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(Este texto poderia ser escrito por Medina Carreira – todos liam, mas depois ninguém levava a sério – acrescentando no entanto umas quantas baboseiras típicas de quem nunca fez nada, mas numa manjedoura farta, se acha no direito de emitir opinião.)

Agostinho da Silva - JarmeloMuito se tem dito sobre a vaca jarmelista, uns de forma mais assertiva outros de forma mais gratuita, lá se vai falando. E fazendo? O que é que realmente se faz?
Já fui considerado o «homem-vaca» ou até o pai da vaca jarmelista, mas isso não me confere nem mais nem menos direitos públicos que os demais. Conferiu-me, até por inerência de funções, a tarefa de tentar salvaguardar o que os nossos antepassados um dia para nós seleccionaram.
Nos mais de dez anos que levei nesta luta, muito cedo fiz o prognóstico deste momento que em paralelo com o momento que vivemos, nos poderá, para já levar ao chamado «calvário da vaca jarmelista».
Será que, de uma morte anunciada, poderemos ver a luz, como quem vislumbra uma espécie de ressurreição?
Fazendo um ligeiro apanhado do que foi um caminhar lado a lado, noto que no essencial, desde os finais dos anos 90 (em que me meti nisto) até agora ao final da primeira década do novo milénio, pouco ou nada se fez seriamente para evitar o desaparecimento da vaca jarmelista.
Não tivesse sido o apoio (culpa) dos Media e já tudo estava resolvido: tinha-se acabado com o maldito animal e já não se falava mais nisso! Por sorte, ou talvez não, conseguiu-se uma invulgar visibilidade, que quando transposta para a carga/capital de influência pública, torna o tema tão incómodo que os que estão fora querem entrar e os que estão dentro, não sabem como dele sair.
A questão da vaca jarmelista, só tem duas saídas, ambas de carácter político (isso sim é que me custa): deixar que o «problema» se resolva por si só, com o tempo impiedosamente a fazer estragos; ou também com o tempo, mas em «contra-relógio» (contra ciclo também) avançar de uma vez por todas para o que um dia ficou «sonhado», a implantação em «barrigas de aluguer», para se chegar ao tal efectivo próximo dos 400 animais.
Sinceramente, não vejo vontades políticas, e até das outras, para que a tal se consiga chegar. No já demasiado longínquo ano de 2003, pelo então director de serviços, Dr. Mário Costa, a Direcção Geral de Veterinária, fez-se representar, ainda hoje não tenho a certeza se oficialmente ou por simpatia, na Feira-concurso do Jarmelo. Tivemos uma longa conversa, da qual resultaram as bases do que até agora tem acontecido. Mas resultaram também muitas mais bases, que quer eu, quer o Dr. Mário Costa, achávamos fundamentais e condição sem a qual, tudo ruiria como um castelo de cartas.
O tal plano, quiçá «maquiavélico», de sustentar a existência de uma raça com nome Jarmelo associada; parecia o início de um sonho lindo, que afinal teima em se revelar pesadelo para quem nele entrar.
Com o Dr. Mário Costa, cedo concordámos (nunca nos tínhamos visto nem contactado), que a inseminação e implantação em barrigas de outras raças era a única saída possível. Ele, é um técnico superior, eu, era e sou um «estorvo» que de vacas nada sei (nem sabia), os «ilustrados» existem, andam por aí.
É inconcebível que a forma como é dado o apoio aos criadores (os tais 17, na maioria pequenos proprietários), tenha que funcionar como funciona. Aqui, terei que repor justiça na forma como a ACRIGUARDA se tem empenhado e esforçado, para manter o serviço que mantém.
E é inconcebível e incomportável, que para a Acriguarda, um dia venha a cair a «culpa» de não ter feito mais. Sem conhecer os constrangimentos, basta olhar ao mundo rural para saber que todos estão descapitalizados. Como se não bastasse a Acriguarda, com a jarmelista, tem ainda pendentes situações em tribunal.
Não duvido da imensa vontade da Acriguarda, mas já isso sim, duvido da vontade quer do Ministério da Agricultura, quer dos seus serviços desconcentrados (a última vez que afirmei isto, valeu-me 15 mil euros de apoios; espero que desta não implique algum amuo, ou similar, que resulte em cortes no que ainda não vem). Agora que já não pertenço nem á Junta nem á Feira, podem apoiar conforme é devido, pois algumas vezes fiz «pagar» o Jarmelo por pecados da vaidade pessoal (do que o Jarmelo ganhou não cabe aqui o momento).
O Ministério da Agricultura terá que de uma vez por todas tratar a «doença» com vontade de a resolver: ou assumir uma coisa (acabar com) ou outra (avançar para). Assim que se falou da possibilidade de implantação em «barrigas de aluguer», logo apareceram pessoas com vontade de colaborar e disponibilizar as suas vacas para tal.
