A editora Bizâncio acaba de lançar o livro «Lince-Ibérico», o qual aborda diferentes aspectos da biologia do felino mais ameaçado do mundo, ilustrados por fotos de animais em habitat natural onde a sua existência se encontra ameaçada.

Lince Ibérico da Serra da MalcataA publicação é o resultado de uma colaboração do jornalista Paulo Caetano, autor dos textos, e do biólogo Joaquim Pedro Ferreira, responsável pelas fotos, enriquecida também por ilustrações de Jorge Mateus.
Numa altura em que o projecto nacional de reprodução do lince-ibérico dá um passo decisivo com o acolhimento de linces para o repovoamento do seu habitat tradicional em Portugal, chega aos escaparates um livro-álbum muito elucidativo.
Trata-se de uma publicação que apresenta o felino mais ameaçado do mundo nos vários aspectos da sua biologia, que vão desde os hábitos alimentares à reprodução, sempre ilustradas com fotos do esquivo carnívoro obtidas em meio natural em momentos nunca capturados da sua vida quotidiana.
Continuam a chegar linces ao centro nacional de reprodução, situado em Silves, no Algarve, num processo que deverá estar concluído até ao final deste mês, altura em que o centro de reprodução português deverá acolher os 16 animais previstos.
plb

O tráfico de influências e a corrupção sempre existiram na nossa sociedade. A dúvida mesmo, é se algum dia deixarão de existir! Penso até que estes terríveis defeitos da nossa sociedade estão-nos na massa do sangue, fazem parte da nossa matriz cultural.

Amanitamuscaria

António Cabanas - «Terras do Lince»Naturalmente, que a é grande corrupção, de colarinho branco, a que mais nos preocupa, é essa que é objecto do interesse noticioso, que vende jornais e minutos de rádio e televisão, mas se olharmos para o nível mais baixo, para a arraia miúda, não há actividade na nossa sociedade onde o tique do tráfico não se faça sentir. Desde o pequeno favor, pago com outro favor, com a prenda ou com o voto, ao emprego que se pede para a filha, ao benefício público ou particular de toda a espécie, para já não falar da corrupção na extinta actividade de contrabando, são imensos os exemplos.
Uma amiga recente, da área alimentar, citando Paracelso, dizia, há dias, ao almoço que «o que faz o veneno é a dose». Qual será afinal a dose adequada para a nossa corrupção?
É quase impossível ficar indiferente à avalanche noticiosa de escândalos que nos entra portas adentro, todos os dias. Ainda mal refeitos do escândalo do Freeport, já a Face Oculta atormenta a nossa consciência colectiva.
A verdade é que já nos vamos habituando a ver os alicerces morais da nossa sociedade abalados por autênticos vendavais. Temos na memória casos e mais casos, mal resolvidos, onde sobressai de forma repugnante o inimaginável escândalo da pedofilia. Confesso que esse me custou a engolir, como português senti-me até envergonhado. Inicialmente não acreditava que ídolos da comunicação, diplomatas, políticos, advogados e outros homens famosos, símbolos de virtude e de sucesso, pudessem cometer tão hediondos crimes e que rapidamente se faria o desmentido, com os respectivos pedidos de desculpa. Um dos acusados apressou-se a fazê-lo na TV, chorando em frente às câmaras que lhe eram tão familiares e fiquei aliviado. Tudo não passava, afinal, de pura difamação! Sol de pouca dura! Estava ainda para cair em catadupa «o Carmo e a Trindade», com as histórias mais sórdidas, contadas em pormenor, vasculhadas até ao tutano, a alimentar o nosso mais profundo e mórbido voyeurismo.
Porém, ao fim destes anos todos, de processo em processo, de juiz em juiz e de requerimento em requerimento, já ninguém acredita que haja condenados. Receamos até que alguns acusados, em vez de acusados se transformem em vítimas e venham a receber do Estado, ou seja, do nosso bolso, chorudas indemnizações.
É que, se os acusados são gente da alta, os seus advogados são autênticas vedetas, recrutados na nata dos melhores, dando àqueles a tranquilidade e a segurança de uma absolvição anunciada.
Como se de uma novela brasileira se tratasse, as alegadas práticas criminosas que têm sido noticiadas nas últimas semanas, mais uma vez, alimentam as conversas do dia a dia, motivando-nos sentimentos de repulsa e de inquietação, como se os vivêssemos por dentro. Agitam as nossas vidas, envolvem o nosso dinheiro e pessoas nas quais acreditámos ou que deviam merecer a nossa confiança. Põem em causa os sistemas conexos ao aparelho de estado.
Mais uma vez, a comunicação social, mormente as televisões, tratam do assunto, de forma necrofágica, e vampírica, esquecendo-se imediatamente dele, caso deixe de cheirar mal, ou se outro assunto que cheire ainda pior lhes atraia o sentido.
Mais uma vez a languidez da Justiça deixa-nos a sensação de que os criminosos ricos e poderosos ficarão impunes. É verdade que são «condenados» na praça pública, esmagados pelo poder imenso da comunicação social e nesse rolo compressor, algumas vezes, são apanhados também os inocentes, que nunca mais voltam a endireitar as costas. Mas a verdadeira justiça, a da própria Justiça, essa, raramente se faz.
«Terras do Lince», opinião de António Cabanas

kabanasa@sapo.pt

A Balada da Neve é o poema mais conhecido de Augusto Gil, escritor guardense cuja obra se inspira na cidade mais alta e na gente que a habita. Embora nascido (em 1870) no Porto, foi para a Guarda ainda petiz e ali cresceu e se fixou, mau grado alguns períodos de afastamento, nomeadamente em Coimbra enquanto estudante universitário e depois em Lisboa onde ocupou cargos na Administração Pública.

