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Teresa Duarte Reis - O Cheiro das Palavras - Capeia ArraianaEis que chegou a tua vez Marialva, de versejar a meu jeito e dizer como o teu passado honra tuas gentes e as tuas memórias. É o «repouso do guerreiro» que nos suspende o respirar, pela altivez serena e triunfante com que dominas, abraças e vigias teus filhos e senhores. Quem pode ficar indiferente à tua majestade e magnitude no teu simples olhar de cima, carinhoso, os teus vassalos?

Marialva

MARIALVA

Se com romanos eras Civitas Aravorum
Com Adriano e Trajano te ampliaste
Dominavas então a estrada romana
Mas invasões Visigótica e muçulmana
À época, tão danificado ficaste.

Mas o Primeiro Afonso foral passou
E tuas muralhas a essa época remontam
Para que seu reino ali se povoasse
Dando regalias a quem se fixasse
E os documentos assim é que nos contam.

E eis que D. Sancho ainda mais fez
P’ra vila envolver muros ampliou
D. Afonso II, veio Foral confirmar
Fez as obras do castelo continuar
E de Alcanizes também beneficiou.

D. Dinis, como já nós conhecemos bem
Na sua estratégica visão de saber
Criando feiras o comércio aumentou
E dessa forma ainda mais povoou
Numa vila q’ assim, cresceu a bom crescer.

Mais diz a história ou lenda que Fernando Magno
Te conquistou p’ra Cristandade com nome de Malva
Mas também se diz ainda que Afonso II
Não se sabe se de imaginação ou história a fundo
A doou a uma apaixonada de nome Alva.

Com conde de Marialva, Fernandes Coutinho
No século XV assim foste Condado
D. Manuel o Foral Novo te passou
Até Sebastião com obras te melhorou
E o ano 1559, na muralha marcado.

Tuas Torres, as portas e as muralhas
Em meados de dezoito perfeitas estavam
Mas a crise dos Távoras ali se instalou
O Alcaide Távora no atentado se implicou
E no resto do século as coisas mudavam.

A pouco e pouco, muito foi o que sofreste
O abandono de intramuros e a vila esvaziada
Só no séc. XX teu valor foi recordado
Como Monumento Nacional foste classificado
E teu flanco Sul ainda hoje habitado.

Maria Alba que Ela bem merece
Essa bela homenagem do Magno Fernando
Se era comum a Senhora louvar
E Marialva com seu povo a rezar
É bom ficarmos assim, também rezando.

Mas aqui a lenda de novo quer brincar
Como é gosto do nosso povo fazer
A Dama Pé de Cabra nos vem recordar
Que pelo cristão se tinha de apaixonar
Seu degredo para sempre ali sofrer.

E se até as pedras falam como sabemos
E também estas, ai, rezam seu passado
O poeta orando as memórias lembradas
De tantas as gentes ali recordadas
Feliz Saramago nas rochas registado.

O meu abraço para Marialva.

«O Cheiro das Palavras», poesia de Teresa Duarte Reis
netitas19@gmail.com

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Passados seis anos sobre a última edição, no dia 12 de Junho a Feira Medieval regressou à aldeia histórica de Marialva, no concelho de Mêda, numa jornada de grande alegria e colorido que a todos contagiou.

(Clique nas imagens para ampliar.)

A organização esteve a cargo do Agrupamento de Escolas do Concelho de Mêda e da Câmara Municipal, contando com a colaboração da Junta de Freguesia de Marialva.
A recriação da feira semanal que remonta ao séc. XIII, instituída pelo Rei D. Dinis em 1286, aconteceu dentro das muralhas do castelo, que outrora compunham esta povoação, Sede de Concelho extinto em 1855.
Esta recreação iniciou-se com o cortejo, que partiu desde a Igreja de S. Pedro até ao Castelo, composto por todos os participantes. A Feira teve início com a leitura da Carta de Feira, em que foram feitas, ao representante do Rei, várias oferendas dos produtos das redondezas de Marialva. Neste dia marcaram presença alguns artesãos e diversos comerciantes que disponibilizaram para venda produtos regionais típicos da época, tais como o pão saloio e seus derivados, licores, chás, fumeiro entre outros, tendo sempre em conta que o principal motivo não era a venda propriamente dita, mas sim a recreação do ambiente mercantil que se fazia sentir na altura. A maior parte dos figurantes que animaram o recinto pertence ao Agrupamento de Escolas do Concelho, pois um dos objectivos desta feira era precisamente a integração da comunidade estudantil no concelho na vivência da feira. Estiveram representados mercadores, malabaristas, saltimbancos, ordens militares que proporcionaram várias mostras de armas, uma recriação de um assalto ao Castelo e uma mostra de falcoaria. Houve lugar a danças medievais, danças mouras, à celebração de um contrato de casamento, ao julgamento de um ladrão e a uma actuação de um grupo de Música Medieval que entreve os presentes enquanto estes aproveitavam para degustar algumas iguarias oferecidas pela Câmara Municipal de Mêda e pela Junta de Freguesia de Marialva, tudo isto acompanhado pelo bom vinho da região disponível nas tasquinhas, também elas recreadas à moda medieval.
plb (com CM Mêda)

