Ao longo dos próximos dias o Capeia Arraiana vai publicar as contratações e ajustes directos da Câmara Municipal do Sabugal entre Janeiro e Novembro de 2012. As regras da contratação pública previstas no Código dos Contratos Públicos aplicam-se a todo o sector público administrativo tradicional: o Estado, as Autarquias Locais, as Regiões Autónomas, os Institutos Públicos, as Fundações Públicas, as Associações Públicas e as Associações de que façam parte uma ou várias pessoas colectivas referidas anteriormente.

Esta segunda-feira e durante os próximos dias vamos publicar as contratações da Câmara Municipal do Sabugal e de outras entidades que, por ajuste directo, envolvam o concelho sabugalense. Neste procedimento a entidade adjudicante convida directamente uma ou várias entidades à sua escolha a apresentar uma proposta.
O Código dos Contratos Públicos (CCP) permite que a entidade adjudicante convide apenas uma única entidade ou empresa e não estabelece qualquer limite máximo de entidades a convidar.
O ajuste direto pode ser usado para a formação dos seguintes contratos:
a) Empreitadas de obras públicas de valor inferior a 150.000 euros;
b) Aquisições de bens e serviços de valor inferior a 75.000 euros;
c) Outros contratos de valor inferior a 100.000 euros.
Pode também recorrer-se ao ajuste directo, para a formação de contratos de qualquer valor, quando se verificarem determinadas razões materiais expressamente identificadas no CCP, entre as quais se contam: os casos de urgência imperiosa, quando só existe um único fornecedor ou prestador, ou ainda quando um anterior concurso tenha ficado deserto.

JANEIRO DE 2012

:: 02-01-2012 ::
Descrição: Aquisição de serviços para verificação de medidores de caudal de abastecimento Siemens Danfoss.
Adjudicante: Águas do Zêzere e Côa, S.A.
Adjudicatário: Siemens, S.A.
Preço Contratual: 24.725,00 €

:: 03-01-2012 ::
Descrição: Prestação de serviços para identificar o sistema de entidades do espaço geográfico em que estamos interessados e transformá-lo num modelo de dados espaciais.
Adjudicante: AMCB – Associação Municípios da Cova da Beira
Adjudicatário: MONITAR-Engenharia do Ambiente, Lda.
Preço Contratual: 18.699,19 €

:: 04-01-2012 ::
Descrição: Concepção, desenvolvimento e implementação do projeto de Gestão de Processos.
Adjudicante: AMCB – Associação Municípios da Cova da Beira
Adjudicatário: ENERAREA
Preço Contratual: 18.200,00 €

:: 04-01-2012 ::
Descrição: Prestação de serviços de apoio técnico na aquisição de informação geográfica customizada.
Adjudicante: AMCB – Associação Municípios da Cova da Beira
Adjudicatário: Metacortex-Consultoria e Modelação, S.A.
Preço Contratual: 16.250,00 €

:: 04-01-2012 ::
Descrição: Criação e implementação de projecto SIG.
Adjudicante: Município do Sabugal
Adjudicatário: Agência Regional Energia e Ambiente do Interior
Preço Contratual: 20.500,00 €

:: 09-01-2012 ::
Descrição: Aluguer de equipamento para demolição de casa em ruína.
Adjudicante: Município do Sabugal
Adjudicatário: Construções do Côa de Almeida e Saloio, Lda.
Preço Contratual: 6.300,00 €

:: 11-01-2012 ::
Descrição: Instalar um sistema de recolha e tratamento de RCD´S provenientes de obras públicas e privadas, incluindo a formação dos Técnicos Municipais e a realização dos Planos Municipais de Tratamento de RCD’s.
Adjudicante: AMCB – Associação Municípios da Cova da Beira
Adjudicatário: CIRVA ACE
Preço Contratual: 74.000,00 €

:: 11-01-2012 ::
Descrição: Licenças de utilização de Ortofotomapas para a área abrangida pela AMCB.
Adjudicante: AMCB – Associação Municípios da Cova da Beira
Adjudicatário: Instituto Geográfico Português
Preço Contratual: 10.364,00 €

:: 11-01-2012 ::
Descrição: Licenças de utilização de informação cartográfica de uso e ocupação do solo em formato vectorial, para a área abrangida pela AMCB.
Adjudicante: AMCB – Associação Municípios da Cova da Beira
Adjudicatário: Instituto Geográfico Português
Preço Contratual: 24.332,74 €

:: 11-01-2012 ::
Descrição: Acção 6 – Estudos Específicos, Sessões de Apresentação e Participação Cívica da Candidatura ao Programa RAMPA.
Adjudicante: Município do Sabugal
Adjudicatário: Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação do Porto
Preço Contratual: 4.000,00 €

:: 11-01-2012 ::
Descrição: Acção 9 – Acções Formação/Sensibilização nas Escolas da Candidatura ao Programa RAMPA.
Adjudicante: Município do Sabugal
Adjudicatário: Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação do Porto
Preço Contratual: 2.000,00 €

:: 12-01-2012 ::
Descrição: Requalificação das margens do Rio Côa, entre a Ponte do Açude e a Praia Fluvial.
Adjudicante: Município do Sabugal
Adjudicatário: Consórcio Edibeiras e R.E.D.
Preço Contratual: 512.994,19 €

:: 16-01-2012 ::
Descrição: Empreitada de remodelação do espaço para instalação do Centro de Estudos Jesué Pinharanda Gomes e execução de dreno e pavimentação na envolvente da Biblioteca Municipal.
Adjudicante: Município do Sabugal
Adjudicatário: António José Saraiva, S.A.
Preço Contratual: 31.574,01 €

:: 27-01-2012 ::
Descrição: Exploração plena de 25 subsistemas (ETAR e Estações elevatórias associadas) de Lamas activadas. Sabugal e outros concelhos.
Adjudicante: Águas do Zêzere e Côa, S.A.
Adjudicatário: Efacec – Engenharia e Sistemas
Preço Contratual: 9.273,67 €

:: 27-01-2012 ::
Descrição: Exploração plena de 58 subsistemas (ETAR e Estações elevatórias associadas) de leitos de Macrofitas. Sabugal e outros concelhos.
Adjudicante: Águas do Zêzere e Côa, S.A.
Adjudicatário: Floresta Renovada, Lda.
Preço Contratual: 6.014,00 €

O Código dos Contratos Públicos criou o Observatório das Obras Públicas e o sistema de informação dos contratos de bens e serviços, incumbindo-os de acompanhar e avaliar a contratação pública. São ferramentas essenciais para o aperfeiçoamento de opções e para a promoção de boas práticas.
jcl

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Brejeirice – mas desta vez no tratamento de umas pessoas a outras. Adoro estes modos de falar do Povo, quando em acção no dia-a-dia, isto é, sem a pessoa estar preocupada «ai, ai, o que é que vão pensar de mim».

Ninguém tem receio do que vão pensar terceiros. Fala-se e pronto. Sem rebuço. Não há qualquer retraimento. Não: quando se está ali no ambiente bem conhecido, sem mirones, não há esses cuidados. Sai cada uma, que até ferve…
São apodos meio brejeiros, meio sérios.
São saltos de língua rápida, dos quais em geral não vem mal ao mundo.
Os ditos nestes casos são formas de falar. Trazem elogios e pancada de meia-noite, tudo de língua. São momentos únicos de má-língua, de língua afiada. O autor ou se dirige expressamente ao visado ou fala de outrem que não está presente. Não que faça muita diferença. Mas faz alguma. Se eu bem entendo, os apodos mais «ofensivos» são dirigidos por mulheres a outras mulheres ou falando de uma terceira.
Um aviso prévio: às tantas deixei de colocar aspas nas expressões populares e na sua transcrição fonética por duas razões: antes de mais por uma questão de respeito pela linguagem popular, depois, para evitar aquele ar superior de intelectual de meia figa que põe aspas como que para dizer «Olha, estes tipos falam assim, mas eu bem sei que isto está errado e não segue a norma gramatical». As pessoas sempre se estiveram nas tintas para isso e são elas que fazem a língua. O resto da malta vai atrás e vai colocando as coisas nos eixos… apenas.

Língua forte
«Aquilo é uma tchecória», dizia-se quando se queria chamar porca à pessoa visada. É um exemplo. Mas julgam que uma mãe não é capaz de dizer isso a uma filha? Se estivesse mesmo zangada, ia tudo à frente.
Outra muito frequente: «Tás cá c’ma gosma» (estás cá com uma gosma). Quer dizer:
– Estás muito constipado.
Mas a palavra gosma também tem outro sentido:
– Aquilo é um gosma, um chupista.
Quer dizer: está sempre à espera que lhe dêem alguma coisa ou de cravar um copo – seja lá o que for…

Verifico que há uma dose valente de qualificativos mais ou menos maldosos (aqui e ali um ou outro assim-assim, elogioso que seja) que têm aplicação geral por sexo do/a referido/a.
Assim, como adiante exemplifico.

Masculinos
Sei lá porquê, não há muitos assim, digamos, ofensivos para os rapazes. Mas há alguns. Por exemplo: «Fulano é um desasado» (não tem jeito para as coisas), que não tem ritmo, que faz tudo ao «ralanti» ( do francês «au ralenti» = muito, muito devagar).
Ou o inverso: para dizer que tem jeito diziam: «É muito àsado», ou, com mais carinho: «É muito àsadinho». Para dizer que a pessoa estava sempre disponível e fazia tudo: «É uma cestinha de mão».
Agora duas ou três mesmo no gozo, a deitar a pessoa abaixo:
– Aquilo é um babanca (não sabe o que diz).
Ou.
– Ah, malandro. Ah, candágua / cão de água… (rufia, um mal enjorcado que faz tudo mal e dá preocupações à família).
Pior:
– Esse? Esse é um colhana.
Significado: um tipo que não sabe fazer, um desajeitado.
Uma pessoa que não tem porte para nada, muito lento, quase um colhana:
– É um tchoninhas

Femininos
Há muitos que só se aplicam a mulheres. Estranhamente. Mas é assim. Não tenho noção de alguma vez ter ouvido estas coisas para referir ou para se dirigirem a um rapaz. Só para elas.
Mais: são elas que assim se referem a elas. Eles «tinham mais que fazer» do que estar ali ao sol / à sombra a treinar a língua (desenferrujar: era assim que se falava).
Parece misoginia mas não: é apenas história, pequena história do que era dantes… e era misógino, sim, embora sem qualquer consciência da coisa…
Por exemplo, e logo para arrasar:
– Aquilo é uma tchoca. Tem lá a casa numa tchoquice…
Isto, para dizer que a pessoa é uma valente porca que nem a casa limpa.
Já quando se queria dizer que a mulher era muito magra, dizia-se:
– É um bacalhau sueco.
E se a pessoa andava mal arranjada:
– És uma boa tchafesga das grelhas.
Já quando se chamava a uma mulher «badagoneira», isso queria dizer que a pessoa andava de porta em porta a dizer mal de umas e de outras.
– Aquela é cá um mostrunço…
Ou então:
– Manhusco…
Isso era para dizer que a pessoa é pouco arrumada e pouco limpa.

Nota
Apesar de já terem passado uns dias, não posso deixar de lhe chamar a atenção para um comentário que escrevi aqui (clique no azul para ler) – comentário por mim assinado com o meu nome verdadeiro.
Essa minha opinião versa sobre um comportamento que considero grave: alguém, a coberto de anonimato, abusou do «Capeia» e dos seus leitores para cometer o crime de fraude de informação. Acho isso imperdoável, e combato esse tipo de coisas em minha defesa e na do leitor.
Hoje trago aqui a referência para que mais pessoas possam detestar o crime cometido.

«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Soito iniciou em 16 de Setembro de 2011 a ampliação das instalações do quartel. O projecto é um grande salto na melhoria das condições da corporação e uma das maiores iniciativas da actual Direcção presidida por Maria Benedita Rito Dias.

(clique nas imagens para ampliar.)

Começa a tomar forma e a cor predominante dos bombeiros, fazendo um belo contraste com as incomparáveis nuvens da nossa região.

Quem pretender ajudar os bombeiros pode transferir o seu donativo para:
NIB: 003507020001137293062
ou, se for no estrangeiro, através do:
IBAN: PT50003507020001137293062, código CGDIPTPL.
A Direção e os Bombeiros Voluntários do Soito agradecem.
jcl

A maioria PSD/CDS rejeitou na passada sexta-feira, 23 de Novembro, no Parlamento, projectos de resolução do PCP e Bloco de Esquerda para a abolição da cobrança de portagens nas antigas SCUT (autoestradas sem custos para o utilizador) e manutenção das isenções.