Gente de Palmo e MeioPara além da poesia, Augusto Gil também se aventurou pela narrativa, de onde se destaca o livro «Gente de Palmo e Meio» que é, afinal, uma colectânea de contos de grande profundeza humana. São trechos da vida de crianças, umas pobres outras ricas, ainda algumas remediadas, que evidenciam a enorme sensibilidade do autor para os dramas que o rodeiam. As histórias centram-se em Lisboa, e relatam curiosas peripécias de petizes, que comovem o leitor.
Alguns dos contos referem o sofrimento das crianças que vivem em extrema carência, ajudadas por uns e enxotadas por outros. Também retratam miúdos corajosos que, sozinhos, desafiam o mundo, num sinal da maturidade que a vida difícil lhes proporcionou. Ainda há outros onde impera a ironia ou o fino humor. O contos «O Pobrezinho Honrado» retrata a vida madrasta de um menino de Manteigas que desceu a Lisboa com o pai para o ajudar na profissão:
«- Donde és tu menino?
- Ê cá sou de Manteigas…
- Sim? E tens pai?
Dilatou-se-lhe a boca num sorriso claro que acendeu um brilho maior na chama dos seus olhos límpidos.
- Antão não havêra de ter pai!…
- E que vida é a dele?
- Vende fazenda coma mim…»
Augusto Gil relata em traços fortes esta gente pequena, que comia sopa desenxabida ou pequenos nacos de pão migado no leite, quando não apenas uma peça de fruta. São relatos de comida pobre, num mundo desventurado.
Mas, no que toca a comeres, ninguém fica indiferente ao conto «A Santinha», que expõe a bondade de uma menina, «linda como o luar, de boca fresca e rubra que nem uma cereja mordida». Filha de gente abastada, vivia numa grande quinta, brincando só, à sombra de um cedro gigante:
«A criada desceu com o lanche numa salva, poisou-lha no banco de sobro, ao pé do cedro e, furtando-lhe um beijo, foi-se.
Os dois filhos do feitor, nem que lhes tivesse dado o faro da pitança, surgiram do lado oposto e quedaram-se numa atracção muda, a dois passos da bandeja…
A Lili ergueu o guardanapo, a ver: e seis olhos caíram ao mesmo tempo sobre um pastel de folhado, uma fatia barrada de manteiga e um cacho d’uvas moscatéis.
Pegou no cacho e ofereceu-o ao mais velho.
Tirou o pastel e deu-o ao mais novo.
Por fim, erguendo o que restava – era a fatia – levou-a à boca…
Mas um cachorrito ladino, vindo d’algures, a dar à cauda, acercou-se do grupo, de focinho no ar e pupila reluzente, com os latidos e migalhices que estavam mesmo a dizer:
- E eu?!…
A Lili sorriu; e depois de reflectir por uns instantes, privou do pão a sua boca e chegou-o à boca do cãozito, num doce gesto, resignado e vagaroso…»
«Sabores Literários», crónica de Paulo Leitão Batista

leitaobatista@gmail.com

Pedro Miguel Fernandes - Série BDepois de «Paris, Je t’aime», que se pode dizer obteve um sucesso razoável, chega agora «New York, I Love You». A ideia é a mesma. Juntam-se alguns realizadores conhecidos, actores que o grande público também conhece e filmam-se várias curtas-metragens que contam histórias de amor cujo cenário é uma grande cidade.

A ideia é original, pois cada uma à sua maneira, estas são duas cidades românticas quanto baste para espíritos apaixonados. Mas se no primeiro se notava algo de novo, agora isso não sucede. Contudo uma das mudanças é que aqui não há paragens entre as curtas e as personagens vão aparecendo em curtas distintas, dando uma ideia de interligação e um conjunto que o anterior passado em Paris não tinha.
New York I Love YouPara os cinéfilos este «New York, I Love You» traz um atractivo, que é a presença de actores que há muito não via, como James Caan, que está brilhante como dono de uma farmácia, ou Eli Wallach, o mítico Vilão do filme «O Bom, o Mau e o Vilão», que pensava já não estar entre nós, no papel de um velhote rabugento que está sempre a resmungar com a sua também idosa esposa.
E depois temos de tudo um pouco. Curtas bastante românticas, como a que foi realizada Shekhar Kapur, passada num hotel e com uma interpretação que me agradou bastante, a cargo de Shia LaBeouf, cómicas, como a realizada por Brett Ratner, outro dos nomes que me surpreendeu, e até uma história filmada por Natalie Portman.
No fundo este é um filme para quem está apaixonado e a próxima paragem já está definida. Xangai, na China, será a próxima cidade do projecto de curtas românticas.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

pedrompfernandes@sapo.pt

A Agenda 21 é o principal documento que resultou da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento Humano, realizada no Rio de Janeiro em 1992. A principal preocupação deste documento é o futuro do planeta a partir do século XXI e a sua intenção é assegurar o desenvolvimento económico, social e cultural das comunidades locais e respectivos países com maior justiça social e sem prejuízo do meio ambiente.

