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Damos continuidade à apresentação do léxico com as palavras e expressões populares usadas na raia ribacudana.

CABAÇA – fruto da cabaceira, que era utilizado, depois de seco, como recipiente para o vinho.
CABAÇO – recipiente de lata afunilado que, preso a um cabo de madeira, era utilizado para tirar água dos poços ou presas.
CABANAL – alpendre; telheiro; coberto, onde se guarda feno, palha, lenha, alfaias agricolas e até animais. Em muitas terras dizem cavanal.
CABEÇADA – a cabeça e a papeira do porco; cabresto (Júlio António Borges).
CABEÇA DE ALHO – indivíduo pouco atinado; esquecido. Natural de Vilar Maior.
CABEÇA DE GATO – indivíduo natural de Vale das Éguas.
CABEÇA DE VENTO – indivíduo muito esquecido e distraído.
CABEÇAL – o m. q. timão ou cambão (Clarinda Azevedo Maia – Lageosa da Raia). Travesseiro (Clarinda Azevedo Maia – Fóios).
CABEÇALHA – extremidade dianteira do carro de vacas, à qual se atrelam os animais, através da canga ou do jugo.
CABEÇALHO – pequena armação de madeira, em forma de jugo, onde os animais metiam a cabeça quando eram colocados no tronco (Júlio António Borges).
CABEÇÃO – camisa ou blusa de mulher (Clarinda Azevedo Maia – Aldeia Velha).
CABECHE – lascas de determinada madeira, muito usada para tingir tecidos (Clarinda Azevedo Maia – Lageosa).
CABEÇO – elevação do terreno; pequeno monte com forte inclinação.
CABEÇUDO – teimoso; estúpido; que tem a cabeça grande. Girino – cria de rã em metamorfose: peixe cabeçudo.
CABIJAL – o m. q. timão ou cambão (Clarinda Azevedo Maia – Batocas).
CABOCO – abertura por onde entra a água do moinho (Franklim Costa Braga). O m. q. cubo.
CABO DE ORDENS – ajudante do regedor da aldeia. Os cabos de ordens eram escolhidos pelo regedor entre os rapazes com o serviço militar cumprido, não podendo recusar-se a servir. Tinham por missão auxiliar o regedor na manutenção da ordem, na execução de detenções, na guarda e condução dos detidos à vila para serem presentes á Justiça. «Dois cabos de ordens, com trabucos de caça, vestidos, salvo a calça trazida do casão, à serrana, na cabeça bonés redondos de pele de raposa, fazem guarda ao ergástulo em que foi lançado Evaristo» (Aquilino Ribeiro, in «Tombo no Inferno».
CABO DOS TRABALHOS – tarefa difícil. Pessoa que trabalha demasiado.
CABRA – rapariga vadia (Francisco Vaz). Mancha vermelha nas pernas das senhoras, causada pelo calor da lareira. O m. q. cabrada.
CABRADA – ferida nas pernas provocada pelo calor da lareira (Clarinda Azevedo Maia – Aldeia da Ponte). O m. q. cabra.
CABREADO – enervado, furioso.
CABREIRA – lagartixa que é vermelha na parte inferior (Clarinda Azevedo Maia – Batocas).
CABREIRO – indivíduo natural de Pousafoles.
CABRESTO – arreio de couro, com que se seguram as cavalgaduras pela cabeça. Vaca de manada. Clarinda Azevedo Maia refere: liga usada pelas paengas (mulheres de El Payo – Espanha) para segurar as meias.
CACA – excremento; porcaria; imundice (linguagem infantil).
CACADAS – brincadeira do Entrudo, em que os rapazes atiravam para dento das casas cacos de barro, bogalhas, caldeiros velhos, enervando os moradores. O m. q. bogalhas (Franklim Costa Braga), bogalhadas (Júlio Silva Marques) e paneladas.
CAÇANHO – que tem jeito e propensão para a caça. Gatos caçanhos.
CAÇAPO – chifre de vaca com pega de cabedal, dentro do qual o gadanheiro guarda a pedra de aguçar a gadanha. Na cheda dos antigos carros de vacas, com eixo de pau, dependurava-se um caçapo com azeite para untar (com recurso a uma pena) o eixo, evitando que a fricção da madeira provocasse incêndio. Coelho bravo pequeno; láparo; lapouço. Jogo tradicional (Célio Rolinho Pires).
CACETEIRO – indivíduo natural de Santo Estêvão (Clarinda Azevedo Maia, que registou o termo malta dos caceteiros).
CACHA – talhada de melão ou de melancia. Também se diz carcha.
CACHAÇADA – pancada no cachaço.
CACHAÇO – parte posterior do pescoço. Aperto-te o cachaço.
CACHAL – socalco; batorel (Júlio António Borges).
CACHAPORRA – moca; pancada com moca.
CACHAPUZ – voz imitativa de queda violenta (onomatopeia).
CACHARRO – copo – cacharro de vinho. Tacho de barro de pequenas dimensões (Duardo Neves). Alguidar (Maria José Bernardo Ricárdio Costa ). Jarro pequeno (José Prata). Peça de louça partida ou rachada (Júlio António Borges). Vaso de louça; vasilha; louça velha (Clarinda Azevedo Maia). Do Castelhano: cacharro.
CACHEIRA – grande moca de madeira. Ir para a cacheira: forma suave de mandar alguém para sítios desagradáveis (Júlio Silva Marques). Mais a Sul (Monsanto) designa o ramo de alfazema seca com que se perfumam as roupas nas arcas (Maria Leonor Buescu).
CACHEIRADA – mocada; pancada com cacheira – os rapazes davam cacheiradas no toco de Natal, medindo forças. Bofetada com a costa da mão (Carlos Guerra Vicente).
CACHENÉ – grande lenço de abafo; cachecol (Franklim Costa Braga).
CACHIMÓNIA – cabeça. «Que me havia de dar na cachimónia?» (Joaquim Manuel Correia).
CACHO – bocado; pequena porção.
CACHOILO – alguidar de barro (Clarinda Azevedo Maia – Forcalhos).
CACHONDA – cadela com o cio.
CACHOPA – rapariga; moça.
CACHOPO – rapaz novo, que ainda não atingiu a puberdade.
CACHUCHO – trasfogueiro ou cães da chaminé (Clarinda Azevedo Maia – Forcalhos) – travessão de ferro a que se apoiam os paus da lareira.
CACO – carinho; mimo – menino do caco. Cabeça; juízo. Vaso de barro para flores.
CAÇO – malga ou tigela de barro, com asa. Clarinda Azevedo Maia traduz: espécie de tacho ou frigideira com cabo comprido.
CAÇOADA – troça; gozo. Estavam na caçoada.
CAÇOAR – fazer troça; gozar com alguém.
CAÇOILA – pequeno caço, malga ou tigela de barro, geralmente com pequena asa. Clarinda Azevedo Maia diferencia caçoila de caçoilo, dizendo ser este último menos largo. Maria Leonor Buescu (linguagem de Monsanto) refere caçola.
CADABULHO – porção de terra ao cimo e ao fundo da torna, onde o arado não chega e é necessário cavar ou lavrar perpendicularmente – fazer o cadabulho. Joaquim Manuel Correia refere cadavulho.
CADEIAS – corrente de ferro, que une peças em forma de 8, com um gancho na extremidade, que se suspende no interior da chaminé para suportar caldeiros e panelas sobre o lume. Também se diz gramalheira e lares.
CADELO – cão pequeno. Dito desprezível: És um cadelo!
CADILHO – atilho; cordel. «O dono da casa cortou o cadilho de uma grossa chouriça» (Joaquim Manuel Correia).
CAGAÇO – medo; susto.
CAGAITA – impostura; fita (Júlio António Borges).
CAGANEIRA – diarreia.
CAGANITA – excremento de cabra ou ovelha.
CAGANITO – homem muito baixo.
CAGÃO – medroso.
CAGAROLA – medroso.
CAGOTE – pescoço; cachaço – carregar no cagote (Rapoula do Côa). Do Castelhano: cogote (nuca). Medo, receio – tens é cagote.
CAGUINCHAS – cagarola; medroso.
CAGULO – cogulo; montículo acima da medida. De cagulo: bem cheio. Faço-te um cagulo na testa: dou-te uma pancada (que provocará um galo).
CAIADA – bengala – termo da gíria de Quadrazais (Franklim Costa Braga).
CAIADO – pinto – termo da gíria de Quadrazais (Nuno de Montemor).
CAIBRAL – prego grande, próprio para espetar em caibros.
CAIBRO – cada um dos paus grossos que ligam a parede lateral à trave cumieira de uma casa e sobre os quais assentam as ripas (tábuas mais finas).
(Continua…)
Paulo Leitão Batista, «O falar de Riba Côa»

