspeitos da prática de crimes. Foram fiscalizados 93 veículos e condutores, tendo sido detidos oito condutores com excesso de álcool e um por desobediência, tendo sido elaborados 18 autos de Contra-Ordenação.
plb

No sábado, dia 19 de Maio, Jorge Palma vem ao Teatro Municipal da Guarda (TMG) para o concerto de apresentação do novo álbum, intitulado «Com todo o respeito», editado em Outubro de 2011. Trata-se de uma digressão acústica criada especificamente para salas onde o artista, ao piano, se faz acompanhar pelo filho, Vicente Palma, ao piano e à guitarra.

Em «Com todo o respeito», aquele que é por muitos considerado o melhor «cantautor» português cria um ambiente intimista de interatividade com o público e viaja por temas bem conhecidos dos seus mais de 40 anos de carreira.
Sobre o músico, alguém escreveu que «Em Jorge Palma sobressai a capacidade de redescobrir a música, de criar uma forma atraente, de exibir sentimentos, explorar emoções, e cativar sempre mais gente, a acompanhar a sua solidão junto ao piano, num misto de querer estar só, mas com todos os outros».
De referir que este último disco de Jorge Palma foi galardoado com o Prémio Pedro Osório pela Sociedade Portuguesa de Autores.

Carlos Barretto e António Eustáquio no Café Concerto
Na próxima quinta-feira, dia 17 de Maio, os músicos Carlos Barretto e António Eustáquio apresentam no Café Concerto o espectáculo «Guitolão», pelas 22h00.
«Guitolão» é um instrumento musical nascido em Portugal e é também o sonho do guitarrista Carlos Paredes tornado realidade pelo construtor Gilberto Grácio. Trata-se de um cordofone, baseado na guitarra portuguesa, mas com um registo mais grave.
«O encontro entre António Eustáquio (guitolão) e Carlos Barretto (contrabaixo) faz-se, pois, sob a égide deste raro instrumento que, nas mãos de António Eustáquio ganha vida». Um concerto que promete surpreender e onde a dupla apresenta o disco com o mesmo nome, «Guitolão», lançado com a etiqueta da JACC Records. A entrada é livre.
Trata-se de uma iniciativa apresentada através da Rede 5 Sentidos e em parceria com o Jazz Ao Centro Clube.

SoniCC com Alone in the Darkness + Ésse
Na sexta, dia 18 de Maio, actuam no Café Concerto do TMG, às 22 horas, mais duas bandas selecionadas no âmbito do SoniCC: Alone in the Darkness (Guarda) e Ésse (Vilar Formoso).
Trata-se da terceira sessão desta actividade que tem como objectivo dar oportunidade às bandas e projectos da região da Guarda de se revelarem no TMG.
Alone in the Darkness é um projecto de quatro jovens da Guarda, surgido em 2011. Aspiram tocar ao lado de grandes bandas do movimento underground português. Os Alone in the Darkness são António Farinhas (Guitarra/baixo/voz), Bernardo Delgado (Bateria), Leonardo Rodrigues (Teclado/voz) e Lucas Martins (Guitarra e backing vocals).
Ésse vem de Vilar Formoso (concelho de Almeida) e é um amante dos ritmos Hip Hop. Começou a cantar aos 13 anos. «Desde cedo que desenvolvi o meu gosto pela escrita, e naturalmente este estilo musical cativou-me, tanto pelo seu poder introspectivo, como interventivo, entre ritmo, rimas, métrica.», refere o jovem no seu texto de apresentação.
O SoniCC entrará brevemente numa nova fase, alargando o âmbito da iniciativa a bandas também do Distrito de Castelo Branco. Os projectos interessados deverão enviar informação e maquetas para o TMG.
plb (com TMG)

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