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Um dia, apareceram no Vale da Senhora da Póvoa uns homens engravatados a dizer na tasca, em voz bem alta, que queriam comprar volfrâmio, e toda a quantidade que houvesse…

José Jorge CameiraO Ti Valdemar Carolo (nome fictício), de qual já aqui falei noutra crónica, terá dito que tinha muito dessa coisa. Isso gerou uma mudança total na vida dele: vendeu as cabras e começou a extrair sozinho o tal minério para aqueles clientes certos. Era só ir aos buracos, apanhar, carregar os alforges do macho e as cangalhas de dois ou três burros que entretanto comprou e guardar no palheiro, fazendo cagulo, repetindo o mesmo vezes sem conta…
E o dinheiro começou a entrar na vida dele em grande quantidade! Às carradas…
Mas que fazer com tanta nota de mil escudos, se não havia onde as gastar, ou seja, se não havia «coisas» para comprar?
A primeira viagem grande que fez foi a Penamacor ao dentista. Combinou com ele arrancar toda a dentadura, a de cima e a de baixo, cravelhas incluídas, e botar dentuça nova, mas em ouro do amarelo!
Tanta nota tinha, que até deu para forrar a parede interior de taipa da casa. Aquilo dava para tudo, até para limpar o rabo! Isso de se limpar com pedras e ervas já era coisa do antigamente! Algumas notas dessas de cem escudos, do Pedro Nunes, apareceram mesmo na Fonte Santa, no Lameiro e na Serrinha. O povo então dizia, quando por aqui e além encontrava emplastros cobertos de mosquedo:
– Olhem, o Ti Valdemar passou por aqui…esteve ali a baixar as calças!
Era até uma forma de alguns também lucrarem com a fortuna dele, por que o bom do nosso homem, à falta de melhor prás limpezas, servia-se das notas que lhe pingavam dos bolsos !
Estou a imaginar o Ti Valdemar a entrar nas duas tascas do Vale de Lobo e sorrir sem motivo, só para todos verem o «corta-palha» novo e amarelo, brilhando com a luz mortiça das candeias d’azeite!
Num outro dia, ouviu num rádio de válvulas, comprado na Feira de Santo Estêvão, um insistente reclame das canetas Parker 51, muito na moda naqueles anos…
Por que não comprar uma, se havia carcanhol para isso à barda?
Inabanão põe-se a caminho de Castelo Branco, entra numa loja e pede uma dessas tais canetas Parker 51. Que não havia, ainda não tinham chegado à cidade, ter-lhe-à dito o comerciante. Cheirando-lhe a pateguice, informou que tinha uma de outra marca, melhor e mais cara. Por 10 notas (ou seja mil escudos) vendia-lhe uma. Era uma caneta daquelas das feiras, rafeirosas, levantava-se uma mola com a unha que apertava dentro uma borrachinha cheia de tinta e borrava de imediato os dedos, as mãos, o bolso, a camisa… tudo !
Foi essa mesma que ele quis. Pagou e lá foi de volta para o seu Vale de Lobo, onde a mostrou a todos! Na rua prendia-a no bolso da camisa, mas com a dita do lado de fora! Mas para que queria uma caneta, se nem ler e escrever sabia! Mas que ganda metarroano !!

José Jorge Cameira

«Estórias de um filho de Vale de Lobo e da Moita»
mailto:jjorgepaxjulia4@hotmail.com

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A Meimoa é muito conhecida por causa da respectiva barragem, junto ao início da Serra da Malcata, onde deveria viver o lince, com belos olivais, grandes pinhais, vinhas e a famosa Ponte Filipina (que não o é) que liga a Aldeia à Benquerença e daqui aos Três Povos, Alpedrinha, Fundão, Covilhã, Serra da Estrela…

