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O Sabugal e as Invasões Francesas anda agora de terra em terra. Depois de ter estado no Auditório Municipal do Sabugal, a quando das comemorações da Batalha do Sabugal, no dia 2 de Abril, passou pela Casa do Concelho do Sabugal, em Lisboa, no dia 19 Maio, onde estiveram os três autores e, no dia 31 de Maio, foi apresentado na Livraria Orfeu, em Bruxelas.

Para a apresentação deste livro, a Orfeu, na pessoa do seu director, Dr. Joaquim Pinto da Silva, escolheu duas altas personalidades que vivem em Bruxelas: o General Artur Pina Monteiro e o cientista, bem conhecido do povo português, o Professor Fernando Carvalho Rodrigues.
Tanto um como o outro se entusiasmaram pela leitura deste livro, reconhecendo o seu valor no domínio da história militar e sobretudo afirmando que vem preencher uma lacuna nestas disciplinas, tanto mais que os três autores apresentam três sensibilidades da mesma realidade, o que é raro e altamente enriquecedor.
Esteve presente apenas um dos co-autores – o Joaquim Tenreira Martins – que vive em Bruxelas, o qual se sentiu deveras honrado com as palavras elogiosas (reencaminha-as também para os outros escritores) que foram ditas a propósito desta obra escrita a três mãos.
Caso quase inédito no lançamento de um livro foi o facto de ter sido apresentado por duas eminentes personalidades que conhecem muito bem o Sabugal, o tema das invasões francesas e a importância estratégica que representava nessa altura o rio Côa.
Após a apresentação, Joaquim Tenreira Martins quis transmitir ao público aquilo que normalmente não se sabe quando se lê um livro, isto é, a história do seu nascimento ou aquilo que motivou a sua feitura.
«Se me permitem, gostaria de vos dar algumas informações sobre as razões desta aventura e sobretudo acerca da maneira como é que três pessoas, três autores, sem se conhecerem, e podem acreditar que foi mesmo assim, sem se conhecerem, e ainda por cima, longe uns dos outros, como é que puderam escrever este livro?
Através das várias leituras sobre este período das invasões francesas, um dia descobri que a batalha do Sabugal, Sabugal’s Battle, como dizem os ingleses, tinha sido a última batalha travada em território português. Foi com esta batalha que os portugueses e os ingleses enxotaram de uma vez para sempre os franceses do nosso país.
E eu comecei a escrever sobre este tempo nos jornais da região – o Cinco Quinas, A Guarda e outros.
À medida que ia lendo e escrevendo começava a ter ideia que as terras de Ribacoa tinham sido palco de batalhas, combates, escaramuças e de encontros guerreiros, de que ainda quase ninguém tinha falado. Sobre Almeida, Buçaco, Torres Vedras já muito se tinha escrito, mas sobre o Sabugal, quase nada.
Lembro-me que esta preocupação era partilhada também por um dos autores do Livro – o Paulo Leitao Batista – que nessa altura ainda não conhecia – e ia lendo também os seus artigos que inseria no blogue Capeia Arraiana. Aquele que mais me alertou foi o que escreveu há uns três anos, intitulado: falta comemorar a batalha do Sabugal, indignando-se por nem sequer haver um monumento a assinalar a última batalha que ali se tinha travado havia quase 200 anos.
Para mim foi quase um apelo. Já tinha muita coisa escrita sobre as batalhas travadas naquela região e um dia ao dar uma conferência nos Fóios, que tinha por título as batalhas de Ribacoa na 3ª invasão francesa, os meus colegas e amigos escritores do concelho de Sabugal abriram os olhos, ou como diria o autor do prefácio deste livro – o J. Pinharanda Gomes – ficaram arrelampados, ao tomarem conhecimento destes acontecimentos ocorridos tão perto de nós, realidade desconhecida ou esquecida durante várias gerações.
Pesava-me na consciência ver aproximar-se a data do bicentenário e não celebrar a memória deste tão importante acontecimento. Contactada a Câmara parecia não haver vontade de nada, apesar de se saber que o exército tinha verbas para este género de acontecimentos.
A certa altura já não havia tempo a perder. E aquela ideia que deve ser sempre o estado, as câmaras a fazerem tudo, poderia também ser substituída por uma iniciativa cívica de cidadãos que, venha o que vier, poderiam contribuir com aquilo que têm e de que são capazes, a fim de celebrarem tão importantes acontecimentos.