leitaobatista@gmail.com

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Damos continuidade à apresentação do léxico com as palavras e expressões populares usadas na raia ribacudana.

AUGA – água.
AUGADO – insatisfeito; desiludido; que tem auguamento. Também se diz ógado. Júlio Silva Marques fala em aguado e em ougado, como aquele que ficou com vontade de uma coisa.
AUGAR – desejar ardentemente. Tirar água para rega (Francisco Vaz). Também se diz ogar.
AUGARRADA – aguaceiro; chuva súbita (Clarinda Azevedo Maia – Lageosa da Raia).
AUGUADEIRA – água da chuva que cai dos beirais das casas (Clarinda Azevedo Maia – Lageosa da Raia).
AUGUAMENTO – doença originada por um desejo alimentar insatisfeito. Vitor Pereira Neves, Joaquim Manuel Correia e Maria Leonor Buescu escrevem aguamento. Para se evitar o auguamento dos animais devem-se convidar, dando-lhes uma pequena porção de alimento, sempre que o dono verificar que ficaram com vontade de comer. Também a mulher que está gestante não deve deixar de provar uma iguaria, sempre que a vê comer a outra pessoa.
AUGUEIRA – canal por onde corre a água da rega. O m. q. regadeira (Clarinda Azevedo Maia – Forcalhos).
AVARANGAR – abanar com o peso. «As pernas avaramgavam como ramos de giestas» (Abel Saraiva). Clarinda Azevedo Maia também recolheu a expressão, mas com a alteração fonética: abrangar.
AVARICIOSO – avarento. Clarinda Azevedo Maia, que reporta o termo a Aldeia da Ponte, respeita a alteração fonética usual da consuante v: abaricioso.
AVECA – aiveca; cada uma das duas peças do arado que viram a terra, formando do rego. Júlio Silva Marques refere abecas e Júlio António Borges aibecas.
AVEJÃO – pessoa, ou cão pequeno, que toma ares de mais avantajado; pessoa encorpada (Júlio António Borges).
AVÉ-MARIAS – toque do sino em saudação da Virgem Maria, convidando a rezar: de manhã, ao meio-dia e ao sol posto (ao último toque, o do anoitecer, chama-se Trindades).
AVENTAL – resguardo de pano que as mulheres se coloca sobre a saia para a protegerem. Os ferreiros usam também um avental em couro para protecção das faúlhas expelidas pela frágua.
AVENTAR – deitar fora. Deitar abaixo: aventou com ele no chão. Júlio Silva Marques e José Pinto Peixoto referem avantar.
AVESSEIRA – encosta onde bate pouco o sol (lado Norte). A avesseira é menos própria o bom desenvolvimento das culturas agrícolas.
AVESTRUZ – mulher alta e desajeitada – termo depreciativo (Júlio António Borges).
AVEZADO – habituado. Bem avezado – bem educado. Clarinda Azevedo Maia recolheu a expressão com alteração fonética: abezado.
AVEZAR – tomar vezo; habituar; acostumar.
AVIADO – pronto; preparado. Clarinda Azevedo Maia recolheu em Aldeia do Bispo a expressão com alteração fonética: abiado, que traduziu por «informado» – mal abiado: enganado, mal informado.
AVIAR – despachar; seguir depressa. Ir aviar-se: fazer as necessidades fisiológicas.
AVINAGRADO – ébrio; bêbado; quezilento. «O vinho tornava-o avinagrado por dentro, fazendo a vida negra à mulher» (Manuel Leal Freire).
AVINHADO – que bebeu vinho em excesso; bêbedo.
AVINHADURA – primeira moedura que se faz, em cada ano, no lagar de azeite (Júlio António Borges).
AVINHAR – beber vinho em excesso; embebedar.
AVOANTA – perdiz; ave de caça; galinha; mosca – termo da gíria de Quadrazais (Franklim Costa Braga).
AZADO – jeitoso; adequado; propício; cómodo. Costuma dizer-se azadinho: Que sacho tão azadinho. «Preparou-se sítio azado para se apear» (Joaquim Manuel Correia).
AZÁFAMA – trabalho muito movimentado, com muita pressa.
AZAGAL – zagal; rapaz do gado. Moço de recados (Júlio António Borges).
AZAGUEIOS – berros e assobios que de noite os rapazes fazem às noivas, a avisá-las de que vão falar com elas a casa. «Ih! Ghi! Ghi! / Ah! Gha! Gha! / Oh! Gho! Gho!. Vozes estrídulas e arrastadas, em falsete, assobios agudos e cortantes, exclamações anasaladas de apupo e ameaça, lamentos cavos de anseios bárbaros». (Nuno de Montemor referindo-se aos azagueiros proferidos pelos moços de Quadrazais).
AZAMEL – mandrião; atado; preguiçoso; lento.
AZANGADO – vergado com o peso que transporta; muito carregado (Joaquim Manuel Correia). Vai azangadinho de todo.
AZEDA – planta que cresce espontânea nos lameiros, de sabor ácido, com a qual se faz sopa e salada.
AZEITEIRA – almotolia do azeite (Clarinda Azevedo Maia).
AZEITEIRO – chifre adaptado a frasco, de pregaria em volta da boca e tampa de cortiça, com uma mistura de óleos para untar, e que era acessório da gadanha (Manuel Leal Freire); o m. q. caçapo. Vendedor ambulante que nada pelas aldeias.
AZÉMOLA – mandrião; parvo; estúpido. Besta de carga.
AZERVE – carreiro feito no mato para caçar perdizes a laço (Meimão).
AZEVÉM – planta daninha que cresce entre o centeio (Nuno de Montemor).
AZIADO – aziago; azar; mau agouro. «Nascido no dia de Entrudo, um dia aziado» (Carlos Guerra Vicente).
AZIAR – instrumento em forma de tenaz, usado para aperta os beiços das bestas, de forma a mantê-las quietas enquanto são ferradas.
AZO – jeito; facilidade. Ter azo para…
AZOADO – atordoado; entontecido.
AZOAR – atordoar; entontecer.
AZORRADOR – rodo com que se puxa a cinza do forno (Clarinda Azevedo Maia – Aldeia do Bispo).
AZORRAGUE – chicote (José Pinto Peixoto).
AZORRAR – juntar o cereal depois de malhado e separado da palha; varrer o forno antes de meter o pão; alizar o cereal nas medidas com o rasoiro; varrer o chão com as saias (Clarinda Azevedo Maia).
AZUCRINAR – aborrecer; chatear; fazer perder a paciência; entontecer (Bismula).
AZURZILHADO – batido pelo vento (Júlio António Borges).
AZURZILHAR – fustigar; bater (Júlio António Borges).
(Continua…)
Paulo Leitão Batista, «O falar de Riba Côa»

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Damos continuidade à apresentação do léxico com as palavras e expressões populares usadas na raia ribacudana.

