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O Consulado de Portugal em Paris inaugura no próximo dia 14 de Setembro, às 18h30, uma exposição dedicada à tradição popular portuguesa Capeia Arraiana.

Trata-se de uma iniciativa que se segue ao registo da Capeia Arraiana como Património Cultural Imaterial no Inventário Nacional do Instituto dos Museus e da Conservação, classificado pelo seu valor enquanto manifestação popular e etnográfica.
A Capeia Arraiana, diz-se numa nota divulgada pelo Consulado de Portugal em Paris, é uma manifestação tauromáquica específica de algumas freguesias da orla raiana do concelho do Sabugal, que se singulariza pelo facto de a lide do touro bravo ser realizada com o auxílio do forcão, estrutura triangular em madeira suportada por um grupo de homens que assim enfrenta as investidas do touro.
A mostra, que está integrada na programação cultural do Consulado, pode ser visitada até 26 de Setembro, de segunda a sexta-feira, das 9 às 17 horas, no Espaço Nuno Júdice do Consulado Geral de Portugal – 6 Rue Georges Berger 75017 Paris.
A organização da exposição partiu da iniciativa da Associação RAIAR, de Aldeia do Bispo, e especialmente dos raianos Domingos Ricardo e Manuel Luís Gonçalves, contando com a colaboração do Consulado de Portugal em Paris.
plb

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Com a crise sempre por perto, com a incompetência política na resolução dos problemas sociais, por toda a Europa a pobreza tem ganho terreno. Sem excepção de países cada vez é maior o número daqueles que necessitam fazer apelo à caridade para poderem sobreviver e para poderem alimentar os filhos.

Paulo AdãoAs diferentes associações caritativas, sem grandes ajudas dos poderes centrais, fizeram as suas habituais campanhas de recolha de alimentos, vestuário e tudo aquilo que pode ainda ser de muita ajuda para muitas famílias. Foi nestas recolhas, dos últimos dias, que em França ou em Portugal, se anunciou os bons resultados dessas campanhas. A quantidade dos produtos recolhidos foi superior aos anos precedentes, deixando a ideia que as pessoas continuam solidárias, continuam preocupadas com quem vive em situações menos agradáveis, em dificuldades que nenhum de nós gostaria de viver. Ouvi uma pessoa responder, «este ano dou um pouco mais, por duas razões: primeiro porque se vê cada vez mais jovens em necessidade à procura de ajuda e segundo, porque da maneira que vai o mundo, também me pode acontecer à mim e gostaria que também me ajudassem quando necessitar».
Mesmo não havendo nada de excepcional nesta resposta, faz-me pensar, que com maior frequência, maior número de pessoas teme o futuro. O dia de amanhã tornou-se uma incerteza e, se hoje temos trabalho, alimentos e vestuário, à velocidade que as coisas mudam, podemos de um dia para o outro estar numa situação que nos obrigue a pedir ajuda, a pedir para comer, para vestir.
Nos últimos dias, com a chegada do inverno rigoroso, os problemas da pobreza acentuam-se, sabem-se verdades e conhecem-se situações que nos passam ao lado noutras épocas do ano.
Apenas um exemplo, em França muito se escreveu e disse os últimos dias, sobre os pobres que «acampam» em parques ou bosques nos arredores da cidade de Paris. Alguns destas pessoas, vivem em situação dificil e sem habitação há mais de 10 anos, tendo construído nos bosques barracas, em cartão, alguma madeira ou chapas de metal, sobrevivendo da caridade e das boas acções de associações ou pessoas individuais. Os poderes locais, como solução, mandaram destruir nos últimos dias, dezenas de barracas e instalaram algumas dessas pessoas, em hotéis, durante três semanas. Uma situação provisória, dizem os poderes centrais. Mas quantas situações provisórias como esta nunca passam do provisório? Como encontrar uma solução em três semanas, para problemas que têm 10 anos?
E depois dessas três semanas?
Depois apetece-me dizer que o problema do político desapareceu. O problema, que eram as barracas, foi solucionado com a sua destruição. O problema do pobre, que é ser pobre, continua com maior gravidade (tiraram-lhe o pouco que tinha), e depende única e exclusivamente da ajuda e da caridade humana.
Fica mais uma vez a ideia, que podemos contar uns com os outros, podemos contar com a solidariedade humana, mas nada podemos esperar dos poderes centrais, a não ser tirarem-nos o pouco que temos.
«Um lagarteiro em Paris», crónica de Paulo Adão

paulo.adao@free.fr

A festa de cerveja de Munique (Oktoberfest) abriu as suas portas no passado sábado, dia 18 de Setembro, para festejar os 200 anos de existência.