Lembro-me que acordei um dia, precisamente no dia 17 de Janeiro de 2011 e tive vontade de enviar um mail ao Coronel Manuel Mourão, também co-autor, que conhecia apenas através das leituras que fazia dos seus bons artigos na Wikipédia, e a quem enviava de vez em quando também os meus escritos para corrigir, dada a minha deficiência em organização militar. Nesse mail convidava-o a escrevermos um livro, que era possível que tivesse de ser pago por nós, sobre a Batalha do Sabugal. Ele tinha precisamente um artigo na Wikipédia sobre a Batalha do Sabugal, e remodelando-o e aprofundando-o um pouco, poderia trazer ao livro a descrição da parte técnica da batalha. Respondeu-me logo a dizer que sim, mas que não queria gastar dinheiro. Já tinha o seu acordo, já não estava mal. Telefonei no dia seguinte ao Paulo Leitão Batista encorajando-o para a mesma tarefa, pois com aquilo que já tinha escrito sobre as invasões francesas no blogue Capeia Arraiana, poderia dar um bom contributo para o livro. Sobre os custos veríamos depois. Na posse das duas confirmações, convidei o editor Joaquim Pinto da Silva que se entusiasmou ainda mais do que eu com a ideia e devo dizê-lo sem rodeios que nos prestou, desde a primeira hora, todo o seu apoio, dedicação e saber, tendo custeado a edição que tem a chancela da Orfeu.
De fins de Janeiro a 3 de Abril o livro tinha de estar pronto. Os textos mais acabados eram os do Paulo Leitão Bastista, pois já os tinha publicado no blogue de que ele é director. Era necessário dar-lhe uma unidade e um título aglutinador e sugestivo. O Coronel Manuel Mourão tinha de trabalhar o seu texto do Wikipédia, consultar a bibliografia e refazer os croquis. E eu tinha de trabalhar os meus escritos que tinham sido redigidos numa outra óptica, a pensar num livro que se pretendia designar as batalhas de Ribacoa na 3ª. invasão francesa.
O tempo que restava do mês de Janeiro e de Fevereiro foi trabalhar de dia e de noite com os nossos textos, com o editor, com o grafista, com as correcções de cada um. Foi um mês de árduo labor. Mails, telefonemas todos os dias. Tudo devia ser visto ao pormenor. Foi uma autêntica epopeia.
Devo dizer que um livro de batalhas sem um militar, não poderia ser um livro sério. Foi precisamente através do contributo do nosso amigo coronel Manuel Mourão que este livro poderá ser considerado uma referência nesta importante batalha. Com ele adquirimos mais confiança. Ele confortou a nossa visão inicial. Proveniente das altas escolas militares de Portugal, continua ainda a dar o seu contributo no domínio histórico militar, escrevendo para a Wikipédia (e foi por aqui que eu o encontrei). É também no seu blogue (A Guerra Peninsular para além das Invasões Francesas) bem documentado e cheio de referências que nos continua a transmitir o seu saber sobre este tão importante tema.
Por fim, devo ainda referir o primeiro encontro com os autores, que ocorreu apenas no próprio dia das comemorações da Batalha do Sabugal, precisamente em frente da Casa do Castelo (Sabugal), no dia 2 de Abril. Nunca nos tínhamos visto. Foi deveras emocionante o nosso primeiro encontro real. O livro já estava feito, tinha acabado de chegar do Porto, que o tinha trazido o editor Joaquim Pinto da Silva. Ainda estava quentinho. O abraço que nos demos foi um abraço de amizade, depois de um intenso trabalho, na preocupação de fazer um livro dedicado a uma batalha que estava esquecida na rota das invasões francesas, mas que foi a última a ser travada em território português. Só depois da Batalha do Sabugal é que Portugal começou a ser um país livre, fora da alçada do jugo dos militares franceses que tanto dano causaram ao nosso país.»
Joaquim Tenreira Martins

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Comemora-se no dia 3 de Abril (domingo) o bicentenário da Batalha do Sabugal, a última das que aconteceram em território português por ocasião das invasões francesas. A Câmara Municipal e a empresa Sabugal+ elaboraram um programa evocativo que acontece no próximo fim-de-semana.