José Manuel Monteiro - «Largo de Alcanizes»O capítulo 28 da Agenda 21 refere que: «Devido ao facto de muitos dos problemas e soluções abordadas na Agenda 21 terem as suas raízes em actividades locais, torna-se um factor determinante para o cumprimento dos seus objectivos a participação e cooperação dos poderes locais. Os poderes locais criam, dirigem e mantêm infra-estruturas económicas, sociais e ambientais, supervisionam processos de planeamento, estabelecem políticas e normas de ambiente locais e participam na implementação nacional e sub nacional de políticas ecológicas. Como nível de governação mais próximo das pessoas, elas desempenham um papel vital na educação, mobilizando e respondendo ao público para promover o desenvolvimento sustentável.»
O projecto que a CDU apresentou aos eleitores nas últimas eleições autárquicas, assentava nos vectores deste desenvolvimento, dizendo nós que pretendíamos um concelho economicamente viável, um concelho socialmente coeso e solidário, um concelho culturalmente vivo, aliando a tradição à modernidade e um concelho ecologicamente sustentável para as gerações futuras. Independentemente dos resultados eleitorais obtidos, que são insignificantes, volto hoje a reafirmar que o futuro do Sabugal passará obrigatoriamente por este caminho. Contudo, dizíamos nós, e escrevi numa das primeiras crónicas neste blogue, que o desenvolvimento só seria possível na e com a participação de todos. Alias, a própria Agenda 21 apela a um processo participativo, de envolvimento de todos na identificação dos problemas e na definição das prioridades.
Dizia que voltaria a estes temas, mais tarde e talvez quando fossem conhecidos os documentos de gestão do município – Orçamento e Grandes Opções do Plano. Voltei agora porque entretanto li a crónica do Ramiro Matos e o seu apelo vem ao encontro de um desafio que eu considero importante. Ele chama-lhe «Convenção» eu chamar-lhe-ia «Jornadas de Reflexão». Mas, no fundo os objectivos são os mesmos. Envolver todos os Sabugalenses na definição dos problemas e na definição das estratégias locais que façam do Sabugal um concelho viável.
O formato ou os nomes, são aqui indiferentes. Se pode funcionar somente no concelho do Sabugal ou também em outras zonas onde estejam muitos sabugalenses (Lisboa, Porto ou Paris), se podem ser constituídos grupos de reflexão ou funcionamentos em plenários, etc., serão coisas a analisar. Contrariamente ao Ramiro, penso que pensar o Sabugal terá que ser mais que uma convenção, terá que ser um movimento constante. Como se consegue? Aqui reside a nossa capacidade de encontrar soluções.
É preciso unir esforços, vontades e saberes. Unir o poder político e a sociedade civil. O associativismo e os indivíduos e pensar Sabugal. Encontrar práticas que não sejam só para o poder institucional, nomeadamente a Câmara Municipal, utilizar, mas também o mundo empresarial, o movimento associativo, as escolas, no fundo todos. Por tudo isto não respondo ao Ramiro pelo seu e-mail, respondo por aqui e publicamente que estou mobilizado e pronto a avançar.
«Largo de Alcanizes», opinião de José Manuel Monteiro

jose.m.monteiro@netcabo.pt

O Conselho de Ministros, por proposta do ministro da Administração Interna, Rui Pereira, aprovou esta quinta-feira, 19 de Novembro, a nomeação de António Santinho Pacheco para Governador Civil da Guarda.

O ex-presidente da Câmara Municipal de Gouveia, substituiu Maria do Carmo Borges, que manifestara vontade de sair do cargo. O nome de Santinho Pacheco era falado nos bastidores como possível novo Governador Civil, o que hoje se confirmou.
Santinho Pacheco é membro do Secretariado da Federação Distrital da Guarda do Partido Socialista e da Comissão Nacional do partido. O novo governador civil tem 58 anos e para além de presidente da Câmara de Gouveia foi deputado à Assembleia da República pelo Partido Socialista. Foi ele que, enquanto deputado, propôs a integração da freguesia de Vale da Amoreira no concelho de Manteigas. Também enquanto deputado integrou as comissões parlamentares de Administração e Ordenamento do Território e de Saúde e Toxicodependência
O Conselho de Ministros nomeou hoje todos os novos governadores civis dos 18 distritos do Continente.
Além de Santinho Pacheco, foram também nomeados pelo Governo José Barbosa Mota (em Aveiro), Manuel Monge (em Beja), Fernando Moniz (Braga), Jorge Gomes (Bragança), Maria Alzira Serrasqueiro (Castelo Branco), Henrique Fernandes (Coimbra), Fernanda Ramos (Évora), Isilda Gomes (Faro), José Carvalho (Leiria), António Galamba (Lisboa), Jaime Estorninho (Portalegre), Maria Isabel Santos (Porto), Sónia Mendes (Santarém), Manuel Malheiros (Setúbal), José Joaquim Guerreiro (Viana do Castelo), Alexandre Chaves (Vila Real) e Miguel Albuquerque (Viseu).
plb

O Largo do Castelo será mais uma vez o local onde decorrerá a Feira Franca, a realizar na cidade do Sabugal, no próximo dia 29 de Novembro de 2009.

Feira Franca no Largo do Castelo do Sabugal

«A primeira menção duma feira portuguesa vem registada no Foral de Castelo Mendo de 1229 que se realizava três vezes no ano, durante oito dias de cada vez. Todos os que a ela concorressem, tanto nacionais como estrangeiros, teriam segurança contra qualquer responsabilidade civil ou criminal que pesasse sobre eles. Entre os privilégios que mais favoreceram o desenvolvimento das feiras portuguesas há que mencionar o que isentava os feirantes do pagamento de direitos fiscais, nomeadamente portagens, a que se dava o nome de feiras francas.»
«A partir do reinado de D. Afonso III (1248-1279) multiplica-se o número das feiras e ampliam-se as garantias e os privilégios jurídicos concedidos aos feirantes. O fomento do comércio interno por meio da instituição de feiras, teve como consequência o aumento populacional de determinadas zonas pouco povoadas, para além de engrandecer os rendimentos da coroa.»
Agora que já sabe, fica desde já o convite para uma possível visita à Feira Franca do Sabugal, onde poderá encontrar alguns produtos do concelho, nomeadamente, produtos artesanais, enchidos, queijos, produtos agrícolas, velharias e antiguidades.
Esta é uma iniciativa da Casa do Castelo e do Bar «O Bardo».
jcl (com CMS)

Para comemorar o quinquagésimo aniversário de Astérix, criado em Outubro de 1959, a esquadra «Patrouille de France» presta homenagem aos gauleses mais famosos, com um filme espectacular realizado por Eric Magnan.