Oktoberfest - Munique

Paulo AdãoA Oktoberfest, teve origens com o noivado do futuro rei da Baviera, Louis I com Therese von Sachsen-Hildburghausen, no dia 12 de outubro de 1810. Comemoram-se os 200 anos, sendo no entanto a edição n.° 177 deste acontecimento, devido às guerras e epidemias que impediram a organização de 24 edições.
Desde a sua origem, esta festa acontece num parque oval de 31 hectares, chamado «Theresenwiese» em homenagem à rainha da Baviera, lugar onde foi celebrado o casamento.
Este evento é esperado com ansiedade por todos os Muniquenses e tornou-se ao longo dos anos, uma das maiores festas populares do mundo. Desde os anos 80, a Oktoberfest recebe mais de 6 milhões de visitantes sendo cerca de 75 por cento originários da região e os restantes turistas estrangeiros que facilmente se inserem no ambiente, consumindo tanta cerveja como os alemães, segundo informações dos organismos de Turismo.
O início foi marcado, como habitualmente, por 12 tiros de canhão disparados na praça municipal, sendo o primeiro barril aberto pelo Prefeito de Munique, tradição que se mantém há cerca de 60 anos. Até ao 4 de Outubro, são milhões os litros de cerveja que vão matar a sede aos amantes (e não só) desta bebida.
Os trajes regionais, a rigor dão um ar de carnaval ao evento, não faltando animações pelas ruas com muita música e danças, carrosseis, concursos de quem bebe mais cerveja, concurso para aquele que transporta maior número de canecas de uma só vez, sem faltar o concurso da melhor cerveja.
Em honra dos 200 anos, seis grandes cervejarias de Munique, elaboraram tipos de cerveja seguindo as receitas dos séculos passados, tentando reproduzir o gosto da época.
Alguns números da Oktoberfest:
– 14 stands gigantes de cerveja com capacidade para vários milhares de visitas ao mesmo tempo; 105 000 lugares sentados previstos para os concursos de bebedores de cerveja;
– custo da caneca varia entre 8.30 e 8.90 euros;
– 1042 casas de banho e 843 metros de urinóis;
– 602 empresas participam no evento;
– 12.000 pessoas contratadas para trabalhar durante esta festa.
Records existentes:
– 18 canecas transportadas de uma só vez por uma empregada de mesa;
– 5,7 milhões de visitas em 2009;
– 6,6 milhões de litros de cerveja consumidos;
– 488.137 frangos e 116.923 pares de salsichas entre outros petiscos;
Despesa média de 54 euros por visitante.

Fotos da Oktoberfest ao longo dos anos. Aqui.

Um lagarteiro em Paris… com sede.

«Um lagarteiro em Paris», crónica de Paulo Adão
paulo.adao@free.fr

A França viveu as últimas semanas ao «ritmo» da sua Selecção Nacional. Até houve (e continua a haver) outros assuntos que mereciam a mesma, senão ainda maior atenção. Mas não é novidade que o futebol continua a mexer com uma gande parte da sociedade, ricos ou pobres, velhos ou novos.

Selecção Francesa - Anelka - Domenech - África do Sul - 2010

Paulo AdãoNestes momentos desportivos, que pessoalmente também aprecio, todas as atenções vão para as equipas do nossos países, o patriotismo sai à rua, os temas de conversa são os resultados, bons ou maus de certas equipas e outros problemas mais sérios e mais urgentes de resolver ficam para trás ou são resolvidos à pressa, sem discussão, sem oposições, sem debate.
Mas o tema desta crónica é bem a equipa de França e a sua participação neste campeonato do mundo. Talvez muitos dos leitores deste blogue até já estejam fartos de ouvir falar desta equipa e da novela que se vai «produzindo» em volta dela, por aqui também se têm esse sentimento. Até ao jogo de ontém, ainda alguns responsaveis desta equipa pensava ou esperava num milagre para que esta equipa se qualificasse, mas a grande maioria da população francesa, não só não acreditava como desejava que a equipa fosse derrotada e voltasse para casa o mais rapido possivel. A França não gostou e não aceita a imagem que os seus jogadores deixaram desta nação. Existem petições em linha para castigar os responsaveis desta situação, existem petições para que os jogadores renunciem aos seus prémios de jogo e ofereçam o dinheiro às camadas jovens e à formação desportiva, fazem-se pedidos de explicação.
A imprensa francesa, seja ela especializada no desporto ou de cunho politico ou social, não poupou em nada a equipa, os seus dirigentes e responsaveis. Apenas algumas frases que apareceram nos jornais por toda a França: «Vae Victis. Malheur au vaincu», ou seja, «…afinal tudo tinha começado com uma batota», «a derrota foi o melhor que podia ter acontecido», «nunca deveriam ter posto os pés na Africa do Sul», «um campo em ruínas», «jogadores de uma mediocridade alarmante, podres de dinheiro, educados numa vida por vezes sem leis, sem valores, sem respeito, sem educação», «mais uma vez Parabéns». A prestação da equipa francesa foi vergonhosa, foi uma calamidade, o fim do mundo. De desgosto público e popular vivido pela população pelos maus resultados desportivos, passou a tema politico pelo comportamento geral desta equipa.
Mas porquê tudo isto? Como se chegou a esta situação?
Os problemas em volta da equipa de França, há muito se conheciam, há vários anos, que se falava dos problemas internos de balneário entre staff e jogadores. Poucos foram aqueles que perceberam e aceitaram a continuidade do mesmo treinador depois da eliminação (também na primeira fase) no campeonato da Europa em 2008. No entanto, à medida que se aproximou este mundial muitos eram os que acreditavam no sucesso deste equipa e muitos foram os que davam esta equipa como vencedora do campeonato do mundo. E este é uma das chaves do desgosto. A França era campã do mundo já antes do campeonato e sem jogar, a França era campã do mundo porque ganhou em 1998. A França era campã do mundo porque as outras equipas não prestam e pouco valem. Rapidamente o patriotismo deu lugar ao chauvinismo.
Uma outra critica apontada ao comportamento dos «azuis» é o mau exemplo dado às camadas jovens e a todas as crianças que vêm nos jogadores os seus ídolos. Os formadores e responsaveis das camadas jovens falam já de centenas de inscrições a menos no início do ano, os milhares de jovens actualmente nas camadas de formação assimilam rapidamente os gestos e actos menos positivos dos seus ídolos e rapidamente contestam as decisões dos treinadores. E este foi o que me motivou a escrever sobre este assunto, porque nesta maranhada toda, no que diz respeito à formação dos jovens, pouco se ouviu falar dos verdadeiros valores do desporto, da alegria de jogar e fazer parte de uma equipa e que participa em grandes competições. Os jovens são formados para serem o Zidane ou o Figo, Ronaldo ou Messi. A formação é feita, muito, à base de imagens temporárias de pessoas que tiveram e têem prazer em jogar, que mostravam prazer em defender as cores de um país e pouco à base dos valores humanos do respeito, do trabalho, da sinceridade, do Fair-Play. A maioria dos jovens conhece os jogadores Zidane ou Figo, mas poucos conhecem a pessoa e o homem que são o Zidane e o Figo, poucos conhecem os valores do respeito, da justiça, do trabalho, da disponibilidade para serem o Zidane ou o Figo dos próximos campeonatos do mundo.
Dois pontos, que achei importantes em volta desta novela, que me levaram a esta reflexão: o chauvinismo francês e as fracas bases na formação desportiva actual.
«A selecção gaulesa» – uma novela que vai continuar ainda por alguns (muitos) episódios, que vai fazer correr muita tinta nos jornais pelo menos aqui por França.
E viva Portugal.
«Um lagarteiro em Paris», crónica de Paulo Adão

