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No dia 16 de Agosto, foram inauguradas na Miuzela as instalações definitivas da Associação de Cultura Prof. Dr. José Pinto Peixoto, insigne cientista natural dessa freguesia do concelho de Almeida. Coube ao escritor e investigador Célio Rolinho Pires, natural de Pêga proferir no acto uma conferência, que nos transmitiu que publicamos na integra, embora, dada a sua extensão, dividida em três textos que publicamos em dias sucessivos.

Deixem ainda que, a título de hipótese, ou de exercício meramente académico, (penso não ser proibido!), e com base em três nomes de rios (hidrónimos) declaradamente romanos, em alguns topónimos bem conhecidos, complementados pela cultura popular no que, ainda, ao Cancioneiro do Alto-Coa se refere, me atenha ao que considero ser uma unidade espacial importante, espécie de pequeno país lusitano, a que nós beirões do Alto-Coa pertencemos, e aferir assim de hipotéticos avanços, faseados no tempo, de forças invasoras, provavelmente romanas. Vejamos.
O Rio Zêzere, a poente, que começa por definir o vale da Amesendinha a partir de Belmonte, mais não é, em termos etimológicos (José Pedro Machado) que o rio de César, querendo talvez significar que o espaço para além dele (adentro da hipótese que coloco – o lado poente…) é romano. Mas mais a norte, próximo de Famalicão da Serra, temos também a Ribeira do Quêcere, um afluente do Mondego, que é também o nome de César com pronúncia clássica, ou seja, o C a valer Q. Os entendidos sabem disso. Em termos delimitativos penso que o Rio Noémi, cujo significado desconheço, e que vos é aqui bem próximo, bem poderá ser o prolongamento da ribeira do Quêcere até ao Coa, a fechar o quadrilátero a norte. Mas, certo, certo, é que do lado leste temos um outro nome romano – o rio Cesarão – igualmente um rio de César, cujo aumentativo, poderia ter, tal como hoje, um sentido depreciativo ou pejorativo. Este rio, vindo de Aldeia da Ponte, a que se junta a ribeira das Chulreiras (ou Churras – ovelhas) de Aldeia Velha, fecha do lado leste o polígono ao desembocar no Coa entre Porto de Ovelha e Badamalos, como vocês sabem. A Sul, e mais uma vez, o Cancioneiro do Alto-Coa, a propósito do topónimo Malcata, seja a povoação seja a serra, diz-nos que «aí tocam armas ou caixas nem que seja para espantar os pardais». Este verso condiz, reparem bem, com o étimo de Malcata que é Male Capta, ou seja, espaço mal conquistado, querendo significar que aí, por esse lado sul, as populações do polígono em análise resistiram por largo tempo ao inimigo invasor de modo a que o fenómeno ficasse registado na linguagem. Mas há mais: o termo Coa, de um ponto de vista semântico, é francamente indígena, autóctone, a contrastar com os nomes romanos anteriores, quer considerado como cuda ou coda, com o significado de crina ou cauda de cavalo, quer seja cola – serpente. Ainda hoje o verbo colear, de cola, significa exactamente isso – serpear, serpentear. Portanto o rio Coa é pertença de povos que, entre eles, teriam o rito ou o culto da Serpente, e isto condiz ainda com o que consta do Ora Maritima de Avieno (século IV AC) ao falar dos Sefes e dos Draganes, adoradores da Serpente e do Dragão, eventualmente do Lagarto. Mas mais ainda: os dois topónimos – sabugal velho, nas imediações de Aldeia Velha e o sabugal novo (o actual) não terão nada a ver com os sabugueiros, penso, mas sim com a passagem dos sabujos em dois momentos históricos diferentes. Interessante de referir que o ponto exacto do sabugal velho não é no castro da Senhora dos Prazeres, junto da capela, mas em baixo, na ribeira das Chulreiras onde aliás existe uma cruz gravada numa pedra. Sabugal, em termos etimológicos, será assim um composto de sabujos + callis. Callis é o mesmo que a calle espanhola e significa rua, quelha, passagem estreita…Temos por aí muitos topónimos com esse nome… Sabujo, segundo o Dicionário da Língua portuguesa, significa “cão de montaria”, o que condiz com a cultura lusitana em que os perros ou cães estão em relação com os malfeitores, os prevaricadores, os traidores, os inimigos, como tenho proposto nos meus trabalhos. Portanto, estes cães, ou perros, ou sabujos, serão assim, originariamente, os romanos, os invasores, vindos de leste pelas Calçadas da Guinea, Dalmacia, e até de algumas derivações da Colimbriana que, segundo o Dr. Eurico Palos, passaria no alto do Barreiro aqui na Miuzela. Mas também pela via romana que ia de Mérida a Braga passando pela Idanha-a-Velha, Vale da Senhora da Póvoa e Centum Cellas de Belmonte… Isto converge, ainda, com os «cães de fila» do Cancioneiro do Alto-Coa que não terão nada a ver com a bondade ou maldade dos habitantes do Sabugal mas sim com os invasores de outras eras. Demasiadas coincidências! Não acham? Nada de extravagante quanto a esta minha interpretação para o étimo do Sabugal! Portugal não deriva também de portus-calle, ou seja, a passagem do porto?