Em Marialva, no concelho da Mêda, respira-se história. Reportagem da jornalista Paula Pinto da redacção da LocalVisãoTv (Guarda).

Local Visão Tv - Guarda
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jcl

Sortelha, no concelho do Sabugal, foi a segunda Aldeia Histórica mais visitada durante o ano de 2009. O número de turistas nas 12 aldeias históricas de Portugal aumentou durante o ano de 2009, registando cerca de 376 mil visitantes, revelou esta segunda-feira a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro.

Segundo os dados fornecidos pelas autarquias dos concelhos onde se localizam as aldeias históricas, e tratados pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, o total de visitantes no ano de 2009 foi de 376 mil visitantes, superior em cerca de seis por cento face ao ano anterior.
A subida percentual deveu-se apenas ao aumento de visitantes nacionais, que em 2009 foram perto de 300 mil, cerca de 79 por cento do total.
Já quanto aos turistas estrangeiros, que em 2009 foram cerca de 80 mil, verificou-se uma quebra de 7,7 por cento face a 2008, com menos 6500 visitantes.
A Aldeia Histórica de Almeida continua a ser a mais visitada, com um total de cerca de 70 mil turistas, seguida das aldeias de Sortelha, Castelo Rodrigo, Trancoso e Belmonte.
Das cinco aldeias mais visitadas, apenas Almeida registou um decréscimo no número de turistas, embora continue a caber-lhe a maior fatia de visitantes espanhóis, que representam mais de metade do total de visitantes estrangeiros.
De acordo com os dados disponíveis no portal das aldeias históricas os turistas espanhóis aparecem em primeiro lugar com 44 mil visitantes registados em 2009 seguidos dos franceses (13 mil) e ingleses (8 mil visitantes).
O Programa de Aldeias Históricas de Portugal surgiu integrado no II Quadro Comunitário de Apoio (1994-1999) e reclassificado no quadro seguinte (2000-2006), tendo sido restauradas as 12 aldeias na Beira Interior.
Integram o programa Sortelha, Almeida, Belmonte, Castelo Novo, Castelo Mendo, Castelo Rodrigo, Idanha-a-Velha, Linhares da Beira, Marialva, Monsanto, Sortelha e Trancoso.

Portal das Aldeias Históricas. Aqui.
jcl (com agência Lusa)

Nos anos 50 e 60 do século XX, Portugal viu escaparem-se-lhe quase 2 milhões dos seus filhos e o Interior foi-se despovoando. Uns vieram para as grandes cidades do Litoral, outros partiram para Franças e Araganças. O concelho do Sabugal, por exemplo, perdeu, entre 1950 e 1970, 56 por cento dos seus habitantes. Aldeias houve, como por exemplo Quadrazais, que ficaram sem dois terços da população.

Adérito Tavares - Na Raia da MemóriaUns voltaram, outros não. Mas o Portugal que deixaram, quando passaram a raia a salto, desapareceu. As aldeias do Centro e do Interior norte são hoje sombras do que eram há quarenta ou cinquenta anos atrás. Perderam gente, perderam tradições, perderam cultura, perderam alma. Visitamos terras lindíssimas, como Monsanto, Sortelha, Linhares, Piódão, Castelo Mendo, Marialva e que vemos? Pedras, sobretudo pedras. As gentes, que é quem dá vida às pedras, estão em vias de extinção. As poucas que ficaram estão velhas e vivem das magras pensões ou de um escasso e esporádico turismo. Abrem-se lares da terceira idade e fecham-se escolas. O mato cresce por todo o lado, a agricultura morre, o País tradicional agoniza.
Marialva é a imagem mais viva deste fenómeno de desertificação do Interior. Em poucos lugares do País podemos sentir a mesma emoção que em Marialva. Dentro das suas muralhas encontramos o castelo, a igreja, o cemitério, a Domus Municipalis, o tribunal, a cadeia, o pelourinho, casas sem tecto. Mas não encontramos ninguém, porque Marialva é uma vila fantasma. Dizem as lendas que sofreu a maldição da moura Maria Alva! Foi completamente abandonada pela sua população, que acabou por fundar uma nova Marialva cá em baixo, no vale. Caminhamos melancolicamente naquela ruína silenciosa, nobre no seu abandono, coberta de musgo, hera e silvas e, involuntariamente, visualizamos um país quase inteiro.

