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A Santa Casa da Misericórdia de Alfaiates, com a colaboração da Associação Humanitária Bombeiros Voluntários do Soito, irá por à prova os seus clientes e colaboradoras através de uma acção de formação sobre Situações de Incêndios: da prevenção à prática.

A acção formativa decorrerá no dia 12 de Outubro (quarta-feira), com uma sessão teórica para por à prova os conhecimentos das colaboradoras. No dia 15 de Outubro, durante toda a tarde, realizar-se-á uma acção prática, com simulações de pequenos incêndios e incidentes. Mais tarde, em data secreta, irá ser realizado um simulacro.
Tanto a Santa Casa da Misericórdia de Alfaiates, como os Bombeiros Voluntários do Soito, consideram estas iniciativas de elevada importância para se avaliarem questões de segurança; elucidar os participantes para situações de perigo e risco; preparar as colaboradoras e clientes para um perigo que poderá acontecer; minimizar medos e inseguranças em situações reais; e testar as capacidades de reacção dos clientes e colaboradoras.
Marina Crespo (Directora Técnica da SCM de Alfaiates)

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António Dionísio é candidato a Provedor da Santa Casa da Misericórdia do Sabugal. A notícia é avançada pelo blogue «Gazeta do Sabugal» indicando ainda que a lista candidata foi entregue esta quarta-feira, 22 de Dezembro.

António DionísioSegundo o blogue «Gazeta do Sabugal» foi apresentada esta quarta-feira, 22 de Dezembro, por António Dionísio uma lista candidata às eleições para a Santa Casa da Misericórdia do Sabugal marcadas para a Assembleia Geral de 6 de Janeiro de 2011.
António Dionísio, chefe de Finanças na Repartição do Sabugal, foi o candidato do Partido Socialista nas últimas eleições autárquicas para a Câmara Municipal do Sabugal tendo conquistado um lugar de vereador ao qual renunciou por questões de saúde.
O actual provedor, Romeu Bispo, assumiu as funções após o falecimento do seu carismático antecessor, José Diamantino do Santos, e há muito que vinha afirmando que gostaria de «passar a pasta motivado por algum cansaço pessoal e os muitos anos que levava dedicados à causa da irmandade».
A Santa Casa da Misericórdia do Sabugal, uma instituição de grande valor no campo da assistência. Ao serviço da comunidade tem as valências de creche, pré-escolar, A.T.L., Lar de Terceira Idade, Centro de Dia, apoio domiciliário e Centro Comunitário. O orçamento anual da instituição ronda os dois milhões de euros.
jcl

Os irmãos da Mesa Administrativa da Santa Casa da Misericórdia do Sabugal apresentaram, em carta, a sua demissão ao Presidente da Assembleia Geral da instituição. As eleições previstas para o final do presente ano serão, assim, antecipadas, para data a indicar oportunamente.

Hospital do SabugalNa «Memória Paroquial do Sabugal, São João, 1758», ANTT., Dicionário Geográfico, Vol. 33, Doc 10 (A), P. 79, encontramos a referência que passamos a citar: «Tem Caza da Mizericordia fundada na Igreja de S. Miguel, que algum dia foy parochial desta vila, cuja instituição hé do tempo de El Rei o Senhor D. Manoel, que lhe deu o Cumpromisso, assignado pella sua Real Mão no ano de 1526; e tem renda annual commumente, 200.000 reis.» (…) «Tem Caza de Hospital, administrada pella Mizericordia…» (…)
As Misericórdias apareceram nos finais do século XV, por acção directa da Rainha Dona Leonor. Apesar da dificuldade de comunicações, ainda mal tinha passado um quarto de século, nascia, com intervenção directa do rei, uma instituição que desde sempre esteve virada para a acção social. Mas o papel das Misericórdias era mais vasto, chegando a funcionar como instituições financeiras, daí que ainda hoje existam Caixas Económicas em algumas Misericórdias.
Desde o ano de 1526 a Misericórdia do Sabugal passou por muitas dificuldades nunca chegando a desaparecer porque ficou sempre a igreja de S. Miguel, a que nós chamamos de igreja da Misericórdia, como principal testemunho.
O ano de 2010 para a Misericórdia de Sabugal vai ser um marco na história da sua evolução.
Após a morte do Provedor, Sr. Dr. José Diamantino dos Santos, e das alterações entretanto havidas, sente-se a necessidade de uma Mesa Administrativa sólida e estável para tomar decisões difíceis em benefício da instituição.
Por estas razões e antecipando as eleições do final do ano a actual Mesa apresentou a sua demissão ao Presidente da Assembleia Geral. As eleições serão marcadas e os irmãos da Misericórdia elegerão novos corpos gerentes que levarão mais longe o nome da Misericórdia do Sabugal.
Romeu Bispo
(Provedor da Santa Casa da Misericórdia do Sabugal)