Num processo destes, não pode haver lugar a invejas, muito menos providências cautelares; qual a moral de uma associação (pelo menos pela tomada de posição pública em programa de TV), quando a argumentação se baseia em questões económicas/subsídio de excepção? Então e todos os outros anos em que a suposta jarmelista nada recebeu? A jarmelista até ao reconhecimento oficial, recebia ZERO! E quanto recebiam as demais raças nacionais? Viram alguém reclamar apoios (solidariedade) para a jarmelista? Continuamos a olhar para a vaca como um ser que tem MAMAS!!
Num processo destes, qualquer coisa é melhor que nada, mas pode não ser o suficiente! Devem manifestar-se os criadores e eventuais parceiros a integrar, nomeadamente neste assunto das «barrigas de aluguer», e claramente compensar as eventuais perdas que venham a verificar-se face ás expectativas que se criem. Explico: não pode um produtor (num processo tão urgente como este) estar a correr «riscos» de que a sua vaca não tenha pelo menos uma cria por ano, daí que era urgente definir este género de situações par evitar (como foi o meu caso) que uma vaca em estábulo em três anos só tenha tido uma cria (não tem forçosamente que ver com as condições de acondicionamento ou manuseamento, mas em minha opinião, com a tal necessidade de munir a ACRIGUARDA (ou instituição superior) com meios financeiros e técnicos que possam suprir estas «falhas».
As vacas integradas numa vacada, manifestam o cio de forma mais visível, tendo macho serão «cobertas»; em estábulo e muitas vezes uma ou duas (acumulando no meu caso falta de saber sobre cio) dificulta muito mais. Sei que há formas de provocar o cio, sei que haverá outras maneiras de solucionar a situação… mas também sei que com esta inércia, não vamos lá
Diz-se no entanto por aí (e ninguém acredita que seja assim) que o Ministério da Agricultura (diversos serviços) além de supostamente…, também carrega de «papelada» as situações de tal forma que as pessoas comuns não podem ser «bafejadas» (termo do reino animal em época de prendas – menino Jesus, presépio).
A propósito: só no concelho de Lisboa (esse concelho extremamente rural), trabalham (ou trabalhavam até há pouco) quase 50% dos funcionários do ministério, que sendo boa parte chefias e afins, ajudarão a consumir o que em 2006 eram 260 milhões de euros do “funcionamento” do ministério. A agricultura tem que continuar a cheirar a Merda!! E não a eventuais «Channel», a agricultura deve voltar para o campo, lá para o sítio onde estão as gentes. O Portugal profundo precisa que o Portugal «ilustrado» se volte de novo para as raízes, e delas não tenha vergonha.
As raças de vacas autóctones, as 13 reconhecidas, mais as tais, eventuais, outras seis (sub-raças da mirandesa), poderão vir a ser o «furo» para um país que tem que ser aquilo que o mercado disser: pequenos nichos, com ofertas muito diversificadas, em que os gostos de cada região estejam ali ao alcance de quem os queira voltar a sentir ou provar pela primeira vez.
Sei que já se come por aí «vitela do Jarmelo» (só porque supostamente criada em pastos das terras daquele microclima, e espero que quem eventualmente «ganhe» com isso não tenha que ter engolido algum sapo – é que ás vezes há quem bata no «amoijo»/úbere em que mama). Porque não comer mesmo Vitela jarmelista, certificada?
Como também para os que me conhecem, pouco disto é novidade, a forma como me tenho expressado publicamente é realmente um tanto provocatória (palavra que na raiz pede palavra – resposta); tantas vezes lido/entendido das mais enviesadas formas, mas que pela persistência (e sempre com apoio dos MEDIA regionais e nacionais) lá se foi fazendo ouvir.
Das diversas tomadas de posição pública sobre este e outros temas, nunca foi meu objectivo prejudicar a «causa» da vaca jarmelista, mas tão só num mecanismo de visibilidade, evitar que o caso fosse esquecido, como é tão do (bom) gosto dos decisores políticos: matá-los pela exaustão – como a visibilidade pública me alimentava o EGO, fui continuando, e criei um capital de tal forma evidente, que ainda hoje, sempre que se fala do tema, as pessoas esperam que eu também fale ou apareça. Mesmo as minhas ausências, chegam a ser tão incómodas como as presenças, os meus silêncios perturbam por vezes mais que as palavras.
Tenho que reconhecer publicamente também, que «montei estratégias» com fins muito objectivos, sendo que por exemplo em relação à Feira (posso dizê-lo) era que de uma vez por todas a Câmara Municipal (a tal do interesse), agarrasse o tema com as mãos (e com as duas). Contrariamente a outras terras, o Jarmelo está escasso de gente com ânsia de protagonismo, daí que aquilo que poderia ser um lugar apetecível, é na verdade o contrário (dá trabalho, falta apoio concertado).
Para poder aguentar mais de dez anos num tema destes, tem que se ter pele de bombo, para aguentar toda a «porrada», inveja, maledicência e outros «usos». Sempre quis acreditar que este tema não seria/serviria para a luta política, mas também percebi que era mais um local para tal, há uma atracção fatal pelo abismo.
Agostinho da Silva (Jarmelo)