José Jorge CameiraSabia que para lá da minha aldeia existia uma outra aldeia com o nome MEIMÃO, perto do Sabugal mas ainda concelho de Penamacor, e depressa pensei que o nome MEIMOA tivesse algo a ver com o outro. Mas não consigo descortinar parecenças…
Foi na Meimoa que me estreei na equipa de futebol dos Grandes do Vale da Senhora da Póvoa, aldeia a quatro quilómetros. Ou porque era bom a jogar ou talvez porque faltasse alguém, o seleccionador Norberto convocou-me. Lembro-me que a dado momento, durante o jogo, a bola sobrou para mim e chutei ao calhas para a frente… Só dei conta de dez latagões saltarem para cima de mim (um franganote moreno escanzelado e pau de virar tripas) abraçando-me e quase me esmagando. É que tinha marcado um golo, sem querer é claro, mas o único do desafio.
Os rapazes da Meimoa, capitaneados pelo Nuno Moiteiro, presentearam-nos com uma grade de gasosas do Soito, que serviu para recuperar forças, ainda tínhamos que fazer os tais quatro quilómetros a pé de volta à nossa aldeia…
Houve nesta aldeia um acontecimento célebre que é uma delícia recordar! Em todas as aldeias aos domingos os sinos das Igrejas badalavam às 19 horas, marcando o fim dos bailes e a obrigatoriedade dos jovens irem rezar o terço. Até no nosso Vale isso acontecia, os padres estavam combinados, era marosca, via-se… É claro que só as meninas donzelas iam, mas arrastadas pelas mães, que lhes diziam que só assim garantiam um bom casório!
Essa estória chegou-me aos ouvidos pelo meu Tio Manuel Cameira «Caixeiro», do Vale da Senhora da Póvoa e irmão do meu Avô, contada naqueles serões de Inverno junto à lareira e com os varões com enchido verde a pingar sobre todos. O Ti Manuel Caixeiro casou na Meimôa por volta de 1940 com uma senhora de nome Teresa Manteigas. Foi por essas idas e vindas à Meimoa que ele ouviu esta versão do acontecido e assim ma contou.
Numa tarde de um qualquer domingo, às 7 da tarde, o sino tocou e o baile acabou como era hábito.
O Padre Fernando à hora do terço deu pela falta nos bancos compridos de uma rapariga, a Maria Martins, já em namoro adiantado com o Tóino Berto (tudo nomes fictícios).
Não foi à Igreja, sabe-se lá onde terá estado a aproveitar melhor o tempo…
No domingo seguinte, em plena homília no cimo do púlpito, então não é que o Padre Fernando verbera em público, alto e bom som, que a Maria Martins (citou mesmo o nome dela) tinha faltado ao terço do outro domingo!!! Que era pecado, mau comportamento, imoral, uma vergonha…
A rapariga a chorar foi fazer as queixas ao namorado, e fez muito bem.
A coisa parecia ficar por aí, mas, de repentemente, o caso deu para o torto!
O Padre Fernando era encorpado, barrigona, parecendo prenhice à frente, e atrás um grande, largo e gordo traseiro!
Nessa noite, depois de rezado o terço, houve alguém que surgindo do escuro da rua, ferra uma valente e ruidosa chumbada de flobber no gordo e avantajado rabo do arrogante sacerdote…
– Aqui del-rei que querem matar o nosso santo Padre Fernando!! – gritaram as mulheres, ganindo a caozoada ao mesmo tempo!
– De certeza foi o Toino Berto! – gritaram as beatas da sacristia.
– Que nada, disse o Toino, estava a ouvir o relato do Artur Agostinho do Sporting contra o Salgueiros na Emissora Nacional!
Das desconfianças do autor do crime contra as gorduras traseiras do Padre, passou-se às certezas… foi o Toino Berto, pronto, já está!
Foi feita queixa-crime contra o rapaz na GNR de Penamacor… que ele queria mesmo era matar, tinha que ir para a cadeia, não se faz uma coisa dessas e logo ao nosso querido padre, ministro de Deus!
Foi marcado o dia do Julgamento no Tribunal da Comarca em Penamacor.
Entretanto, no «hospital» da Dona Bárbara de Penamacor, foi retirada uma boa mão cheia de chumbinhos do bundão do Padre – estou a imaginar o enfermeiro com uma pinça procurando dentro das entremeadas as bolinhas metálicas reluzentes de toucinho!
O Padre foi instruído para arranjar testemunhas.
– Até tenho muitas ! – disse ele, com ar de vingança demoníaca, esquecendo o perdoar das ofensas no Pai-Nosso.
Nos oito dias antes do julgamento, houve reunião diária, mas nocturna, marcada pelo Padre Fernando na sacristia da igreja com meia dúzia de beatas que assim orquestraram o testemunho contra o rapaz… Que sim, que viram o rapaz com a arma na mão, que disparou contra o Padre…
No dia do julgamento, o juiz interrogou uma a uma essas testemunhas… e todas diziam exactamente a mesma lenga-lenga, originando desconfianças. Terá interrogado de novo cada uma das mulheres de per si para saber quem lhes tinha ensinado aquelas respostas todas iguais.
Ingenuamente, lá foram dizendo que foi o Senhor Padre Fernando que as ensinou a responder daquela maneira na Sacristia, todas as noites, parecendo uma cantoria em coro…
Resultado: essas testemunhas beateiras foram todas um dia-de-cana para o xelindró a ver a Lua aos quadradinhos… e o Toino Berto foi ABSOLVIDO!
Nessa noite na Meimoa parecia a noite de Natal! Houve foguetes nos céus, mandaram até vir o acordeonista do Vale e comeu-se à la gardère um vitelo de churrasco no centro da aldeia bem regado com vinhaça da boa com que todo o Povo se alambazou, celebrando a vitória contra a Inquisição e o Inquisidor local!!
Muitos chumbinhos ficaram sossegados para sempre no rabo clerical, mais valeu isso que arriscar uma paralisia…

