A fotografia que apresento nesta crónica é a da tribuna, local por onde passaram todas as freguesias e anexas que participaram no Cortejo de Oferendas a favor do Hospital do Sabugal.

Cortejo de Oferendas - Tribuna

Joao Aristides DuarteA tribuna estava instalada de frente para a Casa dos Britos.
Altas entidades, civis e militares, da época encontravam-se na tribuna.
Podem ver-se elementos da Guarda Nacional Republicana e, talvez, da Polícia de Segurança Pública, para além, com toda a certeza, do Presidente da Câmara Municipal do Sabugal e outras entidades civis concelhias.
A tribuna era ladeada por umas colunas enfeitadas com pano. Não se consegue ver se o tecto da tribuna era coberto.
Embora na fotografia todos os membros que se encontram na tribuna apareçam de pé, sei que havia umas cadeiras para eles se sentarem, talvez enquanto esperavam a chegada de outra representação alegórica.
Não tenho a certeza, mas penso que a bandeira que se vê ao centro da tribuna contenha o emblema da Santa Casa da Misericórdia do Sabugal, a proprietária do Hospital, que tinha sido inaugurado em 1930.
Aparece, também uma criança, na tribuna, que deverá ser familiar de algum dos membros presentes.
Julgo que seriam os membros presentes na tribuna que classificariam as várias representações alegóricas, que deram a vitória à Bendada, com o «carro-cisne».
Em baixo, do lado direito, com a mão no colete pode ver-se o Dr. Adalberto Pereira, à época médico conceituado na vila do Sabugal. Junto à Escola C+S do Sabugal, numa transversal, existe, desde há uns anos, uma rua com o nome desse médico.
«Memória, Memórias…», opinião de João Aristides Duarte

akapunkrural@gmail.com

GALERIA DE IMAGENS – 7-11-2009
Fotos Capeia Arraiana – Clique nas imagens para ampliar

GALERIA DE IMAGENS – 7-11-2009
Fotos Capeia Arraiana – Clique nas imagens para ampliar

Cerca de 70 confrades reuniram ontem, 7 de Novembro, em Lisboa, por ocasião do V Almoço da Confraria do Bucho Raiano, tendo como convidado de honra o Procurador-Geral da República, Juiz Conselheiro Fernando Pinto Monteiro.

Confraria Bucho Raiano - Almoço Anual - Lisboa - 2009

As opiniões foram unânimes quanto ao serviço proporcionado pelo Instituto de Acção Social das Forças Armadas (IASFA), que recebeu a Confraria e serviu condignamente o bucho vindo da Rebolosa. No final também houve castanhas assadas, enviadas dos Fóios, por especial deferência do professor José Manuel Campos, presidente da Junta de Freguesia.
Foram cerca de 70 os confrades que aderiram a este almoço de divulgação do bucho e demais enchidos da raia sabugalense, que teve por «mordomo» o confrade Morgado de Carvalho. Para além do excelente almoço, o encontro foi também um alegre momento de convívio e uma oportunidade para o reencontro entre os sabugalenses e amigos das nossas terras.
Fernando Pinto Monteiro aceitou o convite da confraria e esteve presente, apreciando um sabor característico da sua infância e juventude, quando viveu no Sabugal com os pais e irmãos. Aliás o encontro com alguns velhos amigos serviu sobretudo para avivar memórias e contar velhas históricas de amizade e de aventuras. Recordou o tempo da escola tendo como pedagogo o professor Cavaleiro: «um dos meus heróis», disse com um sorriso aberto. Falou ainda nas noites a jogar poker no café do Senhor Abílio e nos dias de verão passados na casa do amigo Canaveira Manso, em Aldeia do Bispo, ocasião em que também se agarrava ao forcão nas capeias arraianas.
Também marcou presença o presidente da Assembleia Municipal do Sabugal, o confrade Ramiro Matos, de resto uma presença habitual nestes almoços. Vinda do Sabugal, a Dr Delfina Leal, vice-presidente da Câmara, representou o executivo municipal, sendo portadora de uma mensagem de amizade e de consideração para com a Confraria do Bucho, atendendo ao papel que tem desempenhado na defesa da gastronomia tradicional.
Foi uma tarde bem passada, no belíssimo palacete que alberga a antiga Cooperativa Militar (agora IASFA), na Rua de S. José. Um espaço com excelentes condições de recepção e de prestação do serviço, a que não foi alheio o empenho do Senhor Chagas, responsável da messe, que dirigiu pessoalmente os trabalhos, garantindo um serviço de excelência, que foi do agrado geral.
O próximo almoço da Confraria será no Sabugal, por ocasião do Entrudo, época do ano em que, tradicionalmente, as famílias se reuniam à volta da mesa para degustar o bucho.
plb

Se a importância e mediatismo do rio Côa, na sua foz, se deve à descoberta das gravuras rupestres, a importância da sua nascente, deve-se-à persistência e dinamismo do presidente dos Fóios, que há dezasseis anos tem lutado pela sua divulgação, preservação e melhoramento dos acessos á mesma, bem como da freguesia.

José MorgadoTive a oportunidade no dia 22 do mês passado, de me deslocar, com mais dois familiares, do Sabugal aos Fóios, sempre acompanhado pelo «cicerone» Zé Manuel Campos, habituado a estas «andanças» que faz com prazer e paixão.
Valeu a pena percorrer o trajecto que separa o município desta freguesia cada vez menos longínqua, graças aos recentes acessos. Situada entre elevados montes o seu maior interesse turístico é a nascente do Côa, a 1200 metros de altitude, na Serra das Mesas.
A estrada já alcatroada, financiada pelo Programa «Aldeias do Côa» possibilita um óptimo acesso á nascente do Côa.
De lá, pudemos apreciar uma extensa e grandiosa vista panorâmica inter fronteira. No chamado Lameirão, estão em construção parques de merendas e percursos pedestres.
De volta à aldeia, que vista lá de cima parece um «alguidar», nas palavras do Zé Manuel, visitámos a Igreja Matriz, vimos o chafariz, o cruzeiro e o Lar de São Pedro, a praia fluvial, o restaurante «El Dorado» e finalmente o Centro Cívico, recentemente inaugurado. Situa-se no maior Largo da aldeia, perfeitamente enquadrado no património edificado à sua volta. Compõe-se de dois andares, albergando no rés-do-chão, um belíssimo auditório em que o azul predomina, com capacidade de cerca de100 pessoas, com um pequeno posto de turismo, um bar, uma pequena biblioteca, com livros, em parte oferecidos pelo fogeiro Prof. José Corceiro Mendes e um espaço muito funcional de acesso gratuito à Internet.
No primeiro andar, encontra-se em formação um museu, com 80 m2 de área, onde já se encontram peças e utensílios muito antigos, usados pelas populações nas actividades agrícolas e outras.
A tarde terminou num café tipicamente espanhol implantado em território português mais precisamente nesta espantosa aldeia, onde ainda há ou melhor dito está a crescer população activa e jovem, contrariando a malfadada «desertificação» que grasa em todo o concelho.
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado

morgadio46@gmail.com

Há já alguns anos que a nossa jovem amiga fojeira Petra Fernandes se encontra em S. Tomé e Príncipe como professora cooperante. O seu entusiasmo por aquelas terras e aquelas gentes era bem visível nas conversas que teve comigo quando vinha passar as férias a Portugal. Contagiou-me e resolvi fazer-lhe uma visita. Fui acompanhada da mãe da Petra (como seria de esperar) e da professora Natália.

