You are currently browsing the tag archive for the ‘rio Côa’ tag.

Nos meus passeios pelo Côa, vêm-me à memória episódios da minha adolescência. Um deles, inesquecível, foi a travessia do Pego (zona do rio Côa junto à cidade) a pé! Sim a pé, era um dia de Inverno, um dia gelado, o rio estava transformado numa estrada de gelo. Então eu, o João Leitão e o João Carriço, temerariamente atravessamos de uma margem à outra.

António EmídioE hoje querido leitor(a)? Presumo, oxalá me engane, que o Côa não voltará a gelar da mesma maneira, todos sabemos porquê, cada vez se acentua mais o Aquecimento Global. Ninguém pode ignorar que uma catástrofe ecológica ameaça o nosso Planeta, a Mãe Terra está ferida e o futuro da Humanidade está em perigo. Quem feriu a Mãe Terra? Um sistema económico cuja lógica se baseia na concorrência entre empresas nesta economia mundializada e, no progresso e crescimento ilimitados. Este sistema de produção e consumo procura a ganância ilimitada, conseguiu com isto fazer a separação entre o homem e a natureza, entre o homem e a Mãe Terra. Esta, a Mãe Terra, é um ser vivo com a qual temos uma relação interdependente e também espiritual (quantos de vós queridos leitores[as] da Diáspora vos lembrais das vossas aldeias, dos vossos campos, dos vossos rios e ribeiros, e até dos animais que povoam as vossas terras), mas o homem tudo transformou numa mercadoria: a água, a biodiversidade, a vida, e até a morte. A desflorestação dos bosques é um autêntico atentado à natureza, só a Amazónia perde por ano uma superfície de perto de seis mil quilómetros quadrados de arvoredo, na África e na Ásia acontece o mesmo. A agricultura industrial envenena com pesticidas os campos agrícolas, estes pesticidas que são produtos tóxicos, estão incorporados na cadeia alimentar, o que comemos está envenenado, o aumento de casos de cancro é uma consequência disto. Há países na Europa cuja contaminação provocada pelas actividades industriais e agrícolas (agricultura industrial) afecta 80% dos seus rios e 50% das suas capas freáticas. Num outro, uma empresa siderúrgica, das maiores da Europa, contamina o Mar Mediterrâneo com toneladas de produtos tóxicos, calcula-se que entre 2007 e 2012, 10.000 pessoas morreram por doenças que tiveram origem nessas emissões tóxicas. Em Portugal, as agressões ambientais matam bastantes portugueses por ano.
A degradação do meio ambiente e a mudança climática atingem presentemente niveis críticos e são uma das principais causas das migrações internas e também externas, na África e na Ásia. Segundo algumas projecções, em 1995 havia aproximadamente 25 milhões de migrantes climáticos, presentemente são 50 milhões, e prevê-se que para o ano de 2050 sejam entre 200 e 1000 milhões de pessoas deslocadas por causas da mudança climática.
A Humanidade está num dilema: ou continuamos com a contaminação, a devastação e a morte, ou entramos no caminho da harmonia e de respeito com a natureza e com a vida. Não há meio-termo.

Querido leitor(a), não tenho saudades do passado, ninguém tem saudades do passado, do passado têm-se boas ou más recordações, tenho saudades de um futuro diferente, de um futuro melhor, de ver a Mãe Terra sarada, mas já não verei, sabe porquê ? Porque para estabilizar o sistema climático é preciso reduzir para metade as emissões de CO2 nos próximos 40 anos!
«Passeio pelo Côa», opinião de António Emídio

ant.emidio@gmail.com

Anúncios

Há pouco, muito pouco, há escassos dias, assistimos aos minutos iniciais de um novo ano. Será (assim julgo) um ano importante que precisamos e desejamos vencer.

