Aurélio Malva é professor de Economia e membro da Brigada Victor Jara, desde há muitos anos, onde é o vocalista principal e toca gaita-de-foles e guitarra acústica.

Joao Aristides DuarteAntes de ser membro da Brigada Victor Jara, Aurélio Malva foi um dos fundadores do grupo Manifesto, no final dos anos 70. No início começaram por tocar versões de grupos estrangeiros, mas evoluíram, depois, para composições originais, cantadas em português.
Este grupo, do qual faziam, ainda parte, José Tovim (o baixista da Brigada) e Parreiral (que andou com o autor desta crónica na tropa) revelou-se, já nos anos 80, como um dos grupos de Rock mais intervencionistas de Portugal.
Com efeito, Aurélio Malva seria o autor do tema «Aos Domingos Vou à Bola», um tema que atingiu algum sucesso no boom do Rock português.
Nessa época era com esta canção que se iniciavam os programas desportivos na Rádio Renascença, se a memória não me trai, apesar de ser um “hino” contra a alienação que o futebol provoca em certas pessoas.
Aurélio Malva era amigo pessoal do falecido professor Eduardo Bárrios, de Aldeia do Bispo, que contratou a Brigada Victor Jara para as Festas dessa localidade raiana, no ano de 1997, já referido em crónica anterior neste blogue e por mim considerado como um dos melhores concertos de sempre no concelho de Sabugal.
Aurélio MalvaAurélio Malva e a Brigada Victor Jara actuaram, também, em 1989, no Soito, nas Festas de S. Cristóvão, noutro bom concerto.
O concerto de Aldeia do Bispo foi no dia da Capeia Arraiana, na segunda-feira, dia 11 de Agosto.
De certeza que os membros da Brigada assistiram à Capeia e Aurélio Malva produziu estas declarações, numa entrevista que me concedeu há dois anos:
«P: Há uns anos vi a Brigada Victor Jara num concerto em Aldeia do Bispo (Sabugal), onde o público teve direito a quatro encores. De certeza que esse concerto ficou na memória dos músicos da banda. O que achou desse concerto?
R: Foi um concerto mágico! Nós, que amamos as tradições, fomos contagiados pelo ambiente da festa e da tourada com o forcão. A vibração do público faria o resto. De um modo geral, os nossos espectáculos (como os nossos discos) são sempre muito bem aceites mas, quando no final há quatro encores, isso significa que algo de muito especial aconteceu, para nós e para o público.»

Realmente, conheço alguns músicos, mas nunca vi nenhum a falar da Capeia Arraiana, como o fez Aurélio Malva.
«Música, Músicas…», opinião de João Aristides Duarte

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