Dentro dos contributos para a história do Hospital do Sabugal, apresenta-se mais uma transcrição do Bloco de Recordações do Sr. Dr. Francisco Maria Manso que acaba por ser um texto descritivo da Inauguração do Hospital.

Foi obra de muita doação e muito querer principalmente do seu primeiro benemérito porque além do terreno para a construção foi dando outras valiosas contribuições, da Comissão da Misericórdia, da Câmara Municipal, do Sr. Dr. Manso que também colaborou pessoalmente e de todos aqueles que colaboraram directa ou indirectamente. Foi necessário quase uma década para se inaugurar uma obra necessária a todo o Concelho, mas fica demonstrado que a persistência acaba por vencer.

Outubro de 1934«09-10-1938
Acabo de chegar da inauguração do Hospital, ou melhor dito da sessão de abertura.
Presidiu sua Exª. Reverendíssima o Sr. Bispo auxiliar da Guarda – D. João.
Falou em primeiro lugar sua Exª. R.ª, depois o Sr. Dr. Carlos Frazão que fez um belo discurso elogiando a obra do Sr. Pe. Manuel e mostrando as vantagens do Hospital para os doentes pobres. Seguidamente li algumas palavras e referências a este livro. Falou em seguida o Sr. Cónego “Alvaro” que fez uma bela oração ligando a caridade dos hospitais à religião.
O Sr. Bispo declarou finalmente que é costume dizer-se “está encerrada a sessão”, mas que neste caso ele diria que está aberto o hospital e que ele precisa do carinho de todos.
Passou-se à sala das sessões onde a filhita do Sr. José Maria Baltazar descerrou o “retrato” do SR. Pe. Manuel Nabais Caldeira, tendo usado, nesse momento, a palavra o Sr. Dr. César Louro que elogiou calorosamente a acção do Sr. Pe. Manuel.
O Sr. “Abade Fatela” desta vila tomou a palavra e num discurso entusiasta elogiou também a bela acção do Sr. Pe. Manuel, relacionando a formação dos hospitais com a crença religiosa.
Padre Joaquim Nabais CaldeiraOs bombeiros fizeram ouvir o seu Clarim tocando a sentido e o Sr. Pe. Manuel comovidamente agradeceu pronunciando as únicas palavras, belas e inspiradas, que um homem bom de coração pode pronunciar: “Estou velho pouco mais já posso fazer, mas depois da minha morte peço-lhes que olhem por isto”. Estas palavras são um poema de bem e pronunciar mais seria tirar todo o merecimento a quem as pronunciou, pois delas nasce um infinito de pensamentos e de considerações.
Teve lugar a sessão na enfermaria da esquerda que se encontrava inteiramente repleta pela assistência, vendo-se não só as pessoas de mais representação na Vila, mas ainda muito povo principalmente raparigas que volitavam por todos os cantos para satisfazer a sua curiosidade.
As salas estavam limpas e a impressão colhida por todas pareceu boa.
Como estou de serviço este mês procurarei dar início à obra para que foi destinado, tratando o melhor que posso e sei, os doentes que ali forem internados, ainda que provisoriamente pois não se montou a cozinha e apenas fica um enfermeiro para receber algum doente e vir avisar de que é preciso ir ao Hospital. Se forem necessárias dietas ficou determinado pela “Comissão” encomendar essas dietas em qualquer das pensões, enquanto a enfermagem pelas Irmãs da Caridade se não fizer.»
Romeu Bispo
(Provedor da Santa Casa da Misericórdia do Sabugal)

Continuando a análise do livro de apontamentos do Dr Francisco Maria Manso, vamos encontrando pormenores curiosos, que integram a história da construção do hospital do Sabugal. Desta vez optamos por fazer uma transcrição integral das palavras do médico de Aldeia do Bispo, que acompanhou de perto os trabalhos da Comissão da Misericórdia.

