A longa viagem de mais de dois meses que o então chefe do governo chinês Chou En Lai levou a cabo em África na parte final de mil novecentos e sessenta e três marca uma data importante, pois foi por ela que aquela potência que começava a ter intenções de hegemonia mundial saiu do seu próprio continente, para potenciar o movimento revolucionário no chamado Terceiro Mundo.

Manuel Leal Freire - Capeia ArraianaJá antes, em em mil novecentos e quarenta e nove, Liu Shao Chi, que havia de ser presidente da república, defendera a tese de que a via chinesa é a via que devem tomar todos os países coloniais e semicoloniais no seu combate para a independência nacional. Era a formação de frentes nacionais.
Os elementos de vanguarda da luta revolucionária, preconizava, devem atrair a si os elementos patriotas da burguesia nacional e formar com eles uma frente tão larga quanto possivel. Mas a direcção dessa Frente deve pertencer à classe operária, leia-se ao partido comunista.
Porque a partilha do poder com a burguesia nacional não conduziria ao triunfo da Revolução, mas à prevalência de interesses burgueses.
Ponto essencial era também o da necessidade da luta armada, relembrando os ensinamentos de Mao Tse Toung, segundo o qual o poder está sempre nos canos das espingardas.
Mas esta luta só de per si é insuficiente e não pode ser levada a cabo só pelos povos colonizados. É fundamental o auxílio dos países socialistas
Enfim, os povos da Ásia, da África, da América Latina devem aplicar na sua luta contra os colonizadores a técnica revolucionária que o povo chinês praticou e se encontra sintetizada nas lições de Mao.
Tem de ser assim, dizia o compêndio.
Para o Egito, a Argélia, Marrocos, o Quénia, as três Guinés, o Mali, a Somália, o Tanganica, Zanzibar, o Iemen, a Palestina, o Paquistão, o Ceilão, nas Antilhas, nas Caraíbas, no Peru, na Nova Caledonia…
Como se vê, não há limites geográficos para o expansionismo chinês.
Poderá perguntar-se das razões pelas quais Pequim decidiu intrometer-se tão larga e profundamente por todo o Terceiro Mundo.
Porque os países ocidentais ou abdicaram ou se mostram apenas preocupados com a colonização económica, única que também em seu entendimento interessava aos soviéticos.
«Politique d’ Abbord – Reflexões de um Politólogo», opinião de Manuel Leal Freire

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