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Na já longa série de «histórias» aqui contadas, houve algumas que resultaram de impressões de viagens. Aliás, tal como já anteriormente tive oportunidade de dizer, as viagens são um excelente tema para crónicas e reflexões. Mergulhemos, portanto e mais uma vez, na mesma fonte.

Um dos salões do harém do sultão turco. Palácio Topkapi, Istambul (século XIX)

Adérito Tavares - Na Raia da MemóriaA Turquia é um país fascinante, verdadeira fronteira entre o Ocidente e o Oriente, entre o mundo europeu e o mundo asiático. Local de encontro de povos e de culturas, por ali encontramos alguns dos mais antigos vestígios da história da Humanidade: foi na Península da Anatólia (depois chamada Ásia Menor) que surgiram algumas das primeiras cidades (como Çatal-Hüyuk) e se estabeleceu uma das mais brilhantes civilizações antigas (a dos Hititas). Mais tarde, no início do 1º. milénio a. C., vagas de povos provenientes da Grécia, como os Jónios e os Eólios, fundaram várias cidades na costa asiática banhada pelo mar Egeu. Algumas destas cidades (Mileto, Éfeso, Pérgamo, Halicarnasso e outras) foram o berço de uma autêntica revolução no conhecimento: aqui surgiu a filosofia, aqui se desenvolveu a matemática, a geografia, a história, etc. O cientista Carl Sagan escreveu que o progresso científico da Jónia foi tão extraordinário que, se não tivesse sido interrompido, hoje estaríamos 600 anos adiantados. Por outras palavras: teria havido aviões no tempo do nosso rei D. Dinis e naves espaciais no tempo de D. João II. E, claro, hoje estaríamos a fazer aquilo que os nossos descendentes farão dentro de seis séculos.
No começo do século V a.C., as cidades gregas da Ásia Menor foram conquistadas pelos Persas e, mais tarde, reconquistadas por Alexandre Magno. E, no século II a.C., seria a vez de os Romanos integrarem toda a Anatólia no seu vasto Império. Uma das cidades fundadas pelos Gregos, na estreita passagem do Egeu para o mar Negro (Bizâncio), seria transformada numa espécie de segunda capital do Império no tempo de Constantino (Constantinopla). E, quando o Mundo Romano se dividiu em dois, Bizâncio-Constantinopla tornar-se-á a esplendorosa capital do Império Romano do Oriente.
No século XV, todavia, o velho Império Bizantino foi progressivamente ocupado pelos Turcos, um povo islamizado originário do Médio Oriente. No ano de 1453, Constantinopla foi conquistada pelos Turcos Otomanos, que lhe alteraram o nome para Istambul. A ambição turca, todavia, não se contentou com esta riquíssima cidade. Acabariam por ocupar toda a Península Balcânica, incluindo a Grécia e os territórios que depois seriam a Roménia, a Bulgária, a Hungria, a Jugoslávia, etc. (a existência de muçulmanos na Bósnia deve-se à ocupação turca, que se prolongou até ao século XIX). A fulgurante expansão turca originou um dos maiores impérios de todos os tempos, sobretudo no reinado do sultão Solimão o Magnífico (século XVI). No seu apogeu, este Império incluía, para além do actual território turco e dos Balcãs, o Norte de África (desde a Tunísia ao Egipto), a Palestina, a Síria, a Arábia e o Iraque. A partir do século XIX, todavia, iniciar-se-ia o declínio: a Grécia, a Sérvia, a Roménia e a Bulgária alcançam a independência. Outros territórios balcânicos são anexados pela Rússia ou pelo Império Austro-Húngaro. E, com a derrota do Império Turco Otomano na 1.ª Guerra Mundial, perdem-se todos os territórios do Norte de África e do Médio Oriente, a favor dos vencedores, sobretudo a França e a Inglaterra, que os transformam em protectorados.
Esta longa (e talvez maçadora) dissertação histórica pareceu-me necessária para compreendermos o esplendor e a riqueza monumental da Turquia dos nossos dias. Quem visita Istambul fica deslumbrado com o Hipódromo, a Basílica de Santa Sofia ou a Cisterna de Justiniano, dos tempos romano-bizantinos; ou com a maravilhosa Mesquita Azul e a não menos impressionante Mesquita de Solimão o Magnífico; ou com o Topkapi, a antiga residência dos sultões, verdadeiro palácio das mil e uma noites.
