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«Sei que assumo uma grande responsabilidade ao opor-me tão formalmente às suas intenções; mas, nem que seja destituído e nem que com isso perca a cabeça, não seguirei o movimento para Coria e Plasencia de que me fala a não ser, repito, que tal me seja ordenado pelo Imperador» – missiva que de Ney para Massena, recusando a ordem de encaminhar o seu corpo para o Sabugal, seguindo o caminho para a Estremadura espanhola.

O marechal Michel Ney era o comandante do sexto corpo de exército, e tinha no movimento retrógrado da terceira invasão de Portugal a espinhosa missão de seguir na retaguarda, contendo os ataques do exército aliado.
Ney, que era filho de um soldado veterano francês, e que subira na hierarquia militar até ao generalato devido aos seus elevados méritos em combate, tinha na altura 42 anos e acumulava com o posto de marechal o título de Duque de Elchingen. Muito popular entre os soldados, que o tinham como o melhor dos marechais de França, era chamado Le Rougeaud (O avermelhado) e Le Brave des Braves (O Bravo dos Bravos), tendo este último apodo sido conferido pelo próprio Napoleão.
Massena e Ney odiavam-se mutuamente. O «Bravo dos Bravos» nunca se conformou por ter sido colocado sob as ordens do «Filho Querido da Vitória» (nome dado por Napoleão a Massena) e a terceira invasão de Portugal foi uma sucessão de dissensões entre os dois marechais. Massena era o comandante-em-chefe, senhor de um prestígio enquanto estratega apenas superado pelo do próprio Napoleão Bonaparte, mas Ney era o mais resoluto e corajoso dos marechais do Império.
Em Paris, imediatamente antes de partir para a Península, Massena tentou demover o Imperador a colocar Ney entre os seus lugar-tenentes no Exército de Portugal, por lhe conhecer o mau carácter. Napoleão retorquiu-lhe: «Ney é um general de vanguarda: se as suas ideias no gabinete são fracas, ele resgata esse defeito no terreno; maneja tão bem a infantaria como a cavalaria; vai ser-lhe muito útil, não será preciso estimular-lhe o ardor».
Mas os problemas com Ney começaram logo quando Massena se juntou ao seu novo exército em Salamanca. Queria apressar o cerco a Ciudad Rodrigo e entrar em combate com os postos avançados ingleses, no que foi a custo contido por Massena. Já em plena marcha em Portugal, nas alturas do Buçaco, foi a impaciência de Ney que ditou a precipitação da batalha, que os franceses perderam. Na retirada Massena queria ter seguido para Coimbra, onde concentraria o exército, mas Ney não cumpriu por inteiro os itinerários, inviabilizando assim essa movimentação.
Porém o clímax da rivalidade entre os marechais estava marcado para Celorico, quando Massena deu ordens para a movimentação para o sul, a fim de entrar em Espanha por Alcântara e atingir o vale do Tejo, entre Coria e Plascencia, a partir de onde relançaria a invasão de Portugal. O fogoso Ney não concordava e afirmou-lhe que desobedeceria, se persistisse nesse clamoroso erro. Os ajudantes de campo de ambos os marechais levavam e traziam cartas com as ordens de Massena e as respostas de Ney. Este exigia saber se as disposições provinham do Imperador, pois caso contrário não as acataria, e aquele reafirmava as ordens, intimando de que era imperioso dar-lhe cumprimento. A um ponto, Ney decidiu esticar a corda e informou Massena que recuaria com o seu corpo para Almeida. Massena desesperou e escreveu-lhe: «Previno-o, senhor marechal, de que se torna responsável pelo mau exemplo que a sua desobediência dá ao exército e, talvez, pelas consequências, ainda mais deploráveis, que dela podem resultar. Queira responder-me se persiste na sua desobediência, desprezando a autoridade que o Imperador me confiou; nesse caso, saberei tomar disposições para mantê-la
As coisas já tinham ido longe de mais e não havia espaço para recuar. Ney informou que não deixaria que o seu corpo marchasse com o resto do exército para sul. Massena informou então formalmente os generais de divisão do sexto corpo que deixavam de obedecer a Ney, passando a receber instruções directas do estado-maior general, e ordenou ao marechal que seguisse imediatamente para Espanha, deixando o exército. O recalcitrante Ney ainda reagiu alegando a ilegitimidade da ordem: «Como foi o Imperador que me confiou o comando do sexto corpo, ninguém além de Sua Majestade tem o direito de mo retirar». Porém Massena manteve as disposições e confiou o comando do corpo ao general Loison, acabando Ney por se dirigir para Espanha.
As tropas do sexto corpo amavam Ney, que era o seu verdadeiro líder. À fome que passavam, pela falta de provisões, juntava-se agora a desmotivação e o sentimento de injustiça para com o seu marechal. O capitão Guingret, que servia nesse corpo, escreveria mais tarde: «O afastamento inesperado do duque de Elchingen tinha desmoralizado completamente o espírito das suas três divisões. Desde que nos constituíram em sexto corpo, nas épocas eternamente gloriosas de Austerlitz e de Friedland, adquirimos pouco a pouco o hábito de nos considerar como uma família de guerreiros, de que o marechal Ney fora sempre o guia
Bécet de Léocour, chefe do estado-maior de Ney, também deixou um testemunho similar: «A sua partida causou uma impressão muito deplorável no moral das tropas, que tinham por ele tanta confiança quanto apego e que estavam muito longe de conceder os mesmos sentimentos ao sucessor que lhes atribuíam».
O atraso do movimento provocado pela obstinação de Ney seria fatal para as tropas francesas que não conseguiram concretizar com sucesso o movimento em direcção ao sul. Ney foi afastado no dia 23 de Março de 1811 e, dentro de dias, a 3 de Abril, no Sabugal Wellington atacaria o corpo de Reynier, ditando assim o retorno dos franceses a Espanha, pondo fim à terceira invasão de Portugal.
Paulo Leitão Batista