Romeu Bispo«Em 1930, após os anúncios nos jornais apareceu um arrematante único propondo fazer as paredes, pondo a C. da Mesericórdia a pedra, por 140 contos!!!
Resolveu-se fazer o hospital por administração directa. O sr. Sousa Martins, da Comissão da Mesericórdia, escreveu para esse fim, servindo-se de todos os meios para dar imediato e bom andamento à obra, de pleno acordo com os restantes membros da Comissão.
Começaram novamente as obras, pelo corte de pedra em “Rendo”, em meados de Julho de 1930, sendo o pessoal de pedreiros quasi todo de “Alcains”.
19-01-931 Continuam as obras estando a ser construído o pavilhão lateral, poente. Começou hoje o corte das madeiras de carvalho que serão oferecidas por vários proprietários, sendo as cortadas hoje oferecidas pelo benemérito Sr. Pe. J. Manuel Nabais.
Manuscrito de Francisco Maria MansoRecebi até esta data duas cartas de sua Exª. Sr.”Nuno de Montemor” pondo-se à disposição da Comissão do Hospital para trabalhar para tão grande melhoramento. Nessas cartas aparece constantemente a bela alma de sua Exª e na sua redacção há mimos de literatura espontâneos, reveladores das suas qualidades de artista das letras que é. Respondi a essas cartas aceitando tão valioso auxílio e com ele contaremos de futuro.
Enviei à Comissão da Mesericórdia um ofício com dez mil escudos, importância que resolvemos na Junta Geral do Distrito, dar para a continuação das obras.
21-Março de 1931 Apesar do dia chuvoso e pouco agradável, deram entrada na vila 17 carros de madeira de carvalho, pinho e castanho, de Aldeia de Sto. António Urgeira e Ameaes, madeira oferecida ao hospital. Estas povoações tinham já oferecido mais 12 carros. A povoação do Baraçal ofereceu 29 carros que deram entrada também pela vila fora, em ar de intensa alegria pela valiosa oferta.
Se no íntimo do homem existe a fera antiga, como querem alguns pessimistas, desejava que assistissem a factos destes para se convencerem que a generosidade humana é uma virtude real e se não a vemos praticada constantemente é porque não há todos os dias ocasiões para ser praticada. Depois são esses pessimistas que não acreditando no que existe de bom no género humano se encerram num feroz egoísmo, incapazes de ao seu semelhante fazerem o mais ligeiro benefício e então o “semelhante” paga-lhe e com toda a justiça em moeda igual e assim lhe parece encontrar “feras” em lugar de homens, começando elas a contar por eles! …
Que seja boa, alevantada e digna a nossa acção e encontraremos, com surpresa do coração humano tudo o que tem de melhor.»
Romeu Bispo
(Provedor da Santa Casa da Misericórdia do Sabugal)

Da história da construção do hospital fazem parte alguns factos curiosos, mas para os contar nada como ler o ilustre sabugalense, Dr. Francisco Maria Manso.