Penso que a investigação, ao nível da História, pois é disso que se trata, terá abusado do método analítico e desprezado a síntese que pressupõe uma visão global, abrangente e multidisciplinar para a descoberta da verdade. Não me parece que o microscópio seja o aparelho indicado para a investigação histórica. Ao fim e ao cabo, tudo funciona como um puzzle em que as peças que não encaixam sobram necessariamente.
Finalmente, contextualizado que está, penso, o tema que aqui me trouxe, será tempo de vos falar do Porto Mancal que não pode, de modo algum, ser analisado fora da temática das Pedras que tratei nos meus três livros já publicados sobre o assunto. Não faria sentido, todavia, não sei se vocês teriam paciência para ouvir, mesmo que resumidamente, tudo o que ao tempo escrevi (1995, 2001, 2011) respectivamente em Os Cabeços das Maias, O País das Pedras e Na Rota das Pedras.
Grosso modo, e de forma sucinta, com estes meus livros, pretendi demonstrar, e penso tê-lo conseguido, que as Pedras, ou algumas Pedras, seja no tocante às muitas formas que apresentam, seja no que respeita às marcas nelas gravadas, não são um fruto da erosão provocada por ventos, mares que nunca existiram, chuvas, líquenes, como alguns pretendem, mas sim um resultado da acção do homem pela via do martelo e do escopro e do pistolo, pertencendo por isso à época e à cultura do ferro. Mais, ao inserirem-se em um contexto espacial de um determinado tipo de povoamento, no geral disperso, e de cultura (lusitana, penso), essas formas, essas marcas, têm um determinado significado que propus nos meus livros atrás referidos. E é aqui, neste tipo de interpretação proposta por mim que residirá porventura, alguma novidade, algum atrevimento, talvez pioneirismo, como lhe queiram chamar. Não há ninguém aqui, penso, que por esses barrocais fora, não tenha já tropeçado com o que parecem ser cabeças, cágados, figuras antropomórficas, zoomórficas, sulcos, poças, umas maiores, outras menores, etc, etc. No tocante à detecção do fenómeno são muitos os autores que a ele se referem. Entre outros, o nosso quase conterrâneo (da Ruvina), Dr. Joaquim Manuel Correia, já no século XIX, nas suas «Memórias sobre o Concelho do Sabugal», um grande livro, escrevia: «No limite da Ruvina cujo solo é todo granítico, existem grandes rochedos, a que chamam barrocos, que dão à paisagem um aspecto áspero e rude, mas onde há muito que observar porque nalguns existem vestígios incontestáveis de em tempos remotos o homem ter neles assinalado a sua passagem…Referimo-nos às fossas ou pias existentes nos barrocos, algumas denominadas cúpulas pelos especialistas». Leite de Vasconcelos chama-lhes covas ou covinhas. Eu chamo-lhes tão simplesmente poças, como toda a gente, por aqui, lhes chama!. Mas também as constituições dos bispados, o próprio S. Martinho de Dume (Século VI) a estas Pedras se referem ao proibirem certos cultos, por sinal bem tardios, por parte dos cristãos, que tarde ou nunca deixaram de venerar e honrar. Daí, e ainda, as muitas cruzes que por aí existem nos barrocais com vista à sua cristianização. Tratei disso abundantemente nos meus livros.