S. ToméE lá fomos nós à descoberta de um país que, segundo os que o tinham visitado, era um paraíso.
Aterrámos em S. Tomé numa manhã chuvosa de calor asfixiante. E foi na barafunda de um aeroporto, de aspecto escalavrado e apinhado de vendedores ambulantes, que ouvi o seu nome: Prôfêssora Petra!
Lá estava ela no meio de uns jovens que vendiam ou tentavam vender colares aos turistas
- Vejam lá se não tentam enganar as pessoas.
- Não, Prôfêssora, à sua mãe e às suas amigas não enganamos.
Um respeito e um carinho espantoso por aquela mulher de aspecto frágil, quase de menina, que me comoveu. Esse respeito e carinho constatámo-lo por diversas vezes, tanto por parte dos colegas como dos nativos. Mãe di Petra, mãe di Petra, abençoada sejas! Não levi Petra di nós, ela é nossa, gritavam as vendedeiras do mercado quando passávamos. É que o empenho desta nossa conterrânea em S. Tomé vai muito mais além do que a simples docência para que foi contratada. A acção social desenvolvida pela Petra é bem visível a quem vai lá e causa-nos um profundo orgulho. Conhece os nativos, ajuda-os no que pode, organiza eventos, visita os idosos, vai às roças e teve aulas de Forro, o dialecto dominante, para melhor comunicar com eles.
Obrigada, Petra. Algumas centenas como tu fariam a diferença naquele país.
Falando agora das impressões da nossa viagem, S. Tomé é, de facto, um paraíso quanto às belezas naturais. Tivemos oportunidade de percorrer a ilha de norte a sul, de leste a oeste, no jeep que a Petra pôs à nossa disposição com o nosso motorista, o Leopoldo (ou o Poldo como é conhecido). Um encanto e uma simpatia aquele rapaz tão educado e tão fiel…O Ilhéu das Rolas, as praias, a cascata de S. Nicolau, o Cão Grande e o Cão Pequeno, dois penedos de forma cónica a elevarem-se no céu, a grandiosidade da floresta que nos faz sentir tão pequeninos, os verdes, tantas tonalidades de verde, as roças, principalmente a de Agostinho Neto com o seu grandioso hospital, carris do caminho de ferro e largas avenidas, agora abandonadas pelos antigos senhores, em estado de decadência de fazer dó e onde moram os nativos. Doci, doci, gritavam os miúdos à nossa passagem. E era vê-los a surgir do nada, às dezenas, para receberem um rebuçado ou uma caneta (enquanto duraram…)
Os dias foram aproveitados ao máximo e as noites também. Das diversas actividades desenvolvidas destacamos a festa dos Foios no dia da chegada, um sarau de dança nativa e uma sessão de poesia em que estiveram presentes dois grandes vultos das letras daquele país, Alda do Espírito Santo e Conceição Lima, além de inúmeros convidados. Foi um espectáculo magnífico que me encheu a alma de magia e o coração de contentamento e orgulho, creio que justificado pois coube-me a responsabilidade e o privilégio de ser a principal interveniente na sessão subordinada ao título «À Conversa Com…». E os alunos da Petra sabiam mesmo conversar sobre poesia…
Foram, portanto, sete dias de cansaço e de enriquecimento.
Mas há tanto a fazer para o desenvolvimento de S. Tomé! Faltam estradas, habitações condignas, água potável, saneamento básico, electricidade e…tantas outras coisas.
Para o ano eu volto. Se Deus quiser.
Amélia Rei

Daqui enviamos uma saudação especial à Petra, essa corajosa e empenhada raiana que, longe de casa e do aconchego familiar, ajuda o povo santomense a enveredar pelas vias do desenvolvimento. Uma missão que deixa de resto muito orgulhosos os seus pais, o Quim e a Ramitos, que sempre que vou aos Fóios, ao Eldorado, me falam comovidos na filha ausente.
plb

A reforma da estrutura fundiária, nas zonas de minifúndio, terá obrigatoriamente que ser feita para o bom aproveitamento da agricultura e da floresta. Essa reforma terá forçosamente de incluir mudanças que tornem mais fácil o emparcelamento da propriedade rústica de pequena dimensão. O alcance de eventuais medidas de apoio ao emparcelamento seria bem maior do que a simples distribuição dos enganadores subsídios.

Penamacor

António Cabanas - «Terras do Lince»É comum dizer-se que um dos problemas da nossa agricultura é o minifúndio. Não será certamente o único, haverá, evidentemente, outros constrangimentos. Talvez o minifúndio não seja sequer um problema em si mesmo, porque, como se sabe, há culturas e regiões, nas quais se aproveita bem o minifúndio, tornando-o rentável, como acontece, por exemplo, com o vinho verde. O problema será antes a desadequada dimensão da estrutura fundiária para a agricultura que se pretende.
Na Beira Interior, grande ou pequena a propriedade agrícola produz muito pouco. Mais preocupante até, é verem-se áreas e mais áreas, pequenas e grandes, em alguns casos onde se investiu em regadio e acessos, ao abandono, ocupadas de matos, sem qualquer utilidade que não seja a caça, e nem mesmo essa, porque, frequentemente mal gerida, escasseiam espécimes e os complementos turísticos de apoio à actividade cinegética. Nem pretendo sequer falar dos fogos e das parcelas que ardem sem que ninguém as reclame, que isso seria matéria para outro artigo.
As zonas mais férteis e próximas dos povoados são naturalmente as mais pulverizadas, divididas até ao milímetro por gerações sucessivas de camponeses pobres e de famílias numerosas, num tempo em que qualquer palmo de terra era defendido com unhas e dentes. Assim se compreende que a principal motivação dos nossos primeiros emigrantes fosse ganhar dinheiro para compra de umas courelas.
Pagas a bom preço, essas mesmas courelas, depressa e por ironia do destino, se tornariam numa espécie de castigo para quem tem agora de as tratar, só para as não ver abandonadas. Muitos vão gastando nelas as suas reformas! Passadas duas ou três décadas, deparamo-nos com hortas e chãos de boa terra a encherem-se de giestas, soutos e olivais decrépitos que de vez em quando carregam mas que ninguém colhe, porque a população é escassa e idosa e já não tem forças nem saúde para as fainas agrícolas e os mais novos, como se sabe, preferem outras profissões, preferência, aliás, incentivada pelos progenitores.
Apesar de tudo, as áreas maiores são melhor aproveitadas, designadamente para o pastoreio extensivo, pelo menos enquanto as ajudas à pecuária se mantiverem.
As mais pequenas, como é bom de ver, necessitam urgentemente de ser emparceladas para que possam ser rentáveis. Não tendo o estado a iniciativa do seu emparcelamento, resta a via aquisitiva. No entanto, aqui levanta-se um problema complicado: a burocracia e custos da aquisição. Distribuídas por numerosos herdeiros, as parcelas, que por serem pequenas valem muito pouco, estão quase sempre por registar, para já não falar da inadmissível falta de cadastro em algumas regiões. Além disso são geralmente propriedade de pessoas que vivem em Paris, Lisboa e outras cidades, onde cada metro de terra parece valer ouro. Quando alguém lhes oferece uns trocos por uma pequena horta, logo torcem o nariz. Ao saber que também terão que fazer umas escrituras e uns registos e que nisso têm que se haver com irmãos, cunhados ou sobrinhos, então nem querem voltar a falar do assunto. Por vezes nem chegam a saber que, além disso, ainda poderiam arcar com exorbitantes mais valias.
Há dois anos, por 750 euros, adquiri a um emigrante, uma pequena parcela de pouco mais de 800 m² para, através dela, melhorar o acesso a outros terrenos. Passados uns meses, encontrei o vendedor que se queixou de, além dos gastos habituais que teve com o pré-registo, ter sido taxado em 20% de mais-valias sobre o lucro, apesar de tratar-se de uma herança. Ora, o lucro tinha sido de 740 euros por o valor patrimonial inicial ser de 10 euros! Dizendo que não voltaria a vender mais nada, lamentava-se do nosso país, parodiando: – Mais-valia estar quieto!
Apesar de tudo lá consegui acrescentar mais uns metros a uma pequena quinta, composta de dez antigos prédios, perfazendo agora um pouco mais de seis hectares, onde pastam churras do campo. Dois desses prédios são lotes de emparcelamento, feito pelo estado e que resultaram da reunião de outros 11, pelo que a minha quintinha de seis hectares era anteriormente um conjunto de 19 artigos! Os restantes fui adquirindo a outros tantos emigrantes ao longo de cerca de uma dúzia de anos tendo ainda alguns por legalizar pelos motivos que se imaginam.
Se não se fizer uma verdadeira reforma da aquisição da terra, a estrutura fundiária levará ainda algumas décadas – a juntar às décadas já perdidas – para se adequar às necessidades da agricultura moderna. Tempo demais para uma região que precisa urgentemente de modernizar-se e sem essa modernização quase mais-vale estar quieto.
Como não é possível voltar-se à enxada e ao arado puxado por vacas, penso que assim não será viável aproveitar o recurso mais abundante da região: a terra.
O ano passado coloquei estas questões a um deputado da Comissão de Agricultura e ao secretário de estado da mesma tutela. Pareceram sensibilizados mas a legislatura terminou pouco depois e a coragem para as grandes reformas já tinha murchado.
Nunca entendi a razão de ser mais difícil comprar um prédio rústico de 500 euros do que uma viatura de 10, 50 ou até 100 mil euros. Nunca percebi que razões haverá por detrás ou a que corporações interessará este sistema quase medieval de aquisição.
Entretanto continuam a verter-se verbas significativas numa agricultura e numa floresta que se sabe à partida que não terão futuro sem as tais reformas e pouco ou nada se investe na estruturação fundiária da propriedade. O alcance de eventuais medidas de apoio ao emparcelamento feito pelo estado ou feito de forma privada, seria bem maior do que a simples distribuição de enganadores subsídios.
«Terras do Lince», opinião de António Cabanas

kabanasa@sapo.pt

Manuel Leal Freire é o melhor conhecedor das histórias de sabor raiano. Conhece as tradições, aprecia os gostos gastronómicos e preza a virtude pelo trabalho que caracteriza o povo da raia sabugalense.