«Georges! anda ver meu país de Marinheiros,/ O meu país das Naus, de esquadras e de frotas!/ Oh as lanchas dos poveiros/ A saírem a barra, entre ondas e gaivotas!/ […] Senhora Nagonia!/ Olha acolá/ Que linda vai com seu erro de ortografia… […] Senhora Daguarda! […] Maim de Jesus! […] Senhor dos Navegantes!/ Senhor de Matusinhos!/ Os mestres ainda são os mesmos dantes:/ Lá vai o Bernardo da Silva do Mar,/ Mailos quatro filhinhos,/ Vascos da Gama, que andam a ensaiar… […] Georges! anda ver meu país de romarias/ E procissões!/ Olha essas moças, olha estas Marias!/ Caramba! dá-lhes beliscões!/ Os corpos delas, vê! são ourivesarias!/ […] Tira o chapéu, silêncio!/ Passa a procissão/ Estralejam foguetes e morteiros./ Lá vem o Pálio e pegam ao cordão/ Honestos e morenos cavalheiros./ […] Que linda e asseada vem a Senhora das Dores!»

Este Portugal, o país de António Nobre, está prestes a desaparecer. É preciso correr, e olhá-lo demoradamente, para o gravar na memória antes que se transforme numa enorme, desolada e melancólica Marialva.
«Na Raia da Memória», opinião de Adérito Tavares

ad.tavares@netcabo.pt

Marialva ergue-se num monte rodeado de outeiros e penhascos, de difícil acesso, situado na margem esquerda do rio Alva. Localização essa que transformou Marialva numa importante praça militar durante a Idade Média.

José MorgadoMARIALVA – Povoação de raízes antigas, admite-se que a sua origem esteja ligada à cidade de Aravor (fundada pelos Túrdulos), sendo destruída por sucessivas invasões até ao século XI. Marialva terá sido definitivamente reconquistada por Fernando Magno, em 1063, que a baptizou de Malva, antes de ser chamada Marialva. Mas esta não é a única suposição em torno do nome. Há quem defenda que Marialva deriva do nome próprio de uma apaixonada de Afonso II – a quem, em 1217, o Rei doou a aldeia. O nome da dama era D. Maria Alva. Em 1179, D. Afonso Henriques tinha já concedido a primeira Carta de foral à vila.
Ao entrar em Marialva, irá depara-se com um cenário medieval do qual fazem parte três agrupamentos: a devesa – que se prolonga pela ribeira e planície; a vila, com características quinhentistas; e a cidadela, onde o silencio chega a ser desconcertante e apenas cortado pelo barulho das águias que batem as asas por cima dos telhados da aldeia.
Aldeia Histórica MarialvaNa rua, os edifícios resistem ao tempo com as suas paredes de pedra e portas góticas. Mais para o interior, percorrendo as calçadas medievais, será conduzido até ao largo onde se ergue o pelourinho granítico do século XV, o edifício da antiga Câmara e o Tribunal. Alguns metros à frente, encontrará a Igreja Matriz, do século XVI, detentora de um portal manuelino, a quem deram o nome de Santiago, por aqui passar a antiga rota dos peregrinos de Santiago de Compostela. Ainda hoje se celebra em Marialva, a 25 de Julho, a feira de Santiago a propósito do dia do Apóstolo.
Numa zona mais elevada da povoação, encontra-se o castelo. Edificado por D. Sancho I em 1200 e, posteriormente, ampliado por D. Dinis. O castelo foi perdendo, com o passar do tempo, grande parte das suas pedras e do seu valor; mas merece a pena subir às suas muralhas e apreciar a vista sobre a serra da Marofa. Aqui o tempo parece parar.
Nesta região do Norte de Portugal, podem-se desfrutar de alguns prazeres gastronómicos, como as papas de sarrabulho, diversas receitas elaboradas com peças de caça, as filhós, as raivas e os vinho de mesa que se produzem nesta zona fronteiriça entre o Dão e o Douro.
Nos últimos tempos, Marialva tem sido alvo de varias intervenções para a recuperação do seu património.
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado

morgadio46@gmail.com

Estamos em Junho e o Verão que se aproxima, transporta com ele aqueles emigrantes que não esquecem as raízes e dão, por uns meses, vida às povoações que já a não têm.

