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O Agrupamento de Escolas Ribeiro Sanches, de Penamacor, promove esta sexta-feira e no sábado, a terceira edição da Feira das Energias Renováveis, que acontece pela primeira vez no centro da vila.

Feira Energias Renováveis - PenamacorO evento é organizado pelos alunos dos cursos profissionais de técnicos de energias renováveis, formação na qual o Agrupamento de Escolas Ribeiro Sanches foi a pioneira no distrito de Castelo Branco.
No Terreiro de Santo António vão estar presentes 25 expositores, entre os quais a ENAT com sede no Sabugal e diversas empresas da área das energias amigas do ambiente. A mudança de local da feira é justificada com a necessidade de a escola ir ter com a comunidade.
«Muitas daquelas empresas já têm parcerias connosco para estágios e pretendemos criar outras», disse à agência Lusa a directora Helena Pinto.
O curso foi criado há quatro anos e conta actualmente com cerca de 40 jovens, divididos pelos três anos de formação.
Um dos destaques do programa da feira é a realização de conferências sobre o tema das energias renováveis.
Esta sexta-feira estará presente o deputado Jorge Seguro, coordenador do Grupo Parlamentar do PS na Comissão Eventual de Energia da Assembleia da República e no sábado o convidado é Alexandre Miranda, da Universidade da Beira Interior.
A feira penacorense é inaugurada pelo secretário de Estado Adjunto da Indústria e do Desenvolvimento, Fernando Medina.
jcl

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António Nunes Ribeiro Sanches (1699-1782), estrangeirado forçado a sair do seu país pela intolerância inquisitorial, médico, pedagogo, filósofo e colaborador da Enciclopédia, nasceu nosso vizinho, em Penamacor, no seio de uma família de origem judaica.

Adérito Tavares - Na Raia da MemóriaLuís António Verney, contemporâneo de Ribeiro Sanches e igualmente estrangeirado, escreveu: «Os homens nascem todos livres e todos são igualmente nobres. Ser filho de um homem ilustre não é o mesmo que ser ilustre. Os homens cultos e virtuosos é que são verdadeiramente nobres. Esta nobreza é natural e dela ninguém os pode desapossar.»
A cultura constituía, portanto, um novo tipo de distinção social. Um título nobiliárquico era concedido pelo rei que, do mesmo modo, o poderia retirar. Da nobreza de espírito, da cultura, conforme diz Verney, dessa ninguém nos pode privar. Esta ideia de transfiguração pelo saber, de elevação do homem acima de todos os seres da “Criação” através do estudo, tinha já sido a ideia central do humanismo renascentista. No Século das Luzes, porém, o homem como que endeusou a razão: a felicidade alcançava-se pelo conhecimento racional. A cultura liberta. Kant considerava que a luz da razão era o mais poderoso meio para fazer do homem um ser verdadeiramente livre. Aliás, é esta mesma ideia que se encontra subjacente a uma das mais comoventes e geniais cenas do cinema italiano. O filme «Padre Padrone», dos irmãos Vittorio e Paolo Taviani, conta a vida de Gavino, um jovem camponês sardo, verdadeiro «mouro de trabalho» ao serviço de um pai brutamontes, ganancioso e explorador (daí o título, Pai Patrão). O rapaz ficou analfabeto até ir para a tropa e só então aprendeu a ler. Daí em diante, porém, nunca mais parou: fez rapidamente o liceu, ingressou na Universidade e acabaria por se doutorar, tornando-se o maior especialista mundial de dialecto sardo. Esta história é autêntica e, no final do filme, aparece o verdadeiro professor Gavino Ledda, em cuja autobiografia os irmãos Taviani se inspiraram para fazer o filme.
A cena a que acima me refiro é a seguinte: um dia, quando já andava na Universidade, após uma árdua tarde de trabalho no campo, a ajudar o pai na ceifa, Gavino descansava, ouvindo Mozart numa velha telefonia. O pai mandou-o desligar o rádio porque não queria ouvir «aquela porcaria de música». Como Gavino continuasse de olhos semicerrados, ouvindo calmamente, o pai desligou ele próprio o aparelho. Mas o rapaz voltou a ligá-lo sem nada dizer. Então, furioso, o pai pegou no rádio e atirou-o para dentro de um tanque. E Gavino, sem se mover, continuou de olhos semicerrados, assobiando a melodia que escutava.
Esta é uma cena de antologia, porque retrata admiravelmente aquilo que tanto os humanistas do Renascimento como os iluministas do século XVIII consideravam ser a verdadeira forma de libertação do Homem: a cultura que está dentro de nós ninguém a pode arrancar do nosso espírito. Gavino Ledda tinha Mozart na cabeça e contra isso nada pôde a prepotência paterna. Como dizia o nosso poeta Carlos de Oliveira, «Não há machado que corte/ a raíz ao pensamento…»
Tudo isto vem a propósito de Ribeiro Sanches, um homem que acreditava intensamente no poder da razão e do saber. Digamos que passou toda a sua vida a apontar os melhores caminhos para curar os corpos e cultivar os espíritos, arrancando-os das trevas da ignorância e da superstição.
A sua obra viria a influenciar poderosamente a prática governativa do marquês de Pombal. Todavia, apesar dos esforços pombalinos para tirar o País do obscurantismo, a Inquisição, embora amortecida, continuou a existir até 1821. Ribeiro Sanches, que chamava a Portugal «o Reino cadaveroso», nunca pôde regressar à sua terra, acabando por morrer em Paris, com 83 anos, muito longe das fragas agrestes da Penamacor natal.
«Na Raia da Memória», opinião de Adérito Tavares

