You are currently browsing the daily archive for Sexta-feira, 16 Novembro, 2012.

Dizia-me um amigo meu que as melhores histórias são as histórias de vida, as histórias contadas na primeira pessoa.

O livro que acaba de publicar a editora Verso da Kapa, de Patricia Lopes, tem por título Missão – diário de uma médica em Moçambique. É um livro enternecedor e apaixonante. Lê-se de um fôlego. Quando se começa, dificilmente se larga. Está salpicado de histórias comoventes e coloridas, eivadas de um verdadeiro ambiente africano, e estou convencido que cada um dos leitores não se importaria de ter acompanhado a Dra. Patrícia Lopes nas suas viagens de voluntariado ao norte de Moçambique, para partilhar o entusiasmo desta jovem pediatra que se empenhava de tal modo no tratamento das crianças e jovens doentes, a ponto de ter feito uma transfusão de sangue de si próprio para salvar a vida de um menino que estava condenado a morrer. Nota-se uma grande paixão pelo povo macua, tão cheio de tradições ancestrais que o protegem, mas que também o subjugam.
Na sua redoma lisboeta, sentia-se sufocada pelo ram-ram de um curso de medicina demasiado distante das pessoas doentes. Jovem e intuitiva, pressentia ser a África o melhor terreno para pôr em prática o saber acumulado dos estudos de pediatria. A medicina tropical iria estudá-la no terreno, com o seu olhar clínico sempre atento, corroborado com o saber acumulado das irmãs da congregação religiosa de S. João de Deus, em cujo convento a Dra. Patrícia se alojou durante o seu trabalho de voluntária num hospital pediátrico em Iapala.
Entre ir para a prestigiada universidade de Harvard, onde tinha sido selecionada e anuir a um apelo humanitário em África, que a atraía num desejo de servir e de curar crianças necessitadas e, ao mesmo tempo a repelia pelo seu imaginário de florestas atravancadas de animais selvagens, de insetos repelentes, de cobras venenosas, em cima dos cajueiros, e de perigos em todos os cantos, preferiu lançar-se generosa e abertamente à escuta de uma outra cultura, dar do seu melhor a um país que quase a enfeitiçou, aprendendo mais nas suas estadas de voluntariado do que em qualquer curso da melhor universidade americana.
É que o diagnóstico médico na África, e mais concretamente na civilização macua, não é apenas ciência médica, é também antropologia, semântica, sociologia, psicologia, uma autêntica abordagem multidisciplinar. E a Dra. Patrícia não iria aprender isso em Harvard. Inteligente como é, depressa percebeu que o diagnóstico não é só olho clínico, baseado no saber da medicina. É também antropologia, conhecimento das tradições. E nesta civilização têm um peso tremendo. Felizmente que lá estava a irmã Lurdes, com a experiência de largos anos em África – um autêntico livro aberto junto de quem a Dra. Patrícia tentava obter as explicações para compreender os comportamentos menos inteligíveis das pessoas que a vinham consultar. Claude Levi Strauss não saberia mais que aquela competente e boa irmã.
Com este livro, Patrícia Lopes recria um estilo literário muito intimista – o do Diário, que nos atrai e nos empolga, sem conseguirmos retirar os olhos de uma leitura apressada e viva, a fervilhar de imagens. Estamos ao lado da Patrícia, no hospital de Iapala, no norte de Moçambique, em plena savana, a muitas horas de viagem de Nampula, e não queremos sair de lá. Terminando o tratamento de um doente, temos logo vontade de acompanhá-la para partilhamos os sentimentos, as angústias em frente de outros doentes que só vêm ao hospital em último recurso.
São textos saborosos onde se ri ás gargalhadas, como aquele sobre uma jovem mamã que foi a Nampula fazer o registo de um filho recém-nascido e que não lhe aceitaram o nome. Disseram-lhe que não era um nome normal. Veio lamuriar-se às irmãs que a ouviam um pouco distraidamente. Curiosa, a Patrícia perguntou-lhe.
– Mas, afinal, qual era o nome que lhe queria dar?
– Padre Arlindo