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O gado asinino teve um papel fundamental na campanha de Portugal do exército napoleónico, pois servia de meio de transporte, nomeadamente no carrego dos feridos e do equipamento individual dos soldados. Quando a fome apertava e as provisões estavam gastas, os burros eram abatidos, servindo a sua carne para alimentação dos militares.

Para a galhardia de um exército como era o exército francês da altura, que se considerava o melhor do mundo, a presença de burros no seu dispositivo não era bem vista pelos comandantes. O burro era considerado um animal menor, sendo portanto desprezado e, na medida do possível, afastado das colunas dos soldados de linha, embora pudesse ter lugar entre o dispositivo de apoio logístico.
Porém na terceira invasão francesa, os asnos tiveram um papel fundamental. O jovem tenente Jean-Baptiste Barrés, que vinha integrado no segundo corpo de exército, comandando pelo general Reynier, dá disso devida nota nas suas memórias: «Estes animais úteis e pacientes, prestaram imensos serviços ao Exército de Portugal, que a miséria tornou muito ingrato em relação aos demais salvadores. Todos os regimentos tinham, pelo menos, entre 120 e 150 burros em fila, para transportar os doentes e os feridos, os sacos dos convalescentes e as provisões de víveres, quando se era suficientemente ditoso para os encontrar durante mais de um dia. Esta massa de quadrúpedes elevava os homens à sua condição, tornava bem mais pesada a marcha das colunas, mas salvou muitos infelizes
Já perante as Linhas de Torres, nos cinco longos meses aí passados pelos franceses, esperando reforços, os burros tiveram de novo um papel fundamental, mas desta feita para matar a fome dos infelizes soldados, que não encontravam meios de subsistência. Foi o mesmo oficial a deixar também esse testemunho: «Poucos dias depois da nossa chegada à frente das linhas inglesas, a miséria tornou-se tão pungente, tão generalizada, que todos esses seres inofensivos foram mortos e comidos com uma espécie de sensualidade. Aqueles que quiseram ou puderam conservá-los mantinham-nos bem escondidos, e vigiavam-nos, como se fossem cavalos de raça, porque eram roubados e mortos sem escrúpulos
O burro foi nesta campanha o melhor companheiro para o soldado. Era sobre ele que transportava a sua bagagem individual nas longas marchas. E muitas vezes a bagagem era pesada, porque ao equipamento pessoal do combatente juntava-se o produto do saque.
Aquando da retirada, de volta a Espanha, as colunas francesas seguiam lentamente pelos campos, o que preocupava Massena e os seus lugar-tenentes, que queriam antes que as colunas marchassem depressa, para evitarem os ataques do exército anglo-português que os perseguia. Porém os burros, carregadíssimos, andavam lentamente e congestionavam os caminhos de tal modo, que isso provocou um acesso de fúria no marechal Ney, cujo corpo, o sexto, seguia na retaguarda, com a missão de repelir as cargas do inimigo e proteger a marcha do restante exército. Em Miranda do Corvo, perante o problema do bloqueio da ponte sobre o rio Ceira, face ao imenso mar de burros e furgões carregados, o vigoroso marechal ordenou que se lançasse fogo a todos os equipamentos, a começar pelos seus, e sem poupar os de Massena. Depois, numa acção cruel, mandou estropiar os burros para que não seguissem com ele, nem tivessem préstimo para o exército aliado que o perseguia. Colocou soldados à entrada da ponte com a missão de cortar os jarretes a todos os burros, sem excepção, à medida em que fossem chegando. «Uma enorme quantidade desses úteis animais foi assim sacrificada e, no exército, esta execução tomou o nome de “massacre dos inocentes”», escreveu o também tenente francês Bauyn de Péreuse.
Mau grado o descontentamento provocado entre os soldados, com esta acção atroz, o marechal prestou o serviço de aliviar as colunas, que melhoraram a mobilidade e a rapidez na execução das manobras de retirada.
Paulo Leitão Batista

