Saibam quantos este público instrumento virem, que aos dez dias do mês de Fevereiro de dois mil e dez, nas casas de Elvas, aonde eu tabelião de ofício, vim a rogo da Exma. República para lhe lançar as minhas notas em testamento, com as testemunhas abaixo assinadas,…
…estando a dita Senhora República enferma de cama, com os assistentes à cabeceira, sendo todos eles pessoas ilustres e conhecidas, e de mim, tabelião, conhecidos e tendo por mim sido perguntado à dita senhora, se estava de seu perfeito juízo, e era de sua livre e espontânea vontade fazer o seu testamento solene, pela dita senhora me foi dito que sim, e para que chegasse ao conhecimento de todos, o desejava fazer público e aberto; pois que pretendia enquanto lhe restasse alento, dispor dos seus bens, e que tomava esta resolução por se achar muito falta de forças e sentir todos os seus membros muito relaxados, pelo que o ditou da forma seguinte, para que se cumprisse tudo o que nele se dispõe, anulando, derrogando e dando sem efeito os que anteriormente tenha feito:
Em primeiro lugar declara, ser filha legítima de pais direitos, sem aleijões solapapos, e se chamava seu pai Afonso Costa, por antenomásia o «mata-frades», e sua mãe Carbonária, e deste matrimónio houve três filhas, o mais velha que era seu irmã, morreu de bexigas doidas aos dezasseis anos, e que se chama primeira República, a do meio, também sua irmã, que morreu de uma queda de cadeira aos sessenta e quatro, e se chamava segunda República, todas elas sem dinastia conhecida. Declara ainda que tem a idade de noventa e nove anos, feitos pelas vindimas, e é natural de Aljubarrota, tetraneta da padeira, de quem herdou as pás do forno, umas herdades na Serra da Estrela, uma terra de semeadura no Vimioso, estas casas novas em Elvas, com portas para o céu e telhado ladrilhado e junto às mesmas um moinho, que mói toda a qualidade de grão. Possui mais ainda um prédio rústico na Vila do Sabugal, que paga de sisa mil reis anuais e tem de pensão dois frangos pelo Carnaval aos frades de Santa Maria de Aguiar. É ainda senhora e possuidora na Vila de Idanha, dum olival, vinha e um mato que ainda não foi cortado, e mais a adega da vinha, um lagar de azeite e umas casa junto à adega, com pasto para animais de dois pés e para os de quatro pés um vasto campo de restolho. Declara que tudo são bens livres, e em muito bom estado, porque nunca tiveram outro senhorio, do tudo o que vai testar com a mobília de sua casa, peças de oiro, diamantes, brilhantes, esmeraldas, pedras, pedregulhos, bens móveis, loiças, cacos, tarecos, que tudo tem serventia.
Nomeia por seu testamenteiro, ao José de Sousa, seu vizinho lá da serra, ao qual, na falta de herdeiros forçados, institui por herdeiro de metade dos seus bens. Em segundo lugar, a Teixeira dos Santos, compadre e parceiro de bisca daquele. Ao primeiro fica a disposição do seu funeral, e o segundo receberá os cabidos do primeiro, que são muito amigos de panela e tigela.
Deixa ao Pinto de Portovelha o bordão de seu pai, para com ele sacudir tudo o que for empenado; porque enquanto dá neles não dá no chão, nem no sobrado. Ao Lacão da taberna, deixa o moinho, para ir picando as mós, e ter cuidado nas velas, tendo tudo em boa ordem, poderá receber o produto do que moer. Ao primeiro testamenteiro, em paga do seu trabalho, deixa o prédio da Idanha, que desde logo possuirá, bem entendido, com as condições seguintes: Será obrigado, para exorcizar as pragas que ali grassaram, mandando amassar um bolo de vinte alqueires, coberto de maçã, para fazer uma fogaça. Ao segundo testamenteiro, deixa as ditas pás do forno, que fizeram proezas em Aljubarrota, para virar o bolo, e depois de cosido o porá num andor, e convidando quem nele pegue, para correr a vila.
Deixa o lugar de azeite, as casas novas, a adega, o pasto, para lá irem pastar todos os políticos de Lisboa, que querem comer sem trabalhar, nem servir o Estado, e caso ainda não fiquem satisfeitos, deixa também o campo junto.
Por fim, deixa todo o remanescente, que ficar ao seu herdeiro e testamenteiro Teixeira de Sousa, bens móveis, loiça, talões da dívida pública, promissórias, papéis, papelões, cobre. Latão e tudo quanto couber em mão, incluindo o bacio, a vassoura do mesmo, e um baraço de cordas, para que de tudo faça leilão e no fim se enforque.
Que todas estas disposições faz com as condições e seguintes ónus para os seus testamenteiros:
1 – Amortizem todos os papéis da dívida pública, em que a dita senhora está empenhada;
2 – Paguem igualmente os milhões da dívida pública que eles mesmos contraíram, para cujo fim deixa as ilhas da Madeira e dos Açores, que poderão servir-lhes de hipoteca.
E vendo eu que a dita senhora República estava mesmo a finar-se, e que já tinha dado dois arranques mortais, por mim, tabelião, lhe foi perguntado se queria fazer mais alguma disposição, e então, a Exma. senhora, moribunda testadora, disse que para os seus grandes pecados lhe serem perdoados, livre e espontaneamente perdoava todos os agravos, enxovalhos, injúrias, contra ela, excelentíssima testadora, feitos, e entrando neste meio tempo um excelentíssimo senhor, lhe disse que se vinha despedir dela para sempre e que bem sabia os serviços que lhe havia feito, esperando do seu arrependimento que lhe deixasse ficar qualquer coisa útil, quando não fosse no continente, ao menos nas desertas, ao que a Excelentíssima testadora anuiu, e dando-lhe um ronco, disse que lhe iam esquecendo uns quantos bastardos a quem deixava ficar, para viverem, e dividirem entre si, também a ilha das Berlengas.
A final, disse que queria ser enterrada sem pompa nem grandeza, e no caso de lhe quererem fazer as honras militares, lhes rogava não mandarem dar descargas, para não atemorizarem a vizinhança, mas que desejava ir de caixão à cova, e que era de sua última vontade que os seus testamenteiros cumprissem e fizessem cumprir esta sua última e espontânea disposição.
Saibam quantos o presente testamento virem, que atestando eu, Tabelião de Notas e defeitos, insigne não só nas faculdades de toda a lei, literatura, física e artes mecânicas, que defeito algum acho na feitura deste testamento, tendo feito à testadora as perguntas do estilo, nele não há emenda ou entrelinha, podendo sem receio assinarem as testemunhas presentes, sendo a primeira, pela sua dignidade, o barbeiro desta cidade, dia e era ut supra.
João das Leis (Tabelião)
José De Sousa – barbeiro da cidade
Pedro Beiça-Grande – mimo de ofício
Responso por alma da testadora:
Libera mé Domine, anima mea, e dignatus aplacare, contra mé ila periodiqueira.
«Arroz com Todos», opinião de João Valente
joaovalenteadvogado@gmail.com
A Confraria do Bucho Raiano do Sabugal formalizou o pedido de adesão à FPCG-Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas.
«Caros Confrades.
O Conselho Directivo da Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas reunido no dia 1 de Fevereiro, em Santarém, deliberou por unanimidade a admissão provisória da Confraria do Bucho Raiano do Sabugal, pelo período de um ano, verificada a conformidade dos requisitos legais.»
Assim começa a carta assinada por Madalena Carrito, Presidente da FPCG-Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas dando conhecimento do resultado do pedido de adesão formulado pela Confraria do Bucho Raiano.
A FPCG é o órgão máximo das Confrarias Gastronómicas portuguesas e tem como filiadas 56 confrarias efectivas e oito em período probatório.
A Federação está dotada de estatutos, simbologias, regulamentos interno e de adesão, código de ética e sugestões de boas práticas.
Para Madalena Carrito as «cartas gastronómicas em defesa da história da nossa alimentação e na recuperação do saber fazer dos nossos antepassados são fundamentais para identificar quais os produtos, os ingredientes e as formas de confecção que ainda é possível defender e promover» apoiadas num «receituário tradicional seleccionado podemos vender, internacionalizar e valorizar a nossa gastronomia».
A admissão da Confraria do Bucho Raiano do Sabugal foi feita, por meio de proposta, apresentada por dois membros efectivos – Confraria da Chanfana de Vila Nova de Poiares e pela Confraria do Queijo da Serra da Estrela – no pleno gozo dos seus direitos e submetida e aprovada pelo Conselho Directivo da Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas na reunião ordinária de 1 de Fevereiro de 2010.
Na cerimónia do I Capítulo de Entronização da Confraria do Bucho Raiano do Sabugal marcado para 17 de Abril a associação raiana vai ter como confrarias madrinhas a Confraria da Chanfana e a Confraria do Queijo da Serra da Estrela de que faz parte o ilustre escritor raiano Manuel Leal Freire.