Fernando Capelo - «Terras do Jarmelo»Ora, no ano findo, a crise, apesar de avisada, chegou e trouxe perplexidade, como se chegasse de surpresa, tal foi a sua magnitude. Houve quem não quisesse acreditar nela mas, como em tudo na vida, ignorar não é evitar e ela aí está, implantada e recheada de angústias.
Vencer esta crise é como vencer um campeonato do mundo de futebol, tão grande e tão geral é a sua amplitude assim como é enorme a ansiedade instalada.
É importante entrar no ano novo com o pé direito e julgo que é geral a vontade de ver com atenção os momentos iniciais do jogo. É como se, logo ali, tudo se decidisse.
Assim meditando, segui a linha do rio recordando passados recentes (apenas de aparência sólida) que se esboroaram num futuro repentino e diferente, quase oposto. Fraquíssima consistência mundana!
Tudo me parece, agora, conversa frágil. Tudo me lembra histórias de crianças e tudo é como se eu próprio tivesse falado com os autores ficcionistas.
Valha-nos o rio, pensei. O rio é diferente, é duradouro e persistente, ou melhor, é eterno.
Em tempo de superação de crise hei-de levar como exemplo a imagem do rio nos olhos, o seu correr límpido, o seu seguir perseverante, as suas sóbrias margens, as suas nuvens e o seu sol. Levarei também os seus sons nos ouvidos até que o ano novo se faça velho, até ao preciso momento de uma nova passagem de ano. E hei-de ir como quem diga um poema ao vento, ao vento que beija e ondula a linha de água. Esperarei, portanto.
A crise tem, claro, todo o aspecto de ser marcante. O que dela traduzimos não é tudo, mas é muito. Esperemos que em algum tempo ela toque corações. É que o mundo, cada vez mais, se divide em sacrificados e instalados. Grande divisão, esta, do mundo.
Para o ano, quereria que a minha pena aqui voltasse, fulgurante, no registo de histórias mais felizes e com alguma poesia porque, para além do resto, um ano duro será duro e triste se ficar isento de raios de poesia.
Peço, então, pouca coisa para este ano que ora começa. Que se possa, ao menos, trabalhar respeitando a ordem estabelecida por leis procedentes. Que nem tudo mude (como as regras a meio do jogo) ao sabor de específicas vontades. Peço ainda uma amenização dos sacrifícios e que estes (quando necessários) sejam lúcidos já que não podem ser irrelevantes e, já agora, que os sacrificados possam ganhar, uma vez por outra, algum jogo decisivo.
Fico-me, finalmente, pelo desejo do melhor ano possível para todos.
«Terras do Jarmelo», crónica de Fernando Capelo

Há cerca de meia dúzia de meses abordei o Sr. Eng.º António Borges, Director de Serviços da Autoridade Florestal Nacional do distrito da Guarda, no sentido de se poder repovoar o rio Côa com espécies de trutas autóctones (fário).

