Manuel Poppe pediu ao Capeia Arraiana a divulgação pública de um grande abraço a Manuel António Pina. Um e outro dispensam apresentações mas vamos aproveitar excertos de uma entrevista que Américo Rodrigues fez a Manuel Poppe para o «apresentar» e, de seguida, publicamos a saudação ao ilustre homenageado de sábado, 4 de Abril.

Manuel Poppe e Manuel António PinaAssim começa a entrevista que Américo Rodrigues fez a Manuel Poppe… «fez-se homem na Guarda. No “Rocha”, mas também no “Poço do Gado”. Na Biblioteca do Padre Pôpo, mas também na papelaria do Senhor Casimiro. Tem da Guarda a memória dos afectos. Muitas vezes provocatório e quase sempre irreverente q.b. Manuel Poppe é um intelectual distinto. Não alinha no politicamente correcto, nem no silêncio das conveniências. É cidadão de corpo inteiro, amigo do desassombro. Diz o que pensa, o que é raro neste país de capelinhas e de figurões bem-falantes. Anarquista tranquilo, Manuel Poppe é, para além de um excelente prosador, um homem íntegro, um homem livre. Fez crítica literária no “Diário Popular”e produziu e apresentou um programa sobre livros na televisão. Foi conselheiro cultural junto da Embaixadas de Portugal em Roma, São Tomé, Telavive e Rabat. É “Dottore in Lingue e Leterrature Straniere, pela Universidade “La Sapienza”, com uma tese sobre Régio. Sandro Pertini distinguiu-o com a comenda da Ordem de Mérito e as cidades de Florença e Veneza com as respectivas Medalhas de Ouro.
Poppe é ensaísta, dramaturgo, romancista e cronista. Em 1995 recebeu o Grande Prémio da Associação Portuguesa de Escritores.
Publicou “Temas da Literatura Viva” (1982), Crónicas Italianas (1984), Os amantes voluntários (1987), O pássaro de vidro (1988), A mulher nua (1997), Sombras em Telavive (2001), Memórias, José Régio e outros escritores (2001), A tragédia de Manuel Laranjeira (2002), Um Inverno em Marraquexe (2004), A aranha (2005) e Pedro I (2007), entre outras obras. Está traduzido e publicado em hebraico e italiano.
À revista da “sua” terra respondeu com a costumeira frontalidade, doesse a quem doesse. Manuel Poppe é um escritor comprometido, não acredita nas tretas da “arte pela arte”. Tem muito a dizer. Parafraseando um célebre texto de teatral: ouçamos como ele respira.»
Leia a entrevista completa Aqui.

O Capeia Arraiana publica, de seguida, a mensagem de Manuel Poppe:
«Caros Amigos,
Por razões de saúde – garanto-vos que não é uma desculpa diplomática –, não poderei estar convosco, no próximo dia 4, para homenagear Manuel A. Pina.
Tenho muita, muita pena. Manuel A. Pina merece essa e todas as mais homenagens. Todas serão, aliás, poucas.
Conheço-o há mais de 30 anos; escrevemos no mesmo jornal; desde a primeira hora que o admiro e respeito.
É um poeta admirável e um jornalista superior. Neste momento, em Portugal, ninguém escreve, sobre a nossa actualidade tão difícil, tão dramática, tão terrível, com a independência, coragem, honestidade e lucidez com que escreve Manuel A. Pina.
Sou beirão de eleição e coração – e honra-me sê-lo, porque Manuel A. Pina o é, também.
Parabéns pela felicíssima iniciativa e o grande abraço do
Manuel Poppe
p.s. se assim acharem, honrar-me-ia muito ver estas linhas publicadas na vossa Capeia Arraiana. Bem hajam!»