Na sequência da adaptação da regulamentação da Federação e da revisão do livro de usanças da Confraria foram aprovados mais dois cargos na chancelaria. Os órgãos sociais da Confraria ficam assim constituídos:
CAPÍTULO
Grão-Mestre Capitular: Joaquim Leal (Sortelha)
Capitular-Ajudante: António Manuel Bogas (Sabugal)
Capitular-Relator: António Vinhas Ricardo (Aldeia de Santo António)
MESA DE VEDORES
Vedor-Mor: José Morgado Carvalho (Soito)
Vedor-Ajudante: Paulo Cruz (Aldeia Velha)
Vedor-Relator: António Manuel Ferreira (Sabugal)
CHANCELARIA
Chanceler: Paulo Leitão Batista (Sabugal)
Vice-Chanceler: José Carlos Lages (Ruivós)
Almoxarife: Paulo Terras Saraiva (Castanheira)
Escrivão das Leis: Horácio Pereira (Sabugal)
Fiel de Usanças: José Marques (Sabugal)
Mestre de Cerimónias: Natália Bispo (Sabugal)
Porta-Estandarte: João Valente (Vilar Maior)
Para o próximo sábado, 13 de Fevereiro, está marcado o VI Almoço da Confraria do Bucho Raiano no Restaurante Robalo do Sabugal.
jcl
«Por maior que seja o posto que ocupemos, há que demonstrar que é maior a pessoa que o ocupa» (Baltazar Gracian).
A maior parte dos políticos actuais, esquecem que o poder que exercem não é propriedade deles, é património de todos os cidadãos, inclusive daqueles que contra eles votaram. Têm de compreender que são simples delegados da vontade popular.
A Democracia Representativa não quer só políticos com missões retóricas e cínicas nas suas tribunas, quer gente eficaz para resolver os problemas dos cidadãos.
Democracia, significa governo do Povo, mas na actual Democracia Representativa, quem governa são os seus representantes eleitos livremente, mas assim que se instalam no Parlamento, Governo e Assembleias, esquecem quem os elegeu, e fazem o que lhes apetece. O voto LEGITIMA-OS, mas o não cumprimento das promessas que fizeram ao povo, fazendo a maior parte das vezes o contrário do que prometeram, e outras vezes tomando medidas arbitrárias, DESLEGITIMA-OS.
Pessoalmente, custa-me ver figuras públicas, com responsabilidades políticas, transformarem-se durante as campanhas eleitorais em autênticos vendedores da «banha da cobra» – charlatães e demagogos – homens que podiam apelar à razão, e não à emoção. Podiam ser sinceros, mas mentem. Tudo isso deslegitima.
Não admira a resignação dos cidadãos, o seu cepticismo, a sua indiferença e, até a sua ignorância.
Os governantes ao deslegitimarem-se, em todos os aspectos, também morais, despojam a política da sua dimensão ética e do seu sentido original, que é promover o bem comum.
Os argumentos políticos não se reduzem só ao voto cada quatro anos, nem a liberdade é aquele dos que pensam todos da mesma maneira, a liberdade é sempre a liberdade dos que pensam de uma maneira diferente.
Há um sentimento de decadência presentemente em Portugal, basta ter ouvido no dia 31 de Janeiro, na cidade do Porto, os discursos de alguns homens da política e comentadores afectos ao sistema. Há vontade e necessidade de regeneração, e se há vontade e necessidade de regeneração, é porque alguma coisa está mal, todos o sabemos, excepto aqueles que não se querem aperceber disso.
Eu, se falo e escrevo sobre este estado de coisas, e dos seus causadores, é porque sinto o que qualquer português das classes populares sente, a decadência moral, política e económica do meu País.
Sei que os cidadãos críticos aborrecem, é preferível gente enganada e submissa
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio
ant.emidio@gmail.com
A 3.ª edição dos Roteiros Gastronómicos do concelho do Sabugal vai estar em destaque, na próxima quinta-feira no programa «Portugal em Directo» da RTP-1. Os sabores gastronómicos à disposição nos 13 restaurantes aderentes e o VI Almoço da Confraria do Bucho Raiano serão tema de conversa na reportagem assinada pelo jornalista Jorge Esteves.
Esta quinta-feira, 11 de Fevereiro, o programa da RTP-1 «Portugal em Directo», emitido entre as 18 e as 19 horas, estará em directo no concelho do Sabugal para divulgar os Roteiros Gastronómicos organizados pela Câmara Municipal. Entre outros estão previstas as intervenções de responsáveis autárquicos, de gerentes de restaurantes e do grão-mestre do Capítulo da Confraria do Bucho Raiano.
No fim-de-semana alargado do Carnaval multiplicam-se pelas terras beirãs as iniciativas para seduzir turistas nacionais e internacionais a visitar as belezas naturais e provar a diversificada gastronomia regional. O concelho do Sabugal juntou-se à «oportunidade» e desde há uns anos que tem vindo a promover a gastronomia raiana durante este período de folia ampliado pelas férias escolares. A possibilidade de ter a Serra da Estrela a poucos quilómetros de distância e a «sorte» de poder ver cair neve é mais uma sedução para rumar até às terras raianas.
A 3.ª Edição dos Roteiros Gastronómicos do Sabugal, organizada pela Câmara Municipal decorrem entre 13 e 16 de Fevereiro e são introduzidos na sexta-feira pelo Colóquio «Entre o Fogão e o Cliente» no Auditório Municipal. A intervenção principal estará a cargo de Paulo Vaz, director da Escola de Hotelaria e Turismo do Douro com o tema «A importância da Gastronomia no Turismo e na Economia Local».
Ao longo dos quatro dias estarão disponíveis nos 13 restaurantes aderentes – «O Pelicano», em Alfaiates; «Bica dos Covões», em Badamalos; «El Dorado», nos Fóios; «Trutalcôa», em Quadrazais; «Éden», na Rebolosa; «Zé Nabeiro», no Soito, «D. Sancho I», em Sortelha; e «Atlântida», «O Lei», «O Templo», «RaiHotel», «Sol-Rio» e «Robalo» no Sabugal – os petiscos e os pratos tradicionais estarão disponíveis nas ementas. Trutas do Rio Côa, caldudo, caldo escoado, canja dos cornos, vitela, borrego e cabrito do Sabugal, castanhas, tortulhos, salada de meruges e os enchidos onde reina o bucho raiano como especialidade máxima. As sopas paridas, os coscoréis e as floretas são algumas das sobremesas típicas que podem, também ser apreciadas durante o fim-de-semana de Carnaval no Sabugal.
Uma das iniciativas em destaque é o VI Almoço da Confraria do Bucho Raiano, no sábado de Carnaval, no Restaurante Robalo com a presença de confrades devidamente trajados e seus convidados que vão ter à sua disposição o Bucho Raiano.
Nunca é tarde para mudar e emendar especialmente se os argumentos forem positivos e fortes. «Roteiros Gastronómicos» podem ser feitos em qualquer concelho deste país mas… «Roteiros Gastronómicos do Bucho Raiano» apenas o Sabugal pode apresentar.
jcl
O Comando Territorial da Guarda efectua uma operação de intensificação de regulação e fiscalização rodoviária, durante esta época festiva, dando prioridade a uma actuação preventiva e de apoio, combatendo desta forma a sinistralidade rodoviária.
Segundo um comunicado divulgado hoje, a Operação Carnaval 2010 acontecerá de 12 a 16 de Fevereiro. O esforço de prevenção e fiscalização incidirá nas principais vias do distrito (Auto-Estradas e Estradas Nacionais) e, particularmente nos acessos à fronteira de Vilar Formoso e maciço central da Serra da Estrela
«Nesta operação o Comando Territorial da Guarda estará particularmente atenta à condução agressiva dos condutores que coloquem em causa a sua segurança e a de terceiros, ao uso de cintos de segurança e/ou sistemas de retenção nos bancos dianteiros e traseiros, à utilização indevida de auscultadores sonoros e aparelhos radiotelefónicos, para além do controlo da velocidade e da alcoolemia», refere o comandante da GNR da Guarda, Coronel José Antunes.
Simultaneamente vai realizar-se uma outra Operação, denominada «Brincar ao Carnaval em Segurança», com inicio hoje, 8 de Fevereiro, com o objectivo de sensibilizar a comunidade escolar e a população em geral, dos perigos da utilização não autorizada das chamadas «Bombinhas de Carnaval» e avisando que será reprimida toda e qualquer actividade ilícita.
No decurso da última semana a GNR procedeu à detenção de 15 Indivíduos pelos seguintes motivos: sete por crime de condução sob o efeito do álcool, dois por condução sem habilitação legal, dois por tráfico de estupefacientes, dois por ameaças e coação a militares da GNR em patrulha e um por caça por meios não permitidos. Foi ainda detido um indivíduo através do cumprimento de mandado judicial.
No mesmo período foram elaborados 306 autos de contra-ordenação, pelas seguintes infracções: 266 à Legislação Rodoviária, 21 à Legislação da Natureza e Ambiente e 19 à Legislação Policial.