José Jorge Cameira

«Estórias de um filho de Vale de Lobo e da Moita»
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A minha chegada ao Sabugal teve também um certo impacto nas Colegas, nas meninas. Esquisito, mas elas olhavam para mim com ar de quem via uma ave rara…Se calhar era porque viam sempre os mesmos rapazes da Vila, ano após ano. Eu era sangue novo naquela acalmia social!

José Jorge CameiraOlhares matreiros, sorrizinhos, joguinhos de olhos, bilhetinhos com mimos atirados para mim durante as aulas… a minha auto-estima subiu para valores inimagináveis !
Até cheguei a pensar que afinal eu era um rapaz bonito, catancho!
Houve uma menina que me chamou uma atenção especial. Era aloirada, olhos azuis, rosto redondo, de coranço rápido, vestidinhos amarelos, verdes, limpíssima, exalava meiguice, inacessível … E não era menina fácil, nem me dirigia especiais olhares…
Um dia, numa festa no Externato, até declamei um poema dedicado a ela! Eu que sempre detestei poesias, tive que procurar um poema adequado num livro antigo, não fossem descobrir que o dito poema não fora da minha lavra…
Mas eu já sabia, apesar dos meus verdes 18 anos, que um rapaz com tempo e paciência, consegue namorar com qualquer rapariga que deseje ou escolha! Bastava marcar a «presa»! Mais tarde ou mais cedo, seria minha namorada, eram favas contadas!
Tinha o meu objectivo supremo quase alcançado – namorar com a difícil Colega – quando um dia, no fim dum período, fomos esperar as camionetas que traziam os estudantes da região da Guarda.
Estava eu com a minha mão tocando de raspão na mão dela (de bmão dada era impossível), quando da camioneta saiu uma estudante que eu não conhecia, que se me dirigiu e disse:
– Tu és o Zé Jorge?
– Sou…
– A tua namorada não pôde vir e manda-te cumprimentos…
O chão desabou sob mim, senti as pernas perderem força, quase que desmaiei! A menina dos meus olhos, ali ao meu lado, corou e abandonou-me logo ali para sempre, de nada valendo os meus bilhetinhos e inúmeros argumentos sobre a falsidade do acontecido.
Dessa vez senti-me injustiçado. Tanto trabalho, tanto ardor… para nada, era ali o fim do meu sacrifício! Era mentira e nem sei até hoje como e quem forjou aquela armadilha! Talvez tivesse sido a mando do gajo com quem ela casou…