Loison foi um general e conde do Império Francês, que participou nas três invasões de Portugal. Ficou muito popular pelas piores razões, pois o povo, que o imortalizou como «Maneta», sofreu na pele os horrores do seu comportamento criminoso. Esteve acampado na Ruvina, no final da terceira Invasão.

Henri-Louis Loison nasceu a 13 de Maio de 1771, em Damvillers, filho de um deputado da Assembleia Constituinte. Alistou-se no exército aos 20 anos e passado um ano era tenente. Já capitão de hussardos, serviu na actual Bélgica, onde liderou o saque à célebre e riquíssima abadia de Orval, seu primeiro acto de grande atrocidade.
Promovido a general de brigada, participou na repressão da insurreição monárquica de 1795, sendo depois nomeado presidente do tribunal que condenou os cabecilhas da revolta.
Em 1799 serviu na Suiça, sob as ordens de Massena, que o promoveu a general de divisão. No ano seguinte participou na Campanha de Itália onde se bateu em batalha sob as ordens do marechal Ney.
Em 1806 perdeu o braço esquerdo num acidente de caça, o que o colocou fora do comando das tropas durante largos meses. Recuperado, participou no cerco de Colberg, na Alemanha, e foi nomeado governador de uma região do novo Reino da Vestefália.
Em finais de 1807, foi nomeado comandante da 2.ª divisão do Corpo de Observação da Gironda, que, sob o comando de Junot, invadiu Portugal. Foi o homem de mão de Junot para punir os actos de rebeldia dos portugueses. Isso é especialmente notório a partir de Maio de 1808, perante sinais de uma insurreição geral, o que levou Junot a encarregar Loison de expedições punitivas exemplares. Ocupou então diversas povoações portuguesas, de norte a sul, praticando todo o género de crueldades contra as populações, ferindo, açoitando e matando quem lhe surgisse pela frente. O povo chamava-o «Luisão» e «Maneta», ficando então a usar-se na linguagem popular o lugar comum «ir para o maneta», em analogia com o destino fatal de todos aqueles que o Maneta apanhava.
Finda a primeira invasão, Loison foi, em 1808, enviado para o corpo do marechal Soult, a quem Napoleão encarregou de uma segunda invasão, entrando pelo Norte. Bom conhecedor do País, Soult enviou-o por diversas vezes em campanha, a fim de pacificar zonas revoltosas ou para cobrir os movimentos do exército francês, continuando a praticar as suas malfeitorias sobre o povo.
Fracassada a segunda invasão, regressou a Espanha e, em 1810, esteve de novo ao comando de uma divisão, integrado agora no corpo de Ney, com o objectivo de entrar em Portugal, no exército de Massena. Loison combateu na batalha do Buçaco, ocupou diversas posições defronte das Linhas de Torres e evoluiu às ordens no movimento retrógrado. Massena vivia em conflito permanente com o fogoso Ney, que por sua vez detestava Loison. A rivalidade entre os marechais culminou na decisão de Massena destituir Ney do comando do 6º Corpo, em plena retirada, quando as tropas se encontravam em Celorico da Beira, tentando suster o avanço aliado.
Loison foi então escolhido para comandar o 6º Corpo, mas as tropas, que sempre tiveram Ney como herói, não se adaptaram ao novo comandante. Loison não tinha o carisma e a capacidade de comando do seu predecessor. O 6º Corpo, era a elite do exército invasor, que havia coberto toda a retirada desde Santarém, mas com Loison passou a ser uma estrutura pesada e difícil de movimentar.
Massena ordenou a Loison que ocupasse o vale do Côa, e a Junot e Reynier, os outros dois comandantes de corpo, que avançassem pelo Sabugal para sul, pretendendo relançar a invasão. Porém o atrito com Ney e a consequente demora na manobra do 6º Corpo fizeram fracassar este plano. Loison ocupa a margem direita do rio Côa, instalando-se na Ruvina, a partir de onde comandou os seus homens, com vista a garantir que as forças anglo-portuguesas não passassem o rio.
Entretanto Junot deixou Belmonte e Sortelha e recuou para Alfaiates, onde Massena estava instalado, e Reynier acampou no Sabugal, começando-se a desenhar um definitivo retrocesso dos franceses para Espanha. Wellington, à frente do exército anglo-luso, atacou Reynier no Sabugal, o qual esperou pelo socorro de Loison, que porém não foi capaz de lho prestar. Optou antes por levantar o acampamento e partir da Ruvina para Alfaiates, onde se juntou a Massena, daí recuando para Espanha.
A curta passagem de Loison pelo concelho do Sabuhgal, não deu azo a mais que os normais e puros actos de guerra, dentre os quais as acções de saque às populações a fim de garantir a subsistência do exército. Loison era um homem cansado da guerra, que transportava a fama terrível de general sanguinário e cruel. Porém não passava, nesse momento de uma sombra de si próprio.
Já acantonado em Espanha, pediu insistentemente uma licença, que acabou por lhe ser concedida, e abandonou o comando do corpo, regressando a França.
Em Maio de 1812 foi enviado por Napoleão para a campanha da Rússia, onde combateu abnegadamente.
Regressado a França em 1814, passou a comandante de uma região militar e, no ano seguinte, passou à disponibilidade. A queda de Napoleão fê-lo passar em definitivo à posição de reformado, indo viver em Liége, no recém-criado Reino dos Países Baixos, onde morreu em 30 de Dezembro de 1816, com apenas 45 anos.
Paulo Leitão Batista