No referente à sinistralidade rodoviária, verificaram-se 30 acidentes de viação, 20 dos quais em resultado de colisões, sete por despiste e três por atropelamento. Destes acidentes resultaram um morto, um ferido grave e 12 feridos leves. Após análise sumária das causas dos acidentes registados, foi possível apurar como causas prováveis, o desrespeito pela sinalização e a velocidade excessiva.
plb
A fotografia da crónica de hoje refere-se aos pajens que participaram no Cortejo de Oferendas a favor do Hospital do Sabugal, realizado no ano de 1947.
Estes pajens eram do Sabugal e participaram em 1947, assim vestidos, no Cortejo de Oferendas a favor da construção do Hospital do Sabugal.
Era costume nos Cortejos de Oferendas aparecerem uns pajens, que davam outro «colorido» aos desfiles.
Lanço aqui o desafio: algum visitante do Capeia Arraiana conseguirá identificar os fotografados?
«Memória, Memórias…», opinião de João Aristides Duarte
akapunkrural@gmail.com
Já está lotada a sala do restaurante Robalo, no Sabugal, onde se irá realizar o VI Almoço do Bucho, no dia 13 de Fevereiro, organizado pela Confraria do Bucho Raiano, no qual participarão os confrades que adquiriram o respectivo traje, confeccionado pela empresa Modache, com sede no Sabugal.
Os comensais juntar-se-ão previamente, a partir das 11 horas, no Salão da Junta de Freguesia do Sabugal, onde será levantado o respectivo traje de confrade e será servido um Porto de Honra.
Pelas 12,30, os confrades, já devidamente trajados, seguirão em cortejo para o restaurante Robalo, onde pelas 13 horas, o escritor e também confrade Pinharanda Gomes, da Academia Luso-Brasileira de Letras e da Academia Internacional da Cultura, fará uma prelecção sob o tema «Os Sabores Antigos da Gastronomia Raiana».
O almoço, que se seguirá, será inevitavelmente composto por bucho, guarnecido com grelos de nabo e batata cozida, como ordena a tradição. De entrada haverá pão, azeitonas, chouriço fatiado, morcela e mioleira assada na brasa. A sopa é a do bucho, com grão, hortaliça e massa. Para beber a casa disponibiliza vinho do Dão (Silgueiros), água, refrigerantes e cerveja. De sobremesa haverá bufete com arroz doce, papas de milho, farófias, tapioca e aletria, para além de queijo e fruta da época. A finalizar será servido café e bagaço da casa.
Após o almoço tomarão posse os elementos dos novos corpos sociais da confraria, recentemente eleitos pelo Capítulo, e, seguidamente, um grupo de confrades animará os espíritos, tocando viola e entoando cantigas tradicionais.
Um grupo de motards virá de Portalegre para degustar o bucho e eles, tal como os os acompanhantes e convidados especiais de alguns confrades aderentes serão os únicos que não envergarão os trajes prescritos nas «usanças».
O VI Almoço do Bucho está integrado nos Roteiros Gastronómicos, iniciativa da Câmara Municipal do Sabugal, à qual aderiram 13 restaurantes do concelho que nestes dias terão o bucho e demais pratos regionais nas suas ementas.
plb
Ainda por terras da Beira Baixa, no Fundão e Covilhã não podemos esquecer o aproveitamento de duas Quintas e de um Solar, para turismo rural…
QUINTA DO OURIÇO – Em Castelo Novo (Fundão) que é uma das dez localidades beirãs, abrangidas pelo Programa das Aldeias Históricas. A construção impressiona pela unidade arquitectónica do conjunto e pela manutenção de um ambiente rural que se julgava há muito extinto.
A Casa da Quinta do Ouriço data do Século XVII destacando-se, no seu exterior, a fachada da capela onde ainda se vêem um sino e o brasão da família Correia de Sampaio.
É rodeada por um espaço bem cuidado, com um campo de ténis com vista para a aldeia e o vale e uma piscina construída junto das antigas dependências agrícolas, agora adaptadas ao lazer. Completam o quadro um jardim com camélias centenárias, tendo à vista trecho da ribeira que atravessa o subsolo da quinta. Apresenta duas suites, cinco quartos e varias salas com tectos de masseira.
CASA DOS MAIAS – Solar barroco do século XVIII, dotado de capela e jardim, encontra-se situado na praça principal da cidade do Fundão. Como os antigos solares têm a forma de um L, conservando o pátio de entrada onde estacionavam as carruagens de onde sai imponente escadaria para o primeiro piso. O salão nobre é um verdadeiro retorno ao passado, com uma conversadeira de três lugares, um canapé império, várias mobílias do século XIX em pau-santo, fotos e óleos de antepassados.
A casa tem cinco quartos com espelhos rotativos e aliam o bom gosto e vários estilos. Tem ainda uma ampla sala de jantar, um jardim de Inverno com vistas para o jardim exterior, uma enorme sala para pequenos-almoços na antiga cozinha com uma chaminé de fumeiro e uma colecção de utensílios antigos.
QUINTA DO SANGRINHAL – Está situada em plena Cova da Beira a dois quilómetros do centro da Covilhã, em Boidobra. Era uma casa agrícola que apoiava a quinta. Trata-se de uma típica casa beirã de paredes de granito, a única coisa que ficou de pé na fase de reabilitação. Está decorada no estilo rústico com mobílias antigas. Na quinta, de catorze hectares, além de actividades agrícolas funciona um canil de cães da raça Serra da Estrela.
Na crónica anterior sobre as casas de habitação rural da Beira Interior Norte, referiram-se somente as existentes no concelho do Sabugal. Nesta zona e nos concelhos da Guarda, Celorico da Beira, Figueira de Castelo Rodrigo, Almeida e Meda, existem também as seguintes casas de habitação rural:
QUINTA DA PONTE – Fica situada entre Celorico da Beira e a Guarda. É num cenário bucólico entre rochedos da serra e onde corre o rio Mondego, que foi construída a Quinta da Ponte. Durante 50 anos a casa foi submetida a várias obras entre as quais a mais importante foi a construção de uma capela em 1725 de frontaria neoclássica e consagrada a Nossa Senhora da Vitória. A quinta resultou de um projecto de restauro do solar do século XVII e do reaproveitamento dos jardins e espaços verdes para a construção de um conjunto de apartamentos T1, quartos, salas e tenda para acontecimentos sociais. Possui ainda piscina, campo de ténis e um picadeiro a 4 km.
QUINTA DO PINHEIRO – Situada em Cavadouce (Guarda) localizada no vale do Mondego, a quinta do Pinheiro assume-se como produtora de queijo da Serra da Estrela, recorrendo aos métodos tradicionais característicos da região. Quinta do século XVI, terá sido o seu primeiro proprietário o cronista-mor do reino, no tempo do Rei D.Manuel I. De linha arquitectónica senhorial todos os edifícios foram recuperados segundo a traça original sendo o granito uma presença relevante. Os três quartos de que dispõe ficam situados no edifício da quinta mas em zona independente da casa principal, sendo amplos e de decoração rústica agradável. A sala comum, espaçosa e acolhedora dá para o pátio interior, como é característico das casas beirãs convidando a um tempo repousante. Existe também um amplo salão de jogos e uma piscina bem enquadrada no jardim.
QUINTA DE SÃO JOSÉ – Situada em Aldeia Viçosa (Guarda) é uma casa agrícola na posse da mesma família há várias gerações e inserida no meio de genuína actividade agrícola. Oferece a serventia de um apartamento com decoração rústica e sóbria, que em tudo diz estarmos em verdadeira casa rural, não faltando a lareira com ancestral fumeiro.
Na falta de piscina, o tanque de rega confere a autenticidade final e se tiver licença de pesca, poderá pescar trutas no rio Mondego que confina com a quinta.
CASA DE SÃO PEDRO DE LINHARES – Situada no centro da aldeia histórica do mesmo nome Linhares da Beira, o seu acesso faz-se através de um pátio tipicamente beirão de casa de aldeia sala está situada no piso térreo e o quarto desafogado, no primeiro andar. Em Linhares pode-se assistir a provas de parapente, cujos praticantes iniciam os seus voos nas arribas rochosas sobranceiras à aldeia.
CASA DO BRIGADEIRO – Solar agrícola, situado na Lageosa do Mondego, deve o seu nome a um antigo proprietário, militar de carreira e cuja patente apadrinhou a casa. Construída por um avô do militar e proprietário de uma roça em São Tomé, esta casa chega aos nossos dias com visíveis ligações aquela ilha. Os hóspedes poderão desfrutar de frondoso jardim com uma centenária magnólia de resto classificada como de interesse público.
CASA DOS OSÓRIOS – Situada em Celorico da Beira, é uma construção solarenga com acesso por elegante balcão, com escadaria de granito, rematado com pináculos e ostentando na frontaria, uma bonita pedra de armas.
A sua construção data de fins do Século XVIII, tendo sofrido transformações no Século XIX. Para a prática de turismo rural dispõe no edifício principal de quatro quartos duplos, com casa de banho privativa e em construção anexa mais dois apartamentos.