No sábado, dia 2 de Abril, pelas 14 horas, haverá a inauguração de uma exposição, designada «A defesa da Fronteira da Beira», no Museu Municipal do Sabugal.
De seguida, no Auditório Municipal, decorrerá o lançamento de dois livros dedicados às invasões. O primeiro, intitulado «A Batalha do Gravato – Narrativas do Famigerado Combate do Sabugal», é da autoria de Manuel Morgado e Marcos Osório.
O segundo, intitulado «Sabugal e as Invasões Francesas», sendo seus autores Manuel Francisco Veiga Gouveia Mourão, Joaquim Tenreira Martins e Paulo Leitão Batista, será apresentado pelo escritor e pensador J. Pinharanda Gomes, que assina o prefácio da obra.
Seguir-se-á, ainda no auditório, um Encontro Temático dedicado às invasões, estando previstas as comunicações:
Adérito Tavares: «O expansionismo napoleónico na Península Ibérica: o princípio do fim»;
Joaquim Tenreira Martins: «Sabugal e as tentações de Massena na terceira Invasão Francesa»;
José Alexandre Sousa: «Condicionalismos humanos e naturais numa acção militar – o combate do Sabugal a 3 de Abril de 1811»;
Paulo Leitão Batista: «O Sabugal e a quarta Invasão Francesa»;
José Paulo Ribeiro Berger: «A importância da ponte sobre o rio Côa no Sabugal para o êxito do exército aliado na perseguição a Massena».
Pelas 21 horas haverá um concerto pelo Ensemble da Orquestra Sinfónica do Exército.
No domingo, dia 3, haverá repique de sinos pelas 9h30, seguido da inauguração de um memorial no sítio do Gravato, com presença militar.
Pelas 11 horas será inaugurado um monumento evocativo da Batalha na rotunda de entrada no Sabugal, da autoria do escultor Augusto Tomás, seguida de cerimónia de homenagem aos mortos e evocação histórica pelo Tenente-Coronel Urze Pires.
Às 12 horas haverá missa pelos mortos em combate.
À tarde, pelas 15 horas, decorrerá no castelo uma recriação das comemorações da vitória.
plb

Pinharanda Gomes, consagrado escritor e filósofo natural de Quadrazais, vai apresentar no sábado, dia 2 de Abril, pelas 14h30, no Auditório Municipal do Sabugal, o livro «Sabugal e as Invasões Francesas», que incluiu os textos que Paulo Leitão Batista publicou acerca do tema no Capeia Arraiana.

Sabugal e as Invasões FrancesasPinharanda Gomes, ele próprio um colaborador de longa data do blogue Capeia Arraiana, assinou o prefácio do livro, que para além de Paulo Leitão Batista, tem ainda como co-autores Manuel Francisco Veiga Gouveia Mourão e Joaquim Tenreira Martins.
O lançamento da obra conta ainda com a presença do editor, Joaquim Pinto da Silva, da editora Orfeu, com sede em Bruxelas.
O coronel Manuel Francisco Veiga Gouveia Mourão, especialista em História Militar, escreve sobre a Batalha do Sabugal, explicando os pormenores do combate entre o segundo corpo do exército francês, comandado por Reynier, e as tropas aliadas, comandadas por Wellington. O escritor e investigador Joaquim Tenreira Martins, natural de Vale de Espinho, aborda aspectos ligados à terceira invasão e à passagem das tropas por Riba-Côa. Paulo Leitão Batista, nascido no Sabugal, recuperando o essencial dos textos publicados no blogue, escreve sobre aspectos curiosos das invasões, nomeadamente acerca da passagem das tropas pelas terras raianas que actualmente formam o concelho do Sabugal.
Seguidamente ao lançamento do livro, dois dos seus autores, Paulo Leitão Batista e Joaquim Tenreira Martins, integrarão o painel de oradores do «Encontro Temático» dedicado às invasões, que a Câmara Municipal e a empresa Sabugal+ programaram para essa mesma tarde de 2 de Abril no Auditório Municipal.
aps

Fomos a Torres Vedras falar com o Coronel Manuel Francisco Veiga Gouveia Mourão, um dos autores do livro «Sabugal e as Invasões Francesas», que vai ser lançado no Sabugal no próximo dia 2 de Abril, por ocasião da evocação do bicentenário da Batalha do Sabugal. No livro o coronel Mourão descreve com grande minúcia essa última batalha com as tropas francesas em solo português, o que também serviu de mote para a animada conversa com o afável investigador.