paulo.adao@free.fr

A educação tem sido de há alguns anos a esta parte, orgiem de discórdias, estratégia política, fonte de discussão. Os governos, uns atrás dos outros, têm cortado nas ajudas mas também no essencial.

Paulo AdãoDo lado dos governantes, quando se elimina uma classe ou se fecha uma escola, não é só apenas um corte nas ajudas, mas uma machadada num dos pilares da sociedade.
Do lado dos professores, alguns (e muitos) têm tentado defender uma profissão que foi ao longo de muitos anos algo de indispensável para a formação dos jovens e adolescentes. Outros, infelizmente, defendem apenas o tacho que os alimenta. Do lado dos pais e dos alunos, exigencias de facilidades, de bem-estar, de garantias de sucesso: os governos e as escolas é que devem garantir a passagem de ano de um aluno. Isto é o mundo ao contrário. Muitos já se esqueceram que os nossos pais faziam 10 quilómetros pela manhã e outros 10 quilómetros pela tarde para irem à escola, com livros e o farnel de almoço, pois noutros tempos não havia cantinas escolares nem eram muitos os que tinham possibilidade de ir almoçar a casa. Quem não se lembra nos invernos frios da Raia, levar as brasas por vezes em baldes de lata para as braseiras que aqueciam as nossas salas de aulas?
Tudo isto é passado e mais que esquecido, hoje os problemas são bem diferentes. Os alunos são transportados até às portas da escola, as escolas oferecem as maiores comodidades, em vez de livros, alguns começam a transportar no saco um computador ou uma pen numérica onde arquivam e guardam todos os seus deveres e documentos.
Criaram-se as comissões de pais e alunos, reduziu-se o tempo de escola, tudo num sentido de evolução e de progresso. Naqueles tempos, quando alguém conseguia fazer a quarta classe e depois ir para um colégio, para um seminário e conseguir ir para a universidade era motivo de orgulho para toda a família.Os alunos, eram os primeiros a festejarem os exames da quarta classe e todos os outros que se seguiam e eram esses alunos mesmos os primeiros a fazerem um esforço sem limites, para conseguirem ultrapassar essas provas. E verdade seja dita, era muitos aqueles que festejavam o ultrapassar desses exames.
Hoje tudo é diferente. Passar um exame é apenas mais uma prova chata, na qual ganha o que for mais esperto. Ao longo do ano, vai-se de vez em quando às aulas para conhecer a cara do professor e trocam-se alguns números de telefone com os novos colegas. Depois no momento do exame logo se vê.Que seja o que Deus quiser. Da parte dos governos, é preciso dar boa imagem, a percentagem de sucesso deve ser alta para não dar má imagem do país nem das escolas.
Nestes últimos dias, o governo francês têm discutido muito a propósito da educação e do sistema escolar. O sistema escolar francês, parece ser muito pesado para os alunos, a percentagem de sucesso não é das mais elavadas. O ano passado, o tempo escolar de quatro/cinco dias por semana foi reduzido a quatro dias no sistema primário. No secundário ainda hoje se praticam os quatro dias e meio.
Como é sempre bom copiar por alguem, o governo francês aposta no «sistema alemão», onde a manhã dedicada ao ensino e a tarde ao desporto. No entanto este sistema tem sido alvo das maiores criticas na Alemanha, onde os resultados estão muito aquem e por vezes contrários às expectativas. O governo francês vai no entanto abrir e dar espaço à uma discussão pública para «modernizar» o sistema escolar neste sentido.
Em Portugal falou-se durante esta semana na passagem do 8.° para o 10.° ano através dum só exame, coisa que não é do gosto de pais e responsáveis de educação.
Ontem mesmo, assisti à uma reportagem onde se mostravam todas as técnicas para falsear os exames, onde se viam os alunos fazer uso de todas as artimanhas para conseguirem ultrapassar os exames. Nada é deixado ao azar. A internet oferece hoje todos os meios e maneiras para se conseguir um bom resultado. Em troca de alguns euros, encontram-se os resultados dos exames, mesmo antes de estes serem feitos.
Quais serão os resultados de tudo isto? Não teremos no futuro ainda mais engenheiros, advogados, médicos e tantos outros especialistas sem diploma? Ou será que vão todos aprender durante as suas vidas profissionais? É esta a educação nos nossos dias?
«Um lagarteiro em Paris», crónica de Paulo Adão

paulo.adao@free.fr

Durante este fim-de-semana, a famosa avenida dos Campos Elísios em Paris, foi palco de uma original iniciativa tornando-se numa gigantesca amostra das espécies animal e vegetal, num enorme palco natural, num imenso jardim.