Sendo eu do Vale e estudando no Sabugal, onde se faziam grandes jogatanas no campo pelado do Sporting Clube do Sabugal, foi natural eu organizar um jogo de futebol entre a malta do Vale e colegas do Externato.
Num domingo combinado, eis que a minha aldeia é atravessada por um vistosa camioneta com a bandeira do Sporting do Sabugal. O Alexandrino, o capitão dos sabugalenses e colega do 4ºano, diz-me então:
– Zé Jorge, cá estamos nós, não te aflijas porque veio a equipa de juniores do Sporting. A malta do Externato afinal não apareceu e então viemos nós, fazemos um treinozinho nas calmas…
– Alexandrino, não foi isso que combinámos e assim vamos levar uma abada!
Lá fomos para o nosso estádio – aquela nesga de terreno em frente à porta da Ermida da Senhora da Póvoa.
A nossa equipa reuniu e dissemos todos: a nossa única esperança são as árvores. Os gajos do Sabugal são melhores que nós, mas não sabem das árvores e vão marrar nelas de certeza, até pode ser que a gente ganhe com a ajuda da Senhora da Póvoa!
– E tu, Zé Jorge, como és alto, ficas à baliza!
Bem… aconteceu mesmo a tal abada! Os gajos do Sporting pareciam endiabrados e nem as árvores os paravam. Chocavam com elas a toda a hora, sim, mas levantavam-se logo!
Perdemos e por 7 secos!
No fim do jogo, uma mulher que estava sentada no paredão ali mesmo perto do coreto, vem a correr na minha direcção, arreia-me várias vezes com a sombrinha e grita bem alto e repetidamente:
– Traidor ! Vendido ! Zé Preto dum raio!
(Na aldeia era esse o meu nome e não Zé Jorge. Por que a minha pele era morena, mesmo escurinha…)
Durante o meu 5ºano de Ciências, quando me apercebi que conseguia manter a média de 12 valores, decidi organizar um grande convívio (baile e jogo de futebol) entre a malta do Externato e alunos do Colégio de S. José da Guarda, conhecia muita malta de lá e entre eles o António Marques. Correu tudo bem: o jogo ganhámos por 2-0 (eu com uma bela exibição que quase fui chamado para internacional junior) e o baile abrilhantado pelo gira-discos do Nélito Alexandrino correu do melhor, as meninas foram aos «milhares» dançar preferentemente com os rapazes da Guarda, mesmo com o cheiro a suor da jogatana, banho só lá em casa na Guarda…
Conheci o António Marques quando eu era estudante no Outeiro de S. Miguel, teria uns 16 anos. Um dia disse-me:
– Ó Jorge, vamos a Pinhel. Vamos ver as meninas que dizem ser lindas e jeitosas…
Levou-me a casa dele (o pai era um conhecido professor egitaniense) e perante o meu espanto pegou da garagem o Carocha preto do pai e lá fomos até Pinhel, mesmo sem carta de condução.
O António vivia numa cidade, a Guarda, que nos meses de Verão enchia-se de milhares de turistas. Para compensar do frio dos Invernos…
Conheceu no Jardim Público e durante as Festas de Agosto uma jovem turista sueca que estava acampada com os pais no Parque de Campismo. Era lindíssima, cabelos loiros compridos, olhos azuis e um corpo atlético que todos olhavam…
O meu amigo entrou em intimidade total com ela. Diariamente bebia e abusava daquele mel e o feitiço tomou conta dos seus sentidos, a ponto de querer convencê-la a ficar na Guarda! Mas que ilusão mais maluca!
Os pais dela, após 15 dias na cidade, pegaram na caravana e foram para outras paragens, foi para isso que vieram da Suécia, para férias…
Foi depois daquele jogo de futebol do Sabugal, em que eu e o António Marques jogámos como adversários, que eu soube da notícia que me derrotou a alma durante muito tempo:
O António, roído de saudades da sua linda sueca, foi à casa de banho do Jardim da Guarda e ali mesmo pôs termo à vida!
Mas que desperdício!
Ali bem perto do campo de futebol do Sporting, onde se realizou o tal jogo contra o Colégio de S. José, vivia numa moradia uma linda e prendada menina que namorava um rapaz da Vila que não era lá muito masculino. Houve até um colega que afirmou peremptoriamente que espreitou atrevidamente pela janela da casa e viu-o a fazer bordados…
Passados uns anos fiquei a saber que essa menina afinal não casou com o rapaz dos «bordados» e é hoje a companheira dum meu amigo de sempre dos Fóios…
Neste Externato consegui um relativo sucesso escolar: após fazer o 4ºano, no ano seguinte decidi como aluno-maior preparar-me para a Secção de Ciências do antigo 5ºano.
Fiz todas as provas escritas e orais no Liceu da Guarda e consegui a média que eu estabeleci: 12 valores… ena cum catano!!
Porque mais do que esta nota, seria privar-me de muita coisa!!!