Porticos A23No primeiro ponto do projecto de resolução do PCP, para a abolição da cobrança de portagens nas antigas SCUT, a maioria PSD/CDS e o PS votaram contra, mas sete deputados socialistas demarcaram-se da posição oficial da bancada e optaram pela abstenção.
Desses sete deputados do PS que se abstiveram, seis estão ligados a círculos eleitorais do interior do país: Fernando Serrasqueiro (Castelo Branco), Hortense Martins (Castelo Branco), André Figueiredo (Guarda), Acácio Pinto (Viseu), Elza Pais (Viseu) e Rui Santos (Vila Real).
O ex-líder da Juventude Socialista Pedro Delgado Alves também se absteve na votação.
Já o ex-secretário de Estado das Obras Públicas Paulo Campos anunciou a apresentação de uma declaração de voto, afirmando concordar com as isenções de cobrança de portagens nas autoestradas do interior do país, mas demarcando-se no que respeita à extensão da gratuitidade a autoestradas do litoral do país.
No segundo ponto da resolução do PCP, referente à manutenção das isenções existentes no pagamento de portagens em antigas SCUT, PS, «Os Verdes» e Bloco de Esquerda votaram a favor, mas essa alínea também foi chumbada pela maioria governamental.
A resolução do Bloco de Esquerda, que recomendava ao Governo a manutenção do sistema de isenções e descontos em todas as ex-SCUT, teve o apoio do PS, PCP e «Os Verdes», mas chumbou com os votos contra da maioria PSD/CDS.
Nesta série de votações, com a abstenção do PS, foi ainda rejeitado pela maioria PSD/CDS um projeto de resolução do Bloco de esquerda a recomendar ao Governo a urgente abertura de concursos para financiamento do cinema e audiovisual do ICA (Instituto do Cinema e Audiovisual).
plb (com Lusa)

Manuel Leal Freire - Capeia Arraiana«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual aos domingos vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Este Município raiano, um dos maiores do País em termos de extensão territorial, tem 40 freguesias, algumas delas com anexas, sendo no total exactamente 100 (cem) o número das localidades do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta bismulense dedica um soneto a mais uma anexa da freguesia da Bendada: Rebelhos. No próximo domingo será editado o poema referente à aldeias anexas desta freguesia que ainda falta: Trigais.

REBELHOS

Prefixo que reforça é sempre um re
Nenhum terá impacto que o vença
A condição imposta pelo se
E quando bem cumprida recompensa

Assim determinante como um de
O termo nos explica sem detença
Rebelhos e rebelde quando e se
O povo com razões se não convença

No mais sempre fiel aos seus desígnios
Os itens de seus votos consigne-os
Que são do povo os mais fiéis espelhos

Não quebram no trabalho e na amizade
O dito igual na praça e à puridade
Jamais traíu a gente de Rebelhos

«Poetando», Manuel Leal Freire

A Confraria do Bucho Raiano do Sabugal marcou presença no segundo Grande Capítulo da Confraria da Marmelada de Odivelas que se realizou este sábado, 24 de Novembro, no Mosteiro de São Dinis e São Bernardo.

A cerimónia de entronização de novos confrades realizou-se este sábado, dia 24 de Novembro, em Odivelas, com a presença de muitas pessoas ligadas ao poder local e empresarial, bem como diversas confrarias gastronómicas vindas de todo o país, entre as quais ao do Bucho Raiano, que ali esteve representada por seis confrades.

Lição de História de Máxima Vaz da Igreja do ConventoPelas 11 horas, após a concentração dos convidados, iniciou-se uma visita ao Mosteiro de São Dinis e São Bernardo. A cicerone foi a Professora Máxima Vaz, natural da Abitureira, freguesia de Vila do Touro, Sabugal, e residente em Odivelas. Doutorada em História é uma das mais importantes individualidades odivelenses e condecorada por entidades como o Rotary Clube de Odivelas ou a Confraria da Marmelada. A Junta de Freguesia de Odivelas atribuiu-lhe o nome de uma rua e a Câmara Municipal fez o mesmo em relação a uma escola básica do concelho.
A historiadora que conhece como ninguém, ou como muito poucos, a história do Reinado de D. Dinis, cativou a audiência pela forma clarividente com que exibiu o seu extenso saber, sempre doseado com um humor bem oportuno. Começou por mostrar o átrio da Rainha Santa, a cozinha velha do mosteiro, os claustros, a sala do capítulo, tendo a aula de história e a visita acabado na igreja do Mosteiro, junto ao túmulo do Rei Dom Dinis.
Máxima Vaz explicou o papel de D. Dinis em Odivelas, onde mandou erigir o mosteiro alegando fazê-lo em resultado de uma promessa que fizera quando no momento em quue foi atacado por um urso quando andava a caçar. Admiradora da figura histórica do Rei Lavrador, explicou ainda o seu papel relevante na consolidação das fronteiras do país, no desenvolvimento da economia e a sua habilidade na política e diplomacia do reino perante os demais monarcas europeus.
Maria Máxima Vaz concluiu a sua viagem «dinisina» afirmando que «Odivelas deve a sua existência a D. Dinis porque se não tivesse sido este Rei esta Terra não teria passado da vulgaridade, não teria tido história alguma».

Confrades do Bucho Raiano em OdivelasA cerimónia de entronização dos novos confrades aconteceu na sala do capítulo do convento, que estava repleta de pessoas, entre convidados e assistentes.
Na cerimónia foram entronizados 22 novos confrades, que prestaram juramento e receberam as insígnias, entre os quais José Carlos Lages, vice-chanceler da Confraria do Bucho Raiano, que residindo em Odivelas quis pertencer à confraria local.
À cerimónia de entronização seguiu-se o almoço no refeitório do Instituto.
A representar a Confraria do Bucho Raiano estiveram, para além do vice-chanceler, o grão-mestre Joaquim Silva Leal, o chanceler Paulo Leitão Batista, o almoxarife Paulo Terras Saraiva, e ainda as confreiras Delfina Leal e Ana Paula Sousa.
plb

A Confraria do Bucho Raiano do Sabugal marcou presença no segundo Grande Capítulo da Confraria da Marmelada de Odivelas que se realizou este sábado, 24 de Novembro, no Mosteiro de São Dinis e São Bernardo.

CONFRARIA DA MARMELADA DE ODIVELAS  – 24-11-2012
Fotos Capeia Arraiana e José Valverde  –  Clique nas imagens para ampliar

jcl

Damos continuidade à apresentação do léxico com as palavras e expressões populares usadas na raia ribacudana.

CARDINA – bebedeira.
CARDO – planta cuja flor é usada para coalhar o leite.
CARECA – indivíduo natural da Torre.
CAREIO – cuidado; jeito; maneiras; propósitos; tino. Joaquim Manuel Correia traduz por «forças, melhoras».
CAREIRO – variedade de sapos grandes, com pele muito rugosa (Clarinda Azevedo Maia).
CARESTIA – preços muito elevados; vida cara. Também se diz careza.
CARGA – o que é transportado, por homem ou animal. Bebedeira.
CARGAR – carregar; pôr carga.
CARGUEIRO – aquele que no contrabando transportava as cargas, recebendo por isso uma quantia em dinheiro. Os cargueiros seguiam em coluna, guiados por um guia, o cortador. Em geral, cada carga pesava 25 quilos.
CARNAGÃO – volume exagerado do amojo das vacas paridas, relativamente ao pouco leite que dão (Duardo Neves).
CARNE ESFOLADIA – carne de animal esfolado (cabrito, borrego, vitela).
CARNEIRO DA SEMENTE – carneiro de cobrição.
CARNE GORDA – toucinho.
CARNIÇA – carne (Júlio António Borges).
CARNICEIRO – assassino (Clarinda Azevedo Maia – Fóios).
CARNIGÃO – parte esponjosa e dura de uma ferida (Júlio António Borges).
CAROÇA – cereja. Vamos à caroça? (Rapoula do Côa). Nas terras do Campo designa a azeitona carnuda (Maria Leonor Buescu).
CAROCHA – primeira fatia que se corta do pão (Júlio António Borges).
CAROLA – coisas colocadas em fila (Júlio António Borges).
CAROLO – farinha grosseira de milho, com que se fazem papas. Júlio Silva Marques escreve arolo.
CARPINS – meias dos pés (Clarinda Azevedo Maia, José Pinto Peixoto).
CARQUEJA – planta silvestre, cuja flor se usa para fazer chá, óptimo para o fígado. Também se usa para condimentar cozinhados.
CARRADA – carga completa de um carro.
CARRANCA – cara feia; careta. Clarinda Azevedo Maia, reportando-se a Vale de Espinho, traduz assim: coleira guarnecida de pontas de ferro que serve para defesa dos cães.
CARRANCHA – pernas abertas.
CARRANCHOLA – grande carrada (Adérito Tavares).
CARRANJA – transporte do cereal para a eira, onde será malhado. O m. q. acarranja.
CARRANJAR – transportar; fazer a carranja.
CARRÃO – pessoa vagarosa.
CARRAPACHO – forma de transportar as crianças: escarrapachadas no pescoço dos adultos (Júlio Silva Marques).
CARRAPATO – carraça de pele lisa; nu. Júlio António Borges acrescenta: feijão frade; chícharo. Indivíduo natural da Bendada (Clarinda Azevedo Maia).
CARRAPIÇO – carvalho novo. Desembaraçado a subir (José Pinto Peixoto, Leopoldo Lourenço).
CARRAPITO – coruto de uma árvore; o m. q. carrapiço.
CARRASCA – azeitona de fraca qualidade.
CARRASCO – árvore idêntica ao carvalho, que prolifera nas campinas da raia. Clarinda Azevedo Maia recolheu nos Forcalhos o mesmo vocábulo traduzido por: «tipo de abrunheiro que dá frutos muito amargos».
CARRASQUEIRO – o m. q. carrasco.
CARRASQUINHA – espécie de azeitona; o m. q. carrasca (Clarinda Azevedo Maia – Vale de Espinho).
CARRASPANA – bebedeira.
CARRASPAR – beber em demasia, embebedar-se. «Talvez pela força do hábito, a pinga não carraspava» (Francisco Carreira Tomé). Diz-se quando a língua fica áspera por efeito de certos alimentos.
CARRASPENTO – áspero; amargo. Esta maçã é carraspenta.
CARREGAR OS MACHINHOS – embebedar-se. «Não se livrava da fama de também carregar os machinhos» (Abel Saraiva).
CARREGO – fardo ou carga que se põe às costas, no contrabando. O seu peso rondava os 25 quilos. Carga de três ou mais sacas, colocadas sobre o dorso do burro (Luís Gonzaga Monteiro da Fonseca).
(Continua…)
Paulo Leitão Batista, «O falar de Riba Côa»

leitaobatista@gmail.com

Qualquer iniciado em História sabe que, ciclicamente, se apresentam duas potências rivais, tendentes a disputarem, entre si, o domínio do mundo.

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaProcuremos fixar alguns desses grandes momentos.
Por vezes pode tratar-se de mera hegemonia espiritual, como no dissídio Babilónia-Sião, lucubrado na toada:
Sobolos os rios que vão
Por Babilónia me achei
Onde sentado chorei
As lembranças de Sião
E quanto nela passei
Então um rio corrente
Foi de meus olhos manado
E tudo bem comparado
Babilónia ao mal presente
Sião ao tempo passado.

Quase sempre, porém, é a luta pela hegemonia política e o domínio territorial.
Comecemos por Tróia.
Recordemos a poética causa belli:
Quando se viu ao espelho
A bela Helena chorou
Por causa dum rosto velho
É que Tróia se arrasou.

Agamemenao, o pastor de todos os povos do Ocidente conglobara e concitara exércitos para se vingar de Paris e Poicena.
Arma virunque cano Troia ab oris.
Tróia arde, mas Eneias, filho de Vénus e Anquises, desloca-se para Ocidente.
Entretanto, a querela renasce perto de onde Tróia tinha sido antes de arder.
São as guerras medicas ou persas, onde gregos e medos se disputam o domínio do Bósforo, símbolo do domínio mundial.
Atenas e Esparta tentam dividir um mundo à sua moda.
Como depois, a Macedónia de Alexandre, o Magno, e os seus quarenta generais, partindo o nó gordio, abriu caminho até ao Oriente quase último.
A questão renasce com as guerras púnicas, já que Anibal, o grande peno, filho de Amílcar e neto de Asdrubal, disputa o domínio dos povos mediterrânicos, a única parte do mundo que interessava, à Roma pré-imperial.
Séculos depois, quando os herulos, chefiados por Odiacro, apeiam Augustulo dum trono que já não existia, ninguém aspirou à hegemonia mundial, que a barbaria obstava a qualquer projecto de união, indispensável a intentos de domínio à escala mesmo dum pequeno mundo.
Breve renasceriam os sonhos imperiais e com elas as perspectivas de partilha.
Os sucessores de Carlos Magno e de Otao Grande dividem as respectivas heranças, dividindo a parte do Mundo que, ao tempo, interessava – o coração da Europa.
Mas o Império Romano renasce, tetrárquico ou diárquico.
E depois de as suas duas metades – Roma e Constantinopla – se haverem disputado primasias, eis que aparece um terrível émulo a exigir a divisão do Orbe – o Império Turco.
Que passa da intenção à acçao, tomando Constantinopola, que mais uma vez muda de nome e avançando até às costas dalmáticas.
Entretanto surgem as duas potências ibéricas – Portugal e Castela – que, depois de delimitarem os velhos continentes, dividem em Tordesilhas o Mundo ainda por achar.
A hegemonia tornou-se duradoira e ainda hoje as três Américas, da Florida à Patagónia dão sinal da validade da partilha.
Temporalmente muito próxima de nós, à distância efectivamente de pouco mais de um século, foi a partilha de África, onde vingou a bicefalia Inglaterra-França.
A primeira conseguiu a ligação Cairo-Cabo, bastante à custa dos nossos direitos que iam de Angola à contra-costa em Moçambique.
A segunda alijou para regiões inóspitas as ambições alemãs e italianas e coartou lesivamente a influência espanhola a Norte e Ocidente.
Com a Segunda Grande Guerra, foram duas novas potências que se impõem a todo o Mundo… Estados Unidos e União Soviética.
Foi o tempo da chamada guerra fria que só se aquietou com a queda do chamado Muro de Berlim e o desmoronar do Império Bolchevista e a irrupção de algumas dezenas de novos estados, grandes uns, como a Ucrânia e a Bielo-Russia, médios alguns, embora territorialmente vastos, minúsculos muitos deles, mas correspondendo a bem vincadas nacionalidaddes.
O sonho de hegemonia mundial dissipou-se.
Mas não há tempo para vacaturas.
E, no seu lugar, está para já de pedra e cal, o colosso chinês, apostado também no domínio económico-financeiro do nosso orbe já pequeno para tanta ambição…
«Politique d’ Abbord – Reflexões de um Politólogo», opinião de Manuel Leal Freire

O Orçamento aí está. Indisfarçavelmente, um orçamento, a que todos apontam defeitos, ausências e a sua não exequibilidade, por um lado (todos os lados), por outro, um governo que teima no que sim, que é exequível, porque sim.