Romeu Bispo«Das antigas muralhas de cintura do magestoso Castelo do Sabugal, restavam panos incompletos, cercados já por muros de quintas. A muralha era a parede divisória do quintal da família «Bigote» e da viúva «Canaveira». Mesmo ao cinto da parede divisória o pano de muralha estava quase completo. Na sua parte superior existia um velho carvalho todo coberto de «era», onde os rouxinóis em noites de luar subiam a gargear as suas serenatas, que muitas vezes ouvi extasiado.
Resolveu a C. da Mesericórdia construir o Hospital com o auxílio desta pedra e foi um pouco contristado que vi apear essas pedras que ali estiveram engrinaldadas de era durante séculos e que mereciam o respeito da nossa geração em nome Da esthética e para relembrar o esforço dos nossos avós levantando muralhas e castelos para manter a independência de Portugal e assegurar o seu pleno domínio.
Ainda propuz que não se demolisse esse pano de muralha e que conforme alguém lembrou se abrisse uma rua que passaria por baixo desse pano de muralha e seguiria quase em linha recta ao «teatro». A Comissão da Misericórdia não concordou e a pedra foi levada em carros de bois e camionetes para o local do hospital. O transporte foi gratuito e tanto os lavradores como os proprietários de camionetes (sr. Bartholomeu e Lucas) trabalharam com afan, querendo dar todo o esforço para a realização desta obra, mas as dificuldades não podiam tardar! Poucas pedras estavam ainda nos alicerces, quando se recebeu ordem telegráfica, endereçada ao delegado da comarca, para embargar as obras e levantar processo averiguando responsabilidades. Devia a origem ter sido qualquer conversa ou carta com o director dos Monumentos Nacionais, que tomou providências no sentido de salvar as muralhas. O Sr. Presidente da Câmara, falou neste sentido com o Sr. Governador Civil e d´ali vem ordem para continuar as obras. Continuaram… e poucos dias depois voltava outra ordem para suspender.
Manuscrito de Francisco Maria MansoFoi uma comissão a Lisboa, composta do Presidente da Comissão da Misericórdia (Dr. Carlos Frazão), Presidente da Câmara (Afonso Lucas) e Dr. Galhardo que trouxeram ordens para as obras continuarem e foram recebidos com foguetes. Passado poucos dias vinha um engenheiro dos Monumentos Nacionais do Ministério da Guerra e avaliava as pedras da muralha em 8 contos que aquele ministério mandou que se pagasse… Por intermédio do Sr. Dr. João José Garcia, essa ordem ficou sem efeito e as obras livres para continuar.
As obras foram seguindo e quando um dos membros da Comissão da Misericórdia (Sousa Martins) regressava de dois meses de ausência, notava deficiências na aplicação da “cal” e como resolvesse medir o comprimento das paredes encontrou que o hospital tinha menos um metro e meio de que marcava a planta. Chamado o empreiteiro verificou-se que a fita métrica de que se servia tinha 3 centímetros a menos em cada metro.
Pediu-se a vinda de um técnico que condenou a obra e mandou que se desfizesse tudo o que estava feito… Intimado o empreiteiro… depois de várias peripécias desapareceu e os fiadores tiveram de arcar com as responsabilidades das clausulas postas na escritura e assim desfazer tudo o que estava feito, não obrigando a C. da Misericórdia ao pagamento da multa, por comiseração.»
Em Julho de 1930 escreve o Sr. Dr. Francisco Maria Manso: «Desfeitas as obras, modificou-se ligeiramente a planta e anunciou-se nos jornais nova arrematação».
Romeu Bispo
(Provedor da Santa Casa da Misericórdia do Sabugal)

Como arraiano e natural do Concelho do Sabugal queria, mui modestamente, deixar aqui apenas um pequeno contributo, como uma achega, ao que o artigo de Romeu Bispo referiu acerca das notas do empenho do Sr. Dr. Francisco Maria Manso.

hospital sabugalEra natural da minha terra, Aldeia do Bispo. Foi contemporâneo do meu avô paterno, cujo nome herdei. Era o médico da família. Recordo, às segundas-feiras, por volta das 15 horas, era dado um sinal, através do sino. As pessoas doentes ou precisadas de cuidados médicos dirigiam-se ao seu consultório. Muitas famílias estavam avençadas, como acontecia com a minha, e o valor das consultas anuais eram pagas em géneros, principalmente centeio. Como paciente não tenho recordações muito gratas. Com cerca de seis anos caí de um muro, na Rua Nova, e tive de ser suturado com três agrafes nos lábios e tive de extrair um ou dois dentes a sangue frio. Como homem e benemérito foi uma pessoa espectacular em favor dos outros, e, como médico e profissional, apesar dos fracos meios existentes, foi de uma conduta a todos os títulos meritória.
No Hospital do Sabugal, ignoro a data, foi submetida a uma intervenção cirúrgica ao apêndice a minha extremosa mãe, falecida há um ano, tendo feito parte da equipa o Dr. Manso. Outros episódios havidos, no hospital do Sabugal, existiram, mas de momento, não me recordo.
Mas o assunto principal prende-se, sobretudo com o Cortejo de Oferendas, então organizado, como forma de angariar fundos para custear as despesas da construção do hospital do Sabugal. Entre os principais impulsionadores esteve o Dr. Manso, entre muitos outros cujos nomes desconheço, embora saiba os de alguns.
Tive conhecimento que todas as aldeias se mobilizaram e participaram, dentro das suas parcas posses, porque os bens essenciais eram arrancados das terras, à custa de muito sangue suor e lágrimas. Lavradores de avultadas posses eram escassos, a população, na sua grande maioria, vivia da «jorna» ou da «jeira» ou do amanho das terras a «meias», «terças» ou «quartas».
Tive conhecimento, sobretudo através de relatos orais de pessoas mais idosas que Aldeia do Bispo se mobilizou e até, nessa altura, para assinalar a efeméride se criou um «Hino» da autoria do Sr. Dr. Francisco Manso, com a colaboração de outros conterrâneos e amigos que nos dias de hoje perdura, embora com ligeiras adaptações e alterações.
Como forma de ilustrar e justificar tal facto aqui deixo o Hino de Aldeia do Bispo.