José Manuel Campos - Presidente Junta Freguesia Fóios - Capeia ArraianaO Sr. Eng.º Eng.º Borges pediu-me para lhe dirigir o pedido por escrito o que de facto aconteceu.
Disse-me que o pedido ficava registado e logo que houvesse oportunidade a acção seria desencadeada. Aconteceu hoje, dia 28 de Agosto de 2011.
Por volta das 10,30 horas chegou a carrinha, proveniente do viveiro de Manteigas, com o recipiente e respectivo oxigénio, que continha mil e duzentas trutas.
O Sr. Eng.º Borges, que havia chegado um pouco mais cedo, comandou as operações e lá fomos cerca de uma dúzia de amigos fazer o desejado repovoamento.
No dia anterior tive o cuidado de ligar ao meu amigo Presidente da Junta de Vale de Espinho a dar-lhe conhecimento do que ia acontecer e pedi-lhe para contactar com o Presidente da Associação de Caça e Pesca dessa mesma freguesia.
Convidei-os a participar na acção e disse-lhes que a Junta de Freguesia e a Associação de Caça de Foios ofereceriam o almoço na sede da ACPF. O convite foi aceite e foi com muito amor e carinho que recebemos e tratámos esses nossos amigos e conterrâneos.
As primeiras cem trutas foram lançadas junto da ponte romana de Vale de Espinho e depois subimos em direcção aos Foios tendo depositado mais, cerca de cem trutas, em onze locais diferentes.
Para que tudo corresse bem e com toda a transparência convidámos alguns pescadores que nos iam indicando os locais que lhes pareciam mais indicados para o efeito.
Confesso que todos ficámos imensamente satisfeitos com esta acção que reconhecemos altamente interessante e muito pedagógica.
Este trabalho teve honras de televisão nas pessoas dos amigos Jorge Esteves e Ismael Marcos da RTP1.
Logo que lhes demos conhecimento do evento manifestaram, de imediato, disposição e vontade para fazerem a respectiva cobertura. Filmaram e entrevistaram técnicos, autarcas e cidadãos das duas localidades.
Quem pretender ver a reportagem que sintonize o canal 1 da RTP, amanhã, quinta-feira, a partir das 18 horas.
Interpretando fielmente o sentimento dos associados das duas colectividades (Foios e Vale de Espinho) e cidadãos em geral, pretendemos agradecer ao Sr. Eng.º Borges e aos dois trabalhadores dos serviços a forma como conduziram todo o processo sem que nenhuma trutinha (tamanho de um dedo) tivesse morrido.
Fazemos então um apela à consciência das pessoas, de Foios e Vale de Espinho, para que compreendam e respeitem estas acções, não envenenando nem bombardeando estas espécies indefesas.
A Lei existe e todos a deveremos cumprir e respeitar. Quem tenha a ousadia de praticar tais actos de vandalismo que pense duas vezes antes de o fazer. Se a vontade ou necessidade de trutas for assim tão grande que pense que com o dinheiro das bombas ou do veneno poderá ir ao viveiro Trutalcôa e comprar uns quilitos para matar os desejos.
Tanto os dois Presidentes de Junta como os Presidentes das duas Associações – José Leal e Tó Coixo – solicitaram ao Sr. Eng.º Borges uma maior vigilância e fiscalização, sobretudo nos meses de Verão, visto ser nessa altura que se praticam as acções de crime e vandalismo.
Vamos procurar ser todos vigilantes e se tivermos conhecimentos de actos de vandalismo deveremos denunciá-los, de imediato, às autoridades para que a justiça possa ser aplicada.
Temos conhecimento de que vai havendo um acréscimo de lontras – espécie predadora – mas o homem continua a ser o predador mais perigoso.
Sensibilize-se e eduque-se o homem já que a Mãe Natureza lá se vai encarregando de fazer o resto, ou seja o equilíbrio ecológico.
«Nascente do Côa», opinião de José Manuel Campos

(Presidente da Junta de Freguesia de Foios)
jmncampos@gmail.com

Detenho-me, num olhar, perante o espaço que, das escarpas da Estrela, se estende e acinzenta para bandas do Sabugal.

Fernando Capelo - «Terras do Jarmelo»Num relance mais curto e mais a leste chega-me o meu Monte, o Monte do Jarmelo.
Aplanam-se, depois, as distâncias até se perderem nas longínquas serranias espanholas. Adivinho, com grau de absoluta certeza, que, a meio caminho, se alonga um vale, o vale do Côa, profundo, abrupto, apertado e quente.
E sei, claro, que por aí se esvaem as águas de um rio. Águas oprimidas pelo aperto e alteza das margens. Águas, poucas, agora que se vão na lentidão estival enquanto isentas de chuvas. O percurso dessas águas ocorrerá, em ambiente oprimido, numa extensão de escassos quilómetros e numa luta constante com as margens, como se fizessem uma incessante procura de liberdade mesmo antes de encontrar a foz.
Neste outro monte, num monte povoado, ergue-se a Guarda, meu ponto de observação, cidade envolta e distraída na agitação da tarde.
Entre o movimento e a extensão dos espaços silenciosos permito-me imaginar paisagens, carentes de verdura nesta época do ano e ponteadas de aflorações umas mais cinzentas que outras.
Entre a cidade e os campos espargem-se aldeias, que não crescem mas minguam e que insinuam vidas a transbordar de tradições e de labutas rurais.
Presumo, essas aldeias, esmorecidas fazendo imagem com casas de granito cinzento ou amarelo por entre outras casas cujos modelos foram importados da Europa. Umas e outras se demarcam no interior de um espaço castanho/avermelhado definido pelo tom dos telhados. São aldeias que se desviam, nos longes, como se fugissem, como se quisessem evitar, o açambarque das cidades.
Ainda pairam algumas nuvens nesta tarde. Lembro-me agora que a névoa chegou de manhã. Ao longo do dia a humidade mais baixa foi-se dissipando e, no céu, foram-se agrupando as nuvens. Formaram grupos espessos, cinzentos, quase negros. Agora, ao final do dia, um leve vento dispersou-as. Parte delas disfarçam-se e expõem-se em figuras pitorescas. Houve nuvens que se alongaram e emagreceram deixando-se repassar por raios de sol fraco, fazendo lembrar pedaços de um enorme manto que se esbranquiça na passagem da luz.
Lá mais além, na altura longínqua da montanha espanhola , parecem juntar-se todas as nuvens num doce enlace entre a Serra e o Céu.
Olhando, assim, vou esquecendo azáfamas e vou entrando no abstracto mundo da imaginação onde me entretenho lendo espaços, decifrando e comparando formas, associando-as a imagens reais ou mesmo a acontecimentos quotidianos.
É este o Céu que me cobre a mim, à Guarda, à raia e à cidade do Sabugal.
Ler os espaços que refiro é como ler livros abertos, livros ilustrados com Céus, casas e paisagens, livros recheados de tradições e de saberes ancestrais.
Tudo se proporciona, portanto, para leituras gostosas. Os espaços estão sempre disponíveis. Basta querer lê-los.
«Terras do Jarmelo», crónica de Fernando Capelo