APAGA-LUME – pirilampo (Francisco Vaz).
APAJEAR – adular; lisonjear; dar mimos.
APALPADEIRA – mulher ao serviço da Guarda Fiscal, que fazia despir as mulheres contrabandistas para as revistar. «Levava-a ao posto da Lageosa, para que a apalpadeira a visse» (Nuno de Montemor).
APANHA – colheita. Apanha da castanha.
APANHAR – fazer a colheita ou a apanha.
APARADOR – homem que, na apanha da azeitona, a deita dos cestos para os sacos (Clarinda Azevedo Maia – Vale de Espinho).
APARELHAR – colocar os arreios às cavalgaduras; arrear.
APARELHO – albarda. Clarinda Azevedo Maia traduz assim: manta ou saco com que se cobre a albarda (Aldeia da Ponte). Nas Terras do Campo (Monsanto) além de arreio designa amojo dos animais (Maria Leonor Buescu).
APARRINADO – adoentado; amofinado; entristecido (José Pinto Peixoto).
APARTAR – separar; escolher; afastar. «Aparte-se um bocadinho, para olhar de mais longe esta beleza» (Nuno de Montemor).
APARTO – escolha e separação dos touros para a tourada.
APATANHAR – pisar; destruir com o andamento. «O gado bravo fugia das herdades espanholas para terra portuguesa, apatanhando as colheitas» (José Prata). Duardo Neves refere apatunhar, que traduz como: «atropelar com as patas – relativo a animais de grande porte».
APEAÇA – correia para jungir as vacas à canga. Para jungir ao jugo é usada a soga.
APEAR – pear; colocar peias: atar as patas dianteiras do cavalo.
APEADO – preso com peias.
APEGUILHAR – comer pão com peguilho (ou conduto).
APEIAS – peias; corrente de ferro com que se atam as patas das cavalgaduras.
APEIRADOR – o m. q. aparador (Clarinda Azevedo Maia – Fóios).
APELAZAR – apalpar; tactear. (Joaquim Manuel Correia).
APERALTADO – bem vestido.
APERNAR – prender pelas pernas; atar as patas das ovelhas para a tosquia. Bom enraizamento dos cereais (Duardo Neves).
APERREAR – fazer troça; insultar.
APESSOADO – de boa aparência; circunspecto.
APESTAR – exalar mau cheiro: cheira mal que apesta. Também se diz empestar.
APESUNHAR – espezinhar; andar sobre terras cultivadas (José Pinto Peixoto).
APIAR – prender; atar os braços e as pernar de uma criança (Clarinda Azevedo Maia – Aldeia do Bispo): o m. q. apear.
APICHAR – acender o lume; atiçar ou açular o cão. Levantar falsos testemunhos a alguém (Clarinda Azevedo Maia – Forcalhos).
APILHAR – a comida conter sal em demasia. Agarrar; alcançar: aqui te agarro, além te apilho. Mais a Sul (Monsanto), significa atirar pedras a alguém (Maria Leonor Buescu).
APISTADEIRA – fisga (José Prata).
APISTAR – acertar, ter boa pontaria (José Prata).
APLICAR – trabalhar muito depressa; comer à pressa (Clarinda Azevedo Maia – Aldeia do Bispo).
APONTAR – afiar; aguçar; fazer ponta. Apontar a relha – aguçar a relha do arado (Clarinda Azevedo Maia).
APORTEIRAR – gritar (Franklim Costa Braga).
APREGOAR – anunciar; fazer ler os pregões, ou banhos, anunciadores de casamento.
APREGUEJAR – praguejar, rogar pragas; blasfemar (José Pinto Peixoto).
APRISCO – cancelas onde se recolhe o gado; bardo (também se diz prisco). Júlio António Borges, de Figueira de Castelo Rodrigo, traduz de forma diferente: local separado, no redil, onde as ovelhas são ordenhadas.
APROCHEGAR – aproximar; chegar para perto.
APUCARAR – amealhar; guardar (Júlio António Borges).
APULAR – apanhar ou conter algo que vem pelo ar. Apular o cântaro: costume da Páscoa em que rapazes e raparigas seguem cantando a atirar um cântaro de uns para os outros. José Prata chama-lhe jogo do cântaro.
APUNHAR – tomar a massa nas mãos para dar forma aos pães (Clarinda Azevedo Maia – Fóios).
AQUENTAR – aquecer; estimular – não me aquenta nem me arrefenta.
AR – mal que provoca, nas crianças, um aspecto adoentado e amofinado, definhando continuamente, sem haver razão evidente. Se não for atalhado o doente pode ficar tísico. «Se, num prato com água, o azeite se espalhava era porque a criança tinha um ar, que devia de ser, logo, atalhado. Para atalhar um ar fazia-se um defumadoiro» (José Pinto Peixoto).
A RABO DE – atrás de… «Vem a rabo de mim» (José Manuel Lousa Gomes).
ARADA – terra lavrada.
ARADO – utensílio da lavoura para lavrar a terra. O tradicional é conhecido por arado de pau, é do tipo radial e é constituído pelas seguintes peças, segundo Manuel Santos Caria: sega, teiró, rabeca, avecas, mexilho, relha, tamão, pescunhos ou cunhas e chavelha (acessório). Já segundo Clarinda Azevedo Maia as peças são: rabela, tamão, tairó, traitora, mexilho, torno, prego, dente.
ARADO DE CEGA – arado equipado com uma cega, ou lâmina de ferro, a qual encaixa no toiró, variando a sua posição com o sentido da torna, de forma a cortar e virar a leiva para o lado da arada (Jarmelo).
ARADO ESPANHOL – arado com camba curta, que se prende ao timão por intermédio de duas argolas de ferro e cunhas de madeira (pescunhos).
ARANCOTAR – pavonear; ostentar (José Prata).
ARANCU – pirilampo. Joaquim Manuel Correia refere o termo arancu sem asas. Em Alfaiates Francisco Vaz chama-lhe apaga-lume. Clarinda Azevedo Maia refere: arancu, bicho da seda, bicho qu’alumia, bicho-arancu, sarançum saranrum, luzinha, vaga-lumo, pastorzinho. Nas terras do Campo (Monsanto) dizem arancum (Maria Leonor Buescu).
ARANHEIRA – teia de aranha.
ARANHÃO – pessoa atada, sem acção, sem destreza. «Sempre me saistes uns aranhões!…» (Abel Saraiva).
ARANZEL – pessoa ou coisa frágil (Júlio António Borges).
ARAVIAS – habilidades sem valor (José Pinto Peixoto).
ARCA – grande caixa rectangular de madeira, com o interior dividido em compartimentos, onde se guardavam os cereais. Também havia a arca salgadeira, para conservação da carne do porco, e as arcas para guardar a roupa.
ARCÁDIAS – argolas que as mulheres usam nas orelhas. Também se diz arrecádias e arrecadas.
ARCAZ – arca grande (Júlio António Borges).
ARCO-CELESTE – arco-íris (Clarinda Azevedo Maia). Em muitas terras diz-se arco-celestre.
ARCO DA VELHA – arco-íris (Franklim Costa Braga). A expressão histórias do arco da velha, designa narrações fantasiosas.
ARCO DA VIRGEM – arco-íris (Clarinda Azevedo Maia). Em muitas terras diz-se: arco da birge.
ARCO DE NOSSA SENHORA – arco-íris (Clarinda Azevedo Maia – Cerdeira do Côa).
ARCO-ÍRIS – meteoro luminoso, que apresenta as sete cores do espectro solar. Esta expressão era apenas usada pelas crianças, pois os mais velhos usavam outras variantes, como atrás se disse: arco-celeste, arco da velha, arco de Nossa Senhora, arco da Virgem.
ARÇOLHO – armadilha de caça, formada por tábuas moveis que cobrem um buraco feito no solo (Carlos Alberto Marques). A perdiz, ao pisar a tabuinha cai na cova, que a tábua volta a fechar.
ARCOSO – anel – termo da gíria de Quadrazais (Nuno Montemor).
ARDOSA – aguardente – termo da gíria de Quadrazais (Nuno de Montemor)
AREIA – palerma; tonto. «És um areia» (Clarinda Azevedo Maia).
ARELO – tira de pano que segura o arméu de estopa à roca – as estrigas de linho eram seguras pelo cartapel (Manuel Santos Caria).
ARENGAR – fazer arenga; falar demoradamente e de forma enfadonha. O que estás para aí a arengar? Vitor Pereira Neves traduz por: resmungar; José Prata por: discursar, beldar, rezingar; Júlio António Borges por: falar sem interesse para quem ouve.
ARESTA – miolo da planta do linho, que se retira ao longo das várias fases da sua preparação até que fica a estriga de linho puro.
ARESTO – solução perante uma dificuldade. Não dar aresto: não encontrar caminho ou solução (Júlio Silva Marques).
ARGADILHO – rodízio usado para dobar o linho; dobadoura (José Pinto Peixoto).
ARGANEL – arame que se coloca no focinho dos porcos para que não revolvam palha da cama.
ÁRGIO – dinheiro (em moeda ) – termo da gíria de Quadrazais (Franklim Costa Braga).
ARGOLADA – pancada com a aldraba na porta; asneira.
ÁRIA – aspecto; fisionomia.
ARIADO – palerma; tonto (Clarinda Azevedo Maia).
ARICAR – passar o arado para remover as ervas daninhas. Segundo Francisco Vaz, também significa dizer asneiras.
ARIOSCA – tramóia; armadilha (Júlio António Borges).
ARMAÇÃO – esqueleto.
ARMAR-SE UMA TROVOADA – o tempo dar mostras de trovoada eminente – estando muito calor, o céu ficou escuro, cor de chumbo.
ARMAS DA GADANHA – cabo de madeira que se adapta à folha da gadanha. Em Vale de Espinho dizem armes, segundo Clarinda Azevedo Maia.
ARMÉU – porção de linho que vai de uma vez à roca para fiar. Manuel Santos Caria escreve ármeo e armo. Júlio Silva Marques e Clarinda Azevedo Maia escrevem ármio.
ARNAZ – robustez; força. «Vejo que estás com bom arnaz, homem» (Carlos Guerra Vicente).
AROLAS – pessoa sem préstimo, reles.
ARPALHÃO – pessoa sem jeito (Júlio António Borges).
ARQUEJO – alqueire – termo da gíria de Quadrazais (Nuno de Montemor). Franklim Costa Braga refere arquerio.
(Continua…)
Paulo Leitão Batista, «O falar de Riba Côa»