Ribacôa em Contra LuzEle mesmo homem do povo, adora movimentar-se no ambiente aldeão, onde encontra o campo predilecto para as suas investidas literárias. Conhecido advogado e escritor, nascido na Bismula, concelho do Sabugal, é um dos grandes mestres do saber popular. Seja na narrativa ou na poesia, há na sua escrita um intenso sabor rural, vindo do âmago da vida do povo, que canta com funda dedicação.
Enquanto jovem examinou as tradições de antanho, conviveu com o povo simples, conheceu as agruras da sua vida, participou em festas e arraias, acompanhou as romarias e embrenhou-se nas fartas pândegas, onde se convivia e comia à tripa forra. Sabe como ninguém o que era a animação dos convivas que se juntavam à roda de um petisco e duma pipa de vinho. Da sua narrativa, de estilo solto, navegando sempre nas vagas da ironia e no humor, saíram inúmeras descrições de patuscadas populares, onde a alegria e a emoção se tornam rainhas.
A prosa de Leal Freire tem o condão de cativar o leitor, nutrindo nele simpatia pelas personagens que descreve e as acções em que estão envolvidas. Cada quadro etnográfico tem os seus paladares, numa sistemática exaltação à gastronomia popular.
Vejamos um exemplo retirado do seu livro «Ribacôa em Contra Luz», que é uma colecção de memórias dos tempos de antigamente, quando o contrabando e a lavoura eram as formas de viver do povo da raia.
A dado ponto descreve uma pândega em Poço Velho, aldeia da primeira linha de fronteira, em tempos idos apetrechada por duas guarnições da Guarda Fiscal, pois era ali forte o apelo ao contrabando. Um jovem pastor entra na taberna, onde se encontra o amo a beberricar numa roda de amigos. «Patrão, sem querer parti a pata do carneiro grande», declarou em voz alta. As palavras do zagal encolerizaram o dono do gado, que irrompeu numa onda de impropérios. Porém a clientela, incluídos os guardas-fiscais que ali tomavam um trago, conseguem conduzir a situação para o melhor campo, contando inclusive com o apoio da tasqueira: o pastor que fosse ao bardo, acabasse com o carneiro e o trouxesse para ali, onde depressa se amanharia para uma boa patuscada.
«E logo ali se combina almoço, jantar e ceia, que, se o carneiro não chegar, há um oferece o queijo, outro uma chouriça (ou um cambulhão delas), outro um naco de lombo, outro dois coelhos bravos ou até dois galos (porque, constava-se, vem aí a morrinha, e vale mais comê-los sãos)…
O entusiasmo substitui a ira e o temor. Pândega graúda requer a presença dos amigos todos. Vai estafeta ao posto de lá prezar a guarnição e levar um toca dentes ao plantão que, coitado, porque de sentinela, não pode largar o posto. Depois, para guardas e famílias, para alguns amos do negócio e consortes, vai ser uma jornada de arrebenta estômagos e fígados.
Deixá-lo, comer e beber até rebentar; depois, jejuar.»
«Sabores Literários», crónica de Paulo Leitão Batista

leitaobatista@gmail.com

Em tempos idos, durante a II Guerra Mundial, o Estoril foi porto de abrigo para espiões e refugiados. O produtor Paulo Branco quer agora recuperar a mística da cidade com um festival de cinema que pretende vir a ser tão grande como Cannes. A terceira edição do Estoril Film Festival arrancou ontem.

Pedro Miguel Fernandes - Série BApesar de se definir como um festival dedicado ao cinema europeu, este ano as paragens mais atractivas do certame por certo não integram o Velho Continente. Em primeiro lugar com uma retrospectiva do canadiano David Cronenberg, que a organização afirma ser uma das mais completas de sempre da obra do realizador de «A Mosca», «Videodrome» ou o mais recente «Promessas Perigosas». Também homenageada é a actriz francesa Juliette Binoche, que será alvo de uma revisão da sua carreira, de Rendez-vous, realizado por André Téchiné em 1985, até a Paris, de Cédric Klapish, e Désengagement, de Amos Gitai, ambos de 2008. Estas duas grandes figuras da Sétima Arte também vão ser homenageadas em exposições paralelas.
Outra das secções que promete ser forte este ano é a das ante-estreias. Pelo Estoril vão passar pela primeira vez em Portugal os novos filmes de realizadores como Lars Von Trier (Antichrist), Wes Anderson, a quem coube a honra de abrir o festival com o seu mais recente filme As Aventuras do Senhor Raposo, Jane Campion (Bright Star) ou Francis Ford Coppola, que vai estar presente no evento para apresentar o novo Tetro.
Para os fãs de música, destaque para a projecção de Renaldo and Clara e True Stories, filmes realizados por Bob Dylan e David Byrne, respectivamente. O músico dos nova-iorquinos Talking Heads vai passar pelo Estoril na sua qualidade de membro do júri e Paulo Branco já afirmou à imprensa que pode haver um concerto surpresa. Também no campo da música, os fãs de videoclips podem delirar com uma sessão dedicada à obra de David Fincher nesta área que nos últimos anos tem vindo a dar grandes realizadores.
Quem vier à procura de cinema mais alternativo, tem duas secções à espera: uma dedicada à obra do fotógrafo e realizador Robert Frank e outra sobre cineastas raros, onde este ano os escolhidos foram Victor Erice e Franco Piavoli.
Tudo boas razões para dar um salto ao Estoril, para assistir ao festival que Paulo Branco quer tornar o Festival de Cannes de Portugal. Sonho ou realidade? Só o tempo o dirá, mas os primeiros passos começam a ser dados.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes

pedrompfernandes@sapo.pt

Os efeitos da operação «Face Oculta», lançada esta semana pela Polícia Judiciária, levaram a comunicação social a falar dos negócios que o empresário Manuel Godinho, preso preventivamente, fez com várias entidades, dentre as quais a Câmara Municipal do Sabugal, que lhe comprou o imóvel da antiga fábrica da Cristalina no Soito.

Centro de Negócios Transfronteiriço (ainda em fase de construção)Das diversas referências ao negócio de Godinho com a Câmara do Sabugal, transcrevemos ao artigo hoje publicado no Jornal de Notícias, intitulado: «Câmara de Sabugal compra projecto sem concurso».
«A Câmara do Sabugal foi uma das que fez negócios com o principal arguido do processo “Face Oculta”. Manuel Godinho vendeu-lhe a antiga fábrica de refrigerantes Cristalina, com projecto de arquitectura para um centro de negócios. O investimento, de dois milhões de euros, foi aprovado, em 2003, sem concurso público.
A investigação “Face Oculta” terá na mira uma dezena de câmaras, mas foi impossível confirmar se a do Sabugal é uma delas. Fonte local disse que foi no início desta década que Godinho comprou a fábrica à Caixa Geral de Depósitos (era credora da falida Cristalina). Em 2003, o município comprou-lhe o imóvel, sob proposta do vereador do PSD, Manuel Rito, eleito presidente em 2005.
A Câmara propunha-se reabilitar o edifício fabril e incentivar o investimento na vila do Souto, mas teve oposição do então vereador do PS, José Bragança. Este considerava o negócio despropositado, alegando que a autarquia era dona de imóveis degradados, que não recuperava por falta de liquidez.
Sobre o negócio do edifício da Cristalina, que ficara hipotecado pela CGD, devido a empréstimos de Godinho, o Tribunal de Contas só questionou a forma de pagamento: 723 mil euros até a obra ficar pronta; o resto ao longo de dez anos, em dez prestações (fixas) anuais 124 mil euros, sem indexação a qualquer taxa de juro ou inflação.
A venda foi feita pela Manuel J. Godinho – Administrações Prediais. Uma sociedade anónima por onde várias empresas de Godinho faziam passar capitais, antes da sua transferência para uma “offshore”. O esquema, segundo a PJ, servia para ocultar o património de Godinho. Mas, em 2008, Godinho cedeu os seus créditos do negócio do Sabugal à imobiliária Sonabe – detida por primos do autarca Manuel Rito -, que instruiu a Câmara para passar a creditar as prestações no BCP».
plb

Com a tomada de posse dos órgãos autárquicos (Câmara e Assembleia Municipal) inicia-se o novo ciclo político resultante da vontade popular expressa em 11 de Outubro. É tempo de fazer acordos, sejam eles de que natureza for, essencialmente em executivos minoritários, como é o caso do executivo municipal do Sabugal.