Aldeia do Bispo avante
A cantar e a trabalhar
Cada seara ondulante Refrão
É um poema a vibrar

Vimos de terra arraiana
À festa do hospital
Trazemos cravos d’Espanha
E a alma de Portugal

O sol das nossas touradas
E as tardes de maravilhas
Erguem-se hoje em pinceladas
Neste lençol de mantilhas

Hoje, existem várias adaptações, conforme as circunstâncias e o cantor.
Entre as várias a mais usual é a seguinte (primeira quadra):

Somos de terra arraiana
Concelho do Sabugal
Trazemos cravos d’Espanha
E a alma de Portugal.

Manuel Nunes

Quando a história se mede por milhões ou milhares de anos, oitenta anos nesta visão global do Universo não tem grande significado, mas para os humanos significa uma vida e sabemos que não são todos os que atingem tal provecta idade. No sabugal contam-se pelos dedos aqueles que viveram e se lembram deste ano. Foi o ano do início da construção do Hospital da Misericórdia que funcionou muitos anos como Hospital concelhio.

Romeu BispoNum caderno de Notas/Memórias do Sr. Dr. Francisco Maria Manso encontrámos o relato de uma empresa que, à data, envolveu praticamente todo o Concelho: «No espírito de todos estava a construção de um hospital, mas para a realização desta obra era preciso dinheiro e não existia”. “A assistência neste Concelho mal existia e algum dinheiro era gasto em presentes aos pobres, no dia de Natal, ou data solene, sendo esses presentes constituídos por arrôs, assucar etc…».
Fazendo parte da Comissão de Assistência Municipal foi o Dr. Manso que propôs a entrega das verbas sobrantes à Comissão da Misericórdia para constituição do fundo de construção do hospital: «Todos os membros da Mesericordia e lembramo-nos sobre tudo do sr. Joaquim Monteiro, José Augusto dos Santos e Afonso Dias, abraçaram a ideia com enthusiasmo a guardar religiosamente todas as migalhas da Mesericórdia para esse fim».
Colaborou com a Misericórdia o «Sr. Ismael Mota que como secretário da Câmara a todas as reuniões assistia e com grande enthusiasmo desejava também ver realizada a obra que a todos interessava».
Foi o Sr. Dr. Manso que emprestou 160$00 (cento e sessenta escudos) de uma vez e 200$00 (duzentos escudos) de outra para que as plantas fossem feitas pelo Sr. Antonio Braga Calheiros, posteriormente copiadas no Porto e mais uma vez alteradas na Guarda.
«Outra dificuldade foi saber onde e quem deveria aprovar a planta. Enviada ao Exmo. Sr. Mangas para Lisboa, este nosso conterrâneo e grande amigo do Sabugal, foi ao Ministério do Comércio com a respectiva planta e memorial e ali informaram que era com as obras públicas da Guarda. Fomos às obras públicas da Guarda e ali informaram que não era ali e não sabiam onde era! Seguimos para o Governo Civil e ali o Sr. Governador (Dr. Filipe) assumiu toda a responsabilidade e que se desse começo à obra.
Publicaram-se anúncios no «O Século» e «Diário de Notícias» e apareceram dois arrematantes, o Sr. Engenheiro do Fundão (Lobo) e o Sr. Francisco Dias, de Rebelhos.
O Sr. Engenheiro Lobo só tomaria conta da obra por 99 contos (paredes) e o Sr. Francisco Dias faria a obra por 100 contos pondo o telhado. Foi adjudicada ao último e feita a escritura de responsabilidade.
Deu-se início à obra em fim de 1929».
As dificuldades são de todos os tempos, porém veremos que as dificuldades daqueles tempos, tendo em conta os condicionalismos políticos e sociais da época, pareciam insuperáveis. Em próximo artigo poderemos compreender a razão da data de 1930 que está no frontispício do edifício.
Romeu Bispo
(Provedor da Santa Casa da Misericórdia do Sabugal)

