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Foram plantados medronheiros no mesmo local onde em Janeiro de 2012 a Câmara Municipal do Sabugal cortou árvores centenárias, com o pretexto de que poderiam cair sobre os carros estacionados e de que era necessário requalificar o largo.

Os trabalhos na Praça da República, centro administrativo do Sabugal, decorreram na semana passada, sendo arrancados os «toros» e as raízes das antigas árvores e seguidamente colocados medronheiros no seu lugar.
O medronheiro é um arbusto de folha persistente, que pode atingir os cinco ou seis metros de altura, apresentando ramos recurvos e copa arredondada. Quando carregada de frutos a planta adquire uma redobrada formusura, especialmente quando os medronhos amaduram e adquirem a cor rubra. Outro elemento de beleza são as flores do medronheiro, que aparecem no Outono, de cor branca com raias cor de rosa, que normalmente formam cachos pendentes.
A decisão pelos arbustos em detrimento de árvores clássicas de jardim, está a motivar polémica. Para muitos as memórias do local imporiam que fossem plantadas árvores da mesma espécie ou similares às que foram abatidas. Alega-se também ser algo raro encontrar espaços públicos onde o medronheiro seja árvore de ornamentação, antes sendo arbusto que cresce sobretudo no campo. Alega-se também que quando os medronheiros derem frutos os mesmos cairão ao solo, ficando sujeitos a serem esmagado e assim tingirem a calçada ou as pessoas que passam, sendo também por isso considerada uma espécie nada apropriada para o local em questão.
Diversa literatura diz-nos que na antiguidade os romanos usaram medronheiros para ornamentação sendo comum haver destas árvores nos jardins de Roma e de outras cidades do Império. Contudo, há muito que este arbusto não é normalmente usado para este fim, com raras excepções, como é o caso do jardim envolvente à Escola de Nossa Senhora da Luz, em Arronches, no Alentejo, e também, agora, na praça mais emblemática do Sabugal.
plb
A decisão da Câmara Municipal do Sabugal de mandar abater as árvores que existiam junto à velha fonte da praça da República, foi debatida na reunião do executivo municipal que se realizou ontem, dia 1 de Fevereiro, tendo-se aprovado por unanimidade uma proposta do PS no sentido da requalificação do local.

Os vereadores do Partido Socialista apresentaram um documento muito crítico em relação ao corte das árvores ocorrida no dia 26 de Janeiro, sem que tivesse sido apresentado no executivo municipal qualquer plano requalificador desse espaço público.
Depois de uma acesa discussão acerca dos motivos que levaram à decisão de derrubar as árvores, o executivo acabaria por votar a proposta dos vereadores socialistas, aprovando-a por unanimidade.
Transcrevemos seguidamente a proposta subscrita pelos vereadores do PS Sandra Fortuna, Luís Sanches e Francisco Vaz:
«A qualidade do espaço urbano é hoje um dos grandes anseios das populações, exigindo dos decisores políticos uma preocupação constante para que as suas decisões contribuam para a sua melhoria.
E se esta é uma exigência dos cidadãos utilizadores do espaço público, ela é ainda mais sensível quando as intervenções se processam em zonas com história e significado especial para toda uma população.
Todo o espaço da Praça da República, com a sua fonte e as suas árvores, pertence ao património cultural dos habitantes mais antigos da cidade do Sabugal e, em especial, dos moradores da “Vila”, que ali vinham à água, que ali compravam frutas, legumes e peixe, que ali iam ao mercado, que ali conversavam, namoravam, em fim, que ocupavam este espaço.
Alterar esta Praça não podia ser, assim, uma decisão tomada de ânimo leve, ou com razões pouco credíveis como aconteceu no dia 26 de Janeiro deste ano.
Cortar as árvores da Praça da República porque, supostamente, estavam doentes, ou porque, num dia de Novembro, o vento arrancara uma pernada e lesara um automóvel, ou porque as árvores sujavam as viaturas que ali estacionam dando à Praça um aspecto desarrumado e desqualificado, é atitude de quem não tem memória, de quem não percebe que os espaços públicos são de todos e não do Sr. Presidente da Câmara ou do proprietário de qualquer automóvel!
Cortar as árvores da Praça da República sem ter um projecto de intervenção requalificadora da mesma, é um acto gratuito e ofensivo para os sabugalenses que amam a terra que os viu nascer e crescer.
A paisagem urbana não é algo sem valor!
Assim, os vereadores do Partido Socialista não podem deixar de repudiar a decisão de mandar cortar as árvores da Praça da República, lamentando que o Sr. Presidente da Câmara não tenha percebido que actos como estes em nada dignificam o cargo que ocupa e mais não fazem do que, cada vez mais, afastar os cidadãos dos detentores de cargos públicos.
Mas ao mesmo tempo, os Vereadores do Partido Socialista consideram que a dignidade e a história da Praça da República não podem permitir que a mesma se transforme num depósito caótico de automóveis.
Assim, os Vereadores do Partido Socialista propõem que a Câmara Municipal inicie o processo de elaboração de um Projecto de Requalificação da Praça da República, incluindo os edifícios ali construídos na segunda metade do século passado.»
plb
As árvores que ornamentavam a Praça da República, junto ao velho chafariz, foram derrubadas por ordem da Câmara Municipal do Sabugal, o que provocou a indignação de alguns sabugalenses.

Segundo o Capeia Arraiana apurou, alguém se queixou à Câmara Municipal de que as árvores antigas da Praça da República, junto à fonte, estavam caducas, em risco de queda iminente e que sujavam os automóveis quando se estacionavam naquele local. Vai daí, face à alegada queixa, decidiram cortar as árvores, ainda que fossem muito antigas.
Na manhã de hoje, 26 de Janeiro, alguns funcionários, munidos de motosserra, cumpriram as ordens superiores e cortaram rentes os troncos das árvores.
Naquele canto da emblemática Praça da República, o largo onde está sedeada a Câmara Municipal do Sabugal e que constitui o centro administrativo da cidade, está um antigo chafariz, que é o mesmo que o prémio Camões de 2011, o poeta sabugalense Manuel António Pina, diz estar entre as suas memórias de infância mais antigas. No local, à sombra das árvores, esteve durante anos instalada a praça municipal, onde todos os dias se vendiam frutas e legumes, antes de ser transferida para o largo fronteiro ao Tribunal.
Este tipo de árvores, que fazem parte dos núcleos históricos das nossas aldeias, vilas e cidades, deveriam ser rigorosamente protegidas e o seu eventual derrube teria de obedecer a critérios de rigor, que, preferencialmente, passassem por uma discussão pública acerca dessa necessidade e dessa oportunidade.
plb

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