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Passam-se hoje, dia 3 de Abril de 2012, duzentos anos sobre a quarta invasão de Portugal pelas tropas napoleónicas e, em simultâneo, 201 anos sobre a importantíssima batalha do Sabugal, que marcou o final da terceira invasão.

É comum falarmos em três invasões de Portugal perpetradas pelos exércitos napoleónicos. Todos conhecemos, aliás, os comandantes franceses dessas três invasões: Junot, Soult e Massena. Porém houve uma quarta invasão de Portugal, comandada pelo marechal Marmont, que poucos conhecem e que a história, por regra, omite.
Alguns autores consideram porém ousado chamar-lhe «invasão», pois tratou-se sobretudo de uma incursão ou sortida do exército francês em território português, ou ainda, usando a linguagem táctico-militar, de uma «manobra de diversão».

Marmont substituiu Massena
Após a batalha do Sabugal, ocorrida em 3 de Abril de 1811, o exército francês retirou para Espanha. Face ao fracasso da terceira invasão, Massena caiu no desfavor de Napoleão, que lhe retirou o comando do Exército de Portugal, substituindo-o por August Marmont, um marechal de 36 anos que detinha o título de Duque de Ragusa. Oriundo de famílias nobres, o jovem marechal não detinha o prestígio de Massena, mas gozava dos favores de Napoleão que o considerava um comandante com elevados méritos.
A prioridade de Marmont foi reorganizar o Exército de Portugal, que o imperador mantinha com o fim de realizar uma nova expedição em Portugal para expulsar os ingleses da Península, «atirando-os para o mar». A expedição deveria contudo aguardar pelo momento oportuno, sendo intenção de Bonaparte vir ele mesmo à Península para a comandar.
A primeira missão que lhe foi atribuída foi juntar-se ao Exército do Sul, chefiado pelo marechal Soult, tendo em vista salvar a praça de Badajoz, que fora cercada pelo exército anglo-português. A simples união dos dois exércitos franceses, que actuaram coordenados na linha do Guadiana, fez desmobilizar Lord Wellington, que levantou o cerco a Badajoz, recuando para Elvas e Campo Maior.
Os dois marechais franceses (Soult e Marmont) pensaram perseguir o exército anglo-luso e enfrentá-lo, lançando uma nova ofensiva em Portugal, que facilmente chegaria a Lisboa atravessando as planícies do Alentejo. Contudo, não havendo para isso ordens formais de Bonaparte, o movimento não foi executado. A ordem vinda do imperador foi antes a da separação dos dois exércitos, devendo Marmont subir para o vale do Tejo e Soult descer para sul, retomando as posições anteriores.

A acção de Wellington em Portugal
Arthur Welleslay, visconde de Wellington, que comandava o exército aliado, era um homem prudente e atempado. Media cuidadosamente cada uma das suas acções, avançando sempre com segurança, não sendo nada propenso a aventuras e a ousadias. Vencendo a batalha do Sabugal, correu os franceses para Espanha, repelindo-os de novo em Fuentes de Oñoro quando tentaram regressar, mas nem de uma e de outra vez os perseguiu por Espanha adentro.
A sua prioridade era salvaguardar as fronteiras de Portugal, livrando-as do perigo de uma nova invasão. O plano que gizou impunha a conquista de duas praças-fortes espanholas que haviam caído nas mãos dos franceses: Ciudad Rodrigo e Badajoz. Começou por esta última, levando o seu exército para o Alentejo, onde contava operar com mais segurança e com maiores probabilidades de sucesso. Repelida a tentativa de tomar Badajoz, parte de novo para a Riba-Côa, instalando-se na Freineda no verão de 1811.
Foi aí que planeou, em grande secretismo, o cerco a Ciudad Rodrigo. Reconstruiu a fortaleza de Almeida, e apetrechou-a com artilharia pesada e material de cerco. A 1 de Janeiro de 1812, em pleno Inverno, com um exército de 35 mil homens e munido do trem de artilharia que estava em Almeida, irrompeu de encontro à fortaleza espanhola, que foi bloqueada, cercada e bombardeada, sendo tomada a 19 de Janeiro, numa acção que custou a vida ao lendário general Craufurd, comandante da Divisão Ligeira.
Tomada Ciudad Rodrigo, Wellington encaminhou-se imediatamente para sul e pôs cerco a Badajoz, deixando a fronteira de Riba-Côa sob a vigilância das milícias.