Seria normal, se não fosse, a aparente, paternidade desconhecida. Aqui, caro leitor, escolha o pai que quiser. Pois, pelos vistos, surgiram e surgem vários pais para este orçamento. Contudo, ele aí está. Com uma única conclusão, o aumento brutal de impostos, cortes na acção social e no esvaziamento do estado pelo país fora. Portanto, o empobrecimento da população anunciada por lei. Eis o plano do governo! Nenhum estímulo para a economia, nenhum plano para a sociedade, nenhuma ideia para o país. Não ouço o primeiro-ministro anunciar nenhum programa que nos diga que sociedade seremos e num prazo credível. Um orçamento vazio e que nos esvazia. Um orçamento que só cria desilusão não pode ser um bom orçamento.
Nestes dias, veio o sr. Presidente da República, num daqueles discursos em que nos pretende fazer crer que se encontra na contemplação do Olimpo, anunciar que “é preciso ultrapassar o estigma que afastou Portugal do mar, agricultura e a indústria”. Mas não foi este senhor, então primeiro-ministro, que decretou a morte da frota pesqueira, o abandono da agricultura e da produção industrial, a troco de uns milhões da então comunidade europeia? Deveria anunciar, primeiro, um mea culpa público e, sim, depois alertar que devemos, sim senhor, apostar no mar, na produção agrícola e industrial. Mas sem assumir responsabilidades, todos estes anúncios soam de forma farisaica.
O mesmo som é-nos trazido da Europa. Não do continente, mas dessa europa que se diz união, mas que se tem revelado tudo menos tal. A prova-lo, aí está a discussão para o orçamento europeu. É um regabofe de opiniões, de palpites e de defesa do quinhão de cada um. A palavra solidariedade foi varrida da sala. Sala de onde ressalta à vista a insignificância da comissão europeia e onde a vontade dos mais fortes dita lei. Precisamente o que a tal união queria evitar. E desta forma, manda a Alemanha, mesmo que depois de, no último século, ter sido resgatada várias vezes. Baia união!
Entretanto, Portugal, viu sair do país cerca cem mil portugueses. E vem-me à memória aquela canção dos anos 60/70, «ei-los que partem novos e velhos…». A diferença, é que naquele tempo ia-se a salto, agora, vai-se assaltado. Dir-se-á que a História se repete, mas aqui, são os homens que a fazem repetir. E, sendo assim, então os homens não aprendem.
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

O Conselho de Ministros aprovou esta quinta-feira, 20 de Novembro, a dissolução do Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde da Guarda até aqui presidida pela ex-deputada social-democrata Ana Manso.

Ana Manso

O Conselho de Ministros aprovou esta quinta-feira a dissolução do conselho de administração da Unidade Local de Saúde (ULS) da Guarda, liderado por Ana Manso, administradora hospitalar de carreira, bem como a nomeação da equipa que lhe vai suceder.
A demissão de Ana Manso há muito que era esperada mas o ministro da Saúde, Paulo Macedo, só decidiu afastá-la depois de ter em seu poder a auditoria feita pela Inspecção-Geral das Actividades em Saúde. As conclusões da auditoria foram muito negativas destacando a «excessiva centralização de competências geradora de instabilidade gestionária e de entropia no processo de decisão».
A gestão de Ana Manso que iniciou funções à frente da ULS da Guarda, a 13 de Dezembro de 2011, ficou marcada pela polémica nomeação do marido, Francisco Pires Manso, para auditor interno do hospital, uma escolha que deu na altura origem a muitas críticas e acusações de favorecimento familiar.
A ex-administradora seria forçada a demitir o seu marido no mesmo dia em que o nomeou, depois da intervenção do ministro Paulo Macedo. Mesmo assim, Ana Manso declarou que a designação do marido para o cargo «cumpriu escrupulosamente todos os procedimentos legais».
O afastamento de Ana Manso da administração era já dado esta semana como garantido na ULS e ontem a ex-deputada do PSD terá comunicado internamente a sua saída.
O actual director do Agrupamento de Centros de Saúde da Cova da Beira, Vasco Lino, será a partir de agora o novo presidente da administração da ULS da Guarda, e o médico Gil Barreiros foi escolhido para a direcção clínica dos cuidados de saúde primários. A médica endocrinologista Fernanda Maçoas será a directora clínica com a área hospitalar. Para o cargo de enfermeiro director, a escolha do Ministério da Saúde recaiu em João Marques, que substituirá no lugar a sua mulher, Ester Vaz.
jcl (com agência Lusa)

A regra é milenária, de valor reconhecidamemte universal e impõe-se erga omnes.

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaPor ela, todas as propostas de contrato e também todo e qualquer contrato assentam num caracter de previsibilidade ou, se quisermos, de previsivel normalidade.
É certo que os contraentes podem ajuntar aos seus contratos simultaneamente as condições ou cláusulas que bem lhes parecerem. E estas condições e cláusulas passam a ser elementos integrantes dos mesmos contratos e governam-se pelas mesmas regras, excepto nos casos em que a lei ordene o contrário.
Depois, o pactuante que satisfizer aquilo a que se obrigou pode exigir daquele que não cumpriu não só o que pela sua parte prestou ou a correspondente indemnização, mas também a pena convencional estipulada, e, na falta desta convenção, indemnização por perdas e danos.
E, se nenhuma das partes tiver cumprido o pactuado e só uma delas se prestar a cumpri-lo, esta pode exigir da outra ou só a execução especifica do contrato, ou só a pena convencionada – ou na falta desta a devida indemnização – mas nunca uma e outra coisa.
A simples mora na execução do contrato basta para que se possa exigir da parte em mora a pena convencional ou a indemnização por perdas e danos.
E quando o contrato depender de alguma condição de facto ou do transcurso de qualquer lapso de tempo, verificada a condição ou transcorrido o prazo, considera-se o contrato perfeito desde a sua celebração.
Mas quando houver a certeza de que a condição se não pode verificar, o contrato será declarado ab initio inexistente.
Mas se o contrato for feito com a condição de que, desde certo facto ou acontecimento se haverá por desfeito, verificado que seja aquele facto ou acontecimento, será cada um dos contraentes restituído aos direitos que tinha no momento da celebração, se outra coisa não tiver sido estipulada.
Deve lembrar-se ainda que os pactuantes cujos contratos dependem de alguma condição, podem, ainda antes de esta se verificar, exercer os actos lícitos necessários á conservação dos seus direitos.
É que a nulidade da condição, por impossibilidade física ou legal, produz a nulidade da obrigação.
Como se vê, é enorme a liberdade de convencionar e condicionar.
O que não obsta a que existam condições nulas, ilícitas e imorais.
E que sendo, embora a condição uma cláusula acessória tem ela de ser isenta de todos os defeitos que anulariam a convenção principal.
Assim, uma cláusula será nula por vício de consentimento e também quando o facto a que se refere ou de que a obrigação depende for física ou legalmente impossível.
Daí a existência de várias espécies de condições.
Logo quanto ao modo como são formuladas podem ser expressas ou tácitas, positivas ou negativas, alternativas ou conjuntas, casuais ou potestativas, puras ou mistas, suspensivas ou resolutivas.
Mas basicamente, há a teorias dos pressupostos.
Negoceia-se com base numa realidade.
Se esta se modifica sem culpa dos contraentes ou até contra a sua vontade, o contrato fica em crise.
Daqui se extrai uma série de conclusões que podem inquinar tanto o contrato de representação que liga eleitores e eleitos, como um contrato de mútuo entre uma instituição bancária e qualquer magnata ou pobre de Cristo, que a ela recorreu.
Os governantes que blasonam sobre a vitória eleitoral que os levou ao poder esquecem que o voto foi dado para a realização dum dado programa.
O banco que negociou um crédito para aquisição dum dado bem com determinado cliente fê-lo tendo em conta o estatuto económico do mutuário e o valor de mercado do bem em causa.
A ponderação da cláusula rebus sic stantibus exige a ponderação das modificações de fundo operadas naquele circunstancialismo.
«Caso da Semana», opinião de Manuel Leal Freire

Os cogumelos venenosos fizeram mais uma vítima mortal, uma mulher de 64 anos, e deixaram um homem em estado muito grave, desta vez foi na Torre, aldeia da freguesia e concelho do Sabugal.

Ludovina Martins, de 64 anos, e João Correia, de 65, emigrantes em França, mas e a passar férias e a tratar da terra, colheram e comeram cogumelos, o que foi fatal: a mulher não resistiu a uma disfunção hepática aguda e acabou por morrer segunda-feira nos Hospitais da Universidade de Coimbra. O marido está em estado grave.
Ao que tudo indica os cogumelos ingeridos eram da espécie amanita phalloides, muito venenosa. Comeram os cogumelos e fecharam-se em casa, onde estiveram dois dias a sofrer, até que pediram socorro aos vizinhos, que por vez chamaram o INEM.
O INEM deslocou-se imediatamente ao local e conduziu o casal ao centro de saúde do Sabugal, de onde seguiram para o hospital da Guarda e depois para Coimbra. Ludovina martins, em estado muito grave, não resistiu e faleceu, enquanto que João Correia ficou internado no serviço de Gastrenterologia dos Hospitais da Universidade de Coimbra, onde ainda permanece, sem estar fora de perigo, embora com prognóstico favorável.
O acontecido deixou os habitantes da Torre em estado de choque. Muitos não compreendem como se enganaram na colheita dos cogumelos, uma vez que o casal era apreciador e aparentemente conhecedor das espécies.
Com este caso na Torre, eleva-se para quatro o número de mortes provocadas por cogumelos venenosos nas últimas três semanas. Em finais de Outubro, em Peso da Régua, um casal e o filho morreram após ingerirem cogumelos da mesma espécie, amanita phalloides. O filho tinha 42 anos de idade, o pai 68 e a mãe 70.
O envenenamento por ingestão de cogumelos venenosos provoca a rápida falência do fígado, dos rins e do sistema nervoso. Em casos graves só o transplante hepático evita a morte.
plb

As comemorações do Dia do Concelho, 10 de novembro, foram um momento alto da afirmação da identidade do Concelho do Sabugal, corporizado na valia dos sabugalenses e das instituições galardoadas.

Ramiro Matos - Sabugal Melhor - Capeia ArraianaComo sabugalense e como Presidente da Assembleia Municipal foi com grande orgulho que me associei à comemoração dos 716 anos da confirmação pelo rei D. Dinis dos foros do Sabugal.
Permito-me assim transcrever as breves palavras que dirigi aos sabugalenses presentes, com natural destaque para os galardoados:
«Foi em 10 de novembro de 1296 que o rei D. Dinis confirmou os foros do Sabugal, documento que reconhecia a importância que os monarcas portugueses atribuíam a estas terras fronteiriças.
Naturalmente não me cabe a mim tecer grandes considerações sobre a importância deste acontecimento, mas não posso deixar aqui de dizer o quão orgulhoso me sinto por pertencer a uma comunidade cujas raízes se perdem nos confins da história.
Já o disse em outras ocasiões e aqui o reafirmo: uma comunidade que assenta as suas raízes em tempos tão distantes e que ao longo dos anos soube resistir e prosperar, tem em si, os elementos necessários para fazer frente a estes tempos tão difíceis.
Estou convencido que a nossa existência centenária será o caldo da sabedoria onde encontraremos as soluções que permitirão aos nossos vindouros continuarem na senda do progresso!
E é por isso que esta forma singela de comemorar a data do primeiro foral, onde salientamos os que de nós se vão destacando, deve ser, sobretudo, um momento de exaltação da identidade e da força dos que no Concelho residem e trabalham, mas também dos milhares e milhares de sabugalenses que se espalharam um pouco por todo o mundo.
E o reconhecimento público do mérito das pessoas e entidades, traduzido numa simples medalha, é, por um lado, o nosso agradecimento público pela dedicação e entrega à causa sabugalense, mas deve ser também, um incentivo para que todos nos empenhemos na construção de um futuro melhor para o nosso Concelho do Sabugal.»

PS: «O mais corajoso dos atos ainda é pensar com a própria cabeça» (C. Chanel).
«Sabugal Melhor», opinião de Ramiro Matos

rmlmatos@gmail.com

O jovem empresário, Eng.º Paulo Martins, tomou as rédeas das termas do Cró, já a funcionar em pleno, e está a preparar-se para muito brevemente poder lançar a primeira pedra para a construção do hotel que será a mais valia deste importante empreendimento.