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Há muito que estava prometido o encontro no Jarmelo com Agostinho da Silva. O espírito de missão que leva este homem a defender a causa da vaca jarmelista é digno de registo. Com discurso rápido e fluente o irreverente presidente da Junta de Freguesia do Jarmelo mistura a polémica sadia com algum marketing provocante. A conversa fez parar o tempo lá riba no marco geodésico onde, musicadas pelas brisas beirãs, se avistam paisagens a perder de vista desde a Guarda até Ciudad Rodrigo. «Preparo-me para ser candidato à Câmara da Guarda. Mas não vale a pena escrever isso porque quero apenas abanar um pouco o estado das coisas em relação à raça jarmelista», diz-nos com um sorriso matreiro, Agostinho da Silva enquanto nos guiava pelos terras e terreólas da sua freguesia desenhada pelos martelos dos ferreiros de outros tempos.

«Quando iam comprar as vacas, escolhiam as que dessem muito leite… paridas de pouco tempo, p’ra se ver o amoijo, se tinha bom amoijo alguma coisa havia. As vacas cá se iam seleccionando, uma vaca que desse muito leite, o proprietário depois de ver que não dava leite, engordava-a e procurava vendê-la… ia procurar outra… a este mercado aqui… ou até Pousafoles do Bispo, Vila do Touro, Alfaiates, para onde tinham ido as nossas bezerras, aquelas que mais tarde dessem bom amoijo, iam-se lá comprar, tanto assim, que uma vez veio de lá uma vaca de Pousafoles para o Ti Órfo… era uma vaca muito linda! Muito bem posta, mas não era grande; tinha o focinho amacacado assim de sapo, virado p’ra diante… mas é lindo o focinho curto.» (retirado do livro das memórias do Silva da Ima, pai do nosso entrevistado).