Havia ribeiras, sim, como a Pêga ou as Cabras mas, qualquer delas, não poderia ser comparada ao Côa que era um rio grande, arraiano e, todo inteirinho, português.

Fernando Capelo - «Terras do Jarmelo»O Douro e o Tejo eram grandes, sim senhor, mas nasciam em Espanha. O Côa era grande, também, mas nascia em Portugal. Vinha dos lados do Sabugal. Contornava, a uma distância razoável, o Jarmelo e seguia por bandas de Espanha, sempre ao longo da fronteira sem nunca se internacionalizar. Propunha-se engordar o Douro, claro, como se aprendia na escola primária, na cantilena dos rios e afluentes. Mas, Côa e Douro, apenas se abraçariam numa raia mais a norte, nas proximidades de Vila Nova de Foz Côa.
Assumidamente fronteiriço o Côa esgueirava-se, escorregadio, qual cobra gigante e prateada, raia adentro, sinalizando a proximidade da fronteira sem se inibir de interferir nas vidas arraianas!
O Côa não era, portanto, um rio qualquer. Investia-se de missões específicas. Era tido e achado em muitos actos contrabandísticos e empenhava-se regulando-os. Por vezes ajudava os guardas. Outras vezes facilitava contrabandistas.
Nesses tempos, idos, há mais de três décadas, contrabandeava-se de tudo. As raias (portuguesa e espanhola) praticavam um comércio clandestino amalgamado e abrangente que incluía de um pouco de tudo: pão, galhetas, café, cacau, chocolates, carnes, azeites, óleos, alpergatas, botas, panos, enxadas, tabacos e muito, muito mais. De forma legal quase só os rios cruzavam a fronteira!
Aprendi o Côa, em meados dos anos sessenta, mesmo antes de o cantarolar na escola primária. Naquela altura os rios decoravam-se a cantar. Mas, para mim, o Côa nunca foi um rio de cantigas. Sempre foi real, extremamente real. Conheci-o, cruzei-o e molhei-me nele milhentas vezes.
O São Roque, sítio carismático da margem esquerda, associava-se ao rio. Foi e é local de feiras, festas e romarias. Foi praia, palco de brincadeiras, lugar de merendas e convívios. Há lá capela e ponte a ligar as arribas.
Na minha adolescência, por estas bandas, as águas do rio eram completamente isentas de poluições. Sobretudo no Verão, quando paradas e observadas de perto, lembravam espelhos enormes reflectindo não só a frescura do arvoredo marginal mas também as agruras dos montes medianamente afastados.
A minha relação com o rio é da minha idade e, entre nós, coexiste uma empatia crescente que se renovou em cada reencontro. Sobram-me, agora, retratos antigos que me reavivam imagens e recordações.
De quando em vez, faço questão de me pôr a sós com o Côa. Procuro-o como quem procura um velho amigo. Falo-lhe, conto-lhe, pergunto-lhe e escuto-o. Cheiro-lhe os ares, as águas e as margens. Lanço-lhe olhares profundos tentando decifrar-lhe segredos. Às vezes olho-o suavemente deixando que os meus olhos o percorram e se percam pelos sítios mais recônditos. Olhares profundos e olhares suaves acabam por se reencontrar sobre as águas, entre as margens. E, sempre, sempre após momentos da mais perfeita sintonia ambos (eu e o rio) concluímos que a raia só pode ser como é porque é assim o rio Côa.
«Terras do Jarmelo», crónica de Fernando Capelo