Uma das conclusões a que cheguei nos meus trabalhos, e a que já atrás aludi, é a relação directa e intrínseca dos nomes dos terrenos em que certas Pedras se situam, ou seja, os topónimos rústicos, com a função que essas Pedras tiveram em determinado momento histórico, certamente antes do advento do Cristianismo e da dita romanização. E é aqui que começa, ou melhor, continua, para mim, a história do vosso Porto Mancal que passarei a contar-vos pois, como disse no início, foi esta a principal razão que aqui me trouxe.
Conheci as sepulturas do Porto Mancal (6) aí pelos fins da década de 90 por intermédio do meu amigo, Sr. António Fernando, ao tempo penso que secretário da Junta de Freguesia da Miuzela, que fez o favor de me levar até lá, que observei e fotografei com a ideia de virem a integrar o meu livro «O País das Pedras», o que aconteceu, e que viria a ser publicado em 2001. Propus ao tempo, e mantenho, que essas sepulturas, como no geral as que se encontram abandonadas pelos nossos campos, quase sempre descontextualizadas, serviriam para expor o defunto, honrá-lo, venerá-lo, perfumá-lo, consoante o seu estatuto social ou guerreiro, antes da cremação – à semelhança, aliás, do que aconteceu com os funerais de Viriato, segundo os textos. Sabendo eu, no entanto, da relação dos topónimos com o fenómeno cultural do que aí se passava, ou à volta, dei em reflectir sobre o étimo de Mancal e proceder a outro tipo de observações, certo de que iria encontrar outros elementos, para além das sepulturas, em convergência com o seu significado. E não me enganei. Mancal vem de manco (mancus,a,um – lat.). Manco, como toda a gente sabe, é aquele que coxeia, a quem eventualmente falta uma perna; mas, na origem, manco era aquele a quem faltava qualquer coisa, fosse uma perna, um braço, uma das mãos, o nariz, ou até outras coisas em sentido ético e moral que eu agora não digo. Nesse sentido, o termo francês, «manquer», que muitos de vocês conhecem melhor que eu, estará mais próximo da sua verdadeira origem semântica pois significa tão somente faltar (seja o que for). O texto de Estrabão acerca da justiça lusitana também ajudou: «Os lusitanos cortam as mãos dos prisioneiros e consagram as direitas aos deuses; aos condenados à morte precipitam-nos e os parricidas são apedrejados e expulsos para além das montanhas e dos rios». Uma fotografia aérea do local gentilmente cedida pelo Sr. Dr. Eurico Palos, que ampliei, foi-me decisiva no sentido de poder reconstruir a área em que se situam as sepulturas, de formato ostensivamente fálico, eventualmente dividida em duas partes: uma afecta ao poder civil e militar (digamos) e a outra que seria o campo dos mortos, separados os dois espaços por uma divisória ou parede assinalada ainda hoje por um montão de pedras de que faz parte a da entrada com olhal para varal. Quanto às sepulturas, uma poça para trave mestra, mais ou menos ao meio do conjunto fúnebre, diz-nos que se tratava de uma área coberta, o que é natural. Um escudo derrubado, próximo e a sul, com o valor de sentido proibido, significa que o espaço das sepulturas era uma área interdita, o que também é natural. Um portado a norte sugere a saída dos despojos fúnebres rumo às aras crematórias, masculina e feminina, no barroco contíguo ao caminho velho e que corre junto ao muro norte do campo dos mortos. Na cabeça do acampamento, a poente, restos de muros de pedra solta atestam da existência de eventuais habitações, pelo menos duas, a justificar, no futuro, trabalhos de escavações arqueológicas.
Extra-muros, ou seja, fora da área vedada pelas paredes e alguns cavalos de frisa intervalados, na crença de que os condenados manchavam com o sangue a «civitas» ou o acampamento, tinham vez as execuções pela decapitação ou aplicação de outro tipo de penas, eventualmente a amputação de membros, a cegueira, e outras, bem em consonância com o significado e a semântica do termo Mancal. Daí os patíbulos executórios – o feminino a poente, e mais alto no terreno, assinalado por uma cabeça de mulher e com um símbolo feminino a meio de espécie de terreiro. O masculino situa-se lá ao fundo, a nascente, junto das aras crematórias. Um símbolo vélico, espécie de triângulo rectângulo, a nascente, e bem visível do fundo da ladeira, dos lados da ribeira do Noémi, atesta do grupo social e militar dominante – os vélites – a quem estaria confiado aquele espaço. As Eiras Velhas, o caminho dos Mortórios, surgem já na parte final do meu trabalho, como um complemento e como que por exclusão de partes, a justificar e a confirmar toda a semântica e todo o contexto fúnebre e sacrificial do Porto Mancal
Mas o texto do meu livro «Na Rota das Pedras», as fotos, e, seguramente, uma visita ao local, falarão muito mais do que aquilo que eu vos disse ou possa dizer.