Agostinho da Silva no JarmeloAgostinho da Silva nasceu a 15 de Dezembro de 1965 na Ima do Jarmelo. Depois da Escola primária entrou para a ordem religiosa missionária Verbo Divino, no Tortosendo. Frequentou a Escola António Arroio, em Lisboa, entrou na Belas Artes do Porto, onde fez o curso de Design de Comunicação. É, actualmente, presidente da Junta de Freguesia do Jarmelo (um conjunto de várias povoações), vive em Porto da Carne (e em breve na Guarda) e vai sempre que pode à aldeia que o viu nascer – Ima do Jarmelo –, uma terra onde ainda resistem cerca de 20 pessoas. Fotógrafo, designer e professor de Artes Visuais é um dos maiores activistas da campanha contra a extinção da raça jarmelista. Foi, com muito orgulho, que nos mostrou a vaca e a bezerra, dois exemplares lindíssimos, que mantém na «loja» de seus pais na Ima do Jarmelo.
Iniciámos a nossa visita guiada pelo Largo da Igreja de Cima onde se percebe na muralha a intervenção sofrida por um portal alargado. Agostinho da Silva recorda a memória dos mais antigos sobre o que aconteceu…
– As procissões antigamente saiam da igreja de cima passavam na vila e entravam na igreja de baixo e no ano seguinte era ao contrário – ainda hoje as pessoas vão à missa ao domingo, alternadamente, a São Pedro e São Miguel – e como passavam por aqui e a portaleira era um pouco estreita havia sempre uma picardias entre quem levava o andor e… empurra para lá, encontrão para cá riscando as madeiras… e o padre para acabar com isso mandou deitar abaixo um dos lados da portada.
A cada passada é possível chutar pequenos calhaus negros duros e pesados. Deixamos a explicação para o nosso anfitrião. «Isto é escória de ferro. Na reconquista de Portugal aos mouros um grande núcleo de ferreiros veio implantar-se no Jarmelo. No início do século XX tinhamos 120 forjas de ferreiro na região do Jarmelo. A vaca jarmelista é bastante parecida com a asturiana de Los Valles. E a minha teoria está associada a isto. Quando vieram os carregos com os bens dos ferreiros asturianos eles também trouxeram os carros e as vacas. Eram comunidades fechadas auto-suficientes que associadas ao microclima que aqui existe apuraram uma raça diferente de todas as outras.»
Continuámos até um espaço no interior das muralhas, nas ruínas da antiga Vila do Jarmelo. «Aqui actuou o Chuchurumel, no Dia do Património.» – E o que é o Chuchurumel? – «É um grupo constituído por César Prata e a Julieta Silva cantam cantigas populares, tradicionais. Fizeram um levantamento, sistematizaram as recolhas e concretizaram, aqui, uma apresentação com 15 temas.»
Mais à frente percebem-se as marcas do que sobra das paredes em pedra de uma casa. «Aqui viviam os pais de Pero Coelho, um dos assassinos de Inês de Castro. Quando D. Pedro subiu ao trono mandou arrasar a vila do Jarmelo que o povo vai lembrando com a lenda – não ficou pedra sobre pedra e que salgou as terras para que elas nunca mais produzissem – mas a verdade é que as terras são pobres. Perto da ribeira faz-se algum cultivo mas afastando-nos 50 metros é só centeio e mato.»
A intervenção que houve no Castro foi coordenada pela Câmara da Guarda, com um arqueólogo e com uma equipa de quatro pessoas que estiveram aqui a trabalhar cerca de um ano. «Notamos é a falta de datação de objectos. Chegámos a pensar num campo de férias com características especiais, por exemplo, vocacionado para a história mas ainda nada se concretizou», esclarece Agostinho da Silva.
O carreiro bem trilhado levou-nos a um dos sítios mais emblemáticos das terras do Jarmelo. A pedra de montar. Mais uma vez deixamos a explicação para o nosso guia. «Esta é a famosa pedra de montar mas parece que não estava aqui. Foi aqui colocada há cerca de 60 ou 70 anos. Tem talhada uma ferradura e uma poça para colocar a ração e está associada à lenda de que Inês de Castro montava neste pedra para o cavalo.»
A visita ao Jarmelo tem um ponto de passagem obrigatório. O marco geodésico. Substituiu uma antiga torre de menagem e permite desfrutar de uma paisagem a perder de vista desde a Guarda até às planícies espanholas de Ciudad Rodrigo.
