A cantiga que hoje apresento tem uma bonita melodia. É uma canção de amor, em estilo de balada, mas com alguns laivos de «canção de roda» no refrão (constituído pelas duas últimas quadras).

Salgueiro

João Aristídes Duarte - «Música, Músicas...»A quadra inicial repete-se, quando termina o refrão. O refrão repete-se outra vez.
O bucolismo é tema recorrente na música de tradição oral, em Portugal, até porque a grande maioria das cantigas são recolhidas em meio rural
Por isso não é de estranhar a referência ao salgueirinho junto da água, bem como os peixinhos, uma imagem bucólica bastante comum nestas paisagens beirãs. Lembremo-nos dos lameiros e do corte e apanha do feno, uma das tarefas mais importantes da vida nas aldeias, há umas décadas atrás. Tudo era feito por grupos de homens e mulheres, que aproveitavam para cantar em grupo.

Salgueirinho ao pé d’água
Faz sombra aos peixinhos
Quem namora às escondidas
Leva abraços e beijinhos

Amar não é crime
Não é crime, não
Quem deixa o amor
Não tem coração

Amor dá-me um beijo
Dá-me a tua mão
Se tu não ma deres
Morro de paixão.

«Música, Músicas…», crónica de João Aristides Duarte
(Membro da Assembleia Municipal do Sabugal)
akapunkrural@gmail.com

Anúncios