ad.tavares@netcabo.pt

Entre as iluminações de Natal, a moda e as comemorações dos 150 anos do nascimento de Jean Jurés, esse grande socialista francês assassinado no início da I grande Guerra, uma visita a Paris permite sempre algumas descobertas e outras tantas agradáveis sensações. A razão da actual visita é o Marché de Nöel, onde Penamacor participa com artesanato e produtos locais, designadamente com os da marca «Terras do Lince».

Terras do Lince em Paris

António Cabanas - «Terras do Lince»No momento em que escrevo este artigo, encontro-me nessa grande urbe da cultura e da arte, terra adoptiva do penamacorense Ribeiro Sanches e terra adoptiva, dizem, de quase 1 milhão de portugueses. Penamacor geminou-se há três anos com Clamart, cidade dos arredores de Paris, com mais de 50 mil habitantes concentrados em cerca de 9 mil hectares, o que nem é muito, comparado com outros dormitórios da capital gaulesa. Inversamente, Penamacor, com 6 mil habitantes, ocupa 55 mil hectares, o que torna esta geminação aparentemente atípica mas com muitas vantagens para a parte portuguesa: desde logo um benefício para os residentes portugueses, não só penamacorenses, mas de todas as regiões, que sentem da comunidade de acolhimento e também do poder local, um tratamento de descriminação positiva que não havia antes; depois para os empresários penamacorenses que aqui descobrem excelentes oportunidades de colocação dos seus produtos, não só em Clamart, mas em toda a metrópole parisiense; enorme vantagem ainda para o turismo de Penamacor e da região, pelos muitos clamartanos que, naturalmente, quererão descobrir a sua «ville jumelée».
A razão da actual visita é o Marché de Nöel, onde Penamacor participa com artesanato e produtos locais, designadamente com os da marca «Terras do Lince». Os marchés de Nöel são típicos em muitas cidades francesas, sendo famosos o de Strasbourg e o dos Champs Elysées. Em Clamart, foi a primeira vez, e a Câmara Municipal, entidade organizadora, convidou para participar, não só os comerciantes locais, mas também as cidades e vilas geminadas.
Realço, a propósito, a grande oportunidade que constitui para os nossos empresários o nicho de mercado da saudade, nesta grande região de Paris, com grande potencial de crescimento quer em termos qualitativos, quer quantitativos. De visita ao Cândido, para promoção da marca «Terras do Lince», foi com satisfação que demos de caras, logo na entrada do armazém, com as azeitonas e tremoços do Luís Tomé, da Bemposta (Farinha e Tomé, Lda.), mas também com os queijos e o mel da Meimoacoop. Sedeado na mítica e quase lusa Champigny, o Cândido é o maior armazenista e distribuidor de produtos portugueses em Paris. A tarefa a que nos propomos está ainda mais facilitada por o chefe de vendas ser das Quintas da Torre (perto do Pedrógão), caminho aberto para a negociação. Aqui concordamos em absoluto com as propostas de João Valente, na sua recente crónica do Capeia «agricultura sustentável», e a marca «Terras do Lince» será um bom veículo para os produtores de Penamacor e Sabugal. Da distribuidora parisiense sentimos total abertura aos produtos da referida marca, assim nós e os nossos empresários saibamos fazer o trabalho de casa: sem grandes produções, a aposta só poderá ser a qualidade e o gourmet.