O susto de Napoleão Bonaparte
A queda de Ciudad Rodrigo e a imediata ofensiva sobre Badajoz por parte do exército aliado, causaram o enfurecimento do imperador dos franceses, que anteviu uma forte ofensiva de Wellington em direcção a Madrid em acto contínuo à mais que provável tomada da praça do sul. Assustado com essa possibilidade, Bonaparte ordena a Soult que se encaminhe para Badajoz, a fim de socorrer a cidade, ao mesmo tempo que instruiu Marmont a fazer uma «manobra de diversão», através de uma forte ofensiva em Portugal, na Beira Baixa, de modo a atrair Wellington e assim salvar Badajoz e desviar o exército aliado do caminho da capital espanhola.
Marmont reuniu junto ao rio Tormes, nas imediações de Salamanca, 18 mil homens, um pouco menos de metade do Exército de Portugal, que estava espalhado pelas províncias sob a sua jurisdição, e avançou em direcção à fronteira portuguesa. Não levava artilharia pesada, pois tratava de cumprir à risca as ordens do imperador, que pretendia uma manobra rápida, se bem que ostensiva, sobre o território português. Passando junto a Ciudad Rodrigo a guarnição espanhola, que Wellington ali deixara, ainda temeu que o objectivo dos franceses fosse atacá-la ou bloqueá-la, mas a tropa passou e andou a toda a pressa, seguindo no caminho de Portugal.

Marmont invade Portugal
A 3 de Abril de 1812, exactamente um ano após a batalha do Sabugal, os franceses reentram em Portugal, tentando tomar Almeida de assalto, no que foram repelidos pela milícia portuguesa que guarnecia a praça. Marmont avançou então para norte, passando por Alfaiates e chegando ao Sabugal, onde a 8 de Abril estabeleceu o seu quartel-general.
A partir do Sabugal, onde ficou instalado, o marechal enviou sortidas a Penamacor, Belmonte, Idanha-a-Nova, Covilhã e Fundão, chegando a sua vanguarda a Castelo Branco.
Entretanto o exército aliado tomou Badajoz aos franceses a 7 de Abril, numa violenta e dura batalha, extremamente cara para ambos os lados. Wellington, tomando conhecimento da movimentação francesa em Portugal, decidiu não dar descanso aos seus soldados e subiu com todo o seu exército para norte, em marchas forçadas, em socorro da Beira.
Face ao avanço dos aliados, as tropas de Marmont abandonaram as suas posições, recuando para evitar o confronto com o exército luso-britânico. No caminho da retirada, Medelim e Pedrógão de S. Pedro foram saqueadas e literalmente destruídas pelas tropas invasoras.
O exército aliado continuou a sua marcha apressada, em perseguição a Marmont, porém este levantou o seu acampamento no Sabugal e regressou a Espanha a 24 de Abril, sem que a vanguarda aliada o tivesse avistado.
Após mais de 250 quilómetros, sem conseguir ver o inimigo, que recuava com avanço, Wellington decidiu parar em Alfaiates, onde deu merecido descanso às tropas.