Célio Rolinho Pires

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No dia 16 de Agosto, foram inauguradas na Miuzela as instalações definitivas da Associação de Cultura Prof. Dr. José Pinto Peixoto, insigne cientista natural dessa freguesia do concelho de Almeida. Coube ao escritor e investigador Célio Rolinho Pires, natural de Pêga, proferir no acto uma conferência, que nos transmitiu e que publicamos na integra, embora, dada a sua extensão, dividida em três textos que publicamos em dias sucessivos.

De referir ainda que, aquando da celebração do Tratado de Alcanizes em 1297, pelo rei D. Dinis, o espaço português até ao Algarve já estava definitivamente conquistado, o que aconteceu em 1249 com o rei D. Afonso III, como é sabido. Mesmo pelo que a nós diz respeito, neste espaço de aquém do Coa, também a fronteira a essa data estava já definida por esse rio e o território organizado e defendido pela Cidade da Guarda cujo concelho em termos de projecto ia até ao Tejo (1199) mas que, na prática, teve de repartir, dada a sua extensão, pelos concelhos de Vila do Touro e Sortelha (1228) que compreendiam uma boa parte das Terras do Estremo, até à Fatela, no sopé da Serra da Gata, incluindo terras hoje espanholas, seja, Valverde del Fresno, Eljas, S. Martinho de Trevejo, Hoyos, Vila Miel, etc, onde, aliás, ainda hoje se fala um dialecto galaico-português que Leite de Vasconcelos apelida de «Samartinhego», certamente uma fala residual dos tempos da presença portuguesa no Estremo (século XII a XIV). Mais ainda, e já que se trata de direito consuetudinário, os Costumes da Guarda, reduzidos a escrito apenas em 1217, no reinado de D. Afonso II, e com aplicação seguramente no território do seu concelho, que era a margem esquerda do Coa até ao Erges, na encosta da Serra da Xalma (Valverde), falam já, no seu art.º 117-º, dos «aveladores do monte», ou seja, os vigias ou sentinelas, espalhados pelo território, que tinham privilégios idênticos aos dos andadores (espécie de GNR), aos avinadeiros encarregados de levar as partes a acordo e aos saiões que aplicavam a justiça (algozes, carrascos…). Conheço duas dessas vigias naturais, entre fragas, uma na Vila do Touro, outra no S. Cornélio. Tratei de tudo isto no meu livro «A Guarda No Caminho do Estremo» (2001) em que me propus, e penso tê-lo conseguido, definir o papel da Guarda-Cidade, no alargamento do território até ao Tejo e na definição das fronteiras com o Reino de Leão pelo Coa e pelo Erges e ainda a organização das populações, de permeio, em concelhos, nomeadamente, como disse, Vila do Touro e Sortelha. Evidente que uma análise dos Costumes da Guarda e dos Forais destes concelhos teria de ser feita e foi-me muito gratificante e compensador verificar que muito do vocabulário e da cultura popular do Alto Coa têm raízes arcaicas bem profundas, no mínimo século XIII, ou mesmo antes, dado o cariz do direito consuetudinário predominantemente oral dos Costumes da Guarda que Alexandre Herculano classifica de os mais representativos do reino. Penso que alguns conflitos entre as populações de um e do outro lado da fronteira, pelo Coa e pela Ribeira do Boi, terão sido meramente episódicos e pouco duradouros, quase sempre, por razões de acerto dos limites e poderes dos concelhos ribeirinhos. Haja nomeadamente em vista o derrube do Castelo de Vila do Touro em 1221 pelos do concelho da Guarda e o diferendo acerca dos termos entre o concelho do Sabugal e o concelho de Sortelha, já depois do Tratado de Alcanizes, e resolvido pela Carta da Fatela (do Estremo e não de Penamacor!) em 1315, sob o alto patrocínio do Rei D. Dinis (Ver A Guarda no Caminho do Estremo).
Todavia, e antes dessa circunstância do alargamento dos vários reinos hispânicos, com o objectivo comum de recuperar o território aos mouros, penso que as populações de um e de outro lado do Coa reagiram sempre em bloco e solidárias perante inimigos comuns que, no geral, se apresentavam de leste, e não foram poucos ao longo da História. Vejamos.