José Manuel Campos - Presidente Junta Freguesia Fóios - Capeia ArraianaMas o Eng.º Paulo Martins que lidera um grupo de empresários, bastante activo e com provas dadas, não pretende ficar pelo Cró.
Visto estarmos na época da castanha este empresário convidou o Sr. Presidente da Câmara, Eng.º António Robalo, a visitar uma cooperativa agrícola na freguesia chamada Penela da Beira que pertence ao município de Penedono.
Muito embora esta cooperativa seja bastante diversificada em termos de frutos secos, nesta altura está, acima de tudo, a trabalhar a castanha.
Visto os Foios e o Soito serem duas localidades com uma enorme produção de castanha o Presidente António Robalo convidou os dois presidentes de Junta para o acompanhar na visita à dita cooperativa de Penela.
Eu, visto que já estou aposentado, aceitei o convite de bom grado mas o colega e amigo do Soito, Eng.º Alberto, não nos pôde acompanhar devido a afazeres de ordem profissional.
Foi também de bom tom ter convidado e Eng.º Emanuel que é o primeiro responsável pelas experiências que estão a ser levadas a cabo na Colónia Agrícola Martim Rei que reúne excelentes condições para o cultivo, produção e venda das mais variadas árvores de frutos secos com especial destaque para o castanheiro.
O empresário, Paulo Martins, surge em toda esta cena porque uma empresa de construção que também ele lidera no Município da Meda ampliou, para o dobro, o edifício da cooperativa de Penela e que ele também muito acarinha.
Chegámos por volta das 11 horas e, de seguida, foi-nos feita uma visita guiada por um técnico e sócio da cooperativa que penso não ter deixado nada por nos mostrar tendo explicado, ao pormenor, todos os passos desde que a castanha entra até chegar à expedição. E não são poucos.
Parti para esta visita com enormes expectativas e confesso que gostei imenso de tudo quanto vi mas confesso que não me pareceu nada fácil olear e por a funcionar todo aquele mecanismo. Mas como sou homem de fé e de esperança vou sempre na expectativa de ver, aprender e copiar modelos que possam ser ajustados às nossas realidades concelhias. Pois se em alguns lados funcionam porque não hão-de também funcionar no nosso concelho?
Mas com os equipamentos da cooperativa ainda vão funcionar, no âmbito da castanha, durante a próxima semana o Presidente António Robalo encarregou o Eng.º Emanuel de contactar alguns produtores do nosso concelho para que na próxima semana se pudesse deslocar um grupo mais alargado tendo, para o efeito disponibilizado o autocarro do Município. O Eng.º Emanuel vai tratar da logística e brevemente dirá alguma coisa.
Confesso que foi uma visita muito proveitosa e se desde há muitos anos que sonho com uma séria e responsável comercialização – e até mesmo transformação da castanha – agora fiquei ainda mais entusiasmado.
Obrigado pela oportunidade que me deram. Toca a plantar castanheiros!
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos

(Presidente da Junta de Freguesia de Foios)
jmncampos@gmail.com

É Novembro de 1807 e o céu parece desabar sobre a terra. Sob chuva intensa, tocada a vento frio e cortante, uma horda de franceses avança a marchas forçadas pelos caminhos e veredas da enorme cadeia de montanhas que se espalham de Ciudad Rodrigo a Alcântara.

A tropa napoleónica entrou em Espanha e atingiu a cidade de Vitória, onde tomou o caminho de Burgos, Valhadolid e Salamanca. O plano da marcha manda avançar até Alcântara para dali entrar em Portugal.
O Exército de Observação da Gironda é composto por 26 mil homens e executa as ordens de Sua Majestade, o Imperador dos Franceses, Rei de Itália e Protector da Confederação do Reno, numa palavra Napoleão, o senhor da Europa Continental.
O general em chefe deste exército que macha veloz é Jean-Andoche Junot, Governador de Paris e Primeiro Ajudante de Campo de Sua Majestade o Imperador e Rei – feroz e corajoso combatente, a quem chamavam «A Tempestade». Merecera as graças do Imperador, que dele fizera embaixador de França em Lisboa e seguidamente tornara responsável pelo recrutamento e instrução militar em Paris. O conhecimento que tinha sobre Portugal pesou na escolha deste cabo-de-guerra para o comando da marcha até Lisboa onde garantiria o bloqueio continental decretado por Napoleão aos navios de e para Inglaterra.
A vaga é composta por três divisões de infantaria, comandadas por outros tantos generais de divisão: Delabord, Loison e Travot. Segue ainda uma divisão de cavalaria, sob o comando do general Kellerman. A artilharia roda igualmente, puxada por machos e bois, dada a falta de cavalos de tiro, e tendo por chefe o general Traviel.
É este o aparatoso exército, que saiu de França e que agora rompe pelas montanhas, espicaçado pelo chefe de estado-maior de Junot, o general Thiébaut, que a todo o custo quer garantir o cumprimento da cronologia da marcha.
Mas a chuva tudo retarda. As ribeiras crescem repentinamente e a lama invade os caminhos. As botas rompem-se e não há pares suficientes para a sua substituição. Cada soldado saíra do campo militar de Bayonne com dois pares de botas na mochila, mas a dureza da marcha faz com que muitos já caminhem descalços, sob o dilúvio, com as fardas encharcadas, pesando como chumbo. Ao cansaço junta-se a fome, a diarreia e o tifo, que derrubam os soldados a cada passo.
Entrados em Portugal, a ordem dos oficiais torna-se mais enérgica, impondo o avanço rápido, sempre em frente, sem parar. Neste ímpeto, cresce o perigo de sucumbir e ficar para trás. Não há camarada que quede para ajudar outro que cai de exaustão ou de fome. Desse se encarregará o campónio, que de navalha em punho o aliviará do pesadelo da existência.
Para os povos por onde o exército passa, o esfaqueamento de um francês caído sem forças ao redor de um caminho é a vingança pelos confiscos e pilhagens. A passagem da horda representa para os aldeões a chegada de uma calamidade.
O exército é composto por dezenas de milhares de bocas esfaimadas que querem ser alimentadas a todo o custo. Não há trem de mantimentos e a tropa fandanga socorre-se ao que encontra no caminho. O transporte das bocas de fogo, da pólvora e das equipagens não deixou espaço para as provisões alimentícias. Os poucos caixões de biscoito há muito que ficaram encalhados nos caminhos.
Por norma os oficiais do exército imperial aboletam-se em solares e palácios e a soldadesca ocupa os conventos e mosteiros que lhe ficam no caminho. Mas no geral dos locais de paragem em Portugal, não há habitações e nem sequer pardieiros, restando aos soldados tomar por cama o chão lamacento, onde nem sequer conseguem acender uma fogueira para lhes aquecer o corpo e secar os capotes.
Não é um exército, mas um formigueiro que avançava pelo carreiro, sujeito à chuva torrencial e ao sopro rijo do vento.
Os camponeses, que tinham guardado as colheitas como provisões para o Inverno, vêem as casas e os celeiros invadidos e rapinados. De nada vale implorar dó e clemência. Tudo acaba vasculhado e roubado, ficando as aldeias reduzidas a nada.
E as vagas não param, todos os dias chegam novas colunas, que passam e rapinam. A disciplina quebrou-se, a formatura está desfeita, a tropa segue em bandos desalinhados. Muitos dos retardatários correm as aldeias em busca de provisões e da satisfação de outras necessidades.
Onde há oficiais diligentes, a ordem é andar sem parar, mas no mais o exército rouba o pão da boca dos camponeses. As casas e as tulhas são reviradas e os animais são mortos, esfolados e esfandegados.
Quando não há aldeias para saquear ou quando a depredação alimentícia não é suficiente para suprir as bocas famintas, os soldados procuram sustentar-se com o que apanham no caminho. Mas é Novembro, e tirante alguma noz ou castanha que escapou ao rebusco dos pobres, nada há no campo. Vale a bolota dos carrascos. Saltando do caminho o soldado abaixa-se e enche os bolsos. Voltando à coluna, retoma a marcha e vai roendo a lande, que o alimenta nas jornadas.
Lá adiante, corre sem parar Junot, sempre acompanhado pelo fiel Delabord e a sua experiente 1ª divisão, deixando para trás um enorme rasto de soldados dispersos e perdidos.
«As invasões francesas de Portugal», por Paulo Leitão Batista

leitaobatista@gmail.com

Há assuntos que se explicam melhor por fábula. Aqui vai portanto a minha opinião ao artigo do António Marques, sobre a desertificação do Sabugal.

João Valente - Arroz com Todos - Capeia ArraianaHavia numa terra um Gigante que adorava pessoas.
Não exactamente como é comum gostar-se de pessoas.
O Gigante adorava comer pessoas.
Tudo começou num dia, há muito tempo, por acaso, quando ele estava deitado à beira de um caminho onde passava um lavrador.
Sem saber o que estava a fazer, tentou comer-lhe um pé, só para se divertir do pobre homem.
Depois, apreciando o sabor, tentou comer uma mão, e logo a seguir um braço, e quando deu conta já tinha comido uma pessoa inteira.
Tomando-lhe o gosto, passou a frequentar os lugares habitados, para comer pessoas.
E ao fim de uns dias já engolia um adulto inteiro de uma só vez, à velocidade de um raio.
Mas esta é a parte melhor: Quanto mais gente comia, mais apetite tinha.
E em vez de comer uma pessoa inteira de cada vez, já devorava às dezenas e centenas ao mesmo tempo, porque não era esquisito e o seu apetite era cada vez mais insaciável.
E foi aí que as coisas começaram a dar para o torto:
As pessoas começaram a escassear, porque o gigante andava a comer pessoas a mais e muito depressa.
E aqui vem a parte pior: O Gigante tinha cada vez menos gente para comer.
Foi ter com ele uma deputação de pessoas corajosas e disseram-lhe que não podia comer mais gente, porque assim desertificava-se a terra.
O Gigante deixou-se ficar sentado a pensar durante um tempo na verdade daquele raciocínio. Mas o seu apetite era insaciável e habituara-se à carne humana. O que é que ele podia fazer?
Então, quase sem pensar, arrebanhou do chão a delegação e comeu-a.
E viu que era saborosa!
E continuou a matança…
O Gigante chamava-se Fome.
A terra… Esquecimento!
«Arroz com Todos», opinião de João Valente

joaovalenteadvogado@gmail.com

Martim Codax foi um poeta das Rias Bajas de Vigo que também o poderia ter sido dos picos de Xalma.

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaEscreveu Hugo Rocha, que foi no Porto ilustre crítico literário e não menos ilustrado membro da Academia Galega, que não se concebe facilmente nos dias de hoje o que teria sido um poeta do século XIII, como Martin Codax e os seus pares.
Pelo menos, não se concebe facilmente o que tenha sido um poeta votado a cantar e declamar urbi et orbe a sua poesia.
É certo que,muito antes dos trovadores, dos jograis, dos segreis da Idade Média, a Grécia da Idade Antiga teve os rapsodos que foram os divulgadores da poesia do seu tempo, os cantores e declamadores de então.
Mais perto de nós, os celtas tiveram os bardos e as valemachias gaulesas eram canções de amor levadas pelos bardos de terra em terra, como o haviam de fazer depois os jograis e menestreis da Idade Média.
A fantasia lírica dos escaldos fez das sagas escandinavas os cantos mais típicos do Norte. A Islândia do passado conheceu as edas. A poesia escandinava e inseparável das tradições runicas. As lendas caledónias poetizadas por Ossian tiveram os seus divulgadores populares.
Falar dos nibelungos, dos poemas do Rei Artur e da Távola Redonda é falar dos famosos minessingueres germânicos. O canto épico de Rolando, os poemas cíclicos de Carlos Magno, o romanceiro de Cid Campeador eram poesia declamada, cantada e estruturalmente acompanhada a música instrumental.
Sabe-se o que todos eles declamaram mas desconhece-se-lhes o canto.
Os registos musicais são muito mais difíceis de fixar, além de os acordes sofrerem o influxo transformador do meio – até do geográfico.
Efectivamente, dizem os entendidos, as czardas russas repercutem tanto as grandes estepes como o tango argentino se filia na sintonia do pampas.
Como entre nós, o cante alentejano se modela nos barros de Beja, o fandango estremenho nas pradarias do Tejo e Sado, o vira minhoto nas colinas ondeantes das arribas de Viana…
Não sabemos que toadas terá cantado Martim Codax.
Conhecemos-lhe já perfeitamente o trovar, a sua fusão idiossincrática com o mar de Vigo, as cantigas de amar e amigo:
Ondas do mar de Vigo
Si vistes meu amigo
E, ay Deus, se verra cedo

Ondas do mar levado
Se vistes meu amado
E, ay Deus,se verra cedo

Se vistes meu amigo
O por que eu suspiro
E, ay Deus, se verra cedo

Se vistes meu amado
Por que hei gran coidado
E, ay Deus, se verra cedo

Ay ondas que eu vin veere
Se me saberedes dicer
Por que tarda meu amigo
Sen min

Ay ondas que eu vin mirar
Se me saberedes contar
Por que tarda meu amigo
Sen min

Se tivesse vivido no Ribacoa, Martin Codax teria igualmente cantado o amor em cantigas de amigo.
Só que o estro sopraria da serra, que não do mar.
Mas a língua seria a mesma – um romanço com muito de charro.
«O concelho», história e etnografia das terras sabugalenses, por Manuel Leal Freire

Chegou às salas de cinema nacionais a quarta longa-metragem do realizador sabugalense Joaquim Sapinho intitulada «Deste Lado da Ressurreição». O filme teve a sua estreia mundial na selecção oficial do Festival de Cinema de Toronto no Canadá na secção Visions dedicada aos filmes que em cada ano contribuíram para a expansão das possibilidades poéticas do cinema.