O malogrado plano de Trant
Houve nesta incursão francesa um aspecto curioso, que merece uma referência.
Instalado na cidade da Guarda, o brigadeiro Trant, oficial britânico que chefiava a milícia portuguesa que ajudara o governador de Almeida, La Masurier, na defesa da fortaleza, verificando que os franceses tinham acampado no Sabugal, elaborou um ousado plano para o atacar de surpresa. Comunicou com o brigadeiro Wilson e com o general Bacelar, que igualmente comandavam milícias, e pediu-lhes para se reunirem a si na Guarda, a fim de executarem juntos o movimento de ataque aos franceses. Marmont, apercebendo-se porém da concentração das milícias, antecipou-se aos planos de Trant e enviou à Guarda uma sortida de cavalaria. O brigadeiro inglês retirou à pressa, indo instalar-se para lá do Mondego, mas na manhã do dia 14 de Abril a cavalaria francesa atacou o batalhão português que cobria a retirada, que foi rapidamente desbaratado, fazendo 200 prisioneiros.
Trant escrevera ao comandante-chefe dando-lhe conta da retirada precipitada e do fracasso do plano de ataque ao quartel-general de Marmont no Sabugal. A 17 de Abril, Lord Wellington respondeu-lhe de Castelo Branco , censurando-o vivamente por se ter posicionado na Guarda, que considerava ser «a mais traiçoeira posição militar em Portugal», por não oferecer condições de retirada, louvando-o contudo por ter dado disso conta a tempo de salvar o grosso da milícia.

As atrocidades da quarta invasão
Esta fugaz invasão de Portugal, que teve o epicentro no Sabugal, e que durou apenas 20 dias, deixou um tremendo rasto de violência e de destruição nas terras por onde passou. Nunca uma movimentação das tropas napoleónicas pelas nossas terras raianas fora tão violenta e excessiva como o foi esta incursão fugaz.
A ofensiva ocorreu no início da Primavera de 1812, um ano após a última passagem de tropas francesas e quando os habitantes refaziam as suas vidas. Wellington estivera largos meses na Freineda, e percorrera as terras da Raia, incentivando os habitantes a reconstruírem as suas casas, os moinhos e os fornos que foram arrasados por ocasião da terceira invasão. A sua presença criou uma sensação de segurança e os populares refizeram o seu quotidiano, recompondo as habitações, voltando a criar gado e preparando as sementeiras.
A sortida de Marmont apanhou-os de surpresa, vendo num ápice as terras de novo invadidas pelas hordas francesas, que a todo o custo procuraram meios de subsistência. Voltaram os saques e os abuso de toda a ordem, dentre os quais os actos de vingança perpetrados pelos mesmos soldados que há um ano ali haviam passado em retirada.
O cenário nas aldeias onde passou esta incursão era de pura destruição, com casas pilhadas e queimadas, igrejas espoliadas e profanadas e o gado abatido e esquartejado para servir de alimento aos soldados.
William Warre, jovem major britânico ao serviço do exército português, que veio com Wellington na perseguição aos invasores, escreveu uma carta à família a partir da aldeia da Nave, onde pernoitou:
«Meu querido pai,
É impossível dar-vos uma ideia da desgraça existente em todas as vilas por onde o inimigo passou, pois destruíram tudo aquilo que não puderam levar. Na minha presente habitação, o chão foi feito em pedaços e as janelas, portas e mobílias incendiadas, só escapando a arca e a cadeira que estou usando, que parecem ter desafiado as chamas. A fome e a penúria dos infelizes camponeses que nos cercam por toda a parte, e a caridade que fomos fazendo a alguns, já esgotou completamente os nossos meios. O dinheiro tem pouca utilidade onde nada pode ser comprado. Toda a forragem para os cavalos foi, nos dois últimos dias, aquela que conseguimos cortar nos campos, embora nem estes tenham escapado à rapacidade do inimigo.(…).
Nava (sic), na estrada entre Sabugal e Alfaiates, 24 de Abril de 1812.
»
Uma invasão quase desconhecida, mas que deixou marcas profundas na nossa região e que, por isso, não devemos deixar apagar da memória histórica.
Paulo Leitão Batista

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Continuando a leitura do livro de Arthur Thomas Quiller-Couch, verificamos como Marmont (duque de Ragusa) colocou as milícias portuguesas de Trant em retirada e como decidiu regressar com as suas tropas ao quartel-general do Sabugal, poupando a Guarda a um ataque que resultaria certamente no saque da cidade.

