O ensino escolar, nesta nova fase, funcionou desde 1901 até ao ano lectivo de 1906/07, quando foram extintos o ensino oficial e o Seminário no Colégio.

Esteves Carreirinha - Ecos da AldeiaA partir daqui começaram os problemas no Colégio, derivado à situação politica instável, agravando-se mais tarde, com o assassinato do Rei D. Carlos em 1 de Fevereiro de 1908, tornando-se difícil às Ordens religiosas exercerem a sua actividade, sendo inspeccionadas, várias vezes, pelos serviços do Reino, no sentido de verificar os seus registos e respectivos livros de contas.
Pairou por muitos anos a informação, que o Colégio teria cessado a actividade com a implantação da República, mas o que é um facto, é que foi encerrado, definitivamente, em 12 de Setembro de 1910, por ordem do Governo do Reino, um mês antes da proclamação da República em 5 de Outubro de 1910 e depois da realização de dois inquéritos. O primeiro no ano de 1908, acrescido de um outro, já próximo do encerramento, chegando os inquiridores à conclusão, que se desviou dos objectivos e dos fins legais para que tinha sido criado, deixando de cumprir as suas obrigações, consignadas nos Estatutos, ficando reduzido a uma casa de missionários espanhóis da Companhia de Jesus, não tendo existência legal no País.
Colégio de Aldeia da PonteA má vontade contra o Colégio e os Frades já se pressentia no ar por demais, nesta altura de grande instabilidade, anterior à Republica, sofrendo uma campanha terrível na imprensa, apelidada até de miserável, levando ao resultado que se conhece, o fecho das suas portas.
Para esta situação extrema de conflito, envolvendo o Colégio, contribuíram alguns jornais nacionais, destacando-se neste papel, o antigo jornal «O Século», publicando vários artigos ofensivos, alguns na primeira página, reportando toda a actividade dos Frades espanhóis em Aldeia da Ponte, acusando-os de vários ilícitos, entre os quais, o contrabando, a caça de missas, bem como negociatas duvidosas e os diversos peditórios por tudo e por nada, abusando da boa vontade do povo, sobrecarregando-o com estas praticas.
Colégio de Aldeia da PonteConsumada a expulsão dos Frades espanhóis do Colégio, foi este confiscado e selado pelas autoridades, tendo o novo poder delegado ao Governo Civil, o arrolamento geral de todos os bens, até que se decidisse o seu destino futuro, procedendo-se a uma arrematação em hasta pública, anos mais tarde, por altura do ano de 1922, durando até aos nossos dias, com vários proprietários, como é sabido.
A despedida dos Frades de Aldeia da Ponte causou desconforto e lágrimas, misturadas com alguma mágoa e dor em todo o povo, pois por todos eram benquistos, apesar de tudo o que se publicava nos jornais da época, sendo preciso forças de segurança reforçadas, para levarem a efeito esta medida, verificando-se uma resistência assinalável, com algumas prisões, como consequência deste destemido acto, dos habitantes da nossa terra.
Perdeu Aldeia da Ponte e toda a comunidade das Beiras, depois do abastado trabalho dos seus mentores e de toda a ajuda do povo na construção deste monumento, que foi fundamental e útil a muitos antepassados, durante quase duas dezenas de anos, de 1892 até 1910, contribuindo para uma melhor formação, que sem a existência do Colégio, não seria possível, como se pode facilmente depreender.
«Ecos da Aldeia», opinião de Esteves Carreirinha

estevescarreirinha@gmail.com

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