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Damos continuidade à apresentação do léxico com as palavras e expressões populares usadas na raia ribacudana.

ALÇAPÃO – abertura no soalho com tampa levadiça que dá acesso à corte (estábulo) dos animais.
ALCAPARRA – azeitona curtida depois de se lhe retirar o caroço (Júlio António Borges).
ALÇAPREMA – barra de ferro para levantar pesos; alavanca.
ALÇAR – erguer; levantar. Alçar a pata: diz-se do cão quando urina. Júlio António Borges acrescenta: «na agricultura designa o trabalho do arado, ou da charrua, preparando a terra para nova sementeira; a primeira volta no cultivo dos cereais».
ALCATRUZ – cada um dos recipientes de latão que compõem a nora de tirar água, também chamados copos.
ALDEAGA – vadio; estroina; pessoa de carácter alegre e folgazão, que não pára quieta (Júlio Silva Marques). Trapalhão (José Prata). O m. q. adrega (Manuel Leal Freire). Também se diz aldeagante.
ALDONAIRO – peça de vestuário mal feita (Júlio António Borges).
ALDRA – mentira.
ALDRABA – argola de ferro para puxar e bater à porta. Júlio António Borges, de Figueira de Castelo Rodrigues, refere aldrave.
ALDRABÃO – mentiroso; intrujão.
ALDRABAR – mentir; enganar.
ALDRÁCIA – recompensa; reconhecimento. Não ter as aldrácias: não se obter um gesto de reconhecimento após prestar um favor a alguém (Júlio Silva Marques). Esperteza; habilidade; manha (Duardo Neves).
ALDRÚVIA – aldrabão; vigarista (José Pinto Peixoto). Os dicionários registam aldrúbio.
ALECRIL – alecrim (Clarinda Azevedo Maia, que também regista alicril).
ALEGUME – feijão – termo da gíria de Quadrazais (Franklim Costa Braga).
ALEIJÃO – entalão; fractura; lesão.
ALETRIA – doce feito com leite, massa delgada e açúcar.
ALEVANTO – acto de erguer da cama; hora de levantar. Andou de alevanto: teve diarreia durante a noite.
ALFAIATE – insecto, que anda sobre a água.
ALFOBRE – viveiro de plantas hortícolas, para transplantar.
ALFORGE – saco duplo que se põe sobre as cavalgaduras para transporte. Normalmente é feito com farrapos.
ALFORJADA – roupa velha que é costume vestir no dia de Entrudo (Clarinda Azevedo Maia – Aldeia do Bispo).
ALGARAVIADA – conjunto de vozes confusas e desacertadas (Carlos Guerra Vicente).
ALGEIRÁS – pessoa má (Júlio António Borges, que também regista aljaraz).
ALGUEIRO – argueiro; cisco que entrou para o olho. Vês os algueiros nos olhos de outros e não vês as trancas nos teus.
ALIFANTES – olhos – termo da gíria de Quadrazais (Franklim Costa Braga).
ALIMAL – animal; besta; homem estúpido (Francisco Vaz).
ÀLIMO – olmo (Clarinda Azevedo Maia).
ALÍMPIO – azeite – termo da gíria de Quadrazais (Nuno de Montemor).
ALIMPIOSA – azeitona – termo da gíria de Quadrazais (Nuno de Montemor).
ALINHAR – temperar ou adubar as comidas (Carlos Alberto Marques).
ALIPANTES – olhos – termo da gíria de Quadrazais (Nuno de Montemor).
ALJAROZ – casa velha e abandonada (Clarinda Azevedo Maia – Fóios).
ALJUBAR – dar para muito; surdir; render (José Prata).
ALJUBE – casa sem luz, sem condições; pardieiro (Júlio Silva Marques).
ALMA DE CEVADA – alcunha que se dava aos judeus (Júlio Silva Marques).
ALMA PENADA – alma que se extraviou e que vagueia pelo mundo. Uma alma penada é um risco para a sociedade, pela sede de vingança e pelo comportamento agressivo que pode ter, daí serem muito temidas pelas pessoas.
ALMAREADO – tonto; maluco (Fóios).
ALMÁRIO – armário (Franklim Costa Braga).
ALMAS DO PEDITÓRIO – objecto de madeira para onde se recolhem as esmolas nas missas (António Cerca).
ALMEIRÃO – planta espontânea (chicória brava), de que se fazem vassouras para limpar o pão nas malhas. O m. q. coanha.
ALMEIRO – leite – termo da gíria de Quadrazais (Nuno de Montemor). Segundo Franklim Costa Braga, também se dizia almerio.
ALMENDRA – amêndoa (Júlio António Borges).
ALMINHA – cruz ou nicho escavado em rocha, que assinala lugar de devoção, geralmente ao redor dos caminhos. Junto à alminha o viandante deve rezar uma oração pelas almas do purgatório. No plural também significa objecto, geralmente de madeira, para onde se recolhem as esmolas nas missas (Maria José Ricárdio Costa), que também se designa por almas do peditório (António Cerca).
ALMOFIA – prato de grandes dimensões, quase alguidar (Vitor Pereira Neves). Quase terrina (acrescenta José Pinto Peixoto).
ALMOTACEL – inspector camarário de pesos e medidas.
ALMOTRIA – almotolia (Francisco Vaz). Recipiente em folha de zinco, de forma cónica usado para guardar o azeite na cozinha, pronto a temperar as comidas. Duardo Neves refere almetria. Clarinda Azevedo Maia acrescenta ainda almotoria. Na linguagem de Monsanto diz-se almetoria (segundo Maria Leonor Buescu)
ALMUDE – medida de 28 litros (no concelho do Sabugal e demais Riba Côa). A medida do almude varia conforme a região do País, equivalendo, na maior parte delas, a 24 litros (12 canadas).
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Paulo Leitão Batista, «O falar de Riba Côa»

