Reportada que foi, nestes escritos, uma grande parte da vida do Colégio, com a sua actividade intensa, no final e inicio dos últimos dois séculos, apenas mais umas poucas considerações sobre a sua utilidade, depois do encerramento.

Esteves Carreirinha - Ecos da AldeiaPara quem viveu na rua do Colégio, enquanto foi totalmente habitado pelas famílias que o arremataram, ou outras posteriores, com a sua altaneira e imponente Igreja transformada em palheiro, servindo para as famílias detentoras deste espaço arrecadarem os animais, a palha ou outras alfaias agrícolas, enfim tudo o que era necessário, pois espaço era coisa que abundava numa Igreja com aquele tamanho todo.
Franqueámos, inúmeras vezes, as suas grandiosas e trabalhadas portas de madeira, na nossa juventude, pois vivemos mesmo na sua frente, pertencendo a um número de privilegiados, que mantivemos alguma facilidade na sua entrada, devido às relações de amizade, boa vizinhança e contacto diário com a família, detentora da maior parte da Igreja.
Muitos serões passámos no quentinho da Igreja, seja em amena cavaqueira típica das noites, seja no ajudar a arrumar as «fachas» de palha ou feno para os animais, bem como outras tarefas que por lá ocorriam, como a feitura de aguardente caseira na Alquitarra, durante a noite, acompanhando com alguns petiscos, que tivemos oportunidade de saborear, assados na brasa, enquanto a aguardente se ia formando.
Aquele edifício, com a sua altivez, exercia um fascínio difícil de explicar na pequenada, que por ali morava, não sendo muito perceptível para todos nós, enquanto canalha miúda, compreender como foi possível o aparecimento deste monumento, que apesar de ter sido encerrado na primeira década de 1900, registou ainda alguma utilidade e vida, depois da arrematação em hasta pública em 1922, servindo os últimos moradores com pertença da Igreja, que a foram mantendo activa para as suas necessidades, embora com uma tarefa bem diferente, para a qual foi erigida.
Colégio de Aldeia da PonteComo o telhado nunca teve uma grande reparação, apenas um ou outro retoque e, devido às infiltrações, era visível, nos dois cantos da frente, a deterioração que na década de 50 já existia na Igreja, ainda sem perigo aparente, para quem lá entrasse, pois estes dois cantos estiveram sempre protegidos, não fosse alguma telha ou madeira vir por ali abaixo, causando algum dissabor.
Antes de abordar algumas considerações sobre uma eventual recuperação, dependendo da vontade dos detentores da Igreja, num artigo próximo, uma referência para a imensa vida no grande forro do telhado, servindo de refúgio a várias aves, pois aqui tiveram protecção e sossego, principalmente as pombas, fazendo neste local um autêntico pombal com os seus ninhos, por muitos anos, complementada com o altaneiro ninho das cegonhas, chegando a existir dois.
Todas as Primaveras, as cegonhas ali arribavam para a criação, frequentando as «charcas» das redondezas, onde recolhiam os alimentos para criar os filhotes cegonhos.
Deduzidas as novas atribuições agrícolas e, à falta de melhor, o edifício da Igreja também serviu, como acabamos de referir, de poiso para muitas aves, transmitindo-lhe alguma visibilidade no regresso das cegonhas, com o matraquear característico e inconfundível dos seus longos bicos.
«Ecos da Aldeia», opinião de Esteves Carreirinha

estevescarreirinha@gmail.com

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