Logo no início do século VIII AC, com origem no Danúbio e na Anatólia, foram as invasões indo-europeias que, segundo Manuel Gorbea Almagro, professor da Universidade de Madrid, terão trazido consigo a língua, a religião, a cultura do ferro e o culto da incineração dos mortos. Serão porventura estes povos que estão na origem da cultura ibérica que os romanos vieram encontrar no século II AC, aí incluída certamente a cultura lusitana..
Depois, aí pelo século III AC, foram os cartagineses que abriram as portas aos romanos e a cujo general, Aníbal Barca, e a propósito da ferocidade dos lusitanos, se atribui a ironia da seguinte frase: «andei por lá (na Lusitânia) e o que de mais feroz encontrei foram os rebanhos que tive de afastar a pontapé para poder passar com os meus soldados».
Depois (século II AC) foram os romanos cuja luta se prolongou por cerca de dois séculos. E a luta de guerrilha desencadeada pelos povos autóctones, nomeadamente lusitanos e vetões, não foi pera doce para eles.
A seguir foram os povos bárbaros (século V DC) – vândalos, alanos, suevos, visigodos que retalharam entre si o Império Romano e estarão na origem dos vários reinos ibéricos com destaque, no início, para o Reino dos Suevos (Braga) e o Reino dos Visigodos (Toledo).
No século VIII (711) chegaram os árabes que, em pouco tempo, ocuparam a Península, à excepção das Astúrias, dando origem ao movimento de sinal contrário – a Reconquista Cristã – que terminará apenas em 1492 com a conquista do Reino de Granada.
Quanto a leoneses e castelhanos não foram poucas as vezes que as populações fronteiriças tiveram de os enfrentar, quase sempre em relação com as várias crises dinásticas, nomeadamente a de 1383/85 e aquela que se seguiu à morte de D. Sebastião em Alcácer Quibir (fins do século XVI). Quer isto dizer que a independência e a liberdade de Portugal que alguns povos ibéricos separatistas ainda hoje pedem a Madrid, não foi uma dádiva dos nossos «hermanos» do tipo do «tostão manuelino» que o alcaide do Sabugal dava todos os anos em uma salva de prata ao alcaide de Sortelha por despacho de Filipe II, em 1615, segundo o tombo desta vila.
Finalmente (princípios do século XIX) foram os franceses de que o Prof. Pinto Peixoto no seu livro sobre a Miuzela nos conta tantas histórias ouvidas à sua avó, ao abordar também a questão das milícias, das ordenanças e até da Ronda, em sentido próprio, quando os tambores anunciavam o perigo pelas ruas das aldeias.
De todos estes povos, não há dúvida que aqueles que mais marcas terão deixado na nossa cultura terão sido os romanos – é pelo menos o que consta! Basta pensar na rede viária, na organização e na unidade política e administrativa das populações, no direito, aquedutos, teatros, anfiteatros, pontes, etc. Já quanto à romanização linguística e à introdução, pela primeira vez, do latim como língua mãe e base das várias línguas românicas, não me parece que isso seja tão linear assim… É francamente perturbador, pelo menos, no tocante às inscrições das Fráguas e de Lamas de Moledo, consideradas do século I AC, e até a muitos dos topónimos que fazem ainda hoje muitas das matrizes das Finanças dos vários concelhos, constatar que muitos desses nomes pertencem ao denominado português popular, seja latim, seja grego, seja céltico, seja de origem obscura, todavia português, e anterior à chegada dos romanos. É que, muitas dessas palavras, sobretudo os topónimos têm a ver com a cultura das Pedras e com a função que elas tiveram antes da romanização. Sirvam, a todos os títulos de exemplo, topónimos como a Cornusela (santuário lusitano), as Carapitas, a Maçaperra, o Peneducho, o Barroco Empinado, o Tamanco, a Laje da Lancha, a Sangrinheira, as Panchorras, o Porto Mancal, etc, etc, muitos deles tratados no meu livro «Na Rota das Pedras». É que, não faria sentido, seria mesmo um absurdo, as Pedras, nomeadamente as que integram os patíbulos executórios, de que apresento vários modelos nos meus trabalhos, incluindo o vosso Porto Mancal, terem funcionado como tal em determinado momento histórico (séculos I, II AC?) e virem a ser baptizadas pelos romanos 300 ou 400 anos mais tarde. Mas essa questão ficará para os eruditos, ou tidos como tal, resolverem.