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Damos continuidade à apresentação do léxico com as palavras e expressões populares usadas na raia ribacudana.

AGUILHADA – vara com ferrão na extremidade, própria para picar as vacas. Medida de comprimento, correspondente a 19 palmos (significado colhido por Clarinda Azevedo Maia na Lageosa da Raia).
AICHE – pequeno ferimento (linguagem infantil); o m. q. farraiche. Muitos autores escrevem aixe e axe.
AIDRO – adro, terreiro à volta da igreja. O povo ajuntou-se no aidro.
AJAVARDADO – sujo; grosseiro (de javardo: javali).
AJAVARDAR – sujar; fazer mal; estragar. Ajarvadou o trabalho.
AJOUJADO – muito carregado; cansado.
AJOUJAR – carregar muito, fazer cansar. Júlio António Borges dá o significado de: juntar.
AJUSTAR – contratar; combinar a prestação de um trabalho e a sua contrapartida.
AJUSTE – contrato de trabalho. Andar de justo: trabalhar sob contrato.
ALA – interjeição que indica pressa. Ala, que sa faz tarde!. Joaquim Manuel Correia traduz por levantar chama: «o lume tomou ala».
ALABARDA – pau enfeitado, usado nas touradas pela mordomia quando pede a praça. Bandeiras usadas nas festas do Espírito Santo, em algumas terras; o m. q. labarda. «Era constituída por duas bandeiras, ambas em forma de galhardete, e cujos panos de uma forma quadrada, eram constituídos por retalhos quadrados de cores, em que predominava o vermelho, o amarelo e o verde e por um ceptro, de pau alto, encimado por uma cruz, em torno da qual se colocavam cravos e manjericos, a modos de enfeite» (Pinharanda Gomes).
ALABARDEAR – manejar a alabarda, agitando as bandeiras a pulso, até ao cansaço (Pinharanda Gomes). Também se diz labardear.
ALACRÁRIO – lacrau; escorpião (Vitor Pereira Neves, de Sortelha). Júlio Silva Marques, de Vilar Maior, escreve alecral. José Prata, de Aldeia da Ponte, refere lacrário. Júlio António Borges, de Figueira de Castelo Rodrigo, refere alacrairo e alacrau.
ALACRÊNCIA – miriápode; centopeia (Vitor Pereira Neves).
ALAFRAU – patife (Júlio António Borges).
ALAGADEIRA – mulher desgovernada, incapaz de gerir a casa; gastadora (Júlio António Borges).
ALAGOA – lagoa (Duardo Neves).
ALAGOSTA – mulher que esbanja; o m. q. alagadeira.
ALAGOSTAR – esbanjar (José Pinto Peixoto).
ALAMAR – enfeite no vestuário (Júlio António Borges).
ALAMBA – resina (Joaquim Manuel Correia).
ALAMBAZADO – cheio; farto; que comeu em excesso; que encheu o odre.
ALAMBAZAR – comer em excesso.
ALAMBRAR – atiçar a chama – lambra (José Pinto Peixoto).
ALAMPIÃO – lampião, candeeiro grande (Francisco Vaz).
ALÂMPIO – azeite – termo da gíria de Quadrazais (Franklim Costa Braga).
ALAMPIOSA – azeitona – termo da gíria de Quadrazais (Franklim Costa Braga).
ALANCAR – carregar excessivamente; vergar com o peso. Também diz alangar, segundo José Prata. Por sua vez Júlio António Borges traduz por: «ir-se embora».
ALANGOSTA – pessoa que come demais; lambão (Clarinda Azevedo Maia).
ALANTERNA – lanterna; candeia que acompanha os funerais (Franklim Costa Braga).
ALANZOAR – dizer coisas à toa; falar muito. «E tu a alanzoar que estou bêbeda» (Abel Saraiva).
ALAPARDADO – agachado; escondido. Júlio António Borges traduz por: «sentado à vontade».
ALAPARDAR – agachar; esconder.
ALARDE – ostentação; aparato.
ALAVÃO – parte do rebanho de ovelhas que está a produzir leite, que se separa para melhor trato (Vítor Pereira Neves).
ALBARCA – calçado espanhol, feito de borracha – em geral pelo aproveitamento de pneu velho, segundo Adérito Tavares. Calçado tosco de madeira e couro (Clarinda Azevedo Maia).
ALBARDA – aparelho para colocar sobre o lombo das bestas de carga, feito com cabedal e estopa e cheio com palha. Albardeiro era o mestre no fabrico e venda de albardas.
ALBARDADO – com albarda. Bacalhau frito passado por farinha e ovo.
ALBARRÃ – espaço amplo e desocupado (Rapoula do Côa): cabanal albarrã. José Prata traduz por: «descampado».
ALBERNÓ – peça de vestuário que fica desajeitada ao corpo (Júlio Silva Marques). Júlio António Borges, de Figueira de Castelo Rodrigo, refere albornó, expressão igualmente referenciada por Maria Leonor Buescu acerca da linguagem de Monsanto, dando-lhe o mesmo significado. A generalidade dos dicicionários da língua portuguesa registam albornoz.
ALBOREDO – alvoroço; barulho; gritaria (Clarinda Azevedo Maia – termo recolhido em Aldeia da Ponte).
ALBRICOQUE – alperce; pêssego (José Pinto Peixoto).
ALBROQUE – celebração do fecho de um negócio, com pagamento de vinho a todos os intervenientes. Também se diz alboroque, alberoque e alborque. João Valente publicou neste blogue um interesante texto intitulado «Alborque ou Albroque» (dividido em duas partes) acerca da origem e do uso deste termo na raia sabugalense, que pode consultar aqui e aqui.
ALBRÓTIA – abrótea; planta espontânea muito procurada pelos animais quando pastam no campo. José Manuel Lousa Gomes, do Soito, refere que esta planta era apanhada para servir de alimentação aos porcos.
ALÇA – suspensório usado pelos garotos, feito a partir da tira da bainha dos tecidos. Júlio António Borges dá outro significado: «quadro de madeira, metido na colmeia, onde as abelhas constróem os favos».
ALCABOSIAR – berrar; ralhar (Júlio António Borges).
ALCACER – horta constituída especialmente por pimentos, cebolas, tomates, couves: «tenho de ir à Regada bachicar o alcacer» (Porfírio Ramos). Mais a sul, em Monsanto, designa o terreno em que cresce trigo, cevada ou centeio (Maria Leonor Buescu).
ALCADUTO – aqueduto (José Prata).
ALCAGUETE – alcoviteiro (Clarinda Azevedo Maia – termo recolhido em Vale de Espinho). Do Castelhano: alcahuete.
ALCAIDE – designação que em algumas terras se dava ao regedor. No tempo da reconquista cristã designava a pessoa nomeada pelo rei para administrar militarmente uma vila ou cidade, residindo no respectivo castelo. Em Espanha o alcalde é a pessoa que está à frente da administração de uma povoação.
ALCAMAZES – pulos; saltos. Andar aos alcamazes: brincar pulando e saltando, sem regra (Júlio Silva Marques).
ALCANÇAR – conceber; engravidar. Normalmente usado quando referente a animais.
ALCANDÓRIO – coisa grande e desajeitada; pessoa alta e mal apresentada (Júlio António Borges).
(Continua…)
Paulo Leitão Batista, «O falar de Riba Côa»