«Todas as aldeias do Jarmelo tinham o chamado caminho da missa – por momentos era carreiro, outras era caminho, outras era atalho – e a cerca de 100 metros da igreja estava uma lasca, uma pedra espalmada, onde as mulheres metiam por baixo as alpargatas espanholas (com sola de borracha e pano preto) e calçavam os sapatos. No regresso voltavam a calçar as alpargatas. Naquele tempo havia uns sapatos para ir para à missa e uns sapatos para o trabalho do campo. Eu que não sou assim tão velho tive as primeiras sapatilhas aos 10 anos quando fui para o Seminário para o primeiro ano do ciclo. Mas não fomos tão massacrados nem traumatizados como são os miúdos de hoje em dia», recorda o autarca do Jarmelo.
A paragem seguinte foi na Fonte de Santa Maria, onde apesar de Setembro já ter terminado, ainda pingava. A guardá-la, um imponente castanheiro com mais de cinco séculos, olha-nos com desinteresse. Junto ao largo da feira um curioso redondel talhado na encosta…
– Há uns anos largos – nos tempos em que havia dinheiro para apoiar a feira por parte do Ministério da Agricultura – e sendo secretário de Estado, o doutor Álvaro Amaro e sendo presidente da Câmara da Guarda, o senhor Abílio Curto, concederam-nos um fundo para a construção do redondel. Ainda está inacabada mas tem imenso potencial. Eu e o arquitecto Isidro, que está com a dinâmica cultural da Associação Cultural e Desportiva do Jarmelo, organizámos aqui uma iniciativa com piada. Esticámos uma tela e projectámos uns vídeos para a população.
– Este conjunto em ferro que nos liga à morte de Inês de Castro está com um aspecto muito interessante…
– O conjunto escultórico surgiu um pouco em tom de contra-corrente como muitas das coisas que costumamos fazer. Foi uma iniciativa do arquitecto Isidro e o autor foi o filho do ferreiro das tesouras de tosquia. A partir da imagem de Bordalo Pinheiro fez-se esta encenação à escala um e meio que representa o assassinato de Inês de Castro. Lançamos esta iniciativa nos 651 anos da sua morte. Como o Jarmelo não contou para as verbas as comemorações oficiais nós, em tom de pirraça, resolvemos comemorar no ano seguinte.
As aldeias de Ulgueiar e de Donfins do Jarmelo – onde vive o Ti Mateus Miragaia (o último ferreiro fazedor de tesouras de tosquia do país e com quem iremos publicar muito em breve um «à fala com…») – conservam ainda a traça bastante próxima do que eram as casas de outro tempo. O chafariz tem duas bicas. – «Quando andávamos na escola costumavam dizer que uma era para as pessoas e a outra para os animais e os ciganos. Coisas de miúdos.» – A Ulgueira tem muitos vestígios judaicos e uma característica muito especial. É a aldeia das meninas. Aquelas que não se casavam, e foram muitas, ficavam menina Zézinha, menina Aninhas ou menina Mariazinha para a toda a vida.
– «A escola era aqui na Urgueira para os das terras de Donfins, Ima, Devesa e Alto de Valdeiras e da Ulgueira. A caminho da escola tínhamos o jogo das nascentes onde os mais velhos ganhavam sempre. Escolhíamos uma nascente no caminho e todos os dias tentávamos afundá-la para que não deixasse de deitar água.»
Ainda houve tempo ao final da tarde para conhecer Joaquim Monteiro da Silva e mulher, pais de Agostinho que, curvados ao peso da idade, andavam a tratar dos campos de milho e com quem, depois de saber que eramos do Sabugal, recordou com emoção as suas viagens até aos mercados das vacas em terras raianas.
E, claro, tudo terminou com uma visita aos dois exemplares jarmelistas (uma vaca e uma bezerra) que Agostinho da Silva, orgulhosamente guarda na «loja» de seus pais na Ima do Jarmelo.
Provocador lançou a última aguilhada: «Vou concorrer a presidente da Câmara Municipal da Guarda. Mas não vale a pena escrever isso. Não tenciono ir até ao fim. É só para ter tempo de antena para a vaca Jarmelista.»
Mas… lá acabou por concordar com a divulgação da novidade.
jcl