José Manuel Monteiro - «Largo de Alcanizes»Tendo em consideração o resultado da 1.ª Assembleia Municipal e a aliança PS/MPT para a eleição da Mesa, penso não restarem grandes alternativas ao PSD do Eng.º António Robalo, senão alargar o entendimento de gestão a todas as forças com representação na Câmara e atribuir pelouros, também, ao PS e ao MPT responsabilizando estes partidos igualmente pela governação. Não acredito, porque revelaria uma total irresponsabilidade política, mas essencialmente uma falta de respeito pela vontade dos eleitores Sabugalenses que o PS e o MPT efectuem uma «aliança» entre si para inviabilizar a gestão do município. Já agora, saberia o PSD da possibilidade de perder a Mesa da Assembleia ao não apresentar o seu cabeça de lista a presidente da mesa e poupá-lo assim, como ex-presidente da câmara, a uma derrota? Ou preferirá Manuel Rito ter uma intervenção mais activa no plenário, coisa que a presidência da mesa não lhe permitiria? Fico expectante para ver como todos se vão comportar. Exige-se transparência e responsabilidade.
Mas, se este é o tempo dos acordos é igualmente o tempo de transformar os programas eleitorais em programas de trabalho para os quatro anos seguintes. É tempo de elaborar Orçamentos e Grandes Opções do Plano (plano dos investimentos a 4 anos e actividades municipais mais relevantes).
A CDU (candidatura que eu liderei) apresentou no seu programa a necessidade, de o Sabugal ter de um projecto autárquico e passo a citar «alicerçado numa Gestão Pública Participada – gestão dos bens públicos de forma pública e participação dos cidadãos em todos os momentos cruciais da vida autárquica, nomeadamente na elaboração das Grandes Opções do Plano». Mesmo derrotado (não tinha qualquer ilusão sobre outro resultado) continuo a considerar que mais que nunca este alicerce da gestão é essencial e urgente para o desenvolvimento do nosso concelho.
É importante envolver as pessoas e ouvi-las.
A elaboração deste documento é o primeiro momento para que este executivo possa mudar o paradigma na forma de fazer política na nossa terra.
Os investimentos municipais e as actividades imateriais a desenvolver, seja na cultura e desporto, na acção social ou noutras áreas de competência municipal, afectam todos, ou deveriam afectar, os habitantes do Sabugal. Mas, igualmente têm a elas associadas recursos financeiros que não são mais que dinheiros públicos, e como tal, não é indiferente construir um centro comercial em qualquer freguesia do nosso concelho ou construir um centro de apoio à terceira idade. Pela importância que este documento assume, considero que a sua elaboração não pode ficar restringida aos eleitos que constituem o executivo municipal (7 cidadãos) mas, deve ser alargada a todos os cidadãos que nela queiram participar. A metodologia é simples, basta que o Sr. Presidente e restantes Vereadores saiam dos seus gabinetes, reúnam com as populações, tragam as suas propostas e as discutam com os presentes e aceitem as eventuais alternativas que os populares possam apresentar. É fazer o que alguns municípios portugueses já fazem, e com resultados muito positivos, no processo do «Orçamento Participativo».
Esta metodologia aplicada à elaboração deste documento permite uma maior eficácia e eficiência na gestão autárquica, também já comprovada. Este modelo iniciou-se em Porto Alegre (Brasil), quando o PT ganhou pela 1.ª vez as eleições em 1989). Para quem desejar saber mais sobre esta temática, Boaventura dos Santos tem uma obra publicada – «Democracia e Participação – o caso do orçamento participativo de Porto Alegre» que aborda esta experiência.
No fundo, o que hoje os cidadãos reclamam, face à insatisfação e à falta de soluções apresentadas, tanto a nível nacional como local, é a necessidade de transparência das decisões políticas e do seu envolvimento no processo de decisão, ou seja uma mudança do modo de governação até agora praticado, para o que hoje se designa por «Governança», conjunto de normas, processos e condutas através dos quais se articulam interesses, se gerem recursos e se exerce o poder.
No fundo «Governança» não é mais que a capacidade do poder político, seja nacional ou local, servir os cidadãos.
A esta problemática voltarei quando for apresentado o Orçamento 2010 e as Grandes opções do Plano 2010/2013, pela Câmara Municipal.
«Largo de Alcanizes», opinião de José Manuel Monteiro

jose.m.monteiro@netcabo.pt

Em declarações à agência Lusa o presidente da Câmara Municipal do Sabugal, António Robalo, disse hoje que a autarquia fez um negócio com o empresário Manuel José Godinho, relacionado com a compra de um edifício para centro de negócios, mas «está tudo dentro da legalidade».

António Robalo«Foi tudo autorizado pelo Tribunal de Contas e pelo executivo e está tudo dentro da legalidade», disse António Robalo.
Manuel José Godinho é um dos arguidos do processo «Face Oculta» e encontra-se em prisão preventiva.
Segundo o presidente da Câmara do Sabugal, através da empresa Manuel J. Godinho – Administrações Prediais, S.A., com sede em Esmoriz, foi adquirido, em 2004, o antigo edifício da fábrica de refrigerantes Cristalina, Soito, que «fechou há cerca de vinte anos».
«A preocupação da Câmara foi tentar saber quem era o proprietário daquele edifício e, então, chegou-se a esse senhor Godinho», contou.
Lembrou que «houve contactos no sentido de a Câmara poder adquirir o espaço ou então encontrar outro tipo de solução».
O empresário executou um projecto de recuperação, que foi «aprovado e licenciado» para centro de negócios e «foi feito um acordo que consistia na empresa erigir o edifício e depois de o ter feito passar para a posse da Câmara».
O autarca referiu, também, que o empresário «tinha um prazo de execução» para a realização das obras e a autarquia pagaria, de forma faseada, «dois milhões de euros», sendo que seriam pagos «125 mil euros por ano, durante dez anos».
Entretanto, em 2007, a autarquia tinha feito uma transferência de 125 mil euros, mas o empresário «não cumpria o prazo» para entrega do edifício.
«Ele não ligou nada e apareceu um empresário da terra, [Sonabe - Projectos e Construção, Lda.] e negociou directamente com o Godinho a cedência dos direitos» do imóvel.
Disse que a autarquia «autorizou a transferência para a Sonabe» e, «neste momento, não tem nenhum compromisso com o empresário e está a cumprir o acordo inicial, mas com a Sonabe».
António Robalo frisou que, em relação à investigação do processo «Face Oculta», «não há nada a temer», adiantando «não está a ser feita nenhuma investigação» à autarquia.
O presidente da concelhia do PS, Manuel Barros, na altura deputado municipal, disse que «o PS sempre achou que era um mau negócio pelos valores, porque se recorreu ao crédito e endividou a Câmara».
A Polícia Judiciária (PJ) desencadeou no dia 28 de Outubro a operação «Face Oculta» em vários pontos do país, no âmbito de uma investigação relacionada com alegados crimes económicos de um grupo empresarial de Ovar que integra a O2-Tratamento e Limpezas Ambientais, a que está ligado o empresário Manuel José Godinho, que está em prisão preventiva, no quadro deste processo.
No decurso da operação foram efectuadas cerca de 30 buscas, domiciliárias e a postos de trabalho, e 15 pessoas foram constituídas arguidas, incluindo Armando Vara, vice-presidente do Millennium BCP, José Penedos, presidente da Rede Eléctrica Nacional (REN), e o seu filho Paulo Penedos, advogado da empresa SCI-Sociedade Comercial e Industrial de Metalomecânica SA, de Manuel José Godinho.
Um administrador da Indústria de Desmilitarização da Defesa (IDD) também foi constituído arguido, segundo o presidente da EMPORDEF, a holding das indústrias de defesa portuguesas.
plb com Lusa

Um estudo do Instituto Nacional de Estatística (INE) revela que mais de metade dos portugueses usa computador e que são sobretudo os homens que navegam na Internet.