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Damos continuidade à apresentação do léxico com as palavras e expressões populares usadas na raia ribacudana.

ADVERTIDO – alegre, folgazão, divertido.
ADVERTIR – alegrar; divertir.
A EITO – seguidamente, de enfiada: Levar a eito.
AÉREO – distraído; sem tino.
AFARVADO – acalorado (Júlio António Borges).
AFEITAR – barbear (do Castelhano): afeitou-se antes de ir para a festa.
AFERREAR – fazer zangar; o m. q. aferrenhar.
AFERRENHAR – fazer zangar. Atiçar os cães: quando passa gosta de aferrenhar os cadelos.
AFIADEIRA – pedra de xisto para afiar facas; agucina (Vítor Pereira Neves – Sortelha).
AFIANÇAR – dar a certeza, garantir, assegurar.
AFICAR – espetar no chão perpendicularmente (termo recolhido por Clarinda Azevedo Maia nos Forcalhos); o m. q. afincar.
AFIFAR – bater; sovar: afifou-lhe sem dó nem piedade.
AFINADO – esperto; sagaz. Irritado; zangado.
AFINAR – irritar, zangar.
AFIRMAR – observar; verificar; fixar os olhos em algo.
AFOGADILHO – à pressa, sem calma: anda sempre num afogadilho.
AFOGA-MARRANOS – cachecol (Francisco Vaz – Alfaiates).
AFOGAR – estrangular; matar por asfixia.
AFOITO – destemido; corajoso; que não tem medo; o m. q. foito. Clarinda Azevedo Maia define de modo, reportando a palavra às Batocas: «prevenido, que conta com alguma coisa que vai suceder».
AFOLIAR – desafiar o touro a investir, colocando-se à sua frente.
AFORRAR – arregaçar as mangas ou as calças. Aforrou-se e avançou de punhos cerrados.
AFUNDIR – afundar; ir para o fundo.
AFUSAL – porção de linho com dois arráteis (459 gramas). Clarinda Azevedo Maia define de outra forma, reportando a Aldeia da Ponte: «conjunto de 24 mãos-cheias de linho depois de espadelado».
AGACHAR – abaixar-se, pôr-se de cócoras. Defecar. Agachou-se para dar de corpo.
AGACHIZ – esconderijo; cabana muito exígua, onde uma pessoa mal se pode movimentar. Cada um em seu agachiz.
AGADANHAR – ceifar com a gadanha: O mê home foi agadanhar o lameiro.
AGALHADO – pau bifurcado para virar o feno, o m. q. galhada (Francisco Vaz – Alfaiates) ou agalhada. Também significa pau bifurcado para segurar as cancelas do aprisco – o que noutras partes do país se chama fôrca (J. Leite de Vasconcelos).
AGARRAR O SENTIDO – ficar aguado, com um desejo insatisfeito (apenas relativo a animais). A vaca ganhou o sentido do lameiro e é para lá que embica.
AGASNATAR – agarrar pelo pescoço (gasnato). Agasnatou-o de tal modo que o ia afogando.
AGASTAR – ofender, aborrecer.
AGATONAR – roubar – termo da gíria de Quadrazais (Franklim Costa Braga).
AGAZIAR – dar três uivos seguidos (Ah! Hi! Hi!) em sinal de alerta – termo da gíria de Quadrazais (Franklim Costa Braga).
AGAZULAR – asfixiar; apertar as goelas (Júlio António Borges). O m. q. agasnatar.
A GENTE – nós; as pessoas: A gente somos pobres.
AGONIADO – enfadado; enjoado.
AGRADAR-SE – olhar para algo com gosto. Agradou-se da cachopa.
AGRANGIR – angariar (Júlio António Borges).
AGRAZ – uva verde; muito azedo (Júlio António Borges).
AGRE – amargo; azedo; acre.
AGRO – talhado a pique; ribanceira (Clarinda Azevedo Maia). O m. q. agre. Conjunto da produção agrícola: vão bons os agros; colhi muito agro.
AGRUNHO – abrunho (Júlio António Borges).
AGUAÇADA – aguaceiro; chuva súbita e forte (Clarinda Azevedo Maia – Aldeia da Ponte).
ÁGUA CHILRA – água choca: Donde veio esta água-chilra?
AGUADA – chuva forte e intensa. Júlio António Borges traduz por «Criança muito magra».
AGUADEIRAS – cangalhas (suporte de madeira) para transporte de cântaros no lombo de um burro.
AGUADOIRO – molhos de linho (Júlio António Borges).
ÁGUA-MEL – indivíduo natural de Vale de Espinho – dito depreciativo de que os valdespinhenses não gustavam.
AGUAMENTO – desejo alimentar insatisfeito (também se diz auguamento). Para se evitar o auguamento dos animais devem-se convidar, dando-lhes uma pequena porção de alimento. Também a mulher que está gestante não deve deixar de provar uma iguaria, sempre que a vê comer a outra pessoa.
ÁGUA-REZIA – aguaceiro; chuva forte (Clarinda Azevedo Maia – Forcalhos).
AGUÇADEIRA – pedra de afiar (também se diz aguçadoura).
AGUCINA – pedra de afiar. O m. q. aguçadeira, afiadeira ou esmoril. Nos currais ou nos balcões das casas havia sempre uma grande e pesada agucina para afiar facas, podoas e malhos. Também havia pedras pequenas, como a de afiar a gadanha.
AGÚDIA – formiga grande com asas, muito utilizada como isco para apanhar taralhões com costelas (costis) – Vítor Pereira Neves.
AGUIGUIAR – grito dos rapazes nas rondas nocturnas: ah-gui-gui! Júlio Silva Marques, de Vilar Maior, chama-lhe aguguiar. José Prata, de Aldeia da Ponte, usa o termo aghighar. José Pinto Peixoto, da Miuzela, refere aghughiar. Clarinda Azevedo Maia registou ahihiar. Os gritos dos rapazes da ronda, ou da «confraria dos solteiros», como lhe chama Manuel Leal Freire, eram um sinal de poder e de afirmação. De noite as ruas de cada aldeia eram da ronda, a quem cabia zelar pela segurança. Nuno de Montemor chama azagueios a esses gritos dos rapazes da ronda. Franklim Costa Braga coligiu o termo agaziar, que apresenta inserido na gíria de Quadrazais, significando dar três uivos seguidos (ah, ih, ih), o que seria um sinal de alerta usado no contrabando.
(Continua…)
Paulo Leitão Batista, «O falar de Riba Côa»

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Um contínuo processo de normalização vem destruindo as características do falar que efectivamente existiu neste recanto português que é Riba Côa. Fruto desse processo a pronúncia estabilizou ao redor da palavra correctamente escrita e na sua exacta expressão oral. A fala rude e imprópria foi ganhando regras e adquirindo a devida sonoridade.