José Jorge Cameira

«Estórias de um filho de Vale de Lobo e da Moita»
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O Dr. Salgueiro era o professor de Matemática. Era do tipo seminarista, daqueles que desistem no último ano, sempre com casaco e calças terylene, camisa tv com esticadores e gravata com pregador. Logo de princípio começou com um implicanço contra mim, mas com um tom positivo.

José Jorge CameiraBonzinho, não chateava muito. Não era um professor-inimigo! E porquê?
Como já escrevi, eu estava hospedado na casa da Dona Alexandrina, cuja distância da parede do Colégio era precisamente a largura da rua, uns cinco metros.
A aula de Matemática era sempre a primeira da manhã, às oito e meia. Como eu andava quase sempre na borga até às tantas, ou no petisco ou a jogar à lerpa, para mim era difícil levantar-me cedo e chegar a horas à aula. Então no Inverno, era um suplício, sabendo que o Sabugal recebe os ventos gélidos de Espanha e da Guarda.
Então chegava sempre atrasado às aulas do Dr Salgueiro.
– Então Sr. Jorge, atrasado? Que se passou?
– Ó Sôtore, moro longe, tenho de vir a pé, desculpe lá… Respondia eu, gemendo de fingimento.
Esta conversa provocava sempre uma caterva de risos, principalmente da Lena Ermidinha, que ria como se fosse uma gata a ser esganada. Que provocava risos histéricos!
Era o aluno que morava mais perto do Colégio! E o último a entrar na aula!
E o pobre (salvo seja) do Dr. Salgueiro ali sobre o estrado, com o ponteiro na mão abanando, compreensivo com os atrasos, nunca percebendo até ao fim do ano por que razão todos se riam daquele meu paleio frouxo…
Uma vez foi demais a risada: caiu um grande nevão e eu, mal saí de casa, fiquei logo com neve até aos joelhos! Cheguei atrasado, como era hábito…
Mal abri a porta da aula, o Dr Salgueiro disse:
– Ó Sr Jorge, não precisa se desculpar pelo atraso, entre lá, já sei, compreendo ter demorado tanto tempo a chegar, com este nevão…
A risada foi total e mais forte nesse dia…
Mas houve uma partida que fiz com outro colega que o Dr. Salgueiro nunca descobriu.
No ano seguinte, estava eu no 5.º ano, apresentou-se no Externato um aluno vindo de Beja! Filho de uma família abastada do Alentejo, o pai mandara-o estudar para o Sabugal acompanhado pela tia, para fugir às traquinices de uma grande(!) cidade como Beja. A fama de disciplinador do Dr. Diamantino chegava bem longe!
Só que esse aluno não era um qualquer. Tinha um Morris Cooper S à porta do apartamento onde vivia! Às vezes acelerava e o ruído do motor com dois colectores de escape roncava por toda a vila!
Um dia esse colega bejense diz-me, antes de entrar para a aula de Matemática do Dr. Salgueiro:
– Ó Zé Jorge vamos faltar à aula, tenho uma coisa melhor para fazermos.
Levou-me para junto do carro do Dr. Salgueiro, um Ford Cortina 1600 GT, quase novo, estacionado frente ao Colégio. É que o colega alentejano tinha reparado que ninguém tirava as chaves dos carros, incluindo o nosso professor – naquela pasmaceira de vila, quem é que roubava carros? Então disse:
– Vamos levar emprestado o carro do Salgueiro, vamos até Vila Boa, eu olho o relógio, cinco minutos antes de acabar a aula, pomos o carro no mesmo sítio onde ele o deixou.
Assim aconteceu… grande passeata fizemos e eu, claro, aqui com um grande aperto!