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Paulo AdãoUm fim-de-semana nos Champs Elysées, sem carros, cerca de dois milhões de visitantes, aproveitaram do bom tempo e do sol, para passearem entre agradáveis cheiros e cores por vezes muito dificeis de aperceber em Paris. A ideia nasceu há pouco mais de dois anos, de um artista e organizador de acontecimentos e espectáculos de rua, que já em 1991 tinha transformado esta mesma avenida num gigantesco campo de trigo.
A colocação e exposição de todas estas espécies exigiram muita preparação e organização. Durante algumas noites que precederam este fim-de-semana, foi um vaivém de camiões, uma dança de máquinas a descarregar, parcelas de terra, plantas e animais.
O fim-de-semana (prolongado pelo feriado de Pentecostes) foi muito quente em Paris, o que fez com que um maior número de pessoas tivessem saído e tivessem ido visitar este imenso jardim. O presidente da República e primeira dama também estiveram presentes. Enquanto o presidente aproveito do evento para tentar tranquilizar alguns agricultores, a primeira dama mostrou-se muito interessada pelas couves, pelos animais e por aquilo que eles comem, tentando dar uma imagem de alguém que se encontra próximo da classe popular e agrícola.
Os resultados foram positivos, os organizadores estão contentes com o número de visitas, 1 milhão e 900 mil visitantes entre domingo e segunda-feira. Os agricultores, que representaram as suas zonas de origem, dizem ter conseguido com esta «exposição», mostrar à sociedade a riqueza dos produtos agricolas franceses, defendendo com «unhas e dentes» os produtos franceses.
Para resumo, havia cerca de 8 000 espécies vegetais espalhadas no quilómetro que separa o Arco do Triunfo à rotunda dos Campos Elísios. Foi feita uma pirâmide de frutas e legumes com sete metros de altura, que foi no final oferecida à associação «Restos du Coeur», que distribui ao longo do ano, milhares de refeições aos mais necessitados. Feijoeiras, bananeiras, ananás, couves, vacas, cabras, ovelhas, cavalos, galinhas e tantos outras espécies, tudo esteve presente nesta gigante amostra natural da riqueza agrícola francesa.
«Um lagarteiro em Paris», crónica de Paulo Adão

paulo.adao@free.fr

O Sud-Expresso moderniza-se. O mítico comboio da CP, com ligação diária de Lisboa à Hendaia, é o mais antigo da Europa em circulação. Liga, desde 1887, Santa Apolónia a Hendaia e a Paris por TGV. A partir deste 1.º de Março moderniza-se e passa a utilizar material Talgo. Os passageiros passarão a dispor, por exemplo, de quartos com duche privativo, entre outras novidades.

Paulo AdãoEste comboio, faz parte da memória e da vida de muitos portugueses e de muitos raianos. Quantos não têm histórias e anedotas para contar? Quantas não foram as vezes, que quando chegava a Vilar Formoso, os lugares e as couchettes estavam já ocupados? Neste comboio, entravam todos aqueles que se deslocavam para França ou outros paises da Europa, nele entravam aqueles turistas com menos possibilidades financeiras e para quem o comboio era o transporte mais económico. Além disso, o ambiente e as experiências vividas durante as viagens, eram únicas.
Quando chegava a Vilar Formoso, sempre perto da meia-noite, os lugares estavam ocupados e as pessoas dormiam a bem dormir. Lembro-me de um ano, os nossos lugares estavam ocupados por turistas alemães bêbados que nem uma porta. O revisor tinham optado por «fechá-los» todos no nosso compartimento, e nós tivemos de viajar de pé, no corredor até Hendaia.
Sud-Express - Lisboa - Vilar Formoso - Hendaye - IrunDeste velho Sud-Expresso, ficam as memórias das velhas carruagens, da mudança de máquinas em Vilar Formoso ou Fuentes de Oñoro, devido à diferença de bitolas existente – o Talgo, tem a vantagem de poder circular nas diferentes bitolas, europeia e ibérica – e das mudanças de humor entre os revisores portugueses e espanhóis.
Ao Sud-Expresso, estarão sempre ligadas as memórias dos incêndios que não permitiam a sua passagem, dos atrasos que faziam perder a ligação ao TGV em Hendaia. Ficou também na memória, aquele grave acidente em Alcafache, em 1985, onde várias dezenas de pessoas perderam a vida, quando regressavam das suas férias para mais um ano de trabalho.
A partir de hoje, o Sud-Expresso muda de visual. As velhas carruagens são trocadas pelos modelos Talgo, modernos e com melhores condições.
Com esta modernização o Sud-Expresso tem tudo para continuar a ser o mais antigo comboio da Europa em circulação sem interrupções.

Formado, geralmente, por seis carruagens o Sud-Expresso sai diariamente de Lisboa (Santa Apolónia) às 16.06 e chega a Hendaia às 07.10 do dia seguinte (horário local). O TGV sai em direcção a Paris às 07.53 e termina a sua viagem na capital francesa (Gare Montparnasse) às 13.45. Na volta, o TGV sai de Paris às 15.50 e chega a Hendaia às 21.23. O Sud-Expresso parte, às 22.00, rumo a Lisboa, onde chega às 11.03 do dia seguinte (horário português). Na estação de Vilar Formoso, as locomotivas da CP-Comboios de Portugal são trocadas pelas da espanhola RENFE, e vice-versa.