Marmont - Guerra Peninsular - SabugalFez-se noite cerrada e o propósito de Manuel era cavalgar para ultrapassar as colunas de Marmont e avisar Trant do perigo que corria na Guarda. A meio caminho uma escorregadela do cavalo atirou-o ao solo, tendo desmanchado um tornozelo. Bateu à porta de uma casa isolada, onde vivia um pastor que o ajudou e a quem encarregou de levar uma mensagem a Trant, informando-o da movimentação de Marmont, que em breve atacaria a cidade.
Não foi porém a sua mensagem que salvou Trant e a milícia, porque não chegou a tempo. Na verdade foi Marmont que errou ao avançar de forma desastrada. A cavalaria francesa chegou cedo às portas da cidade e o marechal, impaciente com o atraso das duas brigadas de infantaria, deu ordem aos cavaleiros para subirem a montanha. Uma sentinela da milícia, dando conta da movimentação tocou freneticamente o tambor, no que foi de imediato imitado por outros tamborileiros espalhados pelas portas da cidade. As milícias correram para os seus postos, «e o marechal francês, que poderia ter tomado a cidade com uma só investida e sem perder um único homem, retirou – são estes os absurdos da guerra.» Marmont convencera-se que a Guarda tinha alguma capacidade para resistir e resolveu esperar pela infantaria para avançar.
Isso deu tempo a Trant e a Bacelar, que já se lhe havia reunido, para abandonarem a cidade, saindo com as suas milícias pelo vale do Mondego. Marmont lançou então a sua cavalaria em perseguição dos portugueses, tendo alcançado a retaguarda da coluna a poucas milhas da cidade.
«Chovia e a milícia corria pela lama como um rebanho de ovelhas», tendo os franceses feito 200 prisioneiros. Manuel diz no seu relato que há que fazer justiça ao comandante francês, pois terá proibido os seus cavaleiros de cortarem a fuga aos portugueses e de os massacrarem.
Marmont desistiu de perseguir Trant e Bacelar, e decidiu voltar para o Sabugal sem sequer atacar a Guarda, onde Wilson ainda estava com algumas milícias preparando a explosão dos depósitos de mantimentos aí existentes. O espião foi até à cidade vestindo um casaco velho que lhe deu o pastor e falou com o general inglês, passando a compreender a alegada ira de Marmont e o seu apressado retorno ao Sabugal.
Por que razão estava Marmont zangado? Por isto:
«Em 30 de Março deixei o meu parente, o capitão Allan McNeill, com o seu criado José. Eles mantariam o exército francês sob observação e eu fui para sul a relatar o que sabia a Lord Wellington em Badajoz. Estávamos agora a 16 de Abril e muitas coisa haviam acontecido, mas dos movimentos do meu colega espião nada soubera. Estava seguro de que ele estaria algures na proximidade dos acampamentos de Marmont, mas mesmo no Sabugal nada ouvira acerca dele.
Na tarde do dia 16 o general Wilson foi até mim.
”Tenho notícias desagradáveis”, disse-me. “O seu homónimo foi preso”. “Onde?”. “No Sabugal, mas parece que foi levado para um acampamento em Penamacor. Trant disse-me que vocês, para além de homónimos, são parentes. Quer falar com o mensageiro?”
».
O mensageiro era um camponês de Penamacor que informou Manuel dos pormenores da captura do outro espião, na qual o seu criado José fora morto pelos franceses.
O relato acabou com Manuel McNeill contando a aventura do seu parente, capitão Alan McNeill, que acabara de ser feito prisioneiro pelos franceses.
Paulo Leitão Batista

Continuando a leitura do livro «The Laird’s Luck, and Other Fireside Tales» (A Sorte de Laird e Outros Contos à Lareira), de A. T. Quiller-Couch, verificamos que Manuel McNeill cumpre a rigor as indicações de Trant, procurando obter no Sabugal mais e melhores informações acerca da real força militar que o marechal Marmont tem junto a si.