Célio Rolinho Pires

No dia 16 de Agosto, foram inauguradas na Miuzela as instalações definitivas da Associação de Cultura Prof. Dr. José Pinto Peixoto, insigne cientista natural dessa freguesia do concelho de Almeida. Coube ao escritor e investigador Célio Rolinho Pires, natural de Pêga, proferir no acto uma conferência, que nos transmitiu e que publicamos na integra, embora, dada a sua extensão, dividida em três textos que publicamos em dias sucessivos.

Ao ser convidado pelo Sr. Major General Augusto José Monteiro Valente para uma sessão de «apresentação da minha obra e de esclarecimento sobre as sepulturas do Porto Mancal e das Eiras Velhas, seu valor histórico e interpretação», «no âmbito do programa de actividades respeitantes à inauguração das instalações definitivas da Casa de Cultura Pinto Peixoto e celebração do 90-º aniversário do nascimento do seu patrono…», devo confessar-vos, com toda a franqueza, o que na altura senti: surpresa, porventura alguma perplexidade e até, porque não dizê-lo, um certo embaraço. É que, se o convite me honra, e honra com certeza, aceitá-lo, assumi-lo, responsabiliza e compromete. E isso mexe por dentro! Afinal, e por pouco, já que aceitei o convite, que agradeço, a situação em que eu me encontro neste momento, se pensarem bem, não é nada cómoda porque embora vosso vizinho e quase conterrâneo, pois sou de Pêga, eu não sou de cá, e todavia, mercê das circunstâncias, vejam bem, aceitei vir aqui para vos falar de coisas que vocês conhecem, estou em crer, muito melhor que eu, seja, o Porto Mancal, as Eiras Velhas, o caminho dos Mortórios, o Barreiro, a ribeira do Noémi, etc, etc. Chama-se a isso meter a foice em seara alheia e isso não vale! Talvez, no entanto, assim o espero, eu possa sair um pouco redimido, se atendermos à maneira como eu, a partir de certa altura, comecei a olhar para estas coisas… Mas isso já não é comigo.
Como já disse, eu sou de Pêga e a Miuzela, como referência, faz ainda hoje parte das minhas memórias antigas! É que, junto ao Carvalho milenar que ainda hoje lá está no largo do mercado de Pêga, havia sempre uma taberneira, acho que era a Ti Lourdes, que assentava arraiais em um caracão de pedra onde os lavradores conversavam, discutiam e bebiam e o cheirinho do trigo de quartos da Miuzela a «rescender», como diria Eça de Queiroz, e que dispensava bem qualquer tipo de peguilho, foi coisa que me ficou para sempre. Verdade! Coisas tão simples, vejam bem, como uma noz, uma castanha fora de época, um figo seco, um rebuçado, uma bola mal finta… A escolha do local pela Ti Lourdes não era ocasional: estava-se a meio do mercado do gado e, como é sabido, negócio fechado, alboroque celebrado… Mas também, e ao longo da minha vida, consegui e tenho aqui ainda bons amigos que aproveito para cumprimentar. Evoco também, se me dão licença, a memória do meu amigo César Falcão que já não está entre nós.
Posto assim perante o facto consumado de ter aceite, e ainda antes de entrar na ordem do dia pelo que a mim diz directamente respeito, deixem que eu de forma sucinta e despretensiosa, preste a minha homenagem muito sincera ao vosso conterrâneo, Prof. Dr. José Pinto Peixoto, que dá o nome à vossa Associação de Cultura, que não cheguei a conhecer, mas de quem muito ouvia falar já nos meus tempos de Faculdade, aí pela década de 60, altura em que terá sido, penso, vice-reitor da Universidade de Lisboa. Já ao tempo era sem dúvida motivo de honra e de orgulho não só para os miuzelenses, mas também para todos os beirões confinantes e vizinhos deste espaço étnico-culturalmente homogéneo na margem esquerda do Rio Coa, que «grosso modo» se desenha desde o Rio Noémi até às nascentes do Coa, e que as vicissitudes da História ajudaram a construir e a cimentar. As qualidades humanas do Prof. Pinto Peixoto, tais sejam, a simplicidade, a popularidade, a simpatia, o bairrismo, o amor à sua terra, de que muito tenho ouvido falar, juntamente com os seus predicados ao nível da ciência que fizeram dele um dos mais conceituados geofísicos e meteorologistas, sendo mesmo pioneiro ao nível do estudo do ciclo da água à escala global, fizeram dele um verdadeiro modelo e paradigma a imitar sobretudo pelos mais novos e a merecer a estima e o respeito de todos nós. Esta é assim uma reunião de beirões que aqui se juntaram, na Miuzela, para homenagear um dos seus pares, porventura o mais ilustre e representativo da sua terra em sentido lato.