Possui confortáveis salas de convívio, biblioteca, sala de snooker, sala de musica, de campo de ténis e bar.
SOLAR DE LONGROIVA – Situado no centro da aldeia que lhe dá o nome do concelho de Meda, esta construção solarenga, dispõe de quatro quartos que facultam uma óptima vista sobre as serranias envolventes..
CASA DO BALDO – O antigo proprietário João Baldo, deu nome a esta casa e os actuais proprietários procederam à sua reconstrução.
Hoje encontramos uma casa que exteriormente se enquadra perfeitamente na histórica aldeia de Castelo Rodrigo, sendo que o seu interior nos oferece uma casa moderna. Do alto das muralhas da cidadela medieval, o visitante tem soberbo panorama sobre as Terras de Riba-Côa.
CASA DO PÁTIO DA FIGUEIRA – No interior da praça-forte de Almeida, vamos encontrar uma casa especialmente concebida para quem por aqui quer ficar.
Duas salas grandes e bem decoradas no rés-do-chão, dão para um pátio donde se vê a piscina e está plantada a figueira que dá nome à casa. Nos andares cimeiros, encontram-se os quartos, numerados, segundo datas importantes do historial da vila (1296, 1385, 1762 e 1810).
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado
morgadio46@gmail.com
Ana Sofia Figueiredo, do Sporting Clube do Sabugal alcançou mais um pódio no Campeonato Regional de Esperanças de Judo disputado na cidade de Valença.
Realizou-se no passado dia 6 de Fevereiro em Valença, o Campeonato Regional da Zona Norte no escalão de Esperanças (15-16 anos), que apura os 6 melhores atletas em cada categoria de peso para o Campeonato Nacional. A realização do evento foi da responsabilidade da Associação de Judo do Distrito de Viana do Castelo.
Ana Sofia Figueiredo do Sporting Clube do Sabugal, em -57 kg, que já tinha conquistado a medalha de Bronze em juniores no passado fim-de-semana e carimbado a sua presença para o Campeonato Nacional desse escalão, voltou a subir ao pódio e garantir a sua participação no dia 13 em Coimbra no Campeonato Nacional desta faixa etária.
A medalha conquistada e respectivo apuramento tiveram um revés, pois após ter ganho o combate com a Judoca do Porto, que viria a conquistar a categoria de peso, a Judoca Raiana teve de desistir devido a lesão, não permitindo a equipe de arbitragem que a atleta efectuasse os restantes confrontos. A lesão não parece grave, mas a vontade da judoca do Sportingo Clube do Sabugal em continuar poderia ter posto em risco a sua participação na Fase Final em Coimbra. Mesmo assim, os pontos entregues por desistência não impediram uma presença meritória no pódio da representante do Sabugal.
Na arbitragem, a representar o Distrito, esteve David Carreira, árbitro Regional, do Sabugal, que entregou o acompanhamento da sua pupila à também treinadora do SCS, Carla Vaz.
djmc
Mais de quarenta anos depois da sua última realização, o «Testamento do Galo» vai ouvir-se no Casteleiro no próximo dia 14, domingo gordo, às 15 horas.
Esta antiga e enraizada tradição de sátira popular, associada aos festejos do Entrudo, volta a realizar-se por iniciativa da Junta de Freguesia e assinala, simbolicamente, o arranque de um vasto conjunto de eventos a realizar na Aldeia por ocasião de datas festivas, preservando deste modo a sua memória histórica.
O «Testamento do Galo» é assim descrito por Daniel Machado, autor do livro «Casteleiro – Memórias, Usos e Costumes»:
«No Domingo Gordo os alunos da 4ª classe costumavam oferecer ao seu profesor um galo, o mais gordinho e bonito que houvesse na aldeia. No fim da missa, após o almoço, juntavam-se e efeitavam o galo dando de seguida voltas às ruas da população. Com grande gáudio, um dos alunos levava-o ao colo e os restantes, armados de espadas de pau, gritavam: “morra o galo”.
Em locais estabelecidos, paravam e cada um dos alunos lia o “Testamento do Galo”. As quadras do testamento referiam-se a todos os orgãos e partes do pobre galo, escolhendo-se para testamentários as pessoas de quem se queria fazer “troça”.»
António Marques, Presidente da Junta de Freguesia de Casteleiro
O ressurgimento do racismo na Europa constitui um fenómeno deveras preocupante. Parece que a memória colectiva deveria ter ainda muito frescos os terríveis acontecimentos que o nazismo desencadeou, há pouco mais de 60 anos. Os horrores do holocausto nazi deveriam ter vacinado os europeus contra anti-semitismos e xenofobias de todo o tipo. No entanto, aquilo a que se assiste é a um despudorado negacionismo, à tentativa absurda de reinventar a História, como se o nazismo nunca tivesse existido.
Algumas vozes bem-pensantes tentam desdramatizar o actual surto racista, atribuindo-o apenas a jovens skins exibicionistas ou a ultra-nacionalistas boçais. Porém, deixam na sombra o neo-nazismo na Alemanha e na Áustria, o neo-fascismo na Itália e o fenómeno Le Pen em França, a pátria da «liberté, egalité et fraternité», a terra de Voltaire e da tolerância. É preocupante constatar que quase um quarto dos Franceses vota num homem que considera o holocausto um fait-divers sem importância histórica, ao mesmo tempo que acirra os ânimos contra todos os estrangeiros, sobretudo os das «raças» africanas. Tudo isto sem falar do inenarrável presidente do Irão.
E, no entanto, quantos «nativos» europeus podem garantir qual é a sua «raça»? Aliás, o próprio conceito é hoje recusado pela moderna antropologia. Basta lembrarmos que toda a humanidade descende de seres que, há apenas duzentos mil anos, tiveram o seu berço na África. Mesmo sem irmos tão longe, basta termos presente a contínua miscigenação a que as sucessivas migrações submeteram a população europeia. Somos todos mais ou menos descendentes de celtas, teutões, etruscos, latinos, judeus, godos, hunos, germanos, árabes, berberes, negros, etc.
Veja-se o nosso caso particular: a partir do século XV foram trazidos para Portugal muitos milhares de escravos africanos. Em 1551, só na cidade de Lisboa existiam dez mil escravos negros. Onde estão agora? Completamente disseminados na população. Os seus descendentes podemos ser qualquer de nós: eu, o leitor, o seu vizinho ou o skinhead arrogante que espanca um caboverdiano indefeso.
E que tem tudo isto a ver com o título desta prosa? Regressemos ao fio da meada: o leitor sabia que o marquês de Pombal era descendente de um clérigo e de uma escrava negra? Exactamente. Sebastião José de Carvalho e Melo, conde de Oeiras e marquês de Pombal, ministro omnipotente de el-rei D. José!
Ora aqui temos algo que podia calar o mais aguerrido dos aprendizes de racista da nossa praça: Portugal foi governado, durante 27 anos, pelo descendente de uma escrava negra! E ninguém se atreve a negar-lhe inteligência, clarividência, cultura. Foi uma personalidade enérgica, um espírito determinado, um homem empreendedor, cuja marca sobre o nosso percurso colectivo é ainda hoje bem visível, embora polémica. Um homem que submeteu a nobreza do mais puro e ancestral «sangue azul», eliminou todas as resistências eclesiásticas ao despotismo iluminado e promoveu a ascensão da burguesia mercantil, industrial e financeira. A personalidade de Pombal foi tão vigorosa e dominadora que o povo lhe chamava «o Carvalhão» (daí o nome do Arco do Carvalhão, em Lisboa, numa zona situada em antigas terras do Marquês).
Em 1761, Pombal proibiu o tráfico esclavagista na metrópole e declarou todos os escravos existentes em Portugal livres e forros. Se algum destes libertos conhecesse a ascendência do grande ministro teria por certo abençoado o ventre da escrava que gerara o antepassado de Sebastião José de Carvalho e Melo.
Quando falamos de racismo e de racistas, convém não esquecer que Hitler teve uma bisavó judia. E, quem sabe, talvez o senhor Le Pen tenha tido uma tetravó argelina! A moderna biologia pode hoje traçar com toda a facilidade o percurso retrospectivo dos nossos genes e até provar com segurança que o mais empedernido e dogmático dos skins é afinal descendente de Gengis Cão!
«Na Raia da Memória», opinião de Adérito Tavares
ad.tavares@netcabo.pt
RODRIGUES – A MAIOR FAMÍLIA SABUGALENSE – Tal como para os Henriques, podemos estabelecer dois períodos para os Rodrigues. O primeiro, entre 1544 e 1704, em que os réus naturais do Sabugal acabariam presos fora do concelho de nascimento. E o segundo, entre 1704 e 1752, em que os réus presos no Sabugal nasceram sobretudo noutros concelhos, mas alguns deles já haviam nascido no concelho, o que revela algum regresso dos Rodrigues ao Sabugal.