Rafael (Pedro Sousa, campeão júnior de surf do Guincho) é um jovem surfista perdido no mundo, desenquadrado de tudo e de todos. Com uma grande violência interior, que se reflecte no seu corpo e na maneira como surfa, busca um sentido para a sua vida. E será ali, entre a praia do Guincho, o Convento dos Capuchos e a serra de Sintra, que vai finalmente encontrar o seu lugar…
«Deste Lado da Ressurreição» é a quarta longa-metragem de Joaquim Sapinho, depois de «Corte de Cabelo» (1995), «A Mulher Polícia» (2003) e «Diários da Bósnia» (2005). A película teve a sua estreia mundial na selecção oficial do Festival de Cinema de Toronto no Canadá, na secção Visions, dedicada aos filmes que, nesse ano, contribuíram para a expansão das possibilidades poéticas do cinema.
O filme foi escolhido como um dos dez melhores do ano na revista nova-iorquina «Film Comment» e teve antestreia nos EUA nas mais prestigiadas cinematecas do país: a Harvard Film Archive (Cinemateca da Universidade de Harvard) e Anthology.
Realizador: Joaquim Sapinho.
Argumento: Joaquim Sapinho, Mónica Santana Baptista.
Intérpretes: Pedro Sousa, Joana Barata, Pedro Carmo, Sofia Grillo, João Cardoso, Guilherme Garcia, Luís Castro.

Página oficial. Aqui.
jcl (com Rosa Filmes)

Na manhã de hoje, 20 de Novembro, o Destacamento Territorial da Guarda da GNR, através da Investigação Criminal, deteve dois homens, de 21 e 23 anos de idade, residentes na cidade da Guarda, pelos crimes de tráfico de estupefacientes e posse ilegal de armas.

Segundo um comunicado da GNR os suspeitos, que já estavam a ser investigados há algum tempo no âmbito de um Inquérito criminal, foram detidos no decurso de buscas às suas residências, onde lhe foram apreendidas armas e estupefacientes.
As armas encontradas foram: uma pistola de calibre 6,35 mm, uma espingarda de calibre 14, uma carabina com carregador de calibre 22, duas carabinas de ar comprimido, um aerossol de defesa com gás pimenta. Foram ainda apreendidas 146 munições paras as referidas armas e nove cartuchos de calibre 12 e de 22 mm.
Quanto ao produto estupefaciente foram apreendidas 1,4 gramas de haxixe, 164 sementes de cannabis, um moinho para cannabis.
Também hoje de manhã a GNR de Gouveia e de Fornos de Algodres, detive um homem de 40 anos de idade, residente no concelho de Fornos, igualmente por crime de posse ilegal de armas. A detenção do suspeito, ocorreu no decurso de uma busca domiciliária, autorizada judicialmente, altura em que lhe foram apreendidas três espingardas de calibre 12, uma pistola de calibre 6,35 mm, duas cartucheiras, cinco armas brancas (catanas, punhal e navalha), um monóculo de precisão para arma pressão, 49 detonadores pirotécnicos, um stick de gelamonite 33, 120 cartuchos de calibre 12, quatro munições 6,35 mm, diversos laços em aço para caça ao javali, diversos costilos de várias dimensões utilizados na captura ilegal de aves.
Foi ainda apreendido ao suspeito outro material relacionado em denúncias apresentadas no posto da GNR local e que se presume ser proveniente de furtos, designadamente: uma motosserra, uma moto roçadora, uma electro bomba, um rolo de 100 metros de rede ovelheira.
plb

O Secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, anunciou no dia 14 de Novembro na Assembleia da República a assinatura do despacho de abertura do concurso público de apoio às artes.

O Secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, anunciou, na Assembleia da República, a abertura do Concurso Público de Apoio às Artes e o desbloqueamento das verbas relativas ao último trimestre de 2012.
«Trata-se de uma mudança de paradigma, para reforçar as parcerias no sector cultural, com as autarquias e com a sociedade civil», afirmou o Secretário de Estado numa audição das Comissões parlamentares de Educação Ciência e Cultura e de e Orçamento, Finanças e Administração Pública para apreciação, na especialidade, do Orçamento do Estado para 2013.
O Secretário de Estado anunciou assim a abertura dos concursos em todas as modalidades: concursos anuais, bienais, quadrienais e pontuais. Os montantes para a totalidade dos apoios relativos a 2013 – incluindo também os apoios à internacionalização – ultrapassam os 11 milhões de euros, valor semelhante ao de 2012. Os concursos dirigem-se às entidades artísticas nacionais de caráter profissional e que desenvolvem o seu trabalho em todo o território nacional.
O Secretário de Estado informou também que a Direcção-Geral das Artes (DGArtes) vai proceder ao processamento dos pagamentos das verbas correspondentes a Outubro, Novembro e Dezembro de 2012, às entidades artísticas apoiadas.
O Secretário de Estado da Cultura anunciou igualmente que, em 2013, o Orçamento do Estado para o sector é de 189,7 milhões de euros, semelhante ao do ano de 2012.
jcl (com Assembleia da República)

A encruzilhada em que hoje o concelho do Sabugal se encontra tem um nome: despovoamento.

Se na década de 50 a população rondava os 43.500 residentes, a frieza dos últimos censos diz-nos que são agora apenas 12.500. Esta é a verdadeira questão que condiciona o futuro sustentável do concelho.
Todos sabemos que o despovoamento está ligado à estrutura económica das regiões. No Sabugal, como em todo o Interior, fixar populações deverá ser a obra maior e o objectivo assumido de todas as políticas nacionais, regionais e locais. Parece evidente, pelos números, que tudo o que se tem feito falhou. Ganhos pontuais, como pequenas empresas com criação de alguns postos de trabalho, não alteram em nada a realidade. Falharam os diagnósticos, as receitas, as perspectivas e as estratégias. Esta é a realidade crua.
Por tudo isto, temos que ser muito claros: É urgente inverter este caminho, é urgente a mudança! Mas qual é a receita?
Aprendemos que não há receitas milagrosas. Mas a experiência também nos ensina que perante as adversidades uma coisa simples é possível: é necessário romper com aquilo que parece uma fatalidade, assumindo rupturas e procurar novos paradigmas. E uma coisa básica pode e deve ser feita que passa pelo questionar qual o futuro que queremos, quais os caminhos possíveis, que potencialidades temos, que apostas devemos fazer. Enfim, falta debater seriamente o futuro do Concelho e deixarmos cair as pequenas questiúnculas com que nos deleitamos diariamente.
Os protagonistas locais devem aos sabugalenses uma atitude séria e clara face a esta realidade. Devem assumir este debate, apresentar propostas, estratégias fundamentadas e dizer claramente quais as suas apostas. O presente prova que até aqui todos falharam. Provavelmente porque as estratégias nunca existiram, provavelmente porque o objectivo imediato tem sido o poder pelo poder, provavelmente porque as verdadeiras estratégias nunca vingaram eleitoralmente.
Penso que chegou o tempo de se assumir a ruptura em nome do futuro do Concelho do Sabugal. De debater seriamente como evitar o rumo fatal que os números nos transmitem. De dar oportunidade a novos caminhos, chamem-lhe utopias ou outra coisa qualquer. E todos têm que ser chamados a este combate.
Chegados a uma encruzilhada, temos que optar por onde seguir. Reflectir e fundamentar a escolha.
Em minha opinião é urgente o debate. É urgente a mudança. Porque o tempo escasseia!
António José Marques

(Presidente da Junta de Freguesia do Casteleiro)

Morreu hoje, no exacto dia em que cumpria 70 anos de idade o sabugalense Horácio Fernandes, vítima de doença prolongada.

Horácio Fernandes nasceu nas Quintas de São Bartolomeu e foi ainda menino viver para a então vila do Sabugal, sede do concelho, onde frequentou a escola, tendo por pedagogo o professor Cavaleiro e partilhando o banco da carteira com Fernando Pinto Monteiro, o ex Procurador Geral da República.
Do Sabugal acabaria por partir para Lisboa em busca de emprego, como tantos outros.
Já na capital empregou-se na Polícia Judiciária, onde foi agente, com intervenção no célebre caso Ballet Rose, nome por que ficou conhecido um processo que envolvia figuras públicas em actos de pedofilia e lenocínio. O escândalo provocado por essa investigação levaria Horácio Fernandes a abandonar a PJ, passando então a trabalhar na companhia de seguros Tranquilidade onde fez profissão até atingir a reforma.
Horácio Fernandes, que residia no Mortal, Estoril, era irmão do tenente coronel Orlindo Pereira.
O corpo do falecido será cremado no cemitério de Rio de Mouro – Sintra.
plb

Se eu tivesse uma boa relação com a informática conseguia fazer como alguns colaboradores quando querem que se leia algo já em «arquivo», chamemos-lhe assim, bastando para isso um click numa palavra qualquer, mas como a minha relação é péssima, vou dizer-lhe querido leitor(a) que leia o meu artigo de 19 de Abril de 2011 – «As ideias têm um fim».

António EmídioDigo nesse artigo que muitas ideias políticas já fazem parte do cemitério da História, entre elas a Socialdemocracia. Convivemos com ela durante tês décadas, ou mais, foi durante esse período que a Europa Ocidental conheceu o seu progresso político e económico, e também o baby boom, um aumento explosivo da taxa de natalidade que teve o seu auge em 1964. A Socialdemocracia «monopolizou» a política e a economia da Europa Ocidental desde o final da Segunda Guerra Mundial até princípio dos anos 80 do século passado, mas com a queda do Muro de Berlim e posterior crise da esquerda, originada pelo desaparecimento do chamado Socialismo Real, surge a Globalização Económica com a sua ideologia Neoliberal, ou seja, a circulação de capitais por todo o Mundo, sem controlo, onde a concorrência se transformou em rainha e senhora da actividade económica, o Capitalismo Selvagem sem regras. Toda esta desregulação e livre concorrência ultrapassa os países, os seus governos e os seus parlamentos, sendo assim, a Socialdemocracia tornou-se impotente para controlar este Capitalismo Selvagem sem ética, mas se por acaso tentar reformar todo este estado de coisas, concorrência e desregulação, há uma perca de competitividade das empresas nacionais, ou seja, das dos países onde a Socialdemocracia tentar regular todo este caos económico, originando elevadas taxas de desemprego. A actual desorientação e confusão ideológica da Socialdemocracia vem daí, salários de miséria, ou desemprego, não há alternativa como dizia Margaret Thatcher. Recapitulando: baixos salários em nome do emprego, porque se uma empresa tem o azar de aumentar salários é logo ultrapassada por uma rival que aproveita para baixar o custo do seu produto, menos custos significam mais vendas e mais lucros, a empresa que aumentou salários vai ter mais custos e menos lucros, espera a maior parte dos seus trabalhadores o desemprego. Não é por acaso que os políticos conservadores, os social-democratas reciclados e os grandes empresários, passam a vida a falar na «cultura do esforço» e na «cultura do rendimento», retórica e cinismo, o que eles querem engrandecer com toda esta atitude heróica é a exploração e a intimidação de quem trabalha, Angela Merkel é perita nisto…
O capitalismo Selvagem sente-se ainda obstaculizado na sua luta pela vitória final pelos serviços públicos e pelos direitos dos trabalhadores, a Socialdemocracia sempre preservou os serviços públicos e garantiu os direitos aos trabalhadores. Mas os obstáculos que impedem o Capitalismo Selvagem da vitória são fáceis de resolver, quanto ao primeiro, vão ser-lhe entregues de mão beijada, através de privatizações, a saúde, o ensino, os transportes a segurança social e todo o que der lucro, quanto ao segundo, os direitos dos trabalhadores já não existem.
Quem se atreve pôr fim a isto? Vamos supor que uma força política, uma força de mudança ganhava as eleições num qualquer país da União Europeia submetido ao Diktat Neoliberal, ao Diktat alemão, começava por pôr cobro à violenta austeridade, não permitia o desmantelamento do Estado Social, regulava os mercados e governava para o bem estar de todos. Guerreavam essa força política até à sua destruição, os meios de comunicação social, o capital financeiro, a polícia, Bruxelas, Berlim a NATO e Wall Street, ou seja, toda uma estrutura nacional e internacional. Aliás, a chanceler alemã deu isso a entender quando se deslocou a Portugal, não recebeu os partidos da oposição, para mim esse gesto teve um significado, rejeição e marginalização pura e simples de quem não seguir o Diktat Neoliberal alemão.
Eu ainda recordo bem das primeiras vezes que usei o termo Neoliberalismo aqui nos meus artigos do Capeia Arraiana, chacota geral, hoje vou falar-lhe querido leitor(a) do «Ordoliberalismo», uma escola de pensamento político/económico, conservadora e tipicamente de direita, nascida na Alemanha nos anos 30 e 40 do século passado. Esta escola só se diferencia do Neoliberalismo clássico porque aceita uma certa regulação dos mercados, principalmente dos financeiros, potencia também o sector exportador em detrimento da procura interna, da subida de salários e gasto público. Tem como prioridade a privatização do sector público, põe a maior parte da economia nas mãos dos empresários, os salários são discutidos entre patrões e sindicatos, menos protecção social e, o Keynesianismo é considerado de esquerda, quase a rondar o comunismo. Diferencia também o «Ordoliberalismo» do Neoliberalismo o grau de austeridade para potenciar as exportações, ambos querem reduzir o deficit público do Estado procurando assim a confiança dos mercados, mas para os «Ordoliberais» é preciso um mínimo de estabilidade social, para os Neoliberais não interessa essa estabilidade, o prioritário é o deficit.
Assistimos então querido leitor(a) ao fim da Socialdemocracia, porque muitos partidos social democratas europeus já se reciclaram em «Ordoliberais», na Grécia, na Espanha, na Itália e na França, o discurso da Socialdemocracia já é este, em Portugal ainda é Neoliberal, mas tenhamos esperança! Dentro dele já se ouvem vozes «Ordoliberais»…
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

A comissão política concelhia do Partido Socialista do Sabugal emitiu um comunicado em que torna pública a sua posição em relação à extinção/anexação de freguesias do concelho, que transcrevemos na íntegra.