O beirão, como diz Miguel Torga, no seu livro «Portugal», é um ser muito especial capaz de lá longe, América, Canadá, França…dirigir os destinos da sua terra como presidente ou secretário da junta de freguesia, para não falar, acrescentaria eu, dos que, à distância, orientam e coordenam as Irmandades dos Mortos e as mordomias do orago e de outros santos do lugar. A Beira, esta nossa Beira, é uma terra vera, verdadeira, autêntica, vestida de luto na paisagem e nas roupas dos homens e das mulheres que a habitaram e habitam. O fato do casamento haveria de ser guardado religiosamente para a mortalha, como sabemos. Não será por acaso que, por aqui, ao cemitério se chama ainda a «terra da verdade». E nós sabemos que é! Foram, sem dúvida, as vicissitudes da História, as dificuldades, as lutas com o invasor, a morte, para não falar da avareza do solo povoado de pedras enigmáticas, austeras e sombrias que fizeram desta gente o que ela é na verdade – uma gente sóbria, de poucas falas, amiga do seu amigo, pouco dada a fanfarronices ao jeito dos arraiais minhotos, com o devido respeito…
Guardarei a temática das Pedras e do Porto Mancal lá mais para o fim, se me dão licença. Deixem então que vos fale de outras coisas que me parece terem sido igualmente importantes, mesmo decisivas, para a formação da nacionalidade, ainda antes do acerto das fronteiras por D. Dinis em 1297, com o Tratado de Alcanizes. Só que talvez menos badaladas… É que, se Guimarães foi o berço da nação, as terras de Beira-Coa foram sem dúvida esquife para muitos dos nossos antepassados…
Chamei há pouco a atenção para as afinidades de ordem étnico-cultural e de boa vizinhança sobretudo entre os povos da margem esquerda do Coa, seja, Miuzela, Cerdeira, Peroficós, Marmeleiro, Rapoula, Pêga, Pousafoles, Vila do Touro, Malcata…mas também com os povos do lado de lá, embora em momentos diferentes da nossa história. Que mais não seja, a título de curiosidade, vejam no vosso livro «Miuzela, a Terra e as Gentes» da autoria do homenageado, Prof. Pinto Peixoto, página 208, a série de castelos, redutos, atalaias, vigias, castros, etc, que povoavam todo este nosso espaço com vista à defesa do território e das populações! Alguns exemplos apenas: Miuzela, para começar, Vila Fernando, Cerdeira, Águas Belas, Sortelha, Vila do Touro, Rapoula, etc, do lado de cá…mas também Caria Talaia, em frente à Rapoula, Ruvina, Sabugal, Vilar Maior, Bismula, Alfaiates, do lado de lá… Só que, e até 1297, por razões óbvias, estas fortificações, de um e do outro lado do Coa, eram, evidente, de sinal contrário, já que os de cá defendiam-se dos de lá, e os de lá dos de cá… Mesmo assim, o Cancioneiro do Alto-Coa cujas quadras, muito antigas, da idade dos étimos, estou em crer, os tocadores cantavam e tocavam nos mercados e à Ronda, aí está ainda a denunciar o que foi a unidade e o movimento solidário das populações que através do lúdico e do humor, revelam bem o que terá sido assunto bem sério em termos de história, de luto e de luta, e de sofrimento…
Apenas alguns versos:
Lagartixos os de Sortelha
Carrapatos os da Bendada
Borrachões os de Pousafoles
Falupos os de Penalobo
Cornudos os do Monte Novo
Espreita-ratos os do Ruivós,
Ceboleiros os de Peroficós
Cerdeira curtos de vista
Tocam armas em Malcata
Cães de fila os do Sabugal…
Etc, etc, etc….