Com efeito, entre 1544 e 1704, os Rodrigues nascidos fora do Sabugal foram presos em Pinhel (3), Penamacor (2), Almeida (1), Guarda (1). Entre 1704 e 1752, os Rodrigues naturais do Sabugal foram presos no próprio concelho (6), na Guarda (7), na Covilhã (2), em Viseu (2), no Rio de Janeiro (1), em Seia (1), no Fundão (1), em Miranda (1), em Beja (1), em Lisboa (1), em Tavira (1), em Valladolid (1), na Galiza (1).

No primeiro período (até início do século XVIII), as prisões dos descendentes do Sabugal ocorreram apenas em concelhos das Beiras, mas nenhum deles foi preso no próprio Sabugal. Já na primeira a metade do século XVIII, a maioria dos Rodrigues nascidos fora do Sabugal acabariam presos nas Beiras, particularmente na Guarda e no próprio Sabugal. Confirma-se, como para os Henriques, o regresso dos judeus de apelido Rodrigues ao Sabugal.
| CONCELHOS BEIRÕES DAS PRISÕES DOS RODRIGUES | |
| MAPA 1 – ENTRE 1544 E 1704 | MAPA 2 – ENTRE 1704 E 1752 |
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Também aqui se verifica que as Beiras são o local predilecto de acolhimento dos Rodrigues. Os mapas permitem observar a importância dos (actuais) concelhos das Beiras para aquelas famílias, do mesmo modo que para os Henriques, como vimos na crónica anterior. Em conclusão, os réus da Inquisição portadores dos apelidos Rodrigues e Henriques não se afastaram das Beiras.
Já tínhamos visto que o cruzamento mais frequente dos Henriques tinha sido com os Rodrigues. Para além daqueles, os Rodrigues, tal como os Henriques, misturaram-se em segundo lugar com as famílias de apelido Nunes (9), seguidos dos Lopes (6), Vaz (3), Álvares, Mendes, Dias e vários outros, episodicamente. Confirma-se, portanto, que não só as famílias Rodrigues, Henriques e Nunes são as mais numerosas entre os réus sabugalenses, como se cruzaram entre elas ao longo dos séculos, criando uma grande família judaica de criptojudeus do Sabugal.
Também foi possível traçar uma genealogia provisória de um dos ramos da família Rodrigues, como se pode constatar abaixo.
| GRÁFICO – GENEALOGIA PROVISÓRIA DE UM RAMO DOS RODRIGUES |
| Nota: Entre parêntesis os anos das prisões e as idades nessas datas |
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«Na Rota dos Judeus do Sabugal», opinião de Jorge Martins
martinscjorge@gmail.com
A notícia de um novo centro de reprodução de lince em cativeiro que está a ser construído no nordeste da Extremadura espanhola, leva-nos a retomar o tema da crónica do início do ano, «Que 2010 nos traga o Lince». Esta nova estrutura está quase pronta em Zarza de Granadilla, junto à barragem de Gabriel y Galan, prevendo-se a sua conclusão antes do Verão. Os linces irão de Doñana, tal como os que foram para Silves, mas só depois de adquirido equipamento e contratado pessoal para que o centro possa funcionar, o que se prevê para o final de 2011.
Se tudo correr bem, o centro disporá de Linces para libertar lá para 2014, 2015, e visto serem a Sierra de Gata e as Hurdes tradicionalmente território do felino, poderão ser escolhidas para a reintrodução, vindo a reforçar a população da Serra da Malcata.
Entretanto, quer em Portugal quer em Espanha, os técnicos estudam a espécie, os seus competidores e as suas presas. O ICNB prepara planos de acção onde se inclui o diagnóstico das doenças susceptíveis de transmissão ao lince. É que ao contrário do que se pode pensar, a suposta vida saudável dos animais, em absoluta liberdade, não os isenta de patologias e viroses.
Um dos linces que mais contribuiu para a criação em cativeiro morreu no passado dia 1 de Fevereiro na Sierra Morena, com dez anos de idade, acometido de insuficiência renal crónica. Entre 2005 e 2008 Garfio – assim se chamava o felino – foi pai de onze crias. Dizem os técnicos que dos 72 animais do programa de criação, 25 sofrem do mesmo mal, o que motivou os especialistas da nefrologia espanhola e internacional a procurar um tratamento eficaz para a insuficiência renal do gato mais ameaçado do mundo.
Duas biólogas espanholas, da Estación Biológica de Doñana, estiveram esta semana entre nós para recolherem amostras de lince com vista ao estudo genético das suas populações. Duas peles em Meimoa e Meimão, um lince embalsamado no Museu de Penamacor e outro no Porto oriundo também de Penamacor, foram para já os espécimes objecto da recolha.
Outros linces embalsamados e peles haverá certamente na nossa região e na região vizinha espanhola que possam contribuir com amostras de tecido (geralmente um pedaço de unha) para alargamento da base de recolha. Quanto mais indivíduos forem estudados maior fiabilidade terá o estudo. Aqui deixamos o apelo a quem possuir material biológico, ou saiba da sua existência para que informe o Capeia Arraiana que assim também contribui para a preservação do Gato Real. Recorda-se que foi a evolução dos estudos de biologia que permitiram o sucesso recente da criação em cativeiro, coisa quase impossível anos atrás.
Estas notícias contrastam com a falta delas na Malcata, onde o ICNB, não possui sequer um biólogo que prepare o terreno, para que na hora de libertar animais existam as melhores condições, que estude as populações de coelho e os competidores, que promova a reintrodução de presas.
Esta carência deixa-nos deveras preocupados. Sabemos das dificuldades financeiras do ICNB e que os próximos anos não prometem melhoras nessa matéria, mas também sabemos que o Lince é assunto prioritário da conservação da natureza em Portugal. Gostaríamos pois que o ICNB assumisse as suas responsabilidades na Malcata, dotando-a de técnicos capazes de levar por diante as tarefas que se impõem. Se isso acontecer estará cumprido o voto formulado, para este ano, no anterior artigo.
As duas autarquias envolvidas estão dispostas a ajudar. Não é altura de cruzar os braços.
A Malcata possui a maior área natural, sem população humana, a maior área do Estado, que somada à da Portucel e à de dois ou três latifúndios, dão a esta serra as melhores condições de gestão. Fizeram-se nela investimentos de monta, na instalação de marouços, pastagens e cercados, e em estudos da flora e dos habitats em geral. Ao contrário de outras zonas potenciais de reintrodução de Lince, a Malcata quase não tem zonas de caça, reduzindo ao mínimo o conflito e os factores de risco. Além disso, o último exemplar capturado em Portugal foi na Malcata em 1992.
O maior problema poderá ser a reduzida população de coelhos, mas já vão aparecendo outras presas como o corso, o esquilo e o muflão. De resto ainda vamos a tempo de reintroduzir coelhos, presa preferida do Lince.
Que 2010 nos traga o Lince!
«Terras do Lince», opinião de António Cabanas
kabanasa@sapo.pt
No tempo das invasões, em que a maior parte das perdas militares do lado francês resultou das revoltas e acções de retaliação do povo confrangido e humilhado, dá-se uma aventura de luta abnegada em favor da libertação do solo pátrio, onde a par dos actos de heroicidade, próprios da guerra, se desenrolam histórias de paixão amorosa.
José Marques Vidal, juiz conselheiro do Supremo Tribunal Administrativo, revelou-se agora como romancista, depois de uma vida inteira embrenhado no estudo e na publicação de textos de carácter jurídico. Deu à estampa o livro «O Amor em Armas», editado pela Oficina do Livro, o qual tem por cenário as vastas terras beiroas, de Celorico da Beira ao Caramulo, e as terras, ora pedregosas ora úberes, entre os rios Águeda, Marnel e Vouga.
João do Préstimo, militar experimentado que marchava para França integrado na Legião Portuguesa, comandada pelo Marquês de Alorna, decidiu desertar quando a caravana passou em Porto da Carne e se preparava para subir para a Guarda. Na fuga acabou por socorrer uma jovem, que era órfã e vivia só, quando dois facínoras se preparavam para dela abusarem. A moça acabaria por o acompanhar no seu retorno à terra natal, nas margens do rio Vouga, e dali nasceu uma paixão que deu frutos.
Pelo caminho receberam prestáveis ajudas, como a do lavrador Augusto Frias, de Barrelas, que lhes facultou aboletamento e lhes deu por guias dois criados que os conduziram a local seguro. E foi assim que Margarida e João acabaram a saborear um belo petisco confeccionado com os peixes capturados no Vouga e seus afluentes.
«Diogo e Gabriel, os criados do Frias, montados em éguas e de reiuna a tiracolo, deixaram-nos na taberna da Vesga, assim nomeada por fazer honra à dona de olhos enviesados, afamada por nela se comerem as melhores trutas do rio, situava-se ao lado da povoação de Vouguinha e já perto da ponte.
Banquetearam-se com trutas de escabeche, pintalgadas de ouro sobre a pele de cor cinza-clara e apaladadas pelo azeite, vinagre e cebola que lhe faziam o sabor de três estalos, na ideia de poupar as viandas com que o Frias lhes atafulhara os alforges.»