jcl

Inicio hoje um conjunto de pequenas crónicas onde pretendo trazer aos leitores deste Blogue iniciativas levadas a cabo em alguns Concelhos de Portugal e que constituem bons exemplos de intervenção.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Começo por Proença-a-Nova, localizada no distrito de Castelo Branco, com uma área de 395km² e 8849 habitantes em 2008.
Em 2005 teve início o Programa «PROGRIDE – Uma Comunidade, uma Família», tendo como entidade promotora a Câmara Municipal, entidade executora, a Santa Casa da Misericórdia de Sobreira Formosa e um conjunto alargado de 15 entidades parceiras: Município, Juntas de Freguesia, Centro Distrital da Segurança Social, Pinhal Maior – Associação de Desenvolvimento do Pinhal Interior Sul, Centro Social Cultural Recreativo de Montes da Senhora, Centro de Dia de Peral, Santas Casas da Misericórdia de Proença-a-Nova e de Sobreira Formosa, CPCJ de Proença-a-Nova e REAPN (Rede Europeia Anti-Pobreza Nacional).
No âmbito deste Programa foram desenvolvidas diversas acções, das quais saliento:
– Criação e dinamização de uma Ludoteca – A Bibliomóvel percorre as localidades mais isoladas do Concelho permitindo à população requisitar livros, DVD’s, jornais, revistas e consultar a Internet, tendo como objectivo que as pessoas mais afastadas e com difícil mobilidade tenham acesso à cultura e ao entretenimento;
– Unidade Móvel de Saúde – Tem como objectivo principal tornar a saúde mais «acessível» a uma população marcadamente idosa e geograficamente isolada. Constituída por uma carrinha medicamente equipada, a Unidade percorre as localidades do concelho realizando rastreios de glicemia, colesterol, triglicerídeos, tensão arterial e peso. Para além disso pretende ser um centro de aconselhamento e esclarecimento de dúvidas;
– Recuperação de Habitações Degradadas – Destina-se a dar condições de habitabilidade a famílias vivendo em situações degradantes e sem posses económicas para proceder às obras necessárias;
Banco de voluntariado – Tem como objectivo principal ser um espaço de aproximação entre os interessados no trabalho voluntário e as organizações promotoras do mesmo;
– Linha de Apoio Social – É uma linha gratuita que se encontra disponível 24 horas por dia e que tem como objectivo proporcionar a grupos desfavorecidos e geograficamente isolados um maior apoio;
– Banco Solidário – Recolhe bens doados pela população para posteriormente os entregar a pessoas carenciadas. Bens como electrodomésticos, alimentos, brinquedos, vestuário, etc.;
– Apoio a Associações – Faz o levantamento das necessidades em termos de equipamentos do Movimento Solidário e Associativo do Concelho, e cria condições para ultrapassar essas necessidades sem encargos para as Associações;
– Animação sócio-cultural – Tem como objectivo incentivar a vida colectiva, possibilitar o acesso ao lazer, à cultura, ao desporto e ao entretenimento, da população idosa.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

Portugal apurou-se para o Campeonato do Mundo de Futebol 2010, a disputar na África do Sul, com um golo de Raul Meireles, aos 55 minutos, no Estádio Bilino Polje, em Zenica, Sarajevo. A selecção nacional partiu em vantagem para este encontro depois de ter conseguido um triunfo sobre a Bósnia-Herzegovina, igualmente por 1-0, na primeira mão do «play-off» disputado em Lisboa no Estádio da Luz.

Esta manhã os jornais desportivos, com manchetes muito originais, dão conta disso mesmo.

jcl

Ana Manso e Álvaro Amaro vão disputar as eleições para a nova direcção da Distrital do PSD da Guarda, marcadas para o dia 5 de Dezembro.

A luta política será protagonizada pelo actual e pela anterior presidente, Álvaro Amaro e Ana Manso, respectivamente, facto que dá particular interesse a estas eleições para a distrital do PSD.
A ex-presidente e ex-deputada responsabiliza Álvaro Amaro pelos maus resultados do PSD nas últimas eleições autárquicas. Para Ana Manso, o partido perdeu terreno para o PS. Os social-democratas perderam dois concelhos (Manteigas e Mêda), embora tivessem recuperado Vila Nova de Foz Côa. Embora o PSD continue a deter a maioria das Câmara Municipais, o PS reforçou a sua posição no distrito.
Álvaro Amaro, considera por sua vez que houve falta de empenho de alguns militantes do partido durante a campanha eleitoral para as autárquicas, o que é lido como uma alusão a Ana Manso.
A disputa política entre os dois principais protagonistas do partido no distrito nos últimos anos, irá prosseguir nos próximos dias.
plb

Um grupo de clientes do Banco Português de Negócios (BPN), de Seia, Guarda e Sabugal, entrou hoje de manhã na dependência bancária em Seia, para reclamar os depósitos feitos naquele balcão.

No total, encontram-se no interior do Banco, desde manhã, cerca de 30 clientes, cujo valor de investimentos feitos junto do BPN de Seia ascende a vários milhões de euros.
Os clientes de Seia, a que se juntaram outros vindos da Guarda e do Sabugal, permaneceram no interior da agência bancária, assim manifestando o seu descontentamento, pelo facto de terem sido lesados, sem que o banco lhes aponte soluções satisfatórias para reaverem o seu dinheiro.
Os manifestantes reivindicaram a devolução dos depósitos a prazo, cujo resgate estava previsto para Agosto, e que alegam terem sido transformados, sem a sua autorização, em papel comercial da Sociedade Lusa de Negócios.
Um outro grupo de clientes, que se diz enganado pelo BPN, foi recebido no Ministério das Finanças, onde apresentaram as suas queixas. Este grupo que representa cerca de 1700 pessoas que se dizem lesadas em mais de 200 milhões de euros.
Os clientes lesados dizem possuir um dossier com mais de 40 páginas onde está explicita a forma como foi vendido o papel comercial sem consentimento dos clientes. As queixas já foram transmitidas ao Banco de Portugal e à Comissão de Mercado de Valores Mobiliários, esperando agora os lesados ser recebidos em breve pelo Provedor de Justiça e pelos principais partidos políticos.
Os protestos dos clientes do BPN poderão dispersar-se por diversas agências do banco. Depois de Viseu, os protestos foram até Seia e poderão seguir-se outras acções de contestação.
plb

Numa pequena vila do Interior vivia um velho médico, que totalmente abstraído da vida social, se converteu em recluso. A sua prática médica não era muito extensa, porque ao longo da vida se limitou a curar umas febres sazonais, a fazer uns partos e pouco mais. Escreveu contudo um livro, um manual de medicina natural, cujo título aqui não vem ao caso, em que expunha, além das terapias para um extenso rol de maleitas, uma estranha e curiosa teoria…