Blogue dedicado ao mítico comboio. Aqui.
«Um lagarteiro em Paris», opinião de Paulo Adão

paulo.adao@free.fr

Entre as iluminações de Natal, a moda e as comemorações dos 150 anos do nascimento de Jean Jurés, esse grande socialista francês assassinado no início da I grande Guerra, uma visita a Paris permite sempre algumas descobertas e outras tantas agradáveis sensações. A razão da actual visita é o Marché de Nöel, onde Penamacor participa com artesanato e produtos locais, designadamente com os da marca «Terras do Lince».

Terras do Lince em Paris

António Cabanas - «Terras do Lince»No momento em que escrevo este artigo, encontro-me nessa grande urbe da cultura e da arte, terra adoptiva do penamacorense Ribeiro Sanches e terra adoptiva, dizem, de quase 1 milhão de portugueses. Penamacor geminou-se há três anos com Clamart, cidade dos arredores de Paris, com mais de 50 mil habitantes concentrados em cerca de 9 mil hectares, o que nem é muito, comparado com outros dormitórios da capital gaulesa. Inversamente, Penamacor, com 6 mil habitantes, ocupa 55 mil hectares, o que torna esta geminação aparentemente atípica mas com muitas vantagens para a parte portuguesa: desde logo um benefício para os residentes portugueses, não só penamacorenses, mas de todas as regiões, que sentem da comunidade de acolhimento e também do poder local, um tratamento de descriminação positiva que não havia antes; depois para os empresários penamacorenses que aqui descobrem excelentes oportunidades de colocação dos seus produtos, não só em Clamart, mas em toda a metrópole parisiense; enorme vantagem ainda para o turismo de Penamacor e da região, pelos muitos clamartanos que, naturalmente, quererão descobrir a sua «ville jumelée».
A razão da actual visita é o Marché de Nöel, onde Penamacor participa com artesanato e produtos locais, designadamente com os da marca «Terras do Lince». Os marchés de Nöel são típicos em muitas cidades francesas, sendo famosos o de Strasbourg e o dos Champs Elysées. Em Clamart, foi a primeira vez, e a Câmara Municipal, entidade organizadora, convidou para participar, não só os comerciantes locais, mas também as cidades e vilas geminadas.
Realço, a propósito, a grande oportunidade que constitui para os nossos empresários o nicho de mercado da saudade, nesta grande região de Paris, com grande potencial de crescimento quer em termos qualitativos, quer quantitativos. De visita ao Cândido, para promoção da marca «Terras do Lince», foi com satisfação que demos de caras, logo na entrada do armazém, com as azeitonas e tremoços do Luís Tomé, da Bemposta (Farinha e Tomé, Lda.), mas também com os queijos e o mel da Meimoacoop. Sedeado na mítica e quase lusa Champigny, o Cândido é o maior armazenista e distribuidor de produtos portugueses em Paris. A tarefa a que nos propomos está ainda mais facilitada por o chefe de vendas ser das Quintas da Torre (perto do Pedrógão), caminho aberto para a negociação. Aqui concordamos em absoluto com as propostas de João Valente, na sua recente crónica do Capeia «agricultura sustentável», e a marca «Terras do Lince» será um bom veículo para os produtores de Penamacor e Sabugal. Da distribuidora parisiense sentimos total abertura aos produtos da referida marca, assim nós e os nossos empresários saibamos fazer o trabalho de casa: sem grandes produções, a aposta só poderá ser a qualidade e o gourmet.
Já quanto ao Turismo são as andanças de quem viaja que põem a nu as nossas carências. Localizada a meio de duas capitais europeias e de outras duas cidades mais pequenas, Porto e Salamanca e um pouco mais longe Valladolid, a nossa região nem se pode queixar dos acessos rodoviários. Por aí, até estamos bem localizados, em duas ou três horas acede-se a estes grandes centros urbanos. Já no que respeita a distâncias mais longas que exijam o avião, não podíamos estar pior: somos a região portuguesa que mais longe está de um aeroporto e será fundamental no futuro a construção de uma estrutura aeroportuária que nos possa desencravar a esse nível. Sabemos todos que hoje na Europa o avião é o transporte mais barato para passageiros que não viajem em grupo. Numa altura em que o turismo tende a aumentar à medida que baixa o custo das viagens e aumenta o conforto das mesmas, o interior bem pode aproveitar o elevado potencial turístico que constituem os seus emigrantes.
Os muitos amigos franceses e portugueses que conhecemos através desta geminação e que nos visitam, adoram a nossa região, mas apontam o incómodo da deslocação desde o aeroporto como o maior obstáculo à assiduidade das suas visitas.
O crescimento exponencial do alojamento turístico da Serra da Estrela e regiões limítrofes, na última década, ficará comprometido no futuro próximo se não se resolver esta lacuna. O novo aeroporto de Lisboa é uma boa oportunidade para o interior exigir um aeroporto regional – uma pequena migalha de Alcochete chegará – de forma a acolher pequenos aviões que façam o transbordo do Porto ou de Lisboa, ou mesmo que voem da Europa. Se soubemos usar esta estratégia para os estádios (com algumas migalhas lá se arrelvaram uma série de campos de futebol do Interior!), por maioria de razão se deverá exigir do governo essa medida de justiça e equidade geográfica. Aqui, seria bom que os líderes locais se entendessem quanto à melhor localização e se evitassem os umbiguismos do costume. Como o Sr. Primeiro-Ministro é da Covilhã que o faça na Covilhã, onde até há cursos superiores de aeronáutica e um aeródromo, e fica o problema resolvido.
A macrocefalia do litoral e a falta de estratégia nacional em matéria aeroportuária tem efeitos nefastos para o país, designadamente para Lisboa e Porto: muitos raianos voam para a Europa a partir de Valladolid dado os grandes aeroportos serem mais caros e afugentarem as empresas de low cost. Em breve se voará também a partir da Extremadura que se prepara para construir o seu aeroporto internacional, roubando mais mercado a Lisboa e Porto e, assim, quando Portugal tanto necessita do mercado espanhol, são os espanhóis que exploram o mercado nacional.
«Terras do Lince», opinião de António Cabanas

kabanasa@sapo.pt

GALERIA DE IMAGENS – 11-11-2009
Fotos Paulo Adão (Raiar) – Clique nas imagens para ampliar

Estava marcado para dia de São Martinho, o primeiro Magusto da Raia, organizado pela Associação Raiar, na região de Paris. A meio da manhã, membros da associação, começaram a preparar o local, para receber como pertence todos os convivas raianos que queiram aparecer.