Internet para todosO INE averiguou utilização portuguesa das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) e concluiu que mais de metade dos portugueses, a partir dos 16 anos, utiliza computador, equipamento que existe em 56 por cento dos agregados familiares.
O Inquérito à Utilização das TIC pelas Famílias portuguesas refere ainda que, no primeiro trimestre deste ano, 48 por cento dos portugueses dispunham de ligação à Internet em casa, sendo que deste universo, 96 por cento aderiram à banda larga.
Uma conclusão interessante do estudo é o facto de os homens usarem mais o computador e a Internet do que as mulheres (56 contra 47 por cento). Por outro lado, praticamente todos os estudantes utilizam computador (99 por cento) e Internet (97 por cento).
Relativamente ao número de agregados familiares que já dispõem TIC, tem havido um aumento desde 2005, sendo que o crescimento médio anual é de 24 por cento na ligação por banda larga, de 12 por cento na ligação à Internet e de oito por cento no que respeita o acesso ao computador a partir de casa.
Lisboa é a região do país onde o acesso às TIC é mais abrangente, com 62 por cento dos agregados com computador, 55 por cento dois quais com ligação à Internet. Seguem-se a Madeira, com 58,3 por cento, e o Algarve, com 57,1 por cento. A maior proporção de utilizadores de computador também se regista nestas regiões, com Lisboa a liderar com 60 por cento dos indivíduos.
O INE salienta que as TIC são usadas com uma frequência diária por três quartos dos utilizadores, principalmente em casa e no trabalho.
plb

A minha participação cívica enquanto deputado municipal eleito para a Assembleia Municipal reger-se-á pelos princípios que venho defendendo há muitos anos de defesa intransigente do Concelho do Sabugal.

Ramiro Matos – «Sabugal Melhor»Neste momento de início dos trabalhos de mandato vêm-me à memória os primeiros versos de um dos mais belos poemas de Alberto Caeiro, heterónimo de Fernando Pessoa:

«O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.»

Copiando o poeta, permito-me dizer que haverá cidades, vilas e aldeias mais belas que a cidade, a vila e as aldeias do nosso Concelho. Mas nenhuma é mais bela que aquela onde nasci, onde cresci, onde estão as minhas raízes.
E estou certo que todos os deputados municipais, seja qual for o Partido porque foram eleitos, comungam do mesmo amor por estas terras do nosso Concelho, a todos unindo o desejo legítimo e profundo de tudo fazerem para, como diziam António Dionísio e o Partido Socialista no seu Programa Eleitoral:
– Transformar o Concelho do Sabugal num território competitivo e atractivo para nascer, crescer, viver, trabalhar, investir, envelhecer e visitar, promovendo de forma sustentada a qualidade de vida dos sabugalenses.
Para mim, enquanto deputado Municipal do Partido Socialista, a Assembleia Municipal não deve transformar-se num mero órgão de oposição política ao Executivo Municipal.
Mas não me peçam nunca para aprovar propostas que vão no sentido contrário das ideias que o Toni e o Partido Socialista apresentaram de construção de um Concelho do Sabugal desenvolvido e com futuro.
Continuo e continuarei a pensar que se perdeu uma oportunidade única para conseguirmos inverter um ciclo negro da história do Concelho, criando novas dinâmicas de intervenção e mobilizando um conjunto crescente de cidadãos e investidores para o combate da modernidade e qualificação.
Continuo e continuarei a pensar que a manutenção de um Executivo Municipal do PSD constitui um sério revês para o Concelho, pois iremos ter quatro anos de «mais do mesmo» e não sabemos se o Concelho aguentará mais quatro anos assim…
Continuo e continuarei a pensar que se vai agravar a situação de desertificação e de envelhecimento da população pois vai continuar a faltar ao Concelho do Sabugal uma cultura de progresso, criando condições e envolvendo todos – entidades públicas, associativas e privadas, individuais e colectivas -, num projecto de desenvolvimento do Concelho.
Mas, estou certo que o trabalho do Toni, do Luís Sanches e da Sandra Fortuna, enquanto vereadores da Câmara Municipal, e dos Deputados Municipais do Partido Socialista demonstrará aos sabugalenses que somos nós os portadores da esperança num futuro melhor para o Concelho do Sabugal.
E porque acredito que é possível, termino como comecei, citando Alberto Caeiro:

«Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver do Universo…
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer,
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura…»

ps. Já estava esta crónica escrita, quando, em Sessão Extraordinária realizada no dia 30 de Outubro, fui eleito Presidente da Assembleia Municipal do Sabugal. Após pesar os prós e os contras decidi, no entanto, manter este texto, pois não deixei de ser deputado municipal, nem deixei de pensar como penso. No entanto, esta nova situação obrigar-me-á a voltar ao tema na próxima semana.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

Gíria de Quadrazais. Um contrabandês falado mas nunca escrito. Calcantes, pesunhos e manápulas. Mais uma vaca púrpura esquecida por todos aqueles (irresponsáveis) que deixam (e deixaram) morrer aos poucos as nossas aldeias.
jcl

Passadas as eleições, é tempo de vermos se as boas ideias e promessas feitas serão levadas à prática. Se é verdade, como diz o poeta, que o sonho comanda a vida, é na «praxis» que nos movemos.

Romeu BispoOs habitantes do concelho do Sabugal são os actores principais deste palco, mas as figuras de proa terão de ser os responsáveis porque deverão marcar o ritmo do andamento. Além de outras características terão de ter a sensibilidade para o que se passa no palco de modo a valorizar aspectos que valorizem a peça e lhe dêem futuro. Recentemente houve a defesa, promoção e aprovação do Parque de Campismo como uma obra inovadora e indutora de desenvolvimento. Alguém defendeu a necessidade de um parque temático para atrair turistas e fixá-los por alguns dias. Esta ideia do «Parque Temático» aflora à discussão pública/política como sendo a solução para atracção de turistas à nossa zona.
Perguntamos se será a falta de sensibilidade, desconhecimento do concelho ou dos diversos interesses dos turistas. Por vezes com a necessidade de apresentar trabalho ou apenas ideias fantásticas esquecemos aquilo que temos e que podemos aproveitar como sinergias multiplicadoras de resultados. O concelho do Sabugal pode ser transformado num PARQUE TEMÁTICO NATURAL, MONUMENTAL, DOS CASTELOS, OU DE VILAS MEDIEVAIS (ao todo temos cinco). Haverá concelhos que tenham esta variedade de motivos?
Alguém dizia que era preciso vender aquilo que temos e efectivamente é verdade, mas para isso temos que aprender muito e fazer uma grande caminhada, pois não há estratégia, não sabemos vender nem o que vender.
Já há vinte anos, numa viagem turística à ilha da Madeira fiquei admirado como eles aproveitavam cada lugar, cada recanto, cada miradouro para extasiar os turistas. Eles criavam e continuam a criar os cenários que é preciso vender e todos vendem: o Turismo, os hotéis, os taxistas, os comerciantes ou simples vendedores de rua. O conceito do turismo para os madeirenses está assumido há muitos anos: estão numa ilha e necessitam de quem vai de fora. O mesmo se deverá passar com os sabugalenses e todos os que estão na ilha do abandono, do subdesenvolvimento, do marasmo.
Temos cinco vilas históricas, cinco castelos medievais e temos paisagens que encantam os turistas. Querem melhor «parque temático»?
É difícil fazer melhor, apenas necessitamos de estudar a fundo a nossa história, criar centros de interesse e vendê-los a quem nos visita. Se o trabalho for bem feito aparecerão os restaurantes e todos os equipamentos hoteleiros ligados ao turismo.
É necessário e urgente ganharmos auto-confiança de forma a perdermos a vergonha e o complexo de inferioridade sobre o nosso concelho e as nossas coisas, porque estes sentimentos provêem da nossa ignorância sobre a valorização que outros fazem da nossa zona.
Teremos de fazer os roteiros necessários, as urbanizações necessários, os arranjos e ajardinamentos necessários, nas aldeias, vilas e monumentos a visitar. «Temos de fazer bem».
Os Romanos estiveram no concelho de SABUGAL? Onde? Temos algo a comprová-lo?
Será que todos sabemos da razão de existirem tantas vilas tão próximas? Porquê?
Haverá castelos templários no concelho de Sabugal? Qual o seu interesse? Quais os fundadores? Onde, Como e Porquê?
Tantas perguntas que o turista cultural quer ver respondidas e nós não temos respostas.
Nós não conhecemos a nossa história como é que a vamos «vender» a quem nos visita?
Como é que vamos criar um pólo de interesse turístico no centro do país?
Temos um longo caminho a percorrer, mas é necessário começar e estou convencido que os novos autarcas não irão deixar este tema no esquecimento.
Romeu Bispo
(Provedor da Santa Casa da Misericórdia do Sabugal)