– Foi o facto de ser militar a viver aqui em Torres Vedras, a cidade que deu o nome às linhas que defenderam Lisboa dos franceses, que o motivou a investigar e escrever acerca das invasões napoleónicas?
– Verdadeiramente eu nem sei bem como nasceu o meu gosto pela História mas, gostando deste ramo do conhecimento, é natural, pela minha profissão, que me interesse mais pela História Militar. Comecei por canalizar a minha atenção para o estudo da Primeira Guerra Mundial mas as comemorações do Bicentenário da Guerra Peninsular fizeram-me mudar de rumo. Esta é uma boa oportunidade para estudar este tema. Quanto à motivação para escrever sobre o assunto, essa é para mim uma consequência lógica da aquisição de conhecimentos. Estes terão de ser partilhados ou o trabalho de investigação (se é que o que eu tenho feito pode ser designado desta forma) torna-se inútil.
– Ao que sei trabalhou, enquanto oficial do exército, na área da História Militar, o que terá contribuído para aprofundar esse gosto pelo passado histórico.
– Isso é verdade. Em 1990 fui colocado na Escola de Sargentos do Exército onde exerci, entre outras funções, a de professor de História Militar. Antes disso, o meu contacto com a História Militar foi durante o Curso de Promoção a Oficial Superior, no IAEM, quando tive de apresentar um trabalho sobre as Linhas de Torres Vedras. Gostei de fazer o trabalho e a sua apresentação correu muito bem. Mais tarde, fui colocado na Direcção de História e Cultura Militar, onde terminei o serviço activo. Ali desempenhei várias funções e, a última, já na situação de reserva, tinha a ver com o estudo e divulgação da História e foi durante este tempo que decidi começar a publicar na Wikipédia os artigos sobre as batalhas em que participaram as forças portuguesas.
– E foi dessa forma que se deparou com a Batalha do Sabugal?
– Sim, o trabalho sobre a Batalha do Sabugal aparece no contexto de todo o trabalho que tenho desenvolvido. Esta batalha foi, na realidade, o último confronto importante, entre tropas anglo-lusas e tropas francesas, em território português. No entanto, quando Massena retirou deixou uma guarnição francesa em Almeida que só viria a abandonar Portugal alguns dias depois, numa fuga espectacular. Mas a Guerra Peninsular não termina com o fim das Invasões Francesas. Aliás, em 1812, Marmont entra em Portugal, embora por um curto período de tempo. Mas a Guerra Peninsular só termina em 1814, em França, e em todo este processo as tropas portuguesas são parte essencial do exército de Wellington. Mas, voltando à Batalha do Sabugal, procurei descrevê-la ao pormenor, a partir dos relatos que nos são apresentados pelos principais historiadores que escreveram sobre este tema: Napier, Oman e Fortscue. Nos trabalhos que tenho publicado sobre batalhas, para além dos antecedentes que nos permitem saber como se chegou aquela situação, tenho tido o cuidado de apresentar sempre dois elementos que me parecem fundamentais antes da descrição da batalha: o terreno onde se desenrola a batalha, e a composição das forças em presença. É muito difícil compreender qualquer descrição se não tivermos estes elementos presentes. Ao divulgar um texto sobre estes temas não estou a fazê-lo para quem conhece a organização militar, o que é uma divisão, uma brigada ou um batalhão.
– Descreveu e desenhou em croquis o próprio plano de Wellington para a batalha. Crê que ele pretendeu mesmo envolver e capturar o segundo corpo do exército francês, que estava na margem direita do Côa, um pouco acima do Sabugal?