Paulo AdãoNo local, foram expostos vários artigos, alguns muito antigos, artigos das alfaias agricolas da nossa região, o forcão em miniatura, peças de artesanato e várias obras de arte, concretamente as pinturas do Francis Veras da Silva, de Aldeia do Bispo. Foram também expostas algumas fotografias antigas que relembraram actividades agricolas e ainda duas serigrafias, amplamente conhecidas, da autoria de Alcinio Vicente, reprensentando Cristo e o Encerro.
O dia levantou-se com algum nevoeiro, mas rapidamente o sol apareceu e deu lugar à uma tarde fresca mas «ensoleillé».
Os participantes foram chegando ao local, os assadores começaram a fumejar e pouco tempo depois começou à saborear-se as excellentes castanhas e a jeropiga, vindos da nossa região. O bom ambiente amigavel, da raia, não faltou, o David (filho do Francis Veras) deu ainda alguns «toques» de acordeão, houve castanhas e jeropiga (filhós, bolos, sumos e cerveja), durante toda a tarde.
Como anunciado, organizou-se um mini-torneio de petanque. Seis equipas divertiram-se e mostraram as suas habilidades neste jogo. No final foram distribuidos prémios aos vencedores.
O número de participantes, (um pouco mais de 50 pessoas), ficou aquém das expectativas da organização, sendo dia feriado, esperava-se maior número de participantes, mas para o ano haverá mais, se Deus quiser.
Um abraço desde Paris
«Um lagarteiro em Paris», opinião de Paulo Adão

paulo.adao@free.fr

A Associação Raiar de Aldeia do Bispo organiza no dia 11 de Novembro na região de Paris o «Magusto da Raia».

Paulo AdãoA Raiar – Associação de Aldeia do Bispo – tem organizado diversos eventos, em terras de França e em Aldeia do Bispo, nomeadamente convívios anuais, exposição e debate sobre as origens de Aldeia do Bispo e terras de Riba-Côa na região de Paris, a instalação de uma mesa de orientação no Malhão, a criação e organização de percursos pedestres – a rota do Malhão, já terminada, sinalizada e em fase de certificação pelos organismos correspondentes –, e a limpeza e revalorização de espaços públicos em Aldeia do Bispo.
A Raiar vai, este ano, organizar aquilo a que chamou «Magusto da Raia» na região de Paris. O objectivo principal é reunir à volta das castanhas e do São Martinho, o maior número possivel de arraianos e amigos da Raia Sabugalense e reforçar através desta tradição, a amizade que sempre reinou entre as diferentes aldeias.
O programa «oferece» uma tarde alegre e divertida para rever amigos e como o local proporciona isso mesmo, um grande «Torneio de Petanque».
O encontro está marcado para dia 11 de Novembro, a partir das 14.00 horas, no Boulodrome de la ville de Paris, Stade Léo Lagrange, Rue des Fortifications, PARIS 12ème.
O lema da festa raiana é: Vem e diverte-te. Traz um arraiano contigo.
Um abraço desde Paris.
«Um lagarteiro em Paris», opinião de Paulo Adão

paulo.adao@free.fr

Há várias semanas foi publicada aqui, a notícia de uma capeia com forcão na Ilha Terceira, em ocasião das festas Sanjoaninas.

Paulo AdãoEssa notícia solicitou de imediato alguns comentários, manifestando alguma curiosidade face à este evento e alguma inquietação. Nos últimos dias apareceu mesmo uma petição online (já com mais de 500 assinaturas), contra este evento. Todos os assinantes, manifestam algum desconforto face à esta iniciativa. Todos, estamos preocupados de uma maneira ou de outra, de perder uma tradição, com tanto valor, em favor de uma Ilha, com outras tradições taurinas, e com poder para fazer aquilo que nós ainda não soubemos fazer, ou seja reconhecer esta tradição como património da raia. O nosso amigo Kim Tomé fala disso no seu comentário ao artigo, outros na página da petição falam numa associação das aldeias do forcão, das juntas de freguesia, de outras entidades com interesses no concelho, para patentear o forcão e a capeia arraiana, ideias a serem ser exploradas e porque não concretizadas.
Faço duas leituras desta situação: de um lado a união raiana dos «filhos da raia» em fazer tudo o que seja possivel para defender, dando ideias em favor destas e outras tradições raianas. Demonstra, como estamos preocupados com a situação social, cultural, presente e futura do nosso concelho e das nossas aldeias, mesmo se por vezes não conseguimos manifestar ou fazer mais por isso.
Mas do outro lado, demonstra, também, talvez insconscientement e sem maldade, que iniciativas privadas e sem consenso, podem destruir grandes tradições. Vimos debates acerca dos recentes festejos de carnaval entre Aldeia do Bispo e o Sabugal, voltamos a assistir com este evento à uma situação menos positiva (à primeira vista) para o sabugal e as aldeias do seu concelho. Quem se ofereceu para «ensinar» os açorianos a pegarem ao forcão, talvez não tenha pensado nas consequencias, mas na realidade, ou porque não sabemos bem o que se seguirá à esta iniciativa, todos estamos preocupados.
Seria bem que «os professores» do forcão dessem a cara e explicassem a razão e as vantagens que esta iniciativa vai trazer ao concelho.
Seria mais positivo trazer açorianos às capeias da raia, que levar o forcão para os açores, mas isto é só a minha opinião.
Será talvez a ocasião e o momento oportuno, para que os poderes locais, Câmara, Juntas, Casa do concelho, Associações e outros, se sentassem à mesa e discutissem de uma solução rapida e definitiva para defender e definir este património que nos une.
Força raia, o forcão é nosso.
Um abraço desde Paris.
«Um lagarteiro em Paris», opinião de Paulo Adão