Contada a aventura de João do Préstimo o romance revela um novo herói: o jovem Daniel Pinto, filho de lavrador abastado, estudante de Medicina em Coimbra, que integrou o Batalhão Académico e deu em chefe de uma guerrilha que dava combate aos franceses.
Por entre a descrição das movimentações dos guerrilheiros e da soldadesca e os enredos amorosos, o livro conduz-nos sempre aos petiscos que se saboreavam à mesa, com maior ou menor denodo. Disso é exemplo a descrição do jantar servido ao general Franceschy, do exército de Napoleão, pelos frades franciscanos: «Uma malga de caldo, feito com os produtos da horta do convento, e uns roubacos fritos, pescados nas águas turvas do rio, acompanhados por um palhete da pequena vinha da cerca guardado para as ocasiões solenes».
Noutro ponto refere-se a visita fugaz de Daniel Pinto à Vila de Vouga, a casa do administrador Fontes, apanhado «a comer o mata-bicho, uma fritada de ovos com presunto, a quem se juntou por obséquio na pitança».
Também se revela o belo petisco degustado sofregamente por dois frades, os irmãos António e Bernardo, sendo o primeiro a contar a façanha: «arrastei-o até Vouga, à tasca do Miranda, onde tinha mandado preparar um coelhinho à caçador, já com batatinhas novas e aloiradas por cebola quanto abonde na caçarola de barro. Passámo-lo ao estreito em três tempos, a fazê-lo escorregar com um palhete de estalo que o vendeiro guarda para os amigos de palato apurado».
O tempo era de guerra e de fortes privações, mas, ainda assim, por entre as adversidades dos combates e os saques violentos dos invasores, tratava-se do estômago.
«Sabores Literários», crónica de Paulo Leitão Batista
leitaobatista@gmail.com
A comunicação social tem vindo nos últimos dias a dar relevo a uma proposta subscrita por três vice-presidentes da bancada do partido Socialista (Jorge Strecht Ribeiro, Afonso Candal e Mota Andrade) relativa ao levantamento parcial do sigilo fiscal, permitindo o acesso público aos rendimentos brutos dos contribuintes, através da sua disponibilização na internet. Esta proposta dizem os seus autores seria um contributo no combate à corrupção.
As reacções não se fizeram esperar e desde o líder da bancada parlamentar socialista – Francisco Assis –, que diz que enquanto for líder da bancada esta proposta não será viabilizada, até a líderes de partidos políticos ou a figuras de relevo na opinião cá da terra.
O Bloco de Esquerda pela voz de Francisco Louça vem dizer que esta ideia é uma «coscuvilhice fiscal», Paulo Portas considera-a como um «striptease fiscal», Bagão Félix considera «pura e simplesmente voyeurismo».
Eu por mim diria que a Transparência é um dos princípios basilar da democracia e defendo, não somente por uma questão de combate á corrupção, mas por princípio democrático o fim do sigilo fiscal como igualmente defendo o fim do sigilo bancário.
É óbvio e normal que a transparência possa levar ao voyeurismo à coscuvilhice ou mesmo ao stripe fiscal. Mas, também é verdade que todos, a não ser os doentes patológicos, e esses encontrarão maneiras de alimentar o seu desejo, nos fartamos de coscuvilhar. Aliás a este propósito podemos relembrar que quando foi instituído o Portal dos Ajustes Directos na Administração Pública, muitas notícias circularam sobre quem compra o quê e por quanto. Hoje os coscuvilheiros esqueceram que existe o Portal, ou simplesmente as notícias já não vendem a não ser que o facto seja verdadeiramente escandaloso.
A «exposição» do rendimento dos contribuintes é de há muito uma prática nos países escandinavos. A este propósito dizer aqui que tive uma vez uma conversa com uma economista sueca que me dizia que a declaração de rendimento das famílias é fixada á porta de casa, pelas próprias famílias, como forma de demonstrarem serem bons cidadãos e bons contribuintes. Dizendo ela que havendo discrepância entre sinais exterior de riqueza e a declaração de rendimentos são os vizinhos que desempenham o papel de fiscais das finanças na chamada de atenção não às finanças mas aos vizinhos. Outras gentes, outras mentalidades outras forma de ser voyeurista, coscuvilheiro ou strip fiscal. Nós portugueses provavelmente beberíamos uma cerveja como esse vizinho para nos ensinar a fazer e a preencher a declaração de rendimentos.
Tornar acessível a qualquer cidadão os rendimentos brutos – e o projecto não defende que se tenha acesso nem aos abatimentos nem deduções, nem consequentemente ao imposto pago, talvez facilmente percebamos os gastos (custos) que muitos empresários imputam às empresas relativos a férias e carros que eles e a família têm e fosse possível compreender como certas personalidades com imensos sinais exteriores de riqueza apresentam declarações de rendimentos equivalentes ao rendimento mínimo nacional, aqui sim trabalhos jornalísticos a coscuvilharem ou a investigarem, dizem os jornais, as declamações que são confidenciais.
Não me interessa neste momento analisar as divergências políticas existentes, e que se começam a sentir, no partido socialista. Interessa-me realçar que concordo com os princípios subjacentes ao projecto mas, que sabemos desde já, não irá passar de uma boa intenção. Contudo, a comissão contra a corrupção constituída na Assembleia da República irá continuar a trabalhar. E eu pergunto: e o combate à corrupção meus senhores como se faz? Intenções? E as medidas… essas parece que, por vontade de alguns políticos, continuam na gaveta.
«Largo de Alcanizes», opinião de José Manuel Monteiro
jose.m.monteiro@netcabo.pt
Em 1995 Nelson Mandela, recentemente eleito presidente da África do Sul, resolveu aproveitar a realização do mundial de rugby no país para aproximar as populações branca e negra, num período conturbado pós-apartheid. O episódio é recuperado por Clint Eastwood em «Invictus».
Uma vez mais o realizador norte-americano mostra porque é um dos grandes mestres do cinema actual, pois nos últimos anos tem-nos habituado a grandes fitas. «Invictus» não é excepção, apesar de não ser uma das melhores obras de Clint Eastwood. Para contar este epsiódio foram convocados Morgan Freeman, para interpretar o presidente Nelson Mandela e Matt Damon, que interpreta o capitão da selecção de rugby sul-africana da altura François Pienaar, que tinha uma equipa cujos resultados não eram os melhores e o seu fim esteve à beira de acontecer. Mas a vontade de Mandela foi mais forte e conseguiu incentivar o capitão da selecção a liderar os seus homens às vitórias, que culminaram na conquista do torneio, quando muitos consideravam a passagem aos quartos de final uma possibilidade irrisória.
Paralelamente à história desportiva, «Invictus» conta a relação de amizade entre estes dois homens e a união de um país que tinha saído recentemente de um regime racista, o apartheid. Curiosamente a união do povo é representada através de um desporto para brancos – apenas um negro ingressava na selecção sul-africana na altura e era o mais popular – que anteriormente era mal visto. Tal fica vincado no primeiro jogo que Nelson Mandela assiste, contra Inglaterra, quando o presidente é vaiado e os adeptos negros torcem pelos ingleses.
Outra das imagens que mostra o clima tenso entre as duas raças surge junto dos seguranças. Quando Mandela obriga os seus guarda-costas a aceitarem os agentes do seu antecessor, todos trocam olhares desconfiados. Mas durante a final histórica este clima altera-se e todos acabam a festejar.
Para a história do cinema fica mais uma boa obra assinada por Clint Eastwood, num registo um pouco diferente do que tem sido habitual, daí não ter chegado aos dez finalistas para os Óscares deste ano. Mas a presença dos dois actores entre os nomeados é justa. Na minha opinião, apenas a de Matt Damon é um pouco forçada, pois teria sido mais justo ser reconhecido pela sua prestação em «O Delator». Mas isso são outras histórias.
«Série B», opinião de Pedro Miguel Fernandes
pedrompfernandes@sapo.pt
O Presidente da República, Cavaco Silva, é recebido esta quinta-feira, 4 de Fevereiro, na Câmara Municipal de Penamacor. A passagem pelo distrito de Castelo Branco é inserida no Roteiro das Comunidades Locais Inovadoras e inclui ainda diversas visitas no próximo sábado.
Para esta quinta-feira, 4 de Fevereiro, está marcada para as 17 horas uma visita ao concelho de Penamacor, sendo recebido em sessão solene de boas-vindas, no Salão Nobre da Câmara Municipal, onde proferirá uma intervenção, inaugurando de seguida a Via Estruturante Sul à Vila de Penamacor que passa a designar-se Avenida da República.
