Não sei se o leitor(a) já se apercebeu que de tantos em tantos anos começa a ouvir que a Segurança Social vai entrar em ruptura. Eu já ouço isto desde os finais dos anos setenta.

António EmidioHá uma explicação, a Segurança Social movimenta milhões de euros pertencentes ao Estado, é um dos sistemas públicos que movimenta mais dinheiro, logicamente é motivo de cobiça por parte de bancos e seguradoras. Dizem então que a única solução para se evitar o «colapso» é privatizar a Segurança Social. Só assim será possível, no futuro, haver pensões e reformas para todos.
Quem aconselha isto é uma série de gestores privados, gestores de bancos e seguradoras, mas que ao mesmo tempo trabalham como assessores de primeiros-ministros. Ainda segundo eles, o sistema privado ofereceria melhor rentabilidade do dinheiro dos contribuintes, que seria sem dúvida alguma jogado na Bolsa.
Continuam os gestores privados: deve entrar-se na capitalização individual (Segurança Social Privada), gradualmente, e reduzindo as pensões ao mínimo, baseando-se no salário médio da vida laboral do pensionista. Feitas as contas, significaria uma redução de 30% nas pensões actuais, eles próprios o reconhecem, mas dizem que os benefícios que actualmente usufruem os pensionistas e reformados são extremamente generosos.
Aconselham também aumentar a idade de reforma entre os 67 e 70 anos, devido ao aumento da esperança de vida e, por conseguinte, ao aumento de anciãos que irão sobrecarregar a Segurança Social. E o aumento da esperança de vida é igual para todos? Será que um homem que toda a vida trabalhou, por exemplo na construção civil, terá a mesma esperança de vida de outro que trabalhou numa cátedra de uma universidade? Querido leitor(a), não há nada mais desigual do que o tratamento igual entre desiguais.
Os mentores destas propostas, os tais gestores e assessores, enviaram o seu relatório sobre a Segurança Social a países europeus aconselhando-os à privatização desta, mas tome atenção a esta passagem:
«As decisões aqui propostas poderiam solicitar-se trasladando a responsabilidade pela sua entrada em funcionamento, à União Europeia – e muito especialmente à Comissão Europeia – as quais seriam possíveis pelo DEFICIT DEMOCRÀTICO existente na União Europeia. Não se prestariam contas à cidadania, e tais decisões poderiam ser tomadas contra os desejos dos votantes hoje existentes, mas a favor dos interesses dos que todavia ainda não nasceram.»
Banqueiros e grandes accionistas preocupados com os que ainda irão nascer, isto comove…
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

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