O actual concelho do Sabugal tem afinidade com o planalto do baixo Douro, tal como tem com o Norte da actual Beira Baixa. Isto pela simples razão de que sempre houve uma linha de fronteira a dividir o concelho numa zona Norte, que abrangia os antigos concelhos de Alfaiates e Vilar Maior, climática, cultural e historicamente mais ligada ao planalto do Águeda e Douro e outra, mais a Sul, abrangendo os antigos concelhos de Touro, Sortelha e Sabugal, com afinidades à Beira Baixa.

Fig. 1 – Fernando A. Seco
1560
Fig. 2 – Outro pormenor
do mesmo mapa
Fig. 3 – Pierre Mortier
Séc. XVII
Fig. 4 – Sanson d’Abdeville
Geógrafo D. João IV (1654)
Fig. 5 – Autor desconhecido Fig. 6 – António Vizarro
1704
Fig. 7 – Gaspar Baileu
1700
Fig. 8 – Autor desconhecido
1705
Fig. 9 – I.B. Nolin
1724
Fig. 10 – Charles Allard
Séc. XVIII
Fig. 11 – Nicolau Vischer
Finais séc. XVIII
Fig. 12 – Placido Agostinho
Finais do séc. XVIII
Clique nas imagens para ampliar

 

João ValenteA divisão administrativa, eclesiástica e judicial entre estas duas fronteiras sempre existiu desde o tratado de Alcanizes até à reforma administrativa do século XIX que incorporou os concelhos do Norte no do Sabugal, porque aqueles, enquadrados na bacia hidrográfica do Côa (fig. 5), que corre para o Douro, pertencendo inicialmente ao bispado de Cidade Rodrigo até D.João I, sempre foi do bispado de Lamego e depois de Pinhel (até à supressão deste) e da correição judicial de Pinhel e província de Trás-os-Montes (sub-região de Riba de Côa), enquanto os do Sul pertenceram sempre ao Bispado da Guarda, correição judicial de Castelo Branco e Província da Beira, como Penamacor. in Mapa de Portugal Antigo e Moderno, tomo I, 1762 (e Figs. 3 a 12).
A fronteira física entre estas duas áreas, administrativas, judiciais e religiosas coincidia com as dos limites Sul dos concelhos de Vilar Maior e Alfaiates, as quais seguiam pela linha da ribeira de Aldeia da Dona (ribeira de Palhais, figs. 3 e 4) até à fronteira com Espanha (figs. 3, 4, 7, 10 e 11).
Aliás, a ribeira de Palhais (de Aldeia da Dona) era, como as ribeiras de Arnes e a do Meimão, que passa no Sabugal, um afluente da ribeira de Côa, que por sua vez, todos os mapas antigos (figs. 1 a 11) de Portugal até aos fins do século XVIII (fig. 12) faziam nascer em Alfaiates, passando em Vilar Maior e nunca no Sabugal.
E que assim era, comprova-o a descrição pormenorizada de Frei Bernardo de Brito (que era natural de Almeida e sabe por isso do que fala) ao referir que «O rio côa […] nasce em Alfayates e mete-se no Douro junto a Vila Nova de Fozcoa; é rio de muita cópia de peixe, como barbos, bogas, bordalos e outros modos de pescaria. A cor das suas águas é pouco clara, tirante a verde escuro; é de malíssima digestão e muito pesada, causa tristeza, dores de barriga e dores de cabeça, engrossa o entendimento, e para mulheres formosas é de muito pouco proveito porque lhes dana o carão notavelmente, só tem virtude para tingir lãs, e cardar ferro, que neste particular é excelente». in Geografia Antiga da Lusitania, 1597.
Corrobora-o Duarte Nunes de Leão ao afirmar que «a ribeira de Coa de tralosmontes, nasce junto de Alfaiates e vai-se meter no Douro, não longe de Vila Nova de Foscoa» […] e que os povos deste rio chamavam-se «cudanos e transcudanos». in Descrição do Reino de Portugal, ed. de 1610, fol. 38 v.º
Prova-o inequivocamente os pormenores dos doze mapas que reproduzo em rodapé (figs. 1 a 12).
Só a partir de fins do século XVIII é que começou, por causa do lapso nos mapas (confrontar figs. 11 e 12), a confusão também nas pessoas, a ponto de nas págs. 117 e 118 do citado Mapa de Portugal Antigo e Moderno, João de Castro dizer que o Côa «nasce na serra de Xalma, porção da Gata, e entra no nosso reino por folgosinho, Outros lhe dão nascimento mais perto de Alfayates e concordam em se meter no Douro em Vila Nova de Fozcoa».
Resumindo e concluindo: O rio Côa foi, até pelo menos fins do século XVIII, a ribeira de Alfaiates, que passa em Vilar Maior. A nascente da actual ribeira de Alfaiates é que é a nascente histórica do antigo rio Côa.
«Arroz com Todos», opinião de João Valente