PSConsiderando que:
• O Poder Local democrático, indissociável da existência de órgãos próprios eleitos democraticamente, é parte da arquitectura do Estado Português;
• As autarquias, em concreto as freguesias, constituem um dos pilares da democracia Portuguesa;
• Estas freguesias têm as suas gentes, a sua origem, a sua história, a sua identidade, os seus usos e costumes;
• As Juntas de Freguesia têm uma importância fulcral para a melhoria da qualidade de vida das populações locais, tanto pela proximidade com os seus munícipes, como pela capacidade de dar resposta célere e eficaz às suas necessidades;
• A identidade coletiva, a coesão social, a história secular das freguesias agora extintas/anexadas não pode ser simplesmente “apagada”;
• A Constituição da República Portuguesa prevê mecanismos de criação e extinção de Freguesias, mas não figuras como a agregação, a reunião ou a aglomeração;
• A agregação de qualquer Freguesia significa a sua perda de identidade, contribui para a desertificação e acentua a perda da relação de proximidade que até aqui tem existido, enfraquecendo a coesão local. Trará menos eficiência e qualidade às populações, eliminará mais um serviço público fulcral e de proximidade que provocará mais despovoamento e desertificação dos territórios;
• A reorganização administrativa imposta pelo Governo ignora a “realidade social e económica, a natureza dos territórios e o enquadramento regional” e atende sobretudo a critérios economicistas;
• A proposta concreta de reorganização administrativa da Unidade Técnica para a Reorganização Administrativa do Território (UTRAT), está a deixar revoltados os Srs. Presidentes das Juntas de Freguesias e a População em geral.
Defendemos, por tudo isto, a manutenção das freguesias agora extintas/anexadas.

Consideramos pois, que o Sr. Presidente da Câmara Municipal do Sabugal, Eng.º António Robalo, deveria interpor de imediato, no Tribunal Administrativo uma providência cautelar contra o parecer já emitido pela UTRAT.

Consideramos também, que os Órgãos Autárquicos, Câmara Municipal e Assembleia Municipal (na qual têm assento todos os Srs. Presidentes de Junta de Freguesia), deveriam pronunciar-se, uma vez mais, contra este parecer já emitido pela UTRAT e adotar novas formas de luta contra esta posição que demonstra grande desprezo relativo às populações das freguesias atingidas.
A Comissão Política Concelhia do Partido Socialista do Sabugal

No decurso da semana transacta o comando da GNR da Guarda deteve uma mulher por furto em residência e um homem por crime de tráfico de estupefacientes.

Guarda Nacional RepublicanaNa tarde de 17 de Novembro a GNR deteve na cidade da Guarda, em flagrante delito, uma mulher de 45 anos de idade, residente em Seia, por crime de furto em residência. A detenção ocorreu após uma chamada telefónica para a GNR a comunicar o furto de uma quantia significativa em dinheiro, de uma residência na cidade, onde a suspeita era empregada doméstica. Os militares lograram intersectar o veículo onde a mesma seguia, ainda próximo da referida residência. Após busca ao veículo foram encontradas no mesmo, de forma camuflada, 53 notas de 20 euros, perfazendo a quantia de 1.060 euros. A cidadã foi detida sendo-lhe ainda apreendido o carro e o dinheiro.
Presente ao Tribunal Judicial da Guarda, ficou com a medida coação de Termo de Identidade e Residência a aguardar o julgamento.
No dia 15 de Novembro, militares da GNR identificaram um homem de 30 anos de idade, residente em Seia, por crime de tráfico de estupefacientes. O suspeito já estava a ser investigado há algum tempo no âmbito de um Inquérito por tráfico de droga, a correr termos no Núcleo de Investigação Criminal de Gouveia. Em cumprimento de mandado de busca à sua residência, foram-lhe apreendidas três plantas de cannabis em estado seco, 3,73 gramas de cannabis e diversas sementes da mesma planta
O suspeito foi constituído arguido e os factos foram participados ao Tribunal Judicial de Seia.
plb

Na ideia de ligar o Sabugal à Auto Estrada da Beira Interior (A23), agora sujeita a portagens, o Município do Sabugal «esturrou» algumas centenas de milhares de euros na abertura de uma estrada por trancos e barrancos, que de um momento para o outro, já lá vão dois anos, mandou suspender.

«O que nasce torto tarde ou nunca se endireita», diz o povo na sua imensa sabedoria. O rifão aplica-se ao caso em apreço, que é um exemplo de lamentável delapidação de dinheiro público, comparável a tantos outros que contribuíram para a desgraça das finanças do Estado. Alguém sonhou e quando acordou avançou a colocar em prática os ditames do devaneio. Não tinha plano de acção nem promoveu a discussão prévia. Avançou de peito aberto, desprovido de qualquer estudo e absolutamente indiferente à necessidade de consensos.
Chamaram a Engenharia Militar para abrir a estrada, pensando que isso não comportaria custos dignos de registo. Porém coube ao Município arcar com as despesas de manutenção das máquinas, reparações, combustíveis, explosivos, deslocações. Quando se deu fé a factura de meses e meses a marcar passo já ia numa cifra incomportável. As verbas despendidas eram ademais irrecuperáveis por não sujeitas a qualquer programa de financiamento.
Face ao desperdício reconheceu-se o óbvio: o Município não possui meios para tal aventura.
As obras pararam e da dita estrada aberta por entre penedias, a poder de fogo e de caterpillar, não mais se ouviu falar. Impõe-se saber o que fazer, que rumo tomar, até por que há eleições à porta.
Damos a nossa opinião, como contributo para uma discussão que se deseja.
Ao invés de se navegar sem rumo nem horizonte, impõe-se colocar rigor na conduta. E o caminho é simples:
Elabore-se o projecto (com o devido rigor técnico). Cumpra-se a inclemência da lei, submetendo-o à avaliação do impacto ambiental. Remeta-se o processo ao governo, e solicite-se, fundamentando com o interesse regional e nacional, a inclusão daquela via no Plano Rodoviário Nacional. Só assim o Estado financiará a obra.
Entretanto, face ao impasse, há que definir outras prioridades para o concelho: a requalificação da estrada nacional para a Guarda (sede do distrito) e da estrada nacional para o Terreiro das Bruxas e dali para Caria (a nossa ligação actual à A23).
«Contraponto», opinião de Paulo Leitão Batista

leitaobatista@gmail.com

No meio das agruras da vida, ao Povo restou sempre uma veia de piada. Uma enorme vontade de viver e de não se deixar derrotar. E isso, o instinto da sobrevivência levado ao extremo e no dia-a-dia, é fundamental. O Povo tem mesmo uma grande, enorme vontade de ser feliz, de estar bem, de contrariar as agruras da vida, custe o que custar.

Muitos ditos populares têm por base a ironia, o sarcasmo. O bom humor anda sempre por ali, nos ditos, naquelas frases que me diziam quando era pequeno e que estão cá gravadas até hoje: as frases e as circunstâncias em que eram atiradas à criança que eu era. Mas há também os ditados muito irónicos e cheios de malandrice…
Se pensarmos que a maioria desses ditos vêm de tempos de grande dificuldade de vida, ainda nos admiramos mais.
Ditados e ditos. Acho que um ditado popular é um dito que se refere a situações pré-determinadas e que se constituem em regras de vivência e de sabedoria. Exemplo: «Pelo São Martinho, / Vai à adega e prova o vinho».
Um dito é em minha opinião uma frase que se baseia em estória antiga que nunca é contada mas que está por detrás de muitas dessas palavras que juntas numa sentença dizem tudo o que o autor quer dizer mas que muitas vezes em seu sentido profundo e em seu alcance mais lato escapam a muitos dos interlocutores – mas há sempre alguns que entendem muito bem. E, assim, a sentença ganha o dobro da força. As risadinhas e o sarcasmo rodeiam a «vítima».

Rebelhos
Primeiro dito de hoje:
– Este foi como o Manel Leitão a Rebelhos.
Era-me dito quando ia a um sítio sem objectivo ou se me enganava no que me pediam ou se me esquecia do que ia fazer.
Que história era essa, afinal, do tal Manel Leitão que terá ido a Rebelhos sem objectivo?
Parece que o rapazola era de facto muito bem mandado: fazia tudo o que lhe pediam, mesmo que se precipitasse e fosse fazer recados até antes de lhe dizerem o que era preciso ir fazer.
Então um dia alguém lhe disse:
– Ó Manel, amanhã hás-de ir a Rebelhos.
E pronto. Era preciso ir e ele foi.
Nem deu tempo de lhe dizerem o que devia ir fazer a Rebelhos nem ele perguntou.
Foi.
Do Casteleiro a Rebelhos são para lá de sete quilómetros, parece-me.
Foi.
E, quando lá chegou, é que se deu conta de que afinal nem sabia o que ia fazer.
Voltou ao Casteleiro e perguntou então o que é que tinha de ir fazer a Rebelhos…
Coitado…
A caminhada dupla e a estouvadice fizeram dele uma referência negativa: ir como o Manel Leitão a Rebelhos significou sempre na minha terra fazer primeiro e pensar depois, sobretudo se se tratar de uma caminhada.
Vai-se para o campo e não se levam as batatas para semear? È como o Manel Leitão a Rebelhos.
Chegava à minha madrinha (e avó) e não me lembrava o que ia buscar? É como o Manuel Leitão a Rebelhos…

Edital
Esta frase sempre a ouvi chateado, porque era dita quando fazia asneira da grossa e me dava mal com o resultado.
Exemplo: estar a tentar arranjar a bicicleta mas afinal acabar por estragar ainda mais.
Aí, ou me diziam aquela do «Não te metas a mordomo sem devoção».
Mas aquela sentença que mais vezes me lembra e que mais me incomodava: «Está um edital à porta da igreja: / Quem é burro, não o seja».
Já em tempos aqui escrevi quanto esta me irritava… talvez por me chamarem burro, mesmo que indirectamente.
Qualquer das duas sentenças é, como se vê, bastante irónica e bastante brincalhona. No fundo, trata-se de chamar a atenção de forma forte mas meio a brincar, como quem dissesse: «Tens de aprender à tua custa».
Mas ambas transmitem duas coisas que em meu entender são a base da filosofia popular: por um lado, a referência religiosa que é uma constante na vida rural daqueles tempos, por outro, a imensa vontade de sorrir no meio das dificuldades da mesma vida rural da mesma época…

Abafado
Agora, uma piada minha que nunca fiz vinho – mas vi fazer muito, e aguardente e jeropiga e abafado – tudo…
E agora até aprendi que se fazem de modo diferente e que é nessa pequena diferença que está a diferença. A piada, para mim mesmo, é eu falar disto como se soubesse do que estou a falar…
Já ouviu falar de jeropiga? E de vinho abafado? Você pensa que é a mesma coisa??? Engana-se.
É isso.
Neste São Martinho até deu para provar ambos…
E sabe qual a diferença entre as duas bebidas no fabrico artesanal?
Eu explico em resumo, pelo que perguntei e me responderam.
Quando se pisa a uva, começa aí um processo de fermentação. O líquido vai ferver. Depois de ferver, começa o processo de «consolidação» do vinho, que vai durar na pipa mais de mês e meio até ser provado.
Vindima-se em Setembro e prova-se o vinho pelo São Martinho.
Ora bem: antes de o vinho ferver, ou seja, logo que está pisado, mas sem que comece a fermentar, quem quiser fazer abafado ou jeropiga tira a quantidade desejada de mosto e envereda de um dos dois processos:
– Para fazer jeropiga: mistura-se o mosto com aguardente, na proporção de 3 para 1 (25% de aguardente), mete-se no pipo ou vasilha que se quer, espera-se um dia e tapa-se antes de ferver. Passadas umas semanas valentes, abre-se e… bebe-se com estalar de lábios…
– Para fazer abafado, é tudo igualzinho, mas com uma enorme diferença: tapa-se logo que se tira da dorna onde foi pisado. O resto segue igual: como fica logo tapado, ainda fermenta menos do que a jeropiga (jurpia, no linguajar do Casteleiro!…). Depois prova-se e… é de estalar a língua.
Há muito quem escreva que abafado e jeropiga é a mesma coisa. Há quem escreva: «vinho abafado, vulgo, jeropiga». Erro. São feitos de modos ligeiramente diferentes.

Imagens
Quem ler com atenção o artigo entende a selecção das seguintes imagens:
Procissão no Casteleiro.
Rebelhos, freguesia vizinha.
Uvas pretas e belas.

«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

Manuel Leal Freire - Capeia Arraiana«Poetando» é a coluna de Manuel Leal Freire no Capeia Arraiana, na qual aos domingos vai publicando poemas inéditos, cada um dedicado a uma aldeia do concelho do Sabugal. Este Município raiano, um dos maiores do País em termos de extensão territorial, tem 40 freguesias, algumas delas com anexas, sendo no total exactamente 100 (cem) o número das localidades do concelho do Sabugal. Nesta edição o escritor e poeta bismulense dedica um soneto a mais uma anexa da freguesia da Bendada: Quinta do Ribeiro. Nos próximos domingos serão editados os poemas referentes às restantes duas aldeias anexas desta freguesia: Rebelhos e Trigais.