A Lactibar é uma empresa sabugalense na área dos lacticínios, que utiliza matéria-prima de qualidade do concelho e da região para produzir bons queijos apreciados em todo o país e com forte implementação no mercado espanhol e francês.

José Robalo – «Páginas Interiores»O Sr. Luís Barreiros é uma pessoa de uma afabilidade fora do comum, que me recebe no seu gabinete de trabalho com cordialidade, numa conversa que entusiasma. Natural de Lisboa, é sabugalense por adopção e o cérebro de uma das empresas com maior enraizamento no concelho e isto desde 28 de Março de 1980, ano da sua criação. Ao longo do tempo tem mantido em média cerca de 70 postos de trabalho directos. O meu interlocutor, é o presidente do conselho de administração da Lactibar SA, sedeada em Rendo.
Por razões de saúde, tem feito dieta e quando lhe pergunto como o consegue e qual a receita, diz-me em tom prazenteiro que deixou de comer pão. Respondo-lhe que se não comer pão não consigo comer queijo de que sou fiel apreciador e que gosto de acompanhar com um bom tinto. «Está enganado, coma queijo sem pão, porque o queijo não engorda», garante-me!
A Lactibar é uma empresa na área dos lacticínios, que utiliza matéria-prima de qualidade do concelho e da região para produzir bons queijos apreciados em todo o país e com forte implementação no mercado espanhol e francês. Ao garantir a recolha da produção de leite no concelho, permite aos nossos agricultores mais um suplemento financeiro, para a sua vida já muito difícil.
Na conversa que mantemos com o Sr. Luís Barreiros, ressalta a ideia de que existe uma consciência ecológica crescente, por parte da empresa preservando o meio ambiente e desenvolvendo a região onde está inserida, com investimentos sucessivos em infra-estruturas, que permitem interagir com a natureza sem a danificar.
As sinergias são assim evidentes, uma vez que esta empresa criou postos de trabalho na região, distribuindo riqueza, ao mesmo tempo que utiliza uma matéria-prima local – o leite – com muita qualidade, o que resulta num produto final de sabor requintado.
LactibarO responsável técnico da empresa o Engenheiro José Carlos Aposta, natural dos Forcalhos, lamenta o facto de terem que sair fora do concelho para a recolha de leite, uma vez que os produtores do concelho vão escasseando. Por outro lado garante que com a construção de uma ETAR, para os tratamentos dos efluentes, não existem riscos ambientais, ao mesmo tempo que os soros são vendidos no mercado espanhol.
Garante-me o amigo José Carlos que a empresa passou por alguns problemas que hoje estão superados, existindo até algum optimismo.
São estas pequenas empresas que garantem a produção de mais-valias para o concelho, com responsabilidade na fixação de pessoas, que deverão ser apoiadas e acarinhadas pelos poderes públicos. A Lactibar é responsável directa pela sobrevivência de 70 famílias no concelho, para além dos 260 produtores de leite, que indirectamente beneficiam da existência da empresa, com o escoamento do produto.
Despeço-me do Sr. Luís que em jeito de advertência me garante: «Não se esqueça de comer queijo, sem pão, para cuidar de si.»
A forma mais eficaz de garantirmos estes postos de trabalho, passa pelo consumo destes produtos de qualidade, que passam pelas marcas «Torre», «Cinco Quinas», «Terras da Raia» e «Flor da Malcata». Neste momento a empresa tem em rampa de lançamento e processo de cura, dois novos produtos – «Quinta da Cabreira» e «Quinta dos Prados» –, sendo que o primeiro é à base de leite cru de cabra e o segundo com mistura de leite cru de ovelha e cabra.

:: :: PARA LER :: ::
«O Processo de Franz Kafka», Publicações Europa-América.