Vêm de longe as influências que contribuíram para essa padronização do falar, mas ter-se-á acentuado com a expansão do sistema de ensino e a instalação de escolas na generalidade das povoações e também com a saída dos jovens para o cumprimento do serviço militar obrigatório. Na escola aprendia-se a ler e a escrever o português perfeito, seguindo à risca os manuais, e isso reflectia-se na fala, que passava a ser mais cuidada. Na vida militar os jovens beirões eram ridicularizados pela pronúncia e pelo léxico que utilizavam e, no seu regresso aos campos, vinham a falar diferente e a censurar aos familiares e amigos o que a eles igualmente fora censurado. De entre os outros factores da nivelação linguística conta-se a sucessiva instalação de postos da Guarda Fiscal nas povoações da primeira linha de fronteira. Das guarnições faziam parte militares que não eram originários da zona e os muitos militares raianos que integravam essa força tinham de submeter-se a um curso na incorporação, e podiam permanecer largos anos em terras longínquas até conseguir colocação no rincão natal. Também os párocos na Igreja, e fora dela, desempenhavam esse papel nivelador da língua. Ainda que geralmente oriundos de aldeias próximas às que pastoreavam, os eclesiásticos eram sujeitos a longa e cuidada formação nos seminários, sendo privilegiados conhecedores da língua portuguesa, cujas formas de rigor passavam a transmitir.
Mas a grande mudança deu-se mais modernamente, sobretudo pela penetração nas aldeias de poderosos meios de comunicação, como os jornais, a rádio e, sobretudo, a televisão. A população foi ficando conhecedora de que havia formas mais finas de falar, tomando consciência que a sua expressão era uma maneira algo rude de comunicar. Além do mais, houve a vaga de movimentos migratórios para o Litoral e para fora do País, com um regresso continuado à aldeia no tempo de férias, sendo o emigrante portador de novos conhecimentos, de outra forma de falar. Mais uma vez o íncola que ficara agarrado ao seu terrunho, era ridicularizado: que continuava labrego, um autêntico troglodita, usando expressões ásperas e rudimentares pouco condizentes com o «português de lei».
Depressa se acentuaram as diferenças nas falas, principalmente entre os velhos e os mais novos que haviam saído a correr mundo, ou que frequentavam a escola, ou que vinham do seminário. Começou a usar-se a designação de fala charra, achavascada, achambuada, chamorra ou à pastora, para as formas de expressão mais antigas, querendo esses mesmos termos dizer «falar mal». Já o «falar bem», dentro da norma, ou a isso aproximado, era designado por falar grave ou falar à política, o que não era acessível a todos.
Podemos considerar que o processo de normalização linguística a que ficou sujeito o povo de Riba Côa e do geral das regiões de Portugal (o fenómeno aconteceu um pouco por todo o lado e num tempo aproximado), levou ao triunfo da língua portuguesa, aproximando-se todo o país às suas regras convencionais, perdendo-se porém a riqueza da suas particularidades regionais e locais. A tendência para a uniformidade fonética ocorreu em relativamente poucos anos, num processo que podemos considerar acelerado, ao qual ninguém ficou indiferente. As pronúncias muito acentuadas e muitas das antigas designações locais foram sufocadas pelas formas escorreitas da língua oficial que o mestre-escola passou a ensinar aos meninos das aldeias. Podemos até afirmar que a normalização linguística se ficou primeiramente pela aproximação fonética, naquilo que verdadeiramente foi possível nivelar, no restante, ou seja, na morfologia e na sintaxe as evoluções foram menos visíveis, mantendo-se uma forma de falar, onde se destacou um léxico rico em expressões locais que não tinham uso divulgado noutras zonas do país.
Mas a aldeia deixou de ser estar fechada sobre si mesma, com o adro como centro do mundo, e abriu-se a um vasto cosmos que progressivamente a invadiu, fazendo-a aperceber-se da sua pequenez.
A uniformização passou com o tempo a ter consequências a todos os níveis, perdendo-se mesmo parte da variedade lexical. Digamos que restou, contudo, uma boa parte do vocabulário e uma que outra expressão fonética mais arcaica, de forte incidência local, às vezes agarrada apenas a habitantes mais antigos.
Paulo Leitão Batista, «O falar de Riba Côa»

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– Você?! Tu disseste «você» à tua mãe?
– Disse. Tem algum mal?
– Mas isso é uma grande falta de educação. Você?! Não digas isso à tua mãe, por favor!

Este diálogo podia acontecer hoje nas ruas do Casteleiro. Esta questão das formas de tratamento é muito importante nos meios pequenos. E no Casteleiro mais do que noutros locais que conheço. Há um grande respeito pelos mais velhos, sobretudo os familiares chegados: avós, pai, mãe, tios.
Claro que muita malta mais nova, de há 30 anos a esta parte, e bem, furou as convenções todas – sobretudo os que foram criados em cidades ou na França e vai de se dirigirem aos avós com toda a descontracção:
– Ó avô, eh, pá, tu não vês que isto são filhós?
Isto em mim era impensável. Mas há miudagem que assim fala – e da minha parte nada contra, desde que não signifique também falta de educação ou ligeireza na relação cidade-campo – se é que me faço entender…
Mas esse é outro ramo: as novas mentalidades impuseram-se e ninguém leva a mal.
Mas vá lá eu tratar a minha mãe por tu ou vá lá eu dizer «Você» à minha mãe ou ao meu tio. Não seria capaz. Dito por mim, nem me soa bem, sinceramente. Mas não me choca nada que quem assim fala fale assim: hábitos são hábitos.
Mas o que aqui quero trazer são os tratamentos da minha meninice.
A regra básica é muito simples e todos a aprendemos: aos mais velhos dizemos «vossemecê», uma palavra que nos dicionários antigos vinha explicada como sendo uma forma simplificada de «Vossa Mercê», o modo de tratamento dado aos nobres de antanho.
A palavra «você», que é claramente uma redução de «vossemecê», só a podíamos usar para pessoas da mesma idade ou pouco mais velhas. Mas nunca para os familiares chegados: para esses, mesmo que quase da mesma idade, ninguém podia nem pode deixar de usar o «vossemecê».
Dantes, no Casteleiro, havia outras palavras bem marcadas pelo respeito e distância ou proximidade nas formas de tratamento.
Trata-se da forma de tratar as pessoas do sexo feminino, consoante a sua «classe social», digamos assim, e de acordo com a relação que o autor do tratamento tinha com cada uma delas:
– A Senhora Dona Fulana de Tal era um tratamento dado a uma ou duas senhoras muito, mas muito ricas para os padrões da época (anos 40-50 do século XX).
– A Dona Sicrana era o tratamento dado a algumas senhoras da classe média.
– A Senhora Tal era como se devia tratar a maioria das pessoas – digamos – remediadas da aldeia.
– A Ti’ Beltrana era a fórmula geral – e a que mais me agrada registar. Ti’ é a corruptela popular para Tia. Mas este «Ti’» («Tia») nada tem a ver aqui com um qualquer grau de parentesco. Não. Ti’ são quase todas as mulheres da minha infância na minha terra. Chamava Ti’ a mais de 90% delas. E era bom. Porque aquelas a quem chamava Ti’ eram exactamente as que eram capazes de me deitar a mão e proteger-me se a minha mãe me quisesse bater depois de eu matar por esmagamento os pintainhos que se tinham metido à minha frente na minha correria de seis anos malucos e desvairados… Que saudades dessas Ti’s todas, Casteleiro!
«A Minha Aldeia», crónica de José Carlos Mendes

Os povos do concelho do Sabugal usam uma linguagem característica, impregnada de termos originais, muitos dos quais a cair em manifesto desuso face ao processo de normalização linguística. Deixamos aqui o registo de alguns termos utilizados no contexto das touradas com forcão.