– Como eu refiro no próprio texto (que irá ser publicado), não nos chega através dos autores que referi ou outros, uma clara definição do plano de Wellington. Fortescue e Charles Oman apresentam as intenções de Wellington de forma diferente. Li ambos os autores, verifiquei o terreno, através de mapas e croquis, vi a disposição inicial das forças e, perante isso, atendendo aos princípios doutrinários que se utilizavam (e utilizam) cheguei à conclusão que apresento. Se tudo fosse realizado de acordo com o que estava planeado, teria Reynier conseguido retirar? Se não conseguisse retirar, ofereceria resistência? E, se oferecesse resistência, teriam os outros corpos de exército, principalmente o oitavo, de Junot, oportunidade de intervir? São muitos «ses» que conduzem a raciocínios especulativos e esse não é, a meu ver, o trabalho do historiador.
– Mas Massena tinha outras forças muito perto, que podia enviar em socorro do segundo corpo. Será que Wellington não teve isso em conta?
– Repare que Wellington fixou o sexto corpo com a colocação de uma divisão na margem do Côa a sul do Sabugal. Por outro lado, utilizou as milícias de Trant e Wilson, a norte, ameaçando Almeida e fixando, desta forma, o nono corpo. O oitavo corpo estava recuado, em Alfaiates, muito maltratado. Fazer avançar essas forças em apoio do segundo corpo, de Reynier, significava para Massena aceitar outros riscos e ver a sua retirada cortada, não só para o segundo corpo mas para todo o Armée de Portugal. Wellington teve, certamente, isso em conta e, provavelmente, sabia que estava a correr riscos. Todas as operações militares envolvem riscos.
– À época, tendo em conta os meios de comunicação existentes, talvez fosse difícil ao comandante aliado ter conhecimento do real posicionamento de todas as forças inimigas…
– Existia um sistema de informações que funcionava. Forças de reconhecimento, os guerrilheiros ou a população, todos observavam e transmitiam o que viam. Existiam agentes no terreno em busca de dados que produzissem essas informações. Se olharmos para o dispositivo, não apenas das forças destinadas à batalha mas também que se destinaram a fixar os Sexto e Nono Corpos de Exército, vemos que Wellington tinha a noção clara da disposição das tropas francesas. De qualquer forma, os meios de comunicação poderiam facilitar, quando muito, o acompanhamento dos movimentos das suas próprias tropas. Mas, repare, a maior parte das fardas da época são bem coloridas. Os militares britânicos fardados de branco e vermelho são facilmente identificáveis no terreno. Na Roliça confundiram-se com as tropas suíças ao serviço dos franceses. As tropas ligeiras, como os Caçadores ou os «Rifles», utilizavam normalmente fardas com cor entre o castanho e o verde. Mas essas tinham, normalmente uma missão diferente e, para a cumprirem, deviam confundir-se o mais possível com o terreno.
– Tenho ideia de que Wellington era um general demasiado frio e calculista para se dar a uma aventura dessas, tendo por base o plano ousado que nos sugere.
– Wellington era de facto calculista, cauteloso, mas não deixava de mostrar audácia quando a oportunidade urgia. Sem essa audácia, Soult não teria sido expulso tão facilmente do Porto durante a segunda Invasão Francesa. Wellington soube sempre dar o devido valor ao terreno e aproveitar uma boa oportunidade para resolver a situação. Veja-se o desenrolar da Batalha de Salamanca, em que os exércitos inimigos observaram-se durante seis semanas e quando a oportunidade surgiu (também foi a necessidade de resolver a situação) Wellington atacou. Foi uma grande vitória. E actuava frequentemente com tropas numericamente inferiores às do inimigo. Em Fuentes de Oñoro, os aliados tinham menos 10 mil homens que os franceses. Wellington era um comandante que não fugia de se mostrar na linha da frente. Aliás, quando o seu prestígio era já muito maior que na época que estamos a tratar, Wellington utilizou a sua figura na linha da frente para influenciar as suas tropas e também as do inimigo. Foi assim em Sorauren, em Julho de 1813. Independentemente de tudo isto, Wellington terá cometido erros, como qualquer comandante. No campo da táctica, Napoleão é considerado um génio e cometeu erros…
– Ainda sobre a Batalha do Sabugal: concorda que foi porém o falhanço do plano de Wellington que ditou a vitória das forças anglo-lusas?