:: :: PARA OUVIR :: ::
«Live in Munich», 1994, Gonzalo Rubalcaba.
«Para todo o mal», Mesa, Sony – BMG.

«Páginas Interiores» opinião de José Robalo
joserobaload@gmail.com

Vamos ter no lugar do Jarmelo no próximo dia 1 de Junho a XXV Feira Concurso do Jarmelo. Modernamente o Jarmelo propriamente dito, já não existe. Apenas sob o ponto de vista administrativo se compõe de pequenos povoados agrupados em duas freguesias nominativas – S. Pedro e S. Miguel – nenhuma delas sendo sede própria.

Vaca JarmelistaSem pretender descrever o que é a Feira Concurso do Jarmelo, apenas nos cabe relembrar que se trata de um acontecimento que remonta ao século XIX. Basta lembrar documentos da época para isto poder ser afirmado sem exagero. Trata-se de um evento com 25 edições pós-25 de Abril e, por curiosidade, tantas como a afamada e apoiada OVIBEJA. Estamos, portanto, perante um acontecimento de raízes e tradições e enraizado face ao futuro.
Nas últimas edições já se notou o esforço de se realizar algo mais do que um concurso, mas dada a escassez de verbas ainda não se concretizou. A junta de freguesia de São Pedro todos os anos tem despesas consideráveis com a Feira, face ao parco orçamento global. Entendemos portanto que esta pode ser mais uma hipótese de não deixar que as oportunidades passem ao lado do Jarmelo e toda a sua região.
É nossa intenção, faz anos, aproveitar um dado importante para qualquer evento: o Público fiel desta feira que está por tradição assegurado. Este dado importante, faz com que não seja necessário um esforço suplementar para atraír público. Se temos povo, temos que lhes oferecer mais… desse mais, pensamos, e queremos, que uma animação de cariz popular seja uma realidade.
Da animação para este evento, sabemos que poderia passar por restaurar eventualmente ambientes de outras feiras e de outros tempos… com a presença de grupos musicais de cariz popular que podessem fazer reviver a estas gentes o tempo que o tempo marcou.
Ainda em paralelo com a feira já é comum, haver exposição de potencialidades da região do Jarmelo, queremos com isto dizer, que o artesanato estará presente, tentando com isso ajudar a promover situações tão peculiares como esta: o Jarmelo tem neste momento o único produtor de tesouras de tosquia do país, temos ainda uns ferreiros que produzem miniaturas de utensílios agrícolas de forma completamente artesanal, ainda as mantas de farrapos.
O programa base deste evento, passa pela recepção dos animais pela manhã, seguida da sua exposição ao público e entrega dos prémios ao fim da manhã; segue-se um almoço com criadores e convidados em que geralmente também participam as entidades oficiais que apoiam a feira; durante a tarde segue-se uma garraiada aberta gratuitamnete ao público.
Para a edição deste ano, gostaríamos que as entidades desconcentradas do estado (DRAPC–Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Centro e DGV–Direcção-Geral de Veterinária), formassem connosco voz no sentido de realmente se salvaguardar o legado histórico da carga genética das raças jarmelistas – vacas, cabras e ovelhas.
Querendo incentivar e reforçar fortemente a vaca jarmelista, urge que medidas de excepção sejam verdadeiramente colocadas em campo, de forma a que não sejam os anos a passar irremediavelmente para o abismo (num animal em vias e de extinção, qualquer dia pode ser o último…).
Urge, entre as medidas de excepção, que sejam atribuídas cotas aos animais que vão nascendo, provenientes do projecto global. Urge que se parta a todo o vapor para a inseminação «in vitro» e posterior implantação em «barrigas de aluguer», para que em 2013 (fim da «mama» comunitária) estejamos com um número de efectivos suficientes que a raça possa ser rentável em termos de mercado da carne, abastecendo um mercado de consumo da carne jarmelista, que terá que se criar.
Um abraço daqui destas terras do Jarmelo.
Agostinho Silva

JOAQUIM SAPINHO

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