João ValenteDizia ele, que era possível, uma pessoa de boa saúde poder prognosticar a sua morte com precisão, até um ano antes de ela acontecer.
E dava exemplos concretos em que tinha feito os seus prognósticos acertados; e de pessoas que advertiu do eminente decesso e que morreram no prazo fixado, sem causa conhecida.
Pois um dia, o bom do médico recebeu a visita de um conterrâneo, homem de idade também, que lendo o seu livro, o foi consultar sobre os sintomas, do que julgava ser o decesso eminente.
Ouviu o bom médico atentamente os queixumes do homem. Depois ficaram ambos calados.
Deu-te alguma coisa hoje – perguntou o médico – alguma coisa que te fizesse suspeitar da morte?
O homem olhou-o fixamente e não respondeu.
Talvez – continuou o médico – algum gesto, um sinal, qualquer coisa, porque conhecesses o sinal da morte…
O homem ficou impaciente, um pouco nervoso.
– Sim. Li o seu livro e tratei um familiar durante três anos com as suas mesinhas. Morreu…
O médico deu umas passadas, visivelmente incomodado, pela sala e sentou-se.
Doutor – continuou o homem – o que me diz, como médico? Vou morrer?
– Não! És a pessoa mais saudável que conheço. Volta para casa. Lembro-me que tocavas concertina como ninguém. Toca uma coisa alegre e divertida e esquece este maldito assunto da morte.
Uma semana depois, o homem, que vivia numa comprida rua desabitada, foi encontrado morto em casa, a concertina no colo. Tocara um corridinho. A seguir, na Antena2, dera a marcha fúnebre de Chopin.
E no jornal sabugalense onde saiu a notícia necrológica, vinha em primeira página, que no largo principal da vila, o executivo camarário decidira erguer uma estátua à República!
«Arroz com Todos», opinião de João Valente

joaovalenteadvogado@gmail.com

Os «bebés patinadores» do anúncio da marca de água Evian entraram para o «World Guiness Book» como o anúncio mais visto de sempre na internet. A campanha criada pela Betc Euro RSCG chegou ao top com 45 milhões de visualizações.

jcl

Uma explosão numa pedreira na freguesia da Ruvina, concelho do Sabugal, provocou ontem, segunda-feira, queimaduras graves num operário de 37 anos, informou o Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) da Guarda.

PedreiraUm acidente de trabalho ocorreu ontem, segunda-feira, perto das 10 horas da manhã na pedreira da Ruvina e feriu com gravidade na cabeça um operário que estava a efectuar rebentamentos para extracção de granito. O
«O ferido foi afectado sobretudo na face, crânio e vias respiratórias», disse à agência Lusa uma fonte dos Bombeiros Voluntários de São Romão.
O operário ferido, que trabalhava na pedreira há pouco tempo, recebeu os primeiros socorros no Centro de Saúde do Sabugal e foi transferido para o Hospital Sousa Martins, na Guarda. Mais tarde, foi internado na Unidade de Queimados dos Hospitais da Universidade de Coimbra.
jcl (com agência Lusa)

Num dos dias finais de do mês de Outubro sentei-me, como de costume, à sombra de um pequeno castanheiro que tenho no quintal de minha casa, e li umas páginas de um livro. A meio da leitura, parei para dar descanso aos meus olhos, já bastante cansados. A temperatura rondava os 25 graus, o Sol escaldava, isto com o Outono já avançado.

António EmidioEra impensável uma coisa destas há meia dúzia de anos atrás. Em finais de Outubro já a lareira estava acesa. Mesmo assim, ainda há gente que por ignorância e má fé diz que essa coisa do aquecimento global é conversa de ecologistas.
Nesses momentos em que pensava no aquecimento global, olhei para longe, fiquei triste, vi o calvário dos nossos campos, vi-os crucificados, cheios de sede e abandonados pelo homem, esse homem que só consegue sobreviver com o alimento que eles lhe fornecerem. Então porque os trata assim? Porque os senhores do dinheiro, a nível global, que controlam o Mundo e as sociedades, com a tecnologia ao seu dispor, obrigaram o homem a produzir para o mercado, e não para a vida? O que conseguiram com isso?
Segundo a ONU, quase metade da população do Mundo vive num estado de pobreza e é impotente para satisfazer as suas necessidades básicas de alimentação. Mil milhões passam fome, a cifra mais alta da história!
Numa altura em que o Mundo está tão desenvolvido e com tanta tecnologia ao seu dispor. Esses homens criaram um modelo de produção agrícola a que chamaram agro-industria, na prática significa ter a riqueza agrícola a nível mundial em meia dúzia de mãos. Os pequenos agricultores tiveram que abandonar os campos porque foram incapazes de competir com eles, e em muitos países, como em Portugal, receberam ordens para deixarem de cultivar.
O modelo da agro-industria é mecanizado e usa químicos. A utilização de grandes máquinas para lavrarem as terras, e para outros usos, contribui para a libertação de CO2 (dióxido de carbono). Os adubos químicos que se utilizam, emitem para a atmosfera gases com efeito de estufa. Segundo um estudo feito por especialistas, mais de 50 por cento das emissões de gases de efeito de estufa, são provocadas por este modelo de produção agrícola. A tudo isto temos que juntar o embalar dos alimentos, o transporte e a refrigeração. Ligadas à agricultura, também causadoras da mudança climática, estão a macropecuária, e a desflorestação.
E a minha utopia? Qual é? Ver os campos do nosso Concelho com a missão para que foram destinados, mas tudo baseado numa agricultura ecológica. Tinha dois fins: alimentar-nos sãmente e contribuir para a despoluição da Terra.
Leitor(a), os carrascos do pensamento sempre tentaram desonrar a palavra utopia, até usam termos como demagogia e loucura para a classificarem. Mas eles não sabem que o ser humano nunca conseguirá superar os limites da natureza. E nem sonham que os campos que agora estão abandonados, não o estarão ad aeternum.
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

Cresci entre muros, muros de cimento mas também muros mentais.