Relatório que fez Misael, anjo enviado à Terra, no ano 2009 da era de Jesus de Nazaré…

João ValenteA Terra era uniforme e vazia e as trevas cobriam o abismo. Deus decidiu fazer o céu, a terra e a luz.
Traçou um esboço a guache creme. Primeiramente pintou uma aguada em toda a área, deixando as zonas claras com a cor do vazio. A cor foi obtida misturando branco opaco, negro-de-fumo, anil e um toque de carmesim. Pintou tons mais escuros da mesma mistura sobre a aguada inicial, ainda húmida. As áreas suaves do céu, mais claras, obteve-as passando uma esponja. As colinas, os fundos e alguns recortes do céu foram acrescentados depois de o resto ficar seco.
O efeito dos raios solares e o efeito do nevoeiro obteve-os com aguadas transparentes de branco opaco e um pouco de ocre amarelo.
Afastando-se do cavalete, Deus viu que tudo isto era belo. Então pintou todos os animais que existem nos oceanos, na terra e no céu; abençoou-os e ordenou que se multiplicassem.
E apreciando a magnífica obra que saíra do seu pincel, ficou satisfeito. Disse então: «Façamos o homem à nossa imagem e semelhança, para que domine sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os animais domésticos e sobre todos os répteis que rastejam sobre a terra.»
Depois, entre os Querubins do sétimo céu que presidem às galáxias do universo, pôs Uriel num lugar proeminente, encarregando-o do departamento da via láctea, sistema solar, coadjuvado por vários arcanjos e anjos numa cadeia hierárquica de importância em função dos continentes, terra, mar e céu, por que respondiam.
E nesta hierarquia celeste, atribuiu Deus ao arcanjo Rafael a Terra, a Gabriel a porção da Terra que viria a ser Portugal e a mim, Misael, uma língua de terra da Malcata à Marofa.
Certa manhã, enfadado da rotina da corte celestial, desceu Uriel até mim e acordou-me:
– Misael, a estupidez e as discórdias dos teus protegidos irritaram o Senhor; de forma que se reuniram em concílio os querubins para decidirem se deviam castiga-los ou destruí-los. Vai a essa terra, examina tudo e conta-me o que vires, para que decida conforme o que me relatares.
Mas, chefe – observei, ainda ensonado – não conheço ninguém naquele fim do mundo…
Melhor ainda – retorquiu Uriel – assim serás imparcial.
Disfarçando-me de viajante, montei uma nuvem, e parti. Ao cabo de alguns dias, encontrei finalmente nas margens de um rio um grupo de operários que aparelhavam umas pedras; e junto a eles um grupo de três homens que orientavam os trabalhos.
Dirigi-me primeiro a um dos operários que encontrei. Falei-lhe, e perguntei que obra era aquela em que trabalhavam.
Não sabemos – replicou o operário; e apontando para o grupo dos três homens – mas se queres saber, pergunta ali aos capatazes.
Acerquei-me então dos capatazes e perguntei-lhes que obra era aquela que faziam.
É uma ponte – respondeu o primeiro.
Qual ponte, qual carapuça – respondeu o segundo – aqui vai ser um açude.
Nada disso – respondeu o terceiro – um moinho é que faz aqui falta.
Espantado, misturei-me então com os operários, e conquistando-lhes a simpatia, pude assim saber que, por causa daquela discórdia que durava há anos, se acumulavam toneladas de pedra na margem com grande dispêndio de recursos e trabalho, sem que se visse algum resultado daquilo.
Naquela terra aliás – explicaram os operários – todos sofriam do mal de inveja, não se entendendo para coisa nenhuma. Por isso nada se fazia de útil para o bem comum, com grave prejuízo de todos.
Despedi-me dos operários e desci o rio, numa extensão de uma légua, atravessando tapadas, terras férteis cobertas de mato e giestas, alcançando um alto aberto com uma vista panorâmica, sobre uma paisagem deserta e calcinada. Numa ligeira elevação, a torre de menagem de um castelo, erguendo-se sobre os telhados vermelhos do casario, cuja ruína ofendia a vista.
Chegando à cidade, depois de outro quarto de légua a pé, atravessei as ruas completamente desertas e fui dar a uma praça onde, sentada na escadaria do chafariz, a meio do recinto, vi uma velha que gozava o sol da tarde.
Abeirando-me, perguntei-lhe:
– Boa velha, que é feito dos habitantes desta terra?
Saiba o senhor – retorquiu a velha, levantando os olhos da renda em que trabalhava – que os novos partiram e os velhos foram morrendo.
O sol começava a descer no horizonte. Seguindo caminho, pela rua principal, que tinha um aspecto abandonado e desagradável, entrei num terreiro onde brincava uma criança. Aproximando-me:
– Qual o teu nome?
– João…
E fazendo-lhe uma festa – Brincas a quê?
– Ao faz de conta…
E não avistando mais ninguém – Com quem?
– Com os meus amigos…
– Mas que amigos?
– Amigos de faz de conta…
Afeiçoando-me à criança, a única que vi no meu passeio, temi que aquela terra fosse condenada. Sentando-me num banco de pedra que ali havia, pus-me a cismar sobre o relatório que havia de apresentar a Uriel.
Eis como me desenvencilhei para apresentar esse relatório. Chamei a criança e levei-a a Uriel.
– Destruirias – disse – aquela terra, apesar deste único inocente?
Uriel compadeceu-se, deixando tudo como estava. E apanhando uma corrente ascendente, juntando-se aos outros querubins, desapareceu no espaço sideral.
É que para pior – desabafou Uriel – assim bastava!
«Arroz com Todos», opinião de João Valente

joaovalenteadvogado@gmail.com

No decurso da semana passada o Comando Territorial da Guarda da GNR registou 65 ocorrências de natureza criminal, tendo ainda efectuado 15 detenções e registado 28 acidentes de viação.

GNR-Guarda Nacional RepublicanaDentre os crimes destacam-se 19 furtos: um de veículo, três em veículos, três em estabelecimentos comerciais, cinco em residência e sete outros furtos. Ainda nas ocorrências de âmbito criminal contabilizaram-se nove crimes de condução sob efeito do álcool, seis de condução sem habilitação Legal, três de desobediência, dois de exploração ilícita de jogo e cinco de violência doméstica.
O comunicado semanal da GNR da Guarda informa ainda que foram detidos 15 Indivíduos pelos seguintes motivos: sete por crime de condução sob o efeito do álcool, três por crime de condução sem habilitação legal, dois por crime de desobediência (condução com carta apreendida), dois por crime de exploração de jogo ilegal e um por mandado judicial.
Foram elaborados 329 autos de contra-ordenação pelas seguintes infracções: 308 à legislação rodoviária, 13 à legislação da natureza e ambiente, oito à legislação policial.
Em 29 de Outubro, realizou-se uma operação direccionada para a fiscalização de estabelecimentos de restauração e bebidas. Na operação foram elaborados cinco autos de contra-ordenação.
Em 30 de Outubro o Destacamento Territorial de Vilar Formoso, através do Posto Territorial de Figueira de Castelo Rodrigo, no âmbito de uma fiscalização a estabelecimentos comerciais, procedeu à detenção de duas mulheres, de 27 e 31 anos de idade, e consequente apreensão de duas maquinas de jogo de fortuna ou azar em exploração nos estabelecimentos das suspeitas.
Na zona de fronteira com Espanha, foram realizadas seis operações no âmbito da fitossanidade florestal, direccionadas para a fiscalização do nemátodo do pinheiro, tendo sido fiscalizados 233 veículos e elaborados três autos de contra-ordenação.
Registaram-se 28 acidentes de viação: 19 por colisão, seis por despiste e três por atropelamento. Dos mesmos resultaram um ferido grave e cinco feridos leves.
No período entre 26 e 31 de Outubro, os Núcleos de Programas Especiais dos Destacamento Territoriais da Guarda, Pinhel e Gouveia realizaram varias acções de sensibilização em escolas dos concelhos da Guarda, Sabugal e Gouveia, subordinadas aos temas «Prevenção Rodoviária e Cuidados a ter no
Caminho de e para a Escola». Estiveram presentes 140 alunos.
Numa outra vertente, os Núcleos de Programas Especiais dos Destacamentos Territoriais da Guarda, Pinhel, Gouveia e Vilar Formoso, levaram a efeito varias acções de sensibilização, em localidades e lares de terceira idade, dos concelhos da Guarda, Sabugal, Pinhel, Gouveia, Fornos de Algodres e Figueira de Castelo Rodrigo, inseridas no programa «Apoio 65 – Idosos em Segurança». Estiveram presentes 160 idosos.
plb

Há pessoas que quanto mais vazias estão por dentro, mais incham por fora.