joaovalenteadvogado@gmail.com

JOAQUIM SAPINHO

DESTE LADO DA RESSURREIÇÃO
Em exibição nos cinemas UCI

Deste Lado da Ressurreição - Joaquim Sapinho - 2012 Clique para ampliar

Indique o seu endereço de email para subscrever este blog e receber notificações de novos posts por email.

Junte-se a 836 outros seguidores

PUBLICIDADE

CARACOL REAL
Produtos Alimentares


Caracol Real - Produtos Alimentares - Cerdeira - Sabugal - Portugal Clique para visitar a Caracol Real


PUBLICIDADE

DOISPONTOCINCO
Vinhos de Belmonte


doispontocinco - vinhos de belmonte Clique para visitar Vinhos de Belmonte


CAPEIA ARRAIANA

PRÉMIO LITERÁRIO 2011
Blogue Capeia Arraiana
Agrupamento Escolas Sabugal

Prémio Literário Capeia Arraiana / Agrupamento Escolas Sabugal - 2011 Clique para ampliar

BIG MAT SABUGAL

BigMat - Sabugal

ELECTROCÔA

Electrocôa - Sabugal

TALHO MINIPREÇO

Talho Minipreço - Sabugal



FACEBOOK – CAPEIA ARRAIANA

Blogue Capeia Arraiana no Facebook Clique para ver a página

Já estamos no Facebook


31 Maio 2011: 5000 Amigos.


ASSOCIAÇÃO FUTEBOL GUARDA

ASSOCIAÇÃO FUTEBOL GUARDA

ESCOLHAS CAPEIA ARRAIANA

Livros em Destaque - Escolha Capeia Arraiana
Memórias do Rock Português - 2.º Volume - João Aristides Duarte

Autor: João Aristides Duarte
Edição: Autor
Venda: Casa do Castelo (Sabugal)
e: akapunkrural@gmail.com
Apoio: Capeia Arraiana



Guia Turístico Aldeias Históricas de Portugal

Autor: Susana Falhas
Edição: Olho de Turista
Venda: Casa do Castelo (Sabugal)



Música em Destaque - Escolha Capeia Arraiana
Cicatrizando

Autor: Américo Rodrigues
Capa: Cicatrizando
Tema: Acção Poética e Sonora
Venda: Casa do Castelo (Sabugal)



SABUGAL – BARES

BRAVO'S BAR
Tó de Ruivós

Bravo's Bar - Sabugal - Tó de Ruivós

LA CABAÑA
Bino de Alfaiates

La Cabaña - Alfaiates - Sabugal


AGÊNCIA VIAGENS ON-LINE

CERCAL – MILFONTES



FPCG – ACTIVIDADES

FEDERAÇÃO PORTUGUESA
CONFRARIAS GASTRONÓMICAS


FPCG-Federação Portuguesa Confrarias Gastronómicas - Destaques
FPCG-Federação Portuguesa Confrarias Gastronómicas Clique para visitar