A 27 de Agosto de 1810, há precisamente 200 anos, as tropas do 2.º corpo do exército francês, comandadas pelo general Reynier, vindas do sul para se juntarem ao grande exército de Massena, ocuparam em força as terras dos concelhos do Sabugal, Alfaiates e Vilar Maior, provocando a fuga desesperada das populações.

Enquanto o 6.º corpo, de Ney, manobrava em redor de Almeida, estabelecendo o cerco à fortaleza, e o 8.º corpo, de Junot, estava ainda em Espanha nas margens do rio Águeda, o 2.º corpo, de Reynier, operava em Cória e Placencia, na linha do Tejo. Massena montara o seu quartel-general no forte de La Conception, frente a Vale da Mula, de onde emanava as ordens do dia.
O marechal ainda não decidira como invadir Portugal e estava inclinado a fazê-lo em duas frentes, partindo uma coluna de Almeida, pela estrada da Beira, e penetrando a outra pelo vale do Tejo, em direcção a Abrantes. Porém acabaria por preferir juntar os três corpos e avançar em força por Celorico e Viseu, pois a postura de Wellington, que deixara cair Ciudad Rodrigo e não auxiliava Almeida, indiciava que podia dar-lhe perseguição e enfrentá-lo em qualquer posição.
Foi assim que na manhã do dia 25 de Agosto enviou ordens a Reynier para se deslocar para norte e tomar posição na margem direita do Côa, à esquerda do corpo do marechal Ney. Em cumprimento dessas instruções, o 2.º corpo avançou em marchas rápidas e no dia 27 ocupou em força os concelhos do Sabugal, Alfaiates e Vilar Maior, cujas aldeias ao redor foram também tomadas pelos destacamentos, tendo os soldados ocupado as casas abandonadas pelos habitantes receosos. Tal como o comandante em chefe lhe prescrevera, Reynier estabeleceu o seu quartel-general em Alfaiates e guarneceu fortemente a ponte do Sabugal, tendo em vista dissuadir qualquer tentativa do exército anglo-português de atravessar a linha do Côa.
Os concelhos raianos onde até então tinham forrageado os destacamentos do 6.º Corpo, ficavam agora literalmente ocupados pelas tropas do 2º corpo, as mesmas que com o marechal Soult haviam protagonizado a segunda invasão de Portugal. Estes soldados experientes e com amargas recordações dos portugueses teriam que ali subsistir até que fosse dada a ordem de avançar em direcção a Lisboa. Os povos das terras em redor sofreram então como nunca os excessos da soldadesca que, querendo alimentar-se e aprovisionar-se de viveres, lançavam mão a tudo o que servisse de alimento para os homens e para os animais do exército.
Esta forte e dura ocupação militar das nossas terras manter-se-ia até ao dia 11 de Setembro, data em que Massena transmitiu aos seus lugares tenentes as instruções para a execução dos movimentos preparatórios para o avanço da invasão. Nesse mesmo dia o 2.º corpo deixou as suas posições na margem direita do Côa e marchou para a Guarda, de onde depois prosseguiu num movimento combinado com os restantes corpos do exército.
Já em finais de Março de 1811, malograda a terceira invasão e em plena retirada, as tropas do 2.º corpo voltariam a ocupar as terras do Sabugal, com a ideia de aí conterem o avanço dos anglo-lusos, que lhes davam perseguição. As populações voltaram então a sofrer com as atrocidades dos soldados franceses que vinham ainda mais famintos e coléricos do que quando dali haviam estado há sete meses.
No dia 3 de Abril de 1811, teve lugar a batalha do Sabugal, onde os homens de Reynier foram batidos pelos portugueses e ingleses comandados por Wellington, livrando-se assim os sabugalenses das pilhagens e dos excessos da tropa francesa.
Paulo Leitão Batista