O espião Manuel teria que se instalar no Sabugal para recolher informações sobre a presença dos franceses na vila. Foi primeiramente a Belmonte receber instruções do barbeiro, que conseguiu convencer a acompanhá-lo ao Sabugal para dar credibilidade ao disfarce. O irmão do barbeiro, que era vinhateiro, foi também e deu-lhes a história de cobertura perfeita, pois estava autorizado a fornecer vinho aos franceses.
Já no Sabugal o barbeiro fez uma petição ao comandante francês pedindo autorização para a reabertura da sua loja, que ficaria entregue a um amigo que conhecia a arte. Reabriram as portas da casa, que estava intacta, e o espião recebeu breves indicações quanto aos instrumentos, à forma de preparar medicamentos e de os aplicar.
Despachou o barbeiro – «pois se o plano falhasse o Sabugal não seria um bom lugar para ele» – que com o irmão abandonou a vila, ficando o espião entregue a si próprio.
Os vizinhos olharam-no algo desconfiados, mas Manuel sabia que a possibilidade de ser denunciado era pequena, pois os portugueses odiavam de tal modo os invasores franceses que dificilmente o trairiam.
Durante três dias o novo barbeiro cortou barbas e cabelos, vendeu unguentos, arrancou dentes e endireitou ossos, nomeadamente a alguns soldados e oficiais franceses que procuraram os seus serviços. «Consegui barbear razoavelmente e assim ganhei credibilidade como se fosse um autêntico barbeiro português. O mesmo sucedeu nos tratamentos aos meus doentes, que se não ficaram devidamente curados também não morreram – ou pelo menos os seus corpos não foram encontrados», escreveu o espião com ironia.
A sua maior dificuldade foi na aplicação da técnica no sangramento, ou flebotomia, muito habitual à época.
«A hipótese de ter de sangrar alguém não me tinha verdadeiramente ocorrido, e quando, na segunda manhã, um sargento que sofria das varizes se sentou na mesa de operações queixando-se de ter uma veia aberta, eu lamentei amargamente não ter ao meu lado um mestre a quem perguntar onde deveria cortar para fazer o sangramento. (…) Tomei-lhe o pulso e levantei-lhe as pálpebras com os dedos trementes. “No seu estado”, disse-lhe, “seria um crime sangrá-lo. Precisa é de sanguessugas”. “Acha?”, perguntou».
O relato contém outras peripécias passadas no exercício do ofício, incluindo o inesperado facto de barbear um hussardo que o reconheceu, pois já se haviam encontrado em Espanha, num outro momento em que se infiltrara. A solução foi colocar-lhe a navalha da barba ao pescoço e obriga-lo a jurar segredo.
Sabia que em breve seria descoberto. Colocou as portadas nas janelas, pegou
no boião das sanguessugas e saiu da vila para a margem do Côa, percorrendo as terras enlameadas pela chuva abundante, fingindo procurar «bichas». Já havia remetido um relatório a Trant com a descrição do dispositivo militar dos franceses, através do vinhateiro de Belmonte, que regressara ao Sabugal com outra carga de odres, mas agora sabia que corria perigo e tinha de tentar escapar dali sem ser notado.
Viu então duas fortes colunas de infantaria dirigirem-se para a estrada da Guarda, o que o deixou preocupado: «Estaria Marmont a executar contra Trant o mesmo golpe que este lhe preparava?». Tinha de avisar Trant do perigo que as suas milícias corriam.
Teve então um encontro inesperado com dois oficiais franceses, que numa casa abandonada se preparavam para se baterem em duelo. Um era oficial de intendência, do estado-maior do marechal Marmont, ao qual ouviu dizer que o comandante se preparava para uma movimentação militar. Do duelo resultou o ferimento grave do oficial de intendência, que o barbeiro se prontificou a tratar. Perante a saída do outro oficial que foi ao acampamento em busca de um cirurgião, o barbeiro-espião aproveitou para se apoderar do uniforme do ferido e montar o seu cavalo, assim escapando em direcção à Guarda, passando pelas sentinelas sem qualquer problema.
(Continua)
Paulo Leitão Batista

O espião que trabalhava para o exército britânico atinge a cidade da Guarda, onde tem uma curiosa conversa com Trant, que lhe dá a entender ter em mente um plano de acção para fazer frente ao marechal Marmont (duque de Ragusa), que se instalara no Sabugal.