paulo.adao@free.fr

Quando se fala de Paris, pensa-se na torre Eiffel, no rio Sena, no Lido ou Moulin Rouge. Em Paris são organizados eventos de grande envergadura, o Salão do Automóvel ou o Salão da Agricultura. É sobre este último que escrevo estas palavras.

Paulo AdãoEstá aberto desde sabado passado e até ao dia 1 de Março o Salão da Agricultura, uma das maiores exposições organizadas anualmente em Paris, onde os modelos são os animais. Animais das mais variadas raças e espécies, de França e outros países, são preparados durante todo o ano, para poderem aguentar 15 dias de exposição, aceitarem carinhos e festas de milhares de visitantes.
Este ano, esperam-se mais de 600.000 visitantes. Os melhores ou mais originais, particiam em concursos, desfilam em passerelles em frente de centenas de cusiosos, jornalistas, especialistas e em frente aos juizes que vão dar o seu voto, pela beleza, pelo seu comportamento.
Além dos animais, é o salão onde se apresentam novidades relacionadas com a agricultura. Este ano, por exemplo, este salão quer dar enfaze às energias renováveis, quer mostrar que a agricultura se moderniza tendo na mira os problemas ambientais.
Salão da Agricultura de ParisComo acontece quase todos os anos, peguei na minha familia e fomos passar algumas horas ao salão, apreciar esta riqueza, que de uma maneira ou de outra é o principio e o fim de tudo. O que seria uma sociedade sem agricultura, sem vacas ou cavalos? O que seria a raia sem touros?
Como em todas as exposições que visito, procuro sempre, com alguma curiosidade (e com muito orgulho) algum expositor português, alguma bandeira portuguesa. Este ano, encontrei apenas um pequeno espaço, dedicado ao Perdigueiro, um cão de raça que todos conhecemos. Lá estava um bonito exemplar desta raça, com uma bandeira de Portugal bem esticada e em altura. Talvez houvesse outros, mas não encontrei. O tempo também foi pouco.
O que mais me surpreende sempre, é a grande diversidade de raças de vacas e touros, de cavalos. É impressionante estar à alguns centimetros de alguns animais, mais altos que nós, que pesam mais de 1500 Kg e que finalmente até são de uma beleza rara. Mais que um salão, é realmente uma passerelle de moda animal.
«Um lagarteiro em Paris», opinião de Paulo Adão

paulo.adao@free.fr

A França, vive hoje um movimento social dos mais esperados e talvez participados. Desde creches, liceus, universidades, pessoal médico, passando pelos serviços de correios, Impostos, transportes públicos, comunicação social pública, Electricidade de França, France Telecom, contoladores aéreos, entre outros, a maioria destes serviços estão mais que perturbados. Consoante a região, a adesão é diferente. Maior aderência nas regiões de maior densidade populacional onde alguns serviços estão pura e simplesmente fechados.

Paulo AdãoTodos os sindicatos fizeram apelo para este dia de greve. Sejam eles funcionários públicos ou privados, o lema é o mesmo: exigir do governo maior poder de compra, mais emprego, melhores garantias e condições de trabalho, por outras palavras, trabalhar menos e ganhar mais. Alguns empregados do privado, de sectores ligados ao automóvel, também aderiram a este dia de greve e manifestam em conjunto com os funcionários públicos, com os estudantes, com professores, enfermeiros, funcionários dos transportes públicos, entre outros.
Mas no meio disto tudo, quem sofre mais com estas greves? Quais são os resultados no final destes dias?
Que dizer dos pais que não sabem onde deixar os filhos porque as escolas estão fechadas? Que dizer dos empregados do sector privado, que não têm transportes para se deslocarem para os seus locais de trabalho, que decidem dormir no local de trabalho, que abalam de casa às 3 ou 4 horas da manhã para poderem estar no local de trabalho às 8 ou 9 horas?
Manifestação em ParisNum momento de crise, como este, quanto perdem as empresas publicas ou privadas, pelos empregados que não vão ou não podem ir trabalhar? Quantos pais de família perdem dias, perdem poder de compra, perdem os empregos porque as greves não lhe permitem viver o seu dia a dia com tranquilidade.
Esta manhã, na escola frequentada pela minha filha, alguns professores vestiam uma t-shirt amarela, com a frase «Non-Greviste». Depois de terem aderido e participado em precedentes manifestações e greves apaerceberam-se que têm um dever primordial: dar aulas, ensinar crianças e jovens que querem ainda aprender os verdadeiros valores da vida, do trabalho, da sociedade.
Nos últimos dias, apareceram grupos de contestação e protesto contra as greves, muita gente, do privado e do público, começam a estar fartos destes dias negros, destes dias que para defender a liberdade de alguns, não se respeita a liberdade dos outros, fartos de serem vitimas.
Pessoalmente não sou conta as greves, sou sim contra este tipo de greves, em que a mioria protesta sem saber porquê. Sou contra esta liberdade de fazer greve e através da qual não se respeita a liberdade daqueles que querem ir trabalhar. Sou contra este tipo de greves que paralisam uma cidade, um País acentuando a crise dos mais pequenos, tirando ainda mais poder de compra aqueles que já pouco têm.
Será que a greve serve apenas para exigir direitos e regalias? Não teremos nós também devers e obrigações?
Paulo Adão (de Paris)

A notícia aí está como uma lâmina que tudo corta à sua passagem: a livraria Byblos encontra-se numa situação de prejuízos acumulados e o sonho transformou-se em pesadelo. Não há alternativa para o fecho e a declaração de insolvência. É este o fim anunciado para «a primeira livraria de fundo editorial no nosso país, disponibilizando a totalidade das obras publicadas em língua portuguesa».