Romeu Bispo, natural do Sabugal, funcionário bancário, é o novo provedor da Santa Casa da Misericórdia do Sabugal, sucedendo no cargo a José Diamantino dos Santos, falecido no início do ano. Tem sobre os ombros uma grande responsabilidade, pois a instituição cresceu muito nos últimos anos e desempenha hoje um papel incontornável no apoio social às famílias sabugalenses. Rumores acerca de uma situação financeira muito difícil da Misericórdia, levaram-nos à fala com o novo provedor, que esclareceu a conjuntura actual e falou nos projectos de futuro.

romeu– Como se processou a substituição do Dr. Diamantino enquanto provedor da Santa Casa da Misericórdia do Sabugal?
– Dentro do que estipulam os Estatutos eu, sendo vice-provedor, passei a desempenhar as funções de provedor, tendo entretanto assumido as funções na Mesa um outro irmão que figurava como suplente. Actualmente a Misericórdia é gerida por cinco elementos. Para além de eu próprio fazem parte da Mesa: Manuel Nunes, António Janela, António Freitas e Maria Rosária Batista. Temos reunido periodicamente e constituímos uma equipa unida, pois estamos todos conscientes do trabalho que há a fazer. Não é fácil substituir uma figura impar como a do Dr. Diamantino e os restantes elementos da Mesa, sabendo disso, têm-me dado todo o apoio.
– Tem havido rumores de que o Dr. Diamantino deixou a Santa Casa numa situação financeira insustentável, o que levou à tomada de medidas drásticas. O que há de verdade nisto?
– A situação financeira da Misericórdia não é de facto famosa. Apresentámos as contas relativas a 2008 na última Assembleia Geral e a verdade é que houve um saldo contabilístico negativo de mais de 180 mil euros, porém o resultado operacional foi na ordem dos 90 mil euros. Perante isto alguma coisa tinha de ser feita. De qualquer forma a verdade é que o próprio Dr. Diamantino há muito nos dizia que a situação era difícil e que teríamos de tomar medidas.
– Mas como vice-provedor não sabia o que se passava?
– O Dr. José Diamantino dedicava praticamente todo o seu tempo à obra e nós comparecíamos nas reuniões e acompanhávamo-lo sempre que era necessário. Sabíamos do que se passava, porque ele nada nos escondia, e falava-nos das dificuldades que se atravessavam e que era necessário ultrapassar. Mas como estávamos habituados ao rigor da sua gestão não vivíamos numa grande preocupação porque contávamos sempre com ele para superar os problemas, que foi de resto o que ele sempre fez nos anos em que esteve à frente da instituição.
– E a que se deve a situação difícil em que a Misericórdia se encontra?
– Fomos visitados por várias inspecções que detectaram anomalias, pois as leis estão sempre a mudar e isso obriga a constantes readaptações. Isso implicou muitas despesas em obras e aquisições para suprir as falhas apontadas. Mas sobretudo houve o investimento na creche, que importou em mais de 200 mil euros, totalmente suportados pela instituição, pois os fundos comunitários prometidos nunca chegaram. As verbas eram do anterior Quadro Comunitário da Apoio e houve algum desentendimento entre as unidades gestoras, Coimbra e Lisboa, o que contribuiu para que a Misericórdia não tivesse recebido qualquer verba. O Dr. Diamantino ficou muito desanimado com isso, falando mesmo em problemas políticos que impediram a concretização do financiamento.
– E que medidas em concreto estão agora a ser tomadas para sanear financeiramente a instituição?
– Tivemos que aumentar as mensalidades dos utentes, quer das crianças quer dos idosos, que estavam inalteradas desde 2005. Esta era de resto uma ideia que o falecido provedor nos dizia que era necessário tomar. Outra medida é avançarmos com a criação da Unidade de Cuidados Continuados, fundamental para servir melhor a população idosa e também para rentabilizar o futuro da instituição.
– E há disponibilidade financeira para se avançar agora com esse projecto?
– Apenas avançaremos se obtivermos financiamento e temos boas perspectivas de o conseguir. Estes projectos são financiados pelo Ministério da Segurança Social, havendo porém a supervisão técnica do Ministério da Saúde, a quem cabe dar o sinal verde para se avançar. E aqui as coisas estão bem encaminhadas porque reunimos recentemente com o Dr. Fernando Girão, que é o administrador da Unidade Local de Saúde da Guarda, que nos elucidou acerca dos passos a dar na nossa candidatura e nos garantiu que o Sabugal terá direito a esse serviço.
– E como é que isso se processou?
– Bem, quem nos deu conhecimento da possibilidade de se avançar com a instalação de uma Unidade de Cuidados Continuados no Sabugal e intercedeu no sentido de se fazer a reunião foi o António Dionísio.
– O Toni, candidato do PS à presidência da Câmara?
– Sim.
– Mas quem andava a falar num hospital de retaguarda para o concelho era o presidente da Câmara, Manuel Rito…
– Sim, isso é verdade, até porque o Sr. Presidente da Câmara também nos falou acerca desse assunto, na reunião de apresentação que tivemos na Câmara, mas a verdade é que a reunião que tivemos com o Dr. Fernando Girão foi patrocinada pelo Toni, que fez com que as coisas avançassem. Eu limitei-me a, em nome da instituição, aproveitar uma oportunidade que penso que o Sabugal não pode perder.
– E para quando está prevista construção da Unidade de Cuidados Continuados?
– Agora esperamos pela conclusão do projecto, que está a cargo de um gabinete de arquitectura, e que nos deve ser apresentado ainda esta semana. De qualquer forma o novo projecto terá de ser analisado e aprovado pelos Ministérios envolvidos, e só então avançarão as obras. Mas estou confiante que no início de 2010 a construção irá avançar.
– Esse também era um objectivo do Dr. José Diamantino?
– Sem dúvida, até porque o novo projecto baseia-se num outro que elaborámos há oito anos, a que chamámos Unidade de Apoio Integrado, que a Misericórdia tentou fazer avançar, mas que apesar de termos o projecto aprovado não foi possível construí-lo porque não reunimos os apoios necessários.
plb

