A cantiga que apresento hoje é uma cantiga que as pessoas do Soito, sobretudo rapazes e raparigas, cantavam na Praça e noutros largos da aldeia. Tal como existem muitas por esse país fora, esta é uma «Cantiga de Roda». Era cantada por grupos de 15 a 20 pares, que realizavam, com ela, uma dança.

João Aristídes Duarte - «Música, Músicas...»No Soito esta maneira de dançar era conhecida como «andar à conde», ou seja a «fazer a conde», que significa fazer uma dança de roda.
Como se pode verificar a letra está, hoje, desactualizada, porque, entretanto o Soito ganhou o estatuto de vila. Tal não significa que, desde que o Soito é vila os progressos tenham sido muitos, aliás eu penso exactamente o contrário. Escrevi isso logo quando tal subida de estatuto aconteceu (por exemplo no jornal «Terras da Beira»).
Hoje fala-se em diminuir o número de freguesias no concelho de Lisboa e, também, no resto do país e até juntar concelhos para diminuir despesas (não sei bem quem quer comprar uma guerra, mas isto está na ordem do dia e é melhor que se preparem no concelho do Sabugal) e na época em que o Soito foi elevado a vila só se falava em elevar o estatuto das vilas e aldeias. Faz-me lembrar aquilo que se passou no tempo da Monarquia em que os títulos de nobreza eram tantos que até apareceu uma anedota que dizia «Foge cão que te fazem barão! Para onde se me fazem visconde?»
BonecosLembremo-nos que só no distrito da Guarda (e em pouco tempo) elevaram a Mêda, Sabugal e Trancoso a cidades e Cedovim, Freixo de Numão, Almendra, Santa Marinha e Marialva (para além do Soito) a vilas. Será curioso analisar o que se dizia nessa época dos «fundos» que não tardariam a chegar, dos novos serviços públicos que proporcionaria esse novo estatuto e do grande desenvolvimento que viria aí («Terras da Beira», 20 de Maio de 1999, e on-line Aqui.
A letra está desactualizada, também, porque houve um efectivo e muito acentuado crescimento da freguesia, sobretudo desde o final da década de 1960. Hoje o Santo António já não está à saída.
A cantiga intitula-se «Adeus ó Lugar do Soito» e tem esta letra:

Adeus ó lugar do Soito
Ao longe parece vila
Tem uma igreja no meio
Santo António à saída

Bate certo, certo
Agora é que eu vou ao meio
É um regalo na vida
Ir com o amor ao passeio

Ir com o amor ao passeio
Ir com ele passear
Alegrem-se ó meus senhores
Que a roda vai animar.

«Música, Músicas…», crónica de João Aristides Duarte
(Membro da Assembleia Municipal do Sabugal)
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