Só nós dois entendemos por que vimos da parte da tarde o Dr. Salgueiro a pedir ajuda a alunos para empurrar o carro até à bomba de gasolina! E olhando de vez em quando debaixo do carro… pensando:
– Será que tenho aqui algum furinho por onde a gasosa se foi?
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Havia também o professor de Religião e Moral, um padre todo prá-frentex, que era a pessoa mais esquisita que havia no Colégio. Por que seria que pagava cinco Tostões por cada matrícula de carro que lhe trouxessem? Fartei-me de ganhar dinheiro com ele!… até pensei: se a religião católica, a dele, é assim, então vou já rebaptizar-me!
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Qualquer estudante que se preze, o copianço nos pontos ou testes é uma obrigação.
Eu via os meus colegas, eles e elas, fazendo cabulazinhas bem enroladas, escondidas junto aos pulsos ou dentro das meias.
Achava isso assim meio-esquisito, porque o acto de fazer uma cábula já era estudar!
O que desvirtuava o «copiar», uma arte engenhosa do estudante que se preze e queira ter sucesso, passe a contradição!
Recordo-me duma cena passada num ponto com o Dr. Moreira, alentejano de Campo Maior, fanático pelas coisas do futebol. Foi numa sala de um apartamento que o Dr. Diamantino anexara ao edifício principal do Externato.
No dia do teste, coloquei sobre a secretária do Professor, o jornal Record que trouxe do Altobar, mas de uma semana atrás. Logo que ele distribuiu a folha das perguntas, sentou-se e tal como previsto, começou a folhear o jornal.
O teste parece-me que era de Botânica. Olhei à volta e vi todos tirarem as cábulas, eles e elas de esconderijos corporais diferentes.
Eu que era avesso a cábulas… peguei no livro de Botânica, o próprio, abri e folheei onde era preciso e assim respondia às perguntas. Era só copiar dali para aqui… e esperar por um 15 ou 16!
Mas eis que algo inesperado aconteceu.
A colega ao meu lado sentiu-se aflita vendo o meu livro de Botânica ali escaqueirado à minha frente e começou a sentir-se mal: Tinha-lhe aparecido o «incómodo»… como nós os rapazes nos referíamos ao problema mensal das senhoras.
Perguntaram-lhe o que tinha causado aquela aflição àquela hora e assim teve de contar o que vira!
E assim nasceu no Externato a minha fama de terrível «copiador»!
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Tínhamos a Professora de Inglês, uma lady sempre de mini-saia, doutora de Coimbra com 20 e poucos anos, que desconfiando dos meus 17 e 18 nos pontos de Inglês e sabendo que eu não era amigo de estudar aquela disciplina, colocava-me bem à frente da sua secretária no dia dos testes. Mas era assim mesmo: não era preciso estudar para eu ter notas boas a Línguas.
Era inadmissível que eu tivesse mais sucesso que o Tomás, colega que era um marrão, de fatiota, sempre limpando as unhas, sem noitadas e cujas nota máxima era o 10 ou 11 nessa disciplina. Contrastando com os seus 16 ou 17 a Matemática!
A malta sabia que a professorinha estava hospedada na Pensão perto dos Correios e então nós à noite subíamos às árvores para vermos o «streap» dela no quarto. Credo, era toda boazona em cada centímetro do corpo! Alguns de nós vimos pela primeira vez o corpo nú de uma mulher…
Ganda vida, esta de estudante!!!