Kim Tomé (Tutatux)Talvez por defeito congénito sempre tive um impulso para olhar o outro lado dos muros, por isso foi com grande esperança que vi cair um grande muro.
Foi um dia de grande alegria que partilhei com a minha família e amigos, bebemos e festejamos de jubilo.
O pior foi a ressaca.
O pior foi perceber que os muros estão por todo o lado.
Os acontecimentos que se seguiram, fizeram-me tomar a consciência que os mais cruéis e trágicos muros não são os de cimento ou pedra.
Os piores dos muros estão na cabeça das pessoas e, quem dera que fossem tão fáceis de derrubar como os de pedra ou de cimento.
Há 20 anos constatei que uma pessoa só não derruba um grande muro, mas pode fazer um buraquinho, e se você ai sentado no computador a olhar este texto fizer outro, já somos muitos e conseguiremos derrubar alguns destes muros.
Juntos talvez consigamos fazer desta terra um local onde se possa viver feliz por oposição a uma terra de morte que é no que o Sabugal se tornou nos últimos anos.
Vamos lá derrubar muros!

P.S. Dedico este meu post aos administradores deste blogue e aos Tarrentos, que nos últimos tempos têm sentido a pressão das tentativas de alguns em manter muros, enquanto outros fazem buraquinhos. Vocês são a voz livre do Sabugal, têm o vosso papel a desempenhar para derrubar muros nesta terra. A vossa picareta… é esta, usem-na com mestria, aqui deste lado têm muita gente que dá valor ao vosso trabalho voluntário em prol do Sabugal e que à sua maneira vai abrindo uma brecha aqui, outra ali convosco. Olhando bem, somos tantos com vontade de contribuir para esta terra crescer, estamos é dispersos.
:)

«O Bardo», opinião de Kim Tomé

kimtome@gmail.com

Os preparativos para o Magusto do CCRA-Centro Cultural e Recreativo de Alfaiates começaram pelas duas da tarde quando fomos à caruma, uns a juntar e outros a carregar. Passada uma hora já tínhamos tudo arranjado para assar as castanhas a partir das 21.30 horas.

(Clique nas imagens para ampliar.)

O famoso organista Fernando Monteiro chegou às nossas instalações por volta das 20.00 horas e começou a instalar toda a sua aparelhagem e luzes.
Como era noite de Portugal-Bósnia, o pessoal só começou a aparecer depois de ver a vitória da nossa Selecção. E foi por volta das 22.00 horas que começou a actuação do organista e se ateou o fogo à caruma para que se começassem a assar as castanhas. Não foi preciso muito tempo para se ouvirem os primeiros estoiros das castanhas assadas.
Pegaram-se nos copos e encheram-se de jeropiga e enquanto as se iam comendo as castanhas à volta da fogueira ia-se convivendo e conversando. Como a chuva começou a engrossar o pessoal foi entrando para o salão do C.C.R. de Alfaiates para desfrutar da música popular que o Fernando Monteiro ia cantando. Enquanto a maioria se encostou ao balcão do bar houve alguns pares que dançaram umas modinhas.
Já ia longa a noite quando o organista deu por terminada a sua actuação e passou a acção para o seu filho, que com o computador deu continuação à festa agora com as luzes mais apagadas e com um som mais «disco».
Foi assim que terminámos mais esta actividade do C.C.R. de Alfaiates, que julgo ter sido do agrado de todos quantos compareceram.
Despeço-me com uma palavra amiga a todos os amigos de outras terras que nos visitaram, em especial aos nossos vizinhos da Rebolosa que deram uma animação extra à festa.
Norberto Pelicano
(Presidente do C.C.R. de Alfaiates)

A fotografia que, hoje, apresento refere-se à participação de Alfaiates no Cortejo de Oferendas, a favor do Hospital do Sabugal, realizado no ano de 1947.

Cortejo de Oferendas - Alfaiates

Joao Aristides DuarteAlfaiates apresentou um carro no qual vão algumas raparigas a trabalhar o linho.
Pode observar-se o espadelar do linho, num grande tronco de madeira, bem como o dobar do linho na dobadoira. Também se consegue ver uma rapariga a usar a estopa para «assedar» o linho.
Só não se vê alguém a fiar o linho, numa roca, outra das fases importantes do «ciclo do linho».
Em baixo, junto ao carro alegórico, vêem-se crianças que deviam andar na escola primária, pela sua tenra idade.
Há, também, três homens em cima do carro. Dois deles transportam a faixa com o nome Alfaiates e um outro (que usa chapéu) não se consegue perceber o que estará a fazer.
Atrás desses homens, e em cima do carro, vê-se uma réplica do pelourinho de Alfaiates, que se encontra na praça principal da localidade.

:: — ::
PS 1: Num comentário sobre a minha crónica, aqui publicada em 19 de Outubro p.p., o sr. Fernando Latote, dos Forcalhos, refere que deverão ter existido dois Cortejos de Oferendas, uma vez que o primeiro aconteceu num dia de forte nevão e algumas localidades (incluindo os Forcalhos) não puderam participar. Não consegui confirmar essa informação, mas é bem possível que tenha sido essa a realidade. Se alguém tiver dados mais consistentes sobre isso, agradecia que colocasse um comentário.

PS 2 : Do sr. Luís Pina (da Rebolosa) recebi um e-mail com o seguinte conteúdo, a propósito da minha crónica sobre a participação da Rebolosa no Cortejo de Oferendas: «Fui procurar informação relativa ao dia em que a população da Rebolosa, foi ao Sabugal participar no Cortejo de Oferendas a favor do Hospital. Segue a informação que consegui: O carro de vacas utilizado no cortejo era do sr. Francisco Peres «Arrifano». A menina que estava em cima do carro, era a Isabel Barros, já falecida, esta menina tinha mais 7 irmãos, entre eles o sr. Manuel Barros, o sr. Ernesto Barros e a sra. Maria dos Anjos «Ti Marquitas». Também consegui a letra da música, cantada pelos representantes rebolosenses nas ruas de Sabugal, durante o cortejo.

Nós somos da Rebolosa,
Viemos ao Sabugal.
Ver esta terra formosa,
Ver este lindo hospital.

Viva Salazar, merece louvores,
Viva o hospital e seus protectores.
Viva o hospital, casa dos doentes,
Viva o hospital e seus dirigentes.

