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As invasões francesas, cujo bicentenário se evoca, deixaram variadas marcas, dentre as quais alguns lugares comuns na nossa linguagem popular, de que são exemplos as conhecidas expressões: «ficar a ver navios», «ir para o maneta» ou «Portugal é Lisboa e o resto é paisagem».

Soldados FrancesesO lugar comum «ficar a ver navios», que se utiliza quando alguém fica desiludido, ou não consegue alcançar aquilo com que contava, teve origem na primeira invasão francesa de Portugal. Foi o general Junot, comandante das tropas invasoras, que viu frustradas as suas expectativas de aprisionar a família real portuguesa, ao ter chegado tardiamente a Lisboa em Novembro de 1807. Restou-lhe observar, do alto de Santa Catarina, os navios da armada que haviam acabado de zarpar do Tejo rumo ao Brasil, para onde foi transferida a corte portuguesa. Junot ficou assim a «ver navios», e a expressão acabou enraizada no léxico popular.
Outro lugar comum muito em voga é «ir para o maneta», expressão usada em sinal de perda irrecuperável. A mesma ficou associada ao mais atroz dos generais de França, de nome Loison, o qual esteve em Portugal nas três invasões. Loison perdera uma mão num acidente e era conhecido entre os portugueses como o general «Maneta», tendo ficado célebre pelas suas acções punitivas sobre a população sublevada. «Ir para o Maneta» era ir parar às mãos, ou melhor, à mão, do fatídico general, assim ficando a expressão no nosso léxico.
Há ainda um terceiro lugar comum que provém do tempo das invasões: «Portugal é Lisboa e o resto é paisagem». A frase é atribuída ao general Foy, o conhecido portador das mensagens de Massena para Napoleão Bonaparte, que passou várias vezes no Sabugal. Massena tinha a maior confiança em Foy, que era um bom conhecedor de Portugal, pelo que contava com os seus conselhos. Instado a pronunciar-se sobre o que seria a terceira campanha do exército francês, Foy não hesitou em dizer-lhe que Portugal era Lisboa e o resto paisagem. A frase foi premonitória, pois a avançada francesa só foi verdadeiramente travada às portas de Lisboa, devido às famosas Linhas de Torres Vedras, pelo que Massena terá compreendido por que razão em Portugal tudo era paisagem á excepção de Lisboa. Aliás Massena não chegou a conhecer as paisagens de Lisboa.
plb

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Loison foi um general e conde do Império Francês, que participou nas três invasões de Portugal. Ficou muito popular pelas piores razões, pois o povo, que o imortalizou como «Maneta», sofreu na pele os horrores do seu comportamento criminoso. Esteve acampado na Ruvina, no final da terceira Invasão.