Manuel, o espião, chegado à Guarda, encontrou-se com o general Trant a quem entregou um relatório. Descreveu o general inglês como um militar galante e inteligente, mas por vezes muito pouco perspicaz. Dias antes ajudara com as suas milicias o governador de Almeida a evitar a tomada da praça pelos franceses e estava convencido de que era capaz de ir mais longe.
Citemos esta passagem do livro com o curioso diálogo estabelecido (em tradução livre):
Trant questionou-me acerca do quartel-general francês instalado no Sabugal. Ele conhecia bem essa vila, talvez até melhor do que eu. Disse-lhe que os franceses estavam na margem do Côa e que Marmont tinha lá o seu quartel-general, mas desconhecia em que casa ou em que parte da vila.
“Mas não pode voltar lá e descobrir?”; perguntou-me.
“Como quiser”, respondi-lhe, “faço o que me ordenar”.
“Mas isso comporta riscos”, disse-me.
“Seguramente”, respondi-lhe, “mas o risco faz parte do meu dia-a-dia, pelo que procuro encontrar caminhos seguros”.
“Desculpe”, disse ele esboçando um sorriso, “mas eu não estava a pensar em si, ou pelo menos unicamente em si”. E notei pela sua expressão que planeava algo.
“Rogo-lhe que não pense em mim”, disse-lhe simplesmente. (…).
“Veja”, disse ele, “o duque de Ragusa é um homem galante”.
“Notoriamente”, disse-lhe, “toda a Europa sabe isso e ele próprio também o sabe”.
“Ouvi dizer que as suas tropas lhe admiram a auto-estima”
“Bem”, disse eu, “ele monta galhardamente e é corajoso. Começa porém agora a cometer os seus erros, e os soldados, tal como as mulheres, sabem bem o que um guerreiro deve parecer”.
“Na verdade,” disse o General Trant, “a sua perda faria toda a diferença.”
Pedira-me para ficar sentado e servia-me um copo de vinho. Mas as suas palavras fizeram-me pular de repente, o que fez tremer a mesa e derramar metade do conteúdo do copo.
“O que o diabo está errado?” perguntou o general, tirando um mapa do caminho do vinho. “Meu Deus, homem! Não pense que lhe pedia para assassinar Marmont!”
“Peço-lhe perdão”, disse eu, recuperando. “Claro que não disse isso, mas parecia…”
“Oh, parecia?” E enxugou o mapa com o lenço das mãos, olhando-me como quem diz: “Acho que parecia.”
Fiquei algo desconcertado. “Este homem não pode querer que o sequestre!” pensei.

Na verdade, Trant tinha em mente um plano para atacar Marmont no Sabugal, por saber que o grosso das suas tropas tinham seguido na direcção de Castelo Branco, mantendo junto de si apenas um pequeno contingente. Contava para isso com o reforço das milícias de Wilson e de Bacelar, aos quais tinha pedido para se lhe juntarem na Guarda.
Trant acabaria por enviar o espião ao Sabugal para que o mesmo lhe trouxesse informações mais precisas. Conhecia um barbeiro que tinha casa no Sabugal e que fugira para casa de um irmão em Belmonte. Manuel teria que ir ao Sabugal fazendo-se passar por esse barbeiro-cirurgião, simulando o seu regresso e o reinício da actividade.
(Continua)
Paulo Leitão Batista

O livro «The Laird’s Luck, and Other Fireside Tales» (que livremente traduzo por «A Sorte de Laird e Outros Contos à Lareira»), de Arthur Thomas Quiller-Couch, editado em 1901, reúne um conjunto de narrativas centradas no tempo de Napoleão, quando a Europa era avassalada pelas invasões francesas. O Sabugal também faz parte dos cenários de guerra que constam neste livro que não tem edição portuguesa.