É uma consolação,
Para os doentes pobrezinhos.
Que quando para lá vão,
Têm quem lhes dê carinhos.

Viva a Rebolosa, terra encantadora,
Ó terra mimosa, terra sedutora.
Viva a mocidade, dança de contente,
Viva a Rebolosa, viva toda a gente.

Têm quem lhes dê carinhos,
Tudo que necessitam.
Remédios e tratamentos,
Muitas mortes evitam.

Viva a Rebolosa, terra encantadora,
Ó terra mimosa, terra sedutora.
Viva a Rebolosa, merece louvores,
Viva o Hospital e seus protectores.

Quero agradecer ao Sr. Manuel António Frango, toda a amabilidade e disponibilidade em fornecer toda esta informação sobre um dia que ficou na história e para a história do Concelho de Sabugal.»
«Memória, Memórias…», opinião de João Aristides Duarte

akapunkrural@gmail.com

Depois da reunião da Assembleia Geral da Associação Social, Cultural e Desportiva de Rebolosa, onde se debateu e aprovou o Plano de Acção e Orçamento para 2010, a Associação e a Junta de Freguesia organizaram o Magusto para toda a população.

Magusto na RebolosaDiz-se que São Martinho foi, durante toda a Idade Média e até uma época recente, o santo mais popular de França. Também em Portugal se comemora por todo o lado, sendo lembrado mais esse aspecto popular do que propriamente o religioso.
No dia 15 de Novembro, pelas 16 horas, nas lajes, onde há anos, no início das colheitas, se malhava o centeio e onde com muito cansaço, mas com muita alegria, o povo da Rebolosa se juntava para se entreajudar, realizou-se o Magusto. Foi neste espaço emblemático, que a população da Rebolosa também com a união e camaradagem que a tem caracterizado ao longo dos tempos, se juntou e divertiu.
E como manda a tradição, foi na caruma apanhada pelo nosso conterrâneo João António Frango, antes que a chuva dos últimos dias a molhasse, que se colocaram algumas dezenas de quilos de castanhas. De seguida, cada um saboreou este fruto acompanhado por uma boa jeropiga. A castanha que hoje é considerada quase como uma «guloseima» de época, outrora foi o substituto do pão. Desde a pré-história que, cozidas, assadas ou transformadas em farinha, as castanhas sempre foram um alimento muito popular. E a título de curiosidade, dizem-nos algumas fontes que as castanhas têm mesmo cerca do dobro da percentagem de amido das batatas. São também ricas em vitaminas C e B6 e uma boa fonte de potássio.
A tarde estava fria, bem propícia para a realização deste evento. Depois do Verão de São Martinho, que também se sentiu há alguns dias atrás, regressou o Inverno, cumprindo-se o provérbio se o Inverno não erra o caminho, tê-lo-ei pelo São Martinho. Depois de nos divertirmos, estando alguns quase irreconhecíveis, porque bastante enfarruscados, caiu a noite e com ela a chuva e o frio.
Manuel Rei Barros

Numa espécie de convite a saborear a tradição, a Câmara Municipal da Mêda aposta na divulgação de uma ementa tradicional, cuja patente tem já registada: os «grelos à pobre».

Grelos à PobreA gastronomia tradicional pode considerar-se como um exemplo real da cultura de um povo e das características de uma região, na medida em que é depositaria de sabores únicos e seculares, herdados e transmitidos por gerações que com seu saber e alguma imaginação, aproveitaram e transformam os produtos da terra em verdadeiras iguarias.
Nesta época do ano o concelho da Mêda cobre-se do verde dos nabais, onde mãos experientes colhem os grelos de nabo, que servem de base a um prato tradicional daquelas terras beiroas.
Em terras da Mêda os «grelos à pobre» constituem, como nome indica, um prato simples, mas que na verdade é muito rico em sabor.
A Câmara Municipal da Mêda, querendo dar expressão a esta iguaria gastronómica, divulgou a sua receita.
Usam-se como ingredientes dois molhos de grelos, meio quilo de batata, uma farinheira e carne de porco previamente cozida, a que se juntam uma mancheia de sal e um gorcho de azeite.
Lavam-se os grelos e partem-se aos bocados. Põem-se a cozer numa panela de ferro. À parte, noutra panela, cozem-se as batatas com um pouco de sal.
Escorrem-se os grelos quando estiverem cozidos. Depois de estarem também cozidas as batatas, esmagam-se e misturam-se com os grelos.
Junta-se azeite estrugido, quando baste, e chega-se de novo a panela ao lume.
Vai-se mexendo até ficar bem misturado.
Servem-se com farinheira e carne de porco cozida.
Eis aqui um prato simples mas identificativo de uma terra marcadamente agrícola que envereda decididamente pelos caminhos do desenvolvimento e progresso no aproveitamento dos seus recursos naturais e sobretudo nas capacidades das suas gentes.
plb

Durante décadas e décadas, os mapas rodoviários, quase se podiam reeditar, sem alterações, porque não havia mais vias e a degradação das existentes, não eram passíveis de referência.

José MorgadoOs Fundos Comunitários trouxeram uma profusão de novas vias como auto-estradas, itinerários principais, complementares e outras vias de acesso. Entretanto, estradas nacionais começavam gradualmente a ser abandonadas, desclassificadas ou impróprias para circulação, por falta de manutenção.
Isto fez com que trajectos considerados ideais, perdessem rapidamente o interesse.
Quando em 1988 o IP5 (Aveiro-Vilar Formoso) abriu ao tráfego, passou a ser o acesso ideal à Guarda para quem vinha do Sul. Rapidamente saturado pelo transito dos camiões TIR e sofrendo de um traçado com vícios de concepção flagrantes por falta de pontos seguros de ultrapassagem, diferenças demasiado grandes de velocidade entre ligeiros e pesados nas íngremes subidas, passou a ser preterido em favor do então incompleto IP3 (Coimbra-Penacova-Santa Comba Dão-Carregal do Sal-Mangualde) que também antes de estar concluído, já dava sinais de saturação.
A abertura do troço do IP2, entre o Gavião (Arez) e a barragem do Fratel, fez com que a ligação Lisboa-Castelo Branco, se passasse a fazer, predominantemente por Coruche e Montargil. Mas quando a ligação Entroncamento-Abrantes, melhorou, começou a opção a ser a auto-estrada até Torres Novas e daí, até ao Entroncamento.
A inauguração da A23, resolveu o problema das opções.
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado

morgadio46@gmail.com

Estes três desenhos do castelo do Sabugal, da autoria de Duarte d’Armas, fazem parte da obra «Livro das Fortalezas que são situadas no extremo de Portugal e Castela» (c. 1509), editada a pedido de D. Manuel I. O rei encarregou o autor de fazer o levantamento de todas as fortificações que faziam fronteira com Castela, desde Caminha a Castro Marim.