Henri-Louis Loison nasceu a 13 de Maio de 1771, em Damvillers, filho de um deputado da Assembleia Constituinte. Alistou-se no exército aos 20 anos e passado um ano era tenente. Já capitão de hussardos, serviu na actual Bélgica, onde liderou o saque à célebre e riquíssima abadia de Orval, seu primeiro acto de grande atrocidade.
Promovido a general de brigada, participou na repressão da insurreição monárquica de 1795, sendo depois nomeado presidente do tribunal que condenou os cabecilhas da revolta.
Em 1799 serviu na Suiça, sob as ordens de Massena, que o promoveu a general de divisão. No ano seguinte participou na Campanha de Itália onde se bateu em batalha sob as ordens do marechal Ney.
Em 1806 perdeu o braço esquerdo num acidente de caça, o que o colocou fora do comando das tropas durante largos meses. Recuperado, participou no cerco de Colberg, na Alemanha, e foi nomeado governador de uma região do novo Reino da Vestefália.
Em finais de 1807, foi nomeado comandante da 2.ª divisão do Corpo de Observação da Gironda, que, sob o comando de Junot, invadiu Portugal. Foi o homem de mão de Junot para punir os actos de rebeldia dos portugueses. Isso é especialmente notório a partir de Maio de 1808, perante sinais de uma insurreição geral, o que levou Junot a encarregar Loison de expedições punitivas exemplares. Ocupou então diversas povoações portuguesas, de norte a sul, praticando todo o género de crueldades contra as populações, ferindo, açoitando e matando quem lhe surgisse pela frente. O povo chamava-o «Luisão» e «Maneta», ficando então a usar-se na linguagem popular o lugar comum «ir para o maneta», em analogia com o destino fatal de todos aqueles que o Maneta apanhava.
Finda a primeira invasão, Loison foi, em 1808, enviado para o corpo do marechal Soult, a quem Napoleão encarregou de uma segunda invasão, entrando pelo Norte. Bom conhecedor do País, Soult enviou-o por diversas vezes em campanha, a fim de pacificar zonas revoltosas ou para cobrir os movimentos do exército francês, continuando a praticar as suas malfeitorias sobre o povo.
Fracassada a segunda invasão, regressou a Espanha e, em 1810, esteve de novo ao comando de uma divisão, integrado agora no corpo de Ney, com o objectivo de entrar em Portugal, no exército de Massena. Loison combateu na batalha do Buçaco, ocupou diversas posições defronte das Linhas de Torres e evoluiu às ordens no movimento retrógrado. Massena vivia em conflito permanente com o fogoso Ney, que por sua vez detestava Loison. A rivalidade entre os marechais culminou na decisão de Massena destituir Ney do comando do 6º Corpo, em plena retirada, quando as tropas se encontravam em Celorico da Beira, tentando suster o avanço aliado.
Loison foi então escolhido para comandar o 6º Corpo, mas as tropas, que sempre tiveram Ney como herói, não se adaptaram ao novo comandante. Loison não tinha o carisma e a capacidade de comando do seu predecessor. O 6º Corpo, era a elite do exército invasor, que havia coberto toda a retirada desde Santarém, mas com Loison passou a ser uma estrutura pesada e difícil de movimentar.
Massena ordenou a Loison que ocupasse o vale do Côa, e a Junot e Reynier, os outros dois comandantes de corpo, que avançassem pelo Sabugal para sul, pretendendo relançar a invasão. Porém o atrito com Ney e a consequente demora na manobra do 6º Corpo fizeram fracassar este plano. Loison ocupa a margem direita do rio Côa, instalando-se na Ruvina, a partir de onde comandou os seus homens, com vista a garantir que as forças anglo-portuguesas não passassem o rio.
Entretanto Junot deixou Belmonte e Sortelha e recuou para Alfaiates, onde Massena estava instalado, e Reynier acampou no Sabugal, começando-se a desenhar um definitivo retrocesso dos franceses para Espanha. Wellington, à frente do exército anglo-luso, atacou Reynier no Sabugal, o qual esperou pelo socorro de Loison, que porém não foi capaz de lho prestar. Optou antes por levantar o acampamento e partir da Ruvina para Alfaiates, onde se juntou a Massena, daí recuando para Espanha.
A curta passagem de Loison pelo concelho do Sabuhgal, não deu azo a mais que os normais e puros actos de guerra, dentre os quais as acções de saque às populações a fim de garantir a subsistência do exército. Loison era um homem cansado da guerra, que transportava a fama terrível de general sanguinário e cruel. Porém não passava, nesse momento de uma sombra de si próprio.
Já acantonado em Espanha, pediu insistentemente uma licença, que acabou por lhe ser concedida, e abandonou o comando do corpo, regressando a França.
Em Maio de 1812 foi enviado por Napoleão para a campanha da Rússia, onde combateu abnegadamente.
Regressado a França em 1814, passou a comandante de uma região militar e, no ano seguinte, passou à disponibilidade. A queda de Napoleão fê-lo passar em definitivo à posição de reformado, indo viver em Liége, no recém-criado Reino dos Países Baixos, onde morreu em 30 de Dezembro de 1816, com apenas 45 anos.
Paulo Leitão Batista