QUINTA DO RIBEIRO

Ribeira era a margem não o curso
Da água sussurrando desde a fonte
A abrir por entre fragas o percurso
Traçado pela linha do horizonte

Ribeiro sempre foi, haja quem conte
Com mais ciência ou menos recurso
O veio de água que, descendo o monte
Venceu os irmãos em leal concurso

Sem ambições jamais será um rio
Mas cumpre o seu dever com todo o brio
Mesmo em Outubro de ano sequeiro

Que melhor trova ou sonorosa loa
Do que esta que por aqui se entoa
Não há Quinta igual á do Ribeiro

«Poetando», Manuel Leal Freire

Damos continuidade à apresentação do léxico com as palavras e expressões populares usadas na raia ribacudana.

CÃO DE VILA – indivíduo que habita na vila do Sabugal (dito em sentido pejorativo).
CÃO TINHOSO – Diabo. Cão afectado com a tinha (doença cutânea).
CAPACHO – estrado; peça circular de ráfia entrelaçada, usada como suporte do bagaço da azeitona, onde é espalhado e aguardará por ir à prensa. Clarinda Azevedo Maia traduz de modo diferente, em sinónimo de caçapo: ponta de chifre que o ceifeiro traz pendurada à cinta e onde mete a pedra de afiar a gadanha (Forcalhos).
CAPADA – rebanho de ovelhas; piara de gado.
CAPADO – bode ou chibo castrado – a que foram extraídos os testículos, com o fim de o engordar para matar. «Abate uma vitela e dois capados muito gordos» (Joaquim Manuel Correia ).
CAPADOR – homem que capa os animais; castrador. Montado mum possante macho, o capador assomava ao cimo da aldeia e soprava um apito para indicar a sua presença.
CAPADURA – pequeno corte em melão ou melancia, para verificar o seu estado.
CAPÃO – molho de vides cortadas na poda (Júlio António Borges).
CAPAR – castrar animais, cortar-lhes os órgãos de reprodução.
CAPAR A RIBEIRA – fazer saltar um seixo no cimo da água (Rapoula do Côa). também se diz capar a água (Célio Rolinho Pires). Joaquim Manuel Correia refere captar: «brincavam com as pedras finas de xisto, captando a água do pego».
CAPEIA – tourada arraiana onde se utiliza o forcão para desafiar o toiro – do Castelhano: capea.
CAPELA DO OLHO – pálpebra (Clarinda Azevedo Maia).
CAPELO – capuz de pano que protege a cabeça e o pescoço do apicultor das picadas das abelhas. Nevoeiro, ou névoa, que se forma no cimo dos montes. Clarinda Azevedo Maia apresenta um significado diferente: máscara de rede de arame usada para proteger a cara quando se tira o mel (Vale de Espinho).
CAPINDÓ – casaco curto e mal feito (Júlio António Borges).
CAPINHA – toureiro amador que, vindo de Espanha, percorria as aldeias da raia portuguesa a fim de estagiar nas capeias, exercitando-se com o sonho de um dia tourear numa praça. Ao capinha também se lhe chama maleta.
CAPUCHA – capa tradicional, com garruço que proteje a cabeça e o pescoço, muito usada pelas mulheres. À capucha: à socapa, às escondidas. «Mostrou-me então, à capucha, um saquitel que trazia» (Abel Saraiva).
CAPUCHO – costume da noite de Natal, em que os rapazes mais velhos, de cabeça encapuzada, afugentavam os mais novos (a canalha) para a cama. A designação provém do facto de ser costume colocar uma saca na cabeça. Capucho também designa um jogo tradicional – o jogo do capucho – em que um dos jogadores tapava a cabeça e tentava apanhar os companheiros que corriam à sua volta. Aquele que fosse panhado passava a ser o capucho e o jogo continuava.
CAQUEIRO – vaso de barro para flores; o m. q. caco.
CARABINEIRO – guarda alfandegário espanhol. Também designado por crabineiro. Os carabineiros eram geralmente mais severos no desempenho do serviço do que os nossos guardas-ficais, seus congéneres em Portugal, sobretudo com o chamado contrabando da barriga – aquele que se compunha por géneros alimentícios para consumo doméstico.
CARACHO – caramba (interjeição). Também se diz carache ou carago.
CARA DE CU À PAISANA – basbaque; ingénuo; anjinho. «À paisana» significa aqui ao léu, despido.
CARAMBOLA – monte de qualquer coisa, sejam, por exemplo, pedras, paus ou abóboras.
CARAMBOLO – jogo tradicional. Trata-se de um jogo de pontaria, em que se colocam de pé e em fila nozes, amêndoas, cascudos ou simplesmente bolotas. Os jogadores que se enfrentam iniciam com as mesma unidades e ficam com as que conseguem derrubar (Júlio Silva Marques).
CARAMELO – gelo; superfície de água gelada. Está tudo encaramelado. Também se diz caramelina: «está uma caramelina» (Joaquim Manuel Correia).
CARAMOÇO – carambola; montão de pedras; cabeço pedregoso. Júlio António Borges escreve caramosso.
CARANGONHA – cegonha (José Prata).
CARANTONHA – cara feia; careta. À carantonha: às cavalitas (Duardo Neves).
CARAPELA – bola de farrapos; péla. Jogo tradicional, também designado por jogo da pelota, em que os rapazes arremessam uma bola de trapos contra uma parede.
CARAPETEIRO – planta brava com espinhos.
CARAPETO – coluna de gelo na forma de estalagmite, formada da solidificação de águas que escorrem de lugares altos; o m. q. escarapeto. Espinho, pico: espetou-se-me um carapeto no dedo.
CARAPULO – componente do mangual: tira de cabedal que envolve a ponta da mangueira.
CARAVA – companhia; grupo de companheiros. Fazer carava.
CARAVELA – cata-vento para espantar pássaros. Também se diz cravela.
CARBUNCO – carbúnculo; doença que faz desenvolver insectos parasitas sob a pele. Também se diz cabrunco: «Que vos nasçam no corpo tantos cabruncos como de pelos tendes na cabeça, santarrões do diabo!» (Abel Saraiva).
CARCABIO – feijão – termo da gíria de Quadrazais (Nuno de Montemor).
CARCÁVIO – dente – termo da gíria de Quadrazais (Nuno de Montemor).
CARCHA – pedaço em que se dividem as batatas para cozer; talhada de melancia ou de melão. Clarinda Azevedo Maia traduz literalmente por batata, acrescentando ainda que o plural designa batatas cozidas com bacalhau (Lageosa).
CARCHAIS – ossos da cabeça do porco (Clarinda Azevedo Maia – Fóios).
CARCHANETA – risonho (José Prata).
CARCHANOLAS – castanholas; instrumento musical de duas peças de madeira, que se agitam com os dedos em concha. Nos Fóios eram assim designadas as matracas (Clarinda Azevedo Maia).
CARCHANOTE – salto. «Seguiam com os braços no ar dando carchanotes de feição» (José Pinto Peixoto sobre as danças populares).
CARCHANTADA – cabeçada (Adérito Tavares).
CARCHENTADA – dentada forte (Francisco Vaz).
CARCHO – pedaço de qualquer coisa: carcho de pão. Pequeno período de tempo: «se viesses à carcho comias connosco» (Júlio Silva Marques). Do Castelhano: cacho.
CARCHOILA – banco de madeira, onde as mulheres ajoelham quando lavam a roupa na ribeira (Adérito Tavares). Aumentativo de carcha (Júlio Silva Marques).
CARCÓDIA – casca de pinheiro. Também designa a faúlha (fanisca) que salta da casca de pinheiro quando arde (Clarinda Azevedo Maia – Aldeia do Bispo). Também se diz carcóvia.
CARCOLÉ – codorniz (Célio Rolinho Pires).
CARDAR – não fazer coisa de jeito (Francisco Vaz); andar na boa vida. Dobrar o corpo para com a cabeça coçar ou lamber o traseiro – referente a animais (Duardo Neves).
CARDENA – cabra de cor acinzentada (Clarinda Azevedo Maia – Vale de Espinho).
CARDENHO – casa pequena e pobre. Lugar onde pernoitam os cabritos ao serem desmamados. Também se diz cardanho. Termo usado na gíria de Quadrazais, traduzido por casa (Franklim Costa Braga).
(Continua…)
Paulo Leitão Batista, «O falar de Riba Côa»

leitaobatista@gmail.com

Há cerca de uma semana fui contactado pelo meu colega e amigo Prof. Alberto Pinto, do Agrupamento de Escolas do Sabugal, para me informar de que estava programada uma visita de estudo a várias localidades e sítios da nossa bonita e simpática zona raiana.

José Manuel Campos - Presidente Junta Freguesia Fóios - Capeia ArraianaInformou-me que viria um grupo de cerca de vinte alunos acompanhados por quatro docentes como, na verdade, se confirmou.
Na qualidade de professor e de bom autarca, como me prezo, estou sempre de braços abertos para receber todas as pessoas que vierem aos Fóios. Neste caso concreto e a pedido do Prof. Pinto, foi com prazer e honra que recebi alunos e professores.
Chegaram ao Centro Cívico dos Fóios por volta das dez horas e depois de se ter tomado um café no bar do restaurante Eldorado fiz uma visita guiada ao Centro Cívico dos Fóios tendo o grupo ficado muito agradado, sobretudo com o museu «Nascente do Côa».
Já próximo das onze horas o autocarro da empresa «Viúva Monteiro» transportou o grupo até ao ponto mais alto do nosso concelho, a Serra das Mesas (1.256 m), onde a água já corre em grande abundância.
Apesar do dia estar um pouco ameaçador, em termos meteorológicos, o S. Pedro lá se lembrou de aguentar a chuva enquanto o grupo, muito animado e bem disposto, realizava a visita à nascente do Côa onde os alunos(as) tiraram bastantes fotografias para a prosperidade.
Depois de cumprida a visita o grupo passou de novo pelos Fóios, em direcção ao viveiro das trutas, em cujo restaurante os aguardava um saboroso almoço.
No final, o proprietário do viveiro, Sr. Antoine Tavares, fez uma visita guiada tendo alguns alunos pegado em canas de pesca para tentarem enganar algumas trutas que vivem na charca.
Confesso que gostei de ter acompanhado e colaborado com o grupo de professores(as) Kátia, Solanja, Virgínia, Jorge e com os alunos do CEF (Informática) e de Técnicas de Secretariado.
Venham mais vezes e contem sempre com a minha colaboração.
TURISMO É FUTURO.
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos

(Presidente da Junta de Freguesia de Foios)
jmncampos@gmail.com

Dizia-me um amigo meu que as melhores histórias são as histórias de vida, as histórias contadas na primeira pessoa.

O livro que acaba de publicar a editora Verso da Kapa, de Patricia Lopes, tem por título Missão – diário de uma médica em Moçambique. É um livro enternecedor e apaixonante. Lê-se de um fôlego. Quando se começa, dificilmente se larga. Está salpicado de histórias comoventes e coloridas, eivadas de um verdadeiro ambiente africano, e estou convencido que cada um dos leitores não se importaria de ter acompanhado a Dra. Patrícia Lopes nas suas viagens de voluntariado ao norte de Moçambique, para partilhar o entusiasmo desta jovem pediatra que se empenhava de tal modo no tratamento das crianças e jovens doentes, a ponto de ter feito uma transfusão de sangue de si próprio para salvar a vida de um menino que estava condenado a morrer. Nota-se uma grande paixão pelo povo macua, tão cheio de tradições ancestrais que o protegem, mas que também o subjugam.
Na sua redoma lisboeta, sentia-se sufocada pelo ram-ram de um curso de medicina demasiado distante das pessoas doentes. Jovem e intuitiva, pressentia ser a África o melhor terreno para pôr em prática o saber acumulado dos estudos de pediatria. A medicina tropical iria estudá-la no terreno, com o seu olhar clínico sempre atento, corroborado com o saber acumulado das irmãs da congregação religiosa de S. João de Deus, em cujo convento a Dra. Patrícia se alojou durante o seu trabalho de voluntária num hospital pediátrico em Iapala.
Entre ir para a prestigiada universidade de Harvard, onde tinha sido selecionada e anuir a um apelo humanitário em África, que a atraía num desejo de servir e de curar crianças necessitadas e, ao mesmo tempo a repelia pelo seu imaginário de florestas atravancadas de animais selvagens, de insetos repelentes, de cobras venenosas, em cima dos cajueiros, e de perigos em todos os cantos, preferiu lançar-se generosa e abertamente à escuta de uma outra cultura, dar do seu melhor a um país que quase a enfeitiçou, aprendendo mais nas suas estadas de voluntariado do que em qualquer curso da melhor universidade americana.
É que o diagnóstico médico na África, e mais concretamente na civilização macua, não é apenas ciência médica, é também antropologia, semântica, sociologia, psicologia, uma autêntica abordagem multidisciplinar. E a Dra. Patrícia não iria aprender isso em Harvard. Inteligente como é, depressa percebeu que o diagnóstico não é só olho clínico, baseado no saber da medicina. É também antropologia, conhecimento das tradições. E nesta civilização têm um peso tremendo. Felizmente que lá estava a irmã Lurdes, com a experiência de largos anos em África – um autêntico livro aberto junto de quem a Dra. Patrícia tentava obter as explicações para compreender os comportamentos menos inteligíveis das pessoas que a vinham consultar. Claude Levi Strauss não saberia mais que aquela competente e boa irmã.
Com este livro, Patrícia Lopes recria um estilo literário muito intimista – o do Diário, que nos atrai e nos empolga, sem conseguirmos retirar os olhos de uma leitura apressada e viva, a fervilhar de imagens. Estamos ao lado da Patrícia, no hospital de Iapala, no norte de Moçambique, em plena savana, a muitas horas de viagem de Nampula, e não queremos sair de lá. Terminando o tratamento de um doente, temos logo vontade de acompanhá-la para partilhamos os sentimentos, as angústias em frente de outros doentes que só vêm ao hospital em último recurso.
São textos saborosos onde se ri ás gargalhadas, como aquele sobre uma jovem mamã que foi a Nampula fazer o registo de um filho recém-nascido e que não lhe aceitaram o nome. Disseram-lhe que não era um nome normal. Veio lamuriar-se às irmãs que a ouviam um pouco distraidamente. Curiosa, a Patrícia perguntou-lhe.
– Mas, afinal, qual era o nome que lhe queria dar?
– Padre Arlindo