José Jorge Cameira

«Estórias de um filho de Vale de Lobo e da Moita»
mailto:jjorgepaxjulia4@hotmail.com

Tinha acabado o ano escolar no Outeiro de São Miguel, colégio situado num ermo a poucos quilómetros da Guarda, e fui para férias do Verão para a minha aldeia, o Vale da Senhora da Póvoa. É então que o meu Avô me comunica que no próximo ano me ia matricular no Externato Secundário do Sabugal para frequentar o 4.º Ano do Liceu.

José Jorge CameiraOu por estar perto da aldeia, ou porque tinha lá amigos que lhe recomendaram esse colégio dirigido pelo Dr. Diamantino, que tinha já fama de competente, disciplinador e com um bom grupo de Professores.
De princípio o assunto não me agradou muito, porque estava perto da minha Aldeia e o meu Avô poderia controlar melhor os meus passos e o pior de tudo seria a possibilidade de ele aparecer de repente por lá. Ora eu naquela idade queria, desejava, precisava de rédea solta…
Pensando melhor depois, aceitei a ideia, porque seria uma espécie de dois em um: era uma rambóia no Sabugal e outra aos fins de semana no Vale… Mas que boa vida de aventura eu iria ter!
O Sabugal é hoje cidade, mas é povoado que ficou pertença do Reino de Portugal pelo Tratado de Alcanizes, ao tempo do Rei D. Dinis, em pleno Século XIII. Por ser perto de Espanha, teve imensas estórias de contrabando de e para Espanha: para lá ia o café, o bacalhau, tabaco das marcas Porto, Definitivos e Kentucky e de lá vinha aquele saboroso pão formato quadrilátero além de outras coisas… era o tempo que 1 Escudo valia 2,5 Pesetas.
Famosas aldeias são deste concelho – Quadrazais, Fóios (terra do meu amigalhaço Ismael Sanches Vaz), Soito (das laranjadas e das castanhas)…
O Castelo é o ex-libris –«Castelo de Cinco Quinas só há um em Portugal ; fica nas margens do Côa, na vila do Sabugal».
À volta da Vila corre preguiçoso o Rio Côa – o único Rio de Portugal que vai para Norte, desaguando no Rio Douro. Por coincidência, ou talvez não, tem muitas semelhanças com o Castelo de Beja. O de Beja tem apenas «4 quinas», mas os documentos históricos dizem que a sua primeira reconstrução conhecida foi no tempo de D. Dinis, rei este que tem muito a ver com o Sabugal.
Chegou Outubro, fui para o Sabugal. Estava a papinha feita: ficaria hospedado na casa da Dona Jesus Alexandrino, uma casarona com quintal mesmo ao lado do Externato, com cama e comida prontinha na mesa. Na casa havia mais dois colegas estudantes do mesmo colégio, o Joaquim Corte e a Leopoldina de Santo Estevâo que haveria de casar com o Manuel Félix do Vale, já falecido.
Foram feitas as apresentações no Externato, mas eis que começam cedo as «confusões» – boas, entenda-se…
No Colégio conheci vários colegas, entre outros que já esqueci o nome: Orlindo Metaio, o Zé Rente, o Ferreira, o Zé Carlos Mendes, um gajo grandalhão e já com ares de intelectual…
Raparigas, algumas ainda lembro o nome: Hortênsia Malaquias, a Milice, Alice, a Lena Ermidinha, Isaura, as duas Fernandinhas.
O Zé Rente, lidei com ele os dois anos que estive no Colégio e tive uma admiração especial por ele: teve um acidente quando era mais novo – fez uma imitação de pistola em madeira e ao experimentá-la, o fulminante atingiu um dos olhos e cegou. Mas isso nunca o impediu de ser um exímio jogador de bola. Pegava na bola numa baliza e ia fazer golo na outra, sempre com toques de bola, saltitando no sapato dele… A fintar, era arte e finura em pessoa.
Mas tivemos as nossas makas: queria ser líder, mas eu também queria!
Casou com uma colega do Externato, a Vitória Pinto de Santo Estevão.