A famosa Adaga do Topkapi com três enormes esmeraldas no caboE é exactamente sobre o Topkapi que eu gostaria de dizer mais alguma coisa aos leitores. O palácio fica situado no local mais belo de Istambul, num ponto elevado, com uma vista deslumbrante sobre o Bósforo (o estreito que separa a Europa da Ásia) e sobre o Corno de Ouro (uma reentrância do Bósforo que, ao pôr-do-Sol, apresenta reflexos dourados). Os salões do Topkapi mostram-nos hoje o que foi a riqueza e o poderio do Império Turco: armas, porcelanas, tapeçarias, mobiliário, jóias lindíssimas, tudo nos deixa boquiabertos. O famoso diamante do Topkapi, com 86 carates; o trono Bayran, de ouro puro e pedraria; ou o trono turco-indiano, de um luxo verdadeiramente «asiático»; a lindíssima adaga Topkapi, de ouro e diamantes, com três enormes esmeraldas do tamanho de ovos de pomba no cabo; candelabros de ouro maciço, pesando 50 quilos cada um; dezenas de esmeraldas, rubis, turquesas e todo o género de preciosidades que possamos imaginar, verdadeiro tesouro de Ali-Babá, tudo nos deixa estarrecidos. Isso e a arquitectura do palácio, os jardins, as cozinhas, a biblioteca, etc. etc. E, «last but not least», o harém.
Como se sabe, o Alcorão, o livro sagrado do Islamismo (a religião praticada por 99% dos turcos), autoriza a poligamia. Actualmente, a prática da poligamia não é permitida na Turquia. A revolução nacional dos anos 20, encabeçada por Mustafá Kemal Ataturk, aboliu o sultanato e instaurou uma República laica, ocidentalizada. No entanto, antes disso, a poligamia era tão frequente na Turquia como nos restantes países muçulmanos. A tradição poligâmica remonta ao próprio Profeta Maomé, que tinha quatro esposas quando morreu. O crente islâmico podia, portanto, ter tantas esposas quantas pudesse sustentar. Trata-se, obviamente, de uma prática populacionista. Em tempos de grande mortalidade, convinha incentivar o populacionismo como forma de os países serem fartos em mão-de-obra, exércitos, etc.
Pouco a pouco, porém, o número de esposas tornou-se um sinal de prestígio e de poder. Se um mercador rico tinha 20, um ministro devia ter 50 e o rei muitas mais. Há o caso conhecido de um xá da Pérsia, no século XVI, que tinha um harém com 60 esposas legítimas e 3000 concubinas (três mil, leu bem). Aqueles leitores que estiverem a pensar que elas se destinavam a satisfazer os apetites carnais do xá, fiquem sabendo que não era para isso que as concubinas serviam (ao ritmo de uma por dia, ele demoraria cerca de 10 anos a dar a volta!). Aliás, o xá raramente entrava no harém. Chegavam-lhe as esposas legítimas (das quais teve 180 filhos). O harém, ferozmente guardado pelos eunucos, era uma instituição de afirmação do poderio real. As jovens concubinas, recrutadas por todo o País por funcionários especiais, permaneciam alguns anos no harém e regressavam depois às suas terras, com um bom dote, sem que alguém lhes tivesse tocado.
O harém do Topkapi não tinha tanta gente. Habitualmente, o número de mulheres do sultão turco (as odaliscas) andava pelas 300. Chegavam ao palácio muito jovens, com 5 ou 6 anos, recebendo depois uma esmerada educação, preparando-se para agradar ao rei. Vinham de todos os pontos do imenso Império: eram árabes, egípcias, núbias, etc. As mais apreciadas eram as caucasianas, pela sua beleza, a sua pele branca e, em alguns casos, os olhos azuis. Começavam por ser noviças, depois tornavam-se concubinas (aí pelos 15 anos) e, finalmente, esposas. Todas disputavam os favores do sultão porque, se caíssem nas suas graças, podiam obter enormes riquezas e privilégios, ser mães dos príncipes ou mesmo do herdeiro.
As dependências do harém real, no Topkapi, são de um luxo requintado, com as paredes revestidas de lindíssimos azulejos e reposteiros, e o chão coberto de riquíssimas tapeçarias. E, por todo o lado, cochins e almofadões, rendas e brocados. E, pairando no ar, parece-nos escutar ainda melodiosos sons de flauta e de alaúde, vozes chilreantes de jovens e belas mulheres, risos, suspiros. E o mais que deixo à imaginação dos leitores. Porque, como dizia Camões, nestas coisas, «melhor é experimentá-lo que julgá-lo, mas que o julgue quem não puder experimentá-lo».
«Na Raia da Memória», opinião de Adérito Tavares

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