Evoca-se agora o bicentenário da terceira Invasão Francesa, que se iniciou a 23 de Julho de 1810, com uma forte incursão da vanguarda do exército de Massena em terras portuguesas, junto a Almeida, e que terminou em 4 de Abril de 1811, após a decisiva Batalha do Sabugal. Por todo o País estão em curso, ou em preparação, iniciativas que evocam esse período terrível da nossa história.

Coube ao general Loison (o celebérrimo «Maneta»), à frente de 3000 homens de infantaria, apoiados por cavalaria e artilharia ligeira, comandar uma sortida de reconhecimento em território português, contornando o forte La Concepcion, parcialmente destruído pelos ingleses, e atravessando a fronteira em Vale da Mula.
No dia seguinte, 24 de Julho, o comandante do 6º Corpo, Marechal Ney, fez avançar mais soldados franceses para o território português e, passando ao largo da fortaleza de Almeida, deu combate às tropas do general Craufurd, que, contrariando as ordens de Wellington, se mantinha na margem direita do rio Côa, junto à ponte. A tropa inglesa tentou então a travessia para se concentrar na margem esquerda, em posição favorável, mas os franceses deram fogo e avançaram rapidamente, chegando-se a combater corpo a corpo.
Ney queria, num movimento rápido, impelir os anglo-portugueses para o escarpado onde o Côa corre, não lhes dando tempo para passarem a ponte. Mas Craufurd conseguiu colocar atiradores na margem esquerda do rio, que, bem posicionados, deram forte fuzilaria, assim cobrindo o movimento das colunas, que passaram o rio.
Com a Batalha do Côa o exército aliado recuou, desguarnecendo por completo a margem direita do rio, onde os franceses se movimentaram à vontade. Seguiram-se os trabalhos do bloqueio e do cerco a Almeida, com material pesado vindo de Ciudad Rodrigo. A praça defender-se acerrimamente, obrigando os franceses a cavarem fundas trincheiras e a instalarem baterias de artilharia para lhe abrirem brechas. Almeida capitularia a 28 de Agosto, após 12 dias de cerco e três de bombardeamento contínuo, que provocou a explosão do castelo, que servia de paiol, incidente tenebroso e fatal para os esforços de defesa.
Tomada Almeida, Massena ultimou os preparativos da a invasão, abastecendo o exército e concentrando todas as suas tropas na margem direita do rio Côa, entre o Sabugal e Almeida. O «Exército de Portugal», designação que Napoleão deu à força invasora comandada por Massena, apenas atravessou o rio Côa a 15 de Setembro, iniciando o movimento geral em direcção a Celorico com o intuito de atingir Lisboa pela estrada da Beira.
Durante o tempo em que os militares ocuparam a raia, o povo das nossas vilas e aldeias sofreu as atrocidades da soldadesca francesa. Face à absoluta falta de provisões, a população foi sucessivamente vítima de confiscos e rapinagens para abastecimento das tropas. Destacamentos de «forrageadores» percorriam as aldeias raianas em busca de cereais, carne, vinho, fruta, palha e feno. Surripiavam tudo o que encontravam e violentavam os que lhes fizessem a mínima oposição. Pelos campos da raia estava espalhado um exército de 60 mil homens e 15 mil cavalos, que tinha de ser alimentado todos os dias à custa da região.
Paulo Leitão Batista

Iniciamos aqui um novo «Arquivo Histórico» do Capeia Arraiana, dedicado às Invasões Francesas, com enfoque na terceira, que foi a que mais fez sofrer os povos da nossa região. Convidamos os leitores a enriquecerem este arquivo, enviando textos ou imagens relacionadas com as invasões.
plb

JOAQUIM SAPINHO

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