O conto «Os Dois Batedores» (The Two Scouts) relata as memórias de um espião ao serviço do exército inglês na Guerra Peninsular (1808-1813). Trata-se de Manuel McNeill, um espanhol de origem inglesa, que se infiltrava nas linhas francesas para conhecer os propósitos dos exércitos de Napoleão, que depois transmitia aos comandantes ingleses.
Há dúvidas quanto à autenticidade destas memórias, embora se saiba da real existência deste espião, que Napier referiu chamar-se Grant. As descrições dos factos e dos lugares por onde passou parecem atestar a veracidade aos relatos, feitos na primeira pessoa.
Manuel esteve no Sabugal, em Abril de 1812, nos dias da quarta invasão francesa, quando o marechal Marmont, duque de Ragusa, ali instalou o seu quartel-general e fez penetrar pelo território nacional as suas colunas, que chegaram a Castelo Branco.
Mas tudo começa nas margens do rio Tormes, perto de Salamanca, onde Manuel, na sua função de espionagem teve um encontro inesperado com um outro espião inglês, o lendário capitão Alan McNeill, seu parente, que detestava disfarces e se movimentava nas linhas francesas envergando o uniforme escarlate do exército britânico, sempre acompanhado por José, o seu fiel criado espanhol. Separaram-se depois, seguindo cada qual o seu destino. Manuel atravessou a fronteira portuguesa e dirigiu-se ao Alentejo, onde avisou Wellington, que punha cerco a Badajoz, das movimentações das tropas do marechal Marmont, que tentavam forçar Ciudad Rodrigo, pretendendo porventura atacar igualmente Almeida.
Depois de entregar o seu relatório a Wellington o espião regressou ao norte. Passou por Castelo Branco, onde soube que os franceses haviam reentrado em Portugal e se aproximavam daquela cidade. Continuou o seu caminho, fazendo-se passar por tropeiro, com a intenção de bater a linha do Côa para colher informações e se dirigir à Guarda, onde o general Trant estava instalado ao comando das milícias portuguesas.
Em Penamacor teve que se desviar de alguns invasores que se dedicavam ao saque e foi encontrar as forças de Marmont ocupando em peso o Sabugal, na «curva do Côa». A 9 de Abril alcançou a Guarda onde Trant se fortificara com seis mil milicianos portugueses.
(Continua)
Paulo Leitão Batista

Embora pouco referida pelos historiadores, houve uma quarta invasão francesa de Portugal, a que se pode chamar incursão ou «manobra de diversão». A sortida, comandada por Marmont, passou pelo Sabugal, onde de resto ficou instalado o quartel-general, e foi marcada pela violência inusitada dos soldados franceses que, sedentos de vingança, exerceram terríveis atrocidades.