Clique na imagem para ampliar Clique na imagem para ampliar Clique na imagem para ampliar

(Clique nas imagens para ampliar.)

Jorge MartinsO cartógrafo Duarte d’Armas, nascido cerca de 1465 em Lisboa, escudeiro da Casa Real, desenhou os castelos solicitados em duas panorâmicas e uma planta. As suas anotações, onde se pode ver a localização da vila do Sabugal, constituem um precioso contributo para o estudo da vila medieval e da sua evolução. Este exemplar, tratado pelo historiador António Baião, encontra-se depositado no Instituto dos Arquivos Nacionais / Torre do Tombo.
A publicação pelo Capeia Arraiana destes três desenhos do Castelo do Sabugal, pouco conhecidos dos sabugalenses, é um modesto contributo para a história do concelho e um primeiro passo para futuras investigações sobre a história da comunidade judaica local que, já se pode afirmar hoje, sobreviveu à expulsão dos judeus de Portugal em 1496 e ao estabelecimento da Inquisição em 1536. Há provas documentais de que os judeus do Sabugal resistiram à Inquisição até meados do século XVIII, ou seja, até ao seu funcionamento efectivo, em boa hora interrompido pelo Marquês de Pombal.
Proximamente, daremos a conhecer no Capeia Arraiana os resultados preliminares desses estudos em curso.
Jorge Martins

O professor de 32 anos, que foi despedido da EB1+ Jardim de Infância Santa Maria, em Lagos, no Algarve, por ter abusado sexualmente de cinco alunas na sala de aula leccionou Educação Visual e Tecnológica no Sabugal no ano lectivo 2007/08.

Pedofilia é crimeO docente acabou despedido com justa causa, em resultado do processo disciplinar que lhe foi instaurado após a mãe de uma sua aluna ter visto sangue nas cuecas da filha, resolvendo queixar-se do professor. A queixa remonta ao passado dia 16 de Abril. A menina confessou que era alvo de sevícias sexuais por parte do professor e apontou mais quatro vítimas, todas elas suas colegas com nove e dez anos, da mesma turma do 4º ano. O professor costumava sentá-las no seu colo e acariciá-las em todo o corpo, incluindo a zona genital. Duas das meninas tinham mesmo vestígios de toque interno na vagina.
O suspeito foi suspenso no dia 20 de Abril e os factos foram comunicados ao Ministério Público, ao mesmo tempo que se iniciou o processo disciplinar que agora teve o seu termo. O despedimento com justa causa é de resto a penalização máxima prevista em sede de processo disciplinar e a decisão emanou directamente do gabinete da ministra da Educação. A penalização final foi comunicada há poucos dias ao docente.
Atendendo a que os factos constituem crime, em paralelo prossegue um inquérito judicial, a cargo do Departamento de Investigação Criminal da Polícia Judiciária em Portimão, cujo estado se desconhece.
O despedimento fica inscrito na ficha escolar do professor que, na prática, termina aqui a carreira de docente.
O professor pedófilo é natural da zona de Lisboa e leccionou Educação Visual e Tecnológica no Carregado (2006/07) e no Sabugal (2007/08).
plb

António Ruas, presidente da Câmara Municipal de Pinhel, substituiu José Manuel Biscaia na presidência da Associação de Municípios da Cova da Beira (AMCB), na sequência da Assembleia Electiva realizada no dia 12 de Novembro.

António RuasAntónio Robalo, presidente da Câmara do Sabugal, também integra o conselho directivo da AMCB, enquanto vogal. Para a presidência da Assembleia ficou eleito Domingos Torrão, presidente da Câmara Municipal de Penamacor.
Os 16 autarcas presentes, em representação dos Municípios que constituem a AMCB, escolheram unanimemente a única lista candidata. Curiosamente, o concelho directivo integra apenas uma câmara pertencente ao distrito de Castelo Branco e representativa da Cova da Beira propriamente dita, a do Fundão, representada pelo seu presidente, Manuel Frexes. Os restantes eleitos para a direcção são todos do distrito da Guarda (Pinhel, Guarda e Sabugal). Já na Assembleia, predominam os Municípios do distrito de Castelo Branco (Penamacor, e Belmonte), em detrimento do da Guarda que tem apenas um representante (Celorico da Beira).
A AMCB foi fundada em 1981, por decisão dos Municípios de Belmonte, Covilhã, Fundão e Penamacor, com o objectivo de resolver o problema dos resíduos sólidos urbanos produzidos nos quatro concelhos. Posteriormente, aderiram à Associação os Municípios de Manteigas e Sabugal e oito municípios do distrito da Guarda: Almeida, Celorico da Beira, Figueira de Castelo Rodrigo, Fornos de Algodres, Guarda, Meda, Pinhel e Trancoso.
Curiosamente a Covilhã, que fora um dos Municípios fundadores, abandonou posteriormente a AMCB por divergências insanáveis, protagonizadas pelo autarca Carlos Pinto.
José Manuel Biscaia, o presidente cessante, deixou a presidência após nove anos, depois de ter perdido a disputa eleitoral no seu concelho, Manteigas, em favor de Esmeraldo Carvalhinho. O ex-presidente da Câmara de Manteigas tinha sucedido a António Dias Rocha (presidente da Câmara de Belmonte). O primeiro líder da AMCB foi Jorge Pombo, enquanto presidente da Câmara da Covilhã.
plb

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