Evoca-se agora o bicentenário da terceira Invasão Francesa, que se iniciou a 23 de Julho de 1810, com uma forte incursão da vanguarda do exército de Massena em terras portuguesas, junto a Almeida, e que terminou em 4 de Abril de 1811, após a decisiva Batalha do Sabugal. Por todo o País estão em curso, ou em preparação, iniciativas que evocam esse período terrível da nossa história.

Coube ao general Loison (o celebérrimo «Maneta»), à frente de 3000 homens de infantaria, apoiados por cavalaria e artilharia ligeira, comandar uma sortida de reconhecimento em território português, contornando o forte La Concepcion, parcialmente destruído pelos ingleses, e atravessando a fronteira em Vale da Mula.
No dia seguinte, 24 de Julho, o comandante do 6º Corpo, Marechal Ney, fez avançar mais soldados franceses para o território português e, passando ao largo da fortaleza de Almeida, deu combate às tropas do general Craufurd, que, contrariando as ordens de Wellington, se mantinha na margem direita do rio Côa, junto à ponte. A tropa inglesa tentou então a travessia para se concentrar na margem esquerda, em posição favorável, mas os franceses deram fogo e avançaram rapidamente, chegando-se a combater corpo a corpo.
Ney queria, num movimento rápido, impelir os anglo-portugueses para o escarpado onde o Côa corre, não lhes dando tempo para passarem a ponte. Mas Craufurd conseguiu colocar atiradores na margem esquerda do rio, que, bem posicionados, deram forte fuzilaria, assim cobrindo o movimento das colunas, que passaram o rio.
Com a Batalha do Côa o exército aliado recuou, desguarnecendo por completo a margem direita do rio, onde os franceses se movimentaram à vontade. Seguiram-se os trabalhos do bloqueio e do cerco a Almeida, com material pesado vindo de Ciudad Rodrigo. A praça defender-se acerrimamente, obrigando os franceses a cavarem fundas trincheiras e a instalarem baterias de artilharia para lhe abrirem brechas. Almeida capitularia a 28 de Agosto, após 12 dias de cerco e três de bombardeamento contínuo, que provocou a explosão do castelo, que servia de paiol, incidente tenebroso e fatal para os esforços de defesa.
Tomada Almeida, Massena ultimou os preparativos da a invasão, abastecendo o exército e concentrando todas as suas tropas na margem direita do rio Côa, entre o Sabugal e Almeida. O «Exército de Portugal», designação que Napoleão deu à força invasora comandada por Massena, apenas atravessou o rio Côa a 15 de Setembro, iniciando o movimento geral em direcção a Celorico com o intuito de atingir Lisboa pela estrada da Beira.
Durante o tempo em que os militares ocuparam a raia, o povo das nossas vilas e aldeias sofreu as atrocidades da soldadesca francesa. Face à absoluta falta de provisões, a população foi sucessivamente vítima de confiscos e rapinagens para abastecimento das tropas. Destacamentos de «forrageadores» percorriam as aldeias raianas em busca de cereais, carne, vinho, fruta, palha e feno. Surripiavam tudo o que encontravam e violentavam os que lhes fizessem a mínima oposição. Pelos campos da raia estava espalhado um exército de 60 mil homens e 15 mil cavalos, que tinha de ser alimentado todos os dias à custa da região.
Paulo Leitão Batista

Iniciamos aqui um novo «Arquivo Histórico» do Capeia Arraiana, dedicado às Invasões Francesas, com enfoque na terceira, que foi a que mais fez sofrer os povos da nossa região. Convidamos os leitores a enriquecerem este arquivo, enviando textos ou imagens relacionadas com as invasões.
plb

JOAQUIM SAPINHO

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