Após o fracasso da terceira invasão, Bonaparte, agastado com Massena, retirou-lhe o comando do Exército de Portugal, entregando-o ao marechal Marmont. O Imperador não desistira de invadir Portugal, aguardando contudo pelo melhor momento.
O Inverno de 1811, passou-se com a presença de Wellington na região de Riba Côa, instalado na Freineda. Foi aí que planeou, em grande secretismo, o cerco a Ciudad Rodrigo. Reconstruiu a fortaleza de Almeida, e apetrechou-a com artilharia pesada e material de cerco. A 1 de Janeiro de 1812, com um exército de 35 mil homens, munido do trem de artilharia que estava em Almeida, irrompeu de encontro à fortaleza espanhola, que foi bloqueada, cercada e bombardeada, sendo tomada a 19 de Janeiro, numa acção que custou a vida ao general Craufurd.
Após tomar Ciudad Rodrigo Wellington encaminhou-se para sul e pôs cerco a Badajoz, cuja praça foi tomada aos franceses num assalto muito caro para ambos os lados, no dia 7 de Abril, assim escancarando a porta da via directa para Madrid.
O forte ataque a Badajoz assustou Napoleão, que ordenou a Marmont a execução de uma manobra de diversão, investindo em Portugal pelo centro. Foi assim que a 3 de Abril, exactamente um ano após a batalha do Sabugal, os franceses lançaram uma forte e rápida ofensiva, tentando tomar Almeida de assalto, no que foram repelidos pela milícia portuguesa que guarnecia a praça. Marmont avançou então com 18 mil homens para o Sabugal, onde a 8 de Abril estabeleceu o seu quartel-general. Dali enviou sortidas a Penamacor, Belmonte, Covilhã e Fundão, chegando a sua vanguarda a Castelo Branco.
Entretanto o brigadeiro Trant, à frente da milícia portuguesa que ajudara o governador de Almeida, La Masurier, na defesa da fortaleza, verificando que os franceses tinham acampado no Sabugal, elaborou um ousado plano para o atacar de surpresa. Comunicou com o brigadeiro Wilson e com o general Bacelar, que igualmente comandavam milícias, e pediu-lhes para se reunirem a si na Guarda, a fim de executarem juntos o movimento de ataque aos franceses. Marmont, apercebendo-se porém da concentração das milícias, antecipou-se aos planos de Trant e enviou à Guarda uma sortida de cavalaria. O brigadeiro inglês retirou à pressa, indo instalar-se para lá do Mondego, mas na manhã do dia 14 de Abril a cavalaria francesa atacou o batalhão português que cobria a retirada, que foi rapidamente desbaratado, fazendo 150 prisioneiros.
Entretanto Wellington, face à movimentação francesa, subiu de Badajoz em marchas forçadas, o que fez Marmont abandonar as suas posições em Castelo Branco, recuando para evitar o confronto com o exército luso-britânico. No caminho da retirada Medelim e Pedrógão foram saqueadas e destruídas pelas tropas invasoras.
Trant escrevera ao comandante-chefe dando-lhe conta da retirada precipitada e do fracasso do plano de ataque ao quartel-general de Marmont no Sabugal. A 17 de Abril, Lord Wellington respondeu-lhe de Castelo Branco, censurando-o vivamente por se ter posicionado na Guarda, que considerava ser «a mais traiçoeira posição militar em Portugal», por não oferecer condições de retirada, louvando-o contudo por ter dado disso conta a tempo de salvar o grosso da milícia.
De Castelo Branco o exército continuou a sua marcha apressada, em perseguição a Marmont, porém este deixou o Sabugal e regressou a Espanha em 24 de Abril, sem que a vanguarda aliada o tivesse alcançado.
Após mais de 250 quilómetros, sem conseguir avistar o inimigo, que recuava com avanço, Wellington decidiu parar em Alfaiates, onde deu merecido descanso às tropas.
Esta fugaz invasão de Portugal, que apenas durou 20 dias, deixou um tremendo rasto de sangue e de morte. Nunca uma passagem de tropas napoleónicas pelas nossas terras raianas fora tão violenta e excessiva como a desta incursão fugaz.
O cenário nas aldeias era de pura destruição, com casas saqueadas e queimadas, igrejas pilhadas e profanadas e cadáveres abandonados no chão.
William Warre, jovem major britânico ao serviço do exército português, que veio com Wellington na perseguição aos invasores, escreveu uma carta à família a partir da aldeia da Nave, onde pernoitou:
«Meu querido pai,
É impossível dar-vos uma ideia da desgraça existente em todas as vilas por onde o inimigo passou, pois destruíram tudo aquilo que não puderam levar. Na minha presente habitação, o chão foi feito em pedaços e as janelas, portas e mobílias incendiadas, só escapando a arca e a cadeira que estou usando, que parecem ter desafiado as chamas. A fome e a penúria dos infelizes camponeses que nos cercam por toda a parte, e a caridade que fomos fazendo a alguns, já esgotou completamente os nossos meios. O dinheiro tem pouca utilidade onde nada pode ser comprado. Toda a forragem para os cavalos foi, nos dois últimos dias, aquela que conseguimos cortar nos campos, embora nem estes tenham escapado à rapacidade do inimigo.(…).
Nava (sic), na estrada entre Sabugal e Alfaiates, 24 de Abril de 1812.
»
Uma invasão quase desconhecida, mas que deixou marcas profundas na nossa região e que, por isso, não devemos deixar apagar da memória histórica.
Paulo Leitão Batista

JOAQUIM SAPINHO

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