– Isso é especulação. Não o podemos afirmar dessa forma. O plano era plausível e pretendia alcançar um objectivo, porém algumas contrariedades, nomeadamente o nevoeiro cerrado e a consequente desorientação da força torneante, levaram à precipitação do combate. Na História, devemos procurar saber «como foi» e não «como seria se». Teria corrido bem se tudo se passasse como estava planeado? Não sabemos. Não se passou assim. Podemos, no máximo, procurar explicações para o que se passou. O que não se passou não existiu e o que não existiu não faz parte da História.
– Pelo que li da sua descrição da batalha, o desrespeito pelo plano deveu-se a erros de Erskine, o comandante interino da divisão ligeira, que fazia precisamente o tal movimento torneante a montante do rio Côa.
– Erskine comandava a divisão ligeira e a cavalaria. No comando da divisão ligeira substituía temporariamente Robert Craufurd. Erskine estava no exército de Wellington, não a pedido deste, pelo contrário. Charles Oman refere que a influência política de Erskine impediram Wellington de o enviar de volta para Inglaterra. Mas a verdade é que Erskine já tinha cometido erros, fez o que fez na Batalha do Sabugal e continuou no comando da divisão ligeira. O principal corpo de tropas sob o comando de Erskine era a divisão ligeira. Esta divisão tinha duas brigadas e isso significa que alguém tem que coordenar a acção das duas brigadas. Erskine, ao afastar-se com a cavalaria, deixou as brigadas por sua conta. Erskine foi uma figura muito polémica. Via mal e precisava que lhe indicassem a posição das tropas ao longe. O professor Charles Esdaile, autor de uma importante obra sobre a Guerra Peninsular, refere claramente o seu problema com a bebida. Outros referem a sua arrogância. É difícil saber o que há aqui de real ou de opinião mas é certo que foi uma figura polémica. Em resumo, na minha opinião, houve ausência de acção de comando por parte de Erskine.
– Massena terá dito mais tarde, em defesa da sua prestação em Portugal, que, tirando os canhões que deixou deliberadamente para trás durante a retirada, apenas perdeu para o inimigo uma peça de artilharia no Sabugal. Esse desejo de não deixar capturar peças e a inversa vontade de o conseguir, explicam essa disputa tão acirrada no Sabugal, por um simples obus?
– É sempre importante capturar artilharia ao inimigo. Impede-o de a utilizar contra a força que a capturou e isso é mais importante quando a artilharia não é numerosa. No entanto, o obus da Batalha do Sabugal, a sua captura, perda, recaptura, serve apenas para ilustrar melhor a forma como o combate se desenrolou, numa sucessão de ataques e contra-ataques, num terreno onde, no meio, tinha ficado um obus francês. Mais importante que perder um obus era deixar capturar o estandarte da unidade. O obus estava no local dos combates mas estes não se travaram por causa do obus.
– Voltamos a Massena, que elogiou Reynier pelo seu desempenho na Batalha do Sabugal, dado que conseguiu retirar em boa ordem, sem grandes perdas. Mas a verdade é que os franceses tiveram no Sabugal uma pesada derrota, não acha?
– Uma pesada derrota não significa necessariamente um mau desempenho do comandante ou das tropas derrotadas. Os franceses perderam a batalha, disso não há qualquer dúvida, porém temos de aceitar que Reynier teve o sangue frio suficiente para retirar de forma ordenada e de acordo com a doutrina táctica. Uma retirada perante um inimigo mais forte não é uma operação fácil nem do ponto de vista da execução táctica nem do ponto de vista do moral das tropas. Se não for executada com firmeza torna-se uma debandada o que significa, antes de mais, um número muito mais elevado de baixas. É normal darmos muita importância aos vencedores. Certamente será merecida e, neste caso, as tropas da divisão ligeira, foram merecedoras dos maiores elogios. Ficamos orgulhosos dos nossos batalhões de Caçadores, o 1 e o 3, que ali estiveram presentes. Com isto temos a tendência para ignorar ou depreciar o trabalho realizado pelos derrotados. Temos de ser cautelosos com este procedimento porque, ao estudarmos as retiradas de Soult ou de Massena no decorrer das segunda e terceira invasões francesas, temos de concluir que os soldados franceses eram bons soldados e os generais que os comandavam eram, em geral, grandes generais. O facto de terem sido aqui derrotados não lhes retira os méritos merecidos. Napoleão foi um grande general mas, por vezes, deu aos seus generais missões impossíveis.
plb

JOAQUIM SAPINHO

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