SABUGAL

CONFRARIA DO BUCHO RAIANO
II Capítulo
e Cerimónia de Entronização
5 de Março de 2011


Confraria do Bucho Raiano  Sabugal Clique aqui
para ler os artigos relacionados

Contacto
confrariabuchoraiano@gmail.com


VILA NOVA DE POIARES

CONFRARIA DA CHANFANA

Confraria da Chanfana - Vila Nova de Poiares Clique para visitar



OLIVEIRA DO HOSPITAL

CONFRARIA DO QUEIJO
SERRA DA ESTRELA


Confraria do Queijo Serra da Estrela - Oliveira do Hospital - Coimbra Clique para visitar



CÃO RAÇA SERRA DA ESTRELA

APCSE
Associação Cão Serra da Estrela

Clique para visitar a página oficial


SORTELHA
Confraria Cão Serra da Estrela

Confraria do Cão da Serra da Estrela - Sortelha - Guarda Clique para ampliar



SABUGAL

CASA DO CASTELO
Largo do Castelo do Sabugal


Casa do Castelo


CALENDÁRIO

Setembro 2019
S T Q Q S S D
« Fev    
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
30  

Arquivos

CATEGORIAS

VISITANTES ON-LINE

Hits - Estatísticas

  • 3.147.081 páginas lidas

PAGERANK – CAPEIA ARRAIANA

BLOGOSFERA

CALENDÁRIO CAPEIAS 2012

BLOGUES – BANDAS MÚSICA

SOC. FILARM. BENDADENSE
Bendada - Sabugal

BANDA FILARM. CASEGUENSE
Casegas - Covilhã


BLOGUES – DESPORTO

SPORTING CLUBE SABUGAL
Presidente: Carlos Janela

CICLISMO SERRA ESTRELA
Sérgio Gomes

KARATE GUARDA
Rui Jerónimo

BLOGUES RECOMENDADOS

A DONA DE CASA PERFEITA
Mónica Duarte

31 DA ARMADA
Rodrigo Moita de Deus

A PÁGINA DO ZÉ DA GUARDA
Crespo de Carvalho

ALVEITE GRANDE
Luís Ferreira

ARRASTÃO
Daniel Oliveira

CAFÉ PORTUGAL
Rui Dias José

CICLISMO SERRA ESTRELA
Sérgio Paulo Gomes

FANFARRA SACABUXA
Castanheira (Guarda)

GENTES DE BELMONTE
Investigador J.P.

CAFÉ MONDEGO
Américo Rodrigues

CCSR BAIRRO DA LUZ
Alexandre Pires

CORREIO DA GUARDA
Hélder Sequeira

CRÓNICAS DO ROCHEDO
Carlos Barbosa de Oliveira

GUARDA NOCTURNA
António Godinho Gil

JOGO DE SOMBRAS
Rui Isidro

MARMELEIRO
Francisco Barbeira

NA ROTA DAS PEDRAS
Célio Rolinho

O EGITANIENSE
Manuel Ramos (vários)

PADRE CÉSAR CRUZ
Religião Raiana

PEDRO AFONSO
Fotografia

PENAMACOR... SEMPRE!
Júlio Romão Machado

POR TERRAS DE RIBACÔA
Paulo Damasceno

PORTUGAL E OS JUDEUS
Jorge Martins

PORTUGAL NOTÁVEL
Carlos Castela

REGIONALIZAÇÃO
António Felizes/Afonso Miguel

ROCK EM PORTUGAL
Aristides Duarte

SOBRE O RISCO
Manuel Poppe

TMG
Teatro Municipal da Guarda

TUTATUX
Joaquim Tomé (fotografia)

ROTA DO CONTRABANDO
Vale da Mula


ENCONTRO DE BLOGUES NA BEIRA

ALDEIA DA MINHA VIDA
Susana Falhas

ALDEIA DE CABEÇA - SEIA
José Pinto

CARVALHAL DO SAPO
Acácio Moreira

CORTECEGA
Eugénia Santa Cruz

DOUROFOTOS
Fernando Peneiras

O ESPAÇO DO PINHAS
Nuno Pinheiro

OCEANO DE PALAVRAS
Luís Silva

PASSADO DE PEDRA
Graça Ferreira



FACEBOOK – BLOGUES

Anúncios