Auberge de La Bonne Franquette

«Que fiz eu? Amei a água, a luz, o sol, as manhãs de Verão, os portos, a calma dos fins de tarde nas colinas e um sem fim de pormenores sem o mais pequeno interesse, como esta oliveira bem redonda … Não lamento nem o facto de ter vindo, nem o dever de ter de partir para o desconhecido onde ninguém, graças a Deus, nada pode saber. Encontrei a vida muito bonita e demasiado longa para o meu gosto. Tive sorte. Obrigado.»
Jean d’Ormesson

José Robalo – «Páginas Interiores»Na Rua Rivoli, não muito longe da Praça da Concórdia ao longo do Jardim das Tulherias, em Paris e numa das entradas da livraria Galignani pode ler-se: «The first english bookshop established on the continent», ficando nós a saber que esta livraria existe desde 1520, até porque foram pioneiros na utilização dessa nova invenção que foi a imprensa.
O amor às coisas da cultura e no caso concreto dos livros, fazem com que este tipo de estabelecimentos sejam procurados e frequentados, nestas sociedades onde a cultura é um bem de primeira necessidade, razão pela qual a crise não os afecta como ao invés de Lisboa onde um projecto pioneiro como a Byblos, não foi viável. Com o fim deste projecto ficamos todos mais pobres.
Na Galignani temos o prazer de encontrar as últimas novidades editoriais, nomeadamente o ultimo livro de Jean D’Ormesson, «Qu’ai –je donc fait», uma espécie de autobiografia, uma prestação de contas deste talento da literatura francesa, que também ele passou ao lado do Nobel. Membro da Academia Francesa, ocupante da cadeira n.º 12, Jean D’Ormesson para além ser um homem de talento, de olhar inteligente e azul penetrante, é um bom contador de histórias que cativa e dimana simpatia. Foi Jean D’Ormesson, que quebrou barreiras e preconceitos ao propor uma mulher para integrar pela primeira vez a Academia Francesa, in casu Marguerite Yourcenar.
Au albergue Auberge de La Bonne FranquetteNum país e numa cidade onde a cultura é um bem de primeira necessidade ainda temos tempo para um concerto no Olympia, onde a figura de cartaz é Bernard Lavilliers, que não facilita e arrebatador abre as hostilidades com Samedi soir à Beyrouth, ao que se segue Solitaire, terminando com sons afro-brasileiros e com uma plateia repleta completamente rendida, mais fazendo lembrar o sambódromo do Rio de Janeiro.
Amantes da cultura, os franceses preservam e cultivam os seus valores. O prazer é acrescido quando na despedida deste Paris que os parisienses com carinho designam por Paname, no coração do velho Montmartre, no Auberge de La Bonne Franquette e na companhia do seu proprietário recebo uma lição sobre champagnes ao mesmo tempo que degustamos um Ruinart. Estando ao lado da Place du Tertre, não é estranho que este espaço tenha sido frequentado por gente como Pissaro, Cézanne, Toulouse – Lautrec, Renoir, Monet e até tenha servido de inspiração a Van Gogh para pintar Les Guinguettes.

:: :: PARA LER :: ::
«Qu’ai – je donc fait», de Jean d’Ormesson, ed. Robert Laffont.
«O Porteiro de Pilatos ou o Segredo do Judeu Errante», ed. Europa América, de Jean d’Ormesson.

:: :: PARA OUVIR :: ::
«Samedi soir à Beyrouth», de Bernard Lavilliers.
«Les 100 plus belles chansons, 1975-1983, », Renaud.

Auberge de La Bonne Franquette aqui.

«Páginas Interiores» opinião de José Robalo
joserobaload@gmail.com

No «Crónicas do Rochedo» do tanguero Carlos Barbosa de Oliveira foi aberta uma discussão sobre a reportagem televisiva do fenómeno «Tony Carreira». Há quem goste, há quem não goste mas… o mais importante é que ninguém consegue ficar indiferente.

Tony CarreiraO percurso do cantor Tony Carreira desde a sua aldeia na Beira Interior até ao Pavilhão Atlântico, passando pelo Olympia de Paris e pelos Coliseus de Lisboa e do Porto já não consegue deixar ninguém indiferente.
Com tudo o que isso significa não tenho qualquer prurido em considerá-lo no panorama português ao nível de Julio Eglesias em Espanha e no Mundo.
Há quem goste, há quem não goste mas já ninguém consegue ficar indiferente. Nem os homens que têm de conviver com as fotografias do cantor da guitarra que as suas mulheres espalham pelas molduras e paredes lá de casa.
Vem isto a propósito do artigo no «Crónicas do Rochedo» sobre a reportagem televisiva que passou esta quarta-feira, na RTP1, sobre o percurso profissional do cantor que nos autógrafos que dá aos fãs assina como Tony Carreira.
Até eu já meti a minha colherada…
Podem espreitar… aqui e aqui.
jcl

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