António EmidioVou começar este artigo com um episódio, que aliás o originou, passado comigo no edifício da Câmara Municipal onde trabalho. Ao sair de um gabinete fui abordado por um indivíduo que não conheci, e nem ele me conhecia a mim, cumprimentou-me numa atitude bajuladora, quase a raiar o repelente. Há uma razão, ele pensou que eu era alguém com influência e poder. Voltei a vê-lo segunda vez, virou-me a cara e sorriu cinicamente, já sabia quem eu era. Isto é uma atitude própria de uma alma vil e vulgar.
O sistema político, económico e cultural que nos rege obriga a isto, uma pessoa tem que ser objecto de troca. Relacionar-se com alguém é traficar. E aquele que não traz lucro, deixa automaticamente de existir. Há pessoas que levam ao extremo esta atitude, relacionam-se única e simplesmente com alguém que lhes possa trazer alguma coisa de útil para a sua ambição pessoal. São espíritos mesquinhos.
O que é esta gente um dia com o poder político ou económico? E também com o poder hierárquico numa repartição qualquer? É fácil de adivinhar querido leitor(a). Começam por exibir a sua suposta superioridade à custa da suposta inferioridade dos outros. Têm dentro delas a ideia de que mandar sobre alguém, é transformar esse alguém num objecto dos seus próprios fins.
As melhores pessoas com quem lidei, e lido, são aquelas simples e alheias à grandeza. Algumas têm poder e influência, mas a alma é simples. Já é muito raro encontrarem-se, mas ainda existem
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

O Santuário de Fátima retoma, a partir deste mês de Novembro, um ciclo de conferências temáticas de carácter mensal. Cada conferência, é aberta ao público e gratuita, e terá lugar na Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, no Santuário, no segundo domingo de cada mês. A conferência do dia 8 de Novembro tem como orador o ensaista e pensador sabugalense Jesué Pinharanda Gomes.

Pinharanda GomesA primeira conferência marcada para o próximo domingo, 8 de Novembro, será sobre São Nuno de Santa Maria (Nuno Álvares Pereira) e terá como orador Pinharanda Gomes que destacará «Aspectos histórico-biográficos» do novo santo português.
A 13 de Dezembro, o padre Luciano Cristino abordará a «Dimensão mariana e relação com Fátima».
Para o início de 2010, estão agendadas três conferências: a 10 de Janeiro, 14 de Fevereiro e 14 Março, que versarão sobre o Ano Sacerdotal. Com tema e conferentes a anunciar oportunamente, esta série procurará, nas palavras do Reitor do Santuário de Fátima, padre Virgílio Antunes, reflectir sobre o «tema teológico, doutrinal, espiritual e pastoral do sacerdócio».
No âmbito do centenário da Implantação da República em Portugal, está também agendada, para 10 de Outubro de 2010, uma conferência intitulada «100.º aniversário da implantação da República em Portugal» por António Fernandes.
jcl

Decorre até 16 de Novembro o prazo de participação no Concurso de Fotografia António Correia 2009 organizado pela Agência da Guarda da Fundação INATEL com a parceria da Agência para a Promoção da Guarda (APGUR), tem como tema «O Verde Urbano», pretendendo que os concorrentes se centrem sobre os espaços verdes e arborizados dentro dos núcleos urbanos do distrito da Guarda.

Inatel - Delegação da GuardaO Concurso de Fotografia António Correia 2009 tem como tema «O Verde Urbano». É organizado anualmente pela Agência da Guarda da Fundação INATEL e pretende fomentar o gosto pela fotografia artística, chamando também a atenção para a realidade social e humana e para o património natural e arquitectónico da região da Guarda. O Concurso consiste em fazer um conjunto de sete fotografias, a cores ou a preto e branco, que dêem um panorama global de uma realidade a concurso e que possam constituir um conjunto equilibrado e estimulante do ponto de vista estético. O Concurso conta com a especial colaboração da Agência para a Promoção da Guarda (APGUR).
Cada concorrente deverá entregar entre o dia 10 de Setembro e o dia 16 de Novembro de 2009 na Agência da Fundação INATEL da Guarda, um total de 7 fotografias em papel fotográfico, com tamanho entre 20 cm e 25 cm (lado maior) e entre 15 cm e 20 cm (lado menor), sem margens. As fotografias devem apresentar o pseudónimo do concorrente no verso de cada uma e ser numeradas de 1 a 7. Caso o concorrente envie as fotografias pelo correio, contará como válida a data do carimbo postal. Simultaneamente os concorrentes devem entregar um CD ou DVD com os ficheiros das 7 fotografias em formato digital. Os concorrentes autorizam também a Fundação INATEL e a APGUR a utilizar as fotografias numa Exposição sobre o Concurso, a realizar em 2010, sendo as fotografias produzidas a partir dos ficheiros entregues.
O conjunto das fotografias em papel e do CD/DVD deve ser entregue num envelope, no exterior do qual figurará o pseudónimo, devendo este figurar também na capa do CD/DVD e sobre o próprio CD/DVD. Dentro do mesmo envelope, para além das fotografias e do CD/DVD, deve constar uma folha com as legendas numeradas das fotografias indicando o local do distrito (nome do local, freguesia e concelho) onde se situa a realidade fotografada. Simultaneamente deve ser entregue com este envelope um outro envelope fechado, tendo no exterior o pseudónimo e no interior uma Ficha de Inscrição que será preenchida no momento da entrega. No caso de as fotografias serem enviadas por correio, o concorrente deverá solicitar a «Ficha de Inscrição» antecipadamente e enviá-la conjuntamente com as fotografias para «Fundação INATEL, agência da Guarda, Concurso de Fotografia António Correia, Rua Mouzinho da Silveira, n.º 1, 6300-735 GUARDA».
O Concurso destina-se ao público em geral, não sendo necessário ser associado da Fundação INATEL. Os concorrentes devem ter no mínimo 15 anos. A inscrição é gratuita e os prémios, a atribuir em dinheiro, serão os seguintes: 1.º Prémio, 500 euros; 2.º, 350; 3.º, 250; e 4.º, 100.
Os resultados serão conhecidos até ao final de 2009. Os trabalhos premiados serão divulgados no site da Fundação INATEL e através de uma Exposição a realizar em data e local a indicar oportunamente.
Joaquim Igreja (coordenador cultural do Inatel da Guarda)

Em Novembro a Câmara Municipal de Penamacor volta a editar o Ciclo de Música de Outono. O 1.º concerto com Francisco Ceia está agendado para domingo, dia 8, e será em Pedrógão. A música está de visita às terras de Penamacor.