O primeiro dia da visita presidencial tem início às 9.30 horas no Parque Industrial de Castelo Branco com a inauguração do Centro de Apoio Tecnológico Agro-alimentar seguido de uma visita à empresa Danone. A comitiva segue para Alcains onde, às 11.30, será a vez de conhecer a Fábrica Lusitana. Em Alpedrinha, perto do Fundão, visita à empresa BeiraBraga e no Parque Industrial do Fundão à empresa Damar. Para as 17 horas está marcada a visita à Fábrica Paulo de Oliveira em Boidobra na Covilhã e hora e meia mais tarde será o momento para a inauguração do H2otel Termal em Unhais da Serra. O primeiro dia do «Roteiro» termina com uma visita ao Centro Interpretativo À Descoberta do Novo Mundo no Museu dos Descobrimentos em Belmonte marcado para as 21.30 horas.
A segunda jornada está marcada para o dia 6, sábado, com a visita às 9 horas ao Centro de Interpretação do Parque Natural do Tejo Internacional em Castelo Branco. De seguida o Presidente rumará a Idanha-a-Nova para visitar a Unidade de Cuidados Continuados do Hospital Aprígio Meireles da Santa Casa da Misericórdia e meia-hora mais tarde será recebido na Cooperativa de Produtores de Queijo da Beira Baixa na Zona Industrial local.
Às 11.30 horas a comitiva visita o Centro de Interpretação da Rota dos Fósseis no Geopark Naturtejo em Penha Garcia.
O programa inclui às 13.30 horas uma visita à Aldeia de Janeiro de Cima, na Aldeia do Xisto no Fundão e às 15.30 a visita à Empresa Pinorval em Orvalhos no concelho de Oleiros.
A tarde de sábado inclui ainda às 16.30 horas a visita à Central Termoeléctrica a Biomassa Florestal (Palser) na Sertã e às 17.30 a visita ao Centro de Ciência Viva da Floresta em Proença-a-Nova.
O Roteiro das Comunidades Locais Inovadoras do Presidente da República por terras de Castelo Branco termina às 19.30 horas com a cerimónia de encerramento e reconhecimento do mérito dos agentes inovadores na sala Amato Lusitano, no Hotel Colina do Castelo em Castelo Branco.
jcl
O conhecimento da realidade de um território é a base essencial para a definição de uma estratégia de desenvolvimento do mesmo.
POPULAÇÃO – Continuo hoje a apresentação de alguns indicadores estatísticos, conforme constam do Anuário Estatístico da Região Centro – 2008, publicado pelo Instituto Nacional de Estatística em Janeiro de 2010.
Os quadros que a seguir apresento permitem perceber as dinâmicas demográficas verificadas recentemente e retirar as seguintes conclusões:
1. A ocupação do território do Concelho é muito baixa (16,1 habitantes por quilómetro quadrado, contra 16,5 em 2007), somente ultrapassado pelos Concelhos de Figueira de Castelo Rodrigo e de Almeida.
2. A taxa de crescimento efectivo (variação populacional por 100 habitantes) foi durante 2008 negativa (-2%, para -1,7 em 2007), dupla da taxa verificada na Beira Interior Norte e apenas ultrapassada por Almeida. Esta dinâmica negativa revela-se igualmente na taxa de crescimento natural (saldo natural observado durante o ano por 100 habitantes), de -1.97%, (-1,89 em 2007), o valor mais negativo da BIN
3. Os outros índices demográficos são infelizmente de igual sinal. Assim, temos:
– uma Taxa Bruta de Natalidade (número de nados vivos por 1 000 hab.) de apenas 4,5 (3,3 no ano anterior), só ultrapassado por Almeida, e que se traduziu no nascimento de apenas 60 crianças em 2008;
– uma Taxa Bruta de Mortalidade (número de óbitos observado por 1.000 hab.) de 24,2, a maior da BIN e muito superior à taxa regional de 14,9 (22,2 em 2008). Neste ano morreram no Concelho 324 pessoas;
– uma Taxa Bruta de Nupcialidade (nº de casamentos por 1.000 hab.) de 1,8 (2,1 em 2008), a menor da BIN (3,4), tendo-se realizado durante o ano 24 casamentos num total de 378 no conjunto destes Concelhos;
– uma Taxa de Fecundidade Geral (número de nados vivos referido por 1 000 mulheres em idade fértil), de 23,4 (17,4 no ano anterior), inferir à média regional (29,8), superior apenas à taxa registada em Almeida e Manteigas.
4. Por último importa salientar ainda o Índice de Envelhecimento (relação entre a população idosa (65 anos ou mais) e a população jovem (inferior a 15 anos) que atinge o valor muito elevado de 423,4 (igual ao ano anterior), quase o dobro da média da BIN (217,0), sendo de salientar que o Concelho de Almeida (o segundo pior) tem um índice de 320,3.
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos
rmlmatos@gmail.com
Com o objectivo de reduzir a colónia de raposas que tem vindo a causar grandes prejuízos aos agricultores dos limites de Ruivós, Ruvina e Vale das Éguas foi organizada uma batida para o próximo domingo, 7 de Fevereiro. A organização está a cargo da Câmara Municipal do Sabugal com o apoio da Associação dos Amigos de Ruivós e conta com o apoio do Centro Social e Cultural da Ruvina e a Associação dos Amigos de Vale das Éguas. As inscrições dos caçadores interessados em participar na caçada devem ser feitas para o telemóvel 967 571 165.
Em Portugal, o dia da «raça» era a 10 de Junho, dia de Camões, enquanto em Espanha era a 12 de Outubro, dia em que Colombo descobriu a América. Isto resume a diferença de identidade entre os dois países. Têm histórias paralelas (reconquista e descobrimentos), mas nunca concordantes. Como escreveu Eugénio Pontes «Portugal e Espanha são noções paralelas e as paralelas só se encontram no infinito».
Uma coisa é a cooperação transfronteiriça, outra a integração cultural, ou política, que são impossíveis, quando a própria Espanha, maugrado o poder centrípeto de Castela, não conseguiu sequer extinguir o carácter das nacionalidades Galega, Catalã e Basca. A nação Espanhola nem sequer existe!
Como dizia Mendez Pelayo, «um povo novo pode improvisar tudo, até a cultura intelectual. Um povo velho não pode renunciar à sua sem extinguir a parte mais nobre da sua vida e cair numa segunda infância muito próxima da imbecilidade senil».
Neste sentido era mais fácil a Galiza integrar-se em Portugal com o qual tem afinidades culturais, históricas e linguísticas, do que Portugal unir-se com a Espanha.
É certo que o Iberismo de que agora se fala já não é o primário da «Castela Una» de Filipe II, do Conde Duque de Olivares, ou de Franco, mas ainda é o intelectual e romântico de Gasset, Unamuno, Pascoais, Junqueiro e Oliveira Martins, que embora sendo espiritual, ainda vê Castela como referência geográfica da alma da consciência ibérica (leia-se a este propósito, Espanha Invertebrada de Ortega Y Gasset).
É certo que personalidades portuguesas como Antero de Quental, Fernando Pessoa, Ana de Castro Osório, Latino Coelho, Sampaio Bruno, Teófilo Braga, e mais recentemente Miguel Torga, Fernando Lopes-Graça, António Lobo Antunes, Eduardo Lourenço, José Saramago, manifestaram simpatia pela união ibérica. E em Espanha, o filósofo e poeta madrileno OrtegaY Gasset, o filósofo Basco Miguel de Unamuno, o poeta e filósofo catalão Joan Maragall, o lusófilo Ignasi Ribera i Rovira e Francesc Pi i Margall, presidente da Primeira República Espanhola, em 1873 defenderam a união ibérica.
Unamuno, Ribera i Rovira, Maragall e Antero viam essa união a três – Catalunha, Castela e Portugal, esquecendo o País basco e a Galiza.
Fernando Pessoa chegou a delinear uma confederação de nações ibéricas em que a Galiza embora autónoma de Castela se integraria em Portugal; Teófilo Braga planificou as bases de uma Federação Ibérica, dentro da qual a Espanha teria de aceitar ser uma República e dividir-se em estados autónomos aos quais Portugal se juntaria. Lisboa seria a capital dessa Federação Ibérica. Coisa que nem Felipe II, tendo oportunidade histórica, fez.
O sistema político geralmente aceite era o de uma Federação de estados autónomos, com centros de decisão comuns – a política externa, por exemplo.
Na década de sessenta do século passado, o escritor catalão Agustì Calvet i Pasqual, defendia que «poucas vezes a insensatez humana terá estabelecido uma divisão mais falsa» (do que a das fronteiras peninsulares) «nem a geografia, nem a etnografia nem a economia justificam esta brutal mutilação de um território único».
A língua, o saudosismo, a indolência, são características psicossomáticas próprias da alma portuguesa. Falsa seria a união; não a divisão que existe.
Mais recentemente ainda, o escritor espanhol Arturo Pérez-Reverte, defendeu a existência de uma Ibéria, um país único, porque, na sua opinião, é «um absurdo» que Portugal e Espanha vivam «tão desconhecidos um do outro», devendo a Espanha a absorver Portugal.
Em entrevista concedida ao Diário de Notícias em Julho de 2007, José Saramago defendia a união dos dois países numa Ibéria: «Não vale a pena armar-me em profeta, mas acho que acabaremos por integrar-nos.»
