Vai avançar o projecto de implementação de uma rede de judiarias na Beira Interior, havendo diversos concelhos perfilados para a integrarem. Porém o Sabugal parece excluído, ainda que Natália Bispo, proprietária da Casa do Castelo, venha insistindo que o nosso concelho também deve fazer parte do projecto.

Jorge Martins - Casa do CasteloO programa da rede de judiciarias foi apresentado no decurso do Ciclo de Cultura Judaica que a cidade da Guarda acolheu em data recente. O seu grande mentor é António Saraiva, da Agência para a Promoção da Guarda, criada pelo município egitaniense. Aliás a Guarda rivaliza com Belmonte e Trancoso na tentativa de liderança no aproveitamento do filão turístico que pode advir da valorização desse recurso histórico. Porém, embora disputem protagonismo, os presidentes de câmara destes três concelhos foram recentemente juntos a Israel, tentando estabelecer contactos que garantam a viabilidade do aproveitamento turístico dos vestígios judaicos que a região contém.
Para além destes três municípios outros há na região que demonstram ter grande interesse em integrarem a rede turística. Almeida, Celorico da Beira, Figueira de Castelo Rodrigo, Gouveia, Meda, Vila Nova de Foz Côa, Castelo Branco, Covilhã, Fundão, Idanha-a-Nova e Penamacor, são exemplos de concelhos dos distritos da Guarda e de Castelo Branco que estão já indicados para integrarem o projecto.
Do Sabugal ninguém fala. O Município parece estar a dormir, numa modorra já crónica e sem tratamento eficaz.
Na Assembleia Municipal discute-se o ridículo, de que é principal exemplo a questão da forma de votação, de braço no ar ou secretamente, quando se sabe que o eleitor tem de conhecer qual o sentido de voto dos eleitos, sendo a votação secreta uma fraude que não pode vingar numa assembleia que se quer aberta e transparente.
Na Câmara fazem-se reuniões do executivo onde se discutem trivialidades, como é cabal exemplo esta ordem de trabalhos da reunião do dia 24/02/2010: despachos para conhecimento; obras particulares; tabela de taxas e tarifas; carta da Acôa; carta da Rodoviária da Beira Interior; pedido de apoio para transporte de deficiente; carta de Luís Santos; carta de Consortelha; informação sobre expropriações no âmbito da obra «via estruturante da Raia».
A dar a cara na luta para que o Sabugal integre a rede de judiarias só aparece uma pessoa: Natália Bispo, proprietária da Casa do Castelo, em cujo interior existe um pequeno núcleo museológico que, entre outras peças, contém um altar judaico em granito. O semanário «A Guarda», fez uma visita ao local e titulou na última edição: «Casa do Castelo quer incluir o concelho nas rotas históricas do judaísmo». E ilustra a notícia com uma fotografia de Natália Bispo junto ao «armário judaico em granito que será datado do séc. XIV».
Para além deste altar, há outros vestígios judaicos no Sabugal e também em Vilar Maior, onde existiu uma judiaria. Aliás, o investigador e colaborador do Capeia Arraiana Jorge Martins, tem evidenciado na sua coluna «Na Rota dos Judeus do Sabugal» um conjunto de dados acerca da ligação histórica do nosso concelho a uma comunidade de judeus que aqui se instalou e aqui viveu, sendo duramente perseguida pela Inquisição.
É tempo de pôr mãos à obra e tentar apanhar um comboio que segue em andamento sem estar garantido que faça escala no concelho do Sabugal.
«Contraponto», opinião de Paulo Leitão Batista

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