Francisco Ceia - Pedrógão - PenamacorFrancisco Ceia é natural de Portalegre, cidade do Alto Alentejo, cercada de serras, ventos, penhascos, oliveiras e sobreiros…
Em 1976 frequenta o curso de teatro e inicia a sua carreira artística como actor profissional no CENDREV (Évora) representando, entre outros, autores como Gil Vicente, Marivaux, José Régio, Moliére, Brecht e Peter Weiss. Permanece nesta Companhia até final de 1979 e, em Janeiro de 1980, funda em Portalegre uma Companhia de Teatro profissional, Teatro do Semeador, onde encena e representa várias peças. Nesse mesmo ano e como corolário da actividade de autor compositor e intérprete que vinha desenvolvendo em paralelo com o teatro, vê editado o primeiro disco, «Foi no monte é no monte» e dá voz à banda sonora original da série televisiva «As Aventuras de Tom Sawyer» (RTP) editando assim um novo trabalho discográfico.
A participação em vários programas de televisão, espectáculos ao vivo pelo país e estrangeiro (França, Holanda, Espanha, Rússia, Uzbequistão, Canadá e Bélgica ), torna cada vez mais difícil conciliar o teatro e as canções, tomando desde 1981 a opção por estas. É editado então o disco «Cava dor».
Entretanto vai fazendo música para algumas peças de teatro e participa como actor em peças para a RTP.
Em 1983 um novo disco «Alcatruz» e a continuação dos concertos.
Em 1985 novo disco «Voo andando» e em 1988 é editado o disco «Entre a cal e o sol».
Em 1990 o disco «Bicicleta cor de rosa» deixa antever uma certa vontade de voltar às raízes, ao Alentejo. Antes porém, a convite da RTP, é o pivot de uma série de 12 episódios «A casa do Mocho Sábio», onde conjuga o trabalho de actor, músico e autor das canções e genérico do programa.
Entre Dezembro de 1995 e Abril de 96, a convite da Companhia de teatro do Porto «Seiva Trupe», integra o seu elenco, no musical «Ópera do Malandro» de Chico Buarque. É editado, em Agosto de 1996, o CD denominado «Lendas e Romances», com textos da tradição oral, recolhidos no Alentejo, e música original de Francisco Ceia.
Em Maio de 1997 participa na cidade espanhola de Cáceres no Festival Internacional da World Music «WOMAD».
Participa no 36.º Festival RTP da Canção, em 1999 e em Outubro um novo trabalho discográfico de originais com o título «Fado Singelo».
O CD «Cadernos de Afectos» é editado em Maio de 2000, com poemas de José Régio e música original de Francisco Ceia.
Em 2002 – «Sandálias de Vento» – novo disco, desta vez com a poesia de Fernando Namora.
Em 2003 é editado o álbum «Nas Tardes» sendo António Sardinha o poeta escolhido para ser musicado e interpretado.
Em Maio de 2004 sai «Asa de Luz» com poesias de Maria Rosa Colaço.
Finalmente em 2005 é editado o álbum «Virado para a Serra» com textos de Vergílio Ferreira.
jcl (com Gabinete Informação da C. M. Penamacor)

«Seguem com a morosidade necessária as obras. Está-se procedendo à colocação das pedras para as janelas e portas em arco da fachada principal. (continuação.)

Romeu BispoNa colocação de uma destas pedras um elo da corrente vem bater ainda num trabalhador de 15 anos a quem fiz o tratamento, aplicando três agrafes sobre uma ferida no coiro cabeludo, região parietal direita.
Varanda ou não varanda? É a discussão agora em dia na C. da Misericórdia. Parece que resolvem não aplicar a varanda, no tipo da varanda da casa onde está o depósito dos tabacos, com cuja decisão eu concordo, mas deveria aplicar-se a varanda com duas colunas como está na planta que vem do Porto, servindo-nos do cimento e vigas de ferro para fazer o suporte para as pedras que viriam da parede para as colunas e parte entre colunas. Não se faz com certeza este melhoramento na fachada principal, contudo é pena, porque traria embelezamento que mais tarde não poderá ter aplicação. Qual o motivo? A falta de capital que está quasi esgotado, a crise de falta de dinheiro, de desemprego, de carência é sempre um facto vulgar, banal que se encontra a toda a hora; como seria mais agradável que a crise fosse de abundância e que o nosso trabalho fosse todo no sentido de procurar arabescos bonitos, utensílios e desenhos complicados para poder aplicar o excesso de capita!!!»
Manuscrito de Francisco Maria MansoAs obras vão continuando com o assentamento das escadas exteriores e os carpinteiros avançam com a armação do telhado. No 18-09-1931 o sr. Dr. Manso escreve:
«Passei hoje pelas 11 horas a cavalo junto ao hospital e o seu aspecto agradou-me completamente, apesar de ser apenas o esqueleto sem as belezas da carne e dos enfeites…, mas com médico soube observar que o esqueleto está bem conformado…, venha o reboco, o pó d´arroz, o chapéu de “Marselha” e então preencherá os olhos do caminhante num doce enlevo de arte e de asseio…»
Mas, em Novembro desse ano, após a colocação do telhado as obras paralisaram completamente devido à falta de verbas: «Esperávamos da “assistência” grande verba e afinal tivemos uns 2.000$00!!
A falta de dinheiro é um mal tão espalhado que por mais lástimas que se chorem aos poderes públicos tão endurecidos por lá estão os corações, que não vem refrigério para tão grande mal, nem se lhe percebem lágrimas sentimentalistas perante as lágrimas compungidas das Mesericórdias…»
No próximo artigo vamos dar um salto temporal e ficaremos mais próximos da inauguração.
Romeu Bispo
(Provedor da Santa Casa da Misericórdia do Sabugal)

A «equipa» de Quadrazais, participante no Cortejo de Oferendas, no Sabugal, em 1947, é aquela que hoje é apresentada nesta crónica.

Cortejo de Oferendas - Quadrazais

Joao Aristides DuarteNa fotografia pode ver-se a frente da representação de Quadrazais, terra de grandes tradições.
Montado num cavalo, junto com uma quadrazenha, vestida com o traje típico da época, vai o Presidente da Junta de Freguesia, sr. Simão Salada. Este transporta numa das mãos o brasão da freguesia. O meu pai, que viveu na infância em Quadrazais, ainda hoje conta que as mulheres quadrazenhas usavam um traje muito semelhante às mulheres minhotas, inclusivamente com algum ouro que faziam questão de ostentar ao pescoço. Até nas danças eram parecidas com as mulheres do Minho. O seu traje era muito garrido, com cores berrantes (normalmente vermelho), tal como é uso e costume nas terras mais a norte de Portugal. Embora pareça estranho, por Quadrazais pertencer à Beira Alta, esta era a realidade.
Para evitar que o cavalo do Presidente da Junta de Freguesia se espante com a multidão presente, é puxado pela rédea por um habitante de Quadrazais.
Atrás do Presidente da Junta de Freguesia segue o desfile das moças de Quadrazais, com cestos à cabeça, certamente seguros por alguma sogra ou «molide».
Entre elas podem distinguir-se alguns homens de Quadrazais, vestidos com a moda da época (onde o chapéu era um adereço indispensável).
Entre o público presente (a foto foi tirada junto à tribuna) podem ver-se alguns agentes da autoridade e até um homem, à direita, com capacete (será um bombeiro?).
«Memória, Memórias…», opinião de João Aristides Duarte

akapunkrural@gmail.com

Realizou-se no passado sábado, 31 de Outubro, a 14.ª edição do Grande Prémio Internacional da «Cidade de Vigo» de Judo onde esteve presente uma representação portuguesa com cinco judocas e um treinador da equipa técnica Nacional. A judoca Carla Vaz, do Sporting Clube do Sabugal, participou na categoria de -57kg.

Carla Vaz em VigoA 14.ª edição do Grande Prémio Internacional de Judo realizado na cidade espanhola de Vigo por equipas mistas teve a presença das selecções de Espanha, Portugal, Itália, Grã-Bretanha e ainda da Catalunha e Galiza, sendo cada grupo composto por quatro judocas masculinos e duas judocas femininas.
A selecção das quinas teve a presença de um atleta do Porto, dois de Coimbra, dos quais Jorge Fernandes, acabado de chegar do Campeonato do Mundo de Juniores de Paris onde obteve um honroso 7.º lugar, um de Aveiro e esteve Carla Vaz do Sporting Clube do Sabugal (SCS) no sector feminino na categoria de -57kg.
A Judoca do Sabugal conseguiu vencer as suas homologas Galegas e Inglesas, empatando contra a Espanha, ficando assim a selecção nacional pelas meias-finais, com um honroso 4º lugar. A Judoca do SCS aguarda ainda convocatória para a terceira e decisiva jornada da Liga Galega a 14 de Novembro, onde será decidido o acesso aos play-off.
Mais uma vez, para além da competição, todos os atletas e equipas técnicas foram excelentemente recebidos em Vigo onde desfrutaram de uma visita turística durante a manhã de sábado.
O convite à nossa judoca foi uma surpresa e esta soube responder positivamente a este desafio, tendo a sorte de ter sido acompanhada pelo treinador da selecção nacional, Rui Veloso, que conhece Carla Vaz desde longa data.
O treinador do SCS mostrou-se satisfeito com a prestação da sua pupila, conferindo estes resultados e comprovando o facto de ser uma modalidade de resultados a longo prazo onde a formação das pessoas deve sobrepor-se à conquista de medalhas e títulos.
djmc

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