José MorgadoA eles se juntam outros migrantes internos que residem e fazem vida, principalmente nas zonas metropolitanas de Lisboa e Porto, na mira de lá gozar férias e «carregar baterias», num mar de gente conhecida cheia de afectividades e lembranças, tão diferente do buliço das grandes cidades, onde ninguém se conhece verdadeiramente.
A última crónica de Romeu Bispo, actual provedor da Santa Casa da Misericórdia do Sabugal cujo titulo sugestivo é «Vistas Largas», leva-me a fazer as seguintes considerações:
1) Em sentido lato, poderemos dizer que o convívio com outros países e culturas, deu aos nossos emigrantes uma visão mais abrangente que àqueles que nunca da terra saíram, mas que mesmo estes sofreram uma forte influência dos mesmos;
2) Já, outros, em termos políticos o seguidismo e fanatismo por ideologias retrógradas, levam-nos a «vistas curtas» ou direccionadas ou, como diz o Kim Tomé, usam palas ou cassetes, nos olhos ou ouvidos, voluntariamente.
3) Em sentido restrito, na minha opinião, tem vistas largas, quem, em termos regionais, não olha só para o seu umbigo, bairro, freguesia ou mesmo concelho;
4) A verdadeira globalização deve começar com parcerias com os nossos vizinhos, criar sinergias e agregar o que nos une e não procurar divisionismos sem sentido.

«Quem visita o vizinho também me pode visitar a mim»
Com o slogan de que «Quem visita o vizinho também me pode visitar a mim», vou iniciar neste espaço um conjunto de informações que julgo úteis para quem quiser espraiar a vista para além da nossa Aldeia Histórica de Sortelha, nomeadamente: Almeida, Castelo Mendo, Castelo Rodrigo, Idanha-a-Velha, Linhares da Beira, Marialva, Monsanto e Trancoso.
Almeida – Considerada Vila Monumental Nacional, foi conquistada por D. Sancho I, que ampliou as suas muralhas. Alvo de constantes ataques por parte dos muçulmanos, voltou a ser destruída, até que em 1190 D. Paio Guterres a tomou definitivamente. Corria o ano de 1926, quando D. Dinis deu a carta de foral aos habitantes e reconstruiu o castelo. No entanto, só um ano mais tarde, com a assinatura do Tratado de Alçañizes entre Portugal e Castela é reconhecida como terra portuguesa. O seu nome vem do árabe e várias teorias tentam explicá-lo. A mais provável é mesmo a tradução de almeida, que significa «mesa» por a povoação se encontrar num planalto. Já segundo a lenda local, o seu nome nasce no facto de na antiga povoação existir uma extraordinária mesa ornamentada com pedras preciosas.
Vila fronteiriça, Almeida é um dos raros exemplares de arquitectura abaluartada do nosso país. Fortificada em forma de estrela de 12 pontas, com muralhas em cantaria, revelins (os baluartes que permitiam a observação do território circundante) portas e casamatas que percorrem os seus 2.500m de perímetro, esta praça-forte foi edificada nos séculos XVII e XVIII, em redor de um castelo medieval – situado num planalto entre o rio Côa e a ribeira dos Tourões –, depois dos espanhóis terem destruído as defesas que protegiam a vila. Palco de várias lutas ao longo dos séculos, Almeida desempenhou um papel relevante na Guerra dos Sete Anos e na 3.ª Invasão Francesa, em 1810, período em que esteve cercada pelas tropas napoleónicas.
No interior da fortificação, vale a pena visitar o conjunto harmonioso do casario e os diversos edifícios religiosos espalhados pelas ruas estreitas. A comunhão da arquitectura militar envolvente com a simplicidade do modo de vida rural é algo que nos seduz. E o seu passado guerreiro é ainda manifesto, não só na fortificação, mas em numerosos edifícios com uma arquitectura simples e robusta.
No interior da fortaleza, é possível pernoitar numa das Pousadas de Portugal – que se encontra num dos extremos da vila, junto à Praça Alta.
Aproveite também a estadia para provar os pratos típicos da região, dos quais se destacam o bacalhau e o cabrito.
«Terras entre Côa e Raia», opinião de José Morgado

morgadio46@gmail.com

JOAQUIM SAPINHO

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