A Santa Casa da Misericórdia de Alfaiates, no concelho do Sabugal, não tinha eleições para a administração do lar desde 1993. As eleições realizadas, em 2008, não foram validadas por D. Manuel Felício, bispo da Guarda. A recente repetição das eleições aumentou a polémica. O programa «Nós por Cá» da SIC esteve em directo desde a Misericórdia de Alfaiates entrevistando alguns dos irmãos que se mostram desagradados com as regras impostas a partir da Guarda.

Polémica na Misericórdia de Alfaiates

(Clique na imagem para ver o directo no programa «Nós Por Cá» da SIC.)

Percorrer os velhos trilhos do contrabando a pé, a cavalo ou de bicicleta é a proposta da Associação Cultural e Desportiva do Soito para 27 de Abril.

Desbravar os velhos trilhos raianos apenas conhecidos dos contrabandistas soitenses é a proposta da Associação Cultural e Desportiva do Soito para o fim-de-semana alargado do final de Abril.
No domingo, dia 27, às nove horas da manhã será dada a partida para as bicicletas todo-o-terreno e para o passeio equestre. Uma hora mais tarde inicia-se o passeio a pé que terá um percurso de cerca de 10 quilómetros.
A saudável jornada de convívio que percorrerá a história contrabandista da raia sabugalense do século XX terminará por volta das 13 horas com um almoço para todos os participantes. Na parte da tarde os miúdos e os graúdos terão à sua disposição insufláveis e animações de rua.
A organização está a cargo da Associação Cultural e Desportiva do Soito em colaboração com a Câmara Municipal do Sabugal, Santa Casa da Misericórdia do Soito e a Associação Promotora do Ensino Profissional da Beira Transmontana (Escola Profissional de Trancoso).
As inscrições são limitadas e podem ser feitas até ao dia 25 de Abril no Bar Lele Cavaca, Bar Azul, Bar dos Bombeiros e Restaurante Zé Nabeiro.

Aqui recordamos um sábio pensamento: «O contrabando não é um crime, é um delito à luz da lei vigente na altura.»
jcl

JOAQUIM SAPINHO

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