Com esta, também nós nos escancarámos às gargalhadas com a Patrícia que, morta de riso, para não chocar a jovem mamã, deixou cair um brinco no chão para esconder a cara debaixo da mesa. Depois compreendera que o padre Arlindo tinha sido um missionário – categoria de pessoas muito importantes – que tinha ficado amigo do papá do bebé, quando trabalhava em Nampula.
Ou aquele em que descreve o calvário para reparar a prótese dentária que uma irmã tinha partido. Habituada ao desenrasque africano, a irmã acreditou que alguém lhe poderia valer, mesmo se o velho estomatologista indiano, a viver em Nampula há trinta anos, não dispunha do equipamento adequado. Por conselhos de uns e de outros, as irmãs e a Patrícia dirigiram-se em vão à garagem em frente do mercado, que dispunha de material para soldar e ao latoeiro que executava trabalhos minuciosos. Por fim, e em desespero de causa, aceitaram ir ao reparador de bicicletas e das câmaras-de-ar, ao senhor Castelo Branco, que a consertou com uma cola milagreira e a poliu de seguida com um pano de flanela mais negro que um tição ardido.
– Já está. Experimentar, irmã.
Gostava mesmo de lá estar para ver a cara da irmã que, depois de a ter limpo com a ponta dos dedos, sujeitou-se a metê-la na boca, mesmo em frente do senhor Castelo Branco. Trabalho perfeito pelas mãos de artista moçambicano que Deus dotou com tanto engenho, aprovado e elogiado pelo velho estomatologista indiano.
Neste livro, ri-se às gargalhadas, mas também se chora ao lado das mães desconsoladas que fazem quilómetros a pé com os filhos doentes embrulhados nas capulanas sobre as costas, depositando toda a esperança nesta jovem voluntária e dedicada que de vez em quando decidia interromper os estudos de pediatria, em Lisboa, para acudir à miséria infantil moçambicana.
Está de parabéns a Dra. Patrícia Lopes por este lindo livro onde se espelha a sua inteligência e dedicação pelos outros e a sua generosidade, a tal ponto de ter decidido entregar todo o produto dos direitos de autor à APARF – Associação Portuguesa Amigos de Raoul Follereau, que tem lutado contra a erradicação da lepra – flagelo de mutilação física e sobretudo moral, pois as pessoas afetadas por esta doença são degradadas da família e da comunidade em que vivem, consideradas como autênticas párias da sociedade.
Por isso e por tudo o mais, vale a pena ler e comprar o livro da Patrícia Lopes: Missão – diário de uma médica em Moçambique.
Joaquim Tenreira Martins

A recente e fugaz visita da sra. Merkl a Portugal, revestiu-se de um aparato policial e militar terceiro mundista. Foi um espectáculo nunca visto pela capital cá do burgo. Com medo de quê? De que ela visse o povo que protestava nas ruas? Pela miséria já não escondida nem calada das portuguesas e dos portugueses?

Sinceramente, não compreendi tanta medida de segurança, quando se apregoa que somos um povo sereno, de brandos costumes. Mas o facto, é que a senhora esteve por cá. Esteve com o Primeiro-Ministro e com o Presidente da República. Ao primeiro, veio dar umas palmadinhas nas costas, como bom menino que é, num apoio a uma política que nos levará andar com as calças na mão. Num rumo sem esperança. Num programa em que ninguém acredita. Se a ideia era a de reforçar a legitimidade das políticas do governo, a verdade é que é um flop. Ninguém acredita na senhora. A sua visita ficou logo esvaziada na entrevista que deu à RTP. Deixou aí claro que, politicamente, nada viria alterar ou propor. Dizer que o governo está a cumprir com o memorando, não precisava de cá vir, nós sabemo-lo. Até está a cumprir mais do que o memorando! Portanto, a sua visita foi a de, ao estilo imperial, vir visitar um protectorado, mostrar quem manda. Foi visível o estilo submissivo do primeiro-ministro, quer na pose, quer no discurso. E para a submissão não ser monocolor, a tradução do alemão para português era feita em… brasileiro!!! Bom, a senhora veio cá almoçar um bom cabrito e trouxe com ela uma série de empresários. Estes vieram cheirar, como abutres, as empresas que se podem “comer” facilmente. Não sou contra investimento estrangeiro, obviamente, mas esta visita parece isso exactamente. Este encontro poderia perfeitamente acontecer sob o patrocínio da Associação luso-alemã ou da embaixada da Alemanha. Mas não. Ela acontece com a visita da chefe. Chefe deles (alemães) e dos nossos (portugueses). Portanto, qual a importância desta visita? Empresarialmente, apoio à formação profissional, deve ser para formar os emigrantes para lá, politicamente, zero. Esta visita serviu para confirmar que a Europa, nada tem de novo para responder aos desafios que se lhe deparam. As medidas que teimosamente tem aplicado não têm dado resultado e, todavia, insiste-se nelas. Não sei se por fé ou por não querer assumir o erro, o falhanço, das políticas seguidas. O facto é que a Europa se encontra à beira da cisão. E muito por culpa dos ditames desta senhora.
Ao governo, se não quer continuar, que se renda. Mas que o faça com dignidade. Mas que não ande por aí submisso. Porque, para isso, tire a bandeirinha da lapela, não a envergonhe.

P.S.1 Lamentáveis as afirmações do primeiro-ministro, felicitando os que foram trabalhar em dia de greve geral. Pode pensar dessa forma, ser contra o direito á greve, mas ela é constitucional e o senhor governa segundo essa constituição. O mesmo do senhor Presidente da República, vir dizer que «hoje até estive a trabalhar» (recebeu o presidente da Colômbia), afirmando, com ar enfadado, que a greve era um direito constitucional. Que chatice! Não é?

P.S.2 Está por cá a troika e encontrou-se com os partidos. Desconcertante, os comentários no final. Para a esquerda, a troika nada muda, para a direita, a troika mostrou muita abertura para mudar algumas coisas. Afinal, como é que ficamos? Ou a troika diz uma coisa a uns e outra a outros, ou alguém mente!
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

fernandolopus@gmail.com

Quer salvar o País? Ligue o 760 xxx xxx. Quer mandar a Troika embora? Ligue o 760 xxx xxx. Quer… ? Ligue o 760 xxx xxx. Como cantam os Xutos e Pontapés «A vida vai torta. Jamais se endireita. O azar persegue. Esconde-se à espreita! […]». A verdade é que o azar se instalou em Portugal e é cada vez mais curta a perspetiva de um futuro melhor. Talvez umas chamadas de valor acrescentado ajudem o Governo a resolver o défice.

Prefere políticos limpos? Ligue 760 xxx xxx. Prefere ‘fruta podre’? Ligue 760 xxx xxx

António Pissarra - Raia e Coriscos - Capeia ArraianaTenho andado para aqui a magicar, como diz o Povo, naquilo que motiva as televisões a promover tanta caridade para os telespectadores. É nos programas da manhã, é nos programas da tarde, é para «ganhar o carro», é conseguir uma maquia que quase dava para tirar o país da miséria, é para «pôr os patins ao Hélio do skate», é para manter no programa o obeso que não perdeu tanto peso quanto devia, é para o outro a quem o Paulo Futre não deu nota 10 e continua com a «banha», é para saber se o Sporting vai descer de divisão ou o Benfica ser campeão, etc., etc. Ora, é tal a profusão de números e de propostas para exercer o voto que esta prática deve adivinhar-se muito rentável para os promotores.
Enquanto o Povo se distrai com estes programas de elevado valor cultural e de extrema importância para a resolução dos problemas do País, a crise segue de degrau em degrau, fazendo-nos a cada passo descer um pouco mais baixo na qualidade de vida e na esperança num futuro melhor. É certo que vem a senhora Merkel e os amigos da Troika elogiar os nossos avanços nas reformas e na consolidação orçamental, mas, que raios, andamos tão distraídos a ver as telenovelas e a ligar para os números de valor acrescentado que nem temos noção do quanto estão a fazer bem pelo nosso futuro coletivo. Para aqueles que, de um dos lados da barricada, criticam/criticavam «os amanhãs que cantam», não vemos onde está a diferença de todas estas «balelas», daquilo que poderíamos chamar «fait-divers» não fora as consequências trágicas que se observam na sociedade portuguesa: cada vez mais pobres, crianças com fome, idosos sem dinheiro para medicamentos, pessoas sem emprego e sem prestações sociais, estudantes a abandonar o ensino superior porque os pais não têm meios para assumir as despesas inerentes à sua frequência, etc., etc.
Como aquilo que se houve falar é de cada vez mais impostos sobre os que menos têm, sem se vislumbrar um efetivo corte nas gorduras e mordomias do Estado, com o Povo a ser cada vez mais esmifrado, ao ponto de lhe pedirem para baixar as calças e apertar o cinto ao mesmo tempo, talvez não seja má ideia, uma vez que a prática parece surtir efeito, criar uns números de valor acrescentado para que o Povo possa opinar. Assim, andava toda a gente contente e talvez se resolvesse o problema do défice. Quer que s(c)aia o Governo? Ligue o número tal. Quer que o Governo permaneça? Ligue o número tal. Certamente iria ser um entupimento de chamadas e alguns, os que vêm vivendo, há décadas, alambazando-se com os dinheiros públicos, devolvessem «algum» em chamadas para manter o «tacho». Esta metodologia poderia seguir-se para uma série de situações que inquietam os portugueses.
Pensem nisso!
«Raia e Coriscos», opinião de António Pissarra

Uma conta de gerência actua sobre realidades. Um orçamento sobre previsões que, mesmo quando fundadamente fundadas, não passam de expectativas que o futuro dirá se são ou não concretizadas.

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaObviamente que tratando-se de um instrumento tão importante como é a previsão das receitas que hão-de suportar as despesas de todo um ano de governação, todos os cuidados com vista a aproximar o desejado do real sempre serão poucos.
E a menor das dificuldades não será certamente a de se tratar de previsões sobre previsões, sob um múltiplo risco de falibilidade.
No domínio das receitas, numa sociedade em acentuado estado de crise tentar saber como se comportarão a generalidade dos impostos indirectos é quase esperar uma resposta do oráculo de Delfos.
Ou até mesmo no imposto sobre as pessoas singulares, dadas as perspectivas dum galopante aumento de desemprego.
Para não falar do imposto sobre as sociedades de lucros em muitos casos de todo em todo aleatórios, quando não mesmo condenadas à falência.
E se é assim pelo lado da receita, as incertezas caracterizam também o aspecto despesas, bastando pensar na evolução, por exemplo, dos custos sociais do desemprego ou da acentuação a um ritmo quase inimaginável do empobrecimento geral.
A austeridade gera austeridade, a pobreza avoluma o número de pobres, praticamente em progressão geométrica.
Orçamentar ao ritmo de uma crise significa sempre potenciar a crise.
E o orçamento que a Troika aplaude e apoia não será nunca senão o orçamento que agrade aos nossos credores.
Os sacrifícios que a Nação suporte pela austeridade orçamental são-lhe absolutamente indiferentes.
A Troika não existe para a felicidade do povo português, nem para a resolução dos nossos problemas internos.
A sua função, levada quase ao estatuto de missão, é garantir que os nossos credores externos recebam sacramentalmente os seus créditos, acrescidos dos juros que nos impuseram.
E são esses os parâmetros que fixam para a elaboração do orçamento, bem como para todas as demais regras da governação que, para eles, só será boa se assegurar o pontual pagamento de créditos e juros.
Obviamente que um devedor – pessoa individual ou um estado, a pessoa colectiva mais complexa – deve honrar os seus compromissos. Mas há regras e pressupostos básicos.
O contrato de mútuo não pode ser leonino. O credor não pode abusar do estado de necessidade do devedor.
E que Portugal assinou o tal memorando de entendimento em estado de necessidade alardeiam-no todos os partidos do arco da governabilidade quando pregam que, sem ele, seria o caos.
E que se falharmos, minimamente que seja, o caos, apenas suspenso, aí estará em toda a plenitude.
Há ainda um outro considerando que se impõe.
O credor não pode levianamente conceder empréstimos sem previamente se certificar da capacidade de cumprimento do mutuário. Se o fizer, corre os riscos que inerem à sua própria displicência.
Como não deve também incentivar a gastos superfluos, a cobrir por empréstimos, desenfreando o consumo.
Todos estes argumentos poderão e deverão ser utilizados na nossa negociação com a troika.
E todos por igual poderão e deverão estar presentes na elaboração do orçamento do Estado.
«Caso da Semana», opinião de Manuel Leal Freire

JOAQUIM SAPINHO

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