A Capeia Arraina é a mais peculiar tradição do concelho do Sabugal, e em particular de uma corda de povos mais chegados a Espanha, na margem direita do rio Côa. Ao costume ancestral da realização das touradas com forcão estão associados um conjunto de termos linguísticos populares. Grande parte dos termos foram recolhidos em trabalho de campo, ouvindo as pessoas antigas que gostam de falar no tema em apreço, outros porém resultaram de pesquisa em escritos de autores que igualmente os recolheram.

AFOLIAR – colocar-se à frente do touro, desafiando-o a investir; tourear.
ALABARDA – pau enfeitado ou bandeira, usado nas touradas pela mordomia quando pede a praça; o mesmo que labarda. Também se chamam «alabardas» às bandeiras usadas nas festas do Espírito Santo, em algumas terras: «Era constituída por duas bandeiras, ambas em forma de galhardete, e cujos panos de uma forma quadrada, eram constituídos por retalhos quadrados de cores, em que predominava o vermelho, o amarelo e o verde e por um ceptro, de pau alto, encimado por uma cruz, em torno da qual se colocavam cravos e manjericos, a modos de enfeite» (Pinharanda Gomes).
ALABARDEAR – manejo da alabarda, agitando as bandeiras a pulso, até ao cansaço. O mesmo que labardear.
APARTO – escolha e separação dos touros para a tourada. Após o aparto os touros são conduzidos por cavaleiros pelos campos e caminhos rurais até à aldeia onde se efectuará a tourada.
CALAMPEIRAS – lugares cimeiros que envolvem o corro onde se realizam as capeias, nos quais a assistência toma lugar (Franklin Costa Braga escreve calampreias).
CAPEIA – tourada arraiana (do Castelhano: capea).
CAPINHA – toureiro castelhano que estagia nas capeias da raia portuguesa; o mesmo que maleta.
CHOCA – cabresto; vaca que acompanha os touros bravos. Esta expressão tem outros significados populares: galinha em estado febril, que está a incubar os ovos; pedaço de bosta seca que fica agarrado ao pêlo ou à lã dos animais; salpico de lama. Também se diz água choca, significando água quente.
CHURRO – touro escuro. Júlio António Borges diz significar também: sem viço, sem vitalidade.
CORRO – cerco onde têm lugar as capeias (touradas com forcão), formado num largo da aldeia com recurso a carros de vacas carregados de lenha.
CURRO – local onde se metem os touros para uma tourada. «Preço do curro»: preço dos touros.
DESENCERRO – acto em que se conduzem os touros para fora da aldeia após a realização da capeia arraiana.
ENCALEIPEIRAR-SE – fugir do touro para as calampeiras (Franklin Costa Braga).
ENCERRISTA – cavaleiro que participa no encerro dos touros na manhã do dia da capeia.
FOLGUEDO – tourada com forcão (Joaquim Manuel Correia); festa; brincadeira; divertimento. Francisco Maria Manso chama folguedos às montarias aos javalis.
FORCALHO – o mesmo que forcão (Francisco Vaz).
FORCÃO – triângulo feito com pernadas de carvalho atadas com cordame, usado para tourear nas capeias arraianas. Ao forcão pegam entre vinte e cinco a trinta homens que, sincronizados, rodam na praça, para evitar que o touro salte para cima do aparelho, se meta por debaixo dele ou o contorne. Mais a Sul (Monsanto) forcão designa um pau bifurcado usado para juntar feno ou para empurrar a lenha para o forno (Maria Leonor Buesco).
GALANO – boi malhado, banco e preto (Adérito Tavares)
GALHA – um dos lados dianteiros do forcão – à galha agarram os pegadores mais destemidos. Também significa ramo, pernada.
GALHOS DIANTEIROS – os dois rapazes que ficam nas galhas do forcão, à direita e à esquerda. Noutro tempo os galhos dianteiros estavam munidos de varas com aguilhão, que tinham por função picar o touro, de forma a evitar que saltasse sobre o aparelho de lidar.
GARROCHA – vara com ponta de ferro, usada para picar os touros nas capeias. Também significa: escaravelho (Pinharanda Gomes) e jogo tradicional
JOGO DO BOI – jogo infantil que consiste na imitação da capeia arraiana. Uma vara comprida fazia de forcão e um pau era os chifres do touro, quase sempre representado pelos rapazes mais malandros (Maria José Bernardo Ricardo Costa).
MALETA – toureiro amador espanhol que percorre as touradas da raia portuguesa. O mesmo que capinha.
MOFENDA – campo de pastagem para os touros, em Espanha.
MONTARAZ – guarda espanhol dos touros bravos.
NOVILHEIRO – indivíduo natural de Aldeia da Ponte (termo recolhido por Clarinda Azevedo Maia, que o atribui à fama que têm nas capeias naquela terra raiana).
PASSEIO – costume antigo, em que, no dia da festa da aldeia, os mordomos marcham pelas ruas, levando insígnias – passeio dos mordomos. Adérito Tavares associa o passeio à capeia, pois os mordomos desta e outros rapazes evoluem pelas ruas da aldeia, ao som do tambor, em momento que precede a tourada. Joaquim Manuel Correia chama-lhe passeio dos moços e refere tratar-se de uma evolução militar simulada, cuja origem vem do tempo em que os mancebos se preparavam para exercerem funções de defesa das suas aldeias.
PEDIR A PRAÇA – acto inaugural da capeia, em que os mordomos solicitam autorização para dar início à tourada. A praça é pedida à pessoa mais grada que está na assistência, que no momento representa a autoridade
PINCHADO – indivíduo perfurado com o corno do touro.
REDONDEL – pequeno largo fechado por carros de lavoura, carregados de mato, onde se fazem as capeias nas aldeias raianas (Nuno de Montemor).
RABEADOR – homem que pega no vértice traseiro do forcão e o maneja face ao movimento do touro. O mesmo que rabichador. Adérito Tavares refere dois termos equivalentes: rabejador e rabicheiro. O rabeador tem de ser um homem alto, ágil, e com capacidade de comando.
RABICHO – vértice traseiro do forcão, que é o seu leme (Francisco Vaz). Adérito Tavares escreve rabiche.
SORTE – lide de um touro na capeia. O termo tem outros significados: parte de uma propriedade que cabe a cada um dos herdeiros. Ir a sortes: ir à inspecção militar (o mesmo que dar o nome ou dar o número) – a sorte do inspeccionado podia ser: livre, esperado ou apurado.
TAMBORLEIRO – tamborileiro. O tamborleiro é figura essencial nas capeias em algumas terras da Raia. É ao som do tambor que se efectua o passeio dos rapazes.
TOURO DA PROVA – touro que é lidado com o forcão logo a seguir ao encerro, para verificar se há boas expectativas para a capeia, que acontecerá à tarde.
VACA DA AGUARDENTE – vaca largada na manhã da capeia, logo após o encerro.
Paulo Leitão Batista

JOAQUIM SAPINHO

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