O Iberismo Espanhol tem a mesma força centrípeta e castradora que Castela vem exercendo desde o século XIII, absorvendo e aniquilando paulatinamente as várias nacionalidades do território Espanhol. Continua expansionista, como no século XVI e XVII e é fruto do romanismo e das tentações de grandeza de vários intelectuais, quer de um lado, quer do outro da fronteira.
Os exemplos da Galiza, da Catalunha e do País Basco são reveladores, porque ainda são nações submetidas e aculturadas, lutando pela afirmação das respectivas autonomias face à hegemonia de Castela.
Tudo aquilo que nós, os Portugueses que amam o seu país, não queremos que nos aconteça.
Este Iberismo é por isso contrário à ideia de Portugal.
Gosto de Espanha. Gosto mais ainda das espanholas; mas nunca me passaria pela cabeça ser espanhol!
Confraternizemos, sejamos bons vizinhos, cooperemos sem preconceito em tudo o que for do interesse comum; mas que cada um com a sua casa.
Arriba Espanha! Portugal sempre!
«Arroz com Todos», opinião de João Valente
joaovalenteadvogado@gmail.com
«Imagem da Semana» do Capeia Arraiana. Envie-nos a sua escolha para a caixa de correio electrónico: capeiaarraiana@gmail.com
Data: Finais do Século XIX.
Local: Sabugal.
Autoria: Emílio Biel.
Legenda: Vista do Sabugal no final do século XIX, feita por um dos grandes pioneiros da fotografia em Portugal, Emílio Biel, integrada numa preciosa colecção a que ele chamou «A Arte e a Natureza em Portugal». Emílio Biel é o nome aportuguesado de Carl Emil Biel, de origem alemã, que se fixou no Porto em 1860 e aí morreu em 1915. Para além da referida colecção, editou cerca de 500 bilhetes postais com vistas de todo o país. A fotografia do Sabugal mostra a ponte dionisina, o castelo e a pequena capela do Senhor dos Aflitos, tal como seria no tempo em que Nuno de Montemor aí coloca Maria Mim em oração.
Adérito Tavares
A Câmara Municipal de Penamacor anunciou o início da recolha de óleos olimentares usados, à semelhança do que acontece com as embalagens, cartão, vidro e pilhas.
O serviço de recolha de óleos alimentares usados resulta de um acordo a ser assinado entre a autarquia e a empresa Biosys numa parceria com a duração prevista de cinco anos.
A recolha de óleos usados vai ser efectuada em cerca de duas dezenas de recipientes instalados junto aos ecopontos existentes nas 12 freguesias do concelho.
António Cabanas, vice-presidente da autarquia, disse à agência Lusa que «o grosso do investimento será feito pela empresa de reciclagem dos óleos».
O projecto inclui uma componente de educação ambiental patrocinada pela Biosy nas escolas e junto da população em geral.
O despejo dos óleos alimentares usados no esgoto doméstico é responsável por prejuízos na rede e nas estações de tratamento de águas residuais.
A Câmara Municipal de Penamacor está, entretanto, a estudar a adesão ao sistema de recolha porta a porta de resíduos para reciclagem.
jcl
Os colaboradores deste Blogue, Adérito Tavares e António Cabanas, lançaram-nos como que um repto: as relações entre nós portugueses e esses vizinhos tantas vezes ignorados, que são os espanhóis. Como quase todos os que escrevemos no Capeia Arraiana, somos gente da Raia, porque não aceitá-lo?
O nosso encaixe físico, esta vizinhança, faz com que tenhamos sempre os olhos postos uns nos outros. Assim foi ao longo da história. Neste post, não irei falar sobre batalhas ganhas e batalhas perdidas, nem tão pouco em nacionalismos serôdios. Falarei nos períodos de amuos e boas relações entre os dois povos.
O Iberismo é uma tendência política, espanhola, de integrar Portugal num todo ibérico. Esse Iberismo é conseguido no reinado de Filipe II . Alguns historiadores afirmam, que até essa data, Portugal se integrava sem muitos e grandes problemas numa Espanha medieval, renascentista e barroca. Era uma «pequena Espanha», mas com o surgir de novos pensamentos e correntes políticas, como o centralismo do poder, essa situação foi radicalmente posta de parte pelos portugueses a partir de 1640.
Depois desta data, cada um seguiu caminhos separados, o que deu origem a uma secular história de antagonismos. Portugal vive então de costas voltadas para Espanha, sendo assim a melhor maneira de defender a sua independência.
Só no século XIX, Portugal e Espanha têm uma postura diferente. Surge então uma espécie de Iberismo, mas este de carácter positivo, fruto das Invasões Francesas e da Guerra Peninsular. Ambas contribuíram para uma revolução ideológica, que foi o Liberalismo. Mas depressa este Iberismo deu lugar a um novo voltar de costas, fracasso da Primeira República Espanhola e proclamação da República Portuguesa. Nessa altura, em Portugal, era considerado anti-patriotismo e traição, falar em Iberismo.
Revolução de 28 de Maio de 1926, a partir daí, com toda uma séria de peripécias entre Salazar e Franco, durante a Guerra Civil Espanhola, em que Salazar apoia Franco, porque deseja uma convergência de regimes, e abomina a República, vendo nesta, ou seja, na vitória dela, o aparecimento de um Iberismo Revolucionário que levaria à queda do seu regime, o Estado Novo. Mas não esqueçamos que franco, e a Falange, sempre mantiveram, muito secretamente, uma vontade de anexar Portugal.
Vem depois a Segunda Guerra Mundial, Franco apoia os países do Eixo, chega a encontrar-se com Hitler, deseja participar na guerra. Salazar tudo faz para o dissuadir, sabe que isso traria uma invasão do território nacional pelos exércitos de Espanha e da Alemanha. Vários condicionalismos, entre eles – Hitler não aceitar uma série de condições de Franco – fazem com que a Espanha se mantenha fora da guerra.
Seguem-se anos de silêncio e calma, não há problemas. A Espanha, pela mão de alguns tecnocratas católicos da Opus Dei, entra numa liberalização económica, a partir dos anos sessenta. Liberalização económica, não política, a ideologia (ditadura) sempre esteve nas mãos de Franco. Portugal mantém-se inalterável, tanto política como economicamente. O que faziam os povos da fronteira, o que fazíamos nós, raianos, por estes lados? Contrabando, fazer compras nas povoações espanholas de fronteira, sempre com receio às autoridades, casamentos entre espanholas e portugueses, e vice-versa, idas e vindas entre caminhos e veredas, havia portugueses que tinham pequenas terras agrícolas em Espanha. As populações davam-se bem, apesar dos nacionalismos e proteccionismos dos seus governantes.
Revolução de 25 de Abril de 1974 em Portugal, começa a evolução para a democracia em Espanha (A Transição) . Franco ainda pensa em invadir Portugal, caso o Partido Comunista Português se instale no governo. Começa uma mudança ideológica que se reflectiu em todos os sectores.
Em 1981 há uma tentativa de golpe de estado em Espanha, feito pelos militares saudosistas do Franquismo. A concretizar-se, seria mais um período de tensão entre os dois países e muitos democratas espanhóis se refugiariam em Portugal. Falei com um, que andou pela serra á procura de caminhos que o trouxessem a Portugal, não só a ele, mas a muitos outros que tinham contactado com ele. As fronteiras entre os dois países fechariam, e as perseguições políticas começariam.
Vem 1986, entrada conjunta de Portugal e Espanha na União Europeia, então CEE.
Chegou-se ao fim da história nas relações entre os dois países? Ainda não. A história caminha para diante sem deixar para atrás o passado. Vivemos presentemente num Iberismo positivo, isto não quer dizer que um dia volte um Iberismo negativo.
Num dos artigos que escrevi para este Blogue, intitulado «Que Federação Ibérica?», disse que houve, e há, autarcas do Concelho que fizeram e fazem um grande esforço no intuito de uma aproximação cultural e económica com as populações do outro lado da fronteira. A história concelhia lembrar-se-á deles com fomentadores de um Iberismo são, e talvez precursores de uma Confederação Ibérica de Nacionalidades. São símbolos de paz e progresso.
Uma pequena história para terminar:
Quando Franco entra em Madrid, e se proclama vencedor da Guerra Civil, num clube, aqui na então Vila do Sabugal, estava toda a gente com atenção ao rádio que transmitia o acontecimento. Possivelmente o Rádio Clube Português, que durante a guerra transmitia programas de apoio às tropas franquistas. Ouve-se então uma voz clamar bem alto:
- Legionários!!! Isto ouve-se em sentido!!!
Foi o comandante da Legião Portuguesa da Vila que lançou esta ordem para os legionários presentes, tal era o fervor ideológico!
Escusado será dizer que toda a gente se pôs de pé e em sentido, legionários e não legionários, estes últimos com medo, não fosse o diabo tecê-las…
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio
ant.emidio@gmail.com





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