Com esta, também nós nos escancarámos às gargalhadas com a Patrícia que, morta de riso, para não chocar a jovem mamã, deixou cair um brinco no chão para esconder a cara debaixo da mesa. Depois compreendera que o padre Arlindo tinha sido um missionário – categoria de pessoas muito importantes – que tinha ficado amigo do papá do bebé, quando trabalhava em Nampula.
Ou aquele em que descreve o calvário para reparar a prótese dentária que uma irmã tinha partido. Habituada ao desenrasque africano, a irmã acreditou que alguém lhe poderia valer, mesmo se o velho estomatologista indiano, a viver em Nampula há trinta anos, não dispunha do equipamento adequado. Por conselhos de uns e de outros, as irmãs e a Patrícia dirigiram-se em vão à garagem em frente do mercado, que dispunha de material para soldar e ao latoeiro que executava trabalhos minuciosos. Por fim, e em desespero de causa, aceitaram ir ao reparador de bicicletas e das câmaras-de-ar, ao senhor Castelo Branco, que a consertou com uma cola milagreira e a poliu de seguida com um pano de flanela mais negro que um tição ardido.
– Já está. Experimentar, irmã.
Gostava mesmo de lá estar para ver a cara da irmã que, depois de a ter limpo com a ponta dos dedos, sujeitou-se a metê-la na boca, mesmo em frente do senhor Castelo Branco. Trabalho perfeito pelas mãos de artista moçambicano que Deus dotou com tanto engenho, aprovado e elogiado pelo velho estomatologista indiano.
Neste livro, ri-se às gargalhadas, mas também se chora ao lado das mães desconsoladas que fazem quilómetros a pé com os filhos doentes embrulhados nas capulanas sobre as costas, depositando toda a esperança nesta jovem voluntária e dedicada que de vez em quando decidia interromper os estudos de pediatria, em Lisboa, para acudir à miséria infantil moçambicana.
Está de parabéns a Dra. Patrícia Lopes por este lindo livro onde se espelha a sua inteligência e dedicação pelos outros e a sua generosidade, a tal ponto de ter decidido entregar todo o produto dos direitos de autor à APARF – Associação Portuguesa Amigos de Raoul Follereau, que tem lutado contra a erradicação da lepra – flagelo de mutilação física e sobretudo moral, pois as pessoas afetadas por esta doença são degradadas da família e da comunidade em que vivem, consideradas como autênticas párias da sociedade.
Por isso e por tudo o mais, vale a pena ler e comprar o livro da Patrícia Lopes: Missão – diário de uma médica em Moçambique.
Joaquim Tenreira Martins

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A recente e fugaz visita da sra. Merkl a Portugal, revestiu-se de um aparato policial e militar terceiro mundista. Foi um espectáculo nunca visto pela capital cá do burgo. Com medo de quê? De que ela visse o povo que protestava nas ruas? Pela miséria já não escondida nem calada das portuguesas e dos portugueses?

Sinceramente, não compreendi tanta medida de segurança, quando se apregoa que somos um povo sereno, de brandos costumes. Mas o facto, é que a senhora esteve por cá. Esteve com o Primeiro-Ministro e com o Presidente da República. Ao primeiro, veio dar umas palmadinhas nas costas, como bom menino que é, num apoio a uma política que nos levará andar com as calças na mão. Num rumo sem esperança. Num programa em que ninguém acredita. Se a ideia era a de reforçar a legitimidade das políticas do governo, a verdade é que é um flop. Ninguém acredita na senhora. A sua visita ficou logo esvaziada na entrevista que deu à RTP. Deixou aí claro que, politicamente, nada viria alterar ou propor. Dizer que o governo está a cumprir com o memorando, não precisava de cá vir, nós sabemo-lo. Até está a cumprir mais do que o memorando! Portanto, a sua visita foi a de, ao estilo imperial, vir visitar um protectorado, mostrar quem manda. Foi visível o estilo submissivo do primeiro-ministro, quer na pose, quer no discurso. E para a submissão não ser monocolor, a tradução do alemão para português era feita em… brasileiro!!! Bom, a senhora veio cá almoçar um bom cabrito e trouxe com ela uma série de empresários. Estes vieram cheirar, como abutres, as empresas que se podem “comer” facilmente. Não sou contra investimento estrangeiro, obviamente, mas esta visita parece isso exactamente. Este encontro poderia perfeitamente acontecer sob o patrocínio da Associação luso-alemã ou da embaixada da Alemanha. Mas não. Ela acontece com a visita da chefe. Chefe deles (alemães) e dos nossos (portugueses). Portanto, qual a importância desta visita? Empresarialmente, apoio à formação profissional, deve ser para formar os emigrantes para lá, politicamente, zero. Esta visita serviu para confirmar que a Europa, nada tem de novo para responder aos desafios que se lhe deparam. As medidas que teimosamente tem aplicado não têm dado resultado e, todavia, insiste-se nelas. Não sei se por fé ou por não querer assumir o erro, o falhanço, das políticas seguidas. O facto é que a Europa se encontra à beira da cisão. E muito por culpa dos ditames desta senhora.
Ao governo, se não quer continuar, que se renda. Mas que o faça com dignidade. Mas que não ande por aí submisso. Porque, para isso, tire a bandeirinha da lapela, não a envergonhe.

P.S.1 Lamentáveis as afirmações do primeiro-ministro, felicitando os que foram trabalhar em dia de greve geral. Pode pensar dessa forma, ser contra o direito á greve, mas ela é constitucional e o senhor governa segundo essa constituição. O mesmo do senhor Presidente da República, vir dizer que «hoje até estive a trabalhar» (recebeu o presidente da Colômbia), afirmando, com ar enfadado, que a greve era um direito constitucional. Que chatice! Não é?

P.S.2 Está por cá a troika e encontrou-se com os partidos. Desconcertante, os comentários no final. Para a esquerda, a troika nada muda, para a direita, a troika mostrou muita abertura para mudar algumas coisas. Afinal, como é que ficamos? Ou a troika diz uma coisa a uns e outra a outros, ou alguém mente!
«A Quinta Quina», crónica de Fernando Lopes

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