O Faustino (nome fictício) era um colega vivaço, sempre bem disposto, voluntarioso, fortalhaço, sempre rindo e um ás a jogar às damas. Ninguém no Sabugal o derrotava no tabuleiro do AltoBar!
Foi neste café que aconteceu uma estória engraçada.
A rapaziada bebia cerveja Sagres, a tal que custava 7 escudos.
Um dia foi uma risada geral quando um emigrante que chegou de «vacanças» e todo vaidoso pediu uma «bièrre» e cobraram-lhe 10 escudos. É que a «bièrre» é mais cara! – disse o empregado.
O Faustino logo nos primeiros dias disse a todos da turma, perante a minha estupefacção:
– Ei, malta, temos um novo colega, o Zé Jorge, temos que celebrar a vinda dele para o Externato! Na próxima segunda-feira, todos para minha casa à noite.
A recepção à minha chegada ao Sabugal foi assim programada o que deu ensejo que nesse fim de semana eu tivesse «subtraído» dois garrafões de vinho nas barricas da minha casa no Vale da Senhora da Póvoa.
Na noite da segunda-feira lá fui eu, éramos 12 ao todo. Já os tinha visto no Externato e só isso.
Quando entrei na casa do Faustino estava uma grande lareira acesa, grandes brasas que iluminavam uma grande sala. Sobre aquele braseal, várias galinhas assavam e estavam preparadas também chouriças. Pão… e, mesmo a calhar, os meus garrafões de vinho tinto.
Foi uma noitada de comer e beber, como eu nunca tinha tido na vida. Uma farra completa!
Alguém disse para irmos dar uma volta pela vila para refrescar a cabeça do tintol, depois voltarmos para a segunda demão.
Assim foi: passear, cantar, fazer barulho, pedradas nos gatos, alguns até com ruidosos traques que provocavam grandes gargalhadas! Alguém dava um, alguém respondia com outro.
Ora fazer algazarra a essa hora e naqueles tempos, a coisa tinha que dar para o torto. Podia ser coisa subversiva ou coisa de comunistas!
De repente lá em cima na rua principal e junto à Igreja ouvimos os apitos da GNR (os policias odiados de então) e os avisos habituais da bófia:
– Parem em nome da Lei! Ou vão todos presos!!!
É o páras!! Páro, o tanas… ai, pernas para que vos quero…
Nós os 12 começámos a correr pelas ruas fugindo aos GNR’s, cada um para o seu lado, e para agravar a situação, estávamos atordoados pela pinga e de barriga cheia de petiscos.
Lembro-me que fugia deles e sentia um preguinho do salto do meu sapato esquerdo que entrava e saía dentro do meu calcanhar, mas não havia hipótese: tinha de correr e muito!
Estava eu correndo com outro e chegados aquele pequeno jardim atrás do edifício onde era na altura as Finanças, ouvimos um voz forte e autoritária:
– EI , QUEM VEM LÁ?
Por instinto, julgando ser um dos polícias, eu e o meu colega jogámo-nos por aquela ribanceira que vai dar lá muito em baixo ao Rio Côa. Caímos no meio das silvas, rebolámos, ficámos todos arranhados, rasgados…
Inabanão, ouvimos alguém rir: era o Faustino que estava escondido e ouvindo os nossos passos, gritou daquela maneira! Mesmo na altura do perigo, ele gozava com a situação…
As correrias continuaram e eram 5 da matina entrei no meu quarto na casa da Dona Jesus Alexandrino.
A coisa não terminou assim. De manhã a ramona da GNR foi prender 11 moços, debalde procuraram o décimo segundo, que era eu…
Não fui dentro porque era novo na vila, ninguém me conhecia e os 11 não piaram!!
Acreditem: pelas 11 da manhã pedalava eu na bicicleta do Joaquim Corte junto ao local onde estavam de cana os meus colegas. Passaram algumas horas no xelindró e quando saíram, começámos logo de imediato a arranjar OUTRO MOTIVO para uma festança igual. O vinho das pipas da minha casa na aldeia estava garantido!

Um mês depois da aventura em que interveio a autoridade, apareceu novo motivo para uma festança entre os que estudávamos no Sabugal: o Faustino avisou que fazia anos e que tinha de haver festa!
– E tu ó Zé Jorge, não te esqueças de trazer uns garrafões de vinho, mas roubados, assim até sabe melhor a pinga…
Assim foi. Na tal sala da casa dele comemos um belo guisado de coelho e disse que foram roubados em Vila Boa. O Faustino avisou logo que era tudo para nós comermos, ela não iria comer por estar com uma grande dor de barriga!
Era um guisado feito numa panela de ferro das antigas e o cheiro entrava pelos narizes. Apiguilhado pelo vinho do Sr Tenente (o meu Avô do Vale), então foi o máximo. Ganda comezaina, cum catano! Não meteu barulho nas ruas, senão haveria outra «séjour» detrás das grades…
Estava a panela bem raspada, até houve quem passasse pão por dentro para aproveitar o molho como gulodice, quando o Faustino pediu silêncio. Aí vem discurso, pensámos!
– Oiçam, vocês lembram-se daquela gata velha em casa da minha avó, lá no cimo das escadas, cega dum olho, deitava pus amarelado, era um nojo, a velhota pedia-me muitas vezes para a matar?
– FOI ESSA GATA QUE VOCÊS ACABARAM DE COMER!!!
E começou rindo desavergonhadamente, segurando até a barriga…
Bem. Imagine-se a malta a sair correndo para a rua e todos enfiando o dedo bem fundo na goela para vomitar! Eu também. E injuriando o gajo… que ainda se ria perdidamente!

José Jorge Cameira

«Estórias de um filho de Vale de Lobo e da Moita»
mailto:jjorgepaxjulia4@hotmail.com

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