Célio Rolinho Pires

José Pinto Peixoto foi um dos mais destacados geofísicos e meteorologistas portugueses. Mas este cientista de renome, que viveu radicado em Lisboa, quis legar à sua terra de nascimento uma extensa e cuidada monografia, o que fez em cumprimento de um dever de homem citadino que nunca esqueceu as suas origens humildes.

«Miuzela a Terra e as Gentes» é uma monografia completa, dedicada a uma terra pertencente a concelho de Almeida mas com imensas afinidades com o concelho do Sabugal.
Depois de uma breve justificação e da referência às memórias da infância, que lhe ficaram para sempre gravadas, José Pinto Peixoto entra na história da região. Escreve acerca das origens da Miuzela, os povos antigos que a habitaram e os vestígios que deixaram. Também aborda as questões geográficas, e aventura-se pela colecta de expressões, adágios e provérbios populares.
No que toca ao registo histórico, a povoação viu ali nascer e viver gente importante e foi palco de guerras e das consequentes devastações, com manifesto prejuízo para as populações, alvo das mais variadas atrocidades. Neste particular, assumem importância as invasões francesas, sobretudo a terceira, onde a Miuzela foi saqueada, quando as tropas de Massena recuavam, acossadas pela tropa anglo-lusa.
Mas o mais relevante da monografia são as referências aos usos e costumes, quase todos hoje perdidos, mas que constituem um importante património da aldeia. Ligado a cada ciclo anual, estavam as tradições e, com elas, os sabores gastronómicos. Festas de nomeada, com o Natal e a Páscoa estavam ligadas a um conjunto de iguarias que eram preparadas com todo o rigor, seguindo ementas antigas que passavam de mães para filhas. O mesmo sucedia no referente aos grandes trabalhos colectivos, como a ceifa e as malhas, que eram momentos de esforço, compensado com boas e suculentas refeições.
Pinto Peixoto, descreve com especial denodo a importância dos enchidos na alimentação popular e, especialmente, a sua peça de excelência, o bucho, comido pelas famílias reunidas no Domingo Gordo. Fala-nos do jantar do bucho, que noutro tempo correspondia ao que hoje chamamos almoço. De facto o almoço comia-se pela manhã, sendo o jantar ao meio do dia e a ceia a refeição da noite.
«Era um jantar, quase tão importante, como o do dia da matança, mas mais elaborado e de mais cerimónia. Era uma festa!
O jantar do bucho ocorria, em geral, antes de entrar na Quaresma, por volta do Entrudo, porque a partir daí vinham os jejuns e as abstinências e, já, não se podia comer carne! Muitas vezes era no “Domingo Gordo”.
O jantar constituía um pretexto para se reunirem as famílias de parentes, e de amigos, mais queridos, num convívio são, afectivo e fraterno.
O bucho é, talvez, o enchido mais saboroso da Miuzela e é, por isso, o melhor das redondezas. É um manjar delicioso.
O bucho é o estômago do porco, cheio com ossos especiais, com cartilagens, orelheira e o rabo, depois de terem estado dois ou três dias em vinha de alhos. Mas no tempero é que está o segredo. O vinho, para a vinha de alhos, tem de ser de boa qualidade. E o pimento (colorau) não há-de ser só do doce, que tem que se lhe juntar do “queimoso”, com muito alho, bem migado, um pouco de sal, mais alguns “cheiros”, e tudo fica bem de molho, durante alguns dias.
Mas muito do sucesso, além da qualidade da matéria prima e “dos temperos”, vai da maneira de temperar e de encher o bucho. Os ossos têm de ser entremeados com outros bocados do recheio, mais suculentos, em camadas bem ordenadas. E vai-se calcando, sempre, porque depois, no fim, é mais fácil de aconchegar o bucho e espremê-lo bem, para não deixar lá dentro bolhas de ar! E, por fim, há-de ser muito bem atado e com segurança.
Depois de bem limpo (por fora), fica dependurado, a escorrer umas horas e só depois é que vai para o fumeiro, onde continua a pingar durante uns dias, até se começar a fumar e a ficar seco, bem vermelho e lustroso.
Depois, é a delícia, que se sabe: é queimoso, sem ser picante; é gorduroso, sem enjoar; é apetitoso, sem enfartar; é saboroso, sem ser indigesto; é gostoso, sem cansar. Até a pele do bucho, depois de cozida e bem torrada, constitui um manjar de eleição.»
«Sabores Literários», crónica de Paulo Leitão Batista

leitaobatista@gmail.com

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