Já quanto ao Turismo são as andanças de quem viaja que põem a nu as nossas carências. Localizada a meio de duas capitais europeias e de outras duas cidades mais pequenas, Porto e Salamanca e um pouco mais longe Valladolid, a nossa região nem se pode queixar dos acessos rodoviários. Por aí, até estamos bem localizados, em duas ou três horas acede-se a estes grandes centros urbanos. Já no que respeita a distâncias mais longas que exijam o avião, não podíamos estar pior: somos a região portuguesa que mais longe está de um aeroporto e será fundamental no futuro a construção de uma estrutura aeroportuária que nos possa desencravar a esse nível. Sabemos todos que hoje na Europa o avião é o transporte mais barato para passageiros que não viajem em grupo. Numa altura em que o turismo tende a aumentar à medida que baixa o custo das viagens e aumenta o conforto das mesmas, o interior bem pode aproveitar o elevado potencial turístico que constituem os seus emigrantes.
Os muitos amigos franceses e portugueses que conhecemos através desta geminação e que nos visitam, adoram a nossa região, mas apontam o incómodo da deslocação desde o aeroporto como o maior obstáculo à assiduidade das suas visitas.
O crescimento exponencial do alojamento turístico da Serra da Estrela e regiões limítrofes, na última década, ficará comprometido no futuro próximo se não se resolver esta lacuna. O novo aeroporto de Lisboa é uma boa oportunidade para o interior exigir um aeroporto regional – uma pequena migalha de Alcochete chegará – de forma a acolher pequenos aviões que façam o transbordo do Porto ou de Lisboa, ou mesmo que voem da Europa. Se soubemos usar esta estratégia para os estádios (com algumas migalhas lá se arrelvaram uma série de campos de futebol do Interior!), por maioria de razão se deverá exigir do governo essa medida de justiça e equidade geográfica. Aqui, seria bom que os líderes locais se entendessem quanto à melhor localização e se evitassem os umbiguismos do costume. Como o Sr. Primeiro-Ministro é da Covilhã que o faça na Covilhã, onde até há cursos superiores de aeronáutica e um aeródromo, e fica o problema resolvido.
A macrocefalia do litoral e a falta de estratégia nacional em matéria aeroportuária tem efeitos nefastos para o país, designadamente para Lisboa e Porto: muitos raianos voam para a Europa a partir de Valladolid dado os grandes aeroportos serem mais caros e afugentarem as empresas de low cost. Em breve se voará também a partir da Extremadura que se prepara para construir o seu aeroporto internacional, roubando mais mercado a Lisboa e Porto e, assim, quando Portugal tanto necessita do mercado espanhol, são os espanhóis que exploram o mercado nacional.
«Terras do Lince